segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Da série "tiraram o sofá da sala" - Parte II

Para fechar a série de posts sobre futebol, quero falar sobre um assunto que já vem me incomodando há algum tempo: a idiota proibição da venda de cerveja nos estádios.

Até a final do Ruralito, não tinha dentro do Maracanã, entretanto no entorno você ainda conseguia tomar uma ou duas cervejas antes de entrar. Agora, até os bares no raio de dois quilômetros do estádio estão proibidos de efetuar a venda, dentro da operação "Choque de Ordem" da prefeitura.

Mais uma vez, um caso clássico de "tirar o sofá da sala".

O argumento é que a cerveja é a responsável pela violência nos estádios. Porém, há algumas falácias neste argumento.

Uma delas é que temos uma quantidade imensa de bêbados nos estádios provocando brigas. Mentira. Normalmente, quem vai aos estádios bebe não para ficar bêbado, mas sim para aliviar as tensões do jogo e como um prazer. A média é de duas, três cervejas, no máximo. Pra conseguir perder a razão com esta quantidade...

Outra coisa é que eu freqüento Maracanã há 30 anos e nunca, repito, nunca vi briga por causa de bebida. Briga-se, basicamente, por rivalidade de torcida organizada, por causa de roubos e, especialmente, por mexerem com a mulher dos outros.

Lógico que não é o caso, nem quero, mas uma eventual proibição da presença feminina nos estádios diminuiria mais a violência que a proibição da cerveja.

Outra prova da hipocrisia é que, por contrato, haverá venda de cerveja durante a Copa de 2014. Ué, na Copa então a violência alcançará níveis insuportáveis ?

Na prática, a impressão que eu tenho é de que esta medida faz parte de um processo de futura elitização dos estádios, como o ocorrido na Inglaterra. O próximo passo vai ser aumentar estratosfericamente o preço dos ingressos.

Por essas e outras decisões idiotas de quem nunca frequentou uma arquibancada na vida que cada vez tenho menos vontade de largar o conforto do meu santo lar: televisão LCD, cerveja gelada e conforto total.

Acho que a idéia das autoridades é justamente esta...

O Trio de Ouro do Rádio



Estando no Maracanã sábado, sou surpreendido pela notícia da morte do grande locutor Doalcei Bueno de Camargo, anunciada pelo painel eletrônico do estádio.

Com o passamento de ilustre figura, se encerra uma era de ouro do rádio esportivo carioca.

Doalcei formava com Waldyr Amaral e Jorge Cúri o trio de narradores esportivos que povoaram a minha infância. Naqueles tempos, final da década de setenta, início de oitenta, futebol na televisão era coisa raríssima e nossa imaginação era povoada pelas narrações do rádio.

Os locutores conseguiam imprimir uma emoção à partida que, muitas vezes, era criada pela própria atmosfera da "latinha". As imagens em nossa mente formavam-se à medida em que eram guiadas pela voz inconfundível dos mensageiros da bola.

Mesmo quando ia ao Maraca, o radinho era companheiro constante, dando o detalhe que, muitas vezes, se perde no tempo e no espaço. Garoto, baixinho, às vezes perdia o lance e contava com o auxílio do radinho para descrever o lance.

A mágica que saía das caixinhas fazia a minha infância bem feliz. Está certo que fui um garoto de sorte, porque peguei a melhor fase do Flamengo em sua história; entretanto, o rádio teve uma importância gigantesca na minha formação enquanto amante do futebol.

Me recordo que eu somente podia dormir depois do horário estabelecido quando tinha jogo do Flamengo para ouvir. Reunia a família junto ao rádio para torcer.

Além dos três citados, ouvia também o José Carlos Araújo e o Cesar Rizzo, este já aposentado. Hoje, quando ouço futebol prefiro a narração do Luis Penido, da Rádio Tupi. Mas o encanto não é mais o mesmo.

Nos dias atuais, pouco tenho ouvido, até por um problema tecnológico: a narração do rádio chega cinco a seis segundos antes da imagem na minha televisão. Chega a ser engraçado.

Por falar em televisão, a verborragia dos locutores me irrita sobremaneira, bem como a explicitação de preferências pessoais.

Descanse em paz, Doalcei. Vá narrar partidas no Céu, junto com Waldyr Amaral e Jorge Cúri, grande rubro negro falecido tragicamente em um acidente de carro. Que Deus o receba.

No alto e abaixo, exemplos das narrações do Trio de Ouro.



Caem as máscaras ?

Leio em vários sites pela manhã algo que, se confirmado, é muito sério: que os senadores Álvaro Dias e Sérgio Guerra, ambos do PSDB, estão negociando com uma empresa americana, sediada em Houston - "Meca" da indústria mundial do petróleo - para que a mesma os auxilie na CPI da Petrobras, fornecendo consultoria a fim de enfraquecer a posição da empresa brasileira.

Deixa ver se eu entendi: eles estão negociando com americanos, obviamente interessados em uma fatia (grande) do pré sal, para torpedear o interesse nacional representado pela Petrobras ?

Isso, se confirmado, é muito sério. Digno de Calabar.

Por outro lado, explicita os interesses de certos setores contrários ao controle do petróleo do pré sal pelo Estado brasileiro. Tais setores defendem a utilização como commodity e a subordinação da política energética brasileira aos objetivos norte americanos.

Reafirmo o que escrevi em tópico anterior sobre o tema: no mundo inteiro o petróleo é política de Estado. O que as propostas enviadas ao Congresso explicitam é o alinhamento do Brasil aos grandes países produtores mundiais, que possuem legislações parecidas.

Outra questão preocupante é a disposição do pré-candidato à Presidência, José Serra, de mudar a legislação via medida provisória caso eleito, conforme matéria da Folha de São Paulo este final de semana. Suas idéias vão na direção de dar maior espaço ao setor privado e externo, reduzir o papel da Petrobras e manter o sistema atual de concessões.

Um tema palpitante como este tem, necessariamente, de passar pelo Congresso nacional para debate, como o Presidente Lula está propondo. Não ser imposto via Medida Provisória, ainda mais, como tudo indica, para tornar a repartição de renda do óleo claramente favorável à apropriação por poucos agentes privados, muitas vezes alienígenos ao Brasil.

Porém, infelizmente, segundo notícia do site de O Globo, a oposição já deixou claro que vai mudar o projeto "de forma a atender os nossos interesses". Ou seja, perderam a eleição, entretanto acreditam que têm o dever de impor as suas políticas e não as votadas pela maioria esmagadora da população, claramente dissonantes.

Fica cada vez mais evidente que a oposição está colocando as proposições pessoais acima dos objetivos da Nação. Lamentável.

(Foto: G1)

Página Virada



Como escrevi em post anterior, sábado era dia de acertar contas com o passado. E isso me motivou a largar o conforto do pay per view e voltar ao Maracanã, apenas pela segunda vez este ano - a outra ocasião tinha sido a final do Ruralito contra o Botafogo.

Antes, bastante trabalho: shopping, levar a esposa e as filhas em Ipanema e, aí sim, rumo ao Maracanã.

Cheguei por volta de cinco e dez, estacionei no prédio da Petrobras próximo e rumei à bilheteria. Pouca gente, mas com um "curral" para a compra de ingresssos que, em um jogo mais cheio, vai dar problemas. Sábado foi rápido.

Encaminhei-me para as cadeiras azuis e uma surpresa: pela primeira vez em 30 anos, não vi um único ambulante nas cercanias do estádio. Mais um efeito da operação choque de ordem. Aliás, concordo que se deve disciplinar, mas, uma vez mais, se pune apenas quem trabalha.

Outro ponto negativo, mas que falarei em outro post, é a proibição da venda de cerveja nas cercanias e dentro do estádio. Caso clássico de "tirar o sofá da sala."

Cheguei às cadeiras inferiores e ainda vi boa parte do segundo tempo da preliminar, América e Cardoso Moreira, pela Segundona aqui do Rio. Vitória do América.

Aproxima-se o início do jogo e eu estava bem nervoso. Eram cinco anos de espera. Além disso, tal qual 2004, o Santo André ganhou o sorteio e inverteu o lado do campo. Detesto quando isso acontece.

O time facilitou meu coração. Fez um gol logo no início e manteve-se no ataque. Porém logo recua e a hora em que o adversário pressiona... cai a luz de parte dos refletores e jogo interrompido. Na volta, pênalti e segundo gol.

Intervalo. A vingança está se consumando.

No início do segundo tempo, o time sente o esforço do primeiro tempo e os efeitos da balada constante, cai um pouco o ritmo. Mas, aos poucos, retoma o controle do jogo, com boas atuações de Petkovic e Zé Roberto - chamado o tempo todo de "Zé Boteco" pela torcida.

Final de jogo, lançamento primoroso de Rafael Galhardo - grande promessa - Pet bagunça os adversários e Zé Boteco, no rebote, fecha a conta e passa a régua: três a zero. A Nação estava vingada.

