terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Aviso aos leitores: Mudamos!


Amigos leitores: conforme avisado exaustivamente nos últimos dias, a partir de hoje, 1º de janeiro, o Ouro de Tolo está em novo endereço: www.pedromigao.com.br. Passe lá e confira o novo layout, com os textos de sempre e atualização diária.

Aproveite também para alterar o seu arquivo de marcadores. Estamos juntos!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Fim de Um Ciclo


31 de dezembro de 2012.

Após três anos e sete meses, este blog finaliza seu espaço na plataforma Blogger, na qual foi criada e sustentou-se até hoje. Estamos partindo para um domínio próprio, apoiado na plataforma WordPress, significando uma evolução no caminhar deste espaço. Novas facilidades, novo visual - embora tradicional - e o início de um caminho que visa, futuramente, profissionalizar o blog e os colunistas.

No início, era algo exclusivamente meu, com minha forma de pensar. Aos poucos foi se transformando no que é hoje: uma espécie de revista eletrônica, com assuntos variados, pontos de vista diversos e que tem a democracia e o respeito à diversidade como cláusulas pétreas. Guardadas as devidas proporções, uma espécie de "No Mínimo" amador.

O leitor mais atento já deve ter percebido que tive um ano de 2012 bastante complicado, com problemas por todos os lados, em todos os campos da vida. Mas coube a este blog alguns dos poucos pontos altos deste turbulento ano.

O primeiro deles, como se pode conferir acima, foi o artigo publicado na segunda feira de carnaval no jornal O Dia, versão resumida de post publicado aqui. Era um sonho de criança que eu tinha e que se realizou. Em novembro tive outro artigo publicado, no mesmo jornal, como desdobramento deste primeiro.

O segundo foi o convite para a gravação, em maio, do programa "Loucos por Futebol", da Espn (abaixo). A reprecussão alcançada foi bastante positiva.


Foram pouco mais de 380 mil visitas neste período, com pouco menos de 190 mil somente em 2012. Conto com os leitores nesta nova fase, sob o endereço www.pedromigao.com.br. 

Aproveito para agradecer a todos os colunistas pela colaboração, sejam os atuais, sejam os inativos. E também aos leitores!

Encerro convidando para, a partir de amanhã, nos acompanharem no novo endereço. Um Feliz Ano Novo a todos, inversamente proporcional ao que foi meu 2012, é o que desejo. E não se esqueçam de atualizar seus marcadores!

Relembrando: www.pedromigao.com.br

domingo, 30 de dezembro de 2012

Orun Ayé - "Retrospectiva 2012"


Neste domingo, a coluna "Orun Ayé", do compositor Aloisio Villar, faz um balanço de 2012, além de falar sobre a mudança do blog para o novo endereço, a partir da próxima terça feira.

Lembrando aos leitores que o Ouro de Tolo estará no www.pedromigao.com.br. a partir da próxima terça feira.

Retrospectiva 2012

E chegou o fim do ano. Não o fim do mundo: esse foi adiado novamente. Mas o ano de 2012 termina amanhã e, como diz Simone, “o ano termina e nasce outra vez”.

Espero que vocês tenham ido bem de Natal e que igualmente quanto ao ano de 2012. Todos nós, quando chegamos nessa época do ano, costumamos fazer uma reflexão do ano que passou. Muitas vezes culpamos o ano por nossos fracassos, achando que como por encanto virando para 1º de janeiro a vida irá melhorar. Aí teremos outro ano ruim e culparemos o ano seguinte, quando não notamos ou preferimos ignorar que mudança de ano nada mais é que uma mudança no calendário.

A vida só muda se fizermos algo nesse sentido.

Mas a virada de ano, que por si só não representa nada, pode sim servir de estímulo, até porque quando chega o mês de dezembro a chance que alguma coisa mude é pequena - a não ser que se ganhe na Megasena da virada. Mas a sensação que o 1º de janeiro traz é que tem todo um ano pela frente, o que não é mentira: realmente tem, então podemos transformar nossas vidas. 

Em que você precisa transformar? Que balanço faz de seu 2012?

Eu sempre fiz esse balanço na página principal de meu orkut, como o google acabou com ele farei aqui.

2012 está longe de ser o pior ano de minha vida. Tive anos muito piores, como 1995 e 2005. Por coincidência dois anos terminados em cinco: começo a temer por 2015, mas foi um ano frustrante. 

A gente costuma romancear quando passa aos outros como foi nosso dia ou ano: não farei isso. Foi um dos anos mais decepcionantes da minha vida, onde eu esperava muito mais.

Começou com finalmente eu tendo meu nome em um samba da União da Ilha. O sonho de uma vida.

Mas sei lá, não deu o “start”. Emocionei-me sim com o começo do desfile, deixei algumas lágrimas rolarem, mas confesso que foi menos do que sempre esperei. Não sei se foi por causa da junção ou o modo frio como uma escola do grupo especial lhe trata, mas a emoção não veio.

O desfile da escola não ajudou muito. A União da Ilha estava linda, mas fria, espero que isso mude para o carnaval 2013. 

[N.do.E.: desfilei na União da Ilha e concordo com o colunista.]

O carnaval 2013 também trouxe decepções. A disputa da União da Ilha foi decepcionante demais, mas como eu disse em uma coluna anterior, por culpa nossa. Erramos no samba, erramos na parceria e principalmente: cometemos erros que custaram amizades.

Nessa disputa perdi uma amizade muito importante para mim em erro que cometi e vi que nunca uma disputa de samba-enredo pode estar acima de uma amizade. Até porque não será a escola de samba que estará ao seu lado quando precisar, e sim um amigo.

A disputa do Acadêmicos do Dendê também foi uma grande decepção. Aí não com a gente, mas com a escola, que mostra que é profissional por um lado e amadora por outro. Tentam justificar com mil desculpas nossa derrota, quando o mais correto era dizer “escolhemos outro samba porque gostávamos mais dele”. É tão simples: mas as vezes o simples parece impossível.

Como é simples ganhar um carnaval quando você desfila melhor que as outras e ganha 10 em todos os quesitos. É impossível vencer quando a escola coloca cinco ritmistas a menos que o permitido e a escola sai com menos um ponto na apuração.

Nem tudo foi ruim no samba. Finalmente voltei a vencer no Boi da Ilha, minha escola do coração. Foram quatro anos de jejum, mas a vitória veio de uma forma acachapante como a maioria que tivemos na escola e o orgulho de saber que o Boi irá com um grande samba pra avenida.

A escola vem sofrendo enormes dificuldades desde que caiu pra Intendente Magalhães. Esse ano fez um bom desfile, mas problemas off desfile quase desceram o Boi de grupo. Enfocando 2013 aumenta o drama, com a escola desfilando quase no mesmo horário que a União da Ilha. Terá problemas para arrumar desfilantes, mas boiadeiro tem raça, se esmera.

Foi um ano que o samba me proporcionou muitas coisas, a realização de alguns sonhos materiais, que poderia ter rendido mais... Mas pelo menos acabou com a ilusão que eu tinha e muitos ainda tem de achar que a vida muda quando ganha no Grupo Especial. Não, não ganha e esse dinheiro não faz de ninguém milionário.

Mas não posso me queixar, aproveitei bem. 

Também não posso me queixar de meu lado escritor. Apesar de não ter sido um dos meus melhores anos como compositor de samba-enredo, foi um ano que gostei como escritor em geral. Juntando livros, peças de teatro e colunas (seis por mês no blog) foram quase duas mil folhas escritas em 2012.

Muitas das coisas que escrevi estão na internet. No site Recanto das Letras (www.recantodasletras.com.br/autores/aloisiovillar) e no Ouro de Tolo com as colunas semanais aos domingos sobre fatos do dia a dia - e quinzenalmente os contos de sábado.

Acho que escrevi coisas muito boas, inclusive aqui no Ouro de Tolo. Um exemplo foi o conto “fabricando carnaval”, sobre a Acadêmicos do Gato Molhado, que até fez a vida imitar a arte: alguns meses depois o candidato a prefeito Marcelo Freixo quis debater os enredos das escolas. No dia seguinte ao conto tive a coluna “O lado negro do Brasil” publicada e tendo grande repercussão. Foram os textos que escrevi com mais repercussão positiva nesses quase dois anos.

E acho que estão satisfeitos com o que estou escrevendo porque ganharei mais um espaço no blog, o que me honra muito.

