quinta-feira, 31 de março de 2011

Ecos da Folia

O carnaval já passou há praticamente um mês, mas quero colocar aqui alguns registros que fiz nas noites de desfiles da Marquês de Sapucaí. Selecionei algumas fotos de minha autoria (com exceção onde estou presente, logicamente) que focam, basicamente, o folião. Vamos a elas:


Começando com a bonita Érica, musa da Alegria da Zona Sul. Um pouco de estereótipo de vez em quando não faz mal...


Embaixo de chuva, os "religiosos" no desfile da campeã Renascer de Jacarepaguá.


Os ritmistas da Viradouro, empenhados em levar sua escola ao Grupo Especial - bateu na trave com o vice campeonato.


Cansado, mas me divertindo bastante na Caprichosos de Pilares. Infelizmente a escola foi rebaixada. (foto: Diego Mendes)


O carro alegórico da favela e a alegria das pessoas mesmo às seis e meia da matina e embaixo de chuva.


O girar belo das baianas da Unidos da Tijuca. Paulo Barros também pode ser tradicional...


A imagem está meia distorcida, mas a componente da Vila Isabel parece ter feito pose para a câmera.


Soldados e o Teatro Opinião, na Manga, velha Manga.


Os guerreiros do barracão da União da Ilha, que desfilaram ao final da escola. Aplausos a eles.


No que estaria pensando a bela salgueirense?


Mais acadêmicos salgueirenses.


Ainda a escola da Tijuca, velhas e novas baianas no mesmo compasso.


A foliã da Mocidade Independente;


Gustavo Kuerten, embaixo de chuva, na Grande Rio. A celebridade do post...


A "Ala das Camisas" da agremiação caxiense não poderia faltar.


O folião no Porto da Pedra.


Fechando a série por enquanto, os ex-alunos de Maria Clara Machado, homenageada, no Porto da Pedra.

Ainda teremos posteriormente um segundo post de fotos somente com o Grupo de Acesso B.


Resenha Literária - "A Dona das Chaves"

Pois é, leitor. Ainda não é desta vez que a história do petróleo estará nesta seção do blog...

Estive rapidamente em Praia Seca no final de semana passado - fiquei lá pouco mais de 24 horas - mas encontrei tempo para ler este "A Dona das Chaves", escrito em parceria entre a ex-diretora do Desipe (Departamento do Sistema Penitenciário, órgão que cuida dos presídios do Rio de Janeiro) Julita Lemgruber e a jornalista Anabela Paiva.

Na prática, o que me parece é que a ex-diretora e estudiosa de segurança pública contou suas histórias e a jornalistas formatou-as para o produto editorial.

Sendo isso ou não, é um retrato bastante interessante dos presídios cariocas e, mesmo o livro terminando em meados dos Anos 90 o quadro atual não é muito diferente, ao que parece.

O livro também lança luzes sobre uma das maiores mistificações da política carioca: a de que "Brizola teria estimulado a violência". A autora, que esteve nos dois governos do político - no primeiro como assessora e no segundo como Diretora do Desipe - deixa claro que a tentativa foi de adequar o tratamento aos bandidos à lei, sem torturas, sem comportamentos desumanos ou tratando os presos como animais, mas com a rigidez prevista na lei. Seu lema era "disciplina 100, violência 0".

Com certo grau de desconsolo, Julita relata as resistências que tal política sofreu por parte de setores da imprensa e da sociedade, por um lado, e dos agentes penitenciários, por outro. A impressão que as autoras deixam é de que a violência, a tortura e a força bruta não somente está enraizada nas forças policiais brasileiras como é desejada por setores da sociedade, em especial as classes mais abastadas.

Também observa que as condições dos presos e os maus tratos a que eram submetidos cada vez mais caíam no esquecimento, ao contrário dos tempos em que esteve no comando. A idéia disseminada era de que Brizola "era frouxo com a bandidagem", e após sua saída do governo as condições dos presos saíram do noticiário da imprensa. O importante era a "segurança pública", independente de fatos como massacres, torturas rotineiras e execuções contumazes.

As autoras relatam que o cidadão em geral passou por um processo de "embrutecimento" com o passar dos anos, tratando com indiferença questões como as apontadas acima. E chamam a atenção para o fato de que fugas dos presídios e corrupção nestes estabelecimentos deixaram de ser notícia, embora continuem ocorrendo.

Outro momento bastante interessante do livro é quando relata-se a célebre prisão dos bicheiros, em 1993, e as tentativas que estes fizeram para tornar "mais fácil" a vida na prisão. Os estratagemas adotados para burlar as regras eram bastante engenhosos, mas Julita relata que, como diretora do Desipe, empenhou-se em cumprir a lei. O livro inicia-se com um episódio onde o bicheiro Maninho a teria ameaçado e é desestimulado por um delegado que carregava o singelo apelido de "armário".

O livro também conta o período onde Julita passou a conviver nas cadeias, para uma pesquisa acadêmica, ainda no Regime Militar. A autora conviveu com presas políticas e também conta como a convivência entre os "prisioneiros de opinião" e os comuns geraram o que hoje se conhece como "Comando Vermelho".

Também está presente a história da morte de presos em um incêndio no presídio Ary Franco em 1991. Algum produto químico foi jogado dentro de uma cela que, em contato com o fogo, literalmente transformou em cinzas os detentos. Foi um caso de grande repercussão à época.

Outra faceta do livro são as histórias de corrupção, de falta de condições dos presídios e de torturas. Também abordam-se as questões da falta de verbas para os presídios e a não prioridade que estes eram nas políticas públicas.

As autoras reproduzem os "Mandamentos do Policial Militar", formulados pelo chefe da PM do Governo Brizola Nazareth Cerqueira, o primeiro negro a comandar a instituição. Era 1983, mas como poderemos ver abaixo ainda estamos muito, muito distante do que é pregado nestas linhas mesmo quase três décadas depois:

"1 - O uso da força deve ser sempre o último recurso, depois de esgotados todos os outros meios não violentos disponíveis;
2 - a força somente deve ser usada quando for uma necessidade fundamental, e apenas com objetivos legítimos;
3 - o uso da força, quando estritamente necessário como último recurso, deve ser proporcional à situação e aos objetivos legais que se procura alcançar;
4 - o uso ilegal da força não se pode justificar por circunstâncias especiais, excepcionais ou emergenciais;
5 - o uso de quaisquer armas, principalmente as armas de fogo, deve ser considerado uma medida extrema, limitada por dispositivos legais, e deve ser feito com moderação; deve-se sempre procurar preservar a vida humana e a integridade física, dos policiais, das vítimas de terceiros e dos suspeitos ou criminosos;
6 - no caso de ser necessário o uso da força, em situação extrema, e esgotados todos os recursos não violentos, deve ser assegurada a assistência médica, o mais rapidamente possível, a qualquer pessoa ferida ou atingida - incluindo os suspeitos ou criminosos envolvidos.

(pp.97)"

Não esgoto aqui os assuntos, mas fica claro como o Governo Brizola foi solapado pelas forças a que a ele se opunham. Caso típico onde a versão prevaleceu sobre os fatos, ao que parece. Pena.

Na Livraria da Travessa, custa R$ 40. Apesar de lidar com um tema "pesado", o tom às vezes irônico do texto torna a leitura leve. Devorei o exemplar em pouco menos de duas horas.


quarta-feira, 30 de março de 2011

Sobretudo - "A Música Venceu"


Após um interregno, a coluna "Sobretudo", do publicitário Affonso Romero, retorna ao nosso blog. O tema de hoje é a música, carnavalesca e pós-carnavalesca.

A Música Venceu

Meu amigo Pedro Migão me permitirá divulgar aqui uma sua autodefinição em que ele afirma que o verdadeiro (era este mesmo o termo?) Migão é aquele que vive nos quatro dias de cada Carnaval [N.doE.: na verdade, é um pouco diferente: eu costumo dizer em tom de galhofa que o Pedro Migão "pessoa física" só existe duas vezes por ano: no carnaval e no Imposto de Renda...]

Não é surpresa então que, mais uma vez, este blog tenha feito uma brilhante e (quase) completa cobertura do reinado de Momo. O “quase” da frase anterior se dá pela natural limitação do Pedro em não ser onipresente e onisciente, de modo que as esparsas manifestações carnavalescas que valeriam a pena citar de fora do Rio de Janeiro ficaram à margem do Ouro de Tolo.

