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sábado, 20 de fevereiro de 2010

Prêmio Sambanet 2010 - Resultado

Como escrevi em tópico anterior, o Prêmio Sambanet é a maior láurea concedida às escolas de samba do Grupo de Acesso.

Coloco abaixo a listagem com os vencedores deste carnaval 2010. Parabéns aos vencedores !

Sobretudo

Ainda na ressaca da festa carnavalesca, a coluna "Sobretudo", de volta ao seu dia habitual. Como sempre, escrita pelo publicitário Affonso Romero.

"Cinza

Uma das mágicas do rádio é o imediatismo, a interação, a sensação de que do outro lado daquela pequena caixinha há alguém possivelmente trancado em um estúdio, ligado ao resto do mundo apenas pelas ondas do rádio. Isso provoca o imaginário do ouvinte, promove a vontade de participação. Já apresentei programas no interior do Rio, uns ao vivo, outros pré-gravados. A diferença é imensa. O ouvinte se decepciona ao ligar para a estação para conversar com o locutor e descobrir que ele não está lá. Quebra-se o encanto.

Jornalismo impresso é bem diferente. Ninguém tem a sensação que o colunista está “do outro lado da linha”. Você lê e já vai pressupondo que aquilo pode ter sido escrito com razoável antecedência.

A internet, e especificamente o blog, pode acontecer com a agilidade e interatividade do rádio, mas na maior parte das vezes comporta-se como jornal. Desculpe por decepcionar o leitor que, casualmente, tenha acreditado que eu estou “ao vivo” nesta coluna, mas ela é escrita com dias de antecedência. Por favor, não quebre o eventual encanto.

Escrevo na quinta-feira depois do carnaval. No final da manhã. Ainda estou com sono e péssimo humor. No decorrer do texto, o leitor entenderá meus motivos. Fazemos daqui um pacto: nada de condolências ou solidariedade. Eu sou intolerante, implicante e um pouco neurastênico. Não escondo. Portanto, amigo leitor, o antipático sou eu, o resto do mundo só faz seguir adiante, normalzinho como só.

Já revelei aqui: não tenho alma foliã. Nada contra, mas fica difícil para mim entrar na sintonia de alegria necessária para sair por aí pulando e cantando. O carnaval, como quase sempre nos últimos carnavais, foi oportunidade para imersão e descanso. Eu deveria estar novo em folha para a volta à rotina na quarta-feira de cinzas. Mas a blindagem que eu fiz do mundo e das coisas que me irritam aumentou minha sensibilidade a elas depois da breve pausa.

Sabedor disso, coloquei meu earphone nos ouvidos, mesmo sem conectá-lo a nenhum aparelho, só para isolar-me um pouco do barulho ambiente do trem. Eu não sou doido, normalmente uso meu fone conectado ao celular que toca mp3. Só que o celular está há duas semanas na manutenção, e este é outro motivo de irritação.

Era por volta da hora do almoço (faria apenas meio período no trabalho), o trem não tão cheio, consegui sentar-me logo. Abri um livro bastante interessante, do publicitário Julio Ribeiro, da Talent, que talvez inspire uma coluna futura. Mesmo com o fone nos ouvidos, não consegui me concentrar na leitura. A uns dois bancos de distância, uma dupla de jovens senhoras colocava a conversa em dia. Eu não precisava saber nada do que falavam. A estudante ao meu lado, tentando repassar a matéria, não precisava ouvir nenhum daqueles assuntos. O operário com cara de mal-dormido de pé à minha frente também não, assim como todos os demais passageiros naquele vagão. Pensando bem, nem as duas senhoras entretidas na conversa precisavam saber de nenhuma das informações que trocavam.

Quer falar da vida alheia? Ok, fique à vontade, cada um tem seu assunto preferido, e cada preferência evidencia o que cada um tem para oferecer ao mundo. Mas precisa fazer isso aos berros na ida para o trabalho dentro de um transporte público?

Eu fiquei imaginando aquelas duas criaturas caladinhas em casa durante os quatro dias do carnaval, só acumulando assunto, sem ter com quem comentar o tamanho da saia da prima, o quanto a namorada do filho fala palavrão, a disputa pelas duas casas de aluguel deixadas pela falecida mãe da nora para seus seis filhos, o quem-está-comendo-quem das novelas, principalmente nos bastidores das gravações. Isso tudo sem gastar uma gota do fôlego durante dias, aumentando a vontade de contar tudo para a parceira de trem.

Se uma das duas fosse de samba, ao menos uma estaria um pouco rouca, teria dormido mal. Mas nem isso. Ambas estavam em plena forma vocal. E foram mais de 40 minutos obrigando a todos os passageiros a compartilhar daquelas preciosas informações. Eu mergulhava na leitura durante 20 ou 30 segundos até ser novamente trazido à tona pela voz, ora de uma, ora de outra. Cada vez o nome que entrava pelos meus ouvidos era de um outro personagem, e eles iam desfilando em sequência interminável.

E então eu me pergunto: por que será que certas pessoas conversam tão alto, mesmo em locais públicos? Será que têm noção do volume da voz? É falta de respeito pelo espaço alheio, ou é falta de noção mesmo? Ou ainda, seria falta de audição?

O caso destas senhoras não é único. Ao contrário, isso ocorre com uma frequência bem maior do que a razoável. Eu passei dias em silêncio quase absoluto. Estou ficando chato e ranzinza, mas eu não merecia reinaugurar meu pavilhão auditivo ouvindo a conversa daquelas chatas.

Curtas e Grossas:

Deus é carnavalesco, só pode ser. Na semana passada, choveu todos os fins de tarde em São Paulo. Menos na sexta, que é a primeira noite de desfiles das escolas de samba daqui. Dali até terça-feira gorda, reinou uma trégua pluviométrica. Ontem, na volta para casa, São Paulo parou novamente. Eu saí do trabalho às 18h00, cheguei em casa às 22h30. Na ida, as senhoras fofoqueiras de megafone na garganta; na volta, o alagamento.

No calor do meu lar (literalmente, porque a chuva refrescou 3 ou 4 graus, dos 10 ou 15 necessários), peguei o segundo tempo de Flamengo x Botafogo. Preferi o alagamento. O Andrade sabe qual é o problema do time dele. Isso não é o pior. O pior é que o Joel também sabia, e explorou a desarrumação da defesa rubro-negra. Como o Adriano e o Love estavam de ressaca do carnaval e perderam mil gols feitos, deu no que deu e eu me deitei tenso.