Vida sentimental: turbilhão como sempre. Encontros relâmpagos, certo afastamento que me incomoda, mas não posso fazer nada porque a vida anda. Não teve nada muito marcante - para o bem e para o mal - e não sei até que ponto isso é bom. Mas teve seus momentos de euforia e depressão que. pelo menos. ajudam meu lado escritor. Saúde poderia ser melhor, a tal da hérnia disse que veio pra ficar, enfim, como eu disse, 2012 poderia ser melhor.

Mas teve uma pessoa.

A Bia, que os leitores já sabem bem quem é. Não me deixa esmorecer, não permite que eu deixe a peteca cair nem que eu me declare derrotado enquanto ainda estão rolando os dados. Ela é o meu sorriso em momento triste, minha alegria na depressão, minha gargalhada no choro, minha vida na morte.

Não sei se ela sentiu que não fui tão feliz nesse ano porque ela se aproximou demais de mim, principalmente nesses últimos meses quando o ano pesou mais e eu digo a vocês: querem um motivo para viver, para acordar todos os dias e lutar, para ser feliz? Tenham filhos. A Bia é meu projeto mais bem sucedido, meu momento mais feliz.

Acho que o ano do país em geral não foi muito diferente do meu. Um ano que não foi ruim, mas que poderia ter sido melhor. Mensaleiros finalmente foram julgados, a miséria e a pobreza diminuíram no país, o Brasil parece estabilizado, mas o PIB cresce pouco.

Ano de perdas fortes, como Chico Anysio, Millor Fernandes, Hebe Camargo, Marcos Paulo, Oscar Niemeyer e outros. Ano onde perdi meu grande parceiro Dãozinho, o primeiro que acreditou em mim como compositor. Ano de vitórias no vôlei, rame rame no futebol, alguns brilhos nas Olimpíadas e a certeza que há muito para melhorar até 2016.

Ano que o mundo não acabou, mas o Corinthians foi campeão da Libertadores... As duas situações são impressionantes. 2012 não foi bom para a torcida do Flamengo, foi muito bom para a torcida do Fluminense, médio para a do Vasco e o de sempre para o Botafogo. 

Ano que elegemos novos prefeitos e vereadores na esperança que sejam novos mesmos e não venham com a velha e fedida politicagem de sempre. O Brasil merece mais que isso.

Como diria a União da Ilha: enfim, o que importa é amar. Espero que haja mais amor em 2013.

Amor pelo país, pelo mundo, por nossos semelhantes, pelos filhos que dependem de nós para formarem caráter e retidão, aos pais que sempre cuidaram da gente e chega uma hora que eles necessitam da reciprocidade, àquela pessoa que chamamos de alma gêmea para que não lhe percamos no tempo e no espaço.

E principalmente o maior amor de todos. O amor próprio.

Sem ele não alcançamos nenhum desses amores citados acima. Sabem qual outro amor que pode ajudar também? O amor a Deus. Mesmo que você não acredite Nele, mas não é bom às vezes pensarmos que não estamos sozinhos nessa caminhada e tem Ele para nos amparar e ajudar quando necessário?

Podemos não acreditar em Deus, é direito do ser humano; mas que Ele sempre acredite em nós, isso é importante a meu ver.

Essa não é simplesmente a minha última coluna do ano. É também a última coluna do blog Ouro de Tolo em 2012 e mais: tenho a honra de escrever a última coluna sob o domínio http://pedromigao.blogspot.com

A partir de 1º de janeiro, depois de amanhã, iremos ao domínio www.pedromigao.com.br e nessa coluna derradeira minha, do ano e do domínio, agradeço a você Migão pela confiança de me dar um dia da semana do blog para escrever minhas asneiras... Que depois se transformaram em dois e agora com mais um espaço no ano que está raiando. Você foi o primeiro a me dar espaço para escrever e nunca esquecerei isso, nem sua amizade: que para mim é eterna.

Acredito ser o único colunista do blog que não é especialista em nada [N.do.E.: é sim: sobre o dom da criação artística]. Não tem uma linguagem tão técnica sobre determinado assunto e não sei se isso é bom ou não. Escrevo com o coração, com o instinto, tentando atingir esses lados de vocês leitores e espero que esteja conseguindo. O blog é feito por pessoas muito capazes e inteligentes, que nos permitem leituras deliciosas. Eu me sinto orgulhoso de estar nesse time dando minha humilde contribuição.

Ao contrário desse ano que está acabando. Que 2012 termine e com ele nossas mazelas e desesperanças, que venha 2013 para reforçar nossa energia e vontade de viver.

Feliz ano novo amigos. Hoje é o novo dia, de um novo tempo que começou. 

Tim Tim. Ih, está dando fora da área de cobertura...

sábado, 29 de dezembro de 2012

Buraco da Fechadura - "Abrindo os Trabalhos"


Neste sábado, a coluna "Buraco da Fechadura", do compositor Aloisio Villar, faz a "avant-premiere" de uma nova coluna de contos do compositor, tendo o samba como tema: a "Enredo do Meu Samba". Esta coluna, aqui e ali, terá também alguns textos de minha lavra, tendo sempre o carnaval como tema.

Abrindo os Trabalhos

É manhã no Rio de Janeiro.

Mais um carnaval passou e, com ele, surgiram as cinzas. Ainda se ouve um tamborim aqui ou ali. Pessoas embriagadas bambeiam pelas calçadas cantando “oh abre alas que eu quero passar”, outras fantasiadas dormem com a cara no chão enquanto cachorros lambem seus rostos.

O carnaval passou, mas o verão ainda não. O Rio de Janeiro, fevereiro e março, o Rio quarenta graus ferve. As praias lotadas aproveitam o fim da estação mais brasileira de todas. Homens jogam futevôlei, mulheres se bronzeiam em micro biquínis, crianças brincam nas areias da cidade maravilhosa...

E ainda se respira um pouco carnaval. Estamos naquele período entre a quarta-feira de cinzas e o sábado das campeãs. Nos barracões as escolas agraciadas refazem seus carros. Nos grandes condomínios, hotéis de luxo ou favelas o desfilante orgulhoso cuida para que sua fantasia esteja tão linda quanto no desfile.

Seja sexta colocada, quinta, quarta, terceira ou vice-campeã, o orgulho é o mesmo: voltar a pisar no templo sagrado do samba. Para a campeã mais orgulho ainda: o de colocar a faixa de vencedora do carnaval no peito. 

É um trabalho árduo, amigo leitor, de muito sacrifício. Para muita gente o carnaval dura apenas quatro dias, mas a algumas pessoas o carnaval dura o ano inteiro. Assim que o vento leva as cinzas as escolas de samba já começam a tratar do enredo do ano seguinte. Em agosto muitos já estão dando seu suor, seu sangue durante horas e horas em barracões e ateliês para que tudo saia certo, para vermos o maior espetáculo da Terra.

São apaixonados pelo carnaval, por suas escolas de samba, por aqueles oitenta e dois minutos na super escola de samba da Sapucaí ou mesmo quarenta e cinco minutos na Intendente Magalhães. Que vivem carnaval o ano inteiro, que respiram o carnaval como suas vidas.

Carnaval... Escolas de samba... A muita gente isso é coisa muito séria. Escolas, muitas quase centenárias, que exalam cultura, conhecimento, formação de caráter. Muitas vezes uma escola de samba é escola da vida, ensina, educa, cria. Muitos desses que chegaram pequenininhos ao samba só observando os bambas com seus instrumentos, vozes, rodopios e criação com o tempo tomam seus lugares e perpetuam a história.

Nascem, crescem, envelhecem e passam seus “anéis de bamba a que mereça usar”. O samba é uma história construída por heróis. Heróis que nunca pegaram em armas, mas pegaram em surdos de marcação, tamborins, caixas, microfones, bandeiras, rodopiaram na arte de um mestre-sala ou vigor de uma baiana e encantaram multidões.

E essas pessoas têm um lugar pra se reunir. Ou melhor, tinham.

Um bar de dois andares, meio que caindo aos pedaços, de mais de sessenta anos por quais passaram muitos dos maiores sambistas desse país. Teve seus dias de glória, o apogeu como adoram dizer alguns carnavalescos, mas mesmo não sendo mais tão suntuoso ainda cultiva sua tradição e charme.

Em um canto do Estácio, o berço do samba, existe ou existia o “casa de bamba”. Ponto de encontro de sambistas da velha e nova geração.

