sexta-feira, 11 de junho de 2010

Final de Semana - "Maneiras"



(Direto de Curitiba)

Sem mais delongas, nossa música para o final de semana. Zeca Pagodinho, sambista carioca.

Maneiras

(Ítalo Costa)

"Se eu quiser fumar eu fumo, se eu quiser beber eu bebo
Eu pago tudo que eu consumo com o suor do meu emprego
Confusão eu não arrumo, mas também não peço arrego
Eu um dia me aprumo, pois tenho fé no meu apego
Eu só posso ter chamego, com quem me faz cafuné
Como o vampiro e o morcego é o homem e a mulher
O meu linguajar é nato, eu não estou falando grego
Eu tenho amores e amigos de fato,
Nos lugares onde eu chego
Eu estou descontraído, não que eu tivesse bebido
Nem que eu tivesse fumado pra falar de vida alheia
Mas digo sinceramente, na vida, a coisa mais feia
É gente que vive chorando de barriga cheia
É gente que vive chorando de barriga cheia"

Cinecasulofilia - "Hadewijch"


(Direto de Curitiba)

Sexta feira, temporada paranaense próxima de se encerrar, mas nossa coluna "Cinecasulofilia" não poderia estar ausente. Mais uma vez, texto do cineasta, professor e crítico Marcelo Ikeda, dono do blog de mesmo nome.

"Em um certo momento de Hadewijch, o irmão do menino árabe, uma espécie de pastor da comunidade muçulmana, fala sobre a presença de Deus em meio ao invisível. Parece clara a busca de Bruno Dumont por um sentido religioso da imagem, uma busca pelo além das superfícies do plano, uma certa angústia de viver, uma certa dificuldade de os corpos se tocarem, numa sociedade francamente desigual. Se a filmografia de Dumont sempre trabalhou os limites exíguos entre o sublime e o grotesco, a inocência e a brutalidade, ou ainda, como a violência pode emergir de um mundo idílico, em seus últimos trabalhos Dumont caiu no excesso. Com isso não me refiro somente às explosões nonsense de Flandres ou ao esdrúxulo final de Twentynine Palms, mas especialmente ao fato de que Dumont vem se acomodando a uma certa feição do seu trabalho, cercada por uma certa polêmica e por um discurso do vazio do mundo quase pueril. Em Hadewijch há uma certa mudança, há um certo retorno ao cinema de A Humanidade e A Vida de Jesus, mas ao mesmo tempo há um achatamento de sua construção de cinema. Existe muitas vezes uma beleza plácida em Hadewijch, uma busca por uma simplicidade, o rosto nu de Julie Sokolowski, uma busca pelo invisível que parece que nunca vem, um certo rigor marcado pela contenção. O maior exemplo é a linda sequência em que Celine vai à Igreja e ouve o ensaio de um pequeno concerto, filmado num belo e simples campo-contracampo. Se por um lado a busca por um êxtase que é sempre peremptório se associa a todo o cinema de Dumont, aqui atinge quase um paradoxo: a busca por um cinema metafísico é entrecortada por um sentido de urgência de um mundo, a minoria árabe, a alienação das elites, as ações de terrorismo. No meio de tudo isso, Dumont ainda busca confirmar sua vocação como cineasta, evocando climas e recorrências de filmes de Dreyer e Bresson. Entre Mouchette e Do Outro Lado, Dumont não é nem Bresson nem Faith Akin. Por um lado é positivo o fato de Dumont nitidamente querer fugir do “espetáculo dos horrores” que caracteriza seus últimos dois filmes, mas, ainda assim, preocupado em evocar Bresson, Dumont não percebe o que os Dardennes fizeram antes, em Rosetta. Os Dardennes fizeram uma grande homenagem a Bresson com um filme com uma incômoda câmera na mão e um som ensurdecedor, mas existia todo um percurso que honrava sua sequência final – é só pensar em Pickpocket. Mas Dumont ainda está preso aos sentidos literais da homenagem: a epifania precisa vir acompanhada de raios solares, o pré-clímax é inundado pela chuva e pela música de Bach. Esses recursos não são ruins em si mesmos mas acontece que Dumont sempre fica no meio do caminho. Seu filme não chega a ser ruim, mas simplesmente trai a tudo aquilo o que ele homenageia, a tudo aquilo o que ele supostamente busca: a possibilidade de uma iluminação."

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Ampliação da Repar

(Direto de Araucária, PR)

Coloco aqui para o leitor uma pequena amostra das obras de ampliação da Repar - Refinaria Presidente Vargas.

Posteriormente irei escrever um post com maiores detalhes, mas a foto dá apenas um pequeno panorama da ampliação da refinaria, localizada aqui em Araucária, Paraná.

A produção de derivados irá se modernizar, reforçando o atendimento aos estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo (parte) e Mato Grosso do Sul (parte). Além de produzir derivados para exportação.

Também haverá uma planta petroquímica e outra de coque.

A petroleira brasileira hoje é uma das principais indutoras de investimento e geração de emprego e renda no país, com o seu plano de investimentos não somente em exploração e produção - com o pré-sal - como na construção, ampliação e modernização de refinarias.

Até porque lembro aos leitores que é mais vantajoso exportar derivados de petróleo que o mesmo em estado cru, devido ao valor agregado representado pelo processo de refino. Com a nova oferta representada pelo pré-sal, abrem-se possibilidades de exportação absolutamente promissoras - até porque a capacidade de refino no mundo está próxima de seu limite em termos globais.

Também não precisaremos mais importar diesel com baixíssimo teor de enxofre. Sobre isto, porém, falarei em outra oportunidade.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Formaturas, Batizados e Afins - "Entre Cobras e Lagartos"


Quarta feira, dia de nossa coluna sobre Ciência e Tecnologia, a "Formaturas, Batizados & Afins". O tema de hoje é o recente incêndio ocorrido no Instituto Butantan e seus desdobramentos.

Vamos ao texto, como sempre de autoria do Professor de Biofísica da UFRJ Marcelo Einicker.

"Entre cobras e lagartos

Caros amigos,

O mês de maio foi intenso em matérias dedicadas ao cenário científico. A criação da primeira célula “artificial” (tema desta coluna na sua edição passada) acabou atropelando um episódio triste de nossa Ciência – o incêndio no prédio do Instituto Butantan em São Paulo. A escolha deste tema é decorrência não apenas da catástrofe e perda que gera um incêndio numa instituição de pesquisa, mas também da incrível revelação de opiniões equivocadas de um de seus ex-presidentes.

Um pouco de história

Em 1898, após um surto epidêmico de peste bubônica no porto de Santos, identificado por um grupo de profissionais de saúde no qual trabalhava o celébre médico e cientista brasileiro Vital Brazil, o governo decidiu por instalar um laboratório que produzisse algum medicamento contra este surto em local distante do centro da cidade. O lugar escolhido foi a Fazenda Butantan. Por conta disso, em homenagem a ela, em 23 de fevereiro de 1901 foi oficialmente criado o Instituto Serumtherapico, posteriormente denominado Instituto Butantan. A partir daí o Instituto foi ganhando prestígio e sendo ampliado para que pudesse receber novos laboratórios.

Hoje o Instituto Butantan é um centro de pesquisa biomédica vinculado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e responsável pela produção de mais de 80% de todas as vacinas e soros utilizados no Brasil. Sua missão institucional é desenvolver estudos em pesquisa básica na área de Biologia e Biomedicina relacionadas direta ou indiretamente com a saúde pública, além é claro de sua função de centro nacional de produtor de soros e vacinas. Por sua fama e beleza, o Instituto Butantan é um dos pontos turísticos mais visitados de São Paulo, e abriga três museus (Biológico, Histórico e Microbiológico) e um parque belíssimo.

Endereço e serviço:
Instituto Butantan
Avenida Vital Brasil, 1.500 - Butantã - Zona Oeste (trem Hebraica Rebouças)
Tel.: (11) 3726-7222
Site: www.butantan.gov.br
Horário: De terça a domingo, das 9h às 16:30h
Preço: adultos pagam R$ 6, crianças acima de sete anos e estudantes pagam R$ 2,50 e menores de sete anos e idosos são isentos.

O incêndio

No dia 15 de maio de 2010, um incêndio provavelmente causado por curto circuito, destruiu boa parte das instalações do Laboratório de répteis do Instituto Butantan, onde estava o maior acervo de cobras, lagartos, escorpiões e aranhas catalogados no mundo. Na manhã daquele sábado a perspectiva era de uma perda irreparável de anos de pesquisa científica e destruição de exemplares únicos de animais encontrados em expedições científicas pelo Brasil e pelo mundo. Após a operação rescaldo feita pelos bombeiros, pesquisadores, funcionários e estagiários agiram em mutirão para tentar salvar o máximo possível deste acervo de forma que pudesse ser re-organizado posteriormente. Alguns dias depois do incêndio, uma estimativa mais concreta dá conta de que mais de 60% do acervo foi salvo, trazendo um sentimento de um pouco de alívio por não ter havido uma perda completa da coleção. Obviamente a maioria dos exemplares atingidos pelo fogo estavam já mortos e preservados em recipientes de vidro com álcool 70%, ou formol, método muito eficiente para a preservação e usado por laboratórios e museus.  Aqui vale ressaltar que graças ao trabalho de observação, coleta, descrição e classificação destas espécies de animais que estavam no acervo atingido é que foi possível o início do desenvolvimento dos soros e antídotos contra os venenos e toxinas produzidas por estes animais. Coleções biológicas como esta do acervo atingido no Instituto Butantan são os testemunhos materiais da biodiversidade de um país. Nelas estão depositados exemplares raros ou não, mas todos com importância e valor científico infinito. Esta informação é importante, pois infelizmente ainda existe quem acha que é uma besteira manter uma coleção de animais mortos preservados em formol num laboratório...e pior que isso...uma das pessoas que pensa assim é um dos ex-Diretores do Instituto Butantan, Dr. Isaias Raw.

