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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Sabinadas - "O 'passaralho' e a crise nos veículos impressos"


Nesta quinta feira, a coluna “Sabinadas”, do jornalista Fred Sabino, discorre sobre os fatores que estão levando as mídias impressas a perderem atratividade – e, como consequência, demitirem jornalistas aos borbotões.

Acrescentaria, além das causas apontadas pelo colunista, a crescente ideologização dos veículos da chama “grande mídia” como uma grande causa da perda de veiculação destes.

O “passaralho” e a crise nos veículos impressos

Infelizmente estas semanas de Natal e Ano Novo em 2012 não serão tão felizes para muitos jornalistas, principalmente os de veículos impressos.

A crise do setor ocasionou demissões em massa desses profissionais e o fechamento de vários jornais, como Marca Brasil, Correio do Povo e Jornal da Tarde, além de diversas outras revistas. Houve “passaralho” – como os jornalistas chamam este tipo de demissão em massa – também em portais de internet.

Não vejo esse quadro como o prenúncio de um apocalipse inevitável dos veículos impressos. A não ser que jornais e revistas não se reinventem urgentemente. Afinal, a vendagem vem caindo pelo fato de que o público está migrando cada vez mais para internet e TV a cabo.

Alguns fatores explicam e colocam como imperativa uma mudança.

Hoje é muito mais fácil o acesso a computadores e a uma internet de boa velocidade, o que possibilita uma atualização mais veloz das notícias pelos portais e, consequentemente, uma visualização mais rápida também por parte do internauta.

Isso também se aplica aos celulares, a cada dia com conexões de internet melhores. Qualquer um hoje recebe no seu telefone as notícias mais recentes e, num mundo em que as pessoas têm cada vez menos tempo para ir às bancas comprar um jornal, é algo a se considerar também.

Diante disso, o chamado factual vem sendo publicado nos sites e os jornais que ainda apostam nesse tipo de matéria para vender seus exemplares estão fadados ao fracasso - a não ser no caso de um furo de grandes proporções. Este tipo de “furo” é algo cada vez mais raro também devido às barreiras impostas pelas assessorias de imprensa.

Outro fator é a comparação de custos entre se produzir um jornal diariamente e manter um site. Imprimir todo santo dia centenas de milhares de cópias de um jornal continua extremamente custoso, enquanto os gastos operacionais relacionados à internet são cada vez menores.

Na carona disso tudo, os anunciantes tiraram um pouco o pé em relação aos veículos impressos - e aceleraram fundo na internet. Evidentemente, menos grana chega aos cofres dos jornais e revistas e, como em qualquer empresa nesse capitalismo selvagem, os funcionários sofrem.

Existe uma solução?

Evidentemente não é simples, diante de fatores econômicos tão importantes. Mas, como escrevi no começo do texto, os veículos impressos - e seus jornalistas - precisam se reinventar.

Fugir cada vez mais do factual, ou pelo menos minimizá-lo no espaço que houver. Investir em matérias mais comportamentais, perfis de personagens, entrevistas exclusivas, bastidores, observação, entre outras coisas como

infográficos e fotos. Isso me parece o mais lógico para os jornais e revistas ao menos manterem um público cativo.

Voltar aos níveis de antigamente é impossível, mas ter leitores fiéis é o primeiro passo para a sobrevivência.

Como sou das antigas, prefiro ler um bom jornal e uma boa revista a ficar o tempo todo em um celular ou tablet...

Feliz Ano Novo a todos os leitores!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Sabinadas - "Esquentando os Tamborins"


Nesta quinta feira, a coluna “Sabinadas”, do jornalista Fred Sabino, toca em um ponto importante: a perda de importância dos sambas de enredo e a respectiva queda na vendagem do cd.

Esquentando os Tamborins

Estamos chegando ao fim do ano e esquentando os tamborins para mais um Carnaval que se avizinha. E, mesmo com um começo de resgate da qualidade do gênero samba-enredo nos últimos anos, com grande contribuição das tradicionais Portela (principalmente), Vila Isabel, Império Serrano e Mangueira, ainda falta muito para que se chegue ao patamar do que, um dia, já foi fenômeno de vendas.

Quando comecei a acompanhar as escolas de samba, ainda criança, o ‘bolachão’ com os sambas-enredo era aguardado ansiosamente. As rádios cariocas executavam seguidamente as obras e os cantores, amplamente identificados com as agremiações, eram vozes que chegavam não só ao ouvido, mas ao coração dos apaixonados pelo Carnaval.

Afinal, com uma ou outra troca eventual, era de lei escutar os brilhantes Jamelão na Mangueira, Neguinho na Beija-Flor, Ney Vianna na Mocidade, Aroldo Melodia na União da Ilha, Rico Medeiros no Salgueiro, Silvinho na Portela, entre outros... Havia uma identidade auditiva quase imediata.

E as obras não eram feitas a priori para servirem meramente como trilha sonora para um desfile e arrancar uma nota 10 do jurado. Mais do que isso: eram feitas para cativar o componente e o público antes, durante e depois do desfile.

Houve até casos extremos como o da Portela, em 1981 (Das maravilhas do mar, fez-se o esplendor de uma noite, que será reeditado em 2013 pela Tradição), quando o samba gerou tanta empolgação antes mesmo do desfile, que o público invadiu a pista e atrapalhou a evolução da escola. A Portela acabou apenas com a terceira colocação naquele ano.

[N.do.E.: parte deste resultado deve ser creditado ao hoje presidente da Tradição Nésio Nascimento, que na ocasião grampeou errado o caderno com o roteiro de desfile. Resultado: alas entraram em ordem trocada e a escola foi penalizada.]

Meu grande amigo Carlos Alberto Vieira, imperiano de quatro costados, sempre me contou que em 1982 (acima), antes mesmo de o Império Serrano entrar na avenida, os versos de "Bum Bum Paticumbum Prugurundum" eram entoados a plenos pulmões pela arquibancada, tamanha a beleza e explosão do samba de Beto Sem Braço - executado incontáveis vezes na fase pré-carnavalesca.

Em 1989 eu já começava a entender as coisas e lembro que de imediato fiquei apaixonado pelo extraordinário refrão "Liberdade, Liberdade!/Abre as asas sobre nós/E que a voz da igualdade/Seja sempre a nossa voz". Naquele ano foram vendidos simplesmente 1 milhão de discos. Um número impressionante.

Outros sambas muito cantados antes do desfile simplesmente não "aconteceram" na avenida. Talvez o exemplo mais evidente seja o da Mangueira, em 1994 (Atrás da verde e rosa só não vai quem já morreu). Mas até hoje quem não se lembra desse samba empolgante, que mexe com a alma do sambista?

Não, leitores, não é simplesmente uma coluna saudosista, mas que apenas constata como as coisas mudaram. Como já escrevi, o foco de boa parte dos autores (e das escolas) passou a ser apenas a bendita funcionalidade do samba. Também não quero entrar aqui no assunto "escritórios", já amplamente debatido. Mas é fato que a mercantilização das escolas, tal como no futebol, é um fator determinante para essa queda de vendas do CD de sambas-enredo - sinceramente nem sei quanto vendeu o de 2012, que teve uma safra boa, aliás.