Pior ainda é constatar o clima de desastre pairando sobre a Gávea às vésperas da estréia na Libertadores. Ao que tudo indica, o Marcos Braz acreditou mesmo nos superpoderes do Braz Facts que girou a internet (Migão postou alguns aqui) e resolveu ser a estrela da companhia. Na verdade, trata-se de um palhaço, um despreparado que representa tudo que há de pior e mais retrógrado no futebol.

Não dormi logo, fiquei rolando na cama, de modo que estou com sono, cansado e muitíssimo mal humorado. O leitor, que não tem nada com isso, me desculpe. Tentarei algo mais leve para fechar o texto.

Migão, que tem espírito folião e foi à Sapucaí, havia me soprado que se não houvesse roubo a Tijuca sairia campeã. Eu pensei comigo que não haver roubo nas notas do desfile é uma impossibilidade total, a coisa é bem mais grave que no futebol. Fica a dúvida: será que este ano não houve roubo, ou a Tijuca venceu apesar do roubo? De qualquer modo, parabéns ao Morro do Boréu e à criatividade do Paulo Barros.

Coincidências dos calendários móveis, este ano o carnaval caiu junto com o final de semana do Valentine’s Day. Não vi ninguém fazendo uma reportagem sobre a falta de algumas moças bem dotadas que, atendendo a pedidos do amado, não foram a New Orleans mostrar os peitos no Mardi Grãs. Esses jornalistas, viu... que desperdício de pauta!

Também comemorou-se o Ano Novo Chinês. Igualmente, ninguém pensou no eventual efeito disso sobre o preço dos fogos de artifício usados na entrada das escolas na Sapucaí. Precisa-se de editores de economia mais criativos.

A boa notícia: escrevi esta coluna ao longo de algumas horas, nos breves intervalos que fui tendo por aqui, e cheguei ao final dela sem ter ouvido sequer em comentário, a “música” ou qualquer outra coisa relacionada ao Rebolation. Tudo bem, há uma foto do Léo Santana e sua “inquietação lombar” (adorei a expressão criada pelo redator do site) na primeira página do G1. Não vale, eu fui lá, procurei por notícias sobre o carnaval, era uma retrospectiva. Espero que fique por isso mesmo e acabe por aqui. Deu o que tinha que dar."

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Sobre a Portela - I


Não vou falar do desfile em si porque não vi ainda o vídeo e não quero ser leviano. Mas queria contar algumas coisas. 

A ala em que desfilo todos os anos sempre foi muito caprichosa na execução. Este ano quando peguei a roupa vi que o acabamento era bem inferior ao habitual.

Chego na concentração e o presidente de ala não tinha vindo - está doente. Quando passei pelo quarto carro - atrás do qual minha ala viria - tomei uma ducha de água fria, pois estava pior que as mais pessimistas previsões.

A preparação para o desfile foi muito tensa. Além do término deste carro - que só foi concluído com a escola na avenida - ainda bati boca com uma componente e esta quase saiu no tapa com um dos diretores de harmonia. Tudo isto porque o marido dela, bêbado, queria vir na ponta da ala e não tinha a menor condição.

O clima geral era de muita tensão. Não vi a alegria habitual na escola. A organização das alas demorou muito mais que o habitual.

Vi duas coisas que nunca tinha visto: a Harmonia estressada e a escola em "XY" - linha e coluna, feito matriz matemática. Como a escola estava muito grande nós fomos socados em filas de dez, o que prejudicou demais a evolução.

E a fantasia começou a dar problema. o esplendor se chocava com o chapéu e enterrava na minha cabeça. Ainda tinha uma porra de um óculos que não consegui encaixar de jeito nenhum, e acabei por descartá-lo no Setor 1.

O chapéu enterrava na minha cabeça e eu não conseguia ver a avenida direito. No meio do desfile ele arebentou e troquei de lugar a fim de não prejudicar a escola. O acabamento também foi soltando e, com a escola socada, não dava para evoluir direito.

O samba, pelo menos, foi bom de cantar.

Pela primeira vez em sete anos eu dei graças a Deus quando o desfile acabou. A roupa tinha uma malha que era parte em plástico e eu cheguei na dispersão suando litros. 

A impressão que eu tenho é que houve certo "salto alto" na diretoria da escola, achando que o chão seguraria as pontas. Ainda assim, a sensação que eu tenho é de que ficaremos mais próximos do desfile das Campeãs que do rebaixamento, pois os quesitos de pista devem render boas notas. Mas é apenas uma sensação em cima do que li e ouvi.

Quanto à Diretoria, a escola evoluiu em diversos aspectos desde a troca de comando, mas é inegável que há um problema sério de organização no que toca a barracão. e o enredo deste ano era daqueles que ou pegava na veia ou dava tudo errado - ao que parece, ocorreu a segunda opção.

Grupo de Acesso B - Impressões

Ainda faltam sair os resultados dos demais grupos do carnaval carioca, cuja apuração será hoje às 14 horas no Terreirão do Samba. Mas, antes, vamos às impressões dos desfiles do Grupo de Acesso B, o terceiro grupo do carnaval carioca:

1 - Mocidade de Vicente de Carvalho:


Vindo do Grupo C, a escola sentiu a diferença entre a Intendente Magalhães e a Marquês de Sapucaí. Carros medianos e fantasias ininteligíveis. Samba apenas mediano, também.

Deve ser uma das rebaixadas.

2 - Flor da Mina do Andaraí


Outra escola que também sentiu a transição entre as avenidas de desfiles, e prejudicada por um enredo confuso e samba fraco. Também deve ser rebaixada.

3 - Arranco


Belo trabalho do carnavalesco Severo Luzardo, que já merece uma chance em escola de maior porte. Agradável e criativo desfile.

Não deve ganhar, mas certamente ficará pelo terceiro ou quarto lugar.

4 - União de Jacarepaguá


Esperava mais da escola, que trouxe uma equipe forte para este carnaval. Entretanto, foi um desfile muito semelhante aos anteriores da escola - só que com um samba bem abaixo das tradições da escola.

Deve ficar do meio para o final da tabela. Pior que eu tinha roupa para desfilar reservada, mas só soube disso depois do desfile, quando a camisa chegou em minhas mãos...

5 - Tradição


Como veem, o condor da escola, que já tem quase 15 anos de avenida sofreu uma recauchutagem geral, como podem ver na foto. Obviamente, com peças de segunda mão adquiridas na Viradouro e em outros locais.

O lindo samba não rendeu o que eu esperava, mas foi um bom desfile. Pode ganhar, sem problema algum.

6 - União do Parque Curicica


Não vi, porque estava na concentração, mas quem viu disse que está no páreo.

7 - Boi da Ilha do Governador


A escola teve grande dificuldade para colocar o carnaval na rua, pois ficou sem quadra e barracão para este ano e teve de buscar alternativas.

