domingo, 8 de novembro de 2009

Reacender a chama - já !


Domingo, dia de publicar bons textos aqui no Ouro de Tolo.

Hoje, coloco aqui texto do amigo Rodrigo Mattar, jornalista do Sportv e dono do blog "A Mil Por Hora", um dos nossos favoritos. O belo texto faz uma análise do momento da Fórmula 1 e das mudanças que levaram ao quadro atual.

Acrescento ao texto uma idéia: de que, como parceiras, as montadores são bem vindas - como nos Anos 80. Não como donas do negócio.

A foto é da Tyrrell P-34, de 1977, um dos projetos de seis rodas e que, inclusive, obteve vitórias na categoria.

Vamos ao texto, publicado originalmente sexta feira no "A Mil por Hora":

"Boa tarde leitores e leitoras. Após uma manhã na rua, fritando num calor senegalesco, agora o blogueiro desfruta das delícias do ar condicionado da redação do Sportv, convidando todos vocês pra uma reflexão sobre o momento que passa a Fórmula 1. Especialmente após a saída da Toyota e dos crescentes rumores de que a Renault pode seguir o mesmo caminho até o fim do ano de 2010.

Tudo isso que a categoria viveu, este processo de quatro escuderias caindo fora num espaço inferior a dois anos, sendo três montadoras - Honda, BMW e Toyota - além de um “time B”, a Super Aguri, deve ser imputado às mazelas da administração de Max Mosley à frente da FIA, deixando um senhor abacaxi para seu sucessor - Jean Todt, eleito com o apoio do britânico - descascar.

É bom lembrar que no início dos anos 90, assim que assumiu a entidade, ele e Bernie Ecclestone tentaram fortalecer a Fórmula 1 dando um tiro fatal no Grupo C. O antigo Mundial de Esporte Protótipos, com seus carros potentes e sensacionais, foi assassinado pela FIA quando o regulamento daquele campeonato foi equiparado à F-1, numa tentativa de fazer montadoras como Mercedes-Benz, Toyota e Peugeot se bandearem para o outro lado.

A Sauber, com apoio dos alemães, foi a primeira a chegar em 1993, um ano antes da Peugeot. A Toyota entrou em 2002, mas passou um ano inteiro fazendo treinos com um carro-laboratório. Todas as três investiram pesadas somas e só a Mercedes sobrevive na categoria.

Nessa mesma época, meados dos anos 90, a FIA aumentou de forma cruel a caução que as equipes tinham de pagar para se inscrever a cada temporada, limitando também a “franquia” para 12 equipes e 24 carros. Os valores saltaram de US$ 300 mil para absurdos US$ 48 milhões - três vezes mais, por exemplo, do que gastavam Forti Corse, Lola e Minardi na época. A arrogância deu certo, porque espantou os times menores. Alguns tiveram morte natural e outros sucumbiram ao dinheiro, feito a Tyrrell, comprada pela British American Tobacco.

Um por um, saíram de cena os “garagistas”, como Giancarlo Minardi, Ken Tyrrell, Gérard Larrousse, Guy Ligier, Beppe Lucchini, Keith Wiggins, Jackie Oliver e Eddie Jordan - só pra citar os que a memória ainda recorda. Até Paul Stoddart pode ser incluído no rol: ele detinha a propriedade da Minardi e a vendeu para Dietrich Mateschitz, da Toro Rosso, em sociedade com Gerhard Berger.

Em meio à sanha das montadoras, sobraram apenas três nomes com passado 100% ligado ao automobilismo: a Ferrari, embora seja de propriedade da Fiat desde 1973, é fruto da paixão sem limites de Enzo Ferrari, o lendário Commendatore morto em 88. Os outros dois são Ron Dennis e Frank Williams. E hoje, apenas Frank carrega solitário a bandeira dos garagistas.

Mas é bom saber que em 2010 ele talvez não esteja só. Com a vinda de equipes feito a Campos, por exemplo, resgata-se a ideia da velha e boa Fórmula 1 dos anos 70, onde com exceção de Matra, BRM, Ferrari e depois da Alfa Romeo, bastava às equipes - predominantemente inglesas - construir seus carros com motores Ford Cosworth e caixa de câmbio Hewland.

Saíam receitas vencedoras. Projetos fracassados, também. Mas foi assim que conhecemos gente como Morris Nunn, Teddy Yip, John Surtees, Ron Tauranac, Tony Southgate, Lord Alexander Hesketh, Harvey Postlethwaite, Maurice Philippe, David Baldwin, Ralph Bellamy, Mike Pilbeam, Günther Schmidt, Gustav Brunner, Rory Byrne, Brian Hart, Ted Toleman e outros com os quais tomamos intimidade com o passar dos anos.

Este texto pode parecer - e é - saudosista. Sei que os tempos são outros, que sem dinheiro na Fórmula 1 nada funciona. Mas um componente que nenhuma montadora vai ter, especialmente pelo automobilismo, uma vez que investir no esporte é nada mais do que pura e simplesmente business, essa turma garagista tinha de sobra.

Paixão.

É preciso reacender - já - essa chama. Senão mais uma vez poderemos ver a Fórmula 1 refém de sua própria sorte no futuro e deixando pilotos de grande talento, como o japonês Kamui Kobayashi, na rua da amargura."

sábado, 7 de novembro de 2009

A economia gay

Domingo passado realizou-se aqui no Rio de Janeiro, em Copacabana, a última edição da Parada Gay carioca.

Hoje já é o terceiro maior evento da cidade, atrás apenas do carnaval e do reveillon.

Não irei debater aqui questões polêmicas nem dizer se é certo ou errado, etecetera e tal. Diria, para não ficar em cima do muro, que não temos direito de julgar a postura alheia e discriminar ou diferençar por causa disso. O artigo quinto da Constituição é bem claro.

Quero falar um pouquinho do impacto econômico não somente da Parada Gay como do próprio fenômeno da homossexualidade e sua implicação econômica.

Normalmente, o homossexual típico é bem sucedido profissionalmente, mora sozinho e, no caso de casais, em média não possui filhos. Ou seja, ele possui um potencial de consumo, em média, maior que o de casais heterossexuais com a mesma faixa de renda.

