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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Bissexta - "A Raiva Que Não Passa do Presidente Operário"


Nesta segunda feira, o tema deste blog não poderia ser outro: o diagnóstico de câncer da laringe dado ao ex-presidente Lula no último sábado.

Eu iria escrever sobre o tema, mas a coluna Bissexta, do advogado Walter Monteiro, traz o assunto de uma forma muito mais brilhante. Só tenho a dizer que neste episódio ficou claro o ódio de classe e o sentimento de egoísmo e exclusão de certos setores da sociedade brasileira - a ponto de até órgãos de imprensa conservadores terem sido obrigados a fechar a área de comentários de seus sites dado o ressentimento destilado.

Lamento, também, o comportamento de certos jornalistas torcendo abertamente pela morte do ex-presidente. É um bom sinal de que o jornalismo político no Brasil está cada vez mais político-partidário e cada vez menos jornalismo.

Mas o ex-presidente é mais forte e vai sair desta. Força, Lula!

Vamos ao texto.

A Raiva Que Não Passa do Presidente Operário

Fiz um raio-X da face.  Eu e meu médico quase caímos para trás quando vimos o resultado. Há um espaço mínimo para as minhas vias respiratórias. É uma surpresa que eu nunca tenha me queixado de dificuldade para respirar, pois tenho um quadro claro de rinite não alérgica. Me receitou um remédio e disse que eu deveria notar uma melhora na respiração.

Fui na farmácia munido da receita. A vendedora me perguntou se eu ia comprar o remédio na “farmácia popular”. Frequentador assíduo de farmácias, sempre em busca de fraldas e leite infantil, já tinha visto dezenas de cartazes dessa tal farmácia popular, mas não tinha a menor ideia de como funcionava. A moça me disse que era um programa do Governo, que fornecia gratuitamente, ou com desconto substancial, uma série de medicamentos. O meu, por exemplo, sairia por um terço do preço.

Eu já estava pronto para lamentar que eu não deveria ser elegível ao benefício, até porque não tinha cadastro, inscrição, cartão de identificação ou coisa que o valha, nem estava com vontade de enfrentar um exército de burocracia para receber o desconto, quando veio o gerente me explicar melhor.

Ele me pediu a receita e a minha identidade. Digitou algumas coisas no computador, sem que eu visse do que se tratava. Imprimiu um recibo e me fez assinar. E me vendeu o remédio por um terço do preço, dizendo que daqui a 30 dias eu poderia comprar outro em qualquer farmácia conveniada. Nunca imaginei que fosse tão fácil e tão bom esse programa, que dá desconto até para gente que, como eu, claramente não precisa desse apoio.

Fiquei pensando nesse minúsculo episódio pessoal ao ler as raivosas manifestações da tigrada na web, exigindo que o ex-Presidente Lula vá se tratar pelo SUS.

Para meu gosto pessoal, a saúde pública brasileira está parecida com o time do Flamengo – nem tão boa que a gente possa sentir orgulho, nem tão mal que a gente chegue a sentir vergonha. A imprensa, como é o seu papel, destaca, sempre, as mazelas mais severas, mas há avanços sutis entre o que já vivemos tempos idos e a minha historinha revela um deles.

Muita gente acredita que saúde pública é sinônimo de hospital público.

Não é.

O Sistema Único de Saúde se baseia, essencialmente, na descentralização das atividades desempenhadas pelos governos da União, Estados e Municípios. E a rede privada participa do sistema de forma complementar, mediante convênio. Aliás, dos cerca de 6.500 hospitais que atendem ao SUS praticamente a metade pertence à iniciativa privada.

Portanto, essas manifestações demandando ao ex-Presidente que vá se tratar em um “hospital público” dão a medida do grau de desconhecimento de gente que se acha intelectualmente diferenciada, mas sequer sabe o que se passa no país e onde a população busca serviços públicos de saúde.

Essa gente não tem pudores de manifestar seu preconceito de modo explícito. Nunca, nunca mesmo, se viu mobilização semelhante para que qualquer um dos milhares de políticos fosse obrigado a passar por situação semelhante.

Depois que a gente atinge uma certa idade (uns 30 anos), ir ao médico, fazer exames de rotina e tratar alguma coisa vira uma constante. Idade, vale dizer, já alcançada por todos os políticos. E estão todos eles aí se tratando com seus respectivos médicos particulares, nos hospitais e clínicas particulares, sem despertar qualquer estranheza nos 'neocons' apatetados e desinformados.

Tudo isso porque a raiva do presidente operário não passa. Nem uma doença grave ou um drama pessoal arrefece os ânimos dos ressentidos.

Mas eu vou ser generoso e dar um alento à mesquinharia alheia.

Os políticos brasileiros dividem suas preferências entre os hospitais Albert Einstein (onde faleceu o ex-Presidente Itamar Franco) e o Sírio Libanês (onde Lula está se tratando). Detesto ser estraga prazeres da campanha sórdida de vossas senhorias, mas ambos são um dos muitos hospitais conveniados da rede SUS. Ressalvo que o Albert Einsten tem uma cobertura mais ampla para os usuários do SUS e o Sírio Libanês atua apenas em casos mais restritos

Para poupar trabalho, deixo o link da página do Ministério da Saúde mostrando que há sim hospitais de boa qualidade à disposição de qualquer um.

Sou obrigado a concordar que o digamos "padrão de atendimento" possa não ser o mesmo para os pacientes pagantes e para os não pagantes. Mas essa é uma outra discussão, inclusive de natureza ética. Capaz inclusive de requerer um artigo exclusivo sobre a famigerada "dupla porta", que é o apelido que se dá à prática de encaminhar os pacientes particulares a um setor do hospital e a turma do SUS a outro setor menos luxuoso.

O que importa é saber que ter hospitais de qualidade, ao menos em tese, não é uma exclusividade de ex-presidentes. Mudem de assunto, corvos! Vamos torcer pela saúde de Lula.

(Foto: O Globo)

sábado, 29 de outubro de 2011

Viajando: "Outubro Rosa"

Seja Rosa contra o câncer de mama


Hoje a coluna "Viajando", da colunista Adriana Martins, está um pouco diferente. Ela fala do "Outubro Rosa", campanha de conscientização contra o câncer de mama, com um depoimento absolutamente pessoal. Passemos ao texto.

"Outubro Rosa

Em outubro de 1999 recebemos aquela que parecia ser a pior notícia de nossas vidas, minha mãe, então com 64 anos foi diagnosticada com carcinoma mamário, o temível câncer de mama. Naquela época não tínhamos muitas informações sobre a doença e ficamos muito preocupados com o desenvolvimento de tudo aquilo.

Minha mãe fazia exames regulares, havia feito uma cirurgia de redução das mamas dois anos antes e não sentia nada que a fizesse sequer imaginar o que estava por vir. 

Mas a médica havia sido categórica, a cirurgia se fazia necessária e urgente. Foi marcada então para o dia 25 de outubro daquele ano e minha mãe sempre serena pareceu desabar. 

Ela sempre foi muito fechada e nunca conversávamos muito sobre o assunto, mas eu sabia que aquela notícia a havia tirado o chão. 

No dia marcado estávamos lá, eu e ela. Minha irmã com duas filhas pequenas em casa aguardava ansiosa por notícias. 

A cirurgia transcorreu super bem, mas a suspeita se confirmou o processo cirúrgico adotado foi a quadrantectomia e minha mãe já saiu do hospital com as sessões de radioterapia agendadas. Foram muitas. E dolorosas.

As queimaduras na pele eram visíveis e a cicatrização muito demorada. 

Após todas essas sessões, novos exames e um novo diagnóstico, seria necessário continuar o tratamento com quimioterapia. Esta foi a pior notícia após a cirurgia. A preocupação da vaidosa Dona Alba era com os cabelos e o que a quimio poderia fazer com eles. Mas não havia alternativa e lá fomos nós enfrentar sessões intermináveis de um tratamento altamente agressivo. 

Foi uma fase muito ruim, pra minha mãe que sofria horrores após cada sessão e pra mim, que sofria junto com ela, pois não havia nada que eu pudesse fazer a não ser emprestar minha presença. 

Após tudo isso a boa notícia, não havia mais sinais das células cancerígenas, mas os exames seriam feitos a cada mês, três meses, seis meses e por fim anualmente. Durante 5 anos o período é chamado de remissão, onde o paciente não apresenta nenhuma célula cancerígena, mas ainda não é considerado curado. 

Hoje, 12 anos após o diagnóstico e cirurgia minha mãe pode ser considerada curada pela medicina, mas eu a considero uma vencedora! Ela lutou a cada dia para que o diagnóstico negativo não fosse impedimento para que ela continuasse vivendo. Ela é meu maior exemplo. 

Porque tudo isso aconteceu eu faço mamografias regulares desde os 30 anos. E todo ano minha mãe me liga pra me lembrar do meu compromisso com o exame. 

Hoje ela está com 76 anos e super saudável. Viaja todos os anos e aproveita a vida da melhor maneira possível, mas nunca esquece de tudo que passou e tem certeza que se não fosse o diagnóstico precoce, a história seria outra. 

P.S.: e após tantas sessões de quimio os cabelos da minha mãe não cairam... no final eu não sei se ela estava mais feliz pelo fim da doença ou por não ter ficado careca... risos

O diagnóstico de câncer, embora assustador, é básico para o processo de conhecimento da doença e do tratamento que o paciente necessita para curar-se. E o processo ensina muita gente a aceitar o problema e lutar pela vida. (http://www.vidaintegral.com.br/noticias.php?noticiaid=316)

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O consumo de alimentos orgânicos - Uma necessidade imperiosa


Estou para escrever este post já há algum tempo, mas sempre me faltava tempo ou aparecia outro assunto palpitante... Mas os alimentos orgânicos estão novamente na ordem do dia.

Até por questões de orientação religiosa, que neste momento não cabe comentar aqui, sou um entusiasta dos mesmos. Sempre que encontro, a preferência é sempre por este tipo de produtos, não somente legumes e frutas, como frangos, ovos e alimentos industrializados - como sucos, café e, especialmente, açúcar. São alimentos mais saudáveis, que incentivam a agricultura familiar, ou seja, possuem função social, e incomparavelmente mais saborosos.

