Mostrando postagens com marcador Música. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Música. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Passado, Nostalgia e Outras Reflexões sobre a Vida

Em um dos primeiros textos deste blog, lá nos primórdios, escrevi sobre os acontecimentos do ano de 1968 e a nostalgia que sentia por não ter vivido aqueles tempos. Também chamava a atenção para o fato de que os resultados daquela revolta transformadora se fizeram sentir muito mais na esfera das liberdades individuais que na liberdade política ou de sociedade, e no quanto isto interferiu nas duas gerações extremamente individualistas - incluindo a minha - que se seguiram.

Conversando aqui e ali com pessoas de meu círculo de relacionamentos o tema voltou à baila estes dias. Eu cada vez mais venho sentindo saudade de tempos que não vivi, ouvindo músicas das décadas de sessenta e setenta, até mais antigas, estudando estes períodos históricos. Tenho preferido revisitar os clássicos que buscar novidades - muitas vezes de gosto duvidoso.

Acho que já escrevi aqui que venho ouvindo muito a cantora norte americana Joan Baez. Suas interpretações já apareceram algumas vezes na coluna "Final de Semana" deste espaço, desde que tomei contato com sua música doce e que canta a solidariedade e os mais fracos.

Agora venho pesquisando sobre outra cantora dos lamentos oprimidos, a argentina Mercedes Sosa.

Parêntese: a música latino-americana é pouquíssimo conhecida no Brasil, desde a clássica dos anos 60 e 70 (Mercedes Sosa, Victor Jara, Violeta Parra e outros) como o pop atual representado por Julieta Venegas, Gothan Project e outros. Fecha o parêntese.

Também venho ouvindo muito blues e jazz, como o grande John Coltrane ou B. B. King. Cada vez mais venho buscando a grande música do Século XX, muitas vezes de tempos em que eu era nascido ou era, ainda, muito pequeno.

Talvez contribua para isso o fato de os tempos atuais serem cada vez mais individualistas, cada vez mais superficiais, descartáveis e profundamente materialistas. Sem contar a praga do "politicamente correto", que foi uma dose cavalar de hipocrisia no dia a dia do ser humano e nas convenções referentes à vida em sociedade. O mundo hoje está mais medíocre e mais chato.

Infelizmente não tenho tendência à mediocridade nem à hipocrisia. Detesto estas duas características. Também não gosto do que amigo meu denomina com muita propriedade de "bovinismo", que é o de adotar comportamente idêntico à massa a fim de não ser discriminado por ser diferente. Andar em manada, seria uma tradução mais real do termo.

Como não me agradam estas características dominantes na sociedade e na cultura de massa de hoje e ao mesmo tempo eu não sou mais um garoto na flor da juventude, cada vez mais venho me refugiando nas características de tempos anteriores. Redescubro, revisito, reponho meu cabedal de conhecimento e de sensibilidade a fim de neutralizar cada momento rotineiro do dia a dia cada vez mais entediante. São doses de classicismo e de aprendizados, cálices de sentimento e histórias de um tempo onde havia necessidade de solidariedade, vontade de se construir algo novo, idealismo e poesia.

A vida de hoje é urgente. Tudo é "para ontem", tudo é imprescindível, tudo é acelerado. "Impaciência" é a palavra de ordem. Não nos permitimos degustar nada, esperar nada, prosear, dar chance ao outro de se manifestar.

Acredito que a tecnologia ao mesmo tempo em que tornou muito mais fáceis diversos aspectos da vida humana, por outro lado levou a este estado de urgência, intolerância e impaciência. Além disso vivemos tudo muito aceleradamente e hoje se vivem quarenta e oito horas em vinte e quatro. Não admira o aumento crescente de casos de stress, AVCs e enfartes.

Tecnologia esta que auxiliou em muitos aspectos do dia a dia, mas ao contrário de simplificar os procedimentos tornou tudo ainda mais burocrático. Percebo que este aumento das regras, regulamentos, burocracias, controles vem da necessidade do ser humano de se sentir "poderoso", se sentir "importante", se sentir dono dos destinos de outros indivíduos. O que era para se tornar mais simples, liberando a todos para as tarefas realmente importantes, prazeirosas e produtivas, acaba sendo algo mais penoso e demorado.

Também vale mencionar o dano que os "pequenos poderes" trazem a instituições não especificamente corporativas. Muitas vezes o sujeito é um fracassado em sua vida profissional e pessoal e aquele carguinho em um clube, uma associação, uma escola de samba ou em uma instituição religiosa representam a sua realização pessoal, ainda que sua atuação cause danos ao bem estar maior de um grupo.

Resposta adicional a esta mediocrização e ao "bovinismo" é a cada vez maior "guetização" dos indivíduos em tribos, que exercitam a intolerância. O indivíduo precisa se sentir em grupo, se sentir aceito. Portanto, não admira o ressurgimento de guerras nacionalistas e religiosas, derivadas, muito grosso modo, deste fenômeno.

Os indivíduos e microcosmos tem a "sua" verdade e tratam de impô-la a qualquer custo. Como escrevi semana passada, tolerância, democracia, troca de ideias e repspeito à opinião alheia estão "fora de moda".

Também vem daí a progressiva "celebrização" da vida humana e a transformação destas "pessoas famosas" quase em semi-deuses. Sobre este fenômeno tratei em texto anterior.

Minha resposta a esta deterioração da sociedade, da cultura e dos costumes é tentar dentro de minhas limitações especialmente de tempo redescobrir o antigo, rever o que de valor produzimos. Mais vale buscar a qualidade que ir atrás de duvidosas novidades. Mais vale buscar a solidariedade dos jovens de 68 que a egoísta busca pelo prazer hedonista da juventude atual. Mais vale buscar valores como a política, o humanismo e a qualidade de vida que a gana cega pelo consumo.

Como resultado, sou uma pessoa nostálgica, quase melancólica até. Sinto saudade de um tempo que eu não vivi, que eu não senti na carne - apenas nas lembranças. Redescubro a boa música que não toca nas rádios, o poeta semi-esquecido, a poesia escondida em uma boa prosa... Redescubro e dentro de minhas limitações tento divulgar neste espaço.

Obviamente, para muitos eu sou um chato. Não me importo, até porque "chato" é algo marcado de forma indelével em meu DNA desde que nasci...


P.S. - A foto acima é da Passeata dos Cem Mil, em Junho de 1968. Você leitor imaginaria algo parecido nos dias de hoje ? Mais, conceberia uma faixa com os dizeres como estes que aparecem na foto ? E depois reclamam dos políticos...

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Final de Semana - "Meu Camarada"


Nesta sexta feira, a faixa musical do Ouro de Tolo traz uma preciosidade: uma canção inédita em cd de dois dos maiores compositores do samba cariocas.

Um deles é Luiz Carlos Máximo, que o leitor deste Ouro de Tolo já teve o prazer de ver neste espaço: o antológico samba da Portela de 2012 o tem como um dos autores e o espetacular concorrente para 2013 que coloquei aqui semana passada também.

