terça-feira, 22 de junho de 2010

Samba de Terça - "Dom Quixote de La Mancha - O Cavaleiro dos Sonhos Impossíveis"



Nosso "Samba de Terça" de hoje volta a 2010 e a um samba que será lembrado aqui muito mais pela façanha que empreendeu e o simbolismo de sua vitória que propriamente pela qualidade do samba ou sua perenidade.

Falo da União da Ilha do Governador, escola do bairro onde moro e pela qual adquiri um carinho todo especial.

A escola havia retornado ao Grupo Especial, o Olimpo do Samba, após um longo e imerecido exílio na Segunda Divisão do samba carioca. Foram oito longos carnavais, onde em pelo menos quatro ocasiões a escola poderia perfeitamente ter vencido o desfile e retornado: 2003, 2005, 2006 e 2008. Somente em 2009 a escola havia alcançado o seu objetivo e voltado ao seu lugar.


Para o carnaval de 2010, a escola insulana se conscientizou de que somente com nomes de peso poderia lutar contra uma incômoda maldição: desde 1998 que uma escola abrindo o desfile de domingo não conseguia se manter no grupo.

Mais: de 2003 para cá a escola que vinha do Grupo de Acesso era mandada inapelavelmente de volta para o segundo grupo, inclusive com algumas injustiças gritantes - Santa Cruz em 2003 e o Império Serrano em 2009 são dois bons exemplos. Era uma missão quase impossível.

A escola contratou a campeoníssima carnavalesca Rosa Magalhães, que havia sido demitida da Imperatriz Leopoldinense após dezenove anos de serviços prestados à escola da Leopoldina. Esta propôs um enredo sobre a história de Dom Quixote de La Mancha, traçando um paralelo entre a inglória luta do personagem de  Cervantes com o desafio da tricolor insulana para se manter entre as grandes. Nas palavras da sinopse:



"Num lugar da Mancha, de cujo nome não quero lembrar-me, vivia um fidalgo. Tinha em casa uma ama e uma sobrinha. Orçava em idade, o nosso fidalgo, pelos cinquenta anos. Era rijo de compleição, seco de carnes, enxuto de rosto, madrugador e amigo da caça... 

É pois de saber, que este fidalgo, nos intervalos que tinha de ócio, que eram muitos, se dava a ler livros de cavalaria com tanto empenho e prazer, e era tanta paixão por essas histórias, que chegou a vender parte de suas terras para comprar livros de Cavalaria. O que mais admirava era os "Os quatro de Amadis de Gaula", primeiro livro de cavalaria que se imprimiu na Espanha. 

E o pobre cavaleiro foi perdendo o juízo. Sua imaginação foi tomada por tudo o que lia nos livros - feitiçarias, contendas, batalhas, desafios, amores e disparates inacreditáveis. Foi assim que acudiu-lhe a mais estranha idéia , que jamais ocorrera a outro louco nesse mundo. Pareceu-lhe conveniente fazer-se cavaleiro andante, em busca de aventuras e viver tudo o que havia lido sobre o assunto". 

Assim começa a saga de um cavaleiro que se tornou imortal. Escrito por Miguel de Cervantes, a princípio era uma crítica aos romances de cavalaria. Porém sua importância foi além dos limites que imaginara. É considerado o primeiro romance da era moderna e escolhido como o melhor livro já escrito até os dias de hoje. 

Voltando ao nosso herói, ele escolheu um nome, Quixote de la Mancha, batizou seu magro cavalo de Rocinante, tomou um vizinho, lavrador pobre e bastante simplório, como seu fiel escudeiro. E para cavaleiro andante nada mais lhe faltava a não ser uma dama. Foi então que se lembrou de uma aldeã por quem já fora enamorado, embora ela nunca tenha sabido, chamada Aldonza Lorenzo. Pôs-lhe então o nome de Dulcinéia del Toboso. 

Assim, armado e montado em Rocinante, acompanhado pelo escudeiro Sancho Pança montando seu burrico russo, Dom Quixote resolve sair em busca de aventuras, que devo dizer não foram poucas. 

Investiu contra os moinhos de ventos, achando que eram gigantes, obra do grande feiticeiro Fristão, tomou rebanho de ovelhas por exércitos inimigos, e fez o mesmo com uma manada de touros. De um barbeiro, levou-lhe a bacia dourada, pois achava que era o elmo de Mambrino, colocou-a na cabeça e esta bacia passou a fazer parte de sua indumentária enferrujada e antiga, pertencente a seu bisavô. 

Enquanto Dom Quixote se aventura pelo mundo, sua sobrinha, ajudada por amigos, resolve destruir todos os livros de cavalaria dele e bloqueia a porta do seu escritório, para parecer que esta sumira como que por encantamento. No afã de leva-lo de volta para casa, o noivo da moça se disfarça de cavaleiro da Branca Lua e desafia Quixote para um torneio. Caso ele perdesse, teria que se refugiar em casa por um período de um ano, esquecendo-se das aventuras de cavaleiro andante. 

Quixote é vencido por seu oponente e, como era fidalgo de palavra, volta para casa, para júbilo de todos, e aos poucos vai recobrando a sensatez e esquecendo-se das aventuras do grande D. Quixote de la Mancha. 

"Quixote encanta pela loucura da luta por ideais dos quais a razão desistiu. Os humanistas domesticados pela razão cínica viraram técnicos em acomodação". 

Quixote, como Cervantes, foi-se em agitação criativa e penúria material. Quatro séculos após a sua vinda, restam o quixotesco de anedota, frases divertidas, fugaz admiração. Do ideal, apenas a glória do derrotado. Venceu o pragmatismo de Sancho. 

Mas vale a pena ler, quimeras são sempre divertidas, a infância ou a loucura ainda mora na essência das nossas almas quixotescas... 

"Sonhar,
Mais um sonho impossível 
Lutar
Quando é fácil ceder
Negar quando a regra é vender...
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão".

Rosa Magalhães
Carnavalesca

Bibliografia consultada: 

- Dom Quixote de la Mancha - de Miguel de Cervantes - Ilustrações de Gustave Doré - Tradução - Viscondes de Castilho e de Azevedo - Lello e irmão editores - Porto - 2 volumes - s/data

- Dom Quixote de la Mancha - de Miguel de Cervantes, tradução de Ferreira Gullar - editora Revan - 2002

- Artigo - Quatro séculos do maluco beleza - Alcione Araújo - Revista Argumento número 8 pág 117

- Sonho impossível - Musical Mano of la Mancha - de Dale Wasserman, Joe Darion, Mitch Leigh - tradução Chico Buarque de Hollanda.



O samba escolhido é fruto de uma junção entre duas composições. Quem acompanhou a disputa desde o início garante que a soma das composições teve motivos políticos, a fim de acomodar correntes que auxiliavam a agremiação. 'Mumunhas' de disputas...

A escola foi a primeira a desfilar domingo de carnaval deste ano, 14 de fevereiro. Depois de dois anos desfilando pela escola houve um problema e tive de me contentar em assistir do Setor 3.

A União da Ilha fez um desfile com extremo bom gosto em fantasias e alegorias, embora estas últimas não tivessem tamanho muito ampliado. A bateria sustentou bem o ritmo e permitiu à escola um bom desfile, apesar dos problemas para a entrada de dois carros.


Na apuração da Quarta Feira de Cinzas, a surpresa: referendando o bom desfile da escola, e contando com o péssimo desfile da Unidos do Viradouro - e seus problemas políticos - a União da Ilha obteve o décimo primeiro lugar, com 293,8 pontos. O Branca Lua, inatingível, estava vencido.

