Os leitores deste espaço devem ter percebido que fiquei meio
fora do ar neste último feriado. Serviu apenas para se perceber como é ruim a
programação da televisão aberta, a única disponível no hospital onde estava.
Mas, sem dúvida, a grande polêmica dos últimos dias, pelo
que pude perceber, foi a reedição dos métodos empregados pelo candidato à
prefeitura de São Paulo José Serra na campanha presidencial de 2010, estando no
centro da questão, desta vez, a homofobia.
Naquela ocasião a candidatura tucana espalhou uma série de
boatos infundados com atrocidades do tipo “Dilma vai permitir o aborto de oito
meses”, “o homossexualismo será obrigatório”, “vão tomar casas para colocar
nelas beneficiários do Bolsa Família” e estupidezas semelhantes. Era uma
estrutura oficial da campanha de José Serra à época, diga-se.
A mesma coordenação de campanha que também espalhou milhares
de “santinhos” de propaganda com os dizeres “Dilma 45”, com o objetivo óbvio de
confundir a população e angariar votos para Serra “no grito”. Cheguei a ver
alguns destes aqui no Rio de Janeiro.
Ainda em 2010
a questão do aborto foi colocada de forma histérica pela
mulher do então candidato, refletindo uma pregação de setores religiosos mais
conservadores. Até se descobrir que a mesma havia feito tal prática – ou seja,
um caso clássico de hipocrisia.
Parêntese: pessoalmente sou contra o aborto, mas não acho
certo politizarem a questão da forma como foi feita.
Neste segundo turno Serra repete os mesmos velhos e
totalitários métodos em sua campanha à Prefeitura de São Paulo, em que enfrenta
o petista Fernando Haddad.
Sua candidatura enfrenta problemas: a péssima avaliação do
Prefeito Gilberto Kassab, lançado por ele e que o apóia, bem como a percepção
por parte da população de que o poder público no mínimo está se omitindo na
questão dos incêndios em favelas – que, curiosamente, diminuíram logo após o
primeiro turno.
Sobre o próprio Serra pesa a desconfiança da população de
que ele irá novamente se afastar do cargo para se candidatar a presidente em
2014, repetindo o que já fez como senador (eleito em 94), Prefeito (2004) e
Governador (2006). Em nenhum destes casos ele concluiu o mandato.
Tal e qual 2010, Serra repete a mesma estratégia de
desinformação, aliando-se a setores ultraconservadores para difundir uma
corrente de medo no eleitorado e aparecer como a salvação de São Paulo.
Desta vez, o alvo é um alegado “kit gay” que Haddad,
enquanto Ministro da Educação, teria mandado distribuir nas escolas. Segundo
Serra e aliados como o Pastor Silas Malafaia – que defende abertamente a
violência contra os homossexuais, diga-se de passagem – o tal kit seria um
“estímulo à homossexualidade” e que esta “deveria ser extirpada da sociedade
brasileira".
Na verdade o tal “kit gay” – que acabou não sendo
distribuído devido a pressões de aliados evangélicos da presidenta Dilma – nada
mais era que uma série de orientações a professores e educadores de colégios
que enfrentassem problemas de discriminação a homossexuais, cada vez mais
comuns em nossa sociedade.
Contudo, a fim de penetrar em um eleitorado de condições
sociais mais humildes – e que jamais votaria nele – Serra aliou-se a Malafaia e
a outros religiosos conservadores para brandir o tal “kit gay” de Haddad como
um “desrespeito” aos valores cristãos e à família. Está sendo colocado pelo
candidato como um “incentivo” ao homossexualismo, que Haddad tornaria
“obrigatório” e “coisa do Capeta”.
Isso, em uma cidade onde episódios de homofobia, com
situações de extrema violência, sucedem-se quase todas as semanas. São Paulo
hoje é uma das cidades mais hostis a gays entre as grandes capitais, de acordo
com relatos recorrentes de associações e grupos de defesa homossexual.
Serra está dando voz e vez a estes grupos homofóbicos, o que
me leva a pensar o seguinte: se eleito, estabelecerá perseguições a este grupo
ou então fará “vistas grossas” a episódios de violência contra homossexuais
perpetrados por skinheads ou evangélicos?
Contudo, temos aí outro caso de hipocrisia eleitoral
explícita: quando Governador, em 2009, Serra patrocinou kit parecido nas
escolas estaduais. Ou seja, tal e qual o caso do aborto de 2010, ele critica
algo que já fez.
A peroração dos evangélicos, em particular, é de que o “kit
gay” iria incentivar o homossexualismo. Caso isso fosse verdade, bastaria se
elaborar um kit “hétero”, como bem lembrou a jornalista Milly Lacombe no
Twitter. Ora, não será uma cartilha que visa a esclarecer e prevenir a
discriminação que vai definir a opção sexual de uma pessoa.
