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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A Médica e a Jornalista - "A ‘Black Friday’ de Mano"



Excepcionalmente nesta segunda feira, a coluna “A Médica e a Jornalista”, da Anna Barros, fala sobre a (para mim, não tão) surpreendente demissão do técnico da seleção brasileira Mano Menezes.

Notícias publicadas na imprensa hoje dão conta de que Felipão está acertado para ser o substituto. Acho, simplesmente, o pior nome disponível, por estar parado no tempo (não faz um trabalho ao menos razoável desde a seleção de Portugal em 2006) e ter um conhecimento tático risível. Sem contar seu assumido preconceito contra jogadores de times cariocas.

Sou a favor de um técnico estrangeiro, porque nossos profissionais estão 40 anos atrasados no tempo. Cláudio Coutinho, idealizador do Flamengo campeão do mundo em 1981, era mais avançado taticamente que qualquer, repito, qualquer treinador de hoje.

A meu juízo, Pep Guardiola seria o nome. Passemos ao texto.

A ‘Black Friday’ de Mano

E o ‘Black Friday’ de Mano Menezes ocorreu último dia 23 de novembro. Quando as pessoas menos esperavam, o técnico gaúcho que comandava a seleção brasileira há dois anos foi demitido. 

Uma reunião da cúpula da CBF com Marin e Marco Polo Del Nero decretou o veredicto, por mais que Andrés Sanchez tenha sido voto vencido. E o mais surpreendente: em um momento onde o time ganhava algum padrão de jogo e certa estabilidade. Será que o ‘Zé das Medalhas’ esperou o ano terminar para que o último resquício da Era Ricardo Teixeira fosse eliminado?  

Não saberemos, enfim. 

As especulações aparecem: Felipão , Muricy ou Tite? Quem será o novo técnico que a dona CBF vai anunciar em janeiro próximo? 

Felipão levou o Palmeiras para a série B, mas é o preferido de Del Nero. Muricy é ótimo, mas ainda tem contrato com o Santos. É o preferido de Marin. E Tite é o melhor técnico do campeonato, a meu ver, melhor que Abel. Dizem que estão esperando que Tite ganhe o Campeonato Mundial de Clubes pelo Corinthians para que seja contratado.

Mas o meu preferido é Pep Guardiola.

Pois ele seria uma aposta arriscada e ousada, que nossos cartolas talvez não tivessem peito e coragem para anunciar. O próprio Guardiola disse que aceitaria o cargo de técnico da amarelinha no dia seguinte ao convite, segundo o Diário Lance!do último sábado,dia 24. Deveriam ao menos conversar com ele, se há essa disponibilidade. A conferir.

Atualmente, Guardiola seria o único com chances de resgatar o verdadeiro futebol brasileiro, de plasticidade, de toque de bola, à la Barcelona. Ele mesmo se disse inspirado na Seleção Brasileira de 1982. A menos de dois anos da Copa que sediaremos em casa, é um tiro no pé. Haja organização e planejamento...

‘Ironic mode on’, como se diz no Twitter, claro...

Forte abraço aos leitores. Até a próxima!
Anna Barros

(Charge: Mario Alberto, Lancenet)

terça-feira, 13 de março de 2012

O legado de Ricardo Teixeira


E eis que ontem, após 23 anos, Ricardo Teixeira renunciou ao cargo de presidente da Confederação Brasileira de Futebol, que ocupava desde 1989. Curiosamente, ao invés do esperado alívio fica aquela sensação de um travo amargo na boca. Explico.

O ex-mandatário renunciou alegando "problemas de saúde" - que realmente existem - mas está claro para todo mundo que acompanha minimamente o futebol que a razão principal é o desdobramento do escândalo das propinas da ISL, que já escrevi aqui por ocasião da resenha do livro "Jogo Sujo" e que está em vias de ser totalmente revelado ao público. Além disso os desentendimentos com o governo federal e com a própria Fifa por ocasião da organização da Copa de 2014 e a revelação de outras suspeitas de corrupção também parecem ter pesado na decisão - que, aliás, me foi antecipada há mais de um mês por uma fonte otimamente informada.

Digo que fica um travo amargo na boca porque não parece que a CBF vá ficar melhor após a esperada saída do mandatário. Por outro lado a renúncia não foi provocada por novos ventos na entidade, mas sim para prolongar o atual estado de coisas. Teremos uma CBF de Ricardo Teixeira sem o próprio - talvez até pior em certos aspectos.

Não sou daqueles que demonizam o dirigente totalmente. Como tudo na vida houve coisas boas e coisas ruins.

Diria que foram méritos a criação da Copa do Brasil, a instituição dos pontos corridos em 2003 e a organização do caixa da entidade: em que pesem algumas operações notoriamente lesivas à entidade hoje a Confederação parece dispor de uma situação financeira confortável, com bons contratos de publicidade. A Seleção obteve dois títulos mundiais e fez mais uma final e, mal ou bem, conquistamos o direito de sediar uma Copa do Mundo.

Destacados os pontos positivos, vamos às mazelas, que foram muitas. Nem citarei aqui os escândalos de corrupção envolvendo a CBF e seu (agora ex) mandatário, fartamente explanados e que são a principal razão da saída. Mas aos efeitos do futebol brasileiro como um todo.

Em sua gestão Teixeira optou por fortalecer a Seleção em detrimento dos clubes. A visão era de que o futebol brasileiro é simples exportador de "pé de obra" para a Europa e outros centros, com os clubes locais não importando. Grosso modo é a repetição da velha política econômica de exportar produtos agrícolas e e importar industrializados, adaptada ao futebol. Os clubes estão mais endividados e mais fracos, enquanto a Seleção desfruta de ótima situação financeira. É uma paradoxo curioso: a Seleção está bem financeiramente enquanto os clubes foram abandonados à própria sorte. Um modelo a longo prazo insustentável - e começa a ficar claro isso.

Apesar das Séries A e B estarem razoavelmente organizadas, o modelo adotado para as divisões inferiores mostrou que os clubes menores não eram considerados no quadro do futebol brasileiro: as Séries C e D padecem de problemas de organização e viabilização economico-financeira. Estas foram abandonadas à própria sorte.


Teixeira também afastou a seleção do público brasileiro, com a visão de que são os "Harlem Globetrotters" brasileiros e, portanto, tem de se exibir para o mundo todo. Isso rendeu rios de dinheiro à entidade, mas por outro lado trouxe uma crescente indiferença do brasileiro com a sua Seleção.

No âmbito nacional houve uma maior racionalização do calendário, mas se avançou muito pouco na profissionalização das gestões, nas relações com a televisão e em outras questões adjacentes. Houve pelo menos dois grandes escândalos de arbitragem, os Casos "Ivens Mendes" e "Edílson" - curiosamente, nos dois casos o Corínthians foi o clube principal beneficiado. Ainda deu de presente ao clube paulista um estádio novinho em folha, naquele que a meu ver é de longe o maior escândalo desta organização da Copa do Mundo de 2014.

Também ficam como marcas indeléveis o desprezo pela opinião pública e por parte da imprensa.

A saída de Teixeira seria salutar se envolvesse a entrada de pessoas novas, com ideias modernas e que dessem à entidade e ao futebol brasileiro maiores profissionalismo, justiça e transparência. Entretanto, ao que parece incrivelmente teremos regressão em todos estes aspectos com a saída do mandatário. Explico.

Com a saída de Teixeira, que deixou tudo bastante amarrado para que não houvesse uma devassa nas contas da entidade ou houvesse mudanças substanciais na gestão da entidade, apesar de estar assumindo o vice mais velho José Maria Marin o poder estará de fato nas mãos do Presidente da Federação Paulista Marco Polo Del Nero e do Diretor de Seleções Andrés Sanchez (ex-presidente do Corínthians). Isto significa que pelo menos em termos internos teremos duas castas de clubes para a CBF: os paulistas e o resto.

Del Nero já afirmou em mais de uma oportunidade que em sua visão o Campeonato Brasileiro ideal teria de dez a doze clubes do estado de São Paulo. Lógico que ele estava defendendo os interesses da Federação da qual era presidente, mas conhecendo os cartolas brasileiros arriscaria afirmar que a CBF será dirigida como uma imensa Federação Paulista de Futebol. Isto a médio prazo tende a ser péssimo para os clubes de fora do estado e em especial para o Campeonato Brasileiro. Também acho que se deve sepultar quaisquer esperanças de ver mudanças no calendário a fim de diminuir o tamanho dos Estaduais, que hoje representam quatro meses de partidas absolutamente inúteis.

Quanto ao Comitê Local da Copa, a meu ver a tendência seria a de uma maior participação do Governo Federal, que em última instância é quem está pagando a conta. Não era segredo para ninguém que a Presidenta Dilma Roussef estava muito insatisfeita com Ricardo Teixeira e lamentando não poder intervir diretamente na entidade. Agora resta ver qual será a postura dos novos mandatários da entidade em relação ao Governo Federal.