Sendo assim, neo-paulistano que sou (estou?), mando algumas notícias tardias do carnaval e do pós-Carnaval em terras bandeirantes. Para início de conversa, vale destacar o desfile da campeã Vai-Vai. Como se diz por aí, e nem é mentira, o grupo de elite de São Paulo não disputaria sequer o desfile de Acesso na Sapucaí. É mais ou menos como comparar o campeonato de futebol da Letônia com a Premier League inglesa.

Entretanto, da mesma forma que os letões podem eventualmente fazer uma ou duas belas jogadas com uma bola, São Paulo pode oferecer alguns bons momentos de samba ao mundo. O desfile deste ano mostrou momentos assim, senão pelo esmero e excelência estéticas, pela emoção e sensibilidade da escola do Bexiga. Um bom samba-enredo sempre ajuda. E o samba da Vai-vai em 2011 era muito bom, como há muito não ouço nem no desfile carioca. Uma melodia esmerada e, apesar da letra cheia daqueles lugares comuns, a mensagem era passada redonda na avenida. E o refrão... que refrão!

“...Feliz da vida lá vem o Bexiga
Exemplo de comunidade
A Música Venceu
O dom é luz que vem de Deus
Da emoção Vai-Vai resplandeceu...”


Isso daí ficou na minha cabeça por dias. Ainda por cima, parecia uma profecia. Uma, não, varias profecias somadas no mesmo enredo: a dupla vitória da música, o desfile exemplar e extremamente popular, a luz do sol iluminando o desfile e a emoção rara, real, intensa, que levou o título para a Escola. O enredo contava as idas e vindas do Maestro João Carlos Martins (na foto, no Desfile das Campeãs paulistano), cujos seguidos incidentes de saúde afastaram-no de sua prestigiada e vencedora carreira de pianista-concertista, conduzindo-o a uma nova carreira como maestro. Já conversamos aqui nesta coluna anteriormente sobre esta trajetória quase inacreditável.

O maestro, que já tinha fama de chorão, atravessou o sambódromo do Anhembi aos prantos, regento a bateria e o público, com o sol já brilhando na manhã paulistana, a escola passando limpa, sem contratempos, perfeita na harmonia, ajudada pela troca perfeita de energia com a arquibancada. Claro que não é possível comparar o luxo, a criatividade, as alegoria e fantasias com as escolas cariocas, não é disso que estamos falando.

Estamos destacando aquilo que, por muitas e muitas vezes, falta a qualquer espetáculo que se fez perfeito e grandioso: a emoção genuína. Em grande parte, esta emoção foi resgatada pelo fato de a música ter sido personagem principal num espetáculo que, afinal, é um musical. O mesmo efeito beneficiou as apresentações da Beija-Flor (campeã, com Roberto Carlos) e Mangueira (Nelson Cavaquinho, também emocionante, apesar de tecnicamente falha). [N.doE.: como escrevi aqui antes, o Paraíso do Tuiuti conquistou o título do Grupo de Acesso B carioca com um enredo em homenagem a Caetano Veloso]

Não quero me atrever a julgar os desfiles em campo de especialista no assunto que o Migão é. Até mesmo porque sou um folião de frente da tevê. Mas me pareceu que o desfile da nilopolitana Beija-Flor foi apenas técnico e correto, teve apelo popular em razão de homenagear um ídolo nacional, mas não conseguiu alinhavar Roberto e o Carnaval. Já a Mangueira foi mais ao coração dos sambistas, ao homenagear o próprio samba e sua história na figura de um de seus gênios supremos. A Vai-Vai teve o mérito de traçar uma ponte entre o universo do samba e a música erudita, mostrando que não há oposição entre estes dois mundos, uma vez que se podem ser unidos pela emoção. Por isso mesmo, a música venceu mais uma vez.

Embalados por tanta música no ar, eu e Mara (minha esposa) fizemos um roteiro de pós-Carnaval passeando pelos SESC da Grande São Paulo, numa sequência de três shows e uma desistência de quinta ao domingo que iniciariam a Quaresma. Quinta, Lobão. Sexta, não pudemos ir à apresentação de Tony Tornado para a qual já tímnhamos ingressos. Sábado, a volta de Os Mulheres Negras. Domingo, Moraes Moreira, direto do trio em Salvador para Pinheiros.

Lobão volta em forma ao formato elétrico, depois de um período próximo ao modismo acústico. Nos fez sentir o tempo voltar, muito provavelmente por ainda parecer um menino transgressor e compartilhar com seu público esta vibração rocker. A apresentação iniciou-se a mil, anos 80 total, revirando o baú dos Ronaldos até achar a quase esquecida Bambina, uma divertida releitura da sonoridade dos B52’s. 

Em seguida, uma série de composições que tocam menos à minha memória afetiva, mas todas com algum toque do sarcasmo e (mau) humor do grande Lobo, uma estilo que beira a molecagem juvenil somada à alguma erudição. Coisas que descambam na qualidade de músicas como “A Queda” (aquele que faz referência a um certo “sorriso aeróbico”) que, apesar de mais recentes, ajudam a fazer a festa.

Ao final, Lobão retoma os velhos e bons anos 80, fazendo pular e pensar gerações distintas que foram juntas ao baile.

Outro revival oitentista foi a apresentação da dupla André Abujamra e Maurício Pereira, autointitulados “a menor big-band dos anos 80”, Os Mulheres Negras. O público era formado pelos antigos fãs, filhos e curiosos de plantão, de modo que a maior parte da platéia já estava preparada para as gags, referências, irreverências, improvisos e experimentações da dupla. Muitas das músicas eram literalmente construídas por Abujamra durante sua execução, com a ajuda de sua guitarra, overdubs e de uma parafernália eletrônica que funciona ainda melhor depois de 30 anos de evolução da tecnologia a serviço da música.

Valeu reviver toda aquele clima de criatividade novidadeira, foi inagavelmente divertido, mas, no fim das contas, a coisa toda parecia datada e cansativa, principalmente porque a sonorização estava uns dez traços acima do ideal no botão de volume.

Finalmente, nosso Carnaval só se acabou no domingo, com Moraes Moreira. A voz do cantor estava detonada pelos infindáveis dias e noites de trio elétrico, o que era previsível e aceitável. Mas isso foi superado por um repertório irretocável, uma banda que realmente parecia acreditar naquilo que fazia (e fazia muito bem) e uma estranha sinergia com um público que se manteve, sentado (estávamos  em um teatro) mas animado.

Moraes dá a mostra perfeita de que música carnavalesca, notadamemente música a ser tocada em trio elétrico, pode sim ser de qualidade superior sem perder o pique. Moraes é um imperador do frevo elétrico e desfila duas horas de sucessos. Seu filho, Davi Moraes, está em plena forma como guitarrista e também impressiona a eterna jovialidade do percussionista Repolho, conservando jeito e cara de menino, mesmo estando no palco e no trio desde a década de 1970.

Além do estado de sua voz, atrapalhou um pouco esta inexplicável mania de paulista de bater palma no tempo musical errado, coisa que atravessou (literalmente) o show inteiro, apesar dos esforços dos músicos em mostrar o tempo certo ao baterem palmas também. Considerando todos estes considerandos, o show cumpriu a função de lavar a alma do folião de cadeira que voz escreve, ainda que o preço pago para tal tenha sido a ausência no repertório de várias das belas canções mais lentas de Moraes.

A programação do SESC para abril, Rock’n’Rio e da Virada Cultural de SP já estão na internet. Ainda que eu tente diversificar os temas desta coluna, já vi que teremos muita música por aqui nos próximos posts.

Pois é, amigo, a música venceu.


Bissexta - "Os Ratos devem Entender"


Excepcionalmente na quarta feira, mais uma edição da coluna "Bissexta", do advogado Walter Monteiro. O tema de hoje são os percalços que alguns dirigentes de clubes brasileiros estão enfrentando na direção de seus clubes.

Os ratos devem entender

Eu já tive a chance de elogiar aqui nesta coluna a forma de gestão do Internacional e de depositar minhas esperanças em uma mudança positiva no Fluminense com o novo presidente. Não sei se cheguei a falar bem da Patricia Amorim,  meus colegas no Ouro de Tolo não são muito simpáticos à ex-nadadora, mas eu torço muito por ela.

Os últimos dias, no entanto, me mostraram como é dura a vida dessa gente.

Começando pelo Inter. O clube tem um dos melhores estádios privados do país, mas que ainda assim não atende as exigências da Dona FIFA. Porto Alegre é uma opção óbvia para sediar a Copa de 2014 e o Beira-Rio é a escolha mais razoável. Colocando umas cadeiras no anel inferior e mais umas pequenas reformas estaria tudo pronto, mas a FIFA pensa diferente, então, mãos à obra, vamos lá gastar o dinheiro que não se tem. Foi aí que a porca torceu o rabo...

