sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Final de Semana - "Faroeste Caboclo"



Final de semana, com esta confusão toda de Brasília e o Mensalão do DEM - assunto sobre o qual voltarei a falar proximamente - a música não pode ser outra: "Faroeste Caboclo", do Legião Urbana - letra e música de Renato Russo.

Acima o vídeo, ao vivo, e abaixo a letra. Daria enredo, não daria ? Aliás, é uma letra bastante ousada para a época em que foi lançada.

"Não tinha medo o tal João de Santo Cristo
Era o que todos diziam quando ele se perdeu
Deixou pra trás todo o marasmo da fazenda
Só pra sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu
Quando criança só pensava em ser bandido
Ainda mais quando com um tiro de soldado o pai morreu
Era o terror da cercania onde morava
E na escola até o professor com ele aprendeu
Ia pra igreja só prá roubar o dinheiro
Que as velhinhas colocavam na caixinha do altar
Sentia mesmo que era mesmo diferente
Sentia que aquilo ali não era o seu lugar
Ele queria sair para ver o mar
E as coisas que ele via na televisão
Juntou dinheiro para poder viajar
De escolha própria, escolheu a solidão
Comia todas as menininhas da cidade
De tanto brincar de médico, aos doze era professor.
Aos quinze, foi mandado pro o reformatório
Onde aumentou seu ódio diante de tanto terror.
Não entendia como a vida funcionava
Discriminação por causa da sua classe e sua cor
Ficou cansado de tentar achar resposta
E comprou uma passagem, foi direto a Salvador.
E lá chegando foi tomar um cafezinho
E encontrou um boiadeiro com quem foi falar
E o boiadeiro tinha uma passagem e ia perder a viagem
Mas João foi lhe salvar
Dizia ele: "Estou indo pra Brasília
Neste país lugar melhor não há
Tô precisando visitar a minha filha
Eu fico aqui e você vai no meu lugar"
E João aceitou sua proposta
E num ônibus entrou no Planalto Central
Ele ficou bestificado com a cidade
Saindo da rodoviária, viu as luzes de Natal
"Meu Deus, mas que cidade linda,
No Ano-Novo eu começo a trabalhar"
Cortar madeira, aprendiz de carpinteiro
Ganhava cem mil por mês em Taguatinga
Na sexta-feira ia pra zona da cidade
Gastar todo o seu dinheiro de rapaz trabalhador
E conhecia muita gente interessante
Até um neto bastardo do seu bisavô
Um peruano que vivia na Bolívia
E muitas coisas trazia de lá
Seu nome era Pablo e ele dizia
Que um negócio ele ia começar
E o Santo Cristo até a morte trabalhava
Mas o dinheiro não dava pra ele se alimentar
E ouvia às sete horas o noticiário
Que sempre dizia que o seu ministro ia ajudar
Mas ele não queria mais conversa
E decidiu que, como Pablo, ele ia se virar
Elaborou mais uma vez seu plano santo
E sem ser crucificado, a plantação foi começar.
Logo logo os maluco da cidade souberam da novidade:
"Tem bagulho bom ai!"
E João de Santo Cristo ficou rico
E acabou com todos os traficantes dali.
Fez amigos, freqüentava a Asa Norte
E ia pra festa de rock, pra se libertar
Mas de repente
Sob uma má influência dos boyzinho da cidade
Começou a roubar.
Já no primeiro roubo ele dançou
E pro inferno ele foi pela primeira vez
Violência e estupro do seu corpo
"Vocês vão ver, eu vou pegar vocês"
Agora o Santo Cristo era bandido
Destemido e temido no Distrito Federal
Não tinha nenhum medo de polícia
Capitão ou traficante, playboy ou general
Foi quando conheceu uma menina
E de todos os seus pecados ele se arrependeu
Maria Lúcia era uma menina linda
E o coração dele pra ela o Santo Cristo prometeu
Ele dizia que queria se casar
E carpinteiro ele voltou a ser
"Maria Lúcia pra sempre vou te amar
E um filho com você eu quero ter"
O tempo passa e um dia vem na porta
Um senhor de alta classe com dinheiro na mão
E ele faz uma proposta indecorosa
E diz que espera uma resposta, uma resposta do João
"Não boto bomba em banca de jornal
Nem em colégio de criança isso eu não faço não
E não protejo general de dez estrelas
Que fica atrás da mesa com o cú na mão
E é melhor senhor sair da minha casa
Nunca brinque com um Peixes de ascendente Escorpião"
Mas antes de sair, com ódio no olhar, o velho disse:
"Você perdeu sua vida, meu irmão"
"Você perdeu a sua vida meu irmão
Você perdeu a sua vida meu irmão
Essas palavras vão entrar no coração
Eu vou sofrer as conseqüências como um cão"
Não é que o Santo Cristo estava certo
Seu futuro era incerto e ele não foi trabalhar
Se embebedou e no meio da bebedeira
Descobriu que tinha outro trabalhando em seu lugar
Falou com Pablo que queria um parceiro
E também tinha dinheiro e queria se armar
Pablo trazia o contrabando da Bolívia
E Santo Cristo revendia em Planaltina
Mas acontece que um tal de Jeremias,
Traficante de renome, apareceu por lá
Ficou sabendo dos planos de Santo Cristo
E decidiu que, com João ele ia acabar
Mas Pablo trouxe uma Winchester-22
E Santo Cristo já sabia atirar
E decidiu usar a arma só depois
Que Jeremias começasse a brigar
Jeremias, maconheiro sem-vergonha
Organizou a Rockonha e fez todo mundo dançar
Desvirginava mocinhas inocentes
Se dizia que era crente mas não sabia rezar
E Santo Cristo há muito não ia pra casa
E a saudade começou a apertar
"Eu vou me embora, eu vou ver Maria Lúcia
Já tá em tempo de a gente se casar"
Chegando em casa então ele chorou
E pro inferno ele foi pela segunda vez
Com Maria Lúcia Jeremias se casou
E um filho nela ele fez
Santo Cristo era só ódio por dentro
E então o Jeremias pra um duelo ele chamou
Amanhã às duas horas na Ceilândia
Em frente ao lote 14, é pra lá que eu vou
E você pode escolher as suas armas
Que eu acabo mesmo com você, seu porco traidor
E mato também Maria Lúcia
Aquela menina falsa pra quem jurei o meu amor
E o Santo Cristo não sabia o que fazer
Quando viu o repórter da televisão
Que deu notícia do duelo na TV
Dizendo a hora e o local e a razão
No sábado então, às duas horas,
Todo o povo sem demora foi lá só para assistir
Um homem que atirava pelas costas
E acertou o Santo Cristo, começou a sorrir
Sentindo o sangue na garganta,
João olhou pras bandeirinhas e pro povo a aplaudir
E olhou pro sorveteiro e pras câmeras e
A gente da TV que filmava tudo ali
E se lembrou de quando era uma criança
E de tudo o que vivera até ali
E decidiu entrar de vez naquela dança
"Se a via-crucis virou circo, estou aqui"
E nisso o sol cegou seus olhos
E então Maria Lúcia ele reconheceu
Ela trazia a Winchester-22
A arma que seu primo Pablo lhe deu
"Jeremias, eu sou homem. coisa que você não é
E não atiro pelas costas não
Olha pra cá filho-da-puta, sem-vergonha
Dá uma olhada no meu sangue e vem sentir o teu perdão"
E Santo Cristo com a Winchester-22
Deu cinco tiros no bandido traidor
Maria Lúcia se arrependeu depois
E morreu junto com João, seu protetor
E o povo declarava que João de Santo Cristo
Era santo porque sabia morrer
E a alta burguesia da cidade
Não acreditou na história que eles viram na TV
E João não conseguiu o que queria
Quando veio pra Brasília, com o diabo ter
Ele queria era falar pro presidente
Pra ajudar toda essa gente que só faz...

