sexta-feira, 31 de julho de 2009

Música para o Final de Semana

Rapidinho, que está enrolado hoje.

Mas, pra começar bem o final de semana, Mestre Tom Jobim, com "Luisa". Antonio Carlos Brasileiro Jobim sempre é uma apreciável opção para se escolher uma boa música a se ouvir.

O curioso é que o vídeo que eu "garimpei" no Youtube está com legendas, acredito que tenha sido alguma gravação de programa estrangeiro.

Vamos à letra:

Luisa

(Composição: Antônio Carlos Jobim)

Rua,
Espada nua
Boia no céu imensa e amarela
Tão redonda a lua
Como flutua
Vem navegando o azul do firmamento
E no silêncio lento
Um trovador, cheio de estrelas
Escuta agora a canção que eu fiz
Pra te esquecer Luisa
Eu sou apenas um pobre amador
Apaixonado
Um aprendiz do teu amor
Acorda amor
Que eu sei que embaixo desta neve mora um coração

Vem cá, Luisa
Me dá tua mão
O teu desejo é sempre o meu desejo
Vem, me exorciza
Dá-me tua boca
E a rosa louca
Vem me dar um beijo
E um raio de sol
Nos teus cabelos
Como um brilhante que partindo a luz
Explode em sete cores
Revelando então os sete mil amores
Que eu guardei somente pra te dar Luisa
Luisa
Luisa

Abaixo, o vídeo.


Festa para um Rei Negro

Sexta feira, dia cultural no Ouro de Tolo. Ainda mais em uma semana como esta, em que o tema "cultura" esteve permeando os posts.

Também como já devem ter percebido, esta semana dei uma renovada no meu estoque de CDs. Acabei encontrando uma pérola: o CD em que Jair Rodrigues comemora 50 anos de carreira e 70 de idade.

Gravado ao vivo e com diversos convidados, o disco faz uma viagem pela carreira do cantor. Mesmo com a voz já claramente cansada, ele consegue se adaptar às limitações e faz registros muito interessantes de algumas músicas.

A versão de Disparada, embora não supere a antológica gravação original, ficou muito gostosa de se ouvir.

Da mesma época, "Pra Não Dizer que Não Falei das Flores", música histórica - mas muito pouco gravada devido às negativas do autor Geraldo Vandré em liberar os direitos - ganha um registro emocionado, e que emociona quem gosta de boa MPB.

Como portelense que sou também destaco o dueto com Jairzinho, seu filho, nas faixas "Coisas do Mundo, minha Nega" e "Foi um Rio que Passou em Minha Vida". Jairzinho consegue emular bem a voz do grande Élton Medeiros, e isto dá um tempero todo especial às faixas.

Uma boa surpresa. Não dou nota 10 devido à presença de Chitãozinho e Chororó em uma das faixas...

A propósito, o título do CD vem de "Festa para um Rei Negro", samba enredo do Salgueiro de 1971 que revolucionou o gênero e que foi gravada pelo artista à época. Para quem não conhece, é o samba deste refrão:

"Ole lê
Ola lá
Pega no ganzê
Pega no ganzá"

No site da Saraiva está R$ 24,90, menos até do que paguei na loja.

Também está disponível em DVD, com mais músicas. Não sou muito de DVDs musicais, mas acho que este irei comprar.

Cinecasulofilia

Abrindo a nossa sexta feira no Ouro de Tolo, a nossa coluna sobre cinema, de volta ao seu dia normal. Parceria com o excelente blog Cinecasulofilia, do amigo Marcelo Ikeda.

Mongol
O Guerreiro Genghis Khan
de Sergei Bodrov

Épico que recria a vida do grande guerreiro mongol Gengis Khan. Bodrov realiza uma grande co-produção internacional com grandes méritos em relação à artesania técnica: cenas de batalha, fotografia deslumbrante, etc. No entanto, sua intenção é fazer uma biografia bastante convencional, misturando um tom tipicamente épico com uma grande história de amor, com um tom completamente ocidentalizado, conforme fica claro pela indicação do filme ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Ficamos pensando porque um filme como esse não está num Cinemark, e sim nos cinemas do Estação: provavelmente por não ser falado em inglês, por não ter um ator famoso e por envolver uma “história exótica” “como a dos mongóis”, não sendo assim “mero entretenimento” (haja aspas). Apenas por isso, pois na forma como Bodrov conta essa história, o filme é completamente convencional (talvez fora o fato de Khan ter aceitado um filho bastardo). Bodrov romantiza excessivamente a postura do sanguinário Genghis Khan, focando mais na história de amor do que no seu lado estrategista e até mesmo no lado histórico da formação da consciência do povo mongol. Outro problema do filme é que ele parece ter sido filmado para uma duração de 3 horas e depois os produtores resolveram cortar para 125 minutos para facilitar seu lançamento comercial: o filme possui diversas elipses muito abruptas, verdadeiros saltos que ficam sem explicação ou desenvolvimento adequado. Enfim, uma produção internacional competentemente realizada mas falsa, estereotipada. Mas o que salva o filme do mero “manual velho de biografias filmadas” é a estonteante atuação de Tadanobu Asano, grande ator japonês que já trabalhou com Kitano, Aoyama (especialmente) e Kiyoshi Kurosawa, entre outros. O ponto é que diante do grande desafio de encarnar uma personalidade nada trivial como Genghis Khan e diante da grande opulência de produção do filme, Asano genialmente optou pelo mais simples, e conseguiu dar o único sopro de vida, de verdade, nesse filme de ambições modestas (apesar de monumental). Asano revestiu o grande Khan com uma grande serenidade, fora de todos os cacoetes dos grandes líderes, e mesclando com cenas de grande ação física (as cenas de batalha) preencheu os tempos de pausa do filme com um enorme olhar humano, cheios de uma perseverança e de uma sabedoria (inclusive sobre o ofício do ator) que é de emocionar. O Khan representado por Asano é guerreiro e sábio, “astuto como lobo”, aquele que sabe ouvir e sabe falar, quando necessário. Asano sozinho consegue alimentar inesperadamente um filme de alma vazia, mas que ainda assim possui bons momentos (o trovão e "quem escolheu quem" por exemplo).

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Gripe A

Venho acompanhando com interesse a histeria da grande imprensa sobre a Gripe A, ex-gripe suína.

Interessada em atingir diretamente a popularidade do Governo Federal, vêm insistindo que é "extremamente perigosa" e que leva as pessoas a "correrem risco de morte iminente".

O que é verdadeiro nisso tudo é que a Gripe A demanda cuidados, talvez um pouco mais intensivos que a gripe comum, mas não tem este potencial letal conforme alardeado aos quatro cantos pelos jornais e pelas televisões.

Seu potencial de mortalidade não chega a 0,5% dos casos. Normalmente, são de pessoas que já têm, naturalmente, imunidade menor que a de um adulto normal, tais como menores de um ano de idade, maiores de 65 anos, grávidas, portadores do vírus HIV ou portadores de doenças como bronquite e asma.

Cuidando e evitando que se transforme em pneumonia, é perfeitamente curável, deixando os pacientes sem quaisquer sequelas.

Entretanto, o alarmismo da grande imprensa só está superlotando os hospitais sem a menor necessidade. Com intenções inclassificáveis por trás do suposto "alarmar" a população, acaba gerando um pânico injustificado na população. O que piora o atendimento dos serviçoes de saúde.

Acredito que precise ser redebatido o papel da televisão e dos jornais, e sua concentração em poucos grupos econômicos. Na prática, hoje são meia dúzia de cabeças que determinam o que você, cidadão, pode saber, de que forma saber e para que serve saber.

Um monopólio de informação bastante perigoso, ainda mais utilizado para manipular.

Portanto, aos meus 16 leitores: se sentirem os sintomas da Gripe A cuidem-se, não se apavorem, e procurem utilizar outras fontes de informação.

P.S. - O "Festival de Besteiras da Imprensa", blog que acompanho - link abaixo - está com uma série muito boa sobre a Gripe A e a imprensa.

Renan ou mídia: um certo estilo

(por Luis Nassif)

30/07/2009 - 10:34

Renan ou mídia: um certo estilo

"Vamos entender melhor esse jogo de hipocrisias na campanha contra José Sarney.

