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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Bissexta - "Arena do Grêmio: onde estão as rotas de fuga?"



Nesta terça feira, a coluna “Bissexta”, do advogado Walter Monteiro, versa sobre a recente inauguração da nova Arena do Grêmio e levanta algumas questões importantes sobre o estádio.

Arena do Grêmio: onde estão as rotas de fuga?

Não foi de caso pensado, mas dei sorte: não estava em Porto Alegre quando o Grêmio inaugurou seu novo estádio. Eu já tinha escrito um texto, faz muito tempo, elogiando a ousadia do clube e não custa repetir: ficou lindo, espetacular, maravilhoso. De babar de inveja mesmo.

É melhor ir deixando isso bem claro desde o início, porque eu tenho um monte de amigo gremista que me honra com a leitura ocasional ou mesmo habitual aqui no Ouro de Tolo - e não tardaria a aparecer um mais afoito a dizer que é inveja de flamenguista sem estádio.

Só disse que dei sorte de não estar na cidade no dia da inauguração porque simplesmente não se falava de outra coisa, no rádio, na TV, no elevador do prédio e na fila do supermercado. Um fim de semana monotemático a martelar minha cabeça. Se eu ainda fosse colorado, tudo bem: poderia dizer que era o caso de esperar mais alguns meses e desviar do assunto. Mas simplesmente eu não tinha o que dizer.

Inveja? Tenho sim, tenho muita. Queria mesmo um estádio igualzinho àquele para batizar de Arena do Urubu e tirar muitas fotos para mostrar para meus netos, provando que estive lá no dia da inauguração.

Mas meu ponto aqui é outro. É meu dever tocar nesse assunto chato em plena festa.

 
Do locutor que narrava a transmissão aos comentaristas da mesa redonda no rádio só se ouvia uma coisa: é um estádio de “primeiro mundo”, com um forte sotaque europeu, uma Allianz Arena riograndense. Tem até freeway ao lado: o estádio fica nas margens de uma rodovia que os portoalegrenses modestamente chamam de freeway, ainda que a velocidade média ali não passe dos 50km/h. Isso quando se dá a sorte de não estar engarrafado.

Essa fixação tupiniquim pelas coisas do além-mar, sabemos todos,  vem de longe, desde a época que Cabral trocou o ouro dos índios por uns espelhinhos. Mas já passou um pouco da hora de tanta bajulação ao velho mundo – até porque aqui pertinho de Porto Alegre, na cidade de La Plata, os hermanos construíram um estádio municipal fantástico e que nessa hora ninguém cita, porque não deve pegar bem colocar ‘aceituna’ na empanada sul-americana.

O que ninguém gosta de lembrar, contudo, é que o caderno de encargos da FIFA não vai além do cimento e da argamassa. O comportamento do público e da população que fica do lado de fora, infelizmente (ou, por outro lado, felizmente) ainda não foi regulamentado.

E é justamente aí que a porca começa a torcer o rabo.

Eu já estive em uma boa amostragem de estádios Brasil afora seguindo o Mengão e posso garantir que o jogo de maior risco para os rubro-negros é contra o Grêmio em Porto Alegre. Não que as organizadas do Grêmio sejam mais violentas do que as dos outros times, mas simplesmente porque no RS praticamente não há torcedores do Flamengo. Evidentemente, falo isso quando comparado a outros estados do Brasil onde reinamos,  mas fica a ressalva de que mesmo aqui somos maioria entre os times de fora.

Logo, as poucas centenas de flamenguistas que insistem em apoiar seu time no Sul viram uma presa fácil para os vândalos de plantão. Graças ao apoio da Brigada Militar (que é como os gaúchos chamam a PM), conseguimos construir uma alternativa viável: uma pequena rua em frente ao portão de visitantes do Olímpico era interditada para o estacionamento dos nossos veículos.

Um caminho alternativo nos permitia afastar do tráfego habitual e só nos encontrávamos com os torcedores locais, já distante do estádio. Tudo que a polícia precisava fazer era garantir que pelo menos a gente pudesse atravessar a rua em relativa tranquilidade.

As fotos deste post mostram que mesmo essa mera travessia ocorria sob um clima de tensão permanente, pois logo atrás da barreira de policiais, uma multidão tricolor provocava e só era contida à base de armas que disparam balas de borracha.

Dentro do estádio, ficávamos protegidos em um setor específico, separado por grades e com uma lona a impedir que uma torcida visualizasse a outra. Houve um ano onde esqueceram de colocar a lona e as provocações só pararam quando prenderam os mais exaltados de cada lado - aliás, no nosso lado prenderam dois colorados e do lado deles, um botafoguense.


Tudo isso para um mero jogo de futebol, onde a torcida adversária sequer tem um histórico de enfrentamento com os visitantes...

Só que na nova Arena tudo promete ser ainda mais difícil. O entorno do estádio é uma favela de proporções razoáveis e aparência miserável. É o cenário perfeito para o chamado “ataque”, que são ações planejadas pelas “linhas de frente” das torcidas organizadas - com o objetivo de roubar camisas e bandeiras dos rivais e espancá-los. Se for fácil armar uma emboscada e se esconder em ruelas no meio da favela, então estejamos preparados para o pior.

Mas o que realmente me preocupa é a parte interna.  Ainda não estive lá, mas em todas as fotos que vi não encontrei grades ou separação física de setores. Eu sei, na Europa não tem. Mas lá ninguém é molestado de forma tão acintosa pela torcida local – ou, quando o é, dá-se um jeito de isolar os visitantes.

Como será na nova Arena? Vamos ficar ali, sentadinhos, protegidos apenas por uma barreira humana de alguns policiais?

Não custa lembrar que mesmo no dia da festa da inauguração, o pau cantou feio lá no meio das organizadas do Grêmio (foto ao final do post), que ganharam um espaço privilegiado e exclusivo para elas, desenhado sob medida para seu jeito de torcer. O que não os impediu, contudo, de retribuir a gentileza provocando uma pancadaria generalizada. Se fazem isso em dia de festa e entre eles, o que farão conosco em um dia de disputa para valer?

Portanto, ao mesmo tempo em que parabenizo toda a comunidade gremista pelo magnífico estádio, humildemente peço a colaboração dos amigos para que mandem para nós um detalhado mapa com rotas de fuga bem demarcadas.

Os flamenguistas do Sul agradecem.


(Fotos: acervo pessoal do colunista e RBS)

sábado, 8 de dezembro de 2012

A Médica e a Jornalista - "Bola de Ouro"


Neste sábado, a coluna “A Médica e a Jornalista”, da Anna Barros, fala sobre os premiados da “Bola de Prata” do Campeonato Brasileiro.

Bola de Ouro

Com o término do Campeonato Brasileiro semana passada, não posso me furtar de falar sobre a eleição do melhor jogador da Bola de Prata, concedido em conjunto pela ESPN e pela Placar.

Neymar ganhou a Bola de Ouro ‘Hors Concours’ e como consequência Ronaldinho Gaúcho levou a Bola de Ouro. Pessoalmente discordo do prêmio conferido a Ronaldinho, porque em minha opinião o vencedor deveria ser o atacante Fred ou o goleiro Diego Cavalieri – ambos do Fluminense.

Sou fã de Fred e não é de hoje. Gosto de atacantes ‘cirúrgicos’ e Fred tem esse rótulo. E seu time ganhou o campeonato. Então...

