terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Cervejas para o Natal - Algumas Sugestões



Atendendo a pedidos de alguns dos leitores deste blog, trago aqui algumas sugestões de cervejas especiais para a ceia de Natal.

Antes, queria chamar a atenção para o vídeo acima. É uma matéria da Globonews sobre cervejas especiais, veiculada no programa "Pelo Mundo". Não tinha visto ainda, mas alertado pelo leitor e amigo Sérgio Merçon recuperei-a e é bastante interessante.

O curioso é que a cerveja espanhola citada na matéria já foi alvo de matéria aqui há mais de um ano, em agosto do ano passado. Naquela época tinha bem menos conhecimento sobre o assunto, de forma que a contextualização que fiz estava incorreta - ela não é uma lager, mas sim uma "witbier", cerveja de trigo no estilo belga. Abaixo o leitor pode ver a foto da garrafa desta cerveja, a Estrella Damn Inedit.


Eu estive no FrangÓ, mostrado na matéria, em abril de 2006. Foi um jantar agradável, mas teria desfrutado melhor se tivesse o conhecimento de que disponho hoje - e que ainda é muitíssimo limitado. 

Entretanto, este ano na semana em que estive a trabalho em Campinas tive a chance de conhecer o Bar Brejas, que para minha sorte ficava na mesma rua e a duas quadras do hotel onde estava hospedado. O bar tem cerca de 300 rótulos diferentes de cervejas, fora as que não constam no cardápio, mas estão disponíveis. Confesso que gastei uma grana federal naquela noite, onde cheguei (sozinho) às sete e meia da noite e saí (sozinho) mais de uma da matina, após ver meu Flamengo perder para o Cruzeiro. O curioso é que a camisa usada pelo goleiro celeste naquela noite acabou indo parar em minha coleção...

Sem dúvida alguma, uma experiência que recomendo.

Bom, introdução feita, sugerirei aqui três tipos de "menus cervejeiros" para a noite de Natal: um básico, outro somente com cervejas nacionais e um terceiro com preferências minhas. Vamos a elas:


Basicão

Esta sugestão é para aquele leitor que pensa que Antartica, Skol e Itaipava são cervejas, que o que vale é a mais barata e estar gelada. São sugestões com qualidade um pouco acima e preços acessíveis.

Itaipava Premium ou Devassa - Standard American Lager, já representam a entrada no mundo cervejeiro sem necessariamente sair do que se está acostumado. São cervejas semelhantes às de grande consumo, mas mais fortes, com ingredientes mais nobres e menos conservantes - a dor de cabeça no dia seguinte é menor.

Bohemia Weiss - é a iniciação em cervejas de trigo, com maltes híbridos de cevada e trigo. É um bom começo para quem não conhece este tipo.

A linha Petra - formada por cinco tipos, é uma boa idéia, de preço acessível, para experimentar tipos diferentes de cerveja. Em especial a Bock e a Kolsch, embora esta última - típica da cidade de Colônia, na Alemanha - eu nunca tenha visto à venda.

Estas três sugestões já permitem um Natal diferente, mas sem grandes gastos.


Especiais Nacionais

Aqui já se começa a se falar de cervejas de excelente qualidade. Vou me restringir a cervejas de quatro empresa nacionais: Eisenbahn, Baden Baden (ambas pertencentes hoje à Schin), Backer e Colorado. Vamos a elas:

Premium Lager: para começar, com um paladar não muito diferente do que se está acostumado. Tanto a Eisenbahn Lager quanto a Baden Baden são boas marcas e que permitem um paladar diferenciado. A Cidade Imperial, fabricada em Itaipava (RJ) e que pertence a um dos herdeiros da família imperial brasileira também é uma boa opção neste estilo.

Weiss: nas cervejas de trigo, indico três cervejas, de estilos diferentes: a Backer (melhor weiss nacional), a Weizenbock da Eisenbahn e a Golden Ale da Baden Baden. A Colorado Appia, clara, também é bem interessante.

Ale: então já mudamos de estilo, para as cervejas de alta fermentação - ao contrário das lagers e suas derivadas, as ales são fermentadas em temperaturas mais altas. Nesta linha, a Strong Ale e a Pale Ale da Eisenbahn e a Red Ale da Baden Baden são as indicadas - embora eu ache esta última amarga demais para o meu paladar. A Pale Ale da Backer, cervejaria mineira, não fica nada a dever às melhores inglesas do tipo.

Rauchbier: feita com maltes defumados, a Eisenbahn é uma boa pedida.

Porter: cerveja com maltes torrados e café, boa pedida para acompanhar a sobremesa. A Colorado Demoiselle é imbatível.


Importadas:

Agora temos um mundo de cervejas à nossa disposição. Vou dar algumas indicações, gosto pessoal, mas aqui o mundo é só o começo. Vale a pena explorar novos sabores, novos tipos e novos paladares.

Premium Lager: a dinamarquesa Carlsberg, a alemã Paulaner e a holandesa Amstel Pulse são boas indicações.

Weiss: cervejas como a Paulaner, a já citada Estrella Damn Inedit e a Franziskaner representam bem a categoria.

Ale: gosto muito da inglesa Murphy, que não é tão amarga e bastante saborosa. A Abbot Ale também é uma boa opção.

Trapistas: as belgas como a Duvel e a Chimay são boas pedidas.

Stout: a Guiness, irlandesa, é insuperável. Mas aviso: é bastante amarga.

Não esgoto aqui as indicações, longe, muito longe disso. Mas o leitor já possui uma boa idéia de cervejas para montar uma ceia diferente e de boa qualidade, com boas cervejas. Estou à disposição para eventuais dúvidas e sugestões.

Semana que vem teremos indicações para o Ano Novo, com direito a cervejas que substituem o champagne tradicional da data. Entretanto, com o leitor mais familiarizado ao assunto, darei indicações de cardápios cervejeiros, com indicações precisas e roteiros de consumação.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Resultado da Promoção - Camisas do Flamengo

Bom, já temos os vencedores da promoção das camisas do Flamengo. Foram 96 participantes e os posts mais indocados como os favoritos foram a "Bissexta" que compara Flamengo e Internacional, o post sobre a hipocrisia do mês de dezembro e a subversão da história da Chapeuzinho Vermelho.

Sorteei pela ordem, a branca e a cinza, utilizando-me da ferramenta de sorteio eletrônico "Sorteios.PT".

O primeiro vencedor, para o primeiro sorteio, foi o Wesley Lúcio, de Brasília, como se vê abaixo:


O Wesley leva a camisa branca autografada.


O segundo sorteio, da camisa cinza de treino, foi realizado imediatamente após, e teve como vencedor Pedro Ivo Bifano Guedes, de Belo Horizonte.

Estarei entrando em contato com os vencedores via e-mail para solicitar o endereço de envio. Como avisei no post original, estarei enviando a camisa apenas na semana que vem, para diminuir o risco de extravio do Sedex.


Aproveito para agradecer a todos os participantes e afirmar que espero a visita e o comentário rotineiros.

Também queria agradecer a Alexandre Souteiro (FlamengoNet), Warley Moerbeck (FlaEternamente) e Daniela Souto (Primeiro Penta) por terem divulgado a promoção; e a Sérgio Merçon pela parceria. Se você não foi o vencedor basta um e-mail para ele que se consegue adquirir uma camisa semelhante às sorteadas por um preço justo.

Além do agasalho do Fluminense, em andamento (abaixo), teremos na última semana do ano ou na primeira de janeiro mais uma promoção, desta vez envolvendo livros. Fique atento !

Promoção: Agasalho do Fluminense, Campeão Brasileiro de 2010


Bom, após as duas camisas exclusivas do Flamengo - cujo resultado divulgarei hoje à tarde - temos uma nova promoção neste Ouro de Tolo.

Com o patrocínio da Okasion Eventos, da amiga, tricolor e colunista Thatiane Manfredi, sortearemos um agasalho oficial do Campeão Brasileiro de 2010, o Fluminense. Mais uma vez em parceria com o amigo Sérgio Merçon, foi disponibilizado para utilização da equipe campeã, ou seja, não é um exemplar vendido em lojas. Acima você pode ver a foto do prêmio. A calça é tamanho GG e o casaco, G.

Para participar é simples: basta postar um comentário com seu nome e sobrenome (não vale apelido), cidade, e-mail e indicar um post deste Ouro de Tolo do qual o leitor tenha gostado. O sorteio será eletrônico, como das vezes anteriores. Não podem participar pessoas ligadas à Okasion Eventos, patrocinadora do prêmio.

Ainda que o leitor não seja sorteado, há a possibilidade de se adquirir material utilizado em jogos da equipe e exclusivos: basta enviar um e-mail para o Sérgio Merçon e fazer a sua encomenda, a um preço acessível. Uma boa sugestão de presente.

A propósito, embora o titular deste blog seja rubro-negro, digo aqui que preferia o Fluminense campeão a Corínthians e Cruzeiro. Os clubes cariocas precisam se unir para enfrentar a concorrência das equipes paulistas, que são, na prática, nossas rivais hoje. Achei bem interessante o fato de termos dois anos seguidos campeões brasileiros do Rio de Janeiro e, decididamente, não me incomodou. Por outro lado é imprescindível que ambos os clubes melhorem os seus modelos de gestão.