Outro problema é a divulgação insuficiente na TV. Antes havia duas emissoras transmitindo os desfiles e ambas executavam os sambas por várias vezes durante a programação e com a passada completa.

Hoje, apenas quarenta segundos são exibidos pela detentora exclusiva dos direitos. Uma evolução nos últimos anos foi a exibição de um programa especial com todos os sambas gravados ao vivo num auditório. Sem dúvida elogiável, mas a passada inteira do samba sistematicamente exibida seria, de fato, o ideal.

[N.do.E.: contribui para isso a falta de uma estrutura de marketing por parte da Liesa e o fato de, hoje, os CDs serem lançados por uma gravadora própria.]

Mais um aspecto negativo é o nivelamento adotado pelos jurados. Por mais que em 2012 os melhores sambas tenham tido as melhores notas, a diferença de pontuação entre o melhor e o pior samba ainda é abaixo do que deveria ser.

No meu mundo ideal, samba e bateria teriam pontuação dobrada, pois assim obras como a da Portela no último desfile ou as baterias da Mangueira e Imperatriz nos últimos anos fariam a diferença num julgamento que ainda privilegia muito os aspectos estéticos. Afinal, é ou não um desfile de escola de SAMBA? Com um julgamento mais rigoroso dos sambas medianos, automaticamente a busca por qualidade melódica e de letra seria maior.

De qualquer forma, como já debatemos aqui neste Ouro de Tolo, ainda bem que está havendo um processo de recuperação da qualidade dos sambas. Imperatriz (2010 e 2011), Mangueira (2011 e 2012), Portela (2012 e 2013) e Vila Isabel (2010, 2012 e 2013) produziram recentemente obras de agrado incontestável.

Tomara que todas as escolas continuem escolhendo obras de boa qualidade, que haja uma melhor divulgação em rádios e TV e os sambas bons de verdade sejam valorizados nas apurações.

Quem sabe, num futuro próximo, voltemos a viver aquela expectativa incontida e saudabilíssima pelos sambas de todas as escolas e que as obras sejam cantadas para sempre.
 
(Foto: Extra)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Sabinadas - "Cacá Bueno"


Hoje, a coluna “Sabinadas”, do jornalista Fred Sabino, fala sobre o término do campeonato da principal categoria de automobilismo do Brasil, a Stock Car, e de seu campeão, o controverso – para muitos – Cacá Bueno.

Pessoalmente, tinha certa implicância com o sujeito, mas mudei minha impressão quando estive cobrindo a etapa carioca da categoria, em julho (foto). Mesmo visivelmente atarefado, não se recusou a parar para trocar algumas palavras e uma foto.

Cacá Bueno

No último fim de semana acompanhei de perto a última etapa da temporada da Stock Car, em Interlagos; e a conquista de mais um título de Cacá Bueno, o personagem mais famoso e competente da principal categoria do nosso automobilismo.

Pelo seu jeito franco, sem meias palavras, e por ser filho de Galvão Bueno, um personagem que desperta amor e ódio do público, Cacá tem lá seus críticos. Mas, de cadeira, posso afirmar que não há a menor razão para isso.

Contudo, antes de falar sobre ele, comecemos pela temporada do pentacampeonato. Na extremamente competente equipe Red Bull Mattheis, Cacá venceu três das primeiras cinco corridas, mas a pontuação achatada de 2012 (só dois pontos separando o vencedor do segundo colocado e mais 18 pilotos pontuando) não o fazia disparar.

Depois, Bueno não teve mais um carro tão dominante, mas, com eficácia e inteligência, somou pontos importantes e se colocou na melhor condição para a Corrida do Milhão, que teve pontuação dobrada.

O quarto lugar bastava, independentemente dos resultados de Átila Abreu, Ricardo Maurício, Daniel Serra, Valdeno Brito, Max Wilson e Nonô Figueiredo, ou demais postulantes ao título.

No último domingo, numa prova com dez minutos a mais do que os 40 habituais, os pilotos se dividiram entre os que fizeram reabastecimentos e os que tentaram ir até o fim sem pit stop, devido às intervenções do safety car.

Pois bem: Allam Khodair, Galid Osman e Nonô Figueiredo brigaram pela vitória até bem perto do fim e ficaram pelo caminho. Cacá Bueno, não. Poupou etanol de forma brilhante sem cair tanto o ritmo e só não ganhou porque a equipe o orientou a acelerar na volta final. Faltaram 200 ml. Mas isso é o de menos.

Com inteira justiça é pentacampeão. Só o gigantesco Ingo Hoffmann, com 12 conquistas, está à frente. Cacá Bueno é o melhor piloto em atividade no Brasil e um dos maiores da nossa história em carros de turismo.

Mas queria exaltar o lado extra pista de Cacá. Como escrevi no começo, ele tem posições firmes e coerentes sobre todos os temas ligados ao automobilismo. Recentemente admitiu em entrevista ao meu amigo Bruno Vicaria, do site Total Race, que não se considera o piloto mais veloz, mas que o conjunto vinha sendo seu ponto forte. E é isso mesmo, sem arrogância ou falsa modéstia.

Da mesma forma, ciente do peso que tem no cenário automobilístico nacional, Cacá cobra sistematicamente melhorias nos autódromos nacionais, reciclagem dos comissários de pista - que até melhoraram em 2012 - e incentivos às categorias de base no país.

Bueno foi ainda um dos artífices da comissão de pilotos da Stock Car, que exigiu mudanças nos carros para uma melhoria da segurança após o acidente fatal de Gustavo Sondermann no começo de 2011. Hoje, os carros da categoria têm novos revestimentos anti chama e um banco que protege mais o piloto.

Nas entrevistas, Cacá não foge das perguntas e discorre sem pressa sobre qualquer assunto. Faz questão que o interlocutor ouça claramente o que quer dizer. Isso porque ele sempre tem algo a dizer.

Lembro que pelo menos duas vezes ele me deu entrevistas que eram para ser de meia hora e que acabaram durando o dobro - aliás, era difícil editá-las porque todas as respostas eram boas.

Cacá também não deixa os fãs na mão. Cansei de vê-lo pelos paddocks brasileiros parando dezenas de vezes para tirar uma foto e dar um autógrafo. Como se espera de um campeão.

Alguns poderão dizer: "ah, mas fica chato ele ganhar todo ano, vou torcer contra". O.K., é um direito de torcedor.

Mas, convenhamos, o penta da Stock Car (2006, 2007, 2009, 2011 e 2012), o tri da Copa Fiat (2010, 2011 e 2012), o caneco da Stock Car Light (1997) e o título do Sul-Americano de Superturismo (1999) são incontestáveis.

E, acima disso, o automobilismo brasileiro precisa de Cacá Bueno.

Por muito tempo.

Links do Texto:



sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Sabinadas - "A temporada de boatos e o jornalismo esportivo"


Nesta sexta feira, a coluna “Sabinadas”, do jornalista esportivo Fred Sabino, toca em um ponto importante: esta “temporada de boatos” das férias futebolísticas e a forma como a imprensa trata o tema.