A polêmica das declarações do Dr. Raw

Alguns dias depois do incendio, em entrevistas à imprensa, o ex-diretor da Fundação Butantan (braço privado que faz a gestão financeira do Instituto), Dr. Isaias Raw, defendeu a priorização da produção de vacinas no Instituto e menosprezou as pesquisas
feitas com a coleção. Entre outras barbaridades, Raw disse que a função do Butantan era salvar vidas e não “ficar brincando com cobra” e que a ciência feita pelos pesquisadores da coleção era de “quinta categoria”, referindo-se ao que considera pouca produção científica (artigos publicados e financiamentos obtidos) por parte dos pesquisadores da parte mais biológica do Butantan. Para o público leigo uma declaração destas feita por um importante cientista como o Dr. Raw, desqualifica a pesquisa mais básica que consiste em muitos casos de expedições que duram semanas, e até meses a zonas remotas para observação e coleta de exemplares de animais, que de novo ressalto, consistem na base para o início da produção dos soros e vacinas enaltecida pelo ex-Diretor. Também, as milhares de pessoas que visitam o Instituto Butantan todos os meses, o fazem por curiosidade maior em ver os animais da coleção e não para olhar a linha de produção de vacinas. Graças a estas coleções biológicas, e graças ao trabalho dos tais cientistas “de quinta categoria” (definidos por Raw), que se conhecem os nomes, os hábitats e o comportamento de todas essas cobras, lagartos, escorpiões e aranhas.

Uma crise de identidade Institucional?

Em outra parte da entrevista do Dr. Raw (Folha de São Paulo, 20/5/2010) ele disse: “Você acha que a função do Butantan é cuidar de cobra guardada em álcool ou fazer a vacina para as crianças?", ou seja, para ele a instituição não deveria ou não poderia cuidar das duas coisas. Isso ilustra claramente uma "crise de identidade institucional", deixando a instituição dividida sem entender sua função e, portanto, sujeita a ter uma parte negligenciada dependendo de que lado da dicotomia está seu diretor. Esta crise também já assolou outras instituições de renome, quando por esta mesma visão torpe, foram jogados no lixo milhares de lâminas contendo parasitas ( de inseto, mamíferos, aves, etc), milhares de exemplares de insetos, moluscos, etc, um verdadeiro crime! Não é possível estimar a quantidade de informações perdidas por atos como este. Que o fato triste do incêndio alerte o Governo para que injete mais recursos e indique profissionais competentes e comprometidos com todas as faces da pesquisa, seja o lado básico ou o lado clínico.

A sociedade científica chocada com o incendio e com as declarações de Raw

Obviamente após as declarações do Dr. Isaias Raw, uma série de manifestações públicas feitas por Biólogos e outros profissionais diretamente atingidos apareceram em jornais, blogs, revistas científicas e de opinião, etc. Para ilustrar este desabafo trago para esta página uma carta aberta que chegou a mim por e-mail, assinada por uma pesquisadora do Instituto Butantan. Como a mensagem foi enviada por uma grande amiga, creio que ela atesta a credibilidade da mesma. Segue o texto:

“Nós perdemos.

Neste sábado, dia 15 de maio de 2010, perdemos acervos valiosos no Instituto Butantan. O fogo levou um patrimônio que não poderá ser recuperado. Não sobrou quase nada para contar história. Não teremos de volta as dezenas de espécimes-tipo que foram queimadas ou os pouquíssimos exemplares coletados até hoje de uma espécie raríssima de boídeo, nem aquela cobra cega (seria ela hermafrodita?) que não existe em nenhuma outra coleção. Não teremos de volta as mais de 1,5 milhão de serpentes que foram entregues pela população ou coletadas por centenas de funcionários em viagens de campo e resgates de hidrelétricas durante mais de 110 anos. Nem os 450.000 artrópodes que foram retirados de seus ambientes de origem, muitos ainda a serem descritos. E o pior, não teremos de volta um registro histórico de uma época em que a população estabelecia um vínculo direto com a pesquisa, em que milhares de fornecedores foram responsáveis por influenciar os caminhos de pesquisa de uma instituição como o Butantan.

Garanto que maior do que a dor, hoje, é a revolta. Revolta por saber que a pesquisa básica neste país é negligenciada, revolta por saber que essa perda poderia ter sido evitada, revolta por saber que outras coleções e acervos correm o mesmo risco, revolta por ver que nada mudará. As reportagens televisivas mostraram o incêndio, mas terminaram suas falas
com as frases: "O Butantan produz 80% das vacinas e soros brasileiros. Esse serviço não foi afetado!" Como assim??!!! Quando perceberemos que para produzir soros, vacinas e biofármacos, precisamos de pesquisas, muitas delas feitas a partir de coleções como a que perdemos ontem? Quando consideraremos importantes as produções de conhecimento que não sejam unica e exclusivamente dirigidas à produção de bens de consumo imediato?

Estou triste, com dor, e muito indignada. Ainda mais por saber que a próxima notícia (que durará por volta de umas duas horas na mídia) será a perda de uma biblioteca inteira ou de qualquer outro acervo de nossas instituições de pesquisa. Esse é o nosso país, local em que nossos patrimônios são destruídos, todos os dias, indefinidamente...

Desculpem, queridos, mas estou indignada, não somente como pesquisadora que analisou mais de 600 exemplares dessa coleção durante o mestrado e traçou uma de suas possíveis histórias durante o doutorado, mas como cidadã que vê o descaso de nossos governantes (e de todos nós) perante o patrimônio cultural, aí incluso o científico, desse país!”

Abraços a todos,
Alessandra Bizerra
Pesquisadora Científica do Museu de Microbiologia do Instituto Butantan.

Ainda com relação a toda esta polêmica, o próprio Dr. Isaias Raw teve outra oportunidade de se pronunciar, e para não deixar mais extensa a coluna, deixo o link da resposta dele abaixo:



Pesquisa básica e pesquisa clínica a serviço do Brasil

Para fechar esta coluna, queria deixar a mensagem da impossibilidade de se qualificar qual dos dois lados é mais importante: a pesquisa básica ou a pesquisa clínica? Nunca vai haver pesquisa clínica sem os avanços e desenvolvimento do conhecimento acerca de determinado assunto conseguido na pesquisa básica. Mesmo que indiretamente o conhecimento gerado nos laboratórios de pesquisa básica, adicionam novas vertentes e novas perspectivas a assuntos muitas vezes não correlcionados. E tudo isso deve convergir para o nosso pleno desenvolvimento como Nação e como povo. Que a Ciência esteja unida e não dividida.

Até a próxima!"

terça-feira, 8 de junho de 2010

Impressões Paranaenses (I)


(Direto de Curitiba)

Estes dias na capital do Paraná - que não conhecia - temporada a trabalho que se estende até o próximo sábado, estão me mostrando um pedaço do Brasil que eu absolutamente não fazia idéia.

Curitiba é uma cidade bastante diferente da realidade de Salvador - que já escrevi aqui antes - ou mesmo do Rio de Janeiro. Uma cidade mais fechada, mas não antipática. Frio sim, mas não o elemento assustador que haviam me dito - no momento em que escrevo, noite de ontem, estou em mangas de camisa somente.

Entretanto, são características bastante diferentes do carioca ou do soteropolitano. Curitiba é uma cidade mais limpa, mas mais vazia nas ruas. Caminhei bastante estes dias e me espantei com o baixíssimo número de pessoas andando nas ruas.

Outro ponto de estranhamento é o fato de os restaurantes fecharem cedo. Sexta feira, quando cheguei, fui assistir a Paraná e Portuguesa pelo Brasileirão da Segunda Divisão - que será tema de próximo post - e na volta, aproximadamente as 23 horas não havia um único restaurante aberto nas cercanias do hotel. Tive de me contentar com um sanduíche.

Também diferente é o fato de se ver poucos policiais nas ruas. Para quem está acostumado com a Guarda Municipal carioca multando indiscriminadamente, é bastante diferente. Aliás, outro hábito é ver que os taxistas e os motoristas em geral não usam o cinto de segurança.

Os taxistas, em tempo, merecem um capítulo à parte. Já reclamei aqui dos congêneres soteropolitanos, mas os curitibanos batem todos os recordes. R$ 60 do aeroporto ao hotel, percurso que no Rio não dá mais do que R$ 35. Sei disso porque a quilometragem é praticamente idêntica a que eu faço de minha casa ao trabalho. E depois nós cariocas é que somos "malandros"...