Não sou contra o prêmio dado a Neymar, apesar de achá-lo um pouco precoce para tanto. Como diria o jornalista José Trajano, a impressão que se tem é que queriam premiar o astro são-paulino Lucas com a Bola de Prata de Melhor Atacante.

Talvez sim, talvez, não.

Mas Ronaldinho com a Bola de Ouro é difícil de assimilar. A Bola de Prata era merecida pelo ótimo campeonato que fez, levando o Galo ao segundo lugar que o possibilita disputar direto a fase de grupos da Libertadores - status que Cuca mais que desejava e por seu mérito conseguiu alcançar.

Mas premiações são assim: concordamos, discordamos, tecemos teses, a polêmica flutua e invade em tempos tecnológicos as redes sociais, as mais variadas delas.

Admiro a Revista Placar. Lia a revista, às vezes escondida dos colegas, que na época não aceitavam bem uma mulher, mesmo com toda a sua feminilidade e sensibilidade, gostar de revista de futebol.

Tive apenas um exemplar, a do Flamengo campeão da Copa União de1987, porque gostava do lateral-esquerdo Leonardo - hoje executivo do milionário Paris Saint Germain. Infelizmente dei a revista ao meu melhor amigo, o tricolor André, que precisava dela para completar a sua histórica coleção.

Mas a revista poderia ter ficado sem essa.

Hors Concours só Pelé e Clovis Bornay nos lendários desfiles de fantasias na época do Carnaval, nos áureos tempos de TV Manchete. Nunca essas duas palavrinhas ficaram tão em voga.

Fica o registro, apesar de concordarem patê com o título dado a Neymar. Sou fã do jogador. Eu o acho extraordinário e olha que era mais fã de Ganso antigamente. Para mim, ele só perde para Messi, Cristiano Ronaldo, Xavi, Iniesta, mas é questão de tempo. Não sei se superará Messi, mas isso é tema para outro post.

Abaixo o leitor pode ver a relação completa de vencedores.

Forte abraço a todos!
Anna Barros

Vencedores:

Goleiro
Diego Cavalieri (Fluminense)

Lateral-direito
Marcos Rocha (Atlético-MG) 

Zagueiros
Leonardo Silva (Atlético-MG)
Revér (Atlético-MG)

Lateral-esquerdo
Carlinhos (Fluminense)
   
Volantes
Ralf (Corinthians)
Paulinho (Corinthians)

Meias
Ronaldinho Gaúcho (Atlético-MG)
Zé Roberto (Grêmio)

Atacantes
Lucas (São Paulo)
Fred (Fluminense)

Revelação
Bernard (Atlético-MG)

Chuteira de Ouro
Neymar (Santos)

Hors Concours
Neymar (Santos)

(Foto: Placar)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Sabinadas - "A temporada de boatos e o jornalismo esportivo"


Nesta sexta feira, a coluna “Sabinadas”, do jornalista esportivo Fred Sabino, toca em um ponto importante: esta “temporada de boatos” das férias futebolísticas e a forma como a imprensa trata o tema.

Eu, pessoalmente, não ligo muito para esta temporada. Mas o post é um guia de referência para se entender o que é notícia e o que é especulação ou puro chute. Lembro aos leitores que o colunista não trabalha mais no jornal citado no texto.

A temporada de boatos e o jornalismo esportivo

Terminado o Brasileirão, começa uma nova temporada: a das especulações de transações entre os times até o começo dos Estaduais.

Por incrível que pareça, ao contrário do que se pode pensar, tais especulações vendem - e vendem muito - em sites e jornais esportivos brasileiros. Muitas vezes mais pela expectativa que um possível reforço leva ao torcedor que pela veracidade da informação.

Evidentemente há aquelas notícias de negociações com embasamento, em que existem realmente tratativas e o material publicado condiz com o que, de fato, ocorre. Mas, por outro lado, há também notícias falsas: seja por apuração insuficiente por parte do repórter, por "chute" do jornalista em busca de um furo (é o famoso "se colar, colou"), por preocupação do veículo em "vender" de qualquer forma ou até por aquelas notícias "plantadas" por dirigentes.

Posso relatar dois exemplos altamente positivos que vi de perto quando trabalhava no Diário LANCE!: as contratações de Vagner Love pelo Flamengo em 2010 e a de Seedorf pelo Botafogo em 2012.

Em ambos os casos, vi de perto os repórteres apurando exaustivamente as informações e trocando ideias com os editores que, entre eles, também discutiam a validade de se publicar determinada notícia nova sobre a negociação até que outras fontes fossem ouvidas.

Nos dois casos, o LANCE! publicou primeiro - e com correção - a notícia da negociação e também da contratação. As matérias saíram sempre com muitas informações de bastidores, como tempo de contrato, valores, entre outras coisas, e não simplesmente uma notícia vazia, sem embasamento.

Mas infelizmente há casos em que tais premissas são deixadas de lado.

Por exemplo, nos anos 90 um jornal carioca - sinceramente não me lembro qual - estampou em letras garrafais: "BATISTUTA NO FLAMENGO". Na época, a internet ainda engatinhava e eu nem engatinhava enquanto jornalista, já que comecei a faculdade no ano seguinte. Inocentemente comprei o jornal e a matéria quase não tinha informações. Então, ou era "chute", ou notícia plantada ou má apuração. É claro que Batistuta (foto) nunca jogou no Mengão.

Com o passar dos anos, e da profissão, passei a saber filtrar melhor aqueles veículos (jornais, TVs, rádios, sites, etc) que passavam mais informações com correção e, principalmente, comparar o tipo de texto de uma notícia que se revelou verdadeira com uma que se mostrou equivocada.

Por exemplo, leitor: desconfie quando um clube X estiver numa crise e, de repente, surgir uma notícia de uma negociação bombástica. Normalmente os dirigentes plantam essas notícias para desviar o foco dos problemas da equipe naquele momento.

Desconfie também quando um clube Y estiver com um elenco péssimo e aparecer a informação de que o craque Z está a caminho. Um craque nunca negocia com um clube de elenco ruim; enquanto para o dirigente é importante dar uma satisfação à torcida para arrefecer as cobranças.

Preste atenção também no histórico do repórter. Caso o jornalista seja conhecido pelo excessivo número de "barrigas" (quando o jornalista publica ou divulga uma informação errada), desconfie quando ele anunciar um grande troca-troca entre clubes.

E, principalmente: desconfie quando as matérias não houver muitas informações de bastidores ou quando o contexto publicado for esquisito demais.

Existem ainda os casos em que a negociação começa de forma verdadeira, mas a transação não se confirma por N motivos. Um exemplo foi quando o meia Márcio Mossoró se destacou no Paulista de Jundiaí. Na semana em que o clube paulista bateu o Fluminense na decisão da Copa do Brasil, Flamengo e Vasco efetivamente negociavam com o jogador.

Mas aí alguns dirigentes de ambos os clubes começaram a passar informações truncadas e tentar tirar partido disso na negociação. No fim, ninguém contratou o jogador.

[N.do.E.: o atleta em questão foi contratado posteriormente pelo Internacional de Porto Alegre. Hoje joga em Portugal.]

Ao longo dos últimos anos, com sites, blogs e redes sociais, a quantidade de notícias imprecisas cresceu ainda mais, devido à necessidade de se ‘subir’ logo alguma matéria antes do concorrente. Como é possível ir editando as matérias publicadas, muitas vezes se acrescenta ou corrige o texto sem que o leitor seja informado dos erros.

