Mostrando postagens com marcador A Médica e a Jornalista. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador A Médica e a Jornalista. Mostrar todas as postagens

sábado, 21 de janeiro de 2012

A Médica e a Jornalista: "Próteses de Silicone: Caso de Saúde Pública"


Neste sábado em que, espero, já estar nos ares gaúchos (o post está sendo escrito com antecedência), a coluna "A Médica e a Jornalista", da Anna Barros, nos traz o recente caso que envolveu as próteses de silicone banidas pela Anvisa, por utilizarem silicone industrial.

Passemos à palavra da colunista que, lembro, é cirurgiã plástica.

Próteses de Silicone: Caso de Saúde Pública

A cirurgia de prótese de silicone não é tão complicada como se pensa. 

Ela pode ser feita por incisão inframamária, periareolar e axilar. Confesso que prefiro o acesso inframamário, porque permite uma melhor exposição do campo a ser descolado. A prótese pode ser colocada retroglandular, ou seja, atrás da glândula mamária, ou retromuscular - ou seja, atrás do músculo peitoral maior. 

Resolvi falar sobre isso por causa da polêmica das próteses PIP e Rofil, que foram banidas pela Anvisa e que usaram em sua composição silicone industrial, incompatível com a saúde e que pode provocar câncer de mama. 

O Ministério da Saúde determinou que as próteses da francesa PIP e da holandesa Rofil sejam retiradas nos hospitais do Sistema Único de Saúde e também nos hospitais particulares dos planos de saúde. 

Alexandre Padilha decidiu conversar com a Silimed, a maior fabricante de silicones do País, para baratear os custos das próteses. Por vezes, os altos custos levam as pacientes a optarem, com a orientação de seus médicos a usarem as próteses mais baratas e que possam ser menos seguras. 

Para identificar o rompimento da prótese há alguns sinais que devam ser observados: dor forte, inchaço, vermelhidão que demonstra inflamação e a contratura capsular que faz com que as mamas fiquem extremamente duras, pétreas. Se as pacientes perceberem isso e estiverem com as próteses mencionadas, devem procurar um mastologista ou um cirurgião plástico imediatamente, de preferência os seus médicos de confiança. 

O próximo passo é a realização de uma ressonância magnética que identificará o rompimento da prótese. Se houver infecção ou inflamação severa, a prótese será retirada, mas outra só poderá ser colocada seis meses depois, quando a antibioticoterapia terá que ser lançada e o processo infeccioso debelado. 

O acontecido com essas mulheres é caso de Saúde Pública, sim, pois a integridade física delas e o bem-estar estão sob risco. Na França foram diagnosticados oito casos de câncer de mama em pacientes com a prótese PIP. 

O Ministério da Saúde está sendo enérgico nesse caso e sua atuação tem sido um verdadeiro gol de placa. 

Até a próxima!
Anna Barros

sábado, 7 de janeiro de 2012

A Médica e a Jornalista: "Um novo velho problema: a leptospirose que chega com as enchentes"


Neste sábado, temos mais uma edição da coluna "A Médica e a Jornalista", assinada pela Anna Barros. Em uma passagem de Ano Novo bastante chuvosa, com enchentes em alguns lugares, o texto é um alerta para a prevenção de uma doença ligada diretamente a granbdes massas de água barrenta: a leptospirose.

Um novo velho problema: a leptospirose que chega com as enchentes

Com as enchentes em Minas Gerais e em Nova Friburgo, uma doença ameaça atingir essas populações: a leptospirose.

O agente etiológico é uma espiroqueta do gênero Leptospira, sendo que dentre os catorze tipos a principal é a Leptospira interrogans. A distribuição da doença é universal, mas ela acomete locais envolvidos com enchentes aliados às populações aglomeradas e de baixas condições financeiras, às condições péssimas de saneamento básico e à alta infestação de roedores infectados.

Algumas profissões podem ser mais suscetíveis a terem a patologia: trabalhadores em limpeza e desentupimento de esgotos, garis, catadores de lixos, agricultores, veterinários, tratadores de animais, laboratoristas, militares e bombeiros, entre outros.

Ela é uma doença infecciosa febril de início abrupto que pode alcançar formas graves. Quando ela é leve, ela pode ser confundida com uma síndrome viral como influenza ou dengue. Seu curso é bifásico que pode ser descrita como se segue:

1)Fase precoce ou septicêmica: Esta fase dura de três a sete dias, com início súbito de febre, cefaleia, mialgias (principalmente abdome e panturilhas), anorexia, náuseas e vômitos. Pode haver diarréia, artralgia e hemorragia conjuntival. A sufusão conjuntival , que é uma expressão de hemorragia na conjuntiva, é um achado característico em 90 % dos casos, o que pode ajudar no diagnóstico diferencial.

2) Fase tardia ou imune: Em 15% dos casos há evolução para formas mais graves que começam após a primeira semana da doença. A manifestação clássica é a tríade: icterícia rubínica, insuficiência renal aguda e hemorragias, sendo a principal a pulmonar. A icterícia é o sinal mais comum, mas nas formas graves a insuficiência renal e a hemorragia pulmonar podem acontecer em pacientes anictéricos, ou seja, sem icterícia.

A doença é transmitida pela urina do rato. Os ratos são os reservatórios da bactéria. Dentre eles a ratazana, o rato-de-esgoto e o rato de telhado. Outros reservatórios de importância são os caninos, suínos, bovinos, eqüinos e caprinos.

A infecção humana se dá pelo contato direto ou indireto com a urina do rato ou de animais infectados. A entrada do microorganismo acontece através da pele íntegra ou de lesões nela existente. O elo hídrico é fundamental para a transmissão da doença através da ingestão de água contaminada ou de alimentos contaminados, por isso que as águas das enchentes são um enorme perigo à saúde da população.

O período de incubação é de 1 a 30 dias (em média de 5 a 14 dias). O período de transmissibilidade dos animais infectados pode durar meses.

As principais complicações são as pulmonares através de hemoptise ou de infecções que levem a uma síndrome respiratória aguda, a insuficiência renal aguda, miocardite, arritmias, pancreatite e encefalites.

Os métodos diagnósticos principais são: a cultura da bactéria e os métodos sorológicos como ELISA-Ig M e a microaglutinação. Os exames inespecíficos são: hemograma completo, bioquímica, provas de função hepática, ECG e gasometria arterial.

A antibioticoterapia é o tratamento de escolha para a leptospirose como amoxacilina e a doxiciclina, sendo que esta última não pode ser usada em crianças menores de nove anos. A duração do tratamento costuma ser de uma semana.

A leptospirose é uma doença de notificação compulsória. E não existe, infelizmente, ainda uma vacina contra a leptospirose.

Os cuidados preventivos são: uso de equipamentos de proteção individual para trabalhadores ou indivíduos expostos ao risco, redução de riscos de exposição de feridas abertas à água contaminada através de cobertura com gazes ou panos limpos na ausência delas, imunização de animais domésticos com vacinas de uso veterinário.

Tenho orgulho de fazer parte do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro que mandou a todos os médicos um guia de bolso com as doenças infecto-parasitárias que inspirou primordialmente a confecção desta coluna que irá ajudar muita gente.

Esperamos que as autoridades façam obras de contenção de encostas e de prevenção de enchentes nas áreas que costumeiramente são afetadas pela chuva excessiva. Os lugares são conhecidos, pré-determinados e a impressão que temos é que há muita falácia  e pouca ação. Janeiro é um mês chuvoso, logo as autoridades têm a faca e o queijo na mão.

Feliz 2012!

Até a próxima!
Anna Barros

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

A Médica e a Jornalista - "Cuidados com a alimentação no Natal e no Ano Novo"


Excepcionalmente nesta quarta feira, a coluna "A Médica e a Jornalista", da Anna Barros, traz algumas dicas para que possamos aproveitar as festividades de final de ano.

Aproveito para acrescentar mais uma dica: procurem consumir cervejas de boa qualidade. A ressaca no dia seguinte é muito menor - os conservantes e adjuntos utilizados em bebidas de consumo de massa potencializam o efeito do álcool e trazem o mal estar no dia seguinte.

Passemos ao texto.

Cuidados com a alimentação no Natal e no Ano Novo

Quando o Pedro me pediu para falar dos cuidados com a alimentação nessa época de Natal e Ano Novo, achei que não fosse dar conta. Mas, depois, pensei nos meus conhecimentos médicos e na minha experiência de várias festividades: afinal venho de uma família portuguesa onde a gastronomia dessa época tem muita tradição. 

A primeira dica é não misturar as comidas. 

Se na noite do dia 24, você optar por bacalhau, só coma bacalhau. Deixe o peru ou o chester para o almoço do dia 25. Isso já é um adianto. Esse será o meu primeiro Natal sem Coca-Cola. Como tive gastrite em junho, consegui abolir do meu cardápio. Então, tomarei sucos e talvez um vinho do Porto, a única bebida alcoólica que gosto. E esse vinho do Porto é da festa do Vasco da Copa do Brasil pois, com gastrite, não quis abusar. 

O mesmo vale para o Ano Novo. As frutas que mais gosto são uvas e pêssego. E são frutas leves e apetitosas. Também sugiro que elas estejam em abundância. Confesso que adoro nozes, mas as acho gordurosas demais - então bani do meu menu. 

Se você tiver cometido excessos, opte no dia seguinte por um suco de abacaxi com hortelã ou suco de melancia, além de saladas. Eu as redescobri esse ano e adoro! Alimentação leve ajuda a repor os nutrientes necessários. Acompanhando a salada, um filet de peixe grelhado ou de frango. Eu prefiro sempre o peixe. Também sou a favor da água de côco. Evitar pão, queijo ou qualquer produto industrializado também é uma boa pedida. Também não sou muito a favor da carne vermelha. 

E sempre é bom ter à mão o chá verde ou chá de boldo que é altamente digestivo. Este me salvou na minha crise de gastrite pós-reveillon que até pensei ser uma crise de vesícula. Graças a Deus não era. Gelatina e picolé de frutas são leves e podem ser incluídos no cardápio. 

Uma dica que uso e me faz bem é nunca misturar os carboidratos, tanto na época de festas, como no ano todo. Nunca misturo arroz com macarrão ou nhoque, por exemplo. Ou um, ou outro. A refeição, para mim, fica bem mais tranqüila, sem sobressaltos. O suco é o mais natural possível, mas recomendo os orgânicos. São saudáveis e nutritivos. 

