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terça-feira, 13 de novembro de 2012

Made in USA: "Sambas vs Sinopses – Parte II"


Nesta terça feira, o colunista Rafael Rafic em sua "Made in USA" conclui a análise comparativa entre as sinopses e os sambas das escolas do Grupo Especial para 2013.

Sambas vs Sinopses – Parte II

Continuemos a análise com as escolas que desfilam na segunda feira.

Segunda-feira

1 - São Clemente

Enredo: Horário Nobre
Texto: Milton Cunha
Carnavalesco: Fabio Ricardo
Nota da Sinopse: 8,5
Autores do samba-enredo: Gabriel Mansilha, Nelson Amatuzzi Victor Alves, Floriano do Caranguejo, Beto Savana, Guguinha e Fabio Portugal

Com um ótimo tema e boa sinopse (porém um tanto quanto confusa e esparsa), a São Clemente foi a única escola que optou por uma fusão para 2013. Foi uma fusão clássica: 1 refrão e 1 estrofe de um samba colado com 1 refrão e 1 estrofe de outro – e alterada após a disputa.

O samba é de mediano para bom, não tendo grandes passagens. Tem apenas um refrão final que pega, mesmo não sendo uma maravilha poética nem melódica. É um samba que luta para completar a primeira metade do Grupo, enquanto a sinopse é claramente a quarta melhor do grupo.

Talvez tenha faltado um grande samba. Isso pode ter ocorrido devido à forma confusa com que as idéias foram lançadas na sinopse; ou talvez pela porcentagem absurda que a São Clemente exige dos direitos autorais dos compositores (na ordem de 60%). Mas o fato é que apesar do samba interessante não houve na safra um samba que ombreasse a nota alta obtida pela sinopse.

Resultado: samba mediano inferior a sinopse boa.

2 - Mangueira

Enredo: Cuiabá: Um Paraíso no Centro da América
Texto: Marcos Roza e Cid Carvalho
Carnavalesco: Cid Carvalho
Nota da Sinopse: 4,5
Autores do samba-enredo: Lequinho, Jr. Fionda, Igor Leal e Paulinho Carvalho

A sinopse mangueirense, não bastasse ser a típica sinopse CEP (louvando um lugar do Brasil), ainda foi pessimamente estruturada.

Porém, a tradicional parceria multicampeã mangueirense capitaneada pelo Lequinho, salvou a Mangueira. Típico caso que o talento do compositor tira samba de onde não tem na sinopse.

É um samba com a cara da Mangueira (cara essa que alguns queriam dar a Portela esse ano também... sorte que não foram bem sucedidos) que fica tranquilamente na primeira metade do grupo em 2013.

Não é por acaso que o samba praticamente não fala da sinopse, porque se começasse a falar demais fatalmente ficaria ruim.

Resultado: samba bom bastante superior a sinopse ruim.

3 – Beija-Flor

Enredo: “Amigo Fiel”
Texto: Laila, Fran Sergio, Ubiratan Silva, Victor Santos, André Cezari e Bianca Behrends.
Carnavalescos: Laíla, Fran Sergio, Ubiratan Silva, Victor Santos e André Cezari
Nota da Sinopse: 4
Autores do samba-enredo: J Veloso, Ribeirinho, Marquinho Beija-Flor, Gilberto, Silvio Romai e Dilson Marimba

Enredo complicado e falho da Beija-Flor. Ganhou um samba normal que, se não faz parte da primeira metade do grupo para 2013, é melhor do que a sinopse e a trata com certa beleza poética em letra bastante interessante. Afinal essa era a única forma de fazer um samba competitivo na Beija-Flor, abordando o tema, mas sem ser o “pão, pão, queijo, queijo” que mataria o samba.

Resultado: samba razoável, ligeiramente melhor do que sinopse ruim. Possível interferência negativa da sinopse.

4 – Grande Rio

Enredo: “Amo o Rio e vou à luta: ouro negro sem disputa”… “Contra a injustiça em defesa do Rio”
Texto: Roberto Szaniecki
Carnavalesco: Roberto Szaniecki
Nota da Sinopse: 1
Autores do samba-enredo: Mingau, Deré, Junior Fragga, Mingauzinho e Arlindo Neto

Da sinopse ruim, muito ruim, longa, insossa, longa, chata, doente e quase morta, saiu um samba até aceitável.

Não é um grande samba e provavelmente fica no terço final do Especial de 2013, mas é digno de Especial, tem um refrão final interessante (alias, também se utiliza de três refrões) e é um samba até certa medida legal de se cantar.

Para o desastre que foi a sinopse (tendo comentários inclusive que minha nota 1 foi boazinha, porque o certo seria o 0) esse samba, mesmo nem sendo mediano está acima de qualquer expectativa.

Resultado: samba de ruim para mediano infinitamente superior a um enredo absolutamente desastroso. Culpa total da sinopse.