Sem dúvida alguma é uma lição para todos nós - eu inclusive: nada é impossível. Nossos "Brancas Lua" podem ser invencíveis agora, mas com perseverança temos totais condições de superar nossas barreiras e alcançar nossos objetivos.

Por outro lado, muitas vezes desistimos de nossos sonhos em favor de conveniências outras...

Vamos ao samba e, abaixo, o "esquenta" da escola neste ano.


Autores
Grassano, Gabriel, Márcio André, João Bosco, Arlindo Neto, Gugu das Candongas, Marquinho do Banjo, Barbosão, Ito e Léo

Puxador
Ito Melodia

Voltou a Ilha
Delira o povo de alegria
Nessa folia sou fidalgo, sou leitor
Cavaleiro sonhador
Num mundo é de magia
Vou cavalgar no Rocinante
Meu escudeiro é Sancho Pança
Se Dulcinéia é meu amor
Quem eu sou?
Sou Dom Quixote de la Mancha


O gigante moinho me viu deu no pé
O povo grita olé
Nesse feitiço tem castanhola
A bateria hoje deita e rola


Vesti a fantasia, fui à luta
Venci manadas, rebanhos
Fiz de uma bacia, meu elmo de glórias
Meus livros se perderam pela história
Enfim, fui vencido pelo Branca Lua
Voltei, pra casa esquecendo as aventuras
No tempo ficou, os meus ideais
Quimeras são imortais

A Ilha vem cantar
Mais um sonho impossível... sonhar
Quem é que não tem, uma louca ilusão
E um Quixote no seu coração"

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Resenha Literária - "As Melhores Seleções Brasileiras de Todos os Tempos"

Época de Copa do Mundo, hora de começar a colocar as resenhas dos livros lidos durante a viagem ao Paraná.

Inicio por este "As Melhores Seleções Brasileiras de Todos os Tempos", do jornalista e narrador do SporTv Milton Leite.

São seis seleções as escolhidas pelo autor em seu passeio pela história de nosso vitorioso futebol: as cinco campeãs do mundo e uma seleção que não foi campeã, mas que a meu juízo foi a melhor que vi jogar: o inesquecível time de 1982.

Particularmente, embora não fosse vivo na época - dos times elencados só vi de 1982 para cá - trocaria o tosco campeão de 2002 pelo time vice campeão de 1950. Entretanto, o argumento do autor para não inclusão da seleção de 1950 é bastante razoável: embora tenha dominado tecnicamente aquele Mundial, não faria  muito sentido abrir o livro com a maior derrota da história do futebol canarinho.

Faço aqui pequeno resumo dos seis capítulos. Ao contrário do livro do jornalista Mauro Betting sobre as melhores seleções estrangeiras - "irmã gêmea" deste e alvo da próxima resenha - Milton Leite optou por não fazer o "jogo a jogo" de cada seleção em sua respectiva Copa, optando por um plano mais geral. Destaco também a ficha técnica de cada jogador participante nas campanhas, ao final de cada capítulo.

1958 - o autor conta os detalhes da primeira preparação profissional do Brasil para uma Copa do Mundo, desde a organização da Comissão Técnica, passando por dentes e amígdalas extraídas antes do início da competição e os "espiões" que acompanhavam os adversários. Relaciona as diversas mudanças que a equipe sofreu durante a competição e um fato curioso: as camisas azuis utilizadas na finalíssima foram compradas no comércio de Estocolmo às vésperas do jogo. Bem diferente dos dias atuais...

1962 - com a base da equipe anterior, envelhecida - sete dos onze titulares da estréia tinham mais de trinta anos. Ao contrário de 58, houve apenas uma alteração na equipe do início até o final da competição, a entrada de Amarildo no lugar de Pelé, machucado. Como não se permitiam substituições durante os jogos na época, apenas doze jogadores foram utilizados na campanha.

1970 - bastante renovada após o fiasco de 1966, o livro conta algumas passagens de bastidores referentes à saída de João Saldanha e a ascensão de Zagallo. Jairzinho concedeu uma entrevista para o livro onde deixa claro que na opinião dele Dario somente foi convocado para agradar o ditador Garrastazu Médici: "todos nós sabíamos disso. O Dario era boa pessoa, artilheiro, mas muito ruim para estar na seleção de 1970. Ele ficava até constrangido." (pp.89).

1982 - o autor faz justiça à figura do técnico Cláudio Coutinho (em minha opinião, injustamente esquecido no livro sobre os onze maiores técnicos brasileiros) como formador daquela equipe. Telê assumiu em 1980 e alterou o time, mantendo a base anterior. O autor também desmistifica uma tese até hoje corrente, de que na fatídica partida contra a Itália - uma das maiores tristezas de minha vida futebolística - o time havia se lançado à frente quando o empate bastava. Em minha opinião, o melhor e mais revelador capítulo.

1994 - mais uma vez faz justiça à renovação empreendida por Falcão entre 1990/91 e esclarece de uma vez por todas o afastamento e o retorno de Romário. Muito interessante é a descrição tática feita por Parreira daquela equipe.

2002 - o subtítulo do capítulo diz tudo: "quando o caos levanta a taça". Esclarece a história da não-convocação de Romário, como ponto alto do capítulo.

Um bom painel das maiores seleções brasileiras, bom texto, boa leitura. Recomendo.

Cama de Frango


Nos dias em que trabalhei na refinaria paranaense, tinha de acordar muito cedo a fim de pegar o ônibus que me levava à Repar - que fica em Araucária, cerca de trinta e cinco quilômetros da capital Curitiba.

Com isso, todos os dias enquanto tomava café no hotel assistia no salão ao programa Globo Rural, um dos mais antigos na grade de programação da tevê aberta brasileira.

Em uma das manhãs uma matéria me chamou muito a atenção. Era sobre a proibição da "cama de frango" na nutrição do gado de origem bovina e a inspeção que os órgãos oficiais fizeram naqueles dias a fazendas na Bahia.

Para os leigos como eu, "cama de frango" (foto acima) é uma espécie de "tapete" colocado nas granjas a fim de que os frangos não fiquem em contato direto com o chão. Formada com palhas e cascas de vegetais como o arroz e o café, tal cobertura recebe parte de alimentos não aproveitados pelas aves, suas fezes e restos de penas.

Também há farinha de carne na ração dos frangos, e aproximadamente 30% da ração ingerida é eliminada pelas fezes dos animais sem ser digerida.

Após a retirada e o abate das aves, tal mistura não é simplesmente descartada como o leitor poderia imaginar. Normalmente esta "cama" recebe duas destinações.

A primeira, considerada aceitável pelas autoridades sanitárias é sua utilização como adubo em culturas agrícolas. Em especial as fezes dos animais possuem nutrientes que são úteis às culturas e diminuem o custo de produção. Por outro lado a palha e as cascas diminuem a umidade do solo.


Entretanto, muitos fazendeiros utilizam a cama de frango como complemento alimentar do gado bovino. Neste caso temos um problema.

A Instrução Normativa nº 8 do Ministério da Agricultura, de 25/03/2004, proíbe que na alimentação de animais ruminantes (bovinos, caprinos, ovinos, entre outros) haja elementos que contém proteínas e gorduras de origem animal. Como explicado acima, a cama de frango possui elementos oriundos do descarte destes animais.

Outra questão é que a utilização desta mistura na alimentação dos bois e vacas pode causar doenças como a "vaca louca" e o botulismo. A proteína que compõe o vírus da "vaca louca" não afeta os frangos, mas no organismo dos bovinos causa a doença.

Além disso, a cama de frango pode trazer resíduos de antibióticos, hormônios e inseticidas utilizados na produção avícola, bem como pregos e outros tipos de refugos. Ou seja, é totalmente inadequado como complemento alimentar.