Ao fim e ao cabo, a renúncia de Ricardo Teixeira somente serviu para que ele se livrasse da responsabilidade sobre os diversos escândalos de corrupção e malversação de verbas dos quais era suspeito e permitir que leve um final de vida sossegado em Miami. Mal comparando, me lembrei daqueles senadores e deputados que renunciavam aos mandatos para não serem cassados por seus pares.

Ou seja, caro leitor: infelizmente esta é uma "vitória de Pirro". Teremos um "teixeirismo sem Teixeira" a partir de agora - em certos aspectos, pior. E o presidente que sai não responderá pelos seus atos - na prática, uma gigantesca pizza.

Portanto, não podemos comemorar, infelizmente.

(Charges: Mário Alberto, Lance)

Para saber mais (basta clicar nos títulos):

segunda-feira, 5 de março de 2012

Bissexta - "Todos Gritam e Ninguém Tem Razão - O Estádio de Porto Alegre para a Copa-2014"


Nesta segunda feira, a coluna "Bissexta", do advogado Walter Monteiro, disseca tema que eu havia abordado tangencialmente na última quinta feira: o estádio de Porto Alegre para a Copa de 2014.

Todos Gritam e Ninguém Tem Razão - O Estádio de Porto Alegre para a Copa-2014

Reconheço que o assunto desperta pouca atenção para quem não vive aqui no extremo sul, mas ultimamente em Porto Alegre qualquer conversa, debate ou reportagem é monotemática: afinal, onde vai ser jogada a Copa do Mundo em 2014?

Bem antes de escrever aqui para o Ouro de Tolo eu colaborava com um outro blog e lá comentei sobre um jogo da seleção brasileira ainda pelas eliminatórias da Copa, no comecinho de 2009. O tom do artigo lembrava que não fosse pelas frescuras da FIFA, a Copa do Mundo poderia ser jogada no Beira-Rio com poucas alterações.

O Beira-Rio é um estádio todo setorizado, com várias entradas e saídas, bem localizado, com milhares de vagas de estacionamento, um restaurante de categoria, outro mais popular, lugar para umas 50 mil pessoas, cadeiras razoavelmente confortáveis. Precisaria colocar cadeiras aonde não tem, melhorar o setor de imprensa, fazer uma licitação para lanchonetes mais diversificadas, enfim, “dar um tapa no visual”.

Mas isso não serve para a FIFA, claro. As exigências são monstruosas, caríssimas, desproporcionais. O Beira-Rio precisaria ser profundamente remodelado para receber cinco joguinhos entre seleções estrangeiras (o Brasil, como sempre se soube, não jogaria em Porto Alegre). A direção do Inter topou o desafio e meteu a marreta na arquibancada, destruindo parte dos setores. Imaginava custear a reforma vendendo camarotes para torcedores endinheirados, além de passar nos cobres o seu antigo estádio, o Estádios dos Eucaliptos - uma construção que embora acanhada foi sede da Copa de 1950.

O dinheiro não deu nem para a saída. E o Inter começou a correr atrás de parceiras. A construtora Andrade Gutierrez veio até o clube prometendo o Paraíso: tocaria a obra e ficaria com o direito de explorar comercialmente o estádio por alguns anos. Tudo parecia perfeito.

Quem acha que é só no Flamengo que negócios são feitos e anunciados sem que os contratos sejam assinados pode começar a dar o braço a torcer. A direção do Inter, sempre exaltada como exemplo de profissionalismo, comemorou cedo demais. Mais de um ano já se foi e a empreiteira até hoje não assinou o contrato e nem dá sinais de que vá assiná-lo. Ou, pior ainda, sequer tocava no assunto.

Até que um belo sábado Porto Alegre acordou em choque: a misteriosa construtora soltou uma nota oficial acusando o Banrisul, controlado pelo governo estadual, de estar criando dificuldades de liberar o crédito. Pura balela, óbvio, porque o banco só vai emprestar o dinheiro quando a construtora der alguma garantia de que irá honrar o compromisso caso algo dê errado – e a Andrade Gutierrez já deixou claro que não vai afiançar nada além de 20% do total da grana.

Em qualquer outra cidade essa discussão seria pautada por outros critérios, mas em Porto Alegre impera a batalha eterna entre os vermelhos e os azuis.

Ao mesmo tempo em que o Inter iniciava seus preparativos para reformar o Beira-Rio, a poucos metros dali o Grêmio preparava a vingança. Se os colorados teriam um estádio novo, moderno, cheiroso, os tricolores não podiam ficar confinados ao Olímpico – outro ótimo e funcional estádio. E mesmo alijados da Copa, os gremistas decidiram que era hora de construir o seu novo templo.

Livres das amarras das exigências da Copa e sem acesso às verbas públicas concedidas aos proprietários das sedes dos jogos, o Grêmio percorreu outros caminhos, encontrou uma empreiteira que topou bancar a aventura e botou seu bloco na rua. A construção do estádio segue a todo vapor (acima, na foto) e a Grêmio Arena estará prontinha até o final desse ano.

Aí é que a porca começou a torcer o rabo...

Well, se a cidade vai ter um estádio novinho em folha, construído quase que inteiramente dentro do padrão FIFA (sempre falta uma coisinha ou outra, essa gente é insaciável nos seus requintes), por que raios não se joga a Copa lá e se encerra esse assunto?

Confesso que meus quase cinco anos riograndenses ainda não conseguem captar por inteiro a alma gaúcha. Ninguém consegue dar uma resposta convincente a uma pergunta tão singela.

Agora nada mais parece importar.

Os gremistas estão loucos para que se decida transferir a Copa para o seu quintal e submeterem seus rivais à suprema humilhação de terem perdido o privilégio. Os colorados apelam para todos os lados e não se cansam de arrancar declarações das autoridades que reafirmam sempre que podem que não há hipótese de mudança do estádio.

A Zero Hora, principal jornal local, chegou a dar matéria de capa insinuando que a Presidenta Dilma teria pressionado a empreiteira invocando sua condição de “colorada”, da mesma forma que Lula interveio em favor do Itaquerão.  Hã, hã! Alguém imagina alguma semelhança entre Lula e Dilma em matéria futebolística?

Até eu entrei na dança e arregimentei o pequeno núcleo flamenguista da cidade para cerrar fileiras em favor da transferência para a Grêmio Arena, porque não faz sentido prolongar a indefinição de algo para o que se tem uma solução já pronta.

O mais curioso é que os verdadeiros temas que permeiam o imbróglio estão passando ao largo. Querem ver?

a) Por que é tão importante para Porto Alegre receber a Copa? Não me venham com esse papinho do turismo e afins. São cinco joguinhos apenas. Porto Alegre não tem vocação turística, sejamos francos. Quem vier passará uma noite no máximo e vai parar em lugares mais badalados. A chance da cidade lotar de turistas é se Uruguai ou Argentina ficarem sediados aqui, porque dá para vir de carro. Mas os hermanos já passam por aqui todo ano mesmo, não precisa de Copa para isso.

b) Por que o Grêmio quer tanto essa Copa? A par da zoação em cima do rival, é um péssimo negócio receber os jogos do Mundial. Em 2013 o Grêmio já poderá usar seu estádio novo, aumentando seu faturamento. Sediar a Copa demandará mais obras (como eu lembrei, a FIFA é insaciável) e retardará a inauguração da Grêmio Arena – a FIFA só quer estádio estalando de novo, aquelas cadeiras caríssimas precisam estar imaculadas para receber as bundas abençoadas dos senhores turistas - não pega bem contaminá-las com o cheiro de povo.

c) Por que o Inter insiste tanto nesse projeto? Está mais do que na cara que a Andrade Gutierrez pulou fora depois de ter chegado a conclusão de que o negócio é impagável – se é impagável para eles, que são malandros, imagina para um clube de futebol. O Inter tem um estádio que atende perfeitamente os interesses dos seus torcedores. Com os trinta e poucos milhões que já arrecadou com a venda de alguns camarotes e de seu antigo estádio, dá para fazer uma bela reforma no Beira-Rio, colocar cadeiras em todos os setores, tornar o estádio melhor para o seu público cativo. Realizar a Copa é arrumar sarna para se coçar na manutenção do futuro elefante branco e vermelho.

Fica aqui um conselho de um torcedor invejoso, que não tem um estádio para chamar de seu... Gremistas e Colorados, Porto-Alegrenses em geral, mandem a FIFA passear e levar os jogos para Cuiabá, Brasília, Natal, qualquer dessas cidades tão acostumadas à prática do futebol de alto nível e que por certo terão utilidade permanente para seus ricos estádios.

Vamos ficar aqui mesmo jogando Brasileirão, Gaúchão e Libertadores, que é mais negócio para todos. Será que não dá para desconfiar que um jogo entre Costa Rica e Egito não tem um décimo da importância de um Gre-Nal?

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Viajando - Copa do Mundo Fifa 2014 - Curitiba


Dando sequência à série sobre as cidades-sede da Copa de 2014, a coluna "Viajando" traz Curitiba, uma das representantes da região Sul - e cidade pela qual, particularmente, sou apaixonado. Ao contrário dos textos anteriores desta série, este é de minha autoria - revisado e supervisionado pela titular desta coluna Adriana Martins.