Seu parceiro na canção de nossa faixa musical de hoje é Ratinho, falecido prematuramente em 2010. Ele é autor de clássicos de Zeca Pagodinho como “Vai Vadiar” e de sete sambas de enredo da Caprichosos de Pilares, entre os quais um Estandarte de Ouro em 1978.

Na música “Meu Camarada” Máximo e Ratinho fazem uma homenagem a Paulinho da Viola, que há alguns anos não compõe de forma regular. É uma bela música, interpretada na gravação que apresento aqui pelo cantor Julio Estrela, revelação das casas de samba da Lapa.

Este é um ponto pelo qual venho me batendo nestas páginas: a memória do samba carioca está morrendo com seus autores. Existe muita coisa boa não registrada em disco para a posteridade. Algo precisa ser feito para fazer o trabalho de resgate que se impõe.

Vamos à letra. O áudio pode ser ouvido no início deste post.

Meu Camarada (Ratinho/Luiz Carlos Máximo)

Como vai meu camarada?
Chega mais e diz aí
Por onde anda a madrugada
Que a gente cansou de curtir
Pra onde foi aquele rio
Que a gente viu correr
Pra onde foi o sol que ao nosso frio
Já não vem mais aquecer
Sinceramente, meu camarada
Até hoje eu procuro entender
O porque da alvorada
Não querer mais resplandecer
E o cantar do rouxinol
Que era cheio de alegria
Ao perder a luz do sol
Entristeceu a melodia
Eu só sei
Que tudo que eu pude aprender
São jogadas dessa vida
O imperfeito faz a gente ver
Pegue o barco
Vá em frente
Deixa seguir a corrente
Que Oxalá
Dê um sopro e dê um vento
E coloque em movimento
O velho barco nas ondas de um novo tempo

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Final de Semana - "Dois Sambas Concorrentes"



Nossa faixa musical de hoje fala de um processo que está se iniciando na maioria das grandes escolas do Rio: a disputa de sambas.

Para o leitor menos familiarizado, significa um concurso onde um número variável de sambas se inscreve e ao final do processo um deles é escolhido para ser o “hino oficial” da agremiação no desfile.

Também é, como uma vez escreveu o colunista Aloísio Villar, a temporada de migração dos “pombos”. Pombos são composições onde os verdadeiros autores não assinam os sambas por estarem em outras escolas, ou por concorrerem em várias agremiações. A Portela, por exemplo, tem alguns facilmente reconhecíveis como tal.

Nossa faixa musical traz dois sambas. O primeiro (acima, o áudio) é o da parceria atual campeã na Portela, de Wanderley Monteiro, Luis Carlos Máximo, Toninho Nascimento e Andre do Posto Sete.

Os compositores conseguiram algo impensável: fizeram um samba ainda melhor que o de 2012, vencedor de todos os prêmios possíveis do carnaval carioca e ganhador de todas as notas máximas no julgamento. É antológico, com melodia remetendo a pontos de “curimba” na parte em que fala da Freguesia de Irajá e depois lembra o partido alto de Madureira. Genial e antológico.

Ou seja, o leitor já deve ter percebido que estarei pelo segundo ano seguido torcendo por esta parceria. Obviamente que a quadra conta muito na disputa e há pelo menos outros dois bons sambas, mas a minha avaliação é de que este é muito superior aos demais.

Abaixo, a letra:

Portela 2013 - “Madureira... onde o meu coração se deixou levar”

Autores: Wanderley Monteiro, Luiz Carlos Máximo, Toninho Nascimento e André do Posto 7.

E lá vou eu cantando com a minha viola
O amor tem seus mistérios
Por onde me deixo levar
Laiá
Nossa história começa por lá
No engenho da fazenda
Dos cantos de “canaviá”

Bate o sino da capela                       (bis)
Ôi... Que é dia de santo, sinhá
  
Tem mironga de jongueiro
O tambor me chamou pra dançar          (bis)

Tempo rodou na roda do trem e veio
A inspiração do partideiro
Que versou no mercadão
Foi nesse chão
Que a estrela brilhou no tablado
O “madura” pisou no gramado
O malandro charmoso dançou
No pagode com outro gingado
Quando o bloco chegou
Agitou o suingue do black
E a nega baiana girou

Cai na folia, sem grilo, meu bem vem na fé
Na ilusão da fantasia                                                (bis)
Vai como pode e quem quer

Surgiu a serrinha imperial
Em outros caminhos para o mesmo ritual
Portela, meu orgulho suburbano
Traz os poetas soberanos nesse trem para cantar
Que Madureira é muito mais do que um lugar
É a capital de um sonho que me faz sambar

Abre a roda, chegou Madureira
A poeira já vai levantar                                (bis)
O batuque ginga ioiô (bis)
Ginga Iaiá



Nosso segundo samba de hoje, com o qual este blogueiro também “fecha”, é o da parceria do colunista Aloísio Villar para a União da Ilha (acima, o áudio). A composição captou o espírito da sinopse, em um meio termo entre o alegre e o afro. Ótimo samba.

Vamos à letra:

G.R.E.S.UNIÃO DA ILHA DO GOVERNADOR
Presidente Ney Fillardi
Carnavalesco: Alex de Souza
Enredo: Vinicius no plural – Paixão, poesia e carnaval
Compositores: Bicudo, Aloisio Villar, Cadinho da Ilha, Roger Linhares, Fabiano Fernandes e Alessandro Alconforado
Intérpretes: Roger Linhares, Cadinho da Ilha, Flávio Martins e Anderson Miranda

No balanço do mar eu vou
Salve a Ilha do Governador, sou menino sonhador
Pros versos da vida a folha em branco me chamou
Oh pátria minha, pobrinha, um dia
Teu nome há de ser felicidade
Teatro, cinema, o morro de Orfeu
Ilusão, realidade
A nossa bossa é a nova bossa da cidade        

Atotô Abaluayê, Atotô Babá, salve Iemanjá              (REFRÃO)
Xangô é meu guia
Ossanha alumia, sob o manto de Oxalá

Hoje tem arrastão
Leva a jangada pro mar
Ao Sol que arde em meu corpo
Vou vadiar
Minha musa é carioca, caminhando toda prosa
A coisa mais linda que já vi passar
Aos tempos de menino vou voltar
Lá vem a criançada toda animada
Brincar com a bicharada lá na arca de Noé
Com minhas canções, despertei paixões
O som da melodia ao céu me levou
Sou poeta inspirado pelo amor

Cai a noite, vem a Lua
Vinicius nosso palco é na rua     (refrão)
A Ilha é poesia
A benção, saravá até um dia

Este ano teremos uma novidade no Ouro de Tolo: o blog estará acompanhando “in loco” a disputa de sambas da Portela. Teremos aqui vídeos e áudios das apresentações à medida em que forem se desenrolando.

sábado, 21 de julho de 2012

Final de Semana - "California Dreamin"



Em uma semana onde posso dizer sem medo de errar que foi uma das mais conturbadas da minha vida recente, nossa faixa musical traz um grande sucesso do grupo “Los Mamas e Los Papas”: Califórnia Dreamin’.

O grupo fez grande sucesso na efervescência cultural que foram os Anos 60 da década passada. Hoje, com nova formação, continua fazendo shows pelo mundo.