Ainda são mais caros, porque não há grande escala de produção, mas quanto maior a procura que nós consumidores exercemos, maior será a produção e menor o preço. Vale lembrar que a cada dia aumenta a demanda por este tipo de produto e, por isso, percebe-se ao mesmo tempo um aumento de oferta e diminuição dos preços. Isso é reflexo da maior produção e de incentivos do governo à produção de alimentos sem agrotóxicos.

Acima apresento documentário sobre o uso de agrotóxicos realizado pelo cineasta Silvio Tendler, "O Veneno está na Mesa". É estarrecedor. O Brasil é um dos maiores consumidores do produto no mundo, atendendo à lógica de que o importante é o custo de produção, não o respeito à saúde.

Ainda temos de enfrentar a questão dos transgênicos, produtos manipulados geneticamente, que dependem de maciças doses de venenos químicos e que não se sabem ainda suas consequências. Pesquisas recentes indicam, ainda, que estes produtos são menos nutritivos e causam riscos maiores à saúde - até porque a planta não se desenvolve se não receber o defensivo agrícola fabricado pela mesma empresa que fornece as sementes.

Lembro ainda que as sementes transgênicas são patenteadas por uma empresa - quase todas pela malsinada Monsanto - e isto gera uma relação de dependência econômica no campo que pode desarticular relações produtivas seculares. As sementes não podem ser separadas da produção anterior - pois são estéreis - e isto coloca a agricultura nas mãos de um oligopólio de poucas empresas. Escrevi post anterior sobre o tema, que pode ser lido aqui.

Queria chamar a atenção para dois produtos em especial: os frangos e o açúcar.

O frango comum, que se compra no mercado, possui aproximadamente um terço de seu peso formado por hormônios de crescimento (basicamente estrogênio e progesterona) e antibióticos. Já há pesquisas correlacionando o aumento do consumo destas aves à cada vez mais precoce menstruação em pré-adolescentes. Além disso, o frango caipira eque em média fica pronto para abate em noventa dias, nestes frangos "anabolizados" está em, pasmem, dezenove dias o tempo de abate.

A empresa Korin é a principal produtora de frangos e ovos livres de indutores de crescimento e de antibióticos brasileira, com produtos encontrados com certa facilidade nos principais centros. Mas há outras empresas seguindo o memso caminho e apresentando boas opções.

Quanto ao açúcar refinado, ele leva de tudo em sua composição, até porque o açúcar não é branco por natureza. Para alcançar tal coloração é utilizado ácido clorídrico, farinha de ossos e outros ingredientes, nem um pouco saudáveis. Hoje a oferta deste produto já é bem maior: marcas como a Native e mesmo a União oferecem produtos orgânicos certificados e de consumo seguro.

Legumes, verduras e frutas - estas um pouco menos - já possuem diversas opções, novamente lideradas pela Korin mas com diversas marcas de produtos certificados. Todo produto orgânico tem de ser certificado por uma das empresas existentes e reconhecidas para tal fim, tais como a ABIO, a CMO e o IBD. Mas existem outras - são dezessete entidades. Este selo nas embalagens do produto garante a sua procedência e a consequente qualidade.

Hoje já se pode adquirir uma vasta gama destes produtos, em diversos pontos de venda. A comercialização deste tipo de alimento está deixando de ser um gueto para iniciados e torna-se cada vez mais ampla. E isto é fundamental tendo em vista os notórios prejuízos à saúde causados pelos alimentos que visam unica e exclusivamente o lucro.

Há outras duas grandes vantagens no consumo de alimentos orgânicos: possuem um sabor diferenciado, visivelmente mais agradável ao paladar; e respeitam o meio ambiente. Ecologia na prática, saindo do discurso bonito e na maioria das vezes hipócrita - se dizer "ambientalista" sem abrir mão de custo ou de conforto é muito fácil.

Vamos fazer algo prático pela saúde e pela ecologia ?

sábado, 3 de setembro de 2011

A Médica e a Jornalista - "A solidariedade a Ricardo Gomes e atenção para uma doença que pode ser fatal"


Neste sábado, a coluna "A Médica e a Jornalista", assinada pela Anna Barros, aproveita o seríssimo drama vivido pelo técnico do Vasco Ricardo Gomes para falar de uma doença séria: o AVC, acidente vascular cerebral, também chamado de AVE - acidente vascular encefálico.

Aproveito para fazer um protesto. Meia dúzia de três ou quatro idiotas gritou "vai morrer" na arquibancada do Engenhão enquanto o técnico era retirado. Era um ato de provocação - idiota - até porque não se tinha noção da gravidade do estado de saúde do técnico.

Pois é: o fato gerou uma verdadeira "caça às bruxas" aos rubro negros nas redes sociais e fora delas no final do domingo e da segunda feira, com muitas ofensas distribuídas de forma genérica: "é a torcida do Flamengo". Eu mesmo, que trabalho, pago minhas contas e levo uma vida honesta e digna tive de ler diversos xingamentos dirigidos a mim - e não foram poucos. Não se deve tomar três ou quatro imbecis como o todo.

Lembro, ainda, que até hoje a própria torcida vascaína entoa nos estádios uma musiquinha aludindo aos flamengos mortos na queda da arquibancada em 1992. Disso ninguém fala. Mas a verdade é que hoje é "modinha" criticar o Flamengo, seus torcedores e os incautos que se atrevem a ponderar neste mundo cada vez mais insano e radical em que estamos.

Dito isso, vamos ao que realmente importa.

A solidariedade a Ricardo Gomes e atenção para uma doença que pode ser fatal

Não consigo pensar em mais nada essa semana a não ser em Ricardo Gomes. Não só por ser técnico do meu time, mas também pelo problema de saúde que o afetou.

Na hora em que assistia ao jogo Vasco e Flamengo, no último domingo, 28 de agosto, e vi que ele passara mal percebi no desvio de seu lábio pro lado esquerdo que ele estava sofrendo um Acidente Vascular Cerebral, que depois foi diagnosticado como hemorrágico. Já sabia de sua história pregressa de um ataque isquêmico transitório em 2010, quando treinava o São Paulo em um jogo que seu time perdeu para o Palmeiras por 2 a 0. E dali só pude rezar e vibrar: Força, Ricardo.

A partir dali, o jogo perdeu a importância. Só queria saber de notícias do nosso comandante. Ele acabou sendo operado para a drenagem do sangue que extravasou de suas artérias após a elevação da pressão arterial para 190x120 mmHg. A cirurgia durou três horas, foi um sucesso, mas ficou a apreensão do que aconteceria  nas 72 horas subsequentes. Se ele teria sequelas, se falaria normalmente, se voltaria a treinar futebol.

Depois disso o que se viu foi uma das maiores manifestações de solidariedade de outros times que eu vi. No Twitter, o #forçaricardogomes alcançou os Trending Topics do domingo com o apoio de twitters de sites como o Netflu e o Botafogonews. Muitas mensagens de carinho e de apoio.

Até que na última quarta-feira, outros times fizeram homenagens. O Corinthians, líder do campeonato, colocou na parte de baixo de sua camisa, o #forçaricardo, o Botafogo entrou com o nome de Ricardo Gomes em sua camisa, assim como o São Paulo, clube que ele foi técnico e o Fluminense, time que foi ídolo como zagueiro, usou uma camisa que alertava para o Dia Mundial contra o AVC, 29 de outubro.

Isso sem contar a bela homenagem que Vasco e Ceará fizeram com faixas onde se liam também: Força, Ricardo Gomes. E a oração de um Pai Nosso no centro do gramado junto com a arbitragem. Um momento realmente tocante e bonito. E a vitória de 3 a 1 sobre o Ceará para coroar a noite, que o time dedicou ao técnico de forma emocionante.

As boas notícias não pararam de acontecer. Ricardo Gomes abriu os olhos, fez movimentos e sorriu quando soube que o time cruzmaltino havia vencido o Ceará. Isso tudo aconteceu porque sua recuperação vem evoluindo bem e os médicos retiraram seus sedativos que o colocavam em coma induzido. Isso prova que vibrações positivas, orações e toda a sorte de boas energias ajudam àquelas pessoas enfermas que precisam. No mundo caótico, materialista e individualista em que vivemos é preciso ter Fé.

Nem nós, torcedores do Vasco, nem o próprio Ricardo, poderíamos imaginar que ele fosse tão querido. É porque ele tem características difíceis de encontrar no meio do futebol: caráter, integridade e correção.

E seu drama chamou atenção para uma doença silenciosa: o AVC ou AVE, que é a nomenclatura mais recente. Acontece por aumento da pressão arterial que muitas vezes  pode estar relacionada ao stress de sua profissão. E os sintomas mais frequentes são: perda de força no lado contrário à área atingida pelo derrame, ptose palpebral, fala arrastada ou dificuldade de falar, desvio de comissura labial para o lado contrário e perda da visão de um dos olhos. Se alguém próximo a você ou você mesmo sentir esses sintomas e tiver histórico de hipertensão arterial não controlada ou controlada, precisa procurar o serviço médico imediatamente. Nesses casos, os minutos podem ser fatais ou salvarem a vida do paciente.

No caso de Ricardo Gomes, o salvaram.

Se é que podemos tirar um lado positivo desse drama que nos sensibiliza e nos comove é atentar para uma das doenças mais comuns à nossa volta, que muitas vezes passa despercebida e em muitas situações podendo levar à morte. Rezo para que Ricardo Gomes se restabeleça o mais rápido possível e não tenha seqüelas, podendo tocar a sua vida normalmente. E presto minha solidariedade à sua esposa, seus filhos e familiares. Força, Ricardo Gomes! Sempre!

Até a próxima!
Anna Barros

sábado, 20 de agosto de 2011

A Médica e a Jornalista - "Um alerta aos homens: o câncer de próstata"

A coluna "A Médica e a Jornalista", assinada pela Anna Barros, traz um tema que é uma das maiores causas de mortes masculinas hoje em dia e que, por causa do exame necessário (acima), é alvo de muito preconceito: o câncer de próstata.

Um alerta aos homens: o câncer de próstata

O câncer de próstata aterroriza muitos homens. Acomete aqueles com mais de cinquenta anos de idade. Há alguns fatores de risco como: idade, história familiar de pai ou irmão com câncer de próstata antes dos sessenta anos de idade, dieta rica em gordura e pessoas com pele negra.

O desenvolvimento da doença é silencioso.

Muitos pacientes não apresentam sintomas e quando apresentam se manifestam como dificuldade ao urinar e freqüência urinária aumentada durante o dia ou durante à noite. Em uma fase avançada o paciente pode ter dor óssea e até insuficiência renal.