Primeiro, o arqui-rival Grêmio se aliou a uma construtora para erguer um estádio novinho em folha, com a mensagem subliminar de que o seu poderia ser o estádio da Copa. Depois, a FIFA começou a exigir “garantias” de que o Inter teria dinheiro para concluir as reformas. O clube, até então unido em torno de um ideal, começou a rachar politicamente, entre os que acreditavam que a obra deveria continuar com recursos próprios e os que defendiam um modelo de parceria semelhante ao do Grêmio.

A divergência não chamaria atenção não fosse por um detalhe sutil: tornar público de que o tal modelo de gestão profissional de que o clube se orgulha tanto é mais decorativo do que efetivo. Na hora do “vamos ver”, de nada adiantou o clube ter um CEO altamente qualificado ou argumentos econômicos fortes. Imperou a velha batalha política de sempre, com acusações entre conselheiros, conchavos e denúncias. E o que é pior, como nenhuma das correntes políticas internas conseguiu se impor, a incerteza continua e o Inter segue gastando seu rico dinheirinho em tijolos e cimentos, cuja utilidade futura passou a ser uma incógnita.

Do Sul para Laranjeiras: nem o mais pessimista de seus detratores imaginava um começo de gestão tão desastroso para Peter Siemsem. De nada adiantaram suas inequívocas qualificações pessoais, pois ficou patente seu despreparo para lidar com as 'ratazanas futebolísticas' - para usar uma expressão do ex-técnico do clube Muricy Ramalho. A imagem do Fluminense foi ao chão e ele, ao invés de reagir, passou recibo em público de tudo o que disseram do clube. Inteiramente perdido na fogueira das vaidades, ostenta uma imagem de seminarista deslocado no meio de malandros e assemelhados de toda a estirpe.

Por fim, a doce Patricia Amorim. Comeu o pão que o diabo amassou em 2010, mas quando parecia ter dado a volta por cima agora se vê arrastada por esse furacão chamado Adriano. Qualquer análise racional desaconselharia a contratação de um jogador que não atua de forma consistente há mais de ano, é um notório indisciplinado, imprevisível e possivelmente viciado em álcool. 

Mas Patricia foi pressionada incessantemente a ceder ao coração de torcedores sem memória, que esqueceram do atacante que abandonou o clube na reta final do Brasileirão de 2009 e na Libertadores/Carioca de 2010 e insistem na volta de um Adriano idealizado ignorando os riscos de receberem um Adriano real, o mesmo que mês passado fez de trouxa o Roma para ficar na farra no Rio de Janeiro, a pretexto de curar uma contusão.

Mesmo tendo protagonizado a contratação de Ronaldinho Gaúcho, mesmo tendo um clube que avança em termos estruturais (construção do CT, salários em dia, etc.), mesmo com uma arrancada em 2011 muito superior a dos rivais, Patricia é agora alvo da ira da torcida, tudo porque, ao contrário do que é regra no futebol em geral e no Flamengo em particular, mandou o coração às favas e agiu com a razão.

No meu MBA, uma vez um professor novo entrou na sala, escreveu no quadro a expressão “Administra-se com a cabeça e não com o coração” e saiu. Demoramos até entender que a aula havia acabado. Muito tempo depois ele voltou e disse que fizera de propósito, para que ninguém esquecesse o valor deste conceito, o mais importante na gestão de qualquer negócio. Ainda bem que o Mestre detestava futebol, pois morreria de desgosto ao ver que, nesse mundinho à parte, seu axioma é inaplicável. Quanto mais eu leio e estudo sobre o tema, mais me convenço que não entendo nada de administração esportiva. Mas os ratos devem entender..."


terça-feira, 29 de março de 2011

Lição de Vida

Republico texto escrito originalmente em setembro de 2009, como homenagem ao ex-vice presidente José Alencar, falecido no dia de hoje após longa batalha contra o câncer. Que descanse em paz.

Aqui o leitor pode ler a resenha de sua biografia, que escrevi recentemente.

"Tenho profunda admiração por seres humanos que superaram os seus limites e empreenderam conquistas consideradas inimagináveis.

Quero falar aqui da lição de vida que o vice-presidente José Alencar está dando em todos nós.

Não falo aqui do político nem do empresário. Mas sim do ser humano que luta há muitos anos com uma gravíssima doença e que nunca perdeu a esperança.

Nem o bom humor. Li hoje que à saída de mais uma sessão de quimioterapia ele comentou que "estou chateado: continuo jogando as minhas peladas mas não consigo subir no alambrado para comemorar os gols". Qualquer outro na situação dele, provavelmente, já teria se retirado para uma de suas fazendas a fim de descansar em paz.

Mas não: ele gosta de viver a vida, gosta de realizações, luta enquanto há esperança. Obviamente que ele tem acesso a tratamentos que uma pessoa do extrato médio da sociedade talvez não tivesse; contudo, o que quero ressaltar é esta gana de viver, que independe de ter ou não disponíveis os melhores médicos e remédios.

Por isso, ele é para mim um exemplo: mesmo realizado na vida empresarial e na política, continua com sede de vida, com o sentimento de que muito precisa ser feito e de que pode e deve servir e fazer mais. Muitas vezes, nós perfeitamente saudáveis, com vidas estabilizadas, reclamamos de situações que, comparadas, não são um fio de cabelo.

Nada nos satisfaz, nada está bom, tudo é ruim. Quando pensarmos assim, lembremos de nosso vice presidente; que vive no limite mas não desiste, que vive em situação extrema, dor extrema, luta extrema, suor e sangue derramados em busca de um dia a mais do milagre da vida. Veremos que falamos e pensamos um monte de bobagens.

Como disse no início, não discuto aqui o empresário nem o político. Admiro o homem, sua guerra pela vida e o senso de nunca se abater nem lamuriar de qualquer que seja. Os dias são muito curtos para serem desperdiçados em lamúrias.

Boa sorte, José Alencar. O Ouro de Tolo torce por sua batalha e, neste momento em que o desenlace for inevitável, que saia da vida para entrar na história. Não pela política, não pelo empresário.

Mas pelo exemplo."

Judiciário, Ficha Limpa e 'otras cositas más'


O leitor mais antigo deste Ouro de Tolo sabe que tenho fortes restrições à maneira de agir do Judiciário brasileiro. Inclusive, a única ameaça de processo que recebi nestes quase dois anos de blog foi justamente por ter escrito que a justiça brasileira somente funciona para os ricos e poderosos.

A recente decisão do Supremo Tribunal Federal de anular a validade da "Lei da Ficha Limpa" para as eleições passadas é um bom exemplo, a meu ver, de como o Judiciário está distante do mundo real e da população brasileira - a quem ela deveria servir. Em sessão que havia sido anteriormente interrompida, o voto do novo ministro Luis Fux desempatou a votação e permitiu o retorno a mandatos eletivos de senhores como Jader Barbalho, Cassio Cunha Lima e outros menos votados. Além de gerar casos como o da Assembléia Legislativa de Alagoas, onde deputado procurado pela Polícia terá assento na casa a partir de agora.

Não entrarei em filigranas jurídicas e debater aqui se tecnicamente a decisão é correta ou não. Mas este é mais um bom exemplo de que não somente o Tribunal mais importante do país está afastado de quem deveria servir como em todas as questões polêmicas opta por decidir a favor de quem detém mais poder - político, financeiro e outros - em detrimento do interesse da população.

O recurso em questão conta a "Lei do Ficha Limpa" foi relatado pelo ministro Gilmar Mendes, que em sua atuação vem buscando de forma ostensiva salvaguardar os direitos dos mais poderosos. Basta lembrar os habeas corpus (dois!) concedidos em tempo recorde ao banqueiro Daniel Dantas por ocasião de sua recente prisão decretada. Nenhum cidadão comum conseguiria tal benefício nesta celeridade, ainda mais duas vezes.

Volto a lembrar que o ministro em questão, quando Advogado Geral da União do Governo Fernando Henrique Cardoso, empenhou-se de forma notável no sentido de limitar o raio de ação dos sindicatos e em estabelecer projetos de lei que diminuíssem os direitos do cidadão comum. Por outro lado, em parceria com o Procurador Geral da República à época Geraldo Brindeiro - apelidado ironicamente de "Engavetador Geral da República" - todos os processos que envolviam políticos ou gente poderosa eram sumariamente arquivados.

