Mostrando postagens com marcador imprensa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador imprensa. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Sabinadas - "O 'passaralho' e a crise nos veículos impressos"


Nesta quinta feira, a coluna “Sabinadas”, do jornalista Fred Sabino, discorre sobre os fatores que estão levando as mídias impressas a perderem atratividade – e, como consequência, demitirem jornalistas aos borbotões.

Acrescentaria, além das causas apontadas pelo colunista, a crescente ideologização dos veículos da chama “grande mídia” como uma grande causa da perda de veiculação destes.

O “passaralho” e a crise nos veículos impressos

Infelizmente estas semanas de Natal e Ano Novo em 2012 não serão tão felizes para muitos jornalistas, principalmente os de veículos impressos.

A crise do setor ocasionou demissões em massa desses profissionais e o fechamento de vários jornais, como Marca Brasil, Correio do Povo e Jornal da Tarde, além de diversas outras revistas. Houve “passaralho” – como os jornalistas chamam este tipo de demissão em massa – também em portais de internet.

Não vejo esse quadro como o prenúncio de um apocalipse inevitável dos veículos impressos. A não ser que jornais e revistas não se reinventem urgentemente. Afinal, a vendagem vem caindo pelo fato de que o público está migrando cada vez mais para internet e TV a cabo.

Alguns fatores explicam e colocam como imperativa uma mudança.

Hoje é muito mais fácil o acesso a computadores e a uma internet de boa velocidade, o que possibilita uma atualização mais veloz das notícias pelos portais e, consequentemente, uma visualização mais rápida também por parte do internauta.

Isso também se aplica aos celulares, a cada dia com conexões de internet melhores. Qualquer um hoje recebe no seu telefone as notícias mais recentes e, num mundo em que as pessoas têm cada vez menos tempo para ir às bancas comprar um jornal, é algo a se considerar também.

Diante disso, o chamado factual vem sendo publicado nos sites e os jornais que ainda apostam nesse tipo de matéria para vender seus exemplares estão fadados ao fracasso - a não ser no caso de um furo de grandes proporções. Este tipo de “furo” é algo cada vez mais raro também devido às barreiras impostas pelas assessorias de imprensa.

Outro fator é a comparação de custos entre se produzir um jornal diariamente e manter um site. Imprimir todo santo dia centenas de milhares de cópias de um jornal continua extremamente custoso, enquanto os gastos operacionais relacionados à internet são cada vez menores.

Na carona disso tudo, os anunciantes tiraram um pouco o pé em relação aos veículos impressos - e aceleraram fundo na internet. Evidentemente, menos grana chega aos cofres dos jornais e revistas e, como em qualquer empresa nesse capitalismo selvagem, os funcionários sofrem.

Existe uma solução?

Evidentemente não é simples, diante de fatores econômicos tão importantes. Mas, como escrevi no começo do texto, os veículos impressos - e seus jornalistas - precisam se reinventar.

Fugir cada vez mais do factual, ou pelo menos minimizá-lo no espaço que houver. Investir em matérias mais comportamentais, perfis de personagens, entrevistas exclusivas, bastidores, observação, entre outras coisas como

infográficos e fotos. Isso me parece o mais lógico para os jornais e revistas ao menos manterem um público cativo.

Voltar aos níveis de antigamente é impossível, mas ter leitores fiéis é o primeiro passo para a sobrevivência.

Como sou das antigas, prefiro ler um bom jornal e uma boa revista a ficar o tempo todo em um celular ou tablet...

Feliz Ano Novo a todos os leitores!

sábado, 24 de novembro de 2012

Uma sugestão às escolas de samba


Na última quinta feira o jornal O Dia publicou artigo de minha autoria com algumas sugestões para melhorar a gestão de nossas escolas de samba. O texto é baseado em um post deste blog ainda de 2011, e devido às limitações de espaço do jornal está bastante condensado.

Entretanto, ainda este ano irei escrever aqui post desenvolvendo as questões abordadas abaixo na reprodução do artigo publicado.

Até para que não se repita o quadro da foto acima - do site SRZD Carnaval - com o quarto andar do barracão da Portela na Cidade do Samba. A imagem é do início desta semana, acredite o leitor.


Uma sugestão às escolas de samba

O noticiário carnavalesco dos últimos dias vem enfocando bastante a gestão das escolas e a demanda por mais recursos. O objetivo deste artigo é sugerir um conjunto de medidas a fim de se iniciar um modelo de gestão profissional por parte de nossas agremiações.

Dividiria as ações em três grupos: gestão profissional, governança corporativa e a gestão de marca e de novas receitas. Iniciando, a gestão profissional. Sabe-se que há ineficiência no uso de recursos. Isto ocorre por não haver modelo de gestão estruturado.

Detalhada proposta orçamentária é fundamental. Elaborada com antecedência, permite atração de bons profissionais, compra antecipada de materiais e execução do enredo segundo cronograma. Somente esta medida já permite economia que estimo em 20% do total.

Segundo: o que se chama “modelo de governança”. Isso significa a instituição de regras internas que visem à uniformização do uso de recursos, o processo de contratação de bens e serviços e a existência de controles internos automatizados na gestão. Além disso, instituir e acompanhar metas e indicadores objetivos tanto de gestão, como de processo e de desempenho são outra parte fundamental de melhoria.

Necessário também formalizar (na medida do possível) as relações trabalhistas e estabelecer um “Plano de Carreira”, com metas e incentivos. Instituir um sistema de consequências para os gestores profissionalizados, bem como padrões de procedimentos.

Uma boa gestão é marcada pela transparência, ainda mais quando há a busca por novas fontes de recursos e gestão de marca. Prestar contas de ações empreendidas e resultados financeiros ao público, ainda que de forma resumida, seria um bom começo.

O leitor deve estar se perguntando: de onde a escola vai tirar dinheiro para iniciar tão antecipadamente (antes mesmo do carnaval anterior) a preparação do desfile?

Através de contratos de vestuário (à moda dos clubes de futebol), licenciamento de diversos produtos com a marca da escola, maior rentabilização da quadra de ensaios e dos contratos de cervejarias. Estas são novas fontes de recursos que dispensariam o patrocínio ao enredo e trariam um fluxo de receitas por todo o ano.

Projeto de sócio torcedor, a R$ 10 mensais e envolvendo direito (mesmo que limitado) de voto, também possibilita afluxo de recursos considerável: 5 mil sócios representam R$ 600 mil anuais.

Obviamente estas linhas são um grande resumo, que precisa ser aprofundado.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Sabinadas - "Triste duelo: ‘Viúvas do Senna vs mal comidas do Piquet’"

 


Nesta quinta feira, véspera de feriado, a coluna “Sabinadas”, do jornalista Fred Sabino, fala sobre um tema palpitante no esporte brasileiro: a disputa entre os fãs de Nélson Piquet e Ayrton Senna.

Sou “piquetista” assumido, mas isso não me impede de reconhecer os méritos de Ayrton Senna.

Triste duelo: ‘Viúvas do Senna vs mal comidas do Piquet’

No último dia 30, dois dos oito títulos mundiais do Brasil na Fórmula 1 completaram aniversário: os 25 anos do tri de Nelson Piquet e os 24 anos da primeira conquista de Ayrton Senna, ambas no circuito de Suzuka, no Japão.

