sexta-feira, 12 de junho de 2009

Segurança (?) Pública

Do "Blog do Ancelmo" :

"Ontem (terça) de manhã, bem cedinho, uma fogueira imensa ardia na Rocinha. Foi obra do traficante Nem, chefe do tráfico por lá, que mandou comprar todos os exemplares de "O Dia" das bancas da favela e de São Conrado, e queimar tudo.

O motivo foi uma reportagem sobre o passeio de helicóptero pelos céus do Rio que ele pagou para a mulher."

E depois temos de ouvir o excelentíssimo governador do Estado dizer que "a política de segurança pública do Estado é um sucesso".

Política de extermínio, de estigmatização e controle da população das favelas e da repressão pura e simples. O trabalho de inteligência inexiste na Polícia hoje, não por falta de esforço dos bons policiais, mas por questão de política (?) de Estado.

Na verdade, a segurança pública aqui no estado do Rio é reflexo da "Doutrina Gilmar Mendes", ou "Teoria dos Três Ps": no Brasil só se pode prender preto, pobre e puta.

Qualquer política de segurança minimamente decente tem de levar em conta três coisas:

1) Policiamento adequado, com policiais bem pagos e com firmeza de caráter;
2) A presença do Estado nas comunidades (favelas) não unicamente através da Polícia;
3) Opções de emprego digno para os jovens destas comunidades.

O ítem 1 parece auto-explicativo, mas não é. Acabar com esta política de assassinatos estatais perpetuada e incentivada pelo comando, muitas vezes indo em alvos totalmente exógenos ao crime. Ter uma polícia bem paga, bem fiscalizada e com firmeza de caráter.

O segundo ítem é mais complexo. O Estado precisa estar presente nas comunidades com saúde, educação, assistência social, saneamento e etc. Hoje, o Estado só se faz presente através da Polícia, com todas as mazelas notoriamente documentadas.

Abstraindo a questão moral e da Lei, olhando puramente pelo ângulo econômico faz todo o sentido a opção dos jovens pela vida no crime. Infelizmente, esta dá status na comunidade, rendimentos maiores e possibilidade de consumo, mesmo que a preço de vida extremamente curta.

Qualquer real solução para a questão passa, a meu ver, por estes três ítens. O resto é "enxugar gelo" e pena de morte à margem da lei.

Notas Rápidas - e Polêmicas

Pra começar a sexta feira, alguns comentários rápidos - e polêmicos:

1) Achei pura provocação o evento gospel (foto) que uma das denominações evangélicas promoveu na Quinta da Boa Vista ontem, feriado de Corpus Christi.

Deu a nítida impressão de estabalecer postura de "vamos mostrar que somos maiores que a Igreja Católica e ponto final".

2) Trazendo pra cá post do excelente blog "O Biscoito Fino e a Massa", sobre homofobia, acho que há muita hipocrisia no tema.

Pessoalmente, não sou ativista da causa, até por não ser parte diretamente interessada, mas penso que a lei deve amparar situações que já existem na sociedade. Se convivemos com casais homossexuais vivendo na mesma casa, como uma família, a lei deve dar a eles os mesmos direitos dos casais heterossexuais.

Senão, estaremos desrespeitando o Artigo 5º da Constituição, que diz que "todos são iguais perante a lei". Isso é fato, o resto é opinião pessoal.

3) E as equipes de Fórmula-1 se inscreveram bonitinho para o ano que vem. Uma vez mais, a maldita disputa por dinheiro.

4) Artigo no "Valor Econômico" reconhece o direito da Petrobras de ter o regime fiscal mais adequado à empresa. Ou seja, puro terrorismo do pessoal do PSDB;

5) A propósito, patético o comercial do referido partido - vanguarda do atraso brasileiro - culpando o governo federal pela chuva no nordeste. Desespero puro.

6) O Cuca está perdido. Mas não deve ser fácil trabalhar com um chefe como o Kleber Leite.

7) Urge uma reforma ampla, geral e irrestrita no nosso Judiciário;

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Taxa Selic de um dígito

Eis que, finalmente, a Taxa Selic (juros básicos) cai a um dígito, pela primeira vez em muito tempo.

Penso que esta redução, de um ponto percentual, veio com pelo menos seis meses de atraso, mas é melhor que não haver baixa de juros.

Esta taxa significa que o juro real - descontado a inflação - é de aproximadamente 4,75% ao ano, que ainda é uma das taxas mais altas do mundo.

Por outro lado, este patamar já permite que haja indução do investimento, pois passa a haver condições de se fazer investimento em setores produtivos. Primeiro, porque aumenta o custo de oportunidade de manter o dinheiro parado no banco; segundo, porque passa a haver a possibilidade de se pegar capital de terceiros para efetuar novos investimentos.

Ainda não é o ideal, mas deve aquecer o mercado de crédito no país, tanto ao consumo quanto de investimentos. Entretanto, nosso Banco Central poderia ser bem menos conservador, haja visto que não há grandes pressões inflacionárias e, portanto, não se precisa manter uma política de juros elevados.

Além disso, juros mais baixos diminuem o serviço da dívida pública, aliviam a pressão sobre o câmbio e permitem ao Estado dispor de mais recursos.

Ou seja: é uma boa notícia, mas veio com atraso e de forma (ainda) conservadora.

Matrioshki - Episódio 8

Bom, após o jogo da seleção consegui finalmente ver o capítulo de "Matrioshki", que havia gravado na segunda à noite, mas não havia visto ainda.

É um capítulo diferente dos anteriores, com bastante violência. Uma das prostitutas, amante de um dos capangas do Bob Sels, vê a gerente da casa noturna (foto) na polícia e a chantageia. Após uma série de tratativas, a gerente simplesmente mata a chantagista na base da porrada.

Outro dos capangas leva uma facada de uma das prostitutas ciganas que haviam chegado no capítulo anterior.

Também temos uma rebelião das prostitutas que não querem ir à Holanda para serem utilizadas em uma orgia. E a frieza dos negócios: uma das meninas que não quis atender um cliente anão simplesmente ficou sem a sua grana daquela noite.

Há também a peregrinação para "desovar" o corpo da vítima. O marido dela e o amante simplesmente são presos pela polícia por não terem passado no teste do bafômetro. O carro é retido com o corpo dentro da mala. Outro capanga tem de ir lá e "sequestrar" o carro para que nada seja descoberto.

Uma coisa é certa: este mundo é repugnante. Mas, infelizmente, real.

Ninguém merece !

Véspera de feriado, hora do rush... e me fazem uma blitz na entrada da Ilha pra pegar vans e kombis irregulares !

Bom senso passou longe... se bem que pensei outra coisa sobre isso.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Pra começar bem o feriado

Pra começar bem o feriadão (embora eu trabalhe sexta), um gênio, o maior compositor da história da música brasileira: Chico Buarque de Holanda.

O curioso é que a sugestão da música abaixo, "Construção", tem uma particulariedade: pode-se trocar a ordem dos versos sem a música perder o sentido. Divino.

P.S. - O texto sobre o Flamengo está logo embaixo.

Construção
(Chico Buarque)

"Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado"

Para ouvir, versão ao vivo, aqui.

Modelo de Gestão Rubro-Negro: Parte II

Dando sequência ao que escrevi semana passada, hoje retomo a série de posts sobre o modelo de gestão do clube. Trago algumas pequenas idéias que nem precisam, necessariamente, da troca de Diretoria ou de reformas estatutárias para serem implementadas:

1) Gerenciamento de Contratos:

Esta é uma idéia simples e que evita muitas dores de cabeça. Trata-se de manter um controle de todos os contratos que o clube tem, com principais cláusulas, datas de pagamento e de término do contrato.

Evitaria, por exemplo, o problema com o atual fornecedor de material esportivo. Bastava ter notificado judicialmente o mesmo na primeira falta de material. Na hora em que quis romper o contrato, bastava apresentar as mesmas;

2) Planejamento Plurianual:

No início de cada gestão, estabelecer metas e previsões orçamentárias para cada setor do clube, com a respectiva cobrança, para os três anos.

Assim se evita o "barata voa" que ocorre todo meio de ano no futebol, onde acaba-se contratando sem critério e se gastando muito mais;

3) Adequação Orçamentária:

Não se tem como montar um time caro e estar cheio de penhoras. Listar as despesas fixas - dívidas, penhoras, estrutura et alli - e, a partir daí, determinar o teto orçamentário do futebol.

