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quarta-feira, 25 de abril de 2012

História & Outros Assuntos - "Crônica de Uma Morte Anunciada"


Nesta quarta feira, a coluna "História & Outros Assuntos", assinada pelo Mestre em História Fabrício Gomes, trata de um personagem revisitado em livro e filme: Heleno de Freitas.

Crônica de Uma Morte Anunciada

O título que dá nome a esse texto não é apenas coincidente com uma das obras de grande sucesso do escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez (“Crônica de uma morte anunciada”). 

Mais do que uma obra literária, poderia resumir em apenas uma só frase o que foi a (meteórica) carreira de Heleno de Freitas, ex-craque da bola que, embora mineiro de São João Nepomuceno, desfilou seu futebol pelos gramados do Rio de Janeiro – no Botafogo, no Vasco e no América, de Buenos Aires – no xeneize Boca Juniors, e na Colômbia – Junior, de Barranquila. 

Dentro das quatro linhas, tinha um futebol arrojado, explosivo, temperamental e prafrentex; fora de campo, um ilustre representante do jet set carioca, frequentador do high society, das festas do Copacabana Palace, assíduo nas apostas do Cassino da Urca. Heleno fez parte até do Clube dos Cafajestes, notório grupo de rapazes bon vivants que aproveitavam como ninguém os prazeres da vida. A história de vida de Heleno se confunde com a Era de Ouro do Rio de Janeiro dos anos 1940, que respirava glamour e destilava as big bands nos finos salões da sociedade carioca.


Paulo Roberto Falcão, também ex-craque de futebol, é o autor de uma frase emblemática, porém verdadeira entre os boleiros: “Jogador de futebol morre duas vezes: a primeira, quando pendura as chuteiras; a segunda, quando morre de fato”. Eis aí outra frase que pode representar o que foi a trajetória final de Heleno de Freitas: aos 39 anos, morreu longe do futebol, num sanatório em Barbacena, vítima de uma sífilis cerebral.

Recentemente, duas obras se propuseram a abordar o percurso deste jogador: a primeira, a biografia “Nunca houve um homem como Heleno”, de Marcos Eduardo Neves, inicialmente lançada em 2006 e agora reeditada pela Editora Zahar; e a cinebiografia “Heleno – o Príncipe Maldito”, dirigido por José Henrique Fonseca, com Rodrigo Santoro, Aline Moraes e a surpreendente atriz colombiana Angie Cepeda no elenco.

E o que difere as duas obras? Como de costume, o livro é muito mais completo. 

O filme, a despeito da assombrosa interpretação do vascaíno Rodrigo Santoro no papel do próprio Heleno, dos irretocáveis cenários do Rio dos anos 1940, da trilha sonora e dos figurinos de época, é um festival de incongruências, de erros e graves falhas no roteiro.

Certamente, para quem não leu a biografia, esta crítica poderá parecer mordaz, mas não há explicação quando o filme distorce momentos decisivos da vida de Heleno – talvez por conveniência, talvez por economia de tempo.

Se na vida real (contada no livro), sua esposa se chamava Ilma, no filme, se chamava Silvia (interpretada por Aline Moraes). Se na vida real, Heleno embarcou com Ilma e o filho Luiz Eduardo para Buenos Aires, contratado pelo Boca Juniors, no filme Ilma… ops, Silvia fica no Rio e trai Heleno com Alberto – seu ex-companheiro de time no Botafogo

Se na vida real, Ilma se separou de Heleno e foi morar em Petrópolis com o filho, se casando com um rico empresário da região (que depois virou alcóolatra – pobre Ilma!), no filme, vejam só, Ilma/Silvia se casa com Alberto. E quando Heleno já estava no sanatório em Barbacena, em estado terminal, Ilma não se deu ao trabalho de ir visitá-lo – conforme narrativa do livro, no filme Ilma/Silvia vai até Minas com Alberto visitar o ex-marido, inconsolável e se sentindo em parte culpada pelos acontecimentos.

Resta então a pergunta: porque tantas idiossincrasias na comparação entre as duas obras? Porque tantos conflitos e dissidências, tantos disparates e distorções?

É justamente no tratamento biográfico existente nas duas obras que percebemos onde reside a qualidade: no livro. O filme, como já mencionado, não é de todo ruim, mas os disparates acabam por confundir verdade com verossimilhança. Um ponto positivo, no entento, reside nas duas obras: a total ausência da costumaz hagiografia, tão presente nas obras biográficas, onde o autor/diretor, por gostar tanto do biografado, acaba por confundi-lo com um santo ou herói. 

Por outro lado, na ausência de heróis, o Botafogo fica 'mal na fita': quando retorna de Buenos Aires, o alvinegro recusa seu ex-craque. Heleno, que nunca ganhou um campeonato pelo Botafogo, vai jogar no Vasco, naquele time que ficou conhecido como o “Expresso da Vitória”, no início dos anos 1950, onde por ironia do destino, torna-se campeão carioca em 1949.