Abaixo a letra e uma tradução aproximada. O curioso é que não seria esta a canção que havia programado, mas acabou sendo perfeita.

California Dreamin'

All the leaves are brown
And the sky is grey
I've been for a walk
On a winter's day

I'd be safe and warm
If I was in L.A
California Dreamin'
On such a winter's day

Stopped into a church
I passed along the way
Well, I got down on my knees
And I pretend to pray

You know the preacher likes the cold
He knows I'm gonna stay
California Dreamin'
On such a winter's day

All the leaves are brown
And the sky is grey
I've been for a walk
On a winter's day

If I didn't tell her
I could leave today
California Dreamin'
On such a winter's day

Sonhando Com A Califórnia

Todas as folhas estão marrons
E o céu está cinzento.
Eu saí para um passeio
Num dia de inverno.

Eu estaria protegido e aquecido
Se estivesse em Los Angeles.
Sonhando com a Califórnia,
Num dia assim de inverno.

Parei dentro de uma igreja [que]
Eu passei ao longo do caminho.
Oh, eu fico de joelhos
E finjo rezar.

Você sabe, o pregador gosta do frio.
Ele sabe que vou ficar
Sonhando com a Califórnia,
Num dia assim de inverno.

Todas as folhas estão marrons
E o céu está cinzento.
Eu saí para um passeio
Num dia de inverno.

Se eu não contasse a ela,
Eu poderia partir hoje.
Sonhando com a Califórnia,
Num dia assim de inverno

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Paulinho da Viola


Como escrevi na semana passada, sábado retrasado estive no show de Paulinho da Viola realizado em apresentação única na casa de shows Vivo Rio, aqui no Rio de Janeiro.

Em uma casa absolutamente lotada, Paulinho desfiou grandes sucessos de seu repertório, algumas músicas menos conhecidas e um bloco de canções que jamais haviam sido registradas - uma delas, inclusive, teve parte da melodia aproveitada em "Dança da Solidão". 

A memória musical do samba está repleta de canções que jamais foram registradas e que estão se perdendo à medida que os mais velhos estão falecendo e não se registra.

Participaram do show também os músicos João Rabello e Beatriz de Faria, filhos do cantor e compositor e que demonstraram que trazem o talento de berço. Ambos tiveram momentos solo, e João interpretou um choro de forma bastante feliz. Registre-se também a presença na plateia de Elton Medeiros, um dos maiores compositores do samba brasileiro e parceiro de Paulinho em diversas músicas.

Enfileirando sucessos, em muitos momentos a platéia cantou junto, como na própria "Dança da Solidão", "Pecado Capital", "Coração Leviano" - que fez parte do bis - "Onde a Dor Não Tem Razão" e "Foi Um Rio que Passou em Minha Vida" - estas duas, nos vídeos que registrei e disponibilizo aqui neste post.

Também merece menção o fato de Paulinho ter interpretado "Sei Lá, Mangueira" (parceria com Hermínio Belo de Carvalho) e o samba de exaltação da União de Jacarepaguá, escola que frequentou antes de chegar à Portela e na qual foi homenageado em 2009. Neste último caso me surpreendeu o fato de muita gente saber este samba e cantar junto, porque praticamente só o conhece quem frequenta o desfile do Acesso B na Terça Feira Gorda, onde a agremiação hoje desfila.

Sempre é um prazer muito grande assistir a um show do cantor e compositor - como escrevi no post da sexta feira passada - mas faria dois pequenos senões, que não empanam o brilho da apresentação mas soam perceptíveis a um fã mais acurado como eu: primeiro o fato de não ter cantado qualquer canção de compositores da Portela.

E segundo, a meu ver mais grave, foi não ter mencionado à platéia o enredo da azul e branco para 2013, do qual ele é um dos homenageados. Acho que não custaria nada fazer a gentileza de informar a um público que majoritariamente não acompanha as escolas a esta época do ano.

Apesar disso, sem dúvida alguma passei uma noite bastante agradável no último sábado, em que pese o enrolado e lento serviço da casa - é algo que pode melhorar, até porque piorou bastante em relação à minha última ida a esta casa, por ocasião do show de Chico Buarque.

Mas valeu a pena. Viva Paulinho!

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Final de Semana - "Plegaria a Un Labrador"

Há uns dez dias baixei cd da cantora argentina Mercedes Sosa gravado no Brasil ao vivo em 1980, acho que aqui no Rio de Janeiro. Estou começando a pesquisar um pouco sobre a música latino-americana de "resistência" das décadas de 60 e 70, tanto pela sonoridade - que me agrada - como pelo resgate da história.

Trago aos leitores uma canção do cd, de autoria do compositor chileno Victor Jara - que como contei aqui em outra oportunidade foi brutalmente torturado pela ditadura de Pinochet. A canção é "Plegaria a Un Labrador", utilizando-se de uma estrutura semelhante ao Pai Nosso e que buscava conscientizar os lavradores chilenos. A canção é de 1969 e considerada uma das melhores do cancioneiro do compositor chileno.

Coloco abaixo a letra, em castelhano, mas cujo sentido está perfeitamente inteligível mesmo àqueles que não dominam a língua. O vídeo vale pelo áudio do cd em questão, porque é uma imagem estática. Belíssima intrepretação da grande Mercedes Sosa.

Concluo lamentando que a grande indústria fonográfica continue sonegando boa música a seu público não reeditando em cd discos como estes. Não resta outro recurso que não a internet.

Plegaria a Un Labrador

(Victor Jara e Patricio Castilho)

Levántate y mira la montaña
de donde viene
el viento, el sol y el agua,
tú que manejas el curso de los ríos,
tú que sembraste el vuelo de tu alma.
Levántate y mírate las manos
para crecer, estréchala a tu hermano,
juntos iremos unidos en la sangre,
hoy es el tiempo que puede ser mañana. Líbranos de aquel que nos
domina
en la miseria;
tráenos tu reino de justicia
e igualdad;
sopla como el viento la flor de la quebrada,
limpia como el fuego el cañón de mi fusil;
hágase por fin la voluntad
aquí en la tierra
danos tu fuerza y tu valor
al combatir,
sopla como el viento la flor de la quebrada,
limpia como el fuego el cañón de mi fusil.

Levántate y mírate las manos
para crecer, estréchala a tu hermano,
juntos iremos unidos en la sangre,
ahora en la hora de nuestra muerte.
Amén.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Final de Semana - "Dança da Solidão"


Amanhã, uma vez mais, terei oportunidade de assistir a mais um show de um de meus cantores e compositores favoritos: Paulinho da Viola.

Entre shows solo e combinados com a Velha Guarda da Portela, será a sexta vez a que irei assistir a um show do sambista. Mas já faz quase uma década em que tive esta oportunidade rara pela última vez.

A canção que trazemos, de autoria de Paulinho e interpretada em dueto com Marisa Monte, é "Dança da Solidão", uma de minhas preferidas no repertório de Paulinho. É canção triste e ao mesmo tempo esperançosa, como a letra que disponibilizo abaixo.

