quinta-feira, 18 de junho de 2009

Joel Santana e o "Inglês"...

Joel Santana, o Tosco, tentando falar Inglês. Nem eu, com meu conhecimento intermediário da língua, faço pior...

P.S. - Tomara que fique 20 mil anos na África do Sul...

Uma Boa Cerveja é um Ato de Amor

Quem me conhece, sabe que tenho uma relação com as cervejas muito semelhante a que a maioria das pessoas possui com o vinho.

Gosto de experimentar boas cervejas, de diferentes tipos, de saboreá-las. Não é simplesmente abrir a garrafa ou a latinha e "mandar para dentro". Uma boa cerveja é um ato de amor.

Pessoalmente, não me considero profundo conhecedor, mas pelo menos conheço as boas cervejas nacionais. Gosto do ritual de gelar as mesmas, olhar o rótulo, a garrafa, abrir, sentir o olfato e beber delicadamente.

Para o dia a dia, ou seja, cervejas de boa qualidade mas não muito caras, indicaria a Itaipava Premium e a Brahma Extra, ambas do tipo "lager" - o mais comum encontrado. A Stella Artois, belga mas fabricada pela Ambev aqui no Brasil, também é muito boa.

Gosto muito de cervejas de trigo, mais encorpadas e de sabor mais pronunciado. Fabricadas aqui no Brasil, só conheço a Bohemia Weiss e a Eisenbahn, que é disparada a melhor do gênero que eu conheço. Só que de uns tempos para cá ficou muito difícil de encontrar.

A Ambev também trouxe boas marcas de cervejas de trigo alemãs e belgas, vale uma conferida. E não são muito caras. Por outro lado, não gosto muito da Erdinger.

Voltando às cervejas lager, entre as artesanais indico tanto a Baden Baden quanto a Eisenbahn. A Devassa está bem abaixo destas duas. O curioso é que são três fábricas que pertencem à Schincariol, embora tenham vida independente.

A Petra Auris e a Therezópolis também são opções nesta faixa, e encontrei uma cerveja tcheca muito boa no Walmart; pena que não me lembro do nome dela.

No tipo "ale", a Golden Ale da Baden Baden é imbatível. Me arrisco a dizer que é minha cerveja favorita. Existem boas marcas estrangeiras como a Paulaner, por exemplo. A Guiness, irlandesa, é muito bem referenciada, mas eu particularmente acho muito amarga. Mesmo caso da outra "ale" da Baden Baden.

Fujam: Norteña e todas as demais uruguaias; uma holandesa em lata que o Walmart vende, também.

São apenas opiniões, não me considero um profundo conhecedor. Espero dicas dos meus treze leitores nos comentários.

P.S. - Foto em Salvador, bebendo uma alemã de trigo que não deixou saudades. O curioso é que a camisa que estou usando foi utilizada em jogo pelo Bruno.

Eu trouxe Rosas para te dar

Depois de alguns posts "pesados" e sérios demais, vamos falar um pouquinho de flores.

Flores que salvam, flores que amam. Flores que nos amam e nos fazem felizes.

Cada dia e cada estado de espírito são a flor do momento. Palmas, rosas, margaridas, sóis, luas, asteróides. Tulipas que nos salvam, girassóis que nos aquecem.

Torrentes de paixão no vermelho florado, correntes de amor na margarida singela, solidão entrecortada por copo de leite.

Flor que já deu samba e canção. Flor que resume ambiente. Suserano de mentes e de olhares redivivos, personificação de mulher em singela admiração.

Amores secretos do passado, palavras soltas a descansar a mente, sorrisos belos que entabulam o sereno olhar. Visões de paraíso e de inferno, visão de busca inalcançável, suave expressão de dor.

Matemática inexata do poema, luz emoldurada em quente tema, paixão recolhida em vida lema, lição bem conformada que o tempo crema...

Esquadro colorido de brilhante Terra, orgulho definido sete palmos de terra, ilusão multiplicada que sempre erra...

Até o fim. O fim dos tempos, o fim dos segredos, o fim do passado, o fim das possibilidades.

O fim do texto, sem sentido texto, colorido falso que desculpas pede, colorido raso que enfim se despede...

Nexo ? Pra quê ?

Reforma no Judiciário

Confesso que não sou profundo conhecedor das filigranas e estruturas jurídicas.

Entretanto, não precisa ser advogado ou juiz para perceber que existe algo de muito esquisito em nossos tribunais, julgamentos e coisas correlatas.

Penso que as coisas ficaram ainda mais claras com a ascensão à Presidência do Supremo Tribunal Federal do "Doutor" Gilmar Mendes. Em sua atividade antes de chegar ao Supremo, como advogado geral da União, sua atuação foi no sentido de favorecer as grandes corporações, encobrir as grandes suspeitas de corrupção e sempre pender a balança para o lado dos mais fortes politicamente.

Entre suas "façanhas" consta a atuação desastrosa na greve dos petroleiros em 95, na qual ele se orgulha de "ter colocado os trabalhadores de joelhos".

Participou de todo o processo das privatizações, onde o "Doutor" Daniel Dantas foi peça de destaque, sempre com um parecer pronto a favor do mundo corporativo.

Entretanto, sua atuação como Presidente do Supremo legitima o que sempre ocorreu, mas que agora está escancarado, a "Doutrina Gilmar Mendes", ou "Teoria dos Três Ps": no Brasil, o Judiciário só pode mandar prender preto, pobre e puta.

Os dois habeas corpus, concedidos em tempo recorde a favor do banqueiro, foram um tapa na cara do Brasil. Além de várias declarações dizendo que "juiz bom é o que contraria a opinião pública", "não estou aqui para servir ao povo", e que tais.

Outra coisa que pouca gente sabe é que ele é latifundiário em Mato Grosso e tirou no grito o prefeito eleito da cidade, contrário a seus interesses.

Onde eu quero chegar ? Urge uma reforma ampla, geral e irrestrita no Judiciário, de forma a realmente servir aos interesses da população e não aos poderosos e/ou com grana.

