domingo, 31 de outubro de 2010

E Viva Dilma !



Temos um novo mandatário da nação. Ou melhor, uma nova mandatária: Dilma Rousseff, a primeira mulher Presidente do Brasil.

Minha avaliação preliminar é de que ela se elegeu devido a três fatores principais:

O primeiro é o bom desempenho da economia, em especial do emprego e da renda, durante o Governo Lula. Os números são insofismáveis e a matéria da "Isto É" desta semana mostrou bem isso.

Segundo, a atenção para as ações sociais. Pela primeira vez em muitos anos tivemos um governo que olhou um pouco pelos mais pobres, não somente dando condições de que os mais pobres saíssem da miséria como permitindo a milhões de brasileiros ascender socialmente. Como eu havia dito lá atrás, o povo votou com o bolso.

Terceiro, e não menos importante, a população disse não a um projeto excludente de poder e que pregava a volta a um modelo onde se governava para 20 milhões de pessoas. A guinada da campanha do PSDB à extrema direita assustou muitos de seus eleitores tradicionais, que optaram por viajar ou votar nulo.

Também ressalto o fato de que, hoje, o povo brasileiro decidiu que a renda do pré-sal será internalizada e apropriada pelo país, propiciando um fantástico arsenal de recursos para serem investidos em educação, saúde e desenvolvimento nacional.

No próximo texto farei uma análise sobre estes resultados eleitorais, mas queria saudar a nossa nova presidente e expressar minha satisfação com a continuidade do projeto de poder instituído no Brasil desde 2003. Seja bem vinda !

Espero, também, que estes resultados demonstrem à nossa elite que qualquer projeto de desenvolvimento excludente não terá mais vez em nosso país. Egoísmos, preconceitos e coisas correlatas precisam ser abandonados.

Menor, sem dúvida, mas digno de registro: este humilde blog dobrou seu número de acessos únicos neste período. Fruto de um trabalho sério e que procurou, na medida de seu alcance, emitir opinião ocm embasamento.

Parabéns, presidente !



Um Balanço da Campanha


Domingo, segundo turno das eleições presidenciais. Hoje os brasileiros estão indo às urnas para escolher no segundo turno de votação o Presidente da República - e em alguns estados, os governadores - para o quadriênio 2011/2014. Todas as pesquisas indicam a eleição da candidata situacionista, Dilma Roussef, por uma margem razoavelmente confortável.

O escolhido terá, entre as atribuições pertinentes ao cargo, o direito de estar nos holofotes mundiais durante a Copa do Mundo de 2014 e comandar um país que está em muito melhor situação que na última troca de comando, ocorrida em 2002. Claramente houve melhora dos indicadores econômicos e sociais, e o eleito receberá um país que, à exceção do câmbio valorizado (falarei sobre o assunto proximamente), não possui grandes problemas de conjuntura econômica.

Ao contrário da opinião que publiquei ontem na coluna "Bissexta", do advogado Walter Monteiro, acho que esta campanha fratricida irá deixar marcas profundas não somente na população como no jogo político e midiático.

Poderia resumir a campanha na imagem acima: Serra, que nunca foi um religioso ou sequer perto disso, rezando contrito em Canindé, no Ceará - onde, aliás, foi duramente questionado pelo bispo local. Foi a campanha onde por fundamentalismos religiosos regredimos no debate de questões absolutamente pertinentes e que, concordando-se ou não, precisam ficar na esfera do laicismo e das políticas públicas.

Também foi um período pré-eleitoral onde a mentira e o jogo sujo tiveram lugar de destaque. Não se debateram propostas de campanha, mas sim quem era mais 'religioso', mais ou menos corrupto ou a cantilena do candidato de oposição espalhar boatos apócrifos, absurdos e mentirosos e a candidata governista tendo de se defender.

O pouco que se debateu de propostas, verificou-se que a oposição possui um discurso demagógico e eleitoreiro, baseado em promessas que escondem os seus reais propósitos de governo - o caso do petróleo deixou bem claro isso.

Outro ponto a realçar é a volta à cena política, com força, de grupos de extrema direita que se supunham enterrados desde a redemocratização. Esta guinada à direita dada pelo candidato tucano acabou por se revelar contraproducente, pois muitos eleitores moderados e tradicionais do PSDB estão dizendo que votarão nulo ou não votarão por causa desta aproximação do candidato com o que há de mais reacionário e conservador na política nacional. São grupos elitistas, excludentes, racistas muitas vezes e que, se pudessem, queimariam todas as favelas com os moradores dentro.

Chama a atenção a aliança também travada com setores radicais religiosos, como citado acima. Como escrevi duas semanas atrás, em caso de vitória da oposição podem-se esperar medidas de restrição tanto à liberdade religiosa quanto ao caráter laico do Estado.

Ainda como escrito anteriormente, um mal disfarçado preconceito de classe ressurgiu de forma aberta nesta eleição. O mito de que o Brasil "é um país cordial" caiu por terra. A velha elite mostrou a sua cara, excludente, egoísta e perversa.

Cabe um capítulo especial para o papel da grande imprensa. Como dizia o ex-Senador Jarbas Passarinho, ela "jogou às favas os escrúpulos de consciência" e mergulhou de cabeça na campanha, não hesitando em manipular, distorcer e tentar moldar o voto e a cabeça dos cidadãos em nome de interesses inconfessáveis. Órgãos como as Organizações Globo, a Editora Abril e a Folha de São Paulo comportaram-se como verdadeiros partidos políticos, vendendo, cada vez mais, opinião "travestida" de notícia.

Por outro lado, esta manipulação grosseira dos fatos possibilitou o surgimento de novos veículos, novas mídias; os blogs e a internet acabaram exercendo uma espécie de "papel regulador" à grande imprensa. Entretanto, algum tipo de regulamentação para discernir o que é informação e o que é opinião precisa ser estabelecido, o mais rápido possível.

Parêntesis para saudar a Rede Record, que com seu "Jornal da Record" - abaixo, foto da equipe - ocupou um espaço vago no espectro jornalístico, com pluralismo de opiniões e noticiário investigativo. Não deixa de ser uma das grandes vencedoras do processo, e é irônico quando se sabe que a rede de televisão pertence à Igreja Universal. Irônico sim, mas salutar e necessário como alternativa ao golpismo global.


(Foto: Marco Aurélio Mello, o quinto da esquerda para a direita, "DoLadoDeLá)

A tática eleitoral de dividir e confundir o país a fim de vencer as eleições - já que, objetivamente, ele não teria  a menor chance - do candidato tucano não parece ter dado resultado de acordo com as pesquisas, mas já se fala em tentativa de golpe de Estado via Judiciário. Sabe-se que há um recurso pronto por parte do PSDB buscando a não diplomação de Dilma Roussef em caso de vitória e sua desclassificação, o que pode desestabilizar ainda mais o país.

A propósito, não posso deixar de comentar o parcialismo do Poder Judiciário, que deveria ser o árbitro das eleições, mas reforçou as evidências de que está "aparelhado" por parte da oposição.

Dilma Roussef, em caso de vitória, terá de conter as pressões midiáticas e restabelecer o equilíbrio político do país. Conter a fome de cargos do PMDB e aprofundar as políticas reformistas do Presidente Lula. Menos mal que ela possui maioria folgada nas duas casas do Congresso e isso deve dar alguma tranquilidade pelo menos no primeiro quarto de mandato.

A sociedade brasileira sai como derrotada deste processo. Vieram à tona o ódio, o ressentimento, o preconceito de classe e religioso e uma profunda divisão. São cicatrizes que demorarão a se fechar.

Acredito que o clima de campanha eleitoral irá se estender pelo ano de 2011, e esperemos as consequências. Uma campanha golpista como a que observamos este ano, a meu ver, não está descartada. Acho até bem possível.

Em tempo: espero que as eleições de hoje signifiquem a aposentadoria de sujeitos como Fernando Henrique Cardoso, José Serra e ourtros menos votados.

Em tempo 2: não que eu o ache uma sumidade, mas tenho esperança de surgir uma oposição renovada e mais moderada representada pelo ex-governador de Minas Aécio Neves.


sábado, 30 de outubro de 2010

Sobretudo: "A Dupla Face de Serra"


Segundo turno, e nosso colunista Affonso Romero nos brinda com mais um excelente texto sobre o tema. Desta vez, sobre as opiniões, propostas e estilo de vida contraditórios do candidato tucano.

Leia, reflita, repercuta.

A Dupla Face de Serra

A eleição aproxima-se de sua reta final com a corrida às urnas pelo segundo turno, segundo turno este que envolve três candidatos. Não, caro leitor, o colunista aqui não enlouqueceu, nem está tão embebedado de paixão cívica  - ou de uma boa cerveja - que tenha passado a enxergar dobrado. Tampouco ainda estou contando com Marina Silva como um elemento de desequilíbrio na disputa.