Na casa, os muitos quadros espalhados contavam a saga do carnaval carioca. Algumas engraçadas, outras nem tanto, mas cada uma ajudava a contar um pouco do que era nossa folia. Traziam gargalhadas, saudades, amarguras, motivos para mais uma cerveja e começo de batucada.

Naquela manhã não era diferente. A fila já era grande na frente do bar esperando que ele abrisse. O termômetro, ainda de manhã, marcava quase quarenta graus. Era o tipo de calor onde o pastor deixava as irmãs irem ao culto de biquíni e os frequentadores já reclamavam da demora da abertura. Queriam começar os trabalhos com uma gelada.

Quem se dava bem com isso era o Feitosa, o dono da banca de jornal. Enquanto o bar não abria o homem vendia jornais, que falavam da polêmica do resultado do carnaval. Muita gente discordou do resultado e desconfiava de marmelada. A campeã daquele ano desfilou com um carro a menos, pelo mesmo quebrar na entrada da avenida. A maldição do setor 1 - e a promessa era de muitas vaias no sábado das campeãs.

A maioria xingava a escola com todos os nomes impublicáveis possíveis e um homem tímido tentava defendê-la quando chegou o Almeidinha, garçom do bar.

Os homens reclamavam pelo atraso de Almeidinha, que pediu desculpas e abriu o estabelecimento. O garçom abriu e os cerca de dez homens que estavam na fila foram sentando nas mesas e pedindo cervejas e aperitivos, enquanto discutiam o resultado do carnaval. Almeidinha serviu a todos enquanto os outros garçons foram chegando. O bar já estava cheio quando o dono do bar adentrou o recinto.

Manolo, um espanhol na altura dos sessenta anos de idade, chegou com cara de poucos amigos e não queria muita conversa com ninguém. Foi para o balcão ver algumas anotações e comentou com Almeidinha que era para cobrar todos os fiados.

Bem, no começo eu falei que o samba tem ou tinha um local próprio, explicarei agora o porque.

Meu nome é Pedro de Oliveira e meu carnaval fora uma porcaria. Separei-me há pouco de minha mulher e achei que seria uma boa viajar na folia de Momo. Fui para Búzios.

O problema é que muitos pensaram como eu. Peguei mega engarrafamentos na ida e na volta. A casa era uma droga, não tinha água, faltou luz, a praia cheia de gringos e lá minha filha ligou toda contente para contar que a mamãe estava namorando.

Voltei furioso, antes mesmo do carnaval acabar, e passei a terça-feira gorda comendo pipoca, bebendo cerveja (pelo menos era Chimay, belga) e vendo filmes do Chuck Norris. Decidi que dormiria até segunda-feira, quando voltaria ao trabalho.

Mas antes disso me ligaram. 

Era do jornal onde eu trabalhava e queriam que eu fizesse uma matéria sobre um bar que fecharia e viraria igreja evangélica. Expliquei que isso hoje em dia era a coisa mais comum da cidade, até a Candelária em pouco tempo seria uma Universal, mas o meu chefe insistiu devido à importância do local.

Dessa forma saí naquele calor senegalês em direção ao Estácio ver o tal bar. Dessa forma parei na “casa de bamba”.

Cheguei ao bar, me apresentei como jornalista e perguntei a Almeidinha sobre o dono, pois faria uma matéria com ele. Os caras que estavam sentados em uma mesa comentaram “Ih, olha o Manolo ficando importante”, “na certa querem a opinião dele sobre a roubalheira do carnaval” e um senhor disse que foi diretor de harmonia da Unidos da Ponte e se eu quisesse podia entrevistá-lo.

Cheguei em Manolo, apertei sua mão me apresentando e comentei que queria fazer uma matéria com ele sobre a venda do bar para a Igreja Universal. Os garçons e freqüentadores do local ouviram o que eu disse e entraram em polvorosa. Rapidamente se aproximaram de mim, me olhando como se eu fosse um ET.

Perguntei qual era o problema e todos, em grande confusão e gritaria perguntaram a Manolo o que ocorria. O dono do estabelecimento confirmou a informação e disse que na noite anterior acertara a venda do bar para a igreja. O bar vinha tendo prejuízo e uma dívida enorme foi produzida. Não havia outro jeito.

Um “silêncio ensurdecedor” tomou conta do bar. O clima era de uma escola rebaixada após a apuração. Senti-me como um ser malvado que contava a crianças no Natal que Papai Noel não existia. Perguntei a Manolo se poderia fazer a matéria com ele e o homem respondeu que sim.

Aos poucos os freqüentadores voltavam a se sentar naquele silêncio e os garçons a servi-los. Manolo virou para mim e pediu que fosse ao segundo andar com ele. Dessa forma começava meu contato com o mundo do samba. Justo no fim de parte de sua história, mas que me traria personagens que dariam um livro.

Quer saber que personagens? A partir de janeiro aqui no blog “Ouro de Tolo”, na coluna “Enredo do Meu Samba”.

Feliz ano novo.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Bissexta - "O Amor, ah o Amor!"


Neste último dia útil de 2012, a coluna "Bissexta", do advogado Walter Monteiro, traz uma verdadeira mensagem de Ano Novo aos leitores.

Lembro novamente que a partir do próximo dia 01/01, terça feira, o Ouro de Tolo estará em endereço novo: www.pedromigao.com.br. Caro leitor, atualiza seu arquivo de marcadores.

O Amor, ah o Amor!

Fim de ano é aquela coisa: tem panetone, especial do Roberto Carlos - e gente amaldiçoando os aeroportos e as companhias aéreas. 

Brasileiro tem uma relação curiosa com o transporte aéreo. A gente é maltratado por uma extensa gama de serviços, pois passamos horas engarrafados no trânsito, sofremos com a falta de energia em casos de temporal, a telefonia e a rede de dados por celular é caótica. Mas as exigências mais severas caem na conta dos vôos. Talvez por ser algo relativamente novo nas nossas vidas, todo mundo demanda um atendimento de excelência e mimos.

Eu voltava do Rio para Porto Alegre, semana passada, depois de um dia de comemorações, festas, cervejas e piscinas, no ponto exato para dormir as quase duas horas de vôo e me esquivar do mau humor que contamina os passageiros. Estava confortavelmente instalado na segunda fileira de poltronas, mas o atraso inclemente começou a dar vazão ao tilintar de ligações telefônicas de gente se justificando.

Logo quando embarquei notei que na primeira fileira, reservada às pessoas com necessidades especiais, na minha frente iriam dois jovens portadores de Síndrome de Down: um rapaz e uma moça. Quer dizer, ela parecia ter um outro distúrbio assemelhado, ele tinha uma aparência mais típica da síndrome.

Fui despertado do estado de sonolência pela moça falando ao telefone. Se expressando com clareza, mas com alguma dificuldade, ela dizia ao interlocutor que ainda estava no Rio de Janeiro, mas fazia questão de ressaltar a felicidade de estar ali. O avião inteiro xingando a TAM pelo atraso injustificado e a moça na contramão do ânimo geral: alegre.

Ela desligou e disse ao comissário: era minha sogra.

Tomei um susto imenso. Eu jamais poderia imaginar que aqueles dois jovens ali sentados com toda a paciência do mundo eram casados. Dei um jeito de conferir e notei a aliança na mão esquerda do rapaz. Sim, eles eram casados.

E de repente, um novo mundo se apresentou ali, separado de mim por um encosto de cabeça.

Eu via casais amargurados pela longa espera, eu via pais de mau humor pela inquietação dos filhos irritadiços, eu via gente de todo tipo amaldiçoando a má sorte de ter que lidar com o atraso de uma hora do vôo. Entretanto não conseguia parar de pensar na alegria daqueles dois jovens da minha frente.

O que eles vieram fazer no Rio, afinal? Estariam em lua-de mel? Foram a algum evento? Estariam de férias, passeando pela cidade? Foram visitar parentes? Ou será que moravam sozinhos no Rio e estavam voltando ao Sul para passar o Natal com a família?

E eu pensei o quanto tempo da minha vida e da vida dos meus leitores eu desperdicei, sendo amargurado, tecendo críticas e descendo o malho no alheio. Digo isso porque quase sempre escrevi aqui falando de temas diversos, mas sempre com um olhar pretensiosamente superior, confrontando alguém ou alguma corrente de pensamento.