Como escrevi acima, não entro no mérito jurídico de que a lei é válida ou não. Mas da forma como foi decidida a aplicação da lei, dá um "salvo conduto" àqueles que pretendem se candidatar nas eleições de 2012: até lá, eventuais ilícitos não serão levados em consideração. Na prática, houve uma grande "anistia", pois, como sabemos, não se tem notícia de condenação de políticos pelo mesmo Tribunal.

Por incrível quanto pareça, o Congresso Nacional avançou muito mais que o Judiciário na punição a políticos que cometem ilícitos penais. Ainda que esteja longe do ideal, medidas como a proibição da renúncia após o processo de cassação instaurado - o que impede tal ato como forma de preservar a elegibilidade - nos casos em que é aplicada tornaram mais eficiente o processo. Pode-se discutir se a permissividade moral do Congresso é grande demais, mas pelo menos vemos aqui e ali políticos punidos - o que não se vê no Judiciário.

Basta lembrar que os dois únicos punidos no episódio do "Mensalão" o foram pelo Congresso: Roberto Jefferson e José Dirceu. Enquanto isso, o processo no Judiciário caminha para uma "pizza" histórica - e não é o único. Ou algum leitor acha que as denúncias recentes feitas pelo ex-Governador Arruda - tratei disso recentemente - terão alguma consequência na Justiça? muito há o que ser feito no Legislativo, mas é inegável que houve avanços nesta área.

Costumo dizer que acho o Judiciário muito mais complicado que os poderes políticos, Executivo e Legislativo. Nestas últimos ainda podemos trocar os eleitos de quatro em quatro anos, mas e os juízes? Além disso, não há um órgão de controle do Judiciário, o que os torna desobrigados de prestar contas à sociedade. A meu ver, este é um problema sério.

Não sou especialista na área e não saberia dizer o que precisaria ser feito para tornar nossos tribunais mais transparentes e mais imunes à pressão dos poderes financeiro e político, além de algum tipo de controle externo. Contudo, minha percepção é de que algo precisa ser debatido, pois da maneira que está o Poder Judiciário, em especial o tribunal mais importante do país está muito longe de servir ao povo como seria sua função primordial.

O caso da "Lei da Ficha Limpa" é apenas mais um destes.

Finalizando, tenho de registrar que o processo de informação do eleitorado a respeito do voto necessita ser aperfeiçoado. O caso do político paraense (foto acima) é emblemático: mesmo com denúncias recorrentes de práticas ilícitas - que jamais foram condenadas - ele sempre consegue os votos necessários para se eleger. Mas não se precisa ir tão longe: aqui mesmo no Rio de Janeiro temos alguns casos destes.

Cabe lembrar, também, que os políticos são reflexos da sociedade: há representantes honestos e desonestos, éticos e anti-éticos, "fichas limpas" e "fichas sujas". Por mais que seja algo 'confortável' para o cidadão não estabelecer uma relação de causalidade, o comportamento da classe política brasileira é resultado direto da maneira de proceder da população. De que adianta reclamar da corrupção em Brasília quando se paga "aquela cervejinha" para o PM a fim de não ser multado, por exemplo?

Não dá. Portanto, leitor: também façamos a nossa parte. A sociedade agradece.


segunda-feira, 28 de março de 2011

Resenha Literária - "O Mundo em Queda Livre"

Não, leitor, ainda não é a vez em que o livro sobre a história do petróleo será objeto de nossa coluna. Ainda faltam umas 400 páginas...

Nosso objeto de hoje é um livro atualíssimo e que mostra o desastre financeiro mundial, em especial o americano, e todo o jogo de pressões que levou a algumas das decisões mais disparatadas em termos de política econômica dos últimos tempos.

Escrito pelo Prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz, este "O Mundo em Queda Livre" mostra como a desregulamentação pregada pelos teóricos do livre mercado levou a uma catástrofe.

Stiglitz explica como a falta de controle sobre o sistema financeiro americano, trazida pelo "fundamentalismo de mercado" de Reagan e Bush, levou ao crescimento indiscriminado dos bancos, ao surgimento de produtos financeiros extremamente sofisticados - muitas vezes simples apostas, quando quase fraudes - e a falta de ação do Banco Central americano sobre a "bolha" do mercado imobiliário, que acabou "estourando", provocando a crise americana e, por "contaminação", mundial.

O economista explica que as hipotecas do mercado imobiliário americano, "tóxicas" por envolverem má concessão de crédito, casas avaliadas a um preço irreal (a bolha) e juros absolutamente altos e refinanciáveis foram "embaladas" e revendidas a outros bancos como produtos financeiros "bons" - contaminando todo o mercado mundial.

Outro ponto do livro é mostrar que o socorro financeiro fornecido pelo governo, com recursos públicos, acabou sendo utilizado pelos bancos não para estimular a economia americana, mas para recompor as reservas de capital, por um lado, e pagar bônus a seus executivos. Na visão destes últimos, a culpa pela crise econômica seria dos próprios consumidores e compradores de hipotecas, "que não teriam se informado sobre os riscos".

Também aponta os problemas da baixa regulamentação do mercado financeiro americano, em especial a não separação entre os bancos comerciais e os de investimento, e a formação de bancos "grandes demais para quebrar", que acabam em uma situação de virtual impunidade: se tornam-se insolventes, o governo tem de vir em seu socorro para que a perda de confiança no sistema bancário não venha a provocar uma quebra geral, com consequências catastróficas. O autor defende que estes bancos deveriam por ação do governo serem divididos em unidades menores, a fim de não possuírem uma influência demasiada sobre o sistema financeiro.

Stiglitz promove um debate teórico expondo o porquê das idéias keynesianas - de John Maynard Keynes, economista e cuja filosofia econômica eu também me alinho - serem mais adequadas neste momento para os Estados Unidos e o mundo desenvolvido saírem da crise econômica. A explicação é que, com muitos  americanos perdendo suas casas, seus empregos e renda, somente uma ação de gastos governamentais irá estimular a economia suficientemente a ponto de fazer girar o "círculo virtuoso" do crescimento.

Diminuir gastos governamentais e aumentar impostos, como pregam os neo liberais, somente diminui a massa de consumo da economia e aumenta a crise - as pessoas tem menor dispêndio, as empresas trabalham abaixo de sua capacidade possível e empregam menos pessoas, diminuindo a renda.

Em outro capítulo o autor mostra como o presidente americano Barack Obama sucumbiu ao poderosíssimo lobby dos banqueiros e de Wall Street, adotando medidas que eram boas para este segmento, mas ruins para os Estados Unidos e para o povo.Na prática, os bancos que adotaram uma gestão temerária foram premiados, enquanto o povo ficou com a conta para pagar na forma de encolhimento de renda, da perda de suas casas e de seus empregos. 

E o presidente americano, na prática, atuou a serviço dos interesses de Wall Street, capitulando e renegando tudo o que defendeu na campanha.

Embora mais sofisticada teoricamente (até por terem objetivos diferentes), a abordagem do livro lembra a de "Enganados", de John Perkins, que resenhei anteriormente. São um bom exemplo de como o Estado pode ser utilizado a serviço dos mais poderosos e em prejuízo da população, que acaba escravizada pelas dívidas.

Fico longe, muito longe de esgotar aqui os assuntos tratados no livro, mas digo aos leitores que é leitura obrigatória para se entender a mais recente crise econômica. Conhecimento anterior em teoria econômica ajuda na compreensão, mas mesmo o leitor não-especialista consegue acompanhar bem o raciocínio, ajudado por uma tradução que não complica a compreensão.

Na Travessa, custa R$ 66 - livros de Economia não são exatamente baratos...


domingo, 27 de março de 2011

Guia Prático da Disney


Neste domingo, final de mês, a amiga e ex-colunista Adriana Martins - dona da Drica Viagens - preparou para os leitores do Ouro de Tolo uma espécie de "Guia Prático da Disney", com todo o roteiro necessário para a viagem. O início do guia também será útil para quem pretende viajar ao exterior, pois trata da emissão do passaporte.

Vamos a ele:

Guia Prático da Disney

Os pacotes para a Disney variam de tipo e período de duração, podendo ser excursões com guia saindo do Brasil, pacotes com guia apenas nas visitas aos parques e apenas passagem, hospedagem, carro e ingressos.

Não sei se o leitor gosta de viajar em grupo e excursões são normalmente uma média de 40 pessoas juntas quase o tempo todo; mas para uma primeira vez talvez seja interessante, pois o guia acompanha em todos os momentos e está sempre disponível pra esclarecer dúvidas em geral.