Marina deixou-se ser um ponto neutro no segundo turno. Em suas aparições públicas, preferiu esquivar-se da escolha direta, pacificou as correntes opostas de sua base aliada e colocou-se à vontade para mostrar-se crítica à forma equivocada com que os partidos majoritários vêm conduzindo a coisa pública e o processo eleitoral. Novamente, ponto para ela, que deu largos passos em sua corrida para o futuro. Insinuou sua preferência pessoal (pró-PT), esvaziou a importância política disso e virou de vez uma figura nacional. Trabalho perfeito, reconheça-se.

Ainda assim, sobram três postulantes. Pode-se supor que o terceiro candidato que eu enxergo é Lula. Poderia ser. Mas Lula não é candidato agora. Lula é outro que mira o futuro, já sem tanta urgência ou ambição de iniciante, mas com a incerteza tranqüila dos vencedores que vislumbram novas possibilidades de recomeçar novo ciclo.

O terceiro elemento está aí, na cara de todos. O terceiro candidato se chama José Serra. Como assim?

O Serra que aparece em segundo lugar nas pesquisas de até a véspera do pleito, na verdade, reúne a soma das intenções de voto em dois candidatos José Serra. De forma diametralmente oposta ao que diz, o maior mérito político de Serra não é ter apenas uma cara; não, Serra consegue ter o talento político de caber bem, simultaneamente, em posições contrárias, mesmo antagônicas. No mínimo, Serra são dois. José Serra é um candidato dupla-face (senão, multifacetado). Vejamos, pois.

O PSDB apresentou seu candidato como sendo um homem íntegro, cuja vida pública pregressa seria completamente limpa e inquestionável. Acontece que nenhum dos partidos políticos brasileiros – nenhum deles – pode-se colocar numa redoma na qual nunca haja pingado nenhuma lama. Era necessário diferenciar Serra da corrupção que teria caracterizado o PT no exercício de poder. Mas Serra foi Governador de São Paulo, Ministro da Saúde e do Planejamento de FHC e é cacique político de um partido que, afinal, é presidido por Sergio Guerra, um ex-anão do orçamento. Difícil manter uma biografia sem respingos neste atoleiro.

Não há, objetivamente, acusações diretas pendentes contra Serra. Da mesma forma, não há suspeitas diretas sobre Dilma ou sobre Lula. O que há é a suposição, tão lembrada por Serra ao longo da campanha que, quem abriga um bandido na sala ao lado, ou é conivente com a roubalheira, ou é inepto para administrar, por ser incapaz de perceber o que acontece à sua volta. Em teoria, faz sentido. Mas não é tão simples assim administrar um gabinete de Ministros, um Ministério, um Governo de Estado ou País ou um partido político. E como Serra passou por experiências administrativas similares e a gestão pública no Brasil simplesmente permite abusos de prepostos. Portanto, Serra não seria capaz de manter a imagem pura até o final da corrida presidencial. E foi o que ocorreu.

Serra viu-se tão ou mais envolvido com a perigosa proximidade de Paulo Preto (fiscal e pagador das principais obras de seu Governo em São Paulo, arrecadador de campanha do seu partido) quanto a imagem de Dilma foi arranhada pelas estripolias de Erenice Guerra. É a mesma situação, pelo menos até que uma ou outra investigação aponte de maneira diversa. Muitas outras situações embaraçosas para a biografia de José Serra foram lembradas: caso Alston, Sanguessugas, privataria etc.

Como Serra não se colocou claramente como o oposto político de Dilma, mas construiu sua campanha como o avesso ético da adversária, suas possibilidades começaram a ruir assim que a imprensa se mostrou um pouco menos parcial que o combinado. E foi então que Serra se viu desconstruído em meio à travessia. O resto de suas contradições foram sendo expostas uma a uma, desdobramento após desdobramento de seu discurso.

Veio o MetrôGate e o antes implacável candidato que exigia investigações sobre todos os pseudo-escândalos que envolviam a adversária mostrou que também pode ser leniente com falcatruas ao tentar retirar do caso a devida importância e dizer que “o PT inventa” contra ele, quando as acusações tinham partido da então adesista Folha de São Paulo.

Gente como eu, chata e de memória menos fraca que a maioria do eleitorado, começou a buscar em cada faceta da imagem construída de José Serra o oposto que transborda de dentro da alma do candidato tucano. Não é um trabalho difícil.

Serra posiciona-se como contrário ao uso da máquina pública na campanha eleitoral. Mas ficou claro que o funcionalismo direto ou indireto de São Paulo foi todo mobilizado a favor de sua candidatura, como já havia sido mobilizado a favor de Alckmin no primeiro turno. Funcionários chegaram a ser deslocados de seus locais de trabalho para prestigiar inaugurações e atos do tucanato. Pessoas em cargos de confiança se afastaram durante semanas de suas tarefas cotidianas para dar suporte à candidatura.

Serra viu pesquisada toda a sua vida de suposto bom administrador. Viu levantados casos que expunham sua fragilidade tanto como Ministro quanto como administrador da capital e do Estado paulistas.

Serra chega ao dia do pleito sem ter uma posição claramente definida quanto às privatizações. Acusa o PT de ter privatizado o pré-sal quando o Governo Lula apenas tem aplicado as regras de exploração criadas à época em que Serra fora responsável pelo Ministério do Planejamento de FHC, até que novas regras sejam votadas pelo Congresso. O candidato que hoje diz-se contrário a novas privatizações foi o responsável pelo controverso processo privatista do PSDB (mais criticado pela forma do que pela iniciativa em si) e não convence nem seus próprios eleitores de que não seja privatista. Mas é como anti-privatista que declara-se ao eleitorado.

Serra tentou fazer do segundo turno um anacrônico e inapropriado plebiscito sobre o aborto. Viu-se constrangido pela vida privada de sua família ter sido exposta por uma ex-aluna de sua esposa e parecer cínico quanto ao tema. Posou de carola, quando sabe-se que, antes da campanha, nunca foi visto em igrejas ou templos.

Apresenta-se como o “pai dos genéricos”, omitindo que, como Ministro da Saúde, apenas implantou um projeto apresentado e aprovado no Congresso por um deputado do PT. Se isso faz de Serra responsável pelos genéricos, não é justo que ele se esqueça que foi no mesmo Ministério, e atendendo à necessidade de implantação de outra Lei aprovada pelo Congresso, foi ele quem regulamentou o aborto no Brasil. Portanto, do nada ao muito, Serra é tão “pai” dos genéricos quanto o é do aborto. As situações foram idênticas.

Serra começou a campanha apresentando-se como o melhor possível continuador do Governo Lula e fez uma guinada ao voltar a bater duro neste mesmo Governo.

Serra diz-se a favor dos programas sociais oficiais, principalmente quando advoga para FHC a autoria dos mesmos. Não convence ninguém disso e ainda fica no meio do caminho entre reconhecer a eficiência dessa política no Governo Lula e aderir à insensibilidade social de seus partidos aliados e alguns de seus eleitores.

Serra posicionou-se a favor da liberdade de imprensa, mas mostrou-se destemperado toda vez que foi incomodado por perguntas difíceis, viu-se envolvido em pedidos de demissões de jornalistas e acabou por reclamar publicamente da imprensa, o mesmo que havia criticado em Lula.

Posicionou-se contra o chamado Mensalão do PT. Mas esqueceu que foi beneficiário político do Mensalão de Eduardo Azeredo-PSDB que garantiu a reeleição de FHC. Ou que, em sua primeira opção para a composição de chapa, convidou José Roberto Arruda, logo depois envolvido no Mensalão do DEM-DF (além de também já ter sido envolvido com os anões do orçamento).

Serra viu-se desmascarado por ter assinado compromissos que descumpriu, como o documento em que garantia concluir o mandato de Prefeito. Serra jamais foi até o final em qualquer coisa que tenha se proposto a fazer na vida.

Coloca-se a favor dos investimentos em educação, mas é responsável pelos piores resultados do ensino público do Estado de São Paulo, pela descontinuidade no Programa de Escola Integral de seu próprio partido, por anos de congelamento de salário dos professores do Estado.

Coloca-se como o candidato mais preparado e é obrigado a ver na internet um vídeo em que erra uma conta simples de divisão ao tentar dar uma aula para alunos do Ensino Básico, um tipo de erro que se viu associado ao anedotário sobre o nível supostamente básico da formação do Presidente Lula.

Diz-se a favor da valorização do funcionalismo, mas desprestigiou a classe toda vez que teve cargo executivo.

Coloca-se como um homem sincero, mas sua campanha foi pega na mentira em diversas ocasiões. Discursou a favor do “jogo limpo” na campanha, mas seus aliados usaram artifícios baixos para atingir a campanha adversária. Tratou aos petistas como encarnações do demônio, instigou isso, incentivou e ampliou este discurso, mas apontou que o adversário é quem dividia o País e tratava o jogo político com uma polarização insuportável.

É este o candidato que se diz capaz de fazer um governo de coalizão nacional? Logo quem se apresenta como equilibrado mas torna-se leviano ao acusar o adversário de tudo, mesmo quando não se pode provar nada?