Como eu posso ter passado esse ano inteiro de 2012 sem falar do amor? Há algo mais belo que o amor? Mais reconfortante que o amor? Mais rejuvenescedor que o amor?

Tanta coisa aconteceu em 2012, mas a cena final foi particularmente recompensadora: aquele jovem casal e suas necessidades especiais, caminhando à minha frente na sala de desembarque, acompanhado pelos comissários de bordo (sim, eles não tinham autorização para andarem sozinhos), com tantos motivos para reclamarem da vida... Contudo celebravam o privilégio de estarem juntos: de repartirem um amor profundo.

Conheço muitas histórias de amor, claro. Mas as pessoas quase sempre amam o outro porque o parceiro é belo, é bem sucedido, é inteligente, é sexy, é poderoso. Os meus colegas de viagem não tinham nada disso. Tinham apenas o infortúnio de suas necessidades especiais, que os reuniu. E, unidos, fizeram do amor a senha para serem felizes, juntos.  A gente, que muito tem, brigando por tão pouco e eles, que tão pouco tem, se amando...

Como é belo o amor. Que em 2013, eu possa falar mais do amor, porque, se ainda me faltavam dúvidas, agora já tenho absoluta certeza: em nossas vidas, all you need is love.

O resto, se ajeita.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Sabinadas - "O 'passaralho' e a crise nos veículos impressos"


Nesta quinta feira, a coluna “Sabinadas”, do jornalista Fred Sabino, discorre sobre os fatores que estão levando as mídias impressas a perderem atratividade – e, como consequência, demitirem jornalistas aos borbotões.

Acrescentaria, além das causas apontadas pelo colunista, a crescente ideologização dos veículos da chama “grande mídia” como uma grande causa da perda de veiculação destes.

O “passaralho” e a crise nos veículos impressos

Infelizmente estas semanas de Natal e Ano Novo em 2012 não serão tão felizes para muitos jornalistas, principalmente os de veículos impressos.

A crise do setor ocasionou demissões em massa desses profissionais e o fechamento de vários jornais, como Marca Brasil, Correio do Povo e Jornal da Tarde, além de diversas outras revistas. Houve “passaralho” – como os jornalistas chamam este tipo de demissão em massa – também em portais de internet.

Não vejo esse quadro como o prenúncio de um apocalipse inevitável dos veículos impressos. A não ser que jornais e revistas não se reinventem urgentemente. Afinal, a vendagem vem caindo pelo fato de que o público está migrando cada vez mais para internet e TV a cabo.

Alguns fatores explicam e colocam como imperativa uma mudança.

Hoje é muito mais fácil o acesso a computadores e a uma internet de boa velocidade, o que possibilita uma atualização mais veloz das notícias pelos portais e, consequentemente, uma visualização mais rápida também por parte do internauta.

Isso também se aplica aos celulares, a cada dia com conexões de internet melhores. Qualquer um hoje recebe no seu telefone as notícias mais recentes e, num mundo em que as pessoas têm cada vez menos tempo para ir às bancas comprar um jornal, é algo a se considerar também.

Diante disso, o chamado factual vem sendo publicado nos sites e os jornais que ainda apostam nesse tipo de matéria para vender seus exemplares estão fadados ao fracasso - a não ser no caso de um furo de grandes proporções. Este tipo de “furo” é algo cada vez mais raro também devido às barreiras impostas pelas assessorias de imprensa.

Outro fator é a comparação de custos entre se produzir um jornal diariamente e manter um site. Imprimir todo santo dia centenas de milhares de cópias de um jornal continua extremamente custoso, enquanto os gastos operacionais relacionados à internet são cada vez menores.

Na carona disso tudo, os anunciantes tiraram um pouco o pé em relação aos veículos impressos - e aceleraram fundo na internet. Evidentemente, menos grana chega aos cofres dos jornais e revistas e, como em qualquer empresa nesse capitalismo selvagem, os funcionários sofrem.

Existe uma solução?

Evidentemente não é simples, diante de fatores econômicos tão importantes. Mas, como escrevi no começo do texto, os veículos impressos - e seus jornalistas - precisam se reinventar.

Fugir cada vez mais do factual, ou pelo menos minimizá-lo no espaço que houver. Investir em matérias mais comportamentais, perfis de personagens, entrevistas exclusivas, bastidores, observação, entre outras coisas como

infográficos e fotos. Isso me parece o mais lógico para os jornais e revistas ao menos manterem um público cativo.

Voltar aos níveis de antigamente é impossível, mas ter leitores fiéis é o primeiro passo para a sobrevivência.

Como sou das antigas, prefiro ler um bom jornal e uma boa revista a ficar o tempo todo em um celular ou tablet...

Feliz Ano Novo a todos os leitores!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Made in USA - "Guia dos Playoffs - NFL"


Nesta quarta feira, a coluna "Made in USA", do advogado Rafael Rafic, coloca as possibilidades de ida aos playoffs da NFL, a liga de futebol americano. Neste domingo se realiza a última rodada da temporada regular e estarão definidos os times que seguem na competição.

Apesar das possibilidades remotas demonstradas pelo colunista, na minha opinião o New York Giants (acima), equipe atual campeã e pela qual torço, está fora. O time pagou por uma péssima segunda metade da temporada, bem como alguns deslizes fatais e excesso de contusões.

A bipolaridade da equipe é assustadora, capaz de "amassar" 49ers e Packers e levar de zero do Atlanta. Talvez a equipe precise trocar de técnico, a meu ver.

Passemos à coluna.

Guia dos Playoffs - NFL

Com o fim do ano, também chega o fim da temporada regular do Futebol Americano e é justamente para acompanhar a última semana de jogos antes dos playoffs nesse final de semana antecedente ao ano-novo é que criei esse guia rápido, resumindo para que cada time luta nessa última semana.

Para quem ainda não sabe, a NFL (liga de futebol americano) é dividida em duas conferências. Cada conferência por sua vez é dividida em quatro divisões (norte, sul, leste e oeste). Os campeões de cada divisão,k além dos dois outros melhores times dentro da conferência (os wild-cards) se classificam para os playoffs, que começam em 05 de janeiro.

O interessante da última NFL é que quase sempre, mesmo para os times já classificados, tem algo para o qual se lutar. Quanto melhor a posição do time dentro da conferência, mais benefícios ele tem.

Basicamente se disputa inicialmente para ter vantagem de mando de campo para todo o playoff (dado para o campeão de divisão com melhor campanha em cada conferência), pelo bye na primeira rodada dos playoffs (dado aos 2 melhores campeões de divisão em cada conferência), pelo título da divisão (que dá além da vaga nos playoffs, mando de campo apenas no primeiro jogo dos playoffs) e pelo wild-card (as últimas vagas disponíveis para os playoffs).

[N.do.E.: isto é uma vantagem relativa: na temporada passada os Giants fizeram apenas um jogo em casa nos playoffs. Deu no que deu, o título.]

Vamos então ao resumo do que cada time disputa nessa semana 17 da NFL.

Conferência Americana (AFC)

Mando de campo total

Houston Texans: apesar de empatado com o Broncos com 12V e 3D, o Texans ganhou o confronto direto na Semana 3 e por isso só depende de si para garantir o mando de campo total na AFC: basta ganhar do Indianápolis Colts, fora de casa. O problema é que o Colts está muito bem, mesmo sem Peyton Manning, e tem 10V e 5D. O ponto positivo para o Texans é que o Colts não almeja nada na semana 17 e deve descansar o time para o primeiro jogo dos playoffs.

Se perder, ainda pode torcer pelas derrotas de Broncos e Patriots (abaixo) que ainda sim ficaria com o Mando de Campo Total. Se apenas um dos dois perder, ainda fica com o segundo bye na primeira rodada. Mas se o Texans perder e Broncos e Patriots ganharem, nem bye terá: terá que se contentar somente com o título de divisão.

Denver Broncos: basicamente tem que torcer pela derrota do Houston Texans. Além disso tem que ganhar seu próprio jogo, mas enfrentando em casa o pior time do ano na NFL, o Kansas City Chiefs (2V 13D), isso não deverá ser difícil.

Se por um acaso conseguir a façanha de perder para o Chiefs, não terá qualquer chance de mando de campo total e ainda terá que torcer pela derrota do Patriots para não perder o segundo bye na primeira rodada.