Plasticamente estava sofrível devido às dificuldades, mas o samba se revelou muito bom e possibilitou um desfile delicioso. Acabei desfilando na Harmonia da escola, embora estivesse com roupa de diretor.

Não ocupará as primeiras posições, mas não acredito que caia.

8 - Sereno de Campo Grande


Eu não aguento mais escola de samba com enredo sobre o circo, mas até que a Sereno passou bem legalzinha. Não deve disputar o título mas pega uma boa posição.

9 - Alegria da Zona Sul


O impactante abre alas já dizia o que seria o desfile da escola de Copacabana. Um passo acima das demais em termos plásticos, entretanto não houve canto forte da escola - o que já é comum na agremiação.

Ainda assim, seria a minha campeã.

10 - Acadêmicos do Sossego


A escola de Niterói em seu retorno à Sapucaí fez um desfile meio chato, mas correto. Alegorias e fantasias interessantes, samba e bateria não comprometeram.

11 - Lins Imperial


A melhor coisa da escola foi a rainha de bateria, Renata Santos - "emprestada" pela Mangueira. O bom samba foi prejudicado pelo péssimo som, e a parte plástica da escola se ressentiu das dificuldades financeiras.

Ainda assim, deve ficar em uma colocação intermediária.

12 - Unidos do Jacarezinho


Para fechar o carnaval, mais um trabalho equivocado do carnavalesco Alex de Oliveira, já malfadado na Portela. Com um enredo semelhante sobre inclusão digital, apresentou fantasias repetitivas e alegorias mal acabadas. O samba, altamente trash, também não funcionou e o conhecido "chão" da escola ficou prejudicado.

Provavelmente, a terceira rebaixada.

Meu resultado seria o seguinte:

1 - Alegria
2 - Tradição
3 - Arranco
4 - Curicica
5 - Sereno
6 - Sossego
7 - Lins Imperial
8 - Boi da Ilha
9 - Jacarepaguá
10 - Flor da Mina
11 - Jacarezinho
12 - Mocidade de Vicente de Carvalho

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Sobre os resultados


Bom, não irei escrever sobre a segunda noite de desfiles porque perdi o "timing" para tal com a divulgação dos resultados.

Mas quero falar um pouco do resultado. No Grupo Especial a vitória da Unidos da Tijuca mostrou que de vez em quando ainda é possível ganhar carnaval na avenida. Excetuando-se os resultados da Beija Flor - que deveria ter ficado no máximo em sexto - e da União da Ilha, o restante foi até bastante coerente.

Algumas notas esquisitas aqui, outras ali, e no final um resultado condizente com o que se viu na avenida. Além da Tijuca, destaque para a Grande Rio, que, finalmente, resolveu fazer carnaval e não ficar de papagaiada.

O rebaixamento da Viradouro também foi bastante coerente, apesar do zum zum zum anterior ao carnaval de que a escola cairia devido a questões políticas. Mas a escola esteve muito, muito mal.


Infelizmente, não posso dizer o mesmo do resultado do Grupo de Acesso A. O resultado foi um equívoco total, sem refletir o que passou na avenida na noite do último sábado.

Acho que as únicas coisas certas foram a colocação do Império Serrano e o rebaixamento do Tuiuti. A São Clemente com um desfile para lá de burocrático acabou campeã com nota dez em tudo. Vá entender....

A Inocentes de Belford Roxo saiu rebaixada da avenida e acabou vice campeã. Lógico que certas coisas são difíceis de provar, mas a impressão que dá é de que este "resultado" já estava definido antes mesmo do desfile. E não tiveram nem o cuidado de disfarçar...

Lamentável.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Whisky, televisão e carnaval - IV



Rapidinho - daqui a pouco tem desfile do Acesso B - a quarta coluna da série assinada pelo médico e folião Walkir Fernandes.

Não vou ter tempo de escrever agora, mas deixo duas rápidas notas: meu desfile na Portela foi muito complicado e se não vencer a Unidos da Tijuca será caso de Polícia.

Vamos ao texto:

"Eis que chegamos a terceira noite de Sapucaí, segunda do Grupo Especial. Expectativa grande, depois do desfile xexelento de domingo, esperamos pela campeã.

Na telinha a Globo se superou: o que já era chato se tornou francamente irritante, muito falatório, o tal do botequim do samba fazendo inserções cada vez maiores no antes e até no durante os desfiles com o Chico Pinheiro matraqueando e macaqueando sem parar; e o Geraldinho Carneiro achando que estava fazendo poesia, quando o máximo que conseguia era fazer uns trocadilhos canhestros sobre pororocas e pererecas.

Porém o mais grave estava por vir: durante o desfile da Grande Rio com seu enredo sobre o Camarote nº 1, da Brahma: a Globo, cujo carnaval teve como principal patrocinador a Schin, simplesmente CENSUROU a apresentação da escola. 

Uma censura comercial que se refletiu numa péssima cobertura, onde a letra não foi exibida, o áudio do Wantuir, intérprete da escola, que não foi focalizado uma única vez era simplesmente tirado do ar quando chegava no refrão, que fazia menção ao referido camarote da Brahma. Sem contar com 3 inserções no meio do desfile para entrevistar o Martinho da Vila e duas vezes e a Gracyanne, rainha de bateria da Vila. Desfile em que a Comissão de Frente foi mostrada rapidamente e a alegoria que representava o Camarote não foi mostrado; enfim ridículo e lamentável.

Lamentável também foi ver o que foi feito da Portela, desfile tosco, confuso, plasticamente feio. Salvou-se como sempre o chão da escola, que merecia mais respeito de sua diretoria. Um desfile negativo para a Nação Portelense.

Mocidade bem animada, plasticamente irregular. Porto da Pedra com boas sacadas, mas com samba fraco, apesar do ótimo puxador. Vila bem legal, com uma grande harmonia, grande samba, grande comissão de frente, mas com alegorias fracas, tá na briga, como também está a Grande Rio, num desfile maduro do seu carnavalesco - que sempre promete e pouco cumpre em matéria de talento, mas acertou esse ano. Mangueira feliz com seu excelente samba, desfilou bem, e só.

Aguardemos o parecer dos jurados, mas pra mim, dá Tijuca."

Sobretudo


Com atraso, a "Sobretudo" desta semana, coluna escrita pelo publicitário Affonso Romero. Como o blog anda temático, a coluna de hoje é sobre carnaval.

"Saudades dos Carnavais de Outrora

Este é o carnaval da crise. O movimento turístico é bem menor que o de outros anos, gastou-se menos na decoração das ruas e até os hotéis mais exclusivos fazem promoções. Máscaras e fantasias se salvaram do corte geral no orçamento, e ainda há quem pague até 50 mil em luxo para desfilar entre o povo. Mas há menos alegria e animação no ar.