É a mesma leviandade e descompromisso com a responsabilidade com que o então líder estudantil, Presidente da UNE, discursou raivosamente no comício da Central do Brasil, em 1964, às vésperas do golpe militar, e foi usado como uma das desculpas prontas pelos golpistas. Para, em seguida, fugir do País e de suas responsabilidades políticas.

É fácil se dizer líder assim. Deixando para trás os companheiros que o seguiam e cruzando solitariamente as fronteiras. Talvez por isso mesmo, conquista a confiança de eleitores menos afeitos à História, mas não convence nem mesmo aos seus companheiros de partido de sua liderança. Afinal, numa campanha marcada pela mansidão de uma grande imprensa que só faltou usar bandeiras de torcida uniformizada do PSDB, suas contradições apareceram a partir de brigas internas de seu próprio partido.

E, isolado de seus próprios companheiros, recebeu em seu horário eleitoral apoios mal interpretados por Alckmin e Aécio. A turma de Serra tentou levar a campanha mostrando-se “do Bem” e acabaram cada vez mais próxima “do DEM”.

Na reta final, vendendo sua biografia a troco de qualquer milhão de novos votos, Serra aposentou a imagem de gestor responsável e caiu de cara na demagogia fácil ao prometer um saco de bondades impossível de ser cumprido, incluindo um aumento do salário mínimo, das aposentadorias e -,pasmem! – do Bolsa-família.

Jogou no lixo seu diploma de economista, se é que ele existe. Sim, porque Serra fugiu do Brasil antes de se formar, uma vez que já estava mais envolvido com política do que com seus estudos desde aquela época. E o que cursou no Chile foi um Mestrado, seguido de um Doutorado. Só que, pelas leis brasileiras, um aluno não pode concluir a pós-graduação antes de concluir a graduação. Faz sentido, não?

Mas este diploma, se existente, já estava respingado das constantes críticas que veio fazendo à política econômica do Presidente Lula, todas revelando-se furadas e desqualificadas pelo sucesso das iniciativas da equipe petista, uma após outra. Serra insiste e propõe atualmente mudanças na macroeconomia, ainda que isso seja visto com imenso temor até por investidores internacionais.

Vítima de sua própria metralhadora giratória, Serra colocou-se como vítima de bolinhas de papel (e passou por farsante e golpista), da imprensa e das instituições consagradas como as pesquisas (e mostrou-se liberticida) e do mesmo PAC que “sampleou” em suas propostas de governo (e passa, pela enésima vez, como contraditório).

Por fim, o candidato que tentou se diferenciar dos outros pela biografia e pela ética vai ser obrigado a ouvir das urnas os versos de Cazuza em “O Tempo não Para”:

“...Sua piscina está cheia de ratos

As idéias não correspondem aos fatos

O Tempo não para...”


Bissexta - "Um Brasil Melhor depois da Apuração"


Iniciando a série de artigos especiais sobre as eleições presidenciais,  de volta ao seu dia habitual a coluna "Bissexta", do advogado Walter Monteiro, tenta traçar um panorama da campanha eleitoral e do que irá acontecer depois.

Discordo pontualmente do texto - penso que a campanha difamatória por parte dos tucanos transcedeu e muito a internet, como se pode ver nesta absurda foto - mas é um bom panorama e texto, como de hábito, de altíssima qualidade.

Um Brasil Melhor Depois da Apuração

Virou moda, nos últimos dias, criticar o baixo nível da campanha eleitoral e lamentar o futuro o que o futuro nos reserva, depois de tanto chumbo trocado no segundo turno da eleição presidencial. Pois eu vou caminhar na contramão e dizer que todo esse clima de Fla x Flu nos trouxe amadurecimento político e trará bons frutos no futuro.

Primeiro, a tal “baixaria”. Campanhas eleitorais anódinas e plastificadas só são boas nas cabeças dos chamados marqueteiros. Não sei bem quando foi que se solidificou a crença de que política é uma mercadoria publicitária e que candidatos são meros produtos a serem lapidados por consultores de imagem. Quando tudo isso começou (e foi só há 3 meses, embora pareça ter sido no século passado), o Serra ainda falava bem do Lula nos seus programas e a Dilma era só a mãe do PAC, a gerentona competente. 

A coisa só começou a mudar quando o Serra assumiu de vez o discurso conservador e a Dilma radicalizou as divergências com as políticas de FHC. É óbvio que houve excessos terríveis (eu mesmo falei deles na minha última coluna) e sob a desculpa da liberdade de opinião se mentiu, se difamou e se caluniou como nunca. Mas, justiça seja feita, as coisas mais detestáveis circularam pela Internet e de forma descentralizada, ainda que recaiam suspeitas sobre alguma orquestração. Talvez seja o caso, na próxima eleição, de se punir com rigor candidaturas que tenham vinculação com práticas criminosas na rede.

Depois, o fim do mito de que brasileiro é despolitizado e vota em pessoas, ao invés de votar em partidos.  Chegaram ao segundo turno dois candidatos sem carisma e tidos como pessoas antipáticas. E a polarização entre ambos foi evidente. Há quem diga que “esquerda” e “direita” não existem mais. Ou que o PT não é mais “esquerda”. Por isso, vou evitar essas expressões, prefiro classificar a ramificação política entre “progressistas” e “conservadores”. O embate entre essas correntes de opinião é vivo desde 1994, mas nunca foi tão acirrado – especialmente porque Lula, a figura mais emblemática de todas as eleições anteriores, dessa vez não podia se candidatar. E em 2010 ambos os lados têm o que comemorar.

No campo conservador, o grande êxito é a possibilidade de, finalmente, poder se revelar ao país de um modo mais direto. Há uma imensa parcela da população que é profundamente conservadora, que defende a pena de morte, que condena o aborto, que abomina as liberdades sexuais, que cultua valores morais rígidos, que acredita que a economia deve atuar com um mínimo de regulação, que detesta políticas de inclusão social. Há coisa pior até, gente racista, machista, preconceituosa ao extremo e talvez nem sejam tão poucos. Isso não os faz menos brasileiros ou lhes retira os direitos de cidadãos.

Paradoxalmente, os políticos identificados com esses pensamentos sempre se apresentaram fantasiados de liberais (no sentido norte-americano desta expressão), o que é uma contradição. A eleição de 2010 liberou os conservadores desses disfarces e, como era de se esperar, animou os adeptos desse campo político a se engajarem na campanha. Torço, sinceramente, para que cada vez mais os conservadores sejam autênticos.

Do lado progressista, o PT se afirmou definitivamente como a referência partidária. O ônus de ser governo permitiu, ainda no primeiro mandato de Lula, a criação do PSOL, que chegou a fazer bonito na eleição de 2006, Heloisa Helena à frente. O agrupamento dos conservadores em torno do PSDB e reação raivosa contra Lula e o PT acabaram servindo para esvaziar o discurso de que não há diferenças entre o PT e a “direita”, aglutinando todos os apoiadores do campo popular sob o PT. O PSOL encolheu em termos de projeção (ainda que tenha ficado mais ou menos igual na representação parlamentar) e os demais partidos progressistas não alinhados com o PT (PSTU, PCB, etc.) são minúsculos.

A imprensa fez um papelão, por se comportar como partido político, de ambos os lados. Mas ao menos os veículos de menor poder econômico que se alinharam ao PT conquistaram espaços mercadológicos importantes. Talvez seja isso que nos reste daqui para a frente, cada leitor escolhendo o jornal/revista que mais se afinar com sua ideologia. Eu sou capaz de apostar que a entrada do grupo português Ongoing nesse setor vai contribuir para a segmentação de leitores por pensamento ideológico. O que, aliás, é muito comum em outros países.

Esqueçam catastrofismos como país dividido ou coisa parecida. Somos brasileiros, afinal. Seja lá quem ganhar (Dilma, dizem as pesquisas e torço eu), vai baixar o tom e se aproximar do outro lado. A sociedade, que tanto se engalfinhou nesta reta final, também vai se ocupar de outros temas. A Veja vai continuar a falar mal do Governo, a Carta Capital vai continuar a falar bem e a vida segue.
Bom olhar para trás e ver como o Brasil melhorou nos últimos 25 anos. Bom olhar para a frente e prever que nada de ruim nos espera. Ótimo ver que a população, em todos os níveis de renda e educacionais, vota de forma absolutamente consciente e independente, mostrando o quanto crescemos.

Sobretudo: "Duas Perguntas para José Serra"


No dia certo, a coluna "Sobretudo", assinada pelo publicitário Affonso Romero, e que traz um pouco dos bastidores da matéria de capa da revista "Época" desta semana. Por falar em revistas semanais, a comparação entre os Governos FHC e Lula publicada pela Isto É está imperdível, com números e gráficos insofismáveis. Você pode ler a matéria aqui.

Ao texto:

Duas Perguntas para José Serra

Na semana passada, o site da revista Época propunha aos seus leitores enviar perguntas para os candidatos à Presidência. Algumas dessas perguntas seriam encaminhadas aos candidatos e suas respostas publicadas no site e na revista que está nas bancas agora.

Enviei duas perguntas para José Serra, já imaginando que a editoria chapa-branca das Organizações Globo não fosse selecionar nenhuma das duas. Mas fiz a minha parte.