Sofrer..."

A Princesa e o Sapo - Resenha



Não tivemos a "Cinecasulofilia" hoje, mas a sexta feira cinéfila não passará em branco.

Praticamente arrastado pelas meninas, no feriado do Dia de São Sebastião fui assistir "A Princesa e o Sapo" no novo cinema do Ilha Plaza. Acho que não ia ao cinema desde 2004, quando me casei.

Achei que seria insuportável, mas até que conseguiu me prender a atenção.

A história do filme é simples: moça pobre - e negra - trabalha para abrir seu próprio restaurante e encontra um príncipe falido que precisa encontrar uma princesa rica para se casar. Os dois sofrem um feitiço de vudu, se tornam sapos e vivem mil aventuras, auxiliados por um jacaré que toca jazz maravilhosamente bem. No final uma "mestre" de vudu desfaz o encanto, ela abre o restaurante e eles vivem felizes para sempre.

Ressalte-se que, como o desenho animado se passa em New Orleans, a trilha sonora é jazz de melhor qualidade.

O desenho animado traz uma série de referências que, penso, até ao público adulto serão difíceis de relacionar. Eu mesmo só acompanhei por coincidentemente estar mergulhado na leitura de "História Social do Jazz", do historiador Eric Hobsbawn.

A versão dublada perde um pouco porque as músicas também o são; o que na versão original é jazz e blues se torna uma balada sem sal e sem gosto na dublagem.

Outro ponto, embora atenuado no fechamento do filme, é a visão extremamente preconceituosa da religião africana, personificada no vodu. O tempo todo, à exceção das últimas cenas, é retratado como algo infernal. Quem conhece um pouquinho de religiões africanas sabe que não é assim.

Não pude deixar de reparar, também, o fato de "a princesa negra" após se casar trabalhar, e ter um rosto que só é negro na cor, com traços basicamente caucasianos. Por outro lado, o jacaré que auxilia os dois consortes em seu período "sapo" é muito divertido.

Enfim, por incrível que pareça vale uma olhada. Nem que seja pelo jazz.

Martinho da Vila, o samba da Vila Isabel e o ôôô



Hoje, sexta feira, seria dia de "Cinecasulofilia", não é mesmo ?

Entretanto, hoje teremos uma coluna um pouco diferente. Marcelo Ikeda, crítico de cinema e cineasta, que assina a coluna, além de ilustre torcedor da Acadêmicos de Santa Cruz também gosta de escrever sobre sambas de enredo.

Hoje ele nos brinda com um texto-análise sobre o belo samba da Unidos de Vila Isabel sobre Noel Rosa, de autoria do grande Martinho da Vila (na foto, durante o desfile de 2009). Biscoito finíssimo.

"Houve torcedores criticando o samba do Martinho por causa do “OOOOO”. Claro: hoje é considerado “pouco funcional”, recurso pobre, de “falta de letra”, porque existe um “letrismo” na composição de sambas (o samba precisa descrever todos os aspectos do rocambólico enredo quando na verdade lemos a letra e sequer entendemos que enredo é esse...) em detrimento de um sentimento orgânico entre letra e melodia.

Esse “OOOOO” do Martinho é bem interessante exatamente por isso. Primeiro, porque mostra o que está em jogo, o que o samba defende. Mas tem um outro aspecto ligado à própria estrutura do samba. Esse “OOOOO” nos lembra que uma das coisas com que o samba-enredo dialoga é uma ideia de lamento. O “OOOO” está colocado exatamente no momento da “partida do mestre”, no dissabor: é a mais perfeita descrição de um lamento de dor. O “OOOO” mostra a falência das palavras em transmitir nosso sentimento de dor e de perda. As palavras são pequenas diante da partida do mestre.

Foi um grande chororô
Quando o gênio descansou
Todo o samba lamentou
Ô ô ô

O “OOOO” nos lembra das cantigas de lamento, ligados aos escravos nos tumbeiros, entoando seus lamentos de dor, de distância de saudade da terra africana ou mesmo de seu destino miserável. Um samba que exemplifica isso de forma maravilhosa é o clássico samba da Em Cima da Hora de 1974, o “Festa dos deuses afro-brasileiros “,que acaba com um belíssimo “OOOO”. Para quem não lembra, segue a letra do samba, de autoria de Baianinho, que foi reeditado recentemente:

Desde o tempo do cativeiro
A magia imperou
Os negros vieram da África
Com sofrimento e dor
E chegando à Bahia
Bahia de São Salvador ô ô ô
Os negros pediam aos deuses
Para amenizar a sua dor
Nas noites de lua cheia
Eles cantavam com fervor
Arêrê caô meu pai arêrê (bis)
Nas noites de magia
Pretos velhos festejavam
O grande mestre Oxalá
E a rainha Iemanjá
Num batuque de lamento
A noite inteira sem cessar
Eles festejavam os deuses
Cantando pra não chorar

Ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô (bis)"

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O Globo já tem seu candidato



Vejam a imagem acima. É um "printscreen" da página na internet do jornal o Globo, feita por volta de 21:20 desta quinta feira.

Você consegue ver na "cabeça" do site alguma notícia sobre as enchentes e os deslizamentos de terra ocorridos no dia de hoje em São Paulo ?

A resposta é óbvia: não. Afinal de contas, o Governo do Estado é do PSDB, o governador é José Serra e a Prefeitura é do DEM, aliado histórico dos tucanos.

Como diria o ex-Ministro Rubens Ricúpero, "o que é bom a gente fatura, o que é ruim esconde". Na manchete acima, esta teoria na prática. O que se vê é a "vitimização" do Senador Sérgio Guerra e críticas ao governo federal.

Agora, o leigo aqui tem algumas perguntinhas: não existe uma lei que rege a divulgação de notícias ? Isto não é manipulação da informação ? Não é ilegal órgãos de imprensa envolverem-se em campanhas políticas abertamente ?

Mas isto é o mínimo que podemos esperar quando vemos colunas como a do senhor Merval Pereira e a "analista econômica" Míriam Leitão portarem-se como verdadeiros assessores de imprensa do partido. Se a notícia é ruim para o projeto político, esconde-se.

Lamentável. Mas as máscaras começam a cair.

Privatizações mal feitas, efeitos duradouros - o caso da Light



Estou para escrever sobre este assunto há algum tempo, mas como neste mês de férias - e crianças para cuidar - estou sendo obrigado a escrever o blog com alguma antecedência, havia me faltado tempo.

Ultimamente aqui na Ilha vem ocorrendo um fenômeno recorrente: choveu um pouco mais forte, falta luz. Aqueles que me acompanham no Twitter já devem ter lido mensagens em que reclamo disso.

Na verdade, o consumidor carioca está pagando agora por um processo extremamente mal feito há mais de dez anos atrás, que foi o modelo de privatização da companhia.

À época, a privatização foi feita com o intuito de garantir o máximo de renda presente ao governo - e, dizem as (não tão) más línguas, uma evolução patrimonial bastante rápida de alguns dos principais atores do processo.

