sábado, 31 de outubro de 2009

É dia de festa !


02 de novembro, em muitas tradições religiosas - especialmente a religião cristã - é um dia de contrição e tristeza. Dia de lembrar os entes queridos que se foram.

Para nós messiânicos, ao contrário, é dia de festa. É dia de cultuar os nosso antepassados, lembrar-lhes, fazer-lhes as devidas reverências e recebê-los em nossos lares limpos, asseados e com flores e música.

Todo ano, no Solo Sagrado do Brasil - nosso principal templo, como mostrei aqui - e nas igrejas de todo o país há a Prece às Almas dos Antepassados.

É dia de colocar a melhor roupa, limpar a casa, lembrar de nossos bons momentos e expressar gratidão a todos os que nos antecederam e abriram caminho para a nossa existência. Agora eles estão em outro plano, outra dimensão, mas sempre empenhados no Plano Divino.

Este ano de 2009 é ainda mais especial. Receberemos no Culto no Solo Sagrado o nosso quarto Líder Espiritual, Kyoshu Sama, neto do nosso Fundador. Mal comparando, seria como se recebêssmos o Papa, mas o Papa neto de Jesus Cristo.

Há onze anos estive na visita de nossa terceira Líder, filha do Fundador, no Solo Sagrado. É uma experiência e uma emoção indescritíveis. Ainda tenho vivas na memória as sensações daquele dia de outubro de 1998.

Amanhã estarei novamente. É uma grande permissão.

Meu recado, para todos os meus 27 leitores, independente de crença, é o seguinte: dois de novembro é um dia de festa. Nosso entes queridos querem nos ver alegres, e assim o ficam se estivermos.

(Foto: Mokiti Okada, nosso Fundador)

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Final de Semana - B B King

Há um estilo de música do qual eu conheço muito pouco, mas gosto muito: blues. Passei a conhecer um pouco mais com o meu sogro, que gosta muito deste tipo de canção.

Faço esta introdução para dizer que neste início de feriadão, nada melhor que um bom blues para encarar a estrada. E nada melhor que o rei do blues, B.B. King.

A canção é "Everyday I have a blues", que podemos traduzir de forma literal por "todo dia eu tenho blues".

Coloco abaixo a letra em inglês, curta e que tem como sentido básico que "mesmo com todos os problemas, todas as preocupações, mesmo quando ninguém me ama, eu tenho o blues". Não deixa de ser uma profissão de fé.

"Everyday, everyday I have the blues
Ooh everyday, everyday I have the blues
When you see me worryin' baby, yeah it's you I hate to lose

When nobody loves me, nobody seems to care
When nobody loves me, nobody seems to care
Well worries and trouble darling, babe you know I've had my share

Everyday, everyday, everyday, everyday
Everyday, everyday I have the blues
When you see me worryin' baby, yeah it's you I hate to lose

When nobody loves me, nobody seems to care
When nobody loves me, nobody seems to care
Well worries and trouble darling, babe you know I've had my share"

Você pode ouvir a canção, em versão ao vivo, no vídeo abaixo.



Ao contrário de outros feriados prolongados, não irei a Praia Seca desta vez. Estarei em São Paulo domingo, mas retorno à noite. O blog será atualizado normalmente nos três dias.

Crônica: Encontro Marcado

"Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio de Janeiro. Sexta feira à tarde. Trânsito engarrafado, como de hábito, em direção ao Túnel Rebouças.

Carlos estava pensativo em seu carro popular, embora bem equipado. Parado no trânsito, lembrava-se do caminho que percorrera até ali. Fora casado e trocado por um famoso jogador de futebol, advindo o divórcio daí. Beirando os trinta anos, possuía um bom padrão de vida e uma filhinha.

Imaginava quão rotineira havia sido a sua vida nos últimos tempos. O trabalho em uma empresa transnacional, os cuidados com a filha, a religião. Pouco sobrava para a leitura e a música, suas paixões. Coração, o que é isso ?

Imerso em suas divagações e imerso em um mar de carros, Carlos repara em uma jovem moça, dentro de um carro francês preto. Jovem, branquinha, cabelos negros e óculos de grau, aparentemente bem vestida, vidro semi-aberto e falando ao celular. Bela moça, pensa ele.