Eu, sinceramente, conforme fui ganhando experiência no jornalismo, cada vez menos passei a ler o noticiário de futebol nessa entressafra. Prefiro esperar as confirmações e o jogador vestir a camisa.

Mas para você, leitor: recomendo acompanhar bem de perto essa fase para aprender a separar o joio do trigo a partir de agora.

Flamengo em novas mãos

Na semana em que os rubro-negros (eu inclusive) comemoram o terceiro aniversário do hexacampeonato, Eduardo Bandeira de Mello derrotou Patricia Amorim na eleição para o triênio vindouro.

Minha avaliação sobre gestão Patricia é bem simples. Houve avanços inegáveis na sede social e no centro de treinamento, mas, nas questões relativas ao futebol, o desastre só não foi de 100% porque o Mais Querido não foi rebaixado no Brasileirão. Nunca o Flamengo foi tão achincalhado e motivo de chacota como nesses três anos, pela incompetência dessa diretoria.

Fui sócio do clube por duas décadas, mas, por compromissos profissionais e, principalmente, por estar morando em São Paulo nos últimos anos não acompanhei de perto o processo eleitoral como em outras ocasiões.

Diante disso, só posso dizer o seguinte: espero que a Chapa Azul, vencedora no pleito após o apoio de ícones como Zico e Júnior, retome a tradição democrática do clube e seja 100% transparente, além de cumprir as (inúmeras) promessas de campanha, principalmente a da ruptura com os atuais conceitos de gestão.

Torço muito pelo sucesso de Eduardo Bandeira de Mello e seus parceiros. O sucesso deles nessa jornada será o sucesso de um dos amores da minha vida.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Orun Ayé - "O futebol em 2012"


Neste domingo, a coluna “Orun Ayé” do compositor Aloisio Villar faz um balanço da temporada do futebol brasileiro e escreve algumas notas sobre a situação da Portela.

Estive no Flamengo e Vasco do último sábado (foto) e meu veredicto é definitivo: tirando a dupla de zaga e Vágner Love, os outros oito jogadores que iniciaram a partida precisam imperativamente ser dispensados.

O futebol em 2012

Nesse domingo, praticamente chega ao fim a temporada 2012 do futebol brasileiro. Digo praticamente porque em duas semanas ainda teremos o Corinthians em sua saga buscando o título mundial e o São Paulo na final da Copa Sul Americana.

Tivermos de tudo nessa temporada. Ídolos vaiados, quebras de contrato, conquistas inéditas, campeonatos xexelentos, grandes caindo, técnicos demitidos. Enfim: um ano como outro qualquer.

Mas uma coisa é certa vendo esta temporada: o futebol brasileiro precisa ser repensado.

O ano começou como começaram todos os anos de 2010 pra cá e esses anos terminaram: com Patrícia Amorim envergonhando os torcedores do Flamengo.

Uma pré temporada conturbada, com brigas entre o técnico Wanderley Luxemburgo e o jogador Ronaldinho Gaúcho - com o primeiro acabando demitido tal como foi em 1995 quando ele brigou com Romário.

Pela desorganização o clube perdeu peças importantes como Thiago Neves, viu jogador recusando-se a viajar por falta de pagamentos como Alex Silva e a conseqüência de toda essa desorganização veio em um ano péssimo.

Eliminação logo na primeira fase da Libertadores, eliminação no campeonato carioca - forçando o clube a realizar “férias forçadas”, fraco campeonato brasileiro e o auge da incompetência ao ver Ronaldinho Gaúcho abandonar o clube e cobrar 40 milhões na justiça.

E o torcedor do Flamengo viu seu ex jogador Thiago Neves campeão brasileiro e seu ex treinador Wanderley Luxemburgo brigar pelo vice campeonato com seu ex jogador Ronaldinho Gaúcho.

Um ano para se esquecer e que espero que comece a ser esquecido amanhã nas eleições presidenciais do clube.

Ao contrário do clube mais popular do Brasil, o segundo mais popular teve um grande ano, o melhor de sua história. Falo do Corinthians.

Começou o ano campeão brasileiro, com um técnico que deu padrão tático ao time de tal forma que fez uma Libertadores perfeita. A competição sempre foi um grande trauma para sua torcida e motivo de gozação para os adversários. Acabou conquistada de forma invicta, em uma das melhores campanhas da história da competição.

E ao contrário dos outros clubes que conquistou a competição não desistiu do ano. Não fez um brasileiro como poderia, mas fez uma campanha digna alcançando até agora o quinto lugar da competição. O técnico Tite fez experiências, testou jogadores, deu folga a outros e o time parece chegar forte ao mundial. O brasileiro com mais chances de conquistas dos últimos anos.

O clube que era uma bagunça igual ao Flamengo se organizou. Tudo bem que teve ajuda do presidente Lula e de outras esferas de poder, mas teve competência também. Conseguiu patrocinadores fortes, contratou grandes jogadores que impulsionaram seu nome e marketing e por fim o seu estádio, a Arena Corinthians - que será palco da abertura da copa.

Faz o caminho inverso do Flamengo e se isso continuar por mais alguns anos pode obter a supremacia do futebol brasileiro.

Cruzeiro, Santos e Inter decepcionaram, pois se esperava mais destes clubes pela seqüência recente de conquistas. O Grêmio voltou a viver um bom ano e vive a expectativa da Libertadores com sua nova arena. São Paulo com Ney Franco dá sinais que pode voltar a ser o grande São Paulo da década passada.

Botafogo e Atlético Mineiro deram mostras de sobrevida através de craques. Botafogo ousando contratando Seedorf, Atlético arriscando e contratando Ronaldinho.

Os dois deram certo. A contratação do holandês foi uma grande ousadia do Botafogo, clube acostumado à depressão que resolveu levantar a cabeça e mostrar sua grandeza. O título não veio, nem a Libertadores, mas o clube faz uma boa campanha e mostra que mantendo o elenco com algumas contratações pode ter um 2013 promissor.

O Atlético também não ganhou o brasileiro, mas recuperou a auto-estima. Manteve o técnico Cuca que lhe salvou do rebaixamento no ano anterior (como fez com o Fluminense em 2009), contratou reforços pontuais, um grande craque e alcançou a Libertadores. Fica a frustração de não alcançar o título, mas a esperança de um 2013 de conquistas caso mantenha o elenco. 

Vasco começou bem o ano, como foi seu ano todo de 2011, mas desmanchou o elenco e acabou de forma terrível. A administração Roberto Dinamite parece naufragar ao meio de desorganização e dívidas.

Palmeiras foi do céu ao inferno em questão de meses. Desde 1976 vive problemas políticos e administrativos não conseguindo ganhar títulos sem o auxílio de uma parceria. Ganhou a Copa do Brasil esse ano e se iludiu que teria um bom elenco, mesmo com essa competição não contando com os principais clubes do futebol brasileiro.

Ficou quase o brasileiro todo na zona de rebaixamento e a queda, a segunda em dez anos, foi confirmada com dois jogos de antecedência em um empate com o Flamengo. O Palmeiras é um bom exemplo da forma como o futebol brasileiro é dirigido. Um grande clube que agoniza na mão da incompetência e tem que se virar ano que vem tendo que montar time ao mesmo tempo para disputar a Libertadores e a série B.

