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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Dia de Natal


Bom, meus leitores devem ter pensado que eu surtei de vez. Nada disso.

Na minha tradição religiosa, 23 de Dezembro é o dia em que, por analogia, comemoramos o nosso Natal.

Meishu-Sama - em português, "Senhor da Luz" - nasceu Mokiti Okada em 23 de dezembro de 1882, em Tóquio, Japão. Teve uma infância repleta de problemas de saúde e financeiros, mas sempre demonstrando uma disposição inabalável para superar as adversidades e completar a sua formação.

Após a morte do pai abriu a "Loja Okada", a qual engendraria grande sucesso, inclusive detendo a patente de um adorno feminino de cabelos em dez países - o "Diamante Asahi". Entretanto, foi a falência duas vezes e em 1929, aos 37 anos, doou a loja aos seus funcionários - esta vivia período de grande prosperidade - e abraçou a causa religiosa. 

Ele havia recebido a primeira Revelação Divina em 1926. Em 1931 no topo do Monte Nokoguiri recebeu a Revelação da Transição da Era da Noite para a Era do Dia, pilar da doutrina de nossa Igreja.

Casou-se duas vezes e teve filhos. 

Em 1935 fundou a Igreja Messiânica Mundial para a difusão do Johrei. Eram tempos pré-Segunda Grande Guerra e a nascente Obra de Salvação da humanidade enfrentou muitas dificuldades e perseguições. Meishu Sama foi preso por duas ocasiões, mas nunca esmoreceu.

Após o término da Segunda Guerra construiu os três Solos Sagrados japoneses, nas cidades de Hakone, Atami e Kyoto, bem como um dos mais importantes museus de arte japoneses. O Brasil tem o seu Solo Sagrado, localizado às margens da Represa de Guarapiranga, em São Paulo - aqui e aqui o leitor pode ver fotos do Solo Sagrado Brasileiro.

Meishu-Sama ascendeu ao Mundo Divino em 10 de fevereiro de 1955, aos 72 anos.

Receba nesta data a minha Gratidão. É Natal, 129º aniversário de nosso Fundador.

Reproduzo abaixo três Ensinamentos - disponíveis no site da Igreja Messiânica - que resumem a essência da filosofia da Fé e, também, mostram a importância do equilíbrio em nossas palavras, atos e ações:


"Doutrina da Igreja Messiânica Mundial

Nós, messiânicos, cremos em Deus, Criador do Universo. Cremos que, desde o início da Criação, Deus objetivou estabelecer o Céu na Terra e tem atuado continuamente para a concretização desse objetivo. Com tal propósito, fez do ser humano o Seu instrumento para servir ao bem-estar da humanidade, condicionando a ele todas as demais criaturas e coisas. Cremos, portanto, que a história humana do passado constitui estágios preparatórios, degraus para se alcançar o Céu na Terra. Para cada época, Deus envia o Seu mensageiro e as religiões necessárias, cada qual com sua missão.

Cremos que, no presente, quando o mundo vagueia em tão caótica situação, Deus enviou o Mestre Meishu-Sama, fundador da Igreja Messiânica Mundial, com a suprema missão de realizar o Seu sagrado objetivo de salvar toda a humanidade. Por conseguinte, visando à concretização do Mundo Ideal, de eterna paz, perfeitamente consubstanciado na VerdadeBem-Belo, empenhamo-nos em fazer sempre o melhor, erradicando a doença, a pobreza e o conflito, as três grandes desgraças que assolam este mundo.

(11 de março de 1950)"


"O Que é a Igreja Messiânica Mundial

A Igreja Messiânica Mundial tem por finalidade construir o Paraíso Terrestre, criando e difundindo uma civilização religiosa que se desenvolva lado a lado com o progresso material.

Não há dúvida de que “Paraíso Terrestre” é uma expressão que se refere ao mundo ideal, onde não existe doença, pobreza nem conflito. O “Mundo de Miroku”, anunciado por Buda, a chegada do “Reino dos Céus”, profetizada por Cristo, a “Agricultura Justa”, proclamada por Nitiren, e o “Pavilhão da Doçura”, idealizado pela Igreja Tenrikyo, têm o mesmo significado. A diferença é que não se fez indicação de tempo. Mas eu cheguei à conclusão de que o momento se aproxima. E o que significa isto? É a hora da “Destruição da Lei”, prevista por Buda, e do “Fim do Mundo” ou “Juízo Final”, profetizado por Cristo.

Seria uma felicidade se o Paraíso Terrestre pudesse ser estabelecido sem que isso afetasse o homem. Antes, porém, é indispensável destruir o velho mundo a que pertencemos. Para a construção do novo edifício, faz-se necessária a demolição do prédio velho e a limpeza do terreno. Deus poupará o que for aproveitável – e a seleção será feita por Ele. Eis a razão pela qual é importante que o homem se torne útil para o mundo vindouro.

Ultrapassar a grande fase de transição significa ser aprovado no exame divino, e a Fé é o único caminho para obtermos aprovação. As qualificações para ultrapassar essa fase são as seguintes:

a) tornar-se um homem verdadeiramente sadio, e não apenas na aparência;
b) um homem que se libertou do sofrimento da pobreza;
c) um homem que ama a paz e detesta o conflito.

Deus resguardará aqueles que tiverem essas três grandes qualificações e deles se utilizará, como entes preciosos, no mundo que vai surgir. Certamente não há discordância entre os desígnios de Deus e os ideais do ser humano. Portanto, haverá um caminho que permita estabelecer as condições requeridas. Mas como poderemos obtê-las?

Nossa Igreja tem por objetivo orientar as pessoas e transmitir-lhes a Graça Divina, possibilitando-lhes criar tais condições.

(25 de janeiro de 1949)


(acima: Reverendíssimo Tetsuo Watanabe, Presidente Mundial da Igreja)


"Daijo, Shojo, Izunomê

Daijo” ilustra o aspecto horizontal da vida; “Shojo”, o vertical. A atividade de “Daijo” é semelhante à da água, que se estende perpetuamente em nível horizontal. “Shojo” é a atividade do fogo. Restrito, queima em profundidade e dirige suas chamas para o alto; une o homem a Deus. “Daijo” une irmão com irmão.

O princípio de “Shojo” é estrito e intransigente. A vida das pessoas com temperamento “Shojo” é regida por padrões freqüentemente rígidos e restritos. O indivíduo “Shojo” tende a ser mais crítico do que os outros e a classificar as coisas como “boas” ou “más”. 

Os indivíduos de temperamento “Daijo” são geralmente liberais e estão sempre dispostos a mudar. Por outro lado, podem tender a um liberalismo excessivo, faltando-lhes uma orientação espiritualmente profunda.

Izunome simboliza a cruz equilibrada, indicando a perfeita harmonia entre os princípios horizontal e vertical.

Até agora, o Leste se manteve no nível vertical e o Oeste no nível horizontal. Durante a Era da Noite, foi assim que a Providência Divina estabeleceu o plano espiritual.

Os povos orientais mostram-se mais inclinados a reverenciar o culto aos ancestrais, a virtude da lealdade e a piedade filial. Por isso, mantêm um estrito sistema hierárquico. No Oeste, enfatiza-se a afeição entre marido e mulher, expandindo o amor ao próximo e a toda a humanidade.

O Cristianismo é “Daijo” e, assim, difundiu-se pelo mundo inteiro. Nele se acentua a importância do amor fraterno, atividade em nível horizontal.

O Budismo é “Shojo”; sua essência fica restrita a grupos específicos. Acentua-se a importância da meditação, com o fim de alcançar a sabedoria e a auto-realização. Essa atividade é vertical — profunda e dirigida para o alto — e induz seus discípulos a viverem retirados do mundo.

Como o Leste representa o nível vertical e o Oeste o nível horizontal, há muito pouca compreensão entre ambos, o que freqüentemente tem dado margem a conflitos.