CALMA, CALMA! Estamos falando sobre o carnaval de Veneza e seu tradicional desfile de máscaras sob o intenso frio invernal do norte da Itália. Como o leitor deve estar cansado de saber, o hemisfério norte do Planeta ainda tropeça nas rebarbas da imensa crise econômica que estourou há um ano e meio.

O carnaval brasileiro, assim como o Brasil, continua imune às oscilações da economia mundial. Aliás, uma das belezas do carnaval brasileiro é conseguir, a um só tempo, manter-se alheio à realidade cotidiana e fazer uma releitura desta realidade. Este fenômeno pode ser observado nas letras das marchinhas, nos enredos das escolas, nas fantasias dos blocos populares, enfim, em tudo que inspira o carnaval. E, no entanto, a graça está em representar o cotidiano sentindo-se fora dele, embebido de folia, inabalável ao cansaço ou à dureza, mantendo o corpo e a alma leves debaixo de um esplendor de vinte quilos.

A mesma lógica, ou falta total de lógica, se aplica à máscara veneziana, aos colares do Mardi Gras, ao abadá baiano ou à nudez – afinal, a festa é da carne. O objetivo é se divertir, curtir com a cara da realidade, e nada é motivo razoável para a tristeza.

Ou melhor: quase nada. Não é exatamente tristeza, mas há um sentimento bastante ligado ao carnaval, uma eterna quarta-feira de cinzas que atravessa a avenida desde a escolha do enredo até o desfile das campeãs: a nostalgia. Sim, em meio à alegria desenfreada, o carnaval é sempre nostálgico.

Não há festa de Momo, aqui ou no resto do mundo, em que você não ouça uma variante da afirmação de que antigamente é que era bom, um “ai que saudade dos carnavais de outrora!” Vai-se saber por quê?

Posso arriscar um ou outro arremedo de explicação, uns improvisos de última hora. A primeira ligação que me ocorre é que, sendo o carnaval a última festa pagã antes da quaresma, há implícito nele a antecipação do recesso da alegria. Não, não, isso faria o último ser sempre o melhor, não o contrário...

Bem, talvez então seja a ancestralidade africana, o banzo, a eterna falta da terra-mãe, esta nostalgia tão recorrente e reconhecível no samba. Não sei se o leitor já reparou, mas os primeiros sambas já remetiam à saudade, já afirmavam que o samba de ontem era melhor. Como assim “ontem”, se era o samba de 1930 versando sobre o samba de 1920. O samba, como tantas outras tradições ditas ancestrais, é uma manifestação contemporânea, apesar de gostar tanto de falar sobre o “antigamente” do samba. “Antigamente”, meu amigo, seriam palavras razoáveis em grego e em chinês.

Mas, voltando à questão da ancestralidade, esta também não seria uma boa explicação. Afinal, contrariando a percepção geral, o carnaval é tão africano (ou brasileiro) quanto Papai Noel. Se é para voltar ao passado, vamos fazer a viagem completa e retornar às festas pagãs na Europa, a coisa mais sem graça do mundo que - por força da injustiça que rege o universo – são as verdadeiras avós do carnaval brasileiro.

Opa, falamos de avós? Eu guardo uma ligação pessoal forte entre o carnaval e minha avó. Virada dos anos 1960 e 1970, Teresópolis, interior do Estado do Rio, minha avó me fantasiava da forma mais absurda possível e me obrigava a pular nas matines do Clube Panorama. Lembro com carinho da minha avó Albertina, mas devoto todos os meus maus pensamentos àqueles bailes. Portanto, para mim, os carnavais de outrora são os maiores dos pesadelos.

Não cola nada este papo retrógrado de “antigamente era melhor”. Marchinhas eram coisas chatérrimas e, mesmo que você odeie axé music, há que concordar que a Ivete Sangalo é bem mais talentosa e gostosa que a Emilinha Borba.

As escolas de samba são um espetáculo inacreditável, contam histórias universais, são uma manifestação audiovisual moderna, um show caprichado, um fenômeno de trabalho coletivo que é pesquisado por acadêmicos do mundo todo, uma lição de organização e improviso (sim, conseguem fundir conceitos aparentemente opostos). Falar da pureza e da singeleza dos desfiles de 1940 como um elogio à tradição e aos valores ancestrais do samba é, na verdade, a apologia do tosco, do bruto e do simplório em detrimento da sofisticação e da beleza.

Não é justo comparar épocas distintas. Só entende o presente quem tem respeito pelo passado. E claro que é importante conhecer a linha evolutiva de qualquer coisa. Não só do carnaval, das escolas de samba, mas de qualquer manifestação humana. Mas ser respeitoso para com o passado não obriga ninguém a preferir o passado. Tudo muda, e nada muda sem um motivo.

Eu sou um folião televisivo. Depois daqueles bailes traumáticos do Panorama, prefiro ficar em frente ao ventilador, zapeando o mundo, viajando das máscaras de Veneza às ruas do Recife em um clique. Não sou de me empolgar demais por nada. Nem decisão de campeonato num Maracanã lotado me tira do sério. Então, não tenho a paixão foliã correndo nas veias. Isso me faz um bom observador do carnaval, quase isento. Eu admiro a alegria dos outros, a criatividade, as novidades passageiras, os quesitos técnicos, os enredos, os destaques, as máscaras e fantasias.

Claro, há coisas que me emocionam, não me faço de geladeira: sou mangueirense, me dou ao direito de achar que a mistura de verde e cor-de-rosa é sublime quatro dias ao ano, e a marcação única do bumbo sem resposta às vezes me faz soltar uma lágrima.

Depois que a Mangueira passa, volto à minha condição de simples observador. E, sinceramente, só sinto falta das edições especiais das revistas Manchete, Cruzeiro e Fatos e Fotos. Pensando bem, os fatos e as fotos deste ano devem estar estampadas em Caras, de modo que até nisso o carnaval se renova, mas continua sendo o que é.

Pode ser que, em Veneza, a crise seja um bom motivo para a reclamação dos nostálgicos. Mas, na Bahia, o passado foi homenageado pelos 50 anos da invenção de Dodô e Osmar sem que ninguém tivesse que olhar pelo retrovisor do trio; o Galo da Madrugada bateu novos recordes de público e criatividade pelas ruas do Recife; os blocos do Rio, que renasceram há dez ou quinze anos, estão cada vez melhores; as escolas de samba continuam belíssimas, e os desfiles de São Paulo estão ricos e animados como nunca. Para quem é chato, ontem foi sempre melhor. Dessa, eu fico fora. Viva o carnaval de outrora e vivas ao carnaval de agora. Meu amigo, isso aí pode dar uma excelente marchinha"

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Grupo Especial - Domingo - Impressões

Infelizmente ontem não consegui atualizar em tempo real devido a questões técnicas, mas vamos a um resumo da primeira noite de desfiles.