Eu, pessoalmente, não ligo muito para esta temporada. Mas o post é um guia de referência para se entender o que é notícia e o que é especulação ou puro chute. Lembro aos leitores que o colunista não trabalha mais no jornal citado no texto.

A temporada de boatos e o jornalismo esportivo

Terminado o Brasileirão, começa uma nova temporada: a das especulações de transações entre os times até o começo dos Estaduais.

Por incrível que pareça, ao contrário do que se pode pensar, tais especulações vendem - e vendem muito - em sites e jornais esportivos brasileiros. Muitas vezes mais pela expectativa que um possível reforço leva ao torcedor que pela veracidade da informação.

Evidentemente há aquelas notícias de negociações com embasamento, em que existem realmente tratativas e o material publicado condiz com o que, de fato, ocorre. Mas, por outro lado, há também notícias falsas: seja por apuração insuficiente por parte do repórter, por "chute" do jornalista em busca de um furo (é o famoso "se colar, colou"), por preocupação do veículo em "vender" de qualquer forma ou até por aquelas notícias "plantadas" por dirigentes.

Posso relatar dois exemplos altamente positivos que vi de perto quando trabalhava no Diário LANCE!: as contratações de Vagner Love pelo Flamengo em 2010 e a de Seedorf pelo Botafogo em 2012.

Em ambos os casos, vi de perto os repórteres apurando exaustivamente as informações e trocando ideias com os editores que, entre eles, também discutiam a validade de se publicar determinada notícia nova sobre a negociação até que outras fontes fossem ouvidas.

Nos dois casos, o LANCE! publicou primeiro - e com correção - a notícia da negociação e também da contratação. As matérias saíram sempre com muitas informações de bastidores, como tempo de contrato, valores, entre outras coisas, e não simplesmente uma notícia vazia, sem embasamento.

Mas infelizmente há casos em que tais premissas são deixadas de lado.

Por exemplo, nos anos 90 um jornal carioca - sinceramente não me lembro qual - estampou em letras garrafais: "BATISTUTA NO FLAMENGO". Na época, a internet ainda engatinhava e eu nem engatinhava enquanto jornalista, já que comecei a faculdade no ano seguinte. Inocentemente comprei o jornal e a matéria quase não tinha informações. Então, ou era "chute", ou notícia plantada ou má apuração. É claro que Batistuta (foto) nunca jogou no Mengão.

Com o passar dos anos, e da profissão, passei a saber filtrar melhor aqueles veículos (jornais, TVs, rádios, sites, etc) que passavam mais informações com correção e, principalmente, comparar o tipo de texto de uma notícia que se revelou verdadeira com uma que se mostrou equivocada.

Por exemplo, leitor: desconfie quando um clube X estiver numa crise e, de repente, surgir uma notícia de uma negociação bombástica. Normalmente os dirigentes plantam essas notícias para desviar o foco dos problemas da equipe naquele momento.

Desconfie também quando um clube Y estiver com um elenco péssimo e aparecer a informação de que o craque Z está a caminho. Um craque nunca negocia com um clube de elenco ruim; enquanto para o dirigente é importante dar uma satisfação à torcida para arrefecer as cobranças.

Preste atenção também no histórico do repórter. Caso o jornalista seja conhecido pelo excessivo número de "barrigas" (quando o jornalista publica ou divulga uma informação errada), desconfie quando ele anunciar um grande troca-troca entre clubes.

E, principalmente: desconfie quando as matérias não houver muitas informações de bastidores ou quando o contexto publicado for esquisito demais.

Existem ainda os casos em que a negociação começa de forma verdadeira, mas a transação não se confirma por N motivos. Um exemplo foi quando o meia Márcio Mossoró se destacou no Paulista de Jundiaí. Na semana em que o clube paulista bateu o Fluminense na decisão da Copa do Brasil, Flamengo e Vasco efetivamente negociavam com o jogador.

Mas aí alguns dirigentes de ambos os clubes começaram a passar informações truncadas e tentar tirar partido disso na negociação. No fim, ninguém contratou o jogador.

[N.do.E.: o atleta em questão foi contratado posteriormente pelo Internacional de Porto Alegre. Hoje joga em Portugal.]

Ao longo dos últimos anos, com sites, blogs e redes sociais, a quantidade de notícias imprecisas cresceu ainda mais, devido à necessidade de se ‘subir’ logo alguma matéria antes do concorrente. Como é possível ir editando as matérias publicadas, muitas vezes se acrescenta ou corrige o texto sem que o leitor seja informado dos erros.

Eu, sinceramente, conforme fui ganhando experiência no jornalismo, cada vez menos passei a ler o noticiário de futebol nessa entressafra. Prefiro esperar as confirmações e o jogador vestir a camisa.

Mas para você, leitor: recomendo acompanhar bem de perto essa fase para aprender a separar o joio do trigo a partir de agora.

Flamengo em novas mãos

Na semana em que os rubro-negros (eu inclusive) comemoram o terceiro aniversário do hexacampeonato, Eduardo Bandeira de Mello derrotou Patricia Amorim na eleição para o triênio vindouro.

Minha avaliação sobre gestão Patricia é bem simples. Houve avanços inegáveis na sede social e no centro de treinamento, mas, nas questões relativas ao futebol, o desastre só não foi de 100% porque o Mais Querido não foi rebaixado no Brasileirão. Nunca o Flamengo foi tão achincalhado e motivo de chacota como nesses três anos, pela incompetência dessa diretoria.

Fui sócio do clube por duas décadas, mas, por compromissos profissionais e, principalmente, por estar morando em São Paulo nos últimos anos não acompanhei de perto o processo eleitoral como em outras ocasiões.

Diante disso, só posso dizer o seguinte: espero que a Chapa Azul, vencedora no pleito após o apoio de ícones como Zico e Júnior, retome a tradição democrática do clube e seja 100% transparente, além de cumprir as (inúmeras) promessas de campanha, principalmente a da ruptura com os atuais conceitos de gestão.

Torço muito pelo sucesso de Eduardo Bandeira de Mello e seus parceiros. O sucesso deles nessa jornada será o sucesso de um dos amores da minha vida.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Sabinadas - "O primeiro passo de Massa"


Nesta quinta feira, a coluna “Sabinadas”, do jornalista Fred Sabino, traça um perfil da retomada da carreira de Felipe Massa e de suas perspectivas.

Aproveito para fazer um desabafo de quem gosta de automobilismo. Todo mundo que acompanha e gosta de Fórmula 1 sabe que a categoria sempre teve um certo nível de falcatrua, seja através de interpretações “criativas” do regulamento ou mesmo de práticas pouco recomendáveis.

Só que a união Alonso e Ferrari elevou o nível da canalhice – o termo é forte, leitores, mas não encontro outro – a um patamar inimaginável. Dick Vigarista ficaria com inveja do piloto que afirma “não tenho milagres, faço dos milagres minhas leis” e da equipe que tem como lema “os fins justificam os meios”.

Lembro aos amigos que o tricampeão Vettel afirmou na coletiva pós título que “eu aprendi a ser honesto” e que “os outros tentaram de tudo para nos derrotar, mas aprendi a fazer as coisas do modo certo”. Em um mundo onde as declarações dos pilotos são muito pasteurizadas, é um bom exemplo da repulsa que as atitudes da Ferrari e de Alonso causaram mesmo em um meio bastante aético como é o da Fórmula 1.