Em meio às justas homenagens a ambos, mais uma sessão da inacreditável e nada inteligente troca de farpas, para não dizer xingamentos, entre os sennistas e piquetistas. Este é um fenômeno que vem daqueles tempos e que foi aumentado e alimentado nos últimos anos pelas redes sociais.

Os fãs de Nelson argumentam que seu ídolo foi o melhor piloto do Brasil na história da Fórmula 1, enquanto os torcedores de Senna reagem

Aí é um tal de "viúvas do Senna" para lá, "mal-comidas do Piquet" para cá, e o que deveria acontecer - ou seja, nossos ídolos serem exaltados - não ocorre, devido aos exaltados (desculpem o trocadilho) e  "corajosos" fãs que, se estivessem frente a frente, não teriam coragem de falar o que escrevem na internet.

São provavelmente os mesmos bobalhões que há quatro anos levaram Felipe Massa ao céu como o responsável pelo resgate da auto-estima da torcida brasileira e "nosso" novo campeão. Nos dias de hoje o chamam de ‘submisso’ e ‘vergonha do automobilismo nacional’ - a situação atual de Massa, aliás, fica para uma outra coluna.


Mas insisto: me espanta demais esses fanáticos (no sentido religioso mesmo) serem incapazes de reconhecer os méritos do "rival" de seu ídolo. 

Entre algumas barbaridades escritas nos últimos anos, separei algumas:

- Ah, o Piquet só foi campeão em 1987 porque o Mansell era burro e fazia merda toda corrida.
- O Senna sempre teve um carro muito melhor do que todo mundo e o Prost era medroso.
- Esse Piquet era um cagão, só ficava esperando os outros quebrarem para ganhar.
- O tal do Senna só morreu porque não soube fazer a curva Tamburello.
- Se não tivesse morrido, o Senna seria aposentado pelo Schumacher.
- O Piquet ganhou campeonatos fora do regulamento, todo mundo sabe disso.

Pois bem, vejam vocês, se dependesse desses idiotas, o Brasil somente teria os títulos de Fittipaldi na Fórmula 1, já que não houve mérito, não é?

Parece o que acontece hoje em dia no futebol. Em todo campeonato existe a teoria da conspiração: "o Fluminense tem esquema com a CBF, por isso está na frente", ou então "ah, não foi o Flamengo que ganhou o título, mas os outros que perderam".

O leitor poderia perguntar, com razão: mas torcedor não é apaixonado assim mesmo e você está azedo demais?


Concordo em relação à paixão, mas entre ser apaixonado pelo seu ídolo ou clube e não ter um mínimo de senso crítico isento é uma distância muito grande.

Essas picuinhas entre sennistas e piquetistas são, infelizmente, mais um triste retrato da queda acentuada de capacidade intelectual da nossa sociedade em discernir o que se passa. E também um retrato do quão as redes sociais formam "monstros" hoje em dia.

Em tempo: considero Ayrton Senna o mais talentoso e rápido piloto da história da Fórmula 1 pelos seus lances geniais e ele era meu piloto favorito na infância. Por outro lado, reputo Nelson Piquet como o melhor de todos os tempos na arte de desenvolver um carro de competição, sem contar sua incrível astúcia e inteligência nas corridas.

Não vejo nenhum pecado em gostar de ambos.

P.S.: prometi na semana passada que escreveria sobre os sambas-enredo do Grupo Especial do Carnaval 2013 do Rio. Mas o Migão é o chefe e pediu que eu adiasse esse texto em virtude das datas dos títulos de Piquet e Senna em 1987 e 1988. Mas da semana que vem não passa!

Créditos das fotos:

Senna e Piquet no pódio do GP do Brasil de 1986
Williams/LAT Photo/Divulgação

Piquet no GP da Itália de 1987
Williams/LAT Photo/Divulgação

Senna durante o GP da Alemanha de 1989
Honda/Divulgação

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Bissexta - "O Fantástico Mundo dos ‘Analistas’ Políticos"


Nesta quarta feira, conforme antecipei ontem, a coluna "Bissexta", do advogado Walter Monteiro, discorre sobre o papel da imprensa nestas eleições municipais que se encerraram no último domingo, torcendo e distorcendo os fatos para se chegar a conclusões previamente estabelecidas - e, a meu juízo, sofísticas.

O Fantástico Mundo dos ‘Analistas’ Políticos

Na minha adolescência – bota tempo nisso – minha diversão dominical era assistir às mesas redondas que dominavam a programação noturna, marcando a transição do descanso para a volta à escola. Quase sempre uma coletânea de bobagens.

Nunca me esqueço do programa logo a seguir a autorização da CBF (ou será que ainda era CBD?) para que os clubes exibissem propagandas nas suas camisas. Um comentarista de porte (está aí até hoje, embora com menos glamour) vaticinava que a televisão iria se recusar a transmitir jogos, para não fazer propaganda gratuita. Sabichão, não é mesmo?

O domingo, mundialmente conhecido como o Dia do Flamenguista, não teve futebol graças ao segundo turno das eleições municipais, mas nem por isso as mesas redondas foram menos divertidas do que as da minha adolescência. E nem menos fartas de asneiras como a previsão acerca da relação da TV com a propaganda estática.

Na verdade, a diversão começou antes: eu gastei mais de 1 hora do meu tempo ocioso e não criativo para assistir um programa humorístico.

A revista Veja, moderninha como ela só, anda fazendo experimentos em multimídia. Todo dia onde há sessão no STF julgando o Mensalão, o folhetim hebdomadário junta uma patota no estúdio para tecer loas às condenações e descer a lenha na turma do PT.

Infelizmente, alguma coisa deu errado no calendário e o novo herói da Nação precisou interromper o julgamento para ir à Alemanha. Logo, à falta de melhor assunto, os cronistas se dedicaram a fazer previsões sobre os futuros prefeitos.

O programa era dividido em dois blocos: nas cidades onde candidatos oposicionistas lideravam, como Salvador ou Belém, os debatedores vibravam com as projeções e enfatizavam a inexorável derrota de Lula. Já em São Paulo, onde até os ETs sabiam que o candidato petista liderava por ampla margem, a ênfase era lembrar erros históricos dos institutos de pesquisa e dizer que “as ruas” mostravam uma eleição muito disputada.

Eu sinceramente fiquei estarrecido como três pessoas podem mudar de opinião tão rapidamente em algo que está sendo gravado, mas isso não parece incomodar os fãs da Veja. Estes escutam o Reinaldo Azevedo da mesma forma que os vascaínos ouviam o Áureo Ameno no Canal 9: os fatos e a opinião em si são meros detalhes, o que conta é o ódio ao Flamengo – ou, no caso, ao PT.

Abertas as urnas, desconfio que perdi o melhor da festa. Eu liguei a TV na Globo News antes mesmo da eleição acabar e o Imortal Merval já estava por lá, prontinho para explicar a essa gente tola que nada sabe que o resultado das urnas não é tão simples como se poderia pensar.

Por exemplo: a eleição do pedetista Gustavo Fruet em Curitiba não poderia ser encarada como uma vitória dos ministros petistas que bancaram sua candidatura. Afinal, o pedetista eleito, em 2005, foi um empedernido inquisitor de Lula na CPI dos Correios. E o candidato derrotado, Ratinho Jr, é filho do famoso apresentador, esse sim, amigo de longa data do Lula.