Falemos, porém, de coisas boas. Domingo à tarde tive um tempinho para dar uma volta pela cidade e peguei um ônibus turístico que dá uma "geral" pelos principais pontos turísticos de Curitiba. Você paga R$ 20 e pode descer e reembarcar quatro vezes durante o percurso. Eu desci apenas no Jardim Botânico (foto) por causa do adiantado da hora, mas é uma boa iniciatica de Secretaria de Turismo local.

Ainda visitei o Centro Histórico e a famosa feira dos domingos no local.

A impressão que eu estou marcando da cidade é que Curitiba é daquelas mulheres "difíceis", mas que se fazem apaixonantes quando se revelam. Confesso que estou ficando encantado pela cidade - nem o frio me incomoda.

Ainda voltarei ao tema em outros posts vindouros, mas queria registra minha primeira impressão do Sul brasileiro. Um Brasil a mais dentro do Brasil que conhecemos.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O Novo Uno



Quem acompanha este blog sabe que sou fã do Fiat Uno Mille. Carro pequeno, mas espaçoso, com um desempenho bastante interessante para sua categoria e um consumo de combustível absolutamente insuperável.

Para o leitor ter uma idéia, meu carro, com ar condicionado ligado o tempo inteiro e neste trânsito horroroso da Cidade Maravilhosa está fazendo entre 11,5 e 12 quilômetros por litro de gasolina. Meu carro anterior, uma Palio também 1.0, fazia quando muito 9km/l.

A Fiat lançou este ano aquele que tem a imensa responsabilidade de ser o sucessor do valente e bem sucedido carrinho: o Novo Uno. Suas linhas atualizam o modelo anterior e uma de suas mais atraentes características é a capacidade de combinar diversas personalizações e opcionais.

Também pela primeira vez o carro é oferecido em motorização 1.4, o que deixará o modelo "Um foguetinho".

A Revista "Quatro Rodas" deste mês estabeleceu dois comparativos entre o Novo Uno e respectivamente o Gol e o Agile, de acordo com a versão. E o novo carro venceu as duas sem deixar espaço para contestação.

O vídeo acima é uma descrição do projeto e das características do novo carro. O Mille atual fica em linha até 2013, porque em 2014 entram em vigor as novas normas de segurança e ele ficaria muito caro com air-bags e freios ABS. Lembro aos amigos que o carro atual foi lançado em 1984, e continua atual.

Não devo trocar de carro nos próximos dois ou três anos, mas com certeza quando o fizer o Novo Uno estará no topo da lista de preferências.

domingo, 6 de junho de 2010

Como andam as 32 seleções participantes da Copa do Mundo



A quatro dias da abertura da Copa do Mundo, transcrevo aqui panorama das trinta e duas seleções participantes, feito pelo jornalista Paulo Vinícius Coelho em seu blog. Pode seu um bom painel para os inevitáveis "bolões" de resultados que invariavelmente ocorrem nesta época.

Bom domingo.

"Antes dos últimos amistosos, veja o que fizeram nos últimos tempos as 32 seleções que disputarão a Copa do Mundo na África do Sul:

GRUPO A

ÁFRICA DO SUL – Invicta há 11 partidas, goleou a Guatemala por 5 x 0, o maior resultado da história da seleção. Em 2010, 5 vitórias, 4 empates

MÉXICO – Em 2010, 7 vitórias, 2 empates, 2 derrotas. Perdeu dos dois grandes que enfrentou, Holanda e Inglaterra. Depois, venceu Gâmbia.

URUGUAI – Quatro jogos sem derrota, desde o gol de Bolatti, da Argentina, na última rodada das Eliminatórias. Em 2010, 3 x 1 na Suíça, 4 x 1 em Israel.

FRANÇA – Em 2010, uma vitória, um empate e uma derrota. Pela ordem, 0 x 2 Espanha, 2 x 1 Costa Rica, 1 x 1 Tunísia.

GRUPO B

ARGENTINA – Invicta há cinco jogos, desde a queda contra a Seleção da Catalunha, em novembro. Em 2010, 5 vitórias: 3 x 2 Costa Rica, 2 x 1 Jamaica, 1 x 0 Alemanha, 4 x 0 Haiti, 5 x 0 Canadá

NIGÉRIA – Em 2010, 5 vitórias, 2 empates, 2 derrotas. Mas está invicta desde a Copa da África. De lá para cá, 1 x 0 em Angola, 5 x 2 Congo, 0 x 0 Arábia Saudita, 1 x 1 Colômbia.

COREIA DO SUL – Em 2010, 7 vitórias, 0 empate, 3 derrotas. Mas três vitórias seguidas, sem sofrer gol: 2 x 0 Costa do Marfim, 2 x 0 Equador, 2 x 0 Japão.

GRÉCIA – Está há três partidas sem vitória, todas em 2010. 0 x 2 Senegal, 2 x 2 Coreia do Norte, 0 x 2 Paraguai.

GRUPO C

INGLATERRA – Não perde desde o encontro com o Brasil, em novembro. Três jogos de invencibilidade: 3 x 1 Egito, 3 x 1 México, 2 x 1 Japão. Mas jogando mal.

ESLOVÊNIA – Depois da eliminatória, só enfrentou o Catar e venceu por 4 x 1. Dois jogos sem derrota.

ARGÉLIA – Não vence há três partidas: 0 x 3 Irlanda, 0 x 1 Nigéria, 0 x 4 Egito. Em 2010, 2 vitórias, 1 empate, 4 derrotas.

ESTADOS UNIDOS – Em 2010, 2 vitórias, 0 empate, 3 derrotas. Vem de vitória por 2 x 1 sobre a Turquia. Antes, derrota por 4 x 2 para a República Tcheca.

GRUPO D

ALEMANHA – Em 2010, 2 vitórias e uma derrota. Perdeu da Argentina por 1 x 0, em Munqiue. Venceu as inexpressivas Malta e Hungria, ambas por 3 x 0.

SÉRVIA – Em 2010, uma vitória, um empate e uma derrota. 3 x 0 no Japão, 0 x 1 Nova Zelândia e 0 x 0 com a Polônia. Resultados indicam declínio.

GANA – Em 2010, 3 vitórias, 2 empates, 5 derrotas. Nos últimos três jogos, três derrotas, para Egito (0x1), Bósnia (1x2), Holanda (1x4).

AUSTRÁLIA – Não perde há sete partidas. Em 2010, 3 vitórias, 1 empate: 2 x 2 Kuwait, 1 x 0 Indonésia, 2 x 1 Nova Zelândia, 1 x 0 Dinamarca.

GRUPO E

HOLANDA – Ostenta a série invicta mais longa dos que disputam a Copa: 18 jogos, com 13 vitórias e 5 empates. Em 2010, três vitórias: 2 x 1 Estados Unidos, 2 x 1 México, 4 x 1 Gana.

DINAMARCA – Nos últimos seis jogos, 4 vitórias, 0 empate, 2 derrotas. Nos últimos três jogos, perdeu da Áustria (1x2), venceu Senegal (2x0), perdeu da Austrália (0x1).

CAMARÕES – A série sem vitória mais longa dos que disputam a Copa: 6 jogos. No ano, 2 vitórias, 4 empates, 3 derrotas.

JAPÃO – Vem de três derrotas seguidas, neste ano: 0 x 3 Sérvia, 0 x 2 Coreia do Sul, 1 x 2 Inglaterra.

GRUPO F

ITÁLIA – Não encanta, mas não perde há oito jogos, com quatro vitórias e quatro empates. Não perde desde os 3 x 0 para o Brasil, na Copa das Confederações. Em 2010, joga contra o México na quinta seu segundo jogo do ano. No primeiro, 0 x 0 Camarões.

PARAGUAI – Em 2010, 2 vitórias, um empate e uma derrota: 1x0 Coreia do Norte, 1 x 2 Irlanda, 2x2 Costa do Marfim e 2 x 0 Grécia.

ESLOVÁQUIA – Três jogos sem vencer: 1 x 2 Chile, 0 x 1 Noruega, 1 x 1 Camarões, os dois últimos em 2010.

NOVA ZELÂNDIA – Em 2010, uma vitória e duas derrotas. 0 x 2 México, 1 x 2 Hungria e vitória por 1 x 0 sobre a Sérvia.

GRUPO G

BRASIL – Não perde, nem sofre gol há cinco jogos, desde a queda contra a Bolívia, em 11 de outubro: 0 x 0 Venezuela, 1 x 0 Inglaterra, 2 x 0 Omã, 2 x 0 Irlanda, 3 x 0 Zimbábue.

PORTUGAL – Não perde há 15 jogos, desde os 2 x 6 contra o Brasil, em Brasília, em novembro de 2008. Em 2010, 0 x 0 Cabo Verde, 3 x 1 Camarões.

COSTA DO MARFIM – Em 2010, 3 vitórias, 2 empates, 2 derrotas. Três seguidas sem vencer: 2 x 3 Argélia, 0 x 2 Coreia do Sul, 2 x 2 Paraguai.