O diagnóstico pode ser clínico através do toque retal, que deve ser feito em todos os homens a partir dos 50 anos com o urologista. Outro exame é a dosagem do PSA, que é o antígeno carcinogênico prostático, que pode sugerir a realização de uma ultrassonografia pélvica ou trans-retal. Essa ultrassonografia pode revelar a necessidade de realização de uma biópsia.

O tratamento do câncer de próstata depende do estagiamento clínico.

Para doença localizada, se indica cirurgia e radioterapia. Para doença avançada, cirurgia, radioterapia ou cirurgia em combinação com tratamento hormonal. A escolha deve ser individualizada e realizada, a critério médico do especialista - que é o urologista.

Os homens brasileiros devem quebrar o tabu e realizar o toque retal com mais freqüência, a fim de que seja detectado precocemente o câncer de próstata e também para que se possa prevenir a doença, que é um dos tumores mais comuns no sexo masculino.

O câncer de próstata é uma ameaça ao sexo masculino que deve ser combatida com prevenção.

Até a próxima!
Anna Barros"

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Jogo Misto - Dra. Lívia Gesta

Doutora Livia Gesta, na casa dos trinta, dentista e rubro negra. Contatos em comum levaram ao conhecimento e a uma convivência virtual, mas bastante interessante - com direito a ser chamada de "sádica" por mim e de retrucar com "medroso", algo que assumo que sou.

A Doutora é a entrevistada de hoje da coluna "Jogo Misto".

1 - Iniciando a entrevista legislando em causa própria: por que as pessoas tem tanto medo de dentista?

LG - Antigamente, os métodos e materiais usados pelos dentistas realmente causavam desconforto ao paciente - como, por exemplo, agulhas grossas para dar anestesia no paciente.

Porém, hoje em dia esse tipo de reclamação não procede mais, já que houve um grande aperfeiçoamento dos equipamentos e procedimentos dentais.

Outro motivo é que grande parte dos pacientes procura o dentista quando sente dor no dente. Com isso,acham que como já estão sentindo dor no dente sentirão mais ainda na cadeira do dentista.

Existem também pacientes traumatizados durante a infância, seja por causa de alguma ida ao dentista, seja por causa dos próprios pais. Outro dia eu estava na fila do supermercado e tinha um garotinho fazendo malcriação. A mãe virou-se pro garotinho e falou "se você não se comportar, eu te levo pro dentista agora". Complicado...

2 - Qual a indicação para tratamento em pessoas com fobia?
LG - um caminho é criar uma relação de confiança entre profissional e paciente. Essa relação pode ser criada a partir do momento em que o profissional é receptivo ao paciente e este se sinta à vontade com o profissional. 

Atualmente, uma técnica muito usada nos consultórios dentários é a sedação consciente ou analgesia inalatória, realizada com óxido nitroso e oxigênio. Em casos extremos, como nos pacientes que possuem síndrome do pânico ou fobia aguda, o mais correto é tratar o paciente com a ajuda de um psicólogo ou psiquiatra.

3 - A partir de que idade as crianças devem ser levadas ao dentista?
LG - o ideal é levar o bebê aos seis meses de idade ou quando os primeiros dentes de leites erupcionarem na boca. Após esse período o ideal é levar a criança quando todos os dentes de leite já estiverem na boca, o que ocorre por volta dos dois anos de idade.

4 - Vale a pena efetuar tratamentos reparatórios em dentes de leite?
LG - sim. A cárie é uma doença causada por bactérias. A partir do momento que você tem um dente de leite cariado,você tem um nicho de bactérias no local e isso pode fazer com que outros dentes fiquem cariados - inclusive os permanentes que ainda irão erupcionar.

5 - Quais as vantagens do uso de aparelhos corretivos? Há casos em que além de seu uso uma cirurgia reparadora é necessária?
LV - A função dos aparelhos ortodônticos é corrigir o posicionamento dos dentes. Podem ser usados para melhorar a estética, corrigir a mastigação, melhorar dores de cabeça e enxaquecas relacionadas ao mau posicionamento dentário e tratamento de apnéia.

E além do uso do aparelho, alguns pacientes precisam sim fazer alguma intervenção cirúrgica, seja ela a extração de algum dente ou mesmo uma cirurgia ortognática.

6 - Qual a razão do custo muitas vezes elevado dos tratamentos?
LG - existem vários tipos de materiais no mercado e a variação de preço é muito grande. Um material de boa qualidade é caro, logo a gente repassa o valor do material no valor do tratamento.

Além do mais, um bom dentista está sempre se atualizando. Para isso tem que fazer especializações, cursos, ir a palestras, congressos, comprar CDs e livros. Tudo isso tem um preço elevado, que também é repassado no valor do tratamento.

E também o profissional tem que pagar impostos relacionados à profissão: aluguel (em caso de consultório alugado), condomínio, contas (luz,telefone). Enfim, o valor cobrado pelo dentista é um somatório de valores que o profissional gasta e que tem que ser repassado para o paciente.

7 - Com que frequência um adulto deve ir ao dentista? Quais os procedimentos preventivos que devem ser feitos?
LG - o ideal é que uma pessoa vá ao dentista de seis em seis meses para realizar a limpeza e a profilaxia dos dentes, além de um exame minucioso.

8 - Quais as consequências que dentes em mau estado podem trazer?
LG - dentes mal cuidados podem trazer uma série de problemas como dor, hálito ruim, causar ou piorar doenças no coração, rins e outros órgãos. Além de problemas nas articulações e estéticos.

9 - Qual a forma  e os procedimentos mais indicados de se fazer higiene bucal?
LG - para se fazer uma boa higiente bucal basta usar corretamente o fio dental e usar a técnica correta de escovação. Algumas pessoas gostam de usar um enxaguatório bucal para finalizar o processo.

O uso do enxaguatório bucal ajuda, desde que ele não possua álcool em sua composição.

10 - Afinal de contas, o flúor é mocinho ou vilão?
LG - O Flúor é mocinho, desde que seja usado em sua dosagem correta. Do contrário passa a ser vilão.

11 - Há diferença entre os cremes dentais disponíveis no mercado ou é apenas "marketing"? Você indicaria alguma marca?
LG - não há muita diferença. 

Todos possuem flúor, que é o que importa. O que realmente difere um creme dental de outro são os cremes dentais específicos para dentes com sensibildade ou para clareamento.

Não existe, por exemplo, creme dental que vá resolver problema periodontal, como vemos em algumas propagandas por aí.

12 - Sei que tem alguns clientes considerados "celebridades". Há alguma particularidade no tratamento?
LG - Nenhuma. O material usado é o mesmo, a técnica operatória usada é a mesma, o preço cobrado é o mesmo.Já aconteceu de gente famosa querer tratamento de graça com publicidade, mas mostro que isso não é possível.

13 - Há casos em que se fazem necessárias cirurgias fora do consultório? Em quais?
LG - são em casos de cirurgias onde há a necessidade do acompanhamento do paciente por outros profissionais, seja porque a cirurgia é de alto risco, de grande porte ou seja porque o paciente necessita de anestesia geral.

14 - Qual a formação necessária - além de uma boa dose de sadismo (risos) - para se tornar um profissional da área? Quais as qualidades necessárias a um bom dentista?
LG - uma faculdade de odontologia ensina o básico. Você sai com um diploma de cirurgião-dentista e está apto a fazer os procedimentos mais simples.

Para se tornar um profissional mais capacitado o dentista tem que fazer cursos ao longo de toda a sua carreira, visto que a evolução dos materiais e equipamentos e da técnica operatória é algo constante.

15 - Por que gosta tanto da Barra da Tijuca?
LG - na verdade, nem gosto muito (risos). Vim morar na Barra por causa dos meus pais e acabei me instalando por aqui tanto residencial quanto profissionalmente.

16 - Como nasceu sua paixão pelo Flamengo?
LG - a paixão pelo Flamengo nasceu a partir do momento em que eu nasci.

Sou filha de mãe botafoguense e pai vascaíno, sendo que a minha família por parte de pai é toda portuguesa.  Logo, todos são vascaínos e tentaram me transformar numa vascaína como eles. Mas não deu muito certo e eles me contam que desde quando eu nem sabia que era gente eu já falava do Flamengo.

17 - Um jogo inesquecível. Por quê?
LG - na verdade, são dois. 

O Flamengo 3 x 0 Botafogo na decisão do campeonato brasileiro de 1992, porque foi a primeira vez em que fui em uma decisão e era a segunda vez que eu ia ao Maracanã (a primeira vez tinha sido no Flamengo 3 x 1 Santos, que selou nossa ida à final desse mesmo campeonato).

E Flamengo 5 x 4 Santos desse ano, porque eu estava lá e vivenciei todas as emoções desse jogo ao vivo e à cores.

18 - Uma canção inesquecível. Por quê?
LG - "Caçador de Mim", Milton Nascimento. Cresci ouvindo essa música e ela é como se fosse uma autobiografia.

19 - Livro ou filme? Por quê?
LG - Livro: "Cidade Partida", Zuenir Ventura. Vivenciei grande parte dos acontecimentos relatados no livro por ter feito parte da ONG Viva Rio. 

Filme: "Forrest Gump, o contador de histórias". Atuação magistral de Tom Hanks e uma história muito bonita.

20 - Finalizando, com os agradecimentos do Ouro de Tolo, algumas palavras sobre o blog ou sobre autor/editor
LG -  O Ouro de Tolo é um blog que eu conheço há tempos.

Sempre leio porque ele fala de assuntos variados seja esportes, bebidas, músicas, filmes, dentre outros assuntos. E o Migão é uma pessoa que "conheço" de longa data, desde os tempos em que comentávamos no Flamengonet.

Longa vida ao Ouro de Tolo e, principalmente, para seu autor!

A Doutora Lívia Gesta pode ser encontrada da seguinte forma:

Consultório - Avenida das Américas, número 2111, sala 113, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro
Telefones - 3905-0303 / 3258-0050
e-mail - liviagesta@gmail.com

domingo, 19 de junho de 2011

Bissexta - "A Minoria Esquecida"


Neste domingo temos mais uma edição da coluna "Bissexta", assinada pelo advogado Walter Monteiro. O assunto da coluna de hoje é um preconceito muito peculiar, mas sério: o que ocorre contra os gordinhos.

