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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Final de Semana - "Pastor Trambiqueiro"


Neste feriadão, nossa faixa musical traz uma das músicas mais críticas do repertório do grande sambista Bezerra da Silva: "Pastor Trambiqueiro". A canção é uma das primeiras a criticar a primazia pelo dinheiro verificada em muitas das seitas pentecostais.

O curioso é que o cantor, ao final da vida, era membro da Igreja Universal do Reino de Deus. Mas a letra do samba é uma descrição de muitos destes pastores que encontramos por aí.

"Cuidado com ele, de terno e gravata bancando o decente
é o diabo vivo em figura de gente
é o pastor trambiqueiro enganando inocentes

prestem bem atenção, o enredo macabro que ele arruma
seu critério maior é falar mal da macumba
dizendo que à ela também pertenceu
sim, mas só não foi em frente porque a chefe do terreiro é a Vera
não aceitou o jogo sujo da fera que vive assim só de arrumação
ele também não explica o porque da mudança da água pro vinho
só porque não umbanda não vale dinheiro
resolveu ser crente pra roubar os irmãozinhos
não é fé que ele tem,é simplesmente a febre do ouro
custa caro a palavra de Deus, o pastor chega pobre e arruma tesouro

Cuidado com ele, de terno e gravata bancando o decente
é o diabo vivo em figura de gente
é o pastor trambiqueiro enganando inocentes"

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Orun Ayé - "Os Finalistas da União da Ilha"


Excepcionalmente nesta quarta feira, o colunista Aloisio Villar nos traz uma edição extra da coluna "Orun Ayé". O tema é a final de samba para 2013 da União da Ilha, a se realizar no próximo sábado, a partir das 23 horas.

Pessoalmente minha torcida é pelo samba da parceria do Walkir, até porque a linha de dois dos outros sambas me leva a imaginar que sejam de "firmas" de compositores - ao menos me parece assim.

O leitor pode ouvir todos os sambas e formar a sua opinião nos vídeos deste post, realizados pelo site Carnavalesco.

Amanhã teremos a prévia da final da Portela, aqui mesmo. Mas vamos ao texto do colunista.

Os Finalistas da União da Ilha

Escrevo essa coluna na manhã do último sábado, dia 06. Acabei de chegar da semifinal da União da Ilha e os quatro finalistas já são conhecidos. 

A tal disputa que disse ter sido a mais frustrante da minha vida chega ao fim de forma justa e imprevisível. 

Os quatro melhores sambas, os que melhor se saíram durante o concurso estão nessa final. Não teve sacanagem ou roubalheira para chegar aos finalistas e são quatro bons sambas. Qualquer um dos quatro pode vencer o concurso que representará bem a União da Ilha na avenida. 

Qualquer um dos quatro será melhor que o samba desse ano e que os dos últimos anos. Mérito dos compositores que mostraram talento e do enredo, que faz com que saiam grandes sambas. Vinicius de Moraes inspirou os poetas insulanos. 

A disputa começou no fim de julho. Vinte e três sambas foram inscritos e ao contrário do ano passado, em que a escola teve uma safra fraca e ficou nítido no meio do concurso o que ocorreria, esse ano além dos quatro bons sambas outros sambas de boa qualidade entraram na disputa.


Três sambas que posso destacar e que poderiam estar nessa final foram os sambas da parceria do Lobo Junior e Bruno Revelação, parceiros meu e do Migão na vitória do ano passado e no concurso desse ano no Acadêmicos do Dendê, que começaram suas histórias como compositores na União da Ilha com um belo samba, melódico, poético e tendo a maior revelação dos últimos anos de nosso carnaval, Igor Sorriso, cantando o samba. 

O belo samba dos garotos acabou prejudicado pela inexperiência deles, que sabendo que perderiam o Igor no meio do concurso por ele defender sambas em São Paulo, não se prepararam pra substituí-lo a altura. 

O samba continuou passando bem, mas perdeu a grife e numa disputa do grupo especial ela é fundamental. Caiu quando tinha nove sambas. 

O samba do veterano Almir da Ilha, vencedor de vários concursos da escola também era muito bom. Ousado, diferente, seguindo a característica de seu parceiro Kleber Rodrigues que já foi campeão no Tuiuti e na Imperatriz. O samba conseguiu muitos adeptos, principalmente na internet e caiu quando tinha sete. Foi defendido por Clovis Pê. 

O outro era o samba do Paulinho Poeta, que contava na parceria com Bujão, um dos autores de Festa Profana. Bom samba, com passagem bem interessante do fim da primeira para refrão do meio, foi defendido por Alexandre D`Mendes e se despediu do concurso nessa semifinal.


Os quatro finalistas se nivelam.

O samba de Marcinho/Gabriel Fraga/Carlinhos Fuzil/Régis/Paulo Guimarães largou muito bem no concurso, pegando uma grande dianteira. Muito bem defendido por Tinga, o samba, poético, com algumas passagens melódicas lindas, parece ser o preferido do corpo da escola, ou seja dos segmentos.

O samba continuou passando bem pelo concurso, mas os outros conseguiram alcançá-lo e nivelar o concurso por cima.

A composição de Walkir/Jefferson Martin/Hebert Rosa/Fabio Sol/Ronaldo Rosa/Marquinhus do Banjo também conta com muito apoio, principalmente das alas de comunidade. Defendido por Quinho e Marquinhus, é mais extenso, conta o enredo com mais detalhes e tem um forte refrão do meio invocando os Orixás. Foi o que melhor se apresentou na semifinal.

Marcinho e Marquinhus são tetracampeões da escola e “abriram” a parceria esse ano, fazendo um duelo muito interessante. Marquinhus com mais de trinta anos de União da Ilha (mesmo tendo apenas quarenta e um anos) praticamente nasceu na escola e é muito querido.

Marcinho subiu dentro da agremiação de uma forma meteórica. Por muitos acusado de se beneficiar por ser filho do diretor de carnaval Marcio André, Marcinho vem mostrando valor e até posso dizer vem sendo injustiçado, muitas vezes com ofensas. Ser filho do Marcio acaba fazendo as pessoas não perceberem as inúmeras qualidades que tem.

Na parceria do Marcinho hoje tem o super campeão da escola e um dos meus mestres no carnaval Carlinhos Fuzil.

A parceria de Ginho, Junior, Vinicius do Cavaco, Jair Turra, Professor Hugo e Eduardo Conti é a base da parceria finalista do ano passado. Tem um samba correto, preciso, com algumas passagens bonitas e um bom refrão. Junior vem defendendo o samba com muita garra na ausência de Wantuir e sua parceria com Ginho que vem do Boi da Ilha deu certo. Sempre fazem sambas de qualidade.

A parceria de Marinho, Alex Escobar, Ronald Pennaforte, Beto Mascarenhas, Cesinha e Igor também é uma parceria montada há anos, tendo esse ano o 'plus' de contar com o apresentador do Globo Esporte do Rio de Janeiro Alex Escobar. Mais uma vez vieram com um samba correto, preciso na defesa de enredo e forte no refrão principal com os dizeres “a emoção invade o meu peito”.


As parcerias de Ginho e Marinho contam com a torcida da juventude do bairro. Pessoas bonitas, alegres, que muitas vezes vão por amizade aos compositores sem necessidade de coisas que muitas vezes compositor tem que dar para torcida aparecer. Junior vem da “parceria da nova geração” que surgiu na segunda metade da última década e fez belas disputas na escola. A parceria de Marinho de 2009 pra cá se tornou força na agremiação. Em 2010 para muitos, inclusive pra mim, foi injustiçado e merecia a vitória.