(...)

1. A Folha traz uma denúncia de empréstimos do BNB (Banco do Nordeste do Brasil) à TV Mirante, dos Sarney. A dívida está sendo questionada na Justiça, devido às cláusulas de correção cambial. O empréstimo foi concedido pelo BNB na gestão Byron, indicado pelo senador Tasso Jereissatti e homem de confiança do Ministro da Fazenda Pedro Malan. Questionamento na Justiça significa o banco contra Sarney, não necessariamente irregularidades cometidas na concessão do empréstimo.

2. Todos esses vícios de Sarney fazem parte de usos e costumes do Legislativo. Praticamente todos os senadores foram beneficiados por nomeações de parentes e outras benesses do poder. Mas a campanha é focada nele, não nas saídas para reduzir esse tipo de vício das práticas políticas brasileiras.

3. O governo Sarney marcou o auge do poder de Roberto Marinho. Não havia uma indicação de Ministro que não passasse por Marinho, conforme amplamente conhecido. Foi nesse período que a TV Mirante, de Sarney, conseguiu a concessão da Globo (assim como a TV de ACM). E a Globo conseguiu apoio irrestrito da Telebras.

4. No governo Sarney, a Folha se aproximou dele de tal maneira que lhe concedeu vinte anos de coluna no espaço nobre da página 2.

5. Agora que José Sarney ameaça renunciar, matéria da Folha mostrando a cúpula tucana (FHC, Serra e Aécio) tentando se aproximar dele. Renunciando, os ataques contra ele cessarão na hora, como cessaram contra Renan.

6. Em sua coluna de hoje, Clóvis Rossi fala em “um certo estilo de Máfia”. Coloco o raciocínio do Rossi, deixando entre parêntesis opções de personagens que se adequam ao raciocínio.

'O problema é que Renan (a mídia) não ameaça Virgílio (Sarney) porque este violou a ética, mas porque o PSDB (PMDB) está entrando com a sua própria representação (aliança) contra José Sarney (José Serra), de quem Renan (a mídia) é cão de guarda. Em outras palavras, é o típico aviso mafioso: você não entra no meu território que eu deixo seus trambiques em paz'." (...)

A Solução para a Política

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Novela, estímulo ao mal

Antes de mais nada: não, a foto da Ísis Valverde neste post não tem nada a ver com o título. Usei apenas para ilustrar o texto.

Minha esposa, infelizmente, é viciada neste negócio. Se ela estiver em casa, é televisão ligada na novela, com certeza. Normalmente, pego alguma coisa para ler ou pulo para o computador.

Entretanto, basta ouvir cinco minutos que se percebe que a novela - qualquer uma - é um manual de crimes.

Ensina a roubar, ensina a sequestrar, ensina a mentir, a matar, a fugir, a dar golpes financeiros, a usar armas, a enganar e, quase sempre, os que destes recursos se utilizam acabam tendo sucesso. Nas "óperas de sabão", o crime (quase) sempre compensa.

Não me parece coincidência a decadência moral da sociedade e a queda de nível moral das nossas produções. É relação causal. O grosso da população, que não tem acesso à leitura de qualidade, muitas vezes com uma formação familiar, moral e religiosa fracas, acaba se "educando" através da televisão.

Então, o que ocorre ? Ocorre que o cidadão vê a novela, aprende que o certo é enganar, mentir e roubar para subir na vida. Não tem uma formação adequada e reproduz o que vê. Por isso o título deste texto.

Outra coisa é a pobreza das produções atuais. A Índia da novela atual é idêntica ao Marrocos da estória anterior da mesma autora - que, a propósito, só se tornou uma escritora considerada top depois do assassinato da filha.

As tramas básicas são mais ou menos as mesmas: tem o mocinho, o bandido, a mocinha, a bandida, aquele personagem fluido que sempre vive de golpes e sempre "se dá bem", o boa praça que não tem grana, as empregadas (sempre negras ou de idade), o vovô bonachão que sempre é enganado e por aí vai.

Viu cinco minutos de uma, viu todas.

Muito me preocupa a sociedade que esta fábrica de canalhas está gerando. Sem referencial de bons exemplos, tende a reproduzir o que vê na televisão, e aí temos um mundo onde todos reclamamos da falta de ética e de caráter.

Mas aplaudimos estes caras... e xingamos os políticos. Santa coerência...

P.S. - Que fique claro que nem todos serão maus caráteres por assistirem novelas. Taí o exemplo da minha esposa que não me deixa mentir. Uma boa formação nos torna imunes a este tipo de coisa.

Simonal - Ninguém sabe o duro que dei

Comprei ontem, e ouvi hoje no carro - eu praticamente só ouço música no meu carro - o cd com a trilha sonora do documentário do Simonal.

Na prática (eu não vi o filme) o CD é uma coletânea dos maiores sucessos do cantor.

Ouvindo as canções, fica claro o porquê da antipatia que o cantor angariava naqueles tempos engajados. São músicas descompromissadas, que poderiam perfeitamente serem rotuladas de "alienadas" pelos músicos engajados da época.

Principalmente após o famigerado AI-5, não denunciar o governo era estar com ele, era apoiar o autoritarismo e a tortura que haviam naqueles tempos. Significava apoiar a Censura.

Não seria absurdo nenhum dizer que ele servia aos propósitos dos generais que mandavam no país à época. Aí soma-se a mal explicada história de que ele seria informante e... vem o ostracismo. Não dá para se reclamar, a meu ver.

Aliás, uma coisa que pouca gente sabe é que ele havia se tornado messiânico quando faleceu.

Em tempo: o CD é bom. Na Saraiva entregam até no mesmo dia, dependendo da localidade.

Ouro de Tolo na Frente de novo ! (Parte II)

Semana passada escrevi aqui um artigo sobre a queda da Taxa Selic e as pressões que já haviam por parte do mercado financeiro para se elevar novamente os juros e manter a rentabilidade de suas instituições.

E não é que a Carta Capital desta semana tem como matéria de capa justamente o mesmo assunto ? Óbvio que mais aprofundada, até porque informação é o negócio deles. Entretanto, o mote da matéria é exatamente o do texto que escrevi aqui.

Mais uma vez, os leitores deste blog ficaram sabendo na frente. Ressalto que não conheço ninguém na revista e nem tinha visto a matéria antes de comprar meu exemplar na banca.

Aliás, para quem gosta, recomendo o excelente artigo sobre macroeconomia publicado na edição, reproduzido da "The Economist". Infelizmente ainda não está disponível no site da revista.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Samba de Terça

Hoje o nosso "Samba de Terça" viaja no tempo, a um dos anos mais importantes da nossa história recente, 1968.

O samba é "Sublime Pergaminho", da Unidos de Lucas, escola da Zona da Leopoldina criada a partir da fusão entre a Unidos da Capela e a Aprendizes de Lucas. 1968 marcaria o segundo desfile da escola após a fusão.

O título do samba como ficou conhecido é uma alusão ao pergaminho onde estava escrita a Lei Áurea, quando da sua decretação e leitura.

Na verdade, o título original do enredo era "História do Negro no Brasil", entretanto o samba acabaria conhecido pela outra denominação.

Sobre a Abolição da Escravatura, o samba seguia um padrão um pouquinho diferente: tinha 36 versos e estes eram curtos em comparação com os denominados "lençóis" da época.

Reza a lenda, também, de que o samba escolhido não era o originalmente determinado pela direção da escola como o vencedor, havendo a troca exatamente no dia da escolha.

Desfilando no dia 25 de fevereiro, domingo de carnaval, na Candelária, este desfile teve como carnavalesco o grande vencedor de concursos de fantasias Clóvis Bornay, que seria campeão dois anos depois com a Portela. Ele já havia assinado o carnaval de 1967, o primeiro da história da vermelho e ouro.

A Unidos de Lucas foi a quinta colocada naquele carnaval, com 99 pontos. Foi a melhor classificação da escola no Olimpo do samba em sua história.