Saída tranqüila, ainda abasteci o carro no Posto Escola, chegada sossegada em casa. O oposto de 2004.

Certos jogos não valem títulos, mas alcançam tal patamar para o torcedor. São Paulo em 82, Fluminense em 86 e Fortaleza em 2005 estão neste caso, só para citar jogos onde eu estava no estádio. Sábado entrou neste rol. Finalmente, me sinto vingado daquela maldita noite.

Ainda quebrei um tabu de quatro anos sem ver o time vencer ao vivo em Campeonatos Brasileiros, desde o citado contra o Fortaleza. Tá certo que foram três jogos, mas... as vitórias que vi foram em outras competições.

Página virada.

Vício ?

Sábado, antes de ir para o Maracanã, passei no Norte Shopping para pegar uma calça que havia comprado há mais de um mês e deixara para fazer a bainha.

Passo na Saraiva e... mais três livros comprados.

Desta vez, um sobre história econômica, um segundo sobre guerrilhas e terrorismo e o terceiro, um almanaque sobre curiosidades matemáticas.

O pior é que ultimamente meu ritmo de leitura vem sendo bastante lento, por absoluta falta de disponibilidade para sentar e ler.

Aliás, a Saraiva deste shopping é bem melhor que a existente no Shopping Tijuca.

domingo, 30 de agosto de 2009

PSDB agora defende o 'Bolsa Esmola'

Domingo de descanso, uma vez mais leitura de jornais entediante.

Entrando agora na internet, deparei-me com mais este excelente texto do jornalista Rodrigo Vianna, do excelente Escrevinhador, que divido com vocês. A ilustração tem a mesma fonte.

"Hoje, acordei tarde para o café. Sobre a mesa, além de umas broas de milho, havia o "Estadão" e "O Globo". Desde que decidi cancelar a assinatura da "Folha", após o episódio "ditabranda", minha mulher vez por outra compra outros jornais. Acho que é uma campanha subliminar para que eu assine algum deles.

Hoje, tentei ler os dois. Mas são insuportáveis. Dedicam-se neste sábado a duas tarefas: defender Uribe dos "ataques" de Chavez, e prorrogar o julgamento de Palocci no STF. Que eu saiba, o STF é a suprema corte. Decidiu, está decidido. Mas se a decisão contraria os interesses dos jornais, aí não vale.

As broas de milho, essas eu agradeço. Com café preto bem forte, fazem minha manhã mais agradável. Mas "Estadão" e "O Globo" ninguém merece. São patéticos.

Mais patética foi a notícia que eu encontrei no "Estadão, na página A-11: "PSDB quer abandonar crítica a projetos de Lula".

O jornal "informa" que os tucanos estão orientando as bases do partido a dar "visão positiva" dos programas sociais de Lula. O comando do PSDB não quer passar a "impressão" (impressão?) de que é contra Bolsa-Família, por exemplo.

Tarefa inglória. A base social dos tucanos na classe média de São Paulo (mas também em BH, Rio, Porto Alegre, Curitiba) propaga pelas ruas e pela internet o discurso de que Lula - o "apedeuta" - só se reelegeu porque dá "esmola para os pobres".

Isso é o que pensam tucanos de coração. Eleitores de Serra, Alckmin, Gabeira, Aécio, Yeda...

A Globo tentou ajudar. Fez matérias contra o BolsaFamília, contra as cotas, contra os quilombolas. Só que o discurso não colou.

Agora, às vésperas da eleição, os tucanos resolveram mudar: "Bolsa-Família é legal, sim; a gente é que não tinha percebido".

Isso me lembra a foto do Alckmin, em 2006, vestido de "guerreiro defensor das estatais". Para não passar a impressão (impressão?) de que ia privatizar tudo se ganhasse, Alckmin achou que podia renegar - com uma foto-a história privatista dos tucanos.

Não deu. Tenho um amigo tucano que votou no Alckmin no primeiro turno. Depois daquela foto, ele cravou Lula no segundo turno: "o cara não tem coragem de defender nosso programa de privatizações, como vai governar o Brasil?", dizia-me esse amigo.

Em relação ao "Bolsa-Família", a esquizofrenia será a mesma.

Os tucanos estão desesperados. Acionaram os jornais para campanha contra Dilma. Acionaram a Globo contra Lula. Acionaram o Montenegro (do IBOPE) para previsões esdrúxulas dando conta da vitória inexorável de Serra.

Só esqueceram de um detalhe: como acionar os eleitores?

Que programa os tucanos têm a oferecer? Vão manter os programas de Lula? Então pra que votar na oposição?

Eles não têm programa. E não têm militância. O PSDB abriu inscrições na internet para filiados que queiram se cadastrar, com objetivo de votar nas prévias do partido para 2010. Sabe quantos se cadastraram até agora? Mil pessoas. O partido tem (no papel) um milhão de filiados.

A base social tucana é a classe média raivosa que acredita no "Estadão", na "Folha", em "O Globo" e no "Zero Hora". Esses jornais terão trabalho pra convencer esse povo de que o "Bolsa-esmola" - como eles dizem - agora deve se defendido.

Azar o deles. Coloco os jornais no lixo. E vou comer minhas broas de milho."

Eau Rouge


Domingo, dia de Fórmula 1. Enquanto a corrida não começa, uma foto da curva mais desafiadora da temporada: a Eau Rouge, do circuito de Spa-Francorchamps, sede do GP da Bélgica.

Sou do tempo que uma das medidas de competência e de coragem do piloto era ver se ele fazia esta curva com o pé cravado no fundo do acelerador. Era um bom desafio, e sempre era uma atração nos grandes prêmios realizados no circuito.

Também foi palco de acidentes horríveis, como a morte do promissor piloto alemão Stefan Bellof em uma prova de Esporte Protótipo ocorrida em 1985. A foto abaixo é de instantes antes do acidente fatal. Outro grave acidente foi o sofrido pelo brasileiro Ricardo Zonta anos atrás, felizmente sem graves conseqüências.


Como bem diz o Blog do Ico (fonte da foto que abre este post), hoje com a evolução aerodinâmica e os motores V8 passa a ser obrigatório fazer a curva de pé embaixo. Entretanto, em uma época de circuitos desafiadoramente chatos, não deixa de ser um alento ainda termos no calendário circuitos como o de Spa.

A primeira foto é deste ano e a que está abaixo, de 1997. Notem nesta última o patrocínio da cerveja Stella Artois em uma das placas de publicidade.

O circuito - ainda em sua versão antiga, de cerca de 14 quilômetros - e a curva Eau Rouge são muito bem retratados no filme Grand Prix, de 1967, simplesmente o melhor filme sobre automobilismo jamais realizado.

Mas isto é história para outro post...

sábado, 29 de agosto de 2009

Hoje é dia de vingança !!!!



Hoje, sábado, deixarei de lado a preguiça do pay per view e da televisão de LCD para cumprir um dever cívico: ir ao Maracanã e saborear uma vingança que está entalada há cinco anos, mais especificamente desde o dia 30 de junho de 2004. Uma das noites mais infelizes de minha vida.

Desde que o Santo André foi promovido à Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro, eu jurei a mim mesmo que, fosse o dia que fosse, fosse a hora que estivesse marcada, eu iria ao estádio.

Por quê ? Porque só Deus sabe o que eu passei naquela fatídica final de Copa do Brasil.

Começou na venda de ingressos. Eu dedicava à época nos cursos da Juventude Messiânica e tinha um aluno na turma que queria ver o jogo, mas não tinha ingresso. Propus a ele que, se entrasse na fila, eu pagava o ingresso dele.

Muitos tumultos depois, ele conseguiu os ingressos. Iríamos eu, meu pai, meu irmão, o Júlio (que era um dos meus auxiliares nos cursos) e ele.

Apesar do time estar em uma fase não muito boa, ninguém imaginava que o Flamengo pudesse perder uma final para um time que, à época, estava na Segundona, não tendo a menor tradição.

Na sexta feira antes do jogo, o apartamento onde eu morava no Cachambi foi arrombado. Os ladrões chegaram a mexer onde estavam os ingressos, mas não levaram.

Como consequência, minha esposa resolveu dormir na casa dos meus sogros na noite do jogo, porque seria muito tarde (22 horas) e, depois do furto, ela não queria ficar sozinha em casa.

No dia do jogo, quarta, meu pai iria se encontrar comigo no prédio onde trabalhava, que fica a 100 metros do estádio. Só que ele demorou, o tempo passou, celular não dava sinal devido ao número excessivo de chamadas na área e...

Chegamos perto da rampa do Bellini. Um tumulto infernal para entrar, a Polícia a cavalo baixando o pau, jogando gás de pimenta e todos espremidos em um curral estreitíssimo. Morreu gente ali.

Por meu turno, levei umas boas borrachadas da Polícia. Aliás, todo mundo apanhou.

A bagunça era tão grande que em momento nenhum precisei apresentar meu ingresso. Se estivesse sem ele, teria entrado do mesmo jeito.