Não se pensou em coisas como metas de eficiência ou expansões na rede. Deixou-se estes fatores a cargo da Aneel, que, como todo mundo sabe, está ali para representar as empresas, não o consumidor.

Outro fator é que muitas companhias foram compradas com financiamentos do BNDES, pagos com a própria geração de caixa da empresa privatizada. Além disso, comprada por uma empresa francesa - a EDF - a Light se viu obrigada a estabelecer grandes remessas de lucros para a matriz.

Resumo da salada: não houve o menor investimento em linhas, a manutenção foi deficiente, não ocorreu expansão, terceirização aguda de equipes técnicas, corte de custos "no osso" e deficiências de caixa para o serviço dos empréstimos e das remessas de lucros.

Não houve exigências técnicas, a fiscalização da Aneel é uma piada, e temos este quadro caótico hoje. Na prática, pagamos por decisões políticas equivocadas tomadas há mais de dez anos atrás.

Nós já havíamos sentido os efeitos desta privatização mal feita quando do racionamento, fruto de um modelo errado de venda - só se vendeu a distribuição, e geração e transmissão de energia foram deliberadamente sucateadas pelo governo de então. Em qualquer sistema elétrico é a distribuição que segura os investimentos em geração e em transmissão de linhas, de modo que a indústria precisa ser integrada.

Voltando à Light, ela está em processo de venda para a Cemig. Não deixa de ser irônico ver que a empresa, de certa forma, será reestatizada.

Aqui onde moro desde que estourou um transformador no início do ano passado e "deram um jeitinho" está este inferno. Mas o quadro se repete em outras áreas da cidade. Lamentável.

O Ouro de Tolo tende a ser refratário às privatizações, sendo totalmente contra este modelo de agências reguladoras. O caso da Light é um bom exemplo do fracasso das mesmas, bem como de interesses pessoais e ideológicos se sobrepondo ao interesse da nação e de sua população.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

E o torcedor é quem sofre - ou a arte de rasgar dinheiro

A grande celeuma da semana neste reinício das atividades ludopédicas nacionais foi a série de medidas "disciplinadoras" determinadas pela Secretaria de Esportes do estado do Rio de Janeiro.

Talvez a mais polêmica delas seja a proibição da venda de ingressos nas três horas anteriores ao jogo. Além disso, a proibição de bebidas alcoólicas também foi estendida neste horizonte de tempo - a até três horas depois - bem como a circulação de torcedores será restringida também neste intervalo.

Mais uma vez, a decisão inclui algumas premissas absurdas. A principal delas é que em todo jogo no estádio teremos a mesma demanda de um Flamengo e Grêmio ou uma final de Estadual. Normalmente, em jogos de pequeno apelo o torcedor sabe que pode chegar com uma menor antecedência porque não terá atropelos para comprar seu ingresso.

Outra premissa é de que todo torcedor é um baderneiro e marginal em potencial, então ele "precisa ser controlado". Depois de um século torcendo de maneira alegre e saudável vem uma dúzia de elitistas metidos a burocratas determinando o que pode e o que não pode ser feito.

Após a primeira rodada, que em um raro bom senso o Flamengo reabriu as bilheterias 45 minutos antes da bola rolar - isso para um público de dezesseis mil pessoas - a Secretária de Esportes do estado, em uma manifestação típica de estado pré-menstrual resolveu endurecer a medida: agora ingressos para jogos no estádio só podem ser vendidos até 24 horas antes do início da partida.

Ou seja, se eu quiser assisitir a Flamengo e Americano, quarta feira que vem, terei de pegar meu carro um dia antes, ir ao estádio - onde parar é quase impossível, mesmo que por poucos minutos, senão o guincho da Prefeitura leva - adquirir os ingressos. Isto para um jogo que não dará mais que 25 mil pagantes. Surreal, para dizer o mínimo.

Nesta visão, é o demandante do produto futebol que deve se adaptar ao evento, e não ao contrário. Lembro que a venda de ingressos pela internet é incipiente, e cobra uma taxa extorsiva de "conveniência".

Na prática os clubes, que nadam em recursos, irão perder dinheiro. Se eu resolver de última hora ir a um jogo que tenha uma demanda reduzida, ou fico no PPV (que anda uma lástima, mas isso é assunto para outro post) ou me arrisco na mão de cambista. Depois reclamam que os jogadores saem cedo para o exterior...

Sinceramente, é dificultar a vida do torcedor sem nenhum propósito. Concordo com a medida em jogos de grande apelo, mas estender até a Flamengo e São Longuinho do Oeste é apenas dificultar a vida do amante do futebol e fazer os clubes, literalmente, rasgarem dinheiro.

Some-se a isso a absurda proibição de venda de cerveja, agora ampliada - sobre a qual escrevi em outro post - e parece que a idéia é realmente fazer todos os jogos sem presença de público. É um anti-marketing total.

Povo atrapalha.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Samba de Terça - "Um Mouro no Quilombo"



A coluna "Samba de Terça" estará um pouquinho diferente até o carnaval. Estarei escrevendo sobre desfiles dos quais participei como desfilante, de modo a motivar aqueles que desejem enfrentar fantasiados a Marquês de Sapucaí.

Com isso, até a terça feira antes do carnaval, 09 de fevereiro, teremos sempre sambas e desfiles posteriores a 2001 - ano em que comecei a participar como desfilante.



Obviamente, o texto que abre esta "série dentro da série" é o samba com o qual passei pela primeira vez na avenida: Paraíso do Tuiuti 2001, "Um Mouro no Quilombo".

O leitor mais atento deve estar se perguntando: "como ele estreou pela Paraíso do Tuiuti se é portelense?"



Explico. Eu iria na mesma noite estrear pela Portela, mas optei por desfilar em outra escola naquele carnaval de 2001, antes, a fim de me deixar menos tenso para o "dever cívico" em minha escola de coração. Aliás, fiz algo naquela noite que, decididamente, não recomendo aos leitores: desfilei no Tuiuti, voltei em casa, troquei de roupa e voltei para passar pela Portela. Não façam isso, é loucura. Melhor comprar ingresso e ficar no Sambódromo.



A simpática agremiação de São Cristóvão vinha em um crescimento contínuo e estruturado. Comandada por um grupo de pessoas honesto e que gostava de carnaval, a escola havia surpreendentemente obtido o segundo lugar no Grupo de Acesso A no ano anterior, garantindo, assim, o direito de pela primeira vez em sua história desfilar na Meca do samba, o Grupo Especial.



Foram mantidos para este desfile os principais artífices da ascensão da escola: o carnavalesco Paulo Menezes (estreante no grupo principal), o puxador Ciganerey e o mestre de bateria Thor - que, aliás, hoje é o presidente de direito da escola.



O enredo proposto pelo carnavalesco foi "Um Mouro no Quilombo", que retratava a aventura vivida por um muçulmano que sofre um naufrágio, é salvo e vem parar no Quilombo dos Palmares. Como diz a sinopse do enredo:



"O enredo do Paraíso do Tuiuti para 2001 é inspirado em um livro, A incrível e fascinante história do Capitão Mouro, de Georges Bourdoukan. Um misto de história - fatos que a História registra - e ficção - coisas imaginadas - sobre a vida de um personagem muito interessante que, por uma série de acasos, acabou tendo participação na História do Brasil.



Vamos contar aqui a história de um mouro que vivia em Granada, na Espanha, e saiu de sua terra para, como manda a religião islâmica, fazer peregrinação à cidade de Meca. Mas, como veremos, estava escrito (Maktub, em árabe) que seu destino seria bem diferente.