Infelizmente, a escola não desfila no Grupo Especial desde 1976, e após bons desfiles no Grupo de Acesso B a escola amargou dois rebaixamentos seguidos; em 2010, desfilará no Acesso D, a Quinta Divisão do samba.

Vamos à letra do samba:

Composição: Zeca Melodia / Nilton Russo / Carlinhos Madrugada

"Quando o navio negreiro
Transportava negros africanos
Para o rincão brasileiro
Iludidos
Com quinquilharias
Os negros não sabiam
Que era apenas sedução
Pra serem armazenados

E vendidos como escravos
Na mais cruel traição
Formavam irmandades

Em grande união
Daí nasceram festejos
Que alimentavam o desejo
De libertação
Era grande o suplício
Pagavam com sacrifício
A insubordinação

E de repente
Uma lei surgiu
E os filhos dos escravos
Não seriam mais escravos
No Brasil

Mais tarde raiou a liberdade
Pra aqueles que completassem
Sessenta anos de idade
Ó sublime pergaminho
Libertação geral
A princesa chorou ao receber
A rosa de ouro papal
Uma chuva de flores cobriu o salão
E o negro jornalista
De joelhos beijou a sua mão
Uma voz na varanda do paço ecoou:
"Meu Deus, meu Deus
Está extinta a escravidão"

Aqui você pode ouvir o samba, em três versões: a oficial de 1968, a gravada pela Velha Guarda da escola e uma rara versão ao vivo, "esquenta" da bateria para o desfile de 2004.

Para terminar, uma pergunta aos meus 16 leitores: realmente a abolição foi extinta ? Contudo, isto é papo para outro post...

Semana que vem, vamos ao maior samba enredo da história do carnaval em minha opinião: "Os Sertões", Em cima da Hora 1976.

P.S. - Agradecimentos à Galeria do Samba e a Academia do Samba.

Casamento, Oficiante e Amizade

Domingo eu fui oficiante no casamento do Guilherme, amigo meu e que dedicou comigo nos cursos para a Juventude Messiânica anos atrás.

Explicando a quem não é messiânico: oficiantes são rapazes ou moças que auxiliam nas celebrações de cultos, casamentos e batizados. A função deles é colocar as oferendas no Altar e auxiliar nos demais rituais que compõem a celebração.

Isto posto, queria dizer que fiquei muito feliz com o convite. Primeiro pela lembrança após dois anos afastado dele, mais por culpa minha - eu precisei dar atenção às meninas após o nascimento, natural. Segundo pelo Ministro oficiante ser o Marcelo, meu amigo de longa data. Terceiro, por finalmente fechar um ciclo de 8 anos como oficiante (1997 a 2005) e que havia ficado meio que em aberto.

Pela primeira vez participei de um casamento messiânico ao ar livre. O local era bem legal, apesar de longe - Vargem Grande. As pessoas que nos apoiaram o fizeram sem o menor estresse. O Eduardo, outro oficiante, excelente de se lidar.

A cerimônia correu bem, sem sobressaltos, e a festa depois foi ótima. Consegui me divertir bastante, até porque, desta vez, fomos apenas eu e a Daniele, minha esposa - é a segunda vez que isso acontece desde que nasceu a Maria Clara...

Todavia, nem era nisso que queria falar, mas, sim, das amizades de toda uma vida. Acho que sou um sortudo ao chegar aos 34 anos com pelo menos meia dúzia de amizades que beiram os 20 anos. Pessoas de quem você até fica um tempo afastado, mas sabe que querem o seu bem e que você pode contar em todas horas, como se de sangue fossem. Não cito nomes aqui, pois seria injusto.

Infelizmente o mundo de hoje dá muito pouco valor a coisas como amizade, longo prazo, doação, altruísmo. Queimam-se relacionamentos de 10, 20 anos por uma migalha que represente a menor vantagem que seja. Primeiro eu, depois eu e em terceiro eu. Ética ? Hoje atrapalha.

Seria tudo bem melhor se as pessoas dessem valor à amizade. As cultivassem como cultivam um pé de café ou como a longa vida de uma tartaruga marinha. Sempre entendendo que um amigo verdadeiro faz não o que você quer, mas o que você precisa.

Em tempo: como bem disse o Ministro Marcelo na cerimônia, "o que Deus uniu, o homem não separa".

Fotos:
1 - Altar Itinerante usado na cerimônia;
2 - Início da Cerimônia;
3 e 4 - Cerimônia do Brinde;
5 - Da esquerda para a direita: eu, Daniele, Eduardo, Fernanda, Márcia e Marcelo.

Cinecasulofilia

Após um longo e tenebroso inverno, está de volta a nossa coluna sobre cinema, em parceria com o blog "Cinecasulofilia". O texto, como sempre, é de autoria do amigo e cineasta Marcelo Ikeda.

Il y a longtemps que je t'aime
Há Tanto Tempo que Te Amo
(De Philippe Claudel)

Co-produção franco-alemã exibida na competitiva do Festival de Berlim no ano de Tropa de Elite, dá uma ideia porque o filme brasileiro foi vencedor. O argumento a princípio me soa interessante: um drama familiar intimista sobre duas irmãs que se reencontram após 15 anos quando uma delas sai da cadeia, condenada por ter assassinado seu próprio filho. Drama, família, morte: temas que me interessam. A questão é que Philippe Claudel resolve tudo (roteiro e mise en scene) de uma forma um tanto óbvia, fechando todos os vértices da equação, explicando ao final porque a mãe matou o filho e tentando o tempo todo no filme “justificar” seu desfecho final, “humanizar” essa mãe no mau sentido (isto é, colocá-la como injustiçada, sofredora solitária, vítima do destino, incompreendida). Visualmente o diretor resolve sempre tudo no diálogo e joga pros atores, com a única exceção de uma cena de jantar aos 33 minutos de filme, resolvida com um plano-sequência criativo, com uma movimentação ágil de câmera e dos diversos personagens em cena. Kristin Scott Thomas, a liberta, encarna sua personagem com um estilo sóbrio que dá ao filme um inesperado sopro de vitalidade. Mas no fim (especialmente no final, um final bastante burocrático) Claudel faz um rame-rame correto, sem riscos, o que evidentemente se distancia de tudo o que o bom cinema busca, especialmente o cinema intimista de situações extremas, como a que o filme tenta se aproximar, mas torna tudo falso, artificial, sem vida.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Zé Carlos (1942-2009)

Na última sexta feira fez a sua passagem para o Mundo Espiritual o ex-goleiro do Flamengo Zé Carlos, com apenas 47 anos. Infelizmente, um câncer no abdômen levou precocemente o goleiro campeão brasileiro em 1987.

Coloco como minha homenagem um pequeno vídeo daquela que, para mim, foi a maior atuação dele com o Manto Sagrado: semifinal do Brasileiro de 87, Flamengo e Atlético/MG, primeiro jogo.

O jogo se realizou em 29 de novembro de 1987 no Maracanã, diante de exatas 118.001 pessoas.

Eu me recordo bem deste jogo, apesar de ser um moleque de apenas treze anos de idade, por vários motivos: primeiro porque foi a única vez em que briguei no Maracanã, segundo porque foi a primeira ocasião em que ministrei Johrei lá e, finalmente, porque a atuação do nosso goleiro me espantou.

A torcida do Atlético - valente, tenho de reconhecer - quis encarar a nossa massa e foi massacrada antes, durante e depois do jogo. O time deles era um bom time, muito bem treinado pelo saudoso Telê Santana, e dominou boa parte do tempo daquela partida.

Não fossem as defesas do nosso "Zé Grandão", fatalmente teríamos perdido. No segundo tempo, o Bebeto fez um gol e fomos para Belo Horizonte com a vantagem do empate.

Abaixo coloco um pequeno vídeo deste jogo, como minha homenagem.

Para mim, ao lado de Gilmar Rinaldi, Zé Carlos foi o terceiro goleiro mais importante dos que eu vi envergar o Manto Sagrado; atrás apenas de Raul Plassman, o maior goleiro da história do clube, e Júlio César. Sua atuação foi decisiva tanto no Brasileiro de 1987 quanto na conquista da Copa do Brasil de 1990.

Descanse em paz, Zé Grandão.