Além de uma vida saudável, sinto que o peso também diminuiu, o que para qualquer mulher é uma dádiva. 

Permita-se comer rabanada, mas sem exageros. Experimente na ceia de Natal e também no café da manhã, se não tiver exagerado na comilança. A rabanada do dia seguinte é mais gostosa. E abuse da água mineral porque há uma reidratação e ela repõe perdas, seja através do calor ou dos excessos de álcool. 

Temos que cuidar do nosso organismo, do nosso corpo pois ele será o reflexo da velhice que teremos. E o corpo é o templo do Espírito Santo e precisa ser bem cuidado. 

Tudo que é feito com moderação, sem exageros, sem atropelos, é muito melhor para o nosso bem-estar. 

Desejo a todos um Feliz Natal e um maravilhoso 2012 e lembrem-se que o verdadeiro sentido do Natal é o nascimento de Jesus. Os presentes, o consumo, não podem ser exacerbados. Às vezes um cartão ou um beijo afetuoso valem mais do que qualquer presente material. 

Passei um ano muito feliz no Ouro de Tolo em 2011. Espero repeti-lo em 2012! 

Até a próxima!
Anna Barros

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A Médica e a Jornalista - "Os Perigos da Diabetes"


Excepcionalmente em dia diferente, a coluna "A Médica e a Jornalista", assinada pela Anna Barros, traz um alerta sobre doença que pode matar silenciosamente: a diabetes. Por outro lado, controlada ela pode permitir uma vida normal, como podemos ver no exemplo do ex-jogador Washington.

Vamos ao texto:

Os Perigos da Diabetes

A Diabetes é uma doença que, se não controlada, pode matar 

O Dia Mundial da Diabetes foi comemorado no último dia 14 de novembro. A Diabetes é uma doença silenciosa. Seus sintomas sugestivos são sede excessiva, poliúria ou necessidade excessiva de urinar, vista embaçada e cansaço acentuado. 

Se a pessoa tiver esses sintomas deve procurar um clínico ou um endocrinologista. 

Então, ele vai recomendar a realização de uma glicemia, que é a dosagem da glicose no sangue em um jejum prévio de 12 horas. O resultado é considerado normal entre 70mg e 110mg/dl. Se o resultado ficar em torno de 110 a 125 mg/dl, o indivíduo é portador de glicemia em jejum inapropriada. Assim, torna-se necessário à realização do exame conhecido como “Teste Oral de Tolerância à Glicose”. 

Ocorrendo um resultado igual ou acima de 126 mg/dl, em pelo menos dois exames consecutivos, fica então confirmado o diagnostico de Diabetes Mellitus. Já com uma glicemia superior a 140 mg/dl, mesmo sendo recolhida a qualquer hora do dia, já se confirma o diagnostico do diabetes. 

O Diabetes Mellitus pode ser do tipo I, insulino-dependente e do tipo II, não insulino-dependente. O Diabetes Tipo I não produz insulina, daí a necessidade de reposição dela. Geralmente acomete crianças e jovens. O Tipo II produz e principalmente atinge adultos e idosos. O tratamento pode ser feito à base de dieta pobre em açúcar, no tipo II, ou, se não bastar, através de um medicamento chamado hipoglicemiante oral. Um dos mais conhecidos é o Glifage. 

O stress pode descompensar a Diabetes, daí a necessidade de controles constantes e de uso de glicosímetro, que é um aparelho que mede a glicose e tem uso domiciliar. Havendo qualquer alteração é necessário procurar um Pronto Socorro para fazer a glicemia. 

Outros sintomas freqüentes do Diabetes tipo I são: polifagia ou fome exacerbada, perda de peso, mudanças no humor, câimbras na panturrilha por diminuição de potássio, náuseas e vômitos. 

O Diabetes Tipo II tem um fator hereditário muito presente. E sabe-se que 60 a 90% das pessoas são obesas. A incidência é maior após os 40 anos. O Tipo II tem uma incidência seis a oito vezes maior que a do Tipo I, segundo dados do site da Sociedade Brasileira de Diabetologia. Há uma boa resposta com dieta e exercício. Além do açúcar, é necessário abolir carboidratos porque dentro do organismo eles se transformam em glicose. 

Outros sintomas freqüentes do Diabetes Tipo II são: infecções freqüentes, principalmente urinária e pulmonar, visão embaçada, dificuldade na cicatrização de feridas, formigamento nos pés e furunculose. 

As principais complicações do Diabetes são: nefropatias, retinopatias, pé diabético, infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral e neuropatia diabética. 

Tanto a hipoglicemia severa (abaixo de 60mg/dl) quanto a hiperglicemia podem matar o indivíduo, portanto quem é diabético tem que sempre controlar a glicemia. O Diabetes pode levar ao coma que é um estado neurovegetativo inconsciente. 

Não há cura para a Diabetes, mas há uma série de medidas que podem suavizar a vida de quem é portador dessa doença, como alimentação adequada, vida saudável e exercícios físicos. O Diabetes mata uma pessoa a cada 8 segundos. 

Então, estejamos atentos a essa doença, sempre. 

Até a próxima!
Anna Barros

sábado, 19 de novembro de 2011

A Médica e a Jornalista - "Os Malefícios da Maconha"


Neste sábado, mais uma edição da coluna "A Médica e a Jornalista", assinada pela Anna Barros. Hoje o tema são os malefícios causados pelo uso da maconha, em termos médicos.

Os malefícios da maconha

A maconha é sempre um tema em voga, haja visto que em várias ocasiões vozes clamaram pela sua liberação. Inclusive o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é uma destas, que participou de um documentário de Fernando Gronstein, irmão de Luciano Huck: "Quebrando tabu". 

Eu sou terminantemente contra isso. 

Temos que sempre discutir o assunto, visto que o consumo de drogas financia o tráfico no Rio de Janeiro. E com a prisão do traficante Antonio Bonfim Lopes, o Nem, é inevitável não se falar do problema. 

Se ele lucrou tanto - estima-se que um milhão por mês, segundo ele, mas fala-se de quase 10 milhões - é porque as pessoas compram. Enfim, um assunto de Segurança Pública, mas de Saúde primordialmente.

Muitas pessoas dizem que a maconha não faz mal: só que isso não é verdade. 

Além da dependência psicológica e química ela causa outros males. Dentre eles, pode vir a propiciar a esquizofrenia, por uso contínuo e longo; e nos homens, o câncer de testículo. Existem os efeitos corriqueiros como perda de memória e problemas no aprendizado, na fixação do que se aprende.

Abrimos um pequeno parênteses para falar da esquizofrenia. 

A esquizofrenia é uma doença psiquiátrica, de origem hereditária,  que provoca uma sensação de alma dividida, com a presença de alucinações, sentimentos paradoxais simultâneos como rir e chorar ao mesmo tempo, mania de perseguição, uma voz dentro da cabeça como se fosse um radiotransmissor e toda a sorte de paranoias e delírios. É uma doença que afeta os jovens. Ela foi muito bem retratada na novela Caminho das Índias, de Glória Perez, através do personagem Tarso, vivido por Bruno Gagliasso.

Mas voltemos ao nosso tema principal, a maconha. 

Além dos malefícios relatados, a maconha provoca queda dos níveis de testosterona (50-60%) e também pode provocar disfunção sexual como a ejaculação precoce. Há outros distúrbios provocados por ela como: perda de motivação, sonolência, problemas de coordenação motora e sensação de secura na boca, que é a xerostomia. Ela provoca uma grande perda de neurônios, daí afetar a memória em muitos casos. Nesse ponto se assemelha ao álcool, uma droga lícita até mais perigosa.

A maconha associada ao tabaco usado também no cigarro de baseado pode contribuir para a ocorrência de outras doenças, tais como bronquite, câncer de pulmão e de laringe - entre outras afecções.

O consumo dela aumentou consideravelmente e porque as pessoas acham-na inócua seus efeitos são pouco difundidos ou minimizados. 

Ela não causa aumento no rendimento do esportista, mas está na lista de drogas do controle antidoping porque é uma droga social e o atleta, teoricamente, deve ser um exemplo para as outras pessoas.

Os sintomas da síndrome de abstinência são irritabilidade, apatia, distúrbios de sono, sudorese, náuseas e vômitos. Há estudos que indicam que seu efeito dura de duas a três horas - mas pode durar até oito horas. 

Os efeitos a curto prazo mais observados são taquicardia (aumento da freqüência cardíaca), boca seca (xerostomia), relaxamento muscular e sensação de mãos frias ou quentes.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a OMS, o potencial para a maconha de induzir dependência é de leve a moderado, sendo menor que o do álcool. Estudos também demonstram que fumar de três a quatro cigarros de maconha por dia equivale a fumar mais que vinte cigarros de tabaco - o que pode induzir a um risco de câncer de pulmão.

Então, discutir e debater esse tema é questão de Saúde Pública. 

Há um núcleo que atende ao dependente químico em geral, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a UERJ. É chamado de Nepad, que tem um trabalho interessante e sério. 

Sempre que for necessário traremos esse assunto à baila, seja em artigos, seja em debates, porque ele é uma realidade cada vez mais presente em nossas vidas aqui no Brasil. Há uma relação próxima de que, quem começa a beber precocemente tem maior chance de fumar maconha.

 Há uma estreita relação entre as duas drogas, logo é um risco que nossos adolescentes estão cada vez mais expostos, em idade cada vez mais tenra.

Até a próxima!
Anna Barros

sábado, 5 de novembro de 2011

A Médica e a Jornalista - "Dissecando o Câncer de Laringe"


Neste sábado, a coluna "A Médica e a Jornalista", da Anna Barros, nos traz uma explicação objetiva sobre o câncer de laringe que abateu o ex-Presidente Lula.

Sem mais delongas,passemos ao texto.

Dissecando o Câncer de Laringe

Como a doença do ex-presidente Lula foi o assunto da semana, resolvi esclarecer os leitores a respeito do câncer de laringe. 

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer, o INCA, o câncer de laringe atinge mais os homens, na faixa etária entre 50 e 70 anos. É um dos tumores mais comuns de cabeça e pescoço. Os principais sintomas são: rouquidão e dor de garganta - além de disfagia, que é uma dificuldade de engolir, e uma sensação de caroço na garganta. 

Os fatores predisponentes são tabagismo e ingestão de álcool, que se associados produzem uma combinação extremamente perigosa que aumenta bastante o risco - principalmente para o tipo supraglótico desse carcinoma. 