Este poder precisa ser mais impessoal e menos sujeito a "aparelhamentos", como estamos assistindo agora - ele virou a alternativa da dupla PSDB/DEM para comandar o país.

Esta reforma precisa contemplar os interesses de quem paga toda esta estrutura caríssima do Judiciário, não de quem "paga" o mesmo. A Justiça precisa ser universal e, acima de tudo, justa.

Como podemos fazer isso ? Cartas para a redação.

P.S. - Mais uma vez, foto à direita.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Sobre Sarney (por Luis Nassif)

Ia escrever sobre esta farra promovida pelo Presidente do Senado e seus "atos secretos", mas o jornalista econômico Luis Nassif, com sua precisão habitual, define com maestria o tema. Segue abaixo - o grifo é meu.

P.S. - Óbvio que, neste caso, a foto fica à direita...

17/06/2009 - 15:59

As denúncias contra Sarney

Confesso um profundo desânimo de escrever sobre os empregos dos familiares do presidente do Senado José Sarney.

Há três anos escrevi longamente sobre a venda da Cemar - Centrais Elétricas do Maranhão - para fundos de investimentos aliados a Fernando Sarney. A empresa estava sendo recuperada, por uma intervenção da ANEEL. O GP adquiriu o fundo simplesmente conseguindo que a Eletrobras renegociasse o passivo em boas condições. Um escândalo maiúsculo, sem a menor repercussão porque não havia interesse, naquele momento, em instrumentalizar a denúncia.

Meses atrás, quando estourou o caso Gautama, era evidente a ligação da empreiteira com a família Sarney. A mídia em geral atacou o governador Jackson Lago. Não saiu uma linha sobre Sarney. Depois, quando Sarney foi eleito presidente do Senado, desencavaram o tema por uma questão de conveniência política.

Quando começou o processo de cassação do Lago, fiz nova defesa aqui - ao lado de outros blogs independentes. O esquema Sarney em São Luiz espalhou que estava sendo financiado pelas verbas da Secretaria de Comunicação do Jackson Lago. Quando Roseana assumiu, escancarou as verbas e um valor imenso tinha sido aplicado nos grandes veículos, visando reduzir as críticas. Não houve retificação das insinuações lançadas.

Tenho um largo histórico de conflitos com o esquema Sarney. Na verdade, desde o Plano Cruzado, quando o consultor geral Saulo Ramos, um grande espertalhão, editou um segundo decreto do Cruzado para permitir a sobrevida da indústria das liquidações extrajudiciais e das concordatas - das quais ele, como advogado, sempre fora grande beneficiário.

Acompanhei as estripulias do Edemar Cid Ferreira, protegido de Sarney, assim como as concessões distribuídas a Mathias Machline, Abril, Objetivo. Graças a Sarney ganhei um Prêmio Esso em 1987 e fui rifado pela Folha pouco tempo depois e por razões bem sólidas, que garantiram a Sarney a gratidão do jornal e espaço vitalício como seu colunista.

Por tudo isso, considero Sarney o maior representante do que de mais atrasado existe na política nacional. E considero esse jogo de denúncias seletivas uma ampla manipulação. Usa-se a denúncia como ferramenta política apenas, jamais como instrumento de aprimoramento político.

Mille Campeão

Estou para escrever isso há algum tempo, mas havia faltado oportunidade. O Mille ganhou a classificação "Categoria A" do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, algo como um selo de eficiência energética para veículos.

Das marcas que se submeteram ao teste, somente o Uno Mille, o Picanto, o Honda Fit, o Polo Bluemotion e o Gol 1.0 conquistaram esta classificação.

Destes, o Uno Mille é, disparado, o caro mais barato, de forma que em custo/benefício ele se torna o campeão. Ou seja, ele consome menos recursos da natureza para rodar, o que se traduz em benefício ao meio ambiente.

Aproveito para lembrar aos meus treze leitores que termina dia 30 o prazo para comprar carros com IPI reduzido, e não deve haver prorrogação do prazo. Se quiser trocar de carro a hora é essa.

Mais informações: Inmetro

Matrioshki - Episódio 9

Tensão pura.

Assim pode ser definido o Capítulo 9 da segunda temporada de "Matrioshki", que passou na segunda mas que só pude ver ontem.

O capanga do Bob Sels (cafetão belga) se mete em um monte de confusão: protege uma fugitiva, autoriza outra a ir visitar a irmã doente, briga com a mãe por causa da primeira e, no final do capítulo, faz a limpa no cofre do chefe. Logo ele, que tinha fama de "bobão"...

O marido da chantagista morta é demitido por Bob Sels e resolve o problema do corpo da esposa: se joga no mar com o carro, ela e tudo.

Os outros dois capangas são chantageados pelas duas meninas tailandesas, com ajuda da gerente do "night club" (foto), por terem visto um assassinato que os dois cometeram na Tailândia. No final do episódio elas estão com as passagens de volta, mas não se sabe, ainda, se conseguiram embarcar.

A gerente em questão, que é informante da Polícia, ainda leva a parte dela nesta "negociação" com os dois supracitados.

Achei que este capítulo, ao contrário dos anteriores, fugiu um pouquinho da realidade. Os três capangas citados, na vida real, já estariam "conversando com São Pedro" faz tempo... e as duas meninas que fugiram seriam inapelavelmente punidas.

Desumano ? Sim. Mas é a vida real.

Segunda feira que vem, o final deste temporada, por enquanto a última. Telecine Action, 62 da Net, meia noite de segunda para terça.

Manifesto Rubro Negro

O amigo Affonso Romero, que muito nos auxilia com suas análises sobre o Flamengo, escreveu um "manifesto" com sugestões de medidas necessárias, expressando descrença quanto aos grupos políticos atuais e uma descrição das eleições próximas do clube.

Transcrevo abaixo e subscrevo. O texto é longo, mas acho que vale a pena a leitura.

"Amigos,

Estive pensando em nossa conversa de ontem sobre a falta de perspectivas políticas no Flamengo para este ano. Pelo menos, entre as candidaturas que já se apresentaram e aquelas que podem estar por vir. Pior do que os nomes é a formação de blocos políticos capazes de ofuscar as poucas qualidades deste ou daquele candidato.