O resultado da promoção será divulgado a princípio dia 24, véspera de Natal, mas poderá ser adiado para 25 ou 26 de acordo com a minha disponibilidade. O vencedor, caso seja do Rio de Janeiro ou de Niterói, necessitará retirar o prêmio comigo, caso seja de outra cidade o envio será feito pelos Correios.

Vamos ver se a torcida do Fluminense consegue superar o número de participantes da promoção anterior. Fica aqui o desafio.

Seja bem vindo a este espaço, participe e Boa Sorte !

P.S. - Uma perguntinha: porque a Unimed somente contrata jogador que esteja fora do Brasil, e sempre com valores exorbitantes ?


domingo, 19 de dezembro de 2010

Bissexta - "Assim é, se lhe parece"


Mais um domingo e mais uma coluna "Bissexta", do advogado Walter Monteiro. O tema de hoje é o "endeusamento" feito pelos clubes brasileiros e sul-americanos do Mundial de Clubes, onde o Internacional de Porto Alegre foi eliminado de forma surpreendente pelos congoleses do Mazembe (foto acima).

Aproveito para afirmar que não concordo com a forma que a CBF está utilizando para validar os títulos brasileiros anteriores a 1971. Melhor seria equiparar a Taça Brasil à Copa do Brasil, e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa ao Campeonato Brasileiro. Do jeito que estão fazendo, ficou uma salada.

"Assim é, se lhe parece

A CBF surpreendeu a todos ao validar títulos de campeonatos brasileiros do tempo em que nem ela própria existia. Torneios disputados com diferentes regras, participantes e repercussão passaram a valer, todos, a mesma coisa. Já que a CBF pode, eu também posso. Eu tenho uma ideia genial para o campeonato brasileiro daqui para a frente.

A coisa vai funcionar assim: cada uma das regiões brasileiras indica o melhor time de seus campeonatos regionais. O campeão do Norte enfrenta o campeão do Centro-Oeste. O vencedor desta partida enfrenta o campeão do Nordeste. O vencedor desse segundo jogo enfrenta o campeão do Sul. E o vencedor desse terceiro jogo enfrenta o campeão do Sudeste, que por ter times mais qualificados fica esperando os times das outras regiões se resolverem. Diz a lógica que os times do Sul normalmente vencerão o terceiro jogo e farão a partida final contra o campeão do Sudeste. O vencedor desta partida será proclamado campeão brasileiro.

O torneio vai ser disputado na Costa do Sauípe, para incrementar o turismo local. No intervalo das partidas, outros eventos entreterão os torcedores que forem para lá pagando o pacote de viagens a peso de ouro. Em uma semana, a gente fica sabendo quem é o campeão brasileiro e podemos tratar de coisas mais importantes. E esse título será, dentre todos, o mais valioso da história do clube, do qual seus torcedores irão se orgulhar por muitos e muitos anos.

O leitor concorda? Pois saiba que esse modelo de campeonato é o que dá direito a um time a se intitular “Campeão do Mundo”, por conta de um torneio igualzinho a esse onde o Inter acaba de fracassar. O Fluminense lutou o ano inteiro, enfrentou 38 partidas em mais de oito meses, com times do mesmo nível que ele, para somente então poder soltar o grito de campeão. Mas se o Inter tivesse vencido os divertidos africanos e depois conquistado o torneiozinho das arábias, era ele, e não o Fluminense, o grande vencedor do ano no imaginário do torcedor brasileiro.

Eu fico me perguntando em que momento a gente perdeu a capacidade de atribuir às coisas o seu devido valor ou se deixou contaminar pelo blábláblá da imprensa festiva. Até hoje ainda tem flamenguista que se incomoda porque a CBF não reconhece o título da Copa União como “legítimo”. Quer dizer que o Flamengo vence um campeonato duríssimo, contra os grandes rivais de sempre e tem torcedor que acha que a conquista só vale se a CBF abençoar?

O caso dos tais “mundiais” e mesmo da Libertadores me parece ainda mais grave. Tem um monte de time nesse torneio sul-americano que não jogaria a Série C do Brasileirão, mas ainda assim parece ser mais valorizado ganhar dessas babas do que derrotar o São Paulo ou o Corinthians. Mas pelo menos na Libertadores há uns dez times com alguma classe, embora seja um campeonato bem mais fácil do que o Brasileiro. Aliás, vamos ser sinceros, é mais difícil ser campeão paulista ou campeão carioca do que campeão da Libertadores, por conta do número de partidas disputadas e da quantidade de reais candidatos ao título.

Agora, no chamado “Mundial”, façam-me o favor! Os times europeus chegam lá na mesma condição que o hipotético campeão do Sudeste chegaria na Costa do Sauípe – como só tem vaga para um, muitos timaços ficam de fora e eles estão cansados de saber que os rivais que enfrentarão são claramente inferiores, por isso nem dão muita bola.

Portanto, de duas, uma: ou reduzimos o campeonato brasileiro a uma semaninha na Costa do Sauípe e aí ficamos quites, ou vamos parar com essa bobagem de endeusar o enganoso Mundial de Clubes. Será que nunca vamos nos livrar do complexo de vira-latas?"


sábado, 18 de dezembro de 2010

A Médica e a Jornalista - "O que há em comum entre Rene Silva e a Dengue?"


A partir de hoje, o Ouro de Tolo tem uma nova coluna: "A Médica e a Jornalista". Assinada pela cirurgiã plástica e recém formada em jornalismo Anna Barros, irá trazer uma visão feminina do mundo, com foco maior em medicina e jornalismo, mas se estendendo, às vezes, a outros assuntos. Anna Barros é dona de dois blogs pessoais, o "Blog da Anninha" e o "Poltrona de Cinema".

Conheço Anna Barros desde os tempos do extinto blog no jornal O Globo do jornalista Lédio Carmona. O contato se estreitou via Twitter e culminou na entrevista que dei a ela para sua monografia - e que reproduzi aqui anteriormente.

A coluna terá periodicidade quinzenal e será publicada aos sábados, sem prejuízo da "Sobretudo".

Passemos ao texto de estréia, ao qual ressalto que tenho particularmente uma opinião mais crítica sobre a recente operação no Complexo do Alemão. Boas vindas ! Lembro que a dengue foi abordada na coluna "Formaturas, Batizados e Afins" recentemente.

"O que há em comum entre René Silva e a Dengue?

Senti-me honrada e lisonjeada ao aceitar o convite de Pedro Migão, do Ouro de Tolo, para escrever nesse espaço quinzenalmente. O título da coluna foi dado pelo próprio Pedro e para a estreia pensei em falar de Saúde Pública, da Dengue, essa doença que nos atemoriza todos os anos. Mesmo eclipsada pela gripe suína, ano passado ela se manifestava de forma silenciosa e matava muita gente, sem que às vezes soubéssemos de dados oficiais precisos. Mas não pude passar incólume ao ver no programa da TV Globo, o Caldeirão do Huck, do útimo sábado dia 11 de dezembro o jovem Rene Silva, do jornal A Voz da Comunidade. Pelo twitter, ele nos alimentou com notícias da invasão policial ao Complexo do Alemão, no último dia 24 de novembro, e a retomada do poder público do local.

Eu tive muita sorte na vida. Fiz a faculdade de Medicina por vocação e a de Jornalismo por paixão. Fiquei extremamente sensibilizada com as condições em que René vivia e como seu laptop, da Redação improvisada em sua casa, era e é um instrumento de mudança social. Sim, porque informar é isso.

Nunca devemos nos esquecer que devemos primar pela informação de qualidade e pelo acesso democrático de todos à ela. E o objetivo não é manipulá-la e sim dar condições para que o leitor, o ouvinte e o telespectador possam ter senso crítico e formular sua opinião acerca dos fatos. Há ainda uma outra palavrinha essencial nesse processo comunicacional: a interação. O receptor não é mais passivo ao que o emissor transmite, ele é ativo e isso revolucionou os meios de comunicação - com os blogs e as redes sociais.

Fiquei admirada de ver o faro jornalístico de René e sua trupe: ele conta com quatro colaboradores.  Todos também querem ser jornalistas no futuro e suas idades variam entre 11 e 17 anos. O jornalista precisa ter uma mola propulsora: a curiosidade de querer apurar bem a informação, fruto desse combustível que nos alimenta diariamente. Nossa “Cidade Partida” foi tomada pela violência do poder paralelo que queria de uma vez por todas mostrar a sua força. Com uma operação orquestrada pelo secretário de segurança José Mariano Beltrame, contando com Marinha e Exército, retomou o que era da população carioca e mais ainda o que pertencia aos moradores da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão: a sua liberdade de ir e vir, os nomes das ruas estampados nas redondezas, coisa que antes eles não tinham e por isso havia dificuldade de receberem cartas, contas e até compras. Enfim a sua dignidade plena como cidadãos.

