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domingo, 8 de julho de 2012

Orun Ayé - "Fla, Flu, Nelson e o Bando de Loucos"


Neste domingo, a coluna “Orun Ayé”, do compositor Aloísio Villar, fala do centenário do FlaxFlu – já abordado por este editor na última sexta feira – a partir do escritor Nelson Rodrigues. Bem como do título corintiano na Taça Libertadores.

Fla, Flu, Nelson e o Bando de Loucos

"O Fla-Flu não tem começo. O Fla-Flu não tem fim. O Fla-Flu começou quarenta minutos antes do nada. E aí então as multidões despertaram." (Nelson Rodrigues).

O pernambucano Nelson Rodrigues (acima, com Zico, em algum momento da década de setenta) não era apenas um excelente frasista, como podemos ver acima.

Nelson é considerado por muitos o maior dos dramaturgos brasileiros, autor de peças como “Vestido de noiva”, “A falecida”, “Perdoa-me por me traíres”, “Os sete gatinhos”, “Boca de Ouro”, “O beijo no asfalto”, “Toda nudez será castigada” e “Bonitinha, mas ordinária”.

Nelson era dramaturgo, escritor e jornalista, como seu irmão Mário Filho. Mário, antigo dono dos jornais esportivos “O Mundo Sportivo” e “Jornal dos Sports” foi um dos responsáveis pela organização dos primeiros desfiles de escolas de samba e lutou para que o estádio municipal de futebol que sediaria a Copa ficasse sediado no terreno do antigo Derby Club, no bairro do Maracanã - não em Jacarepaguá como queria o vereador Carlos Lacerda. Hoje o nome oficial do Estádio do Maracanã é Mário Filho.

Voltando a Nelson, o dramaturgo revolucionou o modo de fazer teatro no Brasil. Trouxe para o palco a família e não foi simplesmente a família: mas a família com tudo que ela esconde por debaixo do tapete ou atrás do buraco da fechadura. Suas taras, perversões, obscuridades, as traições, os incestos, os amores impossíveis, a tragédia. Tudo isso é Nelson Rodrigues.

O anjo pornográfico. O boxer que deu um soco de direita no estômago da sociedade e por ela foi considerado maldito por muitos anos. O homem que ao estrear “Perdoa-me por me traíres” tomou uma daquelas “vaias ensurdecedoras” ao fim da peça e feliz disse que foi sua maior vaidade autoral e “naquele momento se realizava espetacularmente como dramaturgo”.

Hoje a situação não é mais essa. Nelson é uma unanimidade nacional, o que lhe daria grande desgosto porque o mesmo dizia que “toda unanimidade é burra”.

Tive a honra de fazer uma peça de Nelson na Unisuam em 1998. Era aluno de Publicidade e Propaganda e no curso existia o “Projeto Nelson Rodrigues” onde a turma era dividida em duas e encenava peças. Adaptei o roteiro e fui ator na peça “Cheque de amor” e ganhei prêmio de melhor ator do projeto. É, tenho meu lado “rodrigueano” também.

E Nelson amava futebol, era comentarista esportivo e fazia antológicas análises sobre os jogos mesmo muitas vezes chegando atrasado à peleja ou não prestando atenção no jogo. Nelson não precisava ver jogo: ele criava o jogo e fazia do embate algo muito maior do que realmente foi.

Disse em uma de suas grandes frases como citei acima que o Fla x Flu surgiu quarenta anos antes do nada. Mas na verdade surgiu em 1912, por coincidência (ou não) no ano de nascimento do Nelson. O dramaturgo com sua voz soturna diria que “coincidências não existem, o Fla x Flu foi meu companheiro de berçário” e talvez tenha sido mesmo.

Do berçário pode ter nascido seu amor pelo clássico. Tricolor apaixonado, para o seu clube do coração criou frases como “Se o Fluminense jogasse no céu, eu morreria para vê-lo jogar”. “O Fluminense é o único time tricolor do mundo. O resto são só times de três cores”. “Grandes são os outros, o Fluminense é enorme”. E alfinetando o Flamengo disse “O Flamengo tem mais torcida, o Fluminense tem mais gente!”.