Logo, em Curitiba, onde todo mundo pensa que o PT e Dilma venceram, eles, na verdade, perderam. Ah, tá!

Por mim, que sou dado a uns gostos estranhos, ficaria o resto da noite grudado na telinha vendo aquela gente falar das eleições, mas tive uma festinha de criança no meio e fui expulso do sofá para cumprir minhas obrigações de pai.

Não sei bem a que horas voltei, mas já passava muito das 22 horas e o Merval ainda estava lá. Tive a sorte de chegar bem na hora onde ele arrotava indignação pela presença do Maluf na festa do Haddad.

Caramba, o Merval deve ter passado mais de 5 horas ao vivo, falando mal do PT e ensinando aos telespectadores que a Arena, ops, o eixo Demo/Tucano, venceu por ampla margem.

E olha que eu tinha achado que na tal festinha do meu compadre eu tinha presenciado o diálogo mais surreal do ano.

Tinha um palmeirense por lá. Se flamenguista já é raro em Porto Alegre, imagina palmeirense: é o terceiro que conheço, em mais de cinco anos de auto exílio.

O cara perdeu um tempão, para espanto de uns, gargalhadas de outros, tentando nos convencer que a partida entre Inter e Palmeiras seria anulada pelo STJD. Tudo porque o árbitro invalidou um gol de mão do atacante palmeirense, mas só o fez depois de muitas reclamações dos colorados e ouvindo a opinião do quarto árbitro.

Notaram bem o raciocínio?

O juiz anulou um GOL DE MÃO, mas como tinha validado de início, não poderia corrigir o erro. Como o fez, a partida precisa ser jogada novamente, em nome da lisura.

Pena que só tive a ideia agora, mas se há leitores palmeirenses aqui, façam a sugestão chegar aos ouvidos do presidente Arnaldo Tirone: que tal contratar o Merval Pereira e o Reinaldo Azevedo para defender esta causa no STJD?

Não pode haver gente mais habilitada para essa missão inglória,

Primeiro, porque depois de passarem tantos dias comentando o Mensalão, ambos falam de temas jurídicos com muito mais propriedade do que meus antigos professores na Faculdade de Direito.

Segundo, porque ninguém vai ter a cara de pau deles. Pode passar o replay do lance um milhão de vezes mostrando o Barcos fazendo o gol com a mão, mas eles arrumarão um jeito de dizer que o gol foi legal.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

As eleições e o quadro político brasileiro



Eis que, finalmente, as eleições municipais de 2012 já tem todos os seus vencedores conhecidos. Vencedores nas urnas, como candidatos, e vencedores no jogo político do Brasil.

O primeiro deles, indubitavelmente, é o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva. Demonstrando uma vez mais uma análise política aguçadíssima, montou toda a estratégia que permitiu a vitória de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo, cidade que vinha sendo mantida como bastião do PSDB e de legendas satélites.

Lula anteviu que o PT somente conseguiria disputar de forma competitiva a cidade paulista com um candidato que soubesse dialogar com a classe média menos reacionária, além de representar uma oposição consistente ao projeto do prefeito Gilberto Kassab, muito mal avaliado.

A indicação de Haddad mostra, também, outra faceta da estratégia petista engendrada por Lula: a de apostar em nomes novos, forçando uma renovação no partido e assim “descolando” a imagem do partido ao julgamento do Mensalão. Esta foi uma aposta vista em várias cidades, tendo na capital paulista seu maior sucesso, inequivocamente.

Quanto ao derrotado José Serra, sua derrota talvez seja boa para que em médio prazo a oposição se reestruture e busque um projeto de poder alternativo. Como bem observou um analista ontem, bastava ver a foto de seu discurso (acima) após o resultado ontem para se perceber que o PSDB, hoje, tem um perfil branco, masculino, idoso e de elite, pelo menos em seus dirigentes e lideranças. Só faltaria ter seu “Tea Party” para ficar igual ao Partido Republicano americano.

Serra emperrou a renovação do partido nestes últimos anos e sua derrota, ainda que ele diga que não irá se aposentar, certamente o tira do quadro para candidaturas ao Executivo. O PSDB irá se renovar na marra, mas é algo que visa a 2018. Aécio Neves deverá ser o candidato do partido à Presidência em 2014, mas é uma luta bastante inglória – até porque ele tem alguns “telhados de vidro” bastante evidentes.

Entretanto, se o PSDB quiser ser uma alternativa competitiva sua doutrina precisa voltar ao espectro de centro, ainda que conservador. Sendo contra as cotas, contra políticas sociais, contra a melhoria do poder de compra dos trabalhadores e pró-americano, como o é hoje, suas chances de voltar ao poder caem consideravelmente. Não me parece haver mais espaço para políticas elitistas ou excludentes em termos de propostas públicas – graças a Deus o Brasil mudou.

A propósito, esta política demófoba implantada por Serra e Kassab sucessivamente em São Paulo parece ter influência considerável neste resultado eleitoral. Vale lembrar que em São José dos Campos, onde ocorreu o lamentável episódio da desocupação de “Pinheirinho”, o PT venceu as eleições após um longo domínio tucano.

Também se ressalte que o PT conquistou importantes prefeituras paulistas e parece estar em uma posição mais confortável na busca pelo governo paulista para 2014. Ainda mais se o próprio Lula vier candidato ao governo estadual, conforme se especula.

Outro resultado muito expressivo para a base governista, onde uma vez mais se viu o dedo do ex-presidente, foi em Curitiba. Candidato pelo PDT com o apoio do PT, após ter sido defenestrado do PSDB, Gustavo Fruet se elegeu prefeito em uma cidade que possui um anti petismo e um anti lulismo arraigados.

Lula teve o mérito de comprar a sugestão dada pela senadora Gleice Hoffman de lançar Fruet e, dado o desgaste do governador Beto Richa, não é mais impossível se pensar que a base governista possa ganhar o governo do estado em 2014. O PT perdeu nas outras cidades em que esteve no segundo turno no estado, mas por margens bem menores que as verificadas em outros anos.

Quanto à oposição, obteve vitórias em capitais de peso menor como Manaus e Belém (com o PSDB), perdeu de forma apertada em Rio Branco e arrasadora em João Pessoa (ambas o PSDB para o PT) e conquistou uma vitória importante em Salvador, ainda mais por significar algum oxigênio ao DEM.

Este resultado de Salvador pode ser explicado pela concomitante má avaliação do governador Jacques Wagner e do prefeito atual João Henrique. Lamento, apenas, que a doutrina representada pelo carlismo arenista tenha renascido devido a isso.

Aqui no Rio é digna de nota a demonstração de força dada pelo ex-governador Garotinho na eleição de São Gonçalo, segundo maior colégio eleitoral do estado. Neilton Mullim, correligionário do ex-governador, ganha uma plataforma consistente para manter Garotinho com importância no quadro político do estado.

Dos municípios do estado do Rio merecem destaque também a eleição do presidente da Inocentes de Belford Roxo Reginaldo Gomes como vice prefeito – em uma chapa encabeçada pelo PCdoB – e a derrota do ex-prefeito e deputado estadual Washington Reis em Caxias, este apoiado pelo governador e pelo prefeito da cidade do Rio.