Feito isso, restava menos de uma hora para o início do jogo, nos acomodamos nas arquibancada verde à direita das cabines. Logo o local onde cresci vendo meus adversários sentados.

Começa o jogo e Abel Braga, o técnico, escala o time em uma retranca feroz para segurar o zero a zero que nos daria o título. Felipe, mais conhecido como Firulipe, teoricamente o melhor jogador e líder daquele time, estava mais preocupado em fazer gracinha com a bola do que em jogar.

Vem o segundo tempo. O adversário faz um gol. Dois. Abel não tem muitas opções ofensivas no banco. O 'melhor' era um folclórico centroavante, ex-carregador de colchões, Negreiros. Nada de reação.

Termina o jogo. Choque. Perdemos. Uma vez mais, vejo o adversário fazer festa dentro da minha casa.

Cheguei em casa absolutamente anestesiado e transtornado. Desligo celular, telefone fixo. Custo a dormir. Lá pelas quatro, consigo.

Acordei quase meio dia, tomei banho, almocei no restaurante ao lado, peguei o ônibus (ainda não tinha carro). Cheguei no trabalho quase duas da tarde. O Zé Carlos, que era o chefe à época e rubro negro como eu, só me diz uma frase:

"- Te entendo, também to puto da vida. Senta aí pra trabalhar e vida que segue."

Pelo menos não levei esporro. Pior foi a secretária:

"- Liga pra tua mulher que ela está doida atrás de você."

Aí que me lembrei que tinha desligado os telefones...

P.S. - Aquele dia foi tão aziago que o Rafael, que comprou os ingressos para mim, faleceria precocemente dois anos depois, vítima de um problema renal congênito. Descanse em paz, amigo.

Livrarias, doce tentação...

Ontem à tarde, estive na hora do almoço na Saraiva do Tijuca Shopping e... não resisti. Comprei mais cinco exemplares.

Não me considero uma pessoa consumista, pelo contrário este blog combate o consumismo desenfreado na sociedade atual.

Entretanto, todo mundo tem seus pecadinhos. Este é o meu, livros.

Como já escrevi aqui outras vezes, tenho um armário com cerca de 150 exemplares não lidos. O espaço que reservei já não cabe para mais comprar, terei de refazer a arrumação da estante.

Pior é que meu ritmo de leitura é muito variável. A questão é conseguir parar para ler. Quando consigo, leio três, quatro livros por semana. Mas, à tocada atual, é um por mês...

O ritual nas livrarias é sempre o mesmo: entro, olho as novidades, depois vou nas prateleiras de História e Geografia, procuro a área de Economia, depois as de Esportes e... normalmente passo no caixa.

E olha que a Saraiva do Tijuca não é exatamente uma livraria top de linha, como escrevi neste tópico tempos atrás.

Aliás, o que eu já tive de desconto no "programa de milhagem" da dita companhia este ano... para quem gosta de comprar livros, o programa de fidelidade é muito bom.

Bom, para uma madrugada de sábado, a ilustração com um dos livros que comprei, o Dicionário Larrousse da Cerveja. Bem apropriado.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Buemba ! Buemba !

Meus 20 leitores sabem que meu senso de humor é um tanto quanto sarcástico.

Procuro buscar formas de humor que também explorem este lado mais irônico da vida e que façam, ao mesmo tempo, rir e pensar.

Escrevo este preâmbulo para dizer que sou fã do humorista José Simão, colunista da Folha de São Paulo e que tem uma coluna diária na Rádio BandNews FM, ao lado dos jornalistas Ricardo Boechat e Luis Megalle.

O humorista é democrático: ele esculhamba a esquerda, a direita, o Barrichello, José Serra, Lula, Sarney e quem mais der motivo para tal. Mas sempre é engraçadíssimo.

Estes dias ele esteve inspirado, falando do Twitter de Barrichello (que os seguidores dele o ultrpassariam), dos inúmeros pedágios das rodovias paulistas e dos exemplos do "Dicionário do Lula" e do "morte ao tucanês", que é uma crítica ao modo empolado de falar dos mesmos.

O papo com os radialistas vai ao ar todos os dias, por volta das oito e quarenta da manhã. Mas no site da rádio há como ouvir a conversa, se você não conseguir ouvir ao vivo.

Alguns exemplos da pena do colunista, abaixo. Boas risadas.

"Teve um amigo do Simão que foi no cartório tirar a certidão de casamento e o balcão onde você marca o casamento é o mesmo em que você tira atestado de óbito! Rarararará. Já entregam os dois! Depois não pode alegar que não sabia...

E os assuntos da semana foram: a vitória do Rubinho, o festival dos bigodes e o cartão vermelho do Suplicy. Agora dizem que saiu um novo tipo de marido, o marido Rubinho: só sobe no pódio de cinco em cinco anos! E ainda chora, rararará. Um amigo do Simão estava seguindo o Rubinho no Twitter, mas acabou ultrapassando! Rararará.

Depois da vitória do Rubinho só faltam três catástrofes para o humor nacional: o Ronalducho emagrecer, o Sarney virar honesto e o Edir Macedo devolver o dinheiro para os fiéis. Aí acaba o mundo!

E temos o Mercadante. Nós adoramos a firmeza dele: ele renunciou a renúncia, desistiu de desistir, revogou o irrevogável. E virou para-choque de caminhão: "Mercadante é como parafuso: se apertar espana" ou pode ser como espaguete: "Joga na água quente que amolece".

Soube das declarações do Sarney? Ele disse que tem muitos correligionários, mas que apesar disso não vai fazer campanha política em 2010. Mas alguém quer?!

E tem a questão do cartão do Suplicy. Tem que avisar o Suplicy que o Woodstock já acabou, que o Vietnã ganhou a guerra e que a Janis Joplin, o Jim Morrison e o Freddie Mercury morreram. Mas é melhor dar uma notícia de cada vez, senão ele vai ficar estarrecido.

Piada pronta! Pronta e enlatada! Direto de São José do Rio Preto (SP): "Padre bêbado atropela motoqueiro". Qual o nome do motoqueiro? Jesus! Rararará. "Padre bêbado atropela Jesus e foge!" Não prestou nem socorro, largou Jesus no asfalto. O jornal diz que ele desrespeitou o sinal "pare", mas ele desrespeitou foi o sinal da cruz e os dez mandamentos: "Não matarás"! Ainda mais Jesus.

Está tendo um festival de bigode no Brasil. Cadê o Belchior? Acharam que tinham encontrado... mas era o Mercadante. Rararará. É mais um bigode em apuros! A família não acha e encontraram o carro dele no aeroporto. Mas ele não tinha medo de avião? Rarararará.

Mas a grande performance da semana é... o cartão vermelho do Suplicy! O jogo já acabou, vai mostrar agora o cartão? Agora que já está tudo arquivado? Imagina o Suplicy como juiz de futebol?! Ele ia apitar um pênalti do jogo passado. "Qual é seu nome mesmo?". "Ronaldo". "Ronaldo, você cometeu um pênalti no domingo passado. Cartão vermelho!"

E ele deu um piti! Falaram que ele tomou até um energético. Vai ver que é por isso que o Supla tem o cabelo daquele jeito, porque um piti daquele arrepia qualquer um. Até o Heráclito Fortes! Sabe qual é o apelido do Heráclito? Cacique língua pesada! Parece aquelas velhas comendo bolacha.

Só faltou o Suplicy pedir impeachment do Collor... e a volta do Goulart! Rararará."

(Fonte: Monkey News)

Daqui a pouco eu volto.

Música para o Final de Semana

Bom, meus 20 leitores sabem que não sou católico, sequer cristão. minha religião, a Igreja Messiânica, é de origem oriental.

Entretanto, boa música é boa música em qualquer contexto. Como de hábito, para abrir com alta qualidade nosso final de semana, vamos falar de uma música que fala do sertanejo, sua vida, seu destino e sua fé: Romaria, de Renato Teixeira, imortalizada por Elis Regina (abaixo, em gravação da Rádio e Televisão Portuguesa - RTP):



A letra de Romaria trata da vida do peão, seus desacertos, seus sonhos e suas delisulões, e de sua religiosidade, com concisão e rara maestria:

Romaria
(Renato Teixeira)

É de sonho e de pó
O destino de um só
Feito eu perdido
Em pensamentos
Sobre o meu cavalo

É de laço e de nó
De jibeira o jiló
Dessa vida
Cumprida a só

Sou caipira, pirapora
Nossa Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida (2x)

O meu pai foi peão
Minha mãe solidão
Meus irmãos
Perderam-se na vida
À custa de aventuras

Descasei, joguei
Investi, desisti
Se há sorte
Eu não sei, nunca vi

Sou caipira, Pirapora
Nossa Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida (2x)

Me disseram, porém
Que eu viesse aqui
Prá pedir de
Romaria e prece
Paz nos desaventos

Como eu não sei rezar
Só queria mostrar
Meu olhar, meu olhar
Meu olhar

Sou caipira, pirapora
Nossa Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida (2x)

A música, de rara beleza, possui outras duas gravações muito boas: a do próprio autor, que apresentamos abaixo, e recentemente uma versão muito boa (que infelizmente não encontrei no Youtube) no último cd do Jair Rodrigues.