Entretanto, sua utilização tem fator econômico. Segundo a matéria a que assisti, o custo por cabeça de gado diário com farelo de trigo, milho e soja é de R$ 3. Utilizando-se a cama de frango - também chamada de "pé de cocho" - tal valor cai para R$ 1.

O econômico sendo colocado à frente da qualidade do alimento e das questões de saúde pública. Aliás, este não é um privilégio da pecuária, basta sabermos que boa parte da soja que consumimos, por exemplo, é de origem transgênica e contém grande percentual de defensivos agrícolas, em especial o famigerado glifosato.

Portanto, caro leitor, procure consumir produtos bovinos de origem certificada. Melhor ainda se forem orgânicos.

Um resumo da matéria do Globo Rural pode ser lido aqui.

domingo, 20 de junho de 2010

Dunga, a guerra interna e a imprensa


Domingo, dia de bons textos no Ouro de Tolo.

Tenho evitado escrever sobre a Copa do Mundo em curso por dois motivos: primeiro porque todo mundo está dissertando sobre o tema e pouco teria a acrescentar.

Segundo, por questões de horário tenho visto muito pouco das partidas, praticamente apenas os gols e um ou outro compacto com os melhores momentos. O que é uma pena, gosto muito de acompanhar a festa máxima do futebol mundial.

Repercuto aqui texto escrito durante a semana pelo sempre bem informado Lúcio de Castro. Ele relata uma guerra surda ocorrida nos bastidores da nossa seleção, envolvendo o relacionamento com a imprensa e seus privilégios.

O artigo foi publicado pelo jornalista em seu blog antes da estreia contra a Coréia do Norte.

Boa leitura.

"Não achei que ia viver pra ver isso... eu mesmo fazendo uma defesa de Dunga!!! Prometi me aprofundar no assunto (...) na ESPN, então, vamos por partes…

Em primeiro lugar, segue valendo tudo o que sempre achei, falei e escrevi sobre o treinador. Mas entre tantos defeitos que tenho em quantidade, não posso ser acusado do não reconhecimento de qualidades até em quem eu não tenha a menor afinidade de pensamento. Como Dunga e suas filosofias e posições.

A tecnologia tem diversos problemas e não me dou bem com ela. Mas por outro lado, possibilita e permite apurações, contatos e aproxima pontos distantes, tornando muros de concentrações e o afastamento de continentes distintos apenas obstáculos virtuais.

O mundo contemporâneo tem sido pródigo nessas coisas. A censura iraniana fica reduzida ao ridículo com celulares, twitters, etc. Assim também é uma seleção concentrada.

E as informações dão conta de um clima de guerra e embate entre partes da comissão técnica canarinho. Como de hábito, podem até aparecer abraçados amanhã para desmentir, mas o clima de beligerância está no ar, cada dia mais pesado, diga-se de passagem. Por sorte, o primeiro adversário é uma Coreia do Norte, que, cá entre nós, deve amenizar o ambiente com sua fragilidade. A ver...

E vamos chegando a inesperada defesa de Dunga. Os fatos me obrigam.

O treinador tem sido massacrado por fechar a seleção, treinos fechados, etc. E em alguns momentos, tem se imaginado que alguns fechamentos de portão são retaliações contra a imprensa por divulgar e repercutir fagulhas como a de Daniel Alves e Julio Batista. Que obviamente não rendeu nada além do treino.

Não é por aí. A briga de Dunga é interna, na própria trincheira. E por incrível que pareça, inatacável. É Dunga quem tem brigado contra os privilégios de alguns orgãos. Foi ele que acabou, até aqui, com esses privilégios. Foi Dunga que abortou nos últimos dias a volta de privilégios. Que, tenham certeza, já estavam mais do que articulados e programados. E por isso, por ter se contrariado com a massa do bolo quase pronta, a sua revelia, legítima bola nas suas costas para a volta dos privilégios, veio a decisão de fechar mais um treino. As entrevistas já estavam articuladas, jogadores, locais...

Dunga pode ter um monte de defeitos, e parece mesmo que tem uns brabos. Mas vem de longe nessa historia de futebol. Sabe quem é quem, conhece os Maquiaveis de plantão. Sabe quanto o prestígio da seleção é usado como moeda para troca: te dou um privilégio aqui, recebo um beneficio de imagem acolá e saio fortalecido…

Conhece bem histórias de gente como Ricardo Gomes na seleção brasileira, quando o hoje são paulino esteve com o time olímpico. Sabe que as noticias contra o treinador vazavam de dentro da trincheira. Homem de bem, Ricardo Gomes não soube se armar pra jogar na mesma moeda suja, e injustamente acabou com pecha de deixar as coisas correrem frouxas. Milimetricamente planejada para vazar. Informações maledicentes soltas “inocentemente” numa “resenha”. E que sempre encontram um inocente útil de plantão para espalhar e publicar, com orgulho de achar que está demonstrando saber de bastidores. Com a nossa imprensa cada vez mais carregada de almofadinhas, sem 10 minutos de esquina pra discernir o que é sujeira do que é informação boa, o terreno fica fértil. Os Maquiaveis deitam e rolam...

Para completar tudo, tivemos no pré-copa a informação vazada de que a convocação de Adriano estava proibida pelo Chefe, desmoralizando Dunga. Podem negar quanto quiserem também, mas obviamente acirrou a beligerância e aumentou a temperatura.

Para não acontecer e passar pelo mesmo que antecessores, Dunga radicalizou. Nada foge ao seu controle, ninguém fala sem que ele saiba, e por aí foi. A pergunta óbvia: é certo? Esse é o modelo que está defendendo? Claro que não. Mas qual era o outro modelo? O modelo dos privilégios, o da informação para alguns, entrevistas exclusivas em profusão. (Que fique aqui a ressalva, sempre, em nome da correção: existem sim os profissionais do outro lado, excelentes, que conseguem as coisas por talento, brilho e suor. Alguns dos melhores que conheci, e pessoas de caráter irretocável. Ou seja, nem tudo o que se vê ”exclusivo”, pode ser debitado na conta do privilégio. Mas estes privilégios existem em alguns casos, e principalmente na possibilidade de se estruturar para um cobertura com antecedência sabendo como será toda a logística liberada muito antes, e por aí vamos…).

Então chegamos até aqui entre esses dois modelos: o atual, fechado como a Coreia do Norte, simbolizado nesses tempos de Dunga, e o anterior, dos privilégios, da falta de retidão. Não que eu também acredite que Dunga está fazendo isso por achar que essa é conduta mais integra. Afinal, também ele já foi agente de privilégios e já foi cúmplice em queixas contra profissionais para diretores de empresa subservientes. Mas tem tal postura agora porque identificou, por sobrevivência, que, no momento, este é o melhor lado para estar na guerra interna que se instalou no clube de golfe.

E asseguro: apesar de Dunga adorar o conflito com a imprensa, desta vez seu alvo e inimigo está na trincheira. E se até o fim as coisas desandarem em campo, do jeito que as coisas vão e a temperatura está alta, isso ainda acaba em briga de mão dentro dos muros...De um lado Dunga sendo entregue aos leões. Do outro o treinador não se preocupando mais em omitir o tratamento de “cobra, cobrinha...” para alguns da sua trincheira...Sei não...

No mais, apenas uma certeza: copiem o que estou escrevendo, guardem e me cobrem. Em termos de cobertura, no dia seguinte ao fim da copa, teremos saudades de Dunga. A que ponto chegamos...
 
Pois o martelo já está batido: nunca mais irá acontecer isso, um treinador bancar tal posição, definir os dias fechados, o modelo de comunicação. Com a marcha da Copa no Brasil começando no dia 12 de julho, até 2014 viveremos mais do que nunca a era dos privilégios e da informação viciada. Podem apostar.