Assim como no Flamengo o Palmeiras viverá eleições e elas sempre são um momento de esperanças, de mudanças.   

O Fluminense foi o campeão brasileiro. Campeão com três rodadas de diferença e chegamos à última com um campeonato sem emoção nenhuma, aonde a única briga é pra evitar a última vaga do rebaixamento. Dizem que pontos corridos é o sistema de campeonato mais justo. Eu já penso que justiça tem que a ver em julgamentos, em distribuição do dinheiro para educação, saúde, segurança. Esporte não é lugar de justiça e sim de emoção.

O campeonato brasileiro foi o mais xexelento, mais sem emoção da história, mas o Fluminense tem nada com isso. O tricolor sofreu uma fase muito ruim nos anos 90 passando por três rebaixamentos consecutivos e desde então recebeu o patrocínio da UNIMED.

De 2007 para cá esse patrocínio começou a gerar frutos. Ganhou a Copa do Brasil daquele ano, foi finalista da Libertadores de 2008 e da Sul Americana 2009, ganhou os brasileiros de 2010 e 2012.

Triplicou suas dívidas, é hoje o clube mais endividado do Brasil e ninguém sabe como será seu futuro no dia em que romper com a patrocinadora.

Mas o seu presente é muito bom. O Fluminense vive um momento histórico, talvez o melhor momento da história do clube. Têm um time com super craques, outros sendo revelados da sua base em Xerém e parece que sua conquista de Libertadores é questão de tempo.

Sobrou no campeonato brasileiro desse ano e ainda luta pra se tornar o melhor campeão da história dos pontos corridos. Mas não joga um futebol que me agrada e nem agrada à maioria dos torcedores. Tomou sufoco, levou pressão em quase todos os jogos e ganhou porque tem um elenco forte, que conseguia vencer através de “momentos cirúrgicos”.

O torcedor tricolor não quer saber dessas coisas: quer ser campeão. Mas analisando o futebol do Fluminense (melhor time do Brasil) e Barcelona (melhor time da Espanha), nós vemos o porque do momento dos dois países no cenário mundial.

E o auge dessa bagunça que é o futebol brasileiro aconteceu agora, com a demissão do técnico Mano Meneses.

A CBF teve um ano e meio para demitir o Mano: na verdade era nem pra ter contratado. O treinador teve fraco desempenho durante um bom tempo, perdeu Copa América de forma vexatória, não conseguiu ganhar de nenhum top 20 do futebol mundial. Mas quando as coisas pareciam se ajeitar, quando ele conseguiu dar padrão ao time e esperanças ao torcedor foi demitido.

E o pior, foi demitido não por questões técnicas, mas questões políticas e o pior ainda: seu substituto será o Felipão, que ganhou esse prêmio depois de ter ajudado no rebaixamento do Palmeiras.    

Podiam ter contratado Pep Guardiola, melhor técnico do mundo que disse que viria correndo: mas preferem a xenofobia, o nacionalismo exacerbado e descartaram o treinador. Bobagem, porque o mais brasileiro dos técnicos hoje é ele.

Mas é capaz de ainda com toda essa confusão o Brasil ser campeão do mundo: eu não duvido.

Deus é brasileiro e gosta de futebol.

Portela

[N.do.E.: providências estão sendo tomadas a fim de reverter esta situação.]

Não tem nada a ver com futebol, mas tem a ver com desorganização. Não sou torcedor da escola, não está entre minhas cinco agremiações preferidas, mas a obrigação de todo sambista é pelo menos ter respeito pela Portela.

E como sambista fico estarrecido com a forma que a agremiação vem sendo tratada por seus comandantes. Barracão parado, funcionários sem receber, corte de luz e, semana passada, carro de som em greve. Para o bem do carnaval faz-se preciso mudanças urgentes e se o senhor Nilo Figueiredo tem algum amor pela Portela ou mesmo alguma vergonha na cara é hora de pedir o boné e sair. 

Meu total apoio aos meus amigos portelenses e à maior vencedora do carnaval carioca.

Deixe a Portela passar, é voz que não se cala, é canto de alegria no ar. Orun Ayé!

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A Médica e a Jornalista - "A ‘Black Friday’ de Mano"



Excepcionalmente nesta segunda feira, a coluna “A Médica e a Jornalista”, da Anna Barros, fala sobre a (para mim, não tão) surpreendente demissão do técnico da seleção brasileira Mano Menezes.

Notícias publicadas na imprensa hoje dão conta de que Felipão está acertado para ser o substituto. Acho, simplesmente, o pior nome disponível, por estar parado no tempo (não faz um trabalho ao menos razoável desde a seleção de Portugal em 2006) e ter um conhecimento tático risível. Sem contar seu assumido preconceito contra jogadores de times cariocas.

Sou a favor de um técnico estrangeiro, porque nossos profissionais estão 40 anos atrasados no tempo. Cláudio Coutinho, idealizador do Flamengo campeão do mundo em 1981, era mais avançado taticamente que qualquer, repito, qualquer treinador de hoje.

A meu juízo, Pep Guardiola seria o nome. Passemos ao texto.

A ‘Black Friday’ de Mano

E o ‘Black Friday’ de Mano Menezes ocorreu último dia 23 de novembro. Quando as pessoas menos esperavam, o técnico gaúcho que comandava a seleção brasileira há dois anos foi demitido. 

Uma reunião da cúpula da CBF com Marin e Marco Polo Del Nero decretou o veredicto, por mais que Andrés Sanchez tenha sido voto vencido. E o mais surpreendente: em um momento onde o time ganhava algum padrão de jogo e certa estabilidade. Será que o ‘Zé das Medalhas’ esperou o ano terminar para que o último resquício da Era Ricardo Teixeira fosse eliminado?  

Não saberemos, enfim. 

As especulações aparecem: Felipão , Muricy ou Tite? Quem será o novo técnico que a dona CBF vai anunciar em janeiro próximo? 

Felipão levou o Palmeiras para a série B, mas é o preferido de Del Nero. Muricy é ótimo, mas ainda tem contrato com o Santos. É o preferido de Marin. E Tite é o melhor técnico do campeonato, a meu ver, melhor que Abel. Dizem que estão esperando que Tite ganhe o Campeonato Mundial de Clubes pelo Corinthians para que seja contratado.

Mas o meu preferido é Pep Guardiola.

Pois ele seria uma aposta arriscada e ousada, que nossos cartolas talvez não tivessem peito e coragem para anunciar. O próprio Guardiola disse que aceitaria o cargo de técnico da amarelinha no dia seguinte ao convite, segundo o Diário Lance!do último sábado,dia 24. Deveriam ao menos conversar com ele, se há essa disponibilidade. A conferir.

Atualmente, Guardiola seria o único com chances de resgatar o verdadeiro futebol brasileiro, de plasticidade, de toque de bola, à la Barcelona. Ele mesmo se disse inspirado na Seleção Brasileira de 1982. A menos de dois anos da Copa que sediaremos em casa, é um tiro no pé. Haja organização e planejamento...

‘Ironic mode on’, como se diz no Twitter, claro...

Forte abraço aos leitores. Até a próxima!
Anna Barros

(Charge: Mario Alberto, Lancenet)

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Bissexta - "Eleições no Flamengo – um novo tempo"



Nesta quarta feira, a coluna “Bissexta”, do advogado Walter Monteiro, volta a falar das próximas eleições a acontecer no Flamengo, dia 03 de dezembro.