O curioso é que em boa parte da minha vida sofri o preconceito inverso: era extremamente magro, muito mesmo, inclusive com insinuações de que teria doenças incuráveis. Mas hoje, trinta quilos depois, estou mais para sobrepeso que para exatamente "magrinho".

A Minoria Esquecida

Uma das vantagens de morar no Rio Grande do Sul é que a pessoa fica rodeada de mulheres bonitas. Uma dessas é uma jovem advogada que conheço vagamente, por amigos em comum. Ela conseguiu um bom emprego em um escritório de advocacia, uma chance de alavancar a carreira profissional. A moça está sempre elegante, tem um sorriso quase que de cristal de tão branco que é, longos cabelos dourados e bem cuidados, um namorado boa pinta, outros interessados na fila, muitas e muitas amigas, tão 'gatas' quanto ela própria. Entretanto, não é nenhuma sílfide. Eu me arriscaria dizer que deve vestir manequim 44. Nada demais, apenas um pouco “cheinha”, como se dizia antanhos.

No primeiro dia no seu novo emprego o dono do escritório reuniu os recém-contratados para expor a filosofia de trabalho da organização. Lembrando a todos que oferecia condições de remuneração bem acima do mercado, disse que esperava da equipe um comprometimento aos valores do escritório, dentre os quais a crença de que uma pessoa que é relaxada com o próprio corpo tende a ser igualmente deficiente no trato das coisas profissionais.

E que na visão dele pessoas acima do peso seriam o símbolo maior desse desleixo. A minha conhecida, coitada, passou recibo da advertência e mergulhou em uma dieta radical. Encontrei-a dias atrás, uns cinco quilos mais magra, o vestido sobrando no corpo, uns olhos de mormaço, o sorriso escondido. Tudo para se adequar à filosofia do escritório de advocacia que sonhava ser uma academia de yoga.

Também recentemente conheci uma enfermeira, cinco anos de experiência em UTI Neonatal em dois hospitais de prestígio na cidade. Sabe-se lá o porquê, mas a moça começou a engordar acima do esperado e realmente ficou totalmente 'overweight', para ser delicado. Convenhamos, problema dela, né? Ledo engano! A tendência, nesse segmento, é que um enfermeiro acima do peso passa uma imagem pouco saudável e isso não seria bem interpretado pelos pacientes. Demitiram a enfermeira e ela hoje sonha em passar em um concurso público, onde, felizmente, as pessoas ainda não são julgadas exclusivamente pela aparência externa.

É possível que o leitor já tenha ouvido falar no documentário 'Super Size Me', onde o cineasta Morgan Spurlock passou 30 dias se alimentando exclusivamente no McDonald’s, o que deteriorou sua saúde e lhe adicionou 14 quilos em um único mês por conta da dieta de 5 mil calorias diárias. O filme foi tão impactante que o próprio McDonald’s e outras redes de fast food passaram a incluir no cardápio opções mais saudáveis.

Muito pouco comentada, porém, foi a experiência de um segundo documentário, propositalmente chamado de Down Size Me. Uma mulher de 49 anos adotou a mesma premissa e se alimentou exclusivamente no McDonald’s por 60 dias, com pequenas diferenças, como fazer apenas três refeições ao dia, se exercitar ocasionalmente e tomar decisões racionais sobre a forma de se alimentar e viver. Para espanto geral, Soso Whaley PERDEU 4,5kg e melhorou seu nível de colesterol, a despeito de sua criticada dieta.

O que a experiência revela? Bom, dentre outras coisas, que a fisiologia de cada ser humano pode ser decisiva para saber se alguém vai ser gordo ou magro. Spurlock tinha uma óbvia propensão a engordar e Whaley está predestinada a ser magra.

O aspecto da fisiologia, infelizmente, é constantemente posto de lado quando se trata de gente gorda.  Há gente alta e gente baixa. Há calvos e cabeludos. Há diferenças de todos os tipos e origens notáveis nos seres humanos. Todas elas percebidas e aceitas como parte essencial do código genético que herdamos. A menos que você seja gordo. Aí a culpa é sua, você que emagreça, que se adeque, que cultive uma aparência dita saudável.

Minha avó, que Deus a tenha, era gorda. Meu pai é gordo. Eu sou gordo (peso em torno de 100kg). Algumas vezes, à custa de muito esforço, consegui emagrecer a ponto de ser menos gordo (embora nunca tenha deixado de sê-lo inteiramente). Mas isso me obrigava a ter uma vida de renúncias a muitos prazeres que outras pessoas desfrutam sem maiores consequências, como beber uma ou duas vezes por semana, comer pizza ou doces ou fazer exercícios apenas alguns dias.

Para que eu possa pesar menos de 80kg o meu biótipo exige que eu faça umas dez horas de exercício por semana, que tenha uma dieta de 1.200 calorias por dia, que praticamente pare de beber. Isso para sempre. É o que se chama polidamente de “reeducação alimentar”.

Eu prefiro chamar de alienação. Desisti.

Preferi estacionar nos 100kg, me preocupar apenas com a minha saúde (que vai bem, obrigado) e fazer exercícios só para combater o sedentarismo. Sou muito mais saudável, física e mentalmente, do que homens e mulheres da minha idade, que insistem em ter aos quarenta e poucos anos o peso que tinham aos dezesseis.

A aceitação do meu corpo natural, entretanto, não me cega a ponto de não me incomodar com o sofrimento dos que nasceram iguais a mim. Essa é a verdadeira minoria sofrida, a que ninguém defende e ainda olha com um ar de desprezo...


sábado, 4 de junho de 2011

Do Jacaré ao Litoral - "Motivação e Corrida"


Neste primeiro sábado de junho, mais uma edição da coluna "Do Jacaré ao Litoral", assinada pela maratonista amadora e analista de TI Stela Souto.

Hoje o escopo do texto é a motivação necessária para se levar adiante um bom programa de corrida.

Motivação e Corrida

Hoje o assunto é aquele que volta e meia acomete um corredor, desde o iniciante até o mais experiente: a falta de motivação. 

Uma fase mais atribulada no trabalho, um problema de saúde, uma mudança na rotina e pronto, lá vem ela. Quem ainda não passou por isso certamente passará em algum momento. Não há fórmula mágica para reverter uma fase de desmotivação. 

O principal é lidar com a causa raiz da questão. Se for um problema pessoal, reserve um tempo para resolvê-lo. Uma lesão, trate-a. Uma nova rotina, adapte-se. Uma vez sanada a causa, é preciso retomar aos poucos. Certas dicas são preciosas para 'não deixar a peteca cair' quando o estímulo começa a rarear:

Trace novas metas. Muitas vezes a falta de motivação ocorre porque você não sabe onde quer chegar com a corrida. Suas metas precisam estar onde você possa alcançá-las, mas não devem deixar de existir. 

Você escolhe: diminuir o tempo, aumentar a distância... Ou mesmo correr um tempo ou distância determinados sem parar, se você é iniciante. Quando você tem um objetivo, ainda que pequeno, ele te faz seguir em frente.

Mude o cenário dos seus treinos. Depois de um certo tempo correndo sempre no mesmo lugar é como se o cérebro mapeasse o percurso e ele deixasse de ser desafiante. Correr em um local desconhecido acrescenta novidade ao seu exercício e pode ser uma fonte de estímulo importante. 

Se você não tem tempo de se deslocar até um ponto diferente, experimente trocar a rua pela esteira algumas vezes por semana. A variação dos estímulos trará novo ritmo às suas corridas e aumentará sua motivação.

Corra com um amigo ou um grupo. A corrida é um esporte individual, mas é bastante social. Chame aquele seu amigo corredor ou mesmo aquele que quer começar a correr para um ou mais treinos. Ter um compromisso firmado com um companheiro aumenta seu comprometimento com o esporte, ainda que vocês não corram juntos o percurso todo. Marque o horário e o local da largada e chegada e aproveite para trocar impressões ao final do treino. Isso o ajudará a estar sempre estimulado.

Lembre-se de como se sente ao final de um treino. Quem já correu alguma vez na vida conhece a sensação ao final de uma sessão de corrida. Endorfina em alta e um sentimento de leveza e bem estar. Mas quando a desmotivação surge é comum esquecer o quanto correr faz bem. Procure resgatar esta noção e realizar um treino inteiro com ela em mente. Ao reencontrar-se com a sensação esperada os treinos seguintes voltarão a ocorrer com facilidade.

Também vale criar sua própria fórmula e colocá-la em prática. 

O que não vale é ficar parado agora que você já conhece o bem que a corrida faz pro corpo e pra mente! Mexa-se, leitor!


terça-feira, 31 de maio de 2011

Uma análise sobre a legalização da maconha


Nos últimos dias assistimos a um intenso debate midiático sobre a eventual legalização ou não da venda e do uso da maconha.

Ao contrário da coluna "Bissexta", do último domingo, que posiciona uma série de argumentos contra a liberação, confesso aos leitores que não tenho opinião formada. Entretanto considero que o debate se faz necessário, porque é algo que existe na sociedade e a legislação sobre o assunto, apesar de recente, a meu ver precisa ser melhor avaliada.

Considerando o ângulo econômico, uma eventual legalização da venda e do consumo traria à economia formal todo um setor econômico que hoje transita na ilegalidade e que gera despesas com segurança pública e o combate ao comércio. Além disso passaria a haver um controle da qualidade do produto, hoje absolutamente inexistente.

Discordando do que escreveu o colunista Walter Monteiro no último domingo, acredito que não necessariamente os envolvidos no comércio ilegal passarão em sua totalidade a outros tipos de crime. Em um processo de transição do tráfico para a comercialização legal pode-se perfeitamente estabelecer algum tipo de anistia ou "pedágio" para os vendedores e submetê-los a um processo de treinamento a fim de que possam trabalhar no novo mercado legalizado. 

Obviamente sempre haverá aqueles que preferirão a vida em outros tipos de crimes, mas em um processo bem estruturado penso que poderia sim haver um retreinamento e ressocialização destes indivíduos, pelo menos da maioria destes.

Outra característica de um eventual mercado oficial seria a arrecadação de impostos. Tal e qual o álcool e o tabaco a venda regulamentada da maconha seria fortemente tributada a fim de restringir o consumo, o que possibilitaria o aumento da arrecadação. Poder-se-ia na lei que regulasse a venda e o consumo atrelar a receita de impostos à sua utilização na ampliação da rede de saúde voltada a dependentes, mas é apenas uma idéia.