PS- Este texto estava pronto quando chegou a informação de que a Fifa condenou o fechamento dos treinos brasileiros. Alguma dúvida sobre qualquer articulação ou recurso utilizado para cortar as asas do treinador? Da própria trincheira se articula com o exterior para fazer o cara sossegar. Parece maquiavélico. E é. Essa cobertura ainda acaba em enredo de James Bond."

sábado, 19 de junho de 2010

Sobretudo


Sábado, dia de nossa coluna Sobretudo, assinada pelo publicitário Affonso Romero. Na verdade, hoje a coluna é assinada a quatro mãos, pois a esposa do publicitário, mara da Silva, também assina o texto.

Que é, em minha visão de "editor", continuação do belo texto publicado nesta mesma coluna dia 22 de maio.

Vale a pena a leitura. Bom sábado.

"O SEGUNDO CASAMENTO, SEGUNDO ELA.

Amigo leitor, esta semana eu gastei mais tempo pensando sobre o tema da coluna do que teria gasto para escrevê-la. É que, em clima de Copa do Mundo, eu corria o sério risco de ser redundante como a bola e falar mais e mais sobre futebol.

A primeira questão, portanto, era escolher entre falar sobre o que todos estão falando (mas nem sempre todos querem ouvir, cansados que estão com o tema), ou tentar sair da rotina e ficar parecendo o único lunático sobre a terra que ignora a Copa.

Está certo, na semana passada o tema já foi a Jabulani mas, convenhamos, a bola era só uma desculpa para conversarmos um pouco sobre a vida. Ou, especificamente, uma forma de eu te contar, assim numa aparente despretensão, que estou envaidecido por ter assinado uma coluna dominical em um jornal de grande circulação.

Eu tenho guardada no bolso esquerdo do meu paletó uma listinha de temas sobre os quais eu gostaria de escrever na Sobretudo. É um pequeno lembrete, para que a coluna mantenha o nome e não acabe virando uma Sobre-a-mesma-coisa. Alguns desses temas caducam, de tanto que ficam amarelando no papelzinho. Coisas que eu li na internet, ouvi no rádio ou na tevê, ia comentar e o tempo passa até que percam a pouca relevância que tinham. Ou filmes que eu vi, iria recomendar e, antes disso, saem de cartaz. Ou livros que eu li e já me esqueci dos detalhes antes de resenhar.

Um desses temas que esperam na fila é a cidadezinha de Monte Verde, onde eu passei minha lua-de-mel há menos de um mês. Pensei nisso hoje, ao me sentar para escrever a coluna. Mas as fotos não estão à mão, e eu realmente já preciso delas para não permitir à minha frágil memória deixar passar algum detalhe que eu teria que escrever posteriormente, numa coluna sobre a corrida espacial, por exemplo, e o leitor teria certeza de que eu caduquei de vez.

Mudei o tema novamente para o futebol, com outro enfoque, falando um pouco dos vários erros que eu gostaria de comentar, dentro e fora de campo, da Copa ou da administração esportiva. Mas, antes de chegar à metade, recebi o texto que reproduzo abaixo.

O texto foi escrito pela minha esposa, e me fez retornar aos dias de Monte Verde. Não pedi licença a ela para mostrar para você, leitor. Mas eu fiquei tão tocado pelas palavras dela que talvez ela se convença quando eu disser que foi o meu modo de poupar o tempo de escrever a coluna para ficar mais tempo ao lado dela. Mas, aqui entre nós, não foi só por isso ou por preguiça de escrever que eu resolvi reproduzir o texto dela. É porque eu posso estar sendo acometido de corujice, mas eu sinceramente acho que é ela, e não eu, a escritora da família.

Sendo assim, divido com você as impressões dela sobre se casar de novo, bem como a minha emoção ao ler o que ela escreveu:

“Casar de novo pode ser sua maior vitória.

Meu marido corta o pêlo da barba na pia do banheiro: a pia e o chão do banheiro ganham, toda manhã, desenhos abstratos feitos de pequenos pelos vermelhos que insistem em grudar no meu pé (só ando descalça em casa e sempre termino com coisas estranhas entre os dedos). É tão peculiar que merecia ser instalação da Bienal.

Eu tenho mania de limpeza.

Minha cachorra, toda vez que não posso (ou não quero) dar carinho a ela, em ato de protesto, faz xixi pela casa. Daqueles inspirados.

Ele, até pouco tempo, dizia que cachorro só de longe.

Ele tem um filho, que a cada férias, passa uns dias com a gente.

Eu, até ontem, gostava de visitas a cinco quarteirões de distância.

A família dele é pequena, pai, mãe e filho, por isso adora amigos, muita gente e 500 mil amigos no orkut e afins.

A minha é grande, cheia de cunhados, pimpolhos e agregados, por isso eu tenho tendência à solidão, adoro privacidade

Ele ama shows, futebol  e lugares cheios.

Eu, televisão, livros e se não for estimulada a sair, viro tatu.

No carro, ouve de John Pizzarelli a João Bosco,uma verdadeira confusão.

Eu ouço Nirvana, o Rappa e afins.

Tínhamos tudo pra dar errado. Mas damos certo.

Tínhamos tudo para nem pensarmos em uma vida em comum, mas ambos trazem algo em si que nos fez rir das (aparentemente) problemáticas diferenças e construir uma deliciosa vida juntos: estamos no segundo casamento, ops, no caso dele no terceiro.

A vitória da esperança sobre a experiência? Pode até ser, mas prefiro acreditar que se trata mais de ter aprendido, com o dia-a-dia, que se ater a detalhes dissonantes é um atalho bom à beça pro precipício. Viver com alguém é muito mais do que compartilhar experiências passadas comuns: é ter o desejo quase incontrolável de ter experiências futuras comuns. Não é pensar ter encontrado quem louve tudo o que amamos e odeie tudo o que desprezamos - isso é narcisismo, não casamento. Estar casado é respeitar os maus humores, deixar passar comentários sabidamente imbecis ou atitudes impensadas. É gostar de acordar ao lado (eu que odiava viver grudada), respeitar o desejo de solitude ocasional (e não tomar isso como uma confissão de repulsa). Estar casado é saber a hora de prestar atenção e o momento de se fingir de morto.

O segundo casamento é mais leve, apesar de ambos terem mais carga.

Traz os medos de repetir os erros do primeiro, mas também a vontade de não cometê-los. Aumenta a maleabilidade e diminui a petulância. Dá a dimensão exata do que é compartilhar a vida com alguém - e também a de que a mesma não acaba se essa pessoa for embora. (espero que não!!! rs)

O segundo casamento ri de si mesmo porque sabe que é bem melhor do que chorar ou xingar.

Ele carrega o know-how do primeiro e preserva a inocência do pra sempre.

Jamais me casei pensando em me separar. Não somos obrigados a acertar de primeira, e não é nenhum demérito tentar de novo. Não é nenhum pecado ser feliz, mesmo se a pessoa que viveu conosco ainda acreditar piamente nisso.

O segundo casamento me deu a lição que me fez uma mulher menos encanada e briguenta (com exceção à TPM) e muito mais zen: se ele solta pêlo, bem que eu posso calçar os chinelos.

Ser feliz, no final das contas, não é questão de sorte ou azar. É questão de perspectiva."

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Final de Semana - "Samba de Orly"



Esta música deveria ter entrado na semana passada, mas optei por Zeca Pagodinho.

"Samba de Orly" foi escrita quando da volta de Toquinho ao Brasil, entre 1969 e 1970. Chico Buarque, então exilado na Itália, escreveu boa parte da letra como uma espécie de "carta" aos amigos.

