segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Promoção Carnavalesca


Bom, este blog não podia ficar de fora da festa de Momo. Então, temos uma promoção para o folião e leitor do Ouro de Tolo.

O desfile do Grupo de Acesso B, na terça feira de carnaval na Marquês de Sapucaí, é considerado por muita gente como o mais agradável da festa. São escolas que ainda desfilam à moda antiga, com mais samba no pé e menos alegorias e fantasias luxuosas.

Em parceria com a diretoria da União de Jacarepaguá, décima escola a desfilar, estaremos sorteando duas fantasias (acima) para foliões interessados em se divertir muito na Marquês da Sapucaí. Basta deixar um comentário com nome, e-mail e indicar um samba enredo inesquecível.

Também sortearei dois exemplares do CD de sambas enredo do Grupo Especial.

A agremiação tem como enredo a feijoada e a ala representa o cassoulet, a "feijoada chique" francesa.

Participe!

Incoerência Ideológica


A notícia da última semana do espectro político foi a decisão do prefeito paulistano Gilberto Kassab de se desfiliar do DEM, seu partido. Sua avaliação é de que estaria sem espaço na legenda, além de não estar na base de apoio à presidenta Dilma Roussef.

Até aí, nada muito anormal. Trocas de partido são razoavelmente comuns, apesar da recente lei que freou a farra que havia anteriormente. O mais incrível, contudo, são as opções aventadas pelo prefeito de São Paulo para sua nova filiação partidária.

A primeira é a fundação de um novo partido, provisoriamente chamado de PDB - Partido da Democracia Brasileira. Seria uma legenda de centro direita, agregando aqueles descontentes com a dicotomia entre PT e PSDB no campo partidário. Buscaria ser uma terceira via construindo um novo caminho programático. Normal, também.

O incrível, porém, é a outra opção, considerada a mais provável: a filiação ao PSB, Partido Socialista Brasileiro. Isso mesmo: o prefeito paulista, que tem uma atuação política notadamente de direita, de defesa da propriedade e das elites, quer se filiar ao Partido Socialista! Certamente Marx e Engels, onde quer que estejam, devem estar se perguntando o que está acontecendo - e onde erraram.

Entretanto, vale dizer que o Partido Socialista Brasileiro, aqui no Brasil, é mais uma legenda de centro que qualquer outra coisa. Tendo como principal liderança o governador de Pernambuco Eduardo Campos, é uma linha auxiliar do PT, um pouco mais ao centro - o partido da Presidenta Dilma Roussef ocupou o campo da centro esquerda social democrata.

Ou seja, me parece mais um caso de partido cujo nome 'está inadequado' que propriamente uma questão de incoerência. A questão é que os partidos, no Brasil, guardam pouca semelhança com seus programas e sua forma de atuação.

Basta lembrar que o PSDB tem "social democracia" no nome mas na verdade representa os interesses da elite americanófila e excludente - nada mais oposto à sua denominação. O DEM, Democratas, é a direita excludente.

O próprio PT hoje é muito mais um partido de burocratas que "dos trabalhadores" - embora deve se ressalvar que as políticas keynesianas e sociais democratas do partido tenham beneficiado os trabalhadores e criado um mercado consumidor de massa no Brasil.


Ainda tem mais. Outras notícias dão conta que a senhora acima, a senadora Kátia Abreu, representante dos interesses mais oligárquicos, reacionários e elitistas brasileiros também deve se desfiliar do DEM e entrar no... PSB!

A senadora é o que temos de mais próximo ao movimento americano denominado "Tea Party", que prega a retirada do Estado da vida dos cidadãos e a desregulamentação total, em linhas gerais. Como uma política com estas posições vai se filiar a um partido socialista, que tem como base justamente a presença do Estado em todos os setores da economia?

Sinceramente, não entendo. Se a senadora em questão é "socialista", eu, que sou social democrata da linha keynesiana, passo a ser um comunista da linha trotskista, ou seja, a extrema esquerda. Ela está na extrema direita, eu na centro esquerda, e quer entrar no partido socialista?

São dois bons exemplos de um problema sério da política brasileira: o personalismo. A política é feita muito mais com base em nomes que em programas ou idéias. Então temos estes tipo de aberração.

Por essas e outras que uma reforma política se faz necessária no Brasil.


domingo, 27 de fevereiro de 2011

Bissexta - "Bacharel e Advogado, cada um no seu quadrado"


Neste último domingo antes do carnaval, a coluna "Bissexta", do advogado Walter Monteiro, versa sobre a exigência do exame da Ordem dos Advogados do Brasil para o exercício da profissão. Passemos ao texto, até porque em minha visão de leigo prefiro me abster de maiores comentários sobre o assunto.

Bacharel e Advogado, cada um no seu quadrado

Embora passe despercebida para a maioria da população, é crescente uma movimentação destinada a acabar com o chamado “Exame de Ordem”, que é a prova aplicada pela OAB cuja aprovação permite a um graduado em Direito exercer a advocacia. Um desembargador federal, nem me lembro bem de onde, chegou a deferir a uns espertinhos o direito de exercer a advocacia sem passarem na prova, com o inacreditável argumento de que só as instituições de ensino é que podem avaliar a competência da cultura jurídica dos formados em Direito.

Diante de tamanha aberração e consciente de que o meu desempenho acadêmico na faculdade era, ao menos, razoável, pensei até em pegar um avião e me deslocar até a sede daquele tribunal para exigir que me titulassem membro da Corte, pois senhores tão liberais que enxergam inconstitucionalidade em qualquer exigenciazinha de exercício profissional por certo iriam concordar que eu exercesse a judicatura mesmo sem ter feito qualquer prova.

Há até um tal MNBD – Movimento Nacional de Bacharéis em Direito, criado com o objetivo de combater a “injustiça” do Exame de Ordem. Não dou muita bola para eles, até porque, do pouco que vi, notei que os moços têm uma dificuldade tão grande com a palavra escrita que abandonei seus arrazoados logo nas primeiras linhas.

Eu tenho um montão de anos na advocacia...20 anos, para ser mais preciso! Tenho a sorte de lidar com uma equipe razoavelmente grande de profissionais, pois a firma em que trabalho emprega mais de 150 colaboradores, em suas três unidades. Ao contrário de mim e de uns poucos sobreviventes, a maioria da equipe é marcadamente jovem. Isso me obriga a estar à frente de constantes processos de recrutamento e seleção de novos profissionais, para repor os que abandonam o barco por inúmeras razões. Não exigimos experiência prévia e nem mesmo um vasto conhecimento jurídico, apenas uma prova muito simples do beabá da advocacia contenciosa e uma redação de assuntos gerais. Nada é mais frustrante do que ler as provas dos candidatos... Raros, raríssimos mesmo, são aqueles que conseguem escrever um texto de dez parágrafos com começo, meio e fim, respeitando as regras ortográficas e gramaticais.

Isso, para mim, acima de qualquer discussão pseudo científica acerca da constitucionalidade ou não da exigência do exame, é um dado da realidade a gritar que alguém precisa evitar que a advocacia passe a ser exercida por analfabetos funcionais – porque pode ser duro, triste e inconveniente tocar nesse assunto, mas as faculdades de Direito da atualidade entregam milhares de diplomas para analfabetos funcionais (a definição conceitual de analfabetismo funcional é a capacidade plena de leitura sem a capacidade de interpretação de textos). Vou repetir, para que não fique nenhuma dúvida do que quero dizer: há milhares de estudantes e graduados em Direito que simplesmente não conseguem compreender um texto simples.

São poucos – se é que existem – os lugares do mundo em que o exercício da advocacia é uma consequência automática da mera graduação em Direito. A rigor, a legislação brasileira é até branda: o Exame da Ordem exige apenas que o candidato acerte METADE de 100 questões de múltipla escolha na fase classificatória e que tire nota 6 na fase discursiva, onde responde a 5 perguntas e prepara um exemplo de uma petição judicial, sendo que na 2ª fase o candidato ainda escolhe a área do Direito sobre a qual quer responder e pode consultar livremente toda a legislação.

Olha, isso é uma moleza em comparação ao drama de colegas advogados de outros países. Em muitos lugares há até mesmo diferenças dentro da carreira advocatícia. O exemplo mais conhecido é o da Inglaterra, onde a carreira é dividida entre 'solicitors' e 'barristers'. Para exercer qualquer uma delas, o bacharel precisa ser aprovado pelo Colégio Profissional, sendo a principal diferença entre uma e outra o fato de que somente os barristers possuem licença para atuar nas instâncias superiores e, portanto, são mais valorizados. 

Quem quer se tornar um barrister precisa, primeiramente, ser aprovado em uma rigorosa prova que vai lhe dar o privilégio de frequentar  um curso de formação de 1 ano ou mais. Se ele for bem, ao final poderá se submeter ao exame de uma das 4 Sociedades capazes de conferir o grau de barrister, outra prova pra lá de cascuda. E nem assim o sujeito está pronto: ele precisará trabalhar como “pupilo” de um barrister mais experiente por 1 ano ou mais. Se tudo correr bem, o felizardo vira um junior barrister. Sim, porque as diferenças continuam – atuar na Corte Suprema e apagar o junior do cartão de visitas, só depois de 10 anos e comprovado sucesso na profissão, tanto assim que existem apenas pouco mais de mil profissionais nessa condição.

Na Alemanha, acreditem, é ainda pior. Há menos de cinquenta (!!!) advogados autorizados a atuar na Corte Suprema.