Em tempo: venho sendo instado a declarar meu candidato preferido no pleito. Embora não ache que meu apoio ou não tenha a menor importância – até porque sou apenas um simples torcedor – informo que ainda me encontro indeciso. Se até lá me decidir informarei aqui.

Passemos ao post.

Eleições no Flamengo – um novo tempo

Estive na Gávea no último sábado, inteiramente dominada pelo ambiente eleitoral. Eu venho falando e escrevendo sobre a eleição faz tempos e estive presente em vários eventos. Todavia, ainda me faltava estar presente no coração do processo, que é o corpo-a-corpo no clube.

Bom, a Gávea respira a eleição, mas não exatamente como se imagina que seja.

Primeiro, a cordialidade. Não há esse clima de guerra declarada que se vê nas redes sociais. O quartel general das campanhas se concentra no bar das piscinas e ali ficam todos misturados. É comum ver militantes de uma chapa conversando com os de outra, de forma muito amistosa. Candidatos também: conversam longamente uns com os outros, em clima de paz. Mesmo figuras, digamos, polêmicas, como Capitão Léo, passam despercebidas, trocando cumprimentos apenas.

Patricia circula com absoluta tranquilidade. Como o clube estava cheio de gente como eu, que foi lá para participar da cerimônia anual de diplomação das Embaixadas e que ocorre próximo ao aniversário do Flamengo, muitos representantes das Embaixadas estavam ali pela primeira vez,  um tanto deslumbrados em pisar no Templo Sagrado. Estes pediam autógrafos e tiravam fotos com a Presidenta. Pode parecer estranho a muitos encontrar gente que ainda se emociona com a Patricia, mas essa é uma realidade concreta: ela é querida por uma parcela da Nação.

Eu, que a processei na Justiça e não a via desde então, estava curioso para saber como seria a reação dela, mas Patricia agiu como sempre: foi gentil e me cumprimentou educadamente. Contudo, rapidamente saiu da mesa onde eu estava para seguir seu périplo em caça aos eleitores, sem me dar a chance de alongar a conversa.

Como eu suspeitava, a correlação de forças internamente não é exatamente igual ao que se imagina do lado de fora. A supremacia da Chapa Azul não é tão nítida. E uma chapa que pouco se presta atenção, a chapa do Jorge Rodrigues, tem uma presença marcante.

A maioria dos que vestiam a camisa rosa de Jorge era de pessoas mais velhas, sócios do clube de verdade: não cabos eleitorais contratados. O ex-presidente George Helal, que muita gente até se esquece dele - mas é um grande eleitor interno, sentou-se tranquilamente em uma mesa com a camisa do Jorge Rodrigues e logo muitos amigos vieram se juntar a ele. Ele ali, sentado, sozinho, tomando água mineral e conversando, tem mais votos que um batalhão de gente que se acha influente.

Há suspeitas que Jorge e Patricia possam se aliar, afinal faz pouco tempo estavam juntos. Se isso acontecer, o jogo passa a ser outro.

Outra hipótese possível é uma aliança das demais chapas oposicionistas, sem a participação da favorita Chapa Azul. Isso ocorrendo, a eleição chegaria muito embolada na reta final.

Mas eu não acredito em nada disso.

Acredito que teremos todas essas chapas na disputa e menos eleitores do que em 2009, quando a votação se deu em clima de euforia, no dia seguinte ao Hexa. Agora, com o Flamengo praticamente em férias e a Chapa Azul despontando como virtualmente eleita, a tendência é que menos gente se anime a ir até o clube votar em uma disputa que se diz decidida (ainda que eu não aposte que esteja).

O que eu mais gostei, entretanto, não foi nada disso que comentei até agora. Como é notório, a política rubro-negra é dominada por vetustos senhores, onde ser grisalho ou calvo parece ser a regra – e Patricia, mulher e muito mais nova, é a exceção.

Graças a essa característica, se acredita que há um abismo entre a Nação e os sócios do clube; bem como que a política interna é dominada por caciques e seus feudos, que se enfrentam a cada três anos em uma luta fratricida.

Pode ser verdade, pode ser que AINDA seja verdade, mas é algo em franca extinção. A política do Flamengo está claramente em mutação, talvez como tenha ocorrido aos tempos da FAF de Márcio Braga, que trouxe ao clube gente então mais jovem, que nunca havia passado por lá - e que depois se estabeleceram como as lideranças que até hoje ainda dão as cartas na Gávea.

A maior dessas transformações, por certo, está por vir quando da mudança estatutária. Mais cedo ou mais tarde o clube há de abrir as portas para um programa de sócio torcedor, com direito a voto. E nessa hora, fazer política nos círculos de discussão rubro-negros, nas redes sociais e saber se comunicar com uma nova geração de flamenguistas vai ser muito mais importante que ficar conversando à beira da piscina.

A eleição desse ano, que não foi exatamente assim, plantou as sementes para os futuros líderes desse processo. Gente que transita entre o público da Gávea e a Nação que está muito além do charmoso quarteirão do enclave entre a Lagoa , o Leblon e o bairro da Gávea.

Tiago Cordeiro, JEFF, Vivi Mariano, Tulio Rodrigues, Henrin, André Monnerat, Sandro Rilho, Rafael Strauch, Renato Croce e vários outros que estão por aí (e que eu não cito nominalmente porque só escolhi os amigos, deixando de fora, injustamente, os que não conheço e mais injustamente, os amigos que esqueci), se não desistirem, serão as pessoas que em 5 ou 10 anos ocuparão papel de destaque nos temas da Gávea. Estes amigos tem em comum o fato de não terem herdado o título de algum parente, não serem filhos de conselheiros, não terem nadado na piscina do clube e terem pouco tempo de atuação nas demandas políticas.

Em paralelo, o crescimento do projeto das Embaixadas, do qual eu tenho orgulho de participar, começa a estreitar os laços de rubro-negros distantes e constrói lideranças regionais igualmente preocupadas com a necessidade de modernizar a gestão do clube.

Tudo isso somado forma a vanguarda da Nação, que começa a dar as caras além de meramente torcer nas arquibancadas. É possível ter esperanças com um novo Flamengo que ameaça nascer, dessa vez não com gente que reuniu para praticar esportes, mas com gente que dialoga a partir do saudável – e nem sempre exercido – hábito de pensar.

(Foro: Uol)

domingo, 18 de novembro de 2012

Orun Ayé - "Eu teria um desgosto profundo"



Neste domingo, a coluna Orun Ayé, do compositor Aloísio Villar, fala sobre o aniversário do Flamengo, completado no último dia 15.

Eu teria um desgosto profundo

Em agosto fiz uma coluna, que surpreendeu muita gente, falando do aniversário do Vasco. Então nada mais justo que nessa semana fale do meu clube do coração.

É um dos primeiros amores da minha vida e um dos maiores também. Maior motivo de choro de minha existência até hoje: choros de alegria, emoção porque sou uma pessoa que raramente chora de tristeza e que nos últimos tempos tem maltratado muito meu coração e esfriado meu sentimento. Diminuído não, porque esse continua intenso.

Na última quinta o Clube de Regatas do Flamengo fez 117 anos. Não simplesmente um clube de futebol.