O vídeo abaixo foi o melhor - na verdade, o único - que consegui no Youtube, e enfoca as grandes defesas do nosso arqueiro naquela tarde. Saudades do tempo em que os jogos começavam às 17 horas...


José Saramago

O blog "Prosa e Verso", do site do jornal O Globo, publicou uma excelente entrevista com o escritor José Saramago, que reproduzo aqui:

José Saramago fala sobre Twitter, Lula e seu novo livro

As frases longas e bem elaboradas a que os leitores de José Saramago estão acostumados continuam lá, mas o ambiente é outro, justamente um que costuma pedir frases curtas, sem a necessidade de muita elaboração. Desde setembro de 2007, o escritor português, prêmio Nobel de Literatura em 1998, mantém um blog (caderno.josesaramago.org), onde comenta temas relacionados a política, literatura, religião e sociedade ou simplesmente escreve relatos sobre suas viagens, muitas ao Brasil.

Os textos estão saindo da internet e ganhando o papel, numa coletânea de sete meses de posts lançada esta semana pela Companhia das Letras sob o título de “O caderno”. Em entrevista ao GLOBO (por e-mail, como é mais apropriado ao tema), Saramago explicou o que pensa sobre a rede, revelou que um dia deve se cansar do blog e exaltou a literatura de Chico Buarque.

O GLOBO: Seu livro “O caderno” é uma coletânea de textos de seu blog. Escritores mais velhos, porém, costumam manifestar certo descaso com a internet e os blogs. Como o senhor lida com a internet? O senhor lê outros blogs? Enxerga a internet como uma possibilidade de literatura ou apenas como fonte de informação?

JOSÉ SARAMAGO: Escrever num blog não difere em nada de escrever numa folha de papel. Salvo a extensão do texto em que, no caso do blog, se aconselha uma certa brevidade, os escritores não estão condicionados por normas ou regras que, supostamente, caracterizariam o blog. Não sou frequentador assíduo da internet. Consulto o Google com frequência, nada mais. Quanto a ler outros blogs, faço-a às vezes, mas não mantenho diálogo com eles. Para mim, a internet é uma fonte de informação rápida e em geral eficaz, porém não confundamos: a literatura ou é ou não é, não há meios termos. Muitas transformações teriam de dar-se (e eu não vejo como nem quais) para que a internet tomasse lugar no fazer literário.

O senhor acha que a experiência em escrever para um blog, onde teoricamente os textos são mais curtos e diretos, teve alguma influência na sua escrita?

SARAMAGO: Nenhuma. Continuo a utilizar frases longas, das que dão espaço e tempo para observações e análises quer considero necessárias. A tão louvada clareza das sínteses é, não raro, enganosa.

E como surgem os temas para o blog? A variedade é a regra? Qualquer pensamento que o senhor tenha pode motivar um post?

SARAMAGO: Não qualquer, evidentemente. Os temas surgem com naturalidade, embora uma vez ou outra haja que esforçar-se um pouco. A minha maior preocupação é não cair na monotonia nem na previsibilidade.

O senhor acompanha o fenômeno do Twitter? Acredita que a concisão de se expressar em 140 caracteres tem algum valor? Já pensou em abrir uma conta no site?

SARAMAGO: Nem sequer é para mim uma tentação de neófito. Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido.

No livro, no texto do dia 25 de novembro de 2008, o senhor revelou que jornalistas brasileiros, numa coletiva de imprensa, ficaram interessados em fazer perguntas sobre seu blog. Nele, o senhor escreve, sobre a internet: "Será que aqui, a bem dizer, nos assemelhamos todos? É isto o mais parecido com o poder dos cidadãos?". O senhor diz, ainda: "Não tenho respostas, apenas constato perguntas". Um ano depois, a resposta apareceu? O senhor considera a internet um espaço democrático e verdadeiramente livre?

SARAMAGO: Nada há que seja verdadeiramente livre nem suficientemente democrático. Não tenhamos ilusões, a internet não veio para salvar o mundo.

Já em 22 de outubro de 2008, o senhor escreveu sobre o romance “Budapeste”, de Chico Buarque: “Não creio enganar-me dizendo que algo novo aconteceu no Brasil com este livro”. Por que a literatura de Chico seria tão renovadora? O que o senhor pensa sobre o resto de sua obra E o senhor já leu o novo romance de Chico, "Leite derramado"?

SARAMAGO: Achei “Leite derramado” à altura do melhor que Chico Buarque tem escrito, embora, de todos os seus livros, continue a preferir “Budapeste”. A meu ver, a grande renovação operada por Chico Buarque deu-se ao nível da linguagem: o vernáculo toma o seu lugar ao lado do coloquial.

Em vários textos do livro, o senhor é crítico a figuras políticas: George Bush em 18 de setembro de 2008; Berlusconi em 19 de setembro de 2008 e em 13 de março de 2009; José Maria Aznar em 22 de setembro de 2008; o papa Bento XVI em 9 de outubro de 2008; Sarkozy em 6 de janeiro de 2009; e a própria "esquerda" é alvo de críticas em 1 de outubro de 2008. Mas há também textos esperançosos, sobretudo em relação à eleição de Barack Obama. Só que eu não me recordo de ter lido nada específico sobre o governo do Brasil. O que o senhor acha do presidente Lula?

SARAMAGO: Acho que o presidente Lula tem feito um excelente trabalho neste segundo mandato se aceitarmos como inevitáveis certas “infidelidades” ao seu programa inicial.

No dia 16 de novembro de 2008, o senhor escreveu, ao completar 86 anos: "Dizem-me que as entrevistas valeram a pena. Eu, como de costume, duvido, talvez porque já esteja cansado de me ouvir. O que para outros ainda lhes poderá parecer novidade, tonou-se para mim, com o decorrer do tempo, em caldo requentado". O senhor acha impossível ser surpreendido por alguma entrevista hoje? O jornalismo contemporâneo teria se tornado esse mar de obviedades? Existiria alguma pergunta que o senhor espere (e gostaria que) fosse feita, mas que nunca foi feita?

SARAMAGO: Creio que me fizeram todas as perguntas possíveis. Eu próprio, se fosse jornalista, não saberia o que perguntar-me. O mal está nas inúmeras entrevistas que tenho dado. Em todo o caso, tenho o cuidado de responder seriamente ao que se me pergunta, o que me dá o direito de protestar contra a frivolidade de certos jornalistas a quem só interessa o escândalo ou a polêmica gratuita.

Mesmo após a publicação do livro, o senhor segue atualizando seu blog. O senhor tomou gosto pela coisa? Pretende seguir ocupando esse espaço indefinidamente? Podemos esperar um “O caderno II” para breve?

SARAMAGO: Haverá um “O caderno II” ainda este ano, mas não me vejo a escrever blogs indefinidamente. Tem sido uma boa experiência, chego a mais leitores com mais rapidez, mas tudo acaba por cansar.

Ainda nos textos recentes do blog, no dia 13 de julho o senhor escreveu um post muito afetuoso sobre sua alegria em ser escolhido acadêmico correspondente da Academia Brasileira de Letras. Por que o Brasil é tão importante para o senhor? Qual sua memória mais antiga do país?

SARAMAGO: O Brasil é importante para qualquer português. Gostaria de nos ver mais unidos a trabalhar em assuntos de interesse comum, mas as políticas nacionais nem sempre se inspiram nas melhores razões. É uma pena que assim seja. As minhas memórias mais antigas são as da literatura, os nomes e as obras de Machado de Assis, Manuel Bandeira, Jorge Amado, João Cabral de Mello Neto, Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos — tantos e tão grandes escritores, estes e outros, que fizeram da literatura brasileira um tesouro inesgotável.

Um documentário sobre sua relação com sua mulher, Pilar del Río, está sendo realizado, não? Em que fase está a produção? O senhor sempre me pareceu uma pessoa reservada em relação a sua intimidade, então por que aceitar que filmassem parte de sua rotina conjugal? Como foi abrir sua intimidade para uma equipe de filmagem? A proximidade com a câmera incomodou, provocou constrangimentos?