Se o clube só tem grana para uma folha salarial de R$ 500 mil, que seja.

Outro ponto é respeitar o orçamento anteriormente feito, ou fazer um se não houver.

4) Estrutura

Um CT se faz fundamental, para dar tranquilidade de trabalho, evitar os corneteiros e se trabalhar em tempo integral. O espaço já temos, o Ninho do Urubu.

Ah, não tem dinheiro ? Busca através de parcerias, ou de sócio torcedor. O marketing está aí para isso. E nem se precisa de algo muito luxuoso, campos de treinamento, uma cozinha industrial e um alojamento limpo já são um excelente começo.

5) Profissionalizalização das pessoas

Se não dá para profissionalizar a gestão, pelo menos as pessoas. Contratar por competência. Afastar pessoas que tenham outros interesses no futebol.

6) Marketing

Trazer realmente o torcedor para junto do clube. Fazer "visitas guiadas" à Gávea. Estabelecer um bom relacionamento com os parceiros do clube, estruturando uma relação "ganha-ganha".

7) Buscar novas fontes de recursos

Trabalhar o torcedor a fim de que este possa consumir produtos do clube. Buscar estrutura através de parcerias.

8) Estudar os "benchmarks"

Quem são os líderes do processo aqui no Brasil? São Paulo e Inter. Conhecer, visitar, aprender, ver o que pode ser feito e o que podemos aprender com cada um deles.

9) Um bom projeto de sócio-torcedor

Um projeto de sócio torcedor que dê prioridade e descontos em ingressos, descontos em produtos oficiais do clube e em produtos de parceiros e direito de voto pode angariar por baixo 50 mil novas inscrições, tomando por base os números do projeto vascaíno.

Cobrando-se uma taxa de inscrição de R$ 100 (parceláveis) e uma mensalidade de R$ 50, são, por baixo, R$ 2,5 milhões mensais de receita, com R$ 5 milhões de entrada imediata.

Resolve-se o problema do CT e se banca boa parte dos custos do clube, sem depender de outras fontes de renda.

Outra possibilidade, que não exclui a do sócio-torcedor, é a criação de um "torcedor oficial', com mensalidade mais baixa, carteirinha e descontos em produtos oficiais, em menor escala que o sócio-torcedor.

10) Transparência e Governança corporativa

Transparência de gestão. Controles internos. Contas na internet. Isso é o básico, pois traz credibilidade.

Semana que vem, no terceiro texto da série, as alternativas de estruturação do clube e de seu modelo de gestão. Reafirmo que não apóio quaisquer das correntes políticas do clube e defendo que novas pessoas, com idéias novas, possam influir em seues destinos.

Centésima

Em seu vigésimo sexto dia, o blog chega a seu centésimo post, que é este que escrevo.

O Ouro de Tolo teve, desde o dia 19 de maio - quando instalei o contador - 1.591 visitas únicas, com 3.928 page wiews e 168 comentários. O dia com maior número de acessos foi 29 de maio, com 159 visitantes únicos - foi o dia que dei o furo do Acordo Petkovic/Flamengo. O post com maior número de comentários foi "O Injustiçado Uno Mille", com nove.

A esmagadora maioria dos visitantes é do Brasil, seguido de Portugal e EUA. Mas já tivemos visitantes de Canadá, Argentina, Peru, Colômbia, Mexico, França, Suécia, Alemanha, Inglaterra, Polônia, Dinamarca, Espanha, Itália, Emirados Árabes, Filipinas, Malásia, Índia, China, Japão, Austrália e África do Sul.

O marcador com maior número de posts referentes é "Reflexões", com 22 postagens, seguidas do Flamengo, com 19.

Este blog reafirma o seu compromisso com a democracia, a ética, a informação, a opinião, a liberdade de expressão, a literatura e a cultura. Repudia a hipocrisia e a manipulação jornalística.

Seguiremos em nosso propósito de difundir opinião, informação, literatura e cultura.

Peço por favor aos meus leitores colocarem dicas, opiniões e críticas nos comentários detse post. Muito obrigado e até o milésimo !

Alimentos Orgânicos

Estou para escrever este post já há algum tempo, mas sempre me faltava tempo ou aparecia outro assunto palpitante...

Leio domingo no jornal que algumas lojas e fazendas já estão com delivery de produtos orgânicos aqui no Rio. E isto é muito bom.

Até por questões de orientação religiosa, que neste momento não cabe comentar aqui, sou um entusiasta dos mesmos. Sempre que encontro, a preferência é sempre por este tipo de produtos, não somente legumes e frutas, como frangos, ovos e alimentos industrializados - como sucos, café e, especialmente, açúcar.

São alimentos mais saudáveis, que incentivam a agricultura familiar, ou seja, possuem função social, e incomparavelmente mais saborosos.

Ainda são mais caros, porque não há grande escala de produção, mas quanto maior a demanda que nós consumidores exercemos, maior será a produção e menos o preço.

Queria chamar a atenção para dois produtos em especial: os frangos e o açúcar.

O frango comum, que se compra no mercado, possui aproximadamente um terço de seu peso formado por hormônios de crescimento (basicamente estrogênio e progesterona) e antibióticos. Já há pesquisas correlacionando o aumento do consumo destas aves à cada vez mais precoce menstruação em pré-adolescentes.

Além disso, o frango caipira eque em média fica pronto para abate em 90 dias, nestes frangos "anabolizados" está em, pasmem, 19 dias o tempo de abate.

Quanto ao açúcar refinado, ele leva de tudo em sua composição, até porque o açúcar não é branco por natureza. Para alcançar tal coloração é utilizado ácido clorídrico, farinha de ossos e outros ingredientes, nem um pouco saudáveis.

Há outras duas grandes vantagens no consumo de alimentos orgânicos: estão livres dos transgênicos e dos agrotóxicos, e consequentemente respeitam o meio ambiente. Ecologia na prática, saindo do discurso bonito - e, muitas vezes, hipócrita.

Para saber um pouco mais, indico o site da Korin (para frangos, legumes e frutas) e o da Native Alimentos (café, sucos, açúcar). Mas há outras opções boas de consumo orgânico.

Vamos fazer algo prático pela saúde e pela ecologia ?

Samba de Terça

Bom, na nossa série "Samba de Terça", hoje trazemos um samba do tempo em que a Acadêmicos do Grande Rio não baseava sua presença na mídia pelo fato de ser "a escola dos artistas".

Na década de 90, a escola trouxe uma sequência de bons sambas para a Avenida Marquês de Sapucaí, e trago aqui o primeiro desta série: "Águas Claras para um Rei Negro", de 1992, que deu à escola o passaporte definitivo para o Grupo Especial.

O enredo, de autoria dos carnavalescos Sônia Regina e Lucas Pinto, fazia relação entre o culto ao Orixá "Oxalá" e a liberdade do povo brasileiro, em especial a do negro. Seu objetivo, de acordo com a sinopse - que você pode encontrar no ótimo "Galeria do Samba" - era despertar o patriotismo do brasileiro, "que ama a sua terra e espera dela o melhor para si e seu semelhante"

O samba, de autoria de G. Martins, Adão Conceição, Barbeirinho e Queiroz, tem a seguinte letra:

É hora de seguir com fé
E pedir axé, para o deus maior
Chega, de violência, sofrimento e dor
O pelourinho ainda não findou
Para os ocultos opressores da nação
Há de vir um negro rei, para purificar
Nossa libertação com as águas de Oxalá
Sapucaí, meu quilombo (vou cantar)
Grande Rio é a bandeira (vou lutar)
se é isto que nos resta
Vamos fazer nossa festa
Nos costumes de além-mar

Tem frutos da natureza
É bom demais (bis)
Vamos dar em oferendas
Para o rei dos Orixás

Todo mundo quer saber, quer saber
Da real libertação
O anseio de um povo
De nascer um Brasil novo
Livre dessa servidão
Será, que quem traçou nosso caminhos
Deixou outro pergaminho pra nova libertação
Voa divina pomba da paz, igualdade vê se traz
Para todos eu espero
E quando esse milagre então fluir
Todos vão se juntar se produzir
Nas cores verde e amarelo
(Porque)

Para ser livre
Nunca é tarde demais (bis)
Onde há fé e esperança
A crença não se desfaz

O MP3 do samba pode ser ouvido aqui. Coloquei um link do Youtube com um trecho do desfile.