O Flamengo é uma força da natureza. Ele troveja, muda o sistema de rotação da Terra, é motivo de catarse. Nelson Rodrigues já falou sobre essas coisas muito bem, mas ele mesmo eu acho que não consegue explicar o sentimento do rubro-negro pelo Flamengo. Não existem palavras pra definir, não foram inventadas essas palavras.  

O Flamengo tem mais de trinta e cinco milhões de fiéis, essa quantidade é maior que a de muitos países e religiões. O Flamengo é o nosso país, nossa religião - sendo comprovado na expressão “Nação rubro-negra”. Eu já ouvi uma expressão que diz “pelo Brasil a gente morre, pelo Flamengo a gente mata”.

Expressão exagerada, mas que mostra esse amor.

Um amor democrático que une pobres, riscos, velhos, jovens, homens, mulheres, que rompe as fronteiras do Rio de Janeiro e cria torcedores apaixonados por todo o Brasil e o mundo.  O Flamengo não tem fronteiras, ele é universal.

O Flamengo sempre esteve presente em minha vida. No começo dos anos 80, muito criança, já acompanhava as reuniões de família para os jogos do clube. Lembro bem da final do Mundial de Clubes (13 de dezembro de 1981), quando nos reunimos na casa da cunhada de meu tio Junior na zona sul do Rio.

Tinha cinco anos, mas me lembro bem da movimentação, da sala cheia, fogos, buzinaço e a vibração com a conquista rubro-negra – até hoje ainda inédita no futebol carioca.

Em 1983 acompanhei por conta própria, apenas meu interesse, o primeiro jogo do Flamengo. Na época era mais difícil transmissão televisiva de futebol e acompanhei pela rádio Nacional o jogo Flamengo x Santos pela final do campeonato brasileiro de 1983.

Naquela época eu tinha decidido torcer contra o Flamengo sob a alegação de que ele só vencia e isso enjoava. A velha mania de torcer pelo mais fraco.

[N.do.E.: o colunista deve estar feliz nos últimos tempos (risos)]

O Santos vencera a primeira partida por 2x1 e jogava pelo empate a partida de volta no Maracanã. Nem deu tempo do clube santista se empolgar. Zico fez o primeiro gol logo no primeiro minuto e no fim do jogo uma situação curiosa que me intrigou na infância.

Antes do terceiro gol marcado por Adílio o “garotinho” José Carlos Araújo que fez a narração disse “vai sair o terceiro gol do Flamengo”. Fiquei anos tentando descobrir como ele sabia que seria gol.

Enfim, o gol saiu e o Flamengo foi campeão. Esta partida e o Flamengo 3 x 2 Atlético Mineiro - brasileiro de 1980 - se transformaram nos dois jogos da história do futebol que eu queria ter visto.

No ano seguinte me tornei oficialmente torcedor do Flamengo - para nunca mais deixar de ser – em ma derrota: 4 x 1 pro Corinthians no brasileiro de 1984, jogo que nos eliminou.

Nesse ano também ocorreu meu primeiro choro por causa do Flamengo, o primeiro e acredito único até hoje numa derrota e que mesmo assim minha mãe e avó sempre falavam que eu era fanático pelo clube a ponto de chorar quando perdia. Foi no 0x0 com o Grêmio no Pacaembu após 120 minutos, que eliminou o clube da Libertadores.

Choros de alegria foram muitos. A conquista do estadual de 1986 me marcou por ser o primeiro título que vi do Flamengo como torcedor fanático. Outros jogos especialmente me marcaram, como a semifinal do brasileiro de 1987 quando tínhamos um timaço que venceu outros timaços; campeonato em que Zico teve que tomar infiltração para jogar e que alguns idiotas teimam em tentar nos tirar.

O Atlético tinha um super time e chegou invicto à semifinal. O Flamengo venceu por 1x0 no Maracanã, gol de Bebeto [N.do.E.: eu estava no Maracanã] e foi com a vantagem do empate para o jogo da volta no Mineirão.

Abriu com facilidade 2x0, o Galo teve um jogador expulso e mesmo assim conseguiu o empate. Fiquei com medo e parei de ver o jogo, indo para o quarto. De lá ouvi gritos da minha sala e minha mãe correu para me contar que saíra gol do Flamengo. Corri e ainda vi a confusão porque o Renato Gaúcho xingou o Telê após o gol.

Abre aspas: só um nerd, um molequinho que não conhece a história do Flamengo pode xingar o Renato. O que ele fez com a camisa do clube foi monstruoso.

Foi para mim a maior vitória que vi do Flamengo, como a derrota mais doída foi o Fla x Flu do gol de barriga em 1995 - com gol do mesmo Renato.

Tive bons e maus momentos torcendo pelo Flamengo, como torcedores de todos os times tiveram.

Meu último momento sublime com o clube foi na conquista do título brasileiro de 2009, comandados por Adriano e Petkovic. Eram 17 anos sem títulos brasileiros e o fim do jogo me fez voltar a chorar lágrimas rubro-negras. A diferença é que em vez da minha mãe era a Bia com poucos meses de idade que me olhava sem nada entender.

E ela será rubro-negra também, como eu sou, como minha mãe foi, meu avô. O Flamengo é imortal: está enraizado na minha família, em muitas famílias e no sorriso desdentado do povo brasileiro. Que é chamado de favelado, mulambo por outros torcedores - mas tem orgulho disso.

O Flamengo é favela: é o clube do cara que acorda cinco da manhã e pega três ônibus, trem para chegar ao serviço, que recebe um salário de fome que mal dá pra sustentar sua família. Mas esquece todas as mazelas do mundo, o tanto que a vida lhe maltrata quando vê aqueles homens com a camisa preta e vermelha entrar no gramado. No dia que o jogador do Flamengo, que estiver com aquela camisa, tiver a noção do que ele representa o Flamengo será invencível.

Também é o clube dos ricos, de gente como Roberto Marinho. Uma vez, irritado, ligou para a Rede Globo perguntando porque o jogo do Flamengo não estava sendo transmitido. No jogo seguinte, para não tomar outra bronca do chefe passaram o jogo, mas apenas para sua televisão - e ele pensou que fosse para todo Brasil.

[N.do.E.: o curioso é que o perfil dos sócios e dirigentes do clube é MUITO elitizado.]

O Flamengo é o clube dos grandes ídolos.

Domingos da Guia, Leônidas, Valido, Rubens, Dequinha, Pavão, Zizinho, Zagallo, Evaristo, Dida, Gerson, Garrincha, Dorval, Geraldo, Paulo César Caju, Rondinelli, Aldair, Leonardo, Zé Carlos, Fillol, Edinho, Bebeto, Jorginho, Renato, Gaúcho, Zinho, Edílson, Petkovic, Juan, Julio César, Gamarra, Adriano, Romário, Ronaldo Angelim, Ronaldinho Gaúcho.

E mais Raul, Leandro, Figueiredo, Mozer, Junior, Andrade, Adílio, Titã, Nunes, Lico...

... E ele, ele que se o Flamengo é uma religião ele é nosso Deus.

Zico.

O clube não passa por um momento bom. Anos e anos de má gestão, péssimas administrações, brigas vaidosas pelo poder, mau caratismo e canalhices. Tudo isso chegou ao ápice na administração da senhora Patrícia Amorim e fizeram o clube que era para ser um dos mais poderosos do mundo estar em frangalhos, falido. Sendo humilhado, motivo de chacota.