COREIA DO NORTE – Em 2010, 2 vitórias, 5 empates e 5 derrotas. Seis jogos sem vencer, a mais longa série sem vitórias da Copa junto com Camarões: 1 x 1 Turcomenistão, 1 x 2 Venezuela, 1 x 2 México, 0 x 0 África do Sul, 0 x 1 Paraguai, 2 x 2 Grécia.

GRUPO H

ESPANHA – Nos últimos 10 jogos, 10 vitórias seguidas. Antes, derrota para os Estados Unidos, na semifinal da Copa das Confederações que quebrou série invicta de 35 partidas, a mais longa da história de todas as Seleções. Nos últimos 46 jogos, 42 vitórias, 3 empates, 1 derrota.

CHILE – Em 2010, 5 vitórias, 1 empate, 1 derrota. Vem de três vitórias seguidas, contra Zâmbia (3x0), Coréia do Norte (1x0), Israel (3x0).

SUÍÇA – Quatro jogos sem vitória: 0 x 0 Israel, 0 x 1 Noruega, 1 x 3 Uruguai, 0 x 1 Costa Rica, os dois últimos em 2010.

HONDURAS – Em 2010, 1 vitória, 1 empate, 3 derrotas. Ao todo, quatro sem vitória: 0 x 0 Azerbaijão, 2 x 2 Bielorrússia, 0 x 1 Venezuela, 0 x 2 Turquia."

sábado, 5 de junho de 2010

Sobretudo

(direto de Curitiba)

Sábado, frio mas nem tanto na capital paranaense, e mais uma coluna Sobretudo.

Como sempre, texto do publicitário Affonso Romero.

"Patrícia e a Taça das Bolinhas
 
Eu tento ao máximo evitar usar este espaço para falar sobre o Flamengo. Não haveria nada de impropriedade neste tema, afinal, eu e o Migão nos conhecemos de uma lista rubro-negra. Mas, exatamente por conta da lista, o Flamengo já me é um assunto cotidiano, e eu tento mudar um pouco o disco aqui na Sobretudo.

O assunto também não é excludente. Está certo que nem todo mundo é Flamengo, mas convenhamos que a grande maioria é. Pelo menos, entre os cavalheiros esclarecidos e de bom gosto. Não se ofenda se você é exceção. É mesmo verdade que existem não-rubro-negros de imensas qualidades, eu mesmo tenho dois ou três amigos assim, um deles inclusive é torcedor do América.

O motivo definitivo para que eu evite falar sobre o Flamengo é que, por mais que eu tente analisar o clube com isenção, os aspectos políticos complexos que assolam a Gávea teimam em vir à tona e, como eu tenho um discreto mas constante envolvimento com o clube, eu temo fazer desta tribuna um palanque contra ou a favor de alguém e acabar aborrecendo o caro leitor. Outro temor é ser obrigado a falar mal do meu clube de coração em público e acabar parecendo anti-flamengo.

Mas o assunto absolutamente não é proibido e como - rubro-negros ou não - todo mundo gosta de falar do Flamengo (notadamente os não-rubro-negros), vamos a uma das pontas do iceberg que emerge das profundezas da Gávea.

Recentemente, a presidente Patrícia Amorim anunciou a contratação do eterno ídolo Zico para coordenar todo o Departamento de Futebol do Flamengo. Jogada de mestre, uma vez que o Galinho de Quintino empresta credibilidade às instituições às quais se une, é respeitado no meio esportivo, endeusado pela torcida do clube.

Quem, certa vez, conseguiu acrescentar credibilidade à debilitada CBF de Ricardo Teixeira, certamente concederá ares de transparência ao Flamengo. Indispensável lembrar que uma andorinha só não faz verão e, passado o efeito-Zico, a CBF voltou ao banco dos réus da opinião pública.

Não quero aqui contestar ou cornetar a contratação do Galinho. Nem há como. Como diz o grande Arthur Mulhenberg, (aqui numa versão livre de sua citação latina) “se o Zico falou, a polêmica calou”.

Foi exatamente por aí o melhor pulo do gato da Patrícia. Ela estava numa sinuca de bico, acuada por opositores e companheiros de chapa (incrível, mas no Flamengo, a turma da situação é bem mais agressiva que uma eventual oposição – sempre!). Virou a mesa, espalhou as cartas e recomeçou o jogo. Na definição perfeita de um grande cacique político rubro-negro, “ela tinha poucas fichas e apostou todas na jogada certa”.

A situação da presidenta era tão ruim que ela nem esperou definir os termos do acordo com o Zico, nem sabe ao certo de onde tirará dinheiro para pagar os salários do novo contratado, nem definiu a data do início do trabalho, a composição da equipe, mas fez questão de anunciar este conjunto de dúvidas ancoradas por uma única certeza: Zico estará trabalhando no clube pelos próximos anos. Patrícia conseguiu o insuperável: deu o grande passo rumo à profissionalização do clube a partir da jogada mais amadorística de sua vida.

Agora, o clima é de expectativa e otimismo. Até o dia anterior ao anúncio, pairava no ar um sentimento de que sua gestão não se iniciara e, ainda assim, ficaria engessada até o final do triênio. As críticas e até acusações voavam como balas perdidas, saídas de todos os lados.

Por exemplo, pode soar absurda a correlação que andava sendo feita entre a atual gestão do Flamengo e a perda do reconhecimento pela CBF do nosso Hexa.

Então, vamos aos fatos.

A Patrícia, obviamente, NÃO tem nada a ver com tudo o que aconteceu naquele ano distante em que se disputou a Copa União.

A Patrícia, obviamente, NÃO tem nada a ver com a má gestão da causa ao longo de todos estes anos.

Mas a Patrícia, como atual mandatária do Flamengo, tem muito a ver com a postura adotada pelo clube no corrente ano de 2010. E o que aconteceu de diferente em 2010?

Em 2010, pela primeira vez desde a criação do Clube dos 13, houve uma disputa real pela sua Presidência. E houve uma participação direta da CBF nesta eleição.

Havia o candidato da situação e do continuísmo, o gremista Fábio Koff. Considerando o tipo de gestão do Clube dos 13 nos últimos anos, limitando-se a mal discutir a renovação do contrato de TV, negando-se a avançar na discussão da organização do futebol brasileiro, incompetente para desenvolver a internacionalização das ações dos clubes brasileiros, o conjunto da obra do Koff recomendaria votar contra ele.

Acontece que a oposição ao que era velho e retrógtado vinha de uma corrente ainda mais retrógrada: a própria CBF, aliada a empresários do ramo. Dúvida cruel.

O Clube dos 13 não nasceu em oposição à CBF, mas para tentar ocupar um espaço muito mal gerido pela CBF, e com a intenção de controlar a organização do Brasileirão. Então, é estranho que a CBF queira influenciar agora o Clube dos 13. Mas muita coisa mudou nestes últimos anos. A principal: o Brasileirão passou a ser um estorvo para a CBF, que fatura alto com a Seleção. A entidade agora até deseja que o campeonato seja mesmo organizado pelos clubes.

E o Clube dos 13 nunca teve a competência, sob gestão Koff, de organizar o Brasileirão. A CBF quer passar a bola, mas a alguém de confiança, claro.

O que interessa mais aos clubes? Para não aprofundar esta discussão inglória, o Koff adiantou as eleições, numa jogada torpe.

Em contrapartida, a CBF também jogou sujo. E usou a Taça das Bolinhas como forma de pressão sobre dois clubes: Flamengo e São Paulo.

Pela primeira vez, a CBF abriu a possibilidade de discutir o direito do Flamengo como campeão da Copa União. E, sendo bastante direto e objetivo: bastava ao Flamengo votar no candidato da CBF.


Considerando que o Koff, em sua política de não se meter nesta disputa nunca deu o apoio do Clube dos 13 ao Flamengo nesta causa, ficava evidente de que lado ficar. Novamente, falando claro: o Koff trabalhou contra o Flamengo ao longo destes anos, tanto nesta quanto em outras questões.

Por que, então, votar no Koff?

Ajuda a explicar quando sabemos o nome do candidato da CBF: Kléber Leite. O Kléber é um cara muito questionado no Flamengo, foi responsável por boa parte da dívida do clube etc. Mas quem duvidaria que ele estaria mais disposto a defender posições do Flamengo no Clube dos 13 que o Koff?

A Patrícia duvidou, e votou no Koff. Votou naquele que sempre votou contra os interesses do Flamengo. E colocou o clube na mira da vingança da CBF. Se esta história ficar só na Taça de Bolinhas, é lucro.

Eticamente, não vejo muita diferença entre votar no Koff ou no Kléber. Não dá para confiar em nenhum dos dois. A escolha da Patrícia teve muito mais a ver com a política interna rubro-negra do que com os interesses do clube. Pela primeira vez, a CBF oferecia o reconhecimento oficial ao Flamengo.

Abra-se um parêntese: a CBF é soberana para fazer o que bem entenda com esta questão, seja qual for a condução dos argumentos por parte dos clubes. Se ela diz sim, é sim. Se diz não, é não. E o Ricardo Havelange estava pronto a dizer sim, bastava votar no candidato dele.

O que o Flamengo ganhou ao fazer o contrário? Uma banana? Obrigado, Patrícia."