É chegado, contudo, o momento de os princípios vertical e horizontal se harmonizarem para formar a cruz equilibrada — Izunome. O resultado será uma feliz união das civilizações oriental e ocidental. Só então a humanidade poderá viver o Paraíso na Terra. A Igreja Messiânica Mundial nos dá a consciência de que esse Paraíso pode tornar-se uma realidade através da Luz de Deus.

Devemos ser flexíveis e agir dde acordo com as situações, ora aderindo ao princípio de “Shojo”, ora aplicando o método “Daijo”, mas sempre voltando ao ponto central, Izunome. 

“Daijo” é abrangente incluindo tudo, inclui também “Shojo”. De modo geral, é bom agir conforme as circunstâncias, mas nunca esquecendo o princípio sobre o qual baseamos a nossa ação. Mesmo tendo “Shojo” como princípio orientador, convém agir à maneira “Daijo”.

Não obstante, seria perigoso empregarmos somente “Daijo”. Os jovens, especialmente, poderiam tender a uma demasiada auto-indulgência. “Shojo” estabelece o princípio vertical, no qual tudo deve ser baseado, antes de adotar o princípio “Daijo”, de expansão horizontal. Assim, pode-se atingir o perfeito equilíbrio entre ambos, ou seja a cruz equilibrada Izunome."



O atual e quarto Líder Espiritual da Igreja Messiânica Mundial é Yoiti Okada (foto acima), neto do Fundador, intitulado Kyoshu Sama. Tive a oportunidade de estar presente em São Paulo por ocasião de sua visita missionária, em novembro de 2009 - contei esta história aqui e aqui.

E aqui o leitor interessado pode baixar um vídeo com um resumo deste Culto, inclusive com a saudação de nosso Líder Espiritual.

Eu fui criado desde pequeno na Igreja, por intermédio de duas tias - uma delas, já falecida - e posteriormente minha mãe. Tornei-me membro da Igreja em 1987 e posso dizer que exerci dedicação (trabalho voluntário) em praticamente todos os setores da instituição. É a base de minha vida e esteio para os momentos da vida. A foto abaixo é de maio de 2008, Solo Sagrado.


Feliz Natal de Meishu-Sama !

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Saudade Sim, Tristeza Não


02 de novembro, em muitas tradições religiosas - especialmente a religião cristã - é um dia de contrição e tristeza. Dia de lembrar os entes queridos que se foram.

Para nós messiânicos, ao contrário, amanhã é dia de festa. É dia de cultuar os nossos antepassados, lembrar-lhes, fazer-lhes as devidas reverências e recebê-los em nossos lares limpos, asseados e com flores e música. 'Saudade sim, tristeza não', como diz um eminente pároco da própria Igreja Católica.

Todo ano, no Solo Sagrado do Brasil - nosso principal templo, como mostrei aqui em outras ocasiões e local da foto de hoje - e nas igrejas de todo o país há a Prece às Almas dos Antepassados.

É dia de colocar a melhor roupa, limpar a casa, lembrar de nossos bons momentos e expressar gratidão a todos os que nos antecederam e abriram caminho para a nossa existência. Agora eles estão em outro plano, outra dimensão, mas sempre empenhados no Plano Divino. Em nossa tradição religiosa, é o dia único do ano onde nossos entes queridos que se encontram na outra dimensão podem estar mais próximos à gente.

Quanto mais felizes e desapegados estamos, mais felizes eles também estarão no Mundo Espiritual.

Aproveito para disponibilizar aos leitores o Ensinamento que será lido amanhã tanto no Solo Sagrado quanto em todas as Unidades Religiosas brasileiras. De autoria de Mestre Meishu Sama (Mokiti Okada), nosso Fundador, é um convite à reflexão.

"Praticar ações úteis ao próximo e ao mundo torna-se virtude. Somar virtude significa praticar inúmeras vezes essas ações. A melhor maneira de somar virtude é ministrar Johrei e conduzir pessoas à Fé Messiânica. Dar esmolas e fazer caridade é temporário, não é duradouro. Por isso, não há forma melhor de somar virtude do que ingressar na Fé que salva o próximo para sempre.

Somando virtude, grande número de pessoas sente gratidão pelo seu benfeitor. Essa Luz da gratidão, tornando-se um nutriente, fortalece-lhe o espírito. (...) O espírito se fortalecendo, a sua Luz aumenta, e, consequentemente, ele sobe de nível nas camadas do Mundo Espiritual; a felicidade e as boas coisas também aumentam.

Quanto à virtude oculta, é a prática de boas ações sem o conhecimento de outras pessoas. Geralmente, nos recintos dos santuários existem placas onde se coloca o valor das contribuições. Aquilo é do conhecimento de todos; portanto, é virtude ostensiva. Quando o fato é do conhecimento das pessoas, o benfeitor já estará recebendo a recompensa merecida, mas quando não é, Deus é quem concede a recompensa. Assim, tratando-se de virtude, a oculta é bem melhor. No entanto, o homem não se sente satisfeito se não aparecer...

Devemos praticar boas ações fazendo o possível para que elas não sejam do conhecimento das outras pessoas. Se procedermos assim, Deus nos devolverá o bem multiplicado várias vezes. A soma de virtude oculta é algo surpreendente. As pessoas da atualidade não estão cientes disso, e por esse motivo só praticam virtude ostensiva.

30 de julho de 1949

Fonte: O Pão Nosso de Cada Dia - pag. 324"

Para saber mais: Igreja Messiânica

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Final de Semana - "Ê Baiana"


Nossa já tradicional coluna de final de semana, hoje antecipada, traz uma canção que acabou ficando atualíssima após o anúncio do enredo pela minha querida Portela: "Ê Baiana".

Conforme já haviam me alertado, a sinopse divulgada na última terça feira traz como fio condutor do enredo sobre as festas religiosas da Bahia as canções da grande Clara Nunes, ícone portelense e que faleceu prematuramente em 1983. Não deixa de ser uma grande homenagem à cantora, que se viva fosse completaria 70 anos em 2012.

Então, nada melhor que "Ê Baiana", em gravação com as baianas da escola, para abrilhantar este final de semana:

"Ê Baiana"

(Composição: Fabricio da Silva/Baianinho/Enio Santos Ribeiro/Miguel Pancracio)

Ê baiana
Ê ê ê baiana, baianinha
Ê baiana
Ê ê ê baiana

Baiana boa
Gosta do samba
Gosta da roda
E diz que é bamba
Baiana boa
Gosta do samba
Gosta da roda
E diz que é bamba

Olha, toca a viola
Que ela quer sambar
Ela gosta de samba
Ela quer rebolar
Toca a viola 
Que ela quer sambar
Ela gosta de samba
Ela quer rebolar

Ê baiana
Ê baiana
Ê ê ê baiana, baianinha
Ê baiana
Ê ê ê baiana"


A Portela será a segunda escola a desfilar no domingo de carnaval, ou seja, a pior posição daquelas que foram para o sorteio. O enredo é bom e Paulo Menezes é um carnavalesco muito talentoso.

Vamos aguardar o desenrolar de duas questões que nos últimos anos vem sendo críticas à escola- a disponibilidade de recursos financeiros e a disputa de samba - para tentar prever suas possibilidades. A nova direção de carnaval parece empenhada em assegurar os recursos necessários e vamos ver se teremos uma disputa de samba digna do nome, algo que não ocorreu nos últimos anos.

Sendo "à vera", a chance de sair o melhor samba portelense desde 1998 é bastante grande. Já podemos afirmar, entretanto, que será bastante curioso ver a águia com um enredo de temática "afro-light" (embora não se resuma a isso), algo bastante diferente da característica tradicional da escola. 