A escola foi a grande campeã do Grupo de Acesso A na manhã do domingo de carnaval, com 316 pontos, garantindo a sua ascensão definitiva para o Grupo Especial, o Olimpo das escolas de samba cariocas.

O curioso é que o samba não ganhou o "Estandarte de Ouro" de melhor samba do Grupo de Acesso, que ficou com o belo samba do Império Serrano. 1992 talvez seja a melhor safra da história deste grupo.

Semana que vem, vamos viajar à década de 80, com um samba de que gosto muito: Estácio de Sá 1985, "Chora Chorões".

terça-feira, 9 de junho de 2009

Petrobras, grande imprensa e blog

Abro hoje o jornal "O Globo" e vejo um histérico protesto contra a iniciativa da Petrobras de divulgar as demandas que vêm recebendo da imprensa.

O que se diz é que "a empresa errou", que "o blog faz coação" e outras coisas. Entretanto, a meu ver isto não passa de uma falácia.

Ultimamente, a grande imprensa vem mais preocupada em fazer proselitismo político do que propriamente informar. Como o projeto político defendido pelos grandes baronatos da notícia foi derrotado duas vezes, nas urnas, resolveram usar a sua capilariedade para induzir o eleitorado a, em 2010, recolocar o seu braço político no poder.

Onde entra a Petrobras nesta história ? Por dois motivos: primeiro porque a empresa hoje é a maior investidora individual do país, gerando empregos diretos e indiretos e estimulando a economia. Ora, uma economia forte é meio caminho andado para a manutenção do grupo atual no poder.

Segundo, porque as recentes descobertas de petróleo feitas pela companhia colaram na empresa a imagem de "o Brasil que dá certo". Atacando o símbolo de sucesso do país, eu ataco o dono desta empresa, e como a empresa pertence majoritariamente (em termos de ações com direito a voto) ao Estado, eu ataco o governo.

No fundo, esta gritaria dos grandes jornais e da televisão não passa de defesa do monopólio da informação. A partir do momento em que o outro lado encontra uma forma de restabelecer a verdade dos fatos, o poder de quem detinha o monopólio da notícia diminui consideravelmente.

Ou seja: eu posso informar, apenas eu, e a população vai saber o que eu quero que ela saiba, que não necessriamente é a verdade. Todas as outras fontes de informação devem ser caladas.

Não deixa de ser uma grande ironia ver a imprensa defendendo a censura...

segunda-feira, 8 de junho de 2009

1968 - Nostalgia do que não vivi

Mais cedo, escrevi que a geração de 68, se não protestasse, se não lutasse pelos seus direitos, pela liberdade, certamente traria um mundo mais autoritário para a gente.

Queria falar um pouquinho não de história, que esta é bem sabida, mas sim da admiração que eu sinto por este ano de 1968.

Desde alguns anos atrás sempre tive interesse em ler tudo o que me caía em mãos sobre o tema. Isto veio através do livro do Zuenir Ventura, que li há mais de dez anos. Com a série de lançamentos sobre o tema, ano passado, por ocasião dos 40 anos decorridos, pude montar uma mini-biblioteca sobre o tema, com uns 20 livros.

Sempre me atraiu o desprendimento que esta geração teve dos valores pessoais em privilégio da sociedade, dos costumes, da solidariedade e da liberdade, especialmente. A luta por mudanças e para transfomar uma estrutura social carcomida e autoritária, muitas vezes sem medir as consequências, deveria servir de exemplo para a geração alienada que é a minha.

Sem dúvida alguma, na maior parte do mundo a repressão foi violenta, e as conquistas se restringiram muito mais ao campo dos costumes e da cultura do que à política - as velhas direitas continuaram a mandar, pelo menos naquele momento. Mas a utopia daquele ano sobreviveu nas mentes e nos corações.


Entretanto, o sonho daquela geração deve ser mantido vivo, pois era um sonho de solidariedade, de mudar o mundo, do "nós" acima do "eu". Bem ao contrário do que vemos hoje...

Gostaria de ter vivido aquela época. Teria me divertido muito mais.

Recomendo, para começar, três leituras básicas sobre o tema: os dois livros do Zuenir Ventura, vendidos em uma única caixa , o livro "1968 - eles só queriam mudar o mundo", que é um bom resumo dos acontecimentos daquele ano e o excelente "1968 - o ano que abalou o mundo", que trata dos acontecimentos no plano mundial. Quem quiser mais dicas de leitura, só solicitar nos comentários.

P.S. - as fotos foram retiradas do site da Globonews, que fez uma excelente série sobre o assunto no ano passado (Arquivo N).

Links:

20 Anos sem Nara Leão

A data foi ontem, 07 de junho, mas como não consegui chegar nem perto do computador ontem queria registrar que se passaram 20 anos da morte da cantora Nara Leão, falecida precocemente aos 47 anos.

De musa da Bossa Nova a voz das canções de protesto, obra singular e de bom gosto, sempre gravada com elegância.

Há um belo perfil da cantora, escrito pelo jornalista Sérgio Cabral (pai).

O blog Ouro de Tolo deixa aqui a saudade e a lembrança de uma das mais belas vozes da história da Música Popular Brasileira. Infelizmente, em um país sem memória como o nosso, passou praticamente em branco.

Sobre a intolerância

O post anterior, sobre o Flamengo, gerou muita polêmica em outro espaço da internet, dedicado ao clube.

E me chamou a atenção uma postura muito curiosa e, por exatidão, majoritária: de que colocando estes fatos aqui eu sou "anti-Flamengo", "a serviço da oposição", entre outras coisas. Logo eu que defendo uma "limpa geral, ampla e irrestrita" nos quadros do clube... Irônico.

A postura majoritária é de que, uma vez eleita a Diretoria, ela possui um "cheque em branco" para fazer o que quiser, sendo a fiscalização postura inapropriada ao clube. Digamos que uma versão rubro-negra do "ame-o ou deixe-o" da ditadura...

Pior é que esta postura pode ser extrapolada para outros campos da vida humana. O que eu observo, cada vez mais, é uma crescente intolerância. A minha posição é a certa porque minha posição é a certa e ponto final. E os contrários que se retirem.

Isso se reflete, até, nas pequenas coisas do dia a dia. Querem um bom exemplo ? O trânsito. As pessoas sempre acham que estão sempre certas, e fazem as maiores barbaridades por conta disso. O outro, se não me atender, está errado e deve ser expelido do convívio. Reconhecer que o outro pode ter razão é sinal de fraqueza e os fracos não sobrevivem, esta é a visão dominante.

Também podemos extrapolar para a política internacional o que disse acima. Por exemplo, no Oriente Médio. Os judeus se escoram no Holocausto pra fazer igualzinho com os palestinos - só faltam as câmaras de gás - e, por seu turno, os árabes propõem a destruição do estado israelita. Uma vez mais, o velho princípio da intolerância.

Talvez esta seja a fonte da fragmentação cada vez maior que se vê nos grupos. Protestar é proibido. Discordar é proibido. Conversar e acordar com concessões necessárias é proibido. Pensar igual e fechar os olhos, fechar as suas mentes para a consciência crítica, agir como autômatos, isto sim é "legal" e aceito nos grupos.

Penso que o ser humano deveria se preocupar um pouquinho mais com o que pensa o outro e com o que o outro é. A saudável discordância de idéias e o debate saudável enriquecem a nossa passagem nesta Terra, bem como permitem o livre convívio em sociedade. Rotular é limitar.

Depois não reclamem deste mundo cada vez mais fascista em que vivemos... imaginem se os estudantes em 1968 não tivessem lutado, ou se não houvesse a Campanha das Diretas ? O Brasil seria um país pior e mais autoritário.

Infelizmente, vivemos outros tempos...

Foto: Evandro Teixeira, Passeata dos Cem Mil, 1968

Ibson, BWA e mais coisas esquisitas

Bom dia, pessoal. Após mais um vexame - nosso patrocinador deveria ser a "Tubos e Conexões Tigre", fuja do mico - coloco abaixo algumas informações que recolhi no final de semana sobre diversos asuntos:

1) Venda do Ibson:

O jogador Ibson foi vendido em 2005 por 2 milhões de euros, importância significativa para a época.

O valor presente de recompra poderá ser de zero real ou quatro milhões de euros, dependendo do momento vivido pelo mercado da bola, pois sabemos que este atleta não se adaptou ao futebol europeu.