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Final de Semana - "Sentado à beira do Caminho"



Noite de viagem, cidade desconhecida, muito trabalho a me esperar...

Hoje faço uma homenagem em nossa série "Final de Semana" ao Rei Roberto Carlos. Eu confesso que não gostava muito, mas após um show corporativo a que assisti em 2004 tornei-me fã.

Aliás, RC será o enredo da Beija Flor de Nilópolis para o carnaval 2011.

"Sentado à beira do Caminho" é a nossa música.

"Sentado à Beira do Caminho
Composição: Roberto Carlos/Erasmo Carlos

Eu não posso mais ficar aqui
A esperar!
Que um dia de repente
Você volte para mim...

Vejo caminhões
E carros apressados
A passar por mim
Estou sentado à beira
De um caminho
Que não tem mais fim...

Meu olhar se perde na poeira
Dessa estrada triste
Onde a tristeza
E a saudade de você
Ainda existe...

Esse sol que queima
No meu rosto
Um resto de esperança
De ao menos ver de perto
O seu olhar
Que eu trago na lembrança...

Preciso acabar logo com isso
Preciso lembrar que eu existo
Que eu existo, que eu existo...

Vem a chuva, molha o meu rosto
E então eu choro tanto
Minhas lágrimas
E os pingos dessa chuva
Se confundem com o meu pranto...

Olho prá mim mesmo e procuro
E não encontro nada
Sou um pobre resto de esperança
À beira de uma estrada...

Preciso acabar logo com isso
Preciso lembrar que eu existo
Que eu existo, que eu existo...

Carros, caminhões, poeira
Estrada, tudo, tudo, tudo
Se confunde em minha mente
Minha sombra me acompanha
E vê que eu
Estou morrendo lentamente...

Só você não vê que eu
Não posso mais
Ficar aqui sozinho
Esperando a vida inteira
Por você
Sentado à beira do caminho...

Preciso acabar logo com isso
Preciso lembrar que eu existo
Que eu existo, que eu existo...

Larará Larará Lararará!
Larará Larará Lararará!
Larará Larará Lararará!
Larará Larará Lararará!
Larará Larará Lararará!..."

Cinecasulofilia - "Alice no País das Maravilhas"



Sexta feira, feriadão para muita gente - para mim não - e como sempre a coluna "Cinecasulofilia", publicada em parceria com o blog de mesmo nome.

Hoje o tema é o badaladíssimo "Alice no País das Maravilhas", de Tim Burton. Sem delongas, passemos ao texto.

Alice no País das Maravilhas
de Tim Burton

Já vi Alice há um bom tempo, ainda no Rio mas queria aqui mesmo rapidamente dividir algumas impressões. A primeira é um certo desencanto na forma como Burton utiliza o 3D. Acho que o uso do 3D ainda é muito ingênuo pelos cineastas, mais preocupados em efeitos tipo montanha-russa, objetos atirados na direção das nossas retinas, do que propriamente pensar uma idéia da um cinema sensorial, ou uma dramaturgia que dialogue com uma outra percepção do espaço, ou uma decupagem que dialogue com essa alteração da percepção, coisas desse tipo. Sinto também que o avanço do 3D como dramaturgia está prejudicado pelo fato de que os filmes de 3D de hoje precisam ser lançados simultaneamente em 2D e em 3D, já que poucos são os cinemas do mundo preparados para a nova tecnologia (sem falar nas outras janelas, como o vídeo e a TV), e então o diretor precisa fazer o filme pensando ao mesmo tempo em 3D e em 2D, o que é uma sandice.

Mas o que quero de fato dizer é que Alice é um dos mais pessoais trabalhos de Tim Burton. De um lado, o fiolme dá continuidade à evolução de Burton como artesão: é exemplar a articulação da parte visual do filme, como é notável!!! É notável como Burton consegue visualizar um mundo abstrato e onírico como aquele passado em Alice. Sua precisão técnica é indiscutível.

Mas Alice me interessa para além disso. Todo o filme se articula de forma muito coerente como uma reflexão entre o acaso e o destino, sobre a questão do livre-arbítrio. Até que ponto podemos tomar decisões na nossa vida? Até que ponto os acasos que inevitavelmente acontecem são simplesmente acasos, ou fazem parte do destino? Esse belo tema é desenvolvido por Burton de formas impensáveis, se pensarmos no prólogo e o epílogo do filme, de tom realista, mas um realismo estranho, um pouco caricato. Todo o filme se baseia na dúvida dessa menina se deve se casar e seguir “o que se espera dela”, ou se deve enfrentar o seu destino e tomar sua própria decisão. É claro que ela escolhe ter a sua própria vida, mas acontece que claramente Burton quer falar de algo maior: a menina representa a ascensão da burguesia sobre uma aristocracia decadente. E isso – como já mostrou Visconti em O Leopardo – já estava escrito, isto é, era uma questão de tempo.

Isso torna Alice um filme híbrido, de proporções maiores do que inicialmente possamos pensar. Alice é uma espécie de híbrido entre O Mágico de Oz e Titanic. De um lado, a ambição de fazer um filme infantil (falsamente infantil) que traga um legado sobre as perspectivas de um certo público. De outro, herdeiro do cinema visionário de James Cameron, que alia tecnologia a questões pessoais, que seguem as convenções da narrativa clássica para tentar dar conta de um mundo, que às vezes parece submerso pelos limites do fantástico, mas que está lá. Com Alice, Burton decisivamente se insere na linhagem de um cinema clássico.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

História & Outros Assuntos - O Encontro da Prosa com o Verso


Feriado, algumas coisas para resolver, crianças para olhar...

E a nossa coluna "História & Outros Assuntos", assinada pelo publicitário e historiador Fabrício Gomes. Hoje com uma crônica bastante interessante.

Boa leitura.

"Dizem que toda história nasce num início, passa por um meio e morre por um fim. No entanto, esta parte de um inesperado encontro... 

O Encontro da Prosa com o Verso 

Tudo começou quando o Verso saiu da linha. Ia procurar um acento para descansar sua desgastada forma e acabou esquecido no canto da página. Tal fato não estava no roteiro e logo começaram as orações por sua recuperação... mas nada do Verso entrar novamente em forma. Desde então, sua função era meramente um prefixo para justificar sua existência, afinal, nem mais na borda da página estava... 

Caíra no lugar-comum, de modo que não tinha mais a mínima noção de tempo: quanto mais se debatia, mais abreviava cada palavra que proferia. No fim da folha já antevia seu fim, e até mesmo a folha começava a virar-lhe a face. 

Que fazer, senão soltar o Verbo? 

É certo que causou boa impressão, pois ela veio toda Prosa. Primeiro, consultara o Aurélio sobre essa conjunção. Diante da Afirmativa, procurou o Diálogo: não existia um ponto para a Interrogação. Embora não encontrasse Adjetivo, que conseqüências teria a provável Negação? Na Teoria, era uma coisa. Na Prática, era outra. Mas não era tudo: ainda tinha que achar o Vernáculo e saber da Opinião, pois subordinada a ela estava. Na Descrição, arrancou dele poucas palavras: 

- Não vou gastar meu latim com você. Não é de bom Tom alguém de sua classe se tornar tão vulgar! – disse o Vernáculo. 

Pelo perdão da Má Palavra, a Prosa não estava nem aí para a Norma Culta. O Verso, que já caía pelas tabelas, substancialmente já começava a vislumbrar seu fim. Sua relação com o mundo traduzia-se no profundo Hiato. Não tinha mais o que falar, nem o que escrever. Afinal, o Discurso estava ficando velho e ultrapassado. 

Procurando ser direto, abusou do Jargão e começou a mandar indiretas para a Prosa: 

- Se ainda tenho algum significado para você, quero me transformar no Objeto Direto das suas ambições!” – disse o Verso. 

É claro que as mensagens eram mandadas pelo Código. E não pense que era fácil para a Prosa decifrá-las, afinal, não era bem esta a sua especialidade. 

O Verso buscava explicações num vago Referencial. Para não perder o Ritmo, começou a fazer análise. Durante meses trocaram mensagens. Tudo parecia entrar em harmonia. E a Prosa, “toda prosa”, transbordando de orgulho, ganhava uma nova forma: logo traçou as Coordenadas. Em Síntese, aprendera a ter o hábito de versar. Com a ajuda da Rima, criaram juntas o Poema... um Porém: não tinha lábia suficiente para declamá-lo. A solução foi chamar a Estrofe, que nessa época já cantava o Refrão e... estava pronta a Composição! 

O que parecera difícil ficara fácil: a Prosa tirou de letra. Em seu conteúdo, comparava o Verso a um Artigo de luxo. Sua carta não era um discurso, era uma dissertação. Ora bolas, não falavam a mesma língua, portuguesa? 

O Som alertara: 

- Cuidado! Nem sempre se fala como se escreve! Lembre-se: uma imagem vale mais que mil palavras! 

Faltava ainda um algo a mais, talvez uma maior comunicação entre os dois. 