Quanto mais precoce for detectado, maior a chance de cura. O câncer do ex-presidente Lula foi detectado no estágio inicial (ele tem um nódulo de três centímetros) e pôde ser classificado como intermediário. O método diagnóstico é uma videolaringoscopia com biópsia que foi a que Lula se submeteu. 

As opções de tratamento são cirurgia, quimioterapia e radioterapia. A cirurgia pode ser realizada, mas comumente é feita uma laringectomia que pode comprometer as cordas vocais e promover uma traqueostomia definitiva. A opção de quimioterapia e radioterapia pode ser lançada em casos de tumores avançados. 

Três coisas me chamaram atenção no caso do ex-presidente: o ressentimento de algumas pessoas que o acusam de ter provocado a doença por seus hábitos, utilizado até com requintes de crueldade nas redes sociais. Segundo a campanha de que ele devia se tratar no SUS e não num hospital particular (o ex-presidente está se tratando no Sírio Libanês por confiar na equipe médica que lá está e por seu médico particular, Roberto Kalil trabalhar lá); e finalmente o pedido dele de que tudo fosse divulgado com a maior transparência possível para a imprensa e para a população, com exposição de fotos e vídeos. 

Confesso que fiquei chocada com a reação das pessoas no Facebook e Twitter e aproveito para prestar minha total solidariedade ao ex-presidente Lula. Não votei nele na segunda eleição. 

Sou contra a corrupção e o mensalão, mas ele foi o melhor presidente que o Brasil teve até hoje. Independente disso, estamos lidando com um ser humano que precisa de apoio e carinho num momento delicado como esse. Só quem teve um ente querido com câncer sabe o quão devastadora é essa doença. 

A mim só me resta a dizer como médica e jornalista, uma só expressão: Força, Lula. Estamos com você para o que der e vier. 

Até a próxima!
Anna Barros

sábado, 22 de outubro de 2011

A Médica e a Jornalista - "O que é privacidade para você?"


Neste sábado, mais uma edição da coluna "A Médica e a Jornalista", assinada pela Anna Barros. O tema de hoje é a cada vez maior invasão de privacidade trazida pelo mundo tecnológico e a necessidade de se impor limites.

O que é privacidade para você?
Por mais que gostemos de mídias sociais como Twitter e Facebook, às vezes necessitamos de um pouco de privacidade.

Num mundo globalizado em que tudo que fazemos é filmado, fotografado, ou está na internet ou é compartilhado, há momentos que desejamos um pouco de privacidade. O Facebook fez ajustes que até um simples curtir no feed de notícias de algum amigo é visto por todos da sua lista. Parece algo banal, mas não é.

Essa questão leva a vários questionamentos em um mundo onde todos querem ser o centro das atenções. Todos ficam voltados 'para o seu umbigo'. Enquanto o Orkut valorizava a entrada em comunidades com interesses comuns a fim de promover o debate entre as pessoas, o facebook parece mais uma ode ao eu, ao egocentrismo total, porque ali é o indivíduo que é mais valorizado e não o coletivo. Isso pode ser notado pelo fato dos grupos não fazerem tanto sucesso como as comunidades do Orkut um dia fizeram.

Há câmeras por todos os lugares: nas ruas, no elevador, nos estacionamentos e para monitorar nossos passos. Nunca George Orwell em seu livro 1984 em que definia o papel de Big Brother que naquele caso era o Estado centralizador e comunista foi tão atual. Não é a toa que os realities fazem sucesso ainda hoje em dia e o próprio Big Brother global já vai para a sua 12[ edição. O formato parece ultrapassado, mas sempre se inventa. As pessoas ficam numa espécie de zoológico humano em que todos os seus passos são monitorados.

Hoje em dia basta um smartphone com câmera potente em que tudo é fotografado: a celebridade, o jogador de futebol, o vizinho em situação comprometedora e indiscreta, qualquer pessoa e qualquer situação. Inclusive, os veículos de comunicação incentivam em seus sites o chamado 'eu-repórter', que além de estimular a interatividade atiça a verve curiosa das pessoas: um fato, uma ocorrência - e a possibilidade de ter seu nome divulgado e focalizado.

É muito complicado lidar com a privacidade, mas ela é necessária em vários momentos de nossas vidas. E a solidão é algo extremamente imprescindível ao nosso amadurecimento e desenvolvimento como ser humano. Não dá para ficar 'full time' rodeado de pessoas, de um milhão de amigos no Facebook, de outros tantos no Google Talk. Há momentos em que o recolhimento não faz mal algum, ele é até benéfico, necessário, primordial. Esse recolhimento nos leva à reflexão.

Penso, logo existo e não tuito, logo existo. Há momentos de parada total em que ficar offline é uma das melhores coisas da vida porque faz você aproveitar mais as pessoas, conversar, telefonar, ter um contato real e abandonar aquele contato meramente virtual.

O objetivo da coluna dessa semana é provocar, produzir realmente uma reflexão: o que é a privacidade para você?

E até que ponto você a está cultivando ou a está limitando de sua vida cotidiana. Mistério, desde que o mundo é mundo, nunca fez mal a ninguém. Pelo contrário, sempre só fez bem porque obriga o outro a te descobrir, a te ouvir, a querer verdadeiramente te conhecer e a não tornar o contato simplesmente efêmero como quase tudo que a internet abriga: o imediatismo recorrente.

Tente ficar offline só este fim de semana, se não conseguir, por 24 horas. Sua vida social e sua saúde agradecem.

Até a próxima!
Anna Barros

sábado, 8 de outubro de 2011

A Médica e a Jornalista - "A punição a Rafinha Bastos, humorista do CQC"


Neste sábado, temos mais uma edição da coluna "A Médica e a Jornalista", da Anna Barros. O tema de hoje é a recente polêmica que envolveu um dos apresentadores do programa "CQC" (acima), que fez declarações grosseiras resvalando inclusive na pedofilia.

Acompanhei de longe a situação, até porque não sou telespectador do programa e as raríssimas vezes em que vi achei um "humor" muito mais reacionário e de denúncia vazia que politicamente incorreto. Politicamente incorreto é outra coisa, e especialmente para isso se precisa ter talento.

Passemos à coluna.

A punição a Rafinha Bastos, humorista do CQC

Os meus CQCs favoritos sempre foram: Felipe Andreoli e Rafinha Bastos.

Mas depois do que Rafinha disse a respeito de estupro, que toda mulher que reclama que foi estuprada é feia, confesso que ele caiu no meu conceito. Bastante. Odiei a declaração, afinal sou mulher. Não deixei de segui-lo no twitter, mas fiquei cabreira. Agora, ele falou no programa, exibido na semana passada que 'comeria' Wanessa Camargo e seu bebê. Achei uma piada de péssimo gosto. 

Por isso, foi punido pela Band. Achei a punição justa, mas espero que ele volte à bancada do CQC e aprenda com essa lição. Há limites para o humor, para as piadas. Em nome dele não se pode falar tudo que se vem à mente.

Gostei muito da crítica de Patrícia Kogut no Controle Remoto, publicada no jornal O Globo da última quarta-feira, dia 5.  Vai de encontro ao que eu penso. Mas não quero, como telespectadora, que ele fique longe do CQC muito tempo. O programa perde sem ele. Mesmo com a audiência ter se mantido inalterada, como ela coloca na coluna, em cinco pontos, ele faz falta.

Fica no ar a questão da censura ou da liberdade de imprensa. Muito se especulou na internet, em blogs, no facebook sobre a censura e onde estava a liberdade de imprensa.  Mas confesso que ele passou de todos os limites. Não teria como passar incólume, nem deveria. Talvez seja rigidez de minha parte, mas existem regras e elas devem ser cumpridas. E acima delas há uma ética, que nada mais é que uma regra de comportamento moral.  Verifica-se nesse episódio que uma ação está atrelada à outra. O que ele falou lá atrás sobre estupro, não foi apagado e reforçou a punição dele. 

Como se fosse uma reincidência. E ele concedeu uma entrevista à Rolling Stone quando fez aquela observação extremamente infeliz.

Também achei interessante o que Marcelo Tas disse sobre o humor politicamente correto ao falar de Mussum, dos Trapalhões, em que falava de bebida e brincava com a parte de tomar “mé “ que era como ele se referia à cachaça. Os Trapalhões foram a Xuxa da minha infância.  Foi uma crítica sutil à punição de Rafinha Bastos, mas o companheiro de bancada, Marco Luque, também se posicionou contra as declarações dele. Talvez por ser amigo de Buaiz, o marido de Wanessa, ou por convicções de que Rafinha havia exagerado na dose acabou criando um tremendo mal estar no programa e no entorno do mesmo.  A polêmica ganhou o Twitter, onde Rafinha Bastos ficou nos Trending Topics da última segunda-feira, dia 3. E de madrugada, ele ainda postou fotos com mulheres para reforçar o quão triste estava. Ironic mode on, of course.

Com todo o respeito ao jogador Ronaldo, de quem sou fã, não achei correto ele ligar para a Band e pedir punição a Rafinha porque ele ofendeu a esposa de seu sócio na 9ine, Marcus Buaiz. Não lhe cabe usar de sua influência e prestígio para exigir algo de qualquer emissora. Entendo que ele poderia reclamar como qualquer telespectador que pode usar de seu direito através do canal direto de interatividade - que é o SAC, o Serviço de Auxílio ao Consumidor.  Se a Band  puniu Rafinha por essa atitude de Ronaldo Fenômeno, agiu errado. Mas se o puniu para que tenha limites ao usar sua veia artística, acertou.

Mas honestamente, espero que ele volte logo. Não é Jardim de Infância e não há sentido que a punição se estenda a três ou quatro semanas, como se especula. E penso que ao voltar, e espero que retorne, ele se retrate, peça desculpas, ou faça algum tipo de comentário. Todos cometemos erros e reconhecê-los nos engrandece, faz com que amadureçamos e não erremos mais. Que ele leve na esportiva, como uma espécie de conselho entre amigos. Afinal, amigo que não nos puxa a orelha em determinados momentos da nossa caminhada não é amigo de verdade. E ele é profissional, é da mídia, está exposto a críticas e julgamentos e é formador de opinião. A grande audiência do CQC é de jovens, em sua maioria que são influenciados por tudo aquilo que eles dizem num programa de televisão aberta.

Em tempo: Rafinha Bastos não foi afastado do excelente programa A Liga. A emissora soltou uma nota em que dizia que sua função de repórter não seria abalada.