"Solidão é lava que cobre tudo
Amargura em minha boca
Sorri seus dentes de chumbo
Solidão palavra cavada no coração
Resignado e mudo
No compasso da desilusão

Desilusão, desilusão
Danço eu dança você
Na dança da solidão

Camélia ficou viúva, Joana se apaixonou
Maria tentou a morte, por causa do seu amor
Meu pai sempre me dizia, meu filho tome cuidado
Quando eu penso no futuro, não esqueço o meu passado

Desilusão, desilusão
Danço eu dança você
Na dança da solidão

Quando vem a madrugada, meu pensamento vagueia
Corro os dedos na viola, contemplando a lua cheia
Apesar de tudo existe, uma fonte de água pura
Quem beber daquela água não terá mais amargura"

Complementando, como eu havia previsto Paulinho da Viola será o fio condutor do enredo da Portela para 2013, que enfoca os 400 anos da Freguesia de Irajá - que originou o bairro de Madureira - e os 90 anos da Portela. A sinopse, que disponibilizo abaixo, foi entregue aos compositores e a disputa de samba inicia-se dia 29 de julho.

Aliás, será curioso ver a Portela com uma disputa de samba um mês mais longa em relação aos últimos anos. A sinopse, bela e emocionante, permitirá uma vez mais grandes sambas à Águia.

“Madureira... onde o meu coração se deixou levar”

Rio de Janeiro, 1970.
Avenida Presidente Vargas.

“Nesta Avenida colorida a Portela faz seu carnaval...”

Com o rosto molhado de suor e lágrimas, vejo a minha Escola conquistar a plateia com mais um desfile. Agora com um sabor especial, se aquecendo... “senti meu coração apressado, todo o meu corpo tomado, minha alegria voltar...”

E então pensei:

“Meu coração tem mania de amor...” E que amor é esse que me conquista a cada dia? Que amor é esse que move toda essa gente? De onde vem isso tudo e como essa história começou?

E é isso que vou descobrir.

E assim, com a alma aquecida de emoções, lá fui eu para Madureira, de trem, cantando samba, assim como Paulo Benjamin fazia décadas atrás.

“Eu canto samba
Porque só assim eu me sinto contente
Eu vou ao samba
Porque longe dele eu não posso viver...”

Quero trilhar os caminhos desse povo, como um “peregrino”, descobrir sua gente, sua cultura, sua fé, o seu canto e o seu samba.

Descobrir sua história.

Pisar onde outrora pisaram tropeiros, escravos, boiadeiros, mercadores e imperadores, caminhos de trabalho e suor, onde antes só se viam fazendas, engenhos e fé, afinal toda essa história começa pela fé.

E o povo dança, o povo canta; dança o branco, dança o negro.

“Pisei na pedra
A pedra balanceou
Levanta meu povo
Cativeiro se acabou”

Negros fugidos, negros forros. Festa, jejum e esmola. Samba, dança, música e religião. Enfrentar a dor através da arte.

Casas de umbanda e casas de candomblé, liderança e mistério, atraindo a atenção para a “roça”.

Caminhos de terra, caminhos de ferro.

E o povo vai chegando, de tudo quanto é direção. Imigrantes de dentro e de fora. Os caminhos viram estradas.

Estradas de terra, estradas de ferro.

Chega o progresso e com ele os ambulantes, que depois viram mercadinhos, os mercadinhos viram mercados e os mercados viram mercadões.

E eu... vou seguindo meu caminho.

Vou ouvindo batuques, ritmos e sons. Sons sincronizados, parecendo sapateado. Mas são apenas sons de pés, que dançam, chutam e pulam. Pés que vão construindo outros caminhos. Não importa se num tablado, no asfalto ou na grama, o importante é a ginga, que por vezes me lembra a de um malandro. Como tantos que esta história construiu. Ou como tantos que aqui chegaram para construir outras histórias. Malandros loiros, brancos, mulatos, sararás, crioulos. Assim como as músicas, loiras, brancas, mulatas, sararás e crioulas, ou como se diz agora: black.

“No carnaval, esperança
Que gente longe viva na lembrança
Que gente triste possa entrar na dança
Que gente grande saiba ser criança”

E o batuque continua.

Marchinhas, mascarados, coretos, baianas, blocos de sujo, carnaval...

São os caminhos da folia! Caminhos da fantasia, onde cada um é o que deseja ser, onde mulher pode virar homem e homem, virar mulher. E é através da fantasia, do sonho, que nascem duas das maiores Escolas de Samba da história.

E que orgulho hoje ver Portela e Império, juntas, a cantar que esse nosso lugar “que é eterno no meu coração. E aos poetas traz inspiração pra cantar e escrever”.

Madureira é assim. Amor, atividade intensa, vivida com orgulho suburbano, lugar de morada da altiva nobreza popular, pois aqui reside a Majestade do Samba.

“Não posso definir
Aquele azul
Não era do céu
Nem era do mar...”

Tantos são os caminhos, e por eles vou atrás de suas histórias, me sentindo cada vez mais parte integrante dela, deste lugar e destes caminhos, que hoje se encontram mais uma vez, afinal...

Sou Paulo, sou Paulinho, da Viola e da Portela.

E tenho muito orgulho em contar esta história para vocês, afinal... “o meu coração se deixou levar.”

E, agora, o mesmo trem que me trouxe, me leva de volta, e continuo batucando, não mais como Paulo Benjamin fazia, mas como todos os Portelenses continuam fazendo ainda hoje, preservando a sua memória e o seu lugar, que eternamente será conhecido como a “Capital do Samba”.

“Madureiraaa, lá lá laiá.”

Paulinho da Viola,
pelas mãos de Paulo Menezes (e mais uma vez os caminhos se cruzam).

Este enredo é dedicado aos noventa anos da Portela e a todos os portelenses que, infelizmente, não estão mais entre nós, mas que continuam abençoando a Portela lá de cima, do Olimpo dos sambistas.

Enredo e pesquisa: Paulo Menezes e Carlos Monte

(Fonte: PortelaWeb)

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Final de Semana - "Dona Esponja"

Nossa faixa musical hoje traz faixa do recente CD e DVD "Quintal do Pagodinho", onde Zeca Pagodinho reúne em sua residência de Xerém seus amigos sambistas para gravar composições e dar oportunidade a novos (às vezes nem tanto) autores de mostrar suas composições ao grande público.

Tenho os dois exemplares - o DVD tem mais canções que o cd - e nossa música de hoje é uma hilária descrição de uma mulher que bebe 120 garrafas de cerveja sem ir ao banheiro e depois recebe a entidade "Brahmará" - em alusão óbvia à marca de cerveja.

O nome? "Dona Esponja".

A música é de autoria do trio Luiz Grande, Barbeirinho do Jacarezinho e Marcos Diniz.

Vamos à letra. Divirta-se.

