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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Dia de Prova

Segunda feira muito corrida, retirando ingressos de carnaval e tentando resolver um probleminha de trabalho neste penúltimo dia de férias.

Mas queria falar da experiência de voltar a fazer prova depois de um longo tempo. Resolvi encarar a prova do concurso do Banco Central, organizada pela Fundação Cesgranrio. Sempre se pode tentar progredir.

Minha última experiência, em 2005, havia sido traumática, com ameaça de voz de prisão devido à desorganização geral. Desta vez, todavia, disso não posso me queixar.

A fundação foi muito feliz em marcar as provas para o Campus da Universidade Estácio de Sá no shopping Nova América. Como as provas durariam o dia inteiro, facilitou muito a logística de estacionamento e, especialmente, de alimentação.

A estrutura da universidade é simples, mas até que bastante funcional. Pelo menos o ar condicionado estava funcionando, o que foi uma façanha e tanto para o calor escaldante do domingo ensolarado que fez.

Levando-se em conta que não consegui estudar praticamente nada, não achei as provas difíceis. Ainda dei sorte do tema da redação - sobre as declarações do economista Paul Krugman referentes ao Brasil - já ter sido objeto deste blog. Obviamente fui muito mal em estatística e econometria, e a experiência de seis anos com rating me ajudou muito nas questões sobre contabilidade bancária.

Por outro lado, os anos recentes trabalhando mais com administração e gestão cobraram seu preço na parte destinada à teoria econômica.

Um fato curioso é que aproximadamente 20% dos candidatos que fizeram a prova matutina não voltaram para o segundo tempo, à tarde. Outra coisa é a paranóia do concurso: as moças, por exemplo, não podiam manter os cabelos soltos e relógios não analógicos também foram proibidos, por exemplo.

Vendo o gabarito na noite desta segunda descubro que fiz a metade dos pontos na parte geral e um terço na prova específica - isto se anotei certo as minhas respostas. Não deverá ser suficiente para classificação, mas não considero ruim. Lamentável, apenas, minha nota em português, onde esperava gabaritar e errei a metade.

Vida que segue.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Sobretudo



Mais um sábado, e dia de nossa coluna "Sobretudo", do amigo e publicitário Affonso Romero.

O tema de hoje é racismo, o sistema de cotas e a reação a este. Confesso que discordo da tese defendida pelo texto, mas recomendo fortemente a leitura. Bons e inteligentes escritos sempre merecem a leitura, e o exercício do contraditório é uma marca do Ouro de Tolo.

"O Ovo da Serpente tem casca fina

A parede de um dos blocos da UERJ amanheceu pichada com a expressão “Fora Pretos”, junto a uma suástica invertida. Num caso assim, a ignorância não pode ser usada como justificativa. Nada justifica o racismo ou expressões de neonazismo. Mas a ignorância é reveladora, em muitos sentidos, alguns mais, outros menos evidentes.

A suástica é um símbolo milenar, aparentemente surgido na cultura hindu, mas seu uso por parte do nacional-socialismo alemão na primeira metade do século XX anula qualquer outra interpretação possível que já pudesse ter tido. A suástica tornou-se o símbolo máximo do anti-humanismo, da intolerância, do racismo e da violência. A reprodução de uma cruz suástica já encerra, em si, uma manifestação de ignorância. Ao invertê-la, o autor da agressão demonstra uma ignorância dupla.

Supostamente, a suástica não foi usada por “arianos puros”, seja lá o que isso queira dizer. Deve ter sido usada por um brasileiro comum, tão miscigenado quanto 95% da população brasileira, alguém que, em outra circunstância e lugar, poderia ter sido perseguido por nazistas por não ser suficientemente “puro”.

A expressão “Fora Pretos” é inequivocamente racista e, considerando-se isso, a manifestação torna-se triplamente ignorante. O racismo, seja lá por qual forma se manifeste, é um conceito anacrônico à luz da ciência, como se já não bastasse ser um reflexo da intolerância para com as diferenças, uma forma de arrogância coletiva de grupos majoritários. Hoje, além de qualquer pensamento humanista, análise filosófica ou antropológica, o racismo é a revelação do desconhecimento de que os homens não podem ser, cientificamente, divididos a partir de características morfológicas tais como cor da pele, tipo de cabelo ou traços fisionômicos.

Estamos lidando, portanto, com um elemento (ou grupo de elementos) desprovido de informações mínimas, com uma expressão crua de estupidez cravada no seio de uma das mais importantes universidades do País.

E, então, faz-se necessária a pergunta: alguém ainda se surpreende? É novidade para alguém que nossas universidades são habitadas por uma fauna tão diversa, que vai do mais culto brasileiro a ignorantes capazes de desconhecer o mais óbvio dos fatos, até mesmo a ideologia que dizem professar? Eu sou um otimista, e ainda acho que há uma parte considerável de cultos e doutos. Mas é inegável que há uma maioria de ignorantes no universo acadêmico.