Mas ele também admirava o Flamengo e para o clube fez pensamentos como “O Flamengo tornou-se uma força da natureza e, repito, o Flamengo venta, chove, troveja, relampeja.". "Cada brasileiro, vivo ou morto já foi Flamengo por um instante, por um dia.". "Todo brasileiro é um pouco rubro-negro. A alegria rubro-negra não se parece com nenhuma outra. Não sei se é mais funda ou mais dilacerada, ou mais santa, só sei que é diferente". “Se Euclides da Cunha fosse vivo teria preferido o Flamengo a Canudos para contar a história do povo brasileiro".

E a que gosto mais: “Para qualquer um, a camisa vale tanto quanto uma gravata. Não para o Flamengo. Para o Flamengo a camisa é tudo. Já tem acontecido várias vezes o seguinte: Quando o time não dá nada, a camisa é içada, desfraldada, por invisíveis mãos. Adversários, juízes, bandeirinhas, tremem, então, intimidados, acovardados, batidos. Há de chegar talvez o dia em que o Flamengo não precisará de jogadores, nem de técnicos, nem de nada. Bastará a camisa, aberta no arco. E diante do furor impotente do adversário, a camisa rubro-negra será uma bastilha inexpugnável”.

Como já disse Nelson e o Fla x Flu nasceram em 1912 e o clássico já nasceu de forma polêmica. O Clube de Regatas do Flamengo já existia desde 1895, mas o futebol só foi fundado em 1912, com dissidentes do futebol do Fluminense. O time tricolor, insatisfeito com o comando do clube, bandeou-se para o Flamengo e para surpresa de todos os dois se enfrentaram nas Laranjeiras e o remendado Fluminense venceu por 3x2 seu antigo time titular.

E isso acabou se tornando uma tônica do clássico com o favorito sendo desbancado boa parte das vezes. Senti isso na pele já como torcedor do Flamengo em 1983 quando no minuto final o time campeão de tudo do Flamengo tendo Raul, goleiro campeão do mundo debaixo de suas traves perdeu o título carioca para o Fluminense de Assis. E em 1995 quando em nosso centenário e com Romário no auge em campo perdemos com gol de barriga de Renato Gaúcho. Um grande trauma futebolístico.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

100 Anos de Fla x Flu


Nesta semana onde o torcedor rubro negro teve a medida exata da incompetência da diretoria atual do clube, a recente conquista corintiana da Taça Libertadores acabou por abafar algo que é muito representativo: o centenário de um dos clássicos mais representativos do futebol brasileiro, o FlaxFlu.

A Confederação Brasileira de Futebol, em rara decisão acertada, marcou o jogo do primeiro turno do Campeonato Brasileiro exatamente para o final de semana que marca o centenário. A data exata do primeiro FlaxFlu foi 07 de julho de 1912 e originalmente a tabela marcava o jogo para este dia. Mas a pedido da televisão a partida passou para o domingo, 08 de julho.

A história do FlaxFlu possui algumas controvérsias. Há a versão difundida por Nelson Rodrigues, de que o Flamengo seria “filho” do Fluminense, fundado a partir desse, mas esta é uma falácia. Explico.

Como focado em minha participação no programa da ESPN sobre o centenário do futebol do Flamengo, o clube foi criado em 1895 como uma agremiação de remo, então esporte que galvanizava as massas cariocas. Inclusive é mais antigo como clube que o Fluminense, fundado em 1902.

O departamento de esportes terrestres do Flamengo é que foi fundado em 1912, após uma briga do time tricolor campeão em 1911 com o chamado “graund comiteé”, que era um misto de comissão técnica e diretoria da época. Vários dos jogadores tricolores já faziam remo no Flamengo, o que tornou natural que o rubro negro abrigasse estes jogadores após o dissenso.

Ou seja, o que se pode dizer é que o departamento de futebol do Flamengo nasceu de uma dissidência tricolor, mas não o clube em si.


No primeiro clássico, mesmo desfalcado, vitória do Fluminense por 3 a 2 (foto acima). No jogo do returno, a lógica: Flamengo 4 a 0. Iniciava-se ali a mística do clássico.