Quando enviei as perguntas, recobrei alguma esperança de vê-las respondidas. Afinal, o tom das outras perguntas postadas no site não era nada amigável a qualquer um dos candidatos. A impressão que dava mesmo era a de que apenas eleitores de Serra enviaram perguntas para Dilma e vice-versa.

Curioso que num embate que teve todos os jogos-sujos possíveis, em que a baixaria imperou, nenhum jornalista conseguiu ser objetivamente contundente em nenhuma das entrevistas oficiais ou debates entre candidatos. Uma beliscada aqui, uma provocação ali, ninguém ficou de calças curtas para valer. E olha que o que não faltava era telhado (ou careca) de vidro nos postulantes.

Também nas perguntas diretas entre os contendores nos debates, se viu mais pergunta retórica, na tentativa óbvia de explorar a réplica depois, do que constrangimentos públicos. Talvez a cara de Serra ao ser deparado pela adversária com a questão da onipresença de Paulo Preto nas ações do PSDB fosse um retrato de um embate que se deu nos bastidores, na propaganda oficial (mas através de atores e locutores) e nas indiretas de um a outro, mas sempre de forma velada entre os candidatos. Pergunta direta e desconcertante, cara-a-cara, se viu muito pouco.

Talvez por isso tantos internautas resolveram colocar os presidenciáveis contra as cordas. Eu inclusive. Instintivamente, a opinião pública parecia dar aulas práticas de jornalismo investigativo a uma imprensa cada vez mais comprometida com a criação de factóides e exploração de obviedades.

Pedro Migão, amigo e titular deste blog, recebeu cópia de minhas perguntas. Disse que duvidava muito que fossem selecionadas. Eu concordei. Estávamos certos. A edição de Época saiu apenas com perguntas chapa-branca. Quanto a Serra, não foi surpresa. Mas até Dilma foi poupada. Uma ou duas pequenas provocações e só isso. Os dois candidatos saíram-se bem e sem constrangimentos. Não há, pela matéria, como estabelecer uma linha divisória entre eles.

Repasso aos leitores desta coluna, portanto, as perguntas que a Época não enviou a Serra. E que, mesmo que enviasse, eu duvido que Serra (que tem pavor de ser questionado de uma maneira mais dura pela imprensa) teria a decência de responder.

Aí vão:

Pergunta número um.

"Sr. Serra, há alguns dias, o senhor declarou que nunca havia ouvido falar em Paulo Preto. Depois de declarações do engenheiro à imprensa em que fazia ameaças veladas à sua campanha, menos de 24 horas depois o senhor declarou que era "evidente" que conhecia seu ex-colaborador, inclusive tecendo elogios em sua defesa. Na sua opinião, o que é pior, senhor candidato: dizer desconhecer um colaborador tão próximo de seu governo, tê-lo tido como colaborador em missão tão delicada, ou mudar de opinião a cada 24 horas?"

Por que fiz a pergunta? Porque Paulo Preto é simbólico: é a ponta do iceberg das irregularidades e malversações do PSDB paulista. Sua aparição só se tornou pública e desconfortável ao candidato por conta do racha interno do tucanato. A imprensa foi incapaz, até então, de descobrir um único Paulo Preto, muito mais por conivência com o PSDB do que por falta de similares no mercado paulista.

Por que Serra não responde? Porque Paulo Preto é um vespeiro sobre o qual é melhor calar e sair com fama de covarde do que falar e se complicar ainda mais. Porque, ao contrário do que tenta insinuar, o colaborador e arrecadador era muito mais próximo ao núcleo de poder tucano do que Serra gostaria de ver revelado.

O que eu penso sobre isso? Que esta questão, respondida ou não, feita por muitos (inclusive Dilma) e negligenciada por Serra, foi um imenso calcanhar-de-aquiles para o tucanato, e um dos principais motivos para Serra não ter conseguido subir mais nas pesquisas.

Pergunta número dois.

"Senhor José Serra: a respeito do lamentável episódio envolvendo o confronto entre militantes do PSDB e manifestantes do PT em Campo Grande, o médico que lhe prestou atendimento, em entrevista à televisão, indicou claramente a região afetada e examinada de sua cabeça como sendo exatamente a mesma em que um objeto semelhante a uma bolinha de papel atingiu-o, segundo imagens posteriormente mostradas no SBT. Depois disso, vieram à tona imagens tremidas de um telefone celular em que o senhor teria sido atingido em região diametralmente oposta da cabeça por um segundo objeto, alegadamente mais pesado. Como explicar que o senhor tenha sido atingido em um local da cabeça e examinado em outro? Na primeira entrevista, seu médico se enganou quanto ao local do exame? Ou o local da pancada e exame mudou de acordo com as versões?"

Por que fiz a pergunta? Porque, depois que a farsa armada pela Globo (JN) foi desmascarada, houve um súbito silencio sobre uma questão importantíssima. Ou Serra foi realmente atingido a mando do PT, como ele sugeriu (e isso é muito grave), ou ele simulou ter sido atingido para conseguir um clima de comoção no País (e isso seria mais grave ainda).

Por que Serra não responde? Porque fica difícil contrariar as imagens e o testemunho dos jornalistas presentes, que não viram o segundo objeto em nenhum momento.

O que eu penso sobre isso? Que Serra é um golpista.


sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Final de Semana - "Vai Passar"




E nesta sexta feira de feriado prolongado - não para mim, de festa no Céu para nossos entes queridos e eleições, temos de novo Chico Buarque como sugestão de música para o final de semana. Vamos às urnas evitar a volta das "tenebrosas transações", que subtraíam "a pátria mãe tão distraída".

"Vai Passar", o samba em formato de samba enredo, de autoria de Chico e Francis Hime. E o Ouro de Tolo não para.

Vamos à letra. E vote certo, vote 13, para o Brasil seguir mudando.

"Vai passar nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo da velha cidade essa noite vai se arrepiar
Ao lembrar que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais
Num tempo página infeliz da nossa história,
passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia a nossa pátria mãe tão distraída
sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações
Seus filhos erravam cegos pelo continente,
levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais
E um dia, afinal, tinham o direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia que se chamava carnaval,
o carnaval, o carnaval
Vai passar, palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões retintos
e os pigmeus do boulevard
Meu Deus, vem olhar, vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade até o dia clarear
Ai que vida boa, ô lerê,
ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral vai passar
Ai que vida boa, ô lerê,
ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral... vai passar"


Entrevista


A Anna Barros, dona do "Blog da Anninha" - link à direita, aqui mesmo no blog - está se formando em jornalismo e sua monografia final de curso tem como tema exatamente a blogosfera. A médica e futura jornalista está fazendo uma série de entrevistas para o seu trabalho final, e me coube a honra de ser um dos escolhidos para dar seu depoimento.

Com autorização dela, reproduzo aqui o teor da entrevista. É uma boa oportunidade ao leitor de entender um pouco a dinâmica deste Ouro de Tolo e perceber como você, fiel navegante deste espaço, contribui para o crescimento deste.

São seis perguntas, nada muito longo. Boa leitura e comente, opine, discorde, dê sugestões, realize seu feedback. O espaço de comentários é seu. 

A entrevista foi concedida por e-mail na última quarta feira.

(Anna Barros) De onde surgiu a ideia de se criar um blog?

Eu sempre gostei de escrever, desde pequeno, sempre tive facilidade. Ao mesmo tempo, tinha dificuldade em ver meus posicionamentos refletidos pela grande e velha imprensa. O Ouro de Tolo surgiu como um espaço de expressão pessoal e, na medida do possível, fomento de visões diferentes dos fatos.

Mas hoje o Ouro de Tolo está muito diferente de quando foi criado e pensado. Como um filho querido, ganhou vida própria.

(Anna Barros) Quais as vantagens e as desvantagens de se ter um blog?

A principal desvantagem é uma só: a questão de se disponibilizar um tempo para se escrever. Isso no meu caso é minorado pelo fato do blog ter colunistas - dois que se revezam às quartas feiras e dois no final de semana, além de artigos sobre cinema publicados em parceria com um blog especializado - o que acaba diminuindo o tempo necessário. Também tenho o hábito de escrever mais de um artigo por vez e ir programando a publicação aos poucos - o que facilita a tarefa.

Outra desvantagem é que muitas vezes se precisa "suavizar" os termos originalmente escritos a fim de evitar problemas com o Poder Judiciário - afinal de contas, é um espaço público. Cheguei a ser ameaçado em uma ocasião de sofrer um processo, mas felizmente não passou disso. Em minha opinião, típica opinião corporativista do leitor agente no caso.

As vantagens são várias. Poder expressar fatos, versões, opiniões e literatura, visões discordantes, disseminar bons textos, recomendar livros, boa música e cultura. Além de ter um espaço para minhas crônicas e poesias sem depender de caminhos tradicionais. Por outro lado, ter visibilidade e algum reconhecimento pessoal.

(Anna Barros) Desde quando você tem um blog? Como tem sido a experiência?