Heleno era assim: 8 ou 80. Nunca foi unanimidade por onde passou. E talvez por isso, mesmo 53 anos após sua morte, as duas obras que buscaram retratá-lo também sejam conflitantes – como o universo de sua mente explosiva dentro de campo.

Trailer Oficial, em HD:

 Entrevista com o autor da biografia:

 

 Heleno de Freitas no Esporte Espetacular:

 

sábado, 17 de abril de 2010

Ei, Cadê Você ?



Bom, como aquecimento para mais uma partida decisiva entre Flamengo e Botafogo, uma das mais hilárias musiquinhas de torcida: "Ei, cadê você ?", que ironiza a já clássica ausência do torcedor alvinegro aos estádios.

O vídeo é da primeira partida da decisão do ano passado, mas eu estive na finalíssima e poucas vezes me diverti tanto em um pré-jogo. É bem engraçada mesmo.

A letra é de uma concisão extremamente precisa:

"Ih, lá no Maraca eu nunca vi
No Engenhão nunca tá lá
Os jogadores todos choram
Não tem torcida pra apoiar.... ei

Ei ! Cadê você cadê você
Cadê você cadê você
Cadê você cadê você..."

É este bom humor que deve ser incentivado nos estádios brasileiros.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Arbitragem

Iria escrever um texto sobre arbitragem, mas às segundas e sextas recebo uma newsletter de humor chamada "A Várzea", do site "Trivela". Com muito humor, faz um bom resumo da questão, e a transcrevo aqui.

A sério, faço dois comentários: os árbitros precisam ser profissionais do apito e deveríamos ter o auxílio da televisão para lances duvidosos. Mesmo que fosse limitado a um pedido por equipe, por tempo de jogo.

Do jeito que está não pode continuar. E olha que não estamos falando de força política, bastidores e 'otras cositas más'...

À guisa de explicação, Geraldo Magela é um jornalista esportivo mineiro, portador de deficiência visual.

"MALANDRO É MALANDRO

Pode ser em qualquer time disputando o Brasileirão. Sexta-feira é dia de treino tático, porque sábado é rachão e não se fala mais nisso. Mas tem técnico que não se esquece da prática dos fundamentos, algo que pode ser fundamental (hãn? hãn?) para buscar os três pontos e conquistar um resultado positivo.

- Vamos lá, moçada. Hoje tem treino de fundamento.
- Beleza, professor. Cruzamento?
- Tá maluco? Isso não ganha jogo. Hoje vamos treinar pênaltis.
- Pênaltis? Mas não é mata-mata... E já temos nosso cobrador.
- Não é isso, animal. É cavar pênalti. Tá vendo o zagueiro ali? Assim que ele chegar perto, você deixa a perna pra bater na dele e se joga.
- Ah, entendi. Depois levo a mão ao joelho para parecer mais realista, certo?
- Com certeza. Você sabe como é a arbitragem brasileira. No último jogo quem apitou foi o Magoo, ele é difícil porque enxerga mais do que a média. Mas no próximo, com o Geraldo Magela, não tem erro.
- Mas professor... não seria mais inteligente eu tentar passar pelo zagueiro e fazer o gol?
- Eu sou o professor e você quer me dizer o que é mais inteligente?
- Deixa pra lá.
- Certo. Agora vamos à parte 2. Você já se levanta com a mão para o alto, o polegar grudando no dedo médio e no indicador, como se estivesse mostrando um cartão. É certo que ele vai ser expulso.
- Verdade. Nos jogos que o Ray Charles apita costuma dar certo.
- Sabe o que também dá certo? Gol de mão. Você dá o migué e sai comemorando.
- Mas não tem perigo ir parar na Justiça?
- Justiça? Assim como os árbitros brasileiros, ela é cega..."

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Sobre Urubus

Vejo matéria no site do jornal O Globo sobre a existência de um urubu alpino em Sergipe, como mostram as fotos deste post - retiradas de lá.

Para nós, rubro-negros, o urubu é uma ave simbólica, pois representa o nosso símbolo e a nossa afirmação.

Originalmente, o termo "urubu" era um apelido pejorativo, dado a nós flamengos pela origem negra e pobre predominante em nossa torcida.

Eis que, em junho de 1969, haveria um Flamengo e Botafogo que mudaria esta história. Nosso time já estava há um bom tempo sem vencer a cachorrada, e naquele dia dois torcedores soltaram um urubu, com a bandeira do clube amarrada nas patas, dentro do Maracanã.

A massa imediatamente reagiu gritando "urubu, urubu", e o Flamengo venceu o jogo por dois a um, quebrando uma incômoda escrita.

Mestre Henfil imediatamente adotou o urubu como símbolo em seus desenhos e a ave acabou definitivamente adotada como nossa mascote. De símbolo de preconceito transformou-se em símbolo de união.
Como mostram as imagens, gosto muito do desenho do chargista Mario Alberto. Dos chargistas atuais, foi quem conseguiu o melhor desenho.

Agora, este urubu alpino me transmite uma outra imagem, a de que todos podem ser flamengos independente de raça, cor, religião, sexo ou classe social.