Ponto que também penso ser fundamental em um processo de liberação seria a restrição do consumo a lojas especializadas (como a Bulldog de Amsterdã, na foto que abre este post) e quadriláteros de espaços onde o consumo seja permitido. Até para limitar a propaganda de seu uso.

De certa forma é algo que já existe hoje parcialmente com o cigarro de nicotina e alcatrão, que embora tenha ainda uma venda mais ampla em termos de pontos de venda no que tange a seu consumo existe a cada dia mais maior restrição. Aqui no Rio de Janeiro e em outros estados, praticamente somente se pode fumar ao ar livre e dentro de casa. 

Aspecto que também deve ser fortemente regulamentado seria o da publicidade. Não sei qual o melhor modelo, se o da proibição total como o do cigarro ou a limitação às madrugadas, como ocorre com as bebidas alcoólicas destiladas. O leitor pode me ajudar a definir qual seria a melhor fórmula, pois não tenho opinião formada. Também pode-se utilizar uma solução similar ao dos maços de cigarros, com as caixas trazendo advertências sobre os malefícios do consumo à saúde.

Entretanto, é fato de que se necessitará ampliar o atendimento de saúde a fim de atender a dependentes. Por outro lado, recursos destinados à repressão ao tráfico poderão ser destinados a outras formas de combate ao crime - embora como já escrito em outras ocasiões exista todo um problema conceitual na forma em que este combate se dá.

Vale lembrar também que a legalização, como chamada a atenção no último domingo, irá permitir um maior controle de qualidade do produto e, consequentemente, uma maconha mais "forte". Por outro lado, com as exigências sanitárias e os custos gerados pela cadeia produtiva e na arrecadação de impostos o produto tende a chegar ao consumidor final a um preço mais alto que o encontrado hoje nas favelas e "quebradas" de todo o país. Por outro lado haverá a tranquilidade de consumir o produto sem se preocupar com Polícia ou traficantes.

Em que pesem os argumentos apresentados aqui - e que me fazem tender à defesa de uma "liberação controlada" - é debate que se faz necessário, de preferência sem aproveitadores retrógrados querendo posar de "moderninhos". Isso é questão séria e que precisa ser tratada seriamente.

Voltaremos ao tema.


sábado, 14 de maio de 2011

Do Jacaré ao Litoral: "Sobre a corrida e os aniversários"


Nestes dias especialíssimos do aniversário do Ouro de Tolo, a já tradicional coluna "Do Litoral ao Jacaré", assinada pela analista Stella Souto, faz uma comparação entre o aniversário deste espaço e o do momento em que iniciou na prática da corrida.

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Sobre a corrida e os aniversários

O blog está em clima de aniversário e eu também voltei meus olhos àquele outubro de 2009, o meu primeiro aniversário nas corridas.

Muita coisa mudou naqueles 365 dias e compartilho com vocês as principais mudanças ocorridas naquele ano e ainda percebidas ao longo do tempo. Já que no princípio se adaptar a uma rotina de exercícios é basicamente disciplina e sacrifício, espero que ao conhecerem alguns dos benefícios vocês se sintam motivados a deixar o sedentarismo ou se manter ativos!

Primeiro o que todos sempre querem saber. Sim, correr emagrece! Não só emagrece como nos ajuda a nos manter magros. A atividade aeróbica não vai apenas queimar calorias. Também vai fortalecer os músculos, que são o tecido do corpo que mais energia consome no organismo. Isto significa dizer que quanto mais massa muscular, mais calorias o corpo queimará em repouso. Não é ótimo?

Para mim, particularmente, as maiores mudanças observadas foram em relação à quantidade e qualidade do sono. Eu, que sempre tive insônia, passei a dormir noites inteiras sem interrupção. E ao longo do tempo o ciclo de sono foi se ajustando: passei a dormir e acordar mais cedo naturalmente.

Independente do momento do dia escolhido para a prática do exercício, as manhãs costumam ser mais produtivas para quem se exercita. O cérebro acorda mais ativo e enquanto o restante do escritório ainda luta para colocar seus neurônios em funcionamento, você já está com força total! E junto com o aumento da disposição matinal vem a diminuição daquela sonolência que costuma aparecer durante o dia, em especial após o almoço. Sono só na hora de dormir.

A corrida também ajudou a diminuir a ansiedade e os sintomas de depressão em um ano complicado para mim. Era ficar aborrecida, calçar os tênis e melhorar de humor. Para mulheres isso se traduz em algo de fundamental importância: correr ajuda a combater a TPM!

Por último e não menos importante: correr ajuda bastante o nosso sistema imunológico, ajudando a reduzir o número de hospitalizações, consultas médicas e uso de medicação. Meu sistema respiratório sempre foi cambaleante e eu vivia sofrendo com gripes, resfriados, amigdalites, rinites e sinusites. O ano de 2011 está chegando à metade e eu convivi com zero destes problemas até agora. Credito totalmente à corrida!

Este é o fruto de alguns aniversários com a presença da atividade física regular na minha vida. Espero que vocês também possam celebrar os seus e aproveitar tudo de bom que o exercício proporciona ao nosso dia a dia.

Pratique!


segunda-feira, 9 de maio de 2011

Sobre o aborto


Estou para escrever sobre este assunto há algum tempo, mas havia faltado oportunidade e mesmo achar o tom certo para o tema.

Eu me considero uma pessoa razoavelmente progressista. Tenho defendido diversas posições alinhadas aos setores de vanguarda da sociedade, em diversos aspectos. Escrevi há bastante tempo sobre a união homoafetiva, que ganhou jurisprudência na última semana em rara decisão acertada do Supremo Tribunal Federal.

Entretanto, há um tema onde sou absolutamente conservador, e nestas linhas explicarei o porquê: o aborto. Sou radicalmente contra.

Meu posicionamento é simples: sou partidário da tese de que a vida começa na concepção. A partir daquele momento, há uma vida, e há direitos a serem preservados como os de qualquer pessoa que habite este planeta. O direito à vida é o primeiro deles.

Abortar uma criança é a mesma coisa, a meu ver, que uma execução à queima roupa. Não há chance de defesa e sequer possibilidade de que o ser ali instalado possa escapar deste ato. Considero que a lei brasileira atual, que permite em caso de estupro e má-formação, é adequada. Cabe apenas acabar com a hipocrisia de clínicas de alta renda que cobram valores extorsivos para tal procedimento e trabalham sem serem incomodadas pelo poder público.

Por outro lado, sou a favor da democratização dos métodos contraceptivos. Sabemos que a maior parte de gravidezes consideradas "indesejadas" advém de relações sexuais que visavam apenas o prazer, não estando em relações estáveis ou estabilizadas.

Métodos como a pílula, a camisinha e o DIU deveriam, a meu ver, serem distribuídos de forma democrática e em proporções que permitissem a todos aqueles que quisessem manter relações obter as formas de se proteger e evitar uma gravidez.

Entretanto, entramos aí em uma seara complicada, que é a atuação da Igreja Católica. Esta em sua atuação vem caminhando a cada dia mais a uma posição retrógrada e que defende a ausência de métodos anti-conceptivos. 

Em muitos lugares a política de distribuição de preservativos e pílulas empreendida pelo governo sofre oposição declarada da instituição religiosa, o que acaba se tornando um contrasenso - ocorrem gestações decididamente indesejadas e acaba ocorrendo o mal maior: o aborto, muitas vezes com sérios prejuízos à saúde da mulher.

Não temos porque tapar o sol com a peneira: a vida sexual dos jovens se inicia cada vez mais cedo e precisa haver uma orientação a fim de que estes adolescentes tenham orientação sobre as consequências de seus atos. Há a necessidade de acesso à informação a fim de que haja a necessária prevenção, não somente a uma gravidez quanto a doenças sexualmente transmissíveis.

O discurso da Igreja Católica de que os fiéis devem manter abstinência até o casamento é muito bonito na teoria, mas praticamente não é o que acontece. A vida sexual dos jovens se inicia a cada dia mais cedo e se faz necessário que haja a consciência dos métodos e das formas de prevenção.

É algo que falta a certos setores da sociedade: pragmatismo. Prefiro democratizar o preservativo e a pílula a defender o aborto. Se houvesse esta noção não teríamos o número atual de um milhão e meio de abortos estimados por ano no Brasil. Um milhão e meio de vidas ceifadas, fora as mulheres vítimas de procedimentos inadequados.

Quantos abortos poderíamos evitar se democratizássemos o acesso à camisinha ou a pílula e não contássemos com a hipocrisia da Igreja Católica, que tolera casos e casos de pedofilia em suas fileiras mas prega que quem usa camisinha vai direto para o inferno. É absolutamente uma grande incoerência.

Por isso que escrevo que sou a favor de uma política nacional de acesso a meios contraceptivos: para impedir o que é o mal maior, uma vida covardemente limada. Por outro lado, quem é pai como eu sou não pode entender como simplesmente se abrevia a possibilidade de se ver um sorriso de criança.

Finalizando, considero que também não serei radical a ponto de negar atendimento a mulheres que procuram hospitais devido a procedimentos de aborto mal sucedidos. No quadro atual, onde é limitado e estigmatizado o uso da camisinha ou da pílula é algo que ocorre e com grande frequência. Estaria se combatendo o efeito sem mexer na causa.

Voltarei ao tema.


sábado, 30 de abril de 2011

Do Jacaré ao Litoral - "Não era apenas uma Ponte"


Mais um sábado e mais uma coluna "Do Jacaré ao Litoral", assinada pela analista e corredora Stella Souto. O tema de hoje, como antecipei na introdução da coluna anterior é a participação da missivista na "Corrida da Ponte", realizada este mês de abril.

Não era apenas uma ponte...

Seria uma oportunidade em um milhão de cruzar a Ponte Rio Niterói correndo. Algumas poucas edições da prova haviam sido realizadas, mas ficaram perdidas nos idos das décadas de 80 e 90. Os recém ingressos no mundo das corridas provavelmente nem sonharam em corrê-la.

Logística complicada: a Ponte não podia ficar fechada por muito tempo. 

A organização logo bolou uma norma para garantir que a prova fosse rápida: para participar dela era preciso comprovar a conclusão de uma Meia Maratona ou Maratona nos dois anos que antecederam a prova. E não bastava isto. Era necessário que esta Meia tivesse sido concluída em no máximo 2h30min.