Vamos ao texto:

Curitiba

A cidade

Curitiba é a capital do estado do Paraná e está localizada próxima às principais cidades do país: cerca de 450 quilômetros de São Paulo e 870 do Rio de Janeiro. É região de colonização européia e há muitos anos vem ganhando o epíteto de "Cidade Ecológica", por suas iniciativas neste período.

Tem temperaturas que ultrapassam os 30 graus no verão e média de 10 graus no inverno, período em que acontecerá a Copa no Brasil. Entretanto, em junho costumam ocorrer com frequência temperaturas até bem mais baixas que estas - eu mesmo nesta época do ano enfrentei três graus na cidade no ano passado. Ou seja, leve seu casaco.

O estádio da Copa será a Arena da Baixada (em fotos de minha autoria do ano passado), pertencente ao Atlético Paranaense e que está sendo ampliada para abrigar os jogos da Copa 2014. A obra está esbarrando no problema do financiamento, por ser propriedade particular. 

A prefeitura aprovou um projeto na Câmara onde o clube pode negociar cerca de R$ 90 milhões em um "potencial construtivo": ou seja, as empresas poderiam comprar estes títulos e utilizá-los em construções em outras partes da cidade usufruindo de isenções. Uma engenhosa forma de driblar a proibição do uso de recursos públicos na Arena.

Posteriormente o clube solicitou empréstimo no Bndes de aproximadamente R$ 135 milhões utilizando este potencial construtivo como garantia. Entretanto há uma diferença de aproximadamente R$ 45 milhões que, neste momento, é discutida entre o clube, as empreiteiras participantes e o governo municipal.

O estádio está localizada no bairro nobre do Batel, a aproximadamente três quilômetros do centro de Curitiba. Possui estrutura com estacionamento, restaurante e outras conveniências, além de estar perto de diversos hotéis, restaurantes e bares da cidade.


Transportes

Curitiba conta com um aeroporto que sofrerá obras a fim de estar capaz de suprir as necessidades de deslocamentos. Neste ano haverá reformas na pista e a compra de um equipamento que permitirá o pouso sob neblina e em condições climáticas desfavoráveis. Outro problema é a sala de embarque no mesmo lugar da área de desembarque e que será alvo de reforma futura de ampliação, com previsão de término no final de 2013.

Possui vôos diretos para boa parte dos principais destinos nacionais, bem como alguns destinos internacionais na América do Sul. Para trechos curtos é possível o deslocamento através dos ônibus interestaduais e/ou intermunicipais.

Uma informação útil é que o aeroporto se situa na realidade no município de São José dos Pinhais, o que gera uma tarifa de táxi diferenciada - mais cara.


Deslocamentos

Curitiba tem um sistema de transporte coletivo bastante eficiente, com ônibus articulados e veículos de deslocamento rápido. Existem também vários hotéis no bairro do Batel que permitem o deslocamento a pé até o estádio.

O sistema de táxis é um dos pontos fracos: bastante caro e cujos motoristas não primam exatamente pela confiabilidade. Fique atento.

Pontos de interesse turístico


A cidade tem uma série de pontos de interesse turístico, como o Jardim Botânico, o "Bosque do Papa" - onde João Paulo II esteve em visita em 1980 - o Museu Oscar Niemeyer e o centro velho da cidade. Neste mesmo Centro pode-se pegar um ônibus que circula pelos principais pontos turísticos, com a tarifa de R$ 20. Escrevi post anterior sobre o tema.

A cerca de 100 quilômetros da cidade ficam Paranaguá e Morretes, cidades históricas e que possuem trens para a viagem - com belas paisagens.

Alimentação

Curitiba tem a característica de ser uma cidade onde o custo de alimentação é bem mais baixo que em locais como o Rio de Janeiro ou São Paulo.

Basicamente a culinária é de influência italiana. No bairro de Santa Felicidade encontram-se restaurantes típicos, com rodízio de massas e pratos à base de frango - com um bom vinho. Indicaria os restaurantes "Dom Antônio" e "Velho Madalosso", onde já estive. Come-se muito bem e barato - vale a visita.

Outro prato típico é o barreado, espécie de cozido de carne.

No Batel encontram-se diversas opções mais cosmopolitas, com diversas opções. Para quem gosta de uma boa cerveja neste bairro encontra-se o "Clube do Malte" na Rua Desembargador Motta. O bar tem uma carta de cerca de 200 rótulos, a um preço razoável. Há também opções de boates e locais de diversão.


Hospedagem

Curitiba tem uma oferta razoável de unidades habitacionais nos hotéis da cidade. Recomendo que o turista fique hospedado no bairro do Batel, próximo à Arena da Baixada, até pela proximidade do estádio e pela oferta de bons hotéis como o Pestana, o Bourbon Batel, o Quality e o Radisson, entre outros.

Existe previsão de ampliação da rede hoteleira para o evento.

No site "Curitiba na Copa" encontram-se mais algumas informações sobre a cidade e seus preparativos.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Viajando - Copa do Mundo Fifa 2014 - Cuiabá


Dando sequência à série sobre as cidades-sede da Copa de 2014, a coluna "Viajando", assinada pela agente de viagens Adriana Martins, traz Cuiabá, representante da região do Pantanal. Acredito que o estádio que se está construído irá se tornar um dos "elefantes brancos" após a Copa de 2014, mas provavelmente, além da política, o estado foi escolhido dadas a proximidade com o Pantanal Matogrossense, centro turístico brasileiro, bem como não estar distante de outros atrativos..

Vamos ao texto:

Cuiabá


A cidade

Cuiabá é a capital do estado do Mato Grosso e está localizada exatamente no centro geográfico da América do Sul. Possui o privilégio de localizar-se no ponto de encontro dos três ecossistemas mais importantes do Brasil: as savanas do Cerrado, as terras úmidas do Pantanal e a Amazônia. Não por outro motivo Cuiabá é conhecida também como Cidade Verde.

Tem temperaturas que ultrapassam os 40 graus no verão e média de 30 graus no inverno, período em que acontecerá a Copa no Brasil.

Segundo o Comitê Organizador, a Arena Pantanal (obra acima, em visita do ex-governador do estado e atual senador Blairo Maggi), que está sendo construída para abrigar os jogos da Copa 2014 tem influência inglesa adaptada para o clima local e é flexível para multiuso. Está localizada no bairro Verdão, a aproximadamente quatro quilômetros do centro de Cuiabá. Contará com restaurantes, hotéis, estacionamentos, lagos, bosque e pista para caminhada.

Transportes

Cuiabá está distante dos principais centros, porém conta com um aeroporto capaz de suprir as necessidades de deslocamentos. Possui vôos diretos para a Capital Federal, São Paulo e Manaus, dentre outras capitais e recebe passageiros de todo lugar através de conexões em outros centros. Para trechos curtos é possível o deslocamento através dos ônibus interestaduais e/ou intermunicipais.

Deslocamentos

Cuiabá tem um Plano de Mobilidade Urbana para a Copa 2014, porém ainda não está definido qual o modelo de transporte que será adotado. Ainda neste mês de agosto deverá ser decidido se a cidade adotará o BRT (Bus Rapid Transit) ou o VLR (veículo leve sobre trilhos) como modelos de transporte público para atender a demanda proveniente da Copa.

Pontos de interesse turístico


O Pantanal e a Serra dos Guimarães são os principais pontos de interesse turístico na região:

Chapada dos Guimarães

Município situado a 64 quilômetros de Cuiabá, com vários pontos de atração turística. Pequenos riachos com cachoeiras, belas formações rochosas, são um convite irresistível ao lazer. Indo à Chapada não deixe de visitar a Casa de Pedra, a Caverna do Francês, a Lagoa Azul e o Véu da Noiva, entre outras belezas naturais.


Pantanal Norte

Localizado a 90km de distância ao sul de Cuiabá, o Pantanal é uma excelente opção de lazer nos intervalos entre os jogos. Durante a Copa o Pantanal estará na época da seca - que dura de junho a novembro. Neste período os leitos dos rios ficam definidos e os animais se alimentam e se reproduzem nas inúmeras lagoas que se formam. Excelente para observadores de aves e outros animais.

Na cidade de Cuiabá é possivel conhecer:

Centro Geodésico da América do Sul - O ponto é o marco do centro geográfico da América do Sul, e fica localizado no centro da cidade. A Basílica Bom Jesus de Cuiabá, também conhecida como Igreja Matriz e a Casa do Artesão, entre outros.

Alimentação

A Culinária típica é composta em sua maioria por pratos a base de peixes de água doce, como a Moqueca de Pintado, Pacu na folha de bananeira e o Pacu Assado, bem como pratos a base de arroz, como o Maria Isabel - prato feito com arroz e carne seca) e o Bolo de Arroz. A carne seca com banana e a Farofa de carne seca também são destaque. A bebida típica é o guaraná e a sobremesa é o furundu, um doce feito a base de mamão verde e rapadura.