Nosso amigo desvia o olhar para trocar a faixa do CD e, quando volta a subir os olhos por trás das lentes também míopes, percebe a moça acenando para ele:

 - Você viu ?
 - Não, o quê ?
 - Roubaram o meu celular enquanto estava falando ! Esta cidade não tem jeito !
 - Podia ser pior, pelo menos você está bem.
 - Eu estava falando, veio o garoto e arrancou de minhas mãos - disse enquanto enxugava as lágrimas.

Nosso personagem imediatamente pensou que ela havia dado bobeira em deixar os vidros abertos, mas o trânsito andou um pouco e ele nada disse.

Poucos metros à frente, pararam os dois carros lado a lado. Ele pergunta:

 - Está tudo bem ?
 - Sim, está. Obrigado por ter se preocupado.

Os carros andam, entram no túnel. Nosso amigo ficou pensando em quão bela era a moça.

Mais tarde, no sinal que dá acesso à Rua Mariz e Barros, na Tijuca, Carlos olha para o lado e quem ele vê ? O Peugeot preto. Ele buzina, abaixa o vidro e o diálogo é rápido:

 - Olha quem está me seguindo ! - e abre um sorriso.
 - Está indo para onde ?
 - Tijuca.
 - Eu também !

E, para surpresa dele...

 - Roubaram o meu número, mas grita o seu. Antes que o sinal abra...
 - Ok. 9...

O sinal abriu e os dois carros seguiram a mesma direção. Carlos entrou antes na rua em que morava. A moça seguiu pela Mariz e Barros em direção à Praça Saenz Peña.

***

Domingo, final da tarde. Carlos já havia deixado a filha na casa da avó e estava pegando a cerveja para acompanhar mais uma peleja dominical quando o telefone toca:

 - Alô ?
 - Por um acaso, é o moço do sinal de trânsito, na sexta feira ?
 - Sim, ele mesmo.
 - Pois eu sou a menina do Peugeot. Muito prazer, Gabriela.
 - Carlos, prazer.

O papo seguiu e combinaram de se encontrar em um shopping das proximidades ainda naquele final de domingo. Ao chegar no shopping e encontrar uma vaga, ao manobrar coincidentemente o carro dela estacionava na vaga ao lado.

Conversaram bastante naquele início de noite. Descobriram que trabalhavam com diferença de apenas quatro andares em um único prédio, que compartilhavam a mesma profissão e religião, bem como a paixão pela leitura. Ela era mais nova que ele, entretanto.

Despediram-se e, no dia seguinte, ele telefonou-lhe chamando-a para almoçar. Sem que combinassem, ele apareceu com um grande bouquet de rosas vermelhas e ela, com um livro. No final daquele almoço, o primeiro beijo.

Algum tempo depois, a primeira noite. Para surpresa dele, para Gabriela era a primeira noite de sua história.

Seis meses depois estavam morando juntos e, dois anos, nascia a pequenina Luisa.

Uma linda história de amor, com um lindo final feliz.

Precisamos de mais finais felizes em nossas histórias."

Cinecasulofilia

Sexta feira, véspera de feriadão, assuntos leves depois de uma semana extremamente desgastante.

Como de hábito, iniciamos com nossa coluna sobre cinema, parceria com o excelente blog Cinecasulofilia, do cineasta e crítico Marcelo Ikeda. Vale a pena uma visita.

Vamos ao texto de hoje:

Os contracampos de Não Amarás

"Um dos recursos mais típicos do cinema é o contracampo. Diria que é o típico recurso que faz do cinema uma linguagem autônoma, isto é, um recurso específico do cinematográfico. O contracampo é um recurso técnico do olhar. Plano A (campo), alguém olha. Corta. Plano B, o objeto do olhar de quem olha (o contracampo).

De recurso técnico que afirma uma gramática, o contracampo pode ser pensado como instrumento de autonomia não só do cinema mas essencialmente do espectador. No exemplo citado, o plano B funciona como ponto de vista não só do personagem mas também do espectador, que olha com a personagem. Espectador e personagem se fundem, como parte de um processo de identificação, que se associa com o olhar. Além disso, o plano B é um plano do outro: o contracampo é o que permite que quem olha veja o mundo, ou seja, é o que projeta o desejo de quem olha para fora de si, é o seu contato com o mundo e com o outro. A integração entre o campo e o contracampo é a possibilidade de contágio entre o eu e o mundo.