Por outro lado nós portelenses estaremos bem vestidos e isso é a nossa cara. E que o Senhor do Bomfim (acima) nos proteja!

Vamos à sinopse, retirada do site "PortelaWeb":

SINOPSE DO ENREDO:

GRES PORTELA - Carnaval 2012

Presidente: Nilo Mendes Figueiredo
Coordenadores de Carnaval: Alex Fab e Junior Escafura
Carnavalesco: Paulo Menezes
Diretor de Harmonia: Marcelo Jacob

Enredo: “. . .E o povo na rua cantando é feito uma reza, um ritual…”

Pequena Prece ao Senhor do Bonfim:

Salve, meu Pai Oxalá, Meu Senhor do Bonfim!
Senhor do branco, pai da luz.
Força divina do amor…
Epa Babá!
Meu pai, “… sou filha de Angola, de Ketu e Nagô
Não sou de brincadeira
Canto pelos sete cantos
Não temo quebrantos
Porque eu sou guerreira
Dentro do samba eu nasci,
Me criei, me converti
E ninguém vai tombar a minha bandeira.”

E venho a ti pedir sua benção e proteção, e pedir, também, licença aos meus padroeiros, para conduzir a minha águia altaneira, o meu altar do samba, até a sua presença.

Sabe, meu senhor, sempre fomos muito festeiros, muito devotos, e gostaria muito que o meu povo conhecesse o seu povo e a sua maneira de festejar, de reverenciar a sua crença, a sua fé.

Por muitas vezes cantei a Bahia, agora chegou a hora de mostrá-la.

“… essa Bahia gostosa
Cheia de encanto e feitiço
Que deixa a gente dengosa
E a gente nem dá por isso”

Bahia que tem o dom de encantar.

Terra em que o branco e o negro, o sagrado e o profano, o afro e o barroco se misturam e se tornam uma coisa só. No mar da Bahia, tudo e todos se misturam.

Bahia de vários corações… sagrados corações.

Terra de cores, cheiros e temperos.

Terra de festas e de fé, de santos e orixás.

Terra de samba.

Terra de amor e devoção.

A Bahia é festa o ano todo e o povo vai pra rua manifestar a sua fé.

“… E esse canto bonito que vem da alvorada.”

Alvoradas, missas, procissões, afinal “quem tem fé vai a pé”.

Novenas, flores, fitas, águas e perfumes.

Cortejos, fiéis e cânticos.

Velas, orações e adoração.

Gente que dança!

Tambores e atabaques, samba de roda, batucadas.

Comidas, pois festa sem comida não é na Bahia.

Gente que canta!

Canta pro santo, canta pro orixá. Canta para os dois ao mesmo tempo. É o sincretismo se fazendo presente.

Louva a alegria, a liberdade, a esperança.

Gente que pula!

Pula como pipoca, como cordeiro, em blocos e trios. Transforma as ruas em um mar branco, de paz.

Mar branco, mar vermelho, mar azul. Bahia é feita de mar, é feita de água.

Gente que louva!

Beatos, filhos-de-santo, padres, mães-de-santo, fiéis e iaôs, todos juntos num mesmo ideal. Deuses e mortais, passado e presente.

Altares e terreiros, tudo é mistério. As divindades tão próximas e tão íntimas. O milagre da cumplicidade com o sagrado.

A luz dos orixás refletida nos olhares.

“… Tem um mistério que bate no coração

Força de uma canção que tem o dom de encantar.”

É dia de festa na Bahia. Não importa como começou. Não importa se um dia tudo vai terminar, pois o riso e o gesto já estão gravados na eternidade, no céu e no mar.

Bem aventurados todos aqueles que puderem ver a Bahia em festa.

E neste momento, meu Senhor, vejo que tudo aquilo que move o baiano: a fé, a alegria, a esperança, a crença e a devoção, move também o meu povo, o portelense.

Um povo que nunca desiste, vive a sorrir e a festejar.

E que essa Bahia que é de Todos os Santos, seja a partir de então dos santos da Portela também, que eles passem a fazer parte do seu panteão, estendendo sobre eles o seu divino manto e nos conduza a um desfile triunfal sobre o altar do carnaval.

Bem aventurados aqueles que puderem ver a Portela em festa.

Afinal,

Sou Clara,
Sou Portela,
Sou Guerreiros,
Sou Amor!
Salve o manto azul e branco.
Amém!

(Paulo Menezes)

(Enredo: Paulo Menezes e Marquinhos de Oswaldo Cruz)"

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Sobre o aborto


Estou para escrever sobre este assunto há algum tempo, mas havia faltado oportunidade e mesmo achar o tom certo para o tema.

Eu me considero uma pessoa razoavelmente progressista. Tenho defendido diversas posições alinhadas aos setores de vanguarda da sociedade, em diversos aspectos. Escrevi há bastante tempo sobre a união homoafetiva, que ganhou jurisprudência na última semana em rara decisão acertada do Supremo Tribunal Federal.

Entretanto, há um tema onde sou absolutamente conservador, e nestas linhas explicarei o porquê: o aborto. Sou radicalmente contra.

Meu posicionamento é simples: sou partidário da tese de que a vida começa na concepção. A partir daquele momento, há uma vida, e há direitos a serem preservados como os de qualquer pessoa que habite este planeta. O direito à vida é o primeiro deles.

Abortar uma criança é a mesma coisa, a meu ver, que uma execução à queima roupa. Não há chance de defesa e sequer possibilidade de que o ser ali instalado possa escapar deste ato. Considero que a lei brasileira atual, que permite em caso de estupro e má-formação, é adequada. Cabe apenas acabar com a hipocrisia de clínicas de alta renda que cobram valores extorsivos para tal procedimento e trabalham sem serem incomodadas pelo poder público.

Por outro lado, sou a favor da democratização dos métodos contraceptivos. Sabemos que a maior parte de gravidezes consideradas "indesejadas" advém de relações sexuais que visavam apenas o prazer, não estando em relações estáveis ou estabilizadas.

Métodos como a pílula, a camisinha e o DIU deveriam, a meu ver, serem distribuídos de forma democrática e em proporções que permitissem a todos aqueles que quisessem manter relações obter as formas de se proteger e evitar uma gravidez.

Entretanto, entramos aí em uma seara complicada, que é a atuação da Igreja Católica. Esta em sua atuação vem caminhando a cada dia mais a uma posição retrógrada e que defende a ausência de métodos anti-conceptivos. 

Em muitos lugares a política de distribuição de preservativos e pílulas empreendida pelo governo sofre oposição declarada da instituição religiosa, o que acaba se tornando um contrasenso - ocorrem gestações decididamente indesejadas e acaba ocorrendo o mal maior: o aborto, muitas vezes com sérios prejuízos à saúde da mulher.

Não temos porque tapar o sol com a peneira: a vida sexual dos jovens se inicia cada vez mais cedo e precisa haver uma orientação a fim de que estes adolescentes tenham orientação sobre as consequências de seus atos. Há a necessidade de acesso à informação a fim de que haja a necessária prevenção, não somente a uma gravidez quanto a doenças sexualmente transmissíveis.

O discurso da Igreja Católica de que os fiéis devem manter abstinência até o casamento é muito bonito na teoria, mas praticamente não é o que acontece. A vida sexual dos jovens se inicia a cada dia mais cedo e se faz necessário que haja a consciência dos métodos e das formas de prevenção.

É algo que falta a certos setores da sociedade: pragmatismo. Prefiro democratizar o preservativo e a pílula a defender o aborto. Se houvesse esta noção não teríamos o número atual de um milhão e meio de abortos estimados por ano no Brasil. Um milhão e meio de vidas ceifadas, fora as mulheres vítimas de procedimentos inadequados.

Quantos abortos poderíamos evitar se democratizássemos o acesso à camisinha ou a pílula e não contássemos com a hipocrisia da Igreja Católica, que tolera casos e casos de pedofilia em suas fileiras mas prega que quem usa camisinha vai direto para o inferno. É absolutamente uma grande incoerência.