A Prosa devia logo por os pingos nos iis. Acabaram concordando em Grau, Número e Gênero. O Verso virara para a Prosa uma questão de princípios. Ficara marcado para sempre. Pela acepção da Palavra, a relação ganhava novos contornos: mandou o Emissor entregar a Carta e ficou esperando a Resposta. Durante quase um mês seus dias se transformaram numa imensa Interrogação. 

Cheia da Gíria, que lhe atormentava a todo instante, a Prosa chamou o Agente da Passiva para tirar algumas dúvidas. Entretanto, achou ele reticente. Acabou então tomando uma tônica para relaxar. Mostrando coerência, foi ver a cara do Sujeito. Tinha vontade de lhe falar um Palavrão! 

- Aposto que não recebeu! – tentava adivinhar a Prosa. 

O tempo passou e a Prosa resolveu ir direto ao Xis do problema. Procurou o Verso: 

- Vamos passar uma borracha nesse Ruído? 

O Verso viu na Frase um bom exemplo. Desde então uniram-se e festejaram o nascimento da bela Redação. Agora, o passado já é página virada. Talvez precisássemos de mais um Capítulo. Mas vamos logo por um Ponto Final nessa História, com Final Feliz."

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Samba de Terça - "Iara, Ouro e Pinhão na Terra da Gralha Azul"



Samba de terça, atrasado, em ritmo de viagem a trabalho. Uma semana em terras paranaenses, as quais não conheço, me aguarda a partir da próxima sexta.

Para marcar a data vamos falar de um dos sambas-enredo dedicados ao estado do Paraná, "Iara, Ouro e Pinhão na Terra da Gralha Azul", Império da Tijuca 1982.

O título já faz referência à ave-símbolo do estado, a Gralha Azul, bem como à lenda de Iara e ao pinhão, semente característica.

A escola vinha de um segundo lugar no Grupo 1B em 1981 (atual Acesso A, a chamada "Segunda Divisão" do samba), com outro enredo que evocava o Paraná: as Cataratas do Iguaçú.

Para o desfile de 1982 a escola optou por se manter em terras sulistas. A proposta era contar a lenda de Iara, através do qual o Paraná teve origem., sua relação com a gralha azul e a colonização bandeirante no Estado.

O samba era um dos que se destacavam na excelente safra de 1982, que trazia clássicos como "É Hoje", "Bum bum paticumbum prugurundum", "Onde Canta o Sabiá", "Lima Barreto, Mulato Pobre, mas Livre", "O Velho Chico" e "Meu Brasil Brasileiro" - este último já tema desta série.

No site "Sambario" temos uma análise do samba tijucano, que reproduzo abaixo:

"IMPÉRIO DA TIJUCA - O refrão principal lembra muito a canção que embala as rodas de capoeira (a do Paranauê, Paranauê Paraná). É um dos melhores sambas de 1982 e um dos melhores da história da Império da Tijuca e sua bela safra musical. Sua melodia é sensacional, de refrões envolventes e incrementada com a bela voz grave de Almir Saint-Clair. Um primor realmente. (Mestre Maciel)

Excelente samba! O início da faixa é um dos melhores momentos de todo o disco, com o coral cantando o refrão "Paraná ê, ê Paraná/É o Império da Tijuca/Na avenida a lhe exaltar" só com o surdo e depois com o surdo e os tamborins. Letra e melodia fazem o samba da Imperinho de 1982 um dos melhores da sua história. A interpretação de Almir Saint-Clair também é muito forte! O trecho de cabeça do samba "No sol bonito da manhã/Na imensidão da terra dos Tupis/Iara adorava o Deus Tupã/Pedindo a paz com os Guaranis" é muito inspirado. (Fred Sabino)

Particularmente não sou fã desse competente samba da agremiação imperitijucana. "PÔ?!?! O CARA NÃO É FÃ DO SAMBA MAS ACHA COMPETENTE???" Calma rapaziada!!! Deixa eu fazer uma explicação, um comparativo futebolístico!!! Nunca gostei do Rivaldo - pentacampeão pela Seleção em 2002. Mas ele sempre que jogou com a camisa Canarinho fazia a diferença ao contrário do Ronaldinho Gaúcho. É mais ou menos por aí!!! Voltando a falar do samba, possui letra bem elaborada e descritiva e uma boa melodia. Destaco o pegajoso refrão principal "Paranauê  / e Paraná...". É inegável afirmar que esse samba, mesmo não sendo fã dele, é um dos melhores da história da agremiação do Morro da Formiga. (Luiz Carlos Rosa)"

O samba possui uma característica rara hoje em dia, o de ter um único autor, Jorge Melodia. O refrão faz alusão a uma antiga cantiga de capoeira, a "paranauê..."

Mesmo vindo do segundo grupo, o Império da Tijuca foi a décima primeira escola a desfilar no domingo de carnaval, 21 de fevereiro. Na verdade segunda feira, pois a escola desfilou debaixo de um sol de rachar às onze horas da manhã.

Como não havia ocorrido rebaixamento no ano anterior e com doze escolas em uma única noite de desfiles decidiu-se que as escolas que não haviam sido rebaixadas e as que vinham do segundo grupo - o caso da agremiação do morro da Formiga - abririam e fechariam o desfile.

Para o leitor ter uma idéia, hoje em dia, em um Sambódromo com muito mais estrutura - em 1982 ainda eram as arquibancadas tubulares, desmontáveis - são as mesmas doze escolas em dois dias de desfile.

A escola fez um desfile simples, advindo da falta de recursos e de estrutura que não se comparavam às grandes agremiações do carnaval carioca. Apesar do belo samba e do desifle valente, a escola acabou rebaixada com o décimo primeiro lugar, obtendo 155 pontos na apuração - um tanto quanto tumultuada devido aos pontos descontados de escolas como Imperatriz Leopoldinense e Beija Flor pela utilização de pessoas vivas sobre alegorias - o regulamento daquele ano proibia tal prática.

Vamos ao belo samba, que pode ser ouvido no trecho do desfile que abre este post. Notem a solução de dois refrões sequenciais, sem refrão intermediário.

"Paraná ê, ê Paraná
É o Império da Tijuca
Na avenida a lhe exaltar


No sol bonito da manhã
Na imensidão da terra dos Tupis
Iara adorava o Deus Tupã
Pedindo a paz com os Guaranis
Quando uma linda arara
Em puro Tupi lhe falou
Que a ervateria lendária
Salvaria seu povo da dor... mas Gupi
Gupi o Guarani guerreiro
Como o amigo Caraí, quase morreu
Foram salvos pelo chá milagreiro
E uma nova nação nasceu
Da estrela brilhou
A luz do amor, ô
E Iara com Gupi se casou
Na era do ouro
O bandeirante ali chegou
Dos arraiais e dos seus tesouros
Foi que o Paraná começou
Hoje a ave sagrada
Que semeou o pinhão
Em prosa e versos cantada
No povo mora no coração

É lenda é tradição
No rico solo do Sul
Iara, ouro e pinhão
Na terra da gralha azul
"


P.S. - O post com a promoção está abaixo.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Promoção - Livro-Jogo das Copas Globo Esporte


Conforme prometido, o Ouro de Tolo dará um exemplar autografado do novo livro do jornalista esportivo Lédio Carmona, em parceria com Marcelo Martinez.

Além das dedicatórias dos autores, o livro também tem os autógrafos dos jornalistas Marcelo Barreto e Luiz Carlos Jr. , que assinam textos componentes da obra literário-informativa.

Para participar é muito fácil: basta deixar na área de comentários deste post seu nome, cidade e uma frase ligada à futebol. Não necessariamente sobre a Copa do Mundo, mas sobre a paixão pelo esporte bretão.

A melhor frase escolhida pelo escrutínio dos jurados levará o livro. Ressalto que as despesas de envio serão de minha responsabilidade.

A princípio o resultado da promoção sairá na próxima sexta feira, mas dependendo do número de frases e dos afazeres desta semana este pode ser prorrogado para o dia 13, quando retorno de viagem a trabalho. De qualquer forma o envio somente será feito na semana em questão.

Participe e indique a seus familiares e amigos.

Noite Literária


Após longa ausência - fazia muito tempo que não participava de algum evento cultural de "adultos" - estive na noite de ontem no lançamento do "Livro Jogo das Copas - Globo Esporte", do jornalista Lédio Carmona e do ilustrador Marcelo Martinez.

Saí do Centro por volta de 18:35 e achei que iria pegar trânsito no caminho até a Livraria da Travessa de Ipanema, onde seria o lançamento. Indo pelo Aterro e a orla de Copa, peguei um fluxo até razoável, embora não totalmente livre.

Parêntese: tenho 35 anos de idade, destes morei 34 na cidade do Rio de Janeiro e até hoje eu me enrolo todo quando tenho de ir à Zona Sul. Ressalvo que vou pouquíssimas vezes para os lados de lá, ainda mais dirigindo.

Cheguei por volta de 19:15 e deixei o carro na Epitácio Pessoa - a livraria é na Visconde de Pirajá mas quase chegando ao Leblon. Milagre: vaga determinada, sem risco de multa ou reboque e sem flanelinhas ! Acredito que seja para servir a dois restaurantes que ficam exatamente em frente a tais vagas.