O nome “Fla-Flu” surgiu em 1925, e de forma pejorativa: todos os jogadores convocados para a seleção do Rio de Janeiro eram pertencentes às duas equipes, o que gerou comentário irônico da imprensa paulista que “o combinado Fla-Flu não ganharia o Brasileiro de Seleções”. Entretanto o então Distrito Federal (o Rio de Janeiro era a capital do Brasil) venceu os paulistas na final por 3 a 2 e a partir daí o jornalista Mário Filho, irmão de Nelson Rodrigues, passou a usar a expressão para se referir ao clássico.

Para o rubro negro há controvérsias se é o clássico mais importante. A geração do meu pai, por exemplo – e a de Zico também – sempre tinha o Botafogo como maior rival por causa dos oito anos em que ficamos sem vencer o time alvinegro – e pela própria freguesia que somente acabaria com a “Era Zico”.

A geração posterior à minha (tenho 37 anos) tem o Vasco como maior rival, principalmente por causa das decisões seguidas de títulos importantes entre 1999 e 2006 – quatro Estaduais e uma Copa do Brasil neste período, todas as decisões vencidas pelo Flamengo.

Minha geração, que viveu quase que em sua totalidade o período de maior glória do clube, divide-se entre o Vasco – pelo fato de, naquele momento, ser o único time carioca que “batia de frente” conosco, e pelo Fluminense por causa daqueles malditos (risos) Assis e Washington.


Pessoalmente quando criança tinha mais gana de vencer o Vasco, por causa de um jogador que embora adversário eu admirava e que se matava quando enfrentava a gente: o hoje presidente vascaíno Roberto Dinamite. Mas até hoje tenho uma superstição por causa daquela final de 83 onde o Fluminense venceu com um gol no último minuto (acima): em dia de decisões se não for ao estádio eu não uso a camisa do Flamengo – na minha cabeça de menino a camisa que usei deu azar.

Curiosamente, o Fluminense é o único rival carioca que jamais decidiu com o Flamengo um título nacional. Aliás, desde aquele famigerado gol – em impedimento, bom que se diga, porque só havia um jogador entre Renato e a baliza – de barriga que a dupla Fla-Flu não decide um campeonato. De lá para cá, nos últimos 17 anos foram apenas duas Taças Guanabara (2001 e 2004, ambas vencidas pelo Flamengo) e uma Taça Rio (2005, com título tricolor).

De tempos para cá, o clássico vem se firmando como o mais equilibrado envolvendo o Flamengo: as seguidas decisões contra Vasco e Botafogo com vitórias Flamengas criaram uma espécie de “sentimento de inferioridade” nestas torcidas, ao fato que firma-se a convicção que o FlaxFlu é jogo aberto – os tricolores não “tremem” contra a gente.

A propósito, não assisto a um FlaxFlu no estádio desde 2003, pelo Campeonato Brasileiro daquele ano. Vitória de 1 a 0 para o Flamengo, com um gol meio “espírita” do atacante Jean.


Presencialmente, meu FlaxFlu inesquecível foi o 4 a 1 de 1986, onde a torcida do Fluminense cometeu a insanidade de provocar Zico chamando-o de “bichado”. Zico voltava de séria contusão e marcou três dos quatro gols, dando o passe para o outro – marcado pelo atacante Bebeto, este mesmo (na foto o primeiro daquela partida). O jogo também é histórico por outro motivo: foi a única partida oficial onde Zico e Sócrates atuaram juntos com a camisa do Flamengo. Fala Zico sobre aquela partida, em depoimento ao Globoesporte.com:

“Era o primeiro jogo do Campeonato Carioca de 1986. Foram três gols meus e um do Bebeto. Foi o único jogo do Sócrates comigo no Brasil. Nesse Fla-Flu do "bichado", tomei um susto. A torcida do Fluminense nunca tinha feito isso. Aí, quando eu entro em campo, começaram: "Bichado! Bichado! Bichado!"...