Outra grande derrotada, ainda que não tenha concorrido diretamente, foi a grande mídia. Esta colheu derrotas expressivas apesar de ter jogado às favas o jornalismo para fazer propaganda partidária aberta e escancarada, mesmo na televisão - que é uma concessão pública.

Mesmo martelando o “Mensalão” de forma tonitruante contra o PT e os candidatos da base governista, o efeito nas votações foi pequeno. O recado do eleitorado em geral foi claro: ao contrário da jurisprudência formada pelo Supremo Tribunal Federal, a corrupção no Brasil não foi inventada em 2003 e os partidos são mais ou menos semelhantes nesta questão. Uma vez mais o povão votou com o bolso.

Contudo esta campanha eleitoral deixou claro que algum tipo de regulação da mídia precisa ser estabelecido, a fim de equiparar o poder da imprensa ao dos poderes constituídos. Não digo moderar conteúdo, mas sim democratizar os meios de comunicação coibindo coisas como a propriedade cruzada e o monopólio de um mesmo grupo nos diversos veículos.

Por exemplo, a Globo aqui no Rio tem televisão, TV a cabo, jornal, rádios, a empresa que distribui TV paga e a estrutura física. Em lugar nenhum do mundo isso é permitido, nem nos Estados Unidos.

A mídia brasileira é a mais desregulamentada do mundo, e qualquer tentativa de se atacar estas questões logo é bombardeada sob o manto da “liberdade de imprensa”. A questão é que hoje, no Brasil, não existe liberdade de imprensa: existe “liberdade de empresa”, que é algo muito diferente – e profundamente anti-democrático.

Mas, sobre imprensa, o colunista Walter Monteiro tratará no post de amanhã de sua coluna “Bissexta”.

Finalizando, cabe destacar que o PSB se afirmou como uma espécie de “oposição de centro”, flutuando dentro e fora da base governista em função de suas conveniências. Não me parece ter organicidade para uma candidatura competitiva à Presidência em 2014, mas pode representar a médio prazo o principal espaço de oposição ao Governo Federal – ocupando o espaço de centro e, consequentemente, o lugar do PSDB.

Entretanto é algo que onde somente mais perto das próximas eleições haverá condições para uma análise mais aprofundada.

(Foto: Estadão)

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Sabinadas - "Coberturas bem diferentes"



Excepcionalmente nesta quarta feira, devido ao feriadão, a coluna “Sabinadas”, do jornalista Fred Sabino, toca em um ponto bastante sensível do jornalismo brasileiro: as diferenças de cobertura “in loco” e a partir da sede do veículo, entre outros.

Isto me lembra um entrevero que tive com um destes “jornalistas especializados” em automobilismo (o qual obviamente não cito o nome) pelo Twitter, que terminou com o mesmo recebendo a alcunha de “kicker” (chutador). Ao que parece, o apelido que dei pegou no meio automobilístico...

Mas vamos à aula dada pelo colunista.

Coberturas bem diferentes

A cobertura do automobilismo no Brasil é muito diferente da que é praticada pelos veículos europeus, tanto os impressos quanto os eletrônicos. Não podemos cair na tentação de dizer que aqui os veículos especializados não são confiáveis e lá são acima de qualquer suspeita.

Mas, com o tempo, pude filtrar em quem se pode confiar e, principalmente, quem faz uma cobertura mais técnica.

Este ponto, aliás, é fundamental nesta análise. O público brasileiro não tem o embasamento técnico do europeu. Afinal, nossa cobertura jornalística começou para valer em 1970, quando Emerson Fittipaldi estreou na Fórmula 1 - 20 anos após o começo da categoria (foto). Com uma cobertura de tanto tempo na Europa, o público pôde ser educado.

Todavia o leitor pode se perguntar, e com razão: como até hoje não somos educados tecnicamente?

É um tanto simples responder: como em outras modalidades, tirando o futebol, a cobertura dos jornais e da TV sempre foi focada nos brasileiros, sobretudo nas suas vitórias, e não na competição em si e seus meandros, salvo exceções. Isso continua até hoje.

O automobilismo é um esporte muito visto no Brasil, tem a sua parcela grande de apaixonados, mas os números estratosféricos vistos na época de Piquet e Senna foram turbinados pelos que queriam ver os brasileiros ganhando e não as corridas em si. De qualquer forma, ainda são números importantes. O automobilismo só perde em audiência para o futebol em TV e internet.

[N.do.E.: pessoalmente, não sou destes. Gosto do automobilismo enquanto esporte, independente de termos brasileiros ou não.]

Diga-se de passagem, com o surgimento da internet, vieram a reboque muitos sites especializados e uma nova geração de jornalistas. Só que esses sites (e a maioria dos jornais), até por uma evidente questão de custos, não realizam as coberturas da F-1 in loco e muitas vezes acabam reproduzindo o que sai na Europa.

Aí está a armadilha. Seja por cometerem erros de tradução ou por não vivenciarem o ambiente das corridas no exterior, alguns profissionais acabam não sabendo filtrar o que é certo ou errado, em qual informação se pode confiar e até mesmo qual é a análise mais precisa.

Quando a notícia contaminada vai ao ar, um abraço pro gaiteiro, como diz aquele apresentador popular.

Outro problema é uma prática que infelizmente acontece aqui por parte de alguns "redatores". Consiste em pegar um contexto que se desenha, por exemplo, que um piloto X está em negociação com a equipe Y, e "cravar" a informação em seu veículo mesmo sem ter apurado tal notícia.

No fim, se o chute vai ao gol, o "profissional vaidoso" em seu veículo clama pelo "furo que deu". Quando é a chamada "barriga" não se admite o erro... Ou seja, é mais um aspecto que não ajuda em nada a tal educação a que me referi no começo do texto.

Por isso, afirmo com a tranquilidade de quem já cobriu muitas corridas no Brasil e exterior que uma cobertura técnica, isenta e, principalmente precisa, é praticada na maioria das vezes pelos profissionais que estão nos autódromos, de preferência o ano todo.

[N.do.E.: percebi isso quando estive cobrindo a Stock Car este ano no Rio de Janeiro.]

No jornalismo, infelizmente as imprecisões acabam acontecendo, seja por apuração errada, vaidade do repórter ou por este querer "dar o furo" de qualquer forma. Mas, com o jornalista estando no local, a chance de isso acontecer é menor, pois o profissional aprende a filtrar o que se passa e a entender o lado técnico.

E nisso, por questões históricas e geográficas, ainda estamos muito defasados...


terça-feira, 18 de setembro de 2012

A Propaganda Institucional e a Oposição Midiática


O leitor deste blog sabe que venho tecendo críticas quanto à atuação da grande mídia nos últimos anos, mais se comportando como partido político que como órgãos jornalísticos. Pois é, voltarei ao tema.

Caiu no meu e-mail semana passada matéria com alguns dados da publicidade institucional do governo em órgãos de imprensa, por matéria da Folha que a Carta Capital repercutiu. São dados referentes a 2011 e divulgados pela Secretaria de Comunicação da Presidência, a Secom.

Percebe-se uma nova inflexão na política. Fernando Henrique Cardoso concentrava a publicidade institucional em poucos veículos, aproximadamente 400. Somente a Rede Globo levava 80% do total destinado à televisão e 64% dos recursos totais destinados, em média.