E aí? Quem ganha?

Não sei. O disse me disse está muito forte esse ano e cada hora é direcionado a uma parceria. Como eu disse, é a disputa mais equilibrada dos últimos anos e qualquer um pode vencer. Vários fatos além da qualidade do samba contam numa hora dessa e acho que o fator político pode decidir esse ano. 

Mas sei que o Migão vai querer uma posição minha, uma aposta e sem entrar nos méritos de cada samba e sem dizer se é meu preferido ou não (tenho sim meu preferido, mas não vou falar) eu aposto hoje no samba do Marinho, mas aposto sem firmeza alguma, só para apontar alguém.

Aposto pelo burburinho das últimas semanas que foi maior para ele, apesar de nos últimos dias ter aumentado para a composição do Ginho. Qualquer um dos quatro pode vencer que eu como torcedor da União da Ilha estarei feliz e me sentindo muito bem representado.

Esse ano não deu pra gente, mas do lado de fora aplaudo esses compositores por seus talentos e me orgulho da amizade de boa parte deles.

A sorte está lançada.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Final de Semana - "Meu Lugar"


Nesta sexta feira, em que a Portela faz a sua semifinal de samba enredo (na quadra, a partir de 23 horas), nossa faixa musical traz a canção que homenageia o bairro de Madureira, que também é o enredo da escola: "Meu Lugar", de Arlindo Cruz.

Tenho ligações sentimentais com o bairro, pois nasci e fui criado em Cascadura, coladinho a Madureira. Ou seja, a canção - e o enredo da escola - também exaltam as minhas raízes suburbanas, das quais muito me orgulho.

Meu Lugar

O meu lugar,
é caminho de Ogum e Iansã,
lá tem samba até de manhã,
uma ginga em cada andar.

O meu lugar,
é cercado de luta e suor,
esperança num mundo melhor,
e cerveja pra comemorar.

O meu lugar,
tem seus mitos e seres de luz,
é bem perto de Oswaldo Cruz,
Cascadura, Vaz Lobo, Irajá.

O meu lugar,
é sorriso é paz e prazer,
o seu nome é doce dizer,
Madureira, lá, laiá.
Madureira, lá, laiá.

O meu lugar,
é caminho de Ogum e Iansã,
lá tem samba até de manhã,
uma ginga em cada andar.

O meu lugar,
é cercado de luta e suor,
esperança num mundo melhor,
e cerveja pra comemorar.

O meu lugar,
tem seus mitos e seres de luz,
é bem perto de Oswaldo Cruz,
Cascadura, Vaz Lobo, Irajá.

O meu lugar,
é sorriso é paz e prazer,
o seu nome é doce dizer,
Madureira, lá, laiá.
Madureira, lá, laiá.

Ah que lugar,
a saudade me faz relembrar,
os amores que eu tive por lá,
é difícil esquecer.

Doce lugar,
que é eterno no meu coração,
e aos poetas traz inspiração,
pra cantar e escrever.

Ah meu lugar,
quem não viu a Tia Eulália dançar,
Vó Maria o terreiro benzer,
e ainda tem jongo ao luz do luar.

Ah meu lugar,
tem mil coisas pra gente dizer,
o difícil é saber terminar,
Madureira, lá, laiá.
Madureira, lá, laiá.

Em cada esquina um pagode um bar,
em Madureira.
Império e Portela também são de lá,
Em madureira.

E no Mercadão você pode comprar,
por uma pechincha você vai levar,
um dengo, um sonho pra quem quer sonhar,.
Em madureira.

e quem se habilita até pode chegar,
tem jogo de ronda, caipira e bilhar,
buraco sueca pro tempo passar,
Em madureira.

E uma fezinha até posso fazer,
no grupo dezena, centena e milhar,
pelos setes lados eu vou te cercar,
Em madureira.

La la la la ialalaialalaia, em Madureira
Lalalaialalalalalaia, em Madureira

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Final de Semana – A Tradicional Escola de Samba Portela


Após uma semana ausente outra vez por motivos logísticos – tenho escrito e editado a maioria dos posts de um computador que não tem acesso ao Youtube – nossa faixa musical retorna um pouco diferente nesta semana.

Já escrevi aqui em outra ocasião que pouco tenho visto TV ultimamente. Além dos meus afazeres diários ando com pouquíssimo tempo e especialmente paciência para sentar diante de uma TV e conferir a programação.

Isso significa que às vezes perdemos boas atrações disponíveis. Uma delas é o “Samba na Gamboa”, apresentado pelo cantor Diogo Nogueira na TV Brasil, às terças feiras.

Pesquisando no YouTube achei este programa sobre a Portela, exibido dia 6 de março, duas semanas antes do carnaval. Com as presenças de Monarco e do compositor Noca da Portela – este em foto comigo ao final deste post, a edição deslumbra algumas histórias sobre a escola e sobre seus sambas, além de mostrar sambas de enredo e de exaltação.

Há algumas revelações surpreendentes.

A primeira é de Monarco, ao afirmar que Antonio Caetano, quando desenhou a águia, na verdade originalmente havia pensado em um condor. Monarco também altera a versão corrente de que o Delegado Dulcídio Gonçalves havia determinado a troca do nome da escola de “Vai Como Pode” para “Portela” a fim de renovar a licença necessária naquela época. Na versão do compositor o delegado sugeriu o nome aos dirigentes e foram estes que optaram pela troca.

Monarco também demonstra toda sua mágoa com a decisão da escola de entregar o samba de 74 aos consagrados compositores Jair Amorim e Evaldo Gouvêa, que não eram da escola – sequer autores de sambas de enredo eram.

Ao citar o grande Paulo da Portela Monarco se utiliza de uma expressão que a mim pessoalmente me soa mal, de que ele “civilizou” o samba. Compreendo o contexto em que tal expressão é utilizada, mas particularmente não gosto.

Para os leitores leigos, a decisão de preterir os compositores da Portela e dar o samba à dupla abriu uma crise sem precedentes na azul e branca, com o afastamento de figuras como o próprio Monarco, Paulinho da Viola, Zé Ketti e Candeia.

Noca da Portela conta um pouco de sua história e de como era a “prova” para passar a fazer parte da ala de compositores da Portela. Ele teve de fazer um samba em seis horas e apresentar a Candeia, então presidente da ala, a fim de ser avaliado e aceito. Noca conta que elaborou duas composições “por via das dúvidas”.

Igual aos dias de hoje, onde basta a vontade de gastar alguns milhares de reais para passar a fazer parte de uma ala de compositores de uma escola de samba carioca – não é um fenômeno restrito à azul e branca. Talento é acessório.

Me impressionou também a marra do veterano compositor, que em dado momento se queixa de que fez seis sambas vencedores para a Portela e nunca foi campeão, ao contrário de Paulinho da Viola “que fez um apenas e conquistou o título”. O compositor depois se corrige e diz que “tem de respeitar” Paulinho...

Aliás, fazendo um parêntese, fiquei muito contente de ter ouvido na quadra da escola na última quarta feira o samba de 1985, de autoria do compositor. Fecha o parêntese.