5 – Imperatriz

Enredo: Pará – O Muraiquitã do Brasil
Texto: Cahê Rodrigues e Leandro Vieira
Carnavalesco: Cahê Rodrigues, Mario Monteiro e Kaká Monteiro
Nota da Sinopse: 6

Autores do samba-enredo: Me Leva, Gil Branco, Tião Pinheiro, Drummond e Maninho do Ponto

A Imperatriz trouxe uma sinopse mediana ao estilo CEP. Mas a ala de compositores da Imperatriz é sensacional e faz limonada de qualquer limão.

Mais uma vez tivemos uma disputa bastante acirrada, com 4 ou 5 sambas muito bons. A escolha foi um pouco contestada, mas qualquer escolha seria tendo em vista a quantidade de sambas bons na safra (mais uma vez em Ramos).

O samba da minha preferência (e de muitos outros), um samba ousado do incansável Zé Katimba, caiu ainda na semifinal. Porém os quatro sambas finalistas também tinham apoios consideráveis e chegaram justamente à final.

Dos finalistas, ganhou o meu preferido. É um ótimo samba. Não sei se dá para classificá-lo como o terceiro melhor do ano (atrás de Portela e Vila Isabel), mas com certeza está no terço inicial do Especial.

Resultado: bom samba, superior à sinopse mediana. Influência da qualidade dos compositores.

6 – Vila Isabel

Enredo: A Vila canta o Brasil, celeiro do mundo – “Água no feijão que chegou mais um”
Texto: Rosa Magalhães, Alex Varela e Martinho da Vila
Carnavalesca: Rosa Magalhães
Nota da Sinopse: 9,5
Autores do samba-enredo: André Diniz, Martinho da Vila, Arlindo Cruz, Tunico da Vila e Leonel.

Na Vila quando se junta André Diniz, Martinho e Arlindo (já apelidados de “Galácticos da Vila”) não se tem uma competição de samba-enredo: é praticamente um samba encomendado que já se sabe que irá ganhar.

A sinopse é muito boa e foi a surpresa agradável dessa safra. O samba que o representa não fica devendo nada à sinopse. Um samba de altíssima qualidade, que disputaria com a Portela o título de samba-enredo do ano.

Mas não é esse samba que todos andam falando. Para mim inclusive é inferior ao samba da Vila Isabel de 2012, sobre Angola (de André Diniz e Arlindo Cruz), e não teria toda essa repercussão se fosse assinado por Pedro Migão e Rafael Rafic. Mas é uma grande composição, sem dúvidas.

Por fim quero registrar uma incoerência de opiniões influentes do carnaval.

Várias pessoas que incensam o samba da Vila e proliferam aos quatro cantos que esse samba levará a Vila ao título (o que não duvido, ela é a favorita do momento), são as mesmas que defendiam na Portela o samba de Neyzinho. O argumento apresentado é que pela posição de desfile da Portela, última de domingo, ela precisaria de um samba mais “para cima” a fim não deixar o povo cair.

Mas será que essas pessoas não percebem que a Vila ocupa a mesma posição, até pior, já que a Vila encerra o último dia? E será que elas também não percebem que o samba do André Diniz & Cia é até mais cadenciado e “para baixo” do que o próprio samba da Portela?

Então porque para uma o samba cai como uma luva e para a outra não caia?

Alias, se guiando por esse argumento usado em Madureira, o samba escolhido na terra de Noel nem deveria ser esse, já que existiam outros dois sambas “mais para cima” do que o escolhido em Vila Isabel.

Resultado: samba ligeiramente melhor que a sinopse, ambos de altíssima qualidade.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Made in USA - "Enredos 2013 e suas Sinopses - Parte II"


Nesta sexta feira, temos a segunda parte da coluna do advogado Rafael Rafic com as sinopses das escolas do Grupo Especial. Nossa faixa musical hoje irá falar mais tarde de outra faceta: as disputas de samba.

Enredos 2013 e suas Sinopses - Parte II

1. São Clemente

Enredo: Horário Nobre
Texto: Milton Cunha
Carnavalesco: Fabio Ricardo

A São Clemente é uma das poucas que se salvam na safra desse ano. O enredo tratará sobre um assunto extremamente popular e altamente carnavalizável, mas que por algum motivo nunca foi para a avenida de maneira direta: as novelas brasileiras.

Porém aqui temos um problema: não sabemos se por causa de algum patrocínio (o que a escola nega), se por uma censura da Globo, que tem os direitos de transmissão exclusivos do desfile. Ou ainda se simplesmente por uma opção questionável da escola, só serão abordadas novelas da TV Globo.

[N.do.E.: quando do lançamento do enredo foi dito que haveria apoio institucional da emissora carioca.]

Isso deixa algumas pérolas novelísticas que seriam pivotais para o enredo - como Pantanal (TV Manchete) - de fora. Claro que isso se reflete em um problema na sinopse, mas nada que a inviabilize.