Ibson voltou para o futebol brasileiro através do CR Flamengo em um empréstimo de 700 mil euros, por dois anos de vigência. Este será pago no tempo devido. Sem problemas, apenas mais uma negociação, também de acordo com as regras de mercado.

Problema não foi a negociação do atleta e sim a operação financeira que se constituiu no ato de recebimento da ultima parcela dos direitos federativos deste jogador, exterior à relação comercial entre os clubes.

Vejamos os fatos:

Márcio Braga, presidente do CR Flamengo, em conjunto com o VP de Finanças, e sem consultar os devidos Conselhos do clube (orientado não se sabe por quem), encaminhou ao Clube do Porto uma carta de quitação geral, rasa, irrevogável e irrestrita da ultima parcela e confiou em uma empresa intermediadora a nota promissória quitada de 250.000 (duzentos e cinqüenta mil euros) para ser recebida junto ao emitente.

Sobre este valor o clube perdeu 100.000(cem mil euros) para um “malandro inominado e desconhecido” como consta no inquérito do Conselho Fiscal; não obstante a Presidência ter informado a todos e divulgado haver feito uma securitização a fim de garantir a receita.

Porém, a informação de que disponho é que este ato da securitização nunca existiu e que o presidente cometeu uma incorreção ao afirmar que o crédito estaria garantido. Desta forma o clube não teve a entrada dos 100 mil euros em seus cofres.

2) Kleberson

Quando da compra dos direitos federativos do jogador Kleberson ao Besiktas, a operação feita na Turquia resultou em bom trabalho de redução do custo no passe do jogador.

Após concluir com brilhantismo a negociação, o advogado do Flamengo retornou da Turquia. Neste momento, permanece o funcionário e representante do Clube de Regatas do Flamengo, de confiança da Presidência do Clube, para unicamente finalizar a documentação da operação.

Voilá... o que ocorre ?

Surpreendentemente dois pagamentos, um da liberação do jogador ao Besiktas e outro - totalmente fora da negociação realizada - através de um Ted bancário emitido pela Presidência do clube para uma conta sem denominação, numerada (secreta), baseada em um contrato de uma empresa localizada na Inglaterra e apócrifo - empresa está já desaparecida.

Este foi feito somente para receber o TED bancário, sendo a parceira em questão sem qualquer ligação ou vinculo com o atleta, clube ou atividade ligada a FIFA e ao futebol, no valor de 250.000 euros.

Quem foram os sujeitos destas "transações" ? Os mesmos que deixaram sumir os cem mil euros do pagamento final do atleta Ibson pelo Clube do Porto. Porém a negociação do meio campo Kleberson, ao contrário da anterior, tem como se rastrear e encontrar o receptor do dinhero.

Só não foi ainda identificado o culpado. Porque não quiseram ?

A propósito, o Presidente do Conselho Deliberativo tem uma pilha de inquéritos para levar a plenária do referido Conselho para julgamento.

3) BWA

A operação de venda para BWA das bilheterias dos jogos (ingressos) com o valor nominal de R$13.000.000,00 e deságio de R$3.000.000,00 - representa, na prática, taxa de juros de 27%, vem causando impacto negativo em nossas receitas.

Além disso, ultrapassa o mandato da atual gestão, pois o contrato vai até 2013, o que é proibido pelo Estatuto do clube. A reunião do Conselho Deliberativo para analisar este contrato - a meu ver lesivo aos cofres do clube - deveria ter sido marcada até o dia 15 de maio, mas não ocorreu ainda.

O que esperar de uma gestão tão atrapalhada destas, isso para se dizer o mínimo ? Realmente é desanimador. Pior é que se olha para a oposição do clube e o quadro é a mesma desolação.

Tem de se mudar a gestão, sem quaisquer resquícios dos que estão lá hoje, seja na situação ou na oposição. É tudo igual.

sábado, 6 de junho de 2009

Sábado à noite

O sol se põe, chega a noite...
Hora em que todos os gatos se tornam pardos
Hora de se delegar o açoite
Hora de observar os enamorados
Traçando juras momentâneas eternas
Riscando cores temporalmente ao luar
As mãos entrelaçadas ternas
Para décadas depois recordar.

Hora em que a solidão se recolhe ao pranto sufocado
Pois é tempo de buscar sonoro fausto
Brisa sentida em vento colocado
Vento nem de longe sentimento casto
Vida passageira em passagem noturna
Festa e boate sensação mascaram
Alma aprisionada em máscara soturna
Fantasmas corriqueiros que jamais encaram.

Noite de sábado é diversão inocente
Nada se ganha em fazer reflexão
Tudo se passa em minuto ardente
Esqueça solenemente este singelo pulsão
Viva passageiro sem solene agonia
Viva controlando o espírito tal;
Curiosa odisséia em corpo moradia
Alegria é realidade afinal.

Blog Petrobras

Como alertado pelo excelente blog "FBI - Festival de Besteiras da Imprensa" (link abaixo, em "Meus Blogs"), a Petrobras criou um blog para responder às notícias publicadas na imprensa sobre a empresa.

E, melhor ainda, está colocando no blog todos os questionamentos feitos pelos órgãos jornalísticos a fim de subsidiar futuras reportagens. Bom método para se comparar e aferir o grau de verdade das matérias publicadas e/ou exibidas.

O endereço é http://petrobrasfatosedados.wordpress.com/

Sobre Dunga



O técnico de nossa seleção está se saindo um excelente genérico do Joel Santana. Enche o time de volantes, tem uma sorte absurda e sempre substitui para recuar o time.

Decididamente, não gosto.

Coisa boa: como está jogando o Júlio César !

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Nélson Piquet Campeão - 1981

Este vídeo é um resumo feito pela FIA em cada temporada. Ele conta a última etapa do mundial de Fórmula 1 em 1981, com a conquista do título por Nélson Piquet.

Tenho alguns vídeos destes aqui, irei colocando aos poucos. Aliás, pra mim Nélson Piquet, um dos meus ídolos de infância e adolescência, foi o melhor piloto brasileiro na história da Fórmula 1.

Ninguém merece ! Trânsito na sexta feira


Em plena sexta feira, levar uma hora e cinquenta minutos para percorrer 17 quilômetros, de carro, é indigesto...

Música para o Final de Semana

Pra começar o fim de semana se divertindo, mas refletindo a vida e o mundo:

"Admirável Gado Novo"
(Zé Ramalho)

"Oooooooooh! Oooi!
Vocês que fazem parte dessa massa
Que passa nos projetos do futuro
É duro tanto ter que caminhar
E dar muito mais do que receber...

E ter que demonstrar sua coragem
À margem do que possa parecer
E ver que toda essa engrenagem
Já sente a ferrugem lhe comer...

Êeeeeh! Oh! Oh!
Vida de gado
Povo marcado
Êh!
Povo feliz!...(2x)

Lá fora faz um tempo confortável
A vigilância cuida do normal
Os automóveis ouvem a notícia
Os homens a publicam no jornal...

E correm através da madrugada
A única velhice que chegou
Demoram-se na beira da estrada
E passam a contar o que sobrou...

Êeeeeh! Oh! Oh!
Vida de gado
Povo marcado
Êh!
Povo feliz!...(2x)

Oooooooooh! Oh! Oh!
O povo foge da ignorância
Apesar de viver tão perto dela
E sonham com melhores tempos idos
Contemplam essa vida numa cela...

Esperam nova possibilidade
De verem esse mundo se acabar
A Arca de Noé, o dirigível
Não voam nem se pode flutuar
Não voam nem se pode flutuar
Não voam nem se pode flutuar...

Êeeeeh! Oh! Oh!
Vida de gado
Povo marcado
Êh!
Povo feliz!...(2x)"

Cinema

Bom, como de praxe, nossa coluna sobre cinema, assinada pelo amigo Marcelo Ikeda, do Cinecasulofilia - http://www.cinecasulofilia.blogspot.com/.