SARAMAGO: O documentário está na última fase da produção, é mesmo possível que o filme possa ser visto ainda este ano. Quanto ao resto, continuo a ser uma pessoa reservada. É certo que a abordagem escolhida aflora o delicado território dos sentimentos, mas sempre com discrição, a mesma que carateriza a nossa forma de viver. Quanto a isso da “rotina conjugal”, confesso que não sei exactamente de que se trata...

Constatação

Eu sinceramente fico espantado com as atrocidades que o ser humano é capaz de cometer para salvar a própria pele.

Inacreditável e lamentável.

Haiti, Privilégio e Gratidão

Quem acompanha o Ouro de Tolo sabe que, entre os meus blogs favoritos, há o postado pelo Zé Renato, amigo meu que está no Haiti fazendo pesquisas para sua tese de doutorado sobre religiões de origem africana.

A visão que ele coloca do país e da missão militar brasileira é bem crítica, como resume bem o texto de sua autoria que coloquei aqui tempos atrás.

Entretanto, queria falar sobre uma matéria que, por acaso - estava esperando a Daniele acabar de se arrumar - vi no Esporte Espetacular ontem: uma matéria sobre o poder do futebol e do esporte em geral na difícil pacificação do país caribenho.

A matéria mostra uma partida de futebol entre grupos rivais, que se "reconciliam" após a partida. Também apresenta um grupo de praticantes da capoeira e relembra a partida que a seleção brasileira fez, em 2004, no país.

Impressionante, porém, são as imagens da miséria no país - que, aliás, poderiam ser da periferia aqui do Rio: quem já teve, como eu, a oportunidade de ir ao aterro sanitário de Gramacho sabe o que eu estou falando. Milhares de pessoas cuja única aspiração na vida é ter o comer todos os dias.

Muita sujeira, quase nenhum abastecimento de água potável, saneamento inexistente. Não caio na vala comum de atribuir isso à "natureza do povo", porque não há nobreza na natureza que resista à pobreza extrema.

Este sórdido quadro é, sim, reflexo de desastrosas administrações e desastrosas intervenções de potências estrangeiras.

Precisamos pensar, também, em como somos privilegiados e não agradecemos por isso. Necessitamos ter gratidão pelo pão de cada dia.

Isso é Flamengo

Esqueçam os dirigentes que transformaram a nossa paixão em um clube regional, mas ficaram ricos. Esqueçam os mercenários que desonram o Manto Sagrado.

Mirem-se no exemplo deste homem, um dos maiores craques da história e que, ainda nestes tempos frios de hoje, é capaz de chorar pela sua camisa. Para mim, um belo final de domingo - só vi o jogo, que havia gravado, no final da noite.

Obrigado, Andrade.

(Foto: Lancenet)

A Ditadura do Prata, Preto, Branco... Parte II

Tive um final de semana cheio, tenho assuntos diversos para comentar. Infelizmente, não consegui chegar nem perto do computador para atualizar o blog.

Pra começar, tenho de confessar que sexta feira eu fui esmagado pelo capital internacional automobilístico e a sua ditadura pela força.

Acabei pegando um carro preto. Ou pegava o preto para pronta entrega ou esperava mais dois meses pelo carro, depois de esperar quase três. Acabei sendo forçado a capitular. Mais uma vitória do imperialismo selvagem e do neo-colonialismo italiano.

Pelo menos o carro é bem equipado e econômico. Rodei cerca de 120 quilômetros de sexta para cá, fiquei uma hora parado na sexta e mais meia hora hoje, e só gastei um quarto de tanque. Lembrando que o motor ainda está amaciando, ou seja, o número deve melhorar ainda mais.

O econômetro, instrumento no painel que monitora a eficiência do consumo de combustível, é bem útil. Você começa a se condicionar para manter o ponteiro sempre na faixa verde, de maior economia. Uma boa sacada da Fiat.

Ah, o carro também anda mais que a minha Palio antecessora. Boa compra, com bom custo benefício.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Livros não lidos, doce problema


Para fechar a sexta feira, quero confessar o meu absoluto desespero ao abrir minha mini biblioteca e deparar com dezenas de livros ainda não lidos.

Este ano, tive de dar um tempo nas minhas compras de livros. Tenho umas duas ou três prateleiras cheias, frente e costas, com uns 120 a 150 livros não lidos. - não tenho inventário dos exemplares.

Só de livros sobre o movimento de 1968 devo ter uns dez. Livros do historiador Eric Hobsbawn, mais uns oito ou nove. Sobre Economia, mais uma boa dezena de exemplares. Biografias, por volta de quinze. E isso é só uma amostra...

Além disso, meu ritmo de leitura é muito variável. Se tiver tempo, emendo dois, às vezes três livros por semana. Só que minhas atribuiçoes no trabalho e as familiares deixam-me com o tempo bastante escasso para a leitura. Muitas vezes fico duas, três semanas sem conseguir retomar a leitura.

Um bom exemplo é o espaçamento da seção "Resenha Literária" neste blog. Gostaria de colocar uma resenha por semana, mas, nesta toada, é uma por mês e olhe lá. Isso levando em conta que tenho um ritmo de leitura bastante veloz.

Não sei se meus 16 leitores se deparam com a mesma situação. Volta e meia ouço relatos de colegas e amigos dando conta de terem o mesmo (doce) problema. Todos incorrem na mesma prática que eu: compram livros com uma velocidade muito maior que a capacidade de leitura.

Por meu turno, tenho a justificativa de que grande parte dos livros que compro, se não o fizer no lançamento, não o consigo mais, porque são exemplares de tiragem pequena e de distribuição restrita. Não gosto muito de "blockbusters" e detesto auto-ajuda, por isso os livros que compro tenho de garimpar. Como escrevi anteriormente, amo fazer isso.

Doce desespero...

Depois eu volto.

Deus é rubro negro !

Este foi ontem.


Hoje, foi o chefe. É muita felicidade ! Agora urge uma auditoria nos números do clube.

Meu post de ontem (leia abaixo) foi profético...

Pensamento do Dia

“Ele é um empresário e não entende porra nenhuma. Todo mundo me pergunta 500 vezes por dia o que está acontecendo e tenho que ficar quieto? Tenho que falar"

(Nelsinho Piquet, sobre o chefe, Flávio Briatore, colocando os pingos nos is)

Música para o Final de Semana

Nesta tarde chuvosa de sexta aqui no Rio, nossa sugestão de música para o final de semana homenageia um grande artista que, infelizmente, partiu precocemente em um estúpido acidente de carro: Luiz Gonzaga Júnior, o Gonzaguinha (1945-1991)

Pensei em escrever algo sobre a obra do artista, mas prefiro reproduzir uma seleção de frases, retiradas de seu site oficial:

"É somente através do trabalho da comunidade que nos vamos conseguir realizar alguma coisa, somente o trabalho conjunto e o respeito ao trabalho que vai nos levar aquilo que nos queremos. Uma melhor qualidade de vida. E nós queremos o melhor. É ou não é?"(Show em Exu em 1989)

"...eu acho que estou aprendendo aos poucos... né? Eu espero que agora eu agrida menos as pessoas do que há alguns anos atrás, quanto menos eu agredir as pessoas no futuro, para mim é melhor! Isso é o que eu acho que eu devo conseguir, e que aos poucos eu vou conseguindo, eu ainda tenho muita coisa pra aprender... devagar... e tal. Mas um dia quem sabe eu chego lá, quem sabe daqui a uns vinte anos... quem sabe?... Eu tenho paciência para aprender... "
(3.12.1990 Quatro meses antes do seu falecimento)

“Algumas pessoas acham que o artista tem que rir tem que encher o vídeo de dentes. Não tenho a menor pretensão de ser coerente. Além do mais, sou feio. E faço letras claras que às vezes, as pessoas demoram a sacar”.

“Sei que jamais vou agradar a todos. Mais quero é me agradar, me sentir muito bem, sabendo que nunca vou ser o que os outros querem”.

“Meu movimento é de lagarta, sigo em frente e volto”.

“Eu tenho muito prazer pelo meu trabalho. Será uma revolução o dia que todos brasileiros trabalharem por prazer”.