1ª parte: O Islamismo



A Espanha tinha estado mais de oito séculos sob o domínio dos árabes. É inegável que a civilização árabe, muito adiantada, deixara suas marcas positivas na Península Ibérica. Granada, capital da Espanha arabizada, era bastante progressista e o nosso herói tinha, portanto, assimilado vários aspectos dessa cultura. Foram importantes marcas da cultura árabe a arquitetura (as mesquitas, com suas formas características do estilo mourisco), a ciência (medicina adiantada), o instinto guerreiro e sobretudo a religião.



O árabe é profundamente religioso. Segue os princípios do islamismo, segundo o qual o destino do homem está traçado por Alah de maneira inapelável, sendo impossível fugir dele. O árabe é conformado, nunca se revolta contra a vontade de Alah. Ao menos uma vez na vida deve ir a Meca, em peregrinação, agradecer a Alah o dom da vida.



Foi justamente para cumprir esse preceito que nosso mouro saiu de Granada, enfrentando toda a sorte de adversidades que as viagens marítimas reservavam na época.



Muitos perigos rondavam os viajantes: tempestades, calmarias (que deixavam as embarcações à deriva às vezes por meses a fio) e a peste. Havia ainda o risco de ser atacado por piratas, que sabiam que os peregrinos levavam à cidade sagrada grande quantidade de dinheiro para ser distribuído aos necessitados, como manda o preceito da religião islâmica.



E foi o que aconteceu ao nosso herói, que teve de usar seu ânimo guerreiro para derrotar os piratas. Saiu com vida, mas ficou isolado no meio do oceano, porque seu navio foi a pique. Desse naufrágio foi salvo por um judeu que estava a caminho do Brasil, onde pretendia estabelecer-se como comerciante, a exemplo de um irmão seu.



Isto a História registra.







Judeus e árabes eram, naquele momento, aliados na Península Ibérica, bem como no Norte da África. Uniam-se para resistir aos rigores da Inquisição, tribunal permanente instituído pela Igreja Católica para julgar todos aqueles que se afastassem de seus cânones. Não foi difícil, portanto, aos dois unirem suas forças para sobreviver.



A Inquisição já chegara ao Brasil, mas aqui ainda era mais branda do que na Península Ibérica. Por isso, o judeu convence o mouro a acompanhá-lo ao Brasil. Antes mesmo de aqui chegar, as religiões e as culturas daqueles dois homens se puseram em contato. Apesar das divergências, mouro e judeu tornaram-se amigos.



Isto a História registra.





3ª parte: A África Negra



O continente africano abriga judeus e árabes. Mas a maior parte de seu território era ocupada pelos negros, que viviam até então em plena liberdade, usufruindo das belezas naturais e da riqueza do solo. Essa situação paradisíaca foi modificada pela ambição de alguns: os belos e altivos habitantes da África negra foram escravizados, perdendo sua liberdade em troca do lucro de uns poucos.



Isto a História registra.





4ª parte: O Brasil Colônia



Quando o mouro e o judeu chegam às costas de Pernambuco, lá encontram a ferida da escravidão negra e se horrorizam diante dela. A primeira impressão, de que estavam chegando ao paraíso, se desfaz: o paraíso se transforma em inferno quando é assolado pela escravidão, que dizima o negro, pela Inquisição, que aterroriza o judeu e o mouro (infiéis, segundo a Igreja católica), e pelo mal-do-bicho, doença terrível que ataca o branco, e que chamaremos aqui simplesmente a peste.



De imediato, o mouro e o judeu percebem que não poderão viver tão tranqüilamente quanto haviam imaginado. Perseguidos pela Inquisição, horrorizados com a ignorância e a falta de higiene reinantes, fazendo grassar a epidemia, e revoltados com as atrocidades que presenciam contra os irmãos negros, acabam tomando conhecimento da existência de um reduto de negros empenhados na resistência, e se vêem forçados a refugiar-se no Quilombo, em terras alagoanas.



Isto a História registra.





5ª parte: O Quilombo



Ao chegar ao Quilombo, nosso herói se surpreende com a vulnerabilidade do lugar: os brancos, donos dos prósperos engenhos de açúcar, pintavam o Quilombo como uma força temível, mas ao chegar lá ele constatou que era muito frágil a estrutura física do local. A força do Quilombo vinha de sua estrutura social: praticavam o escambo, troca de mercadorias que tornava desnecessária a circulação do papel-moeda, viviam comunitariamente sob a liderança de Zumbi, cujo carisma impressionava muito mais do que a força física.



Em Palmares se radicaram também vários indígens, que se identificaram com os ideais de liberdade e igualdade que ali eram cultuados e postos em prática.



O mouro leva para o Quilombo tudo que assimilara em sua longínqua civilização: as táticas de guerrilha na luta contra o inimigo mais forte, a construção de fortificações e de armadilhas, o conhecimento da higiene e da medicina.



O judeu, por seu turno, percebe a necessidade de implantar no Quilombo um sistema educacional, indispensável inclusive ao futuro relato dos acontecimentos. Sem instrução não seria possível escrever a história, deixando a tarefa ao opressor, que tudo faria para difamá-los.



Isto a História registra.





6ª parte: A Guerra



A tarefa de combater e capturar os negros que resistiam no Quilombo foi dada pela classe dominante aos bandeirantes mercenários. Eles formaram milícias no encalço dos fugitivos e sua crueldade não conheceu limites.



Os negros eram numericamente inferiores e menos equipados do ponto de vista bélico. Tinham de suprir essas deficiências usando sua coragem e sua criatividade. Todas as táticas aprendidas com o mouro lhes foram valiosas.



O hábitat natural, a floresta, não era uma aliada, mas também não era adversária. Ela era perigosa: animais selvagens, alguns indígenas hostis que se aliavam aos portugueses contra os quilombolas, e a própria densidade da mata dificultava indistintamente a atuação de uns e de outros.



O enfrentamento entre as partes foi terrível, com ocorrência de atrocidades, traições, tudo enfim que é característico da insanidade das guerras. É surpreendente que o Quilombo tenha resistido tanto tempo e com tanta bravura aos ataques dos poderosos, que tinham a seu favor as leis, o poder econômico, a Igreja, todo o sistema, enfim. Para essa brava resistência muito contribuiu a participação desses dois personagens anônimos.



Isto a História registra.





7ª parte: Meca



O mouro deixou sua pátria para cumprir um preceito de fé: a peregrinação a Meca. Segundo acreditava, estaria no Brasil de passagem. No entanto, aqui ficou, aqui teve um papel importante na construção de um sonho que - este sim - nunca terminou, sobreviveu ao Quilombo: o sonho de educação, de instrução, de higiene, de saúde, de dignidade e de liberdade, que ainda hoje perseguimos



Todo adepto do Islã deve ir a Meca ao menos uma vez na vida. Nosso herói não o fez. Estava escrito que sua Meca era aqui, neste distante Brasil de negros, brancos, índios, árabes, judeus e de quem mais chegar.



Da mesma forma, chega o nosso Paraíso do Tuiuti, em sua peregrinação, a esta Meca do sambista que é o desfile principal, o do Grupo Especial. Minoria, como o mouro, o judeu e o negro, este valente peregrino não abre mão do sonho de justiça e igualdade que acalenta e canta com vigor e alegria imbatíveis.



Isto a História registrará ..."