Pessoalmente, como já toquei neste blog, penso que a
homofobia é apenas uma das faces visíveis de um fenômeno mais sério, chamado
intolerância. Lembro aos leitores que incentivar o preconceito ou ações
violentas contra homossexuais, incrivelmente, não é crime. O projeto de lei que
criminaliza a homofobia está parado no Congresso devido à pressão da bancada
evangélica.
Aqui no Rio tivemos dois vereadores eleitos com bandeira
aberta defendendo a homofobia, um deles pupilo do Pastor Malafaia e outro filho
do deputado federal Jair Bolsonaro. Este último dizia em sua campanha que “a
família brasileira precisa ficar livre dos gays”, como se estes fossem uma
doença. Sinceramente, lamentável que isto ainda ocorra.
Lembro aos leitores que os homossexuais pagam impostos, trabalham,
cumprem seus deveres de cidadão e estão regidos pelas mesmas leis aplicadas aos
heterossexuais. Por serem gays e lésbicas não podem ter os mesmos direitos?
A sociedade e a legislação brasileira tem sim de prever os
mesmos direitos, em especial o de reconhecer as uniões estáveis – e aqui não me
estenderei sobre o conceito de família, não é o foco – e prever que estes
possam amar em liberdade sem serem alvo de episódios de violência, ou não terem
perante a lei os mesmos direitos dos heterossexuais.
Violência deve ser coibida independente de quem seja o alvo.
Esta pregação de que “contra os gays pode” me incomoda profundamente,
especialmente se vinda de grupos religiosos ou de agentes públicos. Preconceito
deve ser combatido seja qual for.
Infelizmente José Serra, ao invés de debater os problemas da
cidade, parte para esta campanha difamatória e obscurantista. Espero que o povo
de São Paulo aposente este sujeito no próximo dia 28.
Em tempo: sou heterossexual e religioso.

Serra e Malafaia estão corretos
ResponderExcluirTerça feira virou o dia deste lulpetista adorador do demônio escrever boabagens, asneiras e babaquices neste espaço.
ResponderExcluirSerra está correto. Deus fez Adão e Eva, não Adão e Adão.
Maldita inclusão digital.
Serra é o mais indicado para continuar a limpeza social iniciada por Kassab e que precisa ser aprofundada.
ResponderExcluirPobres, gays e blogueiros são absolutamente dispensáveis.
Os gays não são anti-naturais, não querem ir contra os desígnios de Jesus? Então que aguentem as consequências.
ResponderExcluirE o autor deste texto é um gay enrustido. Ainda se diz religioso... só se for da adoração ao Capeta
Se o blogueiro tiver uma chance de estar com outro homem, vai se revelar gay. Isto é texto de homossexual enrustido - claro, muito mal escrito como de hábito.
ResponderExcluirSe o blogueiro ficar de quatro começa a pastar - e ainda faz sexo simultaneamente...
ResponderExcluirDe boa, não endosso nem apoio o discurso e o modo de defender o q pensa do Silas, mas dizer q ele defende abertamente a VIOLÊNCIA contra homossexuais é uma mentira q não sei de onde vc tirou.
ResponderExcluirQuanto ao texto em si sobre o Serra, não há o q se discordar apesar da militância do Haddad ter usado expedientes semelhantes se utilizando da relação UniversalXRussomano contra o Russo.
Caro George, já vi o Pastor em questão fazendo comentários neste sentido após episódios de violência contra gays.
Excluirgrande abraço
Cite o vídeo do episodio por favor, pois a retórica dele sempre foi no sentido inverso.
ExcluirGeorge, eu tenho de pesquisar com calma, mas foi no episódio onde pai e filho foram atacados e agredidos por serem confundidos com homossexuais.
ExcluirIsso inclusive rendeu uma discussão bastante acalorada na minha própria casa à época.
Exs: 4:41 http://www.youtube.com/watch?v=QXPVARedEhM (Não sei se foi nesse julgamento específica do STJ mas a corte já reconheceu o casamento homoafetivo)
Excluir1:38 http://www.youtube.com/watch?v=QXPVARedEhM
Vou ver aqui então Pedro.
ExcluirNão achei o vídeo citado por ti.
Excluir*Só pra não ficar solto a ressalva final do meu comentário não pretende defender o Serra e sim reafirmar q seu jeito de fazer "política" deve ser extirpado, não copiado.
ResponderExcluirSerra é o mais indicado para continuar a limpeza social iniciada por Kassab e que precisa ser aprofundada. (2)
ResponderExcluirOs lulopetistas não conquistarão a fortaleza petista!