Ao leitor que deseja conhecer quem é Fernando Alonso sugiro a leitura da biografia Bernie Ecclestone, já resenhada neste blog.

Que fique claro: as palavras acima são de minha responsabilidade, não do colunista. Vamos ao texto.


O primeiro passo de Massa

Já há algum tempo venho prometendo uma coluna analítica sobre Felipe Massa. Pois bem, chegou o momento.

Não vem ao caso aqui ficar comentando sobre a questão do, digamos, jogo de equipe empregado pela Ferrari nas últimas temporadas - que fique claro: não concordo com a maioria dos expedientes usados. Para quem gosta de automobilismo é um tanto redundante ficar ‘chovendo no molhado’ com essa história.

Portanto, falemos tão e somente sobre o desempenho de Felipe Massa. Vale, é claro, lembrar a sua carreira para contextualizar o atual momento.

Felipe chegou à Fórmula 1 no começo de 2002, após a conquista do título da Fórmula 3000 Italiana, uma categoria nem tão badalada assim. No entanto, o inegável ótimo desempenho e a parceria com o empresário Nicolas Todt, filho do então chefe da Ferrari, Jean Todt, proporcionaram um contrato com o time italiano. Este "emprestou" Massa para a Sauber, cujo carro era empurrado pelos motores de Maranello.

No primeiro ano, Felipe pontuou logo na segunda corrida, na Malásia (na época só seis pontuavam, o que realça a façanha dele), mas alternou outras boas exibições com erros. Ainda desobedeceu a uma ordem da equipe para ceder uma posição a Nick Heidfeld em Nürburgring, o que irritou profundamente Peter Sauber. Após uma batida com Pedro de la Rosa em Monza, foi suspenso para a corrida de Indianápolis. Depois, bateu no Japão e foi dispensado.

Com a reputação em baixa, virou piloto de testes na Ferrari, numa época em que eles ainda eram valorizados. Com a cabeça no lugar, aprendeu, aprendeu e aprendeu o máximo que pôde com Michael Schumacher e Rubens Barrichello. Entendeu melhor o funcionamento de um carro de F-1 e, principalmente, manhas de acerto, e foi reconduzido à condição de titular na Sauber.


Aí Felipe renasceu.

Em 2004, cometeu bem menos erros e, embora tenha marcado menos pontos do que o experiente Giancarlo Fisichella, deixou impressão bem melhor do que em 2002. No ano seguinte, superou o campeão mundial Jacques Villeneuve e teve excelentes atuações, como no Canadá, onde segurou o Williams bem mais veloz de Mark Webber e terminou em quarto. Com isso, pavimentou o caminho rumo à vaga de titular na Ferrari, substituindo o insatisfeito Barrichello.

Embora sempre veloz, Massa começou errático o primeiro ano de Ferrari. Mas foi crescendo, crescendo e, num ano em que Fernando Alonso e Michael Schumacher estavam em forma exuberante, acabou beliscando poles e vitórias convincentes na Turquia e no Brasil. Isso confirmava que era, de fato, um piloto de equipe grande. Com a primeira aposentadoria de Schumacher, Felipe estava garantido em 2007, ao lado do sempre forte Kimi Raikkonen.

Todos se apressaram em dizer que o Homem de Gelo iria congelar Massa (perdoem o trocadilho), mas não foi assim. Felipe teve erros pontuais, mas dominou e venceu corridas. E estava na frente do finlandês na tabela até faltarem cinco das 17 corridas.

Mas uma falha mecânica ridícula na suspensão do carro em Monza, quando Massa também estava à frente tirou pontos preciosos e inevitavelmente Kimi foi o escolhido para encarar os "companheiros" Lewis Hamilton e Fernando Alonso e a fortíssima McLaren. Em meio à implosão do time inglês após a divulgação do escândalo de espionagem, Hamilton desligou o cérebro, Alonso foi prejudicado pelo próprio time e Kimi aproveitou. Mas Felipe não saiu com a reputação arranhada.

O ano de 2008 foi o mais marcante da carreira de Felipe. Ele começou mal de novo a temporada, com duas não-pontuações. Mas depois, com segurança e atuações novamente convincentes, o brasileiro venceu seis provas e o título bateu na trave. A postura dele após o revés, agradecendo à torcida em Interlagos e reconhecendo a vitória de Lewis Hamilton, foi exemplar. Só que o que era para ser a consolidação de Massa como candidato constante a tíutlos acabou sendo o começo de um calvário.

Tudo começou com um problemático carro feito pela Ferrari para 2009. Como o time italiano (além de McLaren, BMW Sauber e Renault) optou pela nova tecnologia do Kers (sigla em inglês para sistema de recuperação de energia cinética, em que a energia armazenada nas freadas é reaproveitada como potência para o motor), a equação toda ficou problemática para o time de engenheiros devido ao aumento de 30 quilos do peso do carro.


Outros fatores, como a volta dos pneus slicks e os polêmicos difusores duplos adotados por Brawn, Toyota e Williams jogaram a Ferrari para trás e tanto Felipe como Kimi Raikkonen sofreram na primeira metade do ano. Aos poucos, Felipe reagiu, sempre marcando mais pontos do que o finlandês, e era o quinto colocado no campeonato, atrás das duplas de Brawn e Red Bull. Antes do infeliz treino classificatório do GP da Hungria...

O acidente em Hungaroring, do ponto de vista puramente clínico, não deixou sequelas segundo os médicos e o próprio Felipe. No entanto, Nelson Piquet, que teve um grave acidente em 1987 e demorou a recuperar os reflexos, acha que não e sempre diz que a queda de rendimento de Massa se deveu ao acidente.

De qualquer forma, Massa voltou no começo de 2010, desta vez com a indigesta companhia de Fernando Alonso. No começo, o brasileiro chegou a liderar o campeonato, mas, aos poucos, o espanhol começou a ser constantemente mais veloz.

Na Alemanha, exatamente um ano depois do acidente, Massa foi obrigado pela Ferrari a ceder a liderança a Alonso.

Mais do que o acidente em si, para mim o grande fator para a queda acentuada de Massa nos anos seguintes foi o episódio de Hockenheim. A confiança, que já estava em xeque pela pressão exercida sobre Alonso dentro e fora da pista, foi abalada de vez.

Some-se a isso a própria dificuldade que os pilotos tinham para conduzir os carros da Ferrari produzidos nesta fase - o próprio Alonso, em forma exuberante, não teve como combater os fortíssimos Sebastian Vettel e a Red Bull desde então.

Aí veio uma reação em cadeia.

Felipe sempre sustentou que a pressão da imprensa, da torcida e a constante boataria envolvendo outros pilotos não o afetaram. Mas fato é que desde 2010 Felipe vinha tendo pouquíssimas atuações de destaque, o que reduzia ainda mais a confiança. Pior: Alonso, de um jeito ou de outro, dava um jeito de tirar leite de pedra. Este ano, o quadro parecia irreversível, pois Massa vinha pior do que nunca e a renovação com a Ferrari se mostrava dificílima. Mas...


Massa reagiu, enfim.