Üç Maymun
Três Macacos
De Nuri Bilge Ceylan

Quando vemos toda a recepção positiva em torno de um projeto como Três Macacos, começamos a desconfiar dos rumos do dito cinema contemporâneo. Três Macacos é um filme de um artesão que domina a gramática cinematográfica, domina um certo território afim a um cinema contemporâneo, a um certo cinema afeito aos principais festivais internacionais do momento, mas o problema – pelo menos neste filme, o único que vi do diretor turco Nuri Bilge Ceylan – é que esse domínio serve apenas para demarcar um território e nunca para problematizar essa demarcação – o que me parece o papel primeiro de uma “obra de arte”, ou pelo menos das que me interessam. Três Macacos tem um fiapo de roteiro, e esse roteiro é bastante básico (uma mulher trai um marido que é preso), mas o problema não é nem esse, até porque quantos filmes exemplares já vimos que se sustentam em um fiapo de história e justamente o que é mais interessante é a forma como esse “pouco” é trabalhado cinematograficamente? Por isso, a princípio Três Macacos parece um filme exemplar, um “filme de direção”, pois Ceylan tem uma vontade de trabalhar a linguagem cinematográfica, pois seu filme é todo composto de um certo clima particular, ao invés de desdobramentos narrativos. Mas o que acontece em Três Macacos é que justamente a busca por “esse estilo imperioso além de uma narrativa” não funciona como forma de libertação das amarras cada vez mais desgastadas de uma narratividade, e sim acaba sendo uma espécie de âncora, falso recurso libertário que prende Ceylan a um “estilismo” que no final soa tão ou mais desgastado do que essa mesma óbvia narratividade que seu cinema procura a princípio se afastar. Se o filme é composto por imagens com um enorme senso de plasticidade, com uma opção pelo silêncio e pela solidão, Ceylan permanece longe de entender seus personagens, de torná-los criaturas verdadeiramente humanas e complexas: permanecem atados a motivações um tanto simplórias, a saídas um tanto banais. Se percebermos bem, há sim uma narratividade um tanto básica em Três Macacos, que nos faz desvelar inclusive um moralismo: a denúncia ao império do dinheiro, a como os personagens vendem sua própria família por dinheiro. A partir do pai da família se deixar prender no lugar de um político, há um progressivo percurso de desagregação dessa família, traições, brigas, separações. Não chega a ser particularmente ruim, mas mais propriamente decepcionante, pois o turco Ceylan se revela inclinado a buscar um cinema das sensações, dos silêncios, dos climas, mas esse pressuposto comum é diretamente rompido a partir do próprio desenvolvimento dessas premissas (é como se o filme assumisse essas mesmas premissas para desenvolvê-las de modo antagônico), como se se buscasse um cinema de sensações para compor um trabalho meticuloso e premeditado. Por isso, é interessante a comparação feita por Ely Azeredo (??!!) do cinema de Ceylan com o de Reygadas, mas acontece que essa aproximação nos dois autores se dá de forma inversa (pelo menos como me parece): o tom frio e formal do cinema de Reygadas (ou de Dreyer, ou de Bresson) surge de uma reação de uma consciência de um desespero diante da tragicidade do mundo, enquanto Ceylan, pelo menos nesse filme, fecha os poros de seu filme para o mundo, enclausurando-os no limitado circuito das relações formais internas ao próprio filme e do circuito dos festivais internacionais. Por fim, não se pode deixar de comentar a tenebrosa exibição em digital, que destrói qualquer possibilidade de se falar da brilhante fotografia do filme.

Da Hipocrisia

Durante a semana eu escrevi aqui que estava cada vez mais irritado com hipocrisia. Queria voltar ao tema.

Vejo na sociedade as pessoas usarem e abusarem daquelas "frases de conveniência". Estão sempre preocupados em extrair a máxima utilidade para seus propósitos. O outro não importa.

Cada vez mais não se assume o que se faz, mas sim o "politicamente correto" - isto é uma praga, mas sobre isso falarei em outra oportunidade. Nós nunca sabemos o que realmente as pessoas estão fazendo ou o que elas pensam, na realidade, porque o que aparece para fins externos é sempre a postura que "traz o melhor resultado".

Lamenta-se para público externo a saída do colega de trabalho, mas no íntimo comemora-se porque é "mais uma chance de ficar com o lugar dele". Chora-se o amigo que faleceu em um acidente, mas pensa-se nos benefícios que podem advir do fato.

Ou vocês acham que muita gente, no íntimo, não ficou contente com o fato de o presidente sul-americano da Michelin estar no vôo da Air France ? Aposto como tem muito "amigo" que prestou condolências à eventual viúva e que, intimamente, está esfregando as mãos com a possibilidade de ocupar o seu lugar.

Ainda tem as "confraternizações" de Natal e Ano Novo, onde se chega ao grau máximo na questão. O ser humano passa duas semanas desejando "um mundo melhor" e, no dia dois de janeiro, já está pisando no mesmo pescoço de quem ele desejou "feliz ano novo". Dureza...

Outra coisa é o "faça o que eu digo, não faça o que eu faço". Este comportamento é muito encontrado especialmente em líderes religiosos e políticos, que condenam situações normais da vida humana como o pecado original, e... voilá, são pegos em situações que teoricamente não seriam nada demais, mas que se tornam faltas mortais.

A propósito, proibições fora do que seria razoável e equilibrado também são sintomas de hipocrisia aguda. Precisamos recomendar o que fazemos e o que é plausível praticar.

Na verdade, a hipocrisia nada mais é que o reflexo do espelho chamado ética. Se não somos éticos, somos hipócritas.

Óbvio que não esgoto o tema aqui, mas queria convidar os meus onze leitores à reflexão.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Gilmar se lixa para a opinião pública

Do blog do Luis Nassif:

04/06/2009 - 08:06
Gilmar se lixa para a opinião pública

"Gilmar Mendes confunde a vontade solitária do juiz, enfrentando o clamor da turba, com a arrogância e a insensibilidade do magistrado, dando uma banana para quem ousar contraditá-lo. Nunca um tema de tão grande relevância - como a defesa dos direitos individuais contra o linchamento - encontrou porta-voz mais desqualificado, arrogante, autoritário do que Gilmar. A prepotência desse permanente “eu tenho a força” contrasta vivamente com a ação firme porém sóbria dos grandes campeões dos direitos individuais.

Um coronel da magistratura que empunhou uma bandeira legítima para justificar seu autoritarismo. E acabou desmoralizando um tema dos mais relevantes."

Modelo de Gestão do Flamengo - Parte I

Trago pra cá debate do Blog da FlamengoNet sobre sócio torcedor e, mais importante, modelo de gestão do clube.

Hoje, temos um modelo de gestão associativo puramente "amador", sem fins lucrativos e com uma profissionalização quase zero. Nossa organização e nossa estrutura são praticamente as mesmas de 1980.

Este modelo se esgotou. O clube precisa se estruturar e se profissionalizar pra ontem. A cada dia em que empurramos com a barriga esta situação, mais nos afastamos dos líderes do processo. Enquanto continuar este negócio de que se finge que trabalha, se finge que se paga e se finge que é profissional, ficaremos para trás.

Hoje, quem temos razoavelmente estruturados e profissionalizados no Brasil ? O São Paulo e, muito depois, o Inter e o Cruzeiro. Enquanto isso, o que temos no Flamengo ?

1) Um presidente que diz que é “um chefe de Estado”, ou seja, está ausente da rotina administrativa do clube;
2) Um homem forte no futebol que exagera em ações marqueteiras e sobre o qual pesam suspeitas de atuar "nas duas pontas" do mercado de jogadores;
3) Uma cultura histórica de oba-oba;
4) Um amadorismo de gestão total;
5) “Torcedores” travestidos de chefes de torcida que mandam e desmandam no clube;
6) Gestão amadora dos recursos do clube;
7) Desprezo ao torcedor genuíno;
8) Pouca transparência em seus processos e na gestão, como o último balanço deixa claro.
9) Cultura da vagabundagem enraizada.

A cada dia que passa, estamos ficando pra trás. A cada dia em que continuamos com estes vícios de gestão, é mais um ano que ficamos para trás. Se começarmos hoje este processo, vamos levar dez anos para voltarmos a ser players importantes no cenário nacional.

Hoje, somos um clube regional com torcida nacional. Se não tivermos mudanças, este processo tende a se acentuar mais ainda.

Um começo seria um bom projeto de Sócio Torcedor aliado e um bom trabalho de marketing. Você não precisa dar a desculpa do "não temos estádio" para impedir isso: basta ter uma mecânica de descontos no preço de ingressos que funcione onde o clube joga.

Outros pontos fundamentais são o direito de voto universal e a possibilidade de, após certo tempo, poder candidatar-se aos Conselhos do clube.

