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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Livro Jogo das Copas Globo Esporte


Programa imperdível para esta noite de segunda: comparecer ao lançamento do novo livro do jornalista esportivo e amigo Lédio Carmona.

Reproduzo abaixo o release de lançamento, esperando ver todos os leitores lá. O Ouro de Tolo fará uma promoção envolvendo o livro ainda esta semana, aguardem.

Livro-jogo das Copas Globo Esporte
De Lédio Carmona e Marcelo Martinez (org.)
192 p.
16 x 20 cm
R$ 55,00
ISBN 978857734131450


O escrete: Alex Escobar, Arnaldo Cezar Coelho, Caio Ribeiro, Cleber Machado, Fátima Bernardes, Galvão Bueno, Glenda Kozlowski, Gustavo Poli, João Pedro Paes Leme, Junior, Luiz Carlos Jr., Luis Roberto, Marcelo Barreto, Milton Leite, Paulo Cesar Vasconcellos, Pedro Bassan, Renato Ribeiro, Sidney Garambone, Tadeu Schmidt, Tiago Leifert, Tino Marcos e Walter Casagrande. O desafio: fazer, cada um, uma leitura de todas as Copas do Mundo, de 1930 a 2006, em um livro nada convencional: o Livro-jogo das Copas Globo Esporte, que chega às livrarias pela editora Casa da Palavra.

Organizado por dois apaixonados por futebol e profundos conhecedores do tema — o jornalista Lédio Carmona e o designer gráfico Marcelo Martinez —, o Livro-jogo das Copas é uma publicação  diferente. Além de contar com textos inspirados desse time de craques do telejornalismo esportivo brasileiro, o livro apresenta uma lúdica interação: “Sabendo que todo torcedor é um especialista quando o assunto é bola, montamos um livro-jogo com diversas brincadeiras espalhadas ao longo das páginas, mais de 180 perguntas e respostas para testar conhecimentos e até uma divertida  maneira de exorcizar alguns fantasmas de Copas passadas, mudando a história com a ajuda de adesivos”, comentam os organizadores, que bolaram infográficos para recriar jogadas históricas, raspadinhas que simulam jogos, entre outros passatempos. jogos, entre outros passatempos.

Os apaixonados por futebol mais ortodoxos podem ficar tranquilos: as estatísticas, informações sobre cada torneio e detalhes das campanhas do Brasil estão presentes no livro. E cada estrela desse time escalado por Lédio e Marcelo é responsável por uma Copa. Alguns falam de sua experiência profissional em uma cobertura jornalística, outros revelam como certo torneio marcou sua vida, ou simplesmente desvendam o que tornou algumas Copas do Mundo tão inesquecíveis. Todos os textos são recheados de amor pelo futebol.

Os organizadores recomendam: “ao longo das páginas é possível conhecer os diversos elencos do Brasil representados de uma maneira especial: com figurinhas,-caixinha de fósforos e outros objetos colecionáveis, que levam o torcedor em uma viagem por sua memória futebolística”. Leia. Cole. Rabisque. Raspe. Embarque com o Livro-jogo das Copas Globo Esporte em um passeio pela história das Copas do Mundo. Um livro feito para informar e divertir toda a família.

Os organizadores

Lédio Carmona é niteroiense de coração e nascimento e petropolitano por adoção. Jornalista há 24 anos, trabalhou na TV Globo, depois de passar por veículos como Jornal do Brasil, O Globo, Lance! e Diário Popular. Atualmente é comentarista do SporTV, além de comandar um blog: www.globoesporte.com/lediocarmona. Pela Casa da Palavra, lançou o Almanaque do Futebol SporTV. Esteve nas cinco últimas Copas do Mundo, e está indo para a sexta, na África do Sul. É casado com Germana e pai de Roberto, o Pequeno Bob.

Marcelo Martinez é designer gráfico e ilustrador. Teve projetos exibidos – e algumas vezes premiados – em mostras de design, ilustração e animação em países campeões do mundo como Argentina, Brasil, França e Itália; e em outros ainda na fila, como Bélgica, China, Holanda, México e Portugal. Como designer futebolista, criou para a Casa da Palavra o projeto gráfico do Almanaque do Futebol SporTV (2009). Também pintou um Pacheco Camisa 12 bonitão na sua rua, aos 10 anos de idade, durante a Copa de 82. Mora no Rio de Janeiro com a esposa Renata, o filho João e a tartaruga Rubinho.