A escola sofreu com a falta de estrutura no período pré-carnavalesco. Seu barracão era embaixo do viaduto de São Cristóvão e a sua quadra, embora reformada, também era bem acanhada. Muitos presidentes de ala eram estreantes no grupo e a escola teve de buscar aumentar seu número de componentes.



O Paraíso do Tuiuti abriu o desfile do Grupo Especial no domingo de carnaval, 25 de fevereiro. A escola sofreu com a inexperiência, cometendo alguns erros típicos da juventude - até carro em ordem trocada entrou. Assim mesmo, foi um desfile bem legal, embalado por um belo samba e que não me canso de cantar a plenos pulmões a cada vez em que ele é "esquenta" da escola.



Minha fantasia era de veludo, quente e o chapéu quase foi decepado pelo ventilador de teto da sala do apartamento onde eu morava. Minha então namorada - hoje esposa - só sabia o refrão do samba. Mas gostei muito da experiência, um desfile solto, alegre e que me permitiu uma estréia muito agradável na avenida. Até hoje gosto muito deste samba, é um dos que possuem lugar cativo em meu coração.



Na apuração, os problemas de estrutura pesaram, e a escola acabou com o décimo quarto e último lugar, retornando ao Grupo de Acesso A, com 260 pontos em 300 possíveis.

Vamos à letra do belo samba, que pode ser ouvido ao vivo aqui:

Autores
Cesar Som Livre, Kleber Rodrgigues, David Lima e Claudio Martins

Puxador
Ciganerey

"Pra agradecer
O dom da vida
O mais sublime dom de Alah
No mar ... Um bravo mouro se aventurou
Ao risco de tenebrosas tormentas
Piratas, batalhas sangrentas
Mas naufragou
E o destino lhe sorriu
Nas mãos de um salvador
O trouxe pro Brasil ... De Zumbi

Ê Ô Zumbi
Todo o Quilombo ... Coragem
É força pra resistir
É fé que vem acudir
É fibra que brota em ti ... Palmares

Assim surgiu
O desejo de escrever
A própria história
E quem quiser chegar
Pra constriuir essa vitória
Um povo mais feliz
A meca de um país
Justiça e igualdade

Tu és meu sonho, Tuiuti
Tens um destino a cumprir
É brilhar no carnaval
No desfile principal
Todo o povo a te aplaudir
Te aplaudir"

Semana que vem, o terceiro desfile do mesmo ano, uma história inacreditável: União de Vaz Lobo 2001.

(Agradecimentos: Walkir Fernandes)

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Big Brother Brasil, o lixo que é um fenômeno



Semana passada iniciou-se mais uma edição do famigerado Big Brother Brasil, programa que em sua décima temporada galvaniza as mentes lobotomizadas e literalmente teleguiadas da nação.

O mote do programa é relativamente simples. Um número de pessoas variável é selecionado de forma teoricamente democrática - logo veremos que esta afirmação é problemática - e confinado em uma casa sem qualquer contato com o mundo exterior, pelo menos teoricamente.

A aposta é de que, nestes tempos conectados, as pessoas irão se interessar em observar a vida cotidiana dos confinados na casa.

Entretanto, o programa possui algumas características que o desviam de seu objetivo final.

O primeiro é a seleção dos participantes. Já virou folclore o fato de serem verdadeiros incautos aqueles que enviam os seus vídeos todo ano para a produção do programa. Na prática, somente vai abastecer o estoque de "vídeos ridículos" exibidos por um dos canais a cabo da emissora a cada temporada de exibição.

Basta começar o programa e logo se vê que fulano era amigo de artista, que beltrano já havia trabalhado no meio artístico, que três ou quatro eram indicados por "olheiros" da produção, mais três ou quatro entraram direto na fase final de seleção... ou seja, quem enviou o vídeo caiu em uma esparrela.

Outro ponto é que o perfil dos participantes é basicamente o mesmo. Sarados, gostosas e praticamente lobotomizados. Normalmente é um festival de asneiras e exibição gratuita de corpos. Em algumas edições houve a indicação de participantes com perfis mais próximos do encontrado em nossa população, mas em média ou saíam na primeira eliminação ou ganhavam o prêmio.

Aí temos outro problema. Não afirmo que há manipulação de resultado, mas no mínimo a edição é "direcionada" para um ou outro candidato. Exatamente por este motivo que pessoas oriundas das camadas sociais mais humildes deixaram de participar do programa, porque o público tendia a privilegiar aqueles que precisariam mais do prêmio.

Entretanto, temos um sofisma, porque sob a alegação de que o público "gosta de coitadinhos" reduz-se a gama de participantes e, com esta limitação, a direção fica livre para direcionar as escolhas para este ou aquele "ungido".

Mais uma excrescência é a esperança que todos os participantes tem de se tornarem "artistas" - mesmo que isto signifique a presença em "books" de hotéis de luxo. Após o programa, aqueles não consegurem virar "celebridades" acabam vagando, como almas penadas, por programas fúteis de outras emissoras - até voltarem, como espectros plasmáticos, à anonimidade.

Na prática, todos representam. Uns por quererem entrar para o meio artístico, outros atrás do dinheiro do prêmio.

Como resultado da preferência por corpos sarados e neurônios escassos, o nível do programa é de doer. A língua portuguesa é vilipendiada sem perdão nem piedade; muitas vezes, há o incentivo a comportamentos não muito adequados a serem exibidos em horário nobre. Querendo ou não, a televisão tem uma força fundamental - e, normalmente, nociva - na formação do cidadão.

Obviamente, o leitor deve estar se perguntando o porquê do sucesso do programa, apesar de tantos defeitos.

Penso que se deve a uma série de fatores. Primeiro pelo fato de explorar algo que é inerente ao ser humano, que é a curiosidade e, por que não, o voyuerismo. Segundo porque o padrão de beleza adotado pelos organizadores é um espelho tomado pelo homem comum como ideal: normalmente são belas moças e homens de aparência máscula - mesmo que seja só aparência.

O terceiro fator é a dinâmica do programa, sempre com várias etapas e alternativas. E, por último, a força da emissora, que massifica em sua programação o programa.

Agora, sinceramente ? Acho um lixo, perda de tempo. Prefiro um bom livro.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Viajando... com crianças



Bom, com atraso - a coluna me foi enviada para um endereço de e-mail que não acesso normalmente quando estou de férias - vamos à segunda coluna "Viajando", escrita pela agente de viagens, rubro-negra e minha amiga Adriana Martins, da "Drica Viagens".

O tema de hoje são dicas para viagens em que a presença das crianças é indispensável. Bom proveito.

"Ah as tão esperadas férias !!!



Pra quem tem filhos pequenos, vou dar algumas dicas de como os papais e mamães podem viajar com seus pimpolhos com segurança e sem contratempos. Porque viajar com crianças é lindo, mas sem planejamento a viagem pode não ser assim uma "brastemp".



Primeiro – escolha da cidade



Toda cidade pode receber crianças, afinal algumas até moram nesses lugares...



Mas lembrem-se que a cidade escolhida nem sempre vai te oferecer o conforto que você tem em sua casa. Tenha em mente quais são suas prioridades antes de escolher pra onde levar os pimpolhos. Eu particularmente prefiro cidades maiores, mas cidades pequenas podem ser bem mais aconchegantes.



Segundo – escolhendo o hotel



Diferentemente de quando você viajava sozinha e podia se hospedar em qualquer albergue pelo mundo afora, agora você precisa ver as necessidades das crianças em primeiro lugar.