A primeira parte do requisito eu cumpria. Mas como boa corredora-tartaruga, meu tempo da Meia Maratona de 2010 havia sido 2:42:34. Foi o momento dessa vida de corredora que eu mais me ressenti de ser tão lenta. Felizmente a organização da prova acabou ampliando o tempo de conclusão para 2h45min e assim, 'em cima do laço', eu pude me juntar a hordas de corredores que fizeram desta corrida a mais esperada do ano.

O dia da corrida começou ensolarado e cedíssimo. Antes das seis da manhã já estava com mais dois amigos e colegas de equipe a caminho da estação das barcas na Praça XV. A organização caprichou disponibilizando tickets gratuitos junto com o kit e horários exclusivos para os corredores. Tudo transcorreu perfeitamente.

Pouquinho antes das 8 horas eu já estava ali, coração aos pulos aguardando a largada. Para garantir que a prova não durasse mais que as 2h45min a ela destinadas, haveria um ônibus que cruzaria a Ponte "recolhendo" os desistentes e quem mais estivesse fora do ritmo proposto para a prova. Longe de estar na minha melhor forma, adotei uma estratégia "kamikaze": correria o mais forte que eu conseguisse pelo máximo de tempo que desse e concluiria o resto ainda que fosse andando.

A estratégia foi dando certo e eu fui a um ritmo um minuto mais rápido que o meu normal até o quilômetro 15, apesar do sol que não dava uma trégua (não há sombra na Ponte, ora, ora) e da temida subida do vão central. Não é uma subida íngreme. A inclinação é leve, porém constante, uma coisa que os corredores mais experientes costumam chamar de "morte lenta".

A partir daquele ponto, o cansaço começou a se manifestar. Nessa hora vale a preparação psicológica do atleta. Eu tinha decidido que completaria e não seria resgatada pelo ônibus, então eu ia fazê-lo. Hora de reduzir. Enquanto eu reduzia, consegui um gás extra do que eu costumo chamar de meu "dopping": a música. E protagonizei o meu momento mais engraçado na corrida.

A música era "Tropa de Elite", do Tijuana. Já havia decidido dar o último "pique" da corrida quando olho pra frente e vejo caminhando um homem de preto. Nas costas dele a "faca na caveira" e a inscrição "Batalhão de Operações Especiais". Não tive dúvidas: parti pra cima! Seria o grande feito do dia! No momento em que o ultrapassava, tocava o refrão da música e eu acelerava sorridente e cantando.

Ao avistar a placa dos 16 quilômetros acabava a corrida para mim. Dali até o final seria administrar a "vantagem" que eu havia conseguido até então e concluir os 21,4 quilômetros alternando trote e caminhada e cruzar a linha de chegada ainda antes do temido ônibus.

Ao longo do percurso, vi muitas pessoas requisitarem os serviços das ambulâncias. Várias pessoas desistiram pelo caminho e se puseram a aguardar o ônibus. Quanto a mim, apenas um momento de maior tensão. No quilômetro 18, a vista ficou preta e senti tonturas. Era o calor. 

Parei. Ajeitei a meia. Tomei um sachet de gel repositor. Bebi uma água. Tudo isso ali no posto de hidratação, perto de uma ambulância. Fosse o caso, ali mesmo ficaria.

Por sorte não houve necessidade. Consegui prosseguir lentamente caminhando e depois trotando e ainda sobrou um mínimo de energia para cruzar a linha de chegada correndo, como tem que ser!

Ou seja, venci!



quarta-feira, 20 de abril de 2011

Do Jacaré ao Litoral: "Cinco Quilômetros em Oito Semanas"


Com atraso - culpa do editor, que não conseguiu entrar no computador a tempo de publicar o texto no dia certo - temos mais uma edição da coluna "Do Jacaré ao Litoral", assinada pela analista Stella Souto. O tema de hoje reinicia a prosa anterior e traz dicas para aqueles que querem começar a correr.

Aproveito para parabenizar a colunista por ter completado a Corrida da Ponte, disputada no último domingo no percurso de meia maratona (21 km) e que teve a Ponte Rio Niterói como cenário. Com o tempo de 2h51m59, ela obteve a 1.115ª colocação no geral e a 221ª em sua categoria.

Cinco Quilômetros em Oito Semanas

Já falamos alguma coisa sobre o início no mundo das corridas nas colunas anteriores. Vou dar agora umas dicas mais práticas para quem quiser se colocar em atividade o quanto antes.

Eu comecei a correr por conta própria. Como sou "fogo de palha", não queria gastar muito dinheiro com academia ou treinador sem saber se levaria adiante o esporte. Então fiz o que qualquer 'nerd curioso' faria: busquei informações na internet. Desta busca a mais preciosa informação foi de que vai levar pelo menos oito semanas para que você se sinta confortável para correr sua primeira prova de cinco quilômetros: portanto, não tenha pressa!

Mas como fazer os treinos? Quantos dias na semana? Quanto tempo em cada sessão?

Claro que pra cada pessoa serve uma orientação, mas se você está atrás de boas dicas mais generalistas, pode conseguir boas planilhas (como a do exemplo acima) nos sites das melhores revistas de corrida: O2, Runners World e para as meninas, a exclusiva WRun. Nas planilhas há o dia da semana do seu treino, o dia do seu descanso (sim, descansar é parte da preparação) e o que você deve realizar no dia: corrida ou caminhada e a intensidade do treino.

Se você não tem muita paciência pra vasculhar o acervo de planilhas das revistas até encontrar aquela que te pareça mais agradável, aí vai um site perfeito para você: http://www.c25k.com/. O nome dele é "Couch to 5K" e é isso mesmo que ele propõe: te tirar do "couch" (sofá) e te lançar na sua primeira corrida de cinco quilômetros. Os treinos vão começar alternando alguns minutos de corrida e caminhada e progredir por nove semanas até que você esteja apto a correr cinco quilômetros sem parar. É o treino que mais deu certo entre os iniciantes que conheço. O site é em inglês, mas está traduzido para o português. De Portugal, mas já é uma grande ajuda.

Neste início, é importante que você persista até que se exercitar se torne uma rotina para você. Muitos são os que desistem antes de completar sua primeira planilha, portanto certas dicas são bastante valiosas. Escolha um horário e cumpra-o! Procure escolher o período mais adequado aos seus afazeres: manhã, tarde ou noite. Há quem procure correr logo que acorda para começar o dia mais disposto. Outros preferem dar uma escapada para a academia na hora do almoço. E ainda há os que preferem encerrar o dia com uma bela corrida para liberar o stress. Escolha o seu e procure se ater a ele.

Também não adianta adequar a corrida ao seu dia a dia e esquecer de adequá-la ao seu biorritimo. Se você se sente mais disposto pela manhã, dificilmente renderá bem num treino noturno. Procure adequar os treinos ao seu organismo também. Saber respeitar o seu corpo é essencial.

Para manter-se motivado, um bom recurso é designar um companheiro de treinos. Firmando o compromisso de cumprir um horário com outra pessoa, você terá menos chance de render-se à preguiça. Variar o percurso ou mesmo o local do seu treino também pode servir como estímulo. Uma nova paisagem distrai e ajuda a fazer o treino com mais facilidade.

Mais dicas preciosas: não descuide da alimentação. Procure se alimentar antes do treino para não sentir qualquer fraqueza ou indisposição que o impeça de concluí-lo. Também se alimente após o treino, para repor o que perdeu. Dê preferência a carboidrados de fácil assimilação antes (frutas, pães, biscoitos) para garantir energia e proteínas depois (queijo branco, peito de peru, barras de proteína) para auxiliar a recomposição das fibras musculares.

De posse dessas importantes dicas, você já pode calçar os tênis que escolheu com base na coluna anterior e pernas para que te quero!


sábado, 9 de abril de 2011

A Médica e a Jornalista - "Desvendando os segredos das queimaduras"


Em mais uma edição da coluna "A Médica e a Jornalista", hoje a nossa colunista Anna Barros escreve um pequeno "guia prático da queimadura": o que é, como prevenir e as recomendações de tratamento. A foto é do tricampeão mundial de Fórmula 1 Niki Lauda, vítima ilustre deste tipo de acidente.

Desvendando os segredos das queimaduras
          
Segundo o livro “Cirurgia Plástica – Fundamentos e Arte”, do cirurgião plástico paulista José Marcus Mélega, a queimadura pode ser definida como uma lesão dos tecidos orgânicos, com destruição do revestimento epitelial, a partir de um agente externo. A queimadura pode ser térmica, elétrica e química e pode ser de primeiro, segundo e terceiro graus.

A queimadura de primeiro grau é mais superficial e pode ser definida como aquela que tem uma vermelhidão ou eritema e geralmente é causada por sol. A de segundo atinge a derme profunda e é aquela que apresenta bolhas ou flictenas, causada por sol ou água quente, por exemplo. E a de terceiro, geralmente é a elétrica, mais profunda e atravessa toda a extensão da pele acometendo tecidos profundos como subcutâneo, músculos e ossos.

As maiores causas de queimaduras são aquelas provocadas por líquidos quentes como água, café, gordura quente, geralmente em casa e na cozinha; e em segundo lugar, aquelas por álcool incandescente. Em terceiro lugar, as queimaduras por fogo direto no corpo, que merecem tratamento intensivo em Centro de Queimados.

Infelizmente, as crianças são as mais acometidas pelas queimaduras, logo, todo cuidado é pouco. Minha irmã caçula se queimou aos dois anos com ferro quente quando driblou a secretária da minha mãe com sua esperteza e agilidade. Foi um momento muito doloroso para todos nós. Eu trocava o curativo dela todos os dias. Ela ficou com uma fibrose na mão, mas não perdeu os movimentos da mão e dos dedos, graças a Deus.

Isso posto, partiremos para o tratamento. Em primeira instância lavar a queimadura com água fria e corrente - com exceção daquela química por fenol que não é solúvel na água. Cobrir com gaze úmida ou molhada ou até panos molhados e ir ao hospital. Não colocar, em hipótese alguma pasta de dente, gema de ovo, folha de bananeira, café ou açúcar. Procurar imediatamente um médico, o cirurgião geral ou o cirurgião plástico, que irá avaliar o tipo de queimadura para aplicar o melhor medicamento. Geralmente este é composto de uma pomada antimicrobiana específica para queimadura, que será receitada por ele.

