sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Jogo Misto - Rodrigo Mattar


Rodrigo Mattar, 39 anos, carioca, jornalista do SporTv especializado em automobilismo, sambista e ex-aluno do Colégio Pedro II. Tricolor, mantém o "A Mil por Hora", blog no portal "Ge.com" dedicado a automobilismo - do qual já reproduzi alguns textos aqui.

De certa forma posso dizer que o jornalista é meu "primo", pois tempos atrás ele conviveu fortemente com a família da minha esposa. Rodrigo Mattar é o entrevistado de hoje da coluna "Jogo Misto".

1 - Como você avaliaria o automobilismo brasileiro no momento atual ?


RM - O automobilismo brasileiro vive um momento muito complicado. Diria até que é o ponto mais crítico em toda a sua história. Os dirigentes não se entendem, os regulamentos são confusos, não há uma base capaz de formar bons pilotos e para piorar, nossos autódromos, tirando Curitiba e Interlagos, estão péssimos. O que fizeram com Jacarepaguá é um crime. Goiânia não ter corridas é inaceitável. Brasília e Tarumã não sofreram nenhuma reforma desde que foram inaugurados. É preciso um choque, uma revolução, no automobilismo nacional.

2 - O torcedor de automobilismo é diferente daquele que ama o futebol ? Como atender à demanda cada vez maior por informações em tempo real ?

RM - Se é diferente? Como é. É até mais difícil de lidar do que aquele que vai ao Maracanã porque é um sujeito extremamente passional, que defende suas convicções com unhas e dentes. Não é fácil lidar com esse público, cada vez mais exigente e sedento por informações.

O blog é um espaço democrático sobre automobilismo, velocidade em geral, música e cultura em geral, que muito me dá satisfação em atualizar. Já tem dois anos e espero que venham outros mais.

3 - O que representou a você ter sido ex-aluno do Colégio Pedro II ? Como foi sua história lá ?

RM - O Colégio Pedro II foi minha segunda casa por três anos. Vivi uma história curta, porém maravilhosa, cheia de momentos especiais e emocionantes. Os colegas que saíram comigo se tornaram tão queridos que a cada reencontro, é uma nova alegria. Já se vão 20 anos desde a formatura. Que venham outros 20, 30, 40...

4 - Qual sua expectativa sobre o desfile de sua Imperatriz Leopoldinense ? O que pensa de necessário para a escola voltar a disputar títulos ?

RM - Honestamente, não sei o que esperar. A Imperatriz patina há algum tempo numa zona muito perigosa entre o nada e o lugar nenhum e esse caminho pode levar ao Acesso, o que é péssimo para uma agremiação que goza de alguma tradição no carnaval carioca. Pombas! São oito títulos, incluindo um tri e dois bicampeonatos, que não podem ser jogados fora. Mas não sei o que se passa na cabeça do presidente da escola. Está faltando investimento, isso pra mim já ficou claro. A diretoria precisa mudar alguns setores, trazer gente que venha somar para que a Imperatriz não perca pontos em quesitos que podem fazer a diferença, como conjunto, harmonia e evolução.

Quanto ao samba de 2011, fizeram milagre diante de um enredo de temática incompreensível. O samba não tem o mesmo brilhantismo do "Brasil de Todos os Deuses", que arrepia até hoje, e o "João e Marias", que é muito bom também. Mas os compositores fizeram um belo trabalho. Minhas esperanças estão depositadas em que o samba funcione na avenida e a bateria do Mestre Marcone, hoje a melhor do carnaval carioca, arrebate de novo as notas máximas dos jurados. 

5 - Como você avalia a literatura especializada em automobilismo disponível ?

RM - A literatura estrangeira é ótima. A brasileira, o produto 100% nacional, ainda deixa a desejar.

Porém, indicaria "Ayrton, o herói revelado", de Ernesto Rodrigues, como sugestão de leitura sobre o tema.

6 - Um livro inesquecível. Por quê ?

RM - Adoro ler "O Anjo Pornográfico", a biografia de Nelson Rodrigues. Ruy Castro fez um outro livro brilhante, "Chega de Saudade", sobre a história da Bossa Nova. Mas sensacional mesmo é "Vale Tudo", a divertidíssima biografia de Tim Maia escrita por Nelson Motta.

7 - Uma canção inesquecível. Por quê ?

RM - Tenho grande predlieção pelos Beatles e por John Lennon e gosto muito de "Jealous Guy". Mas uma música que marcou pra sempre é "Todo menino é um rei", cantada pelo inesquecível Roberto Ribeiro. Um samba maravilhoso, emocionante, tocante, que meu pai punha na vitrola quando eu era criança e dizia que era pra mim. Quando num aniversário meu, acho que o último que comemorei em 2009, o DJ tocou essa música, chorei muito de saudade e alegria.

8 - Livro ou filme ? Por quê?

RM - Só pra provar minha vocação de chorão: o filme da minha vida é "A fantástica fábrica de Chocolate". Impossível não se emocionar com a história do menino pobre que ganha a fábrica de presente do excêntrico Willy Wonka.

9 - Finalizando, com os agradecimentos do Ouro de Tolo, algumas poucas palavras sobre o blog ou seu autor/editor

RM - Eu é que agradeço pela oportunidade. Acho que o "Ouro de Tolo" se parece muito com o "A Mil Por Hora" porque não se resume a variações de um mesmo tema. Fala de tudo, sobre tudo, com conteúdo, informação e principalmente opinião. Em tempos onde as pessoas normalmente ignoram o ponto de vista alheio, ter uma visão ampla e sobretudo firme dos fatos e acontecimentos é fundamental.


quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Final de Semana - "Todo Menino é Um Rei"



Neste penúltimo dia de 2010, ano que não deixa a menor saudade, temos a nossa última música para o final de semana desta temporada.

Sugestão do jornalista e leitor Rodrigo Mattar - nosso entrevistado de amanhã da coluna "Jogo Misto" - temos o imortal sambista Roberto Ribeiro, com um de seus maiores sucessos: "Todo Menino é Um Rei".

A letra, de certa forma, tem a ver comigo também. Vamos a ela:

"Todo Menino é Um Rei"
(Nélson Rufino - Zé Luiz)

"Todo menino é um rei
Eu também já fui rei
Mas quá...despertei


Por cima do mar (da ilusão)
Eu naveguei (só em vão)
Não encontrei
O amor que eu eu sonhei
Nos meus tempos de menino
Porém menino sonha de mais
Menino sonha com coisas
Que a gente cresce e não vê jamais

Todo menino é um rei
Eu também já fui rei
Mas quá...despertei


A vida que eu sonhei
No tempo que eu era só
Nada mais do que menino
Menino pensando só
No reino do amanhã
Na deusa do amor maior
Nas caminhadas sem pedras
No rumo sem ter um nó."


Cinecasulofilia - "Vuvuzelas de Madureira"


Penúltimo dia do ano e temos a nossa "Cinecasulofilia", coluna sobre cinema. Como sempre, texto do cineasta, professor de cinema e crítico Marcelo Ikeda, dono do blog de mesmo nome.

"Vuvuzelas de Madureira
de Vítor Medeiros

É difícil e desafiador ver um curta como esse Vuvuzelas de Madureira.

Para reconhecer seu valor, é preciso acima de tudo ser um bom espectador, tarefa cada vez mais difícil no mundo de hoje poluído pelas imagens audiovisuais, banais e estéreis. Ou ainda, para ver Vuvuzelas, é preciso deixar um monte de coisas para trás. Digo isso porque a princípio as pessoas podem gostar de Vuvuzelas pelos motivos errados (pelo tom simpático dos personagens, ou ainda, seu tom exótico, pitoresco, ou engraçadinho) ou ainda detestar o filme pelos mesmos motivos (outros, mas no fundo os mesmos).

