Neste domingo, a coluna “Orun Ayé”, do compositor Aloísio
Villar, traça um perfil preliminar dos sambas de enredo do Grupo Especial para
o carnaval 2013.
Complementando a informação do colunista, Cláudio Russo sagrou-se campeão na Beija Flor na última quinta feira.
Por outro lado, por determinação exclusiva da diretoria da escola o samba da Portela sofreu alterações significativas para a gravação oficial, que tiraram boa parte do brilhantismo da composição. Continua sendo um dos melhores para 2013, mas perdeu qualidade, infelizmente.
Complementando a informação do colunista, Cláudio Russo sagrou-se campeão na Beija Flor na última quinta feira.
Por outro lado, por determinação exclusiva da diretoria da escola o samba da Portela sofreu alterações significativas para a gravação oficial, que tiraram boa parte do brilhantismo da composição. Continua sendo um dos melhores para 2013, mas perdeu qualidade, infelizmente.
Nesse momento em que escrevo (final da noite de quarta)
faltam apenas dois sambas no Grupo Especial do Rio de Janeiro para serem
escolhidos. Nessa última madrugada duas escolas fizeram suas finais: Imperatriz
Leopoldinense e Inocentes de Belford Roxo. Ainda faltam duas, Beija-Flor e
Unidos da Tijuca.
E o que acho dos sambas pra 2013?
Sei lá, não conheço quase nenhum.
Bom, pelo que disse acima devia encerrar aqui essa coluna
sobre os sambas do ano que vem, né? É,
poderia, mas dá para avaliar assim mesmo até porque o estilo dos sambas, as
parcerias que venceram e a qualidade que cada escola nos oferece não mudaram
muito durante os anos. Além disso, está tudo muito parecido com 2012.
A diferença é que não estou no CD.
Algumas surpresas aconteceram, como a escolha da Inocentes
nessa madrugada. Cláudio Russo perdeu. Ganhou a parceria do Billy. Ainda não
ouvi o samba, mas ele foi bastante elogiado na escolha.
Essa eu acho que ninguém esperava. Cláudio Russo, compositor
oriundo da Portela, é um dos melhores compositores da atualidade. Costuma
escrever com qualidade e grande estrutura para várias escolas de quase todos os
grupos do carnaval carioca.
Apesar de negar, o Cláudio é um dos símbolos do que chamamos
hoje em dia de firma ou escritório. Compositores que sem assinar colocam sambas
em várias escolas, pegando compositores dessas escolas para assinar seus sambas.
O esquema firma/pombo (nome dado a quem assina sem escrever) ainda tem seus
segredos e obscuridades muito por culpa desses compositores que não assumem a
prática - que não é ilegal.
Vários sambas escolhidos no Especial do Rio esse ano e em
outros anos chegam ao público com essa suspeita de pertencer a firmas.
Não vou aqui apontar quais sambas são de firmas ou suspeitos
de ser, apesar de saber alguns. Seria leviano e antiético. Quem acompanha de
perto os concursos de samba-enredo sabe só de ver qual cantor defende o samba
na quadra e o estilo da melodia.
Antigamente a gente ouvia um samba e dizia só na audição que
era de escola A ou B; hoje ouvimos e falamos que é de compositor A ou B.
Mas se tudo caminhar bem o Russo ainda deve emplacar um
samba assinando no Especial. Na Beija-Flor de Nilópolis é franco favorito e pode significar a primeira
vitória de Miguel Menezes na agremiação. Ele foi bicampeão na União da Ilha em
2003/2004 e há anos busca esse título em Nilópolis.
Na Tijuca não ouvi muita coisa, mas como sempre deve ficar
entre as parcerias do Josemar Manfredini e do Totonho (detalhe, todos os sambas
já estarão escolhidos quando a coluna for ao ar). Ouvi o do Josemar e gostei, é
padrão dos últimos anos da Tijuca - que mesmo com algumas pessoas torcendo o
nariz leva ao título.
Mangueira foi a primeira a escolher e escolheu samba da
parceria do Lequinho, compositor tradicional da escola e campeão não só nela
como em muitas escolas. São Clemente inovou e fez junção. A junção propriamente
dita não foi novidade: a novidade fica por conta de Gabriel Mansilha que em sua
estreia como compositor, assinando sozinho, conseguiu vencer um concurso no
grupo especial. Isso é algo dificílimo.
Salgueiro e Mocidade a meu ver escolheram sambas melhores
que seus enredos e principalmente ouvindo o que suas comunidades queriam. Fico
feliz especialmente pelo amigo Marcelo Motta. Cara formidável, humilde, um dos
caras mais bacanas que já conheci no samba - que chega ao seu quarto título na
Academia.