A sinopse em si, para mim, deixou um pouco a desejar porque apesar de apresentar alguns poucos personagens que ficaram na memória do povo e algumas novelas, ela focou mais no fluxo de uma novela em teoria.

Fala apenas da abertura, do final eletrizante, emoção e da fábrica de sonhos (apelido do PROJAC, o que aumentou a especulação da existência de patrocínio). Sinceramente eu acredito que no desfile muitas coisas que não estiveram na sinopse estarão na avenida. Isso pode a princípio causar perda de pontos para a escola da Zona Sul/Centro.

Ainda sim, é um ótimo enredo que na mão do carnavalesco Fábio Ricardo poderá colocar a São Clemente mais uma vez como a surpresa do Carnaval. Como vários compositores também são grandes noveleiros, não deverão ter qualquer dificuldade para ter inspiração.

Nota: 8,5

2. Mangueira

Enredo: Cuiabá: Um Paraíso no Centro da América
Texto: Marcos Roza e Cid Carvalho
Carnavalesco: Cid Carvalho

Aqui chegamos enredo escrito por aquele se tornou um engana... ops, escritor de enredos semi-profissional: Marcos Roza. Marcos é o mesmo que idealizou o “Roteiro dos Desfiles”, que é distribuído aos espectadores na Sapucaí explicando o enredo e o que representam as fantasias de cada escola.

Talvez ele tenha tido essa idéia para que alguém consiga entender o que ele escreve, sinceramente. Mais um enredo que parte do nada e chega ao lugar algum, passando por todos os lugares comuns do enredo CEP. Alias, troca Cuiabá por Bole-Bole e trem por esterco, e já temos a sinopse para o samba-enredo do conto do Aloísio Villar publicado aqui no Ouro de Tolo há semanas atrás.

O enredo pega como fio condutor uma viagem de trem partindo da Estação Primeira de Mangueira e passando por cada característica de Cuiabá que se quer ressaltar (mesmo que ela não tenha na realidade), que é representada por uma estação - tais como as lendas locais e a culinária. Exatamente como um típico enredo CEP tem. O problema é que Cuiabá NUNCA teve trem.

Foi exatamente nesse desejo de Cuiabá de ter um trem que nunca teve é que o enredo tenta se estruturar. Mas se a intenção é mostrar o que a cidade tem, com que lógica o enredo se arvora em algo que ela clamorosamente nunca teve?

Por fim, ainda há uma polêmica: vários trechos da sinopse seriam plágio do enredo mangueirense campeão de 2002, ‘Brasil com Z é pra Cabra da Peste. Brasil com S é a Nação do Nordeste’. Marcos Roza nega o plágio.

Plágio ou apenas coincidência, a verdade é que vários trechos são muito parecidos mesmo.

[N.do.E.: há um outro trecho praticamente idêntico à sinopse do Salgueiro do carnaval de 2010.]

Nota: 4,5

3. Beija-Flor

Enredo: “Amigo Fiel”
Texto: Laila, Fran Sergio, Ubiratan Silva, Victor Santos, André Cezari e Bianca Behrends.
Carnavalescos: Laíla, Fran Sergio, Ubiratan Silva, Victor Santos e André Cezari

O tema, o segundo na ordem e anunciado ainda no sábado das Campeãs é sobre o cavalo mangalarga marchador. Claro, conta com um polpudíssimo patrocínio da associação de criadores desses animais.

Aqui minha reação foi bem parecida com a que tive com a Mocidade. Enquanto todos baixavam o sarrafo no tema, eu dizia que a Beija-flor estava com um problema na mão, mas que o tema se fosse bem trabalhado poderia render um belíssimo desfile. Outra esperança que foi defenestrada assim que li a sinopse.
No início ela tenta usar o próprio cavalo como narrador de sua história, ainda o tratando de modo generalizado, sem mencionar raças e começa aquela viagem na história pelo mundo que todo enredo genérico faz - só mudando o objeto do patrocínio.

Então fala do cavalo no deserto árabe da pré-história, que passa pelo seu uso na agricultura do neolítico, do seu uso como transporte de guerra, passando pelo Cavalo de Tróia...

Epa, Cavalo de Tróia? É, aqui está o primeiro grande problema de foco do enredo. Se a intenção era mostrar a história e importância do animal cavalo, o que uma estrutura oca de madeira está fazendo aqui?

Depois de Tróia, ele volta para a mitologia, apesar de não ficar claro que tipo de mitologia é abordada. Mas tudo me indica que seja Pégasus e aqui temos outro problema na linha histórica. Era para ele ter vindo antes do Cavalo de Tróia.

A viagem ao mundo não podia terminar sem uma passagem no lugar comum dos mouros e árabes e seus enormes exércitos de cavalaria. Hei, e a parte que já trata das guerras lá em cima? Pois é, o enredo não se decide.

Como fala de guerra a todo momento e estamos na Beija-Flor, podem esperar um enredo de sofrimento, dor, sangue e, já que estamos falando em cavalos, muita chicotada.