Albergues são bem baratos, mas a maioria não oferece um serviço de quarto madrugada afora, ou não oferece uma baby kitchen. E convenhamos você não vai querer que o pimpolho tenha fome no meio da madrugada né ?



Os resorts nestes casos são bem mais equipados e oferecem todos esses serviços inclusos nas diárias, mas por um preço beeeeeeeeeeem mais caro que os albergues.



Um meio termo é reservar um hotel categoria turística – o famoso 3 estrelas – que ofereça pelo menos uma das opções acima.



Praia é sempre uma opção interessante, mas lembre-se que se o hotel escolhido não tiver serviço de praia, vocês terão que levar o kit praia (composto por piscina inflável, baldinho e brinquedos diversos, barraca e cadeiras - sim, há lugares onde não tem esses equipamentos para alugar) isso sem esquecer o protetor solar para corpo e rosto dos pequenos e dos grandes também.



Hotéis Fazendas também são ótimas opções, já que oferecem normalmente uma equipe de recreadores pra ajudar com os pimpolhos e para o casal aproveitar uns excelentes momentos de descanso.



Outra opção otema, e que também já vem com serviço de recreadores incluso (somente durante as atividades programadas) são os navios que todo ano invadem a costa brasileira e tem inúmeros destinos para todos os gostos, do nordeste a Buenos Aires, com duração de 3 a 17 noites, com um sistema tipo all inclusive, com 5 refeições diárias, e ainda opções de comida ao ar livre disponível o dia inteiro, onde só não estão incluídas bebidas alcoólicas, agua mineral e refrigerantes.



Gente, não pense que eu não me importo com as crianças, ao sugerir que vocês utilizem os serviços de babás e recreadores. Tanto me importo com elas, quanto com vocês, meus queridos, que também estão de férias e também merecem um descansinho de vez em quando.



Terceiro – escolhendo os passeios



Escolher os passeios é um processo bastante delicado, já que envolve gostos pessoais e eu não gosto muito de afirmar nada neste sentido. Vou dar algumas sugestões baseadas na minha experiência pessoal, afinal eu tenho uma filha de 8 anos e já viajamos juntas algumas vezes.



Se a criança for pequena, até uns cinco anos, leve um carrinho de passeio. Me arrependo amargamente de ter dado o carrinho da minha quando ela completou três anos. Viagens que requerem caminhadas precisam de um carrinho. Se você tem dois filhos com idades próximas, compre aquele de gêmeos; vale o investimento e os dois andam confortavelmente juntos sem que um reclame de estar cansado, enquanto o outro está lá sentadinho.



Quando a criança for um pouco maior ela já não vai caber no carrinho, mas crianças reclamam de andar muito; então programe os passeios com paradas estratégicas para descanso, seja no museu ou fazendo um tour pela cidade escolhida. Se possível, ande sempre com água e alguns biscoitos para emergências; e não saia de casa sem uma capa de chuva, ou guarda chuva, principalmente se você estiver em algum lugar que costuma ter pancadas de chuva, assim meio sem avisar.



Quarto - o que não pode faltar - lembrando que o que é medicação é sempre com orientação médica, ok ?



Bom, aí é de cada um mesmo, mas eu vou citar minha listinha básica, até porque minha filha tem bronquite, então algumas coisa eu realmente não posso esquecer, sob o risco de não encontrar produto similar pra comprar.



* nebulizador - o que utilizo é relativamente pequeno, mas ocupa espaço ainda assim, só que eu não posso me dar ao luxo de ficar sem ele, vai que ela resolve ter uma crise bem no meio das férias na Disney...
* medicação para ser usada com o nebulizador.
* xarope do dia e da noite (olha a crise nas ferias na Disney...).
* aquele remedinho pra enjoo - que aproveita e faz dormir e a criança fica menos agitada durante a viagem, ajuda muito pra quem viaja de carro.
* band-aids diversos.
* algodão e água oxigenada 10 volumes
* lenços umidecidos - olha que não é só criança que usa heim.
* protetores solares - porque mesmo que você esteja indo para a fazenda, lembre-se dos raios ultra violeta.
* guarda chuva e capa de chuva.
* um jogo - a minha filha está na fase do Nintendo DS, mas pode ser qualquer coisa que distraia a criança durante a viagem.



Quando estou viajando de carro ainda acrescento:



* água e biscoitos ajudam bastante quando não se tem aonde parar.
* papel higiênico.
* toalha.



Estou me lembrando apenas desses, mas se eu lembrar de outras coisas, coloco aqui novamente.



Acho que basicamente a ideia aqui é que vocês se divirtam junto com seus filhos, sem estresse e da maneira que for mais adequada a cada família. Como eu disse antes, não tenho o proposito de dizer o que vocês tem que fazer, quis apenas dividir algumas orientações aprendidas nas minhas experiências.



Sugestões de roteiros no site da Drica Viagens."

sábado, 16 de janeiro de 2010

Globo: onisciente, onipresente e especialmente onipotente

Na última sexta feira a escola de samba paulistana Rosas de Ouro foi obrigada a alterar o refrão de seu samba de enredo por suposta alusão ao patrocinador de seu desfile sobre o cacau, a fábrica de chocolates finos Cacau Show.
O que era "cacau é show" virou "o cacau chegou", por imposição da rede de televisão que transmitirá o desfile, a Globo. Mantendo a sua postura de somente veicular marcas comerciais que paguem para tal, a emissora simplesmente obrigou a escola a alterar o refrão de seu samba - que sequer faz propaganda ostensiva da marca.

A posição da emissora é de subordinar o jornalístico e, no caso, o artístico, ao comercial. É mais importante forçar a compra de espaços comerciais do que mostrar o fato tal qual ele acontece.

Nos esportes esta postura é mais visível, inclusive atingindo os canais fechados. A emissora chega ao ponto de inventar nomes de times de vôlei, que possuem nomes de empresas, para não citá-los. "Unilever" virou "Rio de Janeiro" e Cimed, "Florianópolis". O resultado é que diversas marcas estão retirando o apoio ao esporte, haja visto que não obtém o necessário retorno de imagem.

Já no futebol a ação é mais discreta, mas não menos eficiente. Basta verificar que 80% do tempo das partidas são transmitidas em um plano geral, longínquo, de modo a mostrar o mínimo possível a marca dos patrocinadores das camisas e as placas publicitárias do estádio. Outro bom exemplo são os planos fechadíssimos nas entrevistas coletivas a fim de não mostrar os "backdrops" - placas publicitárias - atrás dos jogadores. Quase dá para contar o número de poros que cada entrevistado possui no rosto.

A sofisticação chega a tal ponto que, em recente matéria policial na zona sul, a imagem foi tratada eletronicamente a fim de retirar a logomarca do supermercado "Zona Sul", em frente ao qual houve a explosão da bomba. Em fotos publicadas no jornal impresso do grupo há o mesmo tratamento, ao ponto de certa ocasião "limparem" a camisa do Flamengo para a publicação de uma foto.

O curioso é que o executivo da emissora para esportes cansa de dizer que "os clubes são incompetentes para arrumar patrocínios". Entretanto, como vender o produto se o retorno de imagem no principal canal de televisão aberta no país é praticamente nulo ?