Lançamento

Livro-jogo das Copas Globo Esporte será lançado dia 31 de maio, segunda-feira, às 19h, na Livraria da Travessa de Ipanema."

 

sábado, 29 de agosto de 2009

Livrarias, doce tentação...

Ontem à tarde, estive na hora do almoço na Saraiva do Tijuca Shopping e... não resisti. Comprei mais cinco exemplares.

Não me considero uma pessoa consumista, pelo contrário este blog combate o consumismo desenfreado na sociedade atual.

Entretanto, todo mundo tem seus pecadinhos. Este é o meu, livros.

Como já escrevi aqui outras vezes, tenho um armário com cerca de 150 exemplares não lidos. O espaço que reservei já não cabe para mais comprar, terei de refazer a arrumação da estante.

Pior é que meu ritmo de leitura é muito variável. A questão é conseguir parar para ler. Quando consigo, leio três, quatro livros por semana. Mas, à tocada atual, é um por mês...

O ritual nas livrarias é sempre o mesmo: entro, olho as novidades, depois vou nas prateleiras de História e Geografia, procuro a área de Economia, depois as de Esportes e... normalmente passo no caixa.

E olha que a Saraiva do Tijuca não é exatamente uma livraria top de linha, como escrevi neste tópico tempos atrás.

Aliás, o que eu já tive de desconto no "programa de milhagem" da dita companhia este ano... para quem gosta de comprar livros, o programa de fidelidade é muito bom.

Bom, para uma madrugada de sábado, a ilustração com um dos livros que comprei, o Dicionário Larrousse da Cerveja. Bem apropriado.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Resenha Literária - " Pentatri: a história dos cinco tricampeonatos cariocas do Flamengo"

Ontem consegui ler quase que de um fôlego só este livrinho, objeto de nossa "resenha literária" de hoje.

O livro, de autoria do jornalista Paschoal Ambrósio Filho, é um painel dos cinco tricampeonatos estaduais alcançados pelo "Mais Querido" - 42/43/44, 53/54/55, 78/79/79Especial, 99/2000/01, 07/08/09.

Ele traz fichas técnicas resumidas dos jogos das cinco conquistas e conta a história, e as histórias, das conquistas.

O Flamengo não possui uma literatura muito ampla, ainda mais em livros recentes. Em que pese o esforço do jornalista Celso Pupo, que lançou ano passado três obras sobre a história do clube, e o relançamento de uma série de crônicas do escritor José Lins do Rêgo ("O Flamengo é puro amor"), a historiografia do clube ainda é bastante escassa.

"Pentatri" é uma leitura agradável e leve. Interessa a quem quer conhecer um pouco mais da história do clube, por um lado, e tem o mérito de transcrever fontes primárias da época, em especial para as duas primeiras conquistas.

Também esmiúça a hstória do falecimento do Presidente Gilberto Cardoso, antes da conquista de 1955.

Para mim é curioso porque é falado tanto o primeiro jogo que assisti no Maracanã - o do tri de 1979 - como o mais recente, a conquista de 2009. 30 anos se passaram...

Na Livraria da Travessa o livro custa R$28. Recomendo.

A próxima resenha ainda está indefinida: estou entre "Testemunhas da China", a biografia do presidente Lula ou um livrinho muito interessante que comprei recentemente sobre profissões "diferentes' na Roma antiga.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Samba de Terça

"Marcado pela própria natureza..."

Quem nunca ouviu estes versos ? Eles se referem àquele que, para mim, é o maior samba de enredo de todos os tempos: "Os Sertões", trazido no ano de 1976 pela Em Cima da Hora, simpática agremiação de Cavalcanti.

O enredo trazia para a avenida o livro com o mesmo nome do escritor Euclides da Cunha, que retratou a Guerra de Canudos, ocorrida nos últimos anos do Século 19. Livro que, aliás, li quando tinha meus dezenove anos...

A agremiação àquele ano fazia parte do que hoje chamam Grupo Especial - à época, era denominada Grupo 1, que desfilava na Avenida Presidente Vargas.