Também se faz necessário uma série de promoções que fidelizem o sócio e o permitam perceber que, sim, ser sócio do CR Flamengo é uma opção vantajosa.

Fundamental é a transparência na condução do projeto, artigo meio em falta hoje pelas bandas da Gávea.

Pretendo voltar ao tema na semana que vem, abarcando outro tópico: qual o modelo de gestão adequado para o clube ?

P.S. - Por incrível que pareça, Botafogo e Vasco estão à nossa frente no processo.

P.S.2 - Endereço do blog FlamengoNet: www.flamengonet.blogspot.com.

Não sou eu

Apesar dos carros serem um Astra e um Civic, a foto é de Istambul, na Turquia. Fonte: Blog do Fábio Seixas - http://fabioseixas.folha.blog.uol.com.br/

Mas eu to vendo o dia em que algo do gênero irá acontecer na Leopoldina...

Matrioshki - Episódio 7

Apesar de ter ido ao ar na segunda feira, somente ontem pude assistir o capítulo desta semana, que deixei gravado no "decoder" da Net. Diga-se de passagem, é uma mão na roda.

O episódio se concentrou, desta vez, mais nas "relações comerciais" que envolvem a questão. Paralelamente, mostra a "negociação" de garotas na Romênia e a "oferta hostil" que um dos cafetões faz sobre o night club - ou, em bom português, bordel - onde se passa parte da história.

O capanga do Bob Sels, cafetão da Bélgica e "chefe", vai à Romênia buscar dez meninas para substituir as que ele havia comprado na Bulgária no episódio anterior e não tinha levado. Querendo pechinchar, cada vez mais o "agente" o leva a locais cada vez mais pobres, até chegar em um bairro cigano - que faria as favelas cariocas parecerem o Leblon.

Uma comparação interessante que se pode fazer é como as negociações entre os bandidos lembram as negociações de grandes corporações. Até "oferta hostil" existe - o cafetão compra o bordel à revelia do administrador, e por vingança por este ter colocado mulheres de outro cafetão, russo - o mesmo que havia sido morto no episódio anterior.

Ou seja, o mundo das grandes corporações e dos grandes negócios não é muito diferente do mundo do crime. Talvez a diferença, nem tão diferente assim, seja que uns usam pistolas e fuzis, e os outros, advogados...

Copa do Brasil - Notas Rápidas

Notas rápidas, até porque não vi os jogos.

Erro de arbitragem a favor do Corinthians ? Em uma partida decisiva? Ora, me conte uma novidade que esta é velha.

Acabou dando a final que se previa no início do ano, o Corinthians - até porque seu lado da chave era bem mais fraco que o outro - e o vencedor de Internacional e Flamengo.

Por outro lado, a Copa do Brasil deu bem a medida de como o futebol carioca ficou para trás. Hoje, somos apenas o quarto ou quinto centro de futebol do país, atrás de São Paulo, Minas, do Rio Grande do Sul e talvez do Paraná.

Acredito que seja hora de os clubes daqui repensarem o seu modelo de gestão. Senão vão ficar cada vez mais para trás e mais limitado aos "Ruralitos", ou seja, os estaduais.

Estou acompanhando com interesse o que está se fazendo no Vasco. Não é nada demais, mas acredito que já seja um avanço.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Da Observação (Mário Quintana)

"Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio..."

Correria, Irritação e Hipocrisia

Acho que já escrevi isso aqui antes, mas ultimamente ando me sentindo um tanto quanto irritado. Hoje de manhã me estressei de forma desproporcional em uma reunião de trabalho, embora tivesse razão em me aborrecer.

Não sei se é a falta de paciência ou a necessidade de espremer 72 horas de coisas a fazer em apenas 24. Ou se o pouco sono dos últimos tempos, hoje quando durmo seis horas em uma noite já é sensacional.

Nunca fui um primor de paciência, todavia ultimamente ando cada vez mais impaciente. Acho que seja ver um monte de coisas a serem feitas e eu ali, perdendo tempo. O trânsito então, nem se fala.

Por isso que coloquei a foto. Estou sempre me sentindo como se precisasse sempre largar o mais rápido possível e fazer o máximo de coisas no mínimo de tempo.

Ando com imensa dificuldade de sentir prazer nas coisas, ou, se acharem melhor, me permitir relaxar e saborear o momento. Isto é tão importante...

Outra coisa que me tira do sério é hipocrisia.

P.S. - Foto: Blog do Ico

terça-feira, 2 de junho de 2009

Para rir um pouco - Flamengo treinando finalizações.

Para fechar o dia, vamos rir um pouco... Óbvio que o Adriano não participou deste treinamento.

Resultado da promoção


Bom, a foto está aí em cima. Quem chegou mais perto foi o Carlos Linhares, que acertou a cidade, mas não o local exato.

Carlos, me passa um e-mail em particular para que possamos combinar o seu prêmio.

A foto foi tirada do Resort Porto Real, onde estive ano passado para um evento de trabalho. O detalhe é que a programação foi tão puxada que, se me perguntar o que tinha no hotel, até hoje não saberia responder.

Este hotel fica em Mangaratiba, mas próximo da divisa com Angra dos Reis.

Não sei se acontece com vocês, mas o mar é algo que me fascina. Sua imensidão me atrai e me enleva. Seu perigo a nos engolfar para a eternidade, também.

Sua finita infinitude excita a imaginação e incentiva a poesia, mesmo dos maus poetas. Só que o oceano perdoa até aqueles que com as palavras não detém intimidade. Sua vida gira o plano cósmico e permite os mais explicáveis desatinos.

Se o domamos, ele nos conquista. Se avançamos, ele nos recua. Se o escrevemos, ele nos surpreende. Se denominamos Atlântico, oceano se chama Pacífico.

Parafraseando Mestre Paulinho da Viola, o "mar é tão grande que não cabe explicação."

Samba de Terça

Bom, como hoje é terça, é dia de nossa série "Samba de Terça".

Hoje trago um dos sambas que, apesar de recentíssimo, está entre os dez ou vinte melhores de todos os tempos: União de Jacarepaguá 2004, "Rio de Janeiro - O Rio que todo mundo ama", ou, como gosto de me referir a ele, "Aquarela Carioca".

O samba é uma elegia de amor à Cidade Maravilhosa. Saúda as belezas naturais de nossa terra, a hospitalidade do carioca, e termina com uma profissão de fé na cidade. Ufanista ? Talvez. Mas o samba é maravilhoso.

Também gosto muito da solução adotada para falar dos problemas da cidade sem tirar o clima de "alto astral" do samba: os versos "o Rio é o paraíso tropical / e o resto é notícia de jornal".

A escola fez um desfile em que flutuou pela avenida, com o samba sendo maravilhosamente puxado pelo nosso "Pavarotti" brasileiro, Rixxa. Mesmo com alegorias e fantasias pra lá de medianas, a escola obteve um espetacular quarto lugar no fortíssimo desfile do Acesso A naquele ano, sua melhor colocação em muito tempo.

Como podem ver pela foto, eu desfilei pela escola naquela ocasião. Foi um desfile de sonho: samba maravilhoso, fantasia levíssima (short, camiseta, chinelo Havaianas e prancha de surf), ala onde quase todo mundo se conhecia e nenhum Diretor de Harmonia fazendo pressão. Até se jogar na avenida, à guisa de "pegar jacaré", fizemos. Digo sem medo de errar que é um dos três ou quatro desfiles memoráveis que fiz em minha vida.

Para completar, quero transcrever parte de um texto do nosso amigo Marcelo Ikeda (publicado no blog http://sambofilia.blogspot.com/2009/02/uniao-de-jacarepagua-2004.html ) escrito antes do carnaval daquele ano:

"(...) Ao contrário, este samba de Jacarepaguá se revela como um verdadeiro assombro em termos de sua força arquitetônica, ao construir em cada verso e cada nota, sem nenhuma necessidade de precipitação que o leve para um desfecho sorrateiro, uma leitura do enredo de supremo bom-gosto e requinte: não há uma única palavra ou acorde que não esteja perfeitamente encaixado no samba ou que destoe de um conjunto que suplanta sua simples expressão individual.

O ápice dessa tendência está na extraordinária segunda parte do samba, que - sem nenhum exagero - passa a ser peça obrigatória em qualquer antologia de samba-enredo. Chega-se quase ao limite das potencialidades de um samba atual: está para os nossos tempos assim como o que a "Aquarela Brasileira" representou para os seus. (...)"