Bom proveito.


Anti Marketing

Tem certas coisas que eu não entendo.

Ontem o Flamengo anunciou os dois novos reforços para o seguimento do Campeonato Brasileiro, Maldonado e Álvaro. O primeiro, inclusive, muito bom jogador.

Porém, o marketing rubro negro deu mais uma prova de sua total falta de noção. Na hora dos jogadores vestirem a camisa, um aparece com o patrocinador atual e o outro, com o próximo - que só estréia em outubro !

Analisando os fatos, vemos que a Vice Presidência de Marketing do clube, uma vez mais, passa por cima de um aspecto básico da questão, que é ter um bom relacionamento com seus parceiros.

Na ânsia de "fazer um agrado" com a companhia petroleira, que pagou um valor muito aquém da exposição real da marca no mercado - mas fundamental para pagar um mês de salários - simplesmente desrespeitou o contrato em vigor com a Olympikus, que vem sendo parceira atuante, inclusive oferecendo ao clube benefícios que, a priori, não estariam no contrato. Haja visto o pagamento de parte dos salários do jogador Adriano.

Não conheço minúcias do contrato com a Olympikus, mas acredito que o clube, no mínimo, esteja sujeito a receber uma notificação pelo fato, provado pela foto acima. Trabalho com contratação de serviços e sei que esta é uma cláusula básica e padrão em qualquer acordo quando há descumprimento de cláusulas.

Imaginem o prejuízo de imagem que a empresa teve ao ver que no jornal de hoje está a foto da camisa com duas marcas diferentes. Certamente irá confundir o torcedor médio, dando à petroleira um benefício de exposição pelo qual ela não pagou - haja visto que o contrato só se inicia em outubro.

Na prática, a Olympikus é que fez o desembolso financeiro para que aparecesse a imagem da distribuidora de derivados de petróleo nos sites e nos jornais impressos de hoje.

Sinceramente, o marketing atual rubro negro é um bom microcosmos da (falta de) competência atual daqueles que dirigem o Mais Querido. O mais inacreditável é que, teoricamente, este é o único departamento "profissionalizado" do clube. Imagina se não fosse...

E o pior é que você olha para os candidatos potenciais às eleições e é mais do mesmo. Mais amadorismo, mais falta de competência, mais descaso.

O clube precisa de uma mudança radical.

(Foto: Lancenet)

Atualização às 14:24: obtive a informação de que a Olk autorizou a exposição da marca Ale na apresentação dos atletas. Mesmo assim, não retiro uma vírgula do que escrevi aqui, porque, sem dúvida alguma, é uma forma bastante peculiar de auto-prejuízo à imagem. Sem dúvida alguma, a fornecedora de material esportivo optou por perder agora para ganhar à frente.

Cinecasulofilia - "Jean Charles"

Hoje um pouco mais cedo, nossa coluna sobre cinema, parceria com o blog Cinecasulofilia, do amigo e cineasta Marcelo Ikeda, abrindo a sexta feira cultural no Ouro de Tolo.

Vamos ao texto de hoje:

Jean Charles
de Henrique Goldman

"Preciso escrever alguma coisa sobre Jean Charles, ainda que atabalhoadamente, já que é um filme que está sendo pouco comentado e acredito tratar-se de um filme importante dentro do cenário do atual cinema brasileiro.

Jean Charles é a primeira co-produção entre Brasil e Inglaterra. Nunca antes foi feito nenhum filme co-produzido entre esses dois países. A co-produção internacional está virando uma espécie de moda para os produtores nativos. Mas o que significa isso de fato, associar-se a uma produtora estrangeira para contar uma história? No caso de Jean Charles, isso é natural, já que é um “docudrama” de um brasileiro que foi viver na Inglaterra. Acontece que no caso de vários filmes brasileiros recentes, a co-produção internacional serve essencialmente como forma de se projetar para o mundo, meio para participar de festivais internacionais de renome, meio para superar “o obscurantismo e o subdesenvolvimento do cinema brasileiro” e ter contato com ”uma realidade de primeiro mundo”. Nesse sentido, Jean Charles é o antípoda de uma co-produção internacional como Budapeste, uma co-produção entre o Brasil e a Hungria (??!!), que acabou fracassando em seu propósito em se inserir em um grande festival internacional. Henrique Goldman, diretor de Jean Charles, não quis fazer “o filme da sua vida”, ou ainda, “um filme para a competitiva de Cannes”, ele simplesmente quis fazer um filme, mais um filme, um filme como tantos outros disponíveis no mercado internacional.

Jean Charles é um filme precário. Feito numa espécie de 16mm granulado, com uma decupagem simples, o filme não tem entre seus méritos a habilidade na condução dos elementos da linguagem cinematográfica, mesmo em se tratando de um filme de narrativa convencional. O que o torna interessante é a abordagem da narrativa, é a possibilidade de fazer o filme desta forma, é sua posição dentro do cinema brasileiro de hoje.

Jean Charles já começa anunciando-se como uma grande farsa, ou ainda, sem a pretensão de ser um documentário, um “retrato imparcial” sobre a condição dos imigrantes que trabalham no “primeiro mundo”. Jean Charles é o antípoda de um filme como Pão e Rosas, de Ken Loach. Loach mostra didaticamente personagens que representam tipos fechados e homogêneos, sem ambigüidades, construídos para comprovar sua tese, a priori de todo o filme, cujo objetivo último é “conscientizar o espectador”. Os imigrantes são vítimas dos empregadores, que são vilões que representam o grande capital que os trata como semi-escravos. Em Jean Charles, ninguém é ingênuo, todos sabem as regras do jogo. E ainda assim é possível construir um mundo humano. Ao final da obra, o empregador – também um imigrante – faz uma festa e traz mulheres para comemorar com os pedreiros. Pois acima de tudo, Jean Charles – um filme sobre uma tragédia – é um filme sobre a possibilidade da celebração da vida e da liberdade de ir e vir.

Mas como ia dizendo, o filme começa como uma grande mentira. Jean Charles comove os oficiais da alfândega para que sua prima, Vanessa Giácomo, possa entrar no Brasil. Logo após ele ridiculariza os oficiais ingleses, mostrando que seu “chororô” como pobre-coitado era um mero artifício para conseguir entrar na tão sonhada Inglaterra. É como se o próprio Henrique Goldman estivesse nos dizendo que todo o enredo em torno de Jean Charles fosse uma espécie de pretexto para poder fazer cinema na Inglaterra!

Henrique Goldman não quer ser Ken Loach: não quer passar no Festival de Cannes, não quer fazer mensagem politicamente correta sobre a vitimização dos imigrantes estrangeiros, não quer fazer cinema de decupagem cheio de virtuosismos de câmera. Jean Charles é exemplar pela forma humana e honesta com que assume a sua precariedade, daí que se trata de um dos filmes mais dignos do cinema brasileiro em muito tempo. Assume a sua precariedade como brasileiro, isto é, com a consciência de que o cinema brasileiro entrando na Inglaterra nunca vai ser cinema inglês, sempre vai ser um cinema do terceiro mundo. Numa cena, Vanessa Giácomo trabalha como garçonete numa festa num barco, e ao final da festa seu pretendente a namorado ucraniano mostra a ela que eles estão no mesmo barco, vendo a mesma vista e tomando o mesmo champagne (no final de festa eles bebem o que sobrou das garrafas) dos gringos ingleses milionários. É o Brasil entrando no cinema globalizado mesmo que seja pela porta dos fundos!!!! Da mesma forma, quando Goldman vai filmar uma festa de música brasileira, ele não escolhe bossa nova, samba, chorinho ou nada do tipo, e sim simplesmente o Sidney Magal!!!

Ainda, no final do filme, Goldman se concentra na tragédia, do bárbaro assassinato de Jean Charles. Mas o que poderia ser um retrato raivoso do contato com o estrangeiro, é visto com certa serenidade, até um final bonito, bonito de verdade. Em vez de apontar para o ressentimento em relação ao assassinato, Goldman prefere apontar para uma expectativa de esperança, apontar para um legado de Jean Charles: como dissemos, uma possibilidade da celebração da vida e da liberdade de ir e vir. A personagem de Giácomo não vai mais trabalhar de 9 às 9 para juntar dinheiro e voltar para o Brasil, mas arruma uma mochila e resolve viajar na aventura de conhecer o mundo. O filme se encerra – SPOILER!!!! – com ela simplesmente entra no metrô, mesmo local onde Jean Charles foi brutalmente assassinado. Ou seja, no lugar do ressentimento, a possibilidade de voltar a entrar nesse metrô, o que encerra de forma coerente o belamente precário Jean Charles."