Eram outros tempos. O samba só tinha um autor (Edeor de Paula, na foto com o Estandarte de Ouro ganho naquela ocasião) e não havia aquele engessamento determinado pelas sinopses de hoje em dia. Nas palavras do próprio, em trecho de entrevista concedida ao excelente site "O Batuque" - fonte, também, das fotos:

OBatuque.com - Rola um boato na quadra da Em Cima da Hora que o samba caiu. É verdade isso?
Edeor de Paula – Não, não. Posso até falar com você. Quando chegou a semifinal, caíam dois sambas. E ficariam três para a grande final. Era por pontos corridos. A diferença entre um samba e outro chegava a dois ou três pontos. Os que caíram antes estavam muito distante disso. Quando meu samba foi pra final, não sei o que arrumaram. Fiquei a 20 pontos do Baianinho. Era muita coisa, não dava para recuperar. Eu ia perder. Cheguei a falar com vice-presidente na época: "Ô, Zeca, quer saber de uma coisa? Eu vou embora. Pode retirar meu samba, porque eu vou embora". Ele falou: "Pelo amor de Deus, não faça isso! Houve um problema, eu não sei o que é, mas eu vou saber". Respeitando o Baianinho, o samba passou bem pra caramba para ficar uma diferença daquela. Não dava. Na sexta-feira fui comunicado que tinha que conversar com o pessoal da Academia de Letras. Fomos nós quatro. Os quatro não formavam parceria única, não. Era um de cada samba. Só tinha um samba que tinha dois compositores. Quando eu cheguei pra conversar com o presidente da ABL, o Dirceu Quintanilha, ele me pediu pra cantar todos os sambas que havia ganho, o samba de terreiro, o samba de quadra e o samba-enredo. Eu falei que não era cantor, mas mesmo assim ele pediu pra cantar. Depois que eu cantei "Os Sertões", ele olhou para o presidente e falou: "É, presidente. Só se houver eclipse! Esse samba vai sair daqui e vai correr o mundo." E meu Pai Maior falou amém! O mundo pode não conhecer o Edeor de Paula, mas conhece a minha obra.

OBatuque.com - Quantos cantores já regravaram este samba?
Edeor de Paula – Olha... Honestamente, foram muitos. A mais recente regravação é do Raimundo Fagner, que nunca cantou samba.

OBatuque.com - Como foi o anúncio de "Os Sertões" como samba campeão?
Edeor de Paula – O presidente Chiquinho, que ainda está vivo, chamou os três concorrentes e fomos os quatro até a secretaria.

OBatuque.com - Quatro?
Edeor de Paula – É. Três sambas na final, cada samba com apenas um compositor. Só tinha um samba com dois parceiros.

OBatuque.com - Se fosse hoje...
Edeor de Paula - Se fosse hoje, não daria tanta gente na secretaria. Teriam mais de 20 pessoas (risos). Aí, o presidente falou: "Já tem o resultado, já tem o ganhador". Tinha uísque e cerveja à vontade. "Vamos fazer primeiro nossa festinha aqui". A quadra tava cheia. Foi um ano inesquecível da Em Cima da Hora, embora a quadra não fosse coberta. Chiquinho veio e anunciou entre os compositores: "O samba que a escola vai levar para a Avenida é o de Edeor de Paula". Foi uma alegria só. Todos nós nos abraçamos. O presidente pediu pra nos apresentarmos de novo, sem ninguém poder falar quem ganhou. Mas já tinha um ganhador. Tivemos que disfarçar tanto, que um colega meu já falecido, o Cabrinha, me perguntou como é que a gente está. Eu falei: "Estamos bem, nada foi resolvido ainda". Mentira: eu já era o vencedor. Depois de todas as apresentações, o locutor anunciou: "O samba que a Em Cima da Hora vai levar para a Avenida tem o seguinte refrão: 'Os jagunços lutaram até o final, defendendo Canudos naquela guerra fatal'". Chorei muito. E me desculpa, ainda fico emocionado. De alegria também se chora. Depois me carregaram, me jogaram pro alto. Na hora tava me machucando. Cheguei a falar com um cara lá: "Ô meu irmãozinho, dá um jeito aí. Tá brabo. Tá me machucando", mas ele tava muito doido cantando meu samba, nem ouviu (risos).