Num mundo globalizado, em que a geração internet impera, em que há várias críticas ao Twitter, que é a meu ver uma das maiores ferramentas de informação e de socialização, um rapaz mostrou que pode, sim, com parcos recursos, contar os fatos e informar quem estava de fora da favela, mas sem desgrudar os olhos da televisão, em busca de justiça e de informação. René Silva é um exemplo para todos os jovens, estudantes de Comunicação Social ou não, de que é possível transformar a sociedade, basta querer. Um notebook e uma ideia na cabeça, parafraseando o genial cineasta Glauber Rocha.

A missão de informar é árdua, tanto o que se passa numa situação de conflito, como os sinais e sintomas de uma doença, como a dengue, que tem o pilar da prevenção como mote. É na profilaxia que se baseia a Saúde Pública. Evitar água parada, ter cuidados básicos com as plantas, principalmente bromélias, sem deixar que se acumule água, cuidar de caixas d´água para que não acumulem os ovos que a fêmea do mosquito Aedes aegypti deposita. Não despejar lixo em valas, em riachos, evitando que fiquem obstruídos, dentre outros cuidados essenciais.

Há uma interseção, aquele símbolo matemático simples, entre Rene Silva e o seu jornal “A voz da comunidade” e a Dengue: a informação. Ela é preciosa e precisa ser cada vez mais espalhada de forma correta, ética e precisa atingir todas as camadas sociais da população; estimulando cada vez mais o surgimento de blogs, uma de suas maiores manifestações, e o acesso de banda larga gratuito a todos os cantos do país.
          
Essa é a nossa primeira coluna de muitas, espero. E a troca de ideias e a interação farão parte desse espaço através da caixinha de comentários. Prometo me empenhar nessa nova missão assim como eu o faço no Blog da Anninha e no Poltrona de Cinema, meus dois blogs pessoais. É com felicidade e carinho que damos esse pontapé inicial, não à toa, o nome de um dos meus programas preferidos na televisão.

Agradeço à oportunidade que me foi concedida pelo Pedro Migão, o editor do excelente blog Ouro de Tolo, que é parada obrigatória para quem quer se informar e se divertir. Aproveito a ocasião para desejar um Feliz Natal a todos e lembrá-los que o protagonista dessa data especial é o menino Jesus!

Até a próxima!
Anna Barros"


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Final de Semana - "Donna Donna"



Última sexta feira "útil" do ano, duas semanas para terminar um ano de 2010 que, sinceramente, não vai me deixar a menor saudade.

Trago mais uma vez a cantora americana Joan Baez, que embalou muitos dos dias deste ano de 2010 e cujo álbum "Gracias a la Vida", de 1974 (ano em que eu nasci) foi o melhor disco que ouvi este ano. De uma modernidade e de um frescor incomparáveis nas canções latino-americanas do repertório escolhido pela cantora.

Mas a música de hoje é outra: "Donna Donna", que é uma canção clássica do repertório da artista e que possui diversas versões. Coloco aqui uma bonita versão ao vivo do show realizado em Paris em 1983.

Abaixo, a letra em inglês. É uma alegoria que tem como sentido falar de liberdade. Bom final de semana.

"Donna Donna"
(Joan Baez)

On a waggon bound for market
there's a calf with a mournful eye.
High above him there's a swallow,
winging swiftly through the sky.
How the winds are laughing,
they laugh with all their might.
Laugh and laugh the whole day through,
and half the summer's night.
 
Donna, Donna, Donna, Donna; Donna, Donna, Donna, Don.
Donna, Donna, Donna, Donna; Donna, Donna, Donna, Don.
 
"Stop complaining!? said the farmer,
Who told you a calf to be?
Why don't you have wings to fly with,
like the swallow so proud and free?
How the winds are laughing,
they laugh with all their might.
Laugh and laugh the whole day through,
and half the summer's night.
 
Donna, Donna, Donna, Donna; Donna, Donna, Donna, Don.
Donna, Donna, Donna, Donna; Donna, Donna, Donna, Don.
 
Calves are easily bound and slaughtered,
never knowing the reason why.
But whoever treasures freedom,
like the swallow has learned to fly.
How the winds are laughing,
they laugh with all their might.
Laugh and laugh the whole day through,
and half the summer's night.
 
Donna, Donna, Donna, Donna; Donna, Donna, Donna, Don.
Donna, Donna, Donna, Donna; Donna, Donna, Donna, Don."


Jogo Misto - Gustavo Poli


Gustavo Poli, carioca, beirando os quarenta, jornalista esportivo, Editor-Chefe do site Globoesporte.com, autor em parceria com Lédio Carmona (os dois na foto acima) do "Almanaque do Futebol Brasileiro" - do qual tenho a primeira edição autografada e a segunda impressa (risos). Dono do "Coluna Dois", no Globoesporte.com, sobre o lado humano do futebol - embora na visão deste humilde blogueiro seja atualizado com uma frequência bem menor que a desejável...

Assim como nossa primeira entrevistada, embora o conheça pessoalmente (da noite de autógrafos) o diálogo se estreitou através de comentários sobre o pré-sal via Twitter. Discordando em alguns pontos, concordando em outros, estabelecemos um diálogo bastante proveitoso.

Gustavo Poli é o entrevistado de hoje da coluna "Jogo Misto".


1 - O que é ter uma profissão que mexe com o lado mais passional e apaixonado do ser humano? E por que os jornalistas esportivos, em média, não admitem que tem um time do coração ?

GP - A profissão é muito bacana - mas também muito desgastante. Ser jornalista esportivo é não ter fim-de-semana certo de folga quase nunca - e tem um lado de "trabalhar onde os outros se divertem" também, a tal metáfora do ginecologista. As pessoas muitas vezes só enxergam o lado bom.

Sobre assumir time - alguns admitem, outros deixam nas entrelinhas... mas a maior parte oculta. O problema é que o torcedor - e o consumidor de esportes médio brasileiro em geral - não é equilibrado. Ele vê as coisas pelo prisma que interessa - o do clube dele. E ponto. Não sabe separar o pessoal do profissional. Por isso, o receio - justificado - de boa parte da imprensa.

2 - O advento das novas mídias alterou os padrões de comportamento dos profissionais da área e a "busca pela notícia"? Em que consiste transformar a paixão do torcedor em um produto racional como é o noticiário esportivo ?

GP - Esporte é jornalismo - mas também é entretenimento. O torcedor quer notícias do time dele o tempo todo - em qualquer lugar - e em maior quantidade possível. Ele quer mais notícia do que existe, na verdade. Com as novas mídias, a oferta de conteúdo aumentou sobremaneira, mas não o suficiente para saciar esse apetite, que é potencialmente infinito. O que tentamos fazer é entender o cliente - e aumentar a oferta dentro do possível.

3 - De que forma funciona a interação com o torcedor de esportes, que, em última instância, é o seu cliente ?

GP - Queremos oferecer o melhor casamento entre conteúdo (informação), serviço e entretenimento.

4 - O que você pensa a respeito da literatura disponível sobre esportes?

GP - No Brasil é muito escassa - e não temos uma cultura de 'sports writing' como no exterior. Afora a genialidade de Nelson Rodrigues - que elevou a crônica esportiva a outro planeta - e momentos de outros como Mário Filho, Armando Nogueira, Luiz Fernando Veríssimo... não temos a tradição do texto esportivo como em outros países. O jornalismo esportivo durante muito tempo ficou no escanteio da redação.

5 - Um livro inesquecível. Por quê ?

GP - The Waste Land, T.S. Eliot, pelo queixo que até hoje segue caído.

6 - Uma canção inesquecível. Por quê ?

GP - A nona sinfonia de Beethoven - algo que prova que não somos finitos.

7 - Livro ou filme ? Por quê?

GP - Posso ficar no muro? Gosto dos dois.

8 - Finalizando, com os agradecimentos do Ouro de Tolo, algumas poucas palavras sobre o blog ou seu autor/editor

GP - Conheço pouco o Pedro, mas o que conheço é distinto - torce pelo Flamengo, gosta do PT e é amigo do Lédio Carmona, meu primeiro chefe. O Ouro de Tolo? Só sei que merece a leitura.



quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Cinecasulofilia - "cinema, arte perecível"

Bom, em novo dia - quinta feira, mas também será flutuante - a coluna "Cinecasulofilia", assinada pelo cineasta, crítico e professor de cinema Marcelo Ikeda. Hoje, uma reflexão sobre o ato de filmar e os "castelos de areia" envolvidos.

Como sempre, coluna publicada em parceria com o blog de mesmo nome.

"cinema, arte perecível

o cinema em geral é uma arte feita para durar. Os negativos precisam ser preservados. Dos negativos são feitas cópias em base de acetato, material mais resistente que o papel ou que a cerâmica. Um vaso pode ser uma bela obra de arte, mas é delicada e frágil: ao cair, se esfacela. Mas o filme não: é uma arte feita para durar. Pobre cinema!

Algumas vezes tenho a oportunidade de ver lindas críticas de filmes em jornais antigos, e que passaram a servir de embalagem para peixe. O que admiro nas críticas em jornal é seu paradoxo: a necessidade de dar conta em tempo imediato de algo urgente e pulsante, mas que no dia seguinte não tem mais valor. O jornal só é lido no dia; no dia seguinte, vira lixo. O crítico deve dar conta de todo um sentimento de verdade em relação à obra, ainda que saiba que seu esforço no dia seguinte vai para a lata do lixo e que provavelmente ninguém mais se lembrará. São filmes e filmes e filmes; textos e textos e textos. O seu é apenas mais um. Mas o é, e isso é belo.