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Lista de Blogs

Estou para fazer um resuminho dos blogs que estão no lado direito do Ouro de Tolo há algum tempo, mas tinha faltado tempo. Agora vai.

Nem todos os blogs que leio estão ali, ou porque o Blogger não consegue ler o script - como o ótimo Escrevinhador - ou pelo fato de não passar todos os dias.

Todos os blogs desta lista recebem pelo menos uma visita deste que vos escreve diariamente, ou quase isso.

Vamos lá, sem ordem de preferência:

Flávio Gomes - Sobre automobilismo, do repórter veterano em coberturas de Fórmula 1. Também versa sobre outros assuntos e gosto da forma irônica como escreve.

A Minha Pátria é a Língua Portuguesa: do Xará Pedro Costa, possui um mosaico de locais e culturas muito interessantes de Portugal.

Lédio Carmona: do meu amigo, jornalista do Sportv, fala de futebol mas não só dele. Obrigatório.

Luis Nassif: sobre jornalismo e economia, com pitacos de música e arte. Sempre mostra o que há oculto no que parece convencional.

A Mil Por Hora: de Rodrigo Mattar, do Sportv. Notícias quentes de automobilismo e música;

FBI - Festival de Besteiras da Imprensa: escrito por um engenheiro mineiro, a imprensa por trás da imprensa. Tem especial "predileção" pela inacreditável Miriam (argh) Leitão.

Blog do Ico: do correspondente de Fórmula 1 da BandNews Luiz Fernando Ramos. Notícias atualizadas e história da categoria.

Prosa Online: blog do "Prosa e Verso", caderno literário do jornal O Globo. Aliás, gostaria de indicações de outros bons blogs sobre literatura;

Diário Intramuros: mais recente aquisição da lista, é comandado por "Mrs G", brasileira radicada em Londres. Tem a característica que eu havia pensado originalmente para o Ouro de Tolo, mais intimista.

Voudekombi: de Hélio Arcanjo, o "Chico da Kombi", sobre futebol alternativo e de divisões inferiores.

Luciana Estevam: blog sobre artes plásticas e criações da autora, ex-colega de Pré Seminário.

Serendipity: da amiga Talita da Luz, também sob uma perspectiva mais intimista da vida.

Petrobras Fatos e Dados: o maior sucesso recente da internet. O último post apontado na lateral não é realmente o mais recente, não sei porquê não atualiza.

A Nossa Cozinha: do nosso colunista Emerson Mantovani, sobre gastronomia.

Ayïtian Nuvels: de José Renato Baptista, antropólogo que está no Haiti em pesquisa de doutorado. Um painel sensacional sobre o país.

Além do Jogo: do jornalista Marcelo Damato, sobre futebol e o seu lado oculto. Tem o mesmo problema do "Fatos e Dados".

Quanto ao Ouro de Tolo, ele anda em uma fase mais de opinião do que 'dias comuns e literatura'. Quando comecei a escrever, eu imaginava um espaço muito diferente. Mas ele ganhou vida própria e, hoje, estou muito satisfeito.

Este espaço sempre estará aberto a críticas e sugestões.

De certa forma, o Ouro de Tolo é que me mantém 'vivo' nesta rotina absolutamente crônica em que estou atualmente. É o meu cantinho e os leitores/visitantes são sempre bem vindos. Não se esqueça de divulgar se gostar, por favor.

Ressalto que todos os textos de minha autoria publicados neste blog têm livre reprodução e distribuição, desde que citada a fonte.

Razão e Sentimento

O dia hoje está bem corrido, mas queria falar um pouco sobre um duelo que sempre permeia a nossa vida e nos torna instáveis: razão versus sentimento.

Pessoas que são mais "sentimento" tendem a serem explosivas e emotivas. Seres humanos que dão primazia à razão carregam estigma de frias, calculistas e cruéis.

Os 20 leitores deste blog devem estar pensando: "o Migão vai falar lugares comuns aqui?" Porque isso, reconheço, é um lugar comum daqueles.

Não, não irei. Conclamo, apenas, a inserirem o bom senso nesta luta diuturna. Quando pendemos apenas para um dos lados, a tendência é de que caminhemos para o espectro lateral das opções. Ou seja, em português claro: seremos "bebês chorões" ou "robôs".

Se agirmos com bom senso, saberemos quando extrapolamos e voltamos ao equilíbrio. Certas situações demandam mais de um que de outro, entretanto a sabedoria é deixar um ou outro aflorar.

Normalmente, a razão controla o sentimento. Nos dias de hoje, em que vivemos o primado absoluto da razão, a tendência é de que manifestações de sentimento puro sejam vistas como "fraqueza".

Principalmente no mundo empresarial, quem é mais afeito à razão - e menos ético também, mas isto é outra história - é considerado "mais preparado" para ser um funcionário de sucesso. Empregado "bom" é aquele que chuta a cabeça do colega sem se perturbar.

Particularmente, acho isso péssimo.

Razão sem sentimento é falta de sensibilidade, sentimento sem razão é descontrole. Nossa sociedade tende a aceitar mais o primeiro caso que o segundo.

Onde eu quero chegar ?

Gostaria de propor aos leitores uma reflexão, inserindo o bom senso na questão. Muito racionais temperarem com um pouquinho de sentimento e emoção as suas atitudes. Quem é emocional parar para pensar e ver as consequências das decisões que vem tomando em sua vida.

Estou pedindo equilíbrio, mas eu mesmo sou um mau exemplo: tendo muito mais à razão, embora tenha em minha defesa o fato de ter me acostumado a sentir emoções bastante contidas. O tempo e a vida foram me tornando extremamente pragmático, ainda que isso não signifique renegar meus valores: muito pelo contrário.

Entretanto, sou obrigado a confessar que se eu fosse mais emoção e menos racionalidade, certamente minha vida teria seguido um rumo diferente. Melhor ?

Sinceramente, não sei.

Da série "dois pesos e duas medidas"

A nossa grande imprensa, tão diligente em denunciar escândalos de corrupção envolvendo o Presidente do Senado ou todos aqueles que de forma ou outra apóiam o governo federal, omite-se de forma absolutamente inexplicável no caso atualmente em curso no Rio Grande do Sul.

Yeda Crusius (PSDB), governadora do estado, está atolada em um mar de lama, advinda de diversas denúncias de corrupção. Inclusive diversas condutas investigadas afirmam que a governadora seria beneficiária direta de parte dos recursos envolvidos nas manobras.

Caixa Dois, desvio de verbas do Detran local, propina de fabricantes de cigarro, "mensalinhos", morte suspeita de um dos principais envolvidos (que apareceu boiando no Lago Paranoá, em Brasília), compra de uma casa pela governadora em valor incompatível com sua renda familiar, financiamento de partidos por órgãos públicos do estado, financiamento de campanhas... a lista é longa.

Ressalte-se que um dos denunciantes é o próprio vice-governador do estado.

Qual é o papel da imprensa no caso ? Somente agora, quando as denúncias acumulam-se de forma incontrolável é que começa-se a mostrar de forma mais ampla o caso, ainda assim timidamente. Noticiam-se factóides envolvendo membros do governo federal, mas nem uma notícia sobre estes fatos, muito mais graves.

Será devido à governadora ser do PSDB ?

Outro ponto é que, por muito menos, o governador do Maranhão, Jackson Lago, foi apeado do cargo pela justiça. Entretanto, nada ocorre em relação à governadora: a Justiça bloqueia todas as tentativas de levar adiante as investigações.

Coincidentemente, o chefe plenipotenciário do Poder Judiciário, Gilmar Mendes, é tucano de carteirinha...

Estamos diante de um clássico caso de "dois pesos e duas medidas".

Porém, o que fica claro é que toda esta história de Sarney, Lina e congêneres não tem nada de luta pela moralidade. Não passa de mera disputa pelo poder.

Só lamento profundamente personagens como o Senador Suplicy, a quem respeito muito, se permitirem usarem como "bois de piranha" desta história toda.

Parcelas mais esclarecidas da população entraram na mesma esparrela, quando quem comanda o processo quer apenas garantir o seu quinhão.

Ou melhor, voltar a impor a velha política...

Parabéns, René Simões

Sou fã do técnico René Simões desde o trabalho que ele fez para levar a Jamaica à Copa do Mundo. Embora jamais tenha sido técnico do Flamengo (teve uma curta passagem como gerente geral em 2000), já venho acompanhando sua carreira há algum tempo.

Minha admiração aumentou ao ler o livro que ele escreveu sobre a campanha vitoriosa do Coritiba na Segunda Divisão de 2007. Este mostra bem o trabalho "por dentro" de um clube e muitos detalhes que, nós torcedores, sequer sabemos que existem, mas que são fundamentais na diferença entre a conquista e o fracasso.

Pois bem. René Simões teve duas atitudes dignas de aplausos entre a noite de anteontem e a tarde de ontem, quarta feira. A primeira foi denunciar os dois conselheiros - e 'torcedores' - da Lusa que foram ao vestiário do Canindé ameaçar jogadores e o próprio técnico, de arma em punho, após a derrota para o Vila Nova.