França, Espanha, Estados Unidos, Japão, China, Canadá, Nigéria, África do Sul, Coréia do Sul, enfim, onde eu olhei e pesquisei, encontrei exigências muito mais rígidas, sombrias e excludentes para a prática da advocacia. Melhor assim. Dependendo da sua magnitude, um processo judicial pode representar a diferença entre ser rico ou ser pobre, ser livre ou ser preso, ser indenizado ou não ser, ser feliz ou infeliz. E para quase todo mundo, o conhecimento de um advogado e a sua competência em conduzir uma causa são enormes pontos de interrogação.

Não deixa de ser um alívio que alguém se preocupe em indagar aos milhares de bacharéis formados a cada ano quais são as diferenças entre apelação, agravo, embargos e recurso inominado. Porque, não houvesse o Exame de Ordem, grassariam os casos de advogados que simplesmente não saberiam responder a algo tão singelo e rudimentar no cotidiano forense. Aliás, mesmo havendo o Exame... bom, deixa pra lá!


sábado, 26 de fevereiro de 2011

A Médica e a Jornalista - "Terremotos na Blogosfera"


Neste sábado anterior ao caranaval, temos mais uma edição da coluna "A Médica e a Jornalista", assinada pela profissional Anna Barros. O tema de hoje são os blogs e as influências que este tipo de mídia tem sobre a imprensa tradicional.

Devo ressalvar, porém, que documentos do Wikileaks recentemente divulgados dão conta de que Yoani Sanchez recebe apoio material e financeiro da CIA - a agência de inteligência norte-americana - na manutenção de seu espaço virtual. Ou seja, devemos olhar com atenção as opiniões dela, tendo sempre em vista este fator.

Feita a necessária ressalva, vamos ao texto.

"Terremotos na Blogosfera
             
Três fatos importantíssimos aconteceram na blogosfera nesse mês de fevereiro: a renúncia do ditador egípcio Mubarak, em que os blogs e redes sociais como Facebook e Twitter tiveram papéis preponderantes; a estréia da blogueira cubana Yoani Sanchéz como colunista de O Globo aos domingos na seção Opinião, no dia 6 de fevereiro, e a compra pela AOL do site Huffington Post por 315 milhões de dólares.

Para quem não sabe, o site, que era de propriedade de Arianna Huffington, é uma das maiores fontes de informação nos Estados Unidos, com blogueiros influentes e de opinião respeitável. E reúne várias informações, para todos os tipos e gostos, num site só.
             
Deixarei o efeito Mubarak um pouco de lado, visto que meu nobre editor Pedro Migão o tem explorado e bem no Ouro de Tolo, e irei me ater aos blogueiros - afinal sou blogueira há cinco anos.

Yoani Sanchéz, que escreve no seu blog 'Generation Y' desde 2005, e muitas vezes teve o mesmo embargado por autoridades cubanas por muito tempo e que foi exatamente desbloqueado no dia 9 de fevereiro, é uma fonte de inspiração para mim. Sua experiência, suas postagens muitas vezes com a ajuda de amigos, sua entrevista com Obama após seis meses de tentativas frustradas, sua luta por liberdade de expressão e pela democracia de idéias sempre me cativaram e me moveram a escrever a minha monografia sobre o tema: O blog e a sua importância na mídia, no qual tive a nota máxima e cujo texto se encontra disponível na biblioteca da FACHA. E ver Yoani num dos maiores jornais do País é um gol de placa do jornal e também dos blogueiros. Ela nos representa e pode ser considerada nossa porta-voz.
             
A questão que envolve Arianna é que ela disse que, após a venda para o AOL do site Huffington Post, pagaria aos blogueiros que lá escrevem. Eu sou a favor de remuneração a blogueiros porque é uma atividade profissional como outra qualquer, mesmo que seja movida por prazer e por necessidade de visibilidade de seus textos. E agora, os blogueiros reclamam que Arianna enviou um memorando dizendo que o serviço deles continuará gratuito. Pode ser que esse imbroglio ainda tenha uma reviravolta. Acompanharemos com interesse e de perto.
             
Muitos pensaram que, com o advento do Twitter, o microblog de 140 caracteres, os blogs perderiam a sua força, mas se vê o contrário. Eles têm o seu papel.

Eu mesma consulto vários blogs, de informação sobre esportes, um interesse particular, passando por este Ouro de Tolo, até blogs de modas e esmaltes - indo até blogs de tecnologia, uma verdadeira paixão. Os blogs são fontes confiáveis de informação, opinião e de bom jornalismo. Nos Estados Unidos, além do Huffington Post, há também os blogs do New York Times, um site jornalístico que eu frequentemente visito e de excelente qualidade.
           
O blog é uma grande arena de debate de ideias. Uma espécie de ágora grega dos tempos atuais em que o debate é público, democrático e há a perfeita interação entre blogueiros e leitores e leitores com seus congêneres criando uma espécie de comunidade, mais eficiente até do que aquelas do quase falecido Orkut e que o Facebook tenta explorar também; mas honestamente não sei se terá o mesmo sucesso que tem com o bate-papo e com o envio de mensagens privadas que muitas vezes substituem até o e-mail.

Comecei a blogar inspirada pelo 'Zico na Rede' em 2006, na Copa do Mundo da Alemanha, e não mais parei. Hoje escrevo em dois blogs pessoais, o 'Blog da Anninha' e o 'Poltrona de Cinema', e com muito orgulho aqui no 'Ouro de Tolo', a meu ver um dos melhores blogs cariocas, discorrendo sobre os mais variados assuntos.
         
Penso que esse canal democrático devia se estender a todos. Todos deveriam ter um blog para escrever sobre o que tivessem vontade. Não seria um divã ou algo estritamente confessional,que é a visão dos primórdios do blog, mas uma forma digna de se manifestar, de marcar a sua presença no mundo, de informar. Opinar, discutir e marcar posicionamentos. Recomendo a todos que bloguem, sempre. A força é tão grande que já existe um verbete blogar no dicionário Aurélio.
         
E voltando à Yoani Sanchéz, ao ter uma coluna em um jornal de expressão como O Globo, ela se torna uma pioneira nessa ponte blog-impresso fazendo com que se torne uma ativista híbrida e também de cunho não só social e político, mas econômico pois incrementa seus rendimentos [N.doE.: de acordo com o Wikileaks sabe-se agora que a maior parte dos rendimentos vem da CIA], já que ela vive disso como atividade principal e seu marido também é blogueiro. A atitude do jornal é louvável e admirável. Tem como acessar o Generacion Y e o twitter de Yoani: @yoanisanchez.  Vale a pena visitar o blog e segui-la.
        
Os blogs vão alçar voos cada vez mais altos e não eliminarão os jornais impressos, mas serão complementares a eles, numa plataforma mais que multimídia. Já há links nos jornais de blogs de colunistas ou informações adicionais em sites e blogs para estimular cada vez mais essa interatividade entre leitor e jornalista. A grande revolução do processo comunicacional foi que o receptor da mensagem não é mais só passivo e sim ativo porque ele opina e interage. Ele não recebe mais a informação passivamente, ele interfere nela. E os blogs foram e são os grandes pilares dessa extraordinária mudança.

Até a próxima!
Anna Barros"


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Final de Semana - "Explode Coração"



Nossa música para o final de semana surgiu de uma conversa, pelo Twitter, com a amiga Stella. Falávamos sobre as interpretações de músicas de Chico Buarque feitas magistralmente por Maria Bethânia - a meu ver a melhor intérprete do maior compositor de todos os tempos da música brasileira.

Foi então que me lembrei de uma versão interpretada "à capella" (sem nenhum acompanhamento, somente voz) da cantora, interpretando "Explode Coração", do imortal Gonzaguinha.

Divido com vocês a versão, que tive o privilégio de ver ao vivo. É de arrepiar.

"Explode Coração

"Chega de tentar dissimular e disfarçar e esconder
O que não dá mais pra ocultar e eu não posso mais calar
Já que o brilho desse olhar foi traidor
E entregou o que você tentou conter
O que você não quis desabafar e me cortou

Chega de temer, chorar, sofrer, sorrir, se dar
E se perder e se achar e tudo aquilo que é viver
Eu quero mais é me abrir e que essa vida entre assim
Como se fosse o sol desvirginando a madrugada
Quero sentir a dor desta manhã

Nascendo, rompendo, rasgando, tomando, meu corpo e então eu
Chorando, sofrendo, gostando, adorando, gritando
Feito louca, alucinada e criança
Sentindo o meu amor se derramando

Não dá mais pra segurar, explode coração..."


Jogo Misto - Luiz Fernando Reis


Luiz Fernando Reis, cinquentão, carnavalesco que revolucionou o carnaval carioca com enredos irreverentes como "E Por Falar em Saudade", na Caprichosos, e com temas reflexivos como "Templo Negro em Tempo de Consciência Negra", no Salgueiro - ambos retratados na série "Samba de Terça". Professor de matemática, boêmio e comentarista. 

E meu amigo há mais de dez anos, inclusive me propiciando uma experiência ímpar no carnaval carioca - desfilar de grego, em uma roupa transparente, em um carro alegórico da Inocentes da Baixada em 2004... 

Luiz Fernando Reis, um dos próceres da história do carnaval carioca, é o entrevistado de hoje da coluna "Jogo Misto". Sua entrevista foi dada em áudio, que disponibilizo em duas partes aqui. Entretanto, faço um resumo das declarações abaixo, mas que não substitui o riquíssimo depoimento gravado.