Em Vuvuzelas de Madureira, Vítor Medeiros acompanha os preparativos de uma família (a sua própria) para os jogos do Brasil na Copa do Mundo (a compra de bandeiras e fitas no Mercadão de Madureira, os preparativos do banquete, a reunião conjunta para ver o jogo, a comemoração dos gols, etc.). Vítor “apenas” observa, mas o trunfo de seu filme, extremamente simples, mas extremamente belo, é exatamente este: o de saber observar. Ele simplesmente sabe registrar a beleza simples que é esta família estar junta. Seu olhar afetuoso e generoso vai na contramão de um julgamento do comportamento das pessoas quando vêem os jogos do Brasil. Se elas parecem alienadas ou patéticas, é porque o espectador não sabe ver.

Vuvuzelas é o Pacific de Madureira: ele descontrói o olhar que estamos acostumados, que a televisão, que o clipe, que o cinema convencional nos oferece sobre tanto a periferia quanto a possibilidade de ver o outro na tela. Vuvuzelas é precário: no entanto essa precariedade é sinal de uma potência, um autêntico filme caseiro. “Estar junto”: filme de vocação genuinamente popular, filho legítimo do cinema da periferia, diferente das “cufas” e dos “cinco vezes” da vida. No entanto, o olhar de Vítor não é meramente deslumbrado: há uma espécie de epílogo, em que Vítor sabe observar que, após o jogo, vem a novela; ou ainda, que, após o banquete, sobram os restos na mesa, e a casa, vagarosamente, vai ficando vazia, e o dia cai.

Seu filme acaba num ponto após a curva, depois do silêncio das vuvuzelas. Como cigarras, seu canto dura pouco: apesar de estridente e precário, é possível dizer que “é bonito o canto”. A simplicidade, a generosidade e a afetividade do olhar de Vítor torna Vuvuzelas um dos mais singelos documentários de 2010, um retrato digno, sem espalhafato e sem espetáculo, sobre não só a vida das periferias mas essencialmente sobre o prazer de uma família estar junta."


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Mr. Beer and Miss Wine - "Eu vou sambar com a mente sã, e ver brilhar a flor do amanhã"


Última quarta feira do ano (que para mim já vai tarde) e temos a última edição de 2010 da coluna "Mr. Beer and Miss Wine", da historiadora e produtora de eventos Thatiane Manfredi. O tema de hoje é a organização de uma boa festa de Ano Novo.

Aproveito para lembrar aos amigos que se arriscarem a prestigiar a queima de fogos em Copacabana (foto), para colocarem pulseiras de identificação nas crianças - com nome, endereço e celular do responsável - e, especialmente, utilizarem o Metrô: não dependam de táxis.

Aproveito para informar aos amigos que em janeiro a coluna "História e Outros Assuntos", assinada pelo historiador Fabrício Gomes, estará de volta nas férias do colunista Marcelo Einicker. Posteriormente a nossa coluna sobre História será deslocada para os domingos.

O título da coluna de hoje vem do samba da Acadêmicos da Rocinha de 1992, que já foi tema de nossa coluna "Samba de Terça". Vamos ao texto:

"Eu vou sambar com a mente sã, e ver brilhar a flor do amanhã

O Fim de Ano está chegando e o Réveillon é a Festa sempre mais esperada. Um excelente momento para reunir amigos e parentes para celebrar a entrada de mais um ano, com muita paz e alegria. O branco, como sempre, é a cor tradicional das roupas e parte da decoração. A nossa dica é que você não precisa ficar preso ao branco: outras cores podem combinar na hora de se vestir e para decorar o ambiente. O dourado e o prata são ótimas combinações com o branco. Vermelho e amarelo também são uma boa pedida.

Se você for fazer a Festa de passagem de ano em casa, outra dica é guardar parte da decoração do Natal que foi nosso assunto em coluna anterior e substituir por enfeites para a passagem do ano, que podem ser natalinos, não em vermelho, mas sim metalizados. Decore sua casa com balões brancos, estrelas e fitas prateadas. Se a decoração de natal já enjoou o leitor pode adotar uma decoração tropical - e nada de cores escuras!

Para animar a noite distribua adereços divertidos para os convidados com temas da época. Podem ser chapéus, perucas, óculos comemorativos e engraçados, confetes, chuvas de prata, marabús para as moças, arcos divertidos, entre outras opções.

Abuse de um cardápio com pratos leves e até frios, mousses geladas, peixes e frutas. Estas podem ser melancia, uva, maça, pera, abacaxi, pêssego, morango e outras. Ou faça uma salada de frutas para deixar à disposição dos convidados. Pode-se acrescentar algumas sobremesas também como mousse, gelatina, pavê, entre outros.

Para o brinde reserve um espumante, prossecco ou se o seu orçamento permitir, uma champagne gelada. Para os que não gostam de nenhuma destas opções, como o editor chefe, pode-se utilizar uma cerveja do tipo "champagnose", como a Eisenbahn Lust ou a belga "Deus", que cumprem bem o mesmo papel. Ele também publicou boas opções de cervejas para esta noite especial anteriormente. Como geralmente a festa dura até tarde, é sempre simpático preparar um belo café da manhã  - e água de côco ou isotônicos - se seus convidados forem ficando pelos sofás da sua casa.

A música tem que ser um momento à parte! O editor desse blog já divulgou alguns sambas-enredo para a festa de réveillon; mas se você não curte muito samba, uma MPB bem animada ajuda a agitar a festa. Ter alguns DVD de shows também ajuda bastante a animar. Que tal separar alguns e deixar próximo ao aparelho de DVD? Peça aos seus convidados que tragam também algumas opções, mas lembre-se de ter sempre etiquetas e canetas a mão para colocar o nome do dono do DVD, senão na hora de ir embora, podem trocar as mídias.

Gostaria de desejar aos meus leitores um ano de 2011 com muita Luz e prosperidade. Que Deus nos abençoe e que nós possamos ter uma virada de ano tranquila, sem excessos de natureza nenhuma e com muita alegria, paz, gratidão e amor.

Ah, e lembre-se: ajuste o seu relógio à hora oficial e estoure papel picado à meia-noite! E grite Viva 2011!!!"


terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Samba de Terça - "Num Passe de Mágica"



Nossa coluna "Samba de Terça", a última do ano, traz uma escola já enfocada aqui - com o maior samba enredo de todos os tempos, "Os Sertões" - com um samba que, se não é um dos maiores de sua história, é bastante pitoresco: é o único samba enredo da história do carnaval carioca dedicado exclusivamente ao Revéillon.

Como estamos na semana do Ano Novo, o último texto do ano pode ser considerado "temático": Em Cima da Hora 1989, "Num Passe de Mágica". Escolas como a Beija Flor em 1997 e a Acadêmicos do Dendê em 2004 também se referem ao revéillon, mas dentro de enredos com outras temáticas.

A escola de Cavalcanti - onde uma vez fui jurado no concurso da rainha de bateria, mas esta é oura história - havia passado pela última vez no Grupo Especial em 1985, mas atravessava tempos difíceis. Chegara a estar no terceiro grupo no ano anterior, sendo promovida com o vice-campeonato - atrás apenas da campeã Tupi de Brás de Pina, hoje extinta.

Os carnavalescos Regina Celi e José Leonídio desenvolveram um enredo que buscava mostrar toda a temática, a esperança e o ritual do Ano Novo: os orixás, a festa, o estourar do champanhe, a cor branca e os demais aspectos da festa.

Entretanto, a escola atravessava dificuldades. Se hoje, vinte anos depois e com todo o crescimento deste grupo no carnaval carioca há problema de falta de recursos financeiros, imaginem naqueles tempos. Ainda mais vindo do que hoje se chama "Acesso B", terceiro grupo, e abrindo o desfile do sábado de carnaval, o que é uma situação bastante problemática para qualquer escola de samba - o público ainda está frio e os jurados costumam ser mais rigorosos, até pela falta de referencial.

A Em Cima da Hora abriria o desfile do sábado de carnaval, 04 de fevereiro de 1989. Além das dificuldades naturais de uma escola que vem de um grupo inferior promovida e abre o desfile, a azul e branca enfrentou uma forte chuva durante o seu desfile, o que a prejudicou mais ainda.