Hospedagem

Cuiabá tem uma oferta razoável de unidades habitacionais nos hotéis da cidade, devido a grande demanda em função dos inúmeros eventos de agronegócios que ocorrem na cidade. Para a Copa há previsão no aumento da oferta de unidades habitacionais devido a demanda do evento.

Fonte: Copa no Pantanal

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Viajando - Copa do Mundo Fifa 2014 - Brasília


Nesta quarta feira, temos a segunda edição de nossa série especial sobre as cidades da Copa do Mundo de 2014, assinada pela colunista e agente de viagem Adriana Martins. A cidade tema de hoje é Brasília, capital federal - cidade onde morei quando pequeno por um ano, mas da qual não me lembro absolutamente nada.

Brasília

A cidade

Brasília foi construída pelo ex-presidente Juscelino Kubitschek entre os anos de 1956 e 1960 a partir do projeto dos arquitetos Lúciuo Costa e Oscar Niemeyer. Contudo, foi idealizada muitos anos antes, a fim de transferir a capital para o interior do país e simbolizar a mudança de status do país de estado colonial para nação independente. Brasília foi inaugurada no dia 21 de abril de 1960.

A cidade se caracteriza pelo formato de avião, onde o corpo do avião é cortado pelo Eixo Monumental e liga a antiga Rodoferroviária (a oeste) à Praça dos Três Poderes (a leste). Ali se concentram os prédios públicos e hotéis, bem como shoppings e atrativos turísticos. As asas do avião são aonde se concentram as residências e os comércios locais, e é cortada pelo Eixo Rodoviário, com extensão de aproximadamente dezesseis quilômetros.

Pela sua arquitetura, Brasília é a única cidade do mundo construída no Século XX a ser declarada pela UNESCO como um Patrimônio da Humanidade.

O Estádio Nacional de Brasília (alto) abrigará os jogos da copa de 2014. Ele está sendo construído onde antes havia o Estádio Mané Garrincha. De acordo com o Governador e Presidente do Comitê Brasília 2014, Agnello Queiroz, o Estádio Nacional será o único no mundo a possuir o certificado Leed Platinum – a maior gradação em sustentabilidade.

Transportes

Brasília conta com o Terminal Rodoviário Brasília, a nova rodoviária em frente ao Park Shopping e próxima ao metrô. O aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek é servido por uma boa opção de vôos domésticos e internacionais. E tem vôos que se conectam aos principais destinos do país durante todo o dia e parte da noite.

Deslocamentos

Brasília é uma das capitais que eu conheço onde o serviço de transporte público é bastante ruim, pra dizer o mínimo. Estou morando fora de lá há quase nove anos e pouco mudou durante esses anos. O site do DF Trans não traz qualquer informação sobre os horários dos ônibus e nem o roteiro detalhado das linhas que cruzam a cidade e seu entorno.

Os táxis também não são em grande quantidade e no período da madrugada tendem a diminuir ainda mais. Eu que estou acostumada com o Rio de Janeiro, onde basta um único sinal para que chovam táxis, sinto muita falta deles quando vou a Brasília. É indispensável quando se sai da balada na madrugada (principalmente agora nestes tempos de Lei Seca) ter sempre a mão o número de uma cooperativa para o caso de necessidade - pois é muito difícil encontrá-los vazios fora dos pontos. Alguns telefones estão sugeridos ao final do texto.

O melhor meio de transporte em Brasília ainda é o carro. Junte os amigos, alugue um e seja feliz! E não esqueça de sortear sempre o amigo da vez (aquele que vai ficar sem beber para poder dirigir na volta)


Pontos de interesse turístico

A maioria das atrações turísticas de Brasília encontra-se na região central do Plano Piloto, no Eixo Monumental, conhecido como corpo do avião.

A Catedral Metropolitana, a Praça dos Três Poderes, O Teatro Nacional, agora mais recentemente a Biblioteca Nacional ficam nesta via. Assim como o Memorial JK, um museu dedicado ao ex presidente Juscelino Kubitschek. O Palácio da Alvorada e a Ponte JK também estão entre os pontos turísticos da cidade.

Vale lembrar que a maioria destes lugares foram projetados por Oscar Niemeyer e são verdadeiras obras de arte. Além da rica arquitetura, Brasilia conta com alguns outros pontos que gosto muito de ir.

A Torre de TV, cujo prédio foi inspirado na Torre Eiffel de Paris, tem um mirante a 75 metros que fica aberto todos os dias de 09 as 18 horas. No térreo funciona uma conceituada feira de artesanato. Recomendo também um passeio a Feira do Guará, uma feira onde você poderá comprar legumes, verduras e até roupas - mas o que me atrai nela são os peixes e frutos do mar sempre bem frescos.

Outro passeio que é muito bonito (mas que eu particularmente dispenso) é uma caminhada no famoso "Parque da Cidade" (da música 'Eduardo e Mônica', do Legião Urbana), hoje conhecido como Parque Dona Sara Kubitschek, uma homenagem a falecida ex-primeira dama. A vantagem é que é um parque que pode ser acessado a pé, principalmente para quem está hospedado nos hotéis do Setor Hoteleiro Sul. 

Alimentação

Brasília, por ser uma cidade que recebeu gente de todos os lugares na sua formação, não tem uma comida considerada típica. Contudo, sem dúvida alguma a maior predominância é de comida Mineira e Goiana.

Em Brasília também é possível encontrar excelentes restaurantes de comida internacional. O Piantella é um dos mais famosos por abrigar em seu interior hordas inteiras de políticos. O Carpe Diem também é um importante endereço, um simpático restaurante, com um cardápio divino. Agora, se você quiser uma cerveja gelada, o melhor lugar da cidade para mim é o Libanu's, um restaurante árabe que faz as vezes de bar principalmente para o fim de tarde e parada pré balada.

Brasília também é rica em carrocinhas de cachorro quente nas entradas das entrequadas. Em quase todas tem uma, e cada um vai dizer que a sua é melhor que as outras. Hoje em dia eu como no cachorro quente da 306 SUL, perto da casa da minha mãe, cujos molhos são um espetáculo a parte. Roberta Sudbrack, antes de ser chefe de cozinha do Palácio do Planalto, começou com uma carrocinha destas.

A única coisa desagradável em Brasilia é o horário de fechamento dos bares e restaurantes. Impreterivelmente as 02:00hs você não encontra mais nada aberto, nem para a "saideira", menos ainda para um lanche pós balada antes de chegar em casa (ou no hotel) - exceto, é claro, por "fast foods" que funcionam 24 horas tais como Mc Donald's e Subway.

Hospedagem

Há uma enorme variedade de hotéis em Brasília, com a vantagem que todos ficam num Setor Hoteleiro vizinho ao Eixo Monumental, tanto do lado norte como do sul.

A maioria deles fica próximo ao estádio que está sendo construído para a Copa do Mundo 2014, percurso que poderá ser percorrido a pé. Entretanto, com o ar extremamente seco do mês de julho (época de realização do evento) eu não faça esta recomendação.

Se a idéia for ficar fora do Eixo Monumental, há excelentes opções próximas ao Palácio do Planalto: o Brasília Palace Hotel, primeiro projeto de hotel da Capital Federal, projetado por Oscar Niemeyer, às margens do Lago Paranoá e o Royal Tulip Brasília Alvorada, ex Blue Tree Park. Porém aconselho o aluguel de um carro para deslocamento, pois o local é isolado e não há muitas opções de transporte público nessa região.

Telefones Importantes

Cooperativas de Taxi
Brasília Rádio Táxi: 3344-1000.
Rádio Táxi Coobrás: 3224-1000.
Rádio Táxi Federal: 3322-7272.
Rádio Táxi Shalom: 3321-8181.
Coopertáxi: 3344-3060.
Unitáxi: 3325-3030.
Rádio Táxi Brasília: 3323-3030.
Rádio Táxi Alvorada: 3321-3030.

Secretaria de Turismo do DF

Observação impotante:

Não encontrei em nenhum site, nenhum telefone específico para atendimento ao Turista, como a DEAT (Delegacia Especial de Atendimento ao Turista) no Rio. Sugiro a quem necessitar deste tipo de atendimento que procure a delegacia mais próxima.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Viajando - Copa do Mundo Fifa 2014 - Belo Horizonte


Iniciando a série sobre as cidades da Copa 2014, temos Belo Horizonte na visão da colunista Adriana Martins. Não será o caso neste texto - não conheço Belo Horizonte - mas nas colunas que englobarem cidades que conheço - especialmente Salvador, Natal e Curitiba - darei alguns pitacos "não-especializados" na introdução do texto.

Mas vamos à coluna:

Belo Horizonte

A cidade

Belo Horizonte - ou apenas "Beagá", como é conhecida - é uma cidade que foi concebida originalmente dentro da Avenida do Contorno - uma extensa Avenida que, como o próprio nome diz, contorna o centro de Beagá e alguns poucos bairros vizinhos. Porém já no início do Século XX os limites da Av. do Contorno já haviam sido extrapolados, obrigando a um planejamento de novos bairros.