Curiosidade: a expressão "omissão um tanto forçada" foi vetada pela Censura da época, sendo substituída por "duração dessa temporada". Ambas as expressões constam na letra que disponibilizo abaixo.

A propósito: eu jamais havia embarcado no aeroporto Santos Dumont - até por morar próximo ao Galeão. Apesar do susto inicial - o avião faz uma curva acentuada à esquerda para evitar um encontro de amor e morte com o Pão de Açúcar - a visão da cidade lá embaixo, ao final da tarde, é arrasadoramente bela. Pena que estava sem minha máquina naquele momento.

A canção - que embalou bons momentos meus há quase quinze anos - tem um tom sombriamente melancólico. Saudade, tristeza, melancolia, exílio.

Exílio que pode ser da alma...

Vamos à letra. Bom final de semana, em especial àqueles que não precisam ser "escravos do dever":

Composição: Chico Buarque / Toquinho / Vinícius De Moraes

"Vai meu irmão
Pegue esse avião
Você tem razão
De correr assim
Desse frio, mas beija
O meu Rio de Janeiro
Antes que um aventureiro
Lance mão...

Pede perdão pela duração (omissão)
Dessa temporada (um tanto forçada)
Mas não diga nada
Que me viu chorando
E pr'os da pesada
Diz que eu vou levando...

Vê como é que anda
Aquela vida à tôa
E se puder me manda
Uma notícia boa...

Vai meu irmão
Pegue esse avião
Você tem razão
De correr assim
Desse frio, mas beija
O meu Rio de Janeiro
Antes que um aventureiro
Lance mão...

Pede perdão pela duração (omissão)
Dessa temporada (um tanto forçada)
Mas não diga nada
Que me viu chorando
E pr'os da pesada
Diz que eu vou levando...

Vê como é que anda
Aquela vida à tôa
E se puder me manda
Uma notícia boa...

Vai meu irmão
Pegue esse avião
Você tem razão
Mas não diga nada
Que me viu chorando
E pr'os da pesada
Diz que eu vou levando...

Pede perdão pela duração
Dessa temporada
Vê como é que anda
Aquela vida à tôa
E se puder me manda
Uma notícia boa..."

Resultado da Promoção - "Livro-Jogo das Copas Globo Esporte"

Demorou, mas finalmente temos o resultado da segunda promoção de nosso blog.

A participação foi menor desta vez, mas ainda assim fiquei bastante satisfeito com as frases enviadas.

Aproveito para informar que o livro do leitor Daniel Capello já foi entregue, e o dos vencedores Tatiana Samistraro (Conquistando o Inimigo) e Tânia Tgart (Sangue Azul) serão enviados no início da próxima semana.

A vencedora desta promoção, ganhadora de um livro autografado, é a leitora Vivian Barros, do Rio de Janeiro.

Sua frase:

"90 Minutos de Amor Incondicional"

Bervemente teremos mais uma promoção literária no Ouro de Tolo.

Rifa-se um Coração (quase novo)


O leitor Ronaldo Derly me envia por e-mail, tempos em tempos, bons textos de literatura brasileira.

Hoje publico aqui poema da grande escritora Clarice Lispector (foto, 1920-1977) que, de certa forma, é um pouco a minha cara. Não totalmente, mas grandemente.

Como vêem, ando meio melancólico.

Reflitam e se enxerguem.

"Rifa-se um coração (quase novo)

"Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade
está um pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos, e cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente
que nunca desiste de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado,
coração que acha que Tim Maia estava certo
quando escreveu... "não quero dinheiro,
eu quero amor sincero, é isso que eu espero...".
Um idealista...
Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece,
e mantém sempre viva a esperança de ser feliz,
sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando relações
e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste
em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado. Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional que,
abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas,
mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado
indicado apenas para quem quer viver intensamente e,
contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida
matando o tempo, defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas:
" O Senhor poder conferir", eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer".
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro
que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que,
ainda não foi adotado, provavelmente,
por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar, mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence seu usuário
a publicar seus segredos e, a ter a petulância
de se aventurar como poeta."

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Visita à Arena da Baixada


Sem dúvida alguma, a notícia da Copa do Mundo ontem para nós brasileiros foi a confirmada exclusão do Morumbi e a possível da Arena da Baixada para a Copa de 2014.

Irei relatar aqui a visita que fiz à Arena Paranaense nesta visita a Curitiba. Àqueles que possam achar estranho eu ter 'perdido' uma hora e meia aproximadamente em uma visita a um estádio, explico que estas questões envolvendo gestão de futebol muito me interessam.


A Arena possui a fama de ser um dos locais mais estruturados do Brasil. O estádio possui um programa de visitas guiadas, em diversos horários diários.

Cheguei por volta de meia hora antes, paguei os R$ 10 cobrados - que inclui uma revista do clube - e aguardei em uma ante-sala onde uma televisão transmitia um vídeo institucional sobre o clube. A revista, bem produzida, me chamou a atenção pela reverência ao grande Flamengo de Zico em pelo menos duas ocasiões. Fiquei orgulhoso.


Guiados por uma funcionária do clube - que aparece em uma das fotos deste post - conhecemos as dependências do estádio, à exceção de pisar no gramado propriamente dito - embora a gente vá até a boca do túnel e possa tirar fotos no nível do campo.

A visita se inicia pelo anel inferior das arquibancadas, onde a guia mostra as características e explica as mudanças que serão feitas a fim de sediar os jogos da Copa de 2014. O que chama a atenção imediatamente é a perfeita visão do campo, muito superior que por exemplo o Maracanã. Óbvio que a distância das cadeiras para o campo é bem menor e isso ajuda, de qualquer cadeira do estádio se consegue ter uma boa visão do gramado. As fotos que coloco aqui dão uma boa medida disto que estou escrevendo.


Depois se vai ao anel superior das cadeiras e visita-se a área dos camarotes, bem como se entra no espaço reservado aos convidados do clube. Há um salão com uma exposição da "galeria de presidentes" e momentos históricos atleticanos, bem como outra temática referente à Copa. Também há a maquete do estádio após as alterações para os jogos do certame mundial.

Algo que me chamou muito a atenção foi o fato de os sócios torcedores do clube terem as suas cadeiras cativas no estádio. Todas com nomes e sobrenomes. A guia explicou que o número de ingressos disponíveis nas bilheterias é mínimo e visa muito mais atender ao Estatuto do Torcedor que propriamente a torcedores ou simpatizantes não-sócios. A visão dos nomes inscritos nas cadeiras é realmente impactante, para dizer o menos.


Depois a visita passa pelos vestiários e a sala de aquecimento. Ambos não possuem muito luxo mas são bastante funcionais e confortáveis, diria até. Curioso é que ainda havia uma bolsa de material, provavelmente esquecida após o jogo contra o Botafogo - realizado na quarta feira anterior.


Visita-se a sala de entrevistas, onde tirei uma foto à guisa de Rogério Lourenço - se ele pode, eu também. Fiquei curioso quanto à realização de entrevistas simultâneas, porque a distância entre as mesas do Atlético e da equipe visitante é muito pequena.


Fomos ao nível do campo após passar pelo túnel de entrada, visita à estrutura de estacionamento e restaurantes e término na loja oficial - onde ganhamos um "vale desconto" de 15%. A loja em si não é nada demais, ainda mais comparada com a mega loja da Olympikus na Gávea. Tanto que a camisa que eu queria não tinha no meu número, acabei levando uma rubro-negra e uma de goleiro - aumentando minha modesta coleção.


