terça-feira, 2 de junho de 2009

Samba de Terça

Bom, como hoje é terça, é dia de nossa série "Samba de Terça".

Hoje trago um dos sambas que, apesar de recentíssimo, está entre os dez ou vinte melhores de todos os tempos: União de Jacarepaguá 2004, "Rio de Janeiro - O Rio que todo mundo ama", ou, como gosto de me referir a ele, "Aquarela Carioca".

O samba é uma elegia de amor à Cidade Maravilhosa. Saúda as belezas naturais de nossa terra, a hospitalidade do carioca, e termina com uma profissão de fé na cidade. Ufanista ? Talvez. Mas o samba é maravilhoso.

Também gosto muito da solução adotada para falar dos problemas da cidade sem tirar o clima de "alto astral" do samba: os versos "o Rio é o paraíso tropical / e o resto é notícia de jornal".

A escola fez um desfile em que flutuou pela avenida, com o samba sendo maravilhosamente puxado pelo nosso "Pavarotti" brasileiro, Rixxa. Mesmo com alegorias e fantasias pra lá de medianas, a escola obteve um espetacular quarto lugar no fortíssimo desfile do Acesso A naquele ano, sua melhor colocação em muito tempo.

Como podem ver pela foto, eu desfilei pela escola naquela ocasião. Foi um desfile de sonho: samba maravilhoso, fantasia levíssima (short, camiseta, chinelo Havaianas e prancha de surf), ala onde quase todo mundo se conhecia e nenhum Diretor de Harmonia fazendo pressão. Até se jogar na avenida, à guisa de "pegar jacaré", fizemos. Digo sem medo de errar que é um dos três ou quatro desfiles memoráveis que fiz em minha vida.

Para completar, quero transcrever parte de um texto do nosso amigo Marcelo Ikeda (publicado no blog http://sambofilia.blogspot.com/2009/02/uniao-de-jacarepagua-2004.html ) escrito antes do carnaval daquele ano:

"(...) Ao contrário, este samba de Jacarepaguá se revela como um verdadeiro assombro em termos de sua força arquitetônica, ao construir em cada verso e cada nota, sem nenhuma necessidade de precipitação que o leve para um desfecho sorrateiro, uma leitura do enredo de supremo bom-gosto e requinte: não há uma única palavra ou acorde que não esteja perfeitamente encaixado no samba ou que destoe de um conjunto que suplanta sua simples expressão individual.

O ápice dessa tendência está na extraordinária segunda parte do samba, que - sem nenhum exagero - passa a ser peça obrigatória em qualquer antologia de samba-enredo. Chega-se quase ao limite das potencialidades de um samba atual: está para os nossos tempos assim como o que a "Aquarela Brasileira" representou para os seus. (...)"

Vamos à letra:

Enredo: Rio de Janeiro - O Rio que o mundo inteiro ama
Compositores: Luisinho Oliveira, Alexandre Valle, Serginho Mato Alto, Elio Sabino e Henrique Guerra

"Haja luz", clareou a imensidão
Do ventre da Mãe Terra nasce a beleza da criação
O céu, a terra, o mar, o despertar da vida
O criador ao terminar sua jornada
Maravilhado, a bela obra contemplou
Montanhas e matas, lagoas, cascatas
O índio e todo esplendor
Reuniu num só lugar
Toda beleza que existia
E fez do Rio sua moradia

Eu sou o Rio de paz e amor
Abençoado pelo Redentor (bis)
Cidade-Simpatia de um povo hospitaleiro
Sou amado pelo mundo inteiro

Serras, florestas, a fauna e a flora em harmonia
Eldorado de rara beleza
Santuário da ecologia
Costa do Sol, verão que seduz
Balneário de felicidade
O céu azul, as praias cristalinas
Maravilhosas paisagens
Sou a miscigenação de várias raças
Meu sol abraça a lua cor de prata
Quarenta graus de pura emoção
Sou arquitetura emoldurada em aquarela
Meu charme hoje encanta a passarela
Eu sou a boêmia, a capital cultural
Eu sou orgulho carioca e brasileiro
Cartão postal e festa o ano inteiro
Show de bola, samba e carnaval
O Rio é o paraíso tropical
O resto é notícia de jornal

De braços abertos estou
Pra ver o Rio de Janeiro vencedor (bis)
E a União cantando em verso a poesia
Do meu Rio iluminado transbordando alegria"

Ele está disponível para download - em sua versão ao vivo - no endereço http://pedromigao.multiply.com/music/item/109/109. A composição conquistou tanto o "Estandarte de Ouro" de Melhor Samba do Grupo de Acesso daquele ano quanto o "Prêmio Sambanet", ou seja, fez 'barba e cabelo'.

Semana que vem vamos voltar aos Anos 90, onde a Grande Rio ainda nos brindava com grandes sambas e grandes carnavais: "Águas Claras para um Rei Negro".

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.