O Governo Lula promoveu uma maior capilaridade destes recursos, passando a contemplar cerca de oito mil veículos de todo o Brasil. Este foi um dos principais fatores que geraram a oposição sem trégua feita pelo maior grupo de mídia do país (a Globo) ao governo, a propósito.

Sob Dilma e com a Secom comandada pela jornalista Helena Chagas (ex-Globo), nota-se uma nova orientação: são três mil os órgãos contemplados e dez veículos de comunicação concentram 70% do total de recursos. Os veículos das Organizações Globo levam cerca de um terço do valor destinado – R$ 55 milhões para um total de R$ 161, em valores arredondados.

Somente no segmento de internet que a empresa carioca não é líder no recebimento de recursos, estando em segundo lugar – atrás da Microsoft.

Há duas formas de se pensar: uma poderia ser uma estratégia do governo de tentar contrabalançar a campanha feita contra ele por estes órgãos de imprensa dia e noite. Note-se que à exceção da Rede Record (R$ 23,4 milhões), todos os veículos que recebem verbas expressivas de publicidade do governo fazem oposição aberta e quase golpista.

Um parêntese é que a revista Carta Capital leva de forma injusta o epíteto de que é sustentada pelo governo: levou apenas cerca de R$ 120 mil em publicidade anual. A Isto È, por exemplo, levou mais que o dobro.

A segunda e mais provável, também, deriva do fato de que Dilma Roussef vem procurando se compor com esta mídia a fim de não enfrentar a oposição cerrada sofrida por Lula. Só que em minha análise a Presidenta ainda não se apercebeu que com esta mídia não há acordo: o objetivo é derrubá-la do governo, no voto ou no grito.

Há tempos que a grande mídia vem se comportando como um partido político e braço de comunicação dos partidos de oposição. Somente se noticia o que se serve a este objetivo, e não se hesita em empreender manipulações grosseiras a fim de fazer prevalecer o ponto de vista político e ideológico dos veículos.

Chega a ser engraçado se ver “analistas econômicos” torcendo e torturando números a fim de propagar aos quatro cantos que o Brasil vive uma crise econômica que somente pode ser resolvida com um “choque de liberalismo” e entrega dos nossos setores econômicos aos americanos. Ou que distribuir renda é ruim e que os mais ricos devem ser tornados mais ricos a fim de levar ao país ao “progresso”.

Esqueçam: o país vai bem, dentro das circunstâncias internacionais.

A mesma mídia que recebe publicidade oficial teve um de seus principais jornalistas envolvidos com a quadrilha de Carlinhos Cachoeira. Surpreendentemente o Governo concordou em participar de uma “Operação Abafa” para que a revista em questão não fosse convocada a depor na Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga o caso.

Nos últimos meses, a cada concessão feita pelo governo a mídia de oposição radicaliza seu posicionamento. Nem vou citar o caso do Mensalão, que foi objeto de post anterior, mas começa a ficar claro que se tenta reproduzir os movimentos golpistas midiáticos ocorridos em 1954 e 64 e que ajudaram na derrubada de Vargas e Jango.

Dia a dia articulistas da mídia radicalizam o discurso e começam a sugerir abertamente uma solução “à Paraguai” para o Brasil. Como em 1954 e 64, sabem que não tem como voltar ao poder pelo voto a curto prazo - então precisam de manobras extra-constitucionais.

Vale lembrar que o Supremo Tribunal Federal está deixando claro no julgamento do Mensalão que se curvou às pressões midiáticas, por fatores que retomarei em outro post. Para algum tipo de iniciativa antidemocrática prosperar via Judiciário falta pouco.

O curioso é que a mesma mídia que volta e meia reclama que “a liberdade de imprensa está ameaçada no Brasil” (em tempo, uma falácia) está no país onde a mesma é a menos regulada do mundo. Nem nos Estados Unidos ocorre o que há aqui, onde um mesmo grupo detém no mesmo lugar televisão, rádio, jornal, revista, distribuição de TV a cabo e produção de conteúdo. Onde se faz política partidária e se vende como jornalismo.


Uma coisa é certa: não será despejando verbas de publicidade que o governo irá conseguir algum tipo de trégua com esta mídia que a cada dia radicaliza seu discurso e caminha para uma defesa enfática de um golpe de Estado. Começa a ficar claro que ou o governo “vai para o pau” contra esta mídia ou será derrubado inapelavelmente do poder por algum tipo de manobra judiciária.

O recado é claro: é capitulação incondicional ou golpe. Parece uma análise extrema, mas a cada ano o cenário se radicaliza.

Finalizando, não me considero estar em condições de dar conselhos à Presidenta, mas parece claro que sua atuação precisa ser menos tecnocrata e mais política. O PT também precisa abandonar a política da conciliação e ter uma postura mais ativa.

Coloco abaixo um resumo dos dados publicados, por mídia, para o leitor ter uma idéia.

TVs
Globo Comunicação e Participações S.A – 50.029.241,00
Rádio e Televisão Record – 23.390.960,00
TV SBT Canal 4 de São Paulo – 19.394.613,00
Rádio e Televisão Bandeirantes – 6.328.810,00
TV Ômega (RedeTV!) – 3.197.261,00
Turner Broadcasting System Latin América – 1.204.555,00
Associação de COM.ED. Roquette Pinto (TVE) – 1.027.887,00
Globo Comunicação e Participações L.T.D.A – 833.803,00
Globosat Programadora – 810.281,00
Fox Latin American Channels Brasil – 728.587,00

Rádios
Rádio Panamericana (Jovem Pan) – 1.396.541,00
Rádio Excelsior – 1.129.999,00
Rádio Globo de São Paulo – 730.475,00
Rádio 99 FM Stereo – 539.143,00
Rádio SP-Um – 498.990,00
Rádio e Televisão Bandeirantes – 498.301,00
Rádio Transamérica Brasília – 419.723,00
Kalua Comunicações e Serv. De Publicidade – 408.788,00
Rádio Eldorado – 379.773,00
Rede Católica de Radiodifusão – 349.394,00

Jornais
Infoglobo Comunicação e Participações – 927.474,00
Estado de S.Paulo – 656.394,00
Empresa Folha da Manhã – 585.051,00
SP Publimetro – 259.275,00
Sempre Editora – 249.444,00
Correio Braziliense – 192.822,00
Empresa Editora A Tarde – 182.985,00
Valor Econômico – 164.017,00
Editora Jornal do Commercio – 159.230,00
Estado de Minas – 152.874,00

Internet
Microsoft Informática – 1.285.962,00
Globo Comunicação e Participações – 952.950,00
Universo Online (UOL) – 892.553,00
Yahoo do Brasil Internet – 712.296,00
Terra Networks Brasil – 651.662,00
Fox Latin American Channels Brasil – 491.821,00
Internet Group do Brasil – 444.632,00
Editora Abril – 352.729,00
O Estado de S.Paulo – 337.686,00
Editora Globo – 137.448,00

Revistas
Editora Abril – 1.296.649,00
Editora Globo – 479.060,00
Três Editorial (Isto É) – 266.201,00
Editora Confiança (CartaCapital) – 118.794,00
Editora Escala – 99.444,00
Editora Brasil 21 – 70.889,00
Elifas Andreato Comunicação Visual – 66.666,00
AS Pedreira – Agência Jornalística – 66.528,00
Padrão Editorial – 55.575,00
Editora Alvinegra (Piauí) – 55.110,00

(Fonte: Secom)

P.S. – Ao contrário do que alguns leitores dizem, este blog não recebe um centavo de publicidade oficial ou dinheiro público. Aliás, não recebe um centavo em publicidade de qualquer tipo. Ao contrário, só gasto.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A imprensa, o STF e o julgamento do mensalão


Venho acompanhando apenas perifericamente o espetáculo midiático apresentado em torno do julgamento do mensalão. Ando bastante atarefado no trabalho e sinceramente, como escrevemos eu e o colunista Walter Monteiro recentemente, não é algo que vá mudar os destinos da nação.