OBatuque.com - Como foi o desfile?
Edeor de Paula – Foi um desfile triste. Foi uma tempestade. Antes do carnaval, o barracão mais bonito era o nosso. A imprensa comentava que a escola estava entre as três primeiras colocadas. O desastre começou na saída do primeiro carro do barracão. Não sei quem foi o gênio que projetou aquele carro. Pra sair do barracão, tiveram que serrar o carro. É brincadeira? Chegou na Avenida, caiu uma tempestade. O carro de Canudos não desfilou. Os adereços se estragaram, um desastre que marcou a escola. Depois disso, a escola nunca mais subiu. A única coisa boa para a escola foi eu ter ganho o Estandarte de Ouro de Melhor Samba.

OBatuque.com - A queda da escola teve alguma relação com a política, já que era um samba considerado revolucionário e vivíamos a ditadura militar?
Edeor de Paula – Alguns jornais comentaram isso na época, mas eu não acredito. A escola não tinha estrutura. Passou. Eu continuo Em Cima da Hora. Já fiz samba em outras escolas, mas continuo Em Cima da Hora.

OBatuque.com – "Os Sertões", se estivesse concorrendo hoje, venceria?
Edeor de Paula – Não. E não mesmo. Hoje tá tudo mudado. Não sei se pra melhor ou pra pior. A começar pela bateria. Tá parecendo corrida de cavalo. "Foi dada a largada!" Aquela correria (risos). Ainda restavam três escolas que mantinham essa linha: Mangueira, Império Serrano e Unidos da Tijuca, mas hoje já mudaram tudo. Quem tá voltando com isso, ultimamente, é a Beija-Flor. Lá o negócio é sério. Tem que saber fazer samba. Lá não entra marcha. A prova taí, tricampeã do carnaval. O povo não quer correria, ele quer escutar uma boa música, um bom trabalho e uma boa poesia. Você pode ver, estão rimando piche com maxixe, aí fica difícil.

A beleza do samba está em resumir em versos simples e fortes toda a complexidade do livro e a rotina dos combates durante a Guerra de Canudos. Com isso, trouxe a singela simplicidade do sertanejo. Conta a batalha sem descrever minuciosa e historicamente o conflito. Um poema concreto.

Como o próprio autor descreve na entrevista, a escola foi prejudicada pela chuva, pelo atraso do início do desfile e por sua própria posição de abrir o mesmo, além de sofrer com a sua falta de estrutura.

Com todos estes fatores, a escola obteve apenas o décimo-terceiro e penúltimo lugar, com 77 pontos, sendo rebaixada para o Grupo 2. Entretanto, o samba ganhou o Estandarte de Ouro daquele carnaval de 1976.

A Em Cima Da Hora voltaria a desfilar no Grupo Especial em 1985, mas hoje, comandada por uma nova "rapaziada", a escola está no Acesso D, que corresponde à quinta divisão do samba.

Aqui você pode ouvir o samba, em três versões: a original de 1976, a gravação recente do Dudu Nobre, e uma efetuada pela cantora Fernanda Abreu para o CD "Aula de Samba", de que particularmente não gosto, pelas "firulas" impostas na gravação.

Vamos à letra:

"Os Sertões"
(Edeor de Paula)

Marcados pela própria natureza
O Nordeste do meu Brasil
Oh! solitário sertão
De sofrimento e solidão
A terra é seca
Mal se pode cultivar
Morrem as plantas e foge o ar
A vida e triste nesse lugar

Sertanejo é forte
Supera miséria sem fim
Sertanejo homem forte
Dizia o Poeta assim

Foi no século passado
No interior da Bahia
O Homem revoltado com a sorte
do mundo em que vivia
Ocultou-se no sertão
espalhando a rebeldia
Se revoltando contra a lei
Que a sociedade oferecia

Os Jagunços lutaram
Ate o final
Defendendo Canudos
Naquela guerra fatal

Abaixo, um vídeo muito curioso: uma apresentação do samba em Copenhagen, na Dinamarca, que garimpei no Youtube. Vale pela curiosidade.

Em tempo, 2010 marca o centenário de morte do autor do livro, Euclides da Cunha. Bem que poderiam reeditar o samba...



Semana que vem, farei uma homenagem a um amigo querido, assíduo frequentador deste blog: "Carukango", Unidos de Villa Rica 2007. Até lá.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Resenha Literária - "Cães de Guarda - Jornalistas e Censores, do Ai-5 À Constituição de 1988"

Finalmente temos de volta a nossa seção "resenha literária". E volta em grande estilo, com um tema polêmico em um livro polêmico: censura e colaboracionismo no Regime Militar.