Há algumas lendas, como deixar a queimadura aberta para respirar. Isso é errado porque pode permitir que haja infecção bacteriana, com contaminação do ferimento. Uma outra lenda é estourar as bolhas. Jamais faça isso. Receba atendimento médico em que o profissional irá avaliar se há necessidade de debridar a bolha ou mantê-la para que ela se rompa sozinha. O curativo precisa ser trocado duas vezes por dia ou mais de acordo com a gravidade - e com instrução médica - e será coberto com gaze e com a pomada. É coberto para que haja maior penetração do medicamento.

Mas há maneiras de se prevenir a queimadura.

Jamais exagerar no álcool do churrasco e deixar que pessoas bem treinadas sejam os churrasqueiros oficiais. Manter álcool líquido fora do alcance das crianças. Hoje em dia, ele está quase em extinção, há mais tipos de álcool na forma de gel, principalmente depois do surto de gripe suína. Não pegar garrafa de água quente, fervendo e sacudir. Água a mais de 100º, em ebulição, queima e pode causar verdadeiros estragos. 

Há que se tomar cuidado com bronzeadores caseiros. Principalmente aqueles à base de folha de figo ou coca-cola, que muitos usam como bronzeador (que respinga na mão e no corpo) e limão pois eles queimam na presença do sol e provocam manchas. Geralmente esses bronzeadores caseiros podem causar queimaduras extensas e graves.

Para aplacar a dor, evitar dar analgésicos até ir ao hospital até que o médico avalie. A princípio, a água corrente fria aplaca a dor da queimadura. O médico definirá, após todas as manobras, se  vai haver necessidade de medicação e qual o grau da analgesia.

No hospital, o médico irá realizar os procedimentos apropriados ao tratamento de um politraumatizado: o ABCDE da vida.

A= vias aéreas pérvias;
B=breathing, com avaliação do drive respiratório do paciente;
C=circulation, que consiste em puncionar veias superficiais a princípio; nos grandes queimados com acesso difícil será realizada dissecção de veia para infusão hidroeletrolítica ou seja de ringer lactato ou soro fisológico devidamente calculada de acordo com a percentagem queimada através de uma regra;
D=disability que significa 'disabilidade', ou seja: avaliar o deficit neurológico, saber se o paciente está lúcido e orientado;
E=exposure que se dá pela exposição do paciente: despindo-no, retirando todos os objetos e as roupas que em determinadas queimaduras representam a manutenção do agente agressor. É nesse momento que a queimadura é melhor avaliada.


Bem, espero que as dúvidas tenham sido sanadas e que esse post tenha sido altamente esclarecedor. Contamos com a contribuição a respeito das dúvidas, via Facebook, da analista de sistemas e designer Renata Barros e da cirurgiã plástica Isabel Figueiredo.

A queimadura se não diagnosticada adequada e não tratada como deva ser pode trazer sequelas graves tanto físicas como psicológicas. O paciente queimado é muito especial e deve ser tratado com muito carinho, mas a prevenção é sempre o melhor remédio.

Até a próxima!
Anna Barros"

sábado, 12 de fevereiro de 2011

A Médica e a Jornalista: "Cuidados para um Carnaval tranqüilo"


Neste sábado, finalzinho de férias, temos mais uma coluna "A Médica e a Jornalista", assinada pela médica e jornalista Anna Barros. O tema são os cuidados médicos e dicas para o carnaval que se aproxima.

Mais perto da folia irei escrever aqui um "Guia Prático do Desfilante", para aqueles que irão desfilar em escolas de samba seja no Rio seja em outros estados.

Vamos ao texto.

"Cuidados para um Carnaval tranqüilo

O Carnaval esse ano é no início de março, no período de 5 a 9. 

Mas se contarmos com o calor que anda fazendo no Rio, teremos uma “Terça Feira Gorda” daquelas. Aqui no Rio, os blocos de rua têm se destacado fechando os acessos e atraindo as multidões, mas o que mais gosto é o desfile das escolas de samba. Minha escola é a Beija Flor de Nilópolis. 

Em nossa coluna de hoje iremos falar dos cuidados básicos que o folião deve tomar para não ficar de ressaca, muito menos deprimido, quando a festa de Momo acabar na quarta-feira de cinzas. O primeiro passo é usar roupas leves, como camisetas e shorts para enfrentar esse calor senegalês. O segundo é beber bastante água ou isotônico para não se desidratar, usar filtro solar, no mínimo FPS 30, para se proteger, e se preferir chapéus, bonés ou viseiras, de acordo com cada fantasia ou com o estilo do bloco escolhido. 

Se gosta de beber, pegue leve e não exagere porque a ressaca produz dor de cabeça e gosto amargo na boca. E estraga qualquer folia. Confesso que nunca tive ressaca porque não bebo, mas cientificamente são esses os sintomas característicos. 

Mas se o exagero for inevitável caprichar na água, água de coco e descanso, muito descanso para recompor o organismo do álcool ingerido e para recuperar as energias gastas na combinação clássica de terras brasileiras: folia-calor. 

A alimentação também deve ser leve à base de saladas, frutas e carnes magras como frango e peixe. As feijoadas, tão em voga nessa época pré-carnavalesca devem ser incluídas no cardápio se o sambinha se restringir às quadras; porque se o folião quiser aderir a algum bloco não é muito recomendável, porque apresenta ingredientes conhecidos como “pesados”, como os derivados de carne de porco como toucinho, linguiça e que tais. 

Se o leitor optar por desfilar em uma escola de samba, procure beber o suficiente apenas para estar relaxado: cerveja em excesso atrapalha a escola e o seu próprio divertimento. Lembre-se que ali está um ano de trabalho, e que, além de se divertir, o leitor está fazendo parte deste trabalho. 

Para aqueles que preferem ir para a Recife e acompanhar o Galo da Madrugada seria interessante alternar as noites em claro a fim de que o corpo se recupere do gasto dispendioso de energia e que o cansaço extremo não provoque desmaio ou consequências piores, se combinado ao álcool ou ao excesso de alimentação. 

Quem optar por fugir do Carnaval e viajar para a Região dos Lagos ou Região Serrana para dar uma força ao turismo local pós-enchentes jamais deve ingerir bebidas alcoólicas. O álcool retarda os reflexos do indivíduo quando ele dirige e pode gerar uma tremenda combustão gerando acidentes que possam ser fatais. Se beber, não dirija. 

O consumo excessivo de bebidas pode ocasionar vômitos, desidratação e até coma alcoólico. Não ingerir drogas, também, mesmo aquelas de carnavais antigos, como o lança-perfume - que não é inócuo, leva a alucinações. A impressão do passado de que nada produzia era simplesmente ingênua. 

Outra dica para quem for pegar a estrada é descansar antes de assumir o volante e se a distância for grande, revezar com alguém que saiba dirigir e tenha carteira de habilitação. 

Dá para se divertir sem exageros. Que todos tenham um excelente Carnaval. 

Até a próxima! 
Anna Barros"

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Resenha Literária - "José Alencar, Amor à Vida - A saga de um Brasileiro"

Sim, leitores, eu ainda não terminei de ler o livro sobre a história do petróleo...

Mas neste meio tempo estive em Praia Seca antes da viagem de férias e como não dava para levar um tijolo de quase três quilos como é o livro sobre a história do petróleo aproveitei para ler este "José Alencar - Amor à vida", biografia do ex-vice presidente escrita pela jornalista da Folha de São Paulo Eliane Cantanhêde.

Apesar da impressionante história de vida do biografado, eu estava reticente a comprar o livro, porque a autora foi opositora intransigente do Governo Lula e utilizou-se de seu espaço no jornal onde trabalha para fazer política partidária.

Resolvi adquirir o exemplar somente depois de ler a resenha que a jornalista Milly Lacombe escreveu em seu blog sobre livros - que, obviamente, está bem melhor que estas parcas linhas.

A história do ex-vice presidente é contada de forma quase linear pela autora, desde a infância onde alternou momentos de maior pobreza com outros de fartura até a chegada à Vice-Presidência  e a luta contra os tumores que ele enfrenta desde 1997.

Este é um capítulo à parte do livro: Alencar teve mais de cinquenta tumores desde 1997, esteve desenganado em pelo menos duas ocasiões e passou por situações absolutamente dramáticas. Uma de suas operações durou dezoito horas - é chamada de "a grande cirurgia" no livro - e teve entre seus procedimentos a "lavagem" do abdômen com uma solução quente de quimioterapia.

Em outra ocasião ele se submeteu a outro procedimento para fazer radioterapia diretamente sobre os órgãos. Mas todos estes sacrifícios foram vencidos com uma inabalável vontade de viver e uma atitude sempre positiva e otimista. Os médicos afirmam de forma uníssona que jamais o viram reclamar, nem mesmo nos momentos mais difíceis.

A autora também descreve o primeiro encontro entre Alencar e Lula, em 1999 - e em como Lula saiu já naquele dia convencido de que tinha achado o seu vice ideal.

Na descrição dos anos enquanto vice reside o maior senão do livro: Cantanhêde o tempo todo tenta desqualificar as realizações dos dois mandatos do Presidente Lula, atribuindo-os, todos, a Fernando Henrique Cardoso. Nada mais falacioso.

Mas o exemplar tem o mérito de descrever as articulações que levaram à sua escolha como candidato e o teor das "costuras" políticas que foram necessárias para diminuir as resistências tanto de setores mais à esquerda do PT como do empresariado. Outro ponto curioso é que em determinados momentos do governo Alencar verbalizava exatamente o pensamento da ala esquerda do PT, que se encontrava silenciada.

Nacionalista, apoiou o golpe de 1964 mas também foi entusiasta da campanha "Diretas Já". Enquanto dirigente de sindicatos patronais buscou entendimento com as entidades de trabalhadores, apoiado na máxima de que um dependia do outro. Votou em Lula no segundo turno de 1989 e apoiou o impeachment de Collor.

Outro capítulo importante é a história do surgimento da Coteminas, apoiada em financiamento da Sudene mas, também, em uma profunda experiência prévia com tecidos. Com o crescimento da empresa ela foi se expandindo e ocupa fábricas em Minas, no Rio Grande do Norte e em outros locais. Hoje o executivo chefe é seu filho Josué, único homem - ele tem mais duas filhas, netos e bisnetos.

Desnuda um pouco, também, do que ocorre em uma campanha política, em especial a nível estadual e municipal. Alencar foi candidato a governador de Minas Gerais em 1994 (derrotado) e eleito senador em 1998. Em seus quatro anos no Senado adotou uma postura nacionalista e discreta, mas atuante.