Para terminar, de repente e sem aviso, a sinopse dá uma giro total e passa a abordar o Brasil e a raça “homenageada” mais especificamente, aproveitando a ligação do cavalo com a coroa portuguesa e dessa com o Brasil - olha o clichê da Família Real no Brasil aí!

Aqui o enredo se perde completamente. Ele começa a trazer para a história alguns elementos que necessariamente precisariam de explicação. Por exemplo, o trecho “No então chamado Novo Mundo aportei, sendo presenteado pelo rei português ao Barão de Alfenas, e do cruzamento com as raças ibéricas, que aqui chegaram na época da colonização, renasci como o sangue puro do Brasil, no sul de Minas Gerais”.
Espera aí, como o cavalo foi cruzado com o cavalo, já que até aqui o enredo não faz qualquer distinção de raças de cavalo?

Pelos erros mil entrecortados por todos os clichês possíveis e imaginários, terei que ser muito duro na minha nota. Isso sem falar na total falta de inspiração poética gerada por essa sinopse insossa.

Nota: 4

4. Grande Rio

Enredo: “Amo o Rio e vou à luta: ouro negro sem disputa” … “Contra a injustiça em defesa do Rio”…
Texto: Roberto Szaniecki
Carnavalesco: Roberto Szaniecki

Depois de achar que já tinha lido de tudo possível nesse ano após ler as sinopse da Inocentes, da Beija-flor e do Salgueiro, me aparece aos 48 do 2° tempo (dia 23 de julho, última segunda feira. Ah, se fosse a Portela...) a sinopse da Grande Rio e ela me fez lembrar que eu ainda não tinha lido a sinopse da escola do polonês (apelido de Roberto Szaniecki, carnavalesco da escola e nascido no país europeu).

Depois de namorar bastante com a Volkswagen para contar a história do Fusca apenas para ser recusado pela TV Globo - e recusa da Globo, ainda mais na Grande Rio, é veto, a Grande Rio abraçou um enredo altamente político sobre a disputa do Rio pela manutenção dos royalties para os governos estaduais e municipais como estão.

O enredo não se sai bem em nenhum aspecto.

Para começar é um enredo politicamente panfletário de uma forma que eu nunca vi e que simplesmente não combina com carnaval da forma totalmente explícita com que foi feito. Deixa Portela 2010 e São Clemente 2009 no chão. Talvez nenhum enredo tenha chegado tão perto da total vassalagem profana e insana dos fatídicos carnavais da Beija-Flor de 1974 e, principalmente, 1975.
 
Além disso, ele é longo e modorrento, totalmente diferente do longo-instigativo, da Ilha. Depois ele não é nada, nada, nada carnavalizável, muito menos inspirativo para a ala de compositores. Alias, haja inspiração nessa temporada para os compositores caxienses. Aposto que eles estão se perguntando onde estão o iogurte ou as lentes de contato que eram mais fáceis (lembrando que esses enredos polêmicos também foram obra do polonês, sendo o segundo em São Paulo).

O polonês ainda não largou a mania irritante de dividir a sinopse em setores, o que acaba engessando totalmente a ala dos compositores. Esta tem que seguir exatamente o pensamento do carnavalesco, sob pena de um rápido jubilamento nas eliminatórias.

Os enredos de Szaniecki nunca ajudam o compositor em uma vírgula em seu trabalho e ainda o enquadra em uma sequência certa inquebrável que atrapalha ainda mais. Para transformar o trabalho em algo hercúleo, sempre que ele não adota a linha temporal, a sequência de setores não apresenta nenhuma lógica e complica de vez qualquer possibilidade de ser criar algum samba que pelo menos consiga levar a escola.

É exatamente o caso: o enredo se perde totalmente.

Tem uma intenção longa e desnecessária, para depois ter outra introdução tão longa e desnecessária. Em ambos os textos a sinopse diz que versará sobre o petróleo e seus royalties. Mas de petróleo mesmo só temos dois setores, os primeiros. Que para variar ainda contem erros técnicos crassos, visíveis até para uma pessoa leiga no assunto. Imagino que o nosso editor, especialista, deve ter quase enfartado quando leu.

[N.do.E.: o enredo tem diversos erros conceituais, inclusive sobre a própria natureza dos royalties. Lamentável.]

Os quatro setores finais são apenas para louvar os benefícios dos royalties do petróleo nas cidades que o recebem. Só que eles falam de tantas coisas, até certo ponto supérfluas considerando as necessidades dos rincões brasileiros como um todo, que, ao terminar de ler a sinopse eu tenho certeza que os royalties realmente devem ser repartidos com os estados não-produtores porque não temos mais onde investir tanto dinheiro.
Exatamente ao contrário do que o enredo se propõe - e olha que sou defensor ferrenho do Rio nessa disputa política.

Em resumo: um desastre total. Conseguiu a proeza de roubar da Inocentes o título de pior sinopse do ano.