Acredito que nenhum filme tratou de forma tão humana o contracampo como Não Amarás, de Kieslowski. É um filme sobre um adolescente que olha a mulher de seus sonhos pela janela de seu quarto. Parece Janela Indiscreta. Mas se Hitchcock pensava o contracampo (o olhar) como uma epistemologia, para Kieslowski o contracampo é uma ontologia. Ora, quando olhamos, vemos o outro; portanto, somos livres. Mas essa liberdade muitas vezes dói. A intenção de Kieslowski é apontar para a inevitável dor dessa liberdade que ainda assim deve ser buscada.

Não Amarás ainda revela um outro contracampo, desta vez referente à própria estrutura narrativa do filme. Há uma quebra narrativa que divide o filme em duas metades: na primeira, o menino olha para a mulher; na segunda, a mulher que é observada pelo menino passa a observá-lo. O “contracampo” se torna “campo”, e vice-versa. Quando, através de uma circunstância do destino, essa mulher muda de posição, ela passa a perceber as coisas de uma outra maneira: ora, quando vemos o outro, vemo-lo a partir de nossos próprios olhos, isto é, não deixamos de ver segundo nós mesmos. Vendo o outro, estamos vendo nosso próprio eu. Campo e contracampo se tornam uma coisa só. Claro, pois o plano B só faz sentido se antes há um plano A, já que, por meio da montagem, o espectador faz a associação entre o sujeito e o objeto do olhar.

Esse conceito tem a sua síntese numa espécie de clímax narrativo: a mulher vai até o apartamento do menino e olha pela janela, assim como ele o fazia anteriormente (na verdade é um pouco mais complicado do que isso, pois o menino olha através de uma luneta, isto é, a partir de uma lente, o que nos remete à própria natureza do processo cinematográfico de captura de uma imagem, e Kieslowski trabalha esse fato apontando para uma mediação ou uma perversão do menino de espiar uma vida outra mas não vou entrar nisso aqui). Ela não olha para ele do apartamento dela, invertendo (ou retribuindo) esse olhar. Agora, ela olha pela lente dele, ela passa a ser o próprio olhar desse menino.

O amor (o filme se chama na verdade “uma pequena história sobre o amor”) na verdade é isso: não apenas uma retribuição do olhar, mas a possibilidade de olhar junto. Amor que pode ser pensado também como o amor de um diretor por um filme, ou mesmo de um espectador por um filme. Quando a mulher olha da janela do quarto do menino para o apartamento dela, pelos recursos do campo-contracampo, também nós os espectadores olhamos junto com a mulher.

Nesse último contracampo, vemos uma imagem não-realista. Vemos uma cena que de fato não está acontecendo, mas é simplesmente a projeção de um desejo dessa mulher: a de ter alguém que a abrace. Ou seja, uma projeção, um desejo, uma esperança, um sonho.

É somente nesse ato de conjunção final – a possibilidade não só de “retribuir o olhar” mas de “olhar junto” – que o sonho se revela possível. Em Não Amarás, o contracampo sinaliza a vitória da imaginação contra o mundo, é sinal de esperança por uma liberdade possível.
"

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Aniversários, azares e feriados prolongados

Um dos objetivos deste blog quando foi criado era o de chamar a atenção para aspectos curiosos da vida cotidiana, que passamos o tempo todo sendo permeados por eles mas que muitas vezes não dispensávamos a devida atenção. O texto sobre canhotos que escrevi aqui em junho é um bom exemplo deste tipo de situação.

Hoje retomo o tema com um assunto que é uma bobagem, mas uma bobagem maravilhosa - ou não: o problema daqueles que fazem aniversário próximo a "feriadões".

É exatamente o meu caso. Eu faço aniversário dia 04 de novembro, próximo ao feriado do Dia de Finados.

Acaba se tornando um estorvo, porque quando cai final de semana é no meio do feriadão e se torna quase impossível fazer algo decente para comemorar. A opção se torna o final de semana seguinte, mas ainda assim os problemas de agenda dos convidados persistem.