A UERJ fez o que se esperava dela: falas de repúdio, promessas de investigação, prazos breves para que a tinta cobrisse a vergonha. Resta a torcida para que o processo vá além de uma investigação policial, mas que a comunidade acadêmica se dê ao trabalho de tentar compreender o que está por detrás desta manifestação.

O que vem alimentando a ignorância é a própria ignorância, assumida como política pública. O que alimenta o preconceito é o próprio preconceito, assumido como princípio ideológico. Depois que foi adotada a política de cotas “raciais” nas universidades públicas brasileiras, aumentaram os casos de intolerância racial, de conflito entre grupos de estudantes, de estigmatização de grupos e de valoração do aspecto morfológico no (pré)-julgamento dos indivíduos.

Não precisamos ser ingênuos e fingirmos acreditar na utopia de democracia racial que alguns quiseram impor ao Brasil, negando o evidente ranço escravagista de nossa sociedade. Existe um passivo social, de natureza predominantemente econômica, mas com viés racista.

A solução proposta, de criar mecanismos artificiais compensatórios, imita tentativas norte-americanas e faz uma abordagem similar para um problema que, se é igual na origem, é completamente distinto nos desdobramentos, na forma e nos efeitos.

A sociedade norte-americana é, desde todo o sempre, guetificada. Isso significa que as interações entre grupos étnicos diversos são mais escassas, perpetuando o estranhamento e o preconceito entre os grupos. Isso vale para negos, mas também para judeus, italianos, orientais, católicos, latinos e todos as nacionalidades de imigrantes, quase sempre reunidos em áreas delimitadas, mesmo nos grandes centros urbanos. Os negros tinham contra si a herança escravagista e a obviedade de sua origem expressada pela cor da pele. Portanto, era necessária uma política pública explícita de integração desses grupos, em nome de uma unidade nacional que, até hoje, não foi conquistada plenamente. O resultado destas ações políticas são polêmicos nos meios intelectuais americanos e não é por acaso que Barak Obama é reconhecido como afro-americano, mas não é herdeiro da diáspora africana.

No Brasil, temos ranço escravagista, mas isso supera em muito a questão das relações interpessoais baseadas na aparência. Isso existe, evidentemente, mas é periférico, pontual, depende de questões individuais. Socialmente, o buraco á bem mais embaixo: é a polícia, composta majoritariamente de pretos e pobres, que desce a lenha indiscriminadamente numa população majoritariamente preta e pobre, reproduzindo o capitão-do-mato ou as milícias africanas que se embrenhavam nos sertões (brasileiros e africanos) para caçar escravos para o senhor branco.

Preterir estudantes brancos nas universidades, com a criação de cotas para estudantes negros, é punir um grupo social como se este grupo fosse beneficiário de um período da História que prejudicou o outro. É considerar que, historicamente, apenas os brancos se beneficiaram da escravidão, e apenas os negros a sofreram.

Imagine um cidadão de aparência indiscutivelmente branca, mas com antepassados negros, índios, orientais, árabes. No Brasil, isso é absolutamente plausível. Imagine este cidadão estando num estrato social que não lhe tenha oferecido a oportunidade de frequentar uma boa escola. E, mesmo assim, ele se classifica bem no vestibular, a ponto de estar próximo á obtenção de uma vaga na UERJ. Imagine que a vaga que ele poderia ter conseguido lhe foi tirada pela política de cotas, em benefício de um estudante de aparência indiscutivelmente negra, de classe média, que veio de uma boa escola e que cujo tataravô, também negro, ganhou muito dinheiro no século XIX como comerciante de... escravos!!! Ora, no Brasil, esta é uma situação para lá de factível. E o que ela significa em termos de justiça social ou racial? Nada, absolutamente nada.

Mas situações como esta ajudam a plantar na sociedade a semente do ressentimento, acionam o sentimento de revanche, criam fossos e guetos e, principalmente, reforçam a crença de que seres humanos podem ser classificados, separados e etiquetados por raças. Ora, se existissem raças, uma poderia muito bem ser superior à outra, neste ou naquele quesito, não? E este era o princípio do racismo. Uma vez que a ciência demonstra que isso simplesmente não existe (não apenas a valoração de raças, mas o próprio conceito de raças), vamos insistir nisso para quê?

Há textos (até livros) que se aprofundam na questão. Pessoalmente, eu recomendo qualquer manifestação, por escrito ou não, do sociólogo Demétrio Magnoli, do jornalista Ali Kamel ou do professor e economista (e ex-Presidente do BNDES, ex-Reitor da UFRJ) Carlos Lessa. Obviamente, eles são mais apetrechados do que eu para uma discussão em bom nível e, independentemente de sua opinião, é sempre um prazer intelectual ler e ouvir o que eles têm a dizer.