Parte I:



Parte II



1 - De que forma o matemático e professor virou carnavalesco?

LFR - Explica que anteriormente ouvia os sambas e os imaginava em alegorias e fantasias. Ao ver a feira de Vila Isabel a imaginou como enredo e o apresentou na Unidos do Cabuçú e na Unidos de Cosmos até ser aceito na Caprichosos de Pilares (1982)

2 - "E Por Falar em Saudade" é um dos pontos altos de sua carreira. Como foi o processo de criação daquele carnaval? É verdade que Castor de Andrade estava preocupado na apuração?

LFR - O enredo surgiu em uma conversa com o parceiro Flávio Tavares em uma rodada de chope. Conta que a solidariedade do público foi muito grande - a escola iniciou o desfile às onze e meia da manhã  - e que o filho de Castor de Andrade temeu perder para a Caprichosos.

Relata também os elogios que ganhou do grande Fernando Pinto e que preferiu que a escola fosse declarada "campeã do povo" ao invés de ser campeã oficial.

3 - Como surgiu a idéia da faixa "Nem melhor, nem pior, apenas roubado" para o desfile das campeãs de 1989?

LFR - Afirma que a idéia foi do falecido patrono Miro Garcia e dá a entender que achou justa a colocação da escola. Elogia o Salgueiro e diz que foi seu melhor carnaval em termos plásticos.



4 - Como você avaliaria o momento atual da Caprichosos de Pilares?

LFR - Critica o Presidente Paulo de Almeida, diz que o tempo dele "já passou" e que a escola se ressentiu muito da última colocação em 2009 (acima), apesar do não rebaixamento.

5 - Como você avaliaria o desfile das escolas de samba nos dias de hoje? O que precisaria mudar?

LFR - critica o politicamente correto, os enredos burocráticos, a falta de ousadia e o conservadorismo. Diz que o modelo atual de poder onde o presidente "tem a chave da quadra em um bolso e o dinheiro no outro; às vezes usa o dinheiro na escola".

6 - Qual é a influência da internet sobre os desfiles atuais?

LFR - afirma que as pessoas sérias da internet devem ser mais ouvidas pelas escolas como uma forma de democracia. Cita textualmente o autor deste Ouro de Tolo, Fábio Fabato, Fábio Pavão, Eugênio Leal e Luis Carlos Magalhães como autores que devem e merecem ser lidos.

7 - O que você pensa a respeito da literatura disponível sobre carnaval?

LFR - diz que não é o mais importante e que tem "muito acadêmico que vai às quadras três vezes e acha que pode escrever sobre samba". Também diz que não há público leitor e que as escolas de samba são consideradas pela elite uma "coisa menor".



8 - Um desfile inesquecível. Por quê?

LFR - Caprichosos 82 e 85 e o inesquecível "Kizomba" - Vila Isabel 1988 (acima).

9 - Um samba inesquecível. Por quê?

LFR - "Chico Rei", Salgueiro 1964.

10 - Um livro inesquecível. Por quê ?

LFR - Declara que leu "meia dúzia de livros na vida", questiona o conceito de que aqueles que lêem são mais inteligentes e acha suas apostilas de Matemática inesquecíveis.

11- Uma canção inesquecível. Por quê ?

LFR - "Andança" e "Pra Não Dizer que Não Falei das Flores".

12- Livro ou filme ? Por quê?

LFR - filme, mas não gosta de ficção;

13 - Finalizando, com os agradecimentos do Ouro de Tolo, algumas poucas palavras sobre o blog ou seu autor/editor

LFR - elogia o trabalho que venho desenvolvendo aqui e no Galeria do Samba e pede que o Ministério Público veja o que ocorre nas escolas de samba.

(Foto: Acesso B, 2007)


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Cinecasulofilia - "Filmes Brasileiros do Coração"


Na quinta feira - amanhã teremos mais uma entrevista da série "Jogo Misto" - mais uma edição de nossa coluna sobre cinema, a Cinecasulofilia. Como sempre, texto assinado pelo professor, cineasta, crítico e desfalque irreparável no carnaval carioca Marcelo Ikeda, e em parceria com o blog de mesmo nome.

Filmes brasileiros do coração 
 
A Filme Cultura fez uma enquete dos “filmes brasileiros do coração”. Eis  abaixo a minha lista individual. As demais listas podem ser vistas aqui

Antes de serem os filmes brasileiros mais relevantes de sua história, esta é uma lista dos filmes que mexeram comigo, que me fizeram ser uma outra pessoa logo após sua exibição, que permanecerão comigo como uma tatuagem em minha alma. Ei-los:

1 – Aopção, de Ozualdo Candeias
O grande filme esquecido do cinema nacional. O Brasil sem paternalismo. A opção de Candeias. Um cinema radical e solitário.

2 – Limite, de Mario Peixoto (foto)
À frente de seu tempo. Rigor e vigor. Um filme definitivo. Uma ilha no cinema brasileiro.

3 – Estética da Solidão, dos Irmãos Pretti
Antecipa o jovem cinema contemporâneo brasileiro em dez anos. Para mim, abriu uma possibilidade sem fim: fazer tudo com nada; um cinema de tudo ou nada. Sem concessões. Sem anestesia. Somente a solidão, que escorre na duração de cada plano.

4 – Estranho Triângulo, de Pedro Camargo
Pedro Camargo é um grande cineasta brasileiro incompreendido. Um filme feito com o coração, com a cabeça e com o sexo. O Kane brasileiro: Rosebud e os castelos de areia. Tudo o que se pode esperar de um primeiro filme: uma declaração de princípios. Como típico filme de Pedro Camargo, um falso filme de gênero (ou um falso filme de produtor) sobre o fim do sonho do progresso brasileiro.

5 – Crônica de um industrial, de Luiz Rosemberg Filho
O canto do cisne do cinema novo. O decadentismo à la Visconti. Fusão ambígua entre o cinema novo e o cinema marginal. Profunda declaração de contas pessoal. O mais belo filme amargo do cinema brasileiro.

6 – O Bravo Guerreiro, de Gustavo Dahl
Um filme visionário, à frente de seu tempo. Um documentário sobre a história política do cinema brasileiro: Pereio é Dahl dez, vinte, trinta, quarenta anos depois. Um filme atual, sempre. O grande final do cinema brasileiro.

7 – Vilas Volantes – o verbo contra o vento, de Alexandre Veras
O mais importante filme da história do cinema cearense. Memória e processo. Sokurov e Tarkovski nas areias do interior do Ceará. Tudo se esvai menos a beleza do momento. O início de novos rumos para o cinema contemporâneo brasileiro.

8 – Matou a Família e Foi ao Cinema, de Julio Bressane
Uma elegia ao desespero. O cinema pode ser tudo se se entregar ao verdadeiro. Um belo filme sobre a tragicidade da beleza de um encontro sem volta. O amor e a morte. A morte de um cinema por um ato de amor.

9 – O velho e o novo, de Maurício Gomes Leite
A vitória da palavra contra o silêncio, do tempo contra a morte, da liberdade contra o medo, do pensamento contra a clausura. Um enorme filme sobre a liberdade deste injustiçado que é Maurício Gomes Leite.

10 – Serras da Desordem, de Andrea Tonacci
Depois de mais de trinta anos sem realizar um longa de ficção, Tonacci mostra que permanece à frente de seu tempo. Um filme definitivo sobre o Brasil. Um filme sobre o paraíso perdido. Tonacci, Carapiru, nós, o Brasil.
 

A televisão, a liga de clubes e manobras de bastidores




Bom, o leitor deve ter percebido que o post de ontem foi ficando desatualizado durante o dia, dada a profusão de novas notícias durante esta quinta feira. Peço desculpas aos leitores por não conseguir escrever uma ementa durante o dia de ontem, mas estava bastante atarefado.

A principal delas foi que, liderados por Flamengo e Corínthians, onze clubes decidiram negociar por conta própria os direitos televisivos para as temporadas de 2012 a 2014 do Campeonato Brasileiro. Como escrevi ontem, em especial o rubro negro e o time da Marginal Tietê consideram que terão maiores ganhos com um acordo solitário e em separado.

Inicialmente, os quatro grandes clubes do Rio de Janeiro divulgaram uma nota anunciando a sua desfiliação do Clube dos 13 e que negociariam em separado os direitos de televisão, provavelmente somente com a Rede Globo. O Corínthians e mais nove clubes os seguiram na decisão.

Posteriormente os clubes cariocas foram informados de que não poderiam desfiliar-se por terem uma dívida somada de aproximadamente R$ 60 milhões. Tal dívida provém de adiantamentos de cotas de tevê repassados aos clubes, que não teriam nada a receber neste ano de 2011. Contudo, a decisão de negociar os valores televisivos de forma separada mantém-se.

Como expliquei ontem, por trás disso temos o presidente da CBF e a maior rede de comunicações do país, buscando manter o controle e o monopólio sobre o futebol. Ainda que obrigada pelo Cade e negociar de forma separada as diversas mídias, vejo nesta "rebeldia" a tentativa de manter o controle total das imagens - dando um "drible" nas determinações do órgão de defesa de concorrência - continuando a ter o direito de colocar as partidas no dia que quer, no horário que quer. Um bom exemplo disso foi ano passado o Flamengo ter sido obrigado a jogar uma partida decisiva pela Taça Libertadores às quatro da tarde de um quinta feira, dia útil - e o empate naquela ocasião quase eliminou o time.