Devo dizer que como flamengo me senti envergonhado ao final da visita. Um clube como o Atlético, de expressão nacional muito menor, dá um banho em termos de estrutura - e olha que não estive no Centro de Treinamento. Sinceramente eu gostaria que os dirigentes do rubro-negro carioca fossem tão eficientes na administração dos recursos do clube como o foram nestas últimas décadas com a evolução de suas finanças pessoais.


Por outro lado, nem tem como comparar com a Vila Capanema, onde assisti a jogo anteriormente - tema de post aqui. A diferença é abissal. Também é inacreditável que o estádio eventualmente fique fora da Copa - como divulgado na data de ontem - para se erguer um novo estádio com clara vocação para superfaturamentos na construção e "elefante branco" após a Copa. Como diria o jornalista José Ilan, "a Fifa não sabe com quem se meteu..."


Recomendo muito aos leitores em visita à Curitiba que agendem um tempo para conhecer a Arena da Baixada. Vale muito a pena e dá uma boa noção de administração esportiva.

Também fica claro que, com toda a história e mística que tem, o Maracanã claramente está superado se analisarmos objetivamente os fatos. A começar pela distância do campo e suas dificuldades de atuação como uma arena multi-uso, entre outros fatores. A Arena Paranaense possui restaurantes e academia, entre outras facilidades.

Fotos:

1) no primeiro degrau das arquibancadas;
2) visão da arquibancada inferior, em um dos primeiros degraus;
3) visão da Arena;
4) distância para o gramado;
5) salão histórico;
6) vestiário do Atlético - com o material esquecido;
7) sala de entrevistas - meu dia de treineiro;
8) nível do campo, na saída dos túneis de acesso dos vestiários;
9) visão do anel superior das cadeiras;
10) ao nível do campo;
11) com a guia da visita;
12) abaixo, o novo lance de arquibancadas, com as obras;


quarta-feira, 16 de junho de 2010

Fotos Curitibanas


Mais algumas fotos de minha passagem pelo Sul do Brasil.


Uma visão da Praça Tiradentes (Centro);


Rua das Flores;


Entrada do Jardim Botânico;


Natureza;


Mais Jardim Botânico;


Exposição de esculturas;


Memorial árabe;


Parque Barigui;


Fachada da Arena da Baixada, tema do próximo post sobre a cidade;

Em tempo: em minha última noite fui jantar no restaurante Don Antonio, em Santa Felicidade. Recomendo. Ótima comida (italiana, basicamente massas mais frango) em uma quantidade insana e a um preço acessível. Gostei muito.

Impressões Paranaenses (II)


Continuando a série de posts sobre a capital do Paraná, hoje falo um pouco sobre o passeio que empreeendi na tarde livre que tive na cidade.

Curitiba tem uma iniciativa bastante interessante: há um ônibus turístico que percorre os principais pontos da cidade e dá uma boa visão da capital paranaense. Durante o percurso, com vinte e três paradas, pode-se descer e reembarcar em quatro ocasiões. O valor da passagem - R$ 20 - é bastante acessível, ainda mais quando se está sozinho.

Antes de embarcar, porém, fiz uma visita à feira de artesanato que acontece no Centro Histórico da cidade. Lembra-me um pouco aquelas "feirinhas de Itaipava" que existem aqui no Rio de Janeiro, mas há alguns produtos bem interessantes. Aproveitei para visitar no memorial da cidade uma exposição bastante interessante sobre as Copas do Mundo, com a inacreditável coleção de relíquias do pesquisador Paulo Gini. Infelizmente, o lesado aqui acabou não fotografando os ítens da exposição.

Para o leitor ter uma idéia, há camisas como a de Pelé usada na final de 1970, Beckenbauer na semifinal do mesmo ano - onde jogou com o ombro enfaixado boa aprte do tempo - e a camisa "100% Jardim Irene" com que Cafu levantou a taça de campeão em 2002. Além de agasalhos de 1958 e chuteiras antigas.


Embarquei no ônibus, cujo piso superior é ao ar livre e, apesar do vento frio, pude ter uma noção boa da cidade.

Devido ao horário, me animei a desembarcar apenas no Jardim Botânico, e confesso que, apesar de bonito, esperava mais. Permitiu belas fotos, mas achei o espaço acanhado.


Destaco, porém, a bela exposição permanente que há no local do escultor Franz Krajcberg, polonês naturalizado brasileiro. Ressalto também que não há a cobrança de entrada nem no Jardim Botânico e nem na exposição.


Reembarquei e consegui, do ônibus, tirar fotos do Museu Oscar Niemeyer - que lembra muito o Museu de Arte Contemporânea de Niterói - e outros pontos turísticos. O sol estava belo e a temperatura, bastante agradável.


Gostei muito da cidade, de sua organização e do clima. Hoje é quarta feira e ainda estou bastante estranhado com a temperatura aqui. Sem contar que o trânsito horroroso que enfrentei estes três dias me pareceu totalmente sem sentido depois de ver a calma que é o tráfego curitibano. O curioso é que muitos locais estranharam quando disse que estava me locomovendo através do serviço de táxis da cidade; todos me diziam que poderia usar os ônibus sem problema algum.

Duas notas: a primeira é que a tão falada "antipatia' dos moradores não foi sentida em momento algum. São mais fechados sim, mas antipáticos jamais. Achei o povo bastante prestativo. A segunda é que posso me gabar de ter sentido menos frio que os próprios locais: à exceção da sexta feira, quando realmente a temperatura caiu, trabalhei praticamente a semana inteira em mangas de camisa ou, no máximo, com um colete de lã sobre tal.


Outra coisa que queria ressaltar é que o Aeroporto Afonso Pena, apesar de maior que o de Salvador, me parece menos eficiente em termos de ocupação de espaços. Tem muito espaço vazio.


Mas já estou com saudades da cidade. Senti uma afinidade toda especial e gostaria de, futuramente, morar em Curitiba. Me encantei por ela.

Ainda teremos mais três textos sobre minha temporada curitibana: a visita à Arena da Baixada que fiz no mesmo dia, a experiência de assistir a uma partida do meu time fora do Rio e o texto sobre a Repar.


P.S. - Escrevi um primeiro artigo elogiando, ainda quando me encontrava lá, e os leitores se aferraram à única crítica que fiz. Vá entender...

Ordem das Fotos:
Foto 1 - Catedral
2 - Vista do ônibus panorâmico
3 - Jardim Botânico
4 - exposição de esculturas
5 - Museu Oscar Niemeyer
6 - Memorial Ucraniano
7 - Teatro Paiol
8 - Chegada ao Jardim Botânico

terça-feira, 15 de junho de 2010

50 fatos que você não sabe sobre Galvão Bueno


Um dos grandes movimentos do Twitter nos últimos dias é a campanha "Cala a Boca Galvão", mostrando a revolta genuína de nossos ouvidos com o insuportável narrador global.

Por meu turno, já fiz a minha parte. Troquei de canal. Não aguento mais as bobajadas deste cidadão, conhecido como "Garganta Profunda" nas redações brasileiras.

Mas vamos às cinquenta verdades sobre o narrador (?) global. Texto de Olileno Júnior e Rafael Pereira, que recebi por e-mail.

1) Quando Galvão Bueno nasceu, ele berrou: Uééééééééé do Brasil!!!!!

2) Toda semana, quando saem os números da Megasena, Galvão Bueno grita: Eu Sabia! Eu Sabia! Mas ele nunca joga.

3) Galvão Bueno comenta até minuto de silêncio.

4) Para Galvão Bueno, mil palavras valem mais do que uma imagem.

5) Deus criou o mundo em seis dias. No sétimo, foi interrompido por Galvão Bueno.