A segunda foi imediatamente pedir demissão por não concordar com o fato, mesmo sabendo que poderia ficar "queimado" no mercado. Mostrou caráter, princípios e coragem.

O curioso é que o próprio Simões, no livro citado, diz que o torcedor da Portuguesa é o mais chato do país, por reclamar mesmo que o time ganhe.

Quem acompanha futebol sabe que tem muito dirigente que dá dinheiro para torcedor a fim de não ser vaiado nem sofrer eventuais cobranças em cima dos fracassos. Existem muitos torcedores "profissionais" que vivem disso, de agitar e acalmar a massa.

Esse relacionamento promíscuo entre dirigentes e alguns chefes de torcidas é fonte de muitos desmandos envolvendo os times de futebol brasileiros. Quando interessa, ocorre algo como o ocorrido no Canindé.

Que fique claro: não sou contra as torcidas organizadas, muito pelo contrário. O que deve ser feito é uma "limpeza" nelas, separando o joio do trigo, e, especialmente, coibir estas relações incestuosas entre dirigentes e certos torcedores.

Enquanto isso não acontece, parabéns, Renê Simões.

Para encerrar, reproduzo abaixo a nota oficial em que o técnico anuncia sua decisão:

"O triste episódio de violência que aconteceu na Portuguesa deve servir de alerta para os clubes nacionais: os profissionais precisam de segurança. Trata-se de um esporte em que não só a integridade física é, obviamente, fundamental, mas em que a psicológica tem papel igualmente importante. Os treinadores não são somente responsáveis por orientar sua equipe, mas também por exigir que as condições de trabalho básicas sejam oferecidas. Afinal, que espécie de rendimento se pode esperar de atletas que se sentem ameaçados enquanto dão o melhor de si? Por sorte, ninguém se machucou e, para evitar que isso aconteça, é preciso impedir esse tipo de manifestação.

A exemplo do técnico Vanderlei Luxemburgo, que se recusou a sair pela porta dos fundos do aeroporto, decidi que a única forma de manifestação efetiva seria deixar o comando do time. Trata-se de uma equipe composta por jogadores que respeito, acredito e admiro. E mesmo consciente de que a atitude desse pequeno grupo não corresponde ao comportamento da torcida da Portuguesa, que apoia e respeita os profissionais envolvidos com o clube, o esporte brasileiro precisa acompanhar a realidade atual e se tornar seguro e profissional."

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Violência Real e Violência Percebida

O comentário do Xaruto no post sobre o Rio de Janeiro me leva a fazer uma reflexão sobre a violência aqui na cidade.

Penso que existe uma violência real e uma violência percebida. A real é aquela que realmente acontece no dia a dia. A percebida é a propagada pelo povo e ampliada pela imprensa.

Por que escrevo isso ? Porque o que ouço nas conversas e vejo na imprensa é algo muito mais sério do que o dia a dia em que vivemos.

Aqui eu trabalho com gente de tudo quanto é lugar. Carioca é o que menos tem aqui. Todos eles se espantam, mesmo com vários anos de cidade, com a tranquilidade que tento demonstrar.

O que se vê na imprensa, em especial na televisão, e no imaginário popular é uma selva. Que aqueles que saem na rua levam tiro todo dia, que assaltos possuem hora marcada e que a Polícia atira primeiro e pergunta depois - bom, este último ítem não chega a ser falácia absoluta, mas é outra história.

Na prática, a Cidade Maravilhosa possui as mesmas mazelas das grandes cidades do mundo. Possui assaltos, possui homicídios, mas tudo em taxas bem similares a de outras grandes aglomerações urbanas.

Vejo duas diferenças fundamentais: primeiro a imprensa que exacerba o que ocorre aqui no Rio. Tudo aqui é amplificado, espetacularizado e dito de forma a perpetuar o Rio de Janeiro como "cidade sem lei".

Segundo, a crise econômica que assolou a cidade nos anos 80 e 90 agora está cobrando o seu preço. Quem conhece um pouquinho de segurança sabe que uma geração perdida vai impactar 15, 20 anos depois na questão da criminalidade.

Como sabem, passo todo santo dia pela Linha Vermelha. As pessoas se espantam quando digo que, graças a Deus, jamais tive qualquer tipo de problema passando pela via. Espero que continue assim.

Esta histeria coletiva da população, em tempo, acaba gerando fatos como o do menino João Roberto, covardemente executado dentro do carro dos pais pela PM. A postura do "mata e esfola", insuflada por agentes externos, contribui para este tipo de atitude. Atire primeiro, pergunte depois, todo morador é um bandido em potencial.

Não irei discorrer aqui sobre os problemas de segurança pública que temos, até porque já escrevi sobre isso aqui mesmo neste blog.

Reforço, apenas, que temos um problema sério localizado em nossas forças de segurança, mal preparadas, mal orientadas, com problemas sérios de conduta moral e executando uma política de segurança pública pífia.

Quero, apenas, alertar que a sensação de insegurança é bem diferente da insegurança real.

Globo x Record - Parte II

Os vídeos não são exatamente recentes, mas demonstram bem o que escrevi em artigo anterior.

O primeiro é a matéria do Jornal Nacional, de 11 de agosto, sobre a Igreja Universal:



O segundo vídeo é a resposta da Rede Record, que traça um bom painel da história (nem tão) secreta da Tv Globo:


Como escrevi no blog do Luis Nassif, para mim isto é briga de quadrilha. Mas importante para demonstrar como as coisas funcionam neste país.

Voltarei proximamente ao tema.

TibaNews, o primeiro blog da internet brasileira

Meus 20 leitores devem ter visto o título desta postagem e pensado: "o Migão surtou !"

Não, não surtei. Quero falar daquela que foi a precursora dos atuais blogs na internet, a coluna "TibaNews", do jornalista Celso Itiberê.

Lançada se não me falha a memória em 1997, estava abrigada na página do jornal O Globo e era um complemento da coluna mantida pelo jornalista no jornal impresso.

Era atualizada uma vez por dia, normalmente de segunda a sábado, e já seguia o modelo de um blog atual, dividida em posts por assunto, muitas vezes com fotos. A interação com os leitores era feita através de e-mail.

Normalmente trazia notícias de todas as categorias do automoblismo, com especial atenção à Fórmula 1. Também expressava a opinião do jornalista.

Aos poucos, foram se estreitando os laços entre a coluna e seus inúmeros leitores. Surgiram daí a Tibaloteca, que era um bolão de palpites em cima dos resultados da Fórmula 1 (1998), e a Fórmula Tiba, que era um campeonato de kart indoor, este disputado nos anos de 1999 e 2000.

A Tibaloteca era coordenada pelo leitor Eduardo Monteiro - que mais tarde seria meu padrinho de casamento - e a Fórmula Tiba, por este que vos escreve e por Sérgio Milani. Bruno Nascimento nos auxiliava na parte de banco de dados das brincadeiras.

Eduardo, Milani e eu tínhamos nosso espaço na coluna, divulgando a confraternização realizada através destas brincadeiras.

Com uma breve interrupção para mudança de layout, a coluna seria publicada até meados de 2002. A Tibaloteca ainda se manteria até meados de 2004. Entretanto, o formato da coluna e sua interatividade se mostraram pioneiras na internet, antecipando o fenômeno dos blogs.

Eu me recordo que a coluna era atualizada sempre por volta das cinco da tarde. Quando não tinha internet em casa - o que só ocorreu em meados de 1998 - pedia a alguém no trabalho para enviá-la para mim. Ficávamos sempre ansiosos pelas notícias, e foi o primeiro espaço onde tive publicado um texto de minha autoria.

Ressalto grandes amizades que saíram dali, bem como as duas confraternizações realizadas, em fins de 1999 aqui na Ilha e em outubro de 2000, em Arraial do Cabo. Nas duas ocasiões Mestre Celso brindou-nos com seu conhecimento e sua amizade.

Infelizmente, não achei no Google nenhum texto remanescente da coluna, nem fotos do jornalista. A foto que ilustra este post é da última etapa da Fórmula Tiba, ocorrida em dezembro de 2000. Fui o quarto colocado geral naquela etapa e segundo na minha categoria, obtendo também oquarto lugar geral e o título da categoria naquela etapa. Eu tinha quase trinta quilos a menos naquela época...

Fica aqui minha homenagem a Mestre Celso e ao Tibanews. Bons tempos...

Em tempo: bem que Mestre Celso poderia voltar a nos brindar com o TibaNews, agora em formato de blog...

Rio de Janeiro

Eu recebi ontem à tarde, via e-mail, uma série de fotos aéreas muito interessantes do Rio de Janeiro. Infelizmente, o autor das mesmas não autoriza a divulgação, de modo que ilustro o post com esta manjadíssima - e bela - imagem da cidade.

Sou carioca, nascido e criado na cidade - com exceção de uma brevíssima temporada em Brasília, ainda quando era bem criança.