Entretanto, se não houver uma composição - com todos os clubes rejeitando a concorrência e renovando o contrato, em todas as mídias, mesmo se sujeitando a posteriores contestações judiciais - teremos a seguinte situação: os onze clubes assinando com a Globo e pelo menos São Paulo e Atlético Mineiro com a Record, por exemplo, fora os demais que se encontram indecisos. Em partidas entre equipes de diferentes emissoras os dois clubes tem de autorizar a transmissão, o que pode gerar um imbróglio de proposrções inimagináveis.

Ao contrário da Europa, onde os direitos são do time mandante, aqui a legislação do direito de arena exige que as duas equipes autorizem a transmissão. Na hipótese, em minha opinião remota, de negociações individuais isso deve gerar uma tremenda confusão.

Vamos aguardar os desdobramentos. O que me parece é que a manobra comandada por Ricardo Teixeira e Marcelo Campos Pinto (executivo chefe da emissora para o assunto) teve sucesso absoluto, impedindo a concorrência e estabelecendo um "feudo" absolutista. Em minha modesta opinião, perde o futebol  pois não maximiza a renda e sua exposição em uma eventual licitação; e perde especialmente o consumidor, que não terá suas preferências consideradas na hora da definição de datas e horários de partidas.

Que fique claro que não sou a favor ou contra determinada rede de televisão. Sou a favor da concorrência e contra o monopólio. Se a Rede A, B ou C é melhor para os clubes e o consumidor, que mostre isso em uma licitação, não em manobras palacianas. É o que acho.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A televisão, a liga de clubes e o Brasileiro de 1987


Sem dúvida alguma, a notícia esportiva desta semana foi finalmente o reconhecimento de que o Flamengo é o campeão brasileiro de 1987 (acima, pôster do time campeão). Entretanto, não falarei sobre o fato em si, mas sobre o que tal súbita mudança de posicionamento da CBF faz perceber nas entrelinhas.

O que está em jogo neste processo são duas coisas: a tentativa por parte do Clube dos 13 de fundar uma liga independente para gerir o Campeonato Brasileiro e, mais que isso, a renovação próxima dos direitos de televisão para o triênio 2012/13/14.

Ao contrário do processo anterior, onde os direitos referentes à televisão aberta, fechada, pay per view e internet foram vendidos "em bloco", para a próxima negociação cada "fatia" será vendida separadamente. Isso tem dois objetivos: maximizar a renda proveniente da venda dos direitos e permitir que mais empresas possam participar da licitação.

Vale lembrar ao leitor que o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), órgão que regula a concorrência e sua defesa no Brasil, ano passado decidiu que a Rede Globo não teria mais o direito de cobrir todas as demais propostas que fossem apresentadas ao término da licitação, como era feito anteriormente. Isso desestimulou as concorrentes a apresentarem propostas por ocasião da última concorrência, e a Rede Globo manteve seu monopólio.

Com a decisão do Cade, a expectativa é de que a Rede Record de Televisão apresente uma proposta considerada financeiramente imbatível para a televisão aberta: aproximadamente R$ 1 bilhão pelos três anos de contrato - aproximadamente o dobro do valor atual, e isso consideradas todas as mídias citadas anteriormente. E acena com uma proposta altamente tentadora tanto a clubes quanto aos torcedores: fazer a transmissão dos jogos noturnos às 20 horas, ao contrário do "horário de boate" atual das 22 horas - e que a detentora atual dos direitos estuda levar para as 22 horas e trinta minutos para não ter de mexer na duração do capítulo da novela.

Esta mudança de horário é benéfica tanto a clubes quanto a torcedores. Aos clubes porque aumenta a visibilidade, a audiência e o público nos estádios - já escrevi aqui anteriormente sobre a dificuldade que é ir ao maracanã, por exemplo, para um jogo às 22 horas. Ao torcedor porque fica mais viável ir ao campo de jogo e mesmo aqueles que assistem pela televisão não precisam ter uma noite mal dormida para acompanhar o seu time pela televisão. A rede afirma ter uma pesquisa indicando que o público que vai aos estádios prefere este horário de balada, mas pessoalmente acho difícil: conheço muita gente e todo mundo, sem exceção, abomina a "Sessão Corujão" em que se transformaram os jogos noturnos na televisão aberta.

Além disso, a emissora paulista acena com a possibilidade de "girar" a sua programação jornalística às quartas e quintas em função das partidas, o que aumentaria a visibilidade dos clubes, em especial dos times de menor expressão - cujos jornais locais cobririam os clubes locais.

A Rede Globo acena com uma proposta bem menor financeiramente e não admite mexer em sua programação em função do futebol. Ao contrário, quer levar as partidas para um horário ainda mais tarde a fim de privilegiar a novela "das oito", que hoje começa por volta de nove e quinze da noite. Seus diferenciais seriam a já consolidada audiência e algumas novidades tecnológicas que a emissora estuda implantar nas transmissões.

Outro ponto que deve ser considerado é a parceria entre a emissora carioca e a CBF, em especial o presidente da entidade Ricardo Teixeira. Seu grande aliado no Clube dos 13 é o presidente do Corínthians, que deseja uma fatia maior da verba e maior poder dentro do Clube dos 13. Entretanto, o clube paulista sozinho não teria poder de contrabalançar os demais, então havia a necessidade de se aliar ao Flamengo, o maior clube do país - com se viu na recente candidatura fracassada do Sr. Kleber Leite à Presidência.

Qual foi a moeda de troca? O reconhecimento do Brasileiro de 1987.

Com isso, Flamengo, Corínthians, CBF e Traffic - outra importante peça deste quebra-cabeças e quem viabilizou financeiramente a vinda de Ronaldinho Gaúcho para o clube rubro negro. Penso eu que a idéia é um "racha" na entidade em caso de derrota da proposta global - que acena com parcelas maiores aos dois clubes - com os dois gigantes partindo para negociar separadamente seus direitos de televisionamento.

Apoiado pela dupla Flamengo e Corínthians, as duas maiores torcidas e "trens-pagadores" do campeonato, a CBF busca também implodir a proposta de um campeonato brasileiro autônomo, organizado exclusivamente pelos clubes - o que retira tremendamente poderes da confederação. De certa forma, ao que parece iremos assistir novamente ao filme de 1987, onde a CBF sufocou a tentativa de independência dos clubes - gerando uma tremenda confusão que se arrastou até os dias de hoje.

Menor, mas importante, é o fato de que não irei me surpreender nem um pouco se o Flamengo passar a ter arbitragens "simpáticas" no Brasileirão que se aproxima - como já ocorreu com o time paulista em 2010. É o jogo de poder, o jogo de pressão, e os maiores aliados dos mandarins de nosso futebol são o rubro negro e o time da Marginal Tietê. Infelizmente é assim que a banda toca - quem pode mais chora menos. Camisa vale.

Finalizando, espero que esta negociação melhore um pouco as transmissões em pay-per-wiew, que hoje são muito ruins. O Campeonato Carioca vem sendo transmitido com pouquíssimos jogos, apenas três câmeras na maioria das partidas e equipe reduzida, muitas vezes formada por profissionais que não são do primeiro time da emissora responsável. Há uma clara preferência pelo mercado paulista - um São Bernardo e Grêmio Prudente é mais importante que um Flamengo e Vasco, por exemplo.

Vamos aguardar os acontecimentos. Voltarei ao palpitante tema.

P.S. - O editor especial da Rede Record e meu amigo Marco Aurélio Mello escreveu uma série de artigos bem interessante sobre o assunto em seu "DoLadoDeLá". Recomendo a leitura.


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Samba de Terça - "A toda hora rola uma história, com samba e chorinho de Paulinho da Viola"



Nesta última coluna antes do carnaval - semana que vem teremos um "guia prático do desfilante" - a coluna traz um samba e desfile que eu estive presente como integrante, tal e qual ano passado.

Após algumas semanas tratando de escolas que estão em nosso Grupo Especial ou nela estiveram muito tempo, voltamos a enfatizar uma escola do grupo de acesso: a União de Jacarepaguá e sua homenagem ao grande Paulinho da Viola no carnaval de 2009.

A escola de Campinho vinha mantendo uma regularidade nesta primeira década do terceiro milênio. Após atravessar uma década de 90 nos grupos inferiores, a escola voltou à Marquês de Sapucaí em 2000 e esteve se alternando entre os Acesso A - entre 2001 e 2005 - e depois o Acesso B.


Com poucos recursos, após o rebaixamento de 2005 a escola vinha sofrendo para se manter no Grupo de Acesso B, tendo sido quase rebaixada em 2006 e ocupado colocações na metade inferior da tabela nos carnavais de 2007 e 2008.

Para 2009, a escola optou por escolher um enredo forte, de apelo, e que trazia uma história que pouca gente conhecia: antes de se eternizar na azul e branco de Madureira, Paulinho da Viola havia sido integrante da União de Jacarepaguá. 

O grande compositor foi escolhido como enredo pela verde e branca, a fim de resgatar a auto estima da agremiação, contar uma história e  angariar a simpatia do povo que assiste ao desfiles da terça feira "gorda". A escola não dispunha de grandes recursos e apostava na emoção a fim de alcançar o seu objetivo naquele carnaval, que seria o de ficar longe do rebaixamento ao Grupo C e à passarela da Avenida Intendente Magalhães - onde, curiosamente, fica a sede da escola. A verde e branca, também conhecida como "arroz com couve", por causa das cores, buscava tão somente manter-se no grupo em um ano onde a diferença entre as escolas de "patronos" e as que não o tinham era assustadora - pareciam dois grupos diferentes.