6) Quando Adão foi criado, ele estendeu uma faixa no paraíso: "Filma Eu, Galvão".

7) É impossível cronometrar o tempo que Galvão Bueno leva dobrando os "R" de cada palavra. A bateria de seu relógio acaba antes.

8) Quando Galvão Bueno tem um orgasmo, toca o "Tema da Vitória" de Ayrton Senna.

9) Galvão Bueno nunca tem deja vu. Só tira-teima.

10) Galvão Bueno foi à Itália e mordeu a Torre de Pizza.

11) A Monalisa sorri porque se lembra de uma gafe de Galvão Bueno.

12) Wally se esconde para não ouvir a narração de Galvão Bueno.

13) Van Gogh cortou as orelhas para não ouvir Galvão Bueno.

14) Bethovem ficou surdo enquanto Galvão Bueno narrava a nona sinfonia.

15) O grito de "Independência ou Morte" de Dom Pedro I foi abafado pela vibração de Galvão Bueno.

16) Galvão Bueno narrou com entusiasmo uma corrida de caracóis com mal de Alzheimer.

17) Galvão Bueno vibra até em missa de sétimo dia.

18) Galvão Bueno ganhou uma aposta, recebeu em cheque e, para sacanear o amigo perdedor, fez um quadro com ele.

19) Galvão Bueno é contra a pena de morte. Ele acha que não devemos ter pena de matar bandidos.

20) Galvão Bueno quer saber o horário de funcionamento do Google durante a Copa.

21) Galvão Bueno é o único ser vivo que consegue interromper o Faustão quando ele começa a falar.

22) Galvão Bueno não é louro porque isso seria redundância.

23) Galvão Bueno não sabe o que é redundância.

24) Só uma pessoa consegue falar mais alto que Chuck Norris. Galvão Bueno.

25) Galvão Bueno ensinou Tarzan a gritar.

26) Fidel Castro interrompe seus discursos para ouvir Galvão Bueno.

27) Bin Laden só grava os seus próprios vídeos porque Galvão Bueno não atende a seus pedidos de "Filma Eu".

28) Quando o terceiro segredo de Fátima for revelado, Galvão Bueno gritará: Eu Sabia! Eu sabia!

29) Galvão Bueno sabe tudo. Até a idade da Glória Maria.

30) A cada grito de gol de Galvão, 231 neurônios morrem na cabeça de cada telespectador. Os restantes fazem uma ola.

31) Quando Galvão Bueno era criança, seus colegas o odiavam porque, a cada gol nos jogos de futebol, Galvão obrigava a todos os atletas envolvidos a repetir o lance para os que não tinham visto. Só para ele narrar o replay.

32) Galvão Bueno pronuncia mais letras "r" por ano do que todos os habitantes do Estado de São Paulo.

33) Se as duas palavras que ele mais gosta de pronunciar tivessem a letra "r" - "Galvão" e "Bueno" - ele pronunciaria mais a letra "r" do que todos os habitantes da República Popular da China.

34) Galvão Bueno só não é famoso na China porque a seleção chinesa nunca faz gols.

35) Galvão Bueno nunca teve calos nas cordas vocais. Seus calos é que têm cordas vocais.

36) As cordas vocais de Galvão Bueno são tão resistentes que são usadas para sustentar o Bondinho de Pão de Açúcar.

37) A voz de Galvão Bueno é a única que pode ser vista do espaço.

38) Galvão Bueno nunca diz um palavrão. Prefere dizer duas palavrinhas.

39) Quando Deus criou Galvão Bueno, perguntou a ele onde ele gostaria de nascer. Ele escolheu o Brasil, porque todos os verbos no infinitivo em português tem a letra "r" no final.

40) Mesmo sendo brasileiro, Deus só acatou porque sabia que um dia ele trabalharia na Rede Globo. E teria o poder de destituir Deus de suas funções.

41) O som que Galvão Bueno mais gosta é o da sua voz.

42) O segundo som que Galvão Bueno mais gosta é do som de sua voz quando reverbera nas paredes.

43) Galvão Bueno tem uma foto 3x4 dele mesmo na carteira. E mostra para todo mundo.

44) Galvão Bueno é tão vaidoso que faz mesa redonda com um só convidado: ele mesmo.

45) Graças a Galvão Bueno, o astronauta brasileiro soube das vitórias do Brasil de dentro do foguete. Sem estar com a TV ligada.

46) Galvão Bueno nunca grava os jogos que narra para assistir depois. Ele não perderia a chance de dizer todas aquelas palavras mais uma vez.

47) Galvão Bueno nunca usa malas em suas viagens. E sempre paga excesso de bagagem.

48) O volume da voz de Galvão Bueno não é medido em decibéis. É na escala Richter.

49) Os 50 fatos sobre Galvão Bueno só têm 49 itens porque fomos interrompidos por ele antes de chegar ao fim

Hipocrisia Tucana


O final de semana foi marcado pelas convenções que oficializaram as principais candidaturas à presidência. Não acompanhei muito pois estava retornando ao Rio e sem a mínima disposição para a leitura de jornais.

Reproduzo, aqui, denúncia de leitor - que obviamente não identifico - dando conta de que ao contrário do afirmado pelo candidato, o PSDB tem esquadrões de militantes pagos pelo dinheiro público - para usar as palavras do próprio.

Segue abaixo o texto. É com mentira e hipocrisia que o PSDB quer governar o Brasil ?

"Eu não posso deixar de fazer a minha obrigação como cidadão.
 
O Serra acaba de afirmar, na convenção que oficializou a candidatura dele, que o PSDB não tem "militantes pagos com dinheiro público". Ele tem todo o direito de acusar o Governo Federal do que quiser, mas não pode ser hipócrita e mentir assim publicamente.
 
Eu trabalho numa empresa pública de estado governado há muito tempo pelo PSDB. Tanto a minha empresa como a secretaria Estadual à qual ela está subordinada estão cheias de pessoas cuja contratação se deu por critérios políticos. São cargos de confiança, chefias, gerências, ninguém que ganhe pouco e todos pagos com o dinheiro do contribuinte. Muitos desses funcionários, inclusive, são bastante competentes, para ser justo. O fato é que poderiam estar lá por concurso público, como eu, e muitos podem ter a competência de passar num concurso. Mas foram indicados, são cargos "do partido".
 
Estão todos trabalhando a favor do Serra. Como cidadãos, estão no direito deles de trabalharem a favor de qualquer candidato.
 
Mas há alguns que pararam de trabalhar em suas funções e estão deslocados para cargos onde podem ajudar mais na canpanha, direta ou indiretamente. Da mesma forma que, da parte do PT, também há muitos na mesma situação no Governo Federal.
 
Esta é uma tradição política brasileira, eu acho que está errado, mas é algo nacionalmente aceito como "normal".
 
O que eu acho absurdo é este senhor posar de inocente e dizer que, do lado dele, ninguém faz isso."

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Um Passeio na Segunda Divisão


Sei que estamos na Copa do Mundo, mas queria escrever sobre a experiência que tive no dia em que cheguei a Curitiba, dia 04.

Quem me conhece sabe que sou Flamengo, mas também sabe que eu gosto de futebol. Na sexta feira em questão havia o único jogo na cidade de Curitiba na temporada em que passei na cidade, Paraná Clube e Portuguesa, pela Segunda Divisão do Brasileirão.

Como milagrosamente o vôo não atrasou e consegui chegar no hotel em um horário civilizado, peguei um táxi e fui à Vila Capanema assistir ao jogo em questão.


Tenho de ressaltar o salgado valor do ingresso: R$ 50 para uma arquibancada de cimento, embora coberta - chovia na cidade. Só para se ter uma idéia, eu assisti a Flamengo e Unversidade do Chile, pela Libertadores, em cadeira coberta pagando R$ 30 no ingresso inteiro.

