Ontem estive dedicando na Outorga da Luz Divina na Vila da Penha, que é a Igreja central da minha região.
Explicando a quem não é membro: A Outorga da Luz Divina é a cerimônia que marca a entrada como membro da Igreja Messiânica. É outorgado o Ohikari, medalha que permite ao novo membro ministrar Johrei - a nossa oração.
Isto posto,volto à manhã de ontem. Normalmente, três ou quatro unidades são escaladas para montar a equipe de dedicantes necessária a um culto como este. São aproximadamente 40 pessoas envolvidas na preparação e na organização.
Eu estava escalado para auxiliar as pessoas que seriam outorgadas na Nave da Igreja. Entretanto, cerca de uma hora antes do Culto o responsável geral olhou para a minha cara e me pediu: "Pedro, você vai ser responsável pelos oficiantes".
Quem leu o artigo sobre o casamento messiânico observou a explicação da função dos oficiantes na celebração. Pois é, também leu que há quatro anos não exercia tal função em cultos. Quanto mais ser responsável...
Procurei distribuir as tarefas - até porque haviam mais dedicantes que o número necessário - e não tendo vergonha de perguntar onde tinha dúvida à responsável pela parte litúrgica. Um errinho aqui, outro ali, mas acabou saindo tudo certo - unica e exclusivamente graças à qualidade dos meninos que fizeram muito bem os seus papéis.
Porém, o que fiquei pensando e me perguntando é como enxergar a Vontade Divina. Porque deu aquele "estalo" no responsável e acabei com uma responsabilidade que jamais havia exercido ? Não sei.
Muitas vezes, teimamos em não ver a direção que nossa vida precisa ou irá tomar.
Nas fotos, a equipe de oficiantes e as duas recepcionistas que nos auxiliaram. Obrigado !
Final de semana corrido, mas não posso deixar de comentar o escândalo de corrupção que estourou envolvendo o Governador de Brasília, José Roberto Arruda (foto abaixo), seu vice e mais da metade da Câmara Distrital da cidade.
Penso que este é um exemplo muito elucidativo de que, como escrevi em artigo anterior, o DEM (ex-PFL) age da mesma forma, até pior, do que tudo o que critica em seus adversários políticos. Na prática, posam de virgens em bordel, coisa que, absolutamente, não o são.
As imagens são inacreditáveis.
Aproveito para reproduzir abaixo dois textos. Um do site Congresso em Foco, citado pelo jornalista Luis Nassif. E outro, do jornalista, tucano-pefelista e anti-petista Ricardo Noblat.
Congresso em Foco:
Arruda e integrantes do esquema souberam da investigação. Temendo pela vida, Durval desistiu de prosseguir com grampos
(Rudolfo Lago)
"A intenção da Polícia Federal e do Ministério Público não era estourar agora a Operação Caixa de Pandora. A investigação deveria prosseguir, com o rastreio do dinheiro da propina e com mais grampos feitos pelo ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, que, após um acordo de delação premiada, concordara em gravar em áudio e vídeo conversas com o governador José Roberto Arruda e outros integrantes da, como classifica o inquérito, “organização criminosa”. Ocorre, porém, que no início de novembro, a operação vazou. Arruda tentou, em vão, ter acesso ao processo. A documentação inclusa no inquérito mostra que a informação sobre a existência da investigação chegara também à imprensa: há uma solicitação do jornal O Estado de S.Paulo para ter acesso ao processo, para “formulação de matéria jornalística”. Os passos do vazamento que precipitou o final da operação são detalhados no final do último volume de apensos do processo.
No dia 4 de novembro, Durval recebe uma mensagem de celular vinda do chefe da Casa Civil do governo do Distrito Federal, José Geraldo Maciel: “Seja bem cauteloso, mais do que você já tem sido”. Os dois, então, combinam um encontro na quadra 309 Sul, ao lado da banca de revista. Maciel diz a Durval que ficou sabendo que o STJ havia determinado à Polícia Federal que investigasse, no âmbito do DF, cerca de 30 pessoas. Que poderiam fazer parte dessa investigação o presidente Tribunal de Justiça do DF, Nívio Geraldo Gonçalves, o procurado geral de Justiça do DF, Leonardo Bandarra, o governador José Roberto Arruda e o vice-governador Paulo Otávio.
Quando Maciel passou essa informação a Arruda, a resposta do governador foi a seguinte: “Se a fonte for do STJ, então é confiável,e a investigação existe”. Arruda deu, então, ordem a todos os secretários e para todas as pessoas “que manipulassem dinheiro” para que agissem com cautela. Geraldo Maciel comentou que não concordava com o fato de haver no governo tanta gente “captando recursos financeiros”, e que acreditava que Arruda teria “perdido o controle” da sua rede de captadores.
No dia 12 de novembro, o cerco se aperta e Durval manda a seguinte mensagem para um celular da Polícia Federal, às 16h09: “Situação ficando insustentável”. Completava dizendo que Maciel já comentara sobre o processo 650. Que já sabia que o relator era o ministro Fernando Gonçalves e que as quebras de sigilo foram determinadas pelo ministro Felix Fischer. E que Arruda pediu vistas do processo, por meio de seu advogado, Cláudio Fruet. Ao final da mensagem, Durval pergunta: “O que fazer?” Às 16h26, ele manda outra mensagem para o mesmo celular da PF: “Começo temer pelo desconhecido. Outra: disse tratar-se de delação, só não sabe de quem”.
No dia 13, Durval vai à PF e presta um depoimento em que dá mais detalhes da conversa que tivera no dia anterior com Maciel. Na conversa, o chefe da Casa Civil informa a ele já saber que o processo tem como alvos ele próprio, Arruda, o conselheiro do Tribunal de Contas Domingos Lamoglia e Durval. Sabia também que a investigação se iniciara a partir de uma delação premiada. Maciel diz a Durval desconfiar que a delação teria sido feita por “algum empresário descontente”. Arruda pedira vistas do processo através do advogado Cláudio Fruet, escolhido por ter “suposta influência no STJ”. Maciel pergunta, então: “Você sabe mais alguma coisa a respeito disso?”.