O carnavalesco Wagner Almeida optou por contar passagens da vida e obra do grande cantor e compositor, de forma simples a fim de adequar aos quatro carros alegóricos que formam, no máximo, o desfile do Grupo de Acesso B. Na verdade, apesar da sinopse dividir o enredo em quatro setores houve que se trabalhar com ainda mais simplificações haja visto que a agremiação trouxe apenas três carros alegóricos para seu desfile.

Nas palavras da sinopse:

A toda hora rola uma história, com samba e chorinho de Paulinho da Viola

Justificativa:

Bem próximo ao morro do Corcovado, sob os braços do Cristo Redentor, no bairro de Botafogo, nele registramos o primeiro palco, aquele que por mérito se tornaria um dos maiores artistas do nosso País, nosso homenageado Paulinho da Viola.

Este genial artista da Música Popular Brasileira reúne em sua trajetória, momentos de tamanha importância na história da arte. Possui a sensibilidade de perpetuar dois grandes gêneros musicais o Samba e o Choro.

Em suas obras, resgata nomes de renomados poetas, muitos desses já esquecidos no passado. Desenvolve inovações melódicas e harmônicas sem perder a tradição, mantendo seus princípios e valores estéticos, evitando que muitos gêneros fiquem congelados no tempo.

Este enredo vai nos proporcionar uma viagem a um passado distante; vamos passar pela formação da Pequena África, dançar o maxixe e o samba nas casas das Mães Baianas; então, aguçaremos nossos ouvidos, para os imaculados chorinhos e vamos até aos salões dos antológicos Saraus. Já em uma viagem mais próxima; vamos juntos cantar, torcer e nos emocionar com as canções dos inesquecíveis festivais de música; reviveremos os antigos carnavais das Escolas de Samba e, nos deixaremos envolver com uma sedutora história de amor.

Com esta proposta, o Grêmio Recreativo Escola de Samba União de Jacarepaguá, deseja não só prestar sua homenagem, mas também, deixar através deste enredo uma contribuição cultural, para todos aqueles que de forma direta ou indiretamente, admiram uma das maiores festas populares, o Carnaval.

Este é o caminho escolhido pela Agremiação, a ser desbravado, rumo ao carnaval 2009.

Sinopse:

1º Parte: “Das raízes do samba e do chorinho, nasce mais um filho da Pequena África”

Afinem os instrumentos, abram as cortinas e acendam as luzes, para juntos com o Grêmio Recreativo Escola de Samba União de Jacarepaguá, possamos participar de uma grande e merecida homenagem a um dos grandes nomes da nossa música Popular Brasileira.

Para entendermos melhor o refinado gosto musical do artista, nos transportaremos ao passado, em importantes momentos de dois resistentes gêneros da nossa cultura Musical o Samba e o Choro.

O Samba nos transporta ao ano de 1870, quando negros iorubanos começaram a migrar do Recôncavo Baiano com destino ao Rio de Janeiro, trazendo com eles manifestações culturais, como a dança e a música. Formando na região compreendida pela Cidade Nova, uma comunidade que mais tarde ficou conhecida como Pequena África. Contribuíram com a música carioca, nas reuniões festivas que aconteciam nas casas das chamadas tias baianas, entre elas a famosa Tia Ciata e com a criação dos ranchos carnavalescos por Hilário Jovino Ferreira.

Em 1888, chegam ao Rio de Janeiro os Bantos, oriundos das plantações de café do Vale do Paraíba, improvisando moradias em morros dando origem as famosas favelas. De acordo com a evolução, esses acabaram criando, um samba diferenciado dos maxixes que os habitantes da Pequena África chamavam de samba. Tratava-se de um samba mais lento, mais dolente, a ser cantado nas reuniões ao pé do barraco ou até mesmo nos desfiles dos blocos organizados por aquela comunidade pobre na época de carnaval.

No Choro, nos transportaremos que num dado momento de sua história foi considerado música de branco, mas que na verdade foi enriquecido por negros como o mulato Joaquim Callado e o gênio Pixinguinha, não deixando de citar dois expoentes, brancos na verdade, pertencentes à classe média baixa; Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga.

Podemos ratificar que os gêneros musicais destacados fazem parte, da vida deste genial artista que nasceu no bairro de Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro, filho de um dos maiores violonistas do nosso País integrante do grupo de choro “Época de Ouro”. Na infância usava a criatividade para confeccionar seus próprios brinquedos. Sempre que podia acompanhava o seu pai nas reuniões musicais, quando essas não aconteciam em sua própria casa, com essa influência, em pouco tempo já tentava os primeiros acordes no violão.

Na sua juventude, freqüentava a casa da sua tia Trindade, no bairro de Vila Valqueire, onde brincou diversos carnavais, chegando até, junto com alguns amigos fundar o bloco carnavalesco “Foliões da Rua Anália Franco”, para o qual compôs seu primeiro samba.

Os jovens foliões recebem da Escola de Samba União de Jacarepaguá o convite para integrar a agremiação, foi o primeiro contato do nosso homenageado com uma escola de samba, onde participou como ritmista e, compôs seu segundo samba, chamado “Pode ser Ilusão”, assim começou sua trajetória e história como Sambista.


2ª Parte: “Com arte nas mãos, do Zicartola para a canção”

Paulinho jamais imaginava em seu caminho a profissionalização através da música. Ainda na infância descobre sua habilidade na marcenaria e, junto com ela desenvolve sua capacidade de concentração, um exercício autodisciplinador, uma arte que em determinadas peças podem perpetuar histórias de muitas outras histórias.

Depois de completar o curso de contabilidade, almeja a carreira de economista.

Mas, aos 19 anos consegue seu primeiro emprego no Banco. Um dia no seu trabalho reencontra o poeta Hermínio Bello de Carvalho, dessa amizade, surgiram às primeiras parcerias do jovem compositor com o jovem poeta, precisamente duas composições.

Hermínio Bello de Carvalho convida Paulinho para conhecer o Zicartola, um restaurante localizado na Rua da Carioca que pertencia a Angenor de Oliveira, o Cartola e sua mulher Dona Zica. Muitos artistas cantavam no restaurante, como; Cartola, Zé Ketti, Elton Medeiros entre outros. Paulinho, na sua estréia cantou sambas de outros autores, causando forte impressão em muitos, inclusive em Cartola, Zé Ketti e Sérgio Cabral, mestre de cerimônia da casa, por quem foi rebatizado com o nome de Paulinho da Viola.

Por sugestão de Luís Bittencourt, diretor musical da gravadora Musidisc, Paulinho da Viola, Oscar Bigode, Zé Ketti, Anescar do Salgueiro, Nelson Sargento, Elton Medeiros e Jair do Cavaquinho, formam o grupo “A Voz do Morro”. O grupo alcança o sucesso e a partir daí, Paulinho da Viola inicia sua discografia que enriquece nossa cultura musical até o presente momento, compondo grandes obras em parcerias com consagrados nomes da nossa música.

3ª Parte: “Como a beleza do mar em sua calmaria, o poeta chega ao seu apogeu”

Paulinho da Viola consagra-se um dos maiores nomes da música popular de todos os tempos, por ser um excelente instrumentista, genial compositor e um sensível poeta. Demonstrando sua capacidade de inovar e modernizar as melodias e harmonias do samba e choro, evitando que os mesmos fiquem esquecidos no passado. Mesmo tendo convivido com artistas que seguiam outros gêneros musicais, nunca deixou de seguir seu coração, pois como ele mesmo diz; “Não vivo no passado, o passado vive em mim”.

Paulinho participou de diversos festivais de música, alcançando em alguns o prêmio máximo, com sucessos que são cantados até nos dias atuais. Em muitas de suas composições, percebemos que nosso poeta fala do dia a dia das pessoas de uma forma bastante especial, cantou a ecologia antes de o assunto virar moda. Canta divinas canções falando do mar, para ele, trata-se de uma entidade que oculta mistérios, podemos vê-lo tranqüilo, belo e em paz, mas, também, em seu momento de uma imponente revolta quando na sua fúria. Seria uma relação metafórica entre o mar e o homem?

Paulinho da Viola viajou por diversos países, recebendo o reconhecimento do público, crítica e até de órgãos Governamentais.

Ao longo de sua carreira, criou shows que foram verdadeiros espetáculos teatrais, consagrados sucessos pelo público e pela crítica, resgatando e revelando lendários artistas do nosso País. Alguns desses shows, rederam a Paulinho da Viola importantes premiações no Exterior e no Brasil, 1997 foi recordista do Premio Sharp de musica, sendo contemplado com nove troféus, recentemente arrebatou quatro Prêmios TIM de música 2008.

No ano em que o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, completa 100 anos de existência, cabe lembrar que no dia 1º de maio de 2004, ocupam o palco; Paulinho da Viola junto com Velha Guarda da Portela e a Orquestra Petrobrás Pró-Música, num show em homenagem ao dia do trabalhador.



4ª Parte: “No raiar do dia, desponta uma paixão em azul e branco”

Na manhã do carnaval de 1958, o coração de Paulinho da Viola foi definitivamente arrebatado pelo suave azul que tomava conta da Avenida Rio Branco, foi o Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela.