Nota: 1

5. Imperatriz Leopoldinense

Enredo: Pará – O Muraiquitã do Brasil
Texto: Cahê Rodrigues e Leandro Vieira
Carnavalesco: Cahê Rodrigues, Mario Monteiro e Kaká Monteiro

Continuamos a profusão de enredos patrocinados, mais uma vez na modalidade CEP. Dominguinhos do Estácio mais uma vez aproveita suas ligações paraenses e consegue emplacar outro enredo sobre o Pará em uma escola sua para que ele solte a voz.

O enredo é mais do mesmo que já vimos na avenida trocentas vezes: sobre a Amazônia (que, sejamos sinceros, após tanto desmatamento, é mais história do que realidade no Pará), matas vastas e verdes, lendas indígenas, Tupã, ouro, borracha - e,para terminar a culinária paraense. Tudo entremeado com inúmeras palavras em tupi, para as quais há um enorme glossário ao final da sinopse.

Enredo ruim, porém até onde pode, honesto. Dá pelo menos para fazer um samba, se não bonito, na média. A excelente ala de compositores da Imperatriz deve ajudar.

Nota: 6

6. Vila Isabel

Enredo: A Vila canta o Brasil, celeiro do mundo – “Água no feijão que chegou mais um”
Texto: Rosa Magalhães, Alex Varela e Martinho da Vila
Carnavalesca: Rosa Magalhães

Para encerrar o carnaval, a boa surpresa do ano para mim. Quando a Vila disse que iria falar do “Brasil Rural” e, para piorar com patrocínio da BASF, especializada em agrotóxicos, pensei logo no pior.

Mas quando li a sinopse, que surpresa agradável!

O enredo simplesmente fala do jeito “caipira” de ser, introvertido, mas sempre simpático e acolhedor. Exata a figura do agricultor, o que não é muito comum no carnaval, de uma forma simples, mas que acertou em cheio

Apesar de passar também por alguns clichês, como as três raças que se irmanam para criar o brasileiro, as quais se agregam os imigrantes; a sinopse se salva por fazer um quadro bem completo do estilo caipira de ser, o trabalho da terra que é fundamental para a economia brasileira e a música sertaneja. Alias, o enredo acaba até enveredando pela história da viola no Brasil, sob o argumento (corretíssimo) que não tem como falar do lado cultural do agricultor sem tratar de sua inseparável viola.

Ainda aborda a religiosidade do homem do campo e sua relação muitas vezes difícil com o ciclo de chuvas do cerrado e do sertão.

Enfim, um enredo muito legal, que fugiu do óbvio e com a cara de Rosa Magalhães. É um enredo que dá para a ala de compositores brincar muito e ainda traz, a pretexto de inspiração, várias músicas relacionadas ao homem do campo e algumas frases que marcaram época ao descrevê-lo.

Após a leitura da sinopse, espero bastante da Vila.

Nota: 9

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Grupo Especial - Segunda - Impressões


Bom, final dos desfiles do Grupo Especial, vamos a um panorama da segunda noite de desfiles, que a meu ver de forma geral acabou sendo inferior à primeira. Muitos erros, em especial nos quesitos considerados "de pista" deram o tom das escolas.

Penso que o desfile termina sem um favorito destacado, mas acredito que, apesar nos problemas nas alegorias, Vila Isabel e Portela foram bem superiores nos quesitos "de chão" às demais escolas e devem disputar ponto a ponto o título. A Tijuca correria por fora a meu ver, e só - assim mesmo forçando bastante a barra.

Vamos a uma análise escola por escola.

1 - São Clemente


Vi somente a arrancada da escola, pois tinha de ir para a concentração da União da Ilha. Achei as alegorias bem fracas pelo que vi.

2 - União da Ilha


A concentração foi bastante confusa, e a Harmonia não foi perfeita: minha ala, que era uma das últimas, teve de correr um pouco. Ainda haviam integrantes sem bandeiras, e isso deve incorrer em desconto de pontos. Ainda assim fez um bom desfile, e briga pela sexta vaga no Desfile das Campeãs.

Os carros, pelo menos na concentração, pareciam bem interessantes.

3 - Salgueiro


Pelo segundo ano seguido a Harmonia da escola impediu que se conquistasse um campeonato até com certa facilidade. Demora para a entrada dos carros, quebras de elementos e buracos deram o tom da apresentação.

Pena. Renato Lage fez uma vez mais um ótimo trabalho. Ainda assim deve voltar no desfile do próximo sábado.

4 - Mangueira


Vergonhoso. É assim que classifico o desfile da verde e rosa, que foi um equívoco completo. A começar por suas alegorias e fantasias (acima, o indigno abre alas) típicas de Grupo de Acesso B e passando pelas presepadas com o sistema de som e as "paradinhas", que transformaram a Sapucaí em uma mesa de (ruim) pagode.

Além disso, estas "inovações" fizeram com que a saraivada de turistas que compunham suas alas atravessasse o samba, penalizando ainda mais os quesitos.