New England Patriots: precisa vencer seu jogo em casa contra o Miami Dolphins, freguês de carteirinha do Patriots, e torcer para as derrotas de Texans e Broncos. Se só um dos dois perder, ainda terá o segundo bye na primeira rodada.

Se perder para o Dolphins, terá que se contentar com o título da divisão.

Segundo Bye na Primeira Rodada

Os dois byes estão sendo disputados por Texans, Broncos e Patriots, como já explicado acima.

Títulos de Divisão

AFC East: já garantido pelo New England Patriots
AFC North: já garantido pelo Baltimore Ravens
AFC South: já garantido pelo Houston Texans
AFC West: já garantido pelo Denver Broncos

1° Wild-Card

Já garantido pelo Indianápolis Colts

2° Wild-Card

Já garantido pelo Cincinnati Bengals (para mim candidatíssimo à derrota na primeira rodada dos playoffs).

Conferência Nacional

Mando de campo total

Já garantido pelo Atlanta Falcons (alias, apesar de ter a melhor campanha com 13V e 2D, teve jogos muito fáceis e é outra aposta minha para perder em seu primeiro jogo nos playoffs).

Segundo Bye na Primeira Rodada

Green Bay Packers: com a derrota do 49ers no último domingo de madrugada, os Packers tornaram-se senhores de si: basta ganhar seu jogo contra o Vikings, fora de casa. Seria um jogo tranqüilo, não fosse a forte rivalidade entre os dois times.

Se perder ainda pode torcer pela derrota do 49ers, que manterá o direito do bye.

San Francisco 49ers: precisa ganhar do Arizona Cardinals em casa e torcer pela derrota do Green Bay Packers para ficar com o bye.

Se perder, além de não ter chances de bye, precisa se preocupar com o título de divisão (detalhes abaixo).

Seattle Seahawks: precisa ganhar em casa do Saint Louis Rams e torcer por derrotas de Packers e 49ers.
Se perder, será automaticamente Wild-Card.

Títulos de divisão.

NFC East:

Washington Redskins: fará um confronto direto em casa contra o seu adversário direto, o Dallas Cowboys. Quem ganhar levará a divisão no jogo, que será às 23 horas do próximo domingo, com transmissão da ESPN. Caso o Redskins perca, na verdade empata com o Cowboys, mas o desempate é favorável ao Dallas.

Se perder ainda terá chances de ser o segundo Wild-Card, se o Vikings e o Bears perderem (abaixo)

Dallas Cowboys: como dito, decidirá a divisão em campo contra o Redskins fora de casa.

Porém, diferentemente do Redskins, a derrota significará o fim de qualquer chance de classificação aos playoffs.

NFC North: já garantido pelo Green Bay Packers
NFC South: já garantido pelo Atlanta Falcons

NFC West:

San Francisco 49ers: só precisa de si: basta  ganhar o Arizona Cardinals (5V e 10D) em casa.

Se perder, precisa torcer para a derrota do Seahawks para ficar com o título da divisão. Caso contrário será apenas Wild-Card

Seattle Seahawks: precisa ganhar em casa do Saint Louis Rams (7V 7D 1E) e torcer para 49ers perder.

Se perder, será apenas Wild-Card.

Primeiro Wild-Card

Já garantido pelo Seattle Seahawks ou San Francisco 49ers: quem perder a NFC West.

Segundo Wild-Card

Minnesota Vikings: só depende de si: basta ganhar em casa o Green Bay Packers. O problema é derrotar o Packers, que ainda estará lutando pelo segundo bye. Jogo bem complicado para o Vikings.

Se perder, precisa torcer pelas derrotas de Bears, Cowboys e Giants para ficar com a vaga.

Chcago Bears: precisa vencer fora de casa o Detroit Lions (Bears é bastante favorito) e torcer pela derrota do Minessota Vikings.

Se perder, estará fora dos playoffs.

New York Giants: como sempre, Giants irá para a última rodada precisando de um milagre para se classificar aos playoffs. O problema é que, se deixarem classificar, como é um time de chegada, já vira postulante ao título. Foi exatamente após um milagre de última rodada que o Giants se classificou ano passado - e no final levou o título.

Mas para se classificar, antes de tudo, o Giants precisa fazer a sua lição e ganhar em casa do saco-de-pancadas Philadelphia Eagles. Além disso, precisa torcer pelas derrotas de Vikings, Bears e Cowboys. Se qualquer um desses três ganhar, o Giants estará eliminado.

É claro que se o Giants perder estará automaticamente eliminado.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

A Médica e a Jornalista - "Explicando a Síndrome Nefrótica"


Neste dia de Natal, a coluna "A Médica e a Jornalista", da Anna Barros, explica a meu pedido uma doença muito pouco conhecida: a síndrome nefrótica. Digo "a meu pedido" pois tive um parente próximo acometido com a doença no início deste mês e, embora esteja tudo relativamente bem agora, o susto inicial foi grande.

Aproveito para reiterar aos leitores um desejo de Feliz Natal.

Explicando a Síndrome Nefrótica

A Síndrome Nefrótica e uma doença que acomete os rins e da qual poucas pessoas fora do meio médico falam. Ela é caracterizada por perda proteína na urina, acima do valor normal, deixando-a espumosa.
 
A definição principal foi feita pela Dra Solange Baruki, especialista pela Sociedade Brasileira de Nefrologia, que trabalha nas Clínicas de Doenças Renais e na Assistência Renal Total. Além disso, é uma amiga muito querida, que se formou comigo na Universidade Gama Filho, em 1996.

O sintoma que pode abrir o quadro da Síndrome Nefrótica é o edema, o popular inchaço, em membros inferiores e palpebral. Dependendo do valor da proteinúria, pode evoluir para a anasarca, que seria um edema generalizado. 
 
A proteinúria é o excesso de proteína na urina. O valor da proteinúria para ser considerada nefrótica, deve ser acima de 3,0g em 24h. Na criança, o valor é de 50 miligramas/Kg. Isso ocorre por aumento da permeabilidade dos glomérulos renais às proteínas. 
 
Além do edema, temos hipercolesterolemia, que é o aumento do colesterol no sangue, principalmente o LDL (colesterol ruim ) e queda de albumina no sangue. Pode acontecer também a desnutrição, nos casos mais graves de proteinúria. E também podem aparecer sintomas relacionados à trombose venosa e às doenças vasculares, incluindo a coronariopatia. Os fatores predisponentes para a ocorrência desses sintomas são: a hiperlipidemia e o aumento do estado de hipercoagulabilidade. A hipercoagulabilidade é a tendência a formar mais coágulos, que podem vir a se tornar trombos.

A Dra Solange revela que a doença pode surgir em qualquer faixa etária. “Dependendo da causa, pode ocorrer em qualquer faixa etária. Nas crianças e adolescentes, pode ser secundária às doenças reumatológicas, autoimunes, idiopáticas. E no paciente idoso, pode ser por neoplasia”, concluiu ela. E a nefrologista acrescenta que há uma doença comum, que pode cursar com proteinúria nefrótica, que é a Diabetes melitus.

A Síndrome Nefrótica pode ser primária , quando a doença se instala apenas no rim, como na doença de lesão mínima, que é comum nas crianças na faixa etária de 5-7 anos, ou secundária, quando existem outras doenças associadas. As causas secundárias podem ser, então, a Diabetes melitus, Lupus eritematoso sistêmico, Sarcoidose, Neoplasias, Hepatite B e HIV.

As principais complicações da doença são: desnutrição; doença tromboembólica (sendo a mais comum trombose venosa de MMII); infecções bacterianas, assim como as infecções cutâneas. Além de pneumonia, trombose de veia renal , acidente vascular encefálico, coronariopatia e uma evolução para insuficiência renal crônica, necessitando de hemodiálise. A hemodiálise é o método usado para depurar as substâncias do rim quando ele não consegue mais realizar adequadamente as suas funções.

Um dos principais diagnósticos diferenciais é com a Glomerulonefrite, que é uma doença que se caracteriza também por edema e proteinúria, mas em que há um aumento da pressão arterial, a hipertensão. “Na Glomerulonefrite ocorre um aumento de células inflamatórias, lesivas aos glomérulos renais, e não há um aumento da permeablidade às proteínas. Na glomerulonefrite não temos proteinúria elevada”, destacou a dra Solange.

Espero que tenham conhecido um pouco sobre a Síndrome Nefrótica. Aproveito para desejar a todos um Feliz Natal! Não se esqueçam do verdadeiro sentido, que é o nascimento de Jesus.