Evidentemente o trabalho com os engenheiros nas férias de agosto ajudou Felipe a ter mais confiança no carro e a atacar mais na pilotagem. Mas a postura dele também mudou para melhor. Claramente para quem acompanha a Fórmula 1 de perto o ano todo, Massa passou a se preocupar menos com o externo e se concentrou como há muito não se via. E, como aquele atacante que passa um jejum de gols e desencanta, Felipe cresceu.

Os resultados logo apareceram, tanto que na reta final do campeonato deste ano, Felipe incomodou Alonso. Classificou-se três vezes à frente do espanhol no grid. Uma delas, nos EUA, não valeu nada porque a Ferrari provocou uma punição após o treino de sábado para dar um posto a mais ao espanhol, que largaria do lado limpo da pista - e teve de ceder posições ou não atacar Alonso na Itália, Coreia do Sul, EUA e Brasil.

[N.do.E.: esta é uma dúvida que tenho para 2013: Massa poderá chegar à frente de Alonso nas corridas ou terá sempre de ceder a posição independente da situação ou do estágio do campeonato?]

Em Interlagos, aliás, pude ver pessoalmente um semblante para lá de positivo em Felipe, que estava feliz com a esposa e o filho andando pelo paddock. A ótima corrida de Austin, onde ele largou em 11º e chegou em quarto, colado em Alonso, deu uma grande injeção. E a corrida de Felipe em Interlagos foi excepcional, no nível da época anterior ao acidente.

A começar pela largada, na qual Felipe ganhou três posições e pulou para segundo. Depois, num jogo de equipe aí sim dentro do aceitável pelas circunstâncias, Massa atrasou Mark Webber e permitiu que Alonso pulasse para segundo. Na sequência, em uma péssima decisão estratégica da Ferrari, caiu para 14º. Mesmo assim, Felipe não desistiu e voltou ao segundo lugar. Depois, outra cessão de posição a Alonso, também normal, e um emocionado terceiro lugar - Felipe chorou no pódio.

O que dá para concluir depois desse longo (confesso) texto é que o primeiro passo Felipe Massa deu para voltar a ganhar corridas: ou seja, ter confiança para estabelecer um ritmo de corrida veloz e realizar ultrapassagens arrojadas. Não fez mais porque, nesta altura do campeonato, era inevitável trabalhar para Alonso pelas posições na tabela. Nas nove corridas que encerraram o campeonato, Massa fez quase tantos pontos quanto Alonso (114 a 97, diferença aproximadamente de um segundo lugar) e tendo de ceder posições.

Mas, para que o torcedor brasileiro recupere definitivamente a confiança (olha a palavra confiança aí de novo), Felipe tem de se concentrar em começar bem a temporada-2013 e pontuar de forma sólida e convincente. Estando bem na tabela, na pior das hipóteses bem próximo de Alonso, Massa pode finalmente evitar as situações constrangedoras que vimos nos últimos anos.

Vocês podem perguntar, com razão: então está tudo bem e aquele Massa de 2007/2008 definitivamente voltou? Não sei, é impossível prever. Mas um primeiro passo foi dado.

Aguardemos.

Fotos, na ordem:
Pódio do GP do Brasil de 2008
Pódio do GP do Brasil de 2012
Massa colado em Alonso no GP do Brasil de 2012
Acidente de Massa nos treinos do GP da Hungria de 2009
Pódio do GP da Alemanha de 2010

Fotos Ferrari/Divulgação exceto a do acidente (reprodução da internet)

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Sabinadas - "Alonso vs Vettel: o Calculista vs o Espontâneo"


Nesta sexta feira, excepcionalmente, a coluna "Sabinadas" do jornalista Fred Sabino, fala sobre a decisão do Mundial da Fórmula 1 a se realizar no próximo domingo em Interlagos. O colunista trata um perfil psicológico dos dois postulantes ao título. 

Adianto que minha torcida é para Sebastian Vettel, haja visto as recorrentes demonstrações de falta de ética e até mesmo de caráter de Alonso e, secundariamente, da Ferrari. Vamos ao post, direto de Interlagos.

Alonso vs Vettel: o Calculista vs o Espontâneo

O fim de semana promete reservar grandes emoções na Fórmula 1, com a disputa do título mundial entre Sebastian Vettel e Fernando Alonso no Grande Prêmio do Brasil.

A natureza clássica do circuito de Interlagos, com curvas de diferentes tipos, subidas e descidas, e, principalmente, o clima inconstante normalmente proporcionam belos espetáculos. Um bom exemplo o que vimos em 2008, quando Felipe Massa por alguns metros não conquistou o título.

Mas o tema da coluna de hoje é voltado para uma análise dos dois candidatos ao caneco. Não uma análise técnica, pois já estamos carecas de saber; mas uma análise do comportamento deles, sobretudo em entrevistas, sejam coletivas ou (quando raramente acontece) exclusivas.

Já tive a oportunidade de entrevistar duas vezes Vettel, quando trabalhava no Diário LANCE! e foi extremamente interessante, para não dizer bacana, ver que o alemão não mudou nada com a fama e os títulos mundiais conquistados nos últimos anos.

Embora hoje em dia seja difícil um piloto soltar declarações bombásticas, Vettel costuma brindar os jornalistas com respostas bem-humoradas e boas tiradas, mesmo naquelas coletivas sem graça tão típicas da Fórmula 1 atual.

É possível sentir no ar um Vettel sempre autêntico e relaxado nas entrevistas, sem muitas delongas ao costurar uma resposta. Enfim: é um sujeito bacana de se conversar.

Já Alonso, com quem troquei pouquíssimas palavras na minha carreira, demonstra ser tão calculista nas entrevistas como é nas pistas. Ele é educado e de vez em quanto até solta um sorriso quando está à vontade.

Mas é perceptível quando se conversa com o espanhol que ele sabe exatamente o que quer dizer e por que ele diz tal coisa naquele momento.

Senão vejamos: durante as últimas semanas, o bicampeão vem bradando aos quatro ventos que considera Lewis Hamilton seu rival mais talentoso. Também afirmou que em condições normais a Red Bull tem um carro mais rápido - o que é até verdade.

Mas, evidentemente, tal discurso denota uma tentativa de desestabilizar o alemão. Em resumo, o ferrarista não dá ponto sem nó. Não que esteja errado, afinal não deixa de ser um estratagema - em 1987, Nelson Piquet usou expediente parecido no duelo com Nigel Mansell e, em 1989, foi a vez de Alain Prost usar a imprensa para tumultuar o ambiente na McLaren durante a guerra com Ayrton Senna.

Ver dois gigantes do automobilismo se enfrentando na pista já é muito bacana. Mas também é muito interessante ver esses caras de perto para prestar atenção nesses detalhes.

Um duelo de personalidades bem distintas.


(Fotos: Globoesporte.com)

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Sabinadas - "Um Balanço do Automobilismo Brasileiro em 2012"


Neste feriado de 15 de novembro, a coluna "Sabinadas", do jornalista Fred Sabino, traz um resumo do ano de 2012 para o automobilismo brasileiro.