Vamos à letra:

Enredo: Rio de Janeiro - O Rio que o mundo inteiro ama
Compositores: Luisinho Oliveira, Alexandre Valle, Serginho Mato Alto, Elio Sabino e Henrique Guerra

"Haja luz", clareou a imensidão
Do ventre da Mãe Terra nasce a beleza da criação
O céu, a terra, o mar, o despertar da vida
O criador ao terminar sua jornada
Maravilhado, a bela obra contemplou
Montanhas e matas, lagoas, cascatas
O índio e todo esplendor
Reuniu num só lugar
Toda beleza que existia
E fez do Rio sua moradia

Eu sou o Rio de paz e amor
Abençoado pelo Redentor (bis)
Cidade-Simpatia de um povo hospitaleiro
Sou amado pelo mundo inteiro

Serras, florestas, a fauna e a flora em harmonia
Eldorado de rara beleza
Santuário da ecologia
Costa do Sol, verão que seduz
Balneário de felicidade
O céu azul, as praias cristalinas
Maravilhosas paisagens
Sou a miscigenação de várias raças
Meu sol abraça a lua cor de prata
Quarenta graus de pura emoção
Sou arquitetura emoldurada em aquarela
Meu charme hoje encanta a passarela
Eu sou a boêmia, a capital cultural
Eu sou orgulho carioca e brasileiro
Cartão postal e festa o ano inteiro
Show de bola, samba e carnaval
O Rio é o paraíso tropical
O resto é notícia de jornal

De braços abertos estou
Pra ver o Rio de Janeiro vencedor (bis)
E a União cantando em verso a poesia
Do meu Rio iluminado transbordando alegria"

Ele está disponível para download - em sua versão ao vivo - no endereço http://pedromigao.multiply.com/music/item/109/109. A composição conquistou tanto o "Estandarte de Ouro" de Melhor Samba do Grupo de Acesso daquele ano quanto o "Prêmio Sambanet", ou seja, fez 'barba e cabelo'.

Semana que vem vamos voltar aos Anos 90, onde a Grande Rio ainda nos brindava com grandes sambas e grandes carnavais: "Águas Claras para um Rei Negro".

Esclarecimentos da Petrobras

Ia escrever um post sobre a matéria mentirosa publicada no jornal "O Globo" do dia 31 de Maio, mas a companhia publicou alguns esclarecimentos na data de ontem, que, com autorização do RH Corporativo, reproduzo aqui.

Esclarecimentos sobre a CPI no Senado

A Petrobras sempre prezou por um relacionamento com sua força de trabalho pautado pelo respeito profissional e pela transparência. Dessa forma, a companhia se sente no dever de prestar os seguintes esclarecimentos em relação a temas levantados pela imprensa em decorrência da Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado.

Criação da CPI

A investigação envolve tópicos sobre os quais a empresa sempre prestou amplo esclarecimento por meio de balanços aprovados nas mais diversas instâncias, auditorias externas e entidades governamentais. O modelo de gestão da companhia conquistou o reconhecimento do mercado, comprovado este ano pela classificação da empresa em 4º lugar entre as mais respeitadas do mundo, segundo pesquisa divulgada em Nova York pelo Reputation Institute (RI), consultoria privada com credibilidade global. Por esses motivos, a Petrobras, embora não entenda as razões que levaram à criação dessa Comissão, reafirma o compromisso de colaborar com as investigações prestando todos os esclarecimentos.

Tributos

A Petrobras optou, em 2008, pelo regime de caixa, para fins de tributação da variação cambial, conforme previsto pela MP 215835, de 2001, para se proteger da volatilidade do câmbio. Dessa forma, passou a pagar os tributos federais pelo resultado efetivo de suas operações. Essa opção não trouxe qualquer prejuízo para a União, Estados ou Municípios.

No contexto da CIDE, ocorreu apenas uma modificação na forma de pagamento. A Companhia pagou essa contribuição em forma de créditos tributários, em vez de em dinheiro, sem perda para os entes federativos, visto que permanece a obrigação constitucional da União de repassar os recursos, com base nos valores devidos e pagos.

Refinaria de Pernambuco

Há uma divergência entre os parâmetros da Petrobras e os adotados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para verificar o preço final da terraplanagem da refinaria. O TCU utiliza como referência para análise os parâmetros do DNIT em construção de estradas, que a companhia não considera adequados para uma refinaria. Enquanto aguarda a decisão final, a Petrobras acatou a determinação do TCU e suspendeu os repasses ao consórcio de construtoras. As obras não foram paralisadas e a previsão é ter a refinaria inaugurada no primeiro trimestre de 2011.

Patrocínios e licitação

Os patrocínios são selecionados com base em princípios de relevância e viabilidade, não havendo direcionamento por questões ideológicas ou partidárias. Além de dar visibilidade à marca e reafirmar seus compromissos socioambiental, cultural e esportivo, a Petrobras seleciona essas iniciativas com participação de representantes da sociedade, especialistas e acadêmicos. São exigidos o cumprimento de contrapartidas e a aferição de resultados. Os projetos e os valores são amplamente divulgados, inclusive nos balanços da companhia, e auditados por consultorias externas.

Plataformas

A Petrobras adota os mais rígidos critérios técnicos na construção de suas plataformas. Em relação às plataformas P-52 e P-54, a companhia esclareceu o caso ao TCU, que inclusive já aceitou a tese apresentada em casos semelhantes. Os aditivos aos contratos para construção dessas plataformas não tinham como objetivo o reajuste de preços, e sim a garantia do equilíbrio entre encargos e vantagens assumidos pelas partes, procedimento absolutamente legal. O desequilíbrio foi ocasionado pela variação cambial e aumento de custo de serviços e equipamentos nos setores naval e de petróleo. A suspensão dos pagamentos resultaria na paralisação das obras. A produção diária de 180 mil barris de cada uma das plataformas é avaliada em aproximadamente US$ 10 milhões. Um mês de atraso poderia ocasionar uma redução de faturamento de US$ 300 milhões para a Companhia.

Águas profundas

Em relação ao caso denominado pela Polícia Federal de “Operação águas profundas”, a Petrobras colaborou desde o início com a Polícia Federal e com o Ministério Público Federal. Uma Comissão de Sindicância institucional determinou a demissão por justa causa de dois empregados e punição
administrativa para outros três.

É importante reforçar que a Petrobras é uma empresa disposta e preparada para esclarecer toda a sociedade, incluindo os senadores da Comissão, por ter excelência em sua gestão, forte governança corporativa e transparência na divulgação de seus resultados financeiros e operacionais.

A companhia tem contribuído com investimentos sólidos para geração de renda, criação de empregos, progresso econômico, desenvolvimento dos setores de óleo e gás e interação harmônica com as comunidades. Além disso, continuará a contribuir com o crescimento socioeconômico, colaborando para que o Brasil seja reconhecido como um país economicamente eficiente, socialmente justo e ambientalmente sustentável.

Pensamentos do Dia - Futebol

"O Kleber Leite está pensando que o dinheiro do Flamengo é igual ao do 'Banco Imobiliário'"

(de blogueiro, no blog do Marcelo Damato - http://blogs.lancenet.com.br/alemdojogo/

"Bom, mas agora é hora de celebrar a integração de mais um belo animal à já rica fauna amazônica e pantaneira: o elefante branco, que adotará como habitat Manaus e Cuiabá."

(da newsletter "A Várzea", referindo-se à escolha de Manaus e Cuiabá como sedes da Copa 2014.)

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Lamentável e Inacreditável

Absolutamente lamentável a postura de parte da imprensa - em especial o Sr. Ricardo Noblat - em querer responsabilizar o governo brasileiro e em especial o Presidente Lula pelo triste acidente envolvendo o vôo 447 da Air France na madrugada desta segunda feira.

Lembro que o acidente ocorreu em uma área "de sombra" no meio do Oceano Atlântico, na fronteira entre a jurisdição brasileira e a do Senegal. O que os controladores de vôo poderiam fazer ?

Outra coisa: de que vai adiantar o Presidente Lula cancelar a sua programação oficial para prestar papel de "carpideira" aqui no Galeão ? A ação deve ser no sentido de achar os destroços e prestar a necessária assistência aos envolvidos nesta tragédia.