As fantasias eram simples e, como se pode ver no vídeo que abre este post, a escola veio com um contingente de componentes bastante desfalcado. Por outro lado, pode-se ver a ginga dos passistas, pura arte, e uma bateria cadenciada.

O curioso é que o vídeo é interrompido duas vezes para entrarem entrevistas com integrantes da escola seguinte, a Tupi de Brás de Pina.

Além da chuva, a escola sofreu com fantasias e alegorias extremamente simples, reflexo da falta de recursos.Isso fica claro observando-se as imagens.

Com todas as dificuldades, a escola ainda teria de enfrentar um grupo onde cairiam quatro escolas entre dez agremiações. O descenso de quatro agremiações tinha como objetivo receber escolas vindas do Grupo Especial, "inchado" com 18 escolas e que rebaixou um número maior a fim de contar com apenas 16 para o ano de 1990.

A apuração trouxe o resultado esperado: o nono e o penúltimo lugar e o rebaixamento ao Grupo 2 - atual Acesso B - com 182 pontos. Entretanto, é um samba histórico pelo ineditismo do tema, que jamais seria trazido novamente de forma isolada, como nunca, também, havia sido enredo antes.



Vamos à letra do samba, que o leitor pode ouvir acima:

Autores:
Nunes, Jorginho das Rosas, Reinaldo Vilas e Bigo

Puxadores:
Rocha e Adilsinho

Vou levantar o astral
Fazer o meu carnaval e cair na folia
Erguer a taça de cristal
Transformar minhas lágrimas em fantasia
Qual será o orixá
Que reinará os novos dias
Como num passe de mágica
Com muito mais sabedoria

Noite bela
Assista a missa meu amor na catedral
Põe o vinho sobre a mesa
E convida o pessoal


Adeus ano velho
Felicidade para o ano que vem
Que a paz se harmonize em seu interior
Quando os anjos disserem amém
No sorriso da criança uma nova esperança
O seu grito está no ar
Acenda em seu peito aquela chama
Dê um abraço em quem te ama
E traga alegria pra seu lar
Seja rico ou seja pobre todos fazem reveillon
Nas esquinas pelos bares
Em casa ou nos salões
Com pierrot e colombina, serpentina pelo ar
O povo de braços abertos

Se confraterniza feliz a cantar
Oh divina luz que me conduz e ilumina o meu viver
Como é linda a passarada
Numa revoada ao amanhecer




segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Resultado - Promoção do Agasalho do Fluminense

E eis que temos o resultado da promoção do agasalho do Fluminense, campeão brasileiro de 2010. Peço desculpas aos leitores pelo atraso, mas os compromissos das festas de Natal acabaram me impossibilitando de o fazer na data marcada.

Agradeço aos 27 leitores que participaram da promoção e informo que, brevemente, farei uma promoção envolvendo livros.

A ferramenta utilizada foi, mais uma vez, a "Sorteios.PT", como se vê acima e abaixo.

A vencedora da promoção foi a Vivian Barros, do Rio de Janeiro. De acordo com as regras da promoção, ela deverá retirar o prêmio comigo aqui. Aproveito para informar que as camisas da promoção anterior serão postadas via Sedex na próxima semana.

Aproveito para agradecer a todos os participantes e afirmar que espero a visita e o comentário rotineiros. E agradecer a Rodrigo Mattar, Gustavo Poli e Paulo Renato Vaz pelo auxílio na divulgação, bem como a Sérgio Merçon pela parceria e à patrocinadora do prêmio, a Okasion Eventos, da amiga e colunista Thatiane Manfredi.



Um roteiro de cervejas para o Ano Novo


Dando seguimento ao post sobre o Natal, trago aqui sugestões de roteiros de cervejas para a noite de Ano Novo. Ao contrário da ocasião anterior, desta vez irei sugerir dois roteiros de degustação para a noite de reveillón: um com especiais nacionais e outro com cervejas do mundo todo.

Especiais Nacionais:

Este roteiro é baseado em cervejas nacionais, de boas marcas, e seguindo uma variedade de tipos. Recomenda-se consumir pão fresco entre uma especialidade e outra, a fim de "limpar" o paladar.

1 - Eisenbahn Weizenbock


Cerveja de trigo, escura, tipo "bock", paladar não tão amargo, tendendo ao adocicado, mas consistente. Um bom início.

2 - Baden Baden Golden Ale


Fabricada pela cervejaria de Campos do Jordão - que, assim como a Eisenbahn, pertence à Schincariol - é uma witbier, cerveja de trigo com especiarias - no caso, canela. Possui um sabor elaborado, não tão amargo, mas encorpada. É uma de minhas nacionais preferidas.

3 - Backer Trigo


A cerveja de trigo básica, com malte, malte de trigo, lúpulo e água. É uma cerveja mais encorpada, mas não tão amarga. 

A Backer, em minha opinião, é a melhor, mas a Eisenbahn também é muito boa.

4 - Eisenbahn Strong Ale


Agora partimos para as cervejas ale, de fermentação a temperaturas mais altas. Esta tem um maior teor alcóolico - no caso, 8% - e sabor mais encorpado. Esta não é tão amarga como as ales tradicionais.

5 - Backer Pale Ale


As Pale Ale são cervejas mais leves, feitas para concorrer com as lageres de grande produção. Gosto muito desta, da cervejaria mineira Backer, com um paladar equilibrado.

6 - Cidade Imperial


Agora estamos na seara das lagers tradicionais. Cervejas de baixa fermentação, as mais consumidas no Brasil, há uma grande oferta de tipos.

Indico a lager da "Cidade Imperial", cervejaria localizada em Itaipava, no Rio de Janeiro, e que pertence à Família Real Brasileira. Em minha opinião é a melhor cerveja deste tipo brasileira.

Como alternativa, Eisenbahn e Baden Baden também oferecem boas cervejas deste tipo.

7 - Eisenbahn Rauchbier


Literalmente, cerveja defumada. Pode ser de vários estilos, desde que utilizando-se de maltes defumados. É boa para acompanhar charutos ou aquela conversa já de final de noite.

8 - Colorado Demoiselle


Cerveja do tipo Porter, leva café em sua composição e é excelente para o final de um roteiro. A cervejaria de Ribeirão Preto vem se esmerando em exemplares pouco usuais, e esta Demoiselle é uma boa indicação.

9 - Eisenbahn Lust


Esta cerveja é para aqueles que, como eu, não gostam de champanhe ou prosecco. 

A Eisenbahn Lust é a primeira cerveja produzida no Brasil pelo método champenoise, o mesmo utilizado pelos grandes champagnes. Após a manufatura pelo método convencional, o líquido vai para uma vinícola e passa por uma segunda fermentação dentro da garrafa por cerca de 4 meses.

Representa o tipo "belgian ale" e recomendada para a "hora da virada".

Importadas:

Aqui, o céu é o limite. Um mundo de cervejas nos espera.

1 - Paulaner Hefe


Gosto muito dos exemplares desta cervejaria alemã, sempre com tipos saborosos e não muito amargos. Recomendo esta weizenbier, de trigo, para se iniciar a noite.

2 - Estrella Damn Inedit


Já falei muito desta aqui, mas é sempre uma boa pedida. Witbier, de trigo com especiarias e laranja, criada pela cervejaria espanhola em conjunto com o chef Ferran Adrià. Não acho cara levando-se em conta o custo benefício.

3 - Coopers Vintage


A cerveja Coopers Vintage Ale é produzida com malte especial e passa por um longo tempo de fermentação. É armazenada em barris de carvalho e seu sabor se aprimora com o passar do tempo. Seu aroma é frutado e percebe-se a presença do lúpulo, devido a dose generosa de lúpulo Saaz utilizado em sua fabricação. Seu sabor também é frutado, com um leve amargor. Combina com queijos e pratos quentes.