Mas sempre existe a esperança de dias melhores e eles virão. Não sei se a partir do dia 3 de dezembro, dia das eleições para presidente do Flamengo. Acredito que não porque o cenário não é animador, mas o Flamengo é muito maior que eles, o Flamengo somos nós e todos os seus apaixonados.

E por mais que muitos torçam contra, mesmo quem se diz Flamengo, somos poderosos, somos maioria, somos a raça de um jogador medíocre que sabedor de seu não talento dá o sangue numa partida de futebol, enche a camisa de suor por saber a importância daquela pele que veste e vira ídolo.

Há de chegar o dia que o Flamengo não precisará de jogadores, bastará a camisa pendurada nas traves para amedrontar os adversários e, dessa forma, o Flamengo continuará. Fazendo história, apaixonando, nos fazendo ter o coração puro como o de uma criança que por alguns momentos esquece que a vida pode ser uma porcaria em um grito de Mengo acompanhado por amigos na arquibancada ou ao abraçar a pessoa que você nunca viu na vida na hora do gol.

E mais e mais crianças como eu naquele mundial de 1981 serão apresentados ao Flamengo perpetuando a nossa raça: a raça rubro-negra.

117 anos só? Fala sério. No sétimo dia Deus descansou e foi ver um jogo do Flamengo.

Flamengo sempre eu hei de ser. Orun Ayé!

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Bissexta: "Eleições no Flamengo – quando ter convicções vira pecado"



Nesta sexta feira onde muitos “enforcaram” o feriado – este blogueiro não – a coluna “Bissexta”, do advogado Walter Monteiro, volta a falar das eleições presidenciais do Flamengo.

Eleições no Flamengo – quando ter convicções vira pecado

Outro dia trocava e-mails com um advogado amigo, radicado em SP, mas sócio proprietário do clube e perguntei em quem ele votaria se fosse ao Rio. A firmeza da resposta me surpreendeu:

- “Voto no Ronaldo,  um sujeito sério e trabalhador.”

Ronaldo Gomlevski foi uma candidatura que envelheceu rapidamente no universo rubro-negro. Ele se lançou logo no início do ano e, creio, em março - ainda bem longe do calendário eleitoral oficial - fez o evento de inauguração da campanha.

Ao seu lado, uma das figuras mais bacanas e lúcidas da Gávea, José Maria Sobrinho, com muitos projetos em ebulição.

Ronaldo foi o primeiro a perceber a importância de fazer uma campanha para a Nação, não para o público interno. Escalou como coordenadores o blogueiro mais famoso da torcida e outras pessoas com inserção nas redes sociais. Que logo erraram a mão e se imbuíram de um fanatismo fervoroso na defesa do Planeta Fla, o nome que Ronaldo escolheu para si.

Quando a gente ainda estava construindo o sonho da Revolução Rubro-Negra, foram esses pitbulls virtuais que nos atacaram com ódio mortal. É natural que isso gerasse um estranhamento entre nós e a campanha do Ronaldo. Eu passei a detestá-lo, sem nunca ter trocado uma palavra com ele.

Depois, teve o esforço de união das “oposições”. Várias pessoas que participavam das tentativas de unificação me garantiam que Ronaldo era um homem teimoso, que não cederia.

Uma pessoa muito importante no cenário atual me aconselhou a não me preocupar com Ronaldo porque ele seria “cristianizado”. Para quem não sabe, a origem do termo é uma homenagem a um político do velho PSD, Cristiano Machado, que foi abandonado por seus aliados quando disputou a Presidência contra Getúlio Vargas.

E não é que o amigo estava certo? Ronaldo foi mesmo cristianizado à luz do dia.

Todos aqueles fanáticos que cuspiam fogo a seu favor seguem fanatizados e cuspindo ainda mais fogo, mas agora para outro candidato. Gente que gravou vídeo de apoio, que colocou seu nome e seu prestígio (óbvio que me refiro aos que tem algum prestígio, que não é o caso de todos) a serviço do Planeta Fla, agora frequenta outras festas do Grand Monde - e nem se preocupou em tornar público o porquê de ter mudado de time.

Foi nessa fase de low frequency que eu e Ronaldo nos conhecemos pessoalmente, apresentados por outro amigo em comum. E eu vi o quanto estava errado no pré-julgamento que fiz sobre ele. Ele é um cara simples, direto, muito franco, muito decidido e, principalmente, muito firme nas suas convicções, embora disposto a ouvir (o que tem sido raro na Gávea).

Eu desconfio que tenha sido justamente essa firmeza que fez Ronaldo cair em desgraça nos círculos que antes o idolatravam.

No imbróglio da ilegibilidade ou não do candidato Wallim Vasconcelos ele acabou pagando o pato sozinho. Não porque tivesse mobilizado o Conselho de Administração (nem tem força para isso) ou porque tivesse feito campanha pública pelo impedimento. Tudo o que ele fez foi ter declarado, com semanas de antecedência, que apoiava um membro de seu movimento que apresentara a impugnação – que sequer foi a única a pessoa a fazê-lo.

[N.do.E.: a candidatura de Wallin Vasconcelos foi impugnada, como o leitor viu aqui mesmo segunda feira passada.]

Essa singela posição pública foi a senha para o desembarque do Planeta Fla da troupe que se acha descolada e vanguardista.

Direito deles. Mas vergonhoso mesmo foi vê-los vociferar contra o Ronaldo, como se fosse dele a culpa de ter apresentado como candidatos sob as quais pairavam dúvidas estatutárias. Ronaldo, que antes tinha uma turma raivosa a seu lado para jogar pedra nos outros, viu o mesmo pessoal lhe retribuir as pedras em dobro.

O que me parece mais curioso é que enquanto todos se engalfinham na política interna à base de alfinetadas ou baixarias, Ronaldo é o único que segue fazendo uma campanha propositiva.

Faz seminários para discutir ideias, apresenta propostas diferenciadas, como antecipar o calendário eleitoral (excelente proposta) ou criar um crowdfunding para liquidar a dívida - o que eu discordo, mas reconheço o valor de se trazer para o centro do debate o tema da dívida fiscal.

Que pena que essa linha propositiva não deva bastar. Ronaldo só não está sozinho na campanha porque tem ao seu lado os amigos de sempre, gente que, como o advogado parceiro que citei, vota nele de olhos fechados por reconhecer valor em ter boa índole, trabalhar duro e ser inflexível nas convicções. Eu nem concordo com algumas delas, mas invejo a capacidade do Ronaldo de ser assim, duro na queda.

Talvez o preço a se pagar por ter convicções tão fortes em um ambiente que exige um mínimo de traquejo e concessões seja justamente a cristianização, o abandono pelos oportunistas de primeira hora.

Eu não sei se Ronaldo vencerá ou não – os gatos-mestre insistem que não vai. Mas ao menos segue até o final com dignidade, rodeado pelos amigos e eleitores de sempre. Pode ser melhor perder sendo fiel a si mesmo do que vencer fazendo manobras que cobram um alto preço no futuro.

Boa sorte, Ronaldo!

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Bissexta - "A eleição do Flamengo em dois turnos"



Tardiamente nesta segunda feira, a coluna “Bissexta”, do advogado Walter Monteiro, joga novas luzes no intrincado quadro eleitoral do Flamengo.

A Eleição do Flamengo em dois turnos

Aqui em Porto Alegre teve eleição no Grêmio. Quase 14 mil sócios foram às urnas votar, sendo que uns cinco mil por correspondência e mais de oito mil lá na sede do clube mesmo.