À PF, Durval diz acreditar que Maciel, àquela altura, já tiha “quase certeza” de que o delator era ele. E completa dizendo que se sente ameaçado, porque Arruda “é fascinado pelo poder, e é capaz de qualquer coisa para preservá-lo”. E que o chefe de gabinete de Arruda, Fábio Simão, “é capaz de executar qualquer ordem ou desejo do governador”, já tendo um histórico de “contratação de capangas para provocar baderna e brigar na rua”. Perguntado se “temia pela sua vida”, Durval “respondeu que sim”.
“Ou me mato ou mato você”
Antes de agir como colaborador da polícia, Durval já gravava Arruda. E Arruda sabia disso. Durval relata em seu depoimento que, entre os dias 20 e 25 de dezembro de 2008, Arruda disse a ele a seguinte frase: “Se você apresentar essas imagens da minha pessoa, você me avise com cinco dias de antecedência que é para eu sumir ou dar um tiro na minha cabeça ou te matar”. Durval diz que a conversa se deu no seguinte contexto: Arruda teria lhe oferecido R$ 60 milhões e mais R$ 10 milhões por cada ano de governo subsequente, num total de R$ 100 milhões, para que não fizesse qualquer denúncia referente às atividades de arrecadação ilítica de recursos públicos. Ao final do depoimento, Durval diz que “já não se sente confortável” em prosseguir “com a colaboração nos moldes que vinha sendo feito”.
Diante da situação, no dia 13 de novembro, o delegado Alfredo José de Souza Junqueira, da Inteligência da PF, envia uma correspondência ao ministro do STJ, Fernando Gonçalves. “Inicialmente, a Polícia Federal havia planejado trabalhar sigilosamente com (…) Durval Barbosa Rodrigues por um período maior que o que se encerra neste momento”, explica o delegado. “Entretanto, os investigados tiveram acesso indevido a informações protegidas por segredo de Justiça e tomaram conhecimento da investigação”, continua.
“Considerando que ainda não se identificou a origem do vazamento, pode-se concuir que o sigilo das informações contidas nos autos do inquérito e nos autos apartados não será preservado por muito tempo”. Junqueira pede, então, a Fernando Gonçalves que autorize a execuçãod e mandatos de busca e apreensão nas casas e nos escritórios dos suspeitos. Fernando Gonçalves concede a autorização no dia 26 de novembro. As buscas acontecem, então, na manhã do dia 28 de novembro. E uma crise política sem precedentes instaura-se na política de Brasília."
Noblat:
"Pouco importa o que venha a fazer o governador José Roberto Arruda (DEM), do Distrito Federal. Pode ficar no cargo para evitar o risco de ser preso. Pode pedir licença. Se renunciar ao mandato tanto pior.
Mas uma coisa é certa: o plano de se reeleger foi engolido pelo mensalão embolsado por ele e sua turma. Não tem pão? Vá comer panetone.
Esse, sim, é um mensalão digno de ser encarado como tal e tratado com deferência. Perto do mensalão de Arruda, o do PT denunciado pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) não passou de um mensalinho.
É razoável supor que o mensalão do PT movimentou mais grana. Ocorre que ele era federal. O novo mensalão é distrital. De resto, vista de longe, Brasília se limita à Esplanada dos Ministérios.
É por isso que a maioria dos brasileiros não dá bola para o que se passa dentro das quatro linhas da política brasiliense. A imprensa de fora só raramente – embora muitos dos seus jornalistas vivam aqui.
Esqueça a imprensa local. O DNA dela é governista.
No último sábado, por exemplo, os dois principais jornais da cidade operaram o prodígio de noticiar o mensalão de Arruda livrando a cara de...De quem mesmo? De Arruda. O terceiro jornal não deu uma linha.
Repetiram a dose no domingo.
A imagem inaugural do mensalão do PT foi aquela do funcionário da empresa Correios & Telégrafos recebendo uma gorjeta de R$ 3 mil.
A do mensalão do DEM foi a do governador recebendo uma gorda quantia de dinheiro.
A gorjeta foi paga por um ex-bicheiro interessado em fazer negócios com o Correios.
O dinheiro foi entregue a Arruda pelo seu secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa.
Não há um único depoimento que incrimine Lula ou o vice-presidente José Alencar na denúncia aceita pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra os mensaleiros do PT.
Fita de vídeo ou de áudio que flagre mensaleiros de alto coturno discutindo a partilha do “faz-me rir”? Não existe. Mesmo contra o ex-ministro José Dirceu, apontado como chefe da “organização criminosa”, há poucos indícios de fato consistentes.
Arruda também foi filmado conversando com Durval e com o chefe da Casa Civil do governo sobre a necessidade de unificar a forma de pagamento de propinas a secretários de Estados e deputados distritais.
E outra vez foi filmado ouvindo Durval explicar que 40% do dinheiro arrecadado junto a quatro empresas da área de informática caberiam a ele, Arruda, 30% ao vice-governador Paulo Octavio e o resto ao demais beneficiados.
Há pontos em comum entre os dois mensalões.
Primeiro: o dinheiro serviu para facilitar a aprovação na Câmara dos Deputados e na Câmara Legislativa do Distrito Federal de projetos dos governos Lula e Arruda.
Segundo: os presidentes de ambas as Câmaras participaram do esquema.
Terceiro: Lula chamou seu mensalão de Caixa 2. Arruda chamou o dele de ação meritória para a compra de panetones destinados a saciar a fome dos pobres.
Sempre se poderá dizer que os mensaleiros do PT demonstraram mais esperteza. Deixaram menos rastros capazes de mandá-los para a cadeia.
Os mensaleiros distritais foram confiantes demais, relapsos demais e acreditaram em excesso que escapariam impunes.
Produziram o mais bem documentado escândalo da história política recente do país. Coisa de deixar Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, de queixo caído.
Os mensaleiros do PT tentaram se apossar da máquina do Estado, segundo a denúncia acolhida pelo STF.