Por mim - e não só por mim - seria rebaixada em último lugar, mas acho pouco provável que isso ocorra. Mas seu presidente tem de explicar como recebe R$ 7 milhões e apresenta um carnaval deste naipe. Lamentável.

5 - Tijuca


Alternou bons e maus momentos. Excelente comissão de frente, alguns carros bons e outros com problemas evidentes de acabamento, um enredo meio confuso e um samba fraco.

Minha avaliação é que voltaria nas Campeãs apenas, mas se a proposta do júri for desvalorizar os quesitos de pista e privilegiar a Broadway pode entrar na briga.

6 - Grande Rio


Burocrática. Assim definiria a escola de Caxias, que patinou em problemas de Evolução e Harmonia, trouxe alegorias com problemas e fantasias fracas - com direito a alas de short e camiseta - e o pior samba do ano.

Foi desfile para oitavo, nono lugar, mas com a força que a agremiação dispõe não me surpreenderia voltando entre as seis.

Minha avaliação seria a seguinte, já avisando que é polêmica:

Título: Vila e Portela, com Tijuca correndo por fora.
Campeãs: Tijuca, Salgueiro, Mocidade e talvez a Ilha - embora duvide que Beija Flor e Grande Rio fiquem fora, embora mereçam.
Marola: Beija Flor, Grande Rio, São Clemente;
Disputando o rebaixamento: para mim as piores nos quesitos foram a Imperatriz e disparada a Mangueira, mas acho pouco provável que uma das duas seja rebaixada, embora mereçam. Deve sobrar mesmo para Renascer e Porto da Pedra.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O incêndio, a lambança e o covarde



Bom, para nós amantes do samba infelizmente a notícia desta semana foi o incêndio que atingiu a Cidade do Samba, local onde são confeccionadas as alegorias e muitas das fantasias das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro.

Para o leitor de fora, são galpões com a estrutura concebida a fim de acomodar as necessidades demandadas por este tipo de construção: pé direito alto dado o tamanho dos carros alegóricos e andares onde pudessem ser instalados os ateliês das agremiações a fim de que as fantasias pudessem ser confeccionadas.

Eu estava em Salvador na segunda feira, dia do sinistro, e ao acordar mais tarde - até porque estava uma hora atrasado em relação ao Rio de Janeiro devido à inexistência do horário de verão - vi um monte de e-mails e mensagens de texto no meu celular: "incêndio na Cidade do Samba", "barracão da Portela pegando fogo" e que tais.

Como lá estava sem acesso à internet - apenas muito restrito, no celular - e o jornal local é o da Bahia, entrei no Twitter para ver o que tinha ocorrido. E me dei conta do que havia acontecido - complementado, depois, com ligações de amigos do Rio.

Ao que parece o fogo se iniciou no barracão que abriga uma espécie de "museu" da entidade que organiza o desfile - originalmente, a Cidade do Samba foi pensada para catorze escolas de samba, mas acabou-se reduzindo a doze - e atingiu os outros três barracões da Ala Norte do complexo: pela ordem, União da Ilha, Portela e Grande Rio. Nesta última o fogo não teve como se alastrar lateralmente - há um vão para a outra ala - e o fogo desceu consumindo todo o barracão, acabando com os carros da escola de Caxias.

Lembro que os materiais são todos inflamáveis dadas as suas características - muita espuma, isopor, acetatos, ferragens - o que propiciou uma devastação rápida e imensa.

Apesar de ser considerado moderno, o equipamento de prevenção contra incêndio não funcionou, o que potencializou o desastre. E o incêndio colocou em xeque a imagem passada pela Liesa, órgão que organiza o carnaval do Grupo Especial, de que é algo moderno e profissional. Quem vive o dia a dia do samba sabe que não é bem assim, mas agora isto ficou claro para o grande público.


Como se vê na foto acima do barracão da União da Ilha, pouco se salvou. A escola insulana perdeu três mil  fantasias e partes de duas alegorias, inclusive a elogiadíssima aranha - que fotografei quando de minha recente visita. A Portela, embora tenha alegado que se queimaram 2,8 mil fantasias, segundo apurei este número é de cerca de 500 em sua totalidade e mais umas 200 de forma parcial. Sem danos significativos nos carros.

A Acadêmicos do Grande Rio, que viria para disputar o título, foi a mais afetada. Perdeu seis carros alegóricos - inclusive os chassis - e cerca de três mil fantasias.

Levando-se em conta que faltam 29 dias para o desfile, é praticamente impossível à agremiação caxiense refazer em condições mínimas seu carnaval. As outras duas também saíram prejudicadas - até porque perderam todo o maquinário de elaboração de fantasias, que não é de fácil reposição - mas teriam condição de colocar um carnaval digno na avenida, não para disputar os primeiros lugares mas com condições de evitar tranquilamente um eventual rebaixamento.