O livro é a adaptação da tese de doutorado da autora e parte de três eixos centrais: a história da censura do Brasil, a legislação que envolve o tema e respaldava a censura prévia e o estudo de caso envolvendo o jornal "Folha da Tarde", perpassando a "Folha de São Paulo".

Entre as várias polêmicas do livro, destaco também a auto-censura que parte mais conservadora da sociedade se impunha e solicitava aos órgãos de repressão.

Beatriz Kushner, a autora, entrevista vários censores e escreve sobre o cotidiano do trabalho destes. Entretanto, ressalta que boa parte da denominada "grande imprensa" se impôs um ritual de auto-censura e, muitas vezes, contratavam policiais ou ex-censores para "balizar" o que poderia ou não ser publicado.

Também traz à baila o papel do Grupo Folha, que não somente auxiliou com recursos financeiros e logísticos (carros) a repressão e a tortura como tinha um jornal que, na fase mais terrível da caça aos opositores do regime era uma espécie de "Diário Oficial" dos torturadores e da guerra suja: a 'Folha da Tarde'.

Sejamos claros: o "Grupo Folha" apoiava a tortura.

Também deixa evidente que, muitas vezes, os grandes órgãos de imprensa "compravam" a versão oficial das mortes de opositores ao regime, encobrindo o óbvio: que haviam perecido sob tortura nas dependências da polícia.

Excelente e esclarecedora leitura. Recomendável, ainda mais em um ambiente como o de hoje, onde os grandes grupos de jornais e televisão estão claramente envolvidos em uma campanha com ares de golpista.

Na Saraiva, o livro está custando R$ 52. E boa leitura.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Resenha Literária - "A História Secreta do Império Americano"

Ufa, finalmente consegui acabar de ler "A História Secreta do Império Americano", espécie de "continuação" de "Confissões de um Assassino Econômico" - alvo de uma resenha bastante controversa aqui mesmo. Não que o livro seja chato - ao contrário, é muito bom - mas é a falta de tempo mesmo...

Neste livro, o autor John Perkins retoma alguns dos temas do livro anterior e tenta buscar soluções para as questões apresentadas.

O livro é dividido de acordo com os continentes em que ele visitou após o lançamento do 'Confissões'.

Na primeira parte, sobre a Ásia, ele toca em um ponto muito sensível à nossa sociedade consumista: que produtos de marcas como Adidas, Nike e outras são fabricados com trabalho praticamente escravo. Um pesquisador que foi viver na Indonésia com o salário de um trabalhador destes (US$ 1,25 ao dia!) emagreceu 11 quilos em um mês, alimentando-se basicamente de arroz.

Os funcionários podem ir ao banheiro apenas duas vezes por dia, e muitas mulheres, quando menstruadas, acabam se utilizando de camisas largas para esconder as manchas de sangue nas calças. Absolutamente cruel.

Também conta sobre o massacre no Timor Leste, apoiado pelos americanos, e como as grandes empresas lucraram com o Tsunami de 2004. Ainda perpassa pela questão tibetana.

Na segunda parte, América Latina, fala-se de pistoleiros na Guatemala, questões de eletricidade e água na Bolívia - e a crueldade desnecessária no dia do pagamento das contas. Por outro lado, ele observa a série de governantes eleitos com discurso anti-americano, saúda como uma revolução contra a corporatocracia e as consequências de tal fato para os Estados Unidos.

Também menciona uma conversa que teve durante o Fórum Social Mundial de 2005 com um alto assessor do governo brasileiro - ele não revela, mas tenho a impressão de que era o José Dirceu - em que este revela que "Lula tem um esqueleto, e só vocês podem nos ajudar". Coincidência ou não, logo depois estourou o escândalo do mensalão.

Terceira parada é o Oriente Médio, onde ele desenvolve questões relacionadas ao dólar e às consequências de sua atuação como assassino econômico.

Retoma o tema na parte sobre a África, e chama a atenção para a guerra no Congo, (ex-Zaire) que permite celulares e computadores mais baratos. Estas peças dependem de um mineral chamado coltan, que só existe lá. Também critica veementemente o trabalho das ONGs por lá, afirmando que estão a serviço da dominação.

Na parte final ele tenta apresentar idéias para romper este ciclo de dominação e mudar o mundo. Entretanto, achei um tanto quanto frágeis as premissas práticas que ele lança.