Gostaria de fazer um filme perecível. Um filme feito num suporte autoinflamável que, ao ser exibido, ele próprio se desfizesse, tal como os downloads de filmes dos netflicks da vida que, após 24 horas, o arquivo é automaticamente deletado do seu computador. Num momento em que Tropa de Elite 2 bate todos os recordes como filme nacional mais visto dos últimos trinta anos, a partir de uma distribuição massiva, em que foi lançado em setecentas cópias em todo o país, eu gostaria de fazer um filme exibido em uma única sessão, cuja cópia única se desfizesse ao final dela. Ao final, os que restassem na sala de projeção – provavelmente três ou quatro amigos – cantaríamos juntos para celebrar a beleza desse ato fugidio, que nesse exato momento, já faria parte do passado.

É como os espetáculos de jazz ou como os recitais de poesia, que acontecem num breve momento e se desfazem ali mesmo. Acontece que a maior parte deles é baseado no improviso e no contato com o público. Como uma festa, é algo que se faz ali no calor do momento, e que não pode ser repetido. Ou que na própria tentativa de repetição passa a ser necessariamente outro. Não é o caso da minha proposta. Nada me dá mais calafrios do que “improviso” e “contato com o público”. Não se trata disso. 

Gostaria de apresentar algo que não se fizesse ali, naquele momento, mas que precisasse de muito tempo para ficar pronto, talvez um ou dois anos – tempo suficiente. Mas que, ainda assim, se desfizesse nessa única sessão. Gostaria que as pessoas soubessem que se demandou um bom esforço, um longo tempo de maturação para que essa obra ficasse pronta, ou ainda, que ela não é concluída e destruída instantaneamente, mas ao contrário: se ela é destruída logo, para que fique pronta, ela precisa de um longo tempo até que possa decantar. Pois não é assim com a nossa vida?

Quanto mais se discutem os canais do cinema independente, e quanto mais vivemos a necessidade da canonização desse novo jovem cinema, cada vez mais tenho a necessidade de me dedicar muito, arduamente, a fazer castelos de areia. Não por pirraça, por ser “do contra”, mas é porque sinto que é a única coisa que posso fazer: ser coerente comigo mesmo. Gostaria de começar agora, agora mesmo, nesse minuto. 

Mas não posso. Tenho que fechar o semestre, comprar um novo computador, passar o final do ano com a família e amigos, tenho que escrever uma dissertação de mestrado, etc, etc. Espero fazê-lo. Se o for, será algo sobre a minha chegada em Fortaleza e meus dias por aqui. Mais um diário de viagem; mais uma carta ao Ceará; mais um filme caseiro; mais um filme sobre mim. 

Afinal, sobre o que mais filmar? Sobre o outro? Que pretensão! Se mal sei quem sou e o que faço! Gostaria de fazer um filme perecível, que subitamente se desfizesse, como a vida. O fato de ser perecível não o faz vão, ou inútil. Longe disso. Creio que existe uma beleza nesse desaparecimento.

(este texto perecível será deletado deste blog em sete dias)"

[N.doE.: mas sobreviverá, resgatado, aqui...]


Esportistas e profissionalismo pela metade


Neste mês de dezembro, início da temporada de recesso das principais competições esportivas, a grande notícia da semana passada foi a divulgação de que o australiano Mark Webber, da Red Bull Racing e que disputou o título da temporada de Fórmula 1 até a última etapa disputou as quatro corridas finais com uma fratura no ombro, fruto de um tombo de mountain bike. Vale lembrar que o referido piloto já havia perdido parte da pré-temporada de 2009 devido a um acidente no citado esporte, onde fraturou a perna.

Nem vou falar do prejuízo em seu desempenho, até porque o jornalista Luis Fernando Ico, do Lance e do Grupo Bandeirantes, em seu blog faz um contraponto bastante interessante sobre isso. Mas quero abordar um assunto que não é somente do piloto australiano, mas é do futebol, dos esportes em geral e que é muito visto quando dos direitos, mas pouco observado no que toca aos deveres: o cuidado com o corpo, os cuidados com a imagem e estes contratos decorrentes disso.

Um contrato de um jogador de futebol ou de um piloto de Fórmula 1, por exemplo, possui uma série de restrições. Não pode andar de moto, eventos de patrocinadores que não os da equipe somente com autorização prévia, tem de estar em casa antes de um determinado horário... Há toda uma preocupação em preservar o desempenho físico do atleta e os direitos dos patrocinadores, que em última análise são quem pagam o investimento naquele atleta e esperam retorno de tal decisão orçamentária. A imagem de um esportista, de um vencedor, vale muito em termos de indução de vendas.

Obviamente, não é um mundo perfeito: basta ver que, volta e meia, vemos notícias de jogadores de futebol e outros esportistas envolvidos em escândalos ou simplesmente "sem saírem da noite". No futebol temos inúmeros exemplos, mas basta se lembrar das carraspanas - e dos vexames públicos - do ex-campeão de Fórmula 1 Kimi Raikkonen para percebermos que não é um fenômeno restrito ao ludopédio. Notem-se também os recorrentes escândalos envolvendo as ligas americanas, até com eventos envolvendo o porte de armas de fogo em vestiários e consumo de drogas.

Vale lembrar que, ao contrário do autor-editor deste blog ou do leitor, um atleta precisa de seu corpo em condições de rendimento máximo para poder desempenhar-se bem. Precisa dormir bem, evitar bebidas alcoólicas de forma constante, alimentação regrada, não consumir drogas e evitar comportamentos de risco. Estes requisitos preservam não somente o desempenho físico de um atleta como a sua imagem.


Imagine o leitor deste Ouro de Tolo, que tem uma jornada normal de trabalho, das oito da manhã às cinco da tarde. Teoricamente ele não depende de seu corpo para alcançar um bom rendimento - o fato de ter ou não uma pequena barriga não me faz mais ou menos produtivo em minhas funções, para as quais fui contratado (no caso, passei em um concurso público) e sou pago. Ainda assim, se chegamos ao trabalho "virados" após uma noite em uma boate ou ainda que não se divertindo, com uma criança muito pequena em casa - passei três anos nesta situação - o nosso rendimento no trabalho sempre cai um pouco, ainda que não perceptivo.

Então, vejamos um atleta que passou a noite na boate ou com várias mulheres, consome álcool e chega para treinar de manhã sem dormir direito e com a alimentação totalmente fora do razoável ? A queda no desempenho é brutal e impacta no objeto da contratação, que é a capacidade física e técnica do esportista.

Eu me recordo que em meus tempos de bateria na Portela - segundo semestre de 2003 e início de 2004 - eu tinha ensaios às quartas feiras até meia noite - vejam, meia noite - e chegava arrasado para trabalhar no dia seguinte. Obviamente, não tinha o mesmo preparo físico de um atleta, longe disso, mas pode ser tomado como um referencial.

O caso do futebol brasileiro é um pouco diferente. O salário de um jogador é dividido em duas partes, a primeira lançada na Carteira de Trabalho e a segunda - a maior delas - em uma pessoa jurídica a título de "direitos de imagem". Este estratagema é utilizado na maioria esmagadora das vezes para burlar o Fisco, diminuindo o recolhimento de impostos tanto para o clube quanto para o jogador.

Por isso, aqui no Brasil ainda não existe esta preocupação que ocorre em países da Europa e dos Estados Unidos a fim de preservar a imagem dos atletas e resguardar seu desempenho físico. Volta e meia vemos notícias na imprensa dando conta de confusões envolvendo atletas em boates e jogadores de futebol com desempenho descrescente receberem imediatamente o rótulo: "caíram na noite". É um dano duplo, porque impacta a imagem e diminui o rendimento físico, base de sua contraprestação de serviço.

Evidentemente, estes "contratos de imagem" acabam sendo pouquíssimo ativados, pois não há o cuidado de incluir cláusulas restritivas e, quando as há, é "para inglês ver". Empresas acabam não atrelando suas imagens a de atletas que deveriam ser exemplos e, frequentemente, estão nas páginas policiais e de fofocas. Causou frisson o caso de um famoso artilheiro de clube carioca (não é o Adriano, que fique claro) que segundo relatos mesmo machucado não saía de um bar de um famoso hotel da capital carioca e ainda se permitia sair com três mulheres na mesma noite. Obviamente, a recuperação de sua contusão levou muito mais tempo do que seria necessário.


Estas anomalias levam a outras, como a formação de "patrulhas de torcedores" pelos bares das grandes cidades atrás de jogadores de clubes em má-fase. No caso recente do Atlético Mineiro, ameaçado do rebaixamento no Campeonato Brasileiro, o próprio presidente do clube incentivou tal prática com a seguinte declaração: "Achei ótimo. Acho que os jogadores têm que se cuidar sim. O Atlético-MG não é brinquedo. E se eles tomarem um cacete na madrugada não vai fazer mal nenhum." Não era mais fácil ao referido presidente ter elaborado contratos que coibissem tal prática e multassem ou rescindissem em caso de aparição na vida noturna ? Ou seja, tem muita hipocrisia no relacionamento entre dirigentes e jogadores.