(Dona esponja já incorporou)
Já incorporou brahmará
Se alguém cantar pro seu santo subir
Vai perder o topete, vai, vai, vai
Dona esponja esculacha
Bebe mais de cinco caixas
Sem usar o toalete

Dona esponja quando chega
E se espoja lá no bar
Pede uma purinha para abrideira
E receber brahmará
Aí vem tira-gosto à beça e a gosto
Sardinha, lingüiça, torresmo e croquete
Bebe mais de cinco caixas
Sem usar o toalete

Logo após as cento e vinte ampolas
Vejam bem no que resulta:
Brahmará se manifesta
Dona esponja dá consulta
Quando saca do cachimbo
O fumo de rolo e o seu canivete
Bebe mais de cinco caixas
Sem usar o toalete

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Final de Semana - "Jerusalém de Ouro (Yerushalayim Shel Zahav)"

Embora não seja exatamente um fã incondicional, gosto da música do "Rei" Roberto Carlos. Especialmente depois que em 2004 tive oportunidade de assistir a um excelente show do cantor em evento da BR Distribuidora para clientes - bons tempos aqueles...

Na última semana minha esposa comprou o DVD do show que o cantor fez em Jerusalém em setembro do ano passado, e colocou para assistir. Ouvia "na diagonal" enquanto fazia outras coisas quando uma canção me chamou bastante a atenção: "Jerusalém de Ouro (Yerushalayim Shel Zahav)", canção da israelense Naomi Shemer (1930-2004) e que é considerada uma espécie de "segundo hino nacional", além de ser a música israelita mais cantada de todos os tempos.

A canção, de letra remetendo a temas e poesias tradicionais judaicos e cuja melodia foi parcialmente inspirada em uma música do compositor basco Petriarena 'Xenpelar' - executada anos antes em um evento local, foi composta em 1967. Ganhou significado político após a anexação por Israel da parte oriental de Jerusalém, então árabe e pertencente à Jordânia.

Lembro aos leitores, fazendo um parêntese, que sou ácido crítico da política judaico-israelense, tenho posição a favor da causa palestina e defendo que Jerusalém deva ser compartilhada como capital dos dois Estados: o judeu e o palestino.

Motivações políticas à parte, é uma canção muito bonita, que ganhou no show um arranjo de orquestra muito feliz. Roberto Carlos canta uma versão em português - diferente da tradução literal, como os leitores verão abaixo - e emenda com a letra original em hebraico. Sem dúvida, emociona - e nisso temos de "tirar o chapéu" para o Rei.

O vídeo traz a gravação do show, com uma pequena oração ao final. Abaixo, a versão em português cantada por Roberto Carlos, a letra original e uma tradução original. Questões políticas deixadas de lado, deleite-se, leitor.

Jerusalém de Ouro (Versão)

Das montanhas
O cheiro agreste
O vento é uma carícia
A árvore dorme em pedra e pó
Mas a cidade não está só

Das montanhas
O cheiro agreste
O vento é uma carícia
A árvore dorme em pedra e pó
Mas a cidade não está só

Jerusalém toda de ouro
Minha eterna namorada
Estou aqui com meu calor
Minha fé, meu amor

Yerushalayim Shel Zahav

Yerushalayim shel zahav
Veshel nechoshet veshel or
Halo lechol shirayich ani kinor.

Avir harim tsalul k'yayin
Vereiyach oranim
Nissah beru'ach ha'arbayim
Im kol pa'amonim.

U'vtardemat ilan va'even
Shvuyah bachalomah
Ha'ir asher badad yoshevet
Uvelibah - chomah.

Yerushalayim shel zahav
Veshel nechoshet veshel or
Halo lechol shirayich ani kinor.

U'vtardemat ilan va'even
Shvuyah bachalomah
Ha'ir asher badad yoshevet
Uvelibah - chomah.

Yerushalayim shel zahav
Veshel nechoshet veshel or
Halo lechol shirayich ani kinor.

Tradução Literal

Jerusalém de Ouro
O vento das montanhas, claro como o vinho
E o cheiro dos pinheiros
É levado pela brisa do crepúsculo
Junto com o som dos sinos.

E no sono profundo da árvore e da pedra,
Presa em um sonho,
Está a cidade solitária
E no seu coração um muro.

Jerusalém de ouro,
e bronze e de luz
porque não ser eu o violino
Para todas as tuas canções?

Voltamos aos poços de água,
Ao mercado e à praça
O Shofar chama no monte do Templo,
Na cidade velha.

E em cavernas nas montanhas
Milhares de sóis brilham
Descemos novamente ao Mar Morto
Pelo caminho de Jericó.

Jerusalém de ouro,
de bronze e de luz
porque não ser eu o violino
Para todas as tuas canções?

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Final de Semana - "Bachianas Brasileiras Nº5"

Heitor Villa Lobos (1887-1959) talvez seja ao lado de Carlos Gomes o maior expoente da comosição clássica brasileira. Sua série mais famosa - mas não a única - são as "Bachianas", série de nove composições escritas entre 1930 e 1945 - curiosamente, durante o primeiro governo de Getúlio Vargas.

Apresento aqui a Bachianas Brasileiras Nº5, escrita entre 1938 e 1945 para soprano e oito violoncelos. A versão que apresento aqui é da cantora americana Joan Baez, acredito eu que gravada em algum momento durante a década de setenta.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Final de Semana - "Um Beijo de Mulher"


Neste final de semana prolongado para muita gente – embora não para mim, trabalho na sexta – nossa faixa musical relembra um dos grandes da história musical brasileira, embora infelizmente esteja esquecido nos dias de hoje: Nelson Gonçalves (1919-1998).

Um dos cantores de carreira mais longeva da história da música brasileira, com mais de duas mil canções gravadas e a impressionante marca de 78 milhões de discos em toda a sua carreira, Gonçalves possuía uma característica interessante fora dos palcos: era gago. Isso não o impediu de enfileirar sucessos como “A Volta do Boêmio”, “Meu Vício é Você”, “Normalista”, “Maria Bethânia”  - que inspiraria o nome da cantora - e muitos outros.

Enfrentou o vício em cocaína, chegando a estar preso, mas se recuperou e retomou sua carreira com sucesso.

Conheci a obra de Nelson Gonçalves quando criança, por intermédio de meu avô, fã do cantor. Ainda hoje sou capaz de cantar “A Volta do Boêmio” de ponta a ponta.

Mas a canção de hoje, em gravação do programa “Globo de Ouro” de 1975, é “Um Beijo de Mulher”, de autoria de Adelino Moreira.

"Um beijo de mulher
Que sinfonia louca
É sonata que o amor
Improvisa na boca

Uma história de amor
Só presta se tiver
Como ponto final
Para a glória total
Um beijo de mulher

Esse nada que é tudo
Acende de amor qualquer coração
Eu já tive esse nada
E hoje vivo perdido só na recordação

Daí,
Daí é que vem meu medo
Dizem que acaba mais cedo
Quem vive na solidão"

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Final de Semana - "Volver a los diecisiete"

Nesta sexta feira o Ouro de Tolo volta a abordar a obra da compositora chilena Violeta Parra (1917-1967), autora de "Gracias a La Vida". Desta vez, com "Volver a los diecisiete", canção que foi hino da esquerda latino americana nos penosos anos de chumbo que praticamente todo o continente conheceu.

Aqui apresento versão excelente interpretada pela cantora argentina Mercedes Sosa e por Milton Nascimento. A letra em espanhol está acompanhada de uma tradução que não tive tempo de revisar, mas que deixa claro que a canção tinha o sentido de luta, de encorajamento, de inconformismo. Ainda hoje está atual, ainda mais quando as novas gerações são cada vez mais individualistas e até mesmo reacionárias.