Até recentemente, eu tinha a esperança de ter alguma opção à altura do Flamengo para dar meu voto. Pessoas de bem já propuseram um bloco "apartidário" apoiando uma candidatura "acima de suspeitas" como, por exemplo, de um ídolo como o Junior. Ou de um realizador comprovado, como o Areias. Seja por não quererem fazer política pequena, seja por terem outras perspectivas profissionais, as notícias que nos chegam (por várias fontes confiáveis ao mesmo tempo - e não só a mim, mas também a outros membros da lista) dão conta de que estas pessoas não se colocam hoje disponíveis como candidatos. E quem há de dizer que eles estão errados?

Sobram os nomes de sempre, os blocos que já representam algo de ruim, ou parte da herança "administrativa" que corroeu o Flamengo nas últimas décadas. Sobram opções com um cheiro de mesmice, de mofo. Mesmo quem propõe algo novo tem que andar de mãos dadas com o passado. Sobra uma alternativa "menos ruim", que pode ser esta ou aquela, a depender de uma percepção dúbia de quem é quem numa peça de atores repetidos em papéis "novos". E como discutir idéias com estas opções de candidaturas, sem a esperança real de que algum dos proponentes tenha um passado administrativo que o credencie para levar adiante qualquer que seja o projeto de recuperação do Flamengo?

São inúmeros os sub-blocos políticos hoje no clube. Sozinho, ninguém se elege. E, inevitavelmente, cada candidato, bom ou ruim, carregará "malas" e contrapesos em suas chapas. Gente desgastada, conhecida, "tradicional" na política clubística. Faces de um antigo Flamengo que necessita ser sepultado. Fala-se em 20 candidatos, todos representando correntes internas da atual Diretoria ou representando grupos que estiveram há pouco tempo no poder, como as viúvas do Edmundo Santos Silva. Então, pela enésima vez seguida, teremos um embate de titãs: MB x ESS, ainda que os atores estejam renovados, as idéias e pessoas são as mesmas.

Pois é em meio a esta paisagem totalmente fragmentada que eu proponho o "impossível". Principalmente, algo que eu mesmo reconheço que é o contraditório em si mesmo. E qual seria esta contradição? Bem, é "fato" mais ou menos aceito que o modelo político do Flamengo estimula e recria a mesmice. Formar uma chapa lá dentro não é nada fácil, e isso dificulta a renovação. Por outro lado, é quase uma unanimidade (pelo menos entre os torcedores) que o Flamengo precisa de uma renovação que beire a revolução. Mas também não é difícil entender que o Flamengo não pode ser para principiantes, que o nível de complexidade do clube exige alguma inteiração com aquela máquina emperrada. E, por outro lado, a máquina tem que ser "desmontada" e reconstruída em novos termos. A contradição inerente a este processo, e inerente também aos nossos anseios, é entre o novo e o velho, e as formas que eles têm para conviver.

E o que seria este meu "impossível" que eu proponho assim, entre estas aspas? Seria fazer o novo brotar de dentro, porque só quem é sócio há pelo menos três anos pode ser candidato. Então, impossível estatutariamente ir buscar alguém de fora agora. Será que, a estas alturas, pode-se criar dentro do Flamengo um novo Flamengo? De cara, eu mesmo diria: impossível!!!

Pois se o "impossível" é a nossa única alternativa imediata, que tal fazer este "impossível" virar improvável, o improvável virar uma esperança e a esperança construir a realidade?

Affonso, o que você está propondo?

Sendo claro: estou propondo que a gente ouse e faça surgir um nome. Que nome? Aí é que está a maior dificuldade.

A notícia boa - talvez a única - é que a maior força eleitoral do Flamengo, hoje, está em casa e desinteressado das eleições de dezembro. Muito se fala na possibilidade de os torcedores passarem a votar algum dia. Seja por um programa sócio-torcedor, seja através do off-Rio, seja pelo barateamento de títulos, sempre há quem sugira uma participação maior da torcida nas eleições. Não vamos entrar nesta discussão, ela não nos serve para já, para 2009.

Por outro lado, há milhares – eu disse MILHARES !!! – de torcedores rubro-negros que têm o direito ao voto e não o exercitam. Como assim? É que, normalmente, o comparecimento às eleições gerais não chega aos 30% do colégio eleitoral. Corrijam-me se o percentual não for exatamente este, mas a 50% eu sei que nunca chegou na história recente.

Ou seja, um candidato capaz de motivar um número expressivo de rubro-negros a saírem de casa e irem às urnas pode vencer as eleições, mesmo sem base interna na Gávea, mesmo sem compadrio com as correntes entronizadas desde sempre na política rubro-negra, mesmo sem a tal “tradição” interna no clube. Ao contrário, o fato de vir “de fora” do jogo marcado só faz beneficiar uma candidatura assim.

O Flamengo é um clube freqüentado por um percentual reduzido do total de seus sócios. Todo sócio-proprietário pode fazer parte do Conselho, mas a maioria abre mão deste direito e raramente uma reunião do Conselho tem a presença de mais de 200 votantes. Nas eleições gerais acontece algo semelhante: só quem já participa da política interna, ou é muito próximo de quem participe, se sente motivado para ir votar. E a coisa fica manipulada por umas 300 ou 400 pessoas, no máximo. E por menos de 2.000 votantes, a maioria dos quais atendendo ao chamado de um destes 400 que estão “por dentro”. E mesmo entre estes 400, há apenas uns 20 ou 30 capazes de montar uma frente ou um bloco, capazes de convocar eleitores por telefone. Destes, apenas uns 10 (ou menos) são caciques com liderança real e peso eleitoral.

Qualquer um que se lance candidato pelas vias ditas normais tem que obedecer a este ritual, aliar-se a estes caciques, ter “respaldo” na política interna, no modelo vigente. Seja candidato da situação ou da mais ferrenha oposição. Só há espaço para ser um lado da mesma moeda.

E alguém que venha “totalmente” de fora? Alguém que seja, hoje, mais um destes sócios desmotivados que nem iriam votar? Alguém que tenha direitos políticos, mas não os exerça ativamente? E alguém “virgem” na política rubro-negra? Pois um candidato assim, por mais improvável que seja, pode atropelar a tudo e a todos.