Vamos iniciar a partir dos primeiros passos:
1) Antes de viajar:

- Passaporte:

O passaporte é individual e custa R$ 156,07 por pessoa. Siga os seguintes passos para retirar seu documento:

1.1) Verifique a documentação necessária. Atenção: não há renovação nem prorrogação de passaporte, se o seu está com prazo de validade expirado ou prestes a expirar e você deseja obter um novo documento de viagem, serão exigidos TODOS os documentos originais relacionados e você deverá solicitar a emissão no próximo passo.

1.2) Solicite a emissão do passaporte. Se tiver dúvidas sobre o preenchimento dos seus dados, ligue 194. Atenção: somente após a inclusão de seus dados será emitida a Guia de Recolhimento da União – GRU.

1.3) Pague a GRU, respeitando sua data de vencimento.

1.4) Compareça ao posto do Departamento de Polícia Federal munido da documentação original exigida (vide item 1), GRU paga e protocolo da solicitação. Não é necessário mais levar fotografia, que será coletada no momento do atendimento. Em algumas unidades do DPF é necessário o agendamento prévio.

1.5) Consulte o andamento do seu pedido de passaporte. O passaporte será entregue pessoalmente a seu titular, mediante apresentação de documento de identidade e assinatura de recibo. Busque seu passaporte no horário e local indicados.

2) Com o passaporte em mão é hora de agendar o visto.

Todo o processo para solicitação do visto é feito através da internet. O valor do agendamento do visto é de R$ 38,00 para até 4 pessoas da mesma família e o valor do visto é de US$ 150,00 por pessoa, independente da idade. Para crianças menores de 14 anos, não é necessário comparecer ao consulado no dia da entrevista. O prazo para agendamento do visto em São Paulo hoje está tranquilo, de apenas 14 dias, enquanto o prazo aqui no Rio está em 74 dias. Brasilia conta com uma espera de 80 dias e Recife a espera é de apenas 3 dias.

Neste primeiro momento seu gasto será de aproximadamente R$ 2.000,00, e será pago a vista cada um no seu momento. Se o leitor quiser utilizar um sistema de despachante para te ajudar com o visto, acrescente a quantia de aproximadamente R$ 300,00 por pessoa.

3) Programando a Viagem

Depois que estiver com todos os documentos em mãos é hora de programarmos a viagem e para isso é preciso que se pense na época em que vai viajar. Se programar a viagem em época de férias escolares, é preciso lembrar que também é período de férias nos EUA e com isso os parques ficam mais cheios e as atrações costumam apresentar muitas filas.

Em julho é verão no hemisfério norte, e como Orlando está localizado na parte sul do país, próximo ao Caribe, as temperaturas tendem a ser bem quentes, quase tanto como aqui no Brasil. Em dezembro/janeiro é inverno, e diferentemente do nosso lá pode nevar e as temperaturas chegam perto do 0º, quando não ficam abaixo. Não é muito comum haver neve em Orlando, mas eu não descarto essa possibilidade, visto que houve uma chuva mista com neve no inverno de 2009/2010.

Se não houver a obrigatoriedade de viajar nestas épocas, sugiro que se vá em setembro, pois as férias escolares americanas já acabaram (como são férias de verão, elas duram de julho a agosto), o que faz com que a cidade, e consequentemente os parques estejam bem mais vazios. E o calor, embora verão, já é bem menos intenso. Ou se não for possível, fevereiro/março também é uma boa opção. Já não está tão frio e os parques já estão mais vazios.

Veja bem, mais vazios é só uma expressão pra dizer que os parques já não estão superlotados como nas férias, pois é incrível como os parques nunca ficam exatamente vazios.

4) Outra coisa que muitos se perguntam é sobre quanto tempo devem ficar lá.

Não existe um padrão. O que determina quanto tempo vc vai ficar em Orlando são principalmente 2 fatores: quanto se está diposto a investir e quanto tempo livre se tem disponível.

O mais importante é fazer um planejamento prévio do que se quer conhecer, e que parques pretende visitar. Eu sou extremamente 'suspeita' porque amo tudo aquilo; de qualquer forma relaciono abaixo os principais parques para que o leitor tenha uma ideia e defina suas prioridades.

Entre no site deles e descubra o que cada um deles oferece, assim fica mais facil pra se decidir, ou não... Não vou colocar minhas impressões sobre os parques, pois acho necessariamente que são todos muito legais.

Parques DISNEY 

- Magic Kingdom
- Epcot Center
- Hollywood Studios (antigo MGM)
- Animal Kingdom
- Blizard Beach – parque aquático
- Typhoon Lagoon – parque aquático
- Disney Quest

Parques UNIVERSAL

- Universal Studios
- Island of Adventure

Outros Parques

- Sea World 
- Discovery Cove
- Aquatica – parque aquático
- Busch Gardens
- Wet’n’ Wild- parque aquático

5) Onde ficar

Orlando é uma cidade um pouco diferente quando se fala em turismo. Lá as pessoas não se hospedam no centro da cidade, aliás, o centro fica restrito ao morador mesmo. As melhores opções de hospedagem, a meu ver, são as seguintes:

- International Drive – é uma avenida imensa, onde fica o Centro de Convenções e a maioria dos hotéis. Tem um excelente comércio e shoppings ao longo de sua extensão. A maioria dos hotéis conta com frigobar e microondas nos apartamentos, já que o café da manhã não está incluido em muitos casos. Aliás, alimentação merece alguns parágrafos a parte. Se o amigo quiser poderá passear pela International Drive com o Google Maps. Os parques da Universal ficam proximos.

- Kissimmee Area – ou área de Kissimmee, que é uma área fora de Orlando, mais próximo aos Parques da Disney, mas longe da área do Orlando. É muito bom lugar, principalmente pra quem vai em grupo e vai alugar carro, pois é considerado longe e taxis em orlando são bem caros.

Particularmente prefiro a área da International Drive, pois é uma área em que se pode andar a pé, com várias lojas e opções de excelentes restaurantes.

6) Por falar em restaurantes, o que comer é uma das maiores dúvidas de quem vai pela primeira vez.

Orlando não tem só fast food, mas é inegável que a alimentação diária, principalmente nos dia de visita aos parques, é feita de comida rápida, pois você fica praticamente o dia todo nos parques e sua melhor refeição será feita apenas à noite, quando retornar ao hotel.

É claro que há exceção, e a principal dela na minha opinião é quando se visita Epcot Center, pois dentro deste parque há um pavilhão dos países - e dá pra se comer muito bem na Itália. Se o leitor é apreciador de cerveja como o titular deste blog, no pavilhão da Alemanha tem umas ótimas.

Não que não haja comida nos parques, mas o normal deles é isso mesmo, um hamburguer com fritas e refrigerante (ou suco industrializado). Em Orlando tem dois restaurantes brasileiros que são legais, então dá pra ir jantar - se o cansaço permitir.

Para quem tem crianças, recomendo que nos dias dos parques se leve uma mochila com alguns biscoitos e água. É bom ainda para economizar, já que tudo é muito caro por lá. Há bebedouros espalhados pelos parques para que as pessoas possam se reabastecer.

7) Durante a viagem...

CLIMA:

• JANEIRO: Temperatura em torno dos 20ºC e fuso horário de 3 horas a menos.  Levar roupas normais (nem muito quentes, nem muito frescas) e ter sempre um casaco à mão, para usar em caso de necessidade.  Também levar um agasalho mais forte, no caso da temperatura cair.

• JULHO: Temperatura em torno dos 35ºC e fuso horário de 1 hora a menos.  Leve roupas leves: short, camiseta, hidratante, boné, etc... É muito quente e abafado em julho. Deve-se beber muita água.

• PARQUE AQUÁTICO – Roupa de banho completa.  Toalha e armário com chave mediante pagamento no local.  Evitar biquíni por causa dos vários escorregas. Levar roupa para usar depois do parque.

• CAPA DE CHUVA – Chove com constância em Orlando (pancadas fortes e rápidas).  Levar para os parques.

HOTEL:

• Voltagem de 110V. Recomendamos levar adaptador para tomadas americanas.

• SISTEMA DE PAY PER VIEW, TV A CABO E VIDEOGAME NOS QUARTOS: Não está incluído e custa caro. Muito cuidado antes de utilizar quaisquer desses serviços.  Na dúvida, solicitar ao guia mais informações.