O que ocorre ? Há uma maior disponibilidade para viagens neste grupo populacional. Primeiro pela maior renda disponível e, segundo, por não haver tantos empecilhos a impedir viagens. Viajam muito e, o mais importante: com grana para gastar.

Partindo-se desta base, vemos como é importante receber bem este tipo de turista.

A cidade do Rio de Janeiro foi eleita "o melhor destino gay do mundo" por um órgão especializado. Partindo disso, deveria-se ampliar uma série de entretenimentos e serviços direcionados, de maneira a atrair o turista e retê-lo para outras ocasiões.

O turista bem atendido sempre volta, ainda mais atendido com respeito e sendo introduzido em um ambiente de naturalidade. O retorno para a cidade é um gasto médio superior ao turismo heterossexual, com a vantagem de ser um filão ainda muito pouco explorado - por puro preconceito. Há pesquisas que demonstram esta diferença de dispêndio médio por dia.

Além disso, eventos como a Parada propiciam mais uma data atrativa à cidade e favorecem todo o setor econômico ligado à organização do evento. Movimenta e impulsiona a economia.

Entretanto, não podemos pensar nesta categoria apenas "com os olhos dos cifrões". Despir-nos do preconceito, estabelecer uma relação de confiança e aceitação e prover serviços e lazer adequados às suas especificidades são condições indispensáveis para que a cidade possa lucrar com este tipo de visitante.

Com estas condições atendidas - e minha percepção, olhando de fora, é de que ainda há um caminho a se percorrer nesta direção - a cidade terá totais condições de lucrar bastante, gerando divisas, empregos e renda.

Que seja bem vindo o turista gay.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Final de Semana - "Love of My Life"



Lá se vão quase 25 anos, mas acho que eu nunca me esqueci de uma das maiores performances de palco que eu já vi na minha vida: Rock in Rio I, Janeiro de 1985.

O show do Queen acabou se tornando histórico exatamente por este fator. O domínio de público mostrado pelo vocalista Freddie Mercury - falecido precocemente, de AIDS, em 1991. O vídeo que coloco acima mostra bem isso.

Eu, que era um garoto de dez anos, fiquei muito impressionado com a performance histórica do grupo. Virei fã.

A música não poderia ser outra: "Love of my life". Observem o coro das 200 mil pessoas que acompanhavam o show na Cidade do Rock.

Uma combinação perfeita: um grande show, uma grande música, amor está no ar. Gente, música e amor são um bom começo para um final de semana.

Vamos à letra. Vai em inglês mesmo, que estou bastante enrolado.

Love Of My Life
Queen
Composição: Freddie Mercury


Love of my life, you've hurt me
You've broken my heart, now you leave me.
Love of my life can't you see,

Bring it back bring it back,
Don't take it away from me,
Because you don't know
What it means to me.

Love of my life don't leave me,
You've taken my love, you now desert me,
Love of my life can't you see,

Bring it back bring it back,
Don't take it away from me,
Because you don't know
What it means to me.

You will remember
When this is blown over,
And everythings all by the way,
When I grow older,
I will be there at your side,
To remind you how I still love you
I still love you.

Back hurry back
Please bring it back home to me
Because you don't know
What it means to me
Love of my life
Love of my life
Yeah

Obra do Metrô


A foto não está muito boa porque foi tirada meio no susto - sempre tem um Guarda Municipal pronto a multar na Leopoldina - e não sei porque cargas d´água o aplicativo de "zoom" da câmera do meu celular não está funcionando.

Mas faço o registro do desafio que é a construção do viaduto que ligará a Linha 2 direto a Botafogo. Pode-se ver as vigas de concreto (branco) caminhando para se encontrarem. Ali ainda estrará a sustentação do viaduto e, obviamente, os trilhos do metrô.

Percebam, também, o céu extremamente azul ao fundo. A foto foi tirada por volta de oito e meia da manhã.

Acho salutar qualquer solução que vise a desafogar o trânsito na cidade e aumente a capacidade e a disponibilidade de transporte de massa. Ainda mais se permitir a diminuição da dependência da cidade do transporte rodoviário, via ônibus, e seu conhecido poder de lobby.

Cinecasulofilia - "Partir"

Terça é dia de "Samba de Terça" e, sexta, residência de nossa coluna sobre cinema - publicada em parceria com o excelente blog Cinecasulofilia.

Sem muitas delongas, passemos ao texto, como de hábito assinado pelo crítico e cineasta Marcelo Ikeda.

Partir
de Catherine Corsini

Há algo de doce no argumento de Partir, da diretora francesa Catherine Corsini: uma mulher rica, cansada da vida fútil com o marido, resolve largar tudo para viver com um pedreiro espanhol. Essa mudança radical nos lembra tanto um filme quanto Amantes, de James Gray, quanto mesmo de Gertrud, a obra definitiva de Carl Dreyer. No argumento, há uma tensão entre diferentes classes sociais e mesmo étnicas. O filme claramente aponta para uma crise, já que a confortável vida burguesa da protagonista não a satisfaz, e ela deixa tudo “pelo amor”. Mas, claro, o sistema, representado pelo marido da protagonista fará de tudo para restabelecer a ”ordem”, e em seguida, o filme irá desvelar seu verdadeiro objetivo: o de ser um thriller de perseguição, o de apontar para o preço pago pela protagonista, ou ainda, um filme sobre a opressão. Catherine Corsini não é Dreyer ou Gray: ela dirige tudo com mão dura, como uma “diretora alemã”. Nada pode ficar nos meios tons ou na penumbra: existe uma preocupação da diretora em desenvolver a narrativa de forma clara e fazer o espectador mergulhar nos instrumentos da opressão. Não existe uma sutileza, uma descoberta pelo feminino que não seja preenchido pelo desejo do filme de seguir um plot com blocos duros que tornam esse movimento da protagonista um mero joguete de representações sociais já dadas pela diretora. Dessa forma, todo o desenvolvimento de Partir é óbvio: é um filme que denunciando o totalitarismo, é absolutamente totalitário, como o seu final (desesperado, exagerado) comprova. Falando aparentemente de uma sutileza, Corsini realiza um filme descabidamente autoritário. Por fim, Kristin Scott Thomas tenta salvar o filme do desastre com uma atuação convincente, com uma postura de contenção, típica dos seus trabalhos, mas a limitação do material a impede de alcançar passos mais largos.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

FHC, o morto-vivo

A imprensa 'psdebista' brasileira publicou com grande estardalhaço um artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso onde ele chama o governo Lula de "neoperonista" e defende o modelo mercado-americanófilo.

Vamos relembrar um pouco o que foi o Governo Fernando Henrique Cardoso.

Eleito sob a esteira do Plano Real e reeleito sob o câmbio apreciado - o país quebraria dias após a eleição - seu governo foi marcado pela aplicação das teses do chamado "Consenso de Washington", conjunto de dez teses ideológicas revestidas de viés econômico:

1) Disciplina fiscal
2) Redução dos gastos públicos
3) Reforma tributária
4) Juros de mercado
5) Câmbio de mercado
6) Abertura comercial
7) Investimento estrangeiro direto, com eliminação de restrições
8) Privatização das estatais
9) Desregulamentação (afrouxamento das leis econômicas e trabalhistas)
10) Direito à propriedade intelectual


Destes dez preceitos, diria que sete foram cumpridos na íntegra, um parcialmente (privatização) e dois não foram aplicados (reforma tributária e direito à propriedade intelectual).

Além disso, esmagou o sindicalismo - a ponto de o funcionalismo público e categorias como os petroleiros terem ficado os oito anos do mandato sem um único reajuste salarial - e se utilizou das privatizações para privilegiar grupos e gerar uma nova casta empresarial.

Sua política social pode ser resumida na clássica frase "a questão social é caso de polícia". O desemprego e a concentração de renda atingiram níveis alarmantes. Em 2002, no último ano de mandato, o desemprego bateu recorde histórico e a inflação estava em cerca de 20% ao ano. A economia não crescia mais que 1% ao ano e as taxas de juros estavam em níveis catastróficos - destruindo emprego e renda.

Empenhou-se em destruir a Petrobras e sucatear o serviço público. Ignorou Educação e Saúde. Mesmo a tão elogiada gestão de Serra à frente deste último ministério primou mais pela pirotecnia que pelo atendimento básico e universal.

Na política externa, notabilizou-se pela total subserviência aos Estados Unidos e o apoio à ALCA, que fatalmente destruiria a indústria nacional a médio prazo e nos tornaria uma grande Guatamela ou Honduras.

Pois bem. É este cidadão, que não se elege nem vereador em Itaboraí, que se arroga o papel de "farol iluminado brasileiro" e escreve artigos dizendo o que o governo deve ou não fazer. Ora, se quer fazer isso, dispute e ganhe as eleições !

Na verdade, a reação e os artigos deste senhor são a resposta conservadora à nova política que está aí. Repugna a idéia de que aqueles fora da elite possam viver dignamente sem mendigar migalhas junto aos donos do poder.

A cada dia, a cada minuto, mais ele guina suas posições na direção da defesa de políticas excludentes e que representem o Estado a serviço de uns poucos. Não sou crédulo a afirmar que isto não existe hoje, mas pelo menos os mais desassistidos hoje possuem condição de ter um emprego.

Na comparação de indicadores, não há um único ítem onde os Anos FHC levem vantagem.

Pois é. Ao invés de estar aposentado e cuidando do filho menor de idade que tem, FHC se arvora a porta-voz do que temos de mais retrógrado em política.

Só que suas palavras, emitidas como o último Santo Graal, somente encontram ressonância na imprensa cada vez mais conservadora do país. Nem mesmo os próceres tucanos querem ver a sua imagem atrelada a do ex-presidente, pois bem sabem que este é o "beijo da morte".

FHC, o morto-vivo. Lamentável é ainda darem importância a figura tão nociva aos interesses nacionais. Aliás, chega a ser engraçado vê-lo chamando o Brasil de hoje de "república sindicalista" se lembrarmos que seus tempos tiveram a marca indelével do ódio ao trabalhador.

Se formar um mercado interno e aumentar o poder de compra do trabalhador - que irá consumir e, consequentemente, tornar mais próspera a indústria e os capitalistas - é ser partidário de uma "república sindicalista", então eu preciso rasgar o meu diploma.

Velha ordem, velhas políticas, velha história. Daqui a pouco o veremos defendendo os incêndios nas favelas como política social - de preferência, com os moradores dentro.

Resenha Literária - "Zé Cabala e outros filósofos do futebol"

Ainda como resultado da ida a São Paulo, faltava a resenha do segundo livro que concluí a leitura: "Zé Cabala e e Outros Filósofos do Futebol", de José Roberto Torero, escritor e, nas horas vagas, cronista esportivo.

O livro é uma série de crônicas sobre futebol, uma vez mais. Entretanto, o ângulo é diferente do outro livro do mesmo autor que resenhei, "Os cabeças de bagre também merecem o paraíso".

Este livro é uma série de crônicas do autor, também publicadas originalmente em jornais, onde ele cria um personagem fictício - "Zé Cabala" - que conversa com os espíritos de jogadores do passado e já falecidos.

Outra parte do livro são textos onde é feita a adaptação de grandes filósofos da história e sua atuação se técnicos de futebol fossem. Bastante interessante.

Leitura leve, que entrete e que trata o futebol sob ângulos que muitas vezes em nossas paixões não observamos. O texto irônico e reflexivo de José Roberto Torero faz pensar, muitas vezes, no componente absurdo que envolve este esporte e na maioria das situações não nos damos conta.

O livro é inferior ao outro resenhado do mesmo escritor, mas ainda assim recomendo fortemente. No Submarino está custando R$ 31,90. Você nem percebe que o livro acabou de tão prazeirosa é a leitura.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

35 Anos


35 anos.

Como escrevi no tópico sobre aniversários, já estive mais animado com esta data. Talvez a correria do dia a dia tenha deixado um pouco de lado a ansiedade.

Entretanto, se eu for parar para pensar no caminho que percorri até aqui, só tenho a agradecer a Deus pelo que tenho hoje.

Por outro lado, acho que jamais imaginaria a chegar aos meus 35 anos no estágio em que estou. Tenho muito o que agradecer, porque alcancei acho que muito mais do que se esperaria de mim quando era criança.

Sempre lutei muito para alcançar meus objetivos. Sob este prisma, não tenho do que me queixar.

Por outro lado, obviamente não conquistei alguns de meus sonhos. Uns ainda são perfeitamente possíveis; outros, creio que pertencem ao passado inatingível. Entretanto, aprendi que temos, sempre, de agradecer pelo que temos, pelo que nos é permitido conquistar; que nossa força é muito maior que nosso próprio pensar.

Procuro levar uma vida sempre tentando progredir e esmerando-me para ser útil a Deus. Isso é o que importa. Pequenos prazeres aqui e ali, a companhia da família e dos bons amigos. Pesando na balança, não tenho muito do que me queixar.

Entretanto, não tenho como ficar parado: ainda tenho muito para conquistar. Para o alto e avante ! E que venham mais 35 anos, e mais 35, e mais 35...

P.S. - Relendo o texto, ele ficou parecendo até livro de auto ajuda. Que coisa horrorosa...

30 Anos de Maraca



Sim, é verdade que hoje eu completo 35 anos de vida. Entretanto, queria falar de uma data ainda mais importante: exatamente hoje eu completo 30 anos de Maracanã.

Meu primeiro jogo foi exatamente o do vídeo acima: Flamengo zero, Botafogo zero. Foi a partida do tricampeonato estadual daquele ano.

Minhas lembranças são esparsas. Lembro-me de que fiquei um bom tempo sobre os ombros do meu pai, e a imagem que tinha era a de um jogo bastante movimentado. Curiosamente, relendo anos atrás jornais da época, descobri que foi uma peleja até chata.

Também recordo-me da festa ao final da partida com o tricampeonato estadual.

Naqueles tempos, ao contrário de hoje, criança não pagava nas arquibancadas - hoje somente nas cadeiras azuis. Entretanto, o ingresso era bem mais barato.

Nestas três décadas, obviamente houve anos em que estive mais presente e outros, nem tanto. Entretanto, mesmo nas piores fases de grana jamais deixei de estar presente a pelo menos uma partida por temporada.

Acho que poucas sensações superam adentrar a rampa do estádio e ver o campo lá embaixo. Ou então acompanhar o canto da torcida rubro-negra em seu frenesi apaixonado de calor.

Vi o melhor time da história (1981) e o pior (2005). Aliás, neste último ano, vi quase todas as partidas jogadas na Arena da Ilha. Tinha de ter estômago... Assisti a títulos consagradores e vergonhas inolvidáveis.

Fui testemunha ocular de grandes momentos e, também, grandes tristezas. Entretanto, nada apagou a chama de paixão pelo meu time.

Durante muitos anos assisti de arquibancada por causa da emoção de estar junto à torcida e ao calor do canto. Ir ao estádio e voltar com voz é sinal de que você não se esforçou suficientemente para ver seu time vencer. Cada voz, cada garganta, faz parte do décimo segundo jogador, é flama que incendeia e transforma o perna de pau mais empedernido em um novo Zico.

Zico, aliás, o maior jogador que vi jogar.

Ultimamente estou ficando velho e chato, evitando grandes aglomerações. Somando-se aos problemas nos joelhos, mudei-me para as cadeiras inferiores (azuis).

Ultimamente confesso que tenho ido pouco. O nascimento das meninas e a dupla "pay per view e televisão de LCD" me afastaram um bocado do estádio. Este ano estive duas vezes, na final do Estadual e contra o Santo André, pelo Brasileiro. Além disso, a estúpida proibição de cerveja nos estádios - da qual tratei em texto anterior - também me desanima um bocado.

Talvez não saberia apontar "o meu jogo inesquecível". Seria capaz de listar uns dez ou vinte jogos que, para o bem e para o mal, marcaram-me sobremaneira. Recentemente, levei a Maria Clara em uma partida da Libertadores e senti a emoção de ver que o ciclo recomeçava.

Além do Maraca (insuperável) e da Arena da Ilha, já assisti a jogos no campo do Madureira (Conselheiro Galvão) e no Engenhão (Brasil e Bolívia). Conheço também o Canindé (SP), mas foi em um evento da Igreja.

Trinta anos se passaram, como se fossem ontem. E que venham mais trinta, e mais trinta. Que a magia rubro-negra sempre permaneça com sua chama acesa enlevando seus corações apaixonados.

São estas coisas que fazem a vida valer a pena.

Resenha Literária - Chico Buarque

Uma das coisas boas de se viajar é que sempre consigo ler um ou dois livros. Desta vez, li dois e comecei um terceiro. Com isso, nossa seção "Resenha Literária" está de volta.
O livro que analiso neste post é "Chico Buarque", de Wagner Homem. Ele se propõe a contar a história das canções de Chico Buarque, desfazendo mitos e fazendo revelações.

O autor é webmaster do site do cantor e compositor e amigo pessoal do mesmo. Consultou diversas fontes e arquivos disponibilizados pelo genial artista, de forma que é um painel bastante preciso da obra do maior compositor vivo da MPB.

Disposto em ordem cronológica, é uma sucessão de saborosas histórias e desvenda um pouco a maneira como Chico Buarque relacionava-se com seus parceiros. Inclusive os "duelos" mantidos com Tom Jobim para manter ou alterar determinadas letras.

Uma das revelações do livro é de que "Apesar de você" foi feita realmente em protesto contra o regime militar que vigia à época. Também faz justiça a Gilberto Gil, ao revelar que o trocadilho "Cálice/cale-se" é de autoria do baiano.

Aliás, um dos melhores momentos do livro é quando explicita as relações com a Censura dos Anos 70 e os subterfúgios do autor para driblar a instituição. Mostra como foi criado o personagem "Julinho da Adelaide", a fim de ter suas canções aprovadas.

Leitura rápida, instrutiva e esclarecedora. Joga luzes sobre o processo de criação de um gênio. Além disso, traz letras de músicas que até eu, que me considero um razoável conhecedor da obra do artista, desconheço.

Excelente sugestão de leitura. Na Travessa, custa R$ 40.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Amizades são eternas


Meus 29 leitores devem estar pensando: "ele vai falar de novo do domingo?"

Sim e não. Na verdade, quero chamar a atenção para algo que, muitas vezes, não percebemos em nosso dia a dia: que as pessoas que verdadeiramente gostam da gente não nos esquecem.

Isto ficou claro para mim desta vez. Pessoas que já não via há tempos vieram falar e relembrar os bons tempos, preocupadas comigo e querendo saber como eu estava. Não tem preço.

Não tirei fotos com todos os amigos que vi, mas coloco aqui algumas destas fotos, como uma homenagem à amizade.


Fernanda Tito;




Julio César, meu companheiro de muitas batalhas;



Ministro Rafael, que foi meu colega de turma no Pré-Seminário de Formação Sacerdotal em 1996;



Novos amigos, Melgar e Rafael - mas não menos importantes;



Marcelo, Márcia, Bruno e o querido Zorro;



Luana, minha madrinha, ministrando-me Johrei.

São estas coisas que tornam mais feliz o exercício da vida. Por mais que esta seja uma fase difícil, que o esforço não compensa o resultado, vale a pena viver.

Samba de Terça - "Rapsódia de Saudade"


Ainda tenho "rescaldos" de domingo para escrever, mas hoje é terça feira e não podia faltar a nossa já tradicional coluna sobre samba.

Hoje farei uma homenagem a um dos maiores compositores do samba enredo carioca, capaz de ganhar um samba em 1957 e outro cinquenta anos depois, em 2007 - ele faleceu em novembro de 2006, sendo, na prática, um "samba póstumo". Falo de Mestre Toco (foto abaixo), maior vencedor de sambas da Mocidade com 12 vitórias.


Antes de passarmos ao nosso samba de hoje, queria agradecer o inestimável auxílio da Vice-Presidência Cultural da Mocidade, na figura do Fábio Fabato, que cedeu todas as imagens da matéria de hoje; além de informações sobre o carnaval.

Nosso samba é de 1971. A Mocidade já era conhecida por ser "uma bateria cercada por uma escola de samba", comandada pelo grande Mestre André. Entretanto, tinha grandes sambas naquela época, e "Rapsódia de Saudade" é um exemplar significativo.

Chega a ser uma injustiça se dizer que a verde e branca da Zona Oeste não possui sambas dignos de entrar no panteão dos melhores de todos os tempos.

O enredo, de autoria de Gabriel do Nascimento e desenvolvido por Clóvis Bornay, buscava contar a saudade e o sentimento através de uma série de músicas e poemas relacionadas ao tema. Relaciono abaixo parte do folheto explicativo do enredo, datilografado:



 


Reparem nos agradecimentos às autoridades na primeira página. Este material também é interessante para mostrar que, naqueles tempos, também haviam sinopses longas. Ou seja, não é exatamente devido a isto que os sambas atuais vem perdendo em qualidade.

Mestre Toco, em um samba curto - vinte versos - soube sintetizar o sentimento presente no enredo, compondo um dos maiores sambas da história da verde e branca de Padre Miguel. Não é exagero dizer que não fica nada a dever a outros sambas enfocados nesta série, como "Sublime Pergaminho", por exemplo.

Uma curiosidade é que a palavra "célica" é um neologismo do compositor. Em sua visão, significa "celestial", e foi criada a fim de se encaixar com a bela melodia do samba sem atrapalhar sua métrica.

Eram tempos em que não se precisava de "condomínios" nem de investimentos multimilionários. Bastavam o talento e a caneta.

A Mocidade foi a sétima escola a desfilar no domingo de carnaval, 21 de fevereiro. A análise do grande Albino Pinheiro, publicada na revista "Manchete", fala por si mesma:

“Já se ouve o som fantástico. Nosso governador (Negrão de Lima) se entusiasma: "Esta é realmente uma das melhores baterias da cidade”. E, não resistindo ao apelo quentíssimo daquele som, acompanha com gestos ritmados a escola que se aproxima. O Rei do Carnaval, Joaquim Meneses, que se mantém há horas ao lado do governador, acha-se também na obrigação de se empolgar. Mas o bastão real, a coroa, a fantasia, as botas e a sua própria figura frustram a alegria que ele pretende mostrar. É o maior momento do desfile até agora. A bateria da Mocidade Independente há muito é um dos mais caros patrimônios da cultura popular de nossa cidade. O que Mestre André cria e recria sobre o ritmo de sua bateria é impossível de se descrever. Basta que se diga que aquele povo todo, amassado, esmagado, empurrado há mais de treze horas, se levanta inteiro, lepidamente. Enquanto o som da bateria é ouvido, é impossível permanecer quieto. Pela primeira vez vejo o gordo do imenso farnel levantar-se. A bateria foi mais forte que seu apetite. A pista continua a congestionar-se. Mas o secretário de Turismo, Levi Neves, comenta: “Se não houver invasão, não é carnaval”. Com isso, ele quis dizer que o grande desfile tem público cada vez maior e não há avenida que suporte tal entusiasmo. A massa acompanha o bonito samba da Mocidade e quando chega no verso: "Então componho um poema singular", o coro cresce e a Avenida inteira se une. A harmonia de povo, bateria e escola de samba marca um dos mais belos momentos do carnaval de 71. A emoção foi grande. O bem que a Mocidade nos fez se reflete no comentário geral. O policial do meu lado, que há quarenta minutos reagia com cara feia à invasão da pista, está com outra fisionomia. Ele é jovem ainda e não parece ser carioca. Olha para o meu braço, vê meu nome e o da revista e quase humildemente olha para mim e diz: "Que coisa, hein, moço?". Um bom samba acaba com qualquer tendência para a violência. O espetáculo continua."


A bateria da escola (foto acima) contribuiu para este clima de devaneio vivido durante a passagem da escola pela Candelária.

Apesar do belíssimo samba e do bom desifle, a escola obteve apenas o nono e penúltimo lugar na apuração, com 86 pontos. Entretanto, não houve rebaixamento naquela ocasião. Uma curiosidade: a décima e última colocada foi a Unidos de Padre Miguel, sua "rival" e praticamente vizinha de quadra.

Aqui você pode ouvir e se deleitar com o samba, em sua versão original. Abaixo, a letra dele. O puxador era o famoso Ney Viana, de grande sucesso posterior nos primeiros dois títulos da escola de Padre Miguel.

"Canto
Faço do samba minha prece
Sinto que a musa me aquece
Com o manto da inspiração
Ao transportar-me pelas asas da poesia
Ao som de linda melodia
Que vai fundo no meu coração

Então componho um poema singular
Rememorando obras célicas
Do cancioneiro popular


Oh, divina música
Tua magia nos envolve a alma
Tua sutileza nos seduz
Pois emanas a luz que inebria e acalma
Tu és a linguagem dos cantores
Tuas entonações nos inspiram amores

Música
Nos traz saudades coloridas
Dos trovadores e serestas
E das canções sentidas"



Semana que vem, vamos à década de 80, com um dos sambas da excelente série da Unidos da Tijuca da época: "Macobeba - O que dá para rir, dá para chorar". Até lá.

Solo Sagrado - Fotos

Para aqueles que não conhecem o local, em especial os não-messiânicos, coloco aqui algumas fotos que tirei do Solo Sagrado do Brasil, localizado na cidade de São Paulo - às margens da Represa de Guarapiranga.

Visão geral do templo:



As flores:



O altar aos antepassados:



A natureza:



Mais natureza:



A Deusa Kannon:



Eu e mais natureza:


segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Domingo feliz


Como escrevi no post de baixo, tive um domingo muito intenso e que, tenham certeza, valeu muito a pena.

O início da caravana foi um pouco tenso, porque houve "overbooking" no ônibus da Ilha e tive de ir pela Vila da Penha - na verdade, Madureira, mas peguei o coletivo no bairro supracitado. Até o coletivo chegar e embarcarmos, certa tensão. Mas deu tudo certo.

A viagem de ida foi tranqüila. Mesmo com muita gente na parada, consegui lanchar sem problemas. Li um livro e ainda conversei bastante com meu companheiro de poltrona, o Rafael. Dormi muito pouco.

Chegamos por volta de seis da matina, e o prenúncio era de um lindo dia. Apesar da quantidade de pessoas - estimo entre 35 e 40 mil participantes - estava tudo muito bem organizado e consegui lanchar sem problemas.

Encaminhei-me para o templo por volta de oito e vinte, uma hora e meia antes do culto. Já havia muita gente, mas consegui acomodar-me entre o pessoal da Ilha e alguns ex-alunos dos cursos da Juventude Messiânica. Como mostra a foto abaixo, o calor estava bem grande.



O culto iniciou-se e o clima de emoção era grande. Na hora da Oração aos Antepassados, impressionei-me pela serenidade que exalava no ar.

No final da celebração religiosa, o grande momento: a aparição de Kyoshu-Sama e o Johrei coletivo. Apesar de curto, cerca de quatro ou cinco minutos, ficou claro para mim a força espiritual de nosso líder.

Ao contrário do passado, não houve registro de muita gente passando mal ou tendo incorporação. Diria que uns quinze ou vinte casos, o que é uma ninharia perto de 35 mil pessoas. Duro foi ouvir a Ministra de Mangaratiba falando do "tempo dela", e saber que era contemporâneo deste, apesar de criança...

Após o Johrei coletivo, tivemos as saudações do Reverendíssimo Watanabe e um momento muito esperado: a saudação de nosso Líder Espiritual. Em português, Ele deu suas orientações e autorizou o início das obras da segunda parte do Solo Sagrado.

Ao final, a nota triste do dia: o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e dois vereadores "tirando uma casquinha" do evento sob o pretexto de entregar a Medalha José Anchieta ao nosso Líder. Até Kyoshu Sama percebeu a exploração política e deu "um corte" nos políticos.

Nosso Líder assegurou que estará de volta no lançamento da pedra fundamental da segunda parte das obras.



Após o culto, visitação e espera pelo horário do ônibus de volta. Atrasou bastante, mas encontrei a Luana, ex-aluna, grande amiga e minha madrinha de casamento, que ministrou-me Johrei (foto abaixo). Colocamos o papo em dia e passou rapidinho.



A viagem de volta foi tranquila e cheguei em casa por volta de meia noite. Cansado, mas revigorado. E feliz.

Aliás, foi engraçado no ônibus: juntaram-se rubro-negros e tricolores para acompanhar o jogo do Fluminense contra o Cruzeiro. Ri muito.

Amanhã colocarei fotos do Solo Sagrado. Mas digo que a gratidão e a emoção foram muito grandes. Inesquecível.

Saudação de Kyoshu-Sama

O domingo, como já imaginava, foi de emoções muito intensas. Tenho muito o que relatar.

Começo com as saudações de Reverendíssimo Watanabe e de nosso Líder Espiritual, Kyoshu-Sama.



Este é apenas um trecho, porque ainda não tinha me entendido com a câmera de meu celular.

Abaixo, a saudação na íntegra de Kyoshu-Sama, dividida em duas partes. O vídeo não está muito legal mas o áudio - que é o que importa - está perfeito.

Primeira parte:



Segunda parte:



Daqui a pouco tem mais.

domingo, 1 de novembro de 2009

Fórmula 1, final de temporada


Eis que a Fórmula 1 na manhã de hoje encerra mais uma temporada, a sexagésima de sua história. O circuito de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes (foto), recebe a última prova do calendário.

Vamos relembrar hoje algumas provas finais de campeonato:

1) Japão, 1976. Decisão de título com a conquista de James Hunt.




2) EUA-Oeste 1981: a consagração de Nélson Piquet. Atentem para a narração de Luciano do Valle.



3) África do Sul 1983: o bicampeonato de Piquet



4) Austrália 1989: o show de Satoru Nakajima



5) Austrália 1990: GP 500 da Fórmula 1 e vitória de almanaque de Piquet:



6) Austrália 91: Senna em prova tumultuada, despedida de Piquet



7) Brasil 2006: vitória de Massa e despedida de Schumacher.



Ano que vem serão 30 anos acompanhando a Fórmula 1.

sábado, 31 de outubro de 2009

É dia de festa !


02 de novembro, em muitas tradições religiosas - especialmente a religião cristã - é um dia de contrição e tristeza. Dia de lembrar os entes queridos que se foram.

Para nós messiânicos, ao contrário, é dia de festa. É dia de cultuar os nosso antepassados, lembrar-lhes, fazer-lhes as devidas reverências e recebê-los em nossos lares limpos, asseados e com flores e música.

Todo ano, no Solo Sagrado do Brasil - nosso principal templo, como mostrei aqui - e nas igrejas de todo o país há a Prece às Almas dos Antepassados.

É dia de colocar a melhor roupa, limpar a casa, lembrar de nossos bons momentos e expressar gratidão a todos os que nos antecederam e abriram caminho para a nossa existência. Agora eles estão em outro plano, outra dimensão, mas sempre empenhados no Plano Divino.

Este ano de 2009 é ainda mais especial. Receberemos no Culto no Solo Sagrado o nosso quarto Líder Espiritual, Kyoshu Sama, neto do nosso Fundador. Mal comparando, seria como se recebêssmos o Papa, mas o Papa neto de Jesus Cristo.

Há onze anos estive na visita de nossa terceira Líder, filha do Fundador, no Solo Sagrado. É uma experiência e uma emoção indescritíveis. Ainda tenho vivas na memória as sensações daquele dia de outubro de 1998.

Amanhã estarei novamente. É uma grande permissão.

Meu recado, para todos os meus 27 leitores, independente de crença, é o seguinte: dois de novembro é um dia de festa. Nosso entes queridos querem nos ver alegres, e assim o ficam se estivermos.

(Foto: Mokiti Okada, nosso Fundador)

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Final de Semana - B B King

Há um estilo de música do qual eu conheço muito pouco, mas gosto muito: blues. Passei a conhecer um pouco mais com o meu sogro, que gosta muito deste tipo de canção.

Faço esta introdução para dizer que neste início de feriadão, nada melhor que um bom blues para encarar a estrada. E nada melhor que o rei do blues, B.B. King.

A canção é "Everyday I have a blues", que podemos traduzir de forma literal por "todo dia eu tenho blues".

Coloco abaixo a letra em inglês, curta e que tem como sentido básico que "mesmo com todos os problemas, todas as preocupações, mesmo quando ninguém me ama, eu tenho o blues". Não deixa de ser uma profissão de fé.

"Everyday, everyday I have the blues
Ooh everyday, everyday I have the blues
When you see me worryin' baby, yeah it's you I hate to lose

When nobody loves me, nobody seems to care
When nobody loves me, nobody seems to care
Well worries and trouble darling, babe you know I've had my share

Everyday, everyday, everyday, everyday
Everyday, everyday I have the blues
When you see me worryin' baby, yeah it's you I hate to lose

When nobody loves me, nobody seems to care
When nobody loves me, nobody seems to care
Well worries and trouble darling, babe you know I've had my share"

Você pode ouvir a canção, em versão ao vivo, no vídeo abaixo.



Ao contrário de outros feriados prolongados, não irei a Praia Seca desta vez. Estarei em São Paulo domingo, mas retorno à noite. O blog será atualizado normalmente nos três dias.

Crônica: Encontro Marcado

"Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio de Janeiro. Sexta feira à tarde. Trânsito engarrafado, como de hábito, em direção ao Túnel Rebouças.

Carlos estava pensativo em seu carro popular, embora bem equipado. Parado no trânsito, lembrava-se do caminho que percorrera até ali. Fora casado e trocado por um famoso jogador de futebol, advindo o divórcio daí. Beirando os trinta anos, possuía um bom padrão de vida e uma filhinha.

Imaginava quão rotineira havia sido a sua vida nos últimos tempos. O trabalho em uma empresa transnacional, os cuidados com a filha, a religião. Pouco sobrava para a leitura e a música, suas paixões. Coração, o que é isso ?

Imerso em suas divagações e imerso em um mar de carros, Carlos repara em uma jovem moça, dentro de um carro francês preto. Jovem, branquinha, cabelos negros e óculos de grau, aparentemente bem vestida, vidro semi-aberto e falando ao celular. Bela moça, pensa ele.

Nosso amigo desvia o olhar para trocar a faixa do CD e, quando volta a subir os olhos por trás das lentes também míopes, percebe a moça acenando para ele:

 - Você viu ?
 - Não, o quê ?
 - Roubaram o meu celular enquanto estava falando ! Esta cidade não tem jeito !
 - Podia ser pior, pelo menos você está bem.
 - Eu estava falando, veio o garoto e arrancou de minhas mãos - disse enquanto enxugava as lágrimas.

Nosso personagem imediatamente pensou que ela havia dado bobeira em deixar os vidros abertos, mas o trânsito andou um pouco e ele nada disse.

Poucos metros à frente, pararam os dois carros lado a lado. Ele pergunta:

 - Está tudo bem ?
 - Sim, está. Obrigado por ter se preocupado.

Os carros andam, entram no túnel. Nosso amigo ficou pensando em quão bela era a moça.

Mais tarde, no sinal que dá acesso à Rua Mariz e Barros, na Tijuca, Carlos olha para o lado e quem ele vê ? O Peugeot preto. Ele buzina, abaixa o vidro e o diálogo é rápido:

 - Olha quem está me seguindo ! - e abre um sorriso.
 - Está indo para onde ?
 - Tijuca.
 - Eu também !

E, para surpresa dele...

 - Roubaram o meu número, mas grita o seu. Antes que o sinal abra...
 - Ok. 9...

O sinal abriu e os dois carros seguiram a mesma direção. Carlos entrou antes na rua em que morava. A moça seguiu pela Mariz e Barros em direção à Praça Saenz Peña.

***

Domingo, final da tarde. Carlos já havia deixado a filha na casa da avó e estava pegando a cerveja para acompanhar mais uma peleja dominical quando o telefone toca:

 - Alô ?
 - Por um acaso, é o moço do sinal de trânsito, na sexta feira ?
 - Sim, ele mesmo.
 - Pois eu sou a menina do Peugeot. Muito prazer, Gabriela.
 - Carlos, prazer.

O papo seguiu e combinaram de se encontrar em um shopping das proximidades ainda naquele final de domingo. Ao chegar no shopping e encontrar uma vaga, ao manobrar coincidentemente o carro dela estacionava na vaga ao lado.

Conversaram bastante naquele início de noite. Descobriram que trabalhavam com diferença de apenas quatro andares em um único prédio, que compartilhavam a mesma profissão e religião, bem como a paixão pela leitura. Ela era mais nova que ele, entretanto.

Despediram-se e, no dia seguinte, ele telefonou-lhe chamando-a para almoçar. Sem que combinassem, ele apareceu com um grande bouquet de rosas vermelhas e ela, com um livro. No final daquele almoço, o primeiro beijo.

Algum tempo depois, a primeira noite. Para surpresa dele, para Gabriela era a primeira noite de sua história.

Seis meses depois estavam morando juntos e, dois anos, nascia a pequenina Luisa.

Uma linda história de amor, com um lindo final feliz.

Precisamos de mais finais felizes em nossas histórias."

Cinecasulofilia

Sexta feira, véspera de feriadão, assuntos leves depois de uma semana extremamente desgastante.

Como de hábito, iniciamos com nossa coluna sobre cinema, parceria com o excelente blog Cinecasulofilia, do cineasta e crítico Marcelo Ikeda. Vale a pena uma visita.

Vamos ao texto de hoje:

Os contracampos de Não Amarás

"Um dos recursos mais típicos do cinema é o contracampo. Diria que é o típico recurso que faz do cinema uma linguagem autônoma, isto é, um recurso específico do cinematográfico. O contracampo é um recurso técnico do olhar. Plano A (campo), alguém olha. Corta. Plano B, o objeto do olhar de quem olha (o contracampo).

De recurso técnico que afirma uma gramática, o contracampo pode ser pensado como instrumento de autonomia não só do cinema mas essencialmente do espectador. No exemplo citado, o plano B funciona como ponto de vista não só do personagem mas também do espectador, que olha com a personagem. Espectador e personagem se fundem, como parte de um processo de identificação, que se associa com o olhar. Além disso, o plano B é um plano do outro: o contracampo é o que permite que quem olha veja o mundo, ou seja, é o que projeta o desejo de quem olha para fora de si, é o seu contato com o mundo e com o outro. A integração entre o campo e o contracampo é a possibilidade de contágio entre o eu e o mundo.

Acredito que nenhum filme tratou de forma tão humana o contracampo como Não Amarás, de Kieslowski. É um filme sobre um adolescente que olha a mulher de seus sonhos pela janela de seu quarto. Parece Janela Indiscreta. Mas se Hitchcock pensava o contracampo (o olhar) como uma epistemologia, para Kieslowski o contracampo é uma ontologia. Ora, quando olhamos, vemos o outro; portanto, somos livres. Mas essa liberdade muitas vezes dói. A intenção de Kieslowski é apontar para a inevitável dor dessa liberdade que ainda assim deve ser buscada.

Não Amarás ainda revela um outro contracampo, desta vez referente à própria estrutura narrativa do filme. Há uma quebra narrativa que divide o filme em duas metades: na primeira, o menino olha para a mulher; na segunda, a mulher que é observada pelo menino passa a observá-lo. O “contracampo” se torna “campo”, e vice-versa. Quando, através de uma circunstância do destino, essa mulher muda de posição, ela passa a perceber as coisas de uma outra maneira: ora, quando vemos o outro, vemo-lo a partir de nossos próprios olhos, isto é, não deixamos de ver segundo nós mesmos. Vendo o outro, estamos vendo nosso próprio eu. Campo e contracampo se tornam uma coisa só. Claro, pois o plano B só faz sentido se antes há um plano A, já que, por meio da montagem, o espectador faz a associação entre o sujeito e o objeto do olhar.

Esse conceito tem a sua síntese numa espécie de clímax narrativo: a mulher vai até o apartamento do menino e olha pela janela, assim como ele o fazia anteriormente (na verdade é um pouco mais complicado do que isso, pois o menino olha através de uma luneta, isto é, a partir de uma lente, o que nos remete à própria natureza do processo cinematográfico de captura de uma imagem, e Kieslowski trabalha esse fato apontando para uma mediação ou uma perversão do menino de espiar uma vida outra mas não vou entrar nisso aqui). Ela não olha para ele do apartamento dela, invertendo (ou retribuindo) esse olhar. Agora, ela olha pela lente dele, ela passa a ser o próprio olhar desse menino.

O amor (o filme se chama na verdade “uma pequena história sobre o amor”) na verdade é isso: não apenas uma retribuição do olhar, mas a possibilidade de olhar junto. Amor que pode ser pensado também como o amor de um diretor por um filme, ou mesmo de um espectador por um filme. Quando a mulher olha da janela do quarto do menino para o apartamento dela, pelos recursos do campo-contracampo, também nós os espectadores olhamos junto com a mulher.

Nesse último contracampo, vemos uma imagem não-realista. Vemos uma cena que de fato não está acontecendo, mas é simplesmente a projeção de um desejo dessa mulher: a de ter alguém que a abrace. Ou seja, uma projeção, um desejo, uma esperança, um sonho.

É somente nesse ato de conjunção final – a possibilidade não só de “retribuir o olhar” mas de “olhar junto” – que o sonho se revela possível. Em Não Amarás, o contracampo sinaliza a vitória da imaginação contra o mundo, é sinal de esperança por uma liberdade possível.
"