Chamou-me a atenção, também, o fato de que todos os compositores citados como “da nova geração” da Portela serem mais velhos que eu – a maioria na casa dos 50 anos de idade. A exceção é Ciraninho, mas lembremos que originalmente ele é oriundo da União da Ilha. São citados nomes como Wanderley Monteiro, Luiz Carlos Máximo e Serginho Procópio, além dele.

Monarco também conta a história da fundação da Velha Guarda Show da Portela, entre 1970 e 71. Aliás, recomendo aos leitores a audição do cd “Portela, Passado de Glória”, fruto deste trabalho inicial e que tinha como objetivo básico registrar sambas antihgos que estavam se perdendo.

Entre depoimentos e sambas, o programa tem 52 minutos. Vale muito a pena para se conhecer um pouco da cultura brasileira e da história da Portela em especial. E se deleitar com os sambas da Majestade.

Bom final de semana.



domingo, 16 de setembro de 2012

Orun Ayé - "E Surge a Inspiração"


Neste domingo, a coluna “Orun Ayé”, do compositor Aloísio Villar, conta um pouco de seu processo criativo.

E Surge a Inspiração

O Migão falou comigo essa semana que eu já tinha detalhado como era uma disputa, o mundo do samba, mas não tinha contado como é a confecção mesmo do samba, ou seja: como vem a inspiração.

Falei pra ele que só a inspiração e a forma de compor um samba-enredo não dariam uma coluna inteira, mas as várias formas de compor, de escrever, sim.

Apesar de todo mundo falar mal dos concursos de samba-enredo, ele é uma das formas mais democráticas que existem para um compositor mostrar sua obra. 

Por exemplo, um compositor de MPB chegar a um grande cantor de MPB é difícil. De qualquer gênero é, mas para um compositor de samba-enredo chegar, por exemplo, ao palco da Beija-Flor - que é a maior campeã dos últimos anos - não.

Para você ter uma obra avaliada em uma Beija-Flor basta você fazer o samba e entregar a letra na escola no dia da inscrição com cd. Não precisa pagar a inscrição e todos os sambas concorrentes se apresentam pelo menos duas vezes.

Esse motivo, o da democracia de mostrar aquilo que você compôs foi que me trouxe inicialmente ao samba-enredo. Era a forma mais fácil de mostrar um dom meu.

Mesmo o samba-enredo sendo uma forma totalmente diferente de escrever de qualquer outra. 

Costumo dizer que qualquer forma de escrita (livro, soneto, poesia, música, crônica, conto) é inspiração e samba-enredo transpiração.

Explico: samba de enredo teoricamente é a única forma de escrita que não é nossa imaginação que comanda. Recebemos uma sinopse com tema para ser aplicado e com várias situações que devemos abordar nessa música - que não é tão autoral.

Nessa música temos que dentro de um determinado número de versos colocar tudo que a escola quer. E colocar poesia dentro do possível. Como é um concurso, existem duas possibilidades: ser arrojado, tentar algo diferente e correr o risco do fracasso ou um grande sucesso ou vir no que se costuma fazer normalmente.

O feito normalmente, na maneira trivial geralmente consegue sucesso nas escolas, mas não consegue na história. É esquecido logo após o carnaval e conhecido como a fórmula “10x4x10x4”.

Uma primeira de samba com dez versos, refrão do meio com quatro, segunda parte mais dez e refrão principal explosivo, enaltecendo a escola com mais quatro.

Não sei quem inventou que essa fórmula é a correta. Deve ter sido a mesma pessoa que inventou alas enfileiradas e as baterias tocando aceleradas. Resumindo, o Anti-Cristo.

Eu sempre fui muito independente pra escrever. Escrevo desde 1986 com nove anos de idade. Comecei fazendo revistas em quadrinho da série de TV “Armação Ilimitada”, com treze comecei a fazer pequenos roteiros, com quinze músicas e quase ao mesmo tempo comecei a me aventurar em samba enredo e livros.

Costumo dizer que samba enredo é o que faço pior em escrita, porque é a que mais tolhe minha liberdade e independência. É a única forma de escrita que faço que possui tema pré-determinado e na qual tenho parceiros no processo de criação. 

Tentei trazer para o samba enredo o modo que escrevo outras coisas, então em nossa parceria foi criado um modo diferente para compor.

Normalmente os parceiros sentam-se juntos com a folha em branco e daí surge o samba. Eu sou letrista, até saberia fazer melodia, mas não tão bem quanto pessoas como Cadinho da Ilha e Roger Linhares.  

Então trago as sinopses para casa e escrevo uma letra. Daí eles fazem as melodias. Para os dois mesmo e para outros que já escreveram conosco causou estranhamento, mas se adequaram e hoje estranham quando não é assim. Faço sambas com eles há tantos anos que já sei fazer letra imaginando a melodia que colocarão. Geralmente dá certo.

Já tentei fazer samba do modo tradicional, sentando todos e fazendo. Fizemos assim nosso concorrente para o Dendê 2013 e deu certo ficando um grande samba.

Mas prefiro do meu jeito, da minha forma e no meu silêncio. Muita gente é complicado porque não são raras as vezes que você está quase alcançando a solução de algum problema e alguém fala ou canta algo na hora - você perde o fio da meada.  

Prefiro sinopses maiores e divididas em setores, fica mais fácil para escrever. Odeio sinopses pequenas que dão margem a interpretações e nessas interpretações favorecer alguém. Odeio sinopses rimadas: quem tem que rimar é compositor, não carnavalesco e odeio mais ainda sinopses não divididas em setores. Podem fazer o compositor se perder, não botar algo importante e cair no exemplo das sinopses pequenas. 

Como já disse samba-enredo é o que faço pior e o que escreverei pode surpreender alguns, mas também é o que me dá menos prazer. Pode surpreender pelo fato de ser o ramo de escrita que me dei melhor até hoje, mas o que gosto do samba-enredo mesmo é o convívio com os amigos, é a disputa em si, o friozinho na barriga no último samba a se apresentar antes do seu.

Mas o ato de compor mesmo, de criar. eu gosto mais escrevendo em prosa. Tive uma fase de escrever livros e contos compulsivamente, tenho alguns livros escritos e contos publicados quinzenalmente aqui no blog. Agora estou na fase das peças de teatro. Escrevo o que quero, no momento que quero, o tempo que quiser: essa liberdade é fundamental para mim.

Mas evidente que esses quinze anos escrevendo profissionalmente no carnaval, aprendendo técnicas de escrita, aprendendo a ser mais prático, a ir direto ao assunto porque no samba-enredo não há espaço para enrolação (senão o samba fica enorme), me ajudou nos outros meios de escrita.

Como nesse blog onde escrevo há quase um ano e meio e tenho determinado espaço para colocar o que penso e tenho que colocar com princípio meio e fim bem organizados.

A quem pensa em escrever qualquer coisa isso é o principal e aprendemos lá atrás nas primeiras aulas de redação na escola. O princípio, meio e fim.

Eu não começo a escrever uma coluna, poesia, letra de música, soneto, conto, romance, peça de teatro, samba-enredo, nada sem saber como se desenvolve e termina. Isso é fundamental para que se consiga passar ao leitor, espectador ou ouvinte com toda clareza sua mensagem e, principalmente, com verdade.

Essa é uma dica que posso dar pra quem quer começar a escrever. Construa sua história mentalmente antes de por no papel, facilita sua vida.

[N.do.E.: acrescentaria um outro conselho a quem gosta de escrever: leia, leia muito, leia de tudo, leia sempre.]