Adoro a participação das mulheres. Achei a sacada de ter Monica Iozzi no CQC genial, com se fosse uma “estranha no ninho”  dos homens de preto e óculos escuros, mas ela não decolou substituindo Rafinha Bastos como apresentadora. Ainda tem que amadurecer. Mas como repórter é ótima. A piada sobre a câimbra na língua de Rafinha me soou um pouco grosseira, mas deixemos passar. Não podemos também deixar que a amargura e o mau humor dominem um programa que prima pela denúncia de políticos e que mistura entretenimento com jornalismo na medida certa, sem exageros no infoentertainment. Reclamar de tudo e fiscalizar tudo vira chatice. Tudo isso nos moveu a uma discussão. E é de grandes discussões que se vive uma democracia. Aqui no Brasil ainda estamos engatinhando nela, mas com paciência chegaremos lá.

Até a próxima!
Anna Barros

sábado, 17 de setembro de 2011

A Médica e a Jornalista: "A conquista épica do basquete brasileiro"



Neste sábado, temos mais uma edição da coluna "A Médica e a Jornalista", assinada pela colunista Anna Barros.

Hoje ela fala da histórica volta do basquete masculino aos Jogos Olímpicos após uma longa ausência - causada principalmente pela aposentadoria da geração de Oscar e por gestões catastróficas da Confederação Brasileira de Basquete. Mas estamos de volta ao nosso lugar, graças ao trabalho do técnico Ruben Magnano, argentino Campeão Olímpico em 2004 com direito a uma vitória insofismável sobre o "Dream Team" norte americano.

Não pude ver a partida, pois estava em Praia Seca e lá não tenho tv a cabo. Foi um desespero acompanhar o jogo pela internet do celular e em especial pelo Twitter. No vídeo acima, apesar do erro do título - o jogo foi 83 a 76 - pode-se ver os momentos finais e toda a emoção da conquista.

Complementando, ao contrário das opiniões generalizadas e mesmo do expressado pela colunista no texto penso que Nenê, Leandrinho e Varejão, com comprometimento, podem ser muito úteis em Londres ano que vem. Temos de levar os melhores, desde que estejam a fim.

Vamos ao texto:

A conquista épica do basquete brasileiro

Foi um dos jogos mais extraordinários que assisti. O Brasil conseguiu vencer a República Dominicana por 83 a 76 e, depois de dezesseis anos, volta a disputar uma edição dos Jogos Olímpicos.

Mas o jogo épico foi contra a Argentina, campeã olímpica de 2004, com Ginóbili, Scola, Prigioni, Oberto e Delfino. Vencemos por 73 a 71, no dia da Independência do Brasil. Essa vitória pode até ser comparada àquela de 1987, em Indianapólis, num Pan-Americano com a geração de Oscar e Marcel e sobre a todo-poderosa seleção americana. 

Graças a Rubén Magnano, o mago, se assim pudermos chamá-lo, conseguimos a nossa vaga e sem Nenê, Leandrinho e Anderson Varejão, astros da NBA, a Liga Americana de Basquete. No jogo que valia a vaga, Marcelinho Machado, de 36 anos, brilhou não só com as bolas de três, mas com as de dois também. Um jogador tão contestado em tentativas frustradas anteriores e que teve o seu reconhecimento no momento certo, em que o basquete brasileiro tanto precisava. 

Basquete sempre foi meu esporte favorito. Devo confessar que queria ser jogadora de basquete, mas a altura não me sorriu. Eu sempre fui armadora e conseguia fazer as minhas cestas, mesmo com 1.62m. Meu primeiro amor jogava basquete maravilhosamente bem e ainda me ensinava a mecânica dos arremessos. Começamos a namorar após uma partida de basquete na Olimpíada da escola em que estudávamos: logo o basquete é visceral, é tudo para mim. 

Saber que ele esteve nas rodas de conversa, nos debates, recuperando, mesmo que momentaneamente, um espaço que hoje é destinado merecidamente ao vôlei me deixou imensamente feliz e realizada. E a bela cena da conquista da vaga foi ver Mestre Wlamir Marques, bicampeão mundial e medalhista de bronze em duas oportunidades, hoje comentarista da Espn, emocionadíssimo; citando como se fosse um poema pós-transmissão que sempre estaria com aquele grupo ganhando ou perdendo, em qualquer situação. 

Foi um momento especial. De valorização do esporte. De ressurgimento. De esperança de que crianças peguem essa conquista como exemplo e entrem nas escolinhas de basquete, como acontece com o voleibol. Eu vi naquele dia 7 de Setembro, uma fênix, a fênix do basquete. 

Deixemos a escolha de levar Leandrinho e Nenê para o treinador argentino Magnano. Eu não os levaria, à exceção de Anderson Varejão, que mostrou atestado médico e estava realmente machucado. 

Mas não podemos crucificar Magnano. Essa decisão cabe a ele e aos jogadores. Quero saborear nossa ida à Londres mais um pouco. Sim, porque eu me senti em quadra com eles, e se meu coração resistiu, ele está forte para mais emoções na terra da Rainha. Me senti com a alma lavada depois de tantos dissabores e de tantos insucessos. Foi uma quarta de feira de feriado para se guardar na memória e no coração. 

A manchete do Caderno de Esportes do Jornal O Globo no domingo foi perfeita: Estamos em Londres. Para alívio geral da nação.

Até a próxima!

sábado, 3 de setembro de 2011

A Médica e a Jornalista - "A solidariedade a Ricardo Gomes e atenção para uma doença que pode ser fatal"


Neste sábado, a coluna "A Médica e a Jornalista", assinada pela Anna Barros, aproveita o seríssimo drama vivido pelo técnico do Vasco Ricardo Gomes para falar de uma doença séria: o AVC, acidente vascular cerebral, também chamado de AVE - acidente vascular encefálico.

Aproveito para fazer um protesto. Meia dúzia de três ou quatro idiotas gritou "vai morrer" na arquibancada do Engenhão enquanto o técnico era retirado. Era um ato de provocação - idiota - até porque não se tinha noção da gravidade do estado de saúde do técnico.

Pois é: o fato gerou uma verdadeira "caça às bruxas" aos rubro negros nas redes sociais e fora delas no final do domingo e da segunda feira, com muitas ofensas distribuídas de forma genérica: "é a torcida do Flamengo". Eu mesmo, que trabalho, pago minhas contas e levo uma vida honesta e digna tive de ler diversos xingamentos dirigidos a mim - e não foram poucos. Não se deve tomar três ou quatro imbecis como o todo.

Lembro, ainda, que até hoje a própria torcida vascaína entoa nos estádios uma musiquinha aludindo aos flamengos mortos na queda da arquibancada em 1992. Disso ninguém fala. Mas a verdade é que hoje é "modinha" criticar o Flamengo, seus torcedores e os incautos que se atrevem a ponderar neste mundo cada vez mais insano e radical em que estamos.

Dito isso, vamos ao que realmente importa.

A solidariedade a Ricardo Gomes e atenção para uma doença que pode ser fatal

Não consigo pensar em mais nada essa semana a não ser em Ricardo Gomes. Não só por ser técnico do meu time, mas também pelo problema de saúde que o afetou.

Na hora em que assistia ao jogo Vasco e Flamengo, no último domingo, 28 de agosto, e vi que ele passara mal percebi no desvio de seu lábio pro lado esquerdo que ele estava sofrendo um Acidente Vascular Cerebral, que depois foi diagnosticado como hemorrágico. Já sabia de sua história pregressa de um ataque isquêmico transitório em 2010, quando treinava o São Paulo em um jogo que seu time perdeu para o Palmeiras por 2 a 0. E dali só pude rezar e vibrar: Força, Ricardo.

A partir dali, o jogo perdeu a importância. Só queria saber de notícias do nosso comandante. Ele acabou sendo operado para a drenagem do sangue que extravasou de suas artérias após a elevação da pressão arterial para 190x120 mmHg. A cirurgia durou três horas, foi um sucesso, mas ficou a apreensão do que aconteceria  nas 72 horas subsequentes. Se ele teria sequelas, se falaria normalmente, se voltaria a treinar futebol.

Depois disso o que se viu foi uma das maiores manifestações de solidariedade de outros times que eu vi. No Twitter, o #forçaricardogomes alcançou os Trending Topics do domingo com o apoio de twitters de sites como o Netflu e o Botafogonews. Muitas mensagens de carinho e de apoio.

Até que na última quarta-feira, outros times fizeram homenagens. O Corinthians, líder do campeonato, colocou na parte de baixo de sua camisa, o #forçaricardo, o Botafogo entrou com o nome de Ricardo Gomes em sua camisa, assim como o São Paulo, clube que ele foi técnico e o Fluminense, time que foi ídolo como zagueiro, usou uma camisa que alertava para o Dia Mundial contra o AVC, 29 de outubro.

Isso sem contar a bela homenagem que Vasco e Ceará fizeram com faixas onde se liam também: Força, Ricardo Gomes. E a oração de um Pai Nosso no centro do gramado junto com a arbitragem. Um momento realmente tocante e bonito. E a vitória de 3 a 1 sobre o Ceará para coroar a noite, que o time dedicou ao técnico de forma emocionante.

As boas notícias não pararam de acontecer. Ricardo Gomes abriu os olhos, fez movimentos e sorriu quando soube que o time cruzmaltino havia vencido o Ceará. Isso tudo aconteceu porque sua recuperação vem evoluindo bem e os médicos retiraram seus sedativos que o colocavam em coma induzido. Isso prova que vibrações positivas, orações e toda a sorte de boas energias ajudam àquelas pessoas enfermas que precisam. No mundo caótico, materialista e individualista em que vivemos é preciso ter Fé.

Nem nós, torcedores do Vasco, nem o próprio Ricardo, poderíamos imaginar que ele fosse tão querido. É porque ele tem características difíceis de encontrar no meio do futebol: caráter, integridade e correção.

E seu drama chamou atenção para uma doença silenciosa: o AVC ou AVE, que é a nomenclatura mais recente. Acontece por aumento da pressão arterial que muitas vezes  pode estar relacionada ao stress de sua profissão. E os sintomas mais frequentes são: perda de força no lado contrário à área atingida pelo derrame, ptose palpebral, fala arrastada ou dificuldade de falar, desvio de comissura labial para o lado contrário e perda da visão de um dos olhos. Se alguém próximo a você ou você mesmo sentir esses sintomas e tiver histórico de hipertensão arterial não controlada ou controlada, precisa procurar o serviço médico imediatamente. Nesses casos, os minutos podem ser fatais ou salvarem a vida do paciente.