Não gosto do Grêmio, mas estava de olho na eleição por conta de um candidato que conseguiu chegar ao segundo turno da eleição, um advogado relativamente jovem, Homero Bellini Junior, competindo com dois ex-presidentes, Fabio Koff e Paulo Odone.

Eu disse relativamente jovem com dor no coração, porque minha vontade era dizer jovem simplesmente, já que ele é pouca coisa mais velho do que eu.

Como no Flamengo quase ninguém vota, os clubes do Sul viraram referência em matéria de eleições, graças ao tamanho do colégio eleitoral. Mas se alguém tinha dúvida daquilo que venho repetindo há meses – que mais sócios votando não significa necessariamente uma decisão de mais qualidade – está aí a decisão soberana dos gremistas a esclarecer.

Uma das opções representava a renovação: um sopro de novidade. As outras duas eram a luta de dois (literalmente) velhos caciques da política interna, com anos de serviço prestados ao clube.

Mesmo tendo a chance de poder votar no amanhã, 94% dos gremistas se dividiram entre o ontem e o anteontem e acabaram elegendo Fabio Koff, com seus 80 e tantos anos de idade.

Ou seja, torcedor parece gostar mesmo é de cartola à moda antiga. Gestão profissional é coisa de intelectual, como provam os tristes 6% de Homero Bellini.

Mas essa longa introdução nada tem a ver com o tema desse artigo. É porque sempre que esses gaúchos vêm tirar onda comigo de que nos seus respectivos clubes há milhares de eleitores participativos, eu rebato dizendo que a eleição deles é semi-direta, porque primeiro há o ritual de aprovação nos conselhos.

Só se uma chapa não atingir a maioria qualificada ali dentro é que o associado é chamado a votar em segundo turno, em geral em duas ou três chapas que atingiram o quórum interno para passar de fase. No Flamengo não: na Gávea é voto na urna, direto e universal.

Deve ser praga da gauchada que eu zoei esses anos todos, mas o fato é que, de forma totalmente inesperada e por vias tortas, a eleição do Flamengo desse ano virou uma disputa em dois turnos.

A principal estrela do campo oposicionista, Wallim Vasconcellos, tem sua elegibilidade questionada por coisas que nem vale a pena se alongar, porque o assunto é chatíssimo e eu já me dei ao trabalho de esclarecê-lo.

O fato é que Wallim só colocou seu nome na pedra porque ano passado houve uma anistia financeira e, assim, gente que estava fora do quadro social teve a chance de retornar. Esse é o caso dele, em resumo bem resumido.

Só que um montão de gente acha que não é bem assim, que a anistia não dá direito de se candidatar, etecetera e tal. Se o leitor está acompanhando o julgamento do Mensalão, já deve ter percebido que em se tratando de temas jurídicos, a diversidade de opiniões sobre um mesmo fato é especialidade número 1 do mundo do Direito.

Logo, tem parecer jurídico de tudo que é jeito dizendo se Wallim pode ou não se candidatar. Não que isso faça alguma diferença, mas tem até o meu, dizendo que no Flamengo, sendo sócio proprietário, qualquer um que pode votar pode se candidatar.

Avante, Wallim.

Porém, amigos: não é com guerra de pareceres que se vai resolver essa contenda, até porque quem vai decidir não é um tribunal de especialistas em temas societários, mas sim os membros do Conselho de Administração do Flamengo. E quem são esses iluminados?

1) 48 sócios eleitos com a chapa vencedora em 2009 (ou seja, que então apoiavam Patricia Amorim);
2) 12 sócios eleitos com a chapa que chegou em 2º lugar em 2009 (ou seja, que então apoiavam Delair);
3) Os atuais Presidentes de Poder no Flamengo;
4) Os ex-Presidentes de Poder no Flamengo;
5) Os sócios Grande-Beneméritos;

O número certo de “eleitores” ninguém sabe de cabeça - até porque há uma superposição do tipo “d” com o tipo “e”. Mas é algo em torno de 100 votantes, disso não passa.

Em um colégio eleitoral tão pequeno dá para contar antecipadamente quem deve votar em quem. Eu andei investigando as quantas andariam as especulações, já que há uma intensa pressão de interessados no resultado. E quem entende do riscado (até porque é um dos “eleitores”) me passou o seguinte panorama:

1) Devem comparecer, no máximo, uns 90 conselheiros. Tem uns que não vão de jeito nenhum e, claro, sempre tem os imprevistos de última hora a afastar um ou outro;

2) Tem uma ótima notícia para o Wallim: cerca de metade dos membros indicados por Patricia Amorim em 2009 está disposta a votar a seu favor;

3) Logo, a mesma notícia também tem seu lado ruim: a outra metade segue disposta a barrar sua candidatura;

4) Mesmo Delair tendo declarado apoio à chapa do Wallim, seus 12 votos não estão garantidos, porque tem gente ali já comprometida com outras chapas e pronta para votar contra a aprovação da candidatura;

5) O placar atual, se todos estiverem presentes, indica que já há 40 votos firmes em favor da impugnação da candidatura – a maior parte deles, claro, vindo diretamente da “bancada” eleita em 2009 junto com a Patricia;

6) Logo, se tudo isso aí for verdade, faltariam seis votos para Wallim ser impedido de concorrer.

Não tenho a MENOR ideia se essa especulação toda é verdadeira ou não, mas ela permite nos lembrar de algo que parecia esquecido: a Patricia (ou melhor, a “situação”, seja ela quem for) tem um poder muito grande sobre esse Conselho de Administração.

Se ela tivesse a capacidade de obter a lealdade da “bancada” que indicou em 2009, acabou a discussão: a vontade dela prevaleceria sempre em questões eleitorais (nas demais, que passam pelo Conselho Deliberativo e seus mais de mil membros, a conversa é outra).

Tudo indica que não é bem assim, mas ela ainda tem uma capacidade muito grande de influenciar e direcionar o voto dos conselheiros que foram eleitos junto com ela. Isso nos permite, com o perdão da má palavra, uma inferência: a chance de Wallim ser candidato parece estar nas mãos da Patricia.

Se ela realmente quiser barrar o oponente já na largada, basta correr atrás de uns votinhos para somarem-se aos que já se declararam contrários à aprovação e pronto, fim de linha. Ao revés, se a ela interessar que Wallim concorra (para, por exemplo, aumentar a divisão no campo oposicionista), basta pedir aos seus aliados no Conselho de Administração que rejeitem a impugnação e se preparar para enfrentá-lo apenas nas urnas.

Sugiro aos candidatos que poupem seus níqueis e parem de encomendar pareceres jurídicos, porque essa decisão, agora, é puramente política: vencerá quem tiver mais garrafa para vender dentro do Conselho de Administração.

Gremistas e colorados antes provocados por mim, o dia da vingança chegou, podem me sacanear à vontade: a eleição no Flamengo acabou virando em dois turnos também.

E o pior, com dois agravantes: primeiro, são apenas 90 “eleitores” no “primeiro turno”; segundo, há uma grande eleitora nessa rodada preliminar, dando as cartas e com a faca e o queijo na mão.

Morro de rir quando vejo gente subestimar o potencial da Patricia Amorim. Enquanto tem gente ainda se preparando para ir comprar a farinha, ela já está com o bolo prontinho para servir.

(Foto: Mauricio Val – Vipcomm)