Mas só no ano de 1964, a convite do seu primo Oscar Bigode é que Paulinho conhece a sede da Escola que se alojou em seu coração. Foi numa tarde de domingo, quando foi apresentado a Ala de Compositores, na ocasião, ainda freqüentava a União de Jacarepaguá, neste dia o poeta cantarolou a primeira parte de um samba incompleto e, para seu espanto, viu a segunda parte surgir pelos versos de Casquinha, batizado com o titulo “Recado”.

Já incorporado a Ala dos Compositores da Portela, no ano de 1966 Paulinho da Viola apresenta na quadra o samba “Memórias de Um Sargento de Milícias”, a música foi escolhida como samba enredo daquele ano [N.doE.: o único samba de enredo escrito por Paulinho da Viola para a Portela] e a Portela sagrou-se Campeã do carnaval.

No ano de 1968, com o seu parceiro Hermínio Bello de Carvalho compõe a música “Sei Lá Mangueira”, inscrita pelo seu parceiro na terceira edição do festival de música da TV Record. O fato causou preocupação em Paulinho da Viola, pois temia a uma reação negativa da Família Azul e Branca, ficando uma dívida que só foi paga com a composição da música “Foi um Rio que Passou em minha vida”, Paulinho vê a composição como um pedido de perdão.
         
Em dezembro de 1975, junto com outros parceiros fundaram o Grêmio Recreativo de Arte Negra Escola de Samba Quilombo, com a proposta de preservar as raízes do samba e recuperar manifestações musicais menos conhecidas que o samba (capoeira, jongo, afoxé e o maculelê).
         
Como todo bom Brasileiro, Carioca e ainda Batizado em Roda de Samba, não poderia deixar de admirar um dos maiores esportes do nosso País, portanto, é torcedor do Vasco da Gama.
         
Paulinho da Viola, nosso homenageado, é reconhecido e consagrado como um dos maiores nomes da Música Popular Brasileira, considerado um elo entre diversas manifestações populares." 

(Fonte: Academia do Samba)



O roteiro do desfile original dava uma mostra do que seria o enredo e, também, das dificuldades de uma escola deste grupo. Se o leitor observar as fotos dos carros verá que o terceiro carro, na prática, acabou se referindo à Portela e ao Vasco da Gama, outra das paixões do grande compositor, com as premiações apenas tangencialmente representadas pela escadaria do Teatro Municipal:

"Roteiro

Comissão de Frente: Tem a função de representar o choro, e os primeiros acordes de Paulinho da Viola no violão de seu pai.


1ª Alegoria:  “Das raízes do samba e do chorinho, nasce mais um filho da Pequena África”: Representa o Choro, o Sarau, o Grupo Época de Ouro que teve grande influência na infância do nosso homenageado, O Deus Apolo (Deus da Música), a formação do Samba na Pequena África, os Gêneros musicais que deram origem ao samba e as Tias Baianas.

1° Setor: “Das raízes do samba e do chorinho, nasce mais um filho da Pequena África”

1 - Os criadores do samba: A partir da década de 1870 negros iorubanos começaram a migrar do Recôncavo para o Rio de Janeiro, mais tarde em 1888, chegam ao Rio de Janeiro os Bantos oriundos das plantações de café localizadas no Vale do Paraíba, os Bantos fluminenses acabaram criando de evolução em evolução um samba diferenciado dos maxixes que os habitantes da Pequena África chamavam de samba. Assim, os Bantos criaram nos morros um samba mais lento, mais dolente, a ser cantado nas reuniões ao pé do barraco.

2 - As tias baianas: As maiores contribuições a música carioca foram as reuniões festivas que aconteciam nas casas das chamadas tias baianas, entre elas a famosa Tia Ciata.

3 - Jogo de Botões: Brinquedo que a criançada na infância de Paulinho da Viola utilizava a criatividade na confecção deste, portanto, o jogo de botão era feito de coco.

4 - Bola de Meia: Outra brincadeira onde as crianças utilizavam sua criatividade era o futebol, para este lazer as crianças faziam suas bolas utilizando meias.    

5 - Influência Musical: Na juventude, Paulinho acompanhava o pai em diversas ocasiões, oportunidades em que presenciou importantes reuniões musicais, algumas realizadas na sua própria moradia.

6 - Antigos Carnavais: Além de manter contato com o mundo do choro, na sua juventude, Paulinho da Viola brincou diversos carnavais no bairro de Vila Valqueire, onde junto com seus amigos fundaram o Bloco Carnavalesco Foliões da Rua Anália Franco.


2ª Alegoria: “Com arte nas mãos, do Zicartola para a canção”

Representa o primeiro trabalho de Paulinho da Viola no Banco Nacional de Minas Gerais, o Restaurante Zicartola onde foi batizado por Sérgio Cabral, as personalidades que participaram da sua carreira artística, o instrumento tocado por Paulinho da Viola que encantou o público do Zicartola.

2° Setor: “Com arte nas mãos, do Zicartola para a canção”

7 - Marcenaria a arte com amor: ainda na sua infância, Paulinho da Viola desenvolveu uma habilidade manual, a marcenaria e nela descobre sua capacidade de concentração.

8 - Discografia: Paulinho da Viola, algumas vezes em parceria com outros iluminados poetas, enriquece nossa cultura musical, gravando discos memoráveis, com grandes sucessos ainda cantados por muitos brasileiros.

9 - Solar da Fossa: Paulinho da Viola chegou a dividir o aluguel de um quarto no Solar Santa Terezinha, em Botafogo, mais conhecido como Solar da Fossa, onde conviveu com estudantes, escritores, jornalistas, empregados do comércio, artistas plásticos, boêmios, poetas e muitos outros, todos em busca de um lugar ao sol.

10 - Ditadura: Paulinho da Viola teve várias músicas censuradas durante a ditadura militar.

1° Casal de Mestre Sala e Porta Bandeira: Ecologia - Sua música fala do dia a dia das pessoas com uma poesia toda especial, gravou músicas falando de ecologia antes mesmo de o assunto virar moda

11 - Tributo a Heitor dos Prazeres (Bateria): No espetáculo Zumbido a figura central que inspirou Paulinho foi de Heitor dos Prazeres, cuja importância na cultura popular começa no samba e se estende às artes plásticas, com foco em sua apresentação no 1º Festival de Arte Negra no ano de 1960, em Dakar, quando o artista dançou fazendo referências com lenço. Este show lhe rendeu o prêmio da APCA de melhor show do ano de 1981.

12 - O mar em fúria (Ala de Passistas): Em muitas de suas composições, Paulinho da Viola fala em mar. Mas, não ainda o mar como metáfora predileta para pensar o homem em geral, o mar do poeta é uma entidade que oculta mistérios; tanto pode estar tranqüilo, belo em sua paz, como se revoltar imponente em sua fúria.

13 - O mar em calmaria: Esta fantasia representa a outra visão de Paulinho da Viola em relação ao mar que pode estar tranqüilo, belo em sua paz. Mas será sempre uma relação metafórica, o poeta gostando de olhar o mar, de admirá-lo, de pensar nele, mas nunca de navegá-lo.

14 - Timoneiro: Representa um dos maiores sucessos de Paulinho da Viola, com esta música o poeta ratifica sua admiração pelo mar.


3ª Alegoria:  “Consagração - Momentos de glórias e reconhecimento”

Representa a Discografia, os Festivais de música Popular Brasileira, a consagração de Paulinho da Viola e as premiações recebidas.

3° Setor: “Como a beleza do mar em sua calmaria, o poeta chega ao seu apogeu”

15 - Sinal Fechado: Representa a composição de Paulinho da Viola, canção que lhe rendeu o 1º lugar no último festival de Música Popular Brasileira da TV Record no ano de 1969.

16 - Premiações e reconhecimento: Paulinho da Viola viajou por diversos países como França, Alemanha, Itália, Noruega, Portugal, Espanha, Estados Unidos, Argentina e outros, divulgando a importância da nossa cultura musical. Em muitos deles recebendo premiações. No ano de 1997, Paulinho da Viola é contemplado com nove troféus do prêmio Sharp, o maior evento do gênero na música brasileira nos anos 90. Recentemente na sexta edição do Prêmio TIM de Música 2008, tem seu trabalho reconhecido com mais quatro prêmios.

17 - Theatro Municipal 100 anos de glória: Homenagem ao centenário do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde Paulinho da Viola no ano de 2004, realizou um show em comemoração ao dia do trabalhador.

18 - Golfinho de Ouro: Paulinho da Viola recebeu o prêmio Golfinho de Ouro no ano de 1968, de música popular conferido pelo Museu da imagem e do Som, considerado um dos mais importantes de sua carreira.

19 - Chocalhos do Salgueiro: Na manhã de carnaval do ano de 1958, duas imagens ficaram gravadas em sua lembrança, a primeira foi uma Ala de Chocalhos formada por mulheres que se apresentavam pela G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro.

20 - Sei lá Mangueira: Em 1968, Hermínio Bello de Carvalho resolveu fazer uma surpresa a Paulinho e inscreveu a música “Sei Lá Mangueira” na terceira edição do histórico festival de música da TV Record. A letra de Hermínio, musicada por Paulinho, exaltava a Mangueira.
2° Casal de Mestre Sala e Porta Bandeira: Paixão em azul e branco - Representa a paixão de Paulinho da Viola pela Portela

21 - Estrela da manhã: Representa a PORTELA naquela manhã foi com a última estrela de uma constelação a se esconder, mas essa estrela fica a brilhar em todos os momentos de Paulinho da Viola.