Alguns lugares que você pode encontrar coisas que escrevi:

Sambas enredo – Sites especializados em samba ou no google digitando meu nome.

Livros – No meu blog http://aloisiovillar.blogspot.com tem três livros lá.

Peças de teatro – Há três peças em www.recantodasletras.com.br/autores/aloisiovillar



Dizem que o escritor gosta de brincar de ser Deus, eu acho que o escritor simplesmente é um contador de histórias e eu gosto de contar histórias.

E a coluna de hoje foi mais uma história que contei pra vocês.

P. S. - Sábado retrasado foi bem marcante pra mim. Em nossa apresentação na União da Ilha, com prospecto na mão e cantando nosso samba estava uma moça chamada Ericka. Ela estudou comigo vinte anos atrás e para ela fiz a primeira música de minha vida. Com ela tudo começou e ela estar lá torcendo por um samba meu deu um sabor todo especial.

Um escritor quer alcançar corações, passar emoção para as pessoas, seja para um grande público ou para uma pessoa em especial e quando ele consegue isso é que seu objetivo foi alcançado.

E naquele momento me senti realizado.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Final de Semana - "E Lá Vou Eu (Mensageiro)"


Após uma semana ausente por problemas logísticos, neste feriadão nossa coluna musical está de volta com um clássico do samba carioca: "E Lá Vou Eu (Mensageiro)".

Canção de João Nogueira, trago aqui a felicíssima interpretação de Jorge Aragão para o sambabook lançado recentemente englobando a obra do grande compositor.

Bom feriadão aos leitores. O meu provavelmente será envolvido com idas ao hospital.

"E Lá Vou Eu (Mensageiro)"

E lá vou eu
Melhor que mereço
Pagando a bom preço
A evolução
Ai, se não fosse o violão
E o jeito de fazer samba
Do tempo que quem fazia
Corria do camburão
Hoje não corre não
Hoje o samba é decente
E ninguém agüenta, oh, gente
A força de um samba não

Pois que faz samba fala
E quem fala, atenção!
Força nenhuma cala
A voz da multidão
E cantar inda vai ser bom
Quando o samba primeiro
Não for prisioneiro
Desse desespero
E resignação
E lá vai minha voz
Espalhando então
O meu samba guerreiro
Fiel correio
Da população

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Final de Semana - "Preceito"




Nesta semana muito corrida, nossa faixa musical traz a cantora Luiza Dionísio, revelação do samba carioca. A faixa é "Preceito", do ótimo cd lançado em 2010 denominado de "Devoção" - o qual ganhei de presente semana passada do amigo Luiz Carlos Máximo.

Sem mais delongas, vamos à letra, de autoria de Roque Ferreira e Toninho Geraes.

Malungo, olha lá o Barra-vento
Que o som do aguerê vai te levar
Malungo respeita fundamento
Que o santo mandou respeitar

Falei não deu valor
A força do preceito lhe pegou
Falei você se embaraçou
Se é da mironga tem que ser conhecedor

A comida que é de santo
É pra quem sabe preparar
Sem saber mexer na coisa
Deu Dendê pra Oxalá

E botou comida branca no peji de Beira-Mar
Hoje em dia tá pagando
Que é pra nunca mais errar

Falei não deu valor
A força do preceito lhe pegou
Falei você se embaraçou
Se é da mironga tem que ser conhecedor

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Final de Semana - "Meu Camarada"


Nesta sexta feira, a faixa musical do Ouro de Tolo traz uma preciosidade: uma canção inédita em cd de dois dos maiores compositores do samba cariocas.

Um deles é Luiz Carlos Máximo, que o leitor deste Ouro de Tolo já teve o prazer de ver neste espaço: o antológico samba da Portela de 2012 o tem como um dos autores e o espetacular concorrente para 2013 que coloquei aqui semana passada também.

Seu parceiro na canção de nossa faixa musical de hoje é Ratinho, falecido prematuramente em 2010. Ele é autor de clássicos de Zeca Pagodinho como “Vai Vadiar” e de sete sambas de enredo da Caprichosos de Pilares, entre os quais um Estandarte de Ouro em 1978.

Na música “Meu Camarada” Máximo e Ratinho fazem uma homenagem a Paulinho da Viola, que há alguns anos não compõe de forma regular. É uma bela música, interpretada na gravação que apresento aqui pelo cantor Julio Estrela, revelação das casas de samba da Lapa.

Este é um ponto pelo qual venho me batendo nestas páginas: a memória do samba carioca está morrendo com seus autores. Existe muita coisa boa não registrada em disco para a posteridade. Algo precisa ser feito para fazer o trabalho de resgate que se impõe.

Vamos à letra. O áudio pode ser ouvido no início deste post.

Meu Camarada (Ratinho/Luiz Carlos Máximo)

Como vai meu camarada?
Chega mais e diz aí
Por onde anda a madrugada
Que a gente cansou de curtir
Pra onde foi aquele rio
Que a gente viu correr
Pra onde foi o sol que ao nosso frio
Já não vem mais aquecer
Sinceramente, meu camarada
Até hoje eu procuro entender
O porque da alvorada
Não querer mais resplandecer
E o cantar do rouxinol
Que era cheio de alegria
Ao perder a luz do sol
Entristeceu a melodia
Eu só sei
Que tudo que eu pude aprender
São jogadas dessa vida
O imperfeito faz a gente ver
Pegue o barco
Vá em frente
Deixa seguir a corrente
Que Oxalá
Dê um sopro e dê um vento
E coloque em movimento
O velho barco nas ondas de um novo tempo

terça-feira, 24 de julho de 2012

Os evangélicos, a profissão e o samba


No último domingo, o puxador da Acadêmicos da Rocinha, Anderson Paz, anunciou que está deixando o mundo do samba por ter se convertido a uma Igreja Evangélica.

Aos leitores que não a conhecem, a Rocinha é uma escola que sempre transitou entre o segundo e o terceiro grupos do carnaval carioca. Teve uma boa fase na década passada, quando foi comandada por um mecenas, chegando a desfilar entre as grandes. Mas teria sido rebaixada em 2012 não fosse a criação da Série Ouro.

O intérprete em questão, cria da Portela, passou por escolas como a São Clemente até chegar à agremiação da Zona Sul. Ganhou até uma fama de “pé frio”, por ter alguns rebaixamentos em seu currículo – obviamente, folclore.

Faço a introdução para colocar dois temas que tal anúncio impõe à pauta.

O primeiro é a influência da religião sobre as profissões dos seus fiéis. O leitor sabe que para mim o carnaval é uma paixão ou um hobby: não dependo dele para nada, não recebo um centavo dele – ao contrário, só gasto – e não tenho quaisquer tipos de relação profissional com nada relacionado.

Parêntese: isso tem um lado bom. Tenho liberdade total para empreender as críticas que vejo necessárias – e a meu ver são muitas, como o leitor já deve ter percebido.

Mas para Anderson Paz o carnaval é uma profissão. O próprio em entrevista a um site carnavalesco afirmou que ainda não sabia como ganharia a vida a partir de agora, embora esperasse ser contratado para passar a cantar música gospel.

Fica o questionamento então: o samba é tão demoníaco assim que não pode ser encarado como um trabalho?