Forte abraço e até a próxima,
Anna Barros
 
(Foto: Gramado/RS. Acervo Pessoal)

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Orun Ayé - "E por falar em saudade"


Excepcionalmente nesta segunda feira, véspera de Natal, a coluna “Orun Ayé”, do compositor Aloísio Villar, traz uma mensagem de Natal aos leitores.

E por falar em saudade

Para início de conversa. Se você está lendo essa coluna isso significa dois sinais. Um é que você tem nada pra fazer, já que hoje é véspera de Natal e está de frente a um computador. Que tal levantar e ajudar as pessoas?

A segunda é que o mundo não acabou sexta-feira. Que alívio... Ou não, caso você tenha detonado o cartão de crédito.

Como eu disse acima hoje é véspera de Natal. Dia do nascimento de Jesus Cristo - também de Joel Santana, mas esse não vamos levar em consideração.

Um dia que estamos com a sensibilidade mais à flor da pele. Reunimos a família, colocamos Simone para tocar, rabanada, pernil, peru na mesa, as crianças esperam por Papai Noel e aquele cunhado que você não gosta bebe demais, começa a falar besteiras e a noite feliz vira de guerra.

Mas principalmente: um dia de saudade.

Muita gente não gosta do mês de dezembro, principalmente depois do dia quinze. A programação da TV fica chata, o futebol de férias e muita gente torce o nariz para Natal e ano novo.

Muita gente do nada vira socialista. Culpam o pobre Papai Noel por mazelas como crianças pobres não receberem presentes e xingam as pessoas que em vez de enaltecer aquele que devia ser o homenageado da noite preferem correr para shopping center e demais lojas para compras desenfreadas.

Entretanto, a verdade não é essa. Vocês já viram alguma criança não gostar de Natal? E não é apenas porque recebem presentes, porque no dia do aniversário e no dia das crianças também recebem.

Elas gostam porque tem menos motivos para saudades que adultos.

Normalmente, quando cresce o ser humano sempre acha que quando era criança a vida era muito melhor. Ontem mesmo vi algumas coisas na internet relativas ao início de 1991, e por alguns segundos senti saudades. Depois pensei “está louco? Foi uma das piores fases da sua vida”. O ser humano tem lembranças: vive delas.

A gente quando envelhece vira refém de nossas lembranças.

E o adulto quando chega à fase de Natal, vê o anúncio do show de Roberto Carlos na TV, as árvores de Natal, as antigas canções natalinas e se lembra da sua infância. Lembra de Natais que passou, casas que morou, pessoas que estavam, a época que aquilo foi vivido. A coisa é muito mais abrangente que o Natal: envolve toda uma fase da vida.

Pior é quando existem perdas. O adulto geralmente já perdeu alguém querido. Seja pela distância que o tempo impõe ou mesmo pela morte e isso dói mais ainda. Você olhar para o sofá de casa, a cadeira na mesa, ouvir as risadas, a hora do brinde e sentir que está faltando uma pessoa.

Eu passo por isso tudo que descrevi acima. Tive Natais maravilhosos aqui em casa quando criança, a mesma casa que vivo até hoje - e a única pessoa que restou daquele tempo sou eu.       

Meus tios casaram-se e seguiram suas vidas, minha avó foi morar em outra cidade, minha bisavó e minha mãe morreram. Minha bisavó pouco depois do melhor Natal de minha vida. Ainda criança com a casa cheia onde eu e outras crianças quebramos o sofá de tanto pular nele e eu descobri que o Papai Noel era o motorista da minha escola.

A vida passa, a gente cresce. A casa ficou vazia e nenhuma dessas pessoas estará aqui hoje. Sim, seria motivo suficiente pra me deprimir passar a data sem essas pessoas e sem outras que conheci ao longo da vida e queria muito, mas muito mesmo que estivessem aqui. Mas a vida nos distanciou de forma definitiva. Só que não adianta chorar. Sorrir, é preciso sorrir.

Outras pessoas chegaram. Uma nova família foi criada e pessoas importantes para mim, tanto quanto aquelas que ficaram no passado e mais.

Agora tem a Bia. No auge da sua maturidade de três anos de idade que todos os dias vai à janela ver se o Papai Noel deixou o seu presente. Posso garantir uma coisa a você que não é pai ou mãe ainda. Mais gostoso que correr para abrir um presente de Natal é ver nosso filho correr para abrir.

Ok, você se esforça, gasta às vezes uma grana que não pode e quem leva o mérito é Papai Noel, mas é gostoso demais. A renovação da vida, a nossa perpetuação.

Escolhi esse nome para a coluna porque me remete a duas situações. A música de Vinicius de Moraes e ao título do enredo da Caprichosos de Pilares em 1985. A música e o enredo ficaram no passado remoto: na minha infância onde minha avó e minha mãe ouviam a música e eu na frente da TV assistindo aos desfiles com a curiosidade de um garoto.   

Saudade não tem que ser uma coisa necessariamente ruim. Mesmo de um ente querido que morreu. Pode ser um orgulho também, uma alegria por ter vivido todos aqueles momentos.

A saudade pode ser uma celebração.

Então na hora do brinde, seja com champanhe, cerveja, vinho, sidra ou mesmo guaraná erga o copo ao céu e celebre também com aquela pessoa que não está mais aqui.

Desarme-se contra o Natal. Lembre-se que ele não tem culpa de nossas tristezas e fracassos e principalmente, lembre-se do aniversariante do dia. Jesus Cristo é tão bacana que quando nasce ganhamos presente e, na data de sua ressurreição, chocolate.

Agindo assim será atingido pelo espírito de Natal. Sim ele existe e quando olhar no espelho verá aquela criança perdida e feliz que você deixou em algum lugar do passado.

A coluna acabou, desligue o computador e vá celebrar com aqueles que ama.

Feliz Natal!!

domingo, 23 de dezembro de 2012

Dia de Natal


Bom, meus leitores uma vez mais devem ter pensado que eu surtei de vez. Nada disso.

Na minha tradição religiosa, 23 de Dezembro é o dia em que, por analogia, comemoramos o nosso Natal.

Meishu-Sama - em português, "Senhor da Luz" - nasceu Mokiti Okada em 23 de dezembro de 1882, em Tóquio, Japão. Teve uma infância repleta de problemas de saúde e financeiros, mas sempre demonstrando uma disposição inabalável para superar as adversidades e completar a sua formação.

Após a morte do pai abriu a "Loja Okada", a qual engendraria grande sucesso, inclusive detendo a patente de um adorno feminino de cabelos em dez países - o "Diamante Asahi". Entretanto, foi a falência duas vezes e em 1929, aos 37 anos, doou a loja aos seus funcionários - esta vivia período de grande prosperidade - e abraçou a causa religiosa. 

Ele havia recebido a primeira Revelação Divina em 1926. Em 1931, no topo do Monte Nokoguiri, recebeu a Revelação da Transição da Era da Noite para a Era do Dia, pilar da doutrina de nossa Igreja.

Casou-se duas vezes e teve filhos. 

Em 1935 fundou a Igreja Messiânica Mundial para a difusão do Johrei. Eram tempos pré-Segunda Grande Guerra e a nascente Obra de Salvação da humanidade enfrentou muitas dificuldades e perseguições. Meishu Sama foi preso por duas ocasiões, mas nunca esmoreceu.

Após o término da Segunda Guerra construiu os três Solos Sagrados japoneses, nas cidades de Hakone, Atami e Kyoto, bem como um dos mais importantes museus de arte japoneses. O Brasil tem o seu Solo Sagrado, localizado às margens da Represa de Guarapiranga, em São Paulo - aqui e aqui o leitor pode ver fotos do Solo Sagrado Brasileiro.

Meishu-Sama ascendeu ao Mundo Divino em 10 de fevereiro de 1955, aos 72 anos.

Receba nesta data a minha Gratidão. É Natal, 129º aniversário de nosso Fundador. Estarei no Solo Sagrado do Brasil a fim de assistir ao Culto "in loco" neste domingo.