Um Balanço do Automobilismo Brasileiro em 2012

O ano do automobilismo está acabando e, para o Brasil, o balanço é pouco animador em termos nacionais e um tanto melhor em termos internacionais, ainda que sem títulos de peso.

Na Fórmula 1, Felipe Massa começou muito mal e teve uma boa reação na segunda metade da temporada. Conseguiu a renovação de contrato com a Ferrari, o que é lucro levando em consideração a falta de vagas em outros times; mas o que gera uma pulga atrás da orelha do torcedor, já que novamente ele terá a dura concorrência de Fernando Alonso.

Bruno Senna, por sua vez, ainda sofre com o ritmo em condições de classificação, o que invariavelmente tem feito com que ele largue quase sempre muito atrás. Nas corridas até que ele vai bem e pontua com certa regularidade. Falta ainda, no entanto, uma atuação explosiva, como algumas feitas pelo companheiro Pastor Maldonado. Bruno vai ficar na Williams? Não se sabe, ainda. É difícil, até porque muito importante será o aporte financeiro levado por cada piloto.

Na GP2, categoria de acesso à F-1, tivemos uma ótima participação do baiano Luiz Razia, vice-campeão como já haviam sido Nelsinho Piquet, Lucas di Grassi e Bruno Senna. Teve ótimas atuações e, não fosse um erro de avaliação numa disputa na penúltima rodada do ano, em Monza, poderia ter levantado o caneco. Tem boas chances de entrar na F-1 em 2013, pois conta com bons patrocinadores e agradou nos testes com Force India e Toro Rosso.

Felipe Nasr, por sua vez, chegou à GP2 sob muita expectativa. Não dá para dizer que ele foi mal. Beliscou alguns pódios e conseguiu algumas boas atuações. Mas acabou ficando um pouco aquém do que se esperava, pois cometeu alguns erros (até normais) e não foi tão bem nas classificações. No ano que vem, mais maduro, tem tudo para brigar pelo campeonato e ganhar pontos na briga por uma vaga na F-1.

A grande expectativa do ano acabou sendo a IndyCar, com a estreia de Rubens Barrichello. Ele teve muita dificuldade de adaptação - mais do que se esperava - mas evoluiu no fim, tanto que obteve um quinto e um quarto lugares e estava em terceiro na última prova quando quebrou. Tenta levantar patrocinadores para seguir na categoria, o que deve acontecer. Só não se sabe se na manquitolante equipe KV, que em diversas ocasiões derrubou tanto ele como seu companheiro Tony Kanaan em maus pit stops, erros de estratégia e escolhas erradas dos engenheiros.

Tony, aliás, teve um ano em que começou cheio de problemas mas que melhorou, com ótimas atuações e pódios do piloto. Ele já está confirmado na KV em 2013 e, mesmo com quase 40 anos, ainda mostra grande categoria. Se estivesse num time de ponta certamente seria candidatíssimo ao título.

Helio Castroneves acabou sendo o único piloto do país na briga direta pelo campeonato. Venceu duas provas e teve outras boas atuações, intercaladas com corridas em que teve azares como punições por troca de motor e toques com outros adversários. Mesmo tendo sido batido pelo companheiro Will Power na maioria dos mistos, Helinho segue em boa forma e ainda é um dos melhores da Indy. Quem sabe ele não fatura o tetra das 500 Milhas em 2013?

Uma das boas surpresas do ano foi o crescimento da divulgação da Nascar no Brasil, graças, sobretudo, à participação dos brasileiros Nelsinho Piquet e Miguel Paludo. Eu, pessoalmente, estive em Daytona para as 500 Milhas deste ano e gostei muito do que vi. Pode ser uma grande alternativa para os nossos pilotos nos próximos anos. Nelsinho fez uma boa temporada e poderia brigar pelo campeonato não fossem acidentes nos quais não teve culpa. Paludo quase venceu em Daytona e teve algumas boas atuações mas ainda pode evoluir.

Vale lembrar que Nelsinho fez história neste 2012 ao ser o primeiro piloto brasileiro a vencer em uma das categorias principais da Nascar - venceu duas provas na Truck Series (na foto, a vitória em Las Vegas) e uma na Nationwide Series.

Em âmbito nacional, dois fatos fatos foram extremamente positivos: a abertura de um novo autódromo, em Mogi Guaçu - o Vello Cittá é de propriedade da Mitsubishi e deve receber mais corridas nos próximos anos - e a volta de Cascavel ao cenário nacional. No entanto, outros circuitos ainda claramente precisam passar por reformas.

Na Stock Car, sete pilotos estão na briga pelo título, na Corrida do Milhão, dia 9, em Interlagos. Mas o injusto sistema de pontuação, extremamente achatado (pontuam do primeiro ao 20º colocado) e sem descartes, acabou provocando grandes distorções na reta final do campeonato. 

Regular e vencedor como de costume, Cacá Bueno provavelmente ganharia o campeonato de forma tranquila não fosse tal sistema. Além disso, Allam Khodair e Thiago Camilo, dois dos pilotos mais velozes do ano, estão fora da briga devido a abandonos que os puniram muito também devido a essa pontuação, enquanto outros pilotos que não brilharam tanto ainda têm chances de título. De qualquer forma, tivemos várias corridas boas e a decisiva promete.

De positivo para a Stock foi a chegada de pilotos de peso, como os três que correram a temporada da Indy. Creio que se estes acabarem optando pela categoria num futuro próximo, veremos um campeonato com um peso ainda maior. Mas é preciso acabar de uma vez por todas com as distorções, principalmente em questões desportivas - algo que até foi minimizado este ano.

Na Fórmula Truck tivemos uma categoria muito bem promovida como sempre, mas com duas observações: é preciso desenvolver um sistema de segurança para ajudar os pilotos quando os freios falharem (Diumar Bueno sofreu um gravíssimo acidente em Guaporé) e, segundo informações iniciais, a última prova do ano já terá os primeiros testes. Além disso, talvez um regulamento mais restritivo seria útil, pois em algumas situações vimos discrepâncias muito acentuadas entre os caminhões.

Deixei para o fim dois acontecimentos que me entristeceram muito. Este ano, finalmente o autódromo de Jacarepaguá foi destruído para dar lugar a instalações da Rio-2016 e, futuramente, a condomínios e escritórios. A especulação imobiliária e os interesses políticos prevaleceram, infelizmente. 

E o encerramento da Fórmula Futuro mostrou um presente terrível para o esporte nacional. Simplesmente não temos categoria de monoposto no Brasil.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Sabinadas - "Sambas melhores do que os enredos"



Nesta quinta feira, a coluna “Sabinadas”, do jornalista Fred Sabino, faz uma análise dos sambas escolhidos pelas escolas de samba do Grupo Especial para o carnaval 2013.

Eu irei esperar o cd oficial sair para escrever minhas opiniões – até porque não ouvi as versões finais de todos os sambas ainda – mas nos próximos dias teremos dois posts do colunista Rafael Rafic comparando os sambas às suas sinopses.

Aproveito para registrar o meu protesto quanto às desnecessárias mudanças sofridas pelo samba da Portela (acima, a versão definitiva), que continua sensacional mas que, indubitavelmente, teve bastante do seu brilhantismo podado. Passemos ao texto.