No caso de Ricardo Gomes, o salvaram.

Se é que podemos tirar um lado positivo desse drama que nos sensibiliza e nos comove é atentar para uma das doenças mais comuns à nossa volta, que muitas vezes passa despercebida e em muitas situações podendo levar à morte. Rezo para que Ricardo Gomes se restabeleça o mais rápido possível e não tenha seqüelas, podendo tocar a sua vida normalmente. E presto minha solidariedade à sua esposa, seus filhos e familiares. Força, Ricardo Gomes! Sempre!

Até a próxima!
Anna Barros

sábado, 20 de agosto de 2011

A Médica e a Jornalista - "Um alerta aos homens: o câncer de próstata"

A coluna "A Médica e a Jornalista", assinada pela Anna Barros, traz um tema que é uma das maiores causas de mortes masculinas hoje em dia e que, por causa do exame necessário (acima), é alvo de muito preconceito: o câncer de próstata.

Um alerta aos homens: o câncer de próstata

O câncer de próstata aterroriza muitos homens. Acomete aqueles com mais de cinquenta anos de idade. Há alguns fatores de risco como: idade, história familiar de pai ou irmão com câncer de próstata antes dos sessenta anos de idade, dieta rica em gordura e pessoas com pele negra.

O desenvolvimento da doença é silencioso.

Muitos pacientes não apresentam sintomas e quando apresentam se manifestam como dificuldade ao urinar e freqüência urinária aumentada durante o dia ou durante à noite. Em uma fase avançada o paciente pode ter dor óssea e até insuficiência renal.

O diagnóstico pode ser clínico através do toque retal, que deve ser feito em todos os homens a partir dos 50 anos com o urologista. Outro exame é a dosagem do PSA, que é o antígeno carcinogênico prostático, que pode sugerir a realização de uma ultrassonografia pélvica ou trans-retal. Essa ultrassonografia pode revelar a necessidade de realização de uma biópsia.

O tratamento do câncer de próstata depende do estagiamento clínico.

Para doença localizada, se indica cirurgia e radioterapia. Para doença avançada, cirurgia, radioterapia ou cirurgia em combinação com tratamento hormonal. A escolha deve ser individualizada e realizada, a critério médico do especialista - que é o urologista.

Os homens brasileiros devem quebrar o tabu e realizar o toque retal com mais freqüência, a fim de que seja detectado precocemente o câncer de próstata e também para que se possa prevenir a doença, que é um dos tumores mais comuns no sexo masculino.

O câncer de próstata é uma ameaça ao sexo masculino que deve ser combatida com prevenção.

Até a próxima!
Anna Barros"

sábado, 30 de julho de 2011

A Médica e a Jornalista - "Encantada por Meia Noite em Paris"

Neste último sábado de julho, temos mais uma edição da coluna "A Médica e a Jornalista", assinada pela Anna Barros.


Vamos ao texto, já que eu ainda não consegui ver o filme.

Encantada por Meia-noite em Paris

Essa semana, a coluna entrará por uma seara que muito me apetece: o cinema. E o filme escolhido não poderia ser outro: Meia Noite em Paris, um deleite para a alma.

Além do cenário cinematográfico e maravilhoso, Woddy Allen faz uma viagem pelo tempo: para a Paris dos anos 20, onde o escritor angustiado Gil, alter-ego do roteirista e diretor, encontra Hemingway, Cole Porter, Salvador Dalí, Picasso, Buñuel e várias referências do próprio Allen.

Gil está num relacionamento complicado com a fútil Inez e acaba por terminar com ela para viver na Cidade Luz. Inez não valoriza seus escritos e prefere enaltecer um “almofadinha” que foi seu professor na faculdade.

Gil conhece Adriana, vivida por Marion Cottrilard, que é musa de Hemingway e Picasso, figurinista de Bourdeaux e que quer viver a Belle Epoque de Paris. Mesmo diante da possibilidade de encontrar um novo amor, ela prefere fazer uma viagem pelo tempo, ficar na Belle Epoque e deixar Gil.

Isso mostra como os seres humanos são insatisfeitos e nostálgicos e que mudanças são necessárias para que sejamos felizes. Tudo é mutável, o que remete de certa forma à minha coluna anterior, de quinze dias atrás.

Recomendo o filme, que a meu ver é o melhor de Woody Allen. Não vejo tanta semelhança assim com A Rosa Púrpura do Cairo; apenas a transposição do mundo de fantasia para o mundo real.

Em A Rosa Púrpura, de um personagem que tenta resgatar a mocinha que não perde um filme seu e que tem uma vida miserável. Em Meia-noite em Paris, alguém da vida real que encontra seus ícones, seus mitos e faz com que Gertrude Stein leia seus manuscritos para que ele aperfeiçoe o seu ofício, já que a literatura é sua grande paixão - e não os roteiros de cinema que lhe dão glamour com a namorada e o sustentam. Gil busca a felicidade plena e Owen Wilson está ótimo no papel. Ele vê beleza nas coisas simples, como a chuva em Paris.

Há um contraponto claro entre conteúdo e futilidade, personificados por Gil e Inez, cuja atriz Rachel McAdams também está bem, segura e convincente no papel. Dois mundos completamente diferentes que insistem em ter um ponto de interseção. Inez acaba por trai-lo por ele se dedicar muito ao livro e às escapulidelas da realidade à meia-noite, que tornam a sua vida muito mais prazerosa.

Eu saí do cinema pensando na música de Cole Porter, outro fato maravilhoso que Woody Allen resgata. O jazzista renasce por conta da referência que Allen faz nesse e em outros filmes seus. Saí do cinema inebriada, refletindo sobre o filme e tentando trazer para a vida real o que ele poderia acrescentar à minha rotina e descobri: a felicidade pode estar logo ali. Sempre temos que tirar algum aprendizado do que lemos, do que assistimos no cinema. Tem que se aproveitar o momento, o Carpe Diem, que o professor fala em Sociedade dos Poetas Mortos.

Bem, essa reflexão já seria tema para outra coluna.

Até a próxima!
Anna Barros"

sábado, 16 de julho de 2011

A Médica e a Jornalista - "Um mergulho profundo com a Filosofia"


Neste sábado, onde completamos mais um aniversário do "Maracanazzo" de 1950, temos mais uma edição da coluna "A Médica e a Jornalista", assinada pela Anna Barros. Fugindo um pouquinho dos temas habituais da coluna, Anna escreve um texto que, descontadas as referências intimamente pessoais, eu poderia perfeitamente assinar.

Vamos ao texto.

Um mergulho profundo com a Filosofia

Não é novidade para ninguém que adoro filosofia. Bom, talvez seja uma novidade para os leitores do Ouro de Tolo, que me conhecem pelos textos escritos aqui desde dezembro de 2010.

Muito do que sou e sinto está em todos os textos que enviei ao Pedro Migão, editor do blog, para a leitura de vocês. Sempre me expressei melhor escrevendo do que falando. A timidez sempre me impediu de falar o que se passava no meu coração - até com meu pai eu escrevia bilhetes.

Bem, voltando, adoro filosofia grega. Foi a grande abertura de pensamento que aconteceu em minha vida quando entrei na faculdade de Jornalismo. E ainda uni filosofia à outra grande paixão, a Arte ao estudar no livro didático 'Filosofando com Arte'. Como o meu currículo de ensino médio é antigo (chamava-se científico para que se ter uma ideia de quanto tempo faz) não tinha tido Filosofia nem Sociologia [N.doE.: eu, que sou mais ou menos da mesma época, tive aulas de Filosofia no Colégio Pedro II com o inesquecível professor Maciel Pinheiro. Eram tempos imediatamente pós-redemocratização]. Li O Mundo de Sofia de Jostein Gardner e só. Um livro bom, mas sucinto. A filosofia pede que nos aprofundemos nela.

No domingo último ouvi uma frase que havia estudado no primeiro período com meu professor Antonio, no primeiro semestre de 2007: “Nunca nos banhamos duas vezes no mesmo rio, porque na segunda vez, o rio mudou”. Heráclito proferiu essas palavras. Na hora, não me lembrei imediatamente do Heráclito, fiquei sorvendo as palavras. E respondi que sim, que meu amigo estava certo, tudo muda.

Eu sou a maior prova disso. E estamos em constante mutação.

Talvez por isso aprecie tanto a borboleta, que de lagarta se transforma após um período no casulo. O meu casulo foi a faculdade de Jornalismo. Ali aprendi a pensar. Não que se fazendo Medicina não se pense. Precisamos decorar as coisas para depois formularmos os diagnósticos aventando uma série de hipóteses e possibilidades. É como um detetive, como um jornalista investigativo. E eu optei por Cirurgia porque o pensamento é rápido e imediato, tomam-se decisões rápidas. Então seu pensamento tem que ter a mesma velocidade.

Mas ali nos bancos escolares da FACHA eu aprendi com os mestres a argumentar, discutir e pensar. Num mundo 'fast food' como o de hoje em que se é mais fácil comprar ideias, copiá-las, pensar, refletir se mostra como o grande diferencial. Tudo é mutável.

Eu não sou a mesma de 1996 quando me formei em Medicina, muito menos igual a de 2007 quando entrei na faculdade de Jornalismo, quiçá a mesma de um ano atrás. E me dei conta disso quando falei ao telefone com outro amigo que voltava com sua esposa de uma temporada nos Estados Unidos. Eu me reconheci diferente quando falávamos das experiências que ele e ela tinham vivido e de seus desafios daqui por diante. Travo uma luta inglória por vezes com a minha sensibilidade extrema que é algo que nasceu comigo e quero mudar mas a frase reverbera porque pode tocar também nos encontros. Um encontro profissional, educacional ou de amizade de agora pode ser totalmente diferente de alguns anos adiante. Não somos estáticos, não ficamos estagnados. Que bom!

Caminhamos e evoluímos com nossas dificuldades. Somos pedras preciosas lapidadas por Deus e por nós mesmos também no momento em que reconhecemos aquilo que pode ser mudado, aquilo que precisamos aprender - e não entendemos por vezes porque algumas situações se repetem em nossas vidas ciclicamente.  E é porque ainda não conseguimos dar o próximo passo, o next step, please. É necessário resolver aquilo, dissecar e ultrapassar. E sempre pensei que a minha vida em relação a Deus é fifty-fifty: 50% com Ele e os outros 50% comigo [N.doE.: diria eu que é 99% esforço nosso e 1% permissão Divina, mas estes 1% são mais importantes que os 99% anteriores].