A Coopers é a maior cervejaria independente da Austrália, produzindo cervejas especiais somente com água, malte, lúpulo e levedura. Suas cervejas passam por uma segunda fermentação na garrafa, o que lhes confere validade mais longa. Cervejas do tipo English Strong Ale são caracterizadas por apresentarem um sabor frutado com notas do malte utilizado. Geralmente o lúpulo é pouco perceptível em seu aroma. Sua coloração pode variar do âmbar ao cobre. Muitas vezes são lançadas como cervejas sazonais.

Eu não conhecia este exemplar, mas ganhei de presente de Natal de uma amiga e gostei muito.

4 - Murphy Irish Red


A Murphy’s Irish Red é uma cerveja Red Ale irlandesa. Seu sabor encorpado e sua espuma cremosa criam uma textura única no paladar. Também possui mais de 150 anos de tradição, com qualidade reconhecida e premiada internacionalmente.

Ela não é tão amarga quanto outras deste tipo, se constituindo em uma boa opção.

5 - Chimay


Não pode faltar nesta sugestão um exemplar trapista belga, elaborado nos mosteiros há séculos. Cerveja forte e saborosa.

6 - Brooklyn Local 1


Cerveja elaborada pela Borrklyn Brewery (EUA) no estilo Belgian Strong Golden Ale. É representante do renascimento americano no campo cervejeiro, sendo hoje um dos países mais interessantes quando se fala no "pão líquido".

7 - Carlsberg


Uma lager típica, dinamarquesa, mais suave que a Heineken, que é do mesmo grupo fabril. A importada no Brasil é fabricada em Portugal.

Outra boa opção neste tipo é a holandesa Amstel Pulse.

8 - Deus


Bom, esta é a sugestão para o brinde da virada do ano, em substituição a proseccos e champagnes. Não é barata - custa cerca de R$ 250 - mas é uma experiência ímpar. É feita pelo método champagnose, como a brasileira Eisenbahn Lust.

A cerveja é considerada por muitos uma das melhores cervejas do mundo. Um belga de muita personalidade, tem um processo de fabricação muito peculiar entre Bélgica e França. Combina com pratos fortes, como queijos gorgonzola, roquefort, com trufas, etc. É uma produção limitada da cervejaria Boostels. Sua produção se inicia na Bélgica, onde puro malte de cevada, água e lúpulo sofrem a primeira fermentação em tanques especiais. Também em tanques sofrem a primeira maturação, conhecida por segunda fermentação.

Então o líquido é levado para a região de Champagne, na França, onde recebe açúcares e fermentos especiais, desta vez já na garrafa. Neste momento também recebe uma tampa provisória. Nesta etapa se inicia a terceira fermentação. Fica em racks maturando durante meses, inclinada para baixo. Neste período passa pelo processo de remuage, que consiste em girar a garrafa diariamente, sempre no mesmo horário, aumentando sua inclinação para baixo, até o ponto de estar totalmente de ponta cabeça.

Após esta longa maturação, toda a borra e fermento se depositaram no “pescoço” da garrafa. Este fermento e congelado e retirado por pressão da garrafa. A garrafa é completada com cerveja já pronta para compensar a perda durante o processo e, finalmente, recebe a rolha de cortiça e o rótulo.

Conclusão

São duas sugestões de degustações, mas o mundo da cerveja é absolutamente fascinante e variado. Leia, estude, se informe - e prove.


domingo, 26 de dezembro de 2010

Sambas de Enredo para o Reveillon


Uma das tradições do reveillón, pelo menos aqui no Rio de Janeiro, é após a hora da virada de ano se colocar sambas enredo para tocar, prenunciando o carnaval - que é a festa seguinte no calendário.

Como os sambas recentes infelizmente vem caindo de nível, por uma série de fatores que posteriormente falarei aqui, normalmente se colocam composições mais antigas a fim de animar a festa.

Atendendo à sugestão de alguns leitores, preparei seis "set lists", de aproximadamente 70 minutos de duração cada um - para que possa ser gravado em um CD de áudio normal. Os arquivos zipados, com os sambas, estão à disposição dos leitores. Basta clicar nos links dos títulos de cada uma delas.

Seguem abaixo, com alguns comentários.


Esta é aquela de que todo mundo gosta: sambas que todos sabem cantar e até alguns que muita gente acha que não é samba de enredo.

Temos aqui quinze sambas, entre eles "É Hoje" e "Domingo", da União da Ilha, "Os Sertões", "Aquarela Brasileira", "Peguei um Ita no Norte" - o famoso "Explode Coração" - "Das Maravilhas do Mar, Fez-se o Esplendor de uma Noite" (Portela) e mais alguns na mesma linha.

Optei por, ao final, colocar aqueles que em minha opinião são os dois melhores sambas de enredo desta década que se encerra: "Orun Ayé", do Boi da Ilha do Governador 2001, e o samba sobre o Rio de Janeiro da União de Jacarepaguá de 2004. Na minha opinião este último deveria ser o hino das Olimpíadas de 2016.

Com exceção de "Aquarela Brasileira" e "Círio de Nazaré", são todas versões de estúdio originais.


São gravações mais recentes, ao vivo da Marquês de Sapucaí, com toda a energia dos desfiles. São relativamente raras pois somente foram compartilhadas entre aqueles que acompanham as agremiações o ano inteiro - os aficcionados.

Entretanto, com a onda das "reedições", temos grandes sambas, como "Aquarela Brasileira", "É Hoje", "Círio de Nazaré", "Lendas e Mistérios da Amazônia" - onde meu chocalho está lá firme e forte no ritmo - "E Por Falar em Saudade", da Caprichosos de Pilares e "Mar Baiano em Noite de Gala".

Destaco também "Afoxé", da Acadêmicos do Cubango, reeditado em 2009. Sensacional.

São treze sambas nesta sugestão.


Os sambas de enredo sempre tiveram uma ligação muito forte com as religiões afro-brasileiras. E isto se faz presente no número de enredos que trazem à avenida os mitos, as lendas e a doutrina religiosa.

Costumam ser, sempre, grandes sambas de enredo. Nesta seleção temos o já citado "Afoxé", "Ilu Ayé", da Portela, "Os Santos que a África não Viu" (o único samba da história a tratar da Umbanda) e "Águas Claras para Um Rei Negro", da Grande Rio, os clássicos "Mãe Menininha do Gantois" da Mocidade e "Mar Baiano em nOite de Gala", o já citado "Orun Ayé" e mais alguns.

São dezesseis composições.


São a introdução do desfile, utilizados para esquentar a garganta dos componentes, a bateria e fazer a escola entrar com tudo na avenida. Um "esquenta" bem feito é meio caminho andado para um bom desfile.

Aqui, nestes dezenove sambas, temos desde clássicos como "Foi um Rio que Passou em Minha Vida", "Portela na Avenida" e "Exaltação à Mangueira" até curiosas versões de "Tarde em Itapoã" e "O Que é, o que é".

Também se encontram sambas exaltação de escolas como a Cubango e o Salgueiro, além de uma rara versão ao vivo de "Sublime Pergaminho", da Unidos de Lucas.


Aqui o critério é um só: ter passado em anos onde a dona da composição estivesse no Grupo de Acesso, ou seja, entre a segunda e a última divisão do samba.

Nestes dezesseis sambas temos desde a composição que embalou a União da Ilha rumo ao primeiro grupo, em 1974, até o mesmo caso com a Caprichosos de Pilares, em 1982. O curioso é que nada menos que sete destes sambas levaram as escolas ao primeiro grupo: os dois casos citados, Tradição 1987, Grande Rio 1992, Em Cima da Hora 1984, Unidos da Tijuca 1980 e São Clemente 2001.

São catorze sambas do segundo grupo e dois do terceiro - meu acervo deste é bastante limitado. Outro ponto relevante é que a safra de 1992 rendeu nada menos que cinco composições à lista. É a melhor de todos os tempos nestes grupos.


Fechando a série de sugestões, sambas insólitos, com temáticas "alternativas" ou ruins mesmo.

Nesta série de catorze, ficamos pensando "como é que este verso foi parar no refrão - e ainda ganhou a disputa!" Um bom exemplo é o histórico "Quero ver Cuba lançar", da Unidos de Lucas 1990 - "homenagem" a Oscar Niemeyer. 