Quanto mais improvável for um candidato “de fora”, maiores as chances de se conseguir algo. Quanto mais desconhecido na política interna (ainda que possa ser alguém famoso, eventualmente), quanto mais externo a tudo o que está lá (oposição inclusive), quanto mais pareça um extra-terrestre político, tanto melhor. E maiores as chances. Porque só uma pessoa com um perfil desses seria capaz de motivar aqueles que são iguais a ele, ou seja, que até hoje se abstiveram de participar exatamente por não acreditarem no processo.

Quem não sai de casa para votar no candidato do Marcio, tampouco sairá de casa movido pela MPYZTFLA. Mas quem não acredita mais nesta mesmice pode vir a acreditar numa candidatura absolutamente nova.

Evidentemente, há algumas características que precisamos procurar, as quais são irrecorríveis:

1 – O candidato tem que ser elegível aos olhos do Estatuto. Ou seja, tem que ser sócio há pelo menos 3 anos, estar em dia, estas coisas.

2 – Precisa morar no Rio.

3 – Ser uma pessoa realizada financeira e profissionalmente. O cargo é voluntário, então tem que ser alguém que tenha independência financeira, não precise do Flamengo para nada. E tem que ser alguém vencedor, não dá para entregar o clube nas mãos de alguém incapaz de realizar algo.

4 – Não precisa ser famoso, ou milionário, ou um homem público, ou ex-atleta. Mas ajuda se for uma dessas coisas. Mas, se não for, que pelo menos tenha uma imagem reconhecida como uma pessoa competente naquilo que faz, que seja alguém com um currículo a mostrar.

5 – Não precisa ser necessariamente uma pessoa bonita, mas ajuda muito se tiver uma aparência apresentável.

6 – Independentemente da idade que tiver, tem que ter uma mente jovem, ter coragem, arrojo, postura, ideais, altivez, imagem positiva, liderança, ousadia e garra. E passar isso para as pessoas em volta.

7 – Não ter sido dirigente do Flamengo, pelo menos nos últimos 20 anos. E, de preferência, não ter participado diretamente de nenhuma corrente política rubro-negra nos últimos tempos.

8 – Ter bom perfil acadêmico. Não precisa de um mestrado ou doutorado, mas não dá para ser um autodidata ou um semi-analfabeto.

9 – Ter perfil e experiência de administrador e líder. Não precisa ser formado em administração, mas tem que saber administrar, entender a linguagem, saber lidar com equipes. Qualquer dirigente, de qualquer área, tem que ter um perfil assim. Um executivo de grande empresa, um empreendedor, um empresário, tem que ter este perfil.

10 – Ter conhecimentos e opiniões sobre esportes e sobre marketing. Não precisa ser especialista, tampouco concordar com a minha opinião, ou a de Fulano, ou Beltrano. Mas tem que saber falar sobre esportes, conhecer a história recente (pelo menos) do Flamengo, discorrer e decidir sobre marketing. Enfim, ter noção daquilo que pretende administrar. E saber compreender os aspectos jurídicos também, mesmo se não for advogado.

11 – Ter uma visão moderna sobre a atividade esportiva, sobre esporte de alta competição, sobre a função social dos clubes, sobre o mercado esportivo contemporâneo. Novamente, não precisa ser especialista, mas tem que entender o processo.

12 – Ter saúde física e mental.

13 – Ser uma pessoa ilibada, de boa reputação, sem pendências jurídicas, de caráter firme, sem áreas nebulosas em sua biografia, estável.

14 - Estar disponível. Ter tempo para dedicar ao Flamengo, vontade de se doar a este projeto, uma estrutura pessoal e/ou familiar à sua volta que o permita se dispor a esta tarefa.

15 – Querer.

Esta pessoa existe?

Se existe, eu não conheço. Mas, sinceramente, gostaria muito de conhecer. Alguém é capaz de identificar uma pessoa com este perfil, que cumpra todos estes requisitos? Impossível não é. Não são traços de um super-homem, mas de um líder adequado a um processo de renovação, alguém capaz de inspirar e motivar outros rubro-negros a tentar fazer aquilo que parece impossível num primeiro momento.

Aliás, não queremos e não precisamos de um messias, de um salvador supremo, de alguém com um conhecimento superior e universal que tenha todas as respostas prontas. Precisamos urgentemente é de alguém “novo” no cenário político rubro-negro que possa encabeçar um projeto comum que está “no ar”, todo verdadeiro rubro-negro sabe intuitivamente. Mas é necessário um nome, um candidato, uma personificação, um “recipiente” de votos.

E qual seria este projeto? Como fugir de um salvacionismo barato, um messianismo perigoso que pode descambar num quadro ainda pior?

Bem, se existir alguém capaz de encabeçar uma candidatura, o conceito por detrás disso já está pronto. Nós discutimos aqui todos os dias. Divergimos nas formas,nos detalhes, mas o modelo geral de soluções é quase uma unanimidade. E qual seria este arcabouço de conceitos?

Novamente, corrijam-me se eu estiver errado, mas o que eu tenho falado e ouvido sistematicamente é:

1 – Tomar o poder e profissionalizar imediatamente a administração do clube. Como?

1.1 – A Diretoria empossada passaria a dar as diretrizes gerais, as metas, os objetivos a serem alcançados pelos executivos. Ou seja, cumpriria sua missão política (no sentido correto da palavra);

1.2 – A administração do clube passaria a ser feita por executivos profissionais contratados para tal, a partir de um plano de ação da Diretoria, controlados pelas metas estabelecidas, auditados pelos Poderes do clube, sem interferência política no cotidiano administrativo;

1.3 – Estes executivos seriam o corpo gestor, a face administrativa da Diretoria, sem influência da política, sem interferência, e seriam contratados com a ajuda de consultoria externa, a partir de perfis pré-estabelecidos para cada cargo. E teriam contratos com tempo pré-determinado (renováveis a cada ano, por exemplo) para terem estabilidade e independência, por um lado e, em contrapartida, para serem cobrados pela conquista de metas.