Os mensaleiros de Brasília, não – a máquina do Estado é deles desde que Joaquim Roriz chegou ao poder pela primeira vez. Ele governou quatro vezes. Em 2006, ajudou seu ex-pupilo Arruda a se eleger.
Arruda herdou de Roriz parte dos seus auxiliares. Durval foi um deles. Afinal, por que mexer em time que estava ganhando?
O calendário gregoriano nada tem a ver com o calendário político.
A se levar em conta o primeiro, o governo Arruda acabaria no dia 31 de dezembro de 2010. Com base no segundo, o governo acabou na semana passada.
Pode até seguir se arrastando por aí como um morto vivo, mas acabou.
Resta saber o que fará o DEM com seu único governador.
O DEM é famoso por ser o partido mais rápido no gatilho quando cobra providências do governo contra os que ferem os bons costumes.
O destino político de Arruda está nas mãos da direção do DEM. Se ele acabar expulso não terá legenda para concorrer às próximas eleições. Se é que idéia tão bizarra ainda passa pela cabeça dele."
Mais uma vez, o Ouro de Tolo sai na frente. Em agosto, escrevi aqui que América e Olaria seriam os clubes promovidos à Primeira Divisão do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro.
Sábado passado o campeonato teve seu término. Adivinhem quais foram os dois clubes promovidos ? América e Olaria. Como queríamos demonstrar.
A Segundona do Rio tá igualzinha aos grupos de Acesso do carnaval carioca...
Digamos que uma grande universidade brasileira tenha feito seleção para ingresso de mestrandos em determinado curso. Em uma seleção destas, são aceitos candidatos com origem de graduação de todas as instituições a oferecer cursos que atendam aos requisitos de determinado mestrado.
Também tomemos como fato que os candidatos a mestrandos tenham de apresentar um projeto de dissertação a ser desenvolvido durante o curso, muitas vezes derivados dos trabalhos finais apresentados no final da graduação.
Pois é: dos dez aprovados após as provas, entrevistas e análise de currículos, oito fizeram graduação no mesmo departamento da grande universidade que oferece o referido curso de mestrado.
Mais: destes oito, cinco foram orientados no trabalho final de graduação por professores da banca julgadora do concurso.
Restaram dois aprovados, certo ?
Um deles veio com o projeto de dissertação já acertado para ser orientado por um dos professores da banca, e o outro é um jornalista estrangeiro que presta serviços de tradução a este departamento, por um lado, e consegue livros importados na referida língua, por outro.
Mais: como a classificação acabou exatamente desta forma ? A diferenciação foi feita pela nota da prova; a suspeita é de que tais foram 'corrigidas' tendo ao lado o currículo dos candidatos. Como se diz em contabilidade, a boa e velha "marreta".
Isto é Brasil. Mas, se me perguntarem se é verdade, nego até a morte.
Semana passada publiquei aqui um texto com as primeiras impressões sobre o cd do Grupo de Acesso A para 2010.
Hoje trago a minha primeira opinião sobre os sambas do Grupo Especial do Rio de Janeiro, o principal espetáculo de nosso carnaval.
O cd será lançado dia 02 de dezembro, mas já tive acesso aos áudios oficiais. Reitero, porém, que é dever de todos nós comprar o cd quando disponibilizado nas lojas.
Destaque absoluto do cd: as gravações melhoraram estupidamente em relação a pelo menos os últimos dez últimos anos. Gravado ao vivo, parece um disco de escolas de samba, sem o irritante padrão "pagode de enredo" dos últimos álbuns. Bola dentro para os produtores.
A safra em geral não pode ser considerada ruim. Inclusive com sambas diferentes do padrão a que estamos acostumados nos últimos tempos, de "dez linhas, refrão, dez linhas, refrão".
Abaixo coloco minha primeira impressão sobre cada samba, na ordem em que desfilarão. Obviamente, são idéias que vão se modificando à medida em que mais ouvimos as canções:
Domingo:
1 - União da Ilha - fruto de uma junção que, dizem quem acompanhou a disputa, puramente política, é mais um exemplar da insossa safra da escola nos últimos anos. Samba apenas mediano. Destaque para o alusivo ao final da faixa. Seu enredo é sobre a história de Dom Quixote de La Mancha.
2 - Imperatriz - grande samba, um dos melhores da safra - embora inferior ao samba do Império Serrano de 2006, com o mesmo enredo sobre a religiosidade do brasileiro. Entretanto, o samba em minha opinião é um dos três melhores deste ano.
Destaque para o belo refrão:
"A Imperatriz é um mar de fiéis
No altar do samba, em oração
É o Brasil de todos os deuses!
De paz, amor e união"
Lamento apenas o fato de o puxador ser o Dominguinhos do Estácio, que não canta nada faz tempo...
3 - Unidos da Tijuca - o samba para o enredo sobre o segredo é o melhor da "Era Paulo Barros", que, normalmente, gera sambas ruins. Destaque para os belos versos:
"Unidos da Tijuca, não é segredo eu amar você
Decifrar, isso eu não sei dizer
São coisas do meu coração"
4 - Unidos do Viradouro - o tema sobre o México ganhou um samba que agrada a muita gente, mas que particularmente não gosto.
5 - Salgueiro - o título conquistado em 2009 com um samba sofrível, mas que obteve a pontuação máxima dos jurados, parece não ter feito bem à escola. Uma vez mais, o samba para 2010 é, a meu juízo, o pior do ano. Letra batida e melodia "samba-axé", "pula-pula", em seu desfile sobre o livro. Diga-se de passagem que a escolha deste samba gerou muita polêmica na escola e em quem acompanha o dia a dia do carnaval.
6 - Beija Flor - o enredo é "chapa-branca" (Brasília e seus 50 anos), mas o samba agrada, dentro da recente tradição de boas composições da escola. Deverá proporcionar uma boa evolução à representante de Nilópolis.
Segunda Feira:
1 - Mocidade Independente - como diria Mestre Fernando Pamplona, é uma "marchinha safada". Mas que marchinha gostosa de ouvir !
