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domingo, 3 de junho de 2012

Orun Ayé - "Vinícius no Plural"


Neste domingo, a coluna “Orun Ayé”, do compositor Aloísio Villar, conta um pouco do personagem da União da Ilha para o carnaval 2003: Vinícius de Moraes.

Vinícius no Plural

Ontem foi entregue pela União da Ilha do Governador a sinopse de seu enredo para o carnaval 2013. O nome é “Vinicius no plural, paixão, poesia e carnaval”. A escola falará no próximo carnaval do “poetinha” Vinicius de Moraes.

Isso é sinal de que minhas férias de compositor acabaram.

O enredo sobre Vinicius é ao lado do enredo da Portela (se eu não cito aqui o enredo portelense o fanático dono do blog citaria) sobre Madureira um oásis no cenário tenebroso que se mostra para o carnaval 2013 em relação a enredos. Mais adiante quando todas as escolas já tiverem definido seus enredos farei uma abordagem mais aprofundada.

Vinicius de Moraes nasceu em 19 de outubro de 1913, portanto chegando a cem anos em 2013 e morreu em 9 de julho de 1980. Foi poeta, diplomata, dramaturgo, jornalista e compositor.

Poeta essencialmente lírico, também conhecido como "poetinha", apelido que lhe teria atribuído Tom Jobim notabilizou-se pelos seus sonetos .

Conhecido como um boêmio inveterado, fumante e apreciador do uísque - que chamava de “cachorro engarrafado” - era também conhecido por ser um grande conquistador. O poetinha casou-se por nove vezes ao longo de sua vida.

Sua obra é vasta, passando pela literatura, teatro, cinema e música. No campo musical, o poetinha teve como principais parceiros Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque e Carlos Lyra.

Escreveu quatorze livros, seis peças de teatro, entre elas a famosa “Orfeu de Conceição” e um sem número de músicas onde se destacam A felicidade, Chega de Saudade, Eu Sei que Vou Te Amar, Insensatez, Se todos fossem iguais a você e a mundialmente conhecida garota de Ipanema com Tom Jobim.

Aquarela, o filho que eu quero ter, o pato, tarde em Itapoã e valsa para uma menininha, música que sempre dedico à minha filha Bia, com Toquinho.

Canção de Ossanha e velho amigo com Baden Powell. Primeira namorada com Carlos Lyra. Arrastão (primeira vencedora do festival internacional da canção) com Edu Lobo e Gente humilde com Chico Buarque e Garoto e samba de Orly com Chico e Toquinho.

O detalhe contado por várias pessoas é que Vinicius enciumado com a parceria entre Chico e Toquinho exigiu que o deixassem colocar um verso em Samba de Orly. Ele colocou e a censura acabou mandando retirar, Vinicius disse que podiam tirar o verso, mas seu nome ficava na música.

De Vinicius também são as celebres frases “São Paulo é o túmulo do samba” e “São Paulo é legal, o problema é que ando, ando e não chego a Ipanema” brincando assim com bom humor com os paulistanos.

Também é de Vinicius o lindíssimo “Soneto da Fidelidade”.

“De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.”

Vinicius é a cara do Brasil, do Rio de Janeiro. Poeta, romântico, malandro, irreverente, inteligente e boa praça o poetinha morreu há mais de trinta anos, mas continua presente e vivo no coração carioca e da música popular brasileira.

Foi três vezes enredo no carnaval carioca. Na Unidos de Lucas em 1987, com o Paraíso do Tuiuti em 2004 e o Império Serrano em 2011. Todas as homenagens no grupo de acesso. Pela União da Ilha em 2013 será a primeira vez que a vida do poetinha passará no grupo especial se juntando assim a parceiros como Tom Jobim e Chico Buarque, ambos homenageados pela Mangueira, em 1992 e 1998 respectivamente.

E é difícil encontrar uma escola melhor que a União da Ilha para essa homenagem. Assim como Vinicius a União exala simpatia, irreverência e poesia. É uma das escolas mais queridas e populares do nosso carnaval e com certeza será um grande momento da Sapucaí em 2013.

Um grande momento com uma escola que busca se encontrar. Conhecida nos anos 70 e 80 por seu lema “bom, bonito e barato” a Ilha se perdeu nos anos 90 e essa situação acabou ocasionando seu rebaixamento ao grupo de acesso em 2001.

Amargou oito anos no grupo de baixo voltando em 2009, quando se sagrou campeã do grupo. Em 2010 desfilou novamente entre as grandes e mostrou uma nova característica. A de grandes desfiles com fantasias e alegorias de ótimo gosto e luxo.