Um atleta profissional depende de seu corpo para produzir e a carreira é curta. Seus contratos devem prever e garantir que eles estejam sempre em totais e plenas condições físicas e de exploração de imagem. Restrições não são "cerceamento de direitos", mas sim contrapartida ao valor muitas vezes exorbitante pago a estes atletas. As empresas investidoras podem e devem ter retorno aos valores investidos.

Entretanto ainda assistimos a exemplos lamentáveis como o do jogador do Fluminense que deu entrevista dizendo "que vou pra noite sim e me garanto", ou a dupla de ex-atacantes do meu time que foi fotografada na noite carioca com traficantes de drogas. Entre outros casos, seria motivo para rescisão de contrato de imagem e redução ao valor consignado em carteira de trabalho. Mas no Brasil, infelizmente, e em outros lugares do mundo o que ocorrem são apenas os direitos. Na hora de se cumprirem os deveres sempre há uma tendência a estratégias de mitigá-los ou diminuí-los.


Até mesmo coisas simples como omitir os patrocinadores do clube durante entrevistas à televisão ou em premiações deve ser considerado. Ainda temos casos de atletas com patrocinadores pessoais concorrentes do clube que lhe paga os salários - isso não deveria ocorrer em hipótese alguma.

Voltando ao caso que abre este post, acredito que Mark Webber deveria ter sido demitido pela cúpula da Red Bull. Primeiro por ser reincidente e segundo por ter omitido aos seus chefes o que havia acontecido. Contudo, não foi o primeiro nem será o último caso de transgressão que será ignorado pelas regras contratuais.

Finalizo este texto, que não esgota o assunto - longe disso - chamando a atenção para o caso de quase escravidão em que vivem os integrantes de baterias de escolas de samba cariocas. São componentes não remunerados (à exceção dos integrantes da chamada "bateria show", que não chegam a 10% do contingente total) que muitas vezes ensaiam cinco, seis vezes por semana, muitas vezes até de madrugada. É algo análogo à escravidão e reflexo de um processo de profissionalização absolutamente anômalo vivido pelas escolas de samba carioca.

Mas este é tema para um outro post.

P.S. - O leitor ainda pode se inscrever na promoção das camisas autografadas do Flamengo. Basta clicar aqui e seguir as instruções.


quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Mr. Beer and Miss Wine - "Festa Natalina"


Mais uma quarta feira e mais uma edição da coluna "Mr. Beer and Miss Wine", da organizadora de eventos Thatiane Manfredi.

O tema de hoje são dicas para uma festa de Natal em grande estilo. Atendendo à sugestão da autora da coluna, até o final de semana teremos um post com sugestões de cervejas para o Natal - e, posteriormente, outro para o Ano Novo.

"Festa Natalina

O Natal é uma época que costuma sensibilizar as pessoas e desenvolver um sentimento de solidariedade, por mais que eu concorde com alguns pontos da tese do editor desse blog sobre a solidariedade hipócrita do mês de dezembro. Mas é um momento em que as pessoas unem suas famílias, fazem uma ceia, comemoram e distribuem presentes.

Há muitos conflitos de opiniões quanto ao valor religioso da festa, mas o nosso objetivo é outro e vamos explorá-lo.

Com o final do ano se aproximando, as pessoas começam a pensar no que vão fazer: temos os presentes, amigo oculto nas empresas e nas famílias, a ceia de natal e ano novo. O que preocupa mais é saber que nessa época o preço dos de praticamente tudo começa a subir vertiginosamente, principalmente com relação aos alimentos. Por isso o melhor é começar a pensar e precaver do que se fará na grande ceia.

Começar a estocar produto é uma boa dica para que você que não pretende gastar muito com isso. Dividir as tarefas e gastos das ceias com todos que nelas estarão presentes também é uma forma de reduzir bastante os gastos.

As refeições na ceia de natal sempre são típicas, seguem uma tradição, onde cada família tem as suas, mas praticamente todas são iguais. O que não pode faltar em uma ceia é peru ou chester (dependendo do seu bolso, claro), tender, bacalhau, pernil, as frutas secas e as frescas também - afinal esse é um país tropical e rico em frutas. De sobremesa temos panetones, rabanadas, doces natalinos e vale a pena um sorvetinho para resfriar o nosso Natal calorento!

Por falar em calor, uma cerveja de boa qualidade sempre cai bem, não é? Mas acredito que o querido Pedro Migão, autor e editor deste blog, tenha muito a nos acrescentar nessa seara. O Natal na minha casa é sempre servido com vinho tinto, afinal família italiana quando se junta, vocês imaginam, não é? Um bom Carmenère ou Merlot vem sempre a calhar, mas isso só para os acostumados a vinho tinto no verão, porque senão é impossível de aguentar o calor!

Pense no fluxo das pessoas. Separe sempre um ponto de bebida com gelo filtrado para evitar que as pessoas entrem na cozinha, comida está sendo preparada e finalizada lá e não combina com bebida circulando, certo? Coloque as bandejas de comida circundando sua mesa e não no centro da mesma: isso evita acidentes de pessoas tentando se servir. Tenha assentos suficientes para que seus  convidados possam se sentar e usufruir do conforto de uma boa refeição.

Atenção às áreas de maior movimento, como sala de estar, sala de jantar e banheiros e deixe o resto para depois se você não tiver tempo para arrumar a casa nesses dias tão corridos!

A decoração natalina também faz parte da festa e para receber toda família capriche na árvore de natal e nos enfeites. Fica muito bonito colocar velas sobre a mesa, e em pontos estratégicos de sua casa, mas atenção a tecidos próximos as velas, segurança em primeiro lugar!

Deixe seus convidados no clima da festa ao fazer um CD personalizado com músicas de Natal ou outro tipo de música que combine com o tema da festa. Escreva os detalhes da festa na etiqueta do CD.

Os convidados adoram lembrancinhas. Prepare algo para os seus: um pequeno enfeite, um saquinho de doces ou bolachinhas é uma maneira agradável de dizer Feliz Natal. Personalize a noite com uma atividade especial. Peça aos convidados para escreverem uma mensagem de Natal e coloque em balões. Se for possível, leve esses balões para a janela e solte-os para a vizinhança!  Renderão comentários no dia seguinte!

Bom, caros leitores, essas foram algumas das minhas dicas! Gostaria de desejar a todos um natal maravilhoso com muita Luz e felicidades! E gostaria de mandar um beijo  gigante para a minha querida avó Natalina, acredito que todos imaginam o porquê, não é? "


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Pré Sal, Wikileaks e Pedro Migão


Uma notícia bastante importante esta semana, na esteira das revelações do site "WikiLeaks" - sobre o qual tratei semana passada - foram as articulações da Embaixada e das empresas americanas de petróleo no sentido de tentar barrar a aprovação do novo Marco Regulatório no Congresso e suas preocupações de estarem fora da exploração da camada pré-sal. Também há manifesta preocupação com o fortalecimento da Petrobras.

Outro ponto importante são as conversas com o ex-candidato à Presidência José Serra e o compromisso deste de priorizar as empresas americanas de petróleo na exploração desta nova fronteira petrolífera, bem como retomar o modelo de concessão de áreas exploratórias. Aqui eu escrevi o porquê deste modelo ser inadequado para a produção da camada pré-sal. Embora os documentos divulgados não tragam isto explicitamente, pelos trechos divulgados fica claro que o trabalho de desmonte da empresa brasileira de petróleo seria reiniciado em um eventual Governo José Serra, tal como estabelecido entre 1995 e 2001.

O leitor mais antigo do Ouro de Tolo, bem como meus seguidores no Twitter sabem que me bati arduamente na defesa do petróleo em mãos nacionais e de uma Petrobras forte, como operadora do pré sal e instrumento de geopolítica energética. As análises que empreendi no período pré eleitoral caminhavam no sentido agora revelado por estes documentos, que o que estava em jogo nas eleições presidenciais era o controle geopolítico desta fonte de energia. De certa forma, a questão do petróleo foi algo determinante em minha disposição de entrar na arena eleitoral e buscar conquistar alguns votos além do meu à candidata do PT, posteriormente eleita.

Ao contrário de uns e outros, não omito que sou parte diretamente interessada na questão: teoricamente, uma Petrobras forte é particularmente interessante para mim. Ponto.

Os documentos mostram toda a pressão que representantes de empresas estrangeiras fazem junto à Embaixada americana e ao PSDB no sentido de se organizar uma estratégia de lobby no Senado - onde o Governo Lula não tinha maioria e a Presidente eleita Dilma Roussef terá - a fim de barrar a aprovação de nova lei. Percebe-se uma irritação frequente de representantes de empresas estrangeiras - em especial Exxon e Chevron (no Brasil, Texaco) com o que seria uma "inação" da oposição brasileira em combater o novo marco regulatório.