Em especial a Portela, que estava com os carros mais atrasados - como sempre - teria totais condições de fazer um desfile melhor até que pelo menos os últimos anos. Sua perda foi pequena e poderia ser perfeitamente contornada. Mas...


A lambança

Firmou-se durante a segunda feira um consenso: o julgamento seria realizado normalmente e não haveria rebaixamento, para preservar em especial a Grande Rio, escola mais afetada e que teria extrema dificuldade em colocar algo decente na rua para seu carnaval. Era o mais simples e o mais sensato. 

Entretanto, em reunião realizada na sede da Liesa na noite de segunda, tomaram-se algumas decisões esdrúxulas: não haveria rebaixamento - até aí, tudo bem - a Portela foi obrigada a trocar de dia de desfile com a Mocidade Independente e, o mais incrível: as três escolas não seriam julgadas.

Isso mesmo: o trabalho de um ano, ainda que prejudicado, simplesmente não seria avaliado. As escolas passariam "por passar", impedindo o que poderia ser uma demonstração de superação e garra das agremiações. Também não poderiam participar do Desfile das Campeãs.

Imagine o leitor que o incêndio afetou dois quesitos dos dez em julgamento: alegoria e fantasia. À noite, a Liga queimou os outros oito, como bem lembrou o amigo e especialista em carnaval Fábio Pavão. Imagine também o leitor quem comprou fantasias das escolas e agora sabe que não somente irá se exibir sem poder defender seu pavilhão em busca de um bom resultado como não terá chance de desfilar no sábado postrerior ao carnaval.

Imagine o leitor uma situação como a minha: eu venho - viria, mas esta é outra história - em duas escolas: a Portela do coração e a União da Ilha de adoção. De antemão já sei que posso marcar um chope com os amigos no sábado do Desfile das Campeãs, pois nenhuma das duas será julgada e não poderei voltar à avenida neste dia.

Para mim isso nem importa muito - basta ver o número de vezes em que desfilei no sábado seguinte - mas para um desfilante que não acompanha o dia a dia isso faz muita diferença. Além disso, a bateria não será julgada, o casal de mestre sala e porta bandeira também não, e la nave va...

Outro absurdo foi a troca entre Portela e Mocidade de dias de desfile. O torcedor que se programou e comprou ingresso apenas para o desfile de uma destas escolas agora está sem ter o que fazer. Basta lembrar o exemplo dos "Guerreiros da Águia", torcida organizada portelense, que comprou cerca de 400 ingressos para o desfile de segunda feira e agora não sabe o que fazer. Mas, para a Liesa, o que importa é o turista: o sambista ou carioca que se dane. E a Mocidade Independente ganha uma vantagem imerecida, de desfilar em uma das posições mais nobres do desfile.

A versão para estas idéias esdrúxulas é que teriam vindo prontas na reunião, decidida pelos patronos da Beija Flor Anísio, pelo presidente da Liesa Castanheira e pelo "Capitão Guimarães" em conjunto com o prefeito Eduardo Paes, e imposta às demais escolas. O certo é de que os presidentes das escolas afetadas, por seus motivos, acataram a decisão.

Teremos um desfile, na prática, com nove escolas, e com uma competitividade bem menor que em outros anos. Em 2012 serão 13 escolas, descendo duas para voltar ao (insuficiente, a meu ver) número de 12 agremiações para 2013.

Em resumo, fizeram uma lambança monumental, que tira boa parte da competitividade do carnaval de 2011 e mata os sonhos de milhares de profissionais, desfilantes e apaixonados em ver suas escolas brilharem no carnaval. Eu entre eles.


O Covarde

Bom, este título pertence ao Presidente da Portela, Nilo Figueiredo, pela sua postura lamentável, em todos os sentidos, no episódio.

Primeiro ao tentar entrar no barracão em chamas e para isso criar uma tremenda confusão com os bombeiros e a Guarda Municipal, resultando em dois diretores da escola presos. Segundo com o episódio de outro diretor flagrado com uma grande quantidade de dinheiro vivo dentro da cueca - diz-se que para pagar funcionários. 

E termina com o papelão exercido na reunião da Liesa, onde não somente aceitou de bom grado trocar uma posição excelente de desfile por uma ruim como aceitou, apoiando, o não-julgamento da escola. Foi a primeira vez onde vi todos os segmentos da escola discordarem do presidente, inclusive seu braço direito, o diretor de carnaval Júnior Scafura.

O leitor mais atento sabe que venho aqui apontando as mazelas da administração Nilo Figueiredo. Mas o que ocorreu ontem foi um desrespeito à história da escola, que sempre se notabilizou pelos fundamentos e pelo "ideal de competir".

Obviamente que para o presidente da Portela a decisão foi extremamente conveniente: ele não precisa terminar o carnaval e pode jogar a culpa no incêndio - que, repito, afetou em pequenas proporções a escola. Em uma gestão marcada por suspeita de uso ineficiente de recursos, para se dizer o mínimo - basta ver as alegorias e fantasias mequetrefes ano após ano e os rotineiros atrasos de barracão - ele pode pegar os R$ 750 mil que serão dados como suplementação pela Prefeitura do Rio de Janeiro e guardar para utilizar mais tarde, ou dar outros fins - como maquinário...