Foi o Fla-Flu que eu mais joguei bola. Fiz tudo o que você possa imaginar. O coro do "bichado" me deu mais gana de ganhar. Dei passe de calcanhar entre as pernas do zagueiro. Dei passe de bicicleta... Eu quis fazer tudo... E dava tudo certo. Se você tenta um calcanhar e erra... Eu tentava e caía certinho no pé do outro cara. E fui fazendo os gols... Dois foram golaços."

Meu primeiro FlaxFlu presencial foi em 1980 ou 1981, e uma curiosidade: em todos estes anos só vi o Flamengo perder uma única vez para o Fluminense, em 1994.

Contudo, parece certo que a mística deste jogo é bastante diferente das demais partidas. Há uma eletricidade diferente no ar que torna sim o clássico diferente – e talvez venha daí toda a magia. É jogo duro, é jogo respeitoso e normalmente sempre vence aquela equipe que está em pior situação, uma curiosa tradição desta partida.

Ou seja, a se manter esta tradição iremos aturar Joel Santana uma semana mais no cargo...

Também é do FlaxFlu o recorde brasileiro de público em uma partida de clubes: 177.656 pagantes no empate de zero a zero que deu o título carioca daquele ano ao Flamengo.

Mas temos de saudar estes 100 anos desta rivalidade entre duas grandes equipes, de partidas gloriosas não somente no campo como na literatura e que certamente engrandecem a prática do ludopédio, como era conhecido anteriormente o nosso futebol.

Vida longa ao FlaxFlu!


domingo, 16 de janeiro de 2011

Sobretudo - "Libertadores 2011, os Pitacos"


Neste terceiro final de semana do ano, a coluna "Sobretudo", assinada pelo publicitário Affonso Romero, traz assunto que me interessa bem menos este ano: a disputa da Taça Libertadores da América, principal competição de futebol das Américas.

O colunista faz uma análise dos grupos da competição, vencida pelo Flamengo em 1981 após uma final muito tumultuada contra o Cobreloa, do Chile - fotos. 

Particularmente discordo da análise sobre o Fluminense: acho que o clube carioca tem totais condições de passar pela primeira fase da competição.

"Libertadores 2011, os pitacos

Eu costumo ser muito bom em previsões. Não, eu não tenho bola de cristal, nem sou especialmente místico. Na verdade, eu só usei a palavra “previsões” para chamar mais a sua atenção, reconheço. O que eu tenho algum talento é para fazer projeções, para o futuro de curto e médio prazo, razoavelmente lógicas a partir de cenários atuais.

Acerto mais do que erro, e até me utilizo disso algumas vezes no campo profissional. Todo esta introdução é para dizer que este suposto talento não se aplica na previsão de resultados de futebol. Não entro em bolões e, se entro, perco feio. Junta-se à total irracionalidade do futebol a minha torcida secreta para este ou aquele resultado mais que improvável.

Mesmo assim, vou ousar uma análise dos grupos divulgados da Libertadores 2011. Não passarei das primeiras fases, uma vez que o desdobramento para o mata-mata só se dá a partir da colocação geral dos times na fase de grupos, e aí seria pretensão demais até para um simples chute descompromissado.

Grupo 1:
Once Caldas (COL)
Libertad (PAR)
San Luis (MEX)
San Martín (PER)
O Once Caldas de Manizares sagrou-se campeão colombiano. Tenho a impressão de que sobrará no grupo 1. A segunda vaga deve ficar entre o Liberdad, que é o time sulamericano que mais cresceu na última década, e os mexicanos do San Luis, mais para os paraguaios.

Grupo 2:
(Jogo 6: Grêmio (BRA) x Liverpool (URU)
Junior (COL)
León de Huánuco (PER)
Oriente Petrolero (BOL)
Tudo indica que o Grêmio passa fácil da fase preliminar e, depois, também terá poucas dificuldades no grupo. O Atlético Junior, da Colômbia aparece como segunda força.

Grupo 3:
América (MEX)
Argentinos Jrs. (ARG)
Nacional (URU)
Fluminense (BRA)
Este é o grupo da morte. Aposto contra o Fluminense e me ancoro na falta de tradição internacional do time das Laranjeiras. É candidato forte ao fiasco, num grupo em que o América do México pode fazer valer o fator campo e o Argentinos pode levar vantagem na base da catimba. Mas todos são fortes, cada um à sua maneira.