Outros destaques da lista são o samba sobre o ex-Governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho na Independentes de Cordovil (escola extinta nos dias de hoje) e a homenagem a Elymar Santos da Império da Tijuca.

Ressalte-se, também, o belo samba do Paraíso do Tuiuti de 2006, que rimava "oficinas" com "Obra Divina". Socorro !

É a única lista que tem um samba de 2011, o da Inocentes de Belford Roxo sobre o grupo "Mamonas Assassinas".

É uma boa sugestão para o finalzinho da festa...

Finalizando, espero que os leitores gostem e utilizem estas sugestões. Peço utilizarem a área de comentários para expressarem suas opiniões sobre as listas e sugerir sambas que não tenham sido lembrados.

E amanhã, um guia de cervejas para o Ano Novo.


sábado, 25 de dezembro de 2010

História & Outros Assuntos: "Estudos sobre o nascimento de Jesus Cristo"


Neste dia de Natal, em edição extraordinária, a coluna "História & Outros Assuntos", do historiador Fabrício Gomes. Na verdade republico coluna da mesma data de 2009, que trata das pesquisas históricas sobre a verdadeira data de nascimento de Jesus Cristo.

Mas nossa coluna sobre História estará de volta em 2011, em janeiro cobrindo as férias do colunista Marcelo Einicker às quartas e a partir de fevereiro de forma definitiva, provavelmente de forma quinzenal aos domingos.

O Ouro de Tolo e seu autor e editor chefe aproveitam a data para desejar a leitores, colunistas e amigos Boas Festas e que o ano de 2011 seja nos doze meses do ano com o mesmo espírito que norteia a sociedade durante este dezembro: de solidariedade, de verdade, de bem e de belo. Com muita gratidão, todos os dias do ano.

Mas este Ouro de Tolo não para, ainda teremos muito o que mostrar aqui até o dia 31 de dezembro. Passemos ao texto:

"Estudos sobre o nascimento de Jesus Cristo"

E vem chegando o Natal...

Mais do que ser o período onde o comércio mais fatura no ano – e, para as crianças, a ansiedade pela chegada de Papai Noel em seu trenó, diretamente da Lapônia, com todos os presentes – é o período sagrado para as religiões cristãs, que representa o nascimento de Jesus Cristo.

Entretanto, devemos desejar um Feliz Natal ou um Feliz Aniversário para Jesus? Em 25 de dezembro comemora-se realmente o júbilo de Cristo?

É questão deveras polêmica, mas vou aqui expressar minha opinião sobre o fato, baseado em pesquisas históricas.

Jesus de Nazaré, Jesus Nazareno ou Jesus da Galiléia teria nascido em Belém com o nome de Yeshua ben(bar)-Yoseph, ou seja, Jesus filho de José.

O nascimento de Jesus é o episódio que aparentemente assinala o início da era cristã. No entanto, devido a um erro de cálculo, cometido no século 6 d.C. pelo monge Dionísio, o Pequeno, as duas datas não coincidem. Sabe-se hoje que Jesus nasceu antes do ano 1 - entre 8 e 6 a.C. Pode-se afirmar isso graças a uma passagem muito precisa do evangelho de Lucas. Segundo ele, o fato aconteceu na época do recenseamento ordenado pelo imperador romano César Augusto. Esse censo, o primeiro realizado na Palestina, tinha por objetivo regularizar a cobrança de impostos. E os historiadores estão de acordo em situá-lo no período que vai de 8 e 6 a.C.

Nesse triênio, o ano mais provável é 7 a.C, já que nele se deu um evento astronômico que poderia explicar uma outra passagem da narrativa evangélica: a "estrela" natalina mencionada por Mateus. Trata-se da conjunção dos planetas Júpiter e Saturno, que produziu no céu um ponto de brilho excepcional. Se o astro de Mateus foi mais do que um enfeite mitológico, ele deve corresponder a tal fenômeno, que certamente impressionou os astrônomos da época. Esses sábios, atraídos a Jerusalém pelo movimento aparente do ponto luminoso, seriam os "magos do Oriente", de que fala o evangelista.

Com o recenseamento de Lucas e a "estrela" de Mateus, conseguimos chegar o mais perto possível do ano do nascimento. Entretanto, o mês e o dia continuam uma incógnita.

Mas cabe um exercício de raciocínio, ante a algumas pesquisas realizadas por historiadores. Vejamos:

Um grande concílio foi realizado pela comunidade cristã no século V de nossa Era, para decidir em que data fixar este polêmico acontecimento. Decidiu-se então fixar no dia 25 de dezembro, ou meia-noite do dia 24. Entretanto esta escolha não foi feita ao acaso.

Os Patriarcas e as superiores autoridades eclesiáticas, esporadicamente se reuniam em concílios para discutir e estabelecer as tradições, dogmas e liturgias a serem seguidas pela teologia cristã, assim como suas doutrinas.

Com o propósito de aproveitar muitas das antigas cerimônias místicas, os Patriarcas da Igreja copiaram dos templos do Egito e das doutrinas e práticas essênias e da Grande Fraternidade Branca, tiveram que inventar certas passagens e princípios relacionados à vida e obra de Jesus e adaptá-los às referidas cerimônias. Se fez necessário então, para consolidar uma nova teologia e firmar algumas novas doutrinas, ignorar e pôr de lado muitos dos fatos que tornariam suas decisões inconsistentes.

O primeiro ponto a ser avaliado seria a contradição existente em um dos pontos do senso comum tradicional do nascimento de Jesus, onde é dito que ao nascer o Menino, estavam os pastores guardando seus rebanhos no campo. Seria muito improvável que os pastores a que a Bíblia se refere, estivessem no campo cuidando de seus rebanhos no inverno. Nesta época do ano, afirmam os que conheciam as condições da Palestina à época, os pastores não ficavam no campo nem de dia nem de noite, e que este incidente foi introduzido à crônica de Seu nascimento, quando era comumente aceita a versão de que Jesus viera ao mundo em abril ou maio.

O que os Patriarcas levaram em conta ao escolherem esta data, foi o conhecimento que através dos séculos precedentes, todos os Grandes Mestres ou Grandes Avatares nascidos de virgens (Jesus não foi o primeiro nem o único) e que eram Filhos de Deus e considerados Salvadores ou Redentores, haviam nascido ou a 25 de dezembro, ou em data próxima.

Na Índia, este período já era comemorado muitos e muitos séculos antes da Era Cristã, na forma de um festival religioso, durante o qual o povo ornamentava suas casas com flores e as pessoas trocavam presentes com amigos e parentes.

Na China, também muitos séculos antes da Era Cristã, era celebrado o Solstício de Inverno, onde no dia 24 ou 25 de dezembro, fechava-se o comércio e tudo o mais. Assim como os antigos persas celebravam esplêndidas cerimônias em homenagem a Mitra, cujo nascimento ocorrera a 25 de dezembro.

Vários deuses egípcios nasceram no dia 25 de dezembro, e, em praticamente todas as histórias religiosas de povos antigos, iremos encontrar celebrações idênticas às referidas. Osíris, filho da santa virgem e deusa Nut, nasceu a 25 de dezembro, assim como os gregos também celebravam, nesta mesma data, o nascimento de Hércules.

Logo, a data de 25 de dezembro vem sendo considerada um dia místico há muito tempo, e por muitos povos diferentes. A esse respeito temos as declarações do Reverendo Gross, autoridade no assunto e autor de diversas obras a esse respeito nas quais afirma que realizava-se em Roma, antes da Era Cristã, no dia 25 de dezembro, uma festa com o nome de Natalis Solis Invicti (Natalício do Invencível Sol). A data era comemorada com espetáculos públicos e com muita alegria, fechando-se o comércio, adiando-se declarações de guerra e execuções, permutando presentes entre amigos e parentes e concedendo liberdade aos escravos.