A decisão de abaixar a cabeça como cordeirinho e só pensar em sua conveniência não é próprio da Portela, Presidente. Antonio Caetano, um dos fundadores - que o senhor não deve conhecer, dado o seu desprezo pela história da escola - concebeu a águia como seu símbolo por ser a ave que voa mais alto. O senhor jogou no lixo o nome da Portela ao não somente permitir como apoiar esta decisão de não ser julgada.

Mais que isso: foi uma demonstração de falta de confiança em sua própria comunidade, em sua própria equipe, em seu próprio componente, que ia levar a escola com garra, uma vez mais, e levar a Portela a lugar merecido por eles - não pelo senhor.

O senhor não tem estatura moral para comandar a Portela, presidente. Ainda mais depois da demonstração de arrogância dada ontem, ao comentar manifesto do Grupo PortelaWeb - entre os quais me incluo - criticando a sua decisão: "não quero saber da opinião de ninguém. Eu sou o Presidente e decido. Escola não compete".

Não pude participar da confecção do manifesto - estava em trânsito ontem, retornando ao Rio de Janeiro - mas endosso cada palavra da equipe, formada não somente por torcedores como boa parte deles sócios com direito a voto - entre eles eu. Vale a leitura.

Complementando, algumas perguntas sem resposta:

1) Quando foi a assembléia de sócios que alterou o estatuto a fim de permitir uma segunda reeleição? Sou sócio da escola e a última convocação para assembléia que recebi foi em 2008.
2) Por que a escola sempre tem o barracão mais atrasado?
3) Por que sempre temos as alegorias mais mequetrefes do carnaval carioca, todo ano?
4) Quando teremos uma prestação de contas pública?
5) Quando sairá a obra da quadra, que está abandonada?

Amigos, é isso. Meu coração portelense está bastante indignado, para dizer o menos.


quarta-feira, 10 de junho de 2009

Samba de Terça

Bom, na nossa série "Samba de Terça", hoje trazemos um samba do tempo em que a Acadêmicos do Grande Rio não baseava sua presença na mídia pelo fato de ser "a escola dos artistas".

Na década de 90, a escola trouxe uma sequência de bons sambas para a Avenida Marquês de Sapucaí, e trago aqui o primeiro desta série: "Águas Claras para um Rei Negro", de 1992, que deu à escola o passaporte definitivo para o Grupo Especial.

O enredo, de autoria dos carnavalescos Sônia Regina e Lucas Pinto, fazia relação entre o culto ao Orixá "Oxalá" e a liberdade do povo brasileiro, em especial a do negro. Seu objetivo, de acordo com a sinopse - que você pode encontrar no ótimo "Galeria do Samba" - era despertar o patriotismo do brasileiro, "que ama a sua terra e espera dela o melhor para si e seu semelhante"

O samba, de autoria de G. Martins, Adão Conceição, Barbeirinho e Queiroz, tem a seguinte letra:

É hora de seguir com fé
E pedir axé, para o deus maior
Chega, de violência, sofrimento e dor
O pelourinho ainda não findou
Para os ocultos opressores da nação
Há de vir um negro rei, para purificar
Nossa libertação com as águas de Oxalá
Sapucaí, meu quilombo (vou cantar)
Grande Rio é a bandeira (vou lutar)
se é isto que nos resta
Vamos fazer nossa festa
Nos costumes de além-mar

Tem frutos da natureza
É bom demais (bis)
Vamos dar em oferendas
Para o rei dos Orixás

Todo mundo quer saber, quer saber
Da real libertação
O anseio de um povo
De nascer um Brasil novo
Livre dessa servidão
Será, que quem traçou nosso caminhos
Deixou outro pergaminho pra nova libertação
Voa divina pomba da paz, igualdade vê se traz
Para todos eu espero
E quando esse milagre então fluir
Todos vão se juntar se produzir
Nas cores verde e amarelo
(Porque)

Para ser livre
Nunca é tarde demais (bis)
Onde há fé e esperança
A crença não se desfaz

O MP3 do samba pode ser ouvido aqui. Coloquei um link do Youtube com um trecho do desfile.

A escola foi a grande campeã do Grupo de Acesso A na manhã do domingo de carnaval, com 316 pontos, garantindo a sua ascensão definitiva para o Grupo Especial, o Olimpo das escolas de samba cariocas.

O curioso é que o samba não ganhou o "Estandarte de Ouro" de melhor samba do Grupo de Acesso, que ficou com o belo samba do Império Serrano. 1992 talvez seja a melhor safra da história deste grupo.

Semana que vem, vamos viajar à década de 80, com um samba de que gosto muito: Estácio de Sá 1985, "Chora Chorões".