4° Setor: “No raiar do dia, desponta uma paixão em azul e branco”

22 - Preservação Cultural - Jongo: Representa o Grêmio Recreativo de Arte Negra Escola de Samba Quilombo, fundada com a proposta de conservar e recuperar nossa cultura nas manifestações musicais menos conhecidas que o samba.

23 - Compositores (Ala dos Compositores) - Compositores

24 - Galeria de Velha Guarda"

(Fonte: Site Academia do Samba, com simplificações)


O samba escolhido foi a da parceria composta por Alexandre Valle, Humberto Carlos, Elizeu, Jarbas da Freguesia e Paulo Cabeça Branca. Valle é um dos autores do magnífico samba enredo de 2004 sobre o Rio de Janeiro, que deu à escola a melhor classificação na década à escola, quarto lugar no Acesso A. O samba escolhido, poético, era, ao lado da composição do Boi da Ilha do Governador, considerados os melhores inéditos da safra daquele grupo em 2009. Obviamente, o melhor samba daquele ano era o fenomenal "Afoxé", da Acadêmicos do Cubango; mas este era reedição. O samba teria o privilégio de ser puxado pelo "Pavarotti" do samba, o cantor Rixxa.

O homenageado desfilou no último carro, ao lado de figuras poeminentes da Portela e com familiares desfilando como simples foliões em alas da escola.

A escola foi a terceira a desfilar na Marquês de Sapucaí na noite de terça feira de carnaval, 24 de fevereiro daquele ano. Fantasias e alegorias estavam simples, mas o belo samba foi muito bem puxado e possibilitou boas Evolução e Harmonia à escola.


Aliás, por falar em Harmonia: eu havia conseguido junto a meu (hoje ex) concunhado uma camisa de "Apoio", que na prática é uma forma de um "bicão" desfilar sem ter de usar fantasia. Eu estava no Setor 1 esperando a ala onde estavam minha cunhada e o dito cujo em questão para acompanhá-los (que era a última) quando, umas três alas antes, uma diretora da escola vira pra mim e fala:

 - Ei você ! Tá vendo esta ala aí? Faz a Harmonia dela e não deixa embolar com a ala da frente !

Para quem não conhece, "Harmonia" é o setor da escola que prima pelo canto da escola e pela organização das alas.

Pois é. Eu nunca havia desfilado como Diretor de Harmonia antes, mas até que dei conta do recado cuidando da ala "Chocalhos do Salgueiro" - apesar do sujeito completamente sem noção que, não sei porquê, colocaram na ponta da fila. Entretanto, o gestual exagerado de que me utilizei para me fazer entender pelos componentes parecia que tinha saído diretamente do primeiro ano da faculdade de flanelinhas... Mas o desfile foi delicioso e repetiria a dose como Diretor de Harmonia no Boi da Ilha em 2010.


Com fantasias e carros simples, até pelas dificuldades financeiras e em um regulamento que privilegiava os quesitos plásticos (Evolução, Harmonia e Conjunto estavam naquele ano reunidos em um único quesito), a escola deixou a avenida com a sensação de que ficaria na metade inferior da tabela, mas provavelmente fora do rebaixamento.

Entretanto, em uma apuração esquisita, com um empate mais esquisito ainda entre Unidos de Padre Miguel e Cubango na primeira colocação - havia uma disputa com a organizadora do Acesso A para saber se subiriam uma ou duas escolas - e com duas outras escolas que haviam feito bons desfiles jogadas lá embaixo na classificação final, a escola obteve um excelente sétimo lugar, com 238,6 pontos. Era até aquele momento a melhor colocação da escola neste grupo - que seria suplantada pelo quinto lugar obtido em 2010, com outra equipe de carnaval e muito mais recursos financeiros.

Aliás, a verde e branco é uma escola onde gosto muito de desfilar, sempre acolhedora e onde sempre se pode brincar carnaval. Este ano de 2011 estarei indo para meu quarto desfile pela escola - e seriam cinco não fosse a camisa de 2010 ter chegado nas minhas mãos nas frisas da Sapucaí depois que a escola desfilou...



Vamos ao belo samba, que o leitor pode ouvir em sua versão de estúdio acima:

"Sublime inspiração
Emana do poeta e cantador
Que pelas cordas de uma viola
Entoa verdadeiras declarações de amor
"Toda hora rola uma história"
E o samba se renova sem perder sua raiz
Presente e passado abraçados
Lembrando aquele tempo tão feliz
Das tias baianas, do samba
E do choro bem brasileirinho
Fundo musical da infância
Do "arteiro" menino Paulinho
"Época de Ouro", turbilhão de acordes musicais
Da "Anália Franco" à União, tantos carnavais!...

Nas mãos, a arte
O palco da vida emoldurou
No Zicartola impressionou os bambas
"A voz do morro" fez sucesso e deu um show!


Navegando pela vida
Esse amante do misterioso mar
Levou a cultura do povo
Ao templo erudito do teatro secular
Através de um prisma luminoso
O gênio vê sua luz refletir
Faz o seu choro sambar, o mundo lhe premiar
E todo o povo aplaudir

"Meu coração tem mania de amor"
Pela azul e branco se deixou levar
E esse rio de amor nasceu
Na União de Jacarepaguá
"


(Fotos: Fabrício Gomes)


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Polícia para quem precisa de Polícia


Sem dúvida alguma, o assunto palpitante da última semana foi a crise na Polícia Civil carioca, com a prisão de delegados da cúpula da instituição e depois a queda de toda esta na chamada "Operação Guilhotina", da Polícia Federal.

Os mandados de prisão visavam prender policiais envolvidos em crimes como roubo, corrupção e em proteção a traficantes - dos quais Nem, o chefe do tráfico na favela da Rocinha e considerado o principal "dono de morro" em liberdade hoje.

Posteriormente, o ex-chefe de Polícia Civil Alan Turnowski foi exonerado e indiciado por estar envolvido no repasse e vazamento de informações sobre a operação. Seu braço direito, o sub chefe operacional Carlos Oliveira, foi preso acusado de fazer parte de uma quadrilha que desviava armas apreendidas em operações para traficantes e milicianos.

Como consequência desta operação da Polícia Federal, toda a cúpula da Polícia Civil do Rio de Janeiro foi afastada e iniciou-se não somente uma sangrenta luta pelo poder quanto uma série de "denúncias em cascata", envolvendo a corporação em um mar de lama.

A primeira vítima foi o delegado titular da Draco - Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas - Cláudio Ferraz, que é acusado de ter sido o delator dos colegas à Polícia Federal e que teve a delegacia lacrada por ordem do ex-Chefe.

Se o leitor não está ligando o nome à pessoa, Ferraz é um dos autores de "Elite da Tropa 2", livro sobre as milícias - e as polícias - e que resenhei aqui. O livro também deu origem ao sucesso "Tropa de Elite 2", arrasa  quarteirão dos cinemas brasileiros.

Policiais militares que sigo no Twitter afirmaram, de forma pública, que algumas das histórias do livro faziam parte da "Operação Guilhotina" e foram vazadas pelo delegado no livro. Realmente, como comentei na resenha, algumas histórias relatadas são muito próximas de casos famosos - o que leva a crer que foram colocadas ali de propósito.


Um ponto que a operação e seus corolários deixam claro é como o crime está entranhado nos órgãos que deveriam combatê-lo. Nos dias seguintes, diversas denúncias de corrupção e de crimes atribuídos a policiais surgiram na imprensa, entre elas: propina de R$ 100 mil mensais para manter aberto o "Camelódromo" da Rua Uruguaiana, no Centro do Rio, a tentativa de assassinato do contraventor Rogério Andrade (patrono da Mocidade Independente de Padre Miguel), crimes diversos e a atuação de milícias.

Por outro lado, surgiram diversas denúncias referentes à recente ocupação do Complexo do Alemão, não somente do "butim" encontrado - o local foi apelidado sugestivamente de "Serra Pelada", em referência ao garimpo - como de ocorrências referente à facilitação da fuga dos principais traficantes do complexo de favelas.

Outra situação preocupante foi a afirmação do delegado Ferraz de que os dados do "Disque Denúncia" não somente não são sigilosos como maus policiais em acesso aos dados dos denunciantes - utilizando-os para intimidar os mesmos.

O Disque Denúncia é um serviço de auxílio às polícias, mantido pela iniciativa privada, que tem como objetivo coletar dados sobre crimes. O sigilo é garantido teoricamente, mas pelo visto é apenas teórico. PMs no twitter afirmaram a mesma coisa, que o sigilo é uma peça de ficção. E isto é altamente problemático.

Parece claro, também, que brevemente haverá operação semelhante na Polícia Militar, que tem muitos de seus membros envolvidos notoriamente em práticas criminosas. Isso era comentado de forma aberta por integrantes da corporação, inclusive com referências jocosas ao número de presos - do tipo "vai precisar da Praça da Apoteose para servir de cadeia" e coisas do tipo.

Também deve-se estranhar a conduta do Secretário de Segurança José Mariano Beltrame, que alegou que não tinha conhecimento de nada mesmo com auxiliares diretos e de confiança envolvidos em crimes. Caso curioso de miopia... 

Um pouco complicada de comprar esta versão, a meu ver. Mas...

Sem dúvida alguma, minha expectativa é de que esta iniciativa da Polícia Federal, além de explicitar a briga pelo poder no comando da Segurança Pública carioca, possa empreender um debate sobre como diminuir a incidência e o envolvimento das forças de segurança com o crime. Também deve-se notar o envolvimento de esferas mais influentes de poder com atividades ilícitas e buscar uma forma de prevenir este fenômeno.