A livraria não estava muito cheia, peguei meus exemplares e logo direcionei-me para a mesa de autógrafos, após cumprimentar o amigo Lédio e sua sempre simpática esposa. Aproveitei para pegar autógrafos nos livros de jornalistas que assinam textos no mesmo, como Cléber Machado (foto), Luiz Carlos Jr. (abaixo), Marcelo Barreto e e Sidney Garambone - que me cobrou a resenha do livro de sua autoria sobre volantes que, breve, publicarei aqui.


Aliás, quero de público agradecer ao simpaticíssimo casal Luis Carlos Jr. e Janaína Xavier, ambos do Sportv, que mesmo sem muito tempo disponível foram super solícitos e me ajudaram a quebrar a timidez quanto às fotos.


Para mim nem tanto porque tenho alguns amigos no jornalismo esportivo, mas é curioso ver aquelas pessoas que muitas vezes somente conhecemos da televisão ou da interação virtual - twitter, e-mail, blogs - conversando, brincando, sendo solícitos e rindo. A imagem de um "pedestal" em que eles se encontram, que muitas vezes o leitor ou telespectador os coloca, é totalmente falsa.


Não posso me queixar de nenhum dos jornalistas com os quais tive a oportunidade de conversar na noite de ontem. Seria injusto se fizesse aqui qualquer tipo de diferenciação. O fato de ser amigo de um dos autores certamente ajudou, mas diria que se qualquer um dos meus 62 leitores chegasse no evento seria muitíssimo bem tratado.

Também tenho de ressaltar que fazia uma imagem completamente diferente do locutor esportivo Cléber Machado, que é bastante simpático. É um "mea culpa" necessário.


Após aproximadamente uma hora e meia no evento, adquiri outros quatro livros (vício, fazer o quê) e retirei-me, não sem antes estar frente a frente com um de meus ídolos de infância, o ex-jogador Júnior. Fiz um caminho mais longo mas cheguei em casa sem grandes problemas, apesar das duas taças de vinho que havia consumido.


Ressalte-se também a cobertura do canal de esportes SporTv, como se pode ver na foto acima.

Aproveito para colocar abaixo três registros:


Com o jornalista Sidney Garambone - meu Deus, que cara é essa minha?


Com o autor e amigo Lédio Carmona.


Maestro Júnior.

Em suma, foi uma noite bastante agradável e só tenho a agradecer a todos aqueles que assim o contribuíram, em especial ao amigo Lédio Carmona.

O Ouro de Tolo fará uma promoção que dará um exemplar autografado do livro a um de seus leitores. Mais tarde, ainda hoje em post específico, darei os detalhes.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Barbárie israelense - alguém se surpreendeu ?


Entre perplexo, hipócrito e cínico o mundo acompanhou hoje mais uma demonstração de barbárie dado pelo governo de Israel.

Seu exército atacou um combio de sete navios que levava ajuda humanitária a Gaza, matando um número ainda indeterminado de pessoas e ferindo outras tantas. A ajuda humanitária foi confiscada pelo governo israelense e "será avaliada" a possibilidade de ser entregue aos palestinos em Gaza. Além disso, seu primeiro ministro culpou a Al Qaeda e os próprios integrantes dos comboios (foto) pela ação absolutamente despropositada e homicida por parte de seus militares.

Escrevi dias atrás em artigo sobre o Oriente Médio que Israel estava replicando com os palestinos, verdade que em escala menor, as mesmas condições de que foi vítima no Holocausto nazista. Gaza e Cisjordânia são verdadeiros campos de concentração, e o bloqueio econômico imposto pelo governo judeu a estas localidades leva a muitas mortes por falta de remédios, de comida e, indiretamente, de empregos.

Não podemos nos esquecer que no final de 2008 o exército israelense invadiu Gaza e se preocupou em bombardear escolas, creches e hospitais - chegando a matar com tiros de fuzil no rosto uma criança de dois anos. Há três anos há um rígido bloqueio à circulação de pessoas, alimentos, remédios e outros produtos tanto em Gaza quanto na Cisjordânia. Um genocídio a conta-gotas.

A atuação de Israel na região é claramente imperialista, no sentido de impor a sua força aos vizinhos e impor a "pax israelita" aos demais países do Oriente Médio. Como expliquei no artigo citado, a política americana para a região replica o posicionamento do país hebraico, devido ao fortíssimo lobby judaico em Washington. Então, como uma espécie de "irmão folgado" respaldado pelo mais velho e mais forte impõe a sua política - mesmo que à custa de vidas e mais vidas.

O exemplo de "terrorismo de Estado" a que assistimos na manhã de hoje dá bem uma mostra do que é a diplomacia para o Oriente Médio. O governo americano lamentou as mortes mas evitou condenar a ação israelense.Os países europeus em geral chamaram seus embaixadores em Tel Aviv de volta a seus países "para consultas". O governo turco ameaça romper relações diplomáticas.

Curioso é ver que, se fosse o contrário - países árabes atacando navios israelenses e matando cidadãos - o Conselho de Segurança da ONU teria aprovado em tempo recorde sanções duríssimas contra os autores. Como não foi... Hipocrisia pura, quem pode mais chora menos.

Infelizmente, o que podemos fazer é lamentar mais esta barbárie - um Estado assassinando pessoas desarmadas em águas internacionais, que levavam ajuda humanitária - e protestar contra todo o cinismo e a hipocrisia envolvidas neste episódio. Por outro lado, o episódio é revelador do "modus operandi" do governo terrorista instalado em Tel Aviv sob a guarida americana.

Livro Jogo das Copas Globo Esporte


Programa imperdível para esta noite de segunda: comparecer ao lançamento do novo livro do jornalista esportivo e amigo Lédio Carmona.

Reproduzo abaixo o release de lançamento, esperando ver todos os leitores lá. O Ouro de Tolo fará uma promoção envolvendo o livro ainda esta semana, aguardem.

Livro-jogo das Copas Globo Esporte
De Lédio Carmona e Marcelo Martinez (org.)
192 p.
16 x 20 cm
R$ 55,00
ISBN 978857734131450


O escrete: Alex Escobar, Arnaldo Cezar Coelho, Caio Ribeiro, Cleber Machado, Fátima Bernardes, Galvão Bueno, Glenda Kozlowski, Gustavo Poli, João Pedro Paes Leme, Junior, Luiz Carlos Jr., Luis Roberto, Marcelo Barreto, Milton Leite, Paulo Cesar Vasconcellos, Pedro Bassan, Renato Ribeiro, Sidney Garambone, Tadeu Schmidt, Tiago Leifert, Tino Marcos e Walter Casagrande. O desafio: fazer, cada um, uma leitura de todas as Copas do Mundo, de 1930 a 2006, em um livro nada convencional: o Livro-jogo das Copas Globo Esporte, que chega às livrarias pela editora Casa da Palavra.

Organizado por dois apaixonados por futebol e profundos conhecedores do tema — o jornalista Lédio Carmona e o designer gráfico Marcelo Martinez —, o Livro-jogo das Copas é uma publicação  diferente. Além de contar com textos inspirados desse time de craques do telejornalismo esportivo brasileiro, o livro apresenta uma lúdica interação: “Sabendo que todo torcedor é um especialista quando o assunto é bola, montamos um livro-jogo com diversas brincadeiras espalhadas ao longo das páginas, mais de 180 perguntas e respostas para testar conhecimentos e até uma divertida  maneira de exorcizar alguns fantasmas de Copas passadas, mudando a história com a ajuda de adesivos”, comentam os organizadores, que bolaram infográficos para recriar jogadas históricas, raspadinhas que simulam jogos, entre outros passatempos. jogos, entre outros passatempos.

Os apaixonados por futebol mais ortodoxos podem ficar tranquilos: as estatísticas, informações sobre cada torneio e detalhes das campanhas do Brasil estão presentes no livro. E cada estrela desse time escalado por Lédio e Marcelo é responsável por uma Copa. Alguns falam de sua experiência profissional em uma cobertura jornalística, outros revelam como certo torneio marcou sua vida, ou simplesmente desvendam o que tornou algumas Copas do Mundo tão inesquecíveis. Todos os textos são recheados de amor pelo futebol.

Os organizadores recomendam: “ao longo das páginas é possível conhecer os diversos elencos do Brasil representados de uma maneira especial: com figurinhas,-caixinha de fósforos e outros objetos colecionáveis, que levam o torcedor em uma viagem por sua memória futebolística”. Leia. Cole. Rabisque. Raspe. Embarque com o Livro-jogo das Copas Globo Esporte em um passeio pela história das Copas do Mundo. Um livro feito para informar e divertir toda a família.

Os organizadores

Lédio Carmona é niteroiense de coração e nascimento e petropolitano por adoção. Jornalista há 24 anos, trabalhou na TV Globo, depois de passar por veículos como Jornal do Brasil, O Globo, Lance! e Diário Popular. Atualmente é comentarista do SporTV, além de comandar um blog: www.globoesporte.com/lediocarmona. Pela Casa da Palavra, lançou o Almanaque do Futebol SporTV. Esteve nas cinco últimas Copas do Mundo, e está indo para a sexta, na África do Sul. É casado com Germana e pai de Roberto, o Pequeno Bob.