Por isso que escrevo que sou a favor de uma política nacional de acesso a meios contraceptivos: para impedir o que é o mal maior, uma vida covardemente limada. Por outro lado, quem é pai como eu sou não pode entender como simplesmente se abrevia a possibilidade de se ver um sorriso de criança.

Finalizando, considero que também não serei radical a ponto de negar atendimento a mulheres que procuram hospitais devido a procedimentos de aborto mal sucedidos. No quadro atual, onde é limitado e estigmatizado o uso da camisinha ou da pílula é algo que ocorre e com grande frequência. Estaria se combatendo o efeito sem mexer na causa.

Voltarei ao tema.


sábado, 23 de abril de 2011

A Médica e a Jornalista - "Dissecando a Páscoa"


O leitor mais atento do Ouro de Tolo sabe que professo uma religião oriental, sobre a qual já dediquei alguns posts nestes quase dois anos de vida do blog. Fui criado nesta tradição e, apesar de chegar a ter sido batizado não tenho muito conhecimento teórico das festas e costumes cristãos.

Entretanto, nesta Semana Santa nossa colunista Anna Barros traz um texto muito interessante sobre o significado da Páscoa cristã. Neste mundo cada vez mais materialista e egoísta, vagando em tão caótica situação, é sempre importante professarmos nossa Fé, seja qual for e sem radicalismos ou fanatismos.

Vamos ao texto, onde eu mesmo aprendi muito sobre o significado.

Dissecando a Páscoa

A Páscoa tem um significado especial para os cristãos. Ela representa o amor de Cristo por nós.

Jesus se sacrificou, mesmo sendo na teologia cristã metade homem e metade Deus, para nos salvar e nos conceder a Vida Eterna. É uma das festas que mais gosto no nosso calendário, mas que infelizmente perdeu um pouco o significado para alguns por causa do comércio dos ovos de Páscoa. Temos que relembrar a todos que a Paixão de Cristo é um momento significativo na nossa fé cristã.

A Páscoa é precedida pela Quaresma, que é um instante de reflexão. A Quaresma simboliza os quarenta dias que Jesus passou no deserto sendo tentado pelo Inimigo de Deus - que queria que ele se afastasse de sua missão. Páscoa significa passagem (Pessach) e vem do povo judeu que saiu de uma condição de escravidão para a liberdade através de Moisés. É uma tradição judaica, que com o cristianismo adquiriu também com Jesus o sentido de passagem, mas aquela da morte para uma nova vida - e eterna.
       
Há vários símbolos da Páscoa.

Os ovos significam multiplicação, vida. São os mais aguardados pelas crianças e por todos aqueles chocólatras. Outro símbolo é o coelho que representa fecundidade. Daí a alcunha do tão esperado coelhinho da Páscoa, que poucas crianças acreditam hoje em dia [N.doE.: minha filha mais velha já sabe que é o pai dela que compra os chocolates]. Também o cordeiro, que é o símbolo mais antigo e simboliza a aliança entre Deus e o povo judeu. Para nós cristãos o cordeiro é o próprio Jesus, o Cordeiro de Deus.

Há também o Círio Pascal que é a vela que é acesa no sábado de Aleluia. O círio representa a luz de Cristo que chegou para iluminar o caminho do mundo. Poucos sabem, mas o girassol também é um símbolo e representa a busca do Sol que é Jesus Cristo, que na teologia cristã representa o Caminho, a Verdade e a Vida. Já a Colomba Pascal que é um bolo em forma de pomba define a Vinda do Espírito Santo. E por fim, o sino que ao ser tocado relembra a alegria do Cristo Ressuscitado.
       
Liturgicamente, a Semana Santa começa, para os católicos no Domingo de Ramos, que esse ano caiu no dia 17 de abril. É o momento em que Jesus entra em Jerusalém num burrico demonstrando humildade e já sabendo da missão redentora que cumpriria. Na quinta-feira santa, relembramos a última ceia de Jesus com os apóstolos. É conhecida também como a cerimônia do Lava-pés.

A sexta-feira é consagrada à Paixão. Único dia do ano em que não há missa, só uma solenidade religiosa que conta todos os passos de Jesus até a crucificação. O sábado é o de Aleluia [N.doE.: no subúrbio carioca, pelo menos, existe a tradição de malhar "Judas" expostos em postes. Normalmente, são personificados em figuras não muito queridas da comunidade em geral e representam uma espécie de "vingança dos oprimidos". Particularmente, nossa colunista não acha muito adequada esta tradição, no que faço o registro], em que se espera o grande momento que vem no domingo: a Páscoa ou a Ressurreição de Jesus. É o ápice da festa cristã.
      
Espero ter tirado as dúvidas de muitas pessoas a respeito dessa data especial que é a Páscoa. Que a Alegria do Jesus Ressuscitado esteja com todos vocês e que tenham uma abençoada Páscoa ao lado de seus familiares e amigos. A Páscoa é uma época de celebração, afinal em nossa crença Jesus ressuscitou e renovou a a nossa esperança de dias melhores. E nós renascemos com ele na Páscoa, a fim de nos tornarmos pessoas melhores: mais solidárias e mais conscientes de nossas responsabilidades em um mundo cada vez mais afastado de Deus.
     
Boa Páscoa a todos!
Até a próxima!
Anna Barros"
         

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Axé !


Algumas fotos destas últimas férias. Começando pelo mar do Rio Vermelho, visto do hotel.


Praia de Amaralina.


Restaurante na praia de Guarajuba, a 50 quilômetros de Salvador.


Farol da Barra;


Dique do Tororó e Orixás Guardiões;


Altar da Igreja do Bomfim;


As fitas amarradas na grade da Igreja;


Mais Igreja;


Visão lateral da Igreja;


O terreiro de Mãe Menininha do Gantois.


Você já foi à Bahia?


O leitor mais atento sabe que embora esteja voltando hoje ao trabalho passei uma semana de férias em Salvador - com uma visita à Praia do Forte, como já dito nos posts sobre o Projeto Tamar. Deixo aqui algumas impressões.

Meu principal objetivo era acompanhar a festa dedicada a Yemanjá em seu dia, dois de fevereiro, na praia do bairro Rio Vermelho. Inclusive me hospedei em um hotel neste bairro para poder fazer o deslocamento a pé.

Entretanto, a única imagem da festa é a que está abrindo este post, tirada do celular na sacada do hotel. Quando nos dirigíamos à praia para acompanhar a festa, sob um sol escaldante, minha esposa foi furtada em uma das vias de acesso, sob as barbas da Polícia, por um trombadinha - melhor seria dizer "trombadão", pois era mais alto e mais forte que eu.

Infelizmente, são coisas que acontecem em qualquer grande cidade e em qualquer grande evento, paciência. Foi só o susto e a perda da (discretíssima) corrente que ela levava no pescoço - não vai render nem R$ 30 na receptação. Mas me espantou o fato de ter sido a dez metros da cabine policial.

Com isso, acabei não vendo a festa.


Um doa passeios que fiz foi um "tour" de aproximadamente três horas e meia de duração que envolvia o Farol da Barra (acima), a Igreja do Bomfim, o Mercado Modelo e mais alguns pontos da cidade, como o Dique do Tororó - que dá origem àquela famosa canção que dizia "fui no tororó / beber água e não achei".

É um passeio muito interessante e onde se aprende bastante da história da Bahia e da cultura do lugar - com direito a troca muito interessante de informações sobre o candomblé com o guia Wilson, inteligentíssimo e muito atencioso.


A Igreja do Bomfim tem uma simbologia toda especial. Centro de sincretismo religioso, onde os pais de santo assistem às missas sem serem importunados, com suas roupas típicas da religião, e convivem de forma harmoniosa com os católicos, é um local bastante interessante.