O mais conhecido deles é a Pampulha, onde além das diversas praças e parques projetados por Oscar Niemeyer encontra-se o Estádio Governador Magalhães Pinto, mais conhecido como Mineirão, que abrigará jogos da Copa 2014.

Transportes

Beagá é servida de dois aeroportos:

O Aeroporto Internacional Tancredo Neves (Confins) - cuja malha aérea é bastante variada, com vôos direto para quase todas as capitais do país - bem como uma variedade de vôos para Miami, NY, Lisboa, Buenos Aires, entre outras capitais internacionais. Tem a desvantagem de ficar localizado no municipio de Confins, a cerca de 38km de distância do centro de Beagá. Para a ligação entre a cidade e o aeroporto existe uma linha de ônibus, com horários regulares; e serviços de táxi, cujo valor varia em torno de R$ 100,00 a corrida.

E o Aeroporto da Pampulha, cujas rotas atualmente resumem-se a vôos regionais e de pequeno porte.

Possui uma rodoviária, localizada no centro da cidade, de onde partem e chegam ônibus das principais capitais do país e de inúmeros municípios do Estado, bem como alguns ônibus oriundos de países da América do Sul. Existe um projeto de mudança de local da rodoviária, mas ainda não há previsão de execução.

Deslocamentos

Hoje a cidade é servida por linhas de ônibus que ligam vários bairros e municípios da Grande BH. Possui também uma linha de metrô, um pouco mais restrita. Para a Copa do Mundo 2014, o governo promete entregar o Projeto BRT, sistema de transporte por ônibus em vias de trânsito rápido.

A Prefeitura de BH disponibiliza um site com diversas informações sobre horários e itinerários dos ônibus e metrô que podem ser conferidas aqui.


Pontos de interesse turístico

Belo Horizonte é uma cidade com várias opções de atrativos turísticos.

Na Pampulha destaco a igreja de São Francisco de Assis, com um belíssimo painel de Portinari, e o Jardim Zoológico, um dos mais completos da América Latina. É na Pampulha também que está localizado o Estádio do Mineirão, onde acontecerão os jogos da Copa 2014 em BH.

Próxima ao centro, a Praça da Liberdade (acima) é um importante complexo paisagístico e arquitetônico, com traçado e jardins inspirados no Palácio de Versailles. Conta com fonte e coreto e é um convite a passeios ao ar livre.

Mangabeiras é de onde se tem a mais bela vista da cidade. É um bairro cercado pela Serra do Curral, onde está localizada a Praça Israel Pinheiro (mais conhecida como Praça do Papa), onde João Paulo II celebrou uma missa campal em 1980. É neste local que se localiza o Parque das Mangabeiras, um dos maiores parques urbanos do país - que foi projetado por Burle Marx.

Aos domingos a grande pedida é a Feira de Arte e Artesanato - ao ar livre na Av Afonso Pena - com inúmeras barracas de artesanato, roupas, móveis, alimentação, bijouteria, entre outras coisas. Vale a pena acordar cedo para uma caminhada na feira, com direito a pastel e caldo de cana - e quem sabe umas comprinhas. Funciona todos os domingos de 06hs às 14hs.

No centro da cidade é possível encontrar ainda o Parque Municipal, sede do orquidário  da cidade e onde está localizado o Palácio das Artes, maior e mais diversificado complexo cultural de Minas Gerais. Abriga galerias, cinema, teatro, livraria, café, espaço fotográfico, além de ser a sede do Centro de Artesanato Mineiro. O prédio é uma obra de Oscar Niemeyer e vale a visita mesmo que só para um café.

Alimentação

Beagá é uma metrópole rica em opções para todos os gostos. Eu particularmente recomendo a todos experimentarem a Tradicional Comida Mineira (assim mesmo, com maiúscula).

Pão de Queijo, Feijão Tropeiro, Costelinha de Porco, Lombo com Tutu, pratos que certamente você encontra em quase todas as capitais do país, quiçá em outros países, mas que em Beagá tem a vantagem de serem preparados por quem mais entende do assunto.

Tomei a liberdade de sugerir alguns bons restaurantes de comida mineira, com anos de tradição, servindo os melhores pratos de Beagá:

Dona Lucinha - possui duas unidades em Belo Horizonte e uma unidade em São Paulo, além de um armazém que vende os produtos da casa.

Empório Armazém Mineiro é um restaurante com decoração típica do interior do estado. Tem bar, o restaurante e o Beco das Garrafas, um corredor que dá acesso a todas as áreas do restaurante e lembra um rua do interior.

Uma terceira excelente opção é o Xapuri, localizado na Pampulha, com ampla área de lazer para crianças e música ao vivo em alguns dias da semana.

Outra opção é o Mercado Central. Este reúne vários bares, onde é servido o legítimo fígado acebolado com jiló, prato bastante consumido por lá, acompanhado de uma bem gelada cerveja. O Mercado Central funciona todos os dias de 08hs as 18hs - domingos e feriasdos de 08 as 13hs - e além de bares e restaurantes é possível encontrar artesanato local, itens religiosos, animais vivos (como galinhas, coelhos, etc), e outros produtos: cereais, grãos e temperos, vendidos a granel.

Hospedagem

Ainda é difícil falar sobre hospedagem em Beagá, porque muitos hotéis estão em construção para poder comportar a alta demanda que a Copa 2014 exigirá.

Indiscutivelmente, a melhor opção de hospedagem hoje é o Hotel Ouro Minas, o único hotel 5 estrelas da cidade, localizado a quinze minutos do aeroporto da Pampulha e do Mineirão e a trinta minutos do aeroporto de Confins - pela linha verde.

Existem outras opções mais econômicas, no bairro Funcionários, na região da Savassi é possível ficar hospedado muito próximo a shoppings e os inúmeros bares da região, porém a distância destes hotéis ao Mineirão é em torno de 15km.

No centro da cidade também é possível se hospedar com uma boa relação custo benefício, porém é necessário observar a localização e a vizinhança, principalmente a noite, onde esta parte da cidade torna-se deserta.

Telefones Úteis

Taxi:  Ligue Táxi BH (31) 3421-3434
Delegacia de Atendimento ao Turista: Deltur Tel: (31) 3452-1106
Secretaria de Turismo
Disk Passagem: (31) 3271-7797

terça-feira, 19 de julho de 2011

Viajando - Copa do Mundo Fifa 2014


E eis que temos mais uma edição de nossa coluna "Viajando", assinada pela agente de viagens Adriana Martins. Hoje temos o início de uma nova série, que vai abordar as cidades-sede da Copa do Mundo de 2014.

Viajando - Copa do Mundo Fifa 2014

Olá queridos leitores!

O Editor me pediu uma pauta essa semana, sobre a qual eu não queria escrever... A Copa do Mundo no Brasil.

É um tema interessante, ele me disse para tentar me convencer a escrever a coluna, mas ainda assim eu estava relutante, pois não gosto muito de Copa do Mundo e não queria que minha opinião influenciasse nos textos. Mas refleti bastante e vi que posso fazer alguma coisa, que vai me deixar feliz enquanto escrevo, e talvez sacie um pouco a curiosidade de alguns de vocês.

Explicados os motivos, decidi que vou fazer uma série sobre as cidades sedes da Copa 2014. O Editor Chefe me pediu algo resumido - para falar do que ele chama de "dificuldade turística" - mas cheguei a conclusão que não dá pra falar sobre doze cidades sedes resumidamente. Não seria justo comigo e nem com vocês que utilizam parte do seu tempo para ler o que eu escrevo.

Então vou falar sobre cada uma delas separadamente. Uma cidade por vez, em doze colunas.

Antes de começar, gostaria de destacar os pontos que serão abordados, já que não poderei enfocar assuntos que não fazem parte do meu dia a dia.

As cidades serão abordadas em ordem alfabética, para não aparentar que estou dando mais importância a alguma cidade especificamente, mas peço a todos a licença poética de encerrar a série com a Cidade do Rio de Janeiro, por ser o palco da final da Copa do Mundo 2014.

Serão abordados temas como transporte, deslocamentos, pontos de interesse turístico, alimentação e hospedagem. Todas as opiniões escritas aqui são minhas, pessoais e sem qualquer influência de qualquer estabelecimento que venha a ser citado.

Vale lembrar ao querido leitor que ainda não temos definidas as tabelas da Copa, por isso não há como escrever sobre os jogos e confrontos, bem como quais cidades serão sede de quais países, ok ?

Dito isso, o calendário com as colunas é o seguinte:

Belo Horizonte - 20/07 (amanhã)
Brasília - 03/08
Cuiabá - 17/08
Curitiba - 31/08
Fortaleza - 14/09
Manaus - 28/09
Natal - 12/10
Porto Alegre - 26/10
Recife - 09/11
Salvador - 23/11
São Paulo - 07/12
Rio de Janeiro - 21/12

Espero que curtam as colunas e que opinem quanto ao conteúdo, que é dinâmico e poderá sofrer alteração. O mais importante é o interesse do leitor deste espaço.