Outra preocupação demonstrada era o avanço das petroleiras chinesas, estatais, na competição pela exploração do pré-sal. A avaliação era de que estas poderiam oferecer uma maior rentabilidade ao governo brasileiro, o que não deixa de ser uma curiosa constatação de que eles mesmos se achavam menos eficientes em comparação à Sinopec, à Cnooc e à PetroChina.

Algo que transparece de forma nítida no material divulgado é como uma Petrobras forte causa receios nos representantes de empresas americanas. O fato de a empresa também controlar as compras de equipamentos e materiais é visto com preocupação, haja visto que sem as petroleiras o mercado cativo para as fornecedoras amercicanas também se perderia.

Que fique claro ao leitor: petróleo é geopolítico, não é uma "commodity" pura e simples. No mundo todo o domínio do petróleo ou é estatal, ou está nas mãos de americanos mais Shell e British Petroleum (BP). Não custa lembrar que as empresas chinesas são estatais e as russas que oficialmente não são na prática é como se fossem - e as duas maiores são estatais plenas.

Isso se torna mais importante ainda ao se perceber que não existem grandes novas fronteiras de descobertas petrolíferas mundiais, e o pré sal brasileiro é a "jóia da coroa". Ainda hoje os países árabes, instáveis politicamente, dominam boa parte da produção, e seria extremamente interessante ao governo dos Estados Unidos um suprimento dominado em um país sem grandes problemas políticos como o nosso. Basta lembrar que boa parte do petróleo importado dos EUA vem da Venezuela.

Ressalte-se, também, a preocupação destes grupos de não atiçar o "sentimento nacionalista" da sociedade brasileira. E, paralelamente, a disposição entreguista de setores oposicionistas. Vale lembrar que a recente capitalização da Cia dará todas as condições à Petrobras de executar o plano de investimentos necessário a tal tarefa.

Finalizando, ontem a Petrobras concluiu a recompra da Refap, Refinaria Alberto Pasqualini, no Rio Grande do Sul (foto abaixo). Em 2001 o Governo FHC entregou 30% dela à Repsol, percentual agora recomprado. É uma mostra interessante do fortalecimento da empresa nacional e do tratamento do petróleo como algo estratégico.

E não deixa de ser auspicioso ver que todas as análises de cenários que empreendi sobre o tema estavam absolutamente corretas. Não sou de me vangloriar mas não deixa de ser reconfortante saber disso, deixando claro que não tenho conhecimento de nenhuma informação que o grande público não tenha e que explano meus posicionamentos, sem falar pela companhia em que trabalho.

P.S. - o post da promoção das camisas rubro negras está aqui. Até domingo você pode se inscrever na promoção.


Samba de Terça - "Aquaticópolis"



Nesta terça feira, retomaremos o tema da coluna anterior e trazemos um carnaval que é declaradamente inspirado no "Tupinicópolis" que mostramos aqui.

A Renascer de Jacarepaguá é uma escola nova, fundada em 1992. Entretanto, suas raízes são antigas, derivadas do antigo bloco "Bafo do Bode", fundado em 1959 - e do qual herdou a quadra, que fica no Tanque, um dos sub-bairros de Jacarepaguá.

A escola oscilou nos grupos inferiores até a chegada do Presidente, patrono e mecenas Antônio Carlos Salomão, consagrado presidente da escola. Em 2005 a escola chegou ao Acesso A, segunda divisão das escolas de samba, e por lá se mantém, crescendo ano a ano em seu desempenho e sua estrutura.


Para 2010, a escola esperava dar mais um salto de qualidade após o surpreendente vice campeonato do ano anterior. Para isso a escola trouxe nada menos que o carnavalesco Paulo Barros, que revolucionara os desfiles nos anos anteriores; e a grande promessa Wagner Gonçalves, com bons trabalhos na Inocentes e posteriormente na Cubango - com um belo enredo sobre a bailarina Mercedes Batista.

Barros e Wagner propuseram um enredo que era uma homenagem e uma referência a Fernando Pinto e "Tupinicópolis": uma cidade aquática, no fundo do mar, uma "Atlântida" no carnaval. "Aquaticópolis".


A sinopse era uma homenagem clara a Fernando Pinto:

"Sinopse

Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará...

...Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo


A Renascer de Jacarepaguá lança um novo olhar sobre o espelho d''agua e vislumbra a sua imagem, distorcida e refletida, parodiando uma ficção de impostação fabulística : a lendária Aquaticópolis. Uma Megalópole Aquática, na qual humanóides, em um jogo lúdico, convivem entre os crustáceos, anfíbios, peixes, moluscos, mantendo uma civilização exótica nas profundezas do mar. O bio-acquo-magnetismo desenvolveu brânquias e membrana nos habitantes dessa fantástica cidade, estabelecendo assim uma força capaz de resistir à grande pressão da água.

Tudo em Aquaticópolis é Biofilosofia Aquática e compõe um Coletivo Aquático, uma Metrópole Marinha.

Aquaticópolis é a ilusão da cidade pós-moderna composta por toda a engrenagem marítima. Imponente e fascinante, esta cidade ergue-se entre algas, corais, bolhas, espumas e águas vivas, decorrente de riquezas naturais. Aquaticópolis é uma carnavalização consciente das necessidades de preservação ambiental.


O cotidiano da cidade navega entre o dia e a noite, velejando por entre as obrigações do dever que envolvem a indústria e o comércio (e a informalidade desses setores); a educação, a segurança e a saúde (e principalmente a falta delas), determinando assim todo o planejamento de uma grande metrópole.

A locomoção na aglomerada cidade se dá através do transporte marítimo resultante de um grande desenvolvimento industrial, com bases nos investimentos na infornáutica e tecnologia, gerando a acqualização profissional do cidadão acquaticopolitano. A concentração e dispersão da cidade vão seguindo todo um mar de movimentos fluindo em perfeita harmonia.

Entretanto, uma tormenta provocada pela Ganância e a Ambição das questões políticas dessa espinha social, desencadearam um choque térmico de ordem e desordem entre os valores, criando assim camadas e escamas sociais. Pérolas da Aldeia Marinha, na qual poucos conduzem o remo e muitos se deixam levar pela correnteza. E assim, entre a maresia e a ressaca, a fascinante Aquaticópolis é incapaz de resolver os problemas de poluição e conter ondas de violência, transbordando o caos e o stress.

A noite na cidade é fascinante. Os shows que embalam a Concha Acústica emitem sons de caráter libertário. A iluminação fluorescente, vinda de peixes bioluminescentes, dando brilho e glamour à cidade, impulsionando novas performances náuticas que geram cardumes de possibilidades. Nos Lençóis, a sensualidade é um mix de moda, cultura e entretenimento.

Em Aquaticópolis, a correnteza represada criou uma sociedade naufragada nas mazelas. E assim, nos desprezados escombros, são reconstruídos valores outrora ancorados na memória em que se entrelaçam presente, passado e futuro, formando um verdadeiro divisor de águas. Inovações e invenções que nos dias de folia fazem com que o povo de Aquaticópolis, abençoado pelo Rei dos Mares, dê um original "banho de mar à fantasia" que vai se renovando sempre como uma onda no mar...

Mergulhe nessa fantasia e venha Renascer em Aquaticópolis.

Para Fernando Pinto e Marvel Stan Lee"



A disputa de samba, no entanto, teve alguns percalços. Passo a palavra ao compositor Gabriel Carqueijo, vencedor em 2009, petroleiro e portelense como eu, que esteve lá e pode dar o seu relato:

(por Gabriel Carqueijo)

"O carnaval de 2010 da Renascer de Jacarepaguá foi desenvolvido pelos carnavalescos Paulo Barros e Wagner Gonçalves. No primeiro encontro com os compositores, durante a apresentação do enredo, os carnavalescos deixaram bem claro que tratava-se de uma homenagem ao carnaval de 87 da Mocidade do genial Fernando Pinto.

Simples assim: algo como substituir os índios e as aldeias daquele desfile por seres marinhos e o fundo do mar. Quinze sambas foram inscritos e, após dois meses de disputa, três composições foram para a final. Os mesmos que haviam participado da final no ano anterior. 

Nossa parceria (Gabriel da Penha, Leandro Nogueira, Luiz Gustavo, Deco e Igor do Cavaco – campeões em 2009), a parceria de Cláudio Russo, Adriano Cesário, Fabio Costa e Cia. e a parceria de Moisés Santiago, Jayme Cesar e Cia.


O samba da parceria do Moisés seguia uma linha mais animada e irreverente, com um refrão bem popular, ao estilo das últimas composições do Salgueiro, sua escola de origem: “Deixa a água rolar (deixa! deixa!) / Vem que eu sou Renascer (vem ver! Vem ver!) / Aquaticópolis, um mundo de magia / É show, é carnaval, é Alegria!”

O samba de Claudio Russo e parceiros não se prendia tanto ao texto da sinopse. Conseqüentemente, era mais poético. A cabeça do samba era bem bonita: “Nas profundezas desse mar / Aqua-cidade da magia / Meu sonho vai se transformar / Buscando a hidroarmonia / Eu vou... / Ao oceano da minha ilusão / Vai navegando o meu coração / Vencendo a bruma / Na branca espuma / Corais... / Manto bordado num grande portal / Meu acalanto a caminho do cais / Brilha a sereia do meu carnaval”.