• TELEFONE: Os hotéis normalmente cobram taxas caras para ligação do quarto, especialmente interurbano.  Evite utilizar.  Aconselhamos utilizar os telefones públicos que ficam no lobby do hotel.

8) Observações Gerais:

• ORDEM DA PROGRAMAÇÃO – Todo o programa publicado é cumprido, mas a ordem da programação só é determinada próximo da viagem, pois os parques definem os dias e horários das paradas, fogos, etc no início de cada mês. 

• Gastos com alimentação: U$20,00 em média por dia
• Bebida alcoólica: proibida para menores de 21 anos.
• É proibido entrar no ônibus com alimentos e bebidas.
• Cigarro: Não é permitida a venda de cigarro aos menores de 21 anos.  É proibido fumar em locais fechados. Nos parques, são designadas áreas especiais para os fumantes.
• Guarde todos os recibos das compras até o Brasil.
• COTA DE COMPRAS: U$500,00 nas lojas do Estados Unidos (durante a viagem) + U$500,00 no Free Shop.

Acredito que com essas informações iniciais o leitor pode começar a pensar no assunto. Divirta-se!


sábado, 26 de março de 2011

Bissexta - "Cinco razões para preferir a Globo"


Excepcionalmente neste sábado, temos a coluna "Bissexta", do advogado Walter Monteiro. O texto traz um contraponto aos que escrevi sobre a recente negociação dos direitos televisivos do Campeonato Brasileiro de Futebol.

Como os leitores perceberão, é uma posição bastante diferente da minha. Mas é leitura indispensável para se entender melhor o que ocorre.

A propósito, deixo claro que minha preocupação é menos se a televisão A ou B vai ter os direitos, mas sim o monopólio total e absoluto que a Rede Globo terá sobre o futebol brasileiro. Excetuando-se o que em Economia chamamos de "monopólios naturais", este é um fenômeno que nunca é bom, por concentrar excessivo poder nas mãos de um indivíduo ou grupo empresarial. Voltarei ao tema.

Passemos ao texto:

Cinco razões para preferir a Globo

Segue o debate a respeito da cessão dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro.

O Editor-Chefe já manifestou aqui no Ouro de Tolo sua impressão de que teria sido melhor a aceitação da licitação do Clube dos 13 nos moldes iniciais, quando tudo levava a crer que a Record seria a vencedora da transmissão por TV aberta - pagando aos clubes muito mais do que eles recebem hoje e algo mais do que virão a receber em suas negociações em separado com a TV Globo.

Discordo e esclareço minhas razões, não sem antes sublinhar que acho a concorrência salutar. Vamos a elas:

1. A Record se viabiliza economicamente graças a um expediente anticoncorrencial, pois a sua controladora, a Igreja Universal, aluga os horários da madrugada pagando o preço do horário nobre. Ninguém precisa ser gênio para perceber de que se trata de uma simulação para transferir dinheiro da controladora para a controlada, algo claramente ilegal e que acarreta uma concorrência desleal. Não se pode garantir que essa prática não venha a ser proibida, o que traria sérios embaraços financeiros. [N.doE.: segundo apurei, tal "dependência" hoje é significativamente menor]

Logo, não há garantias sólidas de que a Record possa honrar os valores prometidos ao clube por todo o prazo contratual, o que deixaria todos de pires na mão caso isso acontecesse. [N.doE.: tem um detalhe: como a Globo faz hoje em dia e continuará a fazer, a Record pagaria aos clubes com a receita da venda das próprias cotas de transmissão]

2. Ao contrário do que vem sendo divulgado, a modalidade de concorrência escolhida torna o processo pouco transparente e desigual. A opção de envelope fechado+melhor preço, onde nenhum dos candidatos sabe o que o outro vai oferecer, só é aconselhável quando todos possuem níveis de qualificação técnica semelhantes. 

Não é o caso. A TV Globo, grosso modo, possui pelo menos o dobro da audiência da Record (em alguns lugares, mais do que o triplo). A quantidade de dinheiro que a Record vai oferecer a mais precisaria ser ponderada com a quantidade de dinheiro a ser perdida pela potencial retração de patrocinadores. Só que essa reflexão era impossível pela regra escolhida pelo Clube dos 13.

3. Uma das vantagens alardeadas pela Record (a antecipação do horário dos jogos noturnos) pode ser um tiro no pé, porque nunca foi testada. É certo que essa antecipação é ótima para quem, como eu, frequenta os estádios. Só que a meu ver esse torcedor é minoria. 

A maioria dos torcedores precisaria escolher entre ver a novela ou ver o jogo. A audiência das novelas é bem maior do que a do futebol – fico só imaginando quem se disporia a ver São Paulo x Ceará 4a feira de noite em Porto Alegre, no dia que calhasse de não ter jogo de Grêmio ou Inter. A chance dessa mudança esvaziar a atratividade do futebol para o telespectador médio é alta.

4. Outro equívoco é a venda em separado da TV por assinatura e do PPV (Pagar Para Ver). A base de assinantes de TV por assinatura no país é baixa e chega a ser ridícula a quantidade de pacotes de PPV comercializados. Não sei se há viabilidade econômica para que sejam vendidos para operadores diferentes. Uma solução inteligente seria permitir consórcios (juntando, por exemplo, a Record e a ESPN), mas creio que o edital do Clube dos 13 não dava margem para esses arranjos;

5. Por fim, os critérios de divisão do Clube dos 13 prejudicavam alguns clubes, como Flamengo e Corinthians, que recebiam proporcionalmente menos do que o seu potencial de audiência. Não por acaso, o principal beneficiário dessa distorção – o São Paulo – dá as cartas na instituição. Como o Clube dos 13 aparentemente se negava a mudar os critérios, o racha era inevitável.

O tema é polêmico, reconheço, mas essa é só minha opinião. Sou de uma geração que aprendeu a odiar a Globo (o povo não é bobo, desliga a Rede Globo), mas essa antipatia latente não deve atrapalhar uma análise puramente racional."

A Médica e a Jornalista - "Diário de Bordo"


Em mais uma edição da coluna "A Médica e a Jornalista", a missivista Anna Barros (acima) satisfaz a curiosidade de muito marmanjo que gosta de futebol: mostrar por dentro como funciona a redação de um dos principais canais esportivos brasileiros, o Espn.

Diário de Bordo
No dia 18 de março realizei um sonho: conheci a Espn Brasil. Comecei minha saga jornalístico-esportiva vendo o Sportv em 2006 através do Marcelo Barreto e do Lédio Carmona e descobri a Espn Brasil pelas mãos de Jéssica Nayara e de Mauro Cezar Pereira, que estudou na minha faculdade, a FACHA - motivo de muito orgulho para todos que lá estudam ou estudaram. Fomos eu e mais três amigos, Jpessica Nayara, Paulo de Tarso e Marcela Bastos.

Todos nós tivemos uma excelente recepção. Dudu Monsanto, apresentador do 'Pontapé Inicial' nos chamou pelo nome e foi muito gentil com todos nós. Assistimos à vários programas, dentre eles, os meus prediletos, como 'Pontapé Inicial', 'Sportscenter' e 'The Book is on the Table' - programa sobre esportes americanos como basquete, futebol americano, rúgbi e hóquei. A sensação foi extraordinária. Marcamos a visita e fomos ciceroneados por Paulo Andrade, narrador dos canais Espn, e pela radialista e figurinista do canal Duda Novaes. Todos extremamente gentis.

Eu adorei ver ao vivo o 'Sportscenter 11h30' com André Kfouri e William Tavares e os comentários de Arnaldo Ribeiro. É meu noticiário preferido, tanto diurno, como noturno, com Paulo Soares, o Amigão, e Antero Greco. Pena que não conseguimos falar pessoalmente com o 'Amigão'. Foi um senão.

Assim como nos frustramos por não ter conseguido falar com o João Palomino, que será o Coordenador de Esportes da Rádio Estadão Espn. A rádio estreia amanhã, dia 27 de março, motivo pelo qual ele dava entrevistas no momento da nossa visita. Por isso não conseguimos conversar com esse excelente narrador e apresentador do 'Linha de Passe'.

O canal é muito organizado e confesso que não imaginava como eram os bastidores, nos intervalos dos programas. Há um clima descontraído mas de extremo profissionalismo. E conhecer o PVC (Paulo Vinícius Coelho, na foto comigo abaixo), pra mim, foi o momento mais especial. Ele se interessa pela gente e sabia que eu torcia pelo Vasco e pelo Chelsea. É uma pessoa extremamente humilde, gente como a gente. Mauro Cezar Pereira também foi extremamente simpático, perguntando sobre a minha formatura e trocando ideias sobre o 'Calcio' pois ele faria comentários no Futebol do Mundo que ele gravaria naquela sexta para falar do futebol italiano. Eles todos são muito próximos dos fãs de esporte, sempre.