“Quero me divertir, divertir os outros. Mas também está na hora de dar um mergulho fundo”.

“Eu sou uma confusão muito grande, sou virginiano, contraditório e uso minha contradições a meu favor”

“Até compor componho sem o violão. Convivo com minhas dependências, minhas carências, posso expô-las com tranqüilidade”.

“Agora eu sei pedir ajuda, quando preciso, tenho consciência das minhas fraquezas e dependências. Isso me dá autonomia para um vôo maior. Porque o importante não é chegar lá, é poder voltar”.


“Existe uma série de dificuldades imposta pelo poder. Tudo deve ser feito muito claramente e, para que isso ocorra, o povo brasileiro tem que estar organizado, mobilizado”.

“Depois do buraco vem o buraco, mas a vida ensina a enfrentar os perigos e a coisa vai ficando mais fácil porque o tempo possibilita o encontro da paz interna, o alcance da (coisa cristalizada) o entendimento da simples complexidade que cada pessoa é”.

"A música não faz a revolução, nosso poder é o de encantar, informar, alegrar, e, em determinados momentos, formar. Podemos fazer política sem ser políticos. Mas não somos donos do país, somos regidos por um sistema, de acordo com ele ou não" (1978)

"De tempos em tempos ele vinha me visitar, ia me levar pra comprar uma roupa. Geralmente aparecia e eu não estava em casa" (1979, em relação a ausência do seu pai na infância)

"Ele não acreditava em mim pela minha formação , não tinha domínio sobre mim, temia que eu não virasse boa coisa" (1979 em relação a Gonzagão)

"Uma coisa eu aprendi pelas estradas por onde eu andei, e que eu sei que vou levar para estradas por onde eu vou andar. Eu aprendi que é fundamental que eu tenha respeito pela minha pessoa, pra que eu possa evidentemente passar esse respeito para outras pessoas. Porque não há uma coisa "mais maior de grande" do que a pessoa e porque somente juntos, somente unidos, é que nos vamos conseguir uma coisa bem maior chamada a nossa liberdade" (em 1984 show com Gonzagão )

" Só quero ver as pessoas assobiando as minhas músicas" (1990)

"Eu não obrigo ninguém a fazer o que não gosta... Eu só faço o que eu gosto" (1990)

A música que trago para este post é "Comportamento Geral", de 1973 e uma crítica aberta ao "milagre econômico" que o país vivia naqueles dias. Entretanto, a apresentação da música no Programa Flávio Cavalcanti mudaria a sua vida, como é contado na biografia disponível em seu site oficial:

"Em 1973, Gonzaguinha participou do programa Flávio Cavalcanti apresentando a música Comportamento Geral num dos concursos promovidos pelo programa. Os jurados ficaram apavorados com a letra, que dizia "Você deve aprender a baixar a cabeça e dizer sempre muito obrigado/ São palavras que ainda te deixam dizer por se homem bem disciplinado/ Deve pois só fazer pelo bem da Nação tudo aquilo que for ordenado".

Muita polêmica, uma advertência da censura mas, em compensação, o compacto gravado pelo compositor, que estava encalhado nas prateleiras das lojas, esgotou-se em poucos dias e logo Gonzaguinha pulava do quase anonimato para as paradas de sucesso na Rádio Tamoio e era convidado para gravar um novo disco.

Como era de se prever naqueles anos de chumbo, a divulgação da música logo foi proibida em todo o território nacional e Gonzaguinha "convidado" a prestar esclarecimentos no DOPS. Seria a primeira entre muitas visitas do compositor ao orgão público. Para gravar 18 músicas, Gonzaguinha submeteu 72 à censura - 54 foram vetadas!

Apesar de toda a perseguição, Gonzaguinha nunca deixou de divulgar seu trabalho: quer seja em discos onde driblava os censores com canções alegóricas, quer seja em shows onde, além de cantar as músicas que não podiam ser tocadas nas rádios, Gonzaguinha não se continha e exprimia suas opiniões e sua preocupação com os rumos que a nação tomava."

Vamos à letra:

Comportamento Geral

(Composição: Gonzaguinha)

"Você deve notar que não tem mais tutu
e dizer que não está preocupado
Você deve lutar pela xepa da feira
e dizer que está recompensado
Você deve estampar sempre um ar de alegria
e dizer: tudo tem melhorado
Você deve rezar pelo bem do patrão
e esquecer que está desempregado

Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabarem com o teu Carnaval?

Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabarem com o teu Carnaval?

Você deve aprender a baixar a cabeça
E dizer sempre: "Muito obrigado"
São palavras que ainda te deixam dizer
Por ser homem bem disciplinado
Deve pois só fazer pelo bem da Nação
Tudo aquilo que for ordenado
Pra ganhar um Fuscão no juízo final
E diploma de bem comportado

Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabarem com o teu Carnaval?

Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabarem com o teu Carnaval?

Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal

E um Fuscão no juízo final
Você merece, você merece

E diploma de bem comportado
Você merece, você merece

Esqueça que está desempregado
Você merece, você merece

Tudo vai bem, tudo legal"

Abaixo, um vídeo do programa "Ensaio", da TV Cultura, em 1990, com a música:

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Sobre a Taxa Selic

Ontem o Banco Central anunciou mais uma queda da taxa básica de juros, a Selic, para 8,75% ao ano.

Isso reflete uma boa notícia e outra ruim. A boa é que com a diminuição da taxa há aumento da atividade econômica - como já escrevi aqui. A ruim é que, pelo publicado, esta será a última redução do ano, e já se fala em aumentar os juros básicos.

Com esta taxa básica, o juro real anual (ou seja, descontada a inflação) está na casa de 4,25% ao ano. Ainda é uma das taxas mais altas do mundo, mas como a nossa economia não está em recessão, não dá para comparar a taxas de países europeus, mais baixas. Entretanto, poderia ser menor.

Além disso, a taxa em patamares menores alivia a pressão sobre o câmbio e melhora as contas públicas, ao diminuir o serviço dos títulos públicos. Por outro lado, diminui a atração para capitais estrangeiros especulativos.

Aí que mora o perigo. Já se percebem pressões de setores do mercado financeiro - ressoadas por parte da imprensa especializada - a fim de se elevar as taxas de juros sob uma pretensa "volta da inflação".

Em verdade, o objetivo é permitir ao mercado financeiro, em especial de títulos e câmbio, retomar seus ganhos estratosféricos com capitais vindos de fora, para especular e lucrar com a diferença das taxas de juros internas e externas. Lobby puro.

O problema é que o Banco Central é formado por diretores que, ou são egressos do mercado financeiro, ou trabalharão nele quando deixarem o governo. Ou seja, não irão desagradar a seus futuros patrões. O povo, patrão atual, e a economia real são apenas um detalhe.

Portanto, não se surpreendam com eventuais aumentos da taxa selic nos próximos meses. Vai arrebentar o câmbio, a atividade econômica e as contas públicas, mas...

Pede pra sair, pede pra sair !!!!!

Cansei.

Cansei de incompetência. Cansei de ver o clube ser usado como "balcão de negócios". Cansei de bagunça tática. Cansei de ver dirigentes usando o clube para acumular patrimônio.

Cuca precisa ser demitido. Ele não é o maior culpado pelo caos atual do clube, mas tem a sua culpa a partir do momento em que o time não tem o menor padrão tático e que lateral joga de meia, goleiro de atacante e atacante de lateral. Não dá.

Nem falo da quebra de hierarquia, falta de disciplina e da cultura de vagabundagem que impera na Gávea. Neste caso o responsável é o chefe dele.

Kleber Leite é o pior dirigente que já passou pela Gávea. Sempre aposta na tática do "quanto pior, melhor", pois assim o balcão de negócios se estabelece mais facilmente no clube.

Quanto aos dirigentes, o clube precisa de um choque de profissionalismo, de honestidade, de decência e de trabalho sério.

Com estes que estão aí não dá. Nem com os possíveis candidatos a presidente. Limpeza étnica já !

Pede pra sair, Cuca ! Pede pra sair, Kleber Leite !

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Controlar, controlar, controlar

Já falei esta semana das reuniões, agora queria falar de uma tendência corporativa: os controles.