Até amanhã!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A falácia do "sigilo" nas licitações da Copa do Mundo


Muito tem se falado nas últimas semanas de um suposto "sigilo" nas licitações públicas que visam a apontar as empresas que irão construir os estádios da Copa do Mundo e, posteriormente, as arenas esportivas necessárias aos Jogos Olímpicos de 2016.

A imprensa noticiou que os valores das obras seriam mantidos em segredo e que o público não teria acesso aos valores efetivamente dispendidos nas construções. Bem como a "contratação integrada" proposta faria os preços subirem muito, com prejuízo ao contribuinte.

Nada mais falso. Vamos por partes. 

Na prática, o que o projeto de lei prevê é a equiparação do regime de contratação ao vigente hoje na Petrobras. Como a petrolífera está em um mercado competitivo e precisa de maior rapidez em suas contratações, aprovou-se um regime especial de contratação, ainda no Governo FHC. A companhia - apesar da oposição ferrenha do Tribunal de Contas da União - não precisa seguir a Lei 8.666, que trata de licitações públicas, adotando um modelo simplificado.

É isso que se pretende às obras da Copa neste projeto de lei. Adotar um modelo simplificado que torne mais rápidas as contratações.

O tão falado "sigilo" nada mais é que não revelar antes da licitação quanto pretende se gastar. Existe uma expectativa de preços interna, mas que não é revelada - ao contrário do determinado pela Lei 8.666 - e as empresas concorrentes colocam em envelopes fechados as suas estimativas. Ganha aquela que oferecer o menor preço em patamares factíveis com esta expectativa interna.

Onde está a vantagem? Simples. Se eu anuncio quanto pretendo gastar, normalmente as empresas tendem a se combinar para "dividirem" os contratos, e o valor acaba sendo próximo do informado originalmente. Se não há esta informação o valor pedido tende a ser menor - as concorrentes não possuem um referencial. Após o término da licitação os valores serão divulgados normalmente - é informação pública.

Caso haja preços muito divergentes o governo pode optar por declarar nulo o processo licitatório, como já vi ocorrer. É uma forma de resguardar o agente público de eventuais problemas à frente - uma empresa que, por exemplo, tenha jogado o preço lá embaixo  e este não garante a qualidade mínima da obra.

Outra questão é a contratação integrada de projeto e da execução. Tal medida permite uma maior rapidez na contratação - os eventos tem data marcada - e evita casos como o do Maracanã - acima - onde o projeto foi ganho por um consórcio, a obra por outro e no final precisou-se fazer um aditivo pois não se previu que a cobertura do estádio estava condenada.

Qualquer pessoa que já tenha acompanhado uma concorrência na vida sabe não somente o quanto demora como os passos são demorados. Fazendo-se ao mesmo tempo a licitação do projeto e da obra propriamente dita adianta-se o cronograma.

Ou seja, como o leitor pode perceber o projeto trará ganhos de agilidade e financeiros ao poder público. Eu vejo uma série de problemas na preparação para os eventos, como já escrevi, mas acho extremamente salutar medidas que visem diminuir a burocracia e, teoricamente, os custos dos projetos. E os valores estarão disponíveis após as concorrências, permitindo a necessária fiscalização.

Vale lembrar, também, que eventuais exigências da Fifa e do COI no meio do caminho podem tornar mais caras as construções. É uma situação prevista no projeto de lei, por ser algo inerente aos contratos assinados  com as entidades organizadoras dos eventos.

Portanto, não caia nestas falácias: o "sigilo" diminuirá o preço e a integração de licitações idem. É uma das raras boas medidas tomadas nesta preparação eivada de problemas, em especial a Copa do Mundo.

(Foto: Uol)

terça-feira, 12 de julho de 2011

A paixão, o torcedor e a Fifa


O leitor deste Ouro de Tolo tem notado que, embora este seja um blog que procure falar sobre os mais variados assuntos, ultimamente tenho abordado várias vezes aqui a questão da gestão esportiva, em especial do futebol, e as recentes denúncias de corrupção tanto na Fifa quanto na CBF.

Ainda esta semana devo voltar a abordar o tema, comentando a excelente entrevista que Andrew Jennings, autor do recentemente resenhado "Jogo Sujo", deu à Espn Brasil no último sábado - inclusive com acusações graves de corrupção quanto à escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016. Também quero comentar a matéria da Rede Record do último domingo sobre o assunto.

Entretanto, hoje quero tratar o assunto sob outro ângulo: o do torcedor e de sua paixão.

Repare o leitor no vídeo acima. Ele mostra as reações de um torcedor do River Plate na primeira partida do "playoff" na qual a equipe, gigante argentina, foi rebaixada à Segunda Divisão - em um drama que comoveu não somente a Argentina como boa parte do mundo aficcionado por futebol - ok, os torcedores do Boca Juniores talvez não...

Tirando a parte engraçada do vídeo - que, pelo que parece, foi gravado pelo genro "muito do sacana" - as reações do senhorzinho ao andamento da partida são captadas de forma bruta e sem atenuantes. Até mesmo a saraivada de palavrões desferida e o chute no teclado acabam não soando agressivas, porque representam não a falta de educação ou a ofensa em si, mas sim o desespero de quem vê uma grande paixão se afundando, literalmente caindo.

A mim é particularmente comovente a cena em que (acho) uma das filhas - entendo apenas toscamente o castelhano, e em certas ocasiões a velocidade da fala ainda complica tudo - oferece um comprimido de tranquilizante para o pai. Ele reluta, reluta e no final acaba apenas tomando metade do remédio - com vinho, mas esta é outra história.

Comovente porque deixa clara a intenção de morrer se preciso fosse, se necessário à sua paixão, ao seu amor e a seu arrebatamento. Naquele momento, tudo o que importava ao "gallinero" - como são conhecidos os torcedores do River Plate - era que sua equipe não passasse pela humilhação da Segunda Divisão. Tudo o mais era supérfluo e desnecessário.

Muito poucas coisas permitem um grau de entrega desta magnitude. O futebol é uma destas.

Entretanto, não dá para ficar alheio a tudo o que está vindo à tona nas últimas semanas envolvendo Fifa, CBF, o comando do futebol como um todo e alguns espertalhões que se aproveitam da total falta de transparência para aproveitar-se em termos pessoais do "negócio" futebol.

Neste blog o leitor já viu repercutidas várias das denúncias, que envolvem vários tipos de ilícitos. Aqui mesmo abaixo pode-se ver o desprezo de Ricardo Teixeira não somente por aqueles que deveriam fiscalizar os preparativos para a Copa do Mundo como pelos consumidores do espetáculo. Aliás, é inacreditável se pensar que o presidente da Confederação do "país do futebol"... não gosta do esporte!

O contraste é claro: de um lado, o sentimento puro do torcedor, que pode ser este do River Plate como do meu Flamengo ou ainda dos times pequenos do Brasil - como já escrevi aqui em três ocasiões. Do outro, os comandantes, preocupados em mentir, falsificar, corromper, deter poder, especialmente acumular patrimônio pessoal e que não hesitam em macular a essência do jogo para tal.

Que fique claro que não sou contra a profissionalização do negócio. Seria uma tremenda incoerência com tudo que defendi aqui neste espaço. Mas percebo um total desprezo àquele que, em última análise, deveria ser o objetivo de todo o negócio: o torcedor/consumidor.

Entretanto a redoma de vidro onde estes dirigentes se meteram embaça a visão e os coloca em um pedestal de arrogância onde, ainda que descolados da realidade, pensam que estão fazendo "um bom trabalho" de "desenvolvimento de futebol". 

Parêntese: percebo o mesmo comportamento com os dirigentes das escolas de samba cariocas. O resultado está aí: hoje o fenômeno das agremiações carnavalescas cada vez mais é algo de menor alcance, uma espécie de "gueto ampliado". Voltarei ao tema.

Vou mais além. Como ficaria o senhorzinho se soubesse, hipoteticamente, que seu River Plate foi rebaixado porque seu presidente Daniel Passarela brigou com Julio Grondona, "capo" da federação local, e por isso tenha tido arbitragens "menos favoráveis"? Ou se o árbitro ou jogadores de sua equipe tivessem sido subornados para perder de propósito o jogo - afinal de contas, se subornar o Presidente da Fifa é fácil, como não seria com um simples juiz? (Eu sei que a regra do rebaixamento envolve as três últimas temporadas. Falo em tese.)

Falo em tese, obviamente, embora qualquer torcedor mediano de futebol perceba que os times mais alinhados com a CBF, por exemplo, possuem arbitragens mais "simpáticas". Avisei isso aqui antes do Campeonato Brasileiro e, parece, teremos tal confirmação. Não se fala em dinheiro, mas sim em poder, em influência e "otras cositas mas".