Assim como ocorria na China, o Solstício de Inverno era comemorado entre os primitivos germânicos séculos antes do nascimento do Menino Jesus. Entre os escandinavos, neste mesmo período, era comemorado o que se chamava Festa do Yule. O termo Yule ainda sobrevive, designando a véspera de Natal. É interessante notar que o vocábulo Yule equivale ao francês Noel que por sua vez corresponde à palavra hebraica ou caldaica Nule. Notamos também a presença de celebrações no referente período entre os druidas na Grã-Bretanha e na Irlanda, e mesmo no antigo México.

As antigas religiões pré cristãs européias comemoravam nessa data festivais de inverno (como o Alban Arthan, por exemplo) que comemoravam o renascimento do Sol. Os escandinavos, por exemplo reverenciavam Frey, deus da paz e prosperidade. Na Roma pagã, o período entre 17 e 25 de dezembro (solstício de inverno no hemisfério norte, chamado pelos romanos de Saturnália) eram dedicados a ritos de fertilidade (com relação à colheita) e ritos de adoração ao sol.

Como a Igreja não podia simplesmente proibir essa comemorações, tratou de incorporá-las ao seu calendário, fazendo do festival de inverno, o Natal (em nossa versão tropical, o verão).

O calendário judaico tem 13 meses. Maria teve uma gestação de três meses. Segundo evangelhos apócrifos, Maria engravidou no mês de nissan, primeiro mês do calendário judaico e teve Jesus três meses depois. Jesus por esses evangelhos teria nascido no nosso atual abril.

De acordo com a mitologia romana dia 25 de dezembro era o dia do aniversário do deus que representava o sol. Quando os cristãos se uniram aos povos pagãos essa data foi introduzida como data base do nascimento de Jesus. Fato cômodo para os antigos e hoje comercial.

Mais importante do que ser a comemoração de uma data, o Natal deve ser a REFLEXÃO, deve ser um “olhar para dentro” de nós mesmos. Mas tais sentimentos não devem durar apenas no mês de dezembro ou se restringir à época natalina. Independente de ser comemorado nesta ou naquela religião, o verdadeiro Natal deve acontecer todos os dias do ano. O nascimento de Cristo deve ser nosso renascimento diário, avaliando erros e renovando nossa fé e esperança num futuro melhor, através do conjunto de nossas ações.

Feliz Natal!"


sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Jogo Misto - Jorge Luiz Rodrigues


Jorge Luiz Rodrigues (foto acima), 48 anos, geminiano, jornalista esportivo há 27, especializado em esportes olímpicos, incluindo o futebol, nas questões envolvendo cartolas, Fifa e quejandos. Cobriu 6 Copas do Mundo (todas desde a Itália-1990) e 5 Olimpíadas (todas desde Barcelona-1992). Torcedor vascaíno, mas apaixonado pelo Nottingham Forest, clube da Segunda Divisão inglesa, todavia bicampeão da Europa nas finais de 1979 e 1980. Tem 3 filhos, um deles, o caçula, é meu xará, e uma rivalidade além da carioca, britânica, pois tenho simpatia pelo Reading na mesma divisão.

Acompanho o trabalho do jornalista desde seu primeiro blog no jornal O Globo, de 2003 a 2006, a partir do qual estabelecemos um contato constante. Na época em que viveu na África do Sul no período pré-Copa  de 2010 manteve um novo blog no jornal (África10), mas infelizmente inativo após a competição. Esperamos o seu regresso próximo.

Curiosamente, só viemos a nos conhecer pessoalmente há pouquíssimo tempo, em um almoço recheado de saborosas histórias. Jorge Luiz Rodrigues é o entrevistado de hoje da coluna "Jogo Misto" do Blog Ouro de Tolo.

1 - Você esteve "do outro lado" na Copa da Alemanha, trabalhando na assessoria de imprensa da Fifa. Como foi a experiência ? E quais as dificuldades enfrentadas na organização de um trabalho deste porte?


JLR: Foi fascinante porque pude descobrir o outro lado, aprender como uma Copa do Mundo é preparada por dentro, as dificuldades, os desafios, as superações, as derrotas e as vitórias. Como bem disse o meu editor-chefe no Globo, Rodolfo Fernandes, "uma pós-graduação que não existe no mercado". Além disso, abri portas na Fifa, fazendo muitos contatos, que até hoje me são úteis na hora de cobrir eventos, apurar bastidores e notícias sobre a entidade. Fui convidado a voltar em 2010, para a Copa do Mundo da África do Sul, mas não aceitei porque vi o que queria ver em 2006. A Copa da África do Sul foi a oportunidade de melhorar meu trabalho como jornalista, o que sou.

2 - Você morou seis meses na África do Sul antes da Copa de 2010. Quais as principais semelhanças e diferenças do modo de vida entre a África do Sul e o Brasil? Quais as lições que podemos tomar da organização da Copa de 2010?

JLR: A África do Sul é um país com potencial incrível de crescimento e que, em apenas 16 anos de liberdade, desde o fim do apartheid, conseguiu organizar uma Copa do Mundo incrível. A desigualdade social ainda é imensa na África do Sul, mas é um país que só veio conhecer a liberdade em 1994. A maior lição não aprendemos. A de não deixar para depois o que pode ser feito antes.

A Copa-2014 será uma festa, sem dúvida. Mas o atraso nas obras de infraestrutura, como aeroportos e melhorias no transporte público, vai custar muito mais caro e ainda causar dor de cabeça ao torcedor e ao visitante. Esse seria um dos grandes legados do evento. E o Brasil está perdendo tempo precioso.

3 - Quais suas expectativas para a organização da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016? Que legado poderemos esperar da realização dos dois eventos?

JLR: Sobre a Copa, penso já ter respondido. Sobre as Olimpíadas, creio que o grande erro é ter feito o Parque Olímpico na Barra. O exemplo de Londres-2012 deveria ser considerado, pois levou o coração dos Jogos para o Leste de Londres, uma área degradada, que está sendo toda revitalizada. As Olimpíadas seriam a grande oportunidade de unir um Rio partido através deste megaevento. Mas a Olimpíada não chegará nem perto de Santa Cruz ou da Favela de Antares, onde os índices de criminalidade são alarmantes, e se concentrará numa parte da Zona Oeste que não precisa dos Jogos quanto dezenas de outras áreas da cidade.


4 - O que um clube como o Nottingham Forest (acima, de vermelho, em partida contra o "meu" Reading na temporada 2008/09) pode ensinar aos dirigentes brasileiros sobre gestão esportiva? O que você considera de interessante em termos de administração de clubes e de dirigentes brasileiros ? E as perspectivas para 2011 neste aspecto ?

JLR: Nenhum clube do Brasil, nenhum mesmo, tem a estrutura do Nottingham Forest. Eu já o visitei, até em seus centros de treinamento para divisões de base, e nunca vi algo que chegasse perto em nosso país. Isso numa cidade a 202km de Londres, mais conhecida pela lenda de Robin Hood. Estamos falando de um clube que não está nem entre os 10 maiores da Inglaterra. 

Mas é um clube fundado em 1865, é um dos mais antigos do mundo, e que já ganhou 2 títulos da Copa dos Campeões Europa, que hoje é o que conhecemos como Liga dos Campeões da Uefa. O Nottingham Forest leva 21 mil pessoas em média aos seus jogos na Segunda Divisão e é apenas um entre os clubes que sabe como valorizar seu torcedor. Nada se compara a Inglaterra em matéria de fazer do futebol um programa nota 10 para entreter o público.

5 - Um livro inesquecível. Por quê?

JLR: Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez. É simplesmente espetacular.

6 - Uma canção inesquecível. Por quê?

JLR: Saindo de mim, de Ivan Lins e Vítor Martins. Tem um pouco de mim.

7 - Um filme ? Por quê?

JLR: Tropa de Elite 2: é extraordinariamente real.

8- Fez algum grande amigo em sua profissão?

JLR: Dois grandes amigos são Telmo Zanini e Armando Augusto, o Manduka. Jornalistas do primeiro time e pessoas da mais alta estirpe, sempre carinhosas e dando atenção aos amigos. Estão em meu coração para sempre.