Entretanto, algumas medidas adotadas pelo tribunal deixam clara para mim a percepção de que no mínimo o Supremo Tribunal Federal não parece muito inclinado a contrariar os órgãos da chamada "grande imprensa", ainda que tal comportamento implique em violações ao processo ou ao cerceamento de defesa dos acusados.

Não é segredo para ninguém que setores da imprensa vem em campanha intensa e orquestrada para a condenação de todos os acusados às penas máximas previstas. O leitor mais antigo deste blog sabe que hoje a oposição brasileira é representada por quatro "partidos": as Organizações Globo, a Editora Abril e os jornais Folha de São Paulo e Estado de São Paulo.

A Editora Abril nas últimas semanas diminuiu o tom das críticas ao governo, talvez pelo receio de ver expostas de forma mais efetiva as suas relações com o banqueiro de bicho Carlinhos Cachoeira. As escutas telefônicas divulgadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito recentemente deixaram bastante complicada a posição institucional da Revista Veja, em especial por afetar uma credibilidade já bastante abalada. Está claro que no mínimo havia uma "tabelinha" entre a revista e a quadrilha do contraventor, em promiscuidade a meu ver inaceitável.

Estes órgãos de oposição precisam que o chamado "Mensalão" tenha condenação total e integral, por dois motivos: primeiro utilizar isso como amplificação de campanhas eleitorais de políticos da oposição. Segundo porque uma eventual absolvição de quaisquer que sejam significaria que todo o momento de 2005 não teria passado de uma tentativa de golpe de Estado.

Parêntese: como escrevi anteriormente, acho que há acusados culpados e outros inocentes. Também discordo que a punição vá combater a corrupção no Brasil, até porque o combate a ela hoje e especialmente a sua denúncia é claramente seletivo. Fecha o parêntese.

A liderança neste processo de, digamos, "constrangimento" do STF partiu dos veículos ligados à Globo, em especial ao jornal e à televisão. As matérias "jornalísticas" pré julgamento referiam-se aos acusados como culpados, ainda que antes do julgamento. Além disso o tempo destinado a acusar os réus é bastante superior às alegações da defesa - até porque a postura deste grupo é de que os réus não podem se defender.

Em especial os 'jornalistas' Merval Pereira e Ricardo Noblat, próceres do órgão impresso, vem se comportando como pontas de lança pela condenação ampla, geral e irrestrita de todos os réus do processo. O raciocínio é de que a condenação irá "abrir os olhos do povo" para o "absurdo" que representa o PT estar no governo. A vontade do povo expressa nas eleições de 2002, 2006 e 2010 não importa.

Obviamente, os jornalistas em questão - como outros que seguem a mesma linha reacionária, quase fascista - são apenas reflexo do homem forte do jornalismo da Globo, o Diretor Ali Kamel. Este imprimiu no jornalismo político e econômico dos grupo um caráter político partidário, moldado em suas convicções pessoais e em um reacionarismo que esbarra fortemente em um extremismo de cunho fascista e anti-democrático. A apuração de fatos, o necessário contraditório e a liberdade de expressão das fontes foram solenemente ignoradas em prol da difusão das ideias políticas do chefe/grupo - e devolver o PSDB/DEM ao poder central é vital para isso.

Por outro lado, os Ministros do STF não parecem muito empenhados em resistir a tal pressão midiática. Note-se que o relator do processo afirmou que já estava "com o voto pronto há alguns meses", ou seja, a defesa feita pelos advogados de nada serviu. Obviamente, os acusados já haviam sido julgados e condenados antes.

Outro sintoma perceptível deste fenômeno são as alterações no processo a fim de acelerar o julgamento e permitir que se conclua antes das eleições municipais. Não parece que haverá tempo hábil para tal, mas claramente há um movimento de forma a facilitar a culpabilização nos moldes exigidos por estes setores da imprensa. A meu ver - ressalvando que não sou advogado - está havendo um direcionamento do julgamento para tal.

Além disso os Ministros estão dando entrevistas e opiniões sobre o julgamento à imprensa, o que me parece algo no mínimo bastante inusual. Parece claro que há a busca por não contrariar aos interesses midiáticos e ao mesmo tempo aumentar sua exposição nestes mesmos órgãos de imprensa.

A condenação de todos os acusados virou uma espécie de "Santo Graal" da oposição e da imprensa brasileiras. Note-se que após o golpe paraguaio jornalistas do referido veículo defenderam uma solução semelhante aqui no Brasil.

Isso leva a uma outra questão: os órgãos de mídia brasileiros são os menos regulamentados do mundo. Nem nos Estados Unidos, pátria da livre iniciativa, existe esta total ausência de regulamentos para esta atividade. Situações como um mesmo grupo deter televisões, rádios, jornais e a infraestrutura para difusão ou produzir e distribuir conteúdo concomitantemente não são permitidas no país.

Aqui pode tudo. Com isso os donos das mídias de grande alcance acabam detendo um poder quase monopolista sobre a informação - e a utilizam de maneira a atender os seus próprios interesses e não o bem comum.

Ultimamente de forma ainda tímida a internet vem quebrando um pouco deste virtual monopólio e sendo um contraponto a esta onipotência dos grandes grupos. Entretanto, é preocupante ver o Ministro Gilmar Mendes afirmar que irá processar todos os blogs e jornalistas que lhe fizeram críticas pois "criticar é desrespeitar um ministro do Supremo", como noticiado na última semana.

Percebe-se claramente um movimento coordenado de forma a calar estas vozes dissonantes e restaurar o monopólio da "informação" a esta grande mídia, a fim de voltar aos tempos de manipulação da opinião pública. Haja visto os recentes processos que envolveram os jornalistas e blogueiros Luis Nassif e Paulo Henrique Amorim - e aqui não necessariamente digo que concordo ou discordo do que eles escrevem.

Finalizando, acredito que se a oposição perder novamente no voto as eleições presidenciais de 2014 irá partir via Supremo para uma solução à moda paraguaia. Uma espécie de "quartelada jurídica".

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Julian Assange: Cabra Marcado para Morrer


A notícia mais importante da política internacional nesta semana foi a sequência de acontecimentos envolvendo o fundador do Wikileaks, Julian Assange.

Ele está refugiado na embaixada do Equador em Londres desde que o governo britânico deixou claro que o iria extraditar à Suécia, onde é processado por um suposto assédio sexual - na verdade, por ter feito sexo sem camisinha com duas mulheres.