Tivemos oportunidade de encontrar a Igreja no final de uma missa, com a celebração de um batizado posterior. As fitinhas do Senhor do Bomfim amarradas à grade - colocarei um segundo post com fotos mais tarde - dão um efeito e um contraste muito interessantes à arquitetura.

Por outro lado, como os leitores poderão ver abaixo, a famosa escadaria da lavagem do Bomfim se resume a exatos nove degraus...


O restaurante Yemanjá (abaixo) continua com uma reputação excelente. Estive lá duas vezes e achei melhor que em março do ano passado, quando tinha estado em Salvador pela última vez. Dica: o serviço do almoço é bem mais lento que o do jantar.

Entretanto, duas boas surpresas gastronômicas: um restaurante na rua do hotel, que não me recordo o nome - onde comi uma excelente massa ao alho e óleo com camarão e polvo grelhados e bebi pela única vez na cidade cerveja importada - e o portentoso Bargaço, que já haviam me indicado em outras ocasiões e que desta vez tive o privilégio de conhecer. 

Diria que é superior ao Yemanjá, embora ambos sejam muito bons. Vale a visita. Por outro lado, ressalto a dificuldade de se beber uma boa cerveja na cidade - as opções são escassas.


Outra boa surpresa foi a praia de Guarajuba, parada final da visita à Praia do Forte e ao Projeto Tamar. Também estive na praia de Amaralina e na Barra - esta não recomendo devido à superlotação.

Com crianças não dava para efetuar muitos passeios noturnos, mas estava se realizando em Salvador o Ffestival de Verão. Particularmente não gostava muito das atrações, acabei não indo. Entretanto a cidade estava bastante mobilizada para o evento - inclusive com vários artistas no hotel onde me hospedei.

Outro ponto digno de nota é o fato de que toda a estrutura montada para o carnaval baiano é provisória - tem de se montar e desmontar todos os anos. Os sambistas cariocas reclamam do monta e desmonta das frisas no Sambódromo, mas é um transtorno bem menor que o que vi na capital baiana.

No último dia estive no terreiro de Mãe Menininha do Gantois. Ele se encontrava fechado, mas fotografei a fachada pelo menos. É uma casa ampla, mas simples em seu aspecto externo (abaixo)


A se lamentar, também, o fato do Aeroporto de Salvador estar com o ar-condicionado quebrado no dia do regresso, com um calor insuportável. Não sou a favor da privatização mas algo tem de ser feito urgentemente em nossos aeroportos, ainda mais levando-se em conta os grandes eventos esportivos que o país irá receber nos próximos anos.

Colocarei mais tarde um post com fotos, mas Salvador e os passeios nas cidades próximas são uma boa opção de férias. Apesar dos percalços.


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Final de Semana - "Yemanjá, a Rainha do Mar"



Nesta sexta feira, mais uma para muitos, para mim dia diferente: finalmente estou saindo de férias. Passarei alguns dias entre Salvador e Curitiba, com a família, repousando de um extenuante ano de trabalho - não sem antes resolver pendências aqui na Cidade Maravilhosa.

Digo isso porque a música de hoje tem a ver com minha programação: estarei em Salvador para ver a procissão do Rio Vermelho, dia 02 de fevereiro - dia dedicado à Iemanjá. Como já escrevi aqui, embora não pertença à religião considero fantástica a cultura envolvida e preservada através da herança negra no Brasil.

E, mais uma vez, temos a presença quase divina do compositor Paulo César Pinheiro, abordado aqui semana passada e em outras ocasiões. Em parceria com Pedro Amorim, é ele o autor desta "Yemanjá, a Rainha do Mar" (respeito a grafia dos autores), que abordamos na coluna de hoje. O vídeo é da turnê "Dentro do Mar tem Rio".

Mas não pense o leitor que o Ouro de Tolo entrará de férias: o blog continuará sendo atualizado diariamente.


"Yemanjá, a Rainha do Mar"

"Quanto nome tem a Rainha do Mar?
Quanto nome tem a Rainha do Mar?

Dandalunda, Janaína,
Marabô, Princesa de Aiocá,
Inaê, Sereia, Mucunã,
Maria, Dona Iemanjá.

Onde ela vive?
Onde ela mora?

Nas águas,
Na loca de pedra,
Num palácio encantado,
No fundo do mar.

O que ela gosta?
O que ela adora?

Perfume,
Flor, espelho e pente
Toda sorte de presente
Pra ela se enfeitar.

Como se saúda a Rainha do Mar?
Como se saúda a Rainha do Mar?

Alodê, Odofiaba,
Minha-mãe, Mãe-d'água,
Odoyá!

Qual é seu dia,
Nossa Senhora?

É dia dois de fevereiro
Quando na beira da praia
Eu vou me abençoar.

O que ela canta?
Por que ela chora?

Só canta cantiga bonita
Chora quando fica aflita
Se você chorar.

Quem é que já viu a Rainha do Mar?
Quem é que já viu a Rainha do Mar?

Pescador e marinheiro
que escuta a sereia cantar
é com o povo que é praiero
que dona Iemanjá quer se casar."


sábado, 25 de dezembro de 2010

História & Outros Assuntos: "Estudos sobre o nascimento de Jesus Cristo"


Neste dia de Natal, em edição extraordinária, a coluna "História & Outros Assuntos", do historiador Fabrício Gomes. Na verdade republico coluna da mesma data de 2009, que trata das pesquisas históricas sobre a verdadeira data de nascimento de Jesus Cristo.

Mas nossa coluna sobre História estará de volta em 2011, em janeiro cobrindo as férias do colunista Marcelo Einicker às quartas e a partir de fevereiro de forma definitiva, provavelmente de forma quinzenal aos domingos.

O Ouro de Tolo e seu autor e editor chefe aproveitam a data para desejar a leitores, colunistas e amigos Boas Festas e que o ano de 2011 seja nos doze meses do ano com o mesmo espírito que norteia a sociedade durante este dezembro: de solidariedade, de verdade, de bem e de belo. Com muita gratidão, todos os dias do ano.

Mas este Ouro de Tolo não para, ainda teremos muito o que mostrar aqui até o dia 31 de dezembro. Passemos ao texto:

"Estudos sobre o nascimento de Jesus Cristo"

E vem chegando o Natal...

Mais do que ser o período onde o comércio mais fatura no ano – e, para as crianças, a ansiedade pela chegada de Papai Noel em seu trenó, diretamente da Lapônia, com todos os presentes – é o período sagrado para as religiões cristãs, que representa o nascimento de Jesus Cristo.

Entretanto, devemos desejar um Feliz Natal ou um Feliz Aniversário para Jesus? Em 25 de dezembro comemora-se realmente o júbilo de Cristo?

É questão deveras polêmica, mas vou aqui expressar minha opinião sobre o fato, baseado em pesquisas históricas.

Jesus de Nazaré, Jesus Nazareno ou Jesus da Galiléia teria nascido em Belém com o nome de Yeshua ben(bar)-Yoseph, ou seja, Jesus filho de José.

O nascimento de Jesus é o episódio que aparentemente assinala o início da era cristã. No entanto, devido a um erro de cálculo, cometido no século 6 d.C. pelo monge Dionísio, o Pequeno, as duas datas não coincidem. Sabe-se hoje que Jesus nasceu antes do ano 1 - entre 8 e 6 a.C. Pode-se afirmar isso graças a uma passagem muito precisa do evangelho de Lucas. Segundo ele, o fato aconteceu na época do recenseamento ordenado pelo imperador romano César Augusto. Esse censo, o primeiro realizado na Palestina, tinha por objetivo regularizar a cobrança de impostos. E os historiadores estão de acordo em situá-lo no período que vai de 8 e 6 a.C.