A compositora, que se suicidou em 1967 devido a uma desilusão amorosa, ganhou um perfil muito interessante no site Ópera Mundi, que pode ser lido aqui.

Vamos à letra e a tradução.

"Volver a los diecisiete después de vivir un siglo
Es como descifrar signos sin ser sabio competente,
Volver a ser de repente tan frágil como un segundo
Volver a sentir profundo como un niño frente a Dios
Eso es lo que siento yo en este instante fecundo.


Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.


Mi paso retrocedido cuando el de ustedes avanza
El arco de las alianzas ha penetrado en mi nido
Con todo su colorido se ha paseado por mis venas
Y hasta la dura cadena con que nos ata el destino
Es como un diamante fino que alumbra mi alma serena.


Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.


Lo que puede el sentimiento no lo ha podido el saber
Ni el más claro proceder, ni el más ancho pensamiento
Todo lo cambia al momento cual mago condescendiente
Nos aleja dulcemente de rencores y violencias
Solo el amor con su ciencia nos vuelve tan inocentes.


Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.


El amor es torbellino de pureza original
Hasta el feroz animal susurra su dulce trino
Detiene a los peregrinos, libera a los prisioneros,
El amor con sus esmeros al viejo lo vuelve niño
Y al malo sólo el cariño lo vuelve puro y sincero.


Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.


De par en par la ventana se abrió como por encanto
Entró el amor con su manto como una tibia mañana
Al son de su bella diana hizo brotar el jazmín
Volando cual serafín al cielo le puso aretes
Mis años en diecisiete los convirtió el querubín."


Tradução:

"Voltar aos Dezessete"

"Voltar aos 17 depois de viver um século
É como decifrar sinais sem ser sábio competente
Voltar a ser de repente tão fragil como um segundo
Voltar a sentir profundo como um menino diante de Deus
Isso é o que sinto neste instante fecundo

Vai se envolvendo, envolvendo
Como no muro a hera
E vai brotando, brotando
Como o musgo na pedra
Como o musgo na pedra, ai sim, sim, sim.

Meu passo retrocede quando o de vocês avança
O arco das alianças penetrou em meu ninho
Com todo seu colorido passeou por minhas veias
E até a dura corrente com a qual nos prende o destino
É como um diamante fino que ilumina minha alma serena

Vai se envolvendo, envolvendo
Como no muro a hera
E vai brotando, brotando
Como o musgo na pedra
Como o musgo na pedra, ai sim, sim, sim.

O que pode o sentimento não o pode o saber
Nem o mais claro proceder, nem o maior dos pensamentos
Tudo o muda num momento qual mago condescendente
Nos afasta docemente de rancores e violências
Só o amor com sua ciência nos torna tão inocentes

Vai se envolvendo, envolvendo
Como no muro a hera
E vai brotando, brotando
Como o musgo na pedra
Como o musgo na pedra, ai sim, sim, sim.

O amor é um turbilhão de pureza original
Até o feroz aminal sussura seu doce som
Detém os pergrinos, liberta os prisioneiros
O amor com seus esforços ao velho o torna criança
E ao mal só o carinho o torna puro e sincero

Vai se envolvendo, envolvendo
Como no muro a hera
E vai brotando, brotando
Como o musgo na pedra
Como o musgo na pedra, ai sim, sim, sim.

De par em par a janela se abriu como por encanto
Entrou o amor com seu manto como uma fraca manhã
Ao som de sua bela Diana fez brotar o jasmim
Voando qual serafim ao céu lhe pôs brincos
Meus anos em dezessete os converteu o querubim"

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Final de Semana - "O Ideal é Competir"

Nesta sexta feira, salvo alguma mudança de última hora a Portela estará divulgado a sua sinopse para o carnaval 2013. Este fato, em si, é inédito: é a primeira vez desde que a atual administração assumiu a escola que temos a sinopse do enredo já em maio - o que irá propiciar mais tempo para os compositores e para a disputa em si.

Ainda sem título no momento em que escrevo, o enredo da Portela irá falar dos 400 anos da Freguesia de Irajá - que deu origem ao bairro de Madureira - e dos 90 anos da própria agremiação, ambos a se completar em 2013. Vamos aguardar a abordagem dada pela sinopse do carnavalesco Paulo Menezes, mas minha expectativa e torcida é de que o enredo tenha mais Portela e menos Madureira.

Faço esta introdução para dizer que hoje temos uma canção de exaltação à Portela em nossa faixa musical: "O Ideal é Competir", de autoria de Casquinha (que cheguei a conhecer pessoalmente) e Candeia. A versão é a de Paulinho da Viola, de seu cd "Bebadosamba".

Aliás, por falar em Paulinho não me surpreenderia se ele for uma espécie de "fio condutor" do enredo de 2013 da Portela, tal qual como feito por Clara Nunes neste 2012. É um palpite.

Vamos à letra da música.

"Quando a Portela chegou
A platéia vibrou de emoção
Suas pastoras vaidosas
Defendiam orgulhosas
O seu pavilhão
Portela
A luta é teu ideal
O que se passou, passou
Não te podem deter
Teu destino é lutar e vencer


Óh, minha Portela
Por ti darei minha vida
Óh, Portela querida
Óh, minha Portela
Por ti darei minha vida
Óh, Portela querida


És tu quem levas a alegria
Para milhares de fãs
És considerada, sem vaidade
Na cidade
Como super campeã das campeãs
Eu quisera ter agora
A juventude de outrora
Idade de encantos mil
Pra trilhar contigo passo a passo
No sucesso ou no fracasso
Pela glória do samba do Brasil"

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Final de Semana - "Batendo a Porta"



Recentemente foi lançado o que se denominou como "Samba Book" do cantor e compositor João Nogueira (1941-2000), um dos grandes do samba carioca e que faria 70 este ano caso vivo fosse. O "Samba Book" é um projeto onde se lançaram um livro, um CD duplo e um DVD das canções de João Nogueira interpretadas por vários próceres de nossa músicas - coordenados por Diogo Nogueira, seu filho.

De acordo com o site do projeto outros sambistas também ganharão seu "song book", nos mesmos moldes. Deste de João Nogueira comprei o CD duplo e o livro - o DVD ainda não.

As 24 músicas dos CDs contém algumas boas surpresas, como a interpretação da (bela, por sinal) cantora baiana Mariene de Castro para "Um Ser de Luz" e a honesta versão do grupo Revelação para "Mineira", ambas músicas em homenagem a Clara Nunes. Jorge Aragão também está muito bem em sua interpretação de "E Lá Vou Eu".

Entretanto, seleciono para nossa faixa musical esta semana aquela que é para mim a melhor interpretação deste "Samba Book": a sensacional versão de Leny Andrade para "Batendo a Porta", de Nogueira e Paulo Cesar Pinheiro. Leny não é exatamente uma cantora de samba mas está muito à vontade na faixa, mostrando que é uma das maiores intérpretes da música brasileira atualmente.