Evidentemente este é um pretexto, até porque ao que tudo indica a passagem de Assange pela Suécia será breve: os Estados Unidos querem sua extradição para julgá-lo por traição e espionagem, o que deve levá-lo à cadeira elétrica antes mesmo que ele possa assistir aos Jogos Olímpicos de 2016 pela televisão.

Na noite de anteontem, se utilizando de uma lei local de 1987 o governo britânico ameaçou invadir a embaixada equatoriana a fim de prender o fundador do Wikileaks na marra e extraditá-lo para o país escandinavo. Como resposta o país da América do Sul concedeu na manhã de ontem (horário brasileiro) asilo político ao ativista, de forma a proteger a sua integridade física.

Com isso chega-se a um impasse: o governo inglês já alertou que não concederá o salvo conduto a fim de que Assange possa ser levado a território equatoriano. Por outro lado, teoricamente não pode invadir a embaixada pois esta é considerada território do país andino - embora não descartaria uma ação deste tipo.

Sem o salvo conduto Assange pode ser preso assim que entrar no carro que o levaria ao aeroporto. Assim seria extraditado à Suécia e depois aos EUA, onde certamente encontraria a pena de morte.

Contudo, ainda que Assange consiga chegar a Quito ou mesmo fique como hóspede da embaixada londrina por um longo período, me parece que seus dias neste plano me parecem contados. Explico.

As revelações empreendidas pelo Wikileaks trouxeram bastante embaraço a governos, políticos e outras personalidades importantes no mundo. Graças a este site soubemos que o discurso público era um e o efetivo, interno, outro completamente diferente. Também soubemos de algumas farsas em política internacional e de como a "corporatocracia" - para usar as palavras do economista John Perkins - se utiliza dos governos para impor seus interesses.

Evidentemente, Assange e o Wikileaks tornaram-se inimigos dos governos, em especial do governo americano. Parece óbvio que tal "atrevimento", ainda que tenha trazido muitas verdades à população mundial, incomodou profundamente o governo americano - que já deu mostras suficientes de que esmaga este tipo de "inimigo".

Por mais que Assange consiga se livrar da extradição e embarcar para Quito, os leitores não esperem que ele tenha uma vida tranquila por lá. Além de não poder emitir opiniões políticas por causa de sua condição de exilado, sempre haverá uma CIA em seu encalço, como a história mostra. Bin Laden provou deste remédio e hoje repousa ao fundo do mar.

Isso sem contar que a eleição de um governo conservador no país da América do Sul futuramente pode colocar em risco a segurança do fundador do site Wikileaks. Ou seja, Assange se conseguir escapar da extradição - e morte certa - nos EUA, possivelmente se tornará alvo de atentados ou "assassinatos seletivos" por parte de próceres estadunidenses. Questão de tempo.

Esta situação me lembra um livro que li - e resenhei aqui em um dos primeiros posts deste blog - chamado "Confissões de um Assassino Econômico", que mudou minha visão de vida, minha visão de economista e a minha visão de mundo.

John Perkins, seu autor, sempre diz que os inimigos estadunidenses recebem três "visitas". A primeira é a dos assassinos econômicos, como ele foi um dia. Segundo, os chacais da CIA. Se isso não resolver, o exército americano - como vemos hoje no Iraque e no Afeganistão.

Ou seja, o poderio americano sempre está disposto a esmagar aqueles que o contrariam, ou aos interesses que os levam à dissonância. Com uma pessoa apenas, um símbolo como o fundador do Wikileaks, é algo ainda mais plausível.

Outro ponto é se perceber o quão "flexível" é o conceito de liberdade de expressão. Pode-se expressar desde que não fira interesses daqueles que realmente detém o poder constituído. Algo bastante relativo.

Finalizo expressando meu pessimismo quanto ao futuro não somente do fundador deste site que expôs a hipocrisia das relações internacionais como de iniciativas que visem garantir a liberdade de expressão. Hoje, infelizmente, liberdade de expressão é a liberdade de disseminar o pensamento de quem detém o poder real.

P.S. - A Cultrix relançou "Confissões". Neste link o livro pode ser comprado - recomendo fortemente.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Bissexta: "Mensalão – Um Tema Menor e Desimportante"


Nesta quinta, a coluna “Bissexta”, do advogado Walter Monteiro, relativiza a importância do julgamento do mensalão, que se inicia hoje. Ainda chama atenção que, em um julgamento “jurídico”, haverá réus condenados e réus absolvidos.

Mensalão – Um Tema Menor e Desimportante

Estive em São Paulo segunda feira passada e resolvi combater o tédio da sala de embarque e o atraso do meu vôo trocando mensagens com o Editor-Chefe e com o futuro presidente do Flamengo, Affonso Romero.

Um diálogo de malucos, mas por culpa minha. Eles diziam que ‘O Globo’ tinha se tornado um manifesto de política partidária. Eu perguntava como, não via clima conjuntural para tanto. O avião enfim decolou e só aí fui me dar conta de que o desencontro era fruto de referenciais diferentes: eles se referiam à temática nacional, eu pensava que se queixavam das eleições municipais.

Sou viciado em jornais desde criança, mas há quatro anos que a minha fonte primária de informação são os tablóides gaúchos - essencialmente a Zero Hora.

Detesto ler jornal no IPad e o distribuidor local de O Globo era tão ineficiente que o jornal não raro chegava com dias de atraso, ou, com muita sorte, pela tarde. Desisti: me rendi à cobertura local. E agora vi que tive sorte, porque a seção de política vem priorizando as próximas eleições. Naquela segunda feira a única menção ao Mensalão era uma reportagem sobre uma cirurgia de Roberto Jefferson, um dos réus mais famosos do processo maldito.

Não que a imprensa gaúcha seja alienada com temas nacionais. Naquela segunda mesmo a matéria de destaque era uma reportagem com Guido Mantega sobre o desaquecimento da economia. Hoje (quarta) a vez foi da greve dos caminhoneiros. Mas, pelo visto, os jornalistas daqui parecem ter entendido a real dimensão da importância deste Mensalão para o pais: uma nota de rodapé está de ótimo tamanho.

Nada muda, seja qual for o resultado do julgamento. Aliás, o resultado precisa ser completamente imprevisível, porque são muitos réus, muitas provas, muitos argumentos, muitos detalhes.

A rigor, o resultado só parece ter relevância para quem “torce” por um desfecho específico: petistas fazem pressão nos espaços públicos que dominam para o que chamam de um “julgamento técnico”, eufemismo para reivindicar uma absolvição plena - como se não tivessem, realmente, nada a esconder.

Conservadores, majoritários na grande imprensa, vendem a ilusão de que se trata de um momento “histórico” na luta contra a impunidade, como se apenas uma condenação exemplar fosse redimir o Brasil e os brasileiros de todos os pecados de nossa história.

Pois não é uma coisa, nem outra.

Condenar José Dirceu e sua trupe não mudará uma vírgula sequer no comportamento errático da classe política: está aí a CPI do Cachoeira, Demostenes, Agnello e Perillo para deixar bem claro que afastar alguns da vida política não inibe os que restaram de continuar a transgredir.