Nesse triênio, o ano mais provável é 7 a.C, já que nele se deu um evento astronômico que poderia explicar uma outra passagem da narrativa evangélica: a "estrela" natalina mencionada por Mateus. Trata-se da conjunção dos planetas Júpiter e Saturno, que produziu no céu um ponto de brilho excepcional. Se o astro de Mateus foi mais do que um enfeite mitológico, ele deve corresponder a tal fenômeno, que certamente impressionou os astrônomos da época. Esses sábios, atraídos a Jerusalém pelo movimento aparente do ponto luminoso, seriam os "magos do Oriente", de que fala o evangelista.

Com o recenseamento de Lucas e a "estrela" de Mateus, conseguimos chegar o mais perto possível do ano do nascimento. Entretanto, o mês e o dia continuam uma incógnita.

Mas cabe um exercício de raciocínio, ante a algumas pesquisas realizadas por historiadores. Vejamos:

Um grande concílio foi realizado pela comunidade cristã no século V de nossa Era, para decidir em que data fixar este polêmico acontecimento. Decidiu-se então fixar no dia 25 de dezembro, ou meia-noite do dia 24. Entretanto esta escolha não foi feita ao acaso.

Os Patriarcas e as superiores autoridades eclesiáticas, esporadicamente se reuniam em concílios para discutir e estabelecer as tradições, dogmas e liturgias a serem seguidas pela teologia cristã, assim como suas doutrinas.

Com o propósito de aproveitar muitas das antigas cerimônias místicas, os Patriarcas da Igreja copiaram dos templos do Egito e das doutrinas e práticas essênias e da Grande Fraternidade Branca, tiveram que inventar certas passagens e princípios relacionados à vida e obra de Jesus e adaptá-los às referidas cerimônias. Se fez necessário então, para consolidar uma nova teologia e firmar algumas novas doutrinas, ignorar e pôr de lado muitos dos fatos que tornariam suas decisões inconsistentes.

O primeiro ponto a ser avaliado seria a contradição existente em um dos pontos do senso comum tradicional do nascimento de Jesus, onde é dito que ao nascer o Menino, estavam os pastores guardando seus rebanhos no campo. Seria muito improvável que os pastores a que a Bíblia se refere, estivessem no campo cuidando de seus rebanhos no inverno. Nesta época do ano, afirmam os que conheciam as condições da Palestina à época, os pastores não ficavam no campo nem de dia nem de noite, e que este incidente foi introduzido à crônica de Seu nascimento, quando era comumente aceita a versão de que Jesus viera ao mundo em abril ou maio.

O que os Patriarcas levaram em conta ao escolherem esta data, foi o conhecimento que através dos séculos precedentes, todos os Grandes Mestres ou Grandes Avatares nascidos de virgens (Jesus não foi o primeiro nem o único) e que eram Filhos de Deus e considerados Salvadores ou Redentores, haviam nascido ou a 25 de dezembro, ou em data próxima.

Na Índia, este período já era comemorado muitos e muitos séculos antes da Era Cristã, na forma de um festival religioso, durante o qual o povo ornamentava suas casas com flores e as pessoas trocavam presentes com amigos e parentes.

Na China, também muitos séculos antes da Era Cristã, era celebrado o Solstício de Inverno, onde no dia 24 ou 25 de dezembro, fechava-se o comércio e tudo o mais. Assim como os antigos persas celebravam esplêndidas cerimônias em homenagem a Mitra, cujo nascimento ocorrera a 25 de dezembro.

Vários deuses egípcios nasceram no dia 25 de dezembro, e, em praticamente todas as histórias religiosas de povos antigos, iremos encontrar celebrações idênticas às referidas. Osíris, filho da santa virgem e deusa Nut, nasceu a 25 de dezembro, assim como os gregos também celebravam, nesta mesma data, o nascimento de Hércules.

Logo, a data de 25 de dezembro vem sendo considerada um dia místico há muito tempo, e por muitos povos diferentes. A esse respeito temos as declarações do Reverendo Gross, autoridade no assunto e autor de diversas obras a esse respeito nas quais afirma que realizava-se em Roma, antes da Era Cristã, no dia 25 de dezembro, uma festa com o nome de Natalis Solis Invicti (Natalício do Invencível Sol). A data era comemorada com espetáculos públicos e com muita alegria, fechando-se o comércio, adiando-se declarações de guerra e execuções, permutando presentes entre amigos e parentes e concedendo liberdade aos escravos.

Assim como ocorria na China, o Solstício de Inverno era comemorado entre os primitivos germânicos séculos antes do nascimento do Menino Jesus. Entre os escandinavos, neste mesmo período, era comemorado o que se chamava Festa do Yule. O termo Yule ainda sobrevive, designando a véspera de Natal. É interessante notar que o vocábulo Yule equivale ao francês Noel que por sua vez corresponde à palavra hebraica ou caldaica Nule. Notamos também a presença de celebrações no referente período entre os druidas na Grã-Bretanha e na Irlanda, e mesmo no antigo México.

As antigas religiões pré cristãs européias comemoravam nessa data festivais de inverno (como o Alban Arthan, por exemplo) que comemoravam o renascimento do Sol. Os escandinavos, por exemplo reverenciavam Frey, deus da paz e prosperidade. Na Roma pagã, o período entre 17 e 25 de dezembro (solstício de inverno no hemisfério norte, chamado pelos romanos de Saturnália) eram dedicados a ritos de fertilidade (com relação à colheita) e ritos de adoração ao sol.

Como a Igreja não podia simplesmente proibir essa comemorações, tratou de incorporá-las ao seu calendário, fazendo do festival de inverno, o Natal (em nossa versão tropical, o verão).

O calendário judaico tem 13 meses. Maria teve uma gestação de três meses. Segundo evangelhos apócrifos, Maria engravidou no mês de nissan, primeiro mês do calendário judaico e teve Jesus três meses depois. Jesus por esses evangelhos teria nascido no nosso atual abril.

De acordo com a mitologia romana dia 25 de dezembro era o dia do aniversário do deus que representava o sol. Quando os cristãos se uniram aos povos pagãos essa data foi introduzida como data base do nascimento de Jesus. Fato cômodo para os antigos e hoje comercial.

Mais importante do que ser a comemoração de uma data, o Natal deve ser a REFLEXÃO, deve ser um “olhar para dentro” de nós mesmos. Mas tais sentimentos não devem durar apenas no mês de dezembro ou se restringir à época natalina. Independente de ser comemorado nesta ou naquela religião, o verdadeiro Natal deve acontecer todos os dias do ano. O nascimento de Cristo deve ser nosso renascimento diário, avaliando erros e renovando nossa fé e esperança num futuro melhor, através do conjunto de nossas ações.

Feliz Natal!"


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

É Dia de Natal


Bom, meus leitores devem ter pensado que eu surtei de vez. Nada disso.

Na minha tradição religiosa, 23 de Dezembro é o dia em que, por analogia, comemoramos o nosso Natal.

Meishu-Sama - em português, "Senhor da Luz" - nasceu Mokiti Okada em 23 de dezembro de 1882, em Tóquio, Japão. Teve uma infância repleta de problemas de saúde e financeiros, mas sempre demonstrando uma disposição inabalável para superar as adversidades e completar a sua formação.

Após a morte do pai abriu a "Loja Okada", a qual engendraria grande sucesso, inclusive detendo a patente de um adorno feminino de cabelos em dez países - o "Diamante Asahi". Entretanto, foi a falência duas vezes e em 1929, aos 37 anos, doou a loja aos seus funcionários - esta vivia período de grande prosperidade - e abraçou a causa religiosa. 

Ele havia recebido a primeira Revelação Divina em 1926. Em 1931 no topo do Monte Nokoguiri recebeu a Revelação da Transição da Era da Noite para a Era do Dia, pilar da doutrina de nossa Igreja.