Grupo 4:
Vélez Sarsfield (ARG)
Caracas FC (VEN)
Universidad Católica (CHI)
 (Jogo 4: Unión Española (CHI) x Bolívar (BOL)
O Vélez não deve ter rivais à altura. Uma quase zebra é o Caracas. O time da capital venezuelana vem crescendo na Libertadores e já eliminou grandes da Argentina. A Católica, de Santiago do Chile, time pelo qual eu nutro simpatia (fui muito bem recebido certa feita na campus da Universidade) tende a fraquejar na hora da decisão. A última vaga do grupo deve ficar com o tímido Unión Española, também chileno, mas que deve fazer figuração.

Grupo 5:
Santos FC (BRA)
Colo Colo (CHI)
Deportivo Táchira (VEN)
(Jogo 3: Cerro Porteño (PAR) x Deportivo Petare (VEN)
O Santos tem muitas chances e o Colo-Colo também deve passar de fase. O Cerro leva vantagem na  fase preliminar, mas é o menos preparado dos times do grupo, menos até do que o Táchira, do crescente futebol da Venezuela.

Grupo 6:
Internacional (BRA)
Emelec (ECU)
(Jogo 2: Jaguares de Chiapas (MEX) x Alianza Lima (PER)
Jorge Wilstermann (BOL)
Internacional é, disparado, o mais forte do grupo e deve atropelar. Os Jaguares mexicanos são levemente favoritos contra o decadente Alianza, mas a tradição pode pesar. Quem passar, disputa a segunda vaga do grupo num duelo das alturas contra o Emelec.

Grupo 7:
Estudiantes de La Plata (ARG)
Cruzeiro (BRA)
(Jogo 1: Corinthians (BRA) x Deportes Tolima (COL)
Guaraní (PAR)
O time de La Plata tem ocupado, na Libertadores dos anos recentes, o papel dos tradicionais Boca e River, sendo constantemente o mais forte entre os times portenhos. Desta forma, leva vantagem sobre os times brasileiros do grupo fortíssimo. Corinthians deve passar da fase preliminar, apesar de jogar a segunda partida na Colômbia. Mas disputa vaga no grupo com o Cruzeiro, que larga na frente.

Grupo 8:
(Jogo 5: Independiente (ARG) x Deportivo Quito(ECU)
LDU (ECU)
Peñarol (URU)
Godoy Cruz (ARG)
O Independiente deve fazer um duelo contra o Quito para saber quem entra como favorito no grupo 8. Vem embalado pela conquista da Sulamericana e, apesar de ter um elenco fraco, tem camisa e tradição. Os outros três times devem brigar pela sugunda vaga, com leve vantagem para a LDU.

Bem, estes são os prognósticos, mas reconheço que muita zebra pode cruzar o caminho dos favoritos. No final das contas, um dos brasileiros vai embalar e fazer a final contra um time argentino (ou colombiano), provavelmente o Estudiantes. Mas se nada disso acontecer até daqui a alguns meses, por favor não me cobrem coerência ou o preço dos chutes isolados na arquibancada. Tentar prever o imprevisível é um dos mais doces sabores do futebol, e pouca gente consegue ter uma boa margem de acertos. Façam também suas apostas."



domingo, 2 de janeiro de 2011

Bissexta - "Os Ratos"


Neste primeiro domingo do ano, mais uma coluna "Bissexta", assinada pelo advogado Walter Monteiro. Utilizando a dupla Fla-Flu como exemplo, o colunista chama a atenção para um sério problema: a má gestão e a falta de oxigenação política dos clubes brasileiros.

Vamos ao texto.

"Os Ratos

Dada a minha exuberante condição de flamenguista, sempre sou convidado a expressar minha opinião acerca dos mais variados assuntos do clube. Eu caí na esparrela de defender o Marcio Braga. 