Um professor meu de Parasitologia, Marcos André Vannier, lá nos idos de 1992 me dizia que eu devia participar mais, falar, porque eu tinha perguntas interessantes e gostava de ir além em tudo que eu estudava. Essa inquietação de aprender nunca passou, assim como não é fácil para mim aceitar argumentos sem bases firmes. O professor precisa me convencer. E eu sentia esse espaço democrático nas aulas da FACHA, naquele ambiente, em que eu podia me desenvolver e me soltar - talvez por ser mais jovem na faculdade de Medicina eu tivesse medo de me expor. Tenho essa liberdade também nas minhas aulas de Espanhol, que é um idioma que me fascina mas me amedronta porque não domino ainda, procuro buscar e mergulhar sempre mais.

Tudo muda nessa vida. Heráclito sabiamente ainda diz que tudo flui.

Sim, tudo tem um curso natural para seguir. Pena que por vezes nossa ansiedade e insegurança tentem atrapalhar o rumo natural das coisas, precipitá-las ou antecipá-las. E com a troca que temos com as pessoas podemos crescer e tentar melhorar aquilo em nós que atrapalha o nosso completo desenvolvimento e a melhor interação com as pessoas. E a vida é essa descoberta maravilhosa, a troca com o outro, o se reconhecer ou se descobrir completamente diferente e amadurecer; o aprendizado com a inteligência emocional que é algo em que acredito não só no âmbito das lideranças empresariais mas no simples jogo da vida.

Para quem não tinha a menor ideia do que iria escrever, até que eu fui longe demais... Mergulhei no que é mais caro em mim, talvez até pelo momento que eu esteja passando ou pelos quinze anos de formatura em Medicina que completei na última segunda-feira, dia 11 de julho - Dia de São Bento, também... filósofo.

Essas datas sempre nos levam à reflexão, a um balanço de vida, de perspectivas, de análises de acertos e erros. Mesmo sendo um pouco ansiosa, eu vivo um momento de paz, uma sensação de paz interior que me move a continuar lutando. Ainda tenho que me banhar muitas vezes nesse rio que é a vida. Haja megulho!

Até a próxima!
Anna Barros

(Foto: Pedro Migão)

sábado, 2 de julho de 2011

A Médica e a Jornalista - "Em defesa do médico e comentarista de futebol Tostão"


Neste primeiro sábado de julho, a coluna "A Médica e a Jornalista", assinada pela colunista Anna Barros, trata de um assunto que, confesso, não acompanhei durante a última semana: as críticas de Carlos Alberto Torres a Tostão (na foto, os dois na Copa de 1970) a respeito de uma "aposentadora especial" para ex-campeões do mundo - que o primeiro defenderia e o segundo é contra.

Não conheço os pormenores da proposta, mas a princípio me parece razoável tendo em vista os relevantes serviços prestados em um tempo onde as grandes estrelas não ganhavam 1% do que ganha hoje um jogador mediano para fraco como, por exemplo, Renato do Flamengo. 

Mas vamos ao texto, escrito por quem sabe.

Em defesa do médico e comentarista de futebol Tostão

Poucas coisas me surpreendem hoje em dia. Mas ler no Blog do Juca, do portal Uol, que Carlos Alberto Torres xingou Tostão e o chamou de demagogo ultrapassou todos os limites. A questão foi a aposentadoria para os campeões mundiais, proposta a qual Tostão é contra e disse que, se receber, devolverá o dinheiro. Não bastasse tudo isso, o Capita ainda insinuou que Tostão não escreve as suas colunas publicadas nos mais diversos jornais do País.

Tostão é ex-jogador, brilhou no tricampeonato da Copa do Mundo de 70, é médico ortopedista e comentarista de futebol, designação que ele se dá por não ser formado em Jornalismo. Ele escreve muitíssimo bem, é lúcido, tem clareza ao analisar todos os fatos e parece ser uma pessoa ética e justa.

Fiquei extremamente chocada com as declarações de Carlos Alberto, ferindo uma pessoa que é um ídolo para mim. Não tive o privilégio de vê-lo jogar pela Seleção Brasileira, ou pelo Cruzeiro - onde se destacou - ou pelo Vasco da Gama. Entretanto, vi videoteipes, sempre me interessei por sua vida e principalmente por seus comentários. Não estou sendo corporativista pelo fato de ele ser médico, mas por ser uma pessoa do bem que foi atacada de maneira cruel e equivocada. Não sei se há ressentimentos entre o "Capitão do Tri" e Tostão, mas nada justifica a agressão gratuita que ele sofreu.

Eu particularmente discordo de Tostão em um ponto: acredito que os campeões mundiais de futebol, basquete e outras modalidades deveriam ter uma aposentadoria, visto que muitos deles como Belini e Nilton Santos têm enfrentado dificuldades relacionadas à sua saúde. Uma aposentadoria do governo os ajudariam, e muito, a superar estes problemas recorrentes na fase da vida em que todos estão.

Nem todos tiveram a mídia que existia naquela época, muito menos a grana: apenas Pelé conseguiu capitalizar para si a fama e o reconhecimento. Sabemos também que se o Rei vivesse na época de hoje em que "soccer is business" seus ganhos poderiam ser muito maiores. Sabemos também o fim que levou Garrincha, pobre e entregue ao alcoolismo. Mas Tostão tem todo o direito de exprimir sua opinião e de declarar que caso receba o benefício irá devolvê-lo.

Somos livres para expressarmos nossas ideias e sentimentos. Vivemos numa democracia.

Percebo também que a intolerância em termos de internet [N.do.E.: não somente na internet. Será tema de post próximo] aumentou consideravelmente. As pessoas não respeitam mais as outras, não aceitam que outras discordem delas, não toleram em muitas situações um não como resposta ou uma simples opinião minimamente divergente. E os trolls da grande rede se escondem muitas vezes sob o véu do anonimato e pensam que tudo podem fazer e dizer: chegando até às raias da violência muitas vezes, tanto verbal como física - o famoso 'cyberbullying'.

Fiquei muito sensibilizada com essa questão pelo papel que Tostão tem em minha vida. Eu e ele nos encontramos na interseção de duas profissões e vejo em seus textos uma beleza ímpar, que beira até a poesia. Por vezes comprava o extinto JB às quartas só para ler sua coluna. Ou entrava no site do Estado de Minas para ler o que ele havia escrito naquela semana.

Ele é tão singelo que escreve as colunas à mão como que burilando um diamante como um ourives, uma pedra preciosa que é a escrita, a palavra. Não tem como não se indignar ao ler na íntegra o que Carlos Alberto Torres disse. Os campeões mundiais que ele tentou defender, da pior forma, não mereciam. Tostão também não. Espero que o Capita se retrate e volte atrás em suas palavras. Tostão mereceria uma retratação, ou um pedido singelo de desculpas, que fosse.

Mesmo que a causa que se luta seja justa, ela merece ser defendida sempre com hombridade e delicadeza. E nunca pode se buscar um bode expiatório para se colocar holofotes em uma causa ou magoar alguém que tenha uma alma tão especial e que enxergue muito além de seu alcance.

Sou uma pessoa por essência contestadora e esse foi um dos maiores legados de minha faculdade de Jornalismo. Para me convencer de algum argumento tem que ter habilidade com as palavras e boas proposições. Mas jamais deixei de respeitar quem quer que fosse por ter posições contrárias ou divergentes.

Todos merecem ser ouvidos. Toda opinião é relevante. Todos podemos ser livres para dizermos o que pensamos. Mas da maneira que se respeite a todos.

Esse é o mundo ideal. Esse é o mundo moderno e tecnológico que eu quero viver. Quero viver num mundo que tenha a sábia análise de pessoas como Tostão.

Até a próxima!
Anna Barros"

sexta-feira, 10 de junho de 2011

A Médica e a Jornalista - "Vasco da Gama, campeão da Copa do Brasil de 2011"


Bom, este é um espaço democrático, sempre foi e sempre será. Os leitores sabem que sou rubro-negro, mas os colunistas tem total liberdade para escrever o que querem, do jeito que querem e da forma que desejam.

Faço este preâmbulo para que o leitor não estranhe a foto que abre este post. É a coluna "A Médica e a Jornalista", escrita pela Anna Barros e excepcionalmente publicada nesta sexta dado o tema, que trata da conquista da Copa do Brasil pelo Vasco da Gama.

Aproveito para parabenizar a equipe cruzmaltina e ressaltar que rivais fortes fazem o futebol forte, como escrevi em texto anterior. E a se lamentar apenas o encerramento prematuro da participação rubro-negra, abreviada por duas arbitragens decididamente horrorosas nas partidas das quartas de final contra o Ceará. Mas isto é passado e vamos ao texto sobre a irretocável conquista.

Vasco da Gama, campeão da Copa do Brasil de 2011


Pensei em vários temas para falar no Ouro de Tolo e confesso que os compromissos de trabalho me tomaram tanto tempo que eu só pude pensar em uma coisa: a conquista da Copa do Brasil pelo Vasco. O amor pelo Vasco me fez fazer Jornalismo e querer me especializar em Jornalismo Esportivo, mas sempre procurei ter isenção e neutralidade. Mas na última quarta-feira, depois daquele jogo propício para cardiopatas de tão sofrido e com um time equilibrado como o Coritiba, não deu para esconder a emoção e as lágrimas por tudo que passamos ao cairmos para a série B em 2008.

O título da Copa do Brasil seria uma redenção tanto para o Vasco como para o Coritiba que haviam caído respectivamente em 2008 e 2009 e queriam se reencontrar consigo mesmos e dar um presente para a sua torcida depois de tanto sofrimento. E mesmo o Vasco perdendo de 3 a 2 , num jogo de idas e vindas no placar, o time da Colina conquistou um título entalado na garganta de seu torcedor há oito anos - sendo que um título nacional há onze.

A comoção que causou ao chegar no Santos Dumont rumo à São Januário nessa quinta-feira, dia 9 de junho, mostrou bem o que moveu os torcedores cruzmaltinos depois de tantos anos de espera, de trevas na administração Eurico Miranda, nas sequências de pênaltis marcados ou não sob suspeita e tantos outros tristes episódios que geraram antipatia dos torcedores de outros clubes.