Casou-se duas vezes e teve filhos. 

Em 1935 fundou a Igreja Messiânica Mundial para a difusão do Johrei. Eram tempos pré-Segunda Grande Guerra e a nascente Obra de Salvação da humanidade enfrentou muitas dificuldades e perseguições. Meishu Sama foi preso por duas ocasiões, mas nunca esmoreceu.

Após o término da Segunda Guerra construiu os três Solos Sagrados japoneses, nas cidades de Hakone, Atami e Kyoto, bem como um dos mais importantes museus de arte japoneses. O Brasil tem o seu Solo Sagrado, localizado às margens da Represa de Guarapiranga, em São Paulo - aqui e aqui o leitor pode ver fotos do Solo Sagrado Brasileiro.

Meishu-Sama ascendeu ao Mundo Divino em 10 de fevereiro de 1955, aos 72 anos.

Receba nesta data a minha Gratidão. É Natal, 128º aniversário de nosso Fundador.

Reproduzo abaixo dois Ensinamentos - disponíveis no site da Igreja Messiânica - que resumem a essência da filosofia da Fé:


"Doutrina da Igreja Messiânica Mundial

Nós, messiânicos, cremos em Deus, Criador do Universo. Cremos que, desde o início da Criação, Deus objetivou estabelecer o Céu na Terra e tem atuado continuamente para a concretização desse objetivo. Com tal propósito, fez do ser humano o Seu instrumento para servir ao bem-estar da humanidade, condicionando a ele todas as demais criaturas e coisas. Cremos, portanto, que a história humana do passado constitui estágios preparatórios, degraus para se alcançar o Céu na Terra. Para cada época, Deus envia o Seu mensageiro e as religiões necessárias, cada qual com sua missão.

Cremos que, no presente, quando o mundo vagueia em tão caótica situação, Deus enviou o Mestre Meishu-Sama, fundador da Igreja Messiânica Mundial, com a suprema missão de realizar o Seu sagrado objetivo de salvar toda a humanidade. Por conseguinte, visando à concretização do Mundo Ideal, de eterna paz, perfeitamente consubstanciado na VerdadeBem-Belo, empenhamo-nos em fazer sempre o melhor, erradicando a doença, a pobreza e o conflito, as três grandes desgraças que assolam este mundo.

(11 de março de 1950)"


"O Que é a Igreja Messiânica Mundial

A Igreja Messiânica Mundial tem por finalidade construir o Paraíso Terrestre, criando e difundindo uma civilização religiosa que se desenvolva lado a lado com o progresso material.

Não há dúvida de que “Paraíso Terrestre” é uma expressão que se refere ao mundo ideal, onde não existe doença, pobreza nem conflito. O “Mundo de Miroku”, anunciado por Buda, a chegada do “Reino dos Céus”, profetizada por Cristo, a “Agricultura Justa”, proclamada por Nitiren, e o “Pavilhão da Doçura”, idealizado pela Igreja Tenrikyo, têm o mesmo significado. A diferença é que não se fez indicação de tempo. Mas eu cheguei à conclusão de que o momento se aproxima. E o que significa isto? É a hora da “Destruição da Lei”, prevista por Buda, e do “Fim do Mundo” ou “Juízo Final”, profetizado por Cristo.

Seria uma felicidade se o Paraíso Terrestre pudesse ser estabelecido sem que isso afetasse o homem. Antes, porém, é indispensável destruir o velho mundo a que pertencemos. Para a construção do novo edifício, faz-se necessária a demolição do prédio velho e a limpeza do terreno. Deus poupará o que for aproveitável – e a seleção será feita por Ele. Eis a razão pela qual é importante que o homem se torne útil para o mundo vindouro.

Ultrapassar a grande fase de transição significa ser aprovado no exame divino, e a Fé é o único caminho para obtermos aprovação. As qualificações para ultrapassar essa fase são as seguintes:

a) tornar-se um homem verdadeiramente sadio, e não apenas na aparência;
b) um homem que se libertou do sofrimento da pobreza;
c) um homem que ama a paz e detesta o conflito.

Deus resguardará aqueles que tiverem essas três grandes qualificações e deles se utilizará, como entes preciosos, no mundo que vai surgir. Certamente não há discordância entre os desígnios de Deus e os ideais do ser humano. Portanto, haverá um caminho que permita estabelecer as condições requeridas. Mas como poderemos obtê-las?

Nossa Igreja tem por objetivo orientar as pessoas e transmitir-lhes a Graça Divina, possibilitando-lhes criar tais condições.

(25 de janeiro de 1949)



O atual e quarto Líder Espiritual da Igreja Messiânica Mundial é Yoiti Okada (foto acima), neto do Fundador, intitulado Kyoshu Sama. Tive a oportunidade de estar presente em São Paulo por ocasião de sua visita missionária, em novembro do ano passado - contei esta história aqui e aqui.

E aqui o leitor interessado pode baixar um vídeo com um resumo deste Culto, inclusive com a saudação de nosso Líder Espiritual.

Eu fui criado desde pequeno na Igreja, por intermédio de duas tias - uma delas, já falecida - e posteriormente minha mãe. Tornei-me membro da Igreja em 1987 e posso dizer que exerci dedicação (trabalho voluntário) em praticamente todos os setores da instituição. É a base de minha vida e esteio para os momentos da vida. A foto abaixo é de maio de 2008, Solo Sagrado.


Feliz Natal de Meishu-Sama !

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Fundamentalismo Religioso e as Eleições


Sem dúvida alguma, o fato novo destas eleições vem sendo a tentativa por parte do candidato do PSDB de ganhar as eleições dividindo o país e dando voz a expressões das mais obscuras no cenário político nacional. Muito pela total falta de programa atraente para as massas, haja visto a sua plataforma nitidamente excludente e reacionária.

Sobre os evangélicos, já escrevi em duas ocasiões, que o leitor pode ler aqui e aqui. Não retiro uma vírgula do que disse naquele momento.

Entretanto, algumas coisas precisam serem ditas.

Antes de mais nada, é uma grande falácia esta história de que a Igreja Católica é ligada ao PT. Desde a ascensão ao papado do Bispo Karol Wojtilla - que seria conhecido como Papa João Paulo II - que a milenar instituição vem dando uma guinada bastante radical à direita. Os bispos latino americanos ligados à "Teologia da Libertação" foram progressivamente perdendo sua influência dentro da instituição até serem afastados, em muitos casos, pela força conservadora.

Bispos e cardeais progressistas foram sendo substituídos por simpatizantes da linha defendida por João Paulo II, que era anticomunista e que renegou a linha adotada em especial na América Latina de "uma igreja para os pobres". Basta lembrar o poderio do ex-cardeal do Rio de Janeiro Dom Eugênio Sales, radicalmente conservador, de extrema direita e que até hoje, ainda que aposentado, é uma espécie de "eminência parda" do Vaticano no Brasil.

Com a morte de João Paulo II, a eleição do cardeal Joseph Ratzinger - que perseguiu sem tréguas os padres ligados à "Teologia da Libertação" - significou a ascensão ao papado de um soberano ainda mais conservador, se é que isso era possível. Não podemos nos esquecer das ligações com o nazismo e o fascismo por parte do sacerdote alemão.

Regra geral, a Igreja Católica abandonou os pobres à própria sorte, passando a defender o "status quo", a propriedade privada em sua forma mais radical e políticas excludentes e de concentração de renda. Até a histórica atuação dos padres brasileiros na defesa do acesso à terra está bastante enfraquecida nos tempos atuais, não encontrando qualquer respaldo na direção da instituição.

Em termos de costumes, a Igreja também passou a adotar uma postura mais conservadora. Defende a proibição da camisinha e de qualquer método anti-concepcional, a proibição do aborto, a criminalização dos homossexuais e até a volta ao casamento indissolúvel é defendida por alguns bispos mais radicais.