Sambas melhores do que os enredos

Como prometi, segue a avaliação dos sambas-enredo para o próximo desfile do Grupo Especial do Rio de Janeiro.

Admito que quando tomei conhecimento dos enredos, fiquei preocupado. Afinal, nos últimos anos vimos o começo de uma recuperação da qualidade dos sambas e temia por um empobrecimento das obras.

Mas, se o número de ótimos sambas ficou reduzido a dois, pelo menos não temos nenhum daqueles sambas horrorosos que tanto infestaram os desfiles nos últimos dez anos.

Os destaques absolutos da safra, mais uma vez, são Portela e Unidos de Vila Isabel. Os sambas das demais escolas variam entre bons e razoáveis. Como curiosidade o fato de Tinga e Wander Pires terem se destacado nas defesas dos sambas vencedores nas eliminatórias - até perdi a conta de quantas vezes eles cantam.

Preferi não dar notas, pois ainda gostaria de ouvir as versões do CD: sempre há modificações. Mas aqui segue a minha ordem de preferência em relação às obras que vão embalar as escolas em 2013.

Lembrando que é puramente uma preferência pessoal de alguém que curte o gênero samba-enredo e respeita imensamente os responsáveis por escrever e dar melodia à maior festa popular deste país.

1) PORTELA - Mais uma vez os compositores Wanderley Monteiro e Luiz Carlos Máximo presentearam os amantes do samba com uma obra envolvente e que não vai morrer na quarta-feira de Cinzas.

O refrão de cabeça, além da ótima sacada "Abre a roda, chegou Madureira", tem um balanço irresistível. A receita do excelente samba de 2012, com algumas repetições curtas de versos, é feita com precisão ao longo da letra, que casa bem com a sinopse e facilita o canto do componente. E as variações melódicas também se mostram envolventes.

Eu prefiro a versão original das eliminatórias que o samba (desnecessariamente a meu ver) alterado e gravado na voz do ótimo cantor Gilsinho. Mas é o melhor samba de 2013. Por fim, torço para que Wanderley e Máximo continuem rompendo com os padrões e liderem um definitivo resgate do gênero samba-enredo enquanto música popular e não uma trilha perecível.

2) UNIDOS DE VILA ISABEL - A superparceria formada por Martinho da Vila, André Diniz e Arlindo Cruz, como se esperava, nadou de braçada nas eliminatórias e produziu um dos melhores sambas da safra.

A letra conta com precisão a proposta do enredo e tem momentos bem inspirados, como os versos "Agradeço a Deus por ver o dia raiar", "A lua se ajeita, enfeita a procissão" e "A Vila vem plantar felicidade no amanhecer". A melodia também é envolvente e gostosa de ouvir.

Resta saber como o samba ficará na gravação e no desfile com o estilo mais aguerrido e "vibrante” de Tinga em relação ao "romântico" de Wander Pires. Em 2010 o samba de Martinho sobre Noel Rosa foi bastante modificado e gostaria que isso não acontecesse.

3) IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE - Fiquei decepcionado com a escolha do samba da tradicional e laureada escola de Ramos.

Calma! Não que o samba vencedor do Me Leva (vencedor recente de dois prêmios Estandarte de Ouro) e seus parceiros seja ruim: muito pelo contrário, melodia e letra são de grande qualidade. Aliás, a interpretação do jovem Thiago Britto na versão das eliminatórias foi extraordinária.

Mas a obra do Zé Katimba, que ficou pelo caminho, era daquelas para serem lembradas por muito tempo. De qualquer forma, como já vem sendo rotina, a GRESIL, que a meu ver tem a melhor ala de compositores da atualidade, terá uma obra muito competente na passarela.

Vamos ver se os problemas de desfile vistos nos últimos anos se repetirão. Tomara que não e a escola de Ramos faça uma apresentação digna de seus grandes momentos.

4) ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA - Confesso que, enquanto mangueirense, fiquei inicialmente preocupado com o samba devido à escolha do enredo sobre Cuiabá.

Mas a obra de Lequinho e seus parceiros me deixou muito mais tranquilo para o desfile (risos). Embora o samba não esteja no nível dos dois anos anteriores, o resultado ficou bem positivo. O refrão de cabeça tem ótima pegada, com a teoricamente óbvia - mas bem-feita - rima entre Jequitibá (remetendo ao clássico samba "Jequitibá") e Cuiabá.

A melodia também mescla essa pegada característica dos sambas mangueirenses com uma letra direta e de momentos inspirados. A Estação Primeira muito bem representada no desfile em samba. Tomara que o acabamento das alegorias, ponto fraco dos últimos desfiles, melhore com a verba generosa do governo local.

5) UNIÃO DA ILHA DO GOVERNADOR - Numa das eliminatórias mais disputadas do ano, o samba composto pelo Ginho e seus parceiros venceu.

A obra que contará a vida de Vinícius de Moraes é bastante correta e tem bons momentos, mas, como o enredo da agremiação insulana é um dos melhores do ano, esperava um pouquinho mais da letra e da melodia no geral. Mas, com a competência do Ito Melodia e a garra dos componentes, o samba deve crescer e a Ilha (uma escola pela qual tenho grande simpatia e sempre torço para ir bem) tem tudo para fazer um belo desfile.

6) ACADÊMICOS DO GRANDE RIO - O samba do Mingau e cia. também era o melhor das eliminatórias e vai representar bem a escola.

A obra me agradou principalmente na sua segunda parte, com letra e melodia superiores à da primeira. Como curiosidade, o curtíssimo refrão principal lembra a ideia daquele do Império Serrano de 1988  ("Dá cá o meu, dá cá, me dá o meu!/ O povo carioca quer aquilo que perdeu").

O enredo foi outro que não me agradou, pois me pareceu panfletário demais. Mas vamos ver no desfile, já que a Grande Rio tem uma bela estrutura de carnaval e faz desfiles sólidos.

[N.do.E.: o samba a meu ver tem um problema sério que não é dele, vem da sinopse: os erros conceituais na definição de royalties.]

7) BEIJA-FLOR DE NILÓPOLIS - É um samba no padrão Beija-Flor.

Ou seja, bem feito de letra, com boa melodia (na versão da eliminatória, vale exaltar, muito bem cantado por Tinga e Luizinho Andanças), mas que não causa lá uma grande emoção, até porque o enredo, para meu gosto, não combina com samba.

A não ser que Neguinho esteja num dia muito inspirado e a escola faça uma apresentação de impacto, o que nos últimos anos não aconteceu mesmo no desfile sobre Roberto Carlos, é um samba que vai render boas notas, mas não sei se vai cair no gosto popular.

Posso estar errado, claro, até porque não se pode duvidar de nada vindo da gigante Beija-Flor.

8) INOCENTES DE BELFORD ROXO - Depois da polêmica vitória no Acesso em 2012, a escola da Baixada chega ao Grupo Especial com um samba do Billy e parceiros, vencedores numa disputa com nada menos do que o campeoníssimo Cláudio Russo.

E a obra ficou muito interessante, com uma melodia agradável e letra correta sobre a Coreia do Sul. A escola tem a ingrata missão de abrir o desfile, vamos ver se o samba consegue funcionar com todo mundo ainda frio. Mas foi uma boa escolha e quero ver como vai ficar na voz do excelente cantor Wantuir no CD.