2 – Providenciar urgentemente um levantamento de todas as dívidas e pendências jurídicas do clube, de modo a traçar um plano de ajustamento financeiro e uma ampla renegociação do passivo. Fazer isso com ajuda de consultoria externa, para ter mais transparência, qualidade e credibilidade.

3 – Fazer um levantamento patrimonial, de contratos, de pessoal e tratar cada assunto desses com a urgência necessária, definindo o perfil do que o clube é e daquilo que pretende vir a ser, resolvendo as situações dúbias e apontando para o futuro.

4 – Fazer e respeitar um orçamento levado a sério. Fazer um planejamento plurianual.

5 – Com ou sem reforma estatutária, tratar cada atividade-fim do clube como uma unidade financeiro-administrativa independente. A saber: Fla-Gávea (ou o clube social), Fla-Olímpico, Fla-Futebol, Fla-Remo e suporte administrativo. Cada uma dessas atividades tem que ser superavitária, independente, autônoma e profissionalizada. Todas têm chances de, sob a forte marca “Flamengo”, terem mais sucesso assim do que todas juntas compartilhando recursos e prejuízos.

6 – Ter uma política financeira que objetive o superávit primário para abater as dívidas renegociadas.

7 – Propor, com a ajuda dos executivos contratados, formas alternativas e criativas de recuperação e manutenção do patrimônio, através de parceria com a iniciativa privada.

8 – Administrar e comunicar com absoluta transparência, com contas abertas na internet, com auditoria interna permanente. Estabelecer padrões de governança corporativa a partir das melhores práticas reconhecidas, administrar o patrimônio como quem administra uma empresa de capital aberto em bolsa, ou seja, submetendo-se ao fato de ser uma instituição pública, ainda que de Direito Privado.

9 – Criar e manter uma estrutura de Marketing capaz de captar novos recursos, otimizar o poder da marca, adaptar á realidade brasileira e do Flamengo as melhores PR-áticas de mercado dos principais clubes do mundo.

10 – Investir com toda a seriedade na relação com a assim chamada “Nação Rubro-Negra”. Promover um amplo debate, interno e externo ao clube, sobre os melhores modelos de inteiração, otimizando a capacidade geradora de recursos da massa de torcedores.

11 – Tentar conciliar as dificuldades financeiras (que são transitórias) com a exigência permanente em se manter um time competitivo no futebol profissional, traçando um plano de ação no sentido de montar um elenco com a máxima qualidade ao menor custo possível. Achar este ponto de equilíbrio com a ajuda de um executivo para o futebol que tenha conhecimento no Flamengo e reconhecimento por parte dos torcedores (alguém como um Junior, um Leonardo etc.). E, claro, dar autonomia e orçamento a esta pessoa.

Acho que, de boa-fé, dificilmente alguém seria contra estes tópicos que eu coloquei. Vejam que eu, conscientemente, fugi de abordagens polêmicas. Não adianta discutir agora se os torcedores devem conquistar o direito de voto ou não. O que se deve fazer é votar agora quem pode e, no futuro, abrir as portas para discutir isso com maturidade, sem uma posição pré-concebida. Quem será o técnico, quem se pretende contratar etc., tudo isso pode ter importância, mas temos que olhar o todo, não o detalhe.

Se alguém puder levar adiante estes conceitos, encabeçar uma chapa, puder montar uma chapa, ter o número de nomes ao seu lado no primeiro momento, captar adesões de primeira hora, assinar um compromisso amplo em favor destes princípios que eu coloquei (e eu acho que são o básico do básico), eu acho que o “impossível” ainda tem tempo para ser possível.

Mas, para isso, precisamos de um nome.

Quem sugere primeiro?

Chamem-me de utópico. Mas, pelo amor de Deus, dêem uma idéia melhor, então."

terça-feira, 16 de junho de 2009

Samba de Terça

Hoje, em nossa série "Samba de Terça", um samba de que gosto muito, em especial pela sua poesia: "Chora Chorões", Estácio de Sá, 1985.

Trazendo como enredo o nosso chorinho, ritmo genuinamente brasileiro, o samba fazia referências aos principais ícones desta espécie de música, tão brasileira. O enredo era do carnavalesco Fernando Alvarez.

O samba era de autoria de Djalma Branco, Caruso, Jangada e Djalma das Mercês, e o curioso é que o Mestre de Bateria era o famoso Ciça, hoje na Grande Rio.

A escola obteve o décimo lugar no desfile do Grupo Especial - chamado à época de "Grupo 1A", com 200 pontos.

Vamos à letra:

"Embalados neste som dolente
Vamos nessa minha gente
Unir os corações
Anda, meu amor, a hora é esta
Os chorões estão em festa
Gemem primas e bordões... nos salões
Soluça bem alto um cavaquinho
Chorando acordes, um pinho
Diz que é tempo de sonhar e recordar

E lá vou eu
Meu bem, também
Choramingar

E nesta festa
Sou chorão e vou chorar
Sou carinhoso desde bem pequenininho
Tico-tico sai do ninho
Pra comer o meu fubá (E em noite alta...)
Em noite alta
Murmura a flauta
Apanhei-te cavaquinho
André de sapato novo
Pede ao povo
Pra chorar também brasileirinho

Urubu malandro
É dengoso e quer dançar
Agarradinho
Nas cadeiras de iaiá"


Você pode ouvir o samba, em versão de estúdio, aqui. Um vídeo do Youtube com um resumo do desfile, aqui.

Eu só lamento que a escola não tenha se lembrado deste samba na onda de reedições que engendrou nesta primeira década do Século XXI.

Semana que vem, um dos sambas mais lembrados dos últimos tempos, de volta ao Grupo de Acesso: Unidos da Tijuca 1999.

Um Mês de Ouro de Tolo

Hoje o blog completa seu primeiro mês de vida.

Em 30 dias, tivemos 115 posts com 193 comentários. Desde o dia 19 de maio, quando instalei o contador, tivemos 1.958 visitas únicas e 4.796 pageviews.

Obrigado !