Maio de 2009. Antes havia tentado um blog anterior, mas não tive disciplina para mantê-lo - além de à época estar com dificuldades de tempo por estar com duas crianças bem pequenas em casa.

Vem sendo bastante interessante manter o Ouro de Tolo - que tem este nome em referência à música homônima de Raul Seixas onde ele afirma que tinha tudo, mas se sentia meio vazio e entediado. O blog veio, em parte, preencher este mesmo vazio da vida rotineira e "pequeno burguesa" que vinha levando - e ainda levo. É o meu grande espaço de descompressão da loucura e dos deveres do dia a dia.

(Anna Barros) O blog dá algum tipo de visibilidade ao seu trabalho?

Se eu pensar em termos profissionais, muito pouco, embora tenha me utilizado de minha experiência com petróleo para escrever alguns textos "para-didáticos" sobre o tema - obviamente, sem expressar a opinião nem expor informações da companhia em que trabalho.

Entretanto, alguns textos alcançaram repercussão bastante ampla e importante, e isto não deixa de ser um grande reconhecimento ao trabalho desempenhado. O crescimento de acessos e de alcance constantes que o blog vem experimentando me levam a pensar que, dentro de algum tempo, ele pode ter o seu lugar dentro dos chamados "blogs de opinião"; apesar de ser um espaço sem um tema determinado, sem um foco definido e que não fala de assuntos que tenham apelo fácil - como por exemplo celebridades e coisas correlatas.

Por outro lado, minha preocupação é que o blog tenha um crescimento constante do seu alcance, medido via número de acessos únicos, sem perder nem a sua qualidade nem a sua característica. Ele é absolutamente democrático, busca sempre uma visão diferente dos fatos e assim que deve continuar.

(Anna Barros) Qual é a importância de um blog para a mídia hoje em dia?

Fazer o contraponto ao "pensamento único" da grande imprensa, nem sempre respaldado na verdade absoluta dos fatos. As grandes empresas jornalísticas, em uma distorção séria, vendem opinião travestida de notícia, e os blogs servem como um elemento regulador e em certos momentos balizador desta "velha mídia".

(Anna Barros) Por que você criou um blog e não um site?

Por que o meu interesse era o de escrever, somente, sem vislumbrar ganhos financeiros, vender produtos ou serviços ou ainda fazer um espaço de exposição de minha vida privada - embora, aqui e ali, publique textos e em especial fotos que se referem a aspectos de meu cotidiano. Além disso, a plataforma de que me utilizo não implica em custos diretos, o que é outro diferencial para um site.

E agradeço a oportunidade de expor a minha opinião nestas linhas.

(Foto: Maio de 2010, Solo Sagrado do Brasil. Acervo Pessoal)

Cinecasulofilia - "Tropa de Elite 2"

De volta nesta sexta feira pré-eleitoral a nossa coluna sobre cinema, a "Cinecasulofilia", publicada em parceria com o blog de mesmo nome.

O texto de hoje é sobre o "arrasa quarteirão" "Tropa de Elite 2", que foi alvo de texto escrito pelo titular deste Ouro de Tolo na sexta feira passada - texto que pode ser lido aqui. É muito interessante se comparar as visões do crítico e do espectador, ainda que este com um viés político-social de análise.

Vamos ao texto, como sempre escrito pelo professor de cinema, crítico e cineasta Marcelo Ikeda.

Tropa de Elite 2

"Havia algo de positivo em Tropa de Elite 1: por trás de toda a canalhice do filme, abertamente favorável à violência e à tortura, havia um discurso franco, direto, cristalino. Havia, é claro, uma certa irresponsabilidade: os produtores certamente nunca esperavam sua enorme repercussão, muito menos os ataques recebidos por vários flancos, principalmente os que o acusaram de uma certa militância fascista. Ainda que não se concorde com seu discurso, era admirável a forma sem rodeios como Tropa de Elite 1 se apresentava, especialmente tendo em vista um cinema brasileiro que sempre busca os meios-termos, o discurso da conciliação. Tudo isso fica muito claro vendo Tropa de Elite 2: neste filme há um recuo, como se aceitassem as críticas sofridas pelo anterior mas sem deixar de avançar no discurso provocativo que tanto marcou o primeiro filme.

É nisso que reside a complexidade deste filme: de um lado, pode ser vista como notável a tentativa de Padilha de recuar, de ouvir as críticas e fazer um filme um tanto mais humano que o anterior; de outro, esse recuo pode ser entendido como um mero discurso de conveniência, um recuo estratégico dentro da verdadeira estratégia do filme, muito mais a ocupação de um mercado do que a conscientização sobre uma realidade. Em Tropa de Elite 2, o tempo todo se tem a consciência de que se pisa em “campo minado”, e assim como o Capitão Nascimento formula sua estratégia pessoal para sobreviver dentro do subdesenvolvimento, é como se o próprio Padilha tentasse “pisar em ovos” para sobreviver dentro da briga de egos e vaidades que se tornou o cinema brasileiro. Extremamente defensivo, Tropa de Elite 2 busca o improvável: por trás de suas irreverências, de seu discurso provocativo, de seus ataques à imprensa, às milícias, à polícia e aos políticos, o filme busca na verdade a esfera da conciliação. E acaba conseguindo, tornando-o um dos mais notáveis exemplares não só do cinema brasileiro de hoje mas do próprio cenário do país que se vive.

No primeiro Tropa de Elite, as coisas eram muito claras: a violência precisava ser combatida por uma polícia treinada, que responderia com mais violência. Os inimigos eram claros. Agora no novo Tropa de Elite, parte-se de uma dualidade inicial, de duas formas de combater a violência: de um lado, o discurso duro do Capitão Nascimento; de outro, o discurso de Fraga, militante social. A princípio, os dois discursos são antagônicos: para o Capitão Nascimento, o Fraga defende os bandidos, que precisam ser exterminados. Em seguida, todo o discurso de Tropa 2 é que o espectador perceba que esses discursos não são antagônicos mas que na verdade são complementares, e que precisam ser reunidos para combater os verdadeiros inimigos: os políticos, que se alimentam dessa verdadeira “indústria da precariedade”. Em torno dessas questões, há um elo comum, que só um roteirista maquiavélico como Bráulio Mantovani poderia reunir: a família. Eis que um elemento inesperado surge diante do cenário violento de Tropa de Elite: a família, o dever do pai diante de um filho. O filho do Capitão Nascimento é criado por Fraga, e o menino vive uma crise de consciência entre a violência do pai e o discurso social do padrasto. A conciliação e o discurso anti-violência de Tropa de Elite 2 eclodem numa questão familiar: o futuro das novas gerações, inocentemente atingidas nessa guerra de fogo.

Ou seja, é como se Tropa de Elite 2 fosse o Avatar do cinema brasileiro: denuncia as atrocidades de um sistema, utilizando o mais pesado arsenal da indústria de entretenimento, amortecendo seu potencial subversivo junto ao espectador. Resta um Wagner Moura numa atuação surpreendentemente contida, como se fossem os policiais de Takeshi Kitano, quase que percebendo a tragédia de sua própria existência, dando ao filme um tom sóbrio que anuncia a jornada de fracasso de seu protagonista, mas ao mesmo tempo colocando uma consciência ética completamente ausente do primeiro filme. Em relação ao filme anterior, é inegável que Tropa de Elite 2 seja menos um filme de ação do que um thriller psicológico, um filme sobre o fracasso dos ideais de um policial, amordaçado por um sistema tautologicamente corrompido por dentro. Por outro lado, o filme denuncia a sordidez desse sistema, com a mesma ferocidade proposta pelos meios de comunicação, quando cobriram o escândalo das milícias e suas relações com o crime organizado e o poder estabelecido. Transforma e embala esse jornalismo já visto em grande espetáculo. Filme urgente sobre as contradições atuais de um país ou mero oportunismo de ocasião? Difícil dizer. De qualquer modo, não deixa de ser curiosa a transformação do irascível Padilha num articulador da conciliação. Conciliação contra “os verdadeiros inimigos”. Quais são mesmo? Acaba ficando ao gosto do freguês pensar se Tropa de Elite 2 está mais para Lula, o Filho do Brasil ou para Invictus. No fundo, acaba dando no mesmo, porque a verdadeira batalha trilhada pelo filme é o da ocupação de um mercado. Batalha que foi vencida com indiscutível brilhantismo."


quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Sobretudo - "Especial Eleições 2010"


Em edição extra, a coluna "Sobretudo", assinada pelo publicitário Affonso Romero. Ele me poupou o trabalho de fazer um apanhado de links e informações sobre as próximas eleições, em trabalho exaustivo e muito competente. Temperada por um texto certeiro.

Vamos lá. Basta clicar nos links para acessar as notícias selecionadas.

Especial Eleições 2010: as ligações perigosas

“Link”, do Inglês, ligação. Domingo é dia de segundo turno, hora de ficar ligado. Este blog, seu titular e seus colunistas já fizeram como o jornal O Estado de S.Paulo e a revista Carta Capital, que assumiram abertamente que tinham uma preferência no processo eleitoral (no caso, lados diferentes). Infelizmente, não foi a mesma postura adotada pela maioria da chamada “grande imprensa”. De uma forma geral, a guerra suja eleitoral recebeu uma forte contribuição de jornais, revistas e emissoras de tevê, algumas dessas empresas inclusive adotando métodos golpistas, ainda que se fingissem de “neutras”.