Hoje controla-se tudo: custos, pessoas, tempos, tarefas, vidas. Muitas vezes é mais importante que a atividade em si.

As organizações, nos dias de hoje, despendem muito tempo e esforços de recursos humanos a fim de estabelecer formas de controle e medição. Certas ocasiões chega a travar quem está na "ponta da linha", efetivamente produzindo. A cada dia, mais os burocratas vão ganhando a queda de braço corporativa.

Que fique claro: não sou contra medições e controles. Ao contrário, são um ferramental importante a fim de aumentar a eficiência das organizações.

Entretanto, há algum problema quando os controles se tornam mais importantes que quaisquer outras tarefas dentro da empresa ou de um setor da mesma. Há problemas quando a equipe da retaguarda, que faz este tipo de tarefa, acaba do mesmo tamanho ou maior que a equipe que produz e traz receita para dentro de casa.

Outra questão que deve ser observada é se os controles e as medições atravancam o desenvolvimento empresarial. Estes devem ser o suficiente para permitir uma boa medição de desempenho, sem comporometer a produtividade e, excessivamente, os recursos da mesma.

Precisamos ser mais produtivos e menos mensuradores.

Histórias de Geólogo

(por Flávio Feijó, um dos decanos da Geologia na Petrobras)

Parte I

"Os cursos de campo conduzidos pela Universidade Corporativa costumam mesclar treinamento de alto nível com diversão das melhores, em uma saudável mescla de ciência e lazer. A edição 1995 do Curso de Campo na Bacia do Paraná não fugiu à regra, com episódios da melhor qualidade. Um grande reforço no nível cômico veio da presença de três 'bandidos' da maior periculosidade: Roberto Costa, de Belém, Jairo Brandão, conhecido como Bagé, e Luiz Eduardo M. Alves, o popular Bocão.

A excursão estava sediada na agradável cidade de Rio do Sul, em Santa Catarina. O bar da moda era o ótimo mas já falecido Via Ferro, ocupando uma antiga estação ferroviária. A freqüência ao lugar reunia a fina flor da sociedade riosulense, com um detalhe: as moças mais bonitas estavam todas acompanhadas. Mesmo assim, a turma se instalou super-animada, em mesas separadas para não se atrapalharem mutuamente. Depois de algumas horas de prospecção frustrada, os bandidos voltaram-se contra as próprias colegas. E enviaram a uma delas este torpedo:

“Loirinha dos cabelos cacheados: soy Diego de Buenos Aires e queria conocerla.”

A reação da pobre vítima foi emblemática. Ao receber o papelzinho do garçon, escondeu-o sem olhar. Um minuto depois, disfarçou e espiou incrédula o teor do bilhetinho. Mais um minuto e olhou de novo o torpedo, desta vez esperançosa. E passou a prescrutar lentamente a numerosa fauna masculina do bar, na expectativa de identificar o guapo portenho que a ela se dirigia. Em vão, é claro. Levou um bom tempo até a ficha cair e a coitada perceber o que se passava, enquanto os 'bandidos' faziam o possível para disfarçar e conter o riso."

Parte II

"Os já mencionados Roberto, Bocão e Bagé dominavam o festival de gozações no Via Ferro, em Rio do Sul, naquele agosto de 1995. Dando provas de sua brilhante criatividade para o mal, não pouparam nem um dos próprios colegas, que recebeu este torpedo:

“Sou morena, cabelos lisos e caibo direitinho no seu ombro. Quer experimentar?.”

O coitado do destinatário teve a reação normal de sempre. Diante do papelzinho entregue pelo garçon, escondeu-o sem olhar. Momentos depois, disfarçou e espiou incrédulo o que estava escrito. Mais um minuto e olhou de novo o torpedo, levantou-se e foi ao banheiro. Voltou lentamente em ziguezague, percorrendo todos os espaços do Via Ferro e olhando atento para todas as meninas, na busca infrutífera da moreninha de cabelos lisos."

Velórios, vida e morte

Agora na hora do almoço estive no velório de uma tia-avó, irmã do meu avô e que me ajudou a criar quando eu era bem pequeno. Infelizmente, não pude ficar para o sepultamento.

Entretanto, queria falar um pouco sobre velórios. São um local de tristeza, mas prefiro pensar como um local de saudade e reminiscências.

O bom velório é aquele onde as pessoas estão tristes, mas sem demonstrações de desespero nem de inconformismo. Local de rever pessoas que a rotina afasta, e de recorrer às reminiscências de um tempo que já passou, mas que deixa a lembrança.

Também há a tradição dos "gurufins", que nada mais é que o enterro de um sambista. Bebida, comida, samba para uma bela despedida. Reza a lenda que, no sepultamento do grande Nélson Cavaquinho, não havia uma viva alma sóbria ao final do féretro. Outra tradição é o surdo acompanhando o cortejo.

A morte é a única coisa da qual temos certeza. Na minha tradição religiosa, é a passagem para uma nova vida, no mundo Espiritual. Em outras tradições, é a passagem para a vida eterna.

A dinâmica de sepultamento acaba sendo, em essência, um rito de passagem. Do viver efêmero do lado de cá para uma outra dimensão - seja qual for.

O acontecimento da morte se torna a celebração da vida. A dor da perda se torna a alegria do reencontro.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Samba de Terça

No nosso "Samba de Terça", um belo samba, um belo desfile e um resultado esquisito.

Nossa viagem, hoje, é para pertinho dos nossos tempos: 2008. A escola é a Unidos de Padre Miguel, que esteve entre as grandes nas décadas de 60 e 70, quase acabou na década de 90 e que ressurgiu sob a mão forte de um patrono - aqui não falaremos sobre esta questão, não é o objetivo.

Havia certo inconformismo sobre o seu resultado do ano anterior no Grupo de Acesso B - sua reestréia na Marquês de Sapucaí - onde a escola obtivera uma sexta colocação com o enredo que unia a religiosidade aos 50 anos da escola.

Para o carnaval de 2008 a escola veio com um enredo sobre o "reino das águas de Olocun", um dos orixás das águas. Contando com recursos ilimitados e com uma boa estrutura, a escola se preparou como se estivesse no Acesso A.

Seu samba de enredo, objeto de nosso post, foi considerado o melhor samba inédito do ano, atrás apenas da reedição da União da Ilha do Governador.

A escola foi a décima a desfilar, já na madrugada da Quarta Feira de Cinzas, 06 de fevereiro. A chuva que, incessante, caíra a noite toda dera uma trégua para passarem as "águas de Olocun".

O belo samba foi cantado de ponta a ponta pela escola, ricamente vestida, com alegorias belíssimas e boas evolução e harmonia. Como se diz na giria, "passou o rodo". Não tinha para ninguém.

Pois é. Em um resultado surpreendente, inesperado (para o público) e absolutamente incompreensível levando-se em conta o que ocorreu naquela noite de desfiles, a Unidos de Padre Miguel ficou apenas com a terceira colocação, não conseguindo ascender ao Grupo A.

Ressalve-se que uma das escolas "promovidas" passou com uma escultura em um dos carros que já havia passado dois dias antes pela avenida, no desfile da Mangueira; os outros carros também reaproveitavam materiais da gloriosa verde e rosa. Inacreditável.

Vamos ao belo samba:

Autores:
Toninho do Trayller, Diego Rodrigues, Cabeça, Amendoim do Samba e Cicinho

Puxador:
Edson Carvalho

"Mergulhei...
A Unidos foi além da imaginação
O reino das águas de Olocum
Menino levou em forte correnteza
Indumentária nobreza
De Olofin a tristeza
Que fez a princesa chorar
Mistérios que se escondiam
Segredos serão revelados
Sob a luz de Obatalá

Ouço o canto da sereia no ar
Essa onda que me leva a Iemanjá
É Nanã quem purifica todo o mar
Das águas claras pro meu carnaval

Chorei oh lua
Ao ver que dos teus olhos nasce o rio-mar
Pudera essa noite o sol vir a brilhar
Zelando esse amor em ouro e prata
Com seu cantar me seduziu
Me apaixonei por ti, oh doce Iara
Vem refletir...
E vem cantar em massa a preservação
Sem consciência o amanhã não mais virá
A fonte é o pavilhão da minha história
Sem desperdício, é carnaval
Ouça meu alerta ambiental

Olocum, lava minh'alma, clareia
Obatalá derrama a benção lá do céu
Banhando a Unidos de Padre Miguel"

Abaixo, um vídeo com o samba e parte do desfile:



Semana que vem, iremos viajar no tempo e conhecer um grande samba, que infelizmente anda bem esquecido: "Sublime Pergaminho", Unidos de Lucas 1968.