Entretanto, queria transcerver um pequeno texto deste segmento, que é bem importante:

"Nós também devenos ter coragem. E generosidade. E precisamos estar dispostos a pagar mais pelos diamantes e pelo ouro, pelos laptops e pelos celulares - e a insistir em que os mineiros tenham salário justo, atendimento de saúde e seguro - e a pagar mais também por mercadorias feitas em fábricas que não explorem seus funcionários, mas os tratem com justiça. Precisamos dirigir automóveis menores e mais econômicos, reduzir o uso total de energia e o consumo em geral e proteger os ambientes naturais e a diversidade das espécies que os habitam. É imprescindível que nos conscientizemos de que cada ato nosso e cada produto que compramos tem impacto sobre outras pessoas e os locais em que elas vivem; coletivamente, nossos estilos de vida determinam o futuro que nossos filhos e netos herdarão." (pp. 302)

O curioso é que o prefácio da edição brasileira é assinado pelo jornalista Heródoto Barbeiro - que escreve que não concorda com o que está no livro !

No Submarino tem do livro para pronta entrega. Recomendo.

Próxima resenha: "Cães de Guarda", de Beatriz Kushner.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Matrioshki

Não sou de acompanhar séries de televisão, mas ontem zapeando pela Net - tinha perdido o sono - me deparei com a série "Matrioshki", sobre prostituição na Europa. Pelo o que entendi, era o quinto episódio do segundo ano da série.

Para mim não é um assunto exatamente desconhecido, pois no ótimo livro "McMáfia" (Misha Glenny, Cia. das Letras) um dos capítulos é dedicado à prostituição na Europa. Inclusive, uma das locações do capítulo a que assisti era na mesma região visitada pelo autor do livro, a Transnístria - que é uma espécie de "República Pirata" dentro da Romênia. Lugar este extremamente pobre.

O que me espanta é a degradação a que o ser humano se submete em troca de bens que, certamente, não representam necessidades reais. Também me espanta o desespero para sair de situações de pobreza absoluta, aceitando situações de extrema degradação, tornando-se mercadorias.

Uma das cenas mostra as garotas sendo vendidas a cafetões por 700, 800 euros. O ser humano não pode ser medido em valores monetários. Repugnante.

Outra coisa é a "ingenuidade" das meninas, que não procuram se informar adequadamente. Acabam se tornando prisioneiras do agenciador/cafetão.

O que as faz tomar esta decisão ou se deixarem enganar desta forma - muitas não sabem que irão se tornar prostitutas ? Necessidade ? Consumo ? Falta de informação ? Ou tudo isso junto ?

Apesar de ser uma série de ficção, é claramente baseada em fatos reais. Passaria tranqüilamente por um documentário.

Só alerto que há cenas fortes, especialmente de violência. Não é muito agradável ver mulher levando na cara, embora infelizmente neste submundo seja uma situação corriqueira.

Vou checar exatamente, mas a princípio passa de segunda para terça à meia noite no Telecine Action. Para quem quer um choque de realidade, recomendo. E dá para acompanhar mesmo pegando no meio.

P.S. - Sobre o livro que cito no início, segue para maiores informações:

http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/produto.dll/detalhe?pro_id=2575719&ID=C90772827D905130A05030135

sábado, 16 de maio de 2009

"Do Golpe ao Planalto"

Acabei de ler há pouco tempo a biografia do jornalista Ricardo Kotscho, que foi assessor de imprensa do Presidente Lula, entre outras missões que serviu ao país. É o título deste post.

Lendo - e, confesso, invejando - a vida que ele teve, estando dentro dos principais acontecimentos políticos do país nos últimos quarenta anos, vejo o quão pouco fazemos, presos em nossas rotinas e buscando ganhar o pão de cada dia.

Vemos como somos insignificantes, egocêntricos e sozinhos. O que fizemos por nosso país ? O que fizemos pelo nosso semelhante ?

O que podemos conquistar nesta vida ? Ou vamos nos referir a uma passagem onde pensamos mais em "ter" do que "ser" ? Qual será a marca que deixaremos ?

Confesso que me incomoda a indiferença das pessoas.

Link para quem quiser conhecer um pouco mais:
https://www.livrariasaraiva.com.br/produto/produto.dll/detalhe?pro_id=1419876&ID=C933DFC27D9050E001D1D1072