A opinião é livre na democracia, então o maior problema não é nem o que dizem as colunas e editoriais. Isso sim é um espaço de direito de cada empresa de comunicação. Mais: deveria ser espaço do jornalista responsável por cada uma dessas colunas. O episódio do Estadão, ao demitir uma colunista que contrariou sua posição, é elucidativo de que nem sempre quem defende a liberdade das empresas de comunicação, defende também a liberdade do profissional de comunicação. Aparentemente, há uma contradição aí.

A questão crucial na imprensa se dá na peneira fina das editorias de política, que destacam o que seria de interesse do patrão e do candidato escolhido. Sendo assim, o Jornal Nacional, da Rede Globo, principal noticiário no Brasil, recusa-se a destacar qualquer assunto ligado a Paulo Preto ou ao recente escândalo no Metrô de São Paulo, protegendo seu candidato José Serra da exposição pública de suas fraquezas e contradições. De maneira inversa, a Carta Capital, dilmista assumida, destaca especialmente estes assuntos. De um lado, gente graúda como a Abril, a Globo, a Folha e o Estadão. Do outro, empresas jornalísticas de menor expressão e poder econômico, tentando avançar na preferência do consumidor a partir do contraponto às grandes empresas. Esta concorrência e diversidade editorial, sadia para a democracia, é o que tentam a qualquer custo evitar as grandes empresas de comunicação que, como vimos, têm um discurso mais libertário do que a prática.

Se você – como nós - já escolheu lado nesta eleição, deve saber o quão importante é ouvir os dois lados. Afinal, esta é a base da democracia. Se você ainda está indeciso, mais importante ainda que se informe sobre todos os lados das questões discutidas.

Nos últimos meses, o candidato José Serra, seu partido e aliados, tentaram estabelecer um diferencial: seriam mais éticos, competentes, preparados, limpos, “do bem”, fariam uma campanha edificante, sem ódios, tentam construir um Brasil “para todos”. Isso implica dizer que o outro lado não tem as mesmas qualificações. As imagens opostas foram construídas com o devotado esforço da grande imprensa.

Acontece que a “realidade factual” continua a seguir seu rumo enquanto a imprensa constrói uma “realidade ficcional” (para usar termos de um brilhante editorial de Mino Carta). E mesmo a grande imprensa se vê obrigada a repercutir a realidade. O que preparamos hoje para você, caro leitor, é uma coletânea de links, as ligações especialmente perigosas para o candidato José Serra. Não estamos ludibriando ninguém, há um viés claro e objetivo: fazer um contraponto ao discurso oficial das grandes empresas de comunicação.

Mas não há ma-fé intelectual aqui, viés de tipo de mídia ou tipo de empresa de comunicação. Selecionamos um pouco de tudo: jornais, revistas e internet. Por motivos óbvios, damos os links desses veículos na internet, mas é conteúdo veiculado em mídias diversas. Há grandes empresas de comunicação e empresas menores. Há gente que assumiu um lado, outro, que esteve claramente ligada a um dos lados apesar de não assumir, ou gente que se manteve eqüidistante. Todos estes veículos se viram obrigados (pela realidade, esta chata), nos últimos dias, a noticiarem coisas desfavoráveis à candidatura José Serra.

A soma destes casos desconstrói a falsa imagem de um candidato que possa se diferenciar pela competência, pela ética e pela verdade.  Você continua podendo escolher José Serra por convicções ideológicas, se for o caso, caro leitor. Não se trata de desqualificar o voto do eleitor que escolhe votar em qualquer dos dois candidatos, como pretenderam fazer os tucanos. Tampouco discutir as verdadeiras qualificações da oponente, ou usar acusações contra o Serra como desculpas para os erros cometidos pelos petistas. Trata-se de mostrar que há, sim, diferenças nítidas entre os candidatos e suas posturas. E que estas diferenças se dão exclusivamente no campo ideológico, ou seja, no entendimento do que seria melhor para o Brasil: aquilo que se refletiu nos anos em que estivemos sob governo do PSDB, ou aquilo que se refletiu nos anos em que estivemos sob governo do PT. Esta passa a ser a discussão quando se demonstra que, do ponto de vista ético, infelizmente ambos os partidos se deixaram arrastar para a mesmice do lodo político brasileiro.

Leia, mesmo que escolha só os veículos de sua preferência, e tire suas conclusões. Começamos pelo Estadão, assumidamente serrista, e emendamos com O Globo, obviamente serrista. Não há como ser mais imparcial.

JORNAIS DE GRANDE CIRCULAÇÃO

ESTADÃO – A fraude no Metrô de SP – Licitação de cartas marcadas no Governo Serra

ESTADÃO – Para analistas, economia mudaria mais com Serra – A equipe de Serra indica que faria “ajustes” na atual política macroeconômica. Não custa lembrar que Serra se opôs a todas as decisões econômicas cruciais do período de 8 anos de Lula, e que se mostraram - a posteriori - acertadas. Por “ajustes” pode-se entender mudanças, e por mudanças pode-se entender desestabilização e retrocesso no ciclo virtuoso de crescimento.

O GLOBO – Lula diz que é cretinice atacar Dilma – Em sua linguagem crua, Lula compara os ataques a Dilma aos mesmos que ele sofreu em suas campanhas.

O GLOBO – BLOG DO MORENO – Indecisos x Convictos – O colunista Zuenir Ventura fala sobre o baixo nível nos dois lados da disputa presidencial.

FOLHA SP – Novo recorde de aprovação do Governo Lula no Datafolha – No dia do aniversário, Lula comemora a aprovação de seu governo.


FOLHA SP – Folha conhecia antes os vencedores da licitação do Metrô – A matéria da Folha que deu início ao MetroGate em São Paulo.

FOLHA SP – Petistas cobram investigação – Repercussão da fraude na licitação do Metrô-SP

FOLHA SP – Oposição quer CPI em São Paulo – Vale lembrar que vários pedidos de CPI foram barrados pela maioria tucana na Assembléia Estadual. Não é o primeiro caso que merece investigação nos governos tucanos em São Paulo, mas dificilmente os casos são esmiuçados.

FOLHA SP – Governo FHC preparou privatização da Petrobrás, diz Gabrielli – Presidente da Petrobrás repete o sentimento de vários petroleiros de que a empresa não foi privatizada por muito pouco no governo PSDB.

FOLHA SP – Gráfica tucana fez panfletos anti-Dilma – As ligações entre a campanha de Serra e as calúnias e baixarias contra a candidata do PT fazendo uso da ala radical dos católicos.

FOLHA SP – Serra nomeou filha de Paulo Preto – Serra nomeou para cargo de confiança filha do assessor que ele disse desconhecer, e que está no centro de acusações de desvio de recursos.

FOLHA SP – Ricos têm preconceito e medo – Lula fala sobre o sentimento de impotência que assola quem, mesmo tendo recursos e diplomas, não conseguiu fazer antes o que um metalúrgico conseguiu em 8 anos.

FOLHA SP – Promessas de Serra incluem obras do PAC – Apesar de criticar o plano do Governo Lula, Serra copia suas propostas.

FOLHA SP – Dilma não tem medo de nada, diz Chico Buarque – No ato de apoio de intelectuais e artistas Chico Buarque profere a frase “(O Brasil) fala de igual para igual com todos. Nem fala fino com Washington, nem fala grosso com a Bolívia e o Paraguai”.

FOLHA SP – Dilma espera que pelo menos desta vez o governo paulista investigue – Candidata lembra longa tradição tucana de não apurar as fraudes em seus governos.

FOLHA SP – Que Serra é esse? O colunista da Folha, ainda que dispare contra o PT, não entende mais qual a real opinião de Serra, de tanto que o tucano muda ao sabor dos interesses eleitorais.

FOLHA UNIVERSAL – Nas mãos do clero - Voz oficial da Igreja Universal, jornal aponta o envolvimento entre religiosos radicais e a campanha oficial de José Serra.

REVISTAS SEMANAIS

VEJA – Empresas empregam mais – Alto crescimento da mão-de-obra nas empresas brasileiras no última metade de década, segundo IBGE.

VEJA – Mais de 29 milhões entraram na classe média – Avanço medido por trabalho da FGV. Mais da metade da população brasileira é de classe média.

VEJA – Temporada de lucros recordes – Desenvolvimento do mercado interno e saída rápida da crise fazem empresas brasileiras lucrarem como nunca.

VEJA – 12 novos shoppings até o final de 2010 – Alta de crédito e renda aumenta o consumo. Em 2011, serão mais 29 shoppings.

VEJA – FGTS tem arrecadação recorde – Número recorde de empregos aumenta Fundo que financia habitação popular, criando ciclo virtuoso.