Ou, como diz um colega meu, torcedor da verde e branco de Padre Miguel: é um "samba-prostituta", todo mundo gosta, mas ninguém quer na sua casa (escola). O enredo é sobre a noção de Paraíso.
2 - Porto da Pedra - a escola de São Gonçalo trará uma apresentação na passarela com um tema adequado: a moda. Entretanto, o samba é aquém do que o enredo permitiria, com aquele que eu chamaria de "verso-trash" do ano:
"Há muito tempo o homem deu no couro"
3 - Portela - já escrevi quando este samba foi escolhido, e a alteração na letra feita para atender ao patrocinador (Positivo Computadores) só piorou o quadro.
É um samba de fraco para mediano, mas que deve funcionar para o desfile da escola. Ressalto que foi mais uma escolha cercada de controvérsias. Mas, no quadro geral, até que se sai bem, ainda mais levando-se em conta a horrorosa sinopse sobre tecnologia e inclusão social.
4 - Acadêmicos do Grande Rio - mais uma fusão destinada a atender os interesses do patrocinador, uma grande cervejaria e seu camarote. O refrão de um samba foi enxertado no restante de outro.
O samba reflete a salada que é o enredo, um misto de 25 anos de Sambódromo (que foram em 2009) com o "Camarote Nº1.
5 - Unidos de Vila Isabel - Noel Rosa, o homenageado, ganhou um grande samba. Para mim, o melhor da safra, disparado. A composição tem uma estrutura diferente da que estamos acostumados a ouvir nos últimos anos, e este é o grande diferencial.
Obviamente, samba do grande Martinho da Vila. Entretanto, cabe o dever de assinalar que o samba de enredo é bastante semelhante uma outra música de Martinho, "Presença de Noel" - em parceria com Gracia do Salgueiro, já falecido.
Aliás, esta foi outra disputa de samba cercada de polêmica, pelos rumores de que o samba já estaria escolhido antes mesmo da disputa. Lendas do carnaval.
6 - Mangueira - a verde e rosa encerrará os desfiles do Grupo Especial com um belo samba sobre a música brasileira. Destaque para a inovação de três puxadores principais, todos muito bons: Rixxa, Zé Paulo e Luizito.
Termino o texto com um presente aos meus 35 leitores: aqui você pode ouvir e baixar três sambas: Vila Isabel, Portela e Imperatriz.
Semana corrida, o blog ficou meio abandonado esta semana - no que peço desculpas a meus 35 leitores - mas como de hábito trago a indicação musical a abrir mais um final de semana.
Retornando à boa e velha Música Popular Brasileira, uma parceria histórica na música brasileira: João Bosco e Aldir Blanc. A música, Corsário.
Uma letra extremamente trabalhada, embora concisa, e com uma força absolutamente arrebatadora.
Transcrevo abaixo a letra, e acima o vídeo em versão do próprio João Bosco.
Corsário
Composição: João Bosco e Aldir Blanc
"Meu coração tropical está coberto de neve mas
Ferve em seu cofre gelado
E à voz vibra e a mão escreve mar
Bendita lâmina grave que fere a parede e traz
As febres loucas e breves
Que mancham o silêncio e o cais
Roserais nova Granada de espanha
Por você eu teu corsário preso
Vou partir na geleira azul da solidão
E buscar a mão do mar
Me arrastar até o mar procurar o mar
Mesmo que eu mande em garrafas
Mensagens por todo o mar
Meu coração tropical partirá esse gelo e irá
Com as garrafas de náufragos
E as rosas partindo o ar
Nova granada de espanha
E as rosas partindo o ar
Iela, iela, iela, iela la la la"
Mais uma sexta feira, o funil está apertando bastante, mas nossa coluna sobre cinema não poderia faltar apesar do dia corrido que se avizinha. Como sempre, de autoria do cineasta e crítico Marcelo Ikeda, dono do excelente blog Cinecasulofilia.
O texto de hoje é um pouquinho diferente: analisa os padrões de beleza e sua analogia com a indústria do cinema. Leitura indispensável.
Padrões de Beleza
"Sabemos que o padrão de beleza em voga hoje no mundo é basicamente um padrão europeu. A mulher bonita é aquela alta, magra, branca, com traços finos e proporcionais. A afirmação de um padrão é um processo histórico, mas que possui implicações culturais, econômicas e ideológicas. É claro que esse padrão é estimulado por uma indústria de cosméticos, que torna a beleza uma mercadoria, vendendo um conjunto de produtos de beleza e mesmo padrões de comportamento, como serviços de academia e cirurgias plásticas, entre muitos outros exemplos.
Esse padrão de beleza é um padrão discreto, equilibrado. O exotismo pode se enquadrar como forma de “mudar para permanecer o mesmo”, já que ele é aceito até o ponto em que não abala as estruturas desse mesmo padrão: um nariz torto, uma boca com lábios volumosos, chamam a atenção para a “diferença na identidade”. São na verdade exceções que confirmam a regra.
Os concursos de beleza, as capas das revistas publicitárias e as modelos de passarela reproduzem esse estratagema, pois dão legitimidade aos padrões de beleza em voga.
Por outro lado, temos a consciência do quanto esse padrão de beleza é fútil, pois o que importa de verdade é a “beleza interior”, uma beleza verdadeira, e não um rótulo ou um estereótipo de beleza imposto cada vez mais por um mercado que trata a beleza como um produto de publicidade barato. Esse modelo de beleza é em geral superficial, vazio, mesquinho, jogando para escanteio o que é verdadeiramente belo.