Reproduzo abaixo três Ensinamentos que resumem a essência da filosofia da Fé e, também, mostram a importância do equilíbrio em nossas palavras, atos e ações:


"Doutrina da Igreja Messiânica Mundial

Nós, messiânicos, cremos em Deus, Criador do Universo. Cremos que, desde o início da Criação, Deus objetivou estabelecer o Céu na Terra e tem atuado continuamente para a concretização desse objetivo. Com tal propósito, fez do ser humano o Seu instrumento para servir ao bem-estar da humanidade, condicionando a ele todas as demais criaturas e coisas. Cremos, portanto, que a história humana do passado constitui estágios preparatórios, degraus para se alcançar o Céu na Terra. Para cada época, Deus envia o Seu mensageiro e as religiões necessárias, cada qual com sua missão.

Cremos que, no presente, quando o mundo vagueia em tão caótica situação, Deus enviou o Mestre Meishu-Sama, fundador da Igreja Messiânica Mundial, com a suprema missão de realizar o Seu sagrado objetivo de salvar toda a humanidade. Por conseguinte, visando à concretização do Mundo Ideal, de eterna paz, perfeitamente consubstanciado na VerdadeBem-Belo, empenhamo-nos em fazer sempre o melhor, erradicando a doença, a pobreza e o conflito, as três grandes desgraças que assolam este mundo.

(11 de março de 1950)"


"O Que é a Igreja Messiânica Mundial

A Igreja Messiânica Mundial tem por finalidade construir o Paraíso Terrestre, criando e difundindo uma civilização religiosa que se desenvolva lado a lado com o progresso material.

Não há dúvida de que “Paraíso Terrestre” é uma expressão que se refere ao mundo ideal, onde não existe doença, pobreza nem conflito. O “Mundo de Miroku”, anunciado por Buda, a chegada do “Reino dos Céus”, profetizada por Cristo, a “Agricultura Justa”, proclamada por Nitiren, e o “Pavilhão da Doçura”, idealizado pela Igreja Tenrikyo, têm o mesmo significado. A diferença é que não se fez indicação de tempo. Mas eu cheguei à conclusão de que o momento se aproxima. E o que significa isto? É a hora da “Destruição da Lei”, prevista por Buda, e do “Fim do Mundo” ou “Juízo Final”, profetizado por Cristo.

Seria uma felicidade se o Paraíso Terrestre pudesse ser estabelecido sem que isso afetasse o homem. Antes, porém, é indispensável destruir o velho mundo a que pertencemos. Para a construção do novo edifício, faz-se necessária a demolição do prédio velho e a limpeza do terreno. Deus poupará o que for aproveitável – e a seleção será feita por Ele. Eis a razão pela qual é importante que o homem se torne útil para o mundo vindouro.

Ultrapassar a grande fase de transição significa ser aprovado no exame divino, e a Fé é o único caminho para obtermos aprovação. As qualificações para ultrapassar essa fase são as seguintes:

a) tornar-se um homem verdadeiramente sadio, e não apenas na aparência;
b) um homem que se libertou do sofrimento da pobreza;
c) um homem que ama a paz e detesta o conflito.

Deus resguardará aqueles que tiverem essas três grandes qualificações e deles se utilizará, como entes preciosos, no mundo que vai surgir. Certamente não há discordância entre os desígnios de Deus e os ideais do ser humano. Portanto, haverá um caminho que permita estabelecer as condições requeridas. Mas como poderemos obtê-las?

Nossa Igreja tem por objetivo orientar as pessoas e transmitir-lhes a Graça Divina, possibilitando-lhes criar tais condições.

(25 de janeiro de 1949)


(acima: Reverendíssimo Tetsuo Watanabe, Presidente Mundial da Igreja)

"Daijo, Shojo, Izunomê

Daijo” ilustra o aspecto horizontal da vida; “Shojo”, o vertical. A atividade de “Daijo” é semelhante à da água, que se estende perpetuamente em nível horizontal. “Shojo” é a atividade do fogo. Restrito, queima em profundidade e dirige suas chamas para o alto; une o homem a Deus. “Daijo” une irmão com irmão.

O princípio de “Shojo” é estrito e intransigente. A vida das pessoas com temperamento “Shojo” é regida por padrões freqüentemente rígidos e restritos. O indivíduo “Shojo” tende a ser mais crítico do que os outros e a classificar as coisas como “boas” ou “más”. 

Os indivíduos de temperamento “Daijo” são geralmente liberais e estão sempre dispostos a mudar. Por outro lado, podem tender a um liberalismo excessivo, faltando-lhes uma orientação espiritualmente profunda.

Izunome simboliza a cruz equilibrada, indicando a perfeita harmonia entre os princípios horizontal e vertical.

Até agora, o Leste se manteve no nível vertical e o Oeste no nível horizontal. Durante a Era da Noite, foi assim que a Providência Divina estabeleceu o plano espiritual.

Os povos orientais mostram-se mais inclinados a reverenciar o culto aos ancestrais, a virtude da lealdade e a piedade filial. Por isso, mantêm um estrito sistema hierárquico. No Oeste, enfatiza-se a afeição entre marido e mulher, expandindo o amor ao próximo e a toda a humanidade.

O Cristianismo é “Daijo” e, assim, difundiu-se pelo mundo inteiro. Nele se acentua a importância do amor fraterno, atividade em nível horizontal.

O Budismo é “Shojo”; sua essência fica restrita a grupos específicos. Acentua-se a importância da meditação, com o fim de alcançar a sabedoria e a auto-realização. Essa atividade é vertical — profunda e dirigida para o alto — e induz seus discípulos a viverem retirados do mundo.

Como o Leste representa o nível vertical e o Oeste o nível horizontal, há muito pouca compreensão entre ambos, o que freqüentemente tem dado margem a conflitos.

É chegado, contudo, o momento de os princípios vertical e horizontal se harmonizarem para formar a cruz equilibrada — Izunome. O resultado será uma feliz união das civilizações oriental e ocidental. Só então a humanidade poderá viver o Paraíso na Terra. A Igreja Messiânica Mundial nos dá a consciência de que esse Paraíso pode tornar-se uma realidade através da Luz de Deus.

Devemos ser flexíveis e agir dde acordo com as situações, ora aderindo ao princípio de “Shojo”, ora aplicando o método “Daijo”, mas sempre voltando ao ponto central, Izunome. 

“Daijo” é abrangente incluindo tudo, inclui também “Shojo”. De modo geral, é bom agir conforme as circunstâncias, mas nunca esquecendo o princípio sobre o qual baseamos a nossa ação. Mesmo tendo “Shojo” como princípio orientador, convém agir à maneira “Daijo”.

Não obstante, seria perigoso empregarmos somente “Daijo”. Os jovens, especialmente, poderiam tender a uma demasiada auto-indulgência. “Shojo” estabelece o princípio vertical, no qual tudo deve ser baseado, antes de adotar o princípio “Daijo”, de expansão horizontal. Assim, pode-se atingir o perfeito equilíbrio entre ambos, ou seja a cruz equilibrada Izunome."



O atual e quarto Líder Espiritual da Igreja Messiânica Mundial é Yoiti Okada (foto acima), neto do Fundador, intitulado Kyoshu Sama. Tive a oportunidade de estar presente em São Paulo por ocasião de sua visita missionária, em novembro de 2009 - contei esta história aqui e aqui.

E aqui o leitor interessado pode baixar um vídeo com um resumo deste Culto, inclusive com a saudação de nosso Líder Espiritual.

Eu fui criado desde pequeno na Igreja, por intermédio de duas tias - uma delas, já falecida - e posteriormente minha mãe. Tornei-me membro da Igreja em 1987 e posso dizer que exerci dedicação (trabalho voluntário) em praticamente todos os setores da instituição, embora esteja há cerca de um ano e meio sem exercer atividades de forma sistemática. A foto abaixo é de maio de 2008, Solo Sagrado do Brasil.


Feliz Natal de Meishu-Sama !

sábado, 22 de dezembro de 2012

Cinecasulofilia - "Um cenário de mudanças e o porvir"


Neste sábado, a coluna “Cinecasulofilia”, do professor, crítico e cineasta Marcelo Ikeda, discorre sobre o cinema brasileiro atual.

Como sempre, publicado em conjunto com o blog de mesmo nome.

Um cenário de mudanças e o porvir

O Brasil é um país que sofreu diversas transformações na última década e o cinema brasileiro pôde, de maneiras sutis, acompanhar esse percurso de mudanças. Acredito que esse contexto de transformações pode ser associado ao início deste século.

É curioso, pois o cinema ganha vida exatamente na virada do século XIX para o XX. Praticamente cem anos depois, o cinema passa por um outro contexto de crise: uma reavaliação das suas possibilidades enquanto expressão artística e como produto de massas.