Cada vez mais a grande imprensa brasileira está preocupada em fazer proselitismo político, e menos em informar. Gostaria que pelo menos a dor dos parentes e amigos das vítimas fossem respeitadas.

O Blog Ouro de Tolo reafirma a sua solidariedade às famílias das vítimas e espera que, pelo menos, possa ser permitido aos parentes enterrar os seus entes queridos em paz.

P.S. Atualização: o Vice-Presidente José Alencar está se encaminhando ao Galeão neste momento em que escrevo.

Foto: Globo.com. Detalhe é que a foto é do avião acidentado.

Resenha Literária - "Diário de Um Ano Ruim"

A partir de hoje, teremos uma nova seção em nosso blog: a "Resenha Literária".

Farei comentários sobre todos os livros em que terminar a leitura. A periodicidade não será exata, porque eu posso ler quatro livros em uma semana e ficar três meses sem conseguir concluir nada.

Começo com "Diario de Um Ano Ruim", do Prêmio Nobel de Literatura J.M. Coetzee. Com certo tom autobiográfico, conta a história de um escritor sul-africano, radicado na Austrália, que está escrevendo um livro e contrata os serviços de uma secretária filipina.

Lembro que o autor é sul-africano radicado desde 2002 no imenso país insulano.

A partir daí, o livro se desenvolve em três narrativas paralelas: o livro que o personagem escreve sob encomenda de um editor alemão - com opiniões fortes sobre política e sociedade, a visão dele dos fatos e a visão dela.

Também se desenvolve a relação entre ela e o marido, um analista de investimentos nem um pouco ético, e a relação platônica entre o escritor e a secretária.

O clímax ocorre em um encontro entre os três no apartamento do escritor, que não tem parentes próximos e sofre de uma doença degenerativa.

O final do livro, apesar de um tanto quanto melancólico, também oferece a libertação da assistente filipina de suas próprias auto-limitações.

A narrativa do livro às vezes é cansativa por entremear três "livros" contidos em um, mas recomendo. Daria nota 7,5 para ele.

Link para compra: http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/produto.dll/detalhe?pro_id=2575638&ID=C89D96017D906011012070573

248 páginas, 14X21 cm.

O próximo livro a ser resenhado será "Confissões de um Assassino Econômico", de John Perkins, não ficção.

Cinema

Com atraso, segue a nossa coluna sobre cinema. Sempre escrita pelo amigo Marcelo Ikeda, do blog "Cinecasulofilia" - http://www.cinecasulofilia.blogspot.com/.

Lust, Caution

Desejo e Perigo
De Ang Lee
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"Desejo e Perigo, novo filme do Ang Lee, cineasta a quem tenho profundo apreço, e que estréia no circuito comercial carioca tardiamente, após ter ganhado o Leão de Ouro em Veneza em 2007, é um filme estranho. Aparentemente, ele parece ser mais um daqueles filmes de época, envoltos em tom de espetáculo, como um Indochina, com um certo esteticismo rodeado de lugares comuns sobre a recriação de uma época, tom romântico tendo como pano de fundo transformações históricas, etc. Mas a questão é exatamente o aparentamente, pois Desejo e Perigo é um filme sobre as aparências. Por trás das aparências do filme-espetáculo, do esteticismo da grife do cinema de arte, Ang Lee, sob a base estrutural dessa superfície deixa correr o desejo, faz um filme que desconstrói essa mesma estrutura. Isso é feito de várias formas no filme, e possui aspectos múltiplos, estranhos, confusos. De um lado, isso é interessante, pois o próprio filme é sobre o desejo que pulsa por trás dos “convencionalismos” das superfícies. Ou seja, Ang Lee traz para a própria estrutura do filme toda essa ambiguidade, ou ainda, esse desconforto, entre “estar e ser”. Ou ainda de outra forma, se de um lado, Desejo e Perigo é um filme que não é cinema mainstream mas é cinema de arte espetáculo, ainda assim toda a fruição do filme (que é anestesiada pela beleza da fotografia, dos cenários, enfim do espetáculo) é acompanhada de um incômodo. E esse incômodo é gerado por algo que vem do campo estrito do cinematográfico, e esse é o encanto do filme.

Não sei se me explico muito bem. Uma outra forma de dizer isso é pensar na abertura do filme, logo após dois planos estranhos, o primeiro dele com o focinho de um cachorro de guarda. É a sequencia do mahjong. A sequência é filmada com os recursos do campo-contracampo básicos de quatro pessoas em torno de uma mesa. Mas ao mesmo tempo é uma cena de decupagem absolutamente estranha, com cortes rápidos, com uma certa excitação, com focos curtos, com olhares angulados por cima dos olhos, etc, que nos causam um certo incômodo, que nos causam uma sensação de deslocamento, ou seja, que há algo que se busca que está além do jogo de mahjong, um certo desconforto. Esse deslocamento – ou incômodo, ou mal estar – é produzido a partir exclusivamente dos recursos do campo estrito do cinematográfico. Isto é, as questões que Desejo e Perigo coloca que me interessam em particular é a sua maestria em utilizar as convenções desgastadas de um determinado “gênero” (de um tipo de cinema, de uma abordagem) para desconstruí-las, e como essa desconstrução é feita no campo estrito da mise-en-scene, do cinematográfico.

Esse incômodo causado pela forma ambígua como Ang Lee trata as convenções do gênero é multiplicado quando pensamos em um outro elemento: o papel da representação. A protagonista do filme é uma mulher que representa um papel, e o tempo todo ficamos nos perguntando até que ponto ela está interpretando para si mesma. Ao longo do filme, percebemos que naturalmente essa mulher “se aprimora como atriz”. Há uma cena em uma espécie de teatro amador em que essa mulher tem o seu primeiro grande desafio, e a partir dali a trupe de revolucionários aplica os métodos de representação na concretude de sua ação política. A representação aqui se confunde com a realidade, mas nem é isso o que digo. O que quero apontar é que o espectador o tempo todo acompanha essa mulher “se aprimorando como atriz”. Ou seja, é um filme que torna o espectador consciente de que tudo é um processo de representação. Em última instância, o próprio filme. Quando no café, ela passa uma ponta de perfume embaixo de sua orelha e bebe uma xícara de café, estamos pouco interessados nessas ações, e sim em como ela representa essas ações para a câmara. E isso é próprio e estrito do campo cinematográfico.

À medida que o filme passa, não sabemos até que ponto essa mulher representa, até que ponto ela simula para ela mesma. O filme dura 170 minutos, cheio de informações, mas não sabemos muito dos sentimentos dessa mulher e desse homem, apenas que ela precisa aprimorar seus ardis para se aproximar dele. Ou seja, tudo em Desejo e Perigo está no campo das aparências, está no campo das superfícies. Essa mulher precisa esconder seus verdadeiros sentimentos, jogando com as aparências. Esse homem, apesar de estar no campo oposto dessa mulher, também. E Ang Lee, também. Ou seja, no final, essa mulher permanece opaca para o espectador. Essa opacidade, além dos argumentos que já trouxemos, está também relacionada à própria natureza do cinema oriental. O jogo de meios-olhares, a explosão do corpo apenas no momento do sexo, é absolutamente oriental, e inunda de ambigüidades a extraordinária performance da dupla de protagonistas.

Algumas pessoas podem achar estranho esse Desejo e Perigo (uma piada seria dizer que se parece com um filme do Lou Ye) vindo do mesmo diretor de O Banquete de Casamento, ou ainda (para não voltar tão atrás) Brokeback Mountain ou O Tigre e o Dragão. Mas é preciso pensar além, vendo em retrospectiva a coerência e a singeleza da filmografia de Ang Lee, no sentido de repensar as convenções do cinema de gênero por dentro das convenções desse próprio cinema, através de um cinema sofisticado. Além disso, pensando as possíveis pontes entre o Ocidente e o Oriente, problematizando as dicotomias e essas construções, e não meramente aproximando-os (tornando-os o mesmo) como parte de um jogo político (por exemplo, o cinema do Yimou).

Desejo e Perigo é um filme estranho, que provoca um incômodo que fica após a projeção."

Solidariedade

O Blog Ouro de Tolo expressa a sua solidariedade aos parentes e familiares dos passageiros do vôo 447 da Air France, desaparecido na noite de ontem.

Também lamenta a exploração política que certos órgãos da imprensa querem dar ao fato.