Fico pensando até que ponto o cinema não repete esse paradigma. Os filmes que se destacam são aqueles que reproduzem determinados padrões de beleza ditados pelos padrões europeus, ditados pelos modismos, pelo “mercado publicitário dos autores”, em que essa beleza é na maior parte das vezes meramente superficial. Aquele filme que foge de certos padrões de beleza é empurrado para uma marginalidade. Os festivais de cinema e os críticos dão legitimidade aos padrões de beleza cinematográficos já estabelecidos, ditando modismos, elogiando o exotismo que convém, descobrindo e esquecendo autores da noite para o dia, numa bolsa de valores dos novos gênios da arte cinematográfica. A beleza é transitória, e a busca é superficial, por uma beleza que aparece gritantemente, que aponta para a sua própria beleza. Uma beleza gratuita, fútil, auto-referencial, que aponta exclusivamente para si mesma. Os autores são virtuoses do plano ou da fotografia, malabaristas da linguagem cinematográfica.
Não pretendo aqui discutir o que é o belo: não é este meu propósito e seria muito ambicioso tentar fazê-lo. Só quero apontar para o fato de que desconfio profundamente de filmes aparentemente belos, assim como desconfio de mulheres aparentemente belas. Não é um preconceito, ou que de antemão elas (ou eles) sejam ordinários, mesquinhos, mas o fato é que estes é que têm maior chance de que suas virtudes sejam descobertas, enquanto há outros “patinhos feios” que não revelam de cara sua beleza incomum.
O desafio do crítico (ou daquele que se diz crítico) é problematizar sempre esse padrão de beleza já consolidado, e apontar para outras formas de se ver o mundo. Esse me parece ser um engajamento político possível da crítica cinematográfica, um engajamento verdadeiramente desinteresseiro."
Bom, como devem ter visto na imprensa, hoje começou - e deve se encerrar - a venda de ingressos para o jogo Flamengo e Grêmio, que pode decidir o Campeonato Brasileiro de 2009.
Como trabalho e não tenho a menor condição de ir para a fila, optei por tentar comprar pela internet, no website de uma empresa chamada "Ingresso Fácil". Este empresa é o braço da internet da famigerada BWA, que controla a bilheteria de diversos clubes brasileiros, entre eles o Flamengo - este contrato já foi tema de post aqui mesmo no blog.
Acesso lentíssimo, todo mundo reclamando que não conseguia e... eu consegui ! Fiz o cadastro, reservei os ingressos e...
Na hora de pagar, o site só aceita débito Itaú, Mastercard de Itaú, Real, Bradesco ou Caixa Econômica ou Diners dos mesmos bancos. Ainda liguei para a Daniele para saber se ela tinha algum Mastercard, mas não tinha. Me senti aquela pessoa que ganha na loteria, mas perde o bilhete.
Ou seja, a velha prática de criar dificuldades para vender facilidades. O que deveria ser uma comodidade - a compra pela internet - acaba sendo um estorvo. O curioso é que já adquiri ingressos pela Ticketmaster e não tive o menor problema.
Qual o sentido de se oferecer a compra se os meios de pagamento são extremamente restritos ? Eu consegui comprar, tenho dinheiro - no caso, limite no cartão de crédito - e acabei não conseguindo obter o que queria devido às dificuldades criadas pela empresa. Será que o objetivo é sobrar mais ingressos para cambistas ?
Lembro que a maior base de cartões de crédito, hoje, é da plataforma Visa - e o site não aceita esta forma de pagamento.
Acredito, até, que consiga ir ao jogo, mas é impressionante como estas relações de consumo acabam se tornando relações de compadrio. Isto é péssimo.
A propósito, é impressionante como é um padrão do Clube de Regatas do Flamengo o desrespeito ao seu torcedor. Ele deveria ser um cliente, um consumidor, mas é tratado como se dependesse de favores do clube. Há uma massa ávida para consumir, mas o clube faz questão de mantê-los o mais longe possível. As iniciativas neste sentido são sempre das empresas parceiras, nunca do clube - cuja diretoria tem horror a torcedor.
Agora, o nome "Ingresso Fácil" é propaganda enganosa. Deveria se chamar "Ingresso Difícil".
P.S. - acho que preciso de um banho de sal grosso...
Acho que comentei aqui quando do acidente que tinha direito a alguns dias de carro reserva previstos na apólice.
Pois é. A locadora que trabalha com a minha seguradora é a tal da Unidas.
O primeiro carro que me alugaram era um Gol, destes modelos novos, inteiramente "pelado". Até aí tudo bem, era o que estava na apólice. O carro é extremamente duro e super desconfortável, o banco se fosse de madeira seria mais aconchegante. Por outro lado, o carro anda direitinho para um motor 1.0.
Tudo bem. Reservei o carro para esta semana, os cinco dias restantes a que tenho direito. Combinei com a minha corretora e com o pessoal da Bradesco Seguros que, dado o fortíssimo calor aqui no Rio, trocaria o carro por um com ar condicionado e pagaria a diferença. O pessoal da seguradora - que, diga-se de passagem, até agora procedeu de forma bem correta comigo - no sábado confirmou que estava ok.
Chego na segunda pra pegar o carro e qual não foi a minha surpresa ao ser informado de que teria de levar um carro inteiramente "pelado" novamente. A alegação era de que não haviam disponíveis carros com ar, nem se eu pagasse. Ainda fui atendido com rispidez na loja, na linha do "é isso ou nada". O detalhe é que no local onde retiramos o carro haviam vários carros com ar e direção... Ou seja: má-vontade.
Faço a ressalva de que há um tal de "depósito de segurança", feito no cartão de crédito e depois (teoricamente) estornado que com as duas locações tomou todo o limite do meu cartão. Já era para terem estornado o primeiro e até agora nada.
Chego no local para pegar o carro básico e me entregam uma Palio, preta, duas portas. O carro todo sujo, com a direção puxando exageradamente para a esquerda e com a luz interna quebrada, O aparelho de som, único luxo do carro, só tem auto-falantes no porta-malas do veículo. Nunca vi isso.
Claramente, era um veículo destes de grandes empresas que terceirizam a sua frota, como Oi e Vivo. É com ele que terei de conviver - melhor seria dizer aturar - até sexta. A direção chega a ser perigosa, porque é exageradamente dura e, consequentemente, não permite respostas rápidas. Exige uma força descomunal para as manobras de estacionamento.