O curioso é que à medida em que os dias vão transcorrendo, este blog mais e mais ganha vida própria. Ele já está totalmente diferente de quando eu o idealizei, está menos personalista e mais pessoal, menos informativo e mais formativo.

Aproveito para avisar que todos os textos publicados aqui, à exceção daqueles que não são de minha autoria, têm sua reprodução e divulgação expressamente autorizadas, desde que se cite a fonte.

Mais concursos universitários

O post sobre o concurso do Departamento de História da UFF gerou certa polêmica. E hoje recebi um e-mail, de pessoa que pede para não se identificar - mas autorizando a publicação - contando sobre o procedimento em concurso da UFRRJ:

"Olá Pedro,

Sua resposta acabou me incentivando a redigir uma explicação completa sobre o caso. Lembrando que este fato aconteceu na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro há cerca de dois meses, em um concurso para o Departamento de Administração.

Normalmente, em qualquer concurso público para docente, é procedimento regular divulgar os nomes do inscritos com antecedência. Isso acontece por alguns motivos. Primeiramente, nós professores de ensino superior temos um registro de nossos currículos em uma plataforma internacional chamada Plataforma Lattes, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). Com a divulgação dos nomes dos inscritos, temos como saber qual o nível dos concorrentes. Isso pode fazer com que eu, que atualmente moro em Minas Gerais, desista de participar do Concurso caso veja algum candidato com maior experiência.

O custo de deslocamento é alto e caso algum concorrente seja "muito gabaritado", ele leva ampla vantagem na avaliação chamada "Prova de Títulos". Pois bem, no concurso para a área de Marketing da Rural eles não divulgaram o nome dos inscritos. Isto causou certa estranheza, já que além de procedimento normal, TODOS os outros concursos realizados pela Rural tiveram o nome dos inscritos publicados no site oficial. Como você pode conferir no link a seguir, isto não foi feito (
http://www.ufrrj.br/concursos/av.adm-merc02_2009.htm).

Em segundo lugar, normalmente é feita uma "leitura pública" da prova. Normalmente, a prova de docência envolve o sorteio de um tema com realização de prova escrita com duração médioa de três horas. A leitura pública exime pequenas distorções na caligrafia ou utilização de termos técnicos e teóricos que podem decidir a avaliação. Este procedimento também foi retirado pela banca examinadora, que também revelou que o resultado da prova escrita seria informado via telefone. Um absurdo.

Agora a cereja do bolo é a seguinte: na data da prova, eu fui um dos três últimos a terminá-la. Como procedimento de praxe em concursos, você deve aguardar os outros dois candidatos terminarem a prova e todos deixarem a sala de provas em conjunto. Pois bem, isso foi feito. Agora, qual foi a minha surpresa ao descobrir, no fim da prova, que um dos candidatos trabalhava justamente no Departamento de Administração como Professor Substiuto. O Professor Substituto possui um contrato de dois anos apenas com as instituições de ensino. Resumindo: como não foram divulgados os nomes dos inscritos, somente eu e outro candidato soubemos do fato. No dia seguinte, recebi o telefonema informando de que não havia sido aprovado. Perguntei sobre as notas das avaliações e eles disseram que divulgariam no site oficial. Estou esperando minhas notas até hoje...
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Ruy Castro, as mulheres e artificialismos

Tenho o hábito de pela manhã vir no trânsito ouvindo a Rádio BandNews FM; porque, embora não concorde com pelo menos a metade do que ele diz, eu gosto muito do âncora Ricardo Boechat e dos colunistas da parte da manhã.

Faço esta introdução porque queria comentar o papo que o âncora levou com o escritor Ruy Castro hoje pela manhã, conversa essa que ocorre todas as terças feiras.

O assunto do dia era a proposta de um fotógrafo francês de tornar as fotografias femininas "mais naturais", sem estes excessos de correções - i.e., Photoshop - que vemos atualmente não só em revistas voltadas ao público masculino como em toda sorte de publicação.

Ruy Castro contou dos tempos em que foi editor de revistas masculinas e explicou como era feito o retoque das fotos nos tempos pré-Photoshop. Segundo o colunista, primeiro maquiava-se a modelo de cima a baixo, para disfarçar eventuais imperfeições, depois utilizava-se de uma iluminação adequada e, por ultimo, o editor fazia as correções diretamente no fotolito.

Hoje é muito mais fácil, faz-se tudo no Photoshop. Só que por um lado geram-se mulheres irreais e, por outro, ocorrem verdadeiras aberrações - um bom exemplo foi o ensaio que a modelo e atriz Fernanda Lima fez no final de sua gravidez, em que simplesmente sumiram com o umbigo dela - e colocaram na capa !

Ruy Castro tem a opinião, com a qual concordo, de que os homens não estão preocupados em saber se uma mulher tem ou não celulites ou estrias. Ele vai mais longe e diz que "quem sabe a diferença entre celulites e estrias, ou é mulher, ou é bicha".

Também questiona os padrões de beleza destas publicações e as correções demasiadas, que "fazem qualquer baranga ficar belíssima na publicação".

Faço coro com o colunista. Sinceramente, estas mulheres que aparecem nas revistas - quaisquer delas, não estou falando de revistas masculinas - são tão artificiais que não consigo achar bonito. O pior de tudo é que gera uma compulsão na sociedade em tentar imitá-las, o que obviamente é impossível. Sou adepto do "quanto mais natural, melhor".

Um bom exemplo é a alcunhada "Mulher Melancia"(foto). A diferença entre fotos que saem nos jornais e a aquela em que foi capa da Playboy chega a ser grosseira.

O pior de tudo é que na música já há o correspondente do Photoshop, o denominado "ProTools". Qualquer Pedro Migão da vida fica com uma voz límpida e cristalina. Por essas e outras que o que não falta, hoje, é cantor enganador...

No site da Rádio Bandnews costumam colocar o áudio dos colunistas, mas ainda não se encontrava disponível. Recomendo a audição quando estiver.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Dominação Cultural

Minhas filhas possuem o hábito - agora um pouco menos - de assistir ao canal Discovery Kids.