A leitura que faço é que a proibição do samba por parte de igrejas evangélicas advém de dois motivos: primeiro o de limitar o consumo de bens de entretenimento e canalizá-los à crescente e rentável indústria do gospel brasileira, obviamente controlada pelos dirigentes destas instituições.

Segundo, a relação estabelecida pelos teólogos das seitas neo-pentecostais entre o samba e as religiões afro-brasileiras, alvo de um combate sem tréguas por parte dos pastores e fiéis destas instituições. Hoje tal relação está bastante diluída – aliás, como quase tudo que evoca a tradição no carnaval carioca, mas este é papo para outro post – mas somente os altares de santos encontrados nas agremiações já seriam suficientes para banir o samba do convívio de um “bom fiel”.

Curioso é que não vejo esta sanha em profissões como a de policial, por exemplo, onde o risco está presente e muitas vezes se faz necessário matar pessoas.

Ou seja, o conceito do que é certo ou errado é bastante elástico, para se dizer o menos. Ser cantor de uma escola de samba não é considerado um trabalho digno do Senhor e ponto. Todos que freqüentam – eu também – são demoníacos, não possuem virtudes e merecem o fundo do inferno quando perecerem.

Esta questão profissional envolve o fiel e sua doutrina. Discordo, mas respeito.

Entretanto, há outro ponto ainda mais sério: a dificuldade de renovação do samba causada pela penetração cada vez maior das seitas neo-pentecostais, entre outros motivos.

Nas comunidades, nos morros, nas favelas e nos “locus” tradicionais das agremiações a investida destas seitas está trazendo problemas à renovação dos quadros das escolas. Nos dias de hoje já há problemas para renovar quadros como a ala de baianas e a bateria, por exemplo.

Para os desfiles muitas escolas já encontram dificuldades para completar o número mínimo de baianas exigido pelo regulamento, em especial nos Grupos de Acesso. Nestas já encontramos uma figura parecida com um “empresário de baianas”, que coordena grupos para desfilar nestas alas – mediante pagamentos.

É movimento duplo: as baianas mais velhas estão se convertendo a igrejas evangélicas e as meninas novas que poderiam substituí-las acabam optando ou por seguir a Fé ou ainda por se bandear para o funk, outro grande concorrente para o samba.

Na bateria já há falta de alguns naipes, que acabam tendo o fenômeno verificado na ala das baianas: muitos batuqueiros acabam desfilando em diversas baterias.

A meu ver a grande responsabilidade deste fenômeno é dos próprios dirigentes das escolas, que não somente negligenciaram suas comunidades como em busca de maiores recursos financeiros simplesmente estão se fechando dentro de um círculo bastante restrito.

Nos dias de hoje a preocupação é maximizar os aportes de recurso, ainda que isso signifique o risco de sobrevivência em longo prazo. Para se ter uma idéia, em 2004 havia 38 escolas desfilando na Marquês de Sapucaí.

Em 2015 serão 26.

Ou seja, o objetivo de quem comanda a festa não é reproduzir e manter sua perenidade, mas sim enxugá-la a fim de sobrar mais dinheiro para cada agremiação. Como já escrevi aqui algumas vezes, o uso destes recursos é bastante ineficiente – e está se matando a galinha dos ovos de ouro.

Além disso, há uma cultura refratária a críticas: tudo está bom, tudo é legal, nós (dirigentes) estamos certos e criticar a escola ou o carnaval é uma afronta à instituição.

O curioso é que dentro deste quadro o que observo – os pensadores do carnaval me corrijam se eu estiver errado – é que a renovação das escolas hoje está menos em suas comunidades de origem e mais em segmentos típicos de classe média que chegam às escolas de samba através do samba de raiz ou coisas correlatas.

O próprio conceito de “comunidade” de uma escola de samba nos tempos atuais é mais amplo. Quem é comunidade: é aquele folião que mora perto da quadra ou o que a freqüenta, desfila pela escola e tem paixão por ela?

A Portela é um exemplo bem típico disso. Apesar dos anos sem títulos a torcida se renovou muito à base da garotada de classe média que chegou à escola pelas feijoadas e através da Velha Guarda. Não me estenderei em considerações neste post mas um fenômeno interessante é que este pessoal absorveu, ainda que em parte, os valores de Madureira e Oswaldo Cruz típicos da tradição portelense.

Ainda assim, é muito pouco. As agremiações precisam sair de seu casulo, sair do gueto onde se introduziram, buscar em suas comunidades – seja a original, seja a ampliada – a renovação e diminuir a influência das igrejas evangélicas e do funk em seu “público alvo”.

Isso leva tempo, mas este processo precisa se (re)iniciar de alguma forma. Entretanto, é esperar demais dos dirigentes uma visão macro deste processo.

domingo, 22 de julho de 2012

Orun Ayé - "Quinze Anos"


Na coluna Orun Ayé de hoje o compositor Aloísio Villar faz um balanço de seus quinze anos como compositor de samba de enredo, do qual sou personagem periférico. Aliás, é um orgulho poder dizer que fui um dos parceiros de Villar nesta trajetória.

Aproveito para fazer um desafio ao colunista: enfrentar novamente a Portela e disputar samba no Império Serrano. Está na hora do doutorado.

Vamos ao post.

Quinze Anos

Quinze anos.

Quando uma menina chega a essa idade é um momento especial. Ainda acontece hoje em dia, mas antigamente era forte o hábito de quando a moça chegava aos quinze anos ganhava de presente uma festa de debutantes - com direito a um grande evento e dançar valsa.

E quando uma carreira? Um sonho chega aos quinze anos?

As pessoas sempre estranham porque sou um aficionado por datas. Lembro-me de várias datas importantes para mim, guardo estatísticas importantes para minha vida e por causa disso devo ser um dos raros compositores de samba-enredo que ainda lembra exatamente quando começou, quantos sambas fez, quantas finais e quantidade de vitórias.

[N.do.E.: também me lembro. Nove sambas, oito assinados, sete finais, quatro vitórias, isso até o carnaval 2012. Nada mal (risos)]

E essa boa memória, que espero carregar ainda por muito tempo, me faz comemorar uma data especial essa semana. Aniversário do, até hoje, projeto mais bem sucedido da minha vida.

Algumas coisas que contarei hoje já foram contadas em outras colunas, mas quero revisitá-las. Até porque novos amigos devem ter chegado nesse período e não conhecem.

Eu, como a maioria das pessoas, sou um que coleciona fracassos, apesar de todos gostarem de passar a imagem de vencedores. Quis ter um clubinho na minha casa e deu errado, destruímos tudo numa guerra de mamonas, time de futebol e de taco com os meninos da rua também não deu certo. Adolescente quis ter uma banda de rock, nunca tive, fiz teatro amador e desisti, entrei em partido político e também não deu certo.

E tentei ser compositor de samba-enredo. A coisa mais inusitada entre todas as citadas acima. Nunca ninguém imaginou que um cara sossegado, branquelo, caseiro e tímido como eu era pudesse ser compositor de escola de samba, um meio de malandros, mulatas e samba no pé.

Mas eu sempre gostei de carnaval mesmo ficando na minha, só vendo pela tv. Estava no sangue porque meu pai era passista do Boi da Ilha. Com oito anos via desfile sozinho enquanto todos em casa dormiam. Fui me apaixonando pela União da Ilha e em 1994, aos dezessete anos, pela primeira vez cogitei com meu pai virar compositor de samba - mas deixei pra lá.