Não esse que a maioria de vocês conhece; mas um sujeito revolucionário e transformador que na metade final da década de 70 fundou um movimento (FAF - Frente Ampla pelo Flamengo) destinado a mudar a cara do clube, que naquele momento parecia estar ficando para trás em comparação aos seus rivais. Muito do que enfeita a imponente sala de troféus da Gávea se deve a uma gestão então inovadora. O erro do Marcio Braga foi não ter percebido a hora de largar o barco e terminou seu mandato como uma farsa de si mesmo, fazendo besteira atrás de besteira.

Tocando nesse assunto, fiquei melancólico ao constatar que se passaram mais de trinta anos desde que a FAF tomou o poder no clube (1977, para ser mais exato) e de lá para cá os quadros que se sucederam no comando do clube são pavorosos, bizarrices como Edmundo Santos Silva (que até preso foi) e Kleber Leite. É nessa hora que todos fazem a pergunta clássica: como é que o Flamengo, o maior e mais poderoso clube do país, não consegue escolher uma liderança competente e arrojada?

Tenho minhas suspeitas. O modelo de escolha de gestores nos nossos clubes de futebol é repulsivo a executivos bem sucedidos, por força do ambiente de alta politicagem que permeia a escolha. Entendam, eu sou um entusiasta da política, seja na vida institucional, seja nos movimentos sociais, como na OAB ou nos sindicatos. Mas via de regra o embate político confronta diferentes correntes de pensamento, com corte ideológico bem definido.

No clube a única coisa em jogo é a briga pelo poder em si mesmo e pela vaidade de quem o ocupa. Ora, em um ambiente dessa natureza, a única coisa que conta para vencer a eleição é a sua capacidade de angariar apoios, cuja moeda de troca, sejamos francos, é a delegação de fatias de poder aos grupos influentes na política interna.

Além disso, o segmento de futebol é repleto das piores companhias. Os agentes de jogadores, os cartolas das federações, os intermediários de todo o tipo ávidos por negócios de curto prazo... É tudo gente de quem não se compraria um carro usado, mas com quem se é obrigado a negociar fortunas.

Um time pelo qual nutro uma renhida antipatia, por seu ar esnobe de quem 'come angu e arrota caviar', acaba de empossar como presidente uma pessoa muito acima da média do seus pares - a típica pessoa certa no lugar e hora errados. 

Se o Fluminense é superior ao Flamengo em algo é justamente na capacidade de cometer as maiores barbaridades e ninguém ter de prestar contas à Justiça. O clube, com uma arrecadação muito menor, tem uma dívida muito maior do que o Flamengo. Ou seja, geração de caixa negativa e preocupante.

O que fazer em um caso desses? Qualquer pessoa com um senso mínimo de responsabilidade se dedicaria a tentar sanear as contas e tentar fazer do clube algo que possa se sustentar quando alguém resolver fechar a torneira que um celerado resolveu abrir, fazendo gentileza com o chapéu alheio dos coooperados e fornecedores da entidade que preside - a Unimed. 

Só que aí vem o dliema central: austeridade e responsabilidade orçamentárias costumam ser incompatíveis com resultados de curto prazo em campo - ainda que, claro, possam garantir ótimos resultados no longo prazo.

E aí vem a sinuca de bico: ou o sujeito exerce sua autoridade, dá uma banana para os aliados e para a torcida e administra o clube 'comme il faut', correndo o sério risco de colher resultados pífios e atrair a revolta contra si, ou se rende ao ambiente deletério de sempre, agindo de forma imatura, irresponsável e voltada para resultados de curtíssimo prazo, jogando o seu prestígio no lixo.

Luiz Gonzaga Belluzzo, um dos homens mais inteligentes do país, que assumiu o Palmeiras sob entusiasmados aplausos e o deixará com sua imagem em frangalhos, preferiu a segunda opção. Oxalá Peter Siemsen (pronuncia-se “Péter” e não “Piter”), a quem não conheço pessoalmente, mas tenho uma penca de amigos em comum - afinal, somos da mesma geração, da mesma profissão, da mesma cidade - possa manter a firmeza necessária para agir de acordo com o que o seu preparo e sua biografia sugerem.

Porque o seu eventual fracasso só vai reforçar a minha impressão inicial: se é para continuar tudo como está e tocar o clube com a velha incompetência e bagunça de sempre, é melhor deixar os ratos tomarem conta mesmo. Afinal, de esgoto eles entendem melhor do que nós.