A proposta deste canal é denominada "educativa", mas o que vejo é a reprodução de valores e homogeneização de culturas, sob um tom politicamente correto.

Todos os desenhos deste canal são estrangeiros - com uma honrosa exceção, o "Peixonauta" - e todos eles se dedicam a difundir os valores do chamado "Primeiro Mundo". Também estimulam o consumo.

Outra coisa que eu reparo é a total ausência do papel masculino nos desenhos. A exceção à regra é o desenho denominado "Caillou", onde o pai existe, mas não passa de um estafeta da mãe - que é, realmente, quem dá as cartas.

Todas as animações exibidas seguem um padrão mais ou menos definido: um núcleo familiar formado por mãe e filhos, às vezes com os avós, sem a presença masculina; propaga valores europeus e norte americanos, além de brancos e de classe média; tudo isso sob um tom "politicamente correto" que, sinceramente, só tornará as crianças atuais adultos insuportavelmente chatos.

Até o padrão de dublagem segue um mesmo padrão, o português falado em São Paulo. Hoje já vejo amiguinhos das minhas filhas sem saber o que é a palavra "biscoito". Mas se disser "bolacha"...

Vejo indubitavelmente uma formação de cultura homogeneizante e que tende a extinguir as manifestações de cada cidade, cada lugar. Uma exaltação ao consumo e a replicação de valores culturalmente dominantes.

Sinceramente, isso me preocupa. Saudades de Pica Pau e Tom e Jerry...

Obrigado, Kleber Leite !!!!!

domingo, 14 de junho de 2009

Resenha Literária - "Confissões de Um Assassino Econômico"

Confesso que há muito tempo um livro não me perturbava tanto. Acho que o último que me deixou desorientado desta forma foi o "Sem Vestígios", que tratava das confissões de um torturador do aparato de repressão brasileiro. Falo de "Confissões de um Assassino Econômico", de John Perkins.

A história do livro é a seguinte: economista é recrutado para servir como "Assassino Econômico" - ou simplesmente "AE" - durante a década de 70. Depois se torna presidente de uma empresa de energia alternativa até que se arrepende e resolve contar a sua história.

E o que seria um "AE" ? São técnicos - basicamente economistas - que têm a missão de gerar números fictícios a fim de respaldar enormes empréstimos de órgãos como Banco mundial e o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), empréstimos impagáveis, e assim estabelecer uma relação praticamente colonial entre o país e os EUA.

Tais empréstimos eram utilizados em grandes obras de infra-estrutura, tocadas por empresas americanas necessariamente, que beneficiavam elites corruptas destes países. O preço a ser pago era a incapacidade de pagamento destes empréstimos e a consequente dependência total, com subserviência e facilidades de exploração de recursos naturais pelas empresas americanas.

O livro também relata que, quando os AEs, ou seja, a dominação econômica, falhavam, eram enviados os chacais, que removiam do poder via assassinato os presdientes que aos EUA se opunham. Cita explicitamente o caso dos Presidentes Omar Torrijos, do Panamá - que renegociou o Tratado do canal de mesmo nome - e Jaime Roldós, do Equador, que tentou expulsar as petrolíferas americanas de seu país.

Se nada desse certo, invasão pura e simples pelo Exército - i.e., Panamá e Iraque.

O esquema dos AEs é tão engenhoso que estes eram pagos por grandes empresas de consultoria, para que não aparecesse vínculo direto com o governo norte-americano ou suas agências de inteligência.

John Perkins trabalhou como um AE de 1971 a 1980. Esteve na Indonésia, Panamá, Equador, Irã, Arábia Saudita, Colômbia, entre outros. Saiu em 1980, fundou uma empresa de energia alternativa - onde teve o silêncio comprado através de diversas formas, vendeu a empresa, se tornou especialista em cultura indígena; até que o 11 de Setembro o fez finalmente escrever o livro.

Nos capítulos finais, analisa a questão da Venezuela - e a sorte de Chavez - e a do Iraque. Também disseca a sede dos EUA por petróleo e a miséria que no fim, toda esta dominação e o consumismo desenfreado causam.

Cunha o termo "corporatocracia", para determinar as relações entre o governo e as grandes empresas, com pessoas indo de um lado para outro - no livro que li sobre a Monsanto este fenômeno é chamado de "portas giratórias". Também determina a forma de imperialismo imposta ao restante do mundo.

O livro me deixou muito perturbado. Primeiro por mostrar quão sórdidas podem ser as pessoas quando buscam suas realizações pessoais - mesmo que seu trabalho gere fome, destruição ecológica e de populações inteiras. Segundo, e isso já era tocado de leve no excelente livro do economista Joseph Stieglitz sobre globalização, por explicitar os métodos de dominação que representam instituições como Banco Mundial, BID e FMI. Terceiro por mostrar a influência que hábitos nossos do dia a dia exercem sobre populações inteiras. Quarto, pela influência do petróleo na história toda.

Indispensável.

Dica: somente no Submarino - link aqui - o livro, que é de 2004, está disponível para pronta entrega.

Confesso que irei pensar duas vezes, a partir de agora, antes de por exemplo comprar um tênis Nike ou abrir uma Coca Cola - se bem que quase não bebo refrigerante. Pelo menos estou trocando meu carro por um mais econômico.

Quando pensei este blog, a idéia era de lidar com alguns "fantasmas" que estavam em minha mente, bem como formatar opiniões e literatura e refletir um pouco sobre a correria autômata do dia a dia.

Vejo, felizmente, que além disso ele pode - e deve - engajar-se em causas justas. E este livro nos leva a pensar sobre um monte de coisa.

That´s all.

sábado, 13 de junho de 2009

Omara Portuondo & Maria Bethânia

Certos CDs existem para serem degustados, não consumidos como uma refeição corriqueira. É o caso deste CD que reúne a brasileira Maria Bethânia com a grande diva cubana Omara Portuondo.

Quando ouvi pela primeira vez, achei um cd comum, arrastado até. Ele ficou um bom tempo sem merecer uma nova audição, até que poucos dias atrás tive o prazer de ouvir novamente, e saborear cada jóia como se fosse a última vez em que ouvíssemos uma canção em nossas vidas.