Também sou suburbano de Cascadura, onde nasci e morei por praticamente 30 anos. Hoje, sou morador da Ilha do Governador, que é praticamente uma cidade à parte dentro do Rio. Mas isto é assunto para outro post.

Faço esta introdução para fazer uma profissão de otimismo na cidade. Mesmo com os (des)governos dos últimos anos e com a cada vez maior priorização da Zona Sul da cidade, o Rio de Janeiro possui uma força orgânica que o mantém vivo e importante.

Obviamente, a mudança da capital federal para Brasília diminuiu sobremaneira a importância da cidade no cenário nacional. Não somos mais a capital política, nem cultural, sequer econômica. Até o futebol perdeu a primazia que tinha, muito em função da má qualidade de seus dirigentes.

Entretanto, com todos estes fatores atravancando o caminho da cidade, somos, ainda, fonte de inovação e de inspiração para o trabalho, a poesia e a fé.

Por outro lado, o Rio precisa se reinventar como cidade, para poder voltar a ser eixo fundamental do espaço brasileiro. Buscar ocupar espaços vagos de importância no país e fazer valer a sua força vital.

Procurem passear pelo subúrbio. O leitor encontrará um vigor, uma esperança de dias melhores e uma rotina absolutamente encantadoras. O material humano existe, de boa qualidade; oportunidades de negócio, também.

Falta, talvez, um pouco de vontade política de nossos líderes e representantes. Não somente os políticos, especialmente estes, como igualmente empresários atuantes e lideranças populares sociais. De certa forma, o carioca se conformou ao passado de glórias e, tal qual um sebastianista, suspira pela volta dos bons tempos.

Esta postura, penso, é muito reforçada pela atuação dos mandatários da cidade, com políticas paroquiais e que colocam interesses de grupos em detrimento do bem estar geral. A cidade não é somente a Zona Sul, não é somente o eleitor que vai à praia todos os dias.

Ainda assim, acredito que o Rio de Janeiro tem solução. Basta se esforçar, basta criar, basta se movimentar. É preciso pensar.

Eu tenho esperança.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Eu apóio !

Arbitragem

Iria escrever um texto sobre arbitragem, mas às segundas e sextas recebo uma newsletter de humor chamada "A Várzea", do site "Trivela". Com muito humor, faz um bom resumo da questão, e a transcrevo aqui.

A sério, faço dois comentários: os árbitros precisam ser profissionais do apito e deveríamos ter o auxílio da televisão para lances duvidosos. Mesmo que fosse limitado a um pedido por equipe, por tempo de jogo.

Do jeito que está não pode continuar. E olha que não estamos falando de força política, bastidores e 'otras cositas más'...

À guisa de explicação, Geraldo Magela é um jornalista esportivo mineiro, portador de deficiência visual.

"MALANDRO É MALANDRO

Pode ser em qualquer time disputando o Brasileirão. Sexta-feira é dia de treino tático, porque sábado é rachão e não se fala mais nisso. Mas tem técnico que não se esquece da prática dos fundamentos, algo que pode ser fundamental (hãn? hãn?) para buscar os três pontos e conquistar um resultado positivo.

- Vamos lá, moçada. Hoje tem treino de fundamento.
- Beleza, professor. Cruzamento?
- Tá maluco? Isso não ganha jogo. Hoje vamos treinar pênaltis.
- Pênaltis? Mas não é mata-mata... E já temos nosso cobrador.
- Não é isso, animal. É cavar pênalti. Tá vendo o zagueiro ali? Assim que ele chegar perto, você deixa a perna pra bater na dele e se joga.
- Ah, entendi. Depois levo a mão ao joelho para parecer mais realista, certo?
- Com certeza. Você sabe como é a arbitragem brasileira. No último jogo quem apitou foi o Magoo, ele é difícil porque enxerga mais do que a média. Mas no próximo, com o Geraldo Magela, não tem erro.
- Mas professor... não seria mais inteligente eu tentar passar pelo zagueiro e fazer o gol?
- Eu sou o professor e você quer me dizer o que é mais inteligente?
- Deixa pra lá.
- Certo. Agora vamos à parte 2. Você já se levanta com a mão para o alto, o polegar grudando no dedo médio e no indicador, como se estivesse mostrando um cartão. É certo que ele vai ser expulso.
- Verdade. Nos jogos que o Ray Charles apita costuma dar certo.
- Sabe o que também dá certo? Gol de mão. Você dá o migué e sai comemorando.
- Mas não tem perigo ir parar na Justiça?
- Justiça? Assim como os árbitros brasileiros, ela é cega..."

Samba de Terça

Hoje a nossa coluna "Samba de Terça" será um pouquinho diferente. Iremos falar de um samba que fez um enorme sucesso em seu tempo, atualíssimo nos dias de hoje; e que nos permite uma reflexão sobre os rumos dos desfiles das escolas de samba.

Um enredo profético, com um samba profético, que deu à simpática agremiação de Botafogo o seu melhor resultado no Grupo Especial. Ainda hoje lança luzes sobre o processo de profissionalização anômala pelo qual passam as escolas.

A escola possuía, nos Anos 80, tradição em enredos críticos e satíricos. E cometeu a ousadia de levar para a Marquês de Sapucaí um tema que era uma crítica ao próprio desfile, aos próprios dirigentes, à própria música: "E o samba sambou".

Enredo de autoria dos carnavalescos Carlinhos de Andrade e Roberto Costa, propunha a crítica e o pensar aos segmentos que perfazem um desfile.

A letra do samba, de autoria de Helinho 107, Mais Velho, Nino e Chocolate, pode ser analisada estrofe a estrofe:

Vejam só !
O jeito que o samba ficou ... E sambou
Nosso povão ficou fora da jogada
Nem lugar na arquibancada
Ele tem mais pra ficar

Preconizava a cada vez maior elitização do público do desfile e o alijamento do povo da passarela dos desfiles. Hoje, reclama-se da frieza do espetáculo, consequência direta do aumento do preço dos ingressos e da diretriz turística dada ao evento. A paixão do povo arrefeceu-se.

Na segunda estrofe, a crítica era à mercantilização dos desfiles:

Abram espaço nessa pista
E por favor não insistam
Em saber quem vem aí
O mestre-sala foi parar em outra escola
Carregado por cartolas
Do poder de quem dá mais
E o puxador vendeu seu passe novamente
Quem diria, minha gente
Vejam o que o dinheiro faz

Fazia referência à entrada do dinheiro em profusão nas escolas, processo iniciado cerca de quinze anos antes. Ainda hoje, as escolas de samba vivem um processo de profissionalização anômala.

Hoje, o modelo de patrocínio é inadequado, certos segmentos recebem pagamento pelos serviços, outros não; o modelo de gestão das escolas ainda pode ser considerado amador.

Com isso, o alegado "amor à escola" deixa de existir. Passa a ser amor à grana. A porta bandeira, o mestre sala, o puxador, pasam a escolher a escola não pela sua formação, mas sim pela que paga mais.

É fantástico
Virou Hollywood isso aqui
Luzes, câmeras e som
Mil artistas na Sapucaí

Relata a grande entrada de profissionais de teatro e dança na festa do carnaval. Também ironiza a transformação em show-business da festa.

Mas o show tem que continuar
E muita gente ainda pode faturar
"Rambo-sitores", mente artificial
Hoje o samba é dirigido com sabor comercial
Carnavalescos e destaques vaidosos
Dirigentes poderosos criam tanta confusão
E o samba vai perdendo a tradição

Aqui temos contornos de profecias. A letra fala das "firmas" de samba enredo, que pontificariam na segunda metade da década de noventa. Outrossim, relata a comercialização dos desfiles, já citada anteriormente neste texto.

Pode-se inferir, adicionalmente, referências à gerência do carnaval por parte da Liesa. Esta faz questão de manter o carioca, que em última análise sustenta com sua paixão as escolas, longe da festa, o mais longe possível.

Volta e meia, destarte, temos confusões envolvendo resultados de carnavais e disputas por verbas de patrocínio. Quem não se lembra da recente confusão entre Vila Isabel e a Viradouro envolvendo a Petrobras ?

Para 2010, mesmo, a recente história do enredo de Brasília, onde a Beija Flor "atropelou" as demais postulantes, é um excelente exemplo deste tipo de confusão.

Que saudade
Da Praça Onze e dos grandes carnavais
Antigo reduto de bambas,
Onde todos curtiam o verdadeiro samba

O refrão final do samba expressa o sentimento dos sambistas, querendo de volta aquilo que lhes foi tomado.

É evidente que o desfile das grandes escolas de samba jamais voltará ao que era nos anos sessenta e setenta. Entretanto, parece claro para aqueles que realmente gostam da festa que se faz necessária a reinserção do local, apaixonado pela festa e que vive as escolas o ano inteiro, não em duas fugazes noites.