Há uma nuvem de lágrimas...

Meus 16 leitores devem estar estranhando: o que faz o escudo do Botafogo aqui ?

Explico: sou assinante da excelente newsletter "A Várzea", que às segundas e sextas traça um panorama bem humorado em cima das notícias do futebol mundial.

Pois ontem recebi o e-mail com uma divertida descrição do alvinegro carioca, que divido com os amigos:

"Como já escreveu o poeta (na verdade, o dramaturgo-teatrólogo-jornalista-ensaísta-cronista), “o Fla-Flu começou 40 minutos antes do nada”. Essa foi a parte da declaração que ficou eternizada. O problema é que todo mundo riu tanto que não ouviu a sequência: “e, 38 minutos antes do nada, começou o chororô do Botafogo, que dizia que o clássico mais famoso do Rio só não era ‘Bota-Flu’ por influência da arbitragem”.

Desde então, está no job description de todo botafoguense: dizer que era o único time a encarar o Santos de Pelé, que ninguém cedeu tantos jogadores à Seleção, que certas coisas (que, no final das contas, são praticamente todas as coisas) só acontecem com o Botafogo, ser supersticioso até no modo de esperar o ônibus e reclamar que qualquer coisa que tenha vermelho e preto, do Darth Maul ao logotipo da Texaco, é beneficiada pelo apito."

Fica aqui a bem humorada mensagem.

Em tempo: acredito que os clubes cariocas precisam se unir para enfrentar os seus verdadeiros rivais em termos de mídia e marketing, que são os clubes de São Paulo.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Das reuniões

Depois de mais um dia (praticamente) perdido de trabalho, queria falar sobre uma das pragas do mundo corporativo: as reuniões.

Hoje se reúne para tudo: desde decidir onde será o almoço de aniversário de Fulano de Tal - que ninguém quer, mas vai para não ficar mal com o chefe - até realizar alocações milionárias de investimentos.

Tal instrumento não é prerrogativa de grandes empresas: muitas pequenas e médias também já se renderam a este instrumento, símbolo de status nas corporações. Uma empresa é tanto maior quanto a quantidade de reuniões que faz diariamente.

Normalmente, os "meetings" - o nome chique das mesmas - começam sem uma pauta definida e com uma vaga idéia dos assuntos a serem discutidos. Fatalmente, descambam para debates sobre o sexo dos anjos e sobre como gastar de forma mais produtiva o seu tempo de trabalho.

Outro bom mote para reuniões é aquela decisão desagradável que precisa ser tomada mas ninguém quer assumir a responsabilidade. Fica um "jogo de empurra" que no final acaba em cafés, abraços falsos e inimizades eternas.

Pode ser ainda pior: isso ocorre quando o responsável pela mesma resolve ofertar aos demais seus conhecimentos sobre gestão. São os "Reis do Jargão". Para estes, uma cartela de "bingo corporativo" resolve - vence quem completar primeiro a cartela com as palavras ditas na mesma. Há casos de vitória em menos de cinco minutos.

Na prática, reuniões só servem para três coisas: matar trabalho, fazer marketing pessoal e distribuir tarefas desimportantes e burocráticas. Quase sempre ao final de uma o sentimento é o de "falta menos uma manhã, ou tarde, ou dia, ou semana para a minha morte".

Também serve para exibições de sadismo gratuito daqueles que detém poder sobre seu tempo, marcando "meetings" para as sextas no final da tarde ou na segunda de manhã bem cedo. E sem direito a "coffee-break", que a crise está batendo às portas das empresas.

No excelente "O Princípio Dilbert" (infelizmente, esgotado), Scott Adams traça um bom panorama dos personagens existentes em cada reunião. Existem os "chorões", os "mestres do óbvio", os "puxa sacos", as "vítimas" e outros personagens que precisamos de uma reunião para descrever aqui.

Para mim, reunião é desperdício de tempo e exibição de ego. Boas reuniões são reuniões curtas e objetivas. Como reuniões nunca são curtas e objetivas, não existem boas reuniões.

Fica aqui o meu protesto. Assim como temos as campanhas "morte aos fumantes", "morte aos bebedores de cerveja" e "morte aos políticos", deveríamos ter uma campanha realmente de utilidade pública e de mensurável benefício à sociedade: "morte às reuniões".

Nada de perseguir seres humanos indefesos, mas sim atacar o que realmente nos prejudica. Posso contar com os meus 16 leitores ?

Lua que me quer


Na data de hoje, 20 de julho, completam-se 40 anos da chegada do homem à Lua pela primeira vez. Coube a Neil Armstrong, americano, a primazia de ser o primeiro "homo sapiens" a pisar o solo lunar.

Não era nascido naquela data, mas eu fico pensando no impacto que tal conquista exerceu não somente sobre as pessoas, quanto à fantasia relacionada com a lua. Seu simbolismo, que era total, passou a ser menos etéreo e mais lírico, pois o real aproximou-se com o feito.

Ainda hoje, conferimos ao nosso satélite uma influência bastante significativa em nossas vidas. Partos, cortes de cabelo, poesias, dietas, e a personalidade: modos diferentes de reverenciar a força lunar.

Fica a minha homenagem aos bravos conquistadores da Nasa. Prova de que, para a paz, com esforço e inteligência o impossível não existe.

domingo, 19 de julho de 2009

O que tiver de ser, será

Hoje faleceu em terrível acidente o jovem Henry Surtees, de apenas 18 anos, em uma prova de Fórmula 2 no circuito de Brands Hatch, em Londres.

O caso, infelizmente, revela duas ironias: a primeira é que a morte foi causada por um pneu que se soltou de um outro carro e acabou acertando-o justamente na cabeça. Era a pessoa errada, no lugar errado, na hora errada.

A segunda é que ele era filho do campeão mundial de Fórmula 1 John Surtees, único ser humano da história a ser campeão mundial nas motos e nos carros.

John, o pai, é de uma época onde todo ano morriam pilotos às dúzias, vítimas das péssimas condições de segurança dos carros e dos circuitos. Entretanto, está vivo para presenciar esta tragédia com o jovem piloto.

Hoje, os carros e circuitos são seguros, e ele acaba vivendo para ver a morte do filho nas pistas.

Isso me leva a pensar algo que as pessoas sempre falam: quando é a hora, é a hora. A gente pode pensar que foi um brutal azar - e foi - mas quem tem visão espiritualista sabe que estava determinado.

Raciocinando friamente, seria dizer que nós temos o poder de tomar certos cuidados e evitar certos desenlaces, mas muito pouca coisa está sob nosso controle. Há um imponderável, que eu chamo de Vontade Divina e acredito que seja assim, mas outros leitores podem designar da forma que mais os deixar confortáveis.

Outro ponto importante para reflexão é que perdemos muito tempo em coisas absolutamente desimportantes. Desperdiçamos muito tempo com coisas que, realmente, não merecem a nossa preocupação e nosso interesse.

Brigamos demais, fazemos controles demais, burocratizamos demais, entramos na rotina asfixiante, consumimos o que não precisamos. Coisas realmente interessantes ficam de lado.

Amamos pouco, brincamos pouco, nos doamos muito pouco ao ser humano, aos nossos familiares, amigos e àqueles que precisam da nossa solidariedade. Eis que, um dia, vamos embora para a vida eterna, e fica tudo para tráz. Adiantou ?

Como diz mestre Wilson Batista, "pois sei que além de flores/nada mais vai no caixão".

Vamos pensar um pouquinho na morte precoce deste rapaz de 18 anos e fazer o que realmente importa ?

Abaixo, o vídeo do acidente fatal. Descanse em paz.