Entretanto, o sentimento não pode parar. Jamais deixamos essa chama se apagar. A chama de amor pelo Vasco histórico, dos Camisas Negras, que venceu o preconceito racial ao abrir seu clube para negros jogarem e quase foi excluído do campeonato carioca por esse gesto. O clube que não é só de imigrantes portugueses mas das massas, perdendo somente para o arquirrival Flamengo de nosso editor, "O Mais Querido". Não à toa, o clássico dos dois times é o chamado "Clássico dos Milhões". Milhões de aficcionados por todo o Brasil.

Eu senti uma felicidade ontem que há muito tempo eu não sentia. Uma mistura de alívio devido ao medo de ser chamado de eterno vice pelas torcidas rivais com a ansiedade de quebra do jejum de títulos. Eu só posso dizer que o campeão voltou. E que a próxima estação do trem-bala da Colina é a Estação Libertadores. Comemoraremos muito essa conquista e no sábado, dia 11 de junho, o faremos junto com um de nossos maiores ídolos, Juninho Pernambucano, o Reizinho da colina que retorna ao clube da Cruz de Malta aos 36 anos para encerrar sua carreira.

Agradeço essa conquista a todos os jogadores. Em especial a Eder Luis, que desequilibrou a partida de quarta-feira, dia 8 de junho, e Alecsandro que fez os gols decisivos e também homenageou Ronaldo Fenômeno na sua comemoração do primeiro gol da segunda partida da final no Couto Pereira. Além deles, o super zagueiro Dedé e Ricardo Gomes, o técnico que deu estabilidade ao time após um começo desastroso de campeonato carioca, onde se cogitava até rebaixamento estadual.

Bebo muito pouco, mas com certeza rolará uma comemoração especial com um bom vinho do Porto. O Vasco da Gama e todos os vascaínos merecem pois "sua imensa torcida é bem feliz, Norte e Sul desse País". Os bons tempos, agora sob a administração de Roberto Dinamite, o maior ídolo do clube, voltaram. Que possamos cada vez mais multiplicar nossas alegrias e reforçar o time para o Campeonato Brasileiro pois ele tem defeitos e carências em algumas posições, ainda. Não podemos mais dar vexame.

A bela História do Vasco não permite.

Até a próxima!
Anna Barros"

(Foto: Globoesporte.com)


sábado, 28 de maio de 2011

A Médica e a Jornalista: "Paul in Rio"



Neste sábado trago mais uma edição da coluna "A Médica e a Jornalista", assinada pela Anna Barros. O tema de hoje são os recentes shows de Paul McCartney no Rio de Janeiro, ao qual a colunista teve oportunidade de assistir.

"Paul in Rio

Fui ao show da minha vida. De novo. 

Na segunda-feira, dia 23 de maio, estive no Engenhão para ver Sir Paul McCartney, que entrou pontualmente às 21h30. Eu estava extremamente animada e fui com a minha irmã caçula Tais. Suas lágrimas no início da apresentação dariam a tônica do que seria essa noite especial. Paul, de terninho preto e gravata preta, parecia recém-saído da cápsula do tempo, da era Beatles. E extremamente simpático, se dizendo carioca. 

Estava ansiosa para ouvir minha música favorita: 'The long and widing road', que logo me remeteu ao primeiro show de minha vida: Paul in Rio em 1990 no Maracanã, recorde assinalado no Guiness Book com 184 mil pessoas. Sim, eu estava lá. I was there! 

Este, do Engenhão, demonstrava a disposição de Paul (aos 68 anos) que emplacou duas horas e meia de espetáculo, mostrando sua versatilidade nos instrumentos, seu carisma, seu fôlego de gato e suas palavras em português - na verdade em carioquês quase legítimo. Paul misturou sucessos dos Beatles e dos Wings também. 

A magia tinha tomado o ar. Nunca tinha visto tantas famílias, tantas pessoas das mais diferentes gerações, dos 10 aos 80, simbolizando o amor pela música, o amor por algo universal e atemporal, aquela música que Paul estava nos presenteando. 

Confesso que gostei mais da fase beatlemaníaca com 'And I love her', 'Eleanor Rigby', 'Hey Jude' e 'Yesterday'. Mas os efeitos de 'Live and let die' com mini explosões me fez lembrar um filme de James Bond, o agente secreto 007, canção que embalou a trilha do filme do agente da Rainha. A eletricidade de Paul e seu amor contagiaram a todos. 

E ele ainda homenageou John Lennon, seu grande amigo, e George Harrison. Este último com uma versão folk de 'Something', a canção feita por George. John e George não poderiam faltar àquele espetáculo de encantamento. Ainda teve 'Blackbird', que fala dos direitos civis e me fez lembrar de um amigo que aniversariou por esses dias e adora essa canção. 

Paul embalou vários momentos de minha vida: momentos de romance, de indefinições profissionais, de medos e expectativas. Sempre tinha uma música dele envolvendo a situação, uma música dos Beatles, minha banda preferida de todos os tempos, que sempre realçou o amor que sempre nutri pelo Reino Unido. 

Falando em termos logísticos e estratégicos, o meu setor era o inferior leste, eu via o Paul pequenininho, mas os telões funcionaram muitíssimo bem. E a atmosfera era simplesmente sensacional. Podia ficar sentada ou em pé como melhor me conviesse e as pessoas respeitavam umas às outras colaborando para o bom andamento do espetáculo. Até conheci um cirurgião plástico da Escola do Professor Pitanguy, proveniente de Vitória, que havia levado sua mãe para retribuir a sua ida ao lendário show de 1990. Coincidência pouca é bobagem. 

Fiquei surpresa com o esquema de segurança e também com a organização da volta. Optei por vir pra casa de trem até a Central e dali pegar a integração do metrô até a Afonso Pena, próxima à minha residência. Saí duas músicas antes do fim para evitar tumultos. O trem estava com ar condicionado, tudo bem sinalizado. 

Acabei descobrindo depois, pois era a minha primeira vez andando de trem em solo tupiniquim, que nem sempre é assim e que o ar refrigerado nem sempre funciona. Mas ao olhar os trens parados e alguns em péssimo estado, dei graças a Deus por não depender desse tipo de transporte, mas me indignei com as condições precárias que grande parte da população enfrenta. O vão entre o trem e a plataforma é surreal, quase um abismo, mesmo o maquinista avisando que ele existe. E algumas estações, por causa do adiantar da hora, estavam um breu total. Eu optei ir até o Engenhão de táxi por causa do horário do rush, em que a concentração de passageiros aumentaria muito. 

Confesso que custei a dormir tamanha a adrenalina que não queria baixar de jeito nenhum e fiquei mais encantada ainda com Paul. 

Foi uma noite inesquecível. Para mim e para Tais que estreou sua maratona de shows com o pé direito indo nesse espetáculo sensacional. Algo que ela jamais irá esquecer, marcará sua vida para sempre. Como marcou a minha em 1990. 

Até a próxima!
Anna Barros"


sábado, 14 de maio de 2011

A Médica e a Jornalista - "Celebrando os dois anos do Ouro de Tolo"


Neste sábado, véspera da data redonda do segundo aniversário do Ouro de Tolo, temos edição especial da coluna "A Médica e a Jornalista", assinada pela Anna Barros. O assunto de hoje é a história da colunista neste blog.

Aproveito para dizer que as "Notas do Editor" são uma forma de expor a minha opinião ou acrescentar informações que possam ser úteis ao leitor. Não é exatamente uma intervenção no texto. Vamos a ele, a propósito.

Celebrando os dois anos do Ouro de Tolo
           
Antes de ser convidada pelo Pedro Migão para escrever no Ouro de Tolo e estrear no dia 18 de dezembro de 2010, eu já lia esse excelente blog. É um blog diferenciado devido à versatilidade dos temas e pelo fato de os colunistas terem as mais variadas profissões e experiências de vida. Isto dá uma visão ampla e diversidade de opiniões, de prismas, de conceitos, proporcionando o debate.
          
Tem duas coisas que eu mais gosto de ler no Ouro de Tolo: os posts dedicados ao samba e as resenhas literárias. E qual foi minha honra quando Pedro me disse ter se inspirado no "5 Perguntas" do Blog da Anninha ao criar a seção 'Jogo Misto', que acontece todas as sextas-feiras [N.doE.: como o leitor já deve ter percebido, nem todas...]  e que sempre tem uma entrevista interessante.
           
Meu relacionamento com Pedro é de amizade, mas respeito o fato de ele ser o editor do Ouro de Tolo e confesso que custei um pouco a me adaptar com suas intervenções no texto nas famosas “notas do editor”. Afinal sou dona de dois blogs e quando escrevemos nesse veículo de comunicação, nós somos nossos próprios editores, escrevendo o que nos dá vontade e mexendo no texto a hora que mais nos aprouver.
           
E sempre acontece algo insólito, não sei se com meus colegas também: sempre acho que não conseguirei escrever a tempo, que a inspiração não vai chegar, que o assunto que vou abordar irá caducar e que ele não passará pelo crivo cirúrgico do Pedro.

Não é insegurança, mas sim sentimentos, sensações. É como se fosse aquele friozinho na barriga que dá em todo ator antes de pisar no palco, ou antes de algum escritor ao dar o pontapé inicial em sua obra.  Mas a paixão por escrever é tão grande que sempre tenho algo a falar e sempre consigo espremer o assunto, dos mais sérios aos menos importantes para alguns, podendo até beirar à futilidade na concepção de outros. E várias vezes, Pedro fez a sugestão do editor sobre algum tema que ele achasse conveniente e importante de se abordar nesse espaço tão democrático que é o Ouro de Tolo.
          
O que posso desejar nesses dois anos de Ouro de Tolo? Vida longa. Já que cirurgia plástica ele vai sofrer, um lifting facial com a mudança do layout, que é surpresa para os leitores e para nós colunistas também. E queria aproveitar esse humilde espaço da minha coluna para agradecer ao Pedro por me dar essa oportunidade que faz com que eu expresse minhas idéias e ganhe visibilidade na internet.

Nunca pensei que num encontro casual no Blog Jogo Aberto do jornalista Lédio Carmona, em que eu conheci o Pedro, fosse nascer uma amizade e depois uma parceria de trabalho. E os privilegiados? São vocês, leitores, que têm acesso a um blog de muita qualidade como o Ouro de Tolo. Parabéns, Pedro! Parabéns, colunistas! Parabéns a todos!

Até a próxima!
Anna Barros"


sábado, 7 de maio de 2011

A Médica e a Jornalista: "Analisando todas as faces do casamento real"



Neste sábado, mais uma edição da coluna "A Médica e a Jornalista", assinada por Anna Barros. O assunto de hoje é aquele que é considerado o "casamento do século": o do Príncipe William da Inglaterra com a plebéia Kate Middleton.