Até no portal de esportes do grupo na internet esta postura é mantida. A equipe Red Bull de Fórmula 1 vira "RBR" e as equipes de vôlei usam seus nomes "globais". Notícias sobre patrocínios são veiculadas sem as marcas que assinaram contrato, ou apenas com as razões sociais. Vejam o exemplo abaixo:




Esta postura de "só eu posso ganhar, o resto que se dane" resulta de uma concentração midiática sem precedentes. A emissora possui mais de 50% de audiência na televisão aberta, o que lhe dá um poder de barganha quase divino.

Especialmente após a ascensão de Ali Kamel ao posto de "manda chuva" da área jornalística da empresa, passou a haver uma maior direcionamento do que é mostrado aos seus interesses e uma cada vez maior subordinação do produto exibido às necessidades comerciais. Isto é extremamente perigoso, pois é uma porta aberta - melhor seria dizer escancarada - para a manipulação de fatos e distribuição de versões que representam as idéias da organização, mas não necessariamente equivalem aos fatos ocorridos.

Penso que a única saída para alterar a onipotência das organizações sobre os destinos nacionais é a concorrência, já que o Estado renuncia ao seu poder regulatório do setor. Por isso que, apesar de todas as questões envolvidas, acho salutar a pretensão da Rede Record de dividir parte desta audiência com a emissora líder.

Quem sabe assim não assistiremos mais a absurdos deste tipo. Quem sabe um dia a Rosas de Ouro possa cantar o samba original - aliás, o verso "o cacau chegou" não faz o menor sentido.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Final de Semana - "Haiti"



Nossa música não poderia ser outra: "Haiti", de Caetano Veloso. Um excelente paralelo entre a situação dos dois países.

O vídeo apresentado acima contém a letra em português. Ouça, reflita e agradeça.

Bom final de semana.

Ainda sobre as UPPs

Escrevi esta semana sobre o papel que as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) tem na "favelofobia" vivida pelos governantes cariocas.

Pois é. O blog recebeu esta semana um comentário revelador, de um leitor que preferiu não se identificar, sobre as unidades citadas.

Como as informações foram postadas em um post antigo - na resenha do livro "Sangue Azul", que recomendo a leitura imediata - trago para cá a fim de estimular o debate com meus 44 leitores. É estarrecedor. Fiz pequenas correções ortográficas, mas que não mudam o sentido do texto.

Que Polícia é essa ?

"Meu caro...

Uma das provas que o poder vem de cima é a forma como se tornou fácil a implementação das UPP nas favelas da zona sul do Rio.

Como explicam no livro, bastou um ataque que um grupo de PMs fora-de-serviço faz para salvar a namorada de um sargento para acabar com o tráfico numa favela. Nove militares treinados, armados e organizados podem fazer mais do que qualquer grupo de traficantes.

Mas quem vai fazer isso se pode foder sua vida e acabar com o negócio de seus superiores e dos chefões dos seus superiores?

Quando foi preciso dar uma melhor imagem da zona sul do Rio, então os traficantes foram traidos pelos seus amigos e tudo foi fácil. A corrupção não acabou, mas alguêm lá em cima negociou bem e convenceu os chefões para mudar as fontes de lucro para outros locais.

De certeza que muito do negócio de protecção e de gestão de terrenos nas favelas controladas pelas UPPs são agora feitos por "empregados" desses senhores?"

(leitor não-identificado. Suspeito que seja um policial militar, mas é apenas um palpite)

Cinecasulofilia - Clint Eastwood

Sexta feira, compromisso da família da esposa me aguardando em Macaé e como sempre iniciando com a nossa coluna sobre cinema.

Assinada pelo amigo, cineasta e crítico - além de torcedor da Acadêmicos de Santa Cruz - Marcelo Ikeda, dono do blog especializado Cinecasulofilia.

O texto que reproduzimos hoje é sobre o novo filme do ator e diretor Clint Eastwood (foto).

"Invictus

Confesso que, ao ver um filme como Invictus, me sinto um pouco constrangido em dizer que tento ser um cineasta. Com isso não quero desmerecer o cinema experimental – cinema pelo qual tenho um profundo apreço, aliás cada vez mais intenso – mas simplesmente que é fascinante como o eterno cinema clássico americano alia técnica, razão, emoção e tesão em alto estilo. Invictus é um filme de maturidade: um produto do espectáculo cinematográfico americano mas ao mesmo tempo um filme absolutamente pessoal e curiosamente audacioso. E é essa “audácia com responsabilidade” o que mais me fascina no filme.

Clint Eastwood se baseia num fato real: a eleição de Nelson Mandela como Presidente da África do Sul e o campeonato da seleção nacional de rugby. Cria um filme de ficção sobre o fato tomando diversas liberdades. Mas essas liberdades são explícitas: o filme não procura simular um documentário na sua estética ou movimentos de câmera (com isso quero apontar para usos considerados “realistas” dos elementos de linguagem por filmes que se propõem examinar processos históricos, como por exemplo a câmera frenética do desembarque da Normandia em O Resgate do Soldado Ryan, ou mesmo em Domingo Sangrento, de Paul Greengrass) (a não ser logo no início do filme quando um material de arquivo em VHS é combinado com cenas ficcionais feitas exclusivamente para esse efeito – quase como em Zelig – mas nesse caso tem como efeito apontar para o espectador a atualidade da questão que o filme toca, devo falar disso no final, e não “borrar” a fronteira entre ambos). Por outro lado, não quer esgarçar o processo histórico a ponto de torná-lo uma caricatura grosseira, apontando para um virtuosismo da escrita cinematográfica, como efeitos gráficos ou jogos narrativos internos, como é o caso de filmes como Bastardos Inglórios, ou mesmo dos brasileiros Cidade de Deus ou Tropa de Elite.

Eastwood não procura fazer nem um nem outro: nem procura emular um documentário nem ser niilista, apontando para o vazio da história. Sua distância dessas duas abordagens se dá por um simples fato: o da busca por um cinema essencialmente ético que reflita sobre o mundo de hoje. A diferença de Eastwood para esses cineastas (Tarantino, Greengrass, Padilha, Meirelles, etc.) ocorre, claro, por uma visão de mundo, mas também na forma como são expostas imagens para o espectador; diferem em relação ao valor que conferem a uma imagem.

Como dizíamos, Invictus fala sobre Mandela e a África do Sul. Fala sobre os desafios de num mesmo país (ou num mesmo “mundo”) dialogarem tendências divergentes, questiona sobre a possibilidade de paz num mundo de diferenças. Curiosamente, sua resposta é positiva: a paz é possível se forem esquecidos os conflitos do passado para se investir num projeto de futuro. (Nisso, se assemelha bastante a Gran Torino). Ou ainda, se o projeto for se fato a aceitação da diferença, e não a supremacia de um grupo de poder sobre outro.

Mas o inusitado (daí a “audácia”) da proposta de Eastwood é investigar isso sobre o ponto de vista de uma seleção de rugby. Para o presidente, a chave de solução dos conflitos da África do Sul surge a partir da vitória da equipe nacional de rugby. Dessa forma, um jogo da seleção passa a ser mais importante que um programa ministerial: o rugby passa a ser uma questão de Estado. Aqui surge um incrível paradoxo que Eastwood resolve como mestre, e daí a singeleza desse filme. O que poderia cair numa comédia escrachada, ridicularizando essa tentativa de unificação, como um processo superficial e popularesco, acaba se revelando um enorme componente indutor de um olhar absolutamente complexo sobre a realidade de um país, sobre a natureza do espetáculo, sobre a política, sobre a natureza humana.