Se é dia de semana, fica limitado por causa do trabalho no dia seguinte. Novamente a opção se torna fazer algo no final de semana posterior.

No meu caso em especial ainda há outro aspecto, que é o feriado anterior ser uma data onde normalmente as pessoas ficam reclusas. Não é o caso de minha tradição religiosa, que vê o Dia dos Antepassados como uma grande festa (falarei sobre isso no sábado ou domingo) mas é a forma adotada pela maioria cristã da população.

Então, quando chega no dia quatro, normalmente as pessoas ainda estão retomando as suas alegrias após o momento de contrição.

Some-se a isso tudo a rotina do dia a dia e lá se vão não sei quantos anos em que não faço absolutamente nada no meu aniversário. Este ano será exatamente igual ao que passou, e que passou, e que passou...

O mais incrível é que eu puxo pela memória e não consigo me lembrar de uma comemoração que tenha sido inesquecível. Sempre o básico, quando tem o básico.

Entretanto, não me queixo. E me solidarizo com aqueles que, como eu, fazem aniversário em feriados prolongados ou imediatamente antes ou depois. Contem com o meu apoio.

Mas que é um tremendo azar, é...

Maravilhas dos rótulos femininos - Parte II

O post anterior sobre a necessidade feminina por cremes e produtos de beleza e o marketing em cima disso gerou um debate bastante profícuo na área de comentários do post.

A pergunta que deve ser feita é a seguinte: qual o modelo de uma mulher "de sucesso" ?

É aquela que alcançou uma posição por meio de sua beleza - natural ou obtida as custas de tratamentos, cremes, photoshops e equivalentes - ou para isso basta ser inteligente e se preparar intelectualmente ?

A sociedade, hoje, glorifica o ideal de beleza feminino. O importante para alcançar esta posição de destaque é "ser bonita". O cérebro atrapalha.

Um bom exemplo é a moça de fino trato da foto. Luciana Gimenez é folclórica pela sua falta de neurônios, mas é considerada bem sucedida: tem um filho com o cantor Mick Jagger - e uma polpudíssima pensão paga religiosamente. Depois casou-se com o dono de uma das redes de televisão aberta - onde possui um programa absolutamente constrangedor.

Na minha terra, a postura dela seria chamada de outra forma, mas neste mundo de hoje é considerada uma "mulher de sucesso".

Brilha o artificialismo. As revistas trazem moças absolutamente irreais e as pobres da vida real acabam desperdiçando a vida na tentativa de seguir este arquétipo. Ler um bom livro, estudar, desenvolver seus próprios méritos é "demodée".

Ressalvo que, neste caso em particular, isto vale também para nós homens.

Voltarei ao tema proximamente, mas pergunto aos meus 27 leitores: será que este padrão "Luciana Gimenez" de "sucesso" feminino é o mais adequado ? Não estamos perdendo tempo demais tentando reproduzir o que é irreproduzível ? Ou é apenas estímulo ao consumismo ?

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Entrevista: Plínio Serpa Pinto

Dando sequência à série de entrevistas com os candidatos do Flamengo publicada em parceria com o blog Flamengo Eternamente, hoje temos o candidato Plínio Serpa Pinto.

Alerto aos meus 27 leitores que o candidato em questão é representante da corrente política do Senhor Kleber Leite que, provavelmente, será a "eminência parda" do clube em caso de eleição deste candidato.

Lembro, também, que o citado ex-presidente e ex-vice-presidente de futebol do clube é um dos principais responsáveis pela atual situação financeira do clube, com gastanças desenfreadas, contratações feitas como peixe na feira e "engenharias financeiras" de resultado duvidoso.

Além disso, foram elementos desta chapa que solaparam a candidatura de João Henrique Areias à presidência do Flamengo.

Feita esta introdução, passemos à entrevista.

Sócio do Flamengo desde 1985, o benemérito Plinio Serpa Pinto, 62, é casado há 35 anos, tem um filho e uma filha, além de um casal de netos. Bacharel em Direito, Plinio é executivo da Brasil Brokers, uma das maiores empresas de prestação de serviços do país. No Flamengo, Plinio Serpa Pinto foi relator e presidente da Comissão de Finanças do Conselho de Administração e ocupou a vice-presidência de futebol no período de 1996 a 1998. Foi o diretor de futebol do pentatri.