Nossa parceria optou por descrever o enredo. Detalhes e a ordem da sinopse foram respeitados por nós. De acordo com a sinopse, o enredo começava com a escola de samba lançando seu olhar para o fundo do mar e avistando essa cidade submersa, onde os seres humanos se adaptaram para ali viver, ganhando brânquias e guelras. 

A cidade se desenvolveu, tornando-se uma megalópole marinha. A tecnologia, o transporte... toda a modernidade trazia mais vantagens para a vida ali. A vida noturna também era bastante agitada. Como toda cidade, Aquaticópolis tinha problemas de desigualdade, miséria, pirataria... Mas todos esses problemas eram esquecidos numa única época do ano. Carnaval! O rei dos mares ordenava e os súditos iam festejar!!!


Dessa forma, compusemos o samba levando em conta essa cronologia que destaquei:

"MERGULHEI NO ESPELHO AZUL DO MAR 
A FANTASIA REFLETE EM MEU OLHAR 
BELEZAS DE UMA CIDADE 
ONDE A HUMANIDADE VEIO ENCONTRAR 
A HARMONIA COM A NATUREZA 
TANTA RIQUEZA PARA DESVENDAR 
ASSIM... 
AQUATICÓPOLIS EVOLUIU 
UMA METRÓPOLE ENTÃO SURGIU 
ALÉM DA IMAGINAÇÃO 
INOVANDO O DIA-A-DIA A TECNOLOGIA 
NAS ÁGUAS, A TRANSFORMAÇÃO 

A LUZ DO LUAR VEM PRATEAR 
UM SHOW DE ESTRELAS-DO-MAR 
TUDO É FESTA... ESPLENDOR! 
QUEM DERA CONQUISTAR UM GRANDE AMOR (bis) 

AMANHECEU... 
OS VENTOS TRAZEM A REALIDADE 
PIRATARIA E DESIGUALDADE 
BANHADAS PELA AMBIÇÃO 
CORRENTES DISPUTAM PODER 
O POVO CANSOU DE SOFRER 
NADA PRA SOBREVIVER 
PORÉM... NUM DIA DE MAGIA 
A ONDA DA ALEGRIA INVADE O CORAÇÃO 
É CARNAVAL! 
UM LINDO CORAL CLAMA A PRESERVAÇÃO 

VEM NAVEGAR 
NO OCEANO DE EMOÇÃO 
RENASCE EM JACAREPAGUÁ 
O SONHO DE SER CAMPEÃO"

Aqui o leitor pode ouvir e baixar o samba.


É sempre bastante difícil falar de uma Final quando se perde, mas foi uma final bastante equilibrada, porém com erros da bateria. A Bateria criou uma bossa para ser apresentada no dia da final e que encaixaria nos 3 sambas. 

Durante a apresentação do primeiro samba (Moisés e parceiros) e do segundo samba (Gabriel e parceiros), a bateria não encaixou a bossa, atravessaram o samba e as apresentações, pelo menos no início, foram caóticas, apesar da participação ativa das torcidas. Já no terceiro samba (Cláudio e parceiros), a bossa encaixou perfeitamente.

O site CARNAVALESCO fez a reportagem sobre a Final e mencionou o problema dessa bossa

O samba rendeu muito bem no desfile, a bateria fez uma ótima apresentação e a escola veio bem colorida e com uma curiosidade: SEM PLUMAS! 

Não fosse o problema ocorrido durante a apresentação da Comissão de Frente, quando um integrante da escola empurrou o tripé utilizado pela comissão, o que não é permitido pelo regulamento, a Renascer de Jacarepaguá teria sido vice-campeã novamente, ficando atrás somente da São Clemente."


Bom, o Gabriel já contou de certa forma o final da história, mas vamos retroceder e voltar à noite de 13 de fevereiro de 2010, sábado de carnaval. A Renascer seria a sexta escola a desfilar, posição que tinha escolhido por ter sido a vice campeã no ano anterior.

Após uma comissão de frente não muito feliz - e que seria penalizada - a escola começava a passar, trazendo um sopro de criatividade neste marasmo de plumas, índios, egípcios e cidades que vemos no carnaval atualmente. Todos os elementos de uma cidade iam sendo apresentados de forma inusual e muito feliz.

Eu, que estava nas frisas do Setor 3, imediatamente relacionei a Fernando Pinto o que estava vendo, sob alguns protestos, confesso, de amigos mais antigos. 

As fantasias em espuma relacionavam a muitos o talentoso - e precocemente falecido vítima do drama da cocaína - Oswaldo Jardim. Era como se os espíritos dos dois carnavalescos estivessem permeando e sendo novamente revividos na avenida. Algumas fantasias, como a da arraia carnavalesca (abaixo), eram sensacionais, inteligentíssimas. O samba, embora não tenha sido espetacular, embalou bem o cortejo da vermelha e branca.


Lembro aos leitores que uma escola sem se utilizar de plumas não necessariamente é uma solução de bom gosto: basta ver o que a Portela fez este ano, onde as fantasias também não tinham plumas, mas eram simplesmente lamentáveis...

Apesar do problema da comissão de frente - alegou-se que outras pessoas que não os integrantes dela empurraram o tripé - na visão de muita gente, inclusive eu, a escola saiu do desfile como uma das grandes favoritas à vitória e a única vaga ao Olimpo do samba, o Grupo Especial. Mas...

Em resultado sobre o qual já protestei aqui outras vezes e que até a minha filha mais velha perceberia que não teve muito a ver com o que se viu naquele sábado de carnaval (acho que o leitor entende o que eu quero dizer) a escola sofreu uma penalização de dois pontos e acabou apenas com o oitavo lugar, com 267,2 pontos.

Sem a perda de pontos a escola seria a vice campeã do carnaval, atrás apenas de um inacreditável "10 de ponta a ponta" da "campeã" São Clemente. Infelizmente todo o mundo do samba sabe o que ocorreu, mas provar é que são elas...

Bom, vamos ao samba, da parceria já citada. Abaixo o leitor pode ouvir a versão ao vivo na avenida dele:



"Nas profundezas desse mar
Aquacidade da magia
Meu sonho vai se transformar
Buscando a hidro harmonia
Eu vou ao oceano da minha ilusão
Vai navegando o meu coração
Vencendo a bruma na branca espuma
Corais, manto bordado no grande portal
Meu acalanto a caminho do cais
Brilha a sereia do meu carnaval

O tempo não para, como uma onda no mar
No espelho d'água, eu hoje vou me acabar
No horizonte de peixes minha paixão
A minha fonte de inspiração

Tormenta social
Corrente da ressaca de ambição
É tão desigual a maré da exclusão
A noite traz um show de cores que fascina
A concha faz um som que treme a marina
Embaixo dos lençóis a sedução
E a comunidade é abençoada
Pelo rei dos mares, assim embalada
Renova seus sonhos, renasce então
Na face de um folião

Sou Renascer de Jacarepaguá
As águas vão rolar, é carnaval
Vem mergulhar nessa alegria
Eu quero ver banho de mar a fantasia"

Abaixo, podemos ver mais um vídeo do excelente desfile da escola. Mas nem tudo foi decepção: Paulo Barros conquistaria seu primeiro título de campeão do carnaval pela Unidos da Tijuca, e com a boa repercussão do desfile da Renascer Wagner Gonçalves transferiu-se para a Estação Primeira de Mangueira.

Nada mal.



(Fotos: Arquivo Pessoal Pedro Migão)


P.S. - O post com a promoção das camisas rubro-negras está aqui embaixo

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Promoção: Camisa Autografada do Flamengo - e mais uma


Quem me acompanha no Twitter sabe que há algum tempo venho prometendo fazer uma segunda promoção envolvendo uma camisa de jogo autografada do Flamengo. Pois bem, chegou a hora.

A camisa acima é um exemplar preparado para jogo - embora não tenha chegado a ser utilizada - e é uma parceria do blog com o amigo Sérgio Merçon, que de vez em quando descola umas raridades destas para mim. Ela tem o tamanho G, ligeiramente maior que o vendido em lojas, o número 22 e, obviamente, o nome Vinícius.

O uniforme tem menos autógrafos que o exemplar anterior, devido a ser final de temporada. Constam Marcelo Lomba, Juan, Angelim, Kleberson, Fernando, Maldonado, Wellington e Willians.

Só que o blog tem uma outra surpresa: sortearemos uma segunda camisa. É um exemplar de treino, cinza, de mangas compridas, bastante raro - não foi vendido em loja. Possui o número 41 e o nome Antonio (volante reserva), está com a etiqueta ainda e é tamanho G como a anterior (abaixo). É uma boa oportunidade de desfilar com um modelo praticamente exclusivo.


Para participar da promoção é simples: basta deixar uma mensagem na área de comentários deste post com nome e sobrenome (não vale apelido), cidade, e-mail e indicar um post do Ouro de Tolo que tenha interessado ao leitor. 

Ah, e escolher se prefere que haja um único sorteio - com o ganhador levando as duas camisas - ou dois consecutivos, com os repectivos ganhadores lavando pela ordem a branca autografada e a cinza. A opção mais votada será a que respeitarei.