Só comecei a levar a sério em 1997, quando vi em um jornal uma coluna de carnaval dizendo que a União da Ilha entregaria para os compositores a sinopse do enredo “Fatumbi, a Ilha de Todos os Santos”.

Não sei o que deu em mim. Sempre fui um cara tímido, com vergonha de “botar a cara” em algumas situações. Olhando hoje retrospectivamente não sei como eu fui à União da Ilha, pela primeira vez entrando em uma quadra de escola de samba na vida, sem conhecer ninguém para pegar uma sinopse. Detalhe: nunca tinha escrito samba, nem sabia como escrevia um samba-enredo e como era uma disputa.

Cavaco? Torcida? Pagar cantor? Não tinha a mínima ideia dessas coisas.

Entretanto pela primeira e última vez na minha vida tive apoio do meu pai para algo. Fiz o samba em um dia e ele me levou até o Quinho, cantor do Salgueiro, para que eu mostrasse meu samba e tentasse que ele cantasse o mesmo na quadra.

Quinho me ouviu cantando. O samba era horrível, mas na época eu achava ótimo e educadamente ele me disse que não dava porque já tinha fechado com uma parceria, mas eu chegaria à final.

Claro que eu não chegaria. Cheguei quatorze anos depois - e com ele cantando.

Meu pai me levou até um cara chamado Dãozinho. Mostrei o samba e ele topou cantar. Fomos até um chamado Cadinho que já estava fechado com um samba, então Dãozinho convidou seu irmão Ricardo para cantar com ele.

Nesse período um amigo que fiz no PDT, Paulo Travassos, soube que eu faria samba e quis fazer um também. Fez com outros dois amigos - e conseguiu fazer um samba pior que o meu.

Assinei sozinho meu samba tendo Dãozinho e Ricardo defendendo. Tivemos uma audição na quadra no dia da entrega e nesse dia os 53 sambas foram divididos em chaves para se apresentar sexta e sábado. Meu samba ganhou o número 48, designado pra se apresentar no sábado.

E assim fui com minha mãe e minha avó como torcedoras até a quadra da União da Ilha no dia 20 de julho de 1997 apresentar meu primeiro samba-enredo. Naquela noite eu começava meu primeiro concurso.

20 de julho de 1997. Anteontem essa data completou quinze anos.

Aquele samba só teve uma semana de vida: caiu na semana seguinte. Naquele mesmo ano com Paulo Travassos, Dãozinho e Cadinho fiz minha primeira final, no Boi da Ilha.

20 de julho de 1997, 22 de julho de 2012.

Daquela data em que eu nervoso sentado em uma mesa próxima ao palco com as mulheres da minha vida (Bia ainda não nascera) e meus cantores esperava a chamada do samba 48, muita coisa aconteceu.

Fiz 86 sambas de enredo para escolas de samba, cheguei a 54 finais e ganhei 27. Fiz 18 sambas para blocos, 15 finais e sete vitórias, oito sambas de terreiro, oito finais e três vitórias. Ganhei Estandarte de Ouro, S@mba-Net e troféu Jorge Lafond no Rio de Janeiro e dois Tamborins de Ouro em Cabo Frio.

Aprendi a vencer e a perder.

Obtive vitórias consagradoras como no Boi da Ilha em 2001, minha primeira vitória, samba vencedor de Estandarte de Ouro e até hoje considerado um dos melhores do século [N.do.E.: como já escrevi aqui, ao lado de União de Jacarepaguá 2004 e Portela 2012 é um dos três melhores sambas deste século]. Ou União da Ilha 2012, quando finalmente realizei o sonho de vencer no grupo especial e na minha escola do coração, onde tudo começou.

Tive derrotas muito doídas como no Boi da Ilha em 2008 quando não consegui dormir na noite seguinte e Boi da Ilha 2011, quando tive que sair da quadra com medo de pela primeira vez chorar por causa de uma derrota.

As melhores letras que fiz na minha vida, com melodias fantásticas feitas por grandes parceiros, mas que nunca irão conhecer porque esses sambas hoje moram no limbo dos derrotados.

E anos especiais como carnaval 2003 quando ganhei dois sambas na mesma noite (Acadêmicos do Dendê e Império da Tijuca) e carnaval 2007 quando ganhamos quatro sambas. Ao ganhar o último deles (Unidos da Ponte) me isolei no banheiro enquanto todos comemoravam na quadra e rezei à minha mãe dedicando a ela, recém falecida, aquele ano especial.

Vitórias incontestáveis como no Boi da Ilha em 2007 em que até os adversários pareciam torcer pela gente e Acadêmicos do Dendê 2008 ganhando sem som.

Conturbadas, como no Acadêmicos do Sossego em 2005 quando achamos melhor comemorar vindo para a Ilha devido a animosidade na quadra. Vitórias que talvez não merecêssemos como Dendê 2003, junções polêmicas que não deram certo e prejudicaram a escola como Boi da Ilha 2003 e outra que deu certo demais - Boi da Ilha 2009.

Alguns momentos de deslumbramento me achando “pica das galáxias”, outras sendo obrigado a ser humilde e reconhecer que existem grandes talentos que podem te derrotar de forma impiedosa. Aprendizado com enredos culturais e aprendendo a superar limites com enredos bisonhos e principalmente, o aprendizado que somos nada sozinhos.

No samba fiz grandes parceiros, para vida inteira. Seja gente que fazia letra, melodia, gente que não fazia uma coisa nem outra - mas que bancava o samba financeiramente. Sem essas pessoas nada ocorreria, amigos que cantaram meus sambas, algumas vezes recebendo pouco e nem recebendo, amigos que fiz torcendo pelos nossos sambas ou mesmo competindo contra...

Amigos...

Obrigado a todos os amigos que fiz no samba nesses quinze anos, a maior vitória que poderia ter. Amigos como Paulo Travassos, que participou de todo o início, sofrendo, suando comigo, catando moedinhas pra pagar cavaquinhista. Roger Linhares que me fez mudar de patamar no samba com seu canto maravilhoso e dom pra melodia. Bruno Revelação, que entrou em grandes roubadas comigo, mas sempre foi amigo, disposto a ajudar, guerreiro...

... E um agradecimento especial a Ricardo Carvalho da Silva, o Cadinho da Ilha, meu parceiro de forma ininterrupta desde o carnaval de 2002. O cara com quem mais brigo, mais xingo, mas mais amo nesse meio e mais me entende. Literalmente hoje trabalhamos por música, quando criamos já sabemos um o que o outro vai fazer.

Eu só sei fazer letra. Não sei fazer melodia, não sei cantar nem banco sambas então sem meus parceiros, sem as pessoas que passaram e estão comigo hoje sou nada e não teria conseguido ganhar nem samba em escola virtual. Samba é trabalho em grupo, inspiração e transpiração de forma conjunta.

Nesses quinze anos enumerei quinze sambas que mais me marcaram, os que ao mesmo tempo mais gosto e mais me orgulho.

Acadêmicos do Dendê 2012

Com meu querido amigo Bruno Revelação, com o dono dessa bagaça Pedro Migão e a força da juventude de Lobo Jr fizemos um duelo de titãs com outra parceria e na garra conseguimos a junção e as quatro notas dez na avenida.

[N.do.E.: aproveito para fazer um protesto. Até hoje não recebemos do Ecad os direitos referentes a este samba. E olha que é uma merreca...]