1. Boa parte das receitas do clube para o seu mandato já foi adiantada e provavelmente o contrato de patrocínio já estará assinado. Como o senhor imagina ter recursos para gerir o clube e ainda implementar todas as melhorias prometidas em sua campanha? Há algum projeto específico para lidar com a dívida atual?

Todos os nossos projetos têm orçamento e forma de realização expressos em seu bojo. Não serão dependentes de dinheiro velho. Faremos entrar dinheiro novo no caixa do clube. Vamos estudar todos os contratos que foram feitos, tratar de melhorá-los e, com credibilidade, criatividade e transparência, viabilizaremos a renegociação de nossa dívida existente. A nova sede, o Morro da Viúva e a direção profissional do futebol já têm encaminhamento positivo. Vamos vencer as eleições e colocar em prática nossa forma de gerir o Flamengo, com muito sucesso.

2) O senhor é a favor da construção de um novo estádio já em seu mandato? Em caso positivo, qual o orçamento previsto, de onde virão os recursos financeiros e em que local esse estádio poderá ser construído?

Vamos ter o Maracanã fechado por um longo período. O acordo que está sendo montado pela atual administração é para que nós possamos jogar no Engenhão. Eu acredito que não há como se possa fazer investimento no estádio da Gávea porque a idéia é transformar os nossos 70 mil metros quadrados da Gávea no maior clube esportivo e social da Zona Sul do Rio de Janeiro. Os sócios vão ter um clube, cujo projeto já apresentamos, com orçamento da obra e com as fontes de receitas de venda de títulos e locação para que a gente possa, em dois anos executar essa obra. Qualquer investimento num estádio na Gávea seria obsoleto e não seria viável. Portanto, vamos usar o Engenhão e poderemos fazer alguns jogos fora, no aspecto de atender à demanda da nossa torcida e trazer cada dia mais lucratividade para nossas receitas. Não tenho idéia do investimento, falam em um estádio de 45 mil lugares, custando centenas de milhões de reais e seria totalmente inexeqüível. O Flamengo vai negociar com sagacidade, com uma empresa internacional, para obter o justo valor pelo envolvimento nosso na privatização do Maracanã. Acho que aí está o ganho financeiro que o Flamengo pode receber por ser o trem pagador do futebol brasileiro.

3) O senhor é a favor da transformação do futebol do Flamengo em uma sociedade anônima de capital aberto?

O que nós temos que fazer não é obrigatoriamente transformar o Flamengo em empresa. É tratar o Flamengo como uma empresa fosse. Com profissionalização na área de recursos humanos, na área financeira, na área administrativa, na área do futebol. A primeira coisa que nós vamos fazer com nossos juristas, nossos advogados, é adequar o nosso estatuto ao Código Civil. Fazê-lo mais ágil, mais moderno para que o sócio do Flamengo possa conviver com a realidade e modernidade dos dias atuais, transformando essa imensa nação rubro-negra, essa massa fantástica e potência esportiva e social, sendo a principal plataforma na formação de atletas olímpicos para a Olimpíada de 2016.

4) O senhor tem algum projeto de sócio torcedor? Em caso positivo, quais os benefícios previstos para quem se associar? Qual o custo de implementação desse projeto? Os futuros sócios torcedores terão direito à privilégios na compra de ingressos e descontos na aquisição de produtos licenciados? Terão direito à voto?

Vamos dar condições a todos que quiserem para que se associem e tenham o mesmo direito de todos os sócios. Quanto mais sócios, mais forte o Flamengo será. Olhe para os clubes ingleses e espanhóis. Por que não podemos ter nossa torcida associada e votando? Vamos incrementar a possibilidade dos nossos torcedores se transformarem em sócios do clube. Mesmo os que residem fora do Rio. Para nós, nossa torcida é o maior dos nossos patrimônios e queremos todos participando conosco. Juntos, encontraremos a solução para essa questão que é da maior importância para a existência do Clube de Regatas do Flamengo e para o seu futuro. Queremos continuar sendo o mais querido. Se outros clubes conseguem fazer trinta mil sócios em seis meses, que dirá o Flamengo em nossa administração.