O sorteio será feito levando-se em conta a opção vencedora e divulgarei o resultado aqui mesmo na segunda feira que vem. Se o(s) ganhador(es) for(em) do Rio de Janeiro ou Niterói solicitarei que retire o prêmio comigo. Caso seja de fora do Rio de Janeiro, enviarei pelo correio. Ressalvo que em caso de envio postal somente o farei no primeiro dia útil após o Natal, por questões de confiabilidade do serviço.

Não podem participar da promoção meus parentes.


Caso você não seja o vencedor, há a opção de adquirir uma camisa utilizada em jogo, a um preço pouco acima do encontrado em lojas, e muitas  vezes raridades não encontradas nos pontos de venda de material do clube. Basta clicar aqui e enviar um e-mail para o Sérgio, nosso parceiro nesta promoção, e ele saberá atender ao desejo de ter uma camisa, certamente, exclusiva. O cara é fera, honesto e eu recomendo.

Sem dúvida alguma é uma boa opção de presente de Natal: uma camisa rubro-negra exclusiva, a um preço acessível.

Ainda este ano farei mais duas promoções: uma envolvendo um agasalho completo do Campeão Brasileiro de 2010 - o Fluminense - e outra envolvendo o sorteio de livros.

Boa Sorte !



domingo, 12 de dezembro de 2010

Bissexta - "A Cigarra e a Formiga"


Domingo, confraternizações de final de ano se avolumando, e temos a coluna "Bissexta", do advogado Walter Monteiro.

O tema de hoje é uma comparação entre o Flamengo e o Internacional, onde os tamanhos e expressões de um e outro são comparados bem como a liderança em gestão que o clube gaúcho tem e a desorganização lendária e habitual do clube da Gávea - sobre a qual já tratei em outras ocasiões.

Mas vamos ao texto, que ficará mais claro para o leitor. E informo que amanhã começa a promoção das camisas rubro negras aqui no Ouro de Tolo.

"A Cigarra e a Formiga

Um jornalista esportivo publicou em seu blog esta semana a informação de que o Internacional de Porto Alegre, mesmo sendo quase 7 vezes menor do que o Flamengo em número de torcedores possui muito mais dinheiro, patrimônio, infra-estrutura e facilidades para montagem do elenco. 

Eu participo de uma lista de discussão muito ativa de rubro-negros país afora (foi lá que eu conheci o Editor-Chefe do Ouro de Tolo e o ilustre redator da “Sobretudo”). Um amigo nosso estava de passagem por Patos de Minas em afazeres profissionais e foi lá que leu a notícia. Ficou tão indignado que largou incontinênti a doce companhia de belas patenses (para quem não sabe, além de milho, a terra é fértil em misses, fica a dica aí para o leitor solteiro) e pôs-se a teclar aquela conhecida ufania flamenguista, lembrando que o Flamengo é tão f... mas tão f..., que não apenas tem seis títulos brasileiros enquanto o Inter, coitado, só tem três e que ali mesmo, em Patos de Minas, ele ainda não tinha tido a chance de cruzar com nem um mísero colorado. Muito embora já tivesse tropeçado em dezenas de rubro-negros e em moças deslumbrantes (voltei ao tema das beldades, porque ao que tudo indica o local é de uma seriedade ímpar nesse quesito).

Como eu sou a maior autoridade da dita lista rubro-negra em Inter e Grêmio, por ser residente na terra deles, me senti impelido a retrucar. Eu disse a ele que não me levasse a mal, mas pensamentos como esses é que explicam a razão de um time minúsculo, de uma cidade que é apenas a 10ª do país, ser a maior arrecadação do futebol brasileiro. 

Além do mais, fez em 2010, a sua sexta temporada em alto nível, sempre brigando por títulos, enquanto o Flamengo vai do céu ao inferno em questão de meses, como aconteceu em 2007 (do inferno ao céu) e agora em 2010. Estranho não é o Flamengo ter torcedores em Patos de Minas e o Inter não ter. Estranho é o Flamengo, tendo tantos torcedores, ser tão menor que o Inter no item das receitas.

A forma de tratar o torcedor é uma das explicações. Se um dia o Flamengo for jogar em Patos de Minas, os jogadores vão chegar de cara amarrada no aeroporto, os dirigentes idem, a segurança vai fazer de tudo para afastar os torcedores do convívio com a delegação, a diretoria vai se refastelar de whisky e champagne no bar do hotel, protegida pelo olhar vigilante dos capangas que estão ali para afastar os chatos que insistem em tentar algum contato com o clube.


O Inter, ano passado, fez a sua estreia na Copa do Brasil em Rondonópolis. O Consulado Colorado da região organizou um jantar com os dirigentes do clube, a preços altos. Lotou. Veio gente de tudo quanto é lugar de Mato Grosso e Rondônia só para ter a chance de trocar umas palavrinhas e ouvir o discurso dos dirigentes presentes. Para ter esse privilégio uma vez na vida os gaúchos migrantes do Norte e Centro-Oeste aceitam pagar R$ 22,00 por mês para serem sócios torcedores, ainda que saibam que raramente irão a um estádio.

Eu sou o responsável pela “Embaixada” do Flamengo em Porto Alegre. Quando o time vem jogar no Sul, uma semana antes do jogo a PM me liga, eu entro em contato com o Inter ou com o Grêmio para cuidar dos ingressos e da segurança, cuido da festa, falo com a imprensa. Enfim, cada jogo aqui me dá um trabalhão.

Agora, se eu cometer a imprudência de ir ao aeroporto com meus colegas de arquibancada para receber o time e incentivá-lo, o aborrecimento é certo! A cena é sempre a mesma, o chefe da segurança, sai na frente, identifica a nossa incômoda presença e saem todos por um caminho alternativo. 

Se eu for ao hotel, nenhum dirigente me dirá nem obrigado pela preparação que fiz, que dirá permitir que eu chame alguns torcedores locais influentes para alguma tietagem. Aliás, se eu for ao hotel de camisa do clube, não vou chegar nem na recepção. É por isso que eu não vou. E eu sou o que eles chamam de "Embaixador". Como o Flamengo espera que seus abnegados fãs gaúchos se animem a comprar tijolinhos se eles são repelidos nas poucas chances que têm de interagir com o clube?

Essa semana eu vi o Inter colocar 27 mil pessoas no Beira-Rio, pagando R$ 5,00, para dar tchau ao time e ver um filme no telão do estádio. Caramba, o time entrou em campo, acenou para a torcida e foi embora para Abu Dhabi. E o clube faturou uma fortuna com essa besteira, não apenas com os ingressos em si, mas com a quantidade absurda de vendas nas lojas oficiais - tem um tal pano árabe em vermelho para colocar na cabeça que está vendendo mais do que cerveja no bar da Fla Manguaça. [N.doE.: Fla-Manguaça é uma das torcidas organizadas do Flamengo. Tenho alguns bons amigos que fazem parte dela]

Enquanto o Inter vai contratar um CEO (executivo) de primeira linha para gerir o clube a partir de 2011, conselheiros do Flamengo se engalfinham por conta de um aluguel para um posto de gasolina - não sei e nem quero saber quem está com a razão, mas só o fato dessa discussão tomar o vulto que tomou no Clube de Regatas do Flamengo mostra o quanto o Flamengo anda pensando pequeno e o Inter, ao contrário, se agiganta.

Acabei respondendo diretamente a indagação do dileto amigo, para devolvê-lo o quanto antes ao convívio das patenses (desculpem a insistência, mas é para não deixar nenhuma dúvida acerca da qualidade do plantel local). 

É fácil saber o porquê do Flamengo ter mais títulos brasileiros do que o Inter: porque dos seis títulos que o Flamengo tem, cinco foram conquistados pela mesma geração, a dupla Zico/Junior, que hoje são dois respeitáveis avôs. E naquele tempo a gestão era muito mais simples, porque ninguém precisava prestar muita atenção no equilíbrio entre receitas e despesas.

O nosso amigo, diga-se de passagem, não se vangloriou à toa. Seu comportamento é absolutamente coerente com a, digamos, ideologia flamenga. Praticamente todo flamenguista que eu conheço pensa exatamente como ele - vá lá, eu também. Vamos todos na linha do “Mengão Fodástico Doutrinador Supremo do Universo”, para parafrasear o mais famoso blogueiro rubro-negro. Mas é nessa linha 'wishful thinking' que o clube vem sendo administrado há anos. Há uns 20 anos, pelo menos. Eu, torcedor, posso pensar assim. Um dirigente, jamais!

Pois o que deve preocupar a todos nós não são os títulos que o Flamengo tem a mais que o Inter (ou o Vasco, o Corinthians, o Cruzeiro,...) mas sim os que ainda seremos capazes de conquistar. Porque, como ficou provado, em 2009 o Flamengo foi campeão graças à mística, ao embalo da torcida e à sorte. Como o Inter não tem mística e tem uma torcida pequena, ele prefere não acreditar na sorte e se planeja. Quem dera o Flamengo fizesse o mesmo... 

Porque quem conta sempre com a sorte, acaba dando chance ao azar!