E esta conclusão vale para os clubes brasileiros em geral"


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Promoção: Agasalho do Fluminense, Campeão Brasileiro de 2010


Bom, após as duas camisas exclusivas do Flamengo - cujo resultado divulgarei hoje à tarde - temos uma nova promoção neste Ouro de Tolo.

Com o patrocínio da Okasion Eventos, da amiga, tricolor e colunista Thatiane Manfredi, sortearemos um agasalho oficial do Campeão Brasileiro de 2010, o Fluminense. Mais uma vez em parceria com o amigo Sérgio Merçon, foi disponibilizado para utilização da equipe campeã, ou seja, não é um exemplar vendido em lojas. Acima você pode ver a foto do prêmio. A calça é tamanho GG e o casaco, G.

Para participar é simples: basta postar um comentário com seu nome e sobrenome (não vale apelido), cidade, e-mail e indicar um post deste Ouro de Tolo do qual o leitor tenha gostado. O sorteio será eletrônico, como das vezes anteriores. Não podem participar pessoas ligadas à Okasion Eventos, patrocinadora do prêmio.

Ainda que o leitor não seja sorteado, há a possibilidade de se adquirir material utilizado em jogos da equipe e exclusivos: basta enviar um e-mail para o Sérgio Merçon e fazer a sua encomenda, a um preço acessível. Uma boa sugestão de presente.

A propósito, embora o titular deste blog seja rubro-negro, digo aqui que preferia o Fluminense campeão a Corínthians e Cruzeiro. Os clubes cariocas precisam se unir para enfrentar a concorrência das equipes paulistas, que são, na prática, nossas rivais hoje. Achei bem interessante o fato de termos dois anos seguidos campeões brasileiros do Rio de Janeiro e, decididamente, não me incomodou. Por outro lado é imprescindível que ambos os clubes melhorem os seus modelos de gestão.

O resultado da promoção será divulgado a princípio dia 24, véspera de Natal, mas poderá ser adiado para 25 ou 26 de acordo com a minha disponibilidade. O vencedor, caso seja do Rio de Janeiro ou de Niterói, necessitará retirar o prêmio comigo, caso seja de outra cidade o envio será feito pelos Correios.

Vamos ver se a torcida do Fluminense consegue superar o número de participantes da promoção anterior. Fica aqui o desafio.

Seja bem vindo a este espaço, participe e Boa Sorte !

P.S. - Uma perguntinha: porque a Unimed somente contrata jogador que esteja fora do Brasil, e sempre com valores exorbitantes ?


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Idiotice

Nos últimos anos, o futebol carioca sempre teve uma saudável tradição: a marcação de uma partida pelo Campeonato Carioca no sábado de carnaval. Era mais uma opção para o turista que está na cidade para as festas de Momo e que pode conhecer o templo sagrado do futebol mundial.

Anteriormente, a a partida era marcada em um horário que permitia aos interessados irem ao Maracanã e depois deslocarem-se ao Sambódromo, a fim de acompanhar desde o início o desfile do Grupo de Acesso A - que há alguns anos vem lotando as dependências do Sambódromo.

Entretanto este ano a tradição, saudável tradição, foi quebrada. Vasco e Fluminense farão uma das semifinais da Taça Guanabara às 18:30 !

Lembro aos leitores que, por conter duas escolas a mais em relação aos últimos anos o desfile terá início às dezenove horas. Ou seja, quem for ao jogo e à Sapucaí perderá, na melhor das hipóteses, as três primeiras escolas a desfilarem - sendo que uma delas é o Império Serrano, a maior atração da noite e segunda a pisar a passarela de desfiles.

A justificativa para a alteração do horário é de que a temperatura é menor, bem como atender aos interesses da televisão - que, ao que parece, não transmitirá a partida em televisão aberta. Infelizmente, é uma atitude sem a menor visão empresarial e que somente irá prejudicar a todos os interessados.

Contudo, é algo que não me surpreende nem um pouco, haja visto a postura da rede de televisão detentora dos direitos, monopolista, de somente "ver o próprio umbigo e o resto que se dane."