9- Uma citação?

JLR: "Gratidão, nunca se esqueça dela. Você pode precisar novamente". Frase de seu Osmar, meu pai, meu ídolo, que lá de cima tem uma visão mais clara sobre isso aqui embaixo.

10 - Finalizando, com os agradecimentos do Ouro de Tolo, algumas poucas palavras sobre o blog ou seu autor/editor

JLR: Um prazer reencontrar o amigo. Trocas de experiências e estabelecimento de vínculos de amizade com leitores são alguns dos momentos legais desta nossa profissão. 

Feliz Natal e um 2011 maravilhoso de paz e saúde a você e aos seus leitores.


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Final de Semana - "Behind A Painted Smile"



Nesta antevéspera de Natal, feriado prolongado, temos um legítimo exemplar da boa música negra americana, reeditado recentemente na caixa com 3 CDs da coletânea com músicas da Motown, a lendária gravadora americana.

Trago aqui "Behind a Painted Smile", de 1967, do grupo "The Isley Brothers". Atrás de uma melodia dançante e irresistível temos uma triste canção de amor, que também pode ser lida como uma "canção de aparências": por trás de uma falsa alegria, uma tristeza infinita.

Vamos à letra:

"Whenever you're near i hide my tears
Behind a painted smile
You can't imagine the tears and sorrow
Behind a painted smile

My life's a masquerade
A world of let's pretend yeah
Since you took your love
Pretending never ends dear

But i can't let you know
That i still need you so no

Darling i hide the tears that i cry
Whenever you're near i hide my tears
Behind a painted smile
You can't imagine the tears and sorrow
Behind a painted smile

I can't let you see
All the tears i'm crying
You would pity me
That would be like dying

If i can't have your love
I don't need your sympathy

Darling i hide the tears that i cry
Whenever you're near i hide my tears
Behind a painted smile
You can't imagine the tears and sorrow
Behind a painted smile

My life is a masquerade
Since you took your love away
Whenever you're near i hide my tears
I just can't let you see
How much you hurting me
Whenever you're near i hide my tears
Behind a painted smile"


É Dia de Natal


Bom, meus leitores devem ter pensado que eu surtei de vez. Nada disso.

Na minha tradição religiosa, 23 de Dezembro é o dia em que, por analogia, comemoramos o nosso Natal.

Meishu-Sama - em português, "Senhor da Luz" - nasceu Mokiti Okada em 23 de dezembro de 1882, em Tóquio, Japão. Teve uma infância repleta de problemas de saúde e financeiros, mas sempre demonstrando uma disposição inabalável para superar as adversidades e completar a sua formação.

Após a morte do pai abriu a "Loja Okada", a qual engendraria grande sucesso, inclusive detendo a patente de um adorno feminino de cabelos em dez países - o "Diamante Asahi". Entretanto, foi a falência duas vezes e em 1929, aos 37 anos, doou a loja aos seus funcionários - esta vivia período de grande prosperidade - e abraçou a causa religiosa. 

Ele havia recebido a primeira Revelação Divina em 1926. Em 1931 no topo do Monte Nokoguiri recebeu a Revelação da Transição da Era da Noite para a Era do Dia, pilar da doutrina de nossa Igreja.

Casou-se duas vezes e teve filhos. 

Em 1935 fundou a Igreja Messiânica Mundial para a difusão do Johrei. Eram tempos pré-Segunda Grande Guerra e a nascente Obra de Salvação da humanidade enfrentou muitas dificuldades e perseguições. Meishu Sama foi preso por duas ocasiões, mas nunca esmoreceu.

Após o término da Segunda Guerra construiu os três Solos Sagrados japoneses, nas cidades de Hakone, Atami e Kyoto, bem como um dos mais importantes museus de arte japoneses. O Brasil tem o seu Solo Sagrado, localizado às margens da Represa de Guarapiranga, em São Paulo - aqui e aqui o leitor pode ver fotos do Solo Sagrado Brasileiro.

Meishu-Sama ascendeu ao Mundo Divino em 10 de fevereiro de 1955, aos 72 anos.

Receba nesta data a minha Gratidão. É Natal, 128º aniversário de nosso Fundador.

Reproduzo abaixo dois Ensinamentos - disponíveis no site da Igreja Messiânica - que resumem a essência da filosofia da Fé:


"Doutrina da Igreja Messiânica Mundial

Nós, messiânicos, cremos em Deus, Criador do Universo. Cremos que, desde o início da Criação, Deus objetivou estabelecer o Céu na Terra e tem atuado continuamente para a concretização desse objetivo. Com tal propósito, fez do ser humano o Seu instrumento para servir ao bem-estar da humanidade, condicionando a ele todas as demais criaturas e coisas. Cremos, portanto, que a história humana do passado constitui estágios preparatórios, degraus para se alcançar o Céu na Terra. Para cada época, Deus envia o Seu mensageiro e as religiões necessárias, cada qual com sua missão.

Cremos que, no presente, quando o mundo vagueia em tão caótica situação, Deus enviou o Mestre Meishu-Sama, fundador da Igreja Messiânica Mundial, com a suprema missão de realizar o Seu sagrado objetivo de salvar toda a humanidade. Por conseguinte, visando à concretização do Mundo Ideal, de eterna paz, perfeitamente consubstanciado na VerdadeBem-Belo, empenhamo-nos em fazer sempre o melhor, erradicando a doença, a pobreza e o conflito, as três grandes desgraças que assolam este mundo.

(11 de março de 1950)"


"O Que é a Igreja Messiânica Mundial

A Igreja Messiânica Mundial tem por finalidade construir o Paraíso Terrestre, criando e difundindo uma civilização religiosa que se desenvolva lado a lado com o progresso material.

Não há dúvida de que “Paraíso Terrestre” é uma expressão que se refere ao mundo ideal, onde não existe doença, pobreza nem conflito. O “Mundo de Miroku”, anunciado por Buda, a chegada do “Reino dos Céus”, profetizada por Cristo, a “Agricultura Justa”, proclamada por Nitiren, e o “Pavilhão da Doçura”, idealizado pela Igreja Tenrikyo, têm o mesmo significado. A diferença é que não se fez indicação de tempo. Mas eu cheguei à conclusão de que o momento se aproxima. E o que significa isto? É a hora da “Destruição da Lei”, prevista por Buda, e do “Fim do Mundo” ou “Juízo Final”, profetizado por Cristo.

Seria uma felicidade se o Paraíso Terrestre pudesse ser estabelecido sem que isso afetasse o homem. Antes, porém, é indispensável destruir o velho mundo a que pertencemos. Para a construção do novo edifício, faz-se necessária a demolição do prédio velho e a limpeza do terreno. Deus poupará o que for aproveitável – e a seleção será feita por Ele. Eis a razão pela qual é importante que o homem se torne útil para o mundo vindouro.

Ultrapassar a grande fase de transição significa ser aprovado no exame divino, e a Fé é o único caminho para obtermos aprovação. As qualificações para ultrapassar essa fase são as seguintes:

a) tornar-se um homem verdadeiramente sadio, e não apenas na aparência;
b) um homem que se libertou do sofrimento da pobreza;
c) um homem que ama a paz e detesta o conflito.

Deus resguardará aqueles que tiverem essas três grandes qualificações e deles se utilizará, como entes preciosos, no mundo que vai surgir. Certamente não há discordância entre os desígnios de Deus e os ideais do ser humano. Portanto, haverá um caminho que permita estabelecer as condições requeridas. Mas como poderemos obtê-las?

Nossa Igreja tem por objetivo orientar as pessoas e transmitir-lhes a Graça Divina, possibilitando-lhes criar tais condições.

(25 de janeiro de 1949)



O atual e quarto Líder Espiritual da Igreja Messiânica Mundial é Yoiti Okada (foto acima), neto do Fundador, intitulado Kyoshu Sama. Tive a oportunidade de estar presente em São Paulo por ocasião de sua visita missionária, em novembro do ano passado - contei esta história aqui e aqui.