Algo do tipo: "me ajuda a 'melar' a concorrência da licitação que te dou uma força para ganhar o campeonato", ou coisas semelhantes. Nada mais que reflexo das instâncias superiores, onde para se ganhar a eleição na Fifa recorrem-se a patrocinadores poderosos - que levam seu quinhão posteriormente e remuneram regiamente sob a forma de propinas aqueles que lá estão.

Lógico que não darei "lição de moral" aqui, mas os mandatários do nosso futebol precisam ser gente honrada, decente, e que respeitem a paixão como a do senhor do vídeo. Como todos nós admiradores de futebol.

Finalizando, quando estive em Natal havia a televisão pública argentina no hotel, que é a detentora dos direitos de transmissão do campeonato local. Vi três partidas durante minha estadia, uma delas inclusive do River Plate.

Não conheço os pormenores do acordo, mas sei que o interesse é permitir que toda a população veja os jogos, colocando o interesse público acima do privado. Acho que merece ser melhor estudado pelos gestores públicos brasileiros, nem que seja para se impor regulamentação a uma seara onde a detentora dos direitos possui poder quase que de vida ou morte não só sobre os clubes como, por consequência, dos torcedores.

P.S. - Antes que perguntem: o termo "concha de su madre", repetido exaustivamente no vídeo, é um palavrão em castelhano. Algo como "vagina de sua progenitora", em português. "Puta que la parió" acho que não preciso traduzir...

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Ricardo Teixeira, a "Piauí" e a impunidade


A grande notícia da imprensa que eu chamaria "não-alinhada" na última semana foi a matéria feita pela Revista Piauí com o presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira. 

Teixeira deu declarações bombásticas e que demonstram um tremendo desprezo pelas instituições democráticas e órgãos de controle. Lembrei-me do Rei absolutista da França Luiz XIV, que dizia "O estado sou eu."

O pensamento do mandatário máximo do futebol é semelhante. A excelente matéria deixa claro que em sua visão o futebol pentacampeão do mundo pertence a ele e tão somente a ele - com a assessoria da Rede Globo de Televisão.

Globo, aliás, envolvida em um episódio que não vi em nenhuma das matérias que repercutiram as declarações à "Piauí": na despedida de Ronaldo Fenômeno, há cerca de um mês atrás, foi um executivo da Rede Globo que determinou ao jogador por onde ele deveria entrar, onde ele e os dois filhos passariam, quantos minutos ficaria em campo, por onde sairia e até o detalhe de usar um determinado dilatador nasal - que, curiosamente, foi a única empresa a anunciar na emissora no intervalo comercial entre a partida e o "Jornal da Globo".

A reportagem mostra um Teixeira que não tem o menor pudor em mostrar que manda e que não se preocupa com a opinião pública ou os preceitos da ética ou da impessoalidade. Ele explicita os métodos de controle do futebol brasileiro e deixa claro que aqueles que não rezam de sua cartilha terão dificuldades no trato com a entidade.

Lembrei-me imediatamente do falecido presidente da Federação de Futebol carioca, o alcunhado "Caixa D´Água", que dizia "aos amigos, tudo; aos inimigos, os rigores da lei - e mais um pouco." É exatamente esta a forma de agir do homem que tem a organização da Copa do Mundo de 2014 sob suas mãos, com total poder discricionário sobre sedes, ingressos e coisas correlatas.

Fica claro que o único órgão brasileiro que ele respeita, tendo como parceiro e mentor, é a Rede Globo de Televisão. A matéria deixa mais claro o porquê da emissora ter tido o apoio incondicional da CBF no recente  episódio dos direitos televisivos - sobre o qual escrevi uma série de posts - onde a entidade implodiu a licitação do Clube dos 13 e deu à emissora poder absoluto sobre o Campeonato Brasileiro de Futebol.

Teixeira se orgulha de, em suas palavras, "não utilizar um centavo de dinheiro público na entidade"; entretanto, sua postura de não prestar contas de seus atos foi mimetizada nos preparativos para a Copa do Mundo, que possuem grandes quantidades de dinheiro público envolvidas. O que se vê é, no mínimo, um desprezo pelo uso consciente dos recursos, sob o guarda chuva de que "é pedido da Fifa".

Umas das revelações mais estarrecedoras da revista é a postura de Ricardo Teixeira de creditar à imprensa a culpa pela demora na definição do estádio de São Paulo. Ele diz que o Morumbi "não tinha a menor condição" e que Itaquera "é um lugar central". Os leitores que viram o post sobre o "Itaquerão" sabem as reais motivações que levaram a este estádio ser construído e indicado para a Copa do Mundo.

Fica claro, também, como já se percebe no noticiário sobre a Fifa que a entidade tem uma dinâmica toda própria e que percebe como "normal" coisas como corrupção, privilégios e mistura do pessoal com o institucional. Também percebe-se como incomoda o controle e a fiscalização pela imprensa e como o presidente da CBF usa seu poder para impor sua vontade.

Preocupante,  porém, é que fica claro que os órgãos de imprensa que fazem oposição a Teixeira terão sérias dificuldades para efetuar uma boa cobertura da Copa do Mundo do Brasil. Ele deixa claro que vai negar credenciais e dificultar a cobertura.

No fim das contas, é revoltante a certeza de impunidade de que ele dispõe, mesmo com todos os casos de corrupção provados pela justiça européia e com os escândalos que cercam a organização da Copa. É como se fosse um mundo paralelo, onde ele é o rei, o senhor do futebol e todos os demais devem a ele se curvar. Um monarca absolutista.

Finalizando, causa estranheza o fato de Teixeira não gostar muito de futebol. No mínimo, uma tremenda incoerência, e que demonstra que o objetivo da CBF hoje, mais que organizar e desenvolver o futebol brasileiro, é acumular recursos e enriquecer meia dúzia de eleitos, sejam pessoas físicas, sejam empresas.

E o brasileiro médio feliz com a Copa, sem pensar em tudo o que cerca o evento...

P.S. - Algumas declarações estarrecedoras de Teixeira à Revista, posteriormente confirmadas pelo assessor de imprensa da entidade, Rodrigo Paiva:

“Caguei montão [para as denúncias da imprensa]. O neguinho do Harlem olha para o carrão do branco e fala: quero um igual. O negro não quer que o branco se foda e perca o carro. Mas no Brasil não é assim. É essa coisa de quinta categoria”

“Meu amor, já falaram tudo de mim: que eu trouxe contrabando em avião da seleção, a CPI da Nike e a do Futebol, que tem sacanagem na Copa de 2014. É tudo da mesma patota, UOL, Folha, Lance, ESPN, que fica repetindo as mesmas merdas.”

“Em 2014, posso fazer a maldade que for. A maldade mais elástica, mais impensável, mais maquiavélica. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. E sabe o que vai acontecer? Nada. Sabe por quê? Por que eu saio em 2015. E aí, acabou.”

“Esse UOL só dá traço. Quem lê o Lance? Oitenta mil pessoas? Traço. Quem vê essa ESPN? Traço.” (aliás, isso é mentira)

“Só vou ficar preocupado, meu amor, quando sair no Jornal Nacional.”

“Quanto mais tomo pau da Record, fico com mais crédito com a Globo.”

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O Escândalo do "Itaquerão"


Nestes últimos dias onde os responsáveis pela organização da Copa do Mundo de 2014 - em especial o Presidente da CBF Ricardo Teixeira - estiveram envolvidos em denúncias de corrupção na Fifa, chamou a atenção aquele que em minha avaliação é o maior escândalo até agora da preparação para a Copa do Mundo: o Itaquerão.

O estádio apontado para ser a sede paulista do Mundial está tendo sua construção iniciada agora, a "toque de caixa" para ficar pronta a tempo de ser utilizada. Tendo em vista o exíguo espaço temporal sua utilização já foi descartada para a Copa das Confederações de 2013, competição que servirá de preparação para o evento máximo do futebol mundial.

O leitor mais atento já deve ter percebido que o superfaturamento e os "elefantes brancos" serão uma das normas deste Mundial. Pelo menos quatro arenas não terão utilização efetiva após o torneio por estarem em locais que não possuem times competitivos a nível nacional: Brasília, Manaus, Cuiabá e Natal - esta última que, como escrevi recentemente, tenho sérias dúvidas se aprontará seu estádio a tempo.


Aliás, a reforma do Maracanã voltou às manchetes semana passada, ao eclodirem notícias dando conta da excessiva proximidade do Governador Sérgio Cabral com o dono de uma das empreiteiras responsáveis pela obra - a ponto de frequentar festas na casa deste.

Por que, então, com a notória desconfiança de roubalheiras e superfaturamentos o estádio paulistano será de longe o maior absurdo desta competição?

Simples. Irá se gastar aproximadamente R$ 1 bilhão de dinheiro público em um estádio que, após a Copa, passará a ser propriedade particular do SC Corinthians Paulista. Isso mesmo, caro leitor: eu, você e o restante do povo brasileiro estaremos dando um presente ao time paulista: um estádio moderníssimo e que terá toda a receita de sua exploração dividida entre o clube e a construtora responsável.