Vamos à letra:

"Como é que vai?
Saúde boa?
Não foi à toa que você mudou daqui
Pra melhorar
Mas pode entrar
A casa é sua
E não repare a casa humilde
Que você trocou por um solar
Pode sentar
Fique à vontade
Te deu saudade de um amor
Que infelizmente já não há
Pode falar
Pode sofrer
Pode chorar
Porque agora você não me ganha
Eu conheço essa manha
E não vou me curvar, mas
Pode tentar
Pode me olhar
Pode odiar
Pode até sair batendo a porta
Que a Inês já é morta do lado de cá."

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Bissexta - "Muito Ouro, Poucos Tolos"


Nesta segunda feira, véspera do aniversário do blog, a coluna "Bissexta", do advogado e grande amigo dos oficiais de justiça Walter Monteiro (em foto comigo ao final deste post, em Canela), fala um pouco não somente do blog como especula os motivos que podem ter me levado a batizá-lo com este nome.

Como expliquei no programa "Loucos Por Futebol" - que, aliás, terá reprises hoje às 17:30 e às 02 da manhã e amanhã às 20 horas, na Espn Brasil - o título do blog vem sim da canção, em especial do sentimento que Raul Seixas expressa de ter conquistado tudo em termos materiais mas ainda se sentir vazio. 

Era o que sentia àquele momento, de certa forma ainda um pouco hoje - mas sobre isso falarei amanhã. Se fosse resumir em um verso da canção, seria nestes: "eu devia estar contente por ter um emprego / sou um dito cidadão respeitável / e ganho 4 mil cruzeiros por mês". Mas a canção como um todo representa o espírito inicial do blog.

Vamos ao texto, nesta programação especial de aniversário. Hoje, amanhã e quarta teremos vários posts e colunas especiais. O vídeo é uma versão da canção interpretada por Caetano Veloso, que eu não conhecia e gostei muito. Ele também vale pelas imagens dos tempos da ditadura e redemocratização do país.

Muito Ouro, Poucos Tolos

Eu já perdi a conta de quantos artigos escrevi aqui para o Migão. Um montão deles, é fato [N.do.E.: contando com este, são 75].

Até do aniversário do Blog eu já falei. Como tenho o péssimo hábito de não arquivar os textos que escrevo (ou arquivá-los de forma caótica, em diferentes computadores), preciso confiar na memória para não repetir em 2012 o que disse em 2011. Ou, pior ainda, desdizer agora o oposto do que disse antes, que é outra música do mesmo Raul que deu nome ao blog.

Aliás, por que cargas d´água o blog se chama Ouro de Tolo?

Nunca perguntei, nunca entendi. Eu conheci o Editor Chefe em uma lista de discussão de rubro-negros enlouquecidos. Tem loucos de todo gênero por ali, mas o Migão cumpre um papel muito especial: é o pessimista de plantão. Eu o conheço há quatro anos, mas tem quem conheça há 10 e durante toda essa década ouviu a mesma conversa monocórdica: o Flamengo será rebaixado, o treinador é um imbecil e tem sempre um jogador em particular para canalizar todo o ódio migônico.

Para quem conhece o Editor só dessas listas, só dá para concluir que o blog leva esse nome em homenagem aos versos “ah, mas que sujeito chato sou eu, que não acha nada engraçado”.

Hoje mesmo [N.do.E.: a coluna foi escrita na última sexta feira] tinha gente duvidando do Editor ao vê-lo sorridente em uma foto. Que fama, hein, caro Chefe?

Por outro lado, é possível imaginar que a inspiração venha de outro trecho: “eu devia estar sorrindo e orgulhoso, por finalmente ter vencido na vida, mas eu acho isso uma grande piada”. Assim são os colunistas aqui do blog, gente que venceu na vida, que não ganhou nada de mão beijada, que batalhou e correu atrás e hoje vive melhor que a geração dos pais.

Seria o caso da gente se ufanar a todo momento do sentimento do dever cumprido, sei lá, cultivar até um certo ar pedante para comemorar nossas conquistas. Mas a gente segue assim, sorrindo, preferindo dividir semanalmente com o leitorado nossas impressões da vida.

Porque a gente tem a grande vantagem de pelo menos saber que é “humano, ridículo, limitado, que só usa 10% da cabeça animal, acreditando contribuir com nossa parte para o nosso belo quadro social”. Será que foi daí que o Migão sacou o nome?

Sei lá, o Migão fundou o blog na perspectiva de dar vazão ao seu instinto produtor de ideias. Podem olhar lá no comecinho de tudo que ele postava freneticamente: entretanto, era um lance dele, das coisas dele, do modo dele ver o mundo.

Mas aos poucos o blog foi ganhando outra feição: foi virando uma revista eletrônica plural, onde convivem diferentes linhas de pensamento, onde os temas são muito variados, onde impera a diversidade.

E isso foi algo natural, não planejado, sem dificuldades intrínsecas. Bom, como o Editor Chefe é ranzinza, “ele deve estar contente por ter conseguido tudo que quis, mas decepcionado por ter sido tão fácil conseguir”. Daí a homenagem a Raul Seixas.

Eu olho esses versos, todos os versos, não consigo encontrar uma explicação definitiva. Eu acho até que na canção original o finado Raul começou bem, mas como terminou “vendo um disco voador no cume calmo do que seus olhos viam”, estava revelando a todos que concluíra a letra já embalado por seu passatempo predileto naquele comecinho dos anos 70, que era se entregar de corpo e alma às experiências psicotrópicas. Quem é que vê discos voadores por cima das “cercas embandeiradas que separam os quintais”? Só um doidão mesmo...

É curioso que uma letra, digamos, lisérgica, tenha batizado esse nosso bloguezinho. Eu digo nosso porque ele é uma construção coletiva, não apenas dos colunistas daqui, mas do público leitor, altamente qualificado. É uma delícia dialogar com os leitores daqui, é certo que há uma ferramenta louca que barra a turma de baixo potencial cognitivo já na entrada. Foi Raulzito quem desenhou, lá do céu, essa magia toda, que só deixa a gente enxergar ouro nessas páginas virtuais.

Porque, acreditem, apesar do nome um tanto quanto infame, o que menos se vê aqui no blog é gente tola.

Que venham outros aniversários. Ein Prosit!


sexta-feira, 11 de maio de 2012

Final de Semana - "Bastidores"

Nossa faixa musical hoje traz uma canção que foi alvo de comentários no Twitter dias atrás. Não tanto pela canção, um clássico de Chico Buarque, mas pela espetacular interpretação de um dos grandes nomes de nossa música e que, infelizmente, está caindo no esquecimento: Cauby Peixoto.

Lamento profundamente o esquecimento a que grandes intérpretes como Cauby estão sendo relegados em prol de bobagens de gosto bastante duvidoso. Não me conformo, por exemplo, em ver Elisete Cardoso completamente esquecida apenas 20 anos depois de sua morte. E há outros casos.

Leitor, deleite-se com o vídeo.