VEJA – Emprego na construção civil bate recorde – Dados do SINDUSCON-SP


VEJA – O homem bomba de Aloysio Nunes – Veja, em maio, sobre Paulo Preto. Necessário dizer que esta é uma ponta do iceberg de outros Paulos Pretos no PSDB, e que o PSDB e Serra estavam muito bem informados sobre Paulo Preto e, mesmo assim, continuaram prestigiando-o.

ISTO É – Um tucano bom de bico – A revista apresenta Paulo Preto em agosto.

ISTO É – Bolinha de papel, por Leonardo Attuch – O Brasil merecia mais do que escolher entre dois candidatos que se nivelaram por baixo, segundo o colunista.

ISTO É – Contratado para acelerar obra, Paulo Preto desprezou qualidade – Matéria relaciona a pressa em concluir trecho do Rodoanel para ser inaugurado por Serra a desabamento da obra.

ISTO É – Serra criou sistema que encarece material escolar – A diferença entre a proposta e o efeito, e a ineficiência administrativa de Serra.

ISTO É – O protegido Paulo Preto – Matéria mostra o episódio da prisão do arrecadador tucano como sintoma de sua influência junto à direção do partido de Serra.

ISTO É – Agressores atiram bexiga em Dilma – Episódio foi tratado com ironia por parte da imprensa, Serra fez de morto, mas o fato ocorreu. Mas a própria candidata petista seguiu sua agenda e não usou politicamente a agressão sofrida.

ISTO É – Serra e a “liberdade” de imprensa – Diferente de seu discurso, Serra reage agressivamente contra a imprensa quando a cobertura não lhe agrada.

ISTO É – As contradições de Serra no JN – Questionado sobre tráfico de influência e nepotismo, Serra se cala.

ISTO É – Os santinhos de uma guerra suja – A aproximação de Serra com grupos radicais, o uso de boataria, recursos ilícitos e fanatismo religioso, e a pregação do ódio como arma política.
Partes 1 e 2.

ISTO É – O Brasil acelera – PIB é revisto para cima.

ISTO É – Festival de espionagem – Quebra de sigilo de tucanos na Receita foi “fogo amigo” dentro do PSDB.

ISTO É – O inacreditável saco de bondades – Na reta final, Serra ataca de demagogia e coloca em risco estabilidade e austeridade, com propostas irreais.

ISTO É – Multinacionais de prontidão – “Risco Serra” coloca em xeque investimentos no Brasil.

ISTO É – Escândalo no Metrô de Serra – O MetrôGate ganha as manchetes.

ISTO É – Serra usa máquina pública em evento de campanha.

CARTA CAPITAL – Às favas com a realidade, por Mino Carta – O editor da Carta critica o comportamento de seus colegas da imprensa.

CARTA CAPITAL – O tempo como invenção do homem, por Mino Carta – A volta a 1964 proposta pelo tom de campanha de Serra.

CARTA CAPITAL – Paulo Preto e os cofres de Serra, por Rodrigo Vianna – As ligações perigosas do PSDB.

CARTA CAPITAL – Similitudes, por Delfim Netto – As semelhanças entre as críticas aos programas sociais de Lula e aos programas do New Deal americano de Roosevelt.

CARTA CAPITAL – Brasil versus Brazil, por Paulo Cezar da Rosa – Eleições e soberania nacional.

CARTA CAPITAL – Carta Aberta a FHC, por Theontonio dos Santos – Fernando Henrique escreveu uma carta a Lula. O professor da UFF responde ao ex-Presidente, desmistificando alguns pontos sobre seu governo.

CARTA CAPITAL – Fraude no Metrô de SP – Mais do MetrôGate paulista.

CARTA CAPITAL – Papéis e papelões, por Cynara Menezes – Sobre o tom da campanha.

CARTA CAPITAL – Amaury Ribeiro Jr e o glossário das privatizações – O envolvido no caso de espionagem interna do PSDB abre o verbo.

CARTA CAPITAL – O engodo do salário mínimo de Serra – A especulação populista de Serra à luz da racionalidade.

CARTA CAPITAL – Dois pesos, por Maria Rita Khel – A reprodução da coluna escrita para o Estadão que foi responsável pela demissão da colunista. Liberdade de imprensa é isso aí!

CARTA CAPITAL – Abaixo assinado contra a demissão de Maria Rita Khel.

CARTA CAPITAL – E por falar em censura... – Opinião da Carta Capital sobre a demissão.


CARTA CAPITAL – Paulo Preto: novas denúncias. – O calcanhar de Aquiles da campanha moralista de Serra.

CARTA CAPITAL – Nem com reza brava – As promessas demagógicas de Serra não fecham a conta.

CARTA CAPITAL – A última cruzada tucana. – Mostra o jogo sujo praticado pela campanha serrista na internet.

CARTA CAPITAL – O livro e a bolinha de papel – Dois casos demonstram como a grande imprensa tem construído uma “verdade” particular nesta eleição.

CARTA CAPITAL – Jatene x Serra – O ex-ministro da saúde (que entende de saúde mais que o Serra) desmonta alguns argumentos do PSDB.

CARTA CAPITAL – Na Idade Média, por Cynara Menezes – Como o obscurantismo entrou na campanha.

CARTA CAPITAL – Os avanços do Brasil (para desespero das elites) – Coluna do leitor aponta para os acertos do período Lula e seus efeitos.

ÉPOCA – Vamos combinar? Por Paulo Moreira Leite – O colunista contesta quem diz que Lula é conservador.

INTERNET

ESCREVINHADOR – Onde você estava em 64? – De Emir Sader, sobre quem é quem na defesa de liberdades.

ESCREVINHADOR – Serra e a liberdade de expressão – Levantamento de Antônio Biondi mostra as vezes em que Serra agrediu a imprensa durante a campanha.

ESCREVINHADOR – A parceria da Folha com a ditadura – Dois pesos diferentes na cobertura das eleições, por uma empresa historicamente ligada ao golpismo.

ESCREVINHADOR – Turma de Aécio furiosa com PSDB-SP – Explode a briga interna dos tucanos.

ESCREVINHADOR – Cinco ondas contra Dilma – Os bastidores da guerra suja promovida por Serra na internet.

YAHOO – Em baixa nas pesquisas, Serra levanta suspeitas sobre institutos – Em desespero, Serra faz o que imputa aos adversários: acusa sem provas e desrespeita as bases da democracia.

UOL – Serra minimiza licitação suspeita – Tucano faz pouco caso de fraude grave a acusa para se defender.

UOL – Dilma diz que Serra promove o ódio por falta de projeto – Candidata aponta quek semeia o ódio em campanha.

TERRA – PE: Presidente estadual do PT diz que Serra é despreparado – Em debate com dirigente local através da imprensa, Serra agride em vez de debater.

G1 – Pesquisa Datafolha

G1 – Pesquisa Sensus

G1 – Dilma pede investigação – Candidata, no entanto, diz que não será leviana de responsabilizar o adversário (como tem sido feito pelos tucanos)

G1 – Petistas precisam inventar coisas, diz Serra – Candidato faz pouco caso do MetrôGate, acusa o Governo federal sem provas, quer impor unilateralmente os limites do Presidente e atira contra os institutos de pesquisa. Desespero é que deveria ter limites.

R7 – Oposição em SP busca assinaturas para CPI – Desdobramentos do MetrôGate

VIOMUNDO – O jogo das bonequinhas do Serra

DoLaDoDeLa - O Uso da Máquina

YOUTUBE – Serra e os números

YOUTUBE – Serra no Comício da Central, 1964 (Toca fogo no circo e sai correndo)

YOUTUBE – Serra e Arruda: vote num careca e leve dois

YOUTUBE – Xuxa responde ao Ministro Serra

YOUTUBE – Mano Brown opina sobre Serra

YOUTUBE – Serra mente sobre ficar 4 anos na Prefeitura

YOUTUBE – Regina Duarte tinha medo – a disseminação do terror como arma política

YOUTUBE – Serra e os sanguessugas

YOUTUBE – Serra e a oração coordenada subjuntiva

DILMA 13 – Em nome da verdade – Site oficial de campanha tem página que mostra as calúnias espalhadas pela campanha de Serra contra Dilma

DILMA 13 – Home Page – Site oficial mostra o que mudou no Brasil, a biografia, material de campanha e o programa de governo (coisa que Serra não apresentou, simplesmente).

OURO DE TOLO

Colunas postadas recentemente neste blog.

Tragédia Mexicana


Um assunto muito importante e que, salvo a repercussão da recente chacina de 72 pessoas na qual haviam vítimas brasileiras, muito pouco repercutido aqui é o gravíssimo problema dos cartéis de droga mexicanos, suas guerras pelo monopólio de armas e do tráfico de drogas e a reação absolutamente despreparada do governo local.

O México, hoje, é a principal rota da entrada de drogas diversas nos Estados Unidos. Seu território é palco de uma sangrenta batalha entre cartéis de droga e forças para militares a eles ligadas. O controle destas rotas é um manancial inesgotável de recursos, tanto de saída de drogas quanto de entrada de armas.