A redação é ampla, com vários terminais de computadores e muita gente num frenesi tremendo para colocar os programas ao ar. A estrutura ao contrário da atual do Fluminense [N.doE.: maldade... (risos)] é ótima e está havendo planos de expansão ainda maiores. 

A Espn Brasil fica no Sumaré, bairro paulistano, onde ficavam os estúdios da extinta TV Tupi. Vimos também o José Trajano que é o diretor de Jornalismo e que falou rapidinho com a gente durante o 'Pontapé Inicial'. O cantinho dele está cheio de referências ao América, seu time de coração, como bom carioca e tijucano que é.

O clímax aconteceu no 'Bate Bola Segunda Edição', apresentado pelo carioquíssimo Rodrigo Rodrigues, ex-apresentador do Programa Vitrine, da TV Cultura, que nos chamou de Mural vivo e no final nos convidou para aparecermos nas frentes das câmeras. Leonardo Bertozzi e Paulo Calçade são pessoas bem legais e muito queridas também.

No dia 19 de março, acompanhamos a narração do Paulo Andrade e os comentários de Rodrigo Bueno no jogo da Premier League entre Arsenal e West Bromwich. Foi um momento pra lá de especial em que Rodrigo Bueno e Paulo Andrade nos citaram de forma muito carinhosa e amistosa. Esse momento se estendeu a um almoço com eles próximo à emissora de televisão. Foram dois dias de sonho, literalmente.

Essa proximidade com os fãs faz com que os canais Espn sejam diferenciados e cativem o seu público com atenção e carinho para que a fidelização seja mantida e a corrente de novos fãs aumente cada vez mais. Não há um espaço distante entre fãs dos trabalho deles e eles efetivamente. Há uma sensação de conforto, de nos sentirmos literalmente em casa. 

No sábado à noite eu pensei que tudo não passava de um sonho e me belisquei um pouquinho. Mas não era, eu estava acordada. Tudo tinha sido real e muito melhor do que eu pensava, muito além nos meus melhores e maiores sonhos. E termino com a frase do fabuloso comentarista, de outro mundo, PVC: “Pode voltar!”. E eu, com certeza, voltarei. Não tenham dúvidas disso. Espero ter colocado um gostinho na boca de vocês para visitar a emissora e que haja um prolongamento de “quero mais” em mim também e que ele reverbere até a próxima visita.

Até a próxima!
Anna Barros"


sexta-feira, 25 de março de 2011

Final de Semana - "Thick As a Brick"



Semana passada comentei no Twitter que estava voltando para casa ao som da banda britânica Jethro Tull. Tal fato gerou alguns comentários surpresos de leitores e amigos, dando conta de que jamais imaginariam que eu gostava de tal tipo de música.

Pois gosto. Tenho uma predileção toda especial por boa música e bom rock dos Anos 60 e 70.

Nossa música de hoje é do grupo britânico, liderado por Ian Anderson: "Thick As a Brick", o longo poema que gerou um álbum clássico de mesmo nome e que aqui apresento em versão histórica  - e, ao que parece, condensada - gravada no Madison Square Garden, em New York, em 1978.

Entendo a longa letra como um manifesto contra a hipocrisia. Ou seja, totalmente atual nos dias de hoje.


Jogo Misto - Ricardo Kotscho


Ricardo Kotscho, 63 anos, paulista, paulistano e são paulino. Jornalista desde 1964, foi um ator e espectador privilegiado de muitos dos principais fatos políticos da última metade de século no Brasil. Viu o nascimento político do ex-Presidente Lula como líder sindical dos metalúrgicos no ABC, partindo daí uma amizade e uma relação profissional que dura até os dias de hoje. É autor de um livro indispensável de memórias, "Do Golpe ao Planalto- Uma Vida de Repórter" (Companhia das Letras, 1986), que comentei aqui nos primórdios do blog.

De leitor assíduo de seu "Balaio do Kotscho" tornei-me admirador, e trocamos alguns e-mails na época da última campanha eleitoral.

Ricardo Kotscho é o entrevistado de hoje da coluna "Jogo Misto".

1) O senhor se projetou para o grande público com uma matéria sobre os “superfuncionários” da Ditadura Militar. Para o leitor mais novo, o que consistia este caso? Que fim levou?

RK - Foi uma série de reportagens publicadas no jornal “O Estado de São Paulo”, em 1975, sobre as mordomias, abusos e privilégios dos “superfuncionários” do governo federal, produzida com a colaboração de toda a rede de sucursais e correspondentes do jornal.

A série sobre as mordomias causou grande repercussão, pois foi a primeira matéria de denúncia publicada na imprensa brasileira após a retirada da censura prévia do jornal. Muitos anos mais tarde, os “superfuncionários” passaram a ser chamados de “marajás” e as práticas de mordomias lesivas aos cofres públicos persistem até hoje.

2) O que foi a campanha das "Diretas Já"? O leitor mais novo não tem a dimensão da campanha, nos dias de hoje.

RK - A campanha das “Diretas Já” foi um movimento suprapartidário pela volta das eleições diretas para a Presidência da República, em 1984, já nos estertores da ditadura militar.

Maior campanha cívica da história brasileira, levou milhões de pessoas às ruas, mas o direito de eleger diretamente seu presidente só foi reconquistado pelo povo cinco anos depois. Conto a história completa no livro “Explode um Novo Brasil _ Diário da Campanha das Diretas (Editora Brasiliense, 1984).

3) Quais as características necessárias a um bom jornalista?

RK - Talento para escrever, curiosidade para perguntar, honestidade para contar e, o mais importante, ter um bom caráter.

4) Qual a avaliação que o senhor faz dos jornais e do jornalismo televisivo de hoje?

RK - É muito difícil generalizar uma avaliação da imprensa brasileira porque virtudes e defeitos variam de um veículo para outro e até mesmo entre profissionais do mesmo veículo.

De uma forma geral, em todas as plataformas, na nova e na velha mídia, acho que temos hoje Brasília demais e Brasil de menos na nossa imprensa, quer dizer, muito noticiário de gabinete e poucas histórias da vida real. Isso torna a nossa imprensa muito indiferenciada, muito repetitiva, muito burocrática, sem alma.

5) O senhor serviu ao Governo Lula. Em que consistia a função desempenhada?

RK - Nos dois primeiros anos (2003-2004) do primeiro mandato do presidente Lula eu exerci com muito orgulho o cargo de Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República. Era responsável pela divulgação dos atos do governo de interesse público e pelo relacionamento do presidente com a imprensa.

6) Como era o ex-Presidente Lula fora da liturgia do cargo? O senhor que o acompanha há mais de trinta anos percebe muitas mudanças na trajetória política do ex-presidente?

RK - Fora do cargo, o presidente Lula não mudou nada, manteve o mesmo jeito simples de sempre e de brincar com seus amigos. Na trajetória política, ele deixou as posições mais radicais do começo da carreira, na época da resistência à ditadura militar, e passou a ser mais conciliador, fazendo alianças que permitissem ao seu governo oferecer melhores condições de vida para todos os brasileiros.

7) Qual a avaliação que o senhor faz dos primeiros dias do Governo Dilma Rousseff?

RK - Acho que Dilma está surpreendendo positivamente tanto quem votou nela como seus adversários, mais voltada para a gestão administrativa do governo, mostrando firmeza nas decisões.

8) Um livro inesquecível. Por quê?

RK - Não tenho um livro inesquecível. Gostava muito dos livros de Monteiro Lobato e Jorge Amado.

9) Uma canção inesquecível? Por quê?

RK - “Caminhando”, de Geraldo Vandré. Virou o hino da resistência à ditadura militar.

10) Um momento inesquecível em sua trajetória jornalística. Por quê?

RK - A cobertura da campanha das “Direitas Já” na “Folha de S. Paulo”. Foi o grande momento de afirmação do povo brasileiro, um divisor de águas entre a ditadura e a democracia em que vivemos hoje.

11) Livro ou filme?

RK - Filme: “Todas as Mulheres do Mundo”, de Domingos de Oliveira, com Leila Diniz.

12) Finalizando, com os agradecimentos do Ouro de Tolo, algumas poucas palavras sobre o blog ou seu autor/editor.