Algo que tenho de elogiar é a existência de uma loja oficial do clube, aberta, dentro do estádio. É algo que no Maracanã, decididamente, não existe. Tanto que acabei adquirindo uma camisa do clube paranaense.

Aboletei-me na arquibancada, com um bom público. O estádio é pequeno e lembra bastante alguns campos do subúrbio carioca, em especial o campo da Portuguesa da Ilha.

Confesso que cometi uma gafe, estar com um casaco verde, cor do Coritiba. Mas as pessoas em volta perceberam que eu era turista e que estava com a camisa do clube, então relevaram...


O jogo, em si, foi típico de Segunda Divisão. Campo pesado devido à chuva e muita disputa por parte das duas equipes. Dependendo do jogo do Bahia - que ocorria simultaneamente - a partida valia a liderança da Série B antes da parada para a Copa do Mundo.

O time local pressionava, mas uma trapalhada do (fraco) goleiro local abriu o placar para a a equipe paulista. O curioso é que a torcida paranista, que cantava o tempo inteiro, não se abateu com o gol e continuou incentivando. Se fosse no Maraca...


Na volta do intervalo, o time curitibano "virou" o jogo com dois gols praticamente em sequência. Com muita luta, manteve o resultado e beneficiado pela inacreditável derrota da equipe baiana para o lanterna irá passar todo o período da Copa na liderança. O time é esforçado mas sem grandes valores.

Algo que me chamou a atenção foi o fato da torcida local "empurrar" o time o tempo todo. O nível de exigência é bem menor.

Por outro lado, é interessante assistir a uma partida sem estar diretamente envolvido com nenhuma das equipes. Se percebe claramente que os comportamentos são os mesmos independente da cidade e da competição. O juiz sempre é ladrão, o time da casa sempre tem um atacante perna de pau e o adversário sempre faz "cera".

Percebe-se também como a torcida do meu time anda mimada. Mesmo tomando um gol em falha do goleiro, a torcida do Paraná cantou o tempo inteiro. Inclusive nas sociais, onde eu estava, se cantou o tempo inteiro. Se fosse no Maraca, estariam vaiando com dez minutos de jogo.

Confesso que me peguei em uma discreta torcida pelo time da casa nos minutos finais. Espero que possam obter o seu objetivo de retornar à Primeira Divisão em 2011.

domingo, 13 de junho de 2010

Bissexta


Um domingo falando de impostos. Após o texto do Deputado Brizola Neto analisando a aprovação preliminar do Imposto sobre Grandes Fortunas, o segundo texto da coluna "Bissexta", do advogado Walter Monteiro.

O tema é algo polêmico, mas visão que corroboro: que a carga tributária brasileira, apesar de distorções aqui e ali, não pode ser considerada alta. Penso que temos de debater a qualidade do gasto público, não a carga em si.

Vamos ao texto:

"IMPOSTOS SIM, ORA BOLAS!

Há poucos dias o Presidente Lula teve mais um rompante e disse uma frase bombástica, dessas que fazem toda a imprensa se levantar contra ele. Às vezes Lula diz asneiras impagáveis, como quando enfatizou ser filho de uma mãe que nasceu analfabeta. Por outras diz coisas ridicularizadas de pronto, mas que depois se revelam verdadeiras, sem que seus críticos tenham a humildade de reconhecer que estavam errados; como no caso em que apostou que a crise mundial seria um tsunami em boa parte do planeta e uma marolinha no Brasil, o que realmente ocorreu. E agora Lula volta a ser alvo de tomates e impropérios, tudo porque teve a ousadia de defender a carga tributária do país, algo que os políticos com um pingo de seriedade deveriam, do mesmo modo, senão defender, ao menos relativizar as sempre pesadas críticas.

Todo brasileiro alimenta a crença de que aqui se paga mais impostos do que em qualquer outro lugar do planeta, principalmente porque nossos políticos seriam todos uns ladrões e para dar conta de tanta roubalheira a fúria fiscal não pode ter fim. Até um jocoso “impostômetro” já foi inventado, para informar quanto se arrecada de tributos a cada segundo. Mas será que alguém consegue dizer de sopetão qual é a carga tributária do Brasil? 35%, 36%, 40%? Ela subiu ou caiu nos últimos anos? E como se mede essa maldição?

Acredite: por mais que seja deselegante lembrar, no Brasil não se paga tanto imposto assim. E a carga tributária é um dos indicadores mais inúteis que já foram inventados, porque é o tipo da informação sem qualquer utilidade prática, a não ser estimular o falatório dos demagogos de sempre.
Carga tributária é meramente a expressão percentual de quanto foi arrecadado pelo Estado em comparação ao PIB de um determinado período – ou, em outras palavras, é uma simples medida com duas variáveis, o quanto o país arrecadou e a sua taxa de crescimento. Se o país cresce muito rapidamente, mas esse crescimento é estimulado por alguma atividade pouco taxada (por exemplo, exportações de produtos agrícolas), a carga tributária vai cair. E, no sentido inverso, se o país não cresce ou mesmo diminui (entrando em recessão) ao mesmo tempo em que são criados mecanismos de combate à sonegação que aumentam o recolhimento de impostos, a carga tributária subirá muito. Isso tudo sem que rigorosamente ninguém tenha pago menos ou mais impostos.

Repetindo: carga tributária NADA tem a ver (vá lá, pouco tem a ver) com aumento ou diminuição de impostos no curto prazo. Tem muito a ver com eficiência na arrecadação e com o comportamento da economia. E NÃO é verdade que o Brasil tenha a maior carga tributária do planeta – aliás, não estamos nem entre as 10 maiores.

Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Holanda, Inglaterra, Itália, Noruega, Suécia e vários outros países nos superam nesse índice. Por outro lado, Afeganistão, Angola, Congo, Haiti e Sudão estão entre as menores cargas tributárias do mundo. Os Estados Unidos, sempre uma referência em termos de liberdade econômica, não tem uma carga assim tão baixa, ela gira em torno dos 28%. E a média dos países da OECD[i]é de 36%, algo bem próximo da realidade brasileira.[ii]

O Brasil tem impostos do tamanho que a sua sociedade demanda. Afinal, de tudo o que o governo central arrecada, a METADE é imediatamente consumida em pagamento de aposentadorias, pensões e outros benefícios previdenciários. 25% paga os salários dos servidores públicos, aí incluídos militares, policiais federais, pessoal da Receita Federal, Ibama, enfim, um monte de serviços essenciais, que simplesmente não podem ser cancelados ou sequer terceirizados. Quase 20% é transferido automaticamente para estados e prefeituras. O restante é consumido pelos Ministérios da Saúde e da Educação, Legislativo, Judiciário e demais gastos. Sem contar, claro, a necessidade de investimentos.
Como dar conta de tudo isso sem cobrar impostos? Talvez, quem sabe, reduzindo os gastos com a Previdência Social. Ora, isso é tudo que os brasileiros nem querem ouvir falar, ao contrário até, defendem ardorosamente aumentos para os proventos dos aposentados. Então, contentemo-nos com o nosso impostinho básico de todo dia – não sem antes lembrar que apenas 3% da população brasileira paga impostos equivalentes iguais ou superiores a 15% da renda mensal. O problema é que essa minoria barulhenta conduz o debate, com o apoio irrefletido da maioria pouco afetada diretamente pela tributação.

[i]Organização fundada em 1960 e que hoje reúne 31 países, sendo a maioria de países considerados “ricos” ou “desenvolvidos”
[ii]Fonte: Heritage Foundation, 2009 Index of Economic Freedom"