Menos mal que tive uma Palio por três anos e as reações deste não são muito diferentes do carro que eu tinha - apesar deste ser bem menos equipado.
Ressalto que não é privilégio da Palio, o Gol é igualzinho. São carros que não deveriam ser vendidos sem direção hidráulica, chega a ser maldade com o consumidor.
Já estava vendo uma locação particular por outra empresa, quando me ligam hoje avisando que estenderam o período do carro reserva devido à demora do conserto do meu carro (que só deve ficar pronto entre a última semana de 2009 e a primeira de 2010). A seguradora me passou uma reserva de carro com ar e direção, vamos ver se eles acatam - eu pagarei a diferença mas, como é o preço cobrado à seguradora (uns 30% mais barato que o valor com desconto para particulares), vale muito a pena. Saberei somente na segunda feira se não haverá novos problemas.
Uma coisa é certa: por conta própria, Unidas nunca mais. Péssimo atendimento e desprezo ao cliente. Em tempo: Gol também não.
Como escrevi na resenha anterior, o final de semana passado foi muito profícuo em termos de leituras.
Nossa resenha de hoje é de um livro que insere o futebol na análise da globalização, explicitando a análise de fatos através do ludopédio: "Como o futebol explica o mundo: um olhar inesperado sobre a globalização", do jornalista americano Franklin Foer.
O autor viajou o mundo atrás de respostas para questões envolvendo o esporte e a influência da globalização sobre questões bastante enraizadas.
Ele esteve na Sérvia - onde analisou a utilização do esporte na guerra de libertação nacionalista do país, na Escócia analisando o clássico religioso entre Celtic e Rangers,no Brasil verificando o futebol como microcosmo da sociedade e em muitos outros lugares.
Perpassa pela questão dos "hooligans" e o que leva um jovem a ser um deles, além de uma pesquisa bem completa sobre times de futebol judeus.
No caso brasileiro, ele utiliza o comportamento do ex-Presidente do Vasco Eurico Miranda e acompanha o dia a dia do controvertido dirigente durante determinado tempo. A ponto de chamá-lo de "ladrão" textualmente no capítulo do livro dedicado ao Brasil.
Uma outra curiosidade é que ele se refere ao assassinato de um dos líderes das milícias sérvias, episódio que já havia lido no excelente "McMáfia", do jornalista inglês Misha Glenny.
Apesar da tradução deixar o livro sem muita fluência, o livro é repleto de histórias bastante interessantes. Leitura que passa rápido e lança um olhar completamente diferente sobre o jogo. Recomendo.
A revista Carta Capital desta semana traz uma matéria bastante interessante sobre uma reforma agrária "feita ao avesso" em Tocantins.
Resumidamente, a história é a seguinte: em conluio com o Judiciário local, políticos do estado - capitaneados pelo então Governador Siqueira Campos e pela então presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de Tocantins, a hoje senadora Kátia Abreu - simplesmente desapropriaram terras ocupadas há décadas por pequenos proprietários familiares.
As terras 'desapropriadas' foram repassadas a políticos e juízes ao preço irrisório de R$ 8 o hectare. A maior beneficiada foi a hoje senadora Kátia Abreu, notabilizada no Congresso Nacional por sua defesa intransigente dos interesses ruralistas e latifundiários, bem como da monocultura de exportação e da cadeia para aqueles que defendem o direito democrático à terra.
Como resultado da desapropriação - que a matéria define como "grilagem de Estado" - substituiu-se a agricultura de subsistência pela monocultura de soja, com já comprovados danos ao meio ambiente. Desalojaram-se pequenos agricultores de suas terras obtidas legalmente para o benefício de uns poucos. A Senadora em questão foi a maior beneficiada pela manobra de desapropriação e posterior revenda das terras.
Ressalte-se que os agricultores desalojados possuíam títulos legais de propriedades, declarados nulos após uma manobra do Poder Judiciário local.
Este caso dá bem a medida de como as instituições ainda são frágeis no interior do país e de como impera a "lei do mais forte". Verdadeira "Terra de Marlboro".
Outra faceta que temos de ressaltar é o patrimonialismo das classes dirigentes, que enxergam o Estado como sua propriedade e estando a seu serviço. Ultimamente, o verdadeiro desprezo por aqueles que deveriam ser a razão de existir do Estado e da Justiça, tratados que são como espécies indesejáveis a seus propósitos. A intransigente defesa da "lei e da ordem" só serve quando atende a seus interesses; caso contrário, rasgue-se a lei. Juízes existem para isso.
Isso, sem contar nos danos ao meio ambiente causados pela cultura da soja.
Lamentável.
(Nas fotos, a hoje senadora Kátia Abreu e Siqueira Campos, ex-governador do Estado)
Terça feira, dia de nossa coluna semanal, "Samba de Terça". Retomamos nosso passeio pelos sambas afro, com uma escola que possui muita tradição no tema e que costuma apresentar bons espetáculos: a Acadêmicos do Cubango, de Niterói - tema, aliás, da primeira coluna desta seção.
Para o carnaval de 2005, a verde e branca do outro lado da baía apresentou um enredo que contaria a história do surgimento do candomblé no Brasil; bem como a criação do primeiro terreiro de Salvador.
Nas palavras da sinopse:
"Apresentação
O Carnaval do Rio de Janeiro tem sempre exaltado as tradições afro-brasileiras com sua religiosidade e os diversos tipos de colaboração e influência em nossa cultura. Ritos, costumes e tradições da Mãe África foram assimilados pela cultura brasileira e hoje, fazem parte de nosso dia a dia, muitas vezes sem percebermos.
Em um país eminentemente católico, herança de nossa colonização portuguesa, os negros africanos conseguiram ludibriar a fiscalização de seus senhores de engenho, através daquilo que aprendemos a chamar de sincretismo que é a associação dos deuses da África aos santos católicos. Os portugueses no seu processo de distribuição de escravos, inteligentemente separavam etnias e tribos, numa verdadeira diáspora pelo território da colônia, para, que não formassem nenhum tipo de associação e assim, iniciar um processo de rebeliões e fugas. Uma vez que os portugueses sabiam que estes escravos, na grande maioria, eram de tribos inimigas. No entanto esta perda da liberdade serviu de elemento comum de unificação do negro neste país, inimigos na África, unidos pela dor e pela fé no Brasil.