RK - Como velho jornalista, do tempo em que a grande imprensa imaginava ter o monopópolio dos formadores de opinião, acho ótimo que hoje o Brasil tenha milhares de blogueiros como Pedro Migão para falar o que pensam sem pedir licença a ninguém. É saudável para a jovem democracia brasileira que tenhamos cada vez mais emissores e receptores de informações e opiniões.

Boa sorte ao Pedro e longa vida ao blog!


quinta-feira, 24 de março de 2011

História & Outros Assuntos: "Obama, go home! O anti-americanismo  e o romantismo nostálgico da Guerra Fria"

Com um dia de atraso, temos mais uma edição da coluna "História & Outros Assuntos", assinada pelo Mestre em História e publicitário Fabrício Gomes.

Hoje ele retoma o tema referente à visita do Presidente americano ao Brasil, sob o ângulo de mudanças históricas.

Discordo aqui e ali do texto  - quem leu os posts anteriores saberá identificar - mas acredito que é um panorama bastante interessante da questão. Leitura obrigatória.

Obama, go home! O anti-americanismo  e o romantismo nostálgico da Guerra Fria.

Durante os jogos da última Copa do Mundo, disputada na África do Sul, no ano passado, me lembro que, a certa altura li, entre diversas mensagens postadas no Twitter, uma, que serviu de base para a inspiração deste texto. Na ocasião, a seleção dos EUA acabara de ser eliminada por Gana, em Rustenburgo, em partida válida pelas oitavas de final daquela competição. E o comentário foi o seguinte:

“Bem feito para esses caras (os jogadores dos EUA)! Odeio esse país!”

A frase, que a primeira vista soa apenas como uma bravata de torcida no futebol, onde teoricamente sempre se torce pelo time mais fraco (se bem que nesse caso específico, seria difícil apontar o mais fraco), é emblemática por diversos sentidos. 

Um deles, o mais latente, confirma o sentimento que, desde os estertores da Guerra Fria, e que principalmente ganhou força na década de 1980, diante da agressiva política externa estadunidense, primeiro com o presidente Ronald Reagan à frente e depois com George Bush – ambos do Partido Republicano -, o anti-americanismo ainda vive entre nós, sejamos latino-americanos, africanos ou asiáticos. Até mesmo em alguns países europeus, é possível perceber isso, e pasmem, há correntes até mesmo dentro dos EUA contrárias a essas políticas.

É comum sempre a voz rouca das ruas incidir nesse tipo de comportamento. Seja por razões ideológicas ou simplesmente porque uma pessoa ouve alguém gritar “Yankees, Go Home!” e resolve gritar também, mesmo que, na maioria das vezes, não saiba o motivo de estar gritando aquilo. Em muitos casos, o anti-americanismo acontece também porque é “cult” ser “de esquerda” e ter repulsa por tudo que diz respeito ser da “América”. Ser contrário aos EUA já foi moda, principalmente nos anos 1980 e até mesmo meados dos anos 1990. Mas depois meio que perdeu a graça.

Não queremos aqui julgar a política dos EUA. Certamente que na maior parte dos episódios em que aquele país esteve envolvido militarmente, com ações em outros países, não foi por causa da “missão salvacionista” que eles acham ter perante o mundo, de libertar o povo de ditaduras sanguinárias, instaurando a paz e a democracia. É claro que interesses políticos e econômicos estão ali inseridos. 

Foi assim em 1964, quando ocorreu o golpe civil-militar que depôs o então presidente João Goulart e instaurou uma ditadura que esteve por 21 anos no poder no Brasil - é importante ressaltar que os EUA não estiveram militarmente envolvidos naquele golpe [N.doE.: não se envolveram militarmente porque não foi preciso, mas havia uma frota naval estacionada no litoral brasileiro pronta a agir caso fosse necessário], mas apoiaram, seja financeiramente o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD) e alguns sindicatos, em favor de se disseminar um sentimento contrário ao governo Jango. 

Foi assim em 1973, no Chile, de Salvador Allende, quando os EUA externaram simpatia à ascensão do general Augusto Pinochet ao poder; foi assim na chancela à Operação Condor, onde formou-se uma coalisão de países – Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai – que trocavam informações sobre exilados políticos, movimentos subversivos, entre outros. 

Foi assim na guerra entre a extinta União Soviética (URSS) contra o Afeganistão, em 1979 (quando a CIA treinou, financiou e forneceu armas a um certo Osama Bin Laden, para vencer uma já decadente URSS, trôpega e moralmente afetada por uma crise econômica interna – e que culminaria com o solapamento do regime socialista alguns anos depois.); foi assim também quando a CIA investiu e treinou o exército iraquiano de... Saddam Hussein, na guerra entre Irã e Iraque – só para citar alguns exemplos.

No entanto, ter sentimento de rejeição ou ojeriza a algo deve ser analisado. Principalmente quando há alternância de poder num país, onde partidos políticos possuem distintas plataformas de governo e posicionamentos políticos. Historicamente a política estadunidense sempre se pautou na alternância entre Republicanos e Democratas no poder. Nessa onda, em alguns momentos aquele país contou com agressiva política externa e comercial, noutros momentos uma política mais reservada e protecionista da economia. Tradicionalmente os Democratas (partido de Barack Obama, atual presidente) sempre agiram mais em defesa da economia dos EUA, criando inúmeras barreiras alfandegárias contra a entrada de produtos externos, o que não acontecia muito com os Republicanos.

Antes de generalizar os EUA, é preciso entender o contexto e cada situação em que estiveram envolvidos com politicamente externa. O que levou o democrata John Kennedy a querer intervir em Cuba (a famosa invasão da Baía dos Porcos, em 1961)? O que levou ao recrudescimento do alerta estadunidense no Brasil, com a política nacionalista de Jango? A resposta é clara: a revolução cubana, ocorrida em 1959 – e o medo de que o Brasil, neste ultimo caso, se tornasse uma nova Cuba. 

Mas o mesmo partido Democrata teve um presidente que era a favor dos Direitos Humanos (Jimmy Carter) e que bateu de frente com o governo Geisel, levando a um estremecimento de relações com o Brasil, em 1977. Até hoje Carter é lembrado pelo ativismo político na causa pelos direitos humanos, contrário à ditaduras. Então percebemos que toda q e qualquer generalização é equivocada.

O presidente Barack Obama é o primeiro negro a ocupar a Casa Branca. Enfrenta problemas internos nos EUA, como o desemprego e o questionamento de suas políticas sociais. Ao ordenar a ação militar na Líbia, não faz somente por questões humanitárias, decerto. Mas atende a interesses econômicos – não necessariamente dele, mas de grandes grupos petrolíferos e também da opinião pública conservadora – Obama chegou até a ser rotulado de “socialista” por esses grupos [N.doE.: Obama, hoje, é mais republicano nas políticas de Estado desenvolvidas que muitos republicanos]. Essa ação visa, provavelmente, a seu interesse em se reeleger, contando com o apoio destes grupos.


Deveríamos então caprichar na repulsa e discriminação à sua visita ao Brasil? Não. Sua visita foi histórica. Não é todo dia que temos a oportunidade de ver um presidente dos EUA visitando nossa cidade. E é sempre agregador escutar o que um chefe de Estado tem a dizer. Quem acha o contrário, intimamente, é a favor de algum tipo de ditadura que cerceie o ponto de vista alheio. 

Os manifestantes que jogaram pedras e atiraram um coquetel Molotov em cima de um segurança do consulado dos EUA, no Rio, certamente defendem apenas seus pontos de vista, não interessando o que o “outro” pensa. Provavelmente sentem saudades da ditadura stalinista, onde ninguém podia discordar do establishment soviético – e caso o fizessem, seriam mortos ou deportados para trabalhos forçados na Sibéria.

A visita de Obama é mais do que emblemática. Representa algo além do interesse estadunidense no pré-sal brasileiro. Representa a confirmação de que os EUA vêem o Brasil como parceiro estratégico nesta década que se inicia – seja no petróleo, nas telecomunicações ou na economia. 

Representa o respeito que eles tem pela nova presidente. Dilma Roussef, que com seu estilo de governar, a meu ver agrada mais que o ex-presidente Lula, que optava mais pela informalidade do que propriamente pela discrição – que Dilma esbanja nos primeiros meses de governo. E descerra a cortina de uma nova maturidade política do governo brasileiro: uma ex-guerrilheira, perseguida pela ditadura, senta na mesma mesa que um presidente dos EUA para negociar.

Isso não quer dizer nada?

(Foto: iG)