Essas transformações estão diretamente relacionadas a mudanças nas formas de produção e de difusão de obras audiovisuais. De um lado, a produção de obras audiovisuais se tornou muito mais acessível com o vídeo, e especialmente com o digital.

Os equipamentos de gravação e de finalização de imagem e de som se tornaram ainda mais portáteis e com preços mais acessíveis, com uma qualidade técnica que cada vez mais se aproxima das linhas de equipamento “profissionais”. É certo que o vídeo não é uma invenção do novo século; no entanto, a velocidade dessas transformações foi intensificada com a popularização do digital, trazendo impactos imediatos na produção de obras audiovisuais. Tornava-se possível produzir obras baratas, com um equipamento portátil, com uma qualidade técnica que pouco deixava a dever às produções profissionais.

No entanto, essas obras prontas não conseguiam ser exibidas num circuito dominado pela película 35mm, inclusive nas mostras e festivais de cinema, que ainda viam o vídeo como um suporte amador ou semiprofissional.

Esse contexto de transformações, portanto, avançou para o cenário de difusão. Primeiro, com o surgimento de vários cineclubes, que funcionavam como pontos de encontro dessa jovem geração. Em seguida, com o surgimento de novas mostras e festivais de cinema que passaram a dar uma maior abertura para essa produção.

É preciso lembrar que o cinema brasileiro ainda se recuperava, a passos trôpegos, de um grande trauma: os atos do Governo Collor que ameaçaram a sobrevivência do filme nacional, retirando o apoio do Estado.

Com isso, os festivais sofreram a responsabilidade de serem territórios de defesa de que “o cinema nacional precisava existir”, procurando mostrar a “respeitabilidade” dos seus valores de produção e o profissionalismo de seus integrantes. Esses “discursos de defesa” foram imprescindíveis no percurso da “retomada”, mas tiveram suas contra indicações: os filmes brasileiros do período eram em geral pouco ousados, de modo que uma jovem geração pouco se identificava com o cinema que era produzido à época no país.

Começavam, então, a surgir no país, mostras e festivais de cinema que deram espaço a essa jovem geração, cujos valores não se integravam ao discurso oficial da “classe cinematográfica brasileira”.

Entre elas, destacam-se a Mostra do Filme Livre (RJ), a Mostra de Tiradentes (MG), o CineEsquemaNovo (RS), a Janela do Cinema (PE). Entre esses, em 2009, surge a Semana dos Realizadores.

Esses jovens realizadores encontravam um contexto favorável de transformações e reagiram a ele, com uma forte presença de uma cinefilia que se irradiou através de relações em rede, possíveis com a internet.

Propunham filmes baratos, com equipes reduzidas, com a proeminência de modos colaborativos de produção, rompendo a hierarquia tecnicista das equipes de filmagem dos tradicionais modos de produção industrial.

Basearam-se no hibridismo, tanto de suportes físicos (bitolas) quanto de gêneros e linguagens. Examinaram as fronteiras entre o documental, a ficção e o experimental (o ensaio visual). Investigaram outras formas de dramaturgia para além do cinema clássico, como dramaturgias mínimas, baseadas no silêncio e na sugestão, ou dialogando com outras artes, propondo filmes performáticos, ensaios visuais, diários fílmicos ou filmes-de-arquivo, entre outros. Estabeleceram relações de afetividade, tensionando as fronteiras entre o cinema e a vida.

Essa geração ganhou rápida visibilidade, estimulada por um circuito crítico e pela circulação em festivais internacionais de prestígio. Após essa visibilidade, resta-nos acompanhar a futura trajetória desses realizadores, qual o caminho que seguirão, as suas opções não somente estéticas, mas sobretudo éticas e políticas.

O verdadeiro artista não é o que simplesmente segue os modismos, mas o que não tem medo do contraditório; é o que eternamente prossegue questionando o mundo e a si mesmo. E é o que se posiciona diante disso. Os festivais têm sua parcela de responsabilidade, contribuindo não para a exaltação dos “modismos do novo” (“o novo pelo novo”), mas por uma aposta pelo risco e pelo processo.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Bissexta - "Jagger: o Mito, a Lenda, o Inexplicável"


Nesta sexta feira, a coluna “Bissexta”, do advogado Walter Monteiro, confessa seu espanto – que também é meu – com a inesgotável vitalidade do roqueiro Mick Jagger, do Rolling Stones.

O post me lembra um documentário que vi há algum tempo com os remanescentes – melhor seria dizer sobreviventes - do ‘The Doors’. Foi meio estranho ver os sujeitos de cabelos brancos dando entrevistas...

E bom feriadão e ótimo Natal aos leitores. O blog continuará sendo atualizado diariamente, como de hábito. Apenas a coluna "Final de Semana" que está temporariamente suspensa devido a alguns problemas que estão surgindo na migração para a nova plataforma. O Ouro de Tolo estará no endereço www.pedromigao.com.br a partir do dia 1º de janeiro.

Passemos ao texto.

Jagger: o Mito, a Lenda, o Inexplicável

E os Rolling Stones comemoraram 50 anos de carreira. Eu estava distraído, zapeando sem compromisso, até que parei no show que o canal Multishow transmitia. Cheguei ali no exato momento que Mick Jagger cantava e dançava junto com Lady Gaga. Descontando a cara muito enrugada, Jagger parecia ter a idade da esquisitona, que, aos 26 anos, poderia ser neta do quase septuagenário roqueiro.

[N.do.E.: vi um pedaço deste show. Só soube que era a Lady Gaga porque minha filha me disse quem era]

Sim, Mick Jagger está às portas de completar 70 anos. Dá para acreditar? É verdade que a pele dele está uma coisa assustadora, gente mais velha do que ele não tem aqueles sulcos vincados no rosto... Mas, de resto, ele continua igual.

Como um senhor de tamanha idade pode ter aquele cabelo? Como pode dançar daquele jeito? Como é possível que um idoso possa servir de inspiração para uma das músicas de maior sucesso recente, que fala que o poder de sedução de determinado homem vem justamente do fato de dançar como Mick (Moves Like Jagger, do Maroon 5)?

Eu já escrevi aqui sobre minha depressão em ver Paul McCartney, ídolo da minha adolescência, com seus cabelos de tonalidade acaju, sentado ao piano no Beira-Rio, portando-se como um coroa. É natural: Paul é outro velhinho, mas a gente sonhava em vê-lo sempre como um ícone jovem.

Pois Jagger é o oposto: a energia dele em um show supera, com folgas, a de super astros muito mais jovens que ele. Não engordou um grama sequer: era esquelético nos anos 60, continua sendo.  E não deve ter ossos nem pulmões, porque dança por mais de 2 horas com movimentos difíceis de imitar.

Outras coisas seguem impressionando.

Não sou especialista na banda, mas acho que o último sucesso inédito do grupo é ‘Start Me Up’, do álbum Tattoo You, do longínquo 1981. Ou seja: os caras faturam cerca de meio bilhão de dólares ao ano cantando músicas compostas há mais de 30 anos, às vezes 40.

E essas músicas não parecem envelhecidas (embora algumas a gente esteja cansado de ouvir).  Vejam ‘Gimme Shelter’, por exemplo. Poderia ter sido composta mês passado, porque é altamente contemporânea. Mas tem incríveis 43 anos de idade. Um fenômeno.

E a gente olha para Mick Jagger e fica pensando como o cara chegou lá com o estilo de vida que escolheu para si.

Ele não chega a ser tão doidão quanto seu companheiro de banda, Keith Richards, que dentre muitas maluquices, declarou ter cheirado as cinzas do pai morto junto com cocaína. Mas é óbvio que Jagger tem um longo histórico de uso de drogas: já foi até preso por isso.

A julgar por entrevistas que deu, sua alimentação é à base de carboidratos: muita batata, arroz, macarrão. E aconselhou qualquer pessoa a só praticar esportes depois dos 30 anos, ainda assim em pouca quantidade, porque “cansa”. Esporte, para ele, é enfileirar mulheres bonitas, deixando claro que não acredita em monogamia.

Carboidratos, álcool, drogas e orgias! E aí está o homem, o mito, mandando às favas a vida regrada, bilionário, famoso, com 70 anos, mas com vitalidade de 25.

De duas, uma: ou ele não é humano, ou precisamos, todos, rever nossos conceitos com absoluta urgência.

(Foto: Uol)