Será o tema de um próximo post.

(Fotos: O Globo)


domingo, 20 de fevereiro de 2011

Bissexta - "Forever Young"


De volta após interregno para férias de seu titular, a coluna "Bissexta", do advogado Walter Monteiro, advoga a questão do envelhecimento natural do ser humano e situações decorrentes da não-aceitação deste caso.

Vamos ao texto.

"Forever Young

Eu fui ao cinema sábado passado. Cinema é algo que me intriga. Segundo informações deles próprios, cerca de um terço da receita dos cinemas vem da bomboniére. E é incrível como eles se esmeram em prestar um serviço capaz de irritar um monge budista. A fila para comprar guloseimas supera em muito a fila dos ingressos. Sem nada melhor para me distrair, me pus a observar os colegas de espera.
 
Logo na minha frente, uma moça sozinha. Um cabelo bonito, longo, com mechas douradas. Um vestido preto curto, de um tecido molinho. Uma sandália alta e alguns adereços ripongas. Quando ela se virou em busca de seu acompanhante, tomei um susto. De costas, eu jurava que ela teria no máximo 25 anos, só que o rosto, maltratado por anos de exposição ao sol, mostrava que ela por certo já tinha idade para candidatar-se à Presidência da República. 

De repente, seu acompanhante chegou. Com um boné. Homem de boné, à noite, em geral significa uma coisa: calvície profunda, no caso disfarçada por um chapéu com uma caveira na frente e a inscrição “muerte”, em escrita imitando grafitti – ainda assim, o cabelo cortado rente deixava escapar muitos fios grisalhos. O rapaz usava um tênis de skatista, decorado em branco e preto, uma camiseta (hoje em dia se diz tee) negra com uns desenhos enormes e uma calça cinza, também no estilo SK8.  A única coisa fora de lugar é que debaixo daquele traje infanto-juvenil habitava um cidadão de mais de 40 anos.
 
Continuei a olhar. Na fila ao lado, um homem, de calça jeans justa clara, calçando um Croc azul e vestindo uma blusa apertadíssima, para realçar a boa forma física, com a inscrição “Harlem” em letras garrafais. A pele, bronzeadíssima no conhecido tom laranja “umpa lumpa”, que as pessoas insistem em achar bonito no verão. Os cabelos e a barba rala inteiramente brancos, não havia nenhum resquício da cor que um dia tiveram. Esse senhor por certo não paga mais passagem de ônibus (ou ao menos está em via de gozar o benefício), mas se veste igualzinho a alguém que poderia ser seu neto.
 
Ninguém mais usa sapatos. Há uns dez anos fui barrado em uma boate em Salvador (em Salvador!) porque estava de tênis. Hoje, se eu saísse de sapatos (ok, eu também não uso sapatos) seria um ET. Mulheres quarentonas e cinquentonas acham sensacional usarem as mesmas roupas das filhas, terem o mesmo corte de cabelo, se iludirem com a crença de que se parecem irmãs. Homens fazem o mesmo com seus filhos, às vezes até saem juntos para a caça noturna. Isso não pode fazer bem à cabeça desses pirralhos.
 
A minha geração, é fato, sofre muito com o envelhecimento. Quando eu era criança/adolescente, nos cafonérrimos anos 80, a divisão de espaços entre filhos, pais e avós era muito bem demarcada. As pessoas envelheciam e nem por isso se amarguravam. 

Mas um mundo em que Mick Jagger, Paul McCartney, Gilberto Gil e Rita Lee são idosos realmente é diferente do que nos acostumamos a ver quando crianças e torna tudo um pouco mais nebuloso.
 
Nem por isso há de nos faltar um pouco de bom senso. Seremos todos mais felizes quando entendermos que não há mal algum em aparentar a idade biológica que de fato ostentamos no RG. A compreensão de que aos 40 anos não dá para sair de noite vestido como um garoto de 15 anos que brinca de skate no playground do prédio é o primeiro passo para evitar o ridículo de ser um pastiche risível do adolescente que um dia fomos. Maturidade faz bem à alma, acreditem."

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Palavras Libertas



Letra que passeia
Canto da sereia
Peças justas
Expensas custas
Ilusão de ótica
Arquitetura gótica
Longínquo luar
Ligeiro caminhar
Natureza morta
Fogo corta
Barracão de telha
Miragem assemelha
Lutar inaudito
Contorno maldito
Silêncio falado
Sorriso calado
Enigma raro
Movimento claro
Tosca poesia
Alta maresia
Forte empunhadura
Variante dura
Tardio nascer
Precoce perecer
Canção ardente
Candelabro candente
Visão militarista
Adorável vigarista
Portas abertas
Palavras libertas...

Cinecasulofilia - "Somewhere"


De volta, a nossa coluna sobre cinema, a "Cinecasulofilia" - publicada em parceria com o blog de mesmo nome

O tema de hoje é o novo filme da cineasta Sofia Coppola. Como habitualmente, texto do cineasta, crítico, professor e torcedor da Acadêmicos da Santa Cruz Marcelo Ikeda.

"Somewhere
de Sofia Coppola

Há diversas formas de ver Somewhere, o novo filme de Sofia Coppola, que recebeu em português a terrível tradução de “um lugar qualquer” (ao invés de “em algum lugar”, o que é muito diferente). 

A primeira delas é que Somewhere não deixa de ser um retrato de um artista rico e famoso. Se fosse no Brasil, Sofia Coppola seria acusada de alienada ou escapista. Mas esse ator poderia ser o Adriano ou qualquer outro jogador de futebol. Mas, para além do gracejo, cito isso apenas porque no fundo, numa analogia com o próprio título, Somewhere poderia se chamar “Somebody”. Sofia faz uma crítica ao sistema do estrelato e à ambição do sucesso, mas no fundo a crise para a qual seu filme aponta pode ser entendida num contexto bem maior que a dos milionários.

Os três primeiros filmes de Sofia Coppola, repleto de méritos, em maior ou menor grau, sempre apontavam para uma certa hiperestilização. Mesmo em Encontros e Desencontros, seu filme mais contido, essa mesma contenção era obtida a partir de uma estilização, que poderia ser resumida em duas estratégias básicas: a forma como as luzes de neon da cidade de Tóquio eram retratadas no filme e a máscara do personagem de Bill Murray – uma nova versão da “great stone face” de Buster Keaton pós-Rushmore de Wes Anderson.

Somewhere pode ser visto como muitos como uma retomada (uma mera repetição) da boa repercussão de Encontros e Desencontros, após o fracasso de Maria Antonieta, mas é preciso ir além dessa comparação imediata. Pois Somewhere avança no sentido de espantar os cacoetes de seus filmes anteriores para mergulhar numa narrativa de contenção. 

Por isso alguns chegaram a apontar que na verdade o filme se parece mais com The Brown Bunny do que com Encontros e Desencontros – o que pode ser visto pelo primeiro plano do filme, claramente “chupado” do filme do Vincent Gallo. Tendo a concordar com esse ponto.

Mas, acima de tudo, uma das formas de ver Somewhere é que ele pode ser visto como uma enorme tentativa de uma filha de abraçar o pai. Talvez Somewhere seja um profundo acerto de contas de Sofia com seu pai, Francis Ford Coppola. 

E o mais bonito é que esse acerto seja feito pelo ponto de vista do pai, e não da filha. Somewhere, portanto, não é A Culpa do Fidel, em que o próprio ponto de vista infantil é colocado nessa relação numa forma de diálogo com o próprio cinema do pai. Ou ainda, Somewhere não é Person, em que a filha, num documentário, faz autoanálise tentando denunciar o abandono do pai e se inserir no cinema a partir disso.

Nada disso. Somewhere é simplesmente um acerto de contas pessoal, um abraço compreensivo, um filme sobre uma filha que olha um pai mas uma filha olhando para esse passado a partir de hoje, imaginando-se no lugar do pai. Essa oscilação (esse jogo de espelhos) entre a posição do pai e da filha, ou ainda, entre a narrativa e a “vida real” é que dão um beleza triste ao filme de Sofia. Nesse jogo de espelhos é também bom lembrar que Sofia começou no cinema querendo ser atriz.

A diferença entre as atuações de Bill Murray e Stephen Dorff é uma das principais chaves das diferenças entre Encontros e Desencontros e Somewhere. Dorff está extraordinário.

O cinema de Sofia Coppola é algumas vezes acusado de ser muito blasé. Em Somewhere, extremamente simples e delicado, há uma tentativa de olhar de frente para um cinema, sem efeitos, cacoetes ou purpurinas. Existe um certo esvaziamento da narrativa que nos remete a um certo cinema contemporâneo, mas o acerto de Coppola é que o filme parece pouco preocupado em se inserir ou contestar, mas “apenas” em seguir com seu personagem. 

A forma delicada e esguia como Sofia acompanha alguns momentos na vida de um homem rico e famoso mas que lhe falta algo mais profundo nos faz pensar como a felicidade acontece nos momentos mais simples. E como é trágico que esses belos momentos sejam tão passageiros e etéreos. A frontalidade com que Sofia lida com essas questões – também no nível de uma encenação, que é o que mais me interessa – é extremamente comovente, ainda mais dados os rumos prévios de sua filmografia.

Talvez seja o momento em que os tenha visto, que coincide muito com minha própria vida pessoal e com minha visão sobre as coisas, mas 2011 já me proporcionou dois filmes de grande impacto emocional: O CÉU SOBRE OS OMBROS e SOMEWHERE."