Analisando todas as faces do casamento real

Parece notícia velha, mas não é. Não vou agora falar da morte de Bin Laden e seu corpo cujas fotos não apareceram até o momento em que escrevo, nem da beatificação do Papa João Paulo II. 

Falarei sobre o casamento do século entre o príncipe William e Kate Middleton, que agora será chamada de Catherine, no último dia 29 de abril. Dizem que Obama não foi convidado, mas penso que ele estava envolvido com a caçada a Bin Laden. Assim preferiu declinar do convite silenciosamente e aproveitar que toda a mídia estaria voltada para Londres, o Palácio de Buckingham e a abadia de Westminster e portanto seria desviada do foco de eliminar o inimigo número 1 da terra de Tio Sam. 

Eu tinha 9 anos quando aconteceu o casamento da princesa Diana e do príncipe Charles, em 29 de julho de 1981. Estava na casa de minha saudosa avó Ana Camila em Cáceres, Mato Grosso. Sou contra a monarquia, mas tenho que admitir que a realeza britânica causa um fascínio, um glamour, pelo menos em mim. 

E uma história de conto de fadas, além de aumentar a popularidade da monarquia e desviar a atenção dos problemas mais graves do país - um alento de dias melhores. Sou jornalista hoje, gosto de notícia, mas confesso que as ruins, no íntimo, me deprimem. Mesmo sabendo que o casamento de Diana e Charles fracassou e que tinha um terceiro elemento ali: o rotweiller Camila Parker Bowles. [N.doE.: se me permitem a ironia, o amor tem razões que até o amor desconhece...]

O matrimônio de William e Kate foi belíssimo. O vestido dela era simples e chique. Não concordo que ela tenha se inspirado em Grace Kelly, pois os vestidos se pareciam só na renda. Tudo foi de muito bom gosto. O traje de William, que era uma farda militar vermelha, era belíssimo. 

Foi uma cerimônia bela e que encantou a todos. Kate parecia ter treinado bastante para aquele momento porque estava impecável. Namorou com William por oito anos e era chamada de forma jocosa de “Waitie Katie” pela mídia imprensa sensacionalista britânica. Os beijos na sacada do Palácio de Buckingham foram tímidos, mas significativos. E a daminha de honra, afilhada de William que tapou os ouvidos com o barulho da massa que preencheu a área à frente do palácio, roubou a cena. 

A popularidade do casamento levou a algumas reflexões: o povo inglês não quer Charles como rei, mas se ele esperou 62 anos, até agora, e a rainha aos 85, esbanja vitalidade, é provável que ele não abra mão do trono em favor de seu filho, William. 

Camilla não será rainha, será princesa-consorte porque foi amante do príncipe e isso gerou um grande mal-estar entre a família real e os súditos. E a morte de Diana, a princesa do povo, só veio a aumentar a repulsa por Camilla, apesar de ela se esforçar bastante para agradar a todos. A outra reflexão é que o movimento republicano britânico existe, mas ainda é incipiente, mesmo que a rainha de fato não mande em nada e sim o primeiro-ministro, no caso, David Cameron, atualmente. [N.doE.: hoje, na prática, quem manda no Reino Unido é o presidente americano Barack Obama.]

Veremos se Catherine tentará imitar Diana ou terá um estilo próprio. William mesmo pediu dois anos sabáticos para ela, ou seja, sem compromissos oficiais da realeza a fim de que ela se adapte à nova condição e ao casamento para fugir dos holofotes da sedenta imprensa britânica. Vão viver no País de Gales, onde ele serve como piloto de resgate da Força Real, num comportamento mais reservado à la rainha Elizabeth II quando se casou com o príncipe Philip. 

Mesmo deixando de falar que ia obedecer ao marido em seus votos nupciais, assim como Diana o fez, Catherine tem um estilo discreto mas com a feição de que será mais submissa ao marido porque ela não poderá brilhar mais que ele, como Diana que brilhou mais que Charles - fato esse que deflagrou o descontentamento dele, o cíúme, o afastamento e o fantasma constante de Camilla. 

Em pensar que Edward VIII abdicou do trono para se casar com a divorciada americana Wallis Simpson, que segundo excelente artigo do brilhante jornalista Elio Gaspari deve ter rogado uma praga na família real pois três filhos da rainha se divorciaram, à exceção de Edward que é casado desde 1999 com Sophie (a princesa Anne e os príncipes Andrew e Charles são divorciados), os tempos da monarquia são outros com a tentativa de se modernizar e ficar mais perto do povo. Vide perfis de Facebook e Twitter que falam da Realeza Britânica, o chamado British Monarchy que eu sigo. 

E termino minha coluna desse sábado sugerindo dois filmes muito interessantes que falam da realeza que são: 'A rainha' que conta a sugestão do primeiro-ministro Tony Blair à Rainha Elizabeth para que demonstrasse tristeza pela perda da princesa Diana; e o vencedor do Oscar 2011, 'O Discurso do Rei'. Este fala da gagueira do Rei George VI, pai de Elizabeth que sucedeu a Edward VIII que preferiu se casar com a sua americana Wallis e ser playboy, desistindo de seu compromisso com o povo, até morrer em Paris. 

Espero que, mesmo diante das especulações, a meu ver, infundadas de que Bin Laden esteja vivo, e esperando uma decisão de Obama se vai mostrar as fotos do terrorista morto ou não, os leitores tenham gostado dessa coluna, um pouco demodée mas que fala de um sentimento que habita nós mulheres: o encontro do amor, o casamento e a vontade milenar de se construir uma família, mesmo que a realeza esteja muito longe dos padrões que estamos habituados a viver. 

Acompanhar o casamento real, que bateu recorde nos trendings topics do twitter superando o terremoto do Japão, foi um bálsamo no meio de tanta tragédia que assola o mundo contemporâneo. 

Até a próxima, no segundo aniversário do Ouro de Tolo! 
Anna Barros"

sábado, 23 de abril de 2011

A Médica e a Jornalista - "Dissecando a Páscoa"


O leitor mais atento do Ouro de Tolo sabe que professo uma religião oriental, sobre a qual já dediquei alguns posts nestes quase dois anos de vida do blog. Fui criado nesta tradição e, apesar de chegar a ter sido batizado não tenho muito conhecimento teórico das festas e costumes cristãos.

Entretanto, nesta Semana Santa nossa colunista Anna Barros traz um texto muito interessante sobre o significado da Páscoa cristã. Neste mundo cada vez mais materialista e egoísta, vagando em tão caótica situação, é sempre importante professarmos nossa Fé, seja qual for e sem radicalismos ou fanatismos.

Vamos ao texto, onde eu mesmo aprendi muito sobre o significado.

Dissecando a Páscoa

A Páscoa tem um significado especial para os cristãos. Ela representa o amor de Cristo por nós.

Jesus se sacrificou, mesmo sendo na teologia cristã metade homem e metade Deus, para nos salvar e nos conceder a Vida Eterna. É uma das festas que mais gosto no nosso calendário, mas que infelizmente perdeu um pouco o significado para alguns por causa do comércio dos ovos de Páscoa. Temos que relembrar a todos que a Paixão de Cristo é um momento significativo na nossa fé cristã.

A Páscoa é precedida pela Quaresma, que é um instante de reflexão. A Quaresma simboliza os quarenta dias que Jesus passou no deserto sendo tentado pelo Inimigo de Deus - que queria que ele se afastasse de sua missão. Páscoa significa passagem (Pessach) e vem do povo judeu que saiu de uma condição de escravidão para a liberdade através de Moisés. É uma tradição judaica, que com o cristianismo adquiriu também com Jesus o sentido de passagem, mas aquela da morte para uma nova vida - e eterna.
       
Há vários símbolos da Páscoa.

Os ovos significam multiplicação, vida. São os mais aguardados pelas crianças e por todos aqueles chocólatras. Outro símbolo é o coelho que representa fecundidade. Daí a alcunha do tão esperado coelhinho da Páscoa, que poucas crianças acreditam hoje em dia [N.doE.: minha filha mais velha já sabe que é o pai dela que compra os chocolates]. Também o cordeiro, que é o símbolo mais antigo e simboliza a aliança entre Deus e o povo judeu. Para nós cristãos o cordeiro é o próprio Jesus, o Cordeiro de Deus.

Há também o Círio Pascal que é a vela que é acesa no sábado de Aleluia. O círio representa a luz de Cristo que chegou para iluminar o caminho do mundo. Poucos sabem, mas o girassol também é um símbolo e representa a busca do Sol que é Jesus Cristo, que na teologia cristã representa o Caminho, a Verdade e a Vida. Já a Colomba Pascal que é um bolo em forma de pomba define a Vinda do Espírito Santo. E por fim, o sino que ao ser tocado relembra a alegria do Cristo Ressuscitado.
       
Liturgicamente, a Semana Santa começa, para os católicos no Domingo de Ramos, que esse ano caiu no dia 17 de abril. É o momento em que Jesus entra em Jerusalém num burrico demonstrando humildade e já sabendo da missão redentora que cumpriria. Na quinta-feira santa, relembramos a última ceia de Jesus com os apóstolos. É conhecida também como a cerimônia do Lava-pés.

A sexta-feira é consagrada à Paixão. Único dia do ano em que não há missa, só uma solenidade religiosa que conta todos os passos de Jesus até a crucificação. O sábado é o de Aleluia [N.doE.: no subúrbio carioca, pelo menos, existe a tradição de malhar "Judas" expostos em postes. Normalmente, são personificados em figuras não muito queridas da comunidade em geral e representam uma espécie de "vingança dos oprimidos". Particularmente, nossa colunista não acha muito adequada esta tradição, no que faço o registro], em que se espera o grande momento que vem no domingo: a Páscoa ou a Ressurreição de Jesus. É o ápice da festa cristã.
      
Espero ter tirado as dúvidas de muitas pessoas a respeito dessa data especial que é a Páscoa. Que a Alegria do Jesus Ressuscitado esteja com todos vocês e que tenham uma abençoada Páscoa ao lado de seus familiares e amigos. A Páscoa é uma época de celebração, afinal em nossa crença Jesus ressuscitou e renovou a a nossa esperança de dias melhores. E nós renascemos com ele na Páscoa, a fim de nos tornarmos pessoas melhores: mais solidárias e mais conscientes de nossas responsabilidades em um mundo cada vez mais afastado de Deus.
     
Boa Páscoa a todos!
Até a próxima!
Anna Barros"