O problema mais grave está na fronteira com os Estados Unidos, onde o Estado mexicano, historicamente deficiente, simplesmente não tem o controle efetivo de diversas áreas. Chacinas se repetem (foto), a população está amedrontada e não existe solução para a população da região - uma das mais pobres do México.

Também contribui para este quadro a abordagem totalmente inadequada do governo mexicano. O presidente Felipe Calderón, eleito com apoio maciço norte americano e sob um enxurrada de denúncias de fraude optou por encampar a política americana denominada "Guerra contra o Terror". Esta advoga repressão total aos traficantes e cartéis, mas sem proporcionar opções àqueles que optam por sair do crime, nem alternativas econômicas aos estados dominados por estes cartéis.

Ou seja: é uma política de eterno "enxugar gelo". O país latino americano ainda tem de lidar com dois outros problemas, que são a peculiar lei de armas americana e a demanda insaciável de drogas por parte do vizinho mais rico. Com a lei americana que determina que qualquer cidadão pode ter a sua arma, na verdade mais de uma, fica muito fácil para os cartéis criminosos mexicanos vender drogas e receber armas em troca. Isso deixa as organizações criminosas ainda mais poderosas e mais difíceis de serem combatidas.

Qualquer política de combate efetivo aos cartéis passa, necessariamente, pela demanda americana. Ao invés destes "ajudarem" com armas e trabalho de inteligência, coibir o consumo ou mudar sua política em relação a este seria um bom primeiro passo. Por outro lado, uma verdadeira ajuda incluiria a revitalização econômica do país, em especial nas paupérrimas áreas fronteiriças - onde não há muito o que se fazer se você não for pertencente a um cartel destes ou se dedicar a atravessar imigrantes ilegais para o outro lado da fronteira.

A economia local é fortemente dominada pelo cultivo de milho e pela exploração de petróleo. O primeiro foi fortemente impactado pela Alca - o milho americano, subsidiado, entrou a preços muito mais baixos e arrasou a cultura local - e a Pemex foi fortemente sucateada em função de uma política de depleção (esgotamento) rápido de reservas a fim de atender ao mercado americano por um lado e cobrir os déficits públicos, por outro.

Embora seja estatal, a Pemex funciona mais como uma empresa "proto americana", voltada a atender este mercado e sem capacidade de investimento a fim de aumentar as suas reservas provadas. O México está depletando rapidamente suas reservas, e sem investimento na procura e descoberta de novos campos o petróleo deve se esgotar em pouquíssimo tempo. O que seria catastrófico para a já combalida economia local.

O país possui outro problema, que é o de exportar petróleo cru e importar produtos refinados, como gasolina - as refinarias do país não atendem à demanda, estando há bastante tempo sem investimentos. Se não conseguir investir em descoberta de novas reservas a produção de óleo cru do país deve cair de 3,5 milhões de barris diários em 2003 para 2 milhões em 2016 - e decrescendo.

Vale ressaltar que os gastos públicos do país são direcionados ás classes de renda superior; há muito o que se avançar em termos de políticas para a população mais pobre. Uma burocracia com histórico de corrupção secular, uma economia estagnada, altíssima concentração de renda e temos o cenário perfeito para o florescimento destas organizações criminosas. Estas se impõem à base do terror e da falta de opção, exterminando todos aqueles que ousam atravancar seu caminho.

Esta situação mexicana pode ser um alerta para o Brasil.

Não é segredo de ninguém que os Estados Unidos consideram que a região de Foz do Iguaçu, na "Tríplice Fronteira" entre Brasil, Argentina e Paraguai é considerado um refúgio para "terroristas islâmicos". A colônia libanesa é grande na região e a suspeita americana é que a região seja usada como uma espécie de "entreposto financeiro" para estas organizações supostamente terroristas. A intenção americana é criar condições de se ter uma base militar americana na região, dando aos Estados Unidos poderes de agir naquele território como se seu fosse. Este, inclusive, teria sido um dos supostos temas em pauta no encontro que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teve na cidade com empresários e emissários americanos.

Voltando ao país latino, não surpreende que esteja dominado desta forma por estes cartéis de droga. Facilidades de acesso ao mercado consumidor e acesso a armamento pesado, ausência de economia forte, governo com política inadequada e insuficiente, este é o caldo para a tragédia de chacinas, gangues e esgarçamento social da sociedade.

Emiliano Zapata e Pancho Villa devem estar se revirando no túmulo.


(Gráfico: Uol)


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Bissexta - "2010 - O Ano em que Aprendemos a Odiar"


Em edição extraordinária, a coluna "Bissexta", do advogado Walter Monteiro, com um tema que também anda me incomodando: o clima de radicalismo e de "FlaxFlu" da atual campanha eleitoral. Não vejo a hora disso acabar - e espero que acabe sem suspeitas de fraudes eleitorais, como já se comenta desde o último final de semana, e sem tentativas de golpes judiciários.

Vamos ao bom texto:

2010 - O ano em que aprendemos a odiar

No sábado do último fim de semana antes da eleição do 2º Turno fui a São Paulo comemorar o aniversário de uma queridíssima advogada, que reuniu amigos mais chegados para uma feijoada. Um convidado já chegou se desculpando, porque dera o azar de fazer parte da lista de amigos do novo Senador e grão tucano Aloysio Nunes Ferreira e por isso haviam invadido o seu Facebook e a partir dali estavam vasculhando a vida das pessoas com quem ele se relacionava; daí porque a minha amiga, que liga tanto para a eleição presidencial quanto para a final da liga americana de beisebol, estava na mira dos que fuçam a vida alheia graças à singela mensagem de parabéns em sua página.

Outra convidada contou que discutira arduamente com o sócio principal do escritório e estavam sem se falar desde que ela resolveu confrontá-lo com a temática eleitoral. Ainda houve uma terceira que namora um jornalista envolvido com a cobertura das eleições em um veículo top e o cabra jura que seu telefone está grampeado – pela chefia!

Eu sempre adorei política, participo ativamente de eleições antes mesmo de ter carteira de motorista. Discussão, emoção, sangue quente e até porradaria nunca faltou. Me lembro que em 1986 existia a Brizolândia, uma banquinha de militantes do PDT alojada defronte à Câmara dos Vereadores na Cinelândia que recebia os adversários à base de cacete. Estes iam para lá na má intenção também, as  bandeiras eram canos de PVC atarrachados. Quando o pau cantava, a turma desmontava os canos e partia para dentro distribuindo pauladas.

Me lembro também que em 1989 tinha confusão todo dia. Por onde o Collor passava, a gente ia lá xingar. O tal Caçador de Marajás nunca deixou barato, tinha sempre uma horda de capangas que ao primeiro sinal de bandeira vermelha na área já vinham na maldade e só iam embora depois que o fuzuê estava espalhado, de preferência com gente sangrando.

Só que isso era coisa de militantes ou de cabos eleitorais trabalhando a soldo, portanto ficava tudo restrito à gente envolvida na campanha, a imprensa noticiava as confusões, mas de forma preguiçosa e sem alarde. Quem se limitava a votar não dava a menor bola para as escaramuças do chamado corpo-a-corpo e debatia política de um modo mais civilizado.

Em 2010 me parece que a coisa se inverteu. Tirando o caso da bolinha de papel, a campanha tradicional foi morna. Mas na imprensa, na Internet, na vida das pessoas, viramos todos xiitas. Ninguém conversa, ninguém dialoga, ninguém se informa. Só vale impor a sua posição pessoal como verdade suprema e desqualificar o outro lado.

Imprensa, infelizmente, não temos mais, só nos sobraram peças de campanha travestidas de jornalismo.

Se você é eleitor do Serra, pode ficar com a Veja, o Globo, a Folha, o Estadão, a TV Globo, os blogs do Reinaldo Azevedo e do Augusto Nunes que lá você fica sabendo que a Dilma é o representante do capeta, que ela vai transformar o Brasil em uma nova Coréia do Norte, que nem Gengis Khan seria tão maldito e que esses 8 anos do Lula foram apenas uma continuidade da política de FHC mesclada por muito autoritarismo e ladroagem.

Mas se você, como eu, torce para a Dilma,  orfão você também não fica. A Carta Capital, a Isto É, a Record, o Paulo Henrique Amorim, o Luis Nassif estão aí para confirmar a certeza de que vivemos no paraíso e que a volta dos tucanos vai nos levar de volta para as trevas, já que se trata de uma gente demoníaca, ávida por praticar o mal de modo impiedoso. Afinal, o Brasil como conhecemos nasceu apenas em 2003.

Esse clima de tudo ou nada contaminou a todos nós. O debate político acabou. Só importa saber se o durex machucou, se o sigilo foi violado, se o pré-sal já foi vendido ou se ainda será, tudo é exagerado, amplificado, distorcido.

E agora já não é mais uma briga de militantes x cabos eleitorais. Somos, todos nós, nos odiando mutuamente, ofendendo amigos de anos, parentes próximos, pais, filhos, esposas, namorados. Em 2010, surpreendentemente, nós, que sempre fomos chegados à conciliação, decidimos que é proibido pensar diferente."