Internamente, o celibato é envolto em manto de "cláusula pétrea", muito mais por questões econômicas que por qualquer outro motivo. Entretanto, as inúmeras denúncias de pedofilia entre o clero são convenientemente abafadas, o que constitui um caso clássico de hipocrisia. Ressalto também que o índice de infecção por HIV entre os padres está acima da média nacional.

Parêntesis: tenho uma posição bastante contrária ao aborto, quase radical, mas sou a favor da democratização dos métodos contraceptivos. Voltarei ao tema brevemente.

Com isso temos uma Igreja Católica aferrada ao conservadorismo, ao ritual e à forma. Mas ainda bastante popular e bastante influente, em especial nas camadas mais pobres da população.

José Serra, vendo que através de critérios objetivos não conseguiria penetrar nas classes C, D e E, aliou-se ao que há de mais conservador a fim de dividir o país e ganhar as eleições. A campanha não está sendo conduzida na base de elementos objetivos, comparação de números e coisas afins, mas sim no apelo à irracionalidade.

Mas sim em uma intensa boataria e utilizando-se destes setores reacionários e retrógrados para divulgar calúnias e boatos, tais como "Dilma vai proibir a religião", "o aborto será liberado", "Dilma é assassina de criancinhas" e outras coisas. Some-se a isso a vergonhosa adesão da grande imprensa à campanha do candidato tucano, e temos o quadro montado.

Lembro aos leitores que a própria esposa de José Serra incitou este tipo de calúnia aqui no Rio, ao afirmar que a candidata petista era "assassina de criancinhas". Eu vi com meus próprios olhos panfletos apócrifos sendo distribuídos contra a candidata Dilma Roussef no Centro do Rio.

Bom, o fato é que os púlpitos passaram a ser utilizados abertamente a favor do candidato do PSDB e repetindo calúnias e argumentos absolutamente irracionais. O que se pode esperar é que em caso de vitória do candidato de oposição estes setores ultra-reacionários cobrem seu preço, o que pode significar o bloqueio do debate de questões pertinentes e que saltam aos olhos.

Outro corolário é que a perseguição aos movimentos sociais e de defesa das minorias tende a ser ainda maior do que o verificado durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.Também pode-se esperar uma diminuição da liberdade de culto no Brasil e a perda do caráter laico do Estado, pelo menos extra-oficialmente.

Observa-se uma aliança semelhante à que levou George W. Bush ao poder, formada por grandes corporações empresariais - a corporatocracia - a grande imprensa reacionária e estes grupos fundamentalistas religiosos. Deu no que deu: um governo voltado para os ricos, que cortou benefícios sociais, aumentou a desigualdade e que jogou o país em duas guerras desnecessárias a fim de pagar a fatura devida aos grandes grupos econômicos.

Sinceramente, não quero a repetição disso no Brasil.

Complementando, não deixa de ser curioso - e irônico - ver que o Bispo Edir Macedo, chefe da Igreja Universal do Reino de Deus está com uma posição muito mais progressista e racional sobre o assunto. Não deixa de ser um bom parâmetro para verificarmos o grau de extremismo da campanha de Serra e, em especial,  de setores da Igreja Católica.

Ressalto, também, a minha preocupação em ver religiosos sendo tachados de "radicais fundamentalistas" por causa destes grupos conservadores. Com a estratégia adotada de incitar o ódio e o extremismo, os fiéis tanto cristãos quanto de outra religiões que não professam deste credo conservador acabam sendo jogados na vala comum do "obscurantismo". 

O fato de se professar uma religião, seja qual for, não pode e não deve ser utlizado como forma de discriminação, tanto a favor quanto contra. Professar a Fé é importante, é necessário na formação do ser humano. O que não pode haver é o extremismo e a perda do bom senso.

Espero que nestas duas semanas até o segundo turno o debate político volte à discussão de propostas e retome a serenidade e o "caminho do meio", o "izunomê" - utilizando-me da palavra japonesa para a definição. 

Lembro aos leitores que aqui fala um homem de profunda  e enraizada Fé. A favor da Fé, contra o obscurantismo.


terça-feira, 21 de setembro de 2010

Resenha Literária - "O Evangelho de Barrabás"

Ainda como rescaldo dos livros lidos em minha última viagem a trabalho, temos aqui este "O Evangelho de Barrabás", do já outras vezes resenhado aqui José Roberto Torero em parceria com Marcus Aurélio Pimenta.

O mote do livro é contar a história de Barrabás, que segundo a tradição da Bíblia teria sido o ladrão libertado pelos governantes da Judéia após a população o ter escolhido em comparação a Jesus Cristo. A tradição cristã indica que à época haveria um costume de se libertar um prisioneiro por ocasião da Páscoa, mas historicamente não há evidências desta prática.

Aliás, a própria existência de Barrabás é considerada duvidosa pelos estudos históricos mais recentes, baseados no Novo Testamento e no Talmud, livro sagrado judeu.

Bom, mas este "O Evangelho de Barrabás", escrito pelos ateus Torero e Pimenta, parte dos registros escassos sobre a figura para construir uma sátira sensacional calcada na figura de Barrabás.

Os autores reproduzem a história de Barrabás dando-lhe uma biografia. Nasceu fecundado pelo Altíssimo, e no caminho para o parto encontrou-se com os pais de Jesus Cristo - embora seu pai achasse que tinha sido mesmo é enganado pela esposa, ambos também José e Maria.

Seus pais foram assassinados e crucificados em uma vingança perpetrada pelos romanos após a humilhação de um de seus soldados pela gente da cidade. Barrabás se salva milagrosamente e vaga sem rumo por quarenta dias, até encontrar o bando de Atronges, formado de doze homens fugitivos.

Atronges era um agricultor de olivais que, certo dia, cozinhou cobradores de impostos em azeite fervente. Obviamente, foi perseguido e sua mulher morta no episódio de vingança, mas ele conseguiu se esconder com sua filha no deserto. Aos poucos foram se juntando a ele fugitivos por diversos motivos - e as histórias contadas sobre os componentes do grupo são engraçadíssimas - e aí formou-se uma malta de assaltantes e coisas afins.

Barrabás se junta ao grupo ainda moleque, cresce com os integrantes do grupo e se enamora pela filha de Atronges, Maria Madalena. Exatamente quem o leitor está pensando.

Uma das discíupulas mais fiéis de Jesus Cristo, a antes prostituta Maria Madalena - que depois se tornaria santa - no livro é filha de Atronges e se torna namorada de Barrabás. Posteriormente passa a ser uma fanática religiosa, seguindo sempre o profeta "da moda". Mas sem esquecer Barrabás.

Barrabás no livro é traído por Atronges e acaba preso, onde divide cela com o apóstolo João Batista - que ganha fama de pregador chato... Se livra e após uma série de percalços reencontra seu protetor - e Maria Madalena.

Barrabás começa a "fazer milagres" confiando no poder do barro. A célebre cena da disputa entre ele e Jesus Cristo é reproduzida de forma impagável no livro. Depois ele convoca as pessoas para um anfiteatro e "prova" - com a ajuda de um anão e vinho - que pode ressuscitar.

Não contarei o final do livro, mas ele me dá a impressão de fazer uma espécie de "libelo" anti religioso. Talvez seja a parte mais séria da história.

Milagres como os do pão, do vinho e do cego também são retratados com humor. Sei que perdi algumas piadas pelo fato de não conhecer praticamente nada da Bíblia, mas assim mesmo me diverti bastante. É garantia de boas risadas.

"O Evangelho de Barrabás" pode ser comprado na Livraria da Travessa, a R$ 31. Leitura divertida, que talvez cause constrangimento em cristãos mais ferrenhos, mas texto inteligente e que entrete.

Recomendo.