Marcelo Martinez é designer gráfico e ilustrador. Teve projetos exibidos – e algumas vezes premiados – em mostras de design, ilustração e animação em países campeões do mundo como Argentina, Brasil, França e Itália; e em outros ainda na fila, como Bélgica, China, Holanda, México e Portugal. Como designer futebolista, criou para a Casa da Palavra o projeto gráfico do Almanaque do Futebol SporTV (2009). Também pintou um Pacheco Camisa 12 bonitão na sua rua, aos 10 anos de idade, durante a Copa de 82. Mora no Rio de Janeiro com a esposa Renata, o filho João e a tartaruga Rubinho.

Lançamento

Livro-jogo das Copas Globo Esporte será lançado dia 31 de maio, segunda-feira, às 19h, na Livraria da Travessa de Ipanema."

 

domingo, 30 de maio de 2010

Pense nisso quando comprar Iphones - Parte II

Domingo, volto a um assunto que abordei semana passada e que é bastante desagradável.

A empresa Foxconn, que produz produtos para a Apple e que vem em um surto de suicídios entre seus empregados encontrou as soluções para conter a onda de funcionários colocando fim às suas próprias vidas: redes de proteção nos prédios e alojamentos, psicólogos e a assinatura de um termo de compromisso onde os candidatos se comprometem a não se matar.

Ora, não era mais fácil melhorar os salários e as condições de trabalho dos funcionários ?

Pior de tudo é ver políticos e empresários brasileiros defendendo este tipo de relação de trabalho, de quase escravidão. Inclusive uma das potenciais candidatas a vice presidente na chapa tucana...

"Mais um funcionário de fabricante chinês de iPhone se suicida

Plantão | Publicada em 27/05/2010 às 08h25m
BBC


Mais um trabalhador da fabricante de eletrônicos Foxconn, de Taiwan, se suicidou, apenas horas após o presidente da empresa, Terry Gou, ter anunciado a introdução de benefícios aos funcionários da empresa.

De acordo com a agência de notícias Xinhua, o mais recente suicídio foi de um jovem de 23 anos, que trabalhava na Foxconn havia cerca de um ano e se atirou do sétimo andar do prédio onde ficava seu dormitório às 23h20 desta quarta-feira.

Esta foi a 12ª tentativa de suicídio entre funcionários da fábrica da empresa na província de Shenzen neste ano - em duas ocasiões, as pessoas que se jogaram para a morte sobreviveram.

Segundo a Xinhua, este último suicídio veio poucas horas após uma rara visita de Terry Gou à fábrica acompanhado por jornalistas chineses e ocidentais.

A Foxconn - que fabrica o iPhone, da Apple - emprega mais de 700 mil pessoas. Mais de 400 mil delas trabalham na fábrica da empresa na província de Shenzhen, na China continental.

"Estou muito preocupado com isso. Eu não consigo dormir à noite", disse Gou, um dos empresários mais conhecidos de Taiwan.

"Do ponto de vista científico, eu não estou confiante que vamos conseguir impedir todos os casos. Mas como um empregador responsável, temos de assumir a responsabilidade de impedir o maior número de casos possível", disse ele.

Redes


Gou disse aos jornalistas que estavam sendo instaladas redes para evitar que mais pessoas pulem para a morte.

As redes estão sendo colocadas ao redor de praticamente todos os dormitórios e prédios do imenso complexo, que, de acordo com o correspondente da BBC em Xangai, Chris Hogg, "é uma verdadeira cidade, com lojas, postos de correio, bancos e piscinas de tamanho olímpico".

"Apesar de parecer uma medida estúpida, pelo menos pode salvar uma vida se mais alguém cair", afirmou o presidente da Foxconn.

Gou também disse que iria reajustar os salários dos funcionários nas próximas duas semanas e financiar a implementação de um hospital para fornecer terapias profissionais para os trabalhadores.

Setenta psicólogos foram contratados para dar aconselhamento aos funcionários.

"Nós também estamos treinando nossos empregados para se tornarem conselheiros voluntários. Mais de cem funcionários receberam o treinamento e nós esperamos que o número cresça para mil em um mês."

Pactos 'anti-suicídio'


Ativistas na vizinha Hong Kong vinham realizando protestos, pedindo que a população boicotasse a empresa deixando de comprar iPhones, como forma de pressionar a fábrica por melhorias nas condições de trabalho.

Eles afirmam que as jornadas de trabalho são longas, as linhas de montagem têm uma velocidade muito alta e os chefes aplicam uma disciplina militar para lidar com os trabalhadores.

De acordo com jornais chineses, a companhia agora obrigou os funcionários a assinar acordos declarando que não vão se suicidar.

A companhia ressalta que apesar da publicidade negativa, todos os dias cerca de 8 mil pessoas se candidatam para trabalhar na empresa.

A Apple, que criou e vende os iPhones, disse que vai avaliar a forma como a Foxconn está lidando com a onda de suicídios e vai continuar inspecionando as fábricas onde seus produtos estão sendo manufaturados."

sábado, 29 de maio de 2010

Resenha Literária - "Guerra sem Fim"

Estou para escrever esta resenha há algum tempo, mas sempre surgia outro assunto ou não estava com o livro em mãos para escrever. Devo ter acabado esta leitura há mais de um mês...

Este "Guerra sem Fim", do jornalista americano Dexter Filkins, é um retrato cru e frio de duas guerras: Afeganistão por volta de 1998 e no Iraque após 2003.

Sua narrativa chega a ser irritante de tão imparcial. Sem tomar partido ou estabelecer juízos de valor o correspondente estabelece um panorama bastante fiel dos combates nas duas regiões, dos motivos nem tão nobres que levam a tal, da vida diária em meio ao cenário de guerra, da democracia de araque que se implantava no Iraque e das dificuldades de se impor uma legislação ocidental neste país.

No relato sobre o Afeganistão fica claro porque o regime talibã, que parecia radical e incoerente aos nossos olhos ocidentais havia prosperado e tido apoio maciço da população.

Com todas as restrições culturais, o Talibã era um mínimo de ordem a ser estabelecido no país em guerra, e suas restrições eram toleradas por medo da vida sem a organização mínima da sociedade estabelecida pelos fundamentalistas. Sua oposição, as chamadas "Aliança do Norte" e a milícia uzbeque eram grupos de bandoleiros mais preocupados em impor o terror e em saquear tudo que pudessem.

Ou seja, por mais toscas que pudessem ser as instituições - baseadas na lei islâmica aplicada como no Século VII - e mais bárbara que fosse a aplicação da lei, a alternativa era ainda pior.

Maior parte do livro, o relato iraquiano é um intrincado retrato das relações comerciais, de segurança, de interesses petrolíferos e da dificuldade de se impor uma democracia à moda ocidental em um país que absolutamente não possui esta cultura.

Se fazem destaques também a descrição da rotina do repórter e sua equipe em Bagdá e as operações militares as quais ele esteve presente - com narrações detalhadas de mortes e de erros em campo que levavam a tais fatalidades.

Também há a descrição de torturas e assassinatos cometidos pelas forças americanas, bem como os problemas de infra-estrutura causados pela guerra.

O livro reforça uma impressão que há muito eu tinha: de que a ação americana tanto no Iraque quanto no Afeganistão muito mais desorganizou a sociedade dos dois países que qualquer outra coisa. No caso iraquiano fica claro o interesse econômico que levou à invasão.

Apesar de uma imparcialidade e de um distanciamento que chegam a irritar, é um panorama imprescindível para quem quer entender um pouco da dinâmica no Oriente Médio e o fundamentalismo islâmico. É melhor ainda se for lido em sequência com "Procedimento Operacional Padrão", que conta as atrocidades dos soldados americanos na prisão iraquiana de Abu Ghraib - citadas de relance neste.

Na Livraria da Travessa, custa R$ 46.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Final de Semana - "O Trem das Sete"



Nossa música para o final de semana é uma tremenda alegoria: "O Trem das Sete", de Raul Seixas.

A letra originalmente significa uma espécie de "Juízo Final", mas pode ser entendida - e deve - como um momento de transição na vida de todos nós.

Gostaria de colocar a excelente gravação do cantor Zé Ramalho, mas infelizmente o recurso "incorporar" não está disponível. Fiquemos, então, com a versão do autor, em uma rara gravação ao vivo.

Reflitam.

"Ói, ói o trem, vem surgindo de trás das montanhas azuis, olha o trem
Ói, ói o trem, vem trazendo de longe as cinzas do velho éon

Ói, já é vem, fumegando, apitando, chamando os que sabem do trem
Ói, é o trem, não precisa passagem nem mesmo bagagem no trem

Quem vai chorar, quem vai sorrir ?
Quem vai ficar, quem vai partir ?
Pois o trem está chegando, tá chegando na estação
É o trem das sete horas, é o último do sertão, do sertão

Ói, olhe o céu, já não é o mesmo céu que você conheceu, não é mais
Vê, ói que céu, é um céu carregado e rajado, suspenso no ar

Vê, é o sinal, é o sinal das trombetas, dos anjos e dos guardiões
Ói, lá vem Deus, deslizando no céu entre brumas de mil megatons

Ói, olhe o mal, vem de braços e abraços com o bem num romance astral"