Obviamente, tal deferência vem do fato do presidente da agremiação estar sendo um aliado de primeira hora do presidente da CBF. Além disso, como expliquei anteriormente o São Paulo, que cederia o Morumbi para a competição entrou em rota de colisão com a entidade por causa da recente eleição do Clube dos 13. Com isso, inventou-se uma série de desculpas a fim de afastar o estádio e permitir a construção de um novo para ser a sede paulista.

Encontrou-se um terreno em Itaquera, Zona Leste da cidade, para se erguer a Arena. Logo ficou claro que não haveriam recursos privados para tal empreitada, e partiu-se para uma solução que permitisse a utilização de recursos públicos para a construção. Afinal de contas, São Paulo não pode ficar de fora da Copa, não é mesmo?

Com o passar do tempo e o prazo se extinguindo, a pressão aumentou. O ex-presidente Lula (corintiano), o governador Geraldo Alckmin e o prefeito Gilberto Kassab, cada um a seu modo, se uniram para auxiliar Ricardo Teixeira e seu capanga Andres Sanchez, presidente da equipe paulista.

A Prefeitura participará da obra com R$ 420 milhões, sob a forma de mal disfarçadas isenções fiscais para o empreendimento - objeto de uma lei municipal que, no momento em que escrevo, sofre intensa pressão para sua votação na Câmara Municipal paulista. O governo do Estado será avalista de um empréstimo de R$ 300 milhões no BNDES e as três esferas buscam uma forma de obter financiamento público para os cerca de R$ 280 milhões faltantes.

Ou seja, há uma intensa articulação das esferas de poder a fim de viabilizar a construção de um estádio que será utilizado em no máximo seis partidas da Copa e depois cedido a termo definitivo, com escritura de propriedade, ao Corinthians. Em português claro: apropriação indébita. Roubo.

Há outra questão envolvida nisso: no terreno escolhido há dutos da Transpetro, subsidiária da Petrobras, que transportam hidrocarbonetos. Pela legislação não pode haver construção sobre estes dutos por questões de segurança.

Pois é. A Cetesb, o órgão ambiental de São Paulo, liberou em tempo recorde a licença ambiental para o deslocamento destes dutos para outro local. O curioso é que outras solicitações no mesmo órgão levam uma eternidade para serem liberadas -  e eu sei do que estou falando,embora não possa dar detalhes.

Ou seja, o quadro é este. Sob o argumento de que "São Paulo não pode ficar fora da Copa", o contribuinte paulista e brasileiro dará um estádio de presente ao aliado de Ricardo Teixeira. 

Vergonha. Caso de Polícia.


sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Jogo Misto - Jorge Luiz Rodrigues


Jorge Luiz Rodrigues (foto acima), 48 anos, geminiano, jornalista esportivo há 27, especializado em esportes olímpicos, incluindo o futebol, nas questões envolvendo cartolas, Fifa e quejandos. Cobriu 6 Copas do Mundo (todas desde a Itália-1990) e 5 Olimpíadas (todas desde Barcelona-1992). Torcedor vascaíno, mas apaixonado pelo Nottingham Forest, clube da Segunda Divisão inglesa, todavia bicampeão da Europa nas finais de 1979 e 1980. Tem 3 filhos, um deles, o caçula, é meu xará, e uma rivalidade além da carioca, britânica, pois tenho simpatia pelo Reading na mesma divisão.

Acompanho o trabalho do jornalista desde seu primeiro blog no jornal O Globo, de 2003 a 2006, a partir do qual estabelecemos um contato constante. Na época em que viveu na África do Sul no período pré-Copa  de 2010 manteve um novo blog no jornal (África10), mas infelizmente inativo após a competição. Esperamos o seu regresso próximo.

Curiosamente, só viemos a nos conhecer pessoalmente há pouquíssimo tempo, em um almoço recheado de saborosas histórias. Jorge Luiz Rodrigues é o entrevistado de hoje da coluna "Jogo Misto" do Blog Ouro de Tolo.

1 - Você esteve "do outro lado" na Copa da Alemanha, trabalhando na assessoria de imprensa da Fifa. Como foi a experiência ? E quais as dificuldades enfrentadas na organização de um trabalho deste porte?


JLR: Foi fascinante porque pude descobrir o outro lado, aprender como uma Copa do Mundo é preparada por dentro, as dificuldades, os desafios, as superações, as derrotas e as vitórias. Como bem disse o meu editor-chefe no Globo, Rodolfo Fernandes, "uma pós-graduação que não existe no mercado". Além disso, abri portas na Fifa, fazendo muitos contatos, que até hoje me são úteis na hora de cobrir eventos, apurar bastidores e notícias sobre a entidade. Fui convidado a voltar em 2010, para a Copa do Mundo da África do Sul, mas não aceitei porque vi o que queria ver em 2006. A Copa da África do Sul foi a oportunidade de melhorar meu trabalho como jornalista, o que sou.

2 - Você morou seis meses na África do Sul antes da Copa de 2010. Quais as principais semelhanças e diferenças do modo de vida entre a África do Sul e o Brasil? Quais as lições que podemos tomar da organização da Copa de 2010?

JLR: A África do Sul é um país com potencial incrível de crescimento e que, em apenas 16 anos de liberdade, desde o fim do apartheid, conseguiu organizar uma Copa do Mundo incrível. A desigualdade social ainda é imensa na África do Sul, mas é um país que só veio conhecer a liberdade em 1994. A maior lição não aprendemos. A de não deixar para depois o que pode ser feito antes.

A Copa-2014 será uma festa, sem dúvida. Mas o atraso nas obras de infraestrutura, como aeroportos e melhorias no transporte público, vai custar muito mais caro e ainda causar dor de cabeça ao torcedor e ao visitante. Esse seria um dos grandes legados do evento. E o Brasil está perdendo tempo precioso.

3 - Quais suas expectativas para a organização da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016? Que legado poderemos esperar da realização dos dois eventos?

JLR: Sobre a Copa, penso já ter respondido. Sobre as Olimpíadas, creio que o grande erro é ter feito o Parque Olímpico na Barra. O exemplo de Londres-2012 deveria ser considerado, pois levou o coração dos Jogos para o Leste de Londres, uma área degradada, que está sendo toda revitalizada. As Olimpíadas seriam a grande oportunidade de unir um Rio partido através deste megaevento. Mas a Olimpíada não chegará nem perto de Santa Cruz ou da Favela de Antares, onde os índices de criminalidade são alarmantes, e se concentrará numa parte da Zona Oeste que não precisa dos Jogos quanto dezenas de outras áreas da cidade.


4 - O que um clube como o Nottingham Forest (acima, de vermelho, em partida contra o "meu" Reading na temporada 2008/09) pode ensinar aos dirigentes brasileiros sobre gestão esportiva? O que você considera de interessante em termos de administração de clubes e de dirigentes brasileiros ? E as perspectivas para 2011 neste aspecto ?

JLR: Nenhum clube do Brasil, nenhum mesmo, tem a estrutura do Nottingham Forest. Eu já o visitei, até em seus centros de treinamento para divisões de base, e nunca vi algo que chegasse perto em nosso país. Isso numa cidade a 202km de Londres, mais conhecida pela lenda de Robin Hood. Estamos falando de um clube que não está nem entre os 10 maiores da Inglaterra. 

Mas é um clube fundado em 1865, é um dos mais antigos do mundo, e que já ganhou 2 títulos da Copa dos Campeões Europa, que hoje é o que conhecemos como Liga dos Campeões da Uefa. O Nottingham Forest leva 21 mil pessoas em média aos seus jogos na Segunda Divisão e é apenas um entre os clubes que sabe como valorizar seu torcedor. Nada se compara a Inglaterra em matéria de fazer do futebol um programa nota 10 para entreter o público.

5 - Um livro inesquecível. Por quê?

JLR: Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez. É simplesmente espetacular.

6 - Uma canção inesquecível. Por quê?

JLR: Saindo de mim, de Ivan Lins e Vítor Martins. Tem um pouco de mim.

7 - Um filme ? Por quê?

JLR: Tropa de Elite 2: é extraordinariamente real.

8- Fez algum grande amigo em sua profissão?

JLR: Dois grandes amigos são Telmo Zanini e Armando Augusto, o Manduka. Jornalistas do primeiro time e pessoas da mais alta estirpe, sempre carinhosas e dando atenção aos amigos. Estão em meu coração para sempre.

9- Uma citação?

JLR: "Gratidão, nunca se esqueça dela. Você pode precisar novamente". Frase de seu Osmar, meu pai, meu ídolo, que lá de cima tem uma visão mais clara sobre isso aqui embaixo.

10 - Finalizando, com os agradecimentos do Ouro de Tolo, algumas poucas palavras sobre o blog ou seu autor/editor

JLR: Um prazer reencontrar o amigo. Trocas de experiências e estabelecimento de vínculos de amizade com leitores são alguns dos momentos legais desta nossa profissão. 

Feliz Natal e um 2011 maravilhoso de paz e saúde a você e aos seus leitores.