Ou seja, a história do menino do interior, sem grandes recursos, mas com imensa capacidade e que se tornaria grande empresário, vice-presidente e, acima de tudo, um exemplo de perseverança e vontade de viver merece muito ser lida.

Na Livraria da Travessa, custa R$ 32. Vale muito a pena.


sábado, 22 de janeiro de 2011

A Médica e a Jornalista - "O risco de doenças pós-chuvas na Região Serrana do Rio"


Mais um sábado e mais uma edição da coluna "A Médica e a Jornalista", escrita pela colunista Anna Barros. O tema de hoje são as consequências sanitárias da tragédia ocorrida na Região serrana do Rio de Janeiro.

"O risco de doenças pós-chuvas na Região Serrana do Rio
       
Após essa tragédia na região serrana do Rio de Janeiro - que atingiu Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo - com mais de 700 mortos no momento em que essa coluna é escrita, o que mais nos chama a atenção são as doenças que podem atingir a população desses lugares em decorrência da enxurrada, tais como diarreia aguda, hepatite A e leptospirose.

Essa enchente foi a nossa “tsunami”. Se entre cinco dias e três semanas a pessoa desses locais ou daqueles em que a chuva intensa castigou sua região sentir febre alta e dores pelo corpo, ela deve procurar assistência médica. As doenças acima citadas ocorrem pela contaminação da água pela chuva, principalmente com o depósito de lixo, e a leptospirose, por causa da urina do rato.

Pensamos sempre nos mortos, nos desabrigados, mas a tragédia sanitária pode ser ainda maior. Para se protegerem, as pessoas devem fazê-lo com botas, evitando pisar nas poças de água descalços ou com sandálias abertas, guarda-chuvas, e se o local de moradia for seguro, não sair de casa. E o principal: só beber água potável ou filtrada. As verduras e legumes devem ser lavados com água de boa qualidade.
        
As principais viroses são aquelas que causam diarreias, e os principais sintomas além desse primeiro citado são vômito e febre. A indicação é se hidratar e uma dieta leve a base de arroz cozido, purê de batata, frango desfiado e carne moída.
        
A leptospirose é uma doença infecto-contagiosa causada por uma bactéria, a 'Leptospira interrogans', que penetra ativamente a pele. O rato é o agente transmissor dessa doença através de sua urina. A doença é grave e pode ser fatal. Os outros sintomas são febre alta, dores pelo corpo, dor na panturrilha e icterícia após três dias. Assim que os sintomas se manifestarem é necessário procurar um médico imediatamente.
       
A hepatite A é causada por um vírus, o da hepatite A, e é transmitida por via oral-fecal por meio de água e alimentos contaminados. Os principais sintomas são: cansaço, olhos amarelados - que são definidos no jargão médico como icterícia - e perda de apetite. A hepatite A é curável e deve ser acompanhada por um médico.
      
Foi com muito pesar que vimos o quão essas cidades estão despreparadas para chuvas de tamanha intensidade. E as autoridades? Ficam de hipocrisia e nada fazem, só prometem, e nem ao menos previnem. Um alerta de chuvas foi mandado dois dias antes do fatídico dia 11 de janeiro, quando a chuva destruiu as cidades serranas, arrasaram, devastaram, mesmo.

Se houvesse um mínimo de informação para evacuar as pessoas de suas casas, como um sistema de rádio, de menor porte, fez em Areal, próximo a Petrópolis, o número de mortos, seria bem menor. A Austrália viveu situação parecida, das mesmas proporções, e lá 27 pessoas morreram. A comparação com o nosso “tsunami” é inevitável. E os flagelados do Morro do Bumba e de Angra? Eles têm teto para morar hoje, após um ano do ocorrido? E as casas prometidas num programa de habitação decente e que os abrigassem? Nada foi feito, até hoje.
      
Além de tudo isso, o fator Natureza, não só sob a forma de chuva, mas as casas em encostas em que o desmatamento brutal as tornaram vulneráveis a um desastre natural dessa magnitude. O melhor de tudo isso, se é que possamos destacar algo positivo em meio a tanta tristeza, foi a onda de solidariedade que se viu em todos os cantos do Rio de Janeiro e de todo o Brasil que voltou os olhos para as nossas chagas.

A começar pelas redes sociais, como Facebook e Twitter, que espalharam essa onda de amor e de solidariedade. Quem quiser ajudar, procure as melhores formas de fazê-lo pois essas pessoas precisam de água mineral, remédios, roupas, velas, itens de higiene e de limpeza,  amor e apoio psicológico também, porque o trauma é muito grande pela tremenda perda que sofreram; principalmente no tocante aos parentes e vizinhos e em segundo plano no que se refere aos bens materiais.

A palavra de ordem é: reconstrução com dignidade. Os fluminenses merecem isso."

(Foto: O Dia)


sábado, 15 de janeiro de 2011

A Médica e a Jornalista - "A banalização da Cirurgia Plástica"


Neste sábado, mais uma edição da coluna "A Médica e a Jornalista", assinada por Anna Barros. O tema de hoje é a banalização da cirurgia plástica e suas reais indicações.

Aliás, tem uma famosa - e "barraqueira" - atriz que fez tantas cirurgias plásticas a fim de recuperar a juventude perdida que, quando levanta os pés, a boca imediatamente abre... É este tipo de exagero que o texto de hoje visa prevenir.

Profilaxia da banalização da Cirurgia Plástica

"Quando o Pedro me pediu que escrevesse algo sobre a banalização da cirurgia plástica, acatei, porque além de ele ser meu editor aqui no Ouro de Tolo penso que seja um tema pertinente nos dias de hoje. É lógico que sou a favor da Cirurgia Plástica - senão não teria feito a especialidade - mas com indicações precisas e éticas. Sou contra exageros: como por exemplo, pessoas que são viciadas em procedimentos estéticos como forma de recuperar a autoestima ou o casamento, ou aquelas que querem se submeter à uma lipoaspiração mesmo sem necessidade.
       
O cirurgião plástico deve ser reconhecido não pelas cirurgias bem sucedidas que realizou, mas sim por aquelas que recusou por não terem a mínima indicação. Ouvi essa citação de um pensador famoso, proferida pelo professor Carlos Jaimovich.

E a decisão é difícil, principalmente para quem está no início da carreira e quer ganhar dinheiro para sobreviver, mas a ética deve reger não só esse especialista como todos os médicos. O cirurgião não pode prometer aquilo que não irá cumprir, resultados impossíveis ou faces e narizes de atrizes ou capas de revista porque o paciente às vezes pensa isso. O médico precisa ter discernimento e se pautar pela transparência e pelo esclarecimento de todas as dúvidas do paciente, salientando os prós, contras, complicações pós-operatórias e os resultados. Milagre só Deus faz. Não existem receitas miraculosas.
        
Se o paciente desejar ser submetido à qualquer cirurgia plástica deve tomar duas providências: escolher um cirurgião credenciado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - que é criteriosa ao realizar a prova de especialista - e procurar um médico recomendado por outro, de confiança, ou por alguém que tenha sido operado por ele e alcançado bons resultados. Essas são as diretrizes fundamentais a qualquer procedimento. E esquecer o Google. Essa ferramenta de busca da internet resolve quase todos os nossos problemas eventuais de memória, mas não relacionados à medicina. É preciso consultar um médico e tirar todas as suas dúvidas.
        
O cirurgião plástico tem um pouco de psicólogo porque lida com a estima da paciente. Ela só deve ser operada se realmente desejar e não tiver nenhuma dúvida quanto a isso ou sofrer qualquer tipo de pressão externa para fazê-lo. A sinceridade é a base de qualquer relação médico-paciente. Infelizmente, hoje em dia as pessoas pensam que uma cirurgia plástica se assemelha a uma ida ao cabeleireiro ou que a mesma substitui a malhação na academia.

A lipoaspiração, por exemplo, não tem a finalidade de emagrecer. Seu objetivo é reduzir a gordura localizada que não foi conseguida com dieta e exercício físico e mesmo assim, é necessária uma manutenção no pós-operatório; senão se perde o resultado podendo propiciar um efeito de sanfona, do tipo 'engorda e emagrece'.
        
Estudando Jornalismo, nas Faculdades Integradas Hélio Alonso, fiz um artigo para a Revista Ponto e Vírgula - da disciplina de Redação e Edição de Impressos - em que ajudei na edição final a respeito da lipoaspiração, suas vantagens e desvantagens; ressaltando que havia uma exploração sensacionalista por grande parte da mídia. Minha querida professora Clecy Ribeiro gostou do texto e dos esclarecimentos que expus no artigo, porque desmistificou a lipoaspiração.
       
Há muitos profissionais não qualificados realizando cirurgias, sem residência ou pós-graduação em Cirurgia Plástica e sem o título de especialista, e também outros que nem médicos são - como esteticistas ou curiosos. A cirurgia plástica deve ser realizada por cirurgião plástico. Outras especialidades têm invadido a plástica porque se firmou que com o boom da estética em nosso País é algo rentável e por isso corre-se o risco de ser manipulado por picaretas. Todo cuidado é pouco.
      
A beleza é algo que vem de dentro para fora, mas se você está feliz consigo mesmo, se valoriza e tem autoestima, você se sente bonito. A estética é algo que me fascina, tanto na apreciação de um belo quadro de Goya ou Van Gogh ou Monet, como no design, no enquadramento, na aplicação de fotos, no layout de uma revista ou jornal ou blog. Ela faz parte do meu cotidiano porque olhamos tudo sob o prisma da estética. É simplesmente inevitável. Pelo menos, para mim.
       
Devemos cultivar a beleza externa sem ser escravo dela colocando nossa saúde em perigo; e cultivar a interna com bons livros, conhecimento, apreciação da arte, da gastronomia, de viagens, de cultura e de outras coisas que nos enriquecem, engrandecem e nos tornam mais belos. Essa beleza interna, sim, a verdadeira, que reflete na externa. O envelhecimento é inevitável e temos que aprender a lidar com ele da melhor forma possível, sem “grilos”, mas se existir algo que nos incomode, devemos tentar mudar isso, com critérios, claro e sem pôr em risco a nossa saúde, o nosso bem estar.
        
Até a próxima!
Anna Barros"


(P.S. - O post com o leilão da camisa autografada em benefício dos desabrigados está aqui)