Se eu pudesse escolher uma canção deste álbum, destacaria a belíssima "Você", que é poesia pura.

A música, de 1928, é de autoria de Hekel Tavares e Nair Mesquita, e alvo de uma gravação muito controversa do cantor Fagner, que a teria rebatizado sem dar o devido crédito:

"Vocês já viram lá na mata a cantoria
da passarada quando vai anoitecer
e já ouviram o canto triste da araponga
anunciando que na terra vai chover
já experimentaram guabiroba bem madura
já viram as tardes quando vai anoitecer
e já sentiram das planices orvalhadas
o cheiro doce das frutinhas muçambê

Pois meu amor tem um pouquinho disso tudo
que tem na boca a cor das penas do tiê
quando ele canta os passarinhos ficam mudos
sabe quem é o meu amor
ele é você"

Você pode ouvir aqui a faixa. Aqui, mais informações sobre este CD.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Uma imagem vale mais que mil palavras

Concurso para Professor de História da UFF, cartaz afixado no mural em frente aos elevadores, no quarto andar, bloco N.

Colaboração do leitor Fabrício Gomes.

Agora, é aguardar o Diário Oficial...

Música para o Final de Semana

Bom, a música para iniciar bem o final de semana está em ritmo de Dia dos Namorados.

Entretanto, como este blog não é nada óbvio, a minha mensagem é dedicada aos solteiros:

Pressentimento
(Hermínio Bello de Carvalho/Elton Medeiros)

ai ardido peito
quem irá entender o seu segredo
quem irá pousar em teu destino
e depois morrer de teu amor
ai mas quem virá
me pergunto a toda hora
e a resposta é o silêncio
que atravessa a madrugada

vem meu novo amor
vou deixar a casa aberta
já escuto os teus passos
procurando o meu abrigo
vem que o sol raiou
os jardins estão florindo
tudo faz pressentimento
que este é o tempo ansiado
de se ter felicidade

Amo esta música, de dois dos maiores compositores da nossa história musical. Você pode ouvi-la aqui.

Sempre é tempo para amar e ser amado, este é o nosso recado. Deleitem-se.

Depois tem mais.

Segurança (?) Pública

Do "Blog do Ancelmo" :

"Ontem (terça) de manhã, bem cedinho, uma fogueira imensa ardia na Rocinha. Foi obra do traficante Nem, chefe do tráfico por lá, que mandou comprar todos os exemplares de "O Dia" das bancas da favela e de São Conrado, e queimar tudo.

O motivo foi uma reportagem sobre o passeio de helicóptero pelos céus do Rio que ele pagou para a mulher."

E depois temos de ouvir o excelentíssimo governador do Estado dizer que "a política de segurança pública do Estado é um sucesso".

Política de extermínio, de estigmatização e controle da população das favelas e da repressão pura e simples. O trabalho de inteligência inexiste na Polícia hoje, não por falta de esforço dos bons policiais, mas por questão de política (?) de Estado.

Na verdade, a segurança pública aqui no estado do Rio é reflexo da "Doutrina Gilmar Mendes", ou "Teoria dos Três Ps": no Brasil só se pode prender preto, pobre e puta.

Qualquer política de segurança minimamente decente tem de levar em conta três coisas:

1) Policiamento adequado, com policiais bem pagos e com firmeza de caráter;
2) A presença do Estado nas comunidades (favelas) não unicamente através da Polícia;
3) Opções de emprego digno para os jovens destas comunidades.

O ítem 1 parece auto-explicativo, mas não é. Acabar com esta política de assassinatos estatais perpetuada e incentivada pelo comando, muitas vezes indo em alvos totalmente exógenos ao crime. Ter uma polícia bem paga, bem fiscalizada e com firmeza de caráter.

O segundo ítem é mais complexo. O Estado precisa estar presente nas comunidades com saúde, educação, assistência social, saneamento e etc. Hoje, o Estado só se faz presente através da Polícia, com todas as mazelas notoriamente documentadas.

Abstraindo a questão moral e da Lei, olhando puramente pelo ângulo econômico faz todo o sentido a opção dos jovens pela vida no crime. Infelizmente, esta dá status na comunidade, rendimentos maiores e possibilidade de consumo, mesmo que a preço de vida extremamente curta.

Qualquer real solução para a questão passa, a meu ver, por estes três ítens. O resto é "enxugar gelo" e pena de morte à margem da lei.

Notas Rápidas - e Polêmicas

Pra começar a sexta feira, alguns comentários rápidos - e polêmicos:

1) Achei pura provocação o evento gospel (foto) que uma das denominações evangélicas promoveu na Quinta da Boa Vista ontem, feriado de Corpus Christi.

Deu a nítida impressão de estabalecer postura de "vamos mostrar que somos maiores que a Igreja Católica e ponto final".

2) Trazendo pra cá post do excelente blog "O Biscoito Fino e a Massa", sobre homofobia, acho que há muita hipocrisia no tema.

Pessoalmente, não sou ativista da causa, até por não ser parte diretamente interessada, mas penso que a lei deve amparar situações que já existem na sociedade. Se convivemos com casais homossexuais vivendo na mesma casa, como uma família, a lei deve dar a eles os mesmos direitos dos casais heterossexuais.

Senão, estaremos desrespeitando o Artigo 5º da Constituição, que diz que "todos são iguais perante a lei". Isso é fato, o resto é opinião pessoal.

3) E as equipes de Fórmula-1 se inscreveram bonitinho para o ano que vem. Uma vez mais, a maldita disputa por dinheiro.

4) Artigo no "Valor Econômico" reconhece o direito da Petrobras de ter o regime fiscal mais adequado à empresa. Ou seja, puro terrorismo do pessoal do PSDB;

5) A propósito, patético o comercial do referido partido - vanguarda do atraso brasileiro - culpando o governo federal pela chuva no nordeste. Desespero puro.

6) O Cuca está perdido. Mas não deve ser fácil trabalhar com um chefe como o Kleber Leite.

7) Urge uma reforma ampla, geral e irrestrita no nosso Judiciário;