União da Ilha 2011

Ano que voltei à escola com Cadinho, Roger, o campeoníssimo e amigo Carlinhos Fuzil, Fabiano Fernandes e Jair Turra. Cheguei à minha primeira final no grupo especial e tive a honra de ter Wander Pires cantando um samba meu.

Mangueira 2010

Com as feras Diego Nicolau, Diego Tavares, Thiago Daniel, Marcelo Motta o projeto de fazer um samba na escola que saiu uma obra muito bacana. Nos mais de 100 sambas da disputa, sem dinheiro, sem torcida chegamos entre os 10.

Boi da Ilha 2009

Uma disputa em que começamos muito fortes, atropelando e fomos surpreendidos no fim pela força de outra parceria. Resultou numa acertada junção em que todos saíram ganhando. Samba venceu os prêmios S@mba-Net e Jorge Lafond como melhor samba do Grupo B.

São Clemente 2008

Junto a amigos como Armando Daltro, Alexandre Araújo e Rodrigo Telles, o palco mais forte que tive até hoje: Roger Linhares, Ito Melodia, Igor Vianna, Junior Duarte, Cadinho da Ilha e Marquinhus do Banjo. Samba bem animado e gostoso.

Acadêmicos do Dendê 2008

Parceria forte com Walkir, Barbieri, Pedro Migão, Ito Melodia, Bruno, Cadinho entre outros, que ganhou o concurso sem som na final. A quadra toda cantou quando o som pifou, consagrando o samba.

Beija-Flor 2007

Com Diego Nicolau, Diego Mendes, Cadinho, Ciganerey o último samba que fiz para a Beija-Flor. Samba afro e forte.

Mocidade Alegre 2005

Minha estreia no carnaval de São Paulo com Cadu, Almyr e Gabriel, campeões de samba na Mangueira, Acho esse samba em homenagem a Clara Nunes emocionante. Infelizmente não consegui ver na quadra.

Imperatriz Leopoldinense 2005

Estreia na Imperatriz com Handerson Big, Armando Daltro, Paulo Travassos, Cadinho, Diego Mendes e Junior Duarte. Surpreendemos com um samba leve e brincalhão chegando próximos à final.

Boi da Ilha 2002

Samba sobre a cidade de Holambra feito de forma rápida aqui em casa. Primeiro samba do trio Aloisio Villar/Cadinho da Ilha/Roger Linhares. O bicampeonato no Boi, balançando a roseira.

Beija-Flor 2004

Estreia na escola. 107 sambas escritos e ficamos entre os oito – e nossa vitória chegou a ser cogitada. Último samba defendido por Jackson Martins na escola em que iniciou sua carreira e o mais bonito - dito pelo próprio.

Boi da Ilha 2011

Amor de mãe gera frutos no pomar, amor de mãe doce como guaraná... Samba sobre a lenda do guaraná que perdemos no desempate. Doeu...

Boi da Ilha 2008

A letra da minha vida. Samba feito com Barbieri e Cadinho onde quarta-feira tivemos a informação que venceríamos - e perdemos no domingo.

União da Ilha 2012

Botando molho inglês na feijoada, a realização de um sonho.

Boi da Ilha 2001

O samba da minha vida, não há outra definição. Aliás, é o nome desta minha coluna no Ouro de Tolo.

Só posso agradecer ao samba tudo que me proporcionou, de bom e ruim porque é na dificuldade onde aprendemos. O samba acabou sendo uma espécie de “pai” para mim porque ajudou a me criar e formar meu jeito de ser. Amadureci dentro de quadra de escola de samba.

Entrei no samba recém-saído de adolescência, tendo tudo na mão de mãe e avó, cabelo grande parecido com rockeiro e hoje sou um pai que tem suas responsabilidades e sabe que a vida é como uma disputa de samba-enredo. A vitória e a derrota nunca são definitivas.

Sempre existe a disputa seguinte.

E debutando, dançando a valsa ao ritmo da bateria, agradecer pelo meu projeto mais bem sucedido na vida. Aos quinze anos que me transformaram e fizeram o garoto de vinte anos que entrou na União da Ilha para pegar a sinopse sem ao menos levar uma caneta falar...

“Não é que você conseguiu filho da ....”

Calma menino, sem palavrão, olhe o açodamento..

...não se esqueça que a nossa força vem da humildade. Orun Ayé!

*Essa coluna é dedicada a Dãozinho, a primeira pessoa que acreditou em mim e que faleceu há algumas semanas. Obrigado Dão por sua confiança e por ter cantado meu primeiro samba. Sempre vou lhe dever isso e saiba que todo samba que faço com meus parceiros tem um pouco de você. Você está no meu coração e nos meus versos.

*Também dedicado a minha mãe Regina Villar. Mãe, obrigado por ter se dedicado tanto na disputa do Boi de 1998 e guardado sozinha depois as bandeiras, chorando em casa porque eu perdi aquela final. Acho que valeu a pena porque eu perdi aquela final, mas ali não era o final. Ao final eu venci.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Final de Semana - "Dona Esponja"

Nossa faixa musical hoje traz faixa do recente CD e DVD "Quintal do Pagodinho", onde Zeca Pagodinho reúne em sua residência de Xerém seus amigos sambistas para gravar composições e dar oportunidade a novos (às vezes nem tanto) autores de mostrar suas composições ao grande público.

Tenho os dois exemplares - o DVD tem mais canções que o cd - e nossa música de hoje é uma hilária descrição de uma mulher que bebe 120 garrafas de cerveja sem ir ao banheiro e depois recebe a entidade "Brahmará" - em alusão óbvia à marca de cerveja.

O nome? "Dona Esponja".

A música é de autoria do trio Luiz Grande, Barbeirinho do Jacarezinho e Marcos Diniz.

Vamos à letra. Divirta-se.

(Dona esponja já incorporou)
Já incorporou brahmará
Se alguém cantar pro seu santo subir
Vai perder o topete, vai, vai, vai
Dona esponja esculacha
Bebe mais de cinco caixas
Sem usar o toalete

Dona esponja quando chega
E se espoja lá no bar
Pede uma purinha para abrideira
E receber brahmará
Aí vem tira-gosto à beça e a gosto
Sardinha, lingüiça, torresmo e croquete
Bebe mais de cinco caixas
Sem usar o toalete

Logo após as cento e vinte ampolas
Vejam bem no que resulta:
Brahmará se manifesta
Dona esponja dá consulta
Quando saca do cachimbo
O fumo de rolo e o seu canivete
Bebe mais de cinco caixas
Sem usar o toalete

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Final de Semana - "O Ideal é Competir"

Nesta sexta feira, salvo alguma mudança de última hora a Portela estará divulgado a sua sinopse para o carnaval 2013. Este fato, em si, é inédito: é a primeira vez desde que a atual administração assumiu a escola que temos a sinopse do enredo já em maio - o que irá propiciar mais tempo para os compositores e para a disputa em si.

Ainda sem título no momento em que escrevo, o enredo da Portela irá falar dos 400 anos da Freguesia de Irajá - que deu origem ao bairro de Madureira - e dos 90 anos da própria agremiação, ambos a se completar em 2013. Vamos aguardar a abordagem dada pela sinopse do carnavalesco Paulo Menezes, mas minha expectativa e torcida é de que o enredo tenha mais Portela e menos Madureira.

