Nesta sexta feira, a coluna “Bissexta”, do advogado Walter
Monteiro, confessa seu espanto – que também é meu – com a inesgotável
vitalidade do roqueiro Mick Jagger, do Rolling Stones.
O post me lembra um documentário que vi há algum tempo com
os remanescentes – melhor seria dizer sobreviventes - do ‘The Doors’. Foi meio
estranho ver os sujeitos de cabelos brancos dando entrevistas...
E bom feriadão e ótimo Natal aos leitores. O blog continuará sendo atualizado diariamente, como de hábito. Apenas a coluna "Final de Semana" que está temporariamente suspensa devido a alguns problemas que estão surgindo na migração para a nova plataforma. O Ouro de Tolo estará no endereço www.pedromigao.com.br a partir do dia 1º de janeiro.
Passemos ao texto.
Jagger: o Mito, a Lenda, o Inexplicável
E os Rolling Stones comemoraram 50 anos de carreira. Eu
estava distraído, zapeando sem compromisso, até que parei no show que o canal
Multishow transmitia. Cheguei ali no exato momento que Mick Jagger cantava e
dançava junto com Lady Gaga. Descontando a cara muito enrugada, Jagger parecia
ter a idade da esquisitona, que, aos 26 anos, poderia ser neta do quase
septuagenário roqueiro.
[N.do.E.: vi um pedaço deste show. Só soube que era a Lady
Gaga porque minha filha me disse quem era]
Sim, Mick Jagger está às portas de completar 70 anos. Dá
para acreditar? É verdade que a pele dele está uma coisa assustadora, gente
mais velha do que ele não tem aqueles sulcos vincados no rosto... Mas, de
resto, ele continua igual.
Como um senhor de tamanha idade pode ter aquele cabelo? Como
pode dançar daquele jeito? Como é possível que um idoso possa servir de
inspiração para uma das músicas de maior sucesso recente, que fala que o poder
de sedução de determinado homem vem justamente do fato de dançar como Mick
(Moves Like Jagger, do Maroon 5)?
Eu já escrevi aqui sobre minha depressão em ver Paul McCartney,
ídolo da minha adolescência, com seus cabelos de tonalidade acaju, sentado ao
piano no Beira-Rio, portando-se como um coroa. É natural: Paul é outro
velhinho, mas a gente sonhava em vê-lo sempre como um ícone jovem.
Pois Jagger é o oposto: a energia dele em um show supera,
com folgas, a de super astros muito mais jovens que ele. Não engordou um grama
sequer: era esquelético nos anos 60, continua sendo. E não deve ter ossos
nem pulmões, porque dança por mais de 2 horas com movimentos difíceis de imitar.
Outras coisas seguem impressionando.
Não sou especialista na banda, mas acho que o último sucesso
inédito do grupo é ‘Start Me Up’, do álbum Tattoo You, do longínquo 1981. Ou
seja: os caras faturam cerca de meio bilhão de dólares ao ano cantando músicas
compostas há mais de 30 anos, às vezes 40.
E essas músicas não parecem envelhecidas (embora algumas a
gente esteja cansado de ouvir). Vejam ‘Gimme Shelter’, por exemplo.
Poderia ter sido composta mês passado, porque é altamente contemporânea. Mas
tem incríveis 43 anos de idade. Um fenômeno.
E a gente olha para Mick Jagger e fica pensando como o cara
chegou lá com o estilo de vida que escolheu para si.
Ele não chega a ser tão doidão quanto seu companheiro de
banda, Keith Richards, que dentre muitas maluquices, declarou ter cheirado as
cinzas do pai morto junto com cocaína. Mas é óbvio que Jagger tem um longo
histórico de uso de drogas: já foi até preso por isso.
A julgar por entrevistas que deu, sua alimentação é à base
de carboidratos: muita batata, arroz, macarrão. E aconselhou qualquer pessoa a
só praticar esportes depois dos 30 anos, ainda assim em pouca quantidade,
porque “cansa”. Esporte, para ele, é enfileirar mulheres bonitas, deixando
claro que não acredita em monogamia.
Carboidratos, álcool, drogas e orgias! E aí está o homem, o
mito, mandando às favas a vida regrada, bilionário, famoso, com 70 anos, mas
com vitalidade de 25.
De duas, uma: ou ele não é humano, ou precisamos, todos,
rever nossos conceitos com absoluta urgência.
(Foto: Uol)

Mick é um caso pra estudo mesmo.
ResponderExcluirE uma observação: acho que o ultimo sucesso da banda foi o album Bridges to Babylon, onde ganharam caminhões de dinheiro com uma turne fuderosa, com hits como Flip the Switch e Anybody Seen My Baby, onde finalmente entraram na MTV com esta segunda.