Outro ponto é a abertura da imensa "caixa preta" que se tornou a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), bem como as próprias escolas. Questões como a dinâmica do julgamento, os contratos da folia e as prestações de contas podem e devem ser aperfeiçoados. Se possível, com a divulgação pública dos números e dos critérios.

Voltando ao desfile da São Clemente, a escola foi a segunda escola a desfilar na segunda feira de carnaval, 26 de fevereiro de 1990. Mesmo penalizada nos quesitos comissão de frente e mestre sala e porta bandeira, a escola ainda conquistaria o sexto lugar entre dezesseis escolas, sendo a sua melhor classificação na história dos desfiles.

Tenho uma boa lembrança deste desfile, até porque foi a primeira vez em que vi ao vivo o desfile das escolas de samba.

Aliás, este resultado é prova de como os tempos mudaram: um desfile crítico destes, nos dias de hoje, dificilmente obteria uma boa classificação...

Você pode ver abaixo um vídeo com um trecho do desfile.




Semana que vem, teremos dois sambas, homenagem a um dos maiores e mais lendários dirigentes do mundo do samba: Natal da Portela.

Gastronomia e Cervejas - Parte III

Este blog anda bem cervejeiro nos últimos dias. Abrimos a terça feira com o terceiro artigo da série sobre cervejas assinada pelo chef Emerson Mantovani.

Hoje, o assunto gira em torno de produtores e consumidores de cerveja, bem como uma cronologia para o caso brasileiro.

"Produtores e Consumidores

Continuando sobre cervejas, vale lembrar alguns dados interessantes quanto à fabricação e o consumo. Os países que mais produzem cervejas segundo as pesquisas e dados estatísticos são os seguintes (fonte Kaiser/Heineken):

1º - China, 2º - EUA, 3º - Alemanha, 4º - Brasil, 5º - Japão, 6º - Reino Unido, 7º - México.

Segundo esta fonte a China é o maior produtor de cerveja do mundo, eu não conheço nenhuma cerveja chinesa e nunca ouvi alguém que tenha tomado. Pela qualidade de seus produtos a cerveja não deve ser muito diferente. Se alguém conhecer alguma me faça o favor de avisar.

Quanto ao consumo os dados estatísticos sugerem um mercado totalmente diferente da produção. A China não aparece entre os maiores consumidores; também se compararmos a produção para o número de habitantes chega a ser ridículo.

Os maiores consumidores de cervejas são os países europeus. A liderança está com a República Checa, consomindo 160 litros per capita. Em 2º lugar a Irlanda com 153, a Alemanha fica em 3º com 130, em 4º Luxemburgo com 120, em 5º Áustria com 110 litros per capita. Os EUA estão em 10º com cerca de 80 litros per capita, e o Brasil em 13º com 50 litros per capita.


Os maiores consumidores são países europeus com temperaturas frias ao longo do ano; já o Brasil com um calor infernal fica muito aquém dos maiores consumidores. Nestes dados me espanta Luxemburgo, uma população de aproximadamente 500 mil pessoas, mas que bebem 'pra burro'. Pode ser que tenha muito turismo pra justificar este consumo alto.

Melhor Cerveja Artesanal do Brasil

O caderno Paladar do jornal Estado de São Paulo, fez um pesquisa e avaliação sobre cervejas artesanais e a Cervejaria Bamberg de Votorantim ganhou o prêmio de mlhor cerveja artesanal do Brasil. Nunca tinha bebido esta cerveja e vou procurar, mas pelo que pude observar no site é difícil encontrar no mercado fora de São Paulo.

Principais Datas na Cronologia Cervejeira do Brasil

1836 - Cerveja Barbante
1853 - Cerveja Bohemia
1888 - Brahma
1891 - Antarctica
1899 – Caracu
1953 – Criação da cervejaria Serra Malte em Getúlio/RS
1961 - Brahma compra Bohemia
1969 – Skol
1970 – A Polar lança a primeira garrafa one way de 300 ml
1971 – A Skol lança a primeira cerveja em lata de folhas de flandres.
1973 - Antarctica compra Itacolomi (MG), Niger (SP)
1974 – Antarctica compra a Polar (RS)
1979 - Antarctica compra Serramalte
1980 - Brahma compra Skol
1982 – Kaiser (aqui é uma data fúnebre)
1989 - Schincariol (outra data fúnebre)
1990 - Grupo Garantia compra Brahma e Skol
1991 – A Antarctica lança a Kronenbier – primeira cerveja sem álcool do Brasil
1993 – Criação da Cervejaria Petrópolis (Itaipava)
1995 – Kaiser lança na região sul a Kaiser Gold
2000 - Fusão Brahma/ Skol /Antarctica – Criação da Ambev
2002 – Kaiser é vendida para o canadense Molson
2006 – Compra da Kaiser pelo grupo Femsa
2007 – Grupo têxtil Malwee compra 49% da Eisenbahn
2007 – Schicncariol compra 70% da cervejaria Devassa.
2007 – Cervejaria Colorado coloca no mercado suas primeiras cervejas
2008 – Schincariol compra as Cervejarias Eisenbahn e Baden Baden.
2009 – A Uniagro produtora da cachaça Germana lança o Chopp Germana com investimento inicial de 700 mil reais."

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Considerações Políticas

Bom, tenho muito para falar sobre política hoje. Contudo, iniciarei por algo que já disse nos comentários deste blog e, acredito, seja uma das principais causas destas crises políticas brasileiras: o modelo político-eleitoral.

A meu juízo, este modelo eleitoral é extremamente instável e facilita a formação de conchavos no Poder Legislativo.

Por quê ? Simples. Como o voto não é vinculado, normalmente se elege uma chapa majoritária sem o necessário respaldo no Legislativo. O PMDB, que é o maior partido no Congresso, por exemplo, se acostomou a ser o fiel da balança do Executivo. Normalmente ele não lança candidatos a Presidência, mas mantém o Presidente como "refém".

As pessoas e a imprensa politiqueira reclamam da aproximação do Presidente Lula com figuras como Sarney, Collor e Renan Calheiros, por exemplo, mas esquecem-se que os pilares do ex-presidente FHC eram o tão abjeto quanto Antônio Carlos Magalhães e o deputado Michel Temer, entre outros. O PSDB se aliou a parte do PMDB e às oligarquias nordestinas abrigadas no PFL para conseguir governar.

O ex-presidente está errado ? Não. Lula está errado ? Também não. Na prática, a diferença entre um e outro, neste aspecto, são apenas os nomes. Que fique claro: apenas neste aspecto.

Infelizmente, ou você se compõe com estas figuras ou não consegue governar.

Outra grande diferença é o papel da grande imprensa, que afetada no bolso optou por abraçar as teses econômicas conservadoras e americanófilas de PSDB/PFL. Por quê ? Porque o governo federal descentralizou as verbas de publicidade, causando perdas financeiras a estas instituições.

Voltando ao nosso escopo: a um Legislativo extremamemente fragmentado, some-se o modelo eleitoral brasileiro, que acaba condicionando o voto na pessoa e não na idéia. Com isso, o deputado, vereador ou senador acaba tendo uma postura paroquial a fim de poder se reeleger. Mais importante a obra em seu espaço eleitoral que o debate das grandes questões do país.

Traduzindo, um modelo eleitoral personalista somado a uma composição congressual esfacelada e que impede ao equilíbrio leva o Poder Executivo a ter de fazer concessões para governar. Vem sendo assim, pelo menos, desde a redemocratização.

Hoje Sarney é a crise, assim como o foram ontem ACM, Renan Calheiros, Jader Barbalho e outros. Entretanto, enquanto não houver uma reforma política que dê sustentação ao Congresso e altere o modelo de negociação política, vamos continuar assim: o paroquial à frente do que é realmente importante.

E abrem-se as portas da corrupção. Todavia, isto é outra história.

O recente episódio envolvendo o Senador Mercadante é um bom exemplo disso. Excelente matéria da Carta Capital desta semana mostra que ele foi "boi de piranha" de um grande acordo entre o PMDB e o PSDB. Porque este último defende a moralidade, mas só se for para os outros. A si mesmo não vale.

Portanto, aos defensores da moralidade alheia, um alerta: se a oposição estivesse no poder estaria fazendo igualzinho, ou até pior. Haja visto os Anos FHC, de triste memória...

Outra coisa que precisa ser lembrada, e que foi explorada de forma brilhante em texto do jornalista Rodrigo Vianna: Lula sabe que para governar e vencer as eleições, precisa ter o PMDB do lado, repetindo as alianças de Vargas e JK.

Por outro lado, a oposição se dedica a criar factóides, porque o governo tomou todas as principais bandeiras: política social, economia em crescimento, expansão industrial, descobertas petrolíferas. Joga pesado, principalmente através da grande imprensa. O jornalista Luis Nassif publicou uma série de quatro textos, domingo, muito bons para se entender esta questão.

Não esgoto o assunto aqui, e voltarei ao tema proximamente. Tenham certeza de uma coisa, entretanto: efeitos não são causas.