9) UNIDOS DA TIJUCA - O enredo sobre a Alemanha rendeu um samba que descreve bem o enredo, mas sem o impacto que se deseja para uma escola campeã.

Sinceramente, se eu fosse desfilante teria certa dificuldade para memorizar a letra. Na versão das eliminatórias, o Wander Pires deu aquela caprichada nas reverberações. Vamos ver como o samba vai se adaptar na voz do Bruno Ribas, que, costumam dizer por aí, tem um estilo parecido.

Mas esperava mais da Tijuca, tomara que o samba não se arraste no desfile.

10) ACADÊMICOS DO SALGUEIRO - Como vem sendo rotina no Salgueiro, é uma obra "pra cima".

Só que, ao contrário dos últimos quatro anos, quando os sambas funcionaram muitíssimo bem (a ponto de renderem um título em 2009, vices em 2008 e 2012 e um potencial título em 2011), é uma obra que não me agradou tanto, apesar de o refrão principal ser daqueles "grudentos" e de fácil canto.

É que realmente prefiro sambas mais clássicos, sem versos como "se vacilar, cair na rede, vão criticar, o que é que tem?", "tá na capa da revista", "se você quer saber, espera" e "vida de celebridade é um vai e vem".

De qualquer forma, o samba até que supera o enredo sobre fama e o Salgueiro, capitaneado pelo excepcional carnavalesco Renato Lage, obviamente vai fazer um desfile para brigar em cima apesar da péssima posição de desfile. Vamos ver como o samba e a escola se comportam.

11) MOCIDADE INDEPENDENTE DE PADRE MIGUEL - É uma análise parecida com a do Salgueiro.

Embora abaixo de obras anteriores da agremiação, o samba do Jefinho e seus parceiros era o melhor das eliminatórias e se mostra um tanto melhor que o enredo sobre o Rock in Rio.

Isso, apesar de também ter versos como "a minha popstar chegou rasgando o céu" e "na apoteose e nova edição, overdose de emoção". A cabeça do samba e o refrão central são elogiáveis, mas será que o rock vai dar samba?

12) SÃO CLEMENTE - Mais uma vez a escola da Zona Sul aposta num samba leve e de letra simples para contar a história das novelas.

Samba, aliás, oriundo de uma junção, que ficou aceitável. Confesso que o enredo não me agrada, mas pelo menos ficou uma obra irreverente com a cara da São Clemente. Porém, tecnicamente fica devendo aos outros sambas da safra.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Sabinadas - "Triste duelo: ‘Viúvas do Senna vs mal comidas do Piquet’"

 


Nesta quinta feira, véspera de feriado, a coluna “Sabinadas”, do jornalista Fred Sabino, fala sobre um tema palpitante no esporte brasileiro: a disputa entre os fãs de Nélson Piquet e Ayrton Senna.

Sou “piquetista” assumido, mas isso não me impede de reconhecer os méritos de Ayrton Senna.

Triste duelo: ‘Viúvas do Senna vs mal comidas do Piquet’

No último dia 30, dois dos oito títulos mundiais do Brasil na Fórmula 1 completaram aniversário: os 25 anos do tri de Nelson Piquet e os 24 anos da primeira conquista de Ayrton Senna, ambas no circuito de Suzuka, no Japão.

Em meio às justas homenagens a ambos, mais uma sessão da inacreditável e nada inteligente troca de farpas, para não dizer xingamentos, entre os sennistas e piquetistas. Este é um fenômeno que vem daqueles tempos e que foi aumentado e alimentado nos últimos anos pelas redes sociais.

Os fãs de Nelson argumentam que seu ídolo foi o melhor piloto do Brasil na história da Fórmula 1, enquanto os torcedores de Senna reagem

Aí é um tal de "viúvas do Senna" para lá, "mal-comidas do Piquet" para cá, e o que deveria acontecer - ou seja, nossos ídolos serem exaltados - não ocorre, devido aos exaltados (desculpem o trocadilho) e  "corajosos" fãs que, se estivessem frente a frente, não teriam coragem de falar o que escrevem na internet.

São provavelmente os mesmos bobalhões que há quatro anos levaram Felipe Massa ao céu como o responsável pelo resgate da auto-estima da torcida brasileira e "nosso" novo campeão. Nos dias de hoje o chamam de ‘submisso’ e ‘vergonha do automobilismo nacional’ - a situação atual de Massa, aliás, fica para uma outra coluna.


Mas insisto: me espanta demais esses fanáticos (no sentido religioso mesmo) serem incapazes de reconhecer os méritos do "rival" de seu ídolo. 

Entre algumas barbaridades escritas nos últimos anos, separei algumas:

- Ah, o Piquet só foi campeão em 1987 porque o Mansell era burro e fazia merda toda corrida.
- O Senna sempre teve um carro muito melhor do que todo mundo e o Prost era medroso.
- Esse Piquet era um cagão, só ficava esperando os outros quebrarem para ganhar.
- O tal do Senna só morreu porque não soube fazer a curva Tamburello.
- Se não tivesse morrido, o Senna seria aposentado pelo Schumacher.
- O Piquet ganhou campeonatos fora do regulamento, todo mundo sabe disso.

Pois bem, vejam vocês, se dependesse desses idiotas, o Brasil somente teria os títulos de Fittipaldi na Fórmula 1, já que não houve mérito, não é?

Parece o que acontece hoje em dia no futebol. Em todo campeonato existe a teoria da conspiração: "o Fluminense tem esquema com a CBF, por isso está na frente", ou então "ah, não foi o Flamengo que ganhou o título, mas os outros que perderam".

O leitor poderia perguntar, com razão: mas torcedor não é apaixonado assim mesmo e você está azedo demais?


Concordo em relação à paixão, mas entre ser apaixonado pelo seu ídolo ou clube e não ter um mínimo de senso crítico isento é uma distância muito grande.

Essas picuinhas entre sennistas e piquetistas são, infelizmente, mais um triste retrato da queda acentuada de capacidade intelectual da nossa sociedade em discernir o que se passa. E também um retrato do quão as redes sociais formam "monstros" hoje em dia.

Em tempo: considero Ayrton Senna o mais talentoso e rápido piloto da história da Fórmula 1 pelos seus lances geniais e ele era meu piloto favorito na infância. Por outro lado, reputo Nelson Piquet como o melhor de todos os tempos na arte de desenvolver um carro de competição, sem contar sua incrível astúcia e inteligência nas corridas.

Não vejo nenhum pecado em gostar de ambos.

P.S.: prometi na semana passada que escreveria sobre os sambas-enredo do Grupo Especial do Carnaval 2013 do Rio. Mas o Migão é o chefe e pediu que eu adiasse esse texto em virtude das datas dos títulos de Piquet e Senna em 1987 e 1988. Mas da semana que vem não passa!

Créditos das fotos:

Senna e Piquet no pódio do GP do Brasil de 1986
Williams/LAT Photo/Divulgação

Piquet no GP da Itália de 1987
Williams/LAT Photo/Divulgação

Senna durante o GP da Alemanha de 1989
Honda/Divulgação