Absolver os petistas também não é garantia de justiça coisíssima nenhuma. Teve gente ali que meteu a mão com vontade em dinheiro gordo e nem nega - curiosamente, esse não parece ser o caso do vilão-mor, José Dirceu. Até dinheiro na cueca apareceu. Só me faltava essa agora, debater um eufemismo, do tipo “ok, peguei o dinheiro, mas não era todo mês, nem era para comprar meu apoio. Era só para eu enriquecer mesmo”.

Me disseram até que vai ter cobertura ao vivo. Que coisa! Vou logo avisando aos menos familiarizados: não vão esperando um clima ‘Law & Order’. Julgamento no Supremo é uma das coisas mais chatas do mundo de se ver, mais ainda para quem não é do ramo.

Greve dos caminhoneiros.  Desaquecimento da economia. Olimpíadas de Londres. Fora Patricia Amorim. Manuela ou Fortunati? Falta de vaga nos presídios. Obras viárias, para a Copa de 2014. Fuerza Bruta no Porto Alegre em Cena. Carminha x Rita. Dia Nacional da Mobilização Rubro-Negra, 11/08. Um frio de renguear cusco. A pia do banheiro entupida. O escritório mudando de endereço. Revolução Rubro-Negra e Affonso Romero presidente do Mengão. Revisão do carro.  Comprar ou não comprar um Galaxy S III? [N.do.E.: sobre o último assunto, comprei um aparelho destes. Estou encantado.]

Em resumo, coisa para caramba para me manter bastante ocupado.

Vê lá se eu tenho tempo para perder com julgamento de crimes que, tirando Roberto Jefferson e José Dirceu, teriam sido praticados por uns zés-ninguéns da política brasileira? De processo, já me bastam os dos meus clientes, esses sim, decisivos, vitais, fatais, se não para o FlaxFlu da política nacional, ao menos para mim, para minha família e para todas as partes envolvidas.

Próximo assunto, caro Editor. Vamos fazer campanha para o Affonso, porque no final os bons sempre vencem e os bandidos acabam presos mesmo. [N.do.E.: sobre o último item, infelizmente há controvérsias...]

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Sobre a Crítica


Já abordei este assunto em algumas oportunidades aqui neste blog, mas ainda me impressiona como de uns anos para cá cresceu em nossa sociedade a intolerância à crítica.

A cada dia mais percebo que esta intolerância está aumentando e deixando bastantes restritos os limites da convivência em grupo. Quaisquer mínima discordância ou reparos feitos a atitudes, decisões ou opiniões gera uma torrente de reações despropositadas e em certos casos até extremistas.

Um bom exemplo é o comportamento de fãs de cantores ou bandas voltadas ao público adolescente. Qualquer mínimo reparo que se faça – e normalmente estes grupos não primam por uma boa música, pelo menos em minha opinião – vem uma horda de fãs destes fenômenos desqualificando tudo que se escreve ou fala, em especial na internet.

Vale a lembrança ao leitor que o único post nestes pouco mais de três anos onde tive de fechar a área de comentários foi o que falava do grupo Mamonas Assassinas – e, pior, o post nem era especificamente sobre o grupo...

Isso me leva a escrever sobre outra face deste fenômeno: o analfabetismo cognitivo. A cada dia mais as pessoas lêem não o que está escrito, mas sim o que querem ler (entender). Muitas vezes os formadores de opinião são esculhambados e queimados na fogueira em praça pública não pelo que escreveram ou disseram, mas sim pela leitura transversal e obtusa feita por aqueles que não conseguiram compreender - ou pior: não quiseram.

O que vale é a sua verdade pessoal, que deve ser imposta a ferro e fogo, ainda que na base da gritaria. Respeito à discordância e democracia são vistos como “fraquezas”. Importa mostrar que a sua verdade é a verdade eterna. Importa estar sempre com a razão.

Outra questão é que a tolerância a críticas que visem melhorar determinados aspectos de processos ou situações diminuiu consideravelmente. Em regra geral, criticar o que quer que seja é “estar contra”, é “diminuir a instituição/empresa/pessoa”, é “fazer papel de quinta coluna”. Com isso vemos equívocos gritantes passando absolutamente incólumes, sendo enaltecidos até.

Este é outra faceta: todo mundo adora dar uma de “pedra”, mas detesta “ser vidraça”. Um bom exemplo disto pode-se ver em alguns jornalistas de grandes veículos de imprensa que mantém blogs, entretanto censuram todos os comentários discordantes ou, quando publicam, desqualificam. Criticar adversários políticos ou ainda quem pensa diferente é considerado absolutamente normal – ainda que em diversas ocasiões a opinião resvale fortemente no Código Penal – mas acolher comentários dissonantes é “anti-democrático”.

Parêntese: para a grande mídia, “liberdade de imprensa” e “democracia” são a liberdade de imprensa e a democracia do patrão. Fecha o parêntese.

Ainda mais complicado é quando pessoas em posição de poder não somente se tornam refratários a críticas como ainda se utilizam de seu poder – legítimo ou não – para calar as vozes dissonantes. Isso gera uma onipotência que somente torna mais alto e mais forte o fracasso.

Aliás, espanta-me como no Século XXI ainda ocorrem situações como a ocorrida esta semana, onde a “Carta Capital”, no momento em que escrevo, simplesmente não chegou às bancas de Minas Gerais. A matéria de capa traz algumas denúncias de que políticos tucanos teriam se beneficiado dos repasses de Marcos Valério. Pretendo voltar ao tema.

Obviamente que situações de calúnia ou injúria devem ser reparadas conforme preza o Código Penal. Entretanto, há muita confusão sobre o que realmente é calúnia ou injúria e o que é opinião pura e simples – os limites, a meu ver, estão bem mais estreitos.

Adicionalmente, ao contrário do que os teóricos esperavam, a internet democratizou sim o acesso à informação, mas não contribuiu para a disseminação do necessário contraditório. Como reflexo da sociedade, somente aumentou a intolerância.

A frase atribuída a Voltaire de que “Eu discordo do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo" está infelizmente anacrônica em nosso dia a dia. O que vale é impor o seu posicionamento.

Este comportamento, também, faz proliferarem os quinta colunas, os pelegos, que vivem maldizendo os outros e vivendo de migalhas de atenção dos que possuem algum tipo de pequeno ou grande poder – muitas vezes irreal.

Sou de um tempo onde a figura do “dedo duro” era execrada, mas percebo que hoje começa a haver uma mudança neste senso comum: mais importante que qualquer coisa é um pretenso “respeito” aos detentores de grandes e pequenos poderes – e para isso vale tudo.

A convivência em sociedade seria muito mais estimulante se todos entendessem que a crítica e especialmente a discordância de opiniões não necessariamente significam a tentativa de destruir pessoas, grupos ou instituições. Ao contrário, para se usar o idioma do “gestonês” são oportunidades de melhoria que devem ser ouvidas e aproveitadas de acordo com a conveniência.

Também se adquire muito conhecimento e riqueza de personalidade ao ouvir opiniões contrárias, absorver conhecimentos de que não se dispõe e buscar conciliar, não impor. Criticar de forma respeitosa e buscando alternativas é extremamente salutar ao desenvolvimento pessoal e de instituições nacionais.

Finalizando, reafirmo este espaço como um blog democrático, onde todos os colunistas e leitores tem total liberdade de expor as suas opiniões – dentro do determinado pelo Código Penal Brasileiro.

É isso aí. O recado está dado.