Faço esta introdução para dizer que hoje temos uma canção de exaltação à Portela em nossa faixa musical: "O Ideal é Competir", de autoria de Casquinha (que cheguei a conhecer pessoalmente) e Candeia. A versão é a de Paulinho da Viola, de seu cd "Bebadosamba".

Aliás, por falar em Paulinho não me surpreenderia se ele for uma espécie de "fio condutor" do enredo de 2013 da Portela, tal qual como feito por Clara Nunes neste 2012. É um palpite.

Vamos à letra da música.

"Quando a Portela chegou
A platéia vibrou de emoção
Suas pastoras vaidosas
Defendiam orgulhosas
O seu pavilhão
Portela
A luta é teu ideal
O que se passou, passou
Não te podem deter
Teu destino é lutar e vencer


Óh, minha Portela
Por ti darei minha vida
Óh, Portela querida
Óh, minha Portela
Por ti darei minha vida
Óh, Portela querida


És tu quem levas a alegria
Para milhares de fãs
És considerada, sem vaidade
Na cidade
Como super campeã das campeãs
Eu quisera ter agora
A juventude de outrora
Idade de encantos mil
Pra trilhar contigo passo a passo
No sucesso ou no fracasso
Pela glória do samba do Brasil"

Uma prévia dos enredos do carnaval 2013 - Grupo Especial


O leitor deve estar se perguntando o que faz o carnaval neste blog nesta época do ano. Mas o que vemos na avenida é apenas o resultado de um processo que começa muitas vezes em março do ano anterior.

Neste momento, estamos na fase de definição dos enredos. Faço hoje um "passeio" pelas escolas do Grupo Especial, com uma parcial de enredos já escolhidos e as possibilidades de quem ainda não escolheu. Em termos gerais, se prenuncia um ano absolutamente trágico em termos de temas escolhidos, com opções que ficam longe de privilegiar os aspectos culturais da festa - e, como se diz no mundo do carnaval, diversos "enredos CEP", ou seja, homenageando cidades, estados e países.

Antes de ir escola por escola, ressalvo que o Grupo Especial ainda não está com sua formação completa: a Prefeitura, no momento em que escrevo, está propensa a não reconhecer o resultado do Grupo de Acesso A de 2012, impedir o acesso da Inocentes de Belford Roxo e convidar o Império Serrano para desfilar no Grupo Especial. Logicamente que isso tem motivações políticas: a área de Madureira é bastante populosa e, obviamente, rende bastante votos.

Pessoalmente considero que o resultado em questão deveria ser anulado pelos indícios consistentes de que no mínimo houve um "direcionamento" do resultado. Por outro lado, não acho adequado se convidar uma outra escola a compor o grupo Especial, ainda mais sabendo-se que é uma jogada claramente com intuito eleitoral. Digo isso de forma confortável porque gosto do Império Serrano, desfilei pela escola e acho que era merecedora do título - mas sou absolutamente legalista.

Ou seja, a meu ver se deveria anular o resultado e nenhuma escola ascender ao Grupo Especial. Entretanto, promover uma agremiação ao Olimpo do samba é uma moeda de troca no jogo político, infelizmente - o próprio presidente da Inocentes tem como objetivo se eleger prefeito de Belford Roxo nas eleições de outubro deste ano...

Feito o preâmbulo, vamos a um quadro agremiação a agremiação, pela classificação do último carnaval. O sorteio da ordem de desfile ainda não está marcado, mas deverá ocorrer em meados deste mês de junho.

Unidos da Tijuca - ainda não anunciou oficialmente o enredo, mas o mais cotado é uma homenagem ao compositor alemão Richard Wagner. Se o enredo for confirmado prevejo problemas com a comunidade judaica do Rio, sempre pronta a censurar qualquer manifestação cultural que esteja em desacordo com seus dogmas - o compositor era notoriamente anti-semita. Espero que a escola tenha liberdade de desenvolver o tema, caso sacramentado, sem censuras de falsos profetas.

Salgueiro - por mais que a escola oficialmente desminta, o contrato de patrocínio com a Revista Caras já está assinado. O enredo será sobre celebridades e fama, e pode ser anunciado amanhã, quando a escola da Tijuca retoma seus ensaios na quadra.

Vila Isabel - fala-se em enredo patrocinado sobre as manifestações culturais do Brasil rural, mas não houve anúncio oficial ainda. É o tipo do tema que, se confirmado, teremos de aguardar a sinopse, mas a princípio não me agradaria.

Beija Flor - tema definido, anunciado, titulado e com sinopse divulgada: "Amigo Fiel", sobre o cavalo - com patrocínio da associação dos cavalos manga larga marchador. A sinopse é uma volta ao mundo montado nos equinos - apesar de parecer uma nova roupagem, é mais do mesmo.

Grande Rio - está entre dois enredos, com chances iguais: Portugal ou a história do Fusca - este último acho bastante interessante. Se o simpático besouro for o escolhido a agremiação caxiense deverá ter o mesmo problema da Tijuca com a comunidade judaica - o carro surgiu de uma encomenda de Hitler a Ferdinand Porsche.

Portela - terá um enredo "2 em 1": 400 anos da Freguesia de Irajá (que deu origem ao bairro de Madureira) e 90 anos de Portela, com apoio institucional da Prefeitura do Rio - e o leitor agora entende a questão envolvendo o Império Serrano... A sinopse será divulgada hoje à noite, mas meu palpite é de que será mais Portela e menos Madureira - com Paulinho da Viola tendo papel de destaque. Apenas um palpite. É um dos enredos que se salvam na mediocridade prevista para este ano.

Mangueira - após grande confusão - com direito a invasão da quadra por bandidos armados - a eleição está suspensa e depende de decisão judicial para ser retomada - se é que haverá. Enquanto isso o atual presidente Ivo Meirelles vem tocando a escola e confirmou um enredo sobre a cidade de Cuiabá - preterindo o centenário de Jamelão.

União da Ilha - "Vinicius, no plural. Paixão, poesia e carnaval" é o título do enredo sobre o "Poetinha". A sinopse será entregue no próximo sábado, dia 2.

Mocidade - "Eu vou de Mocidade com samba e Rock in Rio - Por um mundo melhor ". Esperava-se um enredo sobre o rock, mas a sinopse já divulgada deixa claro que é algo institucional sobre o festival. O que tinha tudo para virar um grande carnaval, ao que parece, ganhará uma leitura burocrática. Pena.

Imperatriz Leopoldinense - outra agremiação envolvida nas páginas policiais devido ao assassinato há cerca de quinze dias do ex-mestre de Bateria Marcone, após uma série de desentendimentos envolvendo figuras proeinentes. Terá enredo sobre a cidade de Belém.

São Clemente - "Horário Nobre", sobre as novelas das oito da noite e com apoio da Rede Globo de televisão - por isso o recorte será apenas sobre novelas da emissora carioca, o que deixará de fora histórias como "Pantanal". Apesar desta ressalva, ao lado de Portela e União da Ilha é um dos que se salvam na mediocridade geral.

Inocentes de Belford Roxo - terá enredo patrocinado sobre a Coréia do Sul, que em 2013 completa 50 anos do início da imigração qo Brasil. Para a escola interessa um tema patrocinado, levando-se em conta sua falta de estrutura e o fato das eleições na cidade de origem serem antes do desfile - e o presidente é candidato.

Império Serrano - se confirmado o convite para desfilar no Grupo Especial terá enredo sobre São Jorge, padroeiro da escola, apresentado também recentemente (2007) no Império da Tijuca.