Outro ponto a ser verificado é a questão do efetivo policial, além dos meios de transportes. Ao que parece, são apenas detalhes.

Realmente, simplificar é difícil. Complicar é mais fácil. Idiotice pura.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Novo patrocinador tricolor


Tempos difíceis exigem medidas extremas. Apresento a vocês, em primeira mão, o patrocinador principal do Fluminense para a temporada de 2010. Para tempos funéreos, um plano funeral.

O plano de saúde, anterior dono da camisa tricolor, agora estará presente apenas nas mangas. Representará a (falta de) saúde do pobre do torcedor.

(Montagem: Alisson Fúrfuro)

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Estamos ficando para trás

Mais uma derrota do Flamengo com participação estratégica da arbitragem. Em Sampa, o Botafogo também pode reclamar do mesmo assunto.

Não escreverei aqui que "existe esquema de arbitragem", e outras coisas, mas queria chamar a atenção para um fato que é inexorável: o futebol carioca, hoje, é apenas o quarto ou quinto centro de futebol no país. Estamos atrás, certamente, de São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, e ombreando-nos com o Paraná.

Os resultados falam por si. Em Campeonatos Brasileiros, desde 2001 que o futebol carioca não conquista um título ou um vice-campeonato. A estrutura do nosso futebol é bem precária, para dizer o menos. Os clubes afogam-se em dívidas e perdem a capacidade de investimento.

A qualidade dos nossos dirigentes, também, contribui para esta decadência. Estes obtém sucesso em suas vidas particulares de forma inversamente proporcional à derrocada financeira dos clubes. São amadores no trato com as questões, além de não saberem pensar os clubes de forma profissional e estruturada. Talvez nem interesse fazer isso.

Uma boa medida de como os nosso ex-grandes clubes ficaram para trás reside no fato de que o clube carioca que possui o melhor Centro de Treinamento é o Tigres do Brasil, que acabou de subir para a Primeira Divisão Estadual e é gerido como um um clube empresa.

Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo, os dois primeiros penso eu um pouco mais, necessitam urgentemente profissionalizar as suas gestões, investir em estrutura, trazer novamente o torcedor para perto dele através de um bom marketing e aprender com as boas práticas de clubes de outros estados. Precisam também se unir para enfrentar a crescente perda de influência a nível nacional. Basta ver os clubes que recebem maior atenção da mídia nacional.

Mais uma medida necessária é uma defesa mais firme dos interesses junto à CBF. Leva quem fala mais alto, e hoje, falamos baixinho.

Se este processo não começar rápido, nosso destino será o de ter presença marginal no contexto do futebol brasileiro. Ainda dá tempo de reverter este quadro, mas precisa ser feito rápido.

Penso que o Botafogo está um pouquinho à frente neste cenário, mas lá o problema é outro: falta de grana. O clube, além disso, pelo tamanho de sua torcida possui bem menos oportunidades de auferir recursos com marketing do que Flamengo e Vasco.

Precisamos nos organizar. Ou os bons tempos jamais voltarão. E continuaremos a ser esbulhados pelo soprador de apito da ocasião...

terça-feira, 26 de maio de 2009

Um pouco de bom humor

Depois de três posts "pesados", um pouquinho de bom humor. Musiquinha da torcida do Fluminense na partida contra o Corinthians, citada pelo "Ancelmo.com":

"Boi, boi, boi
Boi da cara preta
Pega o Ronaldo
Que tem medo de...” (deixa prá lá)

Não é a torcida do meu time mas tenho de reconhecer o bom humor deles.

Aproveitando o ensejo, não dá para esquecer da hilária paródia que a gente cantou nas finais do Estadual pra infernizar a torcida do Botafogo:

"Ih ! Lá no Maraca eu nunca vi !
No Engenhão nunca tá lá
Os jogadores todos choram
Não tem torcida pra apoiar... ei

Ei ! Cadê você, cadê você !
cadê você, cadê você !"

Gosto destas paródias bem humoradas nos estádios. Mesmo quando pra ironizar a torcida do Flamengo, como a musiquinha do (toc toc toc) "pior ataque do mundo", em 1995.