1 - União da Ilha


Acabei não desfilando pela escola, mas assisti a um desfile muito agradável. Samba que funcionou, boas alegorias e fantasias, bateria competente. A Harmonia deu uma vacilada na entrada do carro dos moinhos, mas nada que comprometa muito a apresentação da escola.

Se for rebaixada será uma enorme injustiça.

2 - Imperatriz


Séria candidata ao troféu "me engana que eu gosto" do ano. O belo samba foi muito mal cantado, e a Direção de Harmonia da escola nitidamente se enrolou com o tamanho maior dos carros da agremiação. Isto resultou em uma escola bastante lenta no início e correndo desesperadamente ao final para não estourar o tempo.

As alegorias e fantasias estavam belas, mas nada muito diferente de outros trabalhos do carnavalesco. Penso que dificilmente volta nas Campeãs.

3 - Unidos da Tijuca


E não é que o segredo se revelou um desfile sensacional ?

A começar pela comissão de frente, onde em efeitos de mágica os componentes trocavam de roupa de uma maneira inexplicável. Passando pelo abre alas que simulava um incêndio, pelo carro dos jardins suspensos, a inédita coreografia da bateria...

Além disso, um samba que não comprometeu e um "chão" excelente. A melhor da noite e briga seriamente pelo título.

4 - Unidos do Viradouro


Pela foto do carro abre alas se tem uma noção do que (não) foi o desfile. Fantasias e carros ruins, samba chato e bateria que ora era uma metralhadora, ora embolava.

Salvaram-se os componentes. Se não houver nenhum grande desastre na noite de hoje, é candidatíssima ao rebaixamento.

5 - Acadêmicos do Salgueiro


Pela foto do abre-alas, muito semelhante a um carro do mesmo Renato Lage em 2002 na Mocidade, se tem uma noção do que foi o Salgueiro: burocrático. O samba também não ajudou e a escola ainda correu um pouco no final.

Ficou a sensação de que o enredo poderia ser melhor explorado. Por outro lado, bom desempenho da bateria.

Deve voltar nas Campeãs, mas não vejo força para disputar o título máximo.

6 - Beija Flor


Apesar do impactante abre alas, diria que foi a grande decepção da noite. Um desfile chatíssimo, enredo confuso e mal desenvolvido, correria desenfreada ao final - isto depois de pelo menos três vezes ficar parada por longo tempo.

Coloco na briga pelo título unica e exclusivamente pela força política, porque foi desfile para sexto, sétimo lugar.

Whisky, televisão e carnaval - III


Na nossa programação especial de carnaval, a terceira coluna da série, escrita pelo médico, compositor e folião Walkir Fernandes:

"Pronto, taí o q a gente queria, samba rolando no Grupo Especial. Vamos a algumas considerações e destaques observados pela telinha, rolando a pelota para o Titular da Pasta, q deverá fazer seus relatos, escola por escola, com a pertinência de quem estava de frente pro crime.

Vamos as considerações desse telespectador:

1. Transmissão da Globo: menos chata q em anos passados, mas ainda com muito a melhorar. Luiz Roberto no lugar de Kleber Machado e Pedro Luis em substituição a Dudu Nobre foram os maiores acertos. O histrionismo fantasiado de descontração do Chico Pinheiro e a orientação da emissora para o "tudo é divino  e maravilhoso" as bolas foras.

2. Oh, a União voltou, a União voltou !!! Fantástico. Porém mais do que isso, poderíamos cantar: Oh, A Rosa Magalhães voltou, a Rosa Magalhães voltou !!! E voltou afiada e criativa como nos velhos tempos. Plasticamente, para mim, foi o melhor desfile que a União fez em toda a sua história, perdendo de pouco para Domingo, Festa Profana e Maria Clara Machado em termos de emoção e animação.

3. Destaque absoluto para o carro do Teatro de Bonecos da Ilha. Lúdico, carnavalesco e riquíssimo em detalhes e bom gosto. Mostrando que a carnavalesca captou muito bem o espírito da escola. Alegoria com a cara da União da Ilha.

4. O Max velho de guerra de sempre !!! Competente, caprichoso e previsível. Mesmo assim o melhor desfile da Imperatriz em anos. Mais do mesmo, mas tudo muito bonito.

5. Faço minhas as palavras de Renato Lage: "o Paulo Barros pegou na veia". E colocou no fundo das redes !!! Gol de placa ! Se o campeão sair de domingo será a Tijuca. Um ou outro excesso, mas com algumas sacadas que valeram o ingresso. A Comissão de Frente, os carros da Biblioteca de Alexandria e dos Jardins Suspensos da Babilônia entram para os anais do Carnaval Carioca.

6. Pena que o pavão, símbolo da Unidos da Tijuca, tenha sido um dos mais feios já apresentados na avenida. A ponto de me fazer pensar se algo não funcionou na hora, luz, coreografia, alguma coisa... sei lá...

7. Viradouro plasticamente muito ruim. O carro de som para minha surpresa sustentou bem o samba, do qual eu não gostava, mas que não se saiu mal. E as baianas representando a Virgem de Guadalupe estavam lindíssimas. Alegorias nível Lesga.

8. Salgueiro desperdiçou um enredaço !!! Trabalho preguiçoso do ótimo Renato Lage. A impressão que dá é que o Renato não veio com tudo; acho que depois do resultado de Candaces ele só vai na boa... Ele pode e sabe mais do que aquilo que minha escola apresentou. Mas com alguns bons momentos, fantasias contando bem o enredo. O abre alas ao invés de ser impactante como se espera, foi um balde de água fria. E o pior de tudo: faltou vermelho no Salgueiro !!!

9. Beija parecia aquela mulher linda de viver, educada, culta e boazinha, mas sem o menor charme, fala aos olhos, mas sem dar tesão... O de sempre, com o agravante do péssimo enredo, oportunista e rocambolesco. Me lembrou quando Joãozinho 30 colocou as Minas de Ouro do Rei Salomão na Amazônia...

10. De resto a frieza da avenida, coalhada de turistas das mais diversas procedências, que não cantam e pouco vibram. Hoje em dia parece quase impossível levantar a Sapucaí no desfile do Grupo Especial."