Na religião fundiram-se costumes, tradições e deuses a forma de culto que ficaria conhecida como Candomblé. Muitas etnias vieram para o Brasil. Na região da Bahia a mais influente delas foi a Yorubá, conhecida, também, como Nagô, cujo modelo de culto influenciaria as demais e será o objeto maior de nosso enredo.
Este enredo narra a saga iniciada na África há algumas centenas de anos e "transformada" pela fé no Brasil culminando com a criação do primeiro terreiro de Candomblé em Salvador, na Bahia de todos os Deuses!
Jaime Cesário
Carnavalesco
Sinopse
África, terra de deuses e mistérios, onde o "criador" "Olodumaré" busca entre seus filhos um homem para fazer florescer uma civilização organizada e próspera, tendo como fé a adoração dos elementos da natureza. A responsabilidade deste acontecimento fica por conta de um príncipe muçulmano de nome Oduduá, que por influência do "criador" adota uma nova visão de fé, contrariando os ensinamentos muçulmanos ao qual foi educado. Oduduá consegue converter muitos à sua nova doutrina, que o acompanham como seus seguidores no momento de seu banimento do reino. E assim, provenientes do norte, caminham rumo ao oeste num período de 90 dias.
Oduduá encontra um grupamento de aldeias pequenas e desorganizadas. Utilizando os conhecimentos de administração e força, subjuga as populações das aldeias e funda Ifé, a primeira cidade, iniciando assim, a dinastias dos Reis de Ifé.
A expansão do seu Reino coube aos seus netos que herdariam sua coroa, eram eles sete príncipes: Olówu que reinou em Egbá, Onisabe que reinou em Savé, Orangun que reinou em Ilá, Óoni que foi rei em Ifé, Ajerô que reinou em Ijerô, Alaketu que reinou em Ketu e Oranian que reinou em Oyó.
Oranian foi o fundador da dinastia dos reis de Oyó. O mito da criação do mundo tal como é contado em Oyó atribui-lhe esse ato a ele e não a seu avô Oduduá. Evidentemente que o mito da criação do mundo é um reflexo da lenda histórica da origem das dinastias e a supremacia alcançada por Oyó sobre os demais reinos, a quem devem pagar tributos e impostos a cidade e vir participar uma vez por ano de uma festa dedicada ao grande fundador patriarca. Esta hegemonia é contada em muitas lendas narradas em Oyó,onde lembram que os demais príncipes tiveram suas vidas poupadas e receberam suas terras por condescendência de Oranian, que tornou-se Rei de Oyó e soberano da nação Yorubá, isto é, de toda terra.
A religião yorubana é composta de uma rica mitologia de deuses que representam as "forças da natureza" e cada um tinha seu culto especifico num reino, aldeia ou região. Na África os orixás eram cultuados não em simultaneidade num grande panteão de deuses, e sim, como divindades específicas a um determinado lugar. Existem várias versões dos mitos dos orixás contados na África, alguns incompatíveis, entretanto, a essência pode ser perfeitamente absorvida através desta narrativa que explica a associação das forças da natureza a cada orixá: "Quando o planeta era um vasto oceano e os orixás queriam conhecê-lo, a "terra" foi criada e os deuses desceram do céu para cada um escolher uma parte do mundo que lhe agradasse, que passou a ser seu domínio. Assim, Oxum escolheu as águas doces; Iemanjá as águas salgadas;Iansã quis os ventos; Xangô os trovões e as cachoeiras; Obaluaiê a terra firme; Nana a lama dos fundos dos rios e os abismos; Ogum preferiu as montanhas e os minérios; Ossanha e Oxossi as matas e florestas; Oxumarê o arco-íris; Ewá o horizonte. Apenas Exu não sabia o que escolher, pois tudo e nada lhe agradava. E considerou-se assim dono de tudo um pouco, com que os demais orixás concordaram. Desse modo o mundo foi criado e dividido entre os orixás, e é por isto que cada um detêm o domínio de uma parte da natureza."
Assim a semente plantada por Oduduá e Oranian cresceu e floresceu. Na África desenvolveu ricos e organizados reinos que a partir do contato com o europeu no século XVI, foram estabelecidos acordos comerciais na qual o produto a ser negociado é o próprio africano para vir trabalhar no Novo Mundo, como escravo, no processo de colonização das Américas. Surge um período de intensas guerras tribais e desarticulação de muitos Reinos, iniciando um processo de declínio da civilização yorubá. Navios negreiros cortam os oceanos trazendo os filhos da África para a escravidão no Novo Mundo.
No Brasil, os filhos da África deixam as desavenças e os ódios de sua terra natal para se unirem pela fé em prol de um bem comum: a liberdade.
Transformações importantes ocorrem no Brasil devido a mistura de diversas etnias, tradições e cultos religiosos, ocasionado uma fusão entre muitos orixás. Cerimônias e cultos que seriam assimilados numa única e central forma de preservação com algumas variantes. Um único panteão de deuses estabeleceria os vínculos, cuja forma de culto esta fundamentada na cultura Yorubá (nagô), servindo de modelo às outras etnias, principalmente as localizadas na Bahia - essa é base na qual se desenvolve o que vai ser denominado "Candomblé".
O "Candomblé" se torna o fator preponderante de preservação da identidade do negro no território brasileiro, mantendo acesa a ligação cultural e religiosa com a grande "Mãe África".
Foi na Bahia, na cidade de Salvador, que surgiu a mais antiga casa de candomblé do Brasil, "a Casa Branca do Engenho Velho", que foi fundada por três tias, Adetá, Iya Akala e Iya Nasó, que tem sua procedência nos Yorubás, de origem Ketu, a quem rendemos nossa homenagem pela luta e determinação na preservação da cultura religiosa, que muitas vezes mesmo sofrendo perseguições das autoridades locais, mantiveram viva a chama do Candomblé.