E aqui o leitor interessado pode baixar um vídeo com um resumo deste Culto, inclusive com a saudação de nosso Líder Espiritual.

Eu fui criado desde pequeno na Igreja, por intermédio de duas tias - uma delas, já falecida - e posteriormente minha mãe. Tornei-me membro da Igreja em 1987 e posso dizer que exerci dedicação (trabalho voluntário) em praticamente todos os setores da instituição. É a base de minha vida e esteio para os momentos da vida. A foto abaixo é de maio de 2008, Solo Sagrado.


Feliz Natal de Meishu-Sama !

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Formaturas, Batizados e Afins: "Hora de comemorar conquistas e planejar o futuro"


Mais uma quarta feira, e a última coluna "Formaturas, Batizados e Afins" deste ano traz um balanço do ano no setor de ciência e tecnologia. Como sempre, texto assinado pelo professor de Biofísica Marcelo Einicker Lamas.

"Hora de comemorar conquistas e planejar o futuro

Caros amigos,

Por ser este o último texto desta coluna para o ano de 2010, utilizarei este espaço para uma espécie de retrospectiva do ano na ciência e tecnologia e também para projetar os anseios de toda comunidade científica para o ano que chega.

O ano de 2010 foi marcado por grandes descobertas científicas em todo o mundo, algumas delas abordadas aqui nesta coluna de uma maneira mais direta ao público leigo. Aqui no Brasil podemos colocar 2010 como um ano bastante positivo para a área científica; seguindo a trajetória desenhada pelo Governo Lula que aumentou substancialmente os investimentos em pesquisa e ensino, proporcionando assim, também por aqui, grandes descobertas.

Na medicina, avançou a passos largos a questão das terapias avançadas (gênica e celular), com aprovação de leis que extinguiram impedimentos éticos e legais para o desenvolvimento de nosso País nesta área tão promissora e estratégica. Também avançaram muito os estudos no campo da neurobiologia, tendo o pesquisador brasileiro Miguel Nicolelis impressionado o mundo com suas descobertas que podem vir a ajudar deficientes físicos com próteses muito mais funcionais em um médio e longo prazo.

Ainda na área da medicina novos compostos naturais foram identificados, com ações poderosas sobre agentes causadores de importantes enfermidades como o vírus da AIDS por exemplo e o parasito causador da malária - o Plasmodium. Na Espanha pesquisadores conseguiram criar uma traquéia a partir de células tronco, abrindo uma nova avenida para transplantes. Também foram desenvolvidas novas tecnologias para tentar combater diferentes tipos de câncer e doenças prevalentes como a hipertensão e o diabetes.

Nas engenharias destacaria a enorme evolução de nossa indústria naval e petroleira, com abertura e consolidação de estaleiros, desenvolvimento de tecnologias de prospecção de petróleo, principalmente em altas profundidades no mar; incluído aí o potencial econômico da exploração do pré-sal. Com toda certeza coube ao setor de engenharia e arquitetura buscar novas medidas para frear a destruição do meio ambiente, pensando melhor nas ruas, cidades e edifícios; aproveitando ao máximo a luz natural, os ventos e a energia solar.

Foi um ano de investimento em novas modalidades de obtenção de energia - a chamada energia limpa - sem liberação de fumaça e sem degradação das nossas florestas. Depois da explosão de vendas dos carros com motores a álcool começam a surgir no mercado veículos movidos a hidrogênio ou a eletricidade. Estes são motores que não emitem dióxido ou monóxido de carbono e assim não agridem o meio ambiente e destroem a camada de ozônio já tão castigada. Harmonizar desenvolvimento com sustentabilidade seguirá sendo uma diretriz não apenas para o Brasil, mas para todo o mundo.

Nas ciências da terra houve o desenvolvimento de novas variedades de cultivos e o melhoramento genético através de cruzamentos de espécies distintas em laboratórios como da Embrapa, que com certeza colocarão o Brasil por muitos anos na liderança dos países produtores de alimentos no mundo. Também merece destaque o estudo das alterações climáticas que tem alterado todo o padrão de estações nos quatro cantos do mundo. O chamado aquecimento global é uma realidade e tem despertado vários grupos de pesquisadores que visam frear o que pode ser um dano irreparável ao planeta a médio e longo prazo.

No fim do mês passado, uma descoberta fascinante praticamente trouxe nova definição para a palavra VIDA, com o estudo que mostrou que uma bactéria consegue metabolizar o arsênico, elemento químico extremamente tóxico para a maioria dos seres vivos do planeta (ver coluna anterior para mais detalhes).

Como ilustram estes exemplos, passaria páginas e páginas detalhando algum tipo de evolução promovida pela ciência e tecnologia em qualquer um de seus ramos, o que espelha o progresso que tivemos não apenas no Brasil, mas em todo mundo. Também resgato o que escrevi numa das primeiras colunas sobre a necessidade de investimento no setor científico. Este investimento é totalmente revertido em ações afirmativas que apontam para o desenvolvimento de nossa Nação.

Mas e o futuro? Bem, começa um novo Governo e com ele novos desafios. A Presidente Dilma Roussef terá de mostrar logo de cara a intenção de seu governo atacando alguns pontos ainda vulneráveis na questão científica. Reforçando que são pontos escolhidos por mim e portanto, passíveis de críticas da parte de vocês queridos leitores:

1- Fortalecer o ensino em todos os níveis. Dados recentes da ONU mostram que o Brasil tem um desempenho pífio em educação. Ficamos atrás de países que beiram o caos por terem sido ou estarem passando por problemas graves como guerras. Isso obviamente é algo que merece total cuidado! Fortalecer o ensino fundamental e médio, unificando os currículos obrigatórios e valorizando a profissão de professor é um ponto importantíssimo para melhorarmos nossos índices e mesmo o mais importante que números, melhorar a formação de nossos jovens.

É inadmissível que um professor receba menos de R$ 1.000,00 enquanto cargos de nível médio no serviço público chegam a ter remuneração de mais de R$ 2.000,00. Melhorar não apenas o salário dos professores, mas permitir que estes se capacitem para atualização de conteúdos e metodologias de ensino, aliado a uma reforma nacional dos estabelecimentos de ensino, terá um resultado a longo prazo similar ao que se observou em nações emergentes como a Coréia do Sul. Quanto mais forte for o ensino fundamental e médio, melhores serão os alunos que chegam às Universidades, e melhores profissionais serão estes jovens ao se formarem, garantindo não apenas a geração de mão de obra capacitada e revertendo em prol de ações de inclusão social bastante eficientes.

2- Seguir apoiando a pesquisa em todas as suas áreas, com liberação de recursos e disponibilização de novas vagas para docentes e pesquisadores nas Universidades e Centros de Pesquisa. Ajudaria muito também ao nosso setor científico uma profunda atualização das questões legais envolvendo importação de equipamentos e matérias utilizados nas pesquisas, que representa hoje um grande entrave para a agilidade e competitividade de nossos grupos com os demais países.

3- Combater a Biopirataria que todos os dias rouba de nossas florestas e mares biomassa que gera produtos naturais que são isolados, identificados, patenteados e posteriormente vendidos para nós por preços proibitivos. Será este o tema de uma das primeiras colunas em 2011.

4- Manter campanhas importantes como a vacinação contra pólio, vacinação contra gripe, conscientização e combate à dengue, prevenção da AIDS, câncer de mama, próstata e outros; e ainda as iniciativas de esclarecimento e tratamento dos dependentes químicos que estima-se, já sejam 10 milhões se considerado apenas o crack como substância entorpecente.

Atacar estes pontos de cara, permitirá uma chance de resolver problemas graves que estão de alguma maneira freando o nosso desenvolvimento científico e por tabela, nosso desenvolvimento como nação soberana.

Desejo a todos vocês um Feliz Natal, e um Ano Novo repleto de saúde, alegrias e realizações. Obrigado pela leitura das colunas, e sintam-se a vontade para sugerir temas no próximo ano. Por motivo de minhas férias na Universidade, devo voltar apenas em Fevereiro. Até lá!

Marcelo Einicker Lamas"