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Impressões - Acesso A

Rapidinho, o que achei do desfile de ontem, do Grupo de Acesso A:

1 - Unidos de Padre Miguel:


Vi pouco do desfile, porque tinha de ir para a concentração, mas me pareceu bem cuidadosa. A escola foi prejudicada pelo fato de terem iniciado o cronômetro antes de estar pronta. Deve brigar por colocações intermediárias.

2 - Império Serrano:


Desfilei pela escola (foto) e a impressão é de que, embora um bom desfile, "não aconteceu". O som estava muito ruim, chegando a falhar totalmente em determinado momento, e isso prejudicou bastante o andamento da escola da Serrinha. Segundo soube a porta bandeira teve problemas exatamente em frente á cabine dos jurados.

A princípio acho que não briga pelo título, mas como este grupo é imprevisível...

3 - Império da Tijuca


Bom desfile, embalado pelo melhor samba inédito deste ano. Achei o enredo de leitura difícil, mas não sei se foi falha do carnavalesco ou ignorância minha mesmo. Bateria sensacional, uma das melhores da noite - com uma bossa muito bem feita através dos atabaques.

Não acho que ganhe, mas pode ficar bem colocada.

4 - Paraíso do Tuiuti


Bom desfile na parte plástica, com um desenvolvimento de enredo bastante interessante. A surpresa negativa fica por conta do chão da escola, muito, mas muito aquém do tradicional na agremiação. A bateria, embora correta, também estava abaixo do costumeiro.

Em um outro ano se manteria no grupo, mas em 2010, sei não...

5 - Inocentes de Belford Roxo


A escola não foi o fiasco que se imaginava, mas passou claramente um degrau abaixo das outras. O samba era tão chato - embora bem puxado - que dei graças a Deus quando acabou. Demais segmentos apenas corretos, embora com alegorias um pouco abaixo do restante do grupo - e muita reciclagem de anos anteriores e de outras escolas.

Em minha opinião, será a última colocada. Mas como é a escola do Presidente da Lesga...

6 - Renascer de Jacarepaguá


Desfilaço. Os carnavalescos Paulo Barros e Wagner Gonçalves estão de parabéns. O criativo enredo sobre uma cidade no fundo do mar me fez lembrar dos melhores momentos do saudoso Fernando Pinto.

Samba e bateria corretos não comprometeram. Apesar da comissão de frente, seria a minha campeã, por ser a única a sair da mesmice.

7 - Caprichosos de Pilares


Um bailão de carnaval, no sentido mais estrito do termo. A reedição funcionou muito, e escola e público cantaram como se não houvesse amanhã. Um desfile de escola de samba na acepção mais primitiva do termo.

Com alegorias fracas e fantasias idem, não deve ganhar. Mas se julgarem direito samba enredo, harmonia e evolução... o som falhou totalmente e assim mesmo a escola deu um show.

8 - São Clemente


Desfile correto, mas burocrático e, porque não dizer, chato.O samba não funcionou e foi outro que dei graças a Deus quando acabou. Senti certo descompasso entre o samba e o desenvolvimento do enredo, que ficou em um dúbio meio termo entre o crítico e o "chapa branca".

Pode até vencer, mas seria um prêmio ao conservadorismo.

9 - Acadêmicos de Santa Cruz


Um desfile honesto o da escola, apesar do samba ruim. Cantou bem mais que em anos anteriores.

Pode até vencer, mas acredito que fique lá pelo quinto, sexto lugar. Gostei do desenvolvimento do enredo, conservador mas bastante claro.

10 - Acadêmicos da Rocinha


Escola com um mar de camisas - inclusive uma para "convidados", e isto escrito nas roupas - e meio antipática com o público. Achei o de sempre, bom desenvolvimento mas chão muito fraco. A escola correu muito no final para não estourar o tempo, e a bateria vacilou exatamente em frente ao jurado - embora estivesse estranha o tempo todo.

Muita gente gostou muito e a coloca como uma das favoritas, eu particularmente não achei isso tudo.

11 - Estácio de Sá


Outra das grandes favoritas, apesar da correria no final. Boa bateria, bom samba, fantasias e alegorias adequadas... Não será surpresa se for a grande vencedora.

12 - Acadêmicos do Cubango


A escola de Niterói fez um desfile correto para seu enredo sobre o Palácio Universitário da UFRJ - e não sobre a loucura, como dito em muitos lugares. Enredo de boa leitura, samba e bateria eficientes, fantasias e alegorias competentes - embora estas últimas tenham abusado da forma de "caixote".

Pode sim legitimar o que se falava antes do carnaval, embora a meu ver tenham havido desfiles superiores.

Ao contrário da impressão do Dr. Walkir, achei o desfile como o de melhor nível desde pelo menos 2004. Temos aí cinco ou seis escolas que podem sim se sagrar vencedoras. Meu resultado seria o seguinte, já tendo certeza de que devo ficar longe do escrutínio oficial:

1 - Renascer
2 - Estácio
3 - Caprichosos
4 - Rocinha
5 - Cubango
6 - São Clemente
7 - Santa Cruz
8 - Império da Tijuca
9 - Império Serrano
10 - Padre Miguel
11 - Tuiuti
12 - Inocentes.

Whisky, televisão e carnaval - II


Rapidinho, que daqui a pouco tem Sapucaí, a segunda coluna assinada pelo compositor e folião Walkir Fernandes, sobre a cobertura televisiva.

A propósito, a foto é da Renascer de Jacarepaguá. Reparem no detalhe de máscara carnavalesca na arraia.

"Pronto, começou o desfile da Lesga !!!

Não sei se foi a transmissão equivocada da Band ou minha pouca experiência em assistir desfiles pela tv, mas a impressão que tive foi de  que o desfile de sábado se transformou num espetáculo tedioso. Nenhuma ousadia estética, nenhum enredo perturbador, nem mesmo um fracasso retumbante...tudo muito nivelado e tudo meio dejà vú...

Já não tenho mais saco para os chamados "temas", aqueles q ao invés de contar um enredo com princípio, meio e fim exploram todas as possibilidades, conotativas e denotativas, do tema escolhido. E aí dá-lhe faraós egípcios, colunas gregas, cavalos de diferentes procedências e toda sorte de asiáticos: árabes, chineses, japoneses e que tais...enfim uma volta ao mundo, tão inócua quanto repetitiva... Foi um porre, e olha que eu peguei leve: só 3 doses de whisky.

A transmissão da Band foi fraca, Miro Ribeiro, de quem esperava mais, demonstrou ser apenas um Haroldo Costa sem conteúdo - para ele tudo é lindo - mas escorregou diversas vezes nas informações técnicas... Adriane Galisteu é risível, se importava somente em reparar nas musas, madrinhas, rainhas e p...diversas, e se essas estavam ou não usando meia calça ou se a bunda não era furada; ou seja, tremenda furada... Teve também o Ivo Meirelles, mas esse é desnecessário comentar...