Imperatriz escolheu o samba da parceria do Me Leva. Apesar
de muita gente da escola preferir o samba do Zé Katimba, o samba é bom e foi
bem aceita sua vitória. Nas duas últimas vezes que essa parceria venceu o
concurso venceu também o Estandarte de Ouro de melhor samba, provando que tem
qualidade.
A Grande Rio também escolheu uma parceria tradicional de sua
escola, a de Mingau e Cia. Esta era pule de dez na disputa da agremiação e a
escola cantará seu bom samba em defesa do Rio.
Agora vou falar das três escolhas que mais me chamam a
atenção. Por minha proximidade com a escola ou pela qualidade dos sambas.
A escolha da União da Ilha surpreendeu quase todo o mundo do
samba e mais uma vez, como em quase todos os anos, provocou polêmica.
Mas só quem não acompanha o Ouro de Tolo se surpreendeu com
essa vitória. Na coluna que escrevi aqui semana passada eu apontei o
favoritismo para o samba do Ronald, mas disse que crescia muito o rumor da
conquista desse samba. Disse que os quatro podiam vencer, mas foquei mais o
favoritismo nesses dois - quando a grande mídia apontava os outros dois.
Pois bem, os outros dois, os que a mídia e as pessoas que
acompanhavam pela internet esperavam chegaram sem chances na final. Eram bons
sambas, como o samba do Marcinho que era o que eu mais gostava, mas pesou
contra as duas parcerias os quatro anos de vitórias que seus líderes tinham.
Ficou entre os outros dois, mas logo no começo da final
vazou o campeão. O samba do Ginho é um samba correto, com uma letra muito
bonita, mas em alguns pontos a melodia cansa. Confio em seu crescimento na voz
do Ito Melodia e a ressaltar a alegria de ver o Ginho, uma pessoa muito digna,
correta e talentosa vencer na Ilha usando sua experiência de vida. Além de
estar aliado à juventude e garra do Junior que nunca desiste da luta e tem um
grande futuro pela frente.
Falar o que de Vila e Portela? Ganharam os sambas que eu
previ e fiz coluna aqui há um bom tempo atrás. De novo as duas escolas, de novo
as duas parcerias, de novo comandando o carnaval carioca.
As parcerias campeãs de Portela e Vila são iguais e muito
diferentes e nessa diferença se completam e formam uma nova rivalidade no
carnaval carioca, mas uma rivalidade sadia. É boa porque em cada canto de
quadra ou roda de samba vem a discussão “qual o melhor samba?”.
A Vila formou uma parceria que o Migão apelidou de
“galáctica” e é uma super parceria sim. É comandada por Arlindo Cruz, um dos
maiores nomes do samba atual, Martinho da Vila, um dos grandes nomes da história
do samba e de Vila Isabel e André Diniz, um dos melhores do nosso carnaval
atual e dono de sambas memoráveis.
Sobre o André vem a pecha também de ser comandante de uma
firma de samba-enredo. Mas seu talento suplanta todo o ‘disse me disse’,
principalmente com os sambas que fez nos últimos 20 anos pra Vila Isabel e a
junção desses três craques e seus parceiros fez um dos grandes sambas do ano.
Na Portela é o contrário. São nomes que já contavam com respeito
no samba, na MPB, mas que do ano passado pra cá decidiram virar o mundo do
carnaval de cabeça pra baixo.
Wanderley Monteiro e Luiz Carlos Máximo foram os donos do
carnaval 2012 com o “Madureira sobe o Pelô” que apelidei numa coluna aqui de
“Barcelona dos sambas”. Conseguiram repetir a dose esse ano abrindo a roda e
anunciando que lá vinha Madureira.
Em um carnaval que hoje é dominado pelas firmas, posso dizer
que Wanderley, Máximo e seus parceiros são os “autônomos do samba”, trabalhando
por conta própria, fazendo seus sambas sem inspiração vir de gente de fora.
E por incrível que pareça isso é raro hoje em dia. Uma parceria que
assina o samba e onde sabemos que foram eles que escreveram o mesmo.
Qual o melhor samba? Não sei e sinceramente nem me interessa
muito. Em vez de discutir essas coisas prefiro apreciar os dois grandes sambas.
Não dá ainda para fazer um ranking dos sambas 2013, dividir
entre bons e ruins. As escolas ainda estão na fase de gravação do coro, ainda
farão gravação oficial com os cantores, mixagem, lançamento das faixas, ensaios
técnicos.
Mas a princípio me parece seguir uma tendência que vem desde
2010. Um bom cd com alguns sambas se destacando e mostrando enorme
qualidade.
Enquanto você fica aí ansioso esperando as gravações
oficiais, vá em www.sambaderaiz.net. No site tem meu concorrente no Boi da Ilha e
meu concorrente junto com o Migão no Acadêmicos do Dendê. As duas finais serão
realizadas nessa próxima semana.
Começou o carnaval 2013. Orun Ayé!
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