Eu fico num primeiro estágio, de constatar que há um acirramento da chamada questão racial no Brasil depois que começou-se a praticar a separação oficial da sociedade em grupos parametrizados por características etnográficas. Esta constatação é, por si só, alarmante. O ovo da serpente está aí, diante da sociedade. A quem interessa que ele seja chocado?"

domingo, 29 de novembro de 2009

Ficção Universitária


Essa é da série que, como diria o Marco Aurélio Mello, são "histórias de ficção".

Digamos que uma grande universidade brasileira tenha feito seleção para ingresso de mestrandos em determinado curso. Em uma seleção destas, são aceitos candidatos com origem de graduação de todas as instituições a oferecer cursos que atendam aos requisitos de determinado mestrado.

Também tomemos como fato que os candidatos a mestrandos tenham de apresentar um projeto de dissertação a ser desenvolvido durante o curso, muitas vezes derivados dos trabalhos finais apresentados no final da graduação.

Pois é: dos dez aprovados após as provas, entrevistas e análise de currículos, oito fizeram graduação no mesmo departamento da grande universidade que oferece o referido curso de mestrado.

Mais: destes oito, cinco foram orientados no trabalho final de graduação por  professores da banca julgadora do concurso.

Restaram dois aprovados, certo ?

Um deles veio com o projeto de dissertação já acertado para ser orientado por um dos professores da banca, e o outro é um jornalista estrangeiro que presta serviços de tradução a este departamento, por um lado, e consegue livros importados na referida língua, por outro.

Mais: como a classificação acabou exatamente desta forma ? A diferenciação foi feita pela nota da prova; a suspeita é de que tais foram 'corrigidas' tendo ao lado o currículo dos candidatos. Como se diz em contabilidade, a boa e velha "marreta".

Isto é Brasil. Mas, se me perguntarem se é verdade, nego até a morte.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Mais concursos universitários

O post sobre o concurso do Departamento de História da UFF gerou certa polêmica. E hoje recebi um e-mail, de pessoa que pede para não se identificar - mas autorizando a publicação - contando sobre o procedimento em concurso da UFRRJ:

"Olá Pedro,

Sua resposta acabou me incentivando a redigir uma explicação completa sobre o caso. Lembrando que este fato aconteceu na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro há cerca de dois meses, em um concurso para o Departamento de Administração.

Normalmente, em qualquer concurso público para docente, é procedimento regular divulgar os nomes do inscritos com antecedência. Isso acontece por alguns motivos. Primeiramente, nós professores de ensino superior temos um registro de nossos currículos em uma plataforma internacional chamada Plataforma Lattes, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). Com a divulgação dos nomes dos inscritos, temos como saber qual o nível dos concorrentes. Isso pode fazer com que eu, que atualmente moro em Minas Gerais, desista de participar do Concurso caso veja algum candidato com maior experiência.

O custo de deslocamento é alto e caso algum concorrente seja "muito gabaritado", ele leva ampla vantagem na avaliação chamada "Prova de Títulos". Pois bem, no concurso para a área de Marketing da Rural eles não divulgaram o nome dos inscritos. Isto causou certa estranheza, já que além de procedimento normal, TODOS os outros concursos realizados pela Rural tiveram o nome dos inscritos publicados no site oficial. Como você pode conferir no link a seguir, isto não foi feito (
http://www.ufrrj.br/concursos/av.adm-merc02_2009.htm).

Em segundo lugar, normalmente é feita uma "leitura pública" da prova. Normalmente, a prova de docência envolve o sorteio de um tema com realização de prova escrita com duração médioa de três horas. A leitura pública exime pequenas distorções na caligrafia ou utilização de termos técnicos e teóricos que podem decidir a avaliação. Este procedimento também foi retirado pela banca examinadora, que também revelou que o resultado da prova escrita seria informado via telefone. Um absurdo.

Agora a cereja do bolo é a seguinte: na data da prova, eu fui um dos três últimos a terminá-la. Como procedimento de praxe em concursos, você deve aguardar os outros dois candidatos terminarem a prova e todos deixarem a sala de provas em conjunto. Pois bem, isso foi feito. Agora, qual foi a minha surpresa ao descobrir, no fim da prova, que um dos candidatos trabalhava justamente no Departamento de Administração como Professor Substiuto. O Professor Substituto possui um contrato de dois anos apenas com as instituições de ensino. Resumindo: como não foram divulgados os nomes dos inscritos, somente eu e outro candidato soubemos do fato. No dia seguinte, recebi o telefonema informando de que não havia sido aprovado. Perguntei sobre as notas das avaliações e eles disseram que divulgariam no site oficial. Estou esperando minhas notas até hoje...
"

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Uma imagem vale mais que mil palavras

Concurso para Professor de História da UFF, cartaz afixado no mural em frente aos elevadores, no quarto andar, bloco N.

Colaboração do leitor Fabrício Gomes.

Agora, é aguardar o Diário Oficial...