domingo, 14 de junho de 2009

Resenha Literária - "Confissões de Um Assassino Econômico"

Confesso que há muito tempo um livro não me perturbava tanto. Acho que o último que me deixou desorientado desta forma foi o "Sem Vestígios", que tratava das confissões de um torturador do aparato de repressão brasileiro. Falo de "Confissões de um Assassino Econômico", de John Perkins.

A história do livro é a seguinte: economista é recrutado para servir como "Assassino Econômico" - ou simplesmente "AE" - durante a década de 70. Depois se torna presidente de uma empresa de energia alternativa até que se arrepende e resolve contar a sua história.

E o que seria um "AE" ? São técnicos - basicamente economistas - que têm a missão de gerar números fictícios a fim de respaldar enormes empréstimos de órgãos como Banco mundial e o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), empréstimos impagáveis, e assim estabelecer uma relação praticamente colonial entre o país e os EUA.

Tais empréstimos eram utilizados em grandes obras de infra-estrutura, tocadas por empresas americanas necessariamente, que beneficiavam elites corruptas destes países. O preço a ser pago era a incapacidade de pagamento destes empréstimos e a consequente dependência total, com subserviência e facilidades de exploração de recursos naturais pelas empresas americanas.

O livro também relata que, quando os AEs, ou seja, a dominação econômica, falhavam, eram enviados os chacais, que removiam do poder via assassinato os presdientes que aos EUA se opunham. Cita explicitamente o caso dos Presidentes Omar Torrijos, do Panamá - que renegociou o Tratado do canal de mesmo nome - e Jaime Roldós, do Equador, que tentou expulsar as petrolíferas americanas de seu país.

Se nada desse certo, invasão pura e simples pelo Exército - i.e., Panamá e Iraque.

O esquema dos AEs é tão engenhoso que estes eram pagos por grandes empresas de consultoria, para que não aparecesse vínculo direto com o governo norte-americano ou suas agências de inteligência.

John Perkins trabalhou como um AE de 1971 a 1980. Esteve na Indonésia, Panamá, Equador, Irã, Arábia Saudita, Colômbia, entre outros. Saiu em 1980, fundou uma empresa de energia alternativa - onde teve o silêncio comprado através de diversas formas, vendeu a empresa, se tornou especialista em cultura indígena; até que o 11 de Setembro o fez finalmente escrever o livro.

Nos capítulos finais, analisa a questão da Venezuela - e a sorte de Chavez - e a do Iraque. Também disseca a sede dos EUA por petróleo e a miséria que no fim, toda esta dominação e o consumismo desenfreado causam.

Cunha o termo "corporatocracia", para determinar as relações entre o governo e as grandes empresas, com pessoas indo de um lado para outro - no livro que li sobre a Monsanto este fenômeno é chamado de "portas giratórias". Também determina a forma de imperialismo imposta ao restante do mundo.

O livro me deixou muito perturbado. Primeiro por mostrar quão sórdidas podem ser as pessoas quando buscam suas realizações pessoais - mesmo que seu trabalho gere fome, destruição ecológica e de populações inteiras. Segundo, e isso já era tocado de leve no excelente livro do economista Joseph Stieglitz sobre globalização, por explicitar os métodos de dominação que representam instituições como Banco Mundial, BID e FMI. Terceiro por mostrar a influência que hábitos nossos do dia a dia exercem sobre populações inteiras. Quarto, pela influência do petróleo na história toda.

Indispensável.

Dica: somente no Submarino - link aqui - o livro, que é de 2004, está disponível para pronta entrega.

Confesso que irei pensar duas vezes, a partir de agora, antes de por exemplo comprar um tênis Nike ou abrir uma Coca Cola - se bem que quase não bebo refrigerante. Pelo menos estou trocando meu carro por um mais econômico.

Quando pensei este blog, a idéia era de lidar com alguns "fantasmas" que estavam em minha mente, bem como formatar opiniões e literatura e refletir um pouco sobre a correria autômata do dia a dia.

Vejo, felizmente, que além disso ele pode - e deve - engajar-se em causas justas. E este livro nos leva a pensar sobre um monte de coisa.

That´s all.

12 comentários:

  1. Fala Migão,
    se puder dê um pulo no site www.chadebebedolucas.com e veja como a minha filha Patricia é bonita e está mais bonita grávida. Constate que ela em nada puxou o pai ... hehehehe ... se quiser manda o seu recado ...


    Vovô xaruto

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  2. E depois não querem tirar o Cuca?
    Ou querem tirar Adriano?
    ...
    ontem, foi demais Migão..

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  3. Xaruto, lá no site pede um tal login, não entendi direito.

    Talita, o buraco do Flamengo é mais em cima, se é que você me entende. Nem quis escrever nada hoje porque estou me sentindo o Bozo em pessoa.

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  4. Migão, hahahaha, amigo, conserve sempre o bom -humor.....isso é o que vale..(o bozo foi ótimo), pq eu as vezes me sinto a vovó Mafalda...
    .
    Só uma coisa: os deuses do futeba, poderiam ter combinado essa perda, digamos assim, contra o Cap, pelo menos....que puxa...
    .
    Mas calma, faltam apenas 30 e tantas rodadas...

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  5. 30 e tantas rodadas de sofrimento, né ? (rs)

    P.S. - Gostou do asunto deste post?

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  6. Interessante este livro Migão.
    É por isso que se a imprensa fosse realmente investigativa e não especulativa, poderíamos debater melhor e assim, entender essa balbúrdia ao nosso redor. Preciso reler Carl Marx...
    .
    ps: só agora li o post sobre o blog da Petro e também não concordo com esse jornalismo estampado na capa de um dos principais jornais deste país. Uma pena.

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  7. Tati, se puder faça um esforço e compre este livro. Vai mudar a sua visão de mundo.

    P.S. - Não leu o meu blog todo, perdeu... risos

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  8. E eu que achava que os hakers fossem um real problema desse mundo obscuro e de manipulação.
    Nunca na história mundial, um economista mostrou realmente do que é capaz né...
    .
    Ler teu blog e acompanhar o blog da Petro acarretarão em 2 coisas o ano que vem: ou eu voto no Lula,ou saio pela Portela,rsss

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  9. As duas coisas... risos

    Já encomendou o livro ?

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  10. Ainda não, deixarei pro fds com calma, afinal das contas, pode não parecer mas eu trabalho, rsss

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