Padre Miguel foi vista através de um compacto de exatos 2 minutos e me pareceu interessante. O desfile do Império Serrano foi totalmente desperdiçado por uma equipe de transmissão começando os trabalhos e batendo cabeça, com todos falando sem parar, e a escola sendo mostrada sem nenhum compromisso com a ordem de desfile... Mas a escola me pareceu ok, com destaque para um carro que mostrava o antigo Mercado Municipal, onde funciona o restaurante Albamar... A bateria deve ter tido como sempre bom desempenho, mas o matraquear dos apresentadores não me deixou ouvir direito...

À partir de terceira escola, a transmissão se tornou menos angustiante, pelo menos passamos a escutar o canto das escolas...

O Império da Tijuca trovejou mas não choveu: após um início impactante descambou para o lugar comum de outras tantas Áfricas já vistas, apenas com menos palha... escola pequena, de evolução lenta... Tuiuti foi outra com teve bom começo ao apostar na simbologia colombina/rosa, arlequim/amarelo e pierrot/azul e usar tons pastéis nas fantasias e nas alegorias; acertou em cheio, dando leveza ao seu desfile... Mas não sustentou bem o canto e menos ainda o encanto inicial...

Inocentes não apresentou nada demais, porém bem mais do que eu esperava, com desenvolvimento do enredo de fácil compreensão; mas o samba é dose e a escola passou morna, com pelo menos uma cena tão bizarra quanto emblemática: em pleno refrão do samba, sua rainha, madrinha, sei lá, dançando funk para as câmeras, dando uma abaixadinha, com a mãozinha nas coxas... Bem mais pra cachorra que para tchutchuca...

Renascer para mim fez o melhor desfile da noite, com alguns lapsos de criatividade na mesmice generalizada, o que obviamente não inclui a horrenda comissão de frente; que contradiz todas as já muito deturpadas funções dessa ala.

Caprichosos fez a alegria da galera, a meu ver unicamente pelo seu samba, que deve ter sido muito bom cantar na avenida. Visto de casa, onde o que prevalece é a questão plástica, se mostrou inferior até mesmo ao desfile de 1985... golpe de mestre de seus dirigentes, que empanaram um carnaval fraco com um samba pra levantar a avenida.

São Clemente e Santa Cruz desfilaram tecnicamente muito bem, mas sem emoção e sem nada a se destacar...

E mais não tenho a relatar, a luz acabou ao iniciar a Rocinha e só voltou as 9 da manhã. Nada do sono vir, nada de gelo pro whisky e a expectativa de assistir as sempre interessantes Estácio, Rocinha e Cubango frustrada...

Termino colocando no ar uma pergunta: ao formarem a Lesga, essas escolas se organizaram aparentemente melhor, conseguindo maiores subsídios da Prefeitura, maiores cotas de televisionamento e aumentaram o preços dos ingressos de forma acintosa. Porque então isso não se reflete no que se vê no desfile ?? muito enredo repetitivo, muita reciclagem e pouco espetáculo de qualidade ???"

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Whisky, televisão e carnaval - I


Teremos uma coluna específica nesta cobertura especial de carnaval.

O médico Walkir Fernandes, compositor, ex-diretor de diversas escolas e com quase trinta e cinco anos de avenida estará assinando uma coluna nestes quatro dias sob um ângulo diferente: o de quem assiste à festa pela televisão. Teremos análises dos desfiles e da cobertura propriamente dita da festa pela telinha mágica.

Por estar vetado pelo departamento médico - nada sério, felizmente - este ano está restrito ao sofá de casa. Na foto, de 2008, ele está de boné ao meu lado. Vamos ao primeiro texto da série:

Vai começar tudo de novo, canta meu povo

"lá vou, lá vou, hoje a festa é na avenida..."

Vou nada, hoje e nos demais dias do Carnaval minha festa será na sala de casa...vou tirar o tapete da sala, como mandava nos anos 70 o grande Marcos Moran, ligar o split instalado especialmente para o evento, colocar 3 pedrinhas de gelo no scotch e varar a noite na frente da telinha - coisa q não faço, em tempo real, há mais de 30 anos...

Assistir os desfiles de escola de samba pela tv, ao vivo, será como reaprender a olhar a mais bela festa popular de nossa cidade. Não serão meus olhos, que tudo contemplam, que espiam cada detalhe, que se embevecem com as filigranas e as minúcias...

Vou assistir o que a televisão quiser me mostrar...aquele show de bunda e mulher gostosa, em detrimento da passista de sambar inebriante...o carro alegórico rico em detalhes mostrado de soslaio... Nada contra as gostosas e seus fartos silicones, fazem parte da beleza da festa também, mas vou ter que me encher de paciência e de algum destilado para poder enfrentar essa maratona no sofá...

Esse ano teremos algumas novidades, que geram alguma expectativa positiva: o desfile de sábado da Lesga será transmitido pela Band e não mais pela CNT; não teremos mais a voz de Jorge Perlingeiro, bravo torcedor do glorioso América FC, e seu show de merchandising. Mesmo a Globo anuncia a troca de sua dupla de locutores... vamos ver no que dá...

Estarei por aqui, a convite do titular do blog, dando minhas impressões domésticas sobre esse espetáculo maravilhoso.

Por falar em desfiles, ontem tentei assistir o desfile de Sampa. Não deu, começou com a Imperador do Ipiranga, brava escola que teve dificuldades de colocar seu carnaval na rua devido a chuva que vem castigando a maior cidade do país. Desfile muito chato, embalado por um samba mais chato ainda, que nem a interpretação de meu amigo Moisés Santiago conseguiu salvar...e aí não teve jeito: Morfeu me aplicou um ippon, e quando dei por mim, a VaiVai, última escola da noite, já tinha ido ido...

Abraços a todos"

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Prêmio Sambanet 2010


O Prêmio Sambanet é a maior láurea, após o resultado, concedida às escolas dos Grupos de Acesso. Fundado em 2000 por um grupo de jovens amantes do carnaval - a partir de uma lista de discussão pela internet - durante estes dez anos de vida veio conquistando credibilidade e hoje seu resultado é considerado um retrato fiel dos desfiles.

Inicialmente considerando os Grupos de Acesso A e B, hoje há premiações para o Grupo Especial e de melhor escola do Acesso C, que desfila na Avenida Intendente Magalhães.

Reproduzo aqui o release da cobertura do carnaval por parte do prêmio, em parceria com o site "Tudo de Samba", bem como o resultado do ano passado. Vida longa ao prêmio.