Em nossa homenagem não podemos deixar de citar as figuras de Mãe Senhora, Mãe Menininha do Gantois do Terreiro do Gantois; Mãe Aninha e Tio Joaquim fundadores do terreiro Axé Opô Afonjá; Tio Elisio e Martiniano Bonfim do Terreiro Alaketu e Pai Procópio do terreiro Ilê Ogunjá que também são bastiões do "Candomblé" na sagrada cidade de "Salvador de todos os Deuses e Orixás".
A força da fé preservou o legado deixado por Oduduá e Oranian e todo valor vigoroso do continente africano. Mesmo sobrepujado por outras Nações, conseguiu abraçar o Novo Mundo, principalmente o Brasil. A força de sua cultura e religiosidade e a união deste povo aqui desenvolvida em prol da liberdade, se torna a principal fonte de preservação dos costumes e tradições de "Mãe África!".
O samba de enredo, assinando por uma parceria capitaneada pelo campeoníssimo Flavinho Machado, soube traduzir o espírito do enredo e era promessa de um grande desfile para a escola. As alegorias estavam grandiosas e as fantasias, belas. A comunidade da escola começava a sonhar com a inédita ida ao Grupo Especial.
Mas...
Chega o dia do desfile, 05 de fevereiro. A Acadêmicos do Cubango era a quinta escola a passar pela Passarela do Samba naquele sábado de carnaval.
O segundo carro, muito grande, não consegue fazer a curva para entrar na avenida. A Direção de Harmonia da escola, em uma demonstração de inépcia poucas vezes vista na história recente do carnaval não segura o início da escola: se abre um imenso buraco entre os Setores 1 e 5.
Com todos os demais carros ocorre exatamente o mesmo problema, e uma vez mais a Direção de Harmonia da escola deixa abrir imensos buracos. Nós que estávamos nas frisas do Setor 3 - exatamente em frente ao problema - víamos o desespero da escola e os acompanhávamos nesta agonia.
Minha avaliação é de que faltou à Harmonia da Cubango uma ação mais efetiva a fim de dar tempo para os bonitos e grandes carros da escola adentrarem o Sambódromo sem maiores problemas.
O sonho do título estava desfeito, apesar do excelente rendimento do samba e dos belos carros, bem como fantasias adequadas ao enredo - belo trabalho do carnavalesco Jaime Cesário.
Saí da avenida achando que a escola seria rebaixada devido aos problemas, mas a Acadêmicos do Cubango ainda salvou um sexto lugar neste carnaval, com 175,5 pontos. Porém, ficou o sentimento de frustração por saber que a escola poderia ir muito mais longe.
Entretanto, segundo o que se comentava à época nas frisas há uma explicação para os problemas enfrentados pela escola: não teria sido pedida a necessária permissão aos orixás para que o enredo pudesse ser apresentado. "Yo no creo en brujas, pero las hay, las hay..."
Vamos à letra do samba, que você pode ouvir, em sua versão ao vivo, aqui. Abaixo, um vídeo do desfile da escola.
Compositores: Flavinho Machado, Rogerão, Gilberth de Castro, Rubinho e Carlinho da Penha
"Surgiu, no raiar de um novo dia Nasceu, no solo fértil da mãe África A nação guerreira, Yorubá E hoje a Cubango vem mostrar Com braços fortes e valentia Oduduá se fez senhor E o destemido Oranian rei de Oyó Criou a suprema dinastia Bravos na luta Não se entregavam jamais Nas suas crenças e seus rituais Cultuavam as forças naturais
Do pranto à união, um canto em oração Que o ideal da liberdade (bis) Não seja ilusão
E nessa “viagem”, surge a imagem De um “mundo” promissor Em nosso chão a reunião de tradições e louvações As sementes floresceram na sagrada Bahia Na casa branca do engenho velho Em Salvador de todos os orixás O Candomblé ergue o seu império A chama que não se desfaz
O toque do tambor, embala minha fé Salve a nação Nagô (bis) Raiz do Candomblé Auê yorubá auê Agô alafiá axé"
As memórias contadas no exemplar possuem valor histórico interessante pelo fato de o ex-deputado ter participado como ator expressivo de toda a transição democrática que levou à eleição de Tancredo Neves como primeiro presidente civil após 21 anos de ditadura militar.
Antes de chegar aí ele conta a carreira política dele desde os tempos de Caruaru, sua cidade natal, a sua participação no grupo de deputados "autênticos" do extinto MDB (Movimento Democrático Brasileiro) e a atuação deste grupo na luta parlamentar contra a ditadura.
Faz um cáustico perfil do ex-Presidente do Congresso Ulysses Guimarães, chegando em determninado momento a insinuar que ele era traidor dos colegas partidários. Também pontua o caráter "ambíguo" do depois presidente Fernando Henrique Cardoso.
Os capítulos em que ele descreve o lançamento da candidatura Tancredo e sua trajetória até a agonia final são bastante reveladores. Embora não diga com todas as letras, ele afasta a hipótese de assassinato ao revelar que Tancredo já há bastante tempo sofria com os problemas que afinal o levaram à morte.
Outro momento revelador é quando ele conta, no seu mandato como Ministro da Justiça, a história do último caso relevante de censura no país, a proibição por pressão da Igreja Católica do filme "Je Vous Salue, Marie", de Goddard.
Também foi espectador privilegiado das eleições de 89, como candidato a vice na chapa de Leonel Brizola. Ele não entra em muitos detalhes mas percebe-se que ficou meio decepcionado com o político gaúcho-carioca.
Apesar se bastante generalista, conciso até em algumas passagens, é um painel interessante da vida parlamentar durante a ditadura e do processo de redemocratização. Na Travessa, custa R$ 37.
Uma pessoa sonhadora, mas feliz.
Rubro-negro, portelense, messiânico, economista e literato. Ah, polêmico também.
Pertenço à Daniele, Maria Clara e Ana Luisa.