Há uma frase que resume essas intenções. A assessora do presidente o questiona sobre a importância dada ao rugby. Ela afirma que existem questões mais importantes para o país, e num determinado momento ela pergunta se é simplesmente um “cálculo”, uma forma política – eu diria populista – de aumentar sua base de poder. A resposta é genial: ele diz que existe sim um cálculo, mas “um cálculo humano”.

Invictus é sobre a possibilidade de humanização desse “cálculo”, chave de toda a busca do cinema ético de Eastwood, e chave de elucidação de como as imagens são usadas nesse filme para coroar isso.

Invictus é sobre uma conciliação possível. Mandela se torna presidente de um país, presidente dos brancos e dos negros. Ser “presidente dos brancos” não significa no entanto trair suas origens, nem também representa meramente um “acordo com as elites para a governabilidade do país”. O apoio à equipe de rugby não deixa de ser oportunista, mas um “oportunismo” de outra natureza: daí a humanização de seu cálculo. Para ser presidente dos brancos e dos negros, é preciso que os brancos e os negros tenham orgulho de um país. E o modo mais rápido e efetivo de conseguir isso é através do espetáculo.

O espetáculo em torno de um campeonato mundial de rugby é uma das facetas de uma sociedade do espetáculo, em que o cinema americano certamente faz parte disso. A paixão, a habilidade com que Eastwood filma as cenas de jogo é fascinante, porque mostra que esse “velhinho” é absolutamente jovial quando é necessária uma mobilidade da câmera, uma utilização mais presente dos recursos de montagem, dos efeitos sonoros, visuais (câmeras lentas), etc., jogos com a própria confecção, com a tessitura do dia-a-dia do material fílmico, em especial quando se trata de um filme de grande orçamento quanto Invictus.

Mandela sabe jogar conforme as regras do jogo, e essa é a sua enorme sabedoria, este é o seu “cálculo”, dado que esse “jogar” não compromete a verdadeira essência do seu discurso. Ou seja, é bem diferente do “os fins justificam os meios”. Devemos abrir mão do que importa a nível superficial para conquistar o que nos importa a nível das essências.

Num ano em que ambos concorrem ao Oscar, é curioso ver frente a frente Invictus e Bastardos Inglórios, dois filmes totalmente opostos: enquanto Bastardos Inglórios esgarça a imagem, concentra-se em jogos narrativos e distorce a realidade histórica para promover a vingança, a intolerância e o ressentimento, Invictus resgata o cinema clássico para subvertê-lo não nas superfícies dessa imagem, não nos cacoetes estilísticos, mas a partir da busca por um cinema ético que promova os valores da conciliação, do perdão e da tolerância. Uma mensagem pacifista mas sem ser ingênua, sem deixar de apontar que precisa-se abrir mão de algo para conquistar esse diálogo.

É só pensar na diferença entre as sequências de diálogo entre os dois filmes. Enquanto em Bastardos Inglórios, a sequência do oficial nazista com o camponês aponta para a ironia, o sarcasmo, os jogos verbais, os sotaques estilizados, a “verve do falar”, etc., em Invictus a do presidente com o capitão da equipe de rugby aponta para o não-dito, para a profundidade da humanização desse contato. Na primeira, não há diálogo verdadeiro; na segunda, um diálogo profundo, além das palavras.

O pacifismo de Invictus não é ingênuo, não é o pacifismo do “juntos chegaremos lá”. Um dos pontos destacados por Invictus é o da necessidade de não necessariamente satisfazer as expectativas dos seus aliados (amigos) para atingir um objetivo verdadeiro (veja a segurança pessoal do presidente, também composta por brancos, ou ainda lutar para manter as cores do uniforme da equipe de rugby). Ou ainda, Invictus aponta claramente para a solidão do poder, para o fato de que o verdadeiro líder inevitavelmente acaba solitário (é só ver os finais de A Troca e Gran Torino). Eastwood, no meio do espetáculo, faz questão de apontar sequências de transição que mostram caminhadas solitárias do presidentes pelas ruas vazias, ou ainda, o líder dormindo sozinho em sua grande mansão, longe da esposa e da filha. A forma como Eastwood mostra a casa em que o presidente mora é exemplar: quase sempre noturna, vazia, silenciosa, em penumbra, num clima de reflexão e angústia, onde esse grande líder se retira, como se fosse um filme japonês.

Há tantos outros pontos a se destacar no filme, mas o tempo urge e quero concluir com o essencial. Invictus é um filme sobre a política do mundo de hoje. É um filme sobre os Estados Unidos de hoje, e – por que não pensar – um filme sobre o Brasil de hoje: poderíamos pensar Lula e a seleção de futebol, e os “acordos com os brancos para a consolidação do poder”. Invictus é um filme tão complexo que “a situação e a oposição” poderiam chegar a idéias opostas sobre se o filme elogia ou critica a posição do presidente, e estariam em certa medida ao mesmo tempo corretos e equivocados em sua avaliação.

Será que o filme Lula, o Filho do Brasil será tão político quanto o filme de Eastwood?"

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Drama Haitiano



Infelizmente, após dois posts sobre carnaval, tenho de comentar a tragédia que se abateu sobre o Haiti, o pequeno país caribenho, mais pobre da América Latina.

A estimativa no momento em que escrevo é de que 100 mil pessoas, ou mais, tenham perecido no episódio. Embora não tendo sido um dos terremotos mais fortes mundialmente dos últimos tempos, o país foi vítima de duas infelizes coincidências: o epicentro deste ser justamente embaixo da cidade e em uma profundidade considerada rasa - cerca de dez quilômetros.

Além disso, dada a pobreza e a falta de infraestrutura do país, evidentemente as construções não possuíam qualquer tipo de reforço anti-terremoto.

O Haiti é um país que sofre com intempéries naturais, mas especialmente com a mão do homem. Sucessão de ditaduras cleptocratas, o país dedicou-se por décadas a enriquecer seus dirigentes e a devastar seus (parcos) recursos naturais. Como se vê na foto abaixo, nem o Palácio Presidencial resistiu.



Além disso, sofre com uma violenta falta de energia elétrica, a ponto das ruas sequer terem iluminação. A cobertura vegetal do país foi devastada em busca de carvão e a erosão decorrente diminuiu sobremaneira as áreas cultiváveis. Resultado: mais fome.

Também não posso deixar de citar a ajuda extremamente tímida prometida pela ONU (US$ 10 milhões) levando-se em conta o tamanho do estrago e o fato de que militares a serviço da entidade morreram no episódio. O Brasil, com seus 25 milhões de dólares, já supera amplamente a ajuda oferecida pela entidade.

Ridícula, a propósito, é a posição do governo americano, que pediu ajuda direta ao povo sem "colocar a mão no bolso" diretamente. Isso tudo é medo dos republicanos ?

Um terremoto destes já seria problemático em uma área estruturada. Ocorrendo em um país miserável, onde o pobre é mais pobre, sem estrutura nenhuma, torna-se a catástrofe a que estamos assistindo.

Na aba de blogs do Ouro de Tolo, há o "Ayitian Nuvels", mantido até julho do ano passado pelo Zé Renato, amigo que viveu no Haiti a fim de fazer sua pesquisa de doutorado. Recomendo uma leitura ávida dos textos. Também escrevi anteriormente texto sobre o país, está aqui para leitura.

No mais, infelizmenmte é lamentar as vítimas e refletir sempre que queremos reclamar de algo: pense no Haiti.



(Fotos: R7, com agências internacionais)