Rádio Samba-Net/Tudo de Samba transmitirá desfiles da Intendente Magalhães e apurações dos desfiles ao vivo

"A Rádio Samba-Net/Tudo de Samba transmitirá ao vivo o desfile das escolas de samba dos grupos Rio de Janeiro II e III da AESCRJ, direto da Intendente Magalhães, no domingo e na segunda de carnaval. Os antigos grupos C e D do carnaval carioca abrigam escolas tradicionais como Unidos da Ponte, Em Cima da Hora e Unidos do Cabuçu e Unidos de Lucas.

A partir das 19h a equipe da webradio falará ao vivo da pista de desfiles entrevistando os sambistas, comentando a passagem das agremiações e interagindo com os internautas.

E as apurações de todos os grupos também serão transmitidas em tempo real. Na terça-feira de carnaval, a partir das 15h, a emissora fará a cobertura do resultado do desfile organizado pela LESGA, direto do Terreirão do Samba. No dia seguinte, no mesmo horário, direto da Praça da Apoteose, será a vez da apuração do Grupo Especial e fechando a maratona de transmissões, na quinta, às 14h, a apuração de todos os grupos organizados pela Associação das Escolas de Samba do Rio de Janeiro.

A Rádio Samba-Net/Tudo de Samba pode ser sintonizada através dos sites www.sambanet.com.br e www.tudodesamba.com.br"

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Os Ingressos do Acesso - III


Bom, os leitores do blog devem estar acompanhando a saga que está sendo a questão dos ingressos para as frisas do Grupo de Acesso A, que escrevi anteriormente em dois artigos.

Pois é. No final das contas contei com o auxílio de um amigo, que me cedeu uma de suas reservas. Acabei conseguindo o setor que eu queria e o lugar que eu queria.

Entretanto, o que que queria escrever era outra coisa. É sobre o fato de quase 40% das frisas estarem à disposição na agência do banco após terminado o processo de reservas. Não há frisas disponíveis para a Fila A - na beira da pista - mas para as demais há lugares disponíveis em todos os setores.

Há duas facetas sobre esta questão.

A primeira é que a Lesga, organizadora dos desfiles, acabou superestimando a demanda pelas frisas deste dia de carnaval. Como havia escrito anteriormente, extrapolou-se a procura pelos setores 3 e 5, os mais desejados, para os demais. A premissa, obviamente, revelou-se incorreta.

Contudo, a impressão que eu tenho é que muitas pessoas reservaram frisas além de sua capacidade. Explico.

Quando preparei o fax solicitando a minha reserva, no dia da confirmação me foi informado que a minha solicitação não havia sido aceita. Só que eu tinha colocado três opções de frisas - Setores 3 filas A e B e Setor 5 Fila A - e nenhuma delas foi acatada.

Das duas uma: ou muita gente reservou os lugares mas não efetivou o pagamento ou haviam frisas que não foram alocadas quando da reserva via fax.

De qualquer forma, a política de preços da Lesga para 2011 precisará ser revista, ainda mais se realmente este grupo desfilar em dois dias - sexta e sábado - como se comenta. E acredito que teremos alguns lugares vazios este ano, o que é uma pena.

Olha que nem falo do Grupo B, onde as frisas para o Setor 3 estão oficialmente esgotadas, mas se você pedir com jeitinho...

P.S. - A foto acima é da Bruna Almeida, Rainha de Bateria da São Clemente e que, no restante do ano, trabalha no mesmo prédio onde estava dando expediente até a quarta feira da semana passada.


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Pai Padilha da Ilha faz previsões para o carnaval


O pessoal de uma das listas de discussão por e-mail sobre carnaval da qual faço parte brinca comigo me chamando de "Pai Padilha da Ilha" - uma brincadeira com o meu sobrenome do meio e a conhecida entidade da umbanda. É uma alusão às minhas previsões, segundo avaliações, totalmente furadas.

Entretanto, após um período de recesso Pai Padilha está de volta, e faz as suas previsões para os grupos da Sapucaí.

Grupo Especial:

1 - União da Ilha: com a política de sempre se mandar de volta quem vem do Acesso, a briga da escola é para permanecer no grupo. Diria que tem chance de sucesso.

2 - Imperatriz: belo samba, belo barracão. Briga pela última vaga no Desfile das Campeãs.

3 - Unidos da Tijuca: vamos ver o que o carnavalesco Paulo Barros irá aprontar. Mas a princípio vale a previsão imediatamente acima.

4 - Viradouro: samba ruim, ruim na "política", barracão pavoroso... é séria candidata ao rebaixamento.

5 - Salgueiro: não gosto do samba, mas é presença certa no Desfile das Campeãs e briga pelo título;

6 - Beija Flor: com panetone e tudo, é forte candidata ao troféu;

7 - Mocidade: o barracão não deve passar vergonha como ano passado. A tendência é que fique na "zona da marola".

8 - Porto da Pedra: entre a zona de marola e a briga pelo rebaixamento.

9 - Portela: presença certa no Desfile das Campeãs, corre por fora na disputa pelo título. Se derem mole...

10 - Grande Rio: com o patrocinador que tem, volta certa nas Campeãs. Mas não vejo a menor chance de título.

11 - Vila Isabel: favoritíssima ao campeonato.

12 - Mangueira: briga com Tijuca e Imperatriz pela última vaga nas Campeãs, a meu ver.


Grupo de Acesso A:

Há um "disse me disse" muito grande neste grupo. O carnavalesco da Acadêmicos do Cubango, Milton Cunha, usou a sua coluna no jornal O Dia para desmentir os boatos de que estaria "armado" para a sua escola subir. Lembro que somente a campeã ascende ao Olimpo do samba, o Grupo Especial.

Uma coisa é certa. Caso a Inocentes de Belford Roxo ou a Caprichosos de Pilares estejam entre as duas rebaixadas, a chance de uma "virada de mesa" para que não caia ninguém é imensa. São as escolas dos mandatários da Lesga, a entidade que organiza este desfile.

Brigam pelo título: Cubango, São Clemente, Império Serrano, Renascer, Estácio e Rocinha;

"Turma da Marola": Unidos de Padre Miguel e Acadêmicos de Santa Cruz;

Brigam contra o rebaixamento: Caprichosos, Inocentes, Império da Tijuca e Paraíso do Tuiuti.


Grupo de Acesso B:

Com a notícia anunciada hoje de que a Associação das Escolas de Samba irá controlar o júri, imediatamente a bola de cristal de Pai Padilha ficou embaçada. Será um salve-se quem puder...

Bom, é isso. Vamos ver o grau de acerto na Quarta Feira de Cinzas.

(Fotos: Salgueiro, União da Ilha e Cubango, Fabrício Gomes)