"Bastidores"

Chorei, chorei
Até ficar com dó de mim
E me tranquei no camarim
Tomei o calmante, o excitante
E um bocado de gim
Amaldiçoei
O dia em que te conheci
Com muitos brilhos me vesti
Depois me pintei, me pintei
Me pintei, me pintei

Cantei, cantei
Como é cruel cantar assim
E num instante de ilusão
Te vi pelo salão
A caçoar de mim

Não me troquei
Voltei correndo ao nosso lar
Voltei pra me certificar
Que tu nunca mais vais voltar
Vais voltar, vais voltar

Cantei, cantei
Nem sei como eu cantava assim
Só sei que todo o cabaré
Me aplaudiu de pé
Quando cheguei ao fim

Mas não bisei
Voltei correndo ao nosso lar
Voltei pra me certificar
Que nunca mais vais voltar
Cantei, cantei
Jamais cantei tão lindo assim
E os homens lá pedindo bis
Bêbados e febris
A se rasgar por mim

Chorei, chorei
Até ficar com dó de mim

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Final de Semana - "Bichos Escrotos"


Neste final de semana nossa faixa musical traz um dos primeiros sucessos dos Titãs: "Bichos Escrotos". Tenho um motivo para colocar a canção aqui, embora prefira não declinar qual.

A canção é apresentada em versão ao vivo de 2006, gravada no festival gaúcho "Planeta Atlântida". Vamos à letra:

"Bichos!
Saiam dos lixos
Baratas!
Me deixem ver suas patas
Ratos!
Entrem nos sapatos
Do cidadão civilizado...

Pulgas!
Que habitam minhas rugas
Oncinha pintada
Zebrinha listrada
Coelhinho peludo
Vão se foder!
Porque aqui
Na face da terra
Só bicho escroto
É que vai ter...

Bichos Escrotos
Saiam dos esgotos
Bichos Escrotos
Venham enfeitar
Meu lar!
Meu jantar!
Meu nobre paladar!...

Bichos!
Saiam dos lixos
Baratas!
Me deixem ver suas patas
Ratos!
Entrem nos sapatos
Do cidadão civilizado...

Pulgas!
Que habitam minhas rugas
Oncinha pintada
Zebrinha listrada
Coelhinho peludo
Vão se foder!
Porque aqui
Na face da terra
Só bicho escroto
É que vai ter...

Bichos!
Baratas!
Ratos!
Cidadão civilizado
Pulgas!
Oncinha pintada
Zebrinha listrada
Coelhinho peludo
Vão se foder!
Porque aqui
Na face da terra
Só bicho escroto
É que vai ter...

Bichos Escrotos
Saiam dos esgotos
Bichos Escrotos
Venham enfeitar
Meu lar!
Meu jantar!
Meu nobre paladar!..."

Migonianas Culturais


O  leitor deve ter percebido que ando meio sem tempo para escrever sobre alguns assuntos palpitantes - embora a CPI do Cachoeira e a vergonhosa tentativa de abafar a investigação da conduta de certos órgãos de imprensa neste imbroglio estejam na pauta para a semana que vem. 

Mas hoje quero comentar ainda que rasteiramente algumas notícias culturais desta última semana, inaugurando uma nova seção neste blog, a "Migonianas".

Memórias de Uma Guerra Suja


Sem dúvida alguma o lançamento literário que está causando maior repercussão depois do "Privataria Tucana" é o livro titulado acima - cuja capa pode ser vista no alto do post. Tratam-se das memórias de um ex-integrantes do aparato de repressão policial da Ditadura, que com crises de consciência resolveu contar o que sabe. E as revelações são estarrecedoras.

O leitor mais antigo deste blog sabe que sou a favor de alguma forma de levar ex-torturadores ao banco dos réus, como escrevi em outras ocasiões. Vale lembrar que ao fim e ao cabo a Anistia acabou sendo muito mais aos torturadores que aos opositores do Regime Militar, pois estes foram presos, cumpriram pena, foram torturados, mortos e exilados. Os algozes continuam flanando por aí - a ponto de um deles ser o presidente de fato de uma conhecida agremiação carnavalesca tendo como apelido o próprio codinome que utilizava como torturador.

Entre outras revelações, o livro traz que opositores do regime foram incinerados no forno de uma usina de cana de açúcar em Campos (RJ), que o Delegado Sergio Fleury, um dos maiores carniceiros do regime, foi na verdade assassinado como "queima de arquivo" e que Leonel Brizola (abaixo, em foto de época) sofreu duas tentativas de assassinato - em uma delas com a intenção de responsabilizar a Igreja Católica pelo crime. Ainda conta em detalhes o episódio da bomba no Riocentro em 1981.

Na Livraria da Travessa o livro já se encontra disponível, ao custo de R$ 34 - já encomendei meu exemplar. Parece tão impressionante como livro sobre a Guerrilha do Araguais que li anos atrás, que é estarrecedor. Este é assunto que deve sempre se relembrar - para que jamais se repita.


Eva Perón

Na última quarta feira peguei meio de relance um documentário do canal Globonews - que, aliás, quando não quer fazer política partidária oferece coisas bastante interessantes - sobre a ex-primeira dama da Argentina Eva Perón, apelidada "Evita" pelo povo argentino e que morreu precocemente há sessenta anos, vítima de um câncer.

O programa - que pode ser visto aqui - tem como principal atrativo as imagens de época, que trazem especialmente comícios com centenas de milhares de pessoas em uma época onde não havia sequer televisão, apenas o rádio. Sem entrar em juízos de valor político, são impressionantes as demonstrações de apreço pela figura da então primeira dama, que se transformou em um mito no país platino.

Também vale a pena pela história do embalsamamento e depois roubo de seu corpo, que seria encontrado na Itália e posteriormente entrerrado em Buenos Aires a metros de onde, ironicamente, repousa o sepulcro do general que ordenou o sequestro.


Ney Matogrosso

Na nossa faixa musical da semana passada tinha dito que veria o show do cantor Ney Matogrosso na nova casa de shows Miranda, na Lagoa. Estive no último sábado.

A casa em si é muito mais um bar com música ao vivo que propriamente uma casa de shows. É pequena (talvez uns 250 lugares, o que explica os salgados preços de ingressos) e tem toda a arrumação espacial mais típica de um bar. O palco é bem pequeno, como se pode tentar ver na (mal tirada) foto acima. Assisti ao show na fila do gargarejo, a uns dois metros do cantor - que, registre-se: iniciou pontualmente às 22:05 conforme anunciado.

O show em si é bem legal, passando por várias épocas da música brasileira. Ney Matogrosso está em plena forma e possui um domínio de palco e de platéia bastante intenso, ainda mais se levando em conta de que é um senhor na faixa dos 70 anos - embora não pareça.

Entretanto, há um senão sério: com bis e tudo, dura exata 1 hora e dez minutos de duração. Levando-se em conta o que paguei nos ingressos, não valeu a pena - e nada contra o artista. Outra coisa é que a anunciada "carta de cervejas" da casa se limitava a Budweiser, Bohemia e Stella Artoais - ou seja, sem comentários.

Lamentavelmente não consegui fazer nenhum registro em vídeo, mas leitor: em uma outra casa de espetáculos, com preços menos salgados, Ney Matogrosso vale muito a pena. A se registrar também que não se deve beber e dirigir, mas sem transporte público e sem oferta de táxis para o retorno fica complicado...

(Foto de Brizola: Conversa Afiada)