É a natureza se rendendo ao Mais Querido.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Estamos ficando para trás

Mais uma derrota do Flamengo com participação estratégica da arbitragem. Em Sampa, o Botafogo também pode reclamar do mesmo assunto.

Não escreverei aqui que "existe esquema de arbitragem", e outras coisas, mas queria chamar a atenção para um fato que é inexorável: o futebol carioca, hoje, é apenas o quarto ou quinto centro de futebol no país. Estamos atrás, certamente, de São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, e ombreando-nos com o Paraná.

Os resultados falam por si. Em Campeonatos Brasileiros, desde 2001 que o futebol carioca não conquista um título ou um vice-campeonato. A estrutura do nosso futebol é bem precária, para dizer o menos. Os clubes afogam-se em dívidas e perdem a capacidade de investimento.

A qualidade dos nossos dirigentes, também, contribui para esta decadência. Estes obtém sucesso em suas vidas particulares de forma inversamente proporcional à derrocada financeira dos clubes. São amadores no trato com as questões, além de não saberem pensar os clubes de forma profissional e estruturada. Talvez nem interesse fazer isso.

Uma boa medida de como os nosso ex-grandes clubes ficaram para trás reside no fato de que o clube carioca que possui o melhor Centro de Treinamento é o Tigres do Brasil, que acabou de subir para a Primeira Divisão Estadual e é gerido como um um clube empresa.

Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo, os dois primeiros penso eu um pouco mais, necessitam urgentemente profissionalizar as suas gestões, investir em estrutura, trazer novamente o torcedor para perto dele através de um bom marketing e aprender com as boas práticas de clubes de outros estados. Precisam também se unir para enfrentar a crescente perda de influência a nível nacional. Basta ver os clubes que recebem maior atenção da mídia nacional.

Mais uma medida necessária é uma defesa mais firme dos interesses junto à CBF. Leva quem fala mais alto, e hoje, falamos baixinho.

Se este processo não começar rápido, nosso destino será o de ter presença marginal no contexto do futebol brasileiro. Ainda dá tempo de reverter este quadro, mas precisa ser feito rápido.

Penso que o Botafogo está um pouquinho à frente neste cenário, mas lá o problema é outro: falta de grana. O clube, além disso, pelo tamanho de sua torcida possui bem menos oportunidades de auferir recursos com marketing do que Flamengo e Vasco.

Precisamos nos organizar. Ou os bons tempos jamais voltarão. E continuaremos a ser esbulhados pelo soprador de apito da ocasião...

terça-feira, 21 de julho de 2009

Há uma nuvem de lágrimas...

Meus 16 leitores devem estar estranhando: o que faz o escudo do Botafogo aqui ?

Explico: sou assinante da excelente newsletter "A Várzea", que às segundas e sextas traça um panorama bem humorado em cima das notícias do futebol mundial.

Pois ontem recebi o e-mail com uma divertida descrição do alvinegro carioca, que divido com os amigos:

"Como já escreveu o poeta (na verdade, o dramaturgo-teatrólogo-jornalista-ensaísta-cronista), “o Fla-Flu começou 40 minutos antes do nada”. Essa foi a parte da declaração que ficou eternizada. O problema é que todo mundo riu tanto que não ouviu a sequência: “e, 38 minutos antes do nada, começou o chororô do Botafogo, que dizia que o clássico mais famoso do Rio só não era ‘Bota-Flu’ por influência da arbitragem”.

Desde então, está no job description de todo botafoguense: dizer que era o único time a encarar o Santos de Pelé, que ninguém cedeu tantos jogadores à Seleção, que certas coisas (que, no final das contas, são praticamente todas as coisas) só acontecem com o Botafogo, ser supersticioso até no modo de esperar o ônibus e reclamar que qualquer coisa que tenha vermelho e preto, do Darth Maul ao logotipo da Texaco, é beneficiada pelo apito."

Fica aqui a bem humorada mensagem.

Em tempo: acredito que os clubes cariocas precisam se unir para enfrentar os seus verdadeiros rivais em termos de mídia e marketing, que são os clubes de São Paulo.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Um pouco de bom humor

Depois de três posts "pesados", um pouquinho de bom humor. Musiquinha da torcida do Fluminense na partida contra o Corinthians, citada pelo "Ancelmo.com":

"Boi, boi, boi
Boi da cara preta
Pega o Ronaldo
Que tem medo de...” (deixa prá lá)

Não é a torcida do meu time mas tenho de reconhecer o bom humor deles.

Aproveitando o ensejo, não dá para esquecer da hilária paródia que a gente cantou nas finais do Estadual pra infernizar a torcida do Botafogo:

"Ih ! Lá no Maraca eu nunca vi !
No Engenhão nunca tá lá
Os jogadores todos choram
Não tem torcida pra apoiar... ei

Ei ! Cadê você, cadê você !
cadê você, cadê você !"

Gosto destas paródias bem humoradas nos estádios. Mesmo quando pra ironizar a torcida do Flamengo, como a musiquinha do (toc toc toc) "pior ataque do mundo", em 1995.