Todavia a escola precisa se reencontrar com a alegria e a comunicação com o público que foram as suas marcas de consagração. Em 2011 ela chegou a ter esses pilares, mas muito se deveu ao fogo que consumiu a escola trazendo o público para perto dela e a liberdade com a qual os componentes desfilaram sabendo que não estavam sendo julgados. Foi um belo desfile, mas com esse fator.

Que a União da Ilha continue com a beleza dos últimos anos e volte a ser alegre e comunicativa como no passado tendo Vinicius de Moraes como parceiro. A promessa é de muita emoção e de grandes sambas no concurso, como pede a história do homenageado. A União da Ilha é a escola com os sambas mais populares de nosso carnaval e está mais do que na hora de juntar mais um a essa galeria.

União da Ilha e Vinicius de Moraes juntos, no plural, para o bem do carnaval.

Que essa união seja eterna enquanto dure. Orun Ayé!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Final de Semana - "A Felicidade"



Nesta antevéspera de Natal, nossa música é um clássico de Vinícius de Moraes e Tom Jobim cuja letra é um pouco o resumo do que foi este 2011 para mim: "A Felicidade".

Lendo a letra o leitor entenderá como foi este 2011, menos ruim que 2010 mas que termina sem grandes conquistas - ao contrário, com forte regressão em pelo menos dois campos importantes de minha vida. Felicidades fugazes, grandes aporrinhações e vamos levando.

Passemos à letra, que neste vídeo é interpretada por Danilo Caymmi e Tom Jobim ao piano.

"Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar

A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta-feira

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranqüila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor

A felicidade é uma coisa boa
E tão delicada também
Tem flores e amores
De todas as cores
Tem ninhos de passarinhos
Tudo de bom ela tem
E é por ela ser assim tão delicada
Que eu trato dela sempre muito bem

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite, passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Pra que ela acorde alegre com o dia
Oferecendo beijos de amor"

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Música para o Final de Semana



Final de semana prolongado, nada como chinelos (Rider, lógico), cerveja, sol, brisa da praia e um peixinho frito esperto...

Nossa música é Tarde em Itapoã, de Vinícius de Moraes e Toquinho. A versão apresentada no vídeo acima é a interpretação dos autores, mas existem outras versões disponíveis.

Inclusive uma em ritmo de samba, quando Vinícius de Moraes foi enredo do GRES Paraíso do Tuiuti, no Acesso A. A canção foi o "esquenta" da escola e você pode ouvir esta versão aqui.

O curioso é que em nenhuma de minhas visitas a Salvador eu consegui ir a Itapoã...

Tarde em Itapoã
(Vinícius de Moraes/Toquinho)

"Um velho calção de banho
Um dia prá vadiar
O mar que não tem tamanho
E um arco-íris no ar...

Depois, na Praça Caymmi
Sentir preguiça no corpo
E numa esteira de vime
Beber uma água de côco
É bom!...

Passar uma tarde em Itapoã
Ao sol que arde em Itapoã
Ouvindo o mar de Itapoã
Falar de amor em Itapoã...

Enquanto o mar inaugura
Um verde novinho em folha
Argumentar com doçura
Com uma cachaça de rolha...

E com olhar esquecido
No encontro de céu e mar
Bem devagar ir sentindo
A terra toda rodar
É bom!...

Passar uma tarde em Itapoã
Ao sol que arde em Itapoã
Ouvindo o mar de Itapoã
Falar de amor em Itapoã...

Depois sentir o arrepio
Do vento que a noite traz
E o diz-que-diz-que macio
Que brota dos coqueirais...

E nos espaços serenos
Sem ontem nem amanhã
Dormir nos braços morenos
Da lua de Itapoã
É bom!...

Passar uma tarde em Itapoã
Ao sol que arde em Itapoã
Ouvindo o mar de Itapoã
Falar de amor em Itapoã..."

Daqui a pouco tem mais.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Fim de semana

Pra começar bem o final de semana, "Samba da Bênção", de Vinícius de Moraes e Baden Powell, na magistral interpretação de Maria Bethânia.

O registro é do CD "Que Falta você me Faz", onde a cantora registra somente canções do "Poetinha". Recomendo.

Quem quiser ouvir esta faixa, download em http://pedromigao.multiply.com/music/item/105/105. A letra vai abaixo:

"É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração

Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não

Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração

Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não

Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não

Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração

Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não

Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração"