quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Aumento do Salário Mínimo

Amanhã, dia primeiro, estará em vigor o novo salário mínimo federal. Ele passa de R$ 465 para R$ 510 como novo piso nacional. A expectativa é de que haja uma injeção de recursos na economia da ordem de R$ 26,6 bilhões.

A recomposição do valor real do salário mínimo foi uma das principais bandeiras de campanha do atual Presidente Luis Inácio da Silva.

Este valia US$ 57 (R$ 200) no dia 31 de dezembro de 2002, último dia do governo anterior. Com o reajuste de amanhã, pelo câmbio do dia 28 último o valor em dólares é hoje de US$ 293.

Tomando-se o seu valor em dólares, é um aumento de 414%. Não podemos falar que esta percentagem é, toda, aumento real devido à volatilidade da taxa de câmbio. O real apreciou-se significativamente perante o dólar neste período.

Mesmo aplicando-se a taxa de 31/12/2002 ao salário atual - exercício puramente estatístico, que se ressalte - ainda resulta uma evolução maior que 100%.

Olhando-se rapidamente estes dados, pode-se afirmar que boa parte da política de distribuição de renda desenvolvida pelo Governo Lula vem dos aumentos reais do salário mínimo. Seu efeito é muito maior que o empreendido por programas como o "Bolsa-Família", principalmente porque boa parte dos benefícios da Previdência Social é paga a partir do piso nacional.

A partir desta política de elevações reais do poder de compra do piso nacional, mais programas de transferência de renda e expansão de emprego, formou-se algo que é o "sonho dourado" dos economistas de minha geração: a formação de um mercado interno sustentável e que sirva de motor da economia brasileira.

A boa resposta dada pela nossa economia à crise mundial advém justamente deste fenômeno: o mercado interno formado a partir de políticas de promoção de emprego e renda compensou a queda da demanda externa pelos nossos produtos. Contribuiu, também, a boa resposta em termos de confiança dada pela população brasileira, que manteve o consumo das famílias em níveis aquecidos.

E, para encerrar, desmontaremos um sofisma: ao contrário do que afirmam a Globo e o PSDB, aumento de salário mínimo não causa inflação. Elevação de salário estimula o investimento na outra ponta, aumentando a capacidade produtiva da economia e gerando emprego e renda.

P.S. - Recomendo a leitura do excelente artigo do jornalista Rodrigo Vianna sobre o tema. Indispensável.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Retrospectiva 2009 - Ouro de Tolo



Um fato marcante de 2009 para mim, sem dúvida alguma, foi o surgimento deste blog.

Originalmente ele foi pensado em cima de um tripé: reflexões, opinião e literatura. Hoje vejo que ele ganhou vida própria, mas sem dúvida alguma ele reflete o que eu sou: multifacetado, irônico, com opiniões fortes e muitas vezes mal-humorados.

Por outro lado, ele é uma grande "descompressão" para mim. Tenho uma vida pessoal que nem de longe pode ser considerada ruim, mas que em muitos momentos é terrivelmente chata. Isso me mortifica...

No momento em que escrevo, o blog teve desde 19 de maio (data em que instalei o contador) um pouco menos de 18 mil acessos. Aproximadamente 35 mil pageloads e 562 posts, já contando com este. Hoje o Ouro de Tolo conta com 42 seguidores.

Os comentaristas do blog se notabilizaram pela educação, bom senso e inteligência. Posso contar nos dedos de uma das mãos os comentários que fui obrigado a apagar.

Talvez gostaria de ter escrito mais poesias e crônicas. Mas são textos que demandam uma maior elaboração, nem sempre consigo tempo para tal.

Neste curto tempo de vida o blog teve alguns bons momentos. Cito alguns abaixo:

1) Os "furos" rubro-negros

Aqui vimos em primeira mão a íntegra do contrato com Petkovic e a nova camisa do clube.

2) A série sobre o pré sal

Os textos didáticos sobre o pré-sal e o novo marco regulatório também fizeram sucesso, inclusive se tornando fonte de consulta especializada. Ultimamamente ando evitando escrever sobre petróleo, mas vale a pena a leitura. Pelo menos o retorno dos leitores indica isso...

3) Cerveja

Os posts sobre o tema refletiram claramente o ganho de conhecimento sobre o assunto que desfrutei este ano.

4) Textos de Colunistas

História, gastronomia, curling, cinema, viagens... sempre bons textos de leitores e colaboradores.


Foram 26 textos, englobando 27 livros. Um bom painel literário, a meu ver, porque li um pouco de tudo este ano. Resenho aqui todos os livros que leio.


Foi uma das únicas colunas iniciais do blog a se manterem como pensadas originalmente. Também obteve bastante repercussão nos meios especializados.


Onde o Migão era mais Migão...

Obviamente, estes pontos destacados não esgotam os temas do blog, que ainda foi muito profícuo em artigos sobre política, sobre a vergonha que é nosso Judiciário e a imprensa.

Fecho este post  - que não será o último de 2009 - agradecendo aos leitores, comentaristas e colunistas. Sem vocês, nada disso teria sido possível.

Resenha Literária - Arthur Muhlenberg

Hoje a nossa Resenha Literária é um pouquinho diferente. Dois livros juntos, do mesmo autor, lidos em sequência e que, de certa forma, se sequenciam.

Os dois exemplares são uma coletânea dos artigos escritos pelo autor, publicitário, em sua coluna no Globoesporte.com - ele é o blogueiro oficial do Flamengo na página. Alguns textos sofreram correções, segundo o próprio autor, mas em essência mantém o mesmo espírito galhofeiro de sua publicação original.

"Manual do Rubro Negrismo Racional" consiste de crônicas escritas entre meados de 2007 e a decisão do Campeonato Estadual de 2009. É um bom arquétipo do rubro-negro, para quem a maior vitória é simplesmente magna e espetacular, e a maior derrota siginifica o cataclisma final dos tempos.

Simplesmente brilhante é a classe e a fleuma irônica com que o articulista debocha dos clubes rivais do "Mais Querido". Somente por este aspecto os livros valeriam a pena. Ironia esta também utilizada contra a diretoria, em especial no primeiro livro.

"Hexagerado" conta, rodada a rodada, a saga que levou o Flamengo ao sexto títilo de campeão brasileiro.

O exemplar possui um grande mérito, que é o de registrar com absoluta fidelidade a montanha russa de emoções vividas por nós torcedores no andamento da competição.

Desde o início claudicante, a má fase de meados do campeonato - quando a zona de rebaixamento parecia mais próxima que o campeonato - até a brilhante arrancada final, está tudo lá. Com direito a brilhantes definições dos adversários:

"Mesmo com Celso Roth no comando e seu pestalozziano elenco, o atletiquinho ocupa a liderança por méritos próprios. Ao contrário de sua psicopata torcida o time mineiro parece ter pleno conhecimento de suas limitações e trata de aproveitar o momento antes de tomarem o inevitável caminho rumo ao Jockey Clube de Assunción, destino final de nove entre dez ocupantes da liderança na primeira metade do Brasileirão. E dizemos isso sem o menor traço de despeito, falamos por experiência própria." (pp.40, antes do jogo do primeiro turno. Profético)

Curioso é que ele em determinada altura do campeonato passa a fazer exatamente a conta que eu fazia: quantos pontos faltavam para escapar do rebaixamento.

Sem dúvida alguma, escrito no calor das horas, é indispensável para se entender a nossa campanha vitoriosa de 2009.

Aliás, confesso que gostei muito mais dos textos agora, com um certo distanciamento, do que na época. Acho que é efeito da emoção maior ou menor, porque as crônicas são muito boas.

Na Livraria da Travessa os dois livros encontram-se disponíveis para compra via internet. Os dois exemplares, juntos, custam R$ 43. Um preço bastante módico para a qualidade apresentada. Vale muito a pena.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Retrospectiva 2009 - Carnaval e Futebol


Final de ano, época de dar uma revisitada no que nos ocorreu no ano em que se finda.

Não vou falar muito sobre 2009 em termos pessoais porque, categoricamente, não há propriamente o que se dizer de relevante. Diria que o primeiro semestre foi razoável e o segundo ruim, em especial nos campos profissional e financeiro.

Pelo menos, no momento em que escrevo, existe chance de mudança no campo profissional.

Vida pessoal na mesma e vida social praticamente nula - dois ou três encontros com amigos, o show da Maria Bethânia e só. E festinhas infantis como nunca - calculo que tenha ido a cerca de trinta somente este ano.

Também foi um ano de muita proteção espiritual, com a Força Divina me conduzindo em momentos difíceis e de perigo. Missionariamente poderia ser melhor, mas foi razoável.

Feito este preâmbulo, vamos falar das coisas que além das minhas filhas me deram mais alegrias este ano: carnaval e futebol.



Depois de três carnavais me dividindo entre a Região dos Lagos, e a Sapucaí, em 2009 pude estar os quatro dias no templo sagrado do samba.

Primeiro dia (acima e abaixo), assisti ao Grupo de Acesso A e desfilei pela União da Ilha, dando uma modesta contribuição à escola insulana em sua volta ao Olimpo das escolas de samba. Por outro lado, a Santa Cruz me fez sonhar...



Domingo apenas assisti, depois de cinco anos sem ver ao vivo o Grupo Especial. Na segunda, o ponto alto: após três carnavais ausente a volta à Portela (foto ao alto). E logo com um terceiro lugar, a melhor colocação na escola nos últimos quinze anos.

Pela primeira vez pude desiflar no Sábado das Campeãs.



Fechando com grande estilo, dois desfiles no Grupo de Acesso B, o melhor dia do carnaval na Sapucaí: como "Diretor de Harmonia" na União de Jacarepaguá (acima) e na diretoria do Boi da Ilha do Governador (abaixo). O resultado de Jacarepaguá foi muito bom, o do Boi da Ilha nem tanto. Mas dois momentos bastante agradáveis.

Sem dúvida alguma, junto com 2004 foi o melhor carnaval da minha vida.



Em termos futebolísticos, 2009 terminou de uma forma que nem nos mais delirantes sonhos se poderia fazer: o Flamengo fazendo pela primeira vez em sua história a "dobradinha", ganhando o Estadual e, após longo jejum, o Brasileirão.



Ressalte-se que a conquista do Estadual deu ao clube a hegemonia definitiva em termos regionais, além de ser um tricampeonato. Estava lá, embora não tenha registro - meu celular à época não tinha câmera.



Aliás, fui pé-quente este ano: fui no jogo do tricampeonato, no jogo que iniciou a arrancada ao hexa e na catarse final.



Sem dúvida alguma, um ano feliz em termos esportivos. Sem contar a conquista das Olimpíadas de 2016 pela Cidade Maravilhosa, também um fato marcante deste ano.

Por outro lado, tem algo errado quando as maiores alegrias que temos em um ano são as originadas pelo carnaval e pelo futebol. Contudo acredito que 2010 seja um ano melhor.

Assim espero.


Resenha Literária - "As Atribulações de Uma Caixa de Supermercado"

Mais uma resenha, final de ano com bastante leitura.

Nossa resenha de hoje é um livro curtinho, mas sem dúvida alguma bastante atraente: "As Atribulações de uma Caixa de Supermercado", da francesa Anna Sam.

O mote do livro é simples: estudante francesa de Literatura precisa trabalhar como caixa de supermercado para pagar os seus estudos. Então resolve dividir suas experiências e suas reflexões com o grande público.

O livro surgiu de um blog escrito pela autora, onde ela conta a sua rotina enquanto caixa de mercado. O sucesso foi tal que propiciou a publicação do livro.

No livro a autora conta os diverssos tipos de clientes e mostra que mesmo um trabalho tido como "mecânico" tem as suas particularidades e tem ensinamentos a oferecer.

Um dos pontos mais importantes é quando a autora ressalta a falta de educação e mesmo a arrogância de muitos dos clientes do supermercado onde ela trabalhava. De seu lugar no caixa ela via o quanto os clientes são, muitas vezes, indiferentes á sua função.

As histórias são bem divertidas. Ítens embaraçosos, cupons de descontos, clientes de abertura e fechamento, a busca pela cadeira de trabalho e compras de Natal perfazem um mosaico bastante fiel da vida cotidiana.

Sem dúvida alguma, faz pensar e refletir. Recomendo.

Na Saraiva custa R$ 35. Leitura fácil, passa rápido e convida a uma reflexão.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Resenha Literária - "Meu Maior Prazer"

Semana curta, correria que se avizinha - estou em transição para uma nova área da companhia - mas temos mais um texto de nossa série "Resenha Literária".

O livro alvo deste post é "Meu Maior Prazer", de autoria de Carlos Eduardo Mansur e Luciano Ribeiro. Consiste de entrevistas com próceres rubro-negros, divididos entre jogadores, ex-jogadores, ex-técnicos e alguns torcedores famosos do "Mais Querido".

Antes que perguntem, não há dirigentes entre os entrevistados. A única exceção é a ex-assessora de imprensa Marilene Dabus, mas o foco de seu relato está mais concentrado em seus tempos de repórter - foi a primeira mulher em um meio predominantemente masculino.

Entre os 32 representantes da nação rubro-negra entrevistados, há algumas revelações saborosas de bastidores do clube. Também há um grande acerto na escolha de dois dos heróis do hexa, o técnico Andrade e Ronaldo Angelim, o Rondinelli versão 2009. Lembro que o livro foi impresso antes da conquista do campeonato brasileiro pelo clube carioca.

Algumas revelações merecem ser comentadas aqui:

- Zico dizendo que, tecnicamente, o time de 1987 era melhor que o de 1981 (particularmente discordo, mas se é Ele quem está dizendo...)

- Renato Gaúcho dizendo que Zico intercedia em questões táticas do time de 1987;

- O mesmo Renato dizendo que um dia será técnico do clube (medo), porque "treinar o Flamengo é como treinar a seleção".

- Leandro discordando de Zico sobre a comparação 81/87 e contando que não foi emprestado ao Internacional devido ao exame médico - o "doutor" vaticinou que ele não teria mais dois anos de futebol;

- Bebeto contando a história de sua saída para o Vasco em 1989;

- Virna, do vôlei, dizendo que o Vasco era superior na final de 2000 - mas vencemos;

- Pet afirmando que não jogaria a final de 2001 por questões salariais (já pensaram?)

- Washington Rodrigues contando histórias inacreditáveis de sua passagem como técnico/animador do Flamengo;

- Juan (hoje na Roma) explicando porque a estrutura pesa tanto em campeonatos longos;

- A filosofia de Joel "Tosco" Santana: "podia jogar feio, podia jogar mal..."

- O cineasta José Padilha, neto de presidente do clube, explicando que em seus filmes bandido não pode usar a camisa do clube;

- Do mesmo cineasta: "mas que existe bandido com a camisa do Flamengo, isso tem, basta entrar na diretoria que você vai ver."

- O goleiro Bruno contando a decisão por pênaltis do pentatri;

- Oscar Schimidt afirmando que poderia ter dado mais ao clube se chegassse mais cedo;

E muitas outras afirmações. Indispensável para quem gosta de futebol.

Sozinho, o livro só pode ser encontrado para compra no site da editora, mas livrarias como a Saraiva vendem um kit com outros dois livros que, particularmente, recomendo. Até porque o preço é acessível - R$ 33.

Levando-se em conta a parca bibliografia sobre o clube, é sem dúvida alguma livro obrigatório. Os autores tem grande mérito em extrair declarações significativas de seus alvos, saindo daquele "rame-rame" típico de lugares comuns obrigatório em entrevistas deste tipo.

Sem dúvida alguma, boa leitura para este feriado prolongado de Ano Novo.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Viajando...


Último domingo do ano, período de férias se aproximando, vamos falar um pouco de viagens.

Publico aqui texto da amiga e agente de viagens Adriana Martins (Drica Viagens - dricaviagens@gmail.com), que inicia uma série de posts sobre turismo, com dicas de programas e lugares especiais. A idéia é trazer uma série de opções para o leitor que quiser dar uma relaxada, saindo de seu dia a dia estressante.

Nosso passeio se inicia por Mallorca, ilha localizada na Espanha e que possui diversos atrativos ao visitante.

Vamos ao texto:

"Fui convidada pelo Pedro Migão para falar sobre turismo, mas vou começar escrevendo sobre uma das melhores experiências que já tive.

Ainda na faculdade, fui convidada a fazer um curso de 15 dias na Espanha, em Mallorca, uma simpática ilha; também conhecida como a "Pérola do Mediterrâneo". Era fevereiro, ainda inverno na Europa, porém a ilha era o paraíso para alemães fugindo da neve. Ficamos em um hotel fora da cidade de Palma, capital da Ilha, mas muito próximo, aliás como tudo lá.

Não era propriamente uma viagem de lazer, mas como as aulas eram apenas de segunda a sexta na parte da manhã, tínhamos tempo livre nos finais de semana e a noite para dar umas voltas pra conhecer a ilha.

Viajei com uma amiga da faculdade, que depois se tornou minha melhor amiga de infância, a Ana Valéria (Val); mas lá no hotel conhecemos mais três pessoas (1 rapaz e 2 moças), cujos nomes infelizmente não me lembro, mas preciso cita-los pois eles nos acompanharam nessa aventura em busca do desconhecido.

Durante as tardes e noites aproveitávamos para conhecer alguns pontos turísticos em Palma, e nas redondezas e tbm restaurantes próximos ao hotel, com comidas típicas, outros nem tanto.
 

As vezes seguíamos pela praia e nos deparávamos com várias lojas vendendo as famosas pérolas cultivadas na Ilha, umas verdadeiras jóias, outras bijuterias com certificado de autenticidade (comprei vários conjuntos de colar e brinco para presentear minha irmã e amigas). Nessas caminhadas, muitas vezes comiamos em um restaurantezinho simpático com uma pasta honesta, de um italiano radicado em Mallorca que amava o Rio. Ficávamos horas conversando com ele, eu no meu espanhol sofrível e ele tentando um português igualmente ruim. Dois anos depois soube através do Jornal Nacional que o restaurante dele havia pegado fogo, resultado da explosão de um botijão de gás. Fiquei muito triste.

Já tínhamos conhecido o Centro Histórico de Palma, com seu mais emblemático símbolo, a Catedral – La Seu, como é chamada por lá – que terminou de ser construída em 1601. A edificação emerge de muralhas centenárias que cercam o parte da parte histórica. E com seu baldaquino restaurado por Gaudí entre 1904 e 1914. Alem da Catedral, o centro histórico possui varias ruelas, com lojas de produtos típicos, e restaurantes pequenos e bastante simpáticos. Sempre que comiamos em algum desses restaurantes pedíamos o vinho da casa, afinal estávamos na Espanha...

El Pueblo Español é um dos locais a não perder em Palma de Mallorca. Com a reconstrução de cerca de 100 monumentos e prédios mais conhecido na Espanha. Este recurso, que foi construído entre 1965 e 1967 pelo renomado arquiteto Fernando Chueca Goitia, é como uma viagem cultural através da Espanha e nos permite viajar sem sair de Mallorca. No Pueblo Español  você pode desfrutar de demonstrações de costumes, pessoas de diferentes cidades da Espanha, e outras manifestações, como artesanato e culinária típica, que são as principais atrações. Monumentos típicos, bares e restaurantes em cada região também podem ser visitados lá. Passeie pelas ruas e praças, Sevilha, Granada, Toledo ...

No nosso primeiro final de semana livre, a Universidad de Baleares em convenio com a operadora de turismo ofereceu aos alunos um carro alugado por grupo de no mínimo 4 pessoas, como eu e a Val já tínhamos feito amizade mais proxima com as outras três pessoas citadas acima, nos juntamos para explorarmos a Ilha. Com um mapa na mão fizemos um roteiro de um dia inteiro onde foi o suficiente para conhecermos grande parte litorânea da Ilha.

Como esta viagem aconteceu há quase 12 anos, não me recordo de detalhes mais precisos, mas posso ressaltar alguns pontos turísticos que conhecemos e que são realmente imperdíveis.

Banyalbufar – Grande patrimônio natural, o contraste entre a montanha e o mar.
 

Valdemossa – pitoresco e pequeno “Pueblo”, está sobre as colinas ao norte de Palma.
 

Fornalutx – onde minha memória me remete ao primeiro cordeiro que comi na vida. Feito a moda mediterrânea, confesso que não gostei muito, mas foi uma experiência bastante diferente.
 

E por ultimo conhecemos o “El Cap de Formentor”, uma península a noroeste da Ilha. Uma das vistas mais bonitas que já vi na vida.

Até a próxima !"



sábado, 26 de dezembro de 2009

Sobretudo

Sábado, é dia da nossa coluna "Sobretudo", assinada pelo publicitário e rubro-negro Affonso Romero.

Hoje ele faz uma resenha da biografia de Wilson Simonal e do DVD "Ninguém Sabe o Duro Que Dei". Tenho o livro, está na minha longa lista de prioridades ainda não lidas...

Passemos ao texto, sem maiores delongas.

"Ninguém sabe a dura que deram nele...

Combinei com nosso amigo Pedro Migão que eu faria uma resenha do livro “Nem Vem Que Não Tem – A Vida e o Veneno de Wilson Simonal” assim que terminasse a leitura da biografia do cantor. Por sorte, eu sou um relaxado e deixo tudo para o final do prazo. Então, deu tempo de ver em DVD o documentário “Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei”, que andou arrancando aplausos (literalmente) em sessões abertas e festivais.

Tecnicamente, tanto o livro quanto o filme cumprem bem o seu dever, são bem realizados, mas não inovam na linguagem, nem brilham a ponto de ofuscarem sua principal estrela: Wilson Simonal. E nem precisam de nenhum artifício estético: impressionam pelo conteúdo, pela história quase inacreditável que têm para mostrar, pelo extraordinário personagem sobre o qual nos vêm contar (quase) tudo.

Ainda que você pense que conhece a história, Wilson Simonal de Castro será sempre uma surpreendente fonte de contradições e novidades. Dono de uma voz única e de uma bossa incomparável, Simonal foi, na década de 1960, um dos maiores cantores do Brasil, tanto na opinião da crítica quanto em apelo popular. Numa época em que os artistas se apresentavam em boates, clubes e teatros, foi o primeiro cantor brasileiro a dominar multidões em ginásios.

E esta é a primeira grande surpresa para a parte da platéia (ou de leitores) que não conhecem Simonal. Como pode um cantor de tamanho sucesso desaparecer da História da música? Neste ponto, o DVD é superior ao livro. O sucesso de Simonal não é contado, mas mostrado em cenas raras bem pesquisadas pelos documentaristas. Está tudo lá, é tudo verdade.

Eu cresci numa casa onde havia discos do Simonal. Aquele cantor me ficou nos ouvidos mesmo depois que seus discos já não eram encontrados nas lojas. Ainda assim, eu tinha dúvidas se sua presença indefectível na mídia de antigamente seria alguma confusão de minhas reminiscências infantis. Explico: a partir de 1971, quando eu tinha 5 anos, Simonal foi sumindo, sumindo, sumindo da mídia, até “morrer” para o grande público.

Eu guardava lá no fundo da memória os ecos de um boato que eu não compreendia naquela época. Guardava o impacto da morte de Erlon Chaves, o maestro que eu via sempre no Programa Flávio Cavalcanti, que enfartou numa rua do bairro do Flamengo defendendo o amigo Simona, que era acusado de dedo-duro. Imaginem a pouca ou nenhuma lógica que aquilo fazia na cabeça de uma criança.

Cresci ouvindo os LPs antigos do Simonal, conhecendo mil versões para seu sumiço, nada de convincente.

Livro e DVD têm o mérito de revelar que o Simonal era o Simonal do qual me lembrava vagamente, e que os discos antigos guardavam intacto. Não são pretensiosos, não dão uma versão definitiva para o mistério. Apontam caminhos, buscam um quadro menos baseado em fofocas e mais atento às contradições do caso policial que envolveu o cantor num redemoinho que o arrastou para o fundo do poço.

O livro tem a oportunidade de ser mais detalhado. Trata-se de uma boa pesquisa. O filme mostra, pela primeira vez, a versão do contador que foi o pivô do evento que deflagrou a derrubada do mito Simonal.

Ao longo da leitura, eu me indignei, me emocionei, cheguei a chorar algumas vezes, questionei comigo mesmo a fragilidade do sucesso e da fama, a estrutura da sociedade brasileira, refleti sobre temas como violência, prepotência, poder, intransigência, racismo. mídia, liberdade, radicalismo e muitos outros. Raras são as histórias reais capazes de envolver tantos temas e sentimentos. Aliás, uma sensação inevitável é de que a vida de Wilson Simonal parece um folhetim irreal, cujos capítulos estão mal amarrados pelo autor. É chocante quando nos damos conta,  página após página, que foi tudo real.

O DVD concentra o impacto inteiro na passagem entre suas duas partes: o sucesso e o declínio. Trabalha o contraste de um Simonal regendo um Maracanãzinho lotado numa cena e, logo em seguida, amargando uma campanha massacrante que destruiu sua carreira.

Um amigo que também leu o livro, também fã do cantor, me disse que o lado chato de certas histórias é já saber o final. É o caso. Então, evito comentar os detalhes sobre o desenrolar da trama, para não tirar sua surpresa também sobre o começo e o meio de livro e filme. Mas não me furto a dividir com o caríssimo leitor minha impressão final sobre ambas as obras.

Antes de mais nada: concordo com Miele quando ele diz que Simonal foi o maior cantor que este País já teve. Seguindo: bom de voz e de molejo, a carreira de Wilson Simonal foi construída sobre a certeza que o cantor tinha sobre este talento, uma segurança capaz de seduzir qualquer público. Ele mesmo se definia como “mascarado”. E, fundamental: a certeza e a “máscara”, em determinado momento, se transformaram em grave arrogância.

Por outro lado: Simonal incomodava muita gente. Seja por inveja do seu talento e posição, seja por motivos pessoais ou políticos. Junte um sujeito arrogante, por um lado; e inimigos poderosos por todos os outros lados; tudo o que era necessário para uma grande explosão é o pavio, porque a bomba já estava armada.

Livro e DVD são generosos ao mostrar possibilidades, versões e opiniões, mas deixarem para o público as conclusões. Ambos merecem sua atenção e suas conclusões.

A minha? Tudo em Simonal era perdoável, mas seus inimigos não podiam perdoar aqueles defeitos e qualidades – principalmente as qualidades – vindas de um homem negro. Numa época de conflitos e radicalização da questão racial no mundo inteiro, num país de pais-joões, o ídolo negro casado com uma loira enrolou-se na própria malandragem e, sob a ótica da elite de então, merecia ser calado. O resto são as versões que, como sempre, tornaram-se maiores que o fato."

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Cinecasulofilia

Hoje é dia de Natal, mas é sexta feira. Então, não pode faltar a nossa coluna sobre cinema, em parceria com o blog Cinecasulofilia.

Nossa crítica hoje é sobre o novo filme do cineasta espanhol Pedro Almodóvar, "Abraços Partidos". Como de hábito, escrita pelo cineasta e crítico Marcelo Ikeda.

Algo sobre abraços partidos

"Vi o novo filme do Almodóvar e confesso que fiquei bem decepcionado com ele. O roteiro se alonga além do necessário, vários cacoetes de estilo, uma 'mise en scene' preguiçosa (o que foi a cena em que o garoto desmaia de overdose?). Há coisas interessantes lá pelo meio do filme mas como um todo achei bem insatisfatório. De qualquer forma, um caminho de continuidade com o que Almodóvar vem trilhando: quebras na narrativa, histórias dentro de histórias, um filme sobre o fabular, um cinema de referências especialmente ao cinema americano dos anos quarenta e cinqüenta. Mas me pareceu que o filme tinha 150 minutos e foi cortado para ter uma duração mais palatável. Por exemplo, a vida pregressa da Penélope Cruz. Parece que as motivações dos personagens ficam todas no ar, a serviço de uma narrativa, mas que não se encaixa como uma proposta orgânica. Não vivemos com os personagens, apenas acompanhamos a narrativa. Isso pode até ser um mérito mas não foi esse o caso, pois as reviravoltas, ao melhor estilo almodovariano, são intensas e grandes e megadramáticas. Enfim, o filme não me convenceu. Quanto ao papel do cineasta e do produtor, achei pura balela. O filme que o diretor tentava fazer é ruim demais. 'Água Viva do Assayas' é muito mais interessante."

Final de Semana - "Blowing in the Wind"



Véspera de Natal, feriado prolongado, mas não poderia me esquecer da música para o nosso final de semana.

Aproveito para desejar um Feliz Natal, e que as pessoas possam ter o ano todo, os doze meses, o espírito de solidariedade que grassa nesta época do ano.

E que o vento traga as respostas pedidas em 2010, como o tema de nossa música hoje: "Blowing in the Wind", de Bob Dylan. Aqui em uma versão diferente, da cantora Joan Baez.

Antes do vídeo, coloco aqui uma tradução aproximada da letra. Possui o sentido todo da reflexão que esta época perpassa.

Boa ceia.

"How many roads must a man walk down before you call him a man?
How many seas must a white dove sail before she sleeps in the sand?
Yes and how many times must the cannon balls fly before they're forever banned?
The answer my friend is blowing in the wind
The answer is blowing in the wind

How many years can a mountain exist before it is washed to the sea?
Yes and how many years can some people exist before they're allowed to be free?
Yes and how many times can a man turn his head pretending that he just didn't see?
The answer my friend is blowing in the wind
The answer is blowing in the wind

Yes and how many times must a man look up before he can see the sky?
Yes and how many ears must one man have before he can hear people cry?
Yes and how many deaths will it take till he knows that too many people have died?
The answer my friend is blowing in the wind
The answer is blowing in the wind"

Tradução:

Soprando ao vento

"Quantas estradas precisará um homem andar 
Antes que possam chamá-lo de um homem? 
Sim e quantos mares precisará uma pomba branca sobrevoar 
Antes que ela possa dormir na praia? 
Sim e quantas vezes precisará balas de canhão voar 
Até serem para sempre abandonadas? 
A resposta meu amigo sopra no vento 
A resposta sopra ao vento

Quantas vezes precisará um homem olhar para cima 
Até poder ver o céu? 
Sim e quantos ouvidos precisará um homem ter 
Até que ele possa ouvir o povo chorar? 
Sim e quantas mortes custará até que ele saiba 
Que gente demais já morreu? 
A resposta meu amigo sopra ao vento 
A resposta sopra ao vento

Quantos anos pode existir uma montanha 
Antes que ela seja lavada pelo mar? 
Sim e quantos anos podem algumas pessoas existir 
Até que sejam permitidas a serem livres? 
Sim e quantas vezes pode um homem virar sua cabeça 
E fingir que ele simplesmente não ver? 
A resposta meu amigo sopra ao vento 
A resposta sopra ao vento"

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Dia de Natal, mas dia do nascimento de Jesus Cristo ?



24 de Dezembro, a ceia já está no forno...

E o Ouro de Tolo, mantendo a tradição de sempre ver o outro lado das coisas, divide com os seus 39 leitores um texto no mínimo polêmico.

Escrito pelo leitor, amigo, vizinho e historiador Fabrício Gomes, apresenta pesquisas que indicam o nascimento de Jesus Cristo como não ocorrido em 25 de dezembro.

Mas não adiantarei o teor das pesquisas. Passemos ao texto, sem maiores delongas.

"FELIZ ANIVERSÁRIO, JESUS... OU FELIZ NATAL?

E vem chegando o Natal...

Mais do que ser o período onde o comércio mais fatura no ano – e, para as crianças, a ansiedade pela chegada de Papai Noel em seu trenó, diretamente da Lapônia, com todos os presentes – é o período sagrado para as religiões cristãs, que representa o nascimento de Jesus Cristo.

Entretanto, devemos desejar um Feliz Natal ou um Feliz Aniversário para Jesus? Em 25 de dezembro comemora-se realmente o júbilo de Cristo?

É questão deveras polêmica, mas vou aqui expressar minha opinião sobre o fato, baseado em pesquisas históricas.

Jesus de Nazaré, Jesus Nazareno ou Jesus da Galiléia teria nascido em Belém com o nome de Yeshua ben(bar)-Yoseph, ou seja, Jesus filho de José.

O nascimento de Jesus é o episódio que aparentemente assinala o início da era cristã. No entanto, devido a um erro de cálculo, cometido no século 6 d.C. pelo monge Dionísio, o Pequeno, as duas datas não coincidem. Sabe-se hoje que Jesus nasceu antes do ano 1 - entre 8 e 6 a.C. Pode-se afirmar isso graças a uma passagem muito precisa do evangelho de Lucas. Segundo ele, o fato aconteceu na época do recenseamento ordenado pelo imperador romano César Augusto. Esse censo, o primeiro realizado na Palestina, tinha por objetivo regularizar a cobrança de impostos. E os historiadores estão de acordo em situá-lo no período que vai de 8 e 6 a.C.

Nesse triênio, o ano mais provável é 7 a.C, já que nele se deu um evento astronômico que poderia explicar uma outra passagem da narrativa evangélica: a "estrela" natalina mencionada por Mateus. Trata-se da conjunção dos planetas Júpiter e Saturno, que produziu no céu um ponto de brilho excepcional. Se o astro de Mateus foi mais do que um enfeite mitológico, ele deve corresponder a tal fenômeno, que certamente impressionou os astrônomos da época. Esses sábios, atraídos a Jerusalém pelo movimento aparente do ponto luminoso, seriam os "magos do Oriente", de que fala o evangelista.

Com o recenseamento de Lucas e a "estrela" de Mateus, conseguimos chegar o mais perto possível do ano do nascimento. Entretanto, o mês e o dia continuam uma incógnita.

Mas cabe um exercício de raciocínio, ante a algumas pesquisas realizadas por historiadores. Vejamos:

Um grande concílio foi realizado pela comunidade cristã no século V de nossa Era, para decidir em que data fixar este polêmico acontecimento. Decidiu-se então fixar no dia 25 de dezembro, ou meia-noite do dia 24. Entretanto esta escolha não foi feita ao acaso.

Os Patriarcas e as superiores autoridades eclesiáticas, esporadicamente se reuniam em concílios para discutir e estabelecer as tradições, dogmas e liturgias a serem seguidas pela teologia cristã, assim como suas doutrinas.

Com o propósito de aproveitar muitas das antigas cerimônias místicas, os Patriarcas da Igreja copiaram dos templos do Egito e das doutrinas e práticas essênias e da Grande Fraternidade Branca, tiveram que inventar certas passagens e princípios relacionados à vida e obra de Jesus e adaptá-los às referidas cerimônias. Se fez necessário então, para consolidar uma nova teologia e firmar algumas novas doutrinas, ignorar e pôr de lado muitos dos fatos que tornariam suas decisões inconsistentes.

O primeiro ponto a ser avaliado seria a contradição existente em um dos pontos do senso comum tradicional do nascimento de Jesus, onde é dito que ao nascer o Menino, estavam os pastores guardando seus rebanhos no campo. Seria muito improvável que os pastores a que a Bíblia se refere, estivessem no campo cuidando de seus rebanhos no inverno. Nesta época do ano, afirmam os que conheciam as condições da Palestina à época, os pastores não ficavam no campo nem de dia nem de noite, e que este incidente foi introduzido à crônica de Seu nascimento, quando era comumente aceita a versão de que Jesus viera ao mundo em abril ou maio.

O que os Patriarcas levaram em conta ao escolherem esta data, foi o conhecimento que através dos séculos precedentes, todos os Grandes Mestres ou Grandes Avatares nascidos de virgens (Jesus não foi o primeiro nem o único) e que eram Filhos de Deus e considerados Salvadores ou Redentores, haviam nascido ou a 25 de dezembro, ou em data próxima.

Na Índia, este período já era comemorado muitos e muitos séculos antes da Era Cristã, na forma de um festival religioso, durante o qual o povo ornamentava suas casas com flores e as pessoas trocavam presentes com amigos e parentes.

Na China, também muitos séculos antes da Era Cristã, era celebrado o Solstício de Inverno, onde no dia 24 ou 25 de dezembro, fechava-se o comércio e tudo o mais. Assim como os antigos persas celebravam esplêndidas cerimônias em homenagem a Mitra, cujo nascimento ocorrera a 25 de dezembro.

Vários deuses egípcios nasceram no dia 25 de dezembro, e, em praticamente todas as histórias religiosas de povos antigos, iremos encontrar celebrações idênticas às referidas. Osíris, filho da santa virgem e deusa Nut, nasceu a 25 de dezembro, assim como os gregos também celebravam, nesta mesma data, o nascimento de Hércules.

Logo, a data de 25 de dezembro vem sendo considerada um dia místico há muito tempo, e por muitos povos diferentes. A esse respeito temos as declarações do Reverendo Gross, autoridade no assunto e autor de diversas obras a esse respeito nas quais afirma que realizava-se em Roma, antes da Era Cristã, no dia 25 de dezembro, uma festa com o nome de Natalis Solis Invicti (Natalício do Invencível Sol). A data era comemorada com espetáculos públicos e com muita alegria, fechando-se o comércio, adiando-se declarações de guerra e execuções, permutando presentes entre amigos e parentes e concedendo liberdade aos escravos.

Assim como ocorria na China, o Solstício de Inverno era comemorado entre os primitivos germânicos séculos antes do nascimento do Menino Jesus. Entre os escandinavos, neste mesmo período, era comemorado o que se chamava Festa do Yule. O termo Yule ainda sobrevive, designando a véspera de Natal. É interessante notar que o vocábulo Yule equivale ao francês Noel que por sua vez corresponde à palavra hebraica ou caldaica Nule. Notamos também a presença de celebrações no referente período entre os druidas na Grã-Bretanha e na Irlanda, e mesmo no antigo México.

As antigas religiões pré cristãs européias comemoravam nessa data festivais de inverno (como o Alban Arthan, por exemplo) que comemoravam o renascimento do Sol. Os escandinavos, por exemplo reverenciavam Frey, deus da paz e prosperidade. Na Roma pagã, o período entre 17 e 25 de dezembro (solstício de inverno no hemisfério norte, chamado pelos romanos de Saturnália) eram dedicados a ritos de fertilidade (com relação à colheita) e ritos de adoração ao sol.

Como a Igreja não podia simplesmente proibir essa comemorações, tratou de incorporá-las ao seu calendário, fazendo do festival de inverno, o Natal (em nossa versão tropical, o verão).

O calendário judaico tem 13 meses. Maria teve uma gestação de três meses. Segundo evangelhos apócrifos, Maria engravidou no mês de nissan, primeiro mês do calendário judaico e teve Jesus três meses depois. Jesus por esses evangelhos teria nascido no nosso atual abril.

De acordo com a mitologia romana dia 25 de dezembro era o dia do aniversário do deus que representava o sol. Quando os cristãos se uniram aos povos pagãos essa data foi introduzida como data base do nascimento de Jesus. Fato cômodo para os antigos e hoje comercial.

Mais importante do que ser a comemoração de uma data, o Natal deve ser a REFLEXÃO, deve ser um “olhar para dentro” de nós mesmos. Mas tais sentimentos não devem durar apenas no mês de dezembro ou se restringir à época natalina. Independente de ser comemorado nesta ou naquela religião, o verdadeiro Natal deve acontecer todos os dias do ano. O nascimento de Cristo deve ser nosso renascimento diário, avaliando erros e renovando nossa fé e esperança num futuro melhor, através do conjunto de nossas ações.

Feliz Natal!"

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

É dia de Natal !!!!!!!


Bom, meus leitores devem ter pensado que eu surtei de vez. Nada disso.

Na minha tradição religiosa, 23 de Dezembro é o dia em que, por analogia, comemoramos o nosso Natal.

Meishu-Sama - em português, "Senhor da Luz" - nasceu Mokiti Okada em 23 de dezembro de 1882, em Tóquio, Japão. Teve uma infância repleta de problemas de saúde e financeiros.

Após a morte do pai abriu a "Loja Okada", a qual engendraria grande sucesso. Entretanto, foi a falência duas vezes e em 1929, aos 37 anos, doou a loja aos seus funcionários - esta vivia período de grande prosperidade - e abraçou a causa religiosa. Ele havia recebido a primeira Revelação Divina em 1926. Em 1931 no topo do Monte Nokoguiri recebeu a Revelação da Transição da Era da Noite para a Era do Dia.

Casou-se duas vezes e teve filhos.

Em 1935 fundou a Igreja Messiânica Mundial para a difusão do Johrei. Eram tempos pré-Segunda Grande Guerra e a nascente Obra de Salvação da humanidade enfrentou muitas dificuldades e perseguições. Meishu Sama foi preso por duas ocasiões, mas nunca esmoreceu.

Após o término da Segunda Guerra construiu os três Solos Sagrados japoneses, nas cidades de Hakone, Atami e Kyoto, bem como um dos mais importantes museus de arte japoneses.

Meishu-Sama ascendeu ao Mundo Divino em 10 de fevereiro de 1955, aos 72 anos.

Receba nesta data a minha Gratidão. É Natal.

P.S. - Para saber mais, basta clicar sobre os links abaixo:

Vergonha no Judiciário !



Foi estupefato que li hoje a notícia de que Daniel Dantas simplesmente conseguiu afastar do "Caso Satiagraha" o juiz Fausto de Sanctis e paralisar os processos que correm contra ele advindos da citada operação da Polícia Federal.

Tal proeza se deve a liminar obtida no Superior Tribunal de Justiça. O poderosíssimo empresário trabalha, agora, para anular todo o processo e obter punições àqueles que tiveram a audácia de investigá-lo.

Fica comprovado também o que ele afirma em encontro filmado e gravado durante as investigações: que o seu problema era com as primeiras instâncias, que nos tribunais superiores ele "acertava tudo". Pelo visto, acertou.

Não é a primeira demonstração de poder do banqueiro: quando da decretação de sua prisão preventiva, conseguiu dos habeas corpus em tempo recorde, concedidos pelo presidente do STF Gilmar Mendes. Um cidadão como eu ou você, leitor, conseguiria isso ?

Vale lembrar que Gilmar Mendes, como escrevi anteriormente, era Advogado Geral da União no Governo FHC. Daniel Dantas era o principal "operador" dos políticos então no poder.

Daí... vai que ele abre a boca ? Melhor não se arriscar. E o Judiciário de joelhos perante este cidadão.

Vergonhoso. Um acinte.

Falam tanto dos políticos, mas mais urgente é a reforma no Judiciário. Mal ou bem os políticos você pode trocar de quatro em quatro anos. Os juízes são eternos.

Aqueles que tentam fazer seu trabalho com correção, raridades, são perseguidos, punidos exemplarmente pela própria corporação e até assassinados - basta ler "Espírito Santo", que resenhei recentemente.

O mais incrível é que esta liminar foi concedida na última hora do último dia de funcionamento dos tribunais antes do recesso. Na calada da noite.

Pensem o que quiserem.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Direto para o inferno

Acabei não comentando ontem, mas faleceu sábado passado aos 96 anos o ex-embaixador americano no Brasil Lincoln Gordon.

Embaixador entre 1961 e 1966, foi conspirador ativo no movimento que levou à derrubada do Presidente João Goulart, inclusive participando da elaboração de um plano de contingência para os EUA apoiarem com armas e suprimentos os golpistas em caso de resistência. Esta era chamada "Operação Brother Sam".

Durante o mandato do Marechal Castello Branco era o representante norte-americano das chamadas "relações carnais" do governo brasileiro com seu congênere do norte. Sua influência era tamanha que muros nas cidades brasileiras chegavam a ser pichados com frases como:

"Abaixo os intermediários, Lincoln Gordon para presidente"

No livro "O Grande Irmão", que resenhei recentemente há um bom perfil de Gordon e de sua atuação tanto no movimento golpista de 1964 quanto no governo militar.

Que não descanse em paz.

Samba de Terça - "Verde que Te Quero Rosa, Semente Viva do Samba"



A vida continua, hoje é terça feira e dia da coluna "Samba de Terça".

Hoje, por sugestão da leitora Tânia Tgart, vamos falar de veha e boa Manga, 1983: "Verde que Te Quero Rosa, Semente Viva do Samba".

A verde e rosa vinha em uma fase de resultados magros. Seu último título havia sido em 1973 e a escola havia passado até por risco de rebaixamento em 1980, quando obteve o oitavo lugar com o enredo "Coisas Nossas" - o clássico desfile onde doparam o grande Garrincha para que ele pudesse desfilar.

Para o carnaval de 1983, a Mangueira optou por uma volta às suas origens. Cinco anos após cantar seu cinquentenário, a Estação Primeira optou por um enredo onde relembrava seus últimos quatro carnavais campeões: "Reminiscências do Rio Antigo" (61), "O Mundo Encantado de Monteiro Lobato" (67), "Samba, Festa de um Povo" (68) e "Lendas do Abaeté" (1973).

Max Lopes, que vinha de um excelente trabalho na União da Ilha (o inesquecível "É Hoje") foi contratado para desenvolver o enredo, cujo título foi retirado de um dos discos de Cartola.

A Mangueira foi a quinta escola a desfilar na noite de domingo de carnaval, 13 de fevereiro de 1983. A escola trazia um carro "pede-passagem" com o nome da escola e do enredo (foto ao alto), iniciando seu desfile com 3 mil componentes e mais de 50 alas.

Seu primeiro setor mostrava a comunidade da escola e trazia um trem como carro alegórico, que soltava fumaça. O setor sobre o Rio Antigo se valia de figuras de Debret, com alegorias de mão em suas fantasias.

Após vinha o setor dedicado a Monteiro Lobato, focado nos personagens do "Sítio do Pica Pau Amarelo" - que era um grande sucesso na TV Globo aquele momento. Tripés, palha e motivos africanos relembravam o desfile de 1968.

"Lendas do Abaeté" trazia a ala das baianas em branco e rosa. No final do desfile, tripé trazia um destaque representando Mestre Cartola.

Infelizmente, a escola patinou em problemas de Harmonia com abertura de pequenos claros no final da escola, bem como a costumeira invasão de pista que havia naquela época. Além disso, a bateria desfilou sem chapéu, o que prejudicou o julgamento da escola.

Na apuração dos resultados, a escola obteve o quinto lugar, com 193 pontos. Em um resultado muito contestado, a beija Flor mais uma vez se sagrou campeã do carnaval. Deve isto especialmente às notas do jurado Messias Neiva, que deu nota dez somente para a escola da Baixada e outras muito baixas para as suas concorrentes. Estranho...

Vamos à letra do samba, que pode ser ouvido, em sua versão de estúdio, aqui. Seus autores são Heraldo Faria, Flavinho Machado e Geraldo Neves. Os dois primeiros, multicampeões em Niterói - Heraldo Faria é autor de "Afoxé", que abriu a nossa série.

"Amor, vem agora
Ver o esplendor do luar
A noite é linda senhora
Que o poeta vai acordar
Desperta Cartola
Vem pra avenida
Se a Mangueira é uma porta aberta
Você é a razão da sua vida

Você plantou, viu germinar
E a semente cresceu formosa
Deu Mangueira verde de manga rosa

Seus frutos de alegria e tristeza
Afagaram o pranto
Acendendo a chama da beleza
Seu nome é poesia
Nasceu da Primeira Estação
As suas pastoras, estrelas de um novo dia
É forca, é raça, é coração

Cantar, cantar, brincar, brincar
Deixa a brisa da euforia nos levar

Para reviver de novo
Tradições do Rio antigo
Monteiro Lobato, samba festa de um povo
Lendas do Abaeté

Mangueira é um canto de fé
E leva o samba na poeira e no pé"

Abaixo, um vídeo do desfile.



A coluna dará uma parada nestas festas de final de ano, e retorna dia 12 de janeiro com mais um samba de uma escola do Grupo Especial: Unidos de Vila Isabel, 1990, "Se Esta Terra Fosse Minha". Sugestão do leitor Paulo Renato Vaz.

Relembro que o blog segue normalmente, com atualizações diárias, neste período de festas.

Azul e amarelo



Na última sexta feira o Conselho Deliberativo do Flamengo aprovou as novas camisas do clube para a temporada 2010.

A grande novidade é a existência de um uniforme em azul e amarelo, como terceira camisa. Foi aprovado com condições: não pode ser utilizada no Maracanã, somente fora de casa; e apenas uma vez a cada trinta dias.

Segundo o que li em órgãos de imprensa que estiveram presentes à reunião, a nova camisa será semelhante à montagem que coloco aqui. Seria uma cópia do uniforme número 1 apenas com a troca das cores.

Entretanto, o colunista do Flamengo no Globoesporte.com afirmou que a camisa na verdade não tem as cores citadas como predominantes, apenas terá detalhes em amarelo e azul sobre uma base em vermelho ou preto.

Como ele possui um bom relacionamento com o pessoal da Olympikus, é fonte que não se deve descartar, apesar de contraditória com o relato de jornalistas presentes ao evento.

Assim quando do lançamento da camisa atual, furo exclusivo do Ouro de Tolo, estou tentando obter os desenhos reais. Contudo, gostaria muito que a camisa fosse igual ou semelhante à montagem apresentada aqui.

Muitos de meus leitores devem estar se perguntando: "o que tem a ver o Flamengo com as cores azul e amarelo?"

Para aqueles desconhecedores da história do centenário clube carioca, o Flamengo originalmente era um Clube de Regatas dedicado, obviamente, ao remo.

Suas primeiras cores eram o azul e ouro, que foram trocadas em 1896 pelo vermelho e o negro pelo fato de desbotarem demais com o sal e a salinidade da Baía de Guanabara. Portanto, a proposta de terceiro uniforme se coaduna com os primórdios da história flamenga e está perfeitamente ajustada à tradição do clube. Basta ver a bandeira ao lado, existente na sala de troféus da Gávea.

Por outro lado, este terceiro uniforme irá permitir uma nova fonte de renda ao clube. Basta ver as camisas de goleiro azul e amarela, individuais, que a Olk vendeu que nem água. Nestes tempos empresariais em que o futebol vive, sempre é uma boa opção aliar a modernidade com a tradição.

Em 1997 houve a tentativa de se aprovar um uniforme predominantemente azul - com detalhes em amarelo, preto e vermelho (foto). A camisa chegou a ser colocada a venda pela Umbro, então fornecedora, e obteve números expressivos de vendas. Infelizmente, à época não tive grana para adquirir meu exemplar.

Entretanto, o modelo acabou não sendo aprovado pelo Conselho Deliberativo. Consta que, durante os debates, um senhor de mais ou menos 90 anos - daqueles que defendem que o clube deva ser administrado como em 1912, aliás tipo este que predomina no Conselho do clube - levantou-se e disse o seguinte: "o Flamengo é vermelho e preto, jamais poderia ver a arquibancada em tons de azul". Sua posição foi seguida histericamente por outros velhinhos, e o então presidente Kleber Leite foi obrigado a retirar da pauta sob risco de não aprovação.

Em nome de uma tradição duvidosa rasgaram milhares de reais. Ainda denota desconhecimento da história do clube, como vimos aqui. Menos mal que, apesar das restrições, o Conselho atual não repetiu o erro.

Eu, particularmente, seria ainda mais radical. Colocaria este como o segundo uniforme, para variar um pouco do insosso branco. Ainda mais se o uniforme branco for igual ao da montagem abaixo, publicada pelo jornal O Dia, e que lamentavelmente não tem um desenho muito feliz.


segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Velórios, lápides e mórbidas curiosidades



Como escrevi no post anterior, ontem minha tia Diva, irmã de minha mãe, faleceu após longa enfermidade. Mas, conforme dito com muita propriedade por minha sogra, "o importante é cuidar dos vivos", principalmente a minha mãe que é muito apegada a ela.

Entretanto, não é este o tema do post. Apenas faço o registro de que tudo na vida é efêmero, e que, um dia, seremos nós a ver a tampa de concreto baixando sobre nosso corpo imprestável.

Portanto, precisamos pensar duas vezes antes de aborrecimentos desnecessários, consumos desnecessários, vidas esbanjadas e desperdiçadas. O que fica além do espírito são o nosso nome, nossas realizações e nossos descendentes. Estes continuam a nossa missão enquanto Terra e a nós cabe renascer em outra dimensão personificados em espíritos.

Só que queria falar de outra coisa.

Hoje, durante o sepultamento, confesso que tenho um estranho hábito: o de observar as lápides que encontramos no caminho percorrido pela urna mortuária até a sua parada final. Automaticamente, faço as contas para saber com quantos anos o morador daquele túmulo fez a sua passagem.

Eu me pego imaginando como terá sido a vida daquela pessoa, e as circunstâncias da morte em especial naqueles que pereceram jovens. Nesta ocasião de hoje, duas delas me chamaram bastante a atenção, ambas jovens moças e falecidas por volta dos trinta anos de idade.

Vítimas de violência ? Doenças crônicas ? Parto ? Jamais saberemos.

Parece mórbido. E é.

Por outro lado, ultimamente os velórios tem sido ocasiões para rever pessoas que, muitas vezes, acabamos colocando em segundo plano na nossa rotina cada vez mais massacrante e com mais atividades em menos tempo. Assim como os casamentos, esta ocasião bem mais agradável que aquela.

Particularmente não gosto de longas cerimônias antes do sepultamento. Acabam se transformando em um "chá de desespero" se não tomarmos cuidado. Neste caso em especial a expressiva presença de familiares e amigos bem como de diversos Ministros da Igreja acabaram tornando o velório até agradável, obviamente levando-se em conta a circunstância nada alegre do momento.

O duro é pensar que um dia será a nossa vez de estar dentro daquela caixa em cima daquela mesa... espero que a minha vez demore uns setenta anos para acontecer. Pelo menos.

Peço até desculpas aos meus 38 leitores pelo tema, mas queria fazer estas considerações. O Ouro de Tolo também é um espaço para reflexões.

Os Gols do Hexa - Download



Final de semana muito complicado, com falecimento na família, traslado e sepultamento. Mas a vida continua, para morrer basta estar vivo. Entretanto, falarei sobre isso em post próximo.

Como a vida continua, o jornal Extra publicou no final de semana um cd com os gols de todos os campeonatos brasileiros e um resumo da conquista deste ano. Só que em uma lambança monumental a tiragem do CD foi limitadíssima.

Eu consegui um exemplar porque o meu jornaleiro no sábado pela manhã havia reservado um destes para mim e eu adquiri. Entretanto, fui um felizardo.

Como pouquíssima gente conseguiu o cd para compra e não sabemos se haverá nova remessa, coloquei para download aqui o álbum. Basta clicar sobre o link na frase anterior, em azul escuro.

Reitero que, caso haja nova tiragem, é dever de todo rubro-negro adquirir o encarte original, até pelo preço acessível - R$ 9,90.

Recomendo especialmente a faixa do terceiro gol contra o Santos em 83, o entusiasmo do grande e inesquecível Waldir Amaral chega a ser comovente.

Todas as gravações são do acervo da Rádio Globo.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Afogaram os pobres


Durante a semana a Rede Record repercutiu em seu jornal noturno o fato de que comunidades da Zona Leste paulistana continuam debaixo d´água após as últimas chuvas.

Domingo é dia de repercutir bons textos. Selecionei dois textos do jornalista Luiz Carlos Azenha sobre a situação, publicado em seu ótimo Viomundo. Coloco também uma matéria do Uol relatando que houve uma opção deliberada por alagar estas áreas - o que é um escândalo.

Vamos aos textos, que relacionam (des)políticas públicas, cobertura da imprensa e velhas políticas de remoção de pobres.

Combater as enchentes punindo as vítimas

"O prefeito Gilberto Kassab anunciou planos para combater as enchentes... punindo as vítimas. Encheu? É só retirar os moradores. Combater as causas do transbordamento do rio Tietê? Dá trabalho. Exige criatividade. Projeto de longo prazo. Portanto, é mais fácil remover as vítimas.

Sim, sim, sei que muitos ambientalistas acreditam que a solução é dar espaço ao rio para transbordar. Quem sabe, demolir a marginal do Tietê. E fazer um imenso parque nas margens do rio. Acho que, a longo prazo, deveria ser mesmo esse o objetivo.

Como solução para a enchente de um bairro, que persiste dias depois que o rio Tietê transbordou, o prefeito Kassab anunciou a antecipação do projeto para fazer um parque. Que vai exigir a remoção de alguns milhares de moradores. As vítimas das enchentes.

Notem, no entanto, que o prefeito não falou em outras medidas: os clubes que ficam às margens do rio, em terrenos públicos, serão retirados? Alguma medida para evitar as construções de grandes condomínios próximos à marginal? É óbvio que não, né?

Ou seja, sob o manto do ambientalismo, o que o prefeito e o governador José Serra estão promovendo é a "limpeza" dos pobres da região. Como sempre, a corda estoura do lado do mais fraco. Os ambientalistas vão saudar o prefeito, que teria dado um passo na direção certa. Vamos esperar, agora, pelos anúncios de novos empreendimentos às margens da marginal. Publicados nos mesmos jornais que vão festejar o prefeito e o governador por terem dado "um passo na direção certa".


Ali Kamel inunda os pobres
 
Não foi por opção pessoal, mas por obrigação profissional. Vi a cobertura do Jornal Nacional sobre as novas enchentes em São Paulo, na quarta-feira (16).

Choveu muito. Choveu torrencialmente. Choveu oito dias em quatro horas, de acordo com o JN.

O JN dedicou boa parte das reportagens, com gráficos e tudo, a provar que os pobres invadiram o Jardim Pantanal e, portanto, merecem o que estão sofrendo.

Sim, sim, os pobres da zona Leste de fato invadiram as várzeas do Tietê. Mas, não foram os únicos. São Paulo fez oficialmente a opção de ocupar as várzeas do rio Tietê quando construiu a marginal Tietê sobre as várzeas que serviam para a expansão do rio durante a cheia.

Ali Kamel, não o ator pornô, o guia do Jornalismo Nacional, reprisou em São Paulo a teoria que gosta de pregar, sempre de forma dissimulada, no Rio de Janeiro: a remoção dos pobres.

Eles são um estorvo. Poluem o cenário.

A certa altura o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, aparece na reportagem para dizer que não pretende mais bombear as águas do lugar alagado. Na singela explicação para o descumprimento da promessa, uma fala risível: se a gente tirar a água, mais água vem. Ora, ele não deveria ter pensado nisso antes de fazer a promessa?

Chove muito. Os pobres estão onde não deveriam estar. E sofrem por isso.

Essa é a lógica da cobertura do Jornal Nacional: culpar a população.

Assim como o governador de São Paulo, quando fala no assunto, enfatiza: a culpa é da população, que joga lixo na rua.

Aliás, onde anda o governador José Serra? Ah, sim, não vale misturar o governador com assuntos tão prosaicos como a limpeza da calha do Tietê, uma verdadeira desocupação das várzeas que atinja também os ricos ou um sistema de controle de vazão dos rios Tietê e Pinheiros que não puna apenas os bairros pobres.

Ele está em Copenhague, resolvendo os problemas climáticos do planeta.


Comportas fechadas na barragem da Penha para proteger a marginal ajudaram a alagar a zona leste
 

Fabiana Uchinaka
Do UOL Notícias


Em São Paulo

As seis comportas da barragem da Penha, na zona leste de São Paulo, foram completamente fechadas às 2h50 do dia 8 de dezembro, dia em que a cidade enfrentou fortes temporais e viu diversos pontos alagarem como há muito tempo não se via. Somente dois dias depois, às 17h20, todas as comportas foram abertas. Os dados, fornecidos pelo engenheiro responsável pela barragem, João Sérgio, indicam que houve uma clara escolha da empresa responsável: alagar os bairros pobres da zona leste para evitar o alagamento das marginais e do Cebolão, conjunto de obras que fica no encontro dos rios Tietê e Pinheiros.

"Mesmo fechando as comportas, encheu o [córrego] Aricanduva. Se eu não tivesse fechado aqui, teria alagado as marginais e toda São Paulo", justificou Sérgio, que explicou que a decisão vem da direção da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia). Ele acrescentou ainda que no dia 9 duas comportas foram abertas às 10h10 e mais duas às 21h.

O engenheiro argumenta que cada barragem (são quatro em São Paulo: Móvel, Penha, Mogi das Cruzes, Ponte Nova) é responsável apenas por administrar o fluxo de água do local e não sabe o que acontece nos outros pontos, porque não há comunicação. Mas ele acredita que as comportas foram abertas nas barragens de cima, em Mogi, e isso influenciou no alagamento da região da zona leste.

"Não recebo informações de outras barragens. As de cima são administradas pela Sabesp e as de baixo pela Emae. Eu só respondo por essa barragem e às ordens da Emae", disse. "Também acho estranho o nível da água não baixar aqui e não sei por que está indo para os bairros, mas não precisa ser especialista para ver que está assoreado [o rio]".

Ele trabalha há quase 15 anos no local e conta que desde o governo de Orestes Quércia (1987-1991) não são colocadas dragas para desassorear o rio na parte que fica acima da barragem. "O governo tentou colocar de novo, mas a própria Secretaria de Meio Ambiente não deixou, porque não tinha bota-fora [local para despejar a terra retirada]", afirmou.

O desassoreamento do rio daria mais velocidade ao escoamento da água e aumentaria a área de reserva de água perto da barragem, o que impediria o transbordamento para os bairros adjacentes.

Para Ronaldo Delfino de Souza, coordenador do Movimento de Urbanização e Legalização do Pantanal, o governo fez uma opção. "Ou alagava a marginal ou matava as pessoas no Pantanal. E matou", disse. "E ainda bota a culpa nas moradias. O Estado só se preocupa com o escoamento de mercadorias, só pensa em rodovia. Vida humana não importa".

Moradores e deputados estaduais fizeram nesta quarta-feira (17) uma inspeção no local para saber se a abertura das comportas tinha relação com o alagamento no Jardim Romano e no Jardim Pantanal, que já dura nove dias.

O movimento, formado por moradores de diversos bairros localizado na várzea do rio Tietê, acusa o governo do Estado e a prefeitura de manterem a água represada além do necessário como forma de obrigar as famílias a deixarem a região, onde será construído o Parque Linear da Várzea do Rio Tietê. Há anos, os moradores resistem em sair dali, porque dizem que o governo não apresenta um projeto habitacional concreto e apenas oferece uma bolsa-aluguel.

"Não era para as máquinas estarem trabalhando aqui? Cadê? Não tem um funcionário do governo aqui", reclamou, apontando para as ilhas que aparecem no meio do rio, logo acima da barragem da Penha. As dragas são vistas somente na parte de baixo da construção.

"Os córregos do Pantanal já estavam muito cheios três dias antes da chuva. Como não abriram a barragem sabendo que ia chover?", perguntou Souza, indignado. "O que a gente viu aqui é que não houve possibilidade de escoamento, porque a água ultrapassou o nível das comportas e não tinha velocidade para descer, não tinha gravidade", concluiu.

Segundo os registros da barragem, no dia 8 a água ficou acima do nível das comportas por 5 a 6 horas. Sérgio explicou que a queda do rio Tietê é de apenas 4% e por isso a vazão demora cerca de 72 horas desde a barragem de Mogi das Cruzes até o centro da cidade -- isso sem chuva. "É demorado, sempre foi", disse.

"Imagina o que uma hora de comportas fechadas não faz de estrago lá no Pantanal", falou Souza, diante dos dados. "Se fecha aqui, a água para de novo, perde velocidade e vai demorar mais 72 horas para descer", afirmou.

Os deputados estaduais que acompanharam a inspeção concordam con a teoria dos moradores. "Foi feita uma escolha e a corda estourou do lado mais fraco", afirmou o deputado estadual Raul Marcelo (PSOL). "É uma questão grave. A falta de comunicação e de um gerenciamento unificado são prova de uma falta de governância e de um planejamento na administração das barragens, o que levou, em grande parte, ao fato do bairro do Pantanal ter sido alagado".

"Há uma estranha coincidência de que no momento da desocupação há um alagamento desses e ninguém consegue escoar a água. Não havia uma inundação dessas há 15 anos e o nível das águas está subindo mesmo sem chuva. É muito estranho e as autoridades têm que explicar", completou o deputado estadual Adriano Diogo (PT).

Eles farão um relatório sobre a inspeção e pretendem denunciar o caso, junto com a situação da estação de tratamento de esgoto, aos Ministérios Públicos Estadual e Federal."