5. Qual o seu projeto para atrair mais público ao estádio? O senhor planeja aumentar o preço dos ingressos, como forma de incremento da receita, pensa em reduzi-lo ou manteria a política de preços atuais? Como se dará a relação com os torcedores na arquibancada e as organizadas? Qual a sua visão sobre o comportamento atual do nosso torcedor?

Atrair público se faz com um grande time, com uma direção profissional e com vitórias. É isso que faremos. Não está em nossos planos aumentar preços de ingressos. Queremos sempre estudar fórmulas que beneficiem os torcedores e a grande Nação Rubro-negra. Nossa relação com a arquibancada é e sempre será excelente. Foi de lá que saímos. Quanto às organizadas, nossa relação será de respeito mútuo e parceria, dentro de padrões dignos, aceitáveis e responsáveis. Tenho certeza que o torcedor na média é excelente. Existem casos excepcionais de comportamento inadequado que sabemos, que através do diálogo serão contornados. A torcida é nossa parceira para enchermos os estádios e para levarmos nossos atletas a vitórias históricas. Aliás, como sempre tem sido. Sabemos disso.

6) - Como e quando vai terminar nosso Centro de Treinamento?


Construiremos a primeira fase do Centro de Treinamento Ninho do Urubu em seis meses, com recursos e financiamento absolutamente possíveis. Vamos blindar nossas divisões de base, oferecendo aos atletas em formação a tranqüilidade e as instalações necessárias ao seu aperfeiçoamento. Não estamos sonhando. Nossa fábrica de craques será restabelecida e o futuro do Clube de Regatas do Flamengo estará garantido.

7 ) Faça um pequeno resumo dos seus planos para o clube no seu mandato.


Bom, aos 62 anos de idade, tenho minha vida realizada e há dois anos vendi todas as minhas empresas, num processo de abertura de capital. A minha independência financeira , pela minha declaração de Imposto de Renda, pelos meus bens e pelo meu sucesso profissional, me permite dar ao meu Flamengo, uma paixão desde os 7 anos de idade, do qual sou sócio desde 1985 e sou benemérito, todo o tempo necessário. Não sou nenhum mecenas, nem alguém com condição financeira privilegiada vai colocar dinheiro no Flamengo e resolver a vida do Flamengo. Não é isso. Vou me cercar de profissionais competentes, as pessoas que estão à minha volta na nossa chapa são experientes, mas o que vamos fazer de verdade é recorrer ao mercado de trabalho trazendo profissionais das áreas de recursos humanos, administrativa, financeira, marketing, para tentar reformular o Flamengo e dar ao clube a situação que tem o Internacional, que tem o Atlético Paranaense, que tem o São Paulo. Não há nenhum projeto mirabolante, o Flamengo vai renegociar todos os seus contratos, fazer uma auditoria profunda, de sorte que não haja promessas. Haja projetos concretos, que todos podem tomar conhecimento no nosso site.

Plínio Serpa Pinto Presidente
Por Um Sonho. Por Uma Nação.
Para mais informações acessem o site:
http://www.pliniopresidente.com.br


O Blog Ouro de Tolo reitera que não apóia quaisquer dos candidatos às eleições rubro-negras.

Dois pesos e duas medidas

Não tenho o hábito de assistir ao Jornal Nacional. Aliás, ultimamente só assisto à Globo em eventos que haja monopólio (i.e., Fórmula 1, por exemplo).

Entretanto, ontem estava jantando e a minha esposa estava com a televisão ligada na emissora em questão.

Apareceu primeiro uma matéria falando das enchentes em São Paulo e outra sobre os buracos nas ruas da capital do Estado, que causaram a morte de um motociclista. Nos dois casos, não houve quaisquer referências ao governador do estado e ao prefeito da capital - ambos da coligação PSDB/DEM.

Logo depois, enchentes em Minas Gerais. Nem um pio sobre o governador Aécio Neves (PSDB).

Segue o telejornal. Aparecem quase que em sequência duas matérias, uma sobre tratamento de viciados e a segunda, sobre a questão da segurança pública do Rio.

Pois é. Nos dois casos, a ênfase dada pelas matérias é na responsabilidade do governo federal - a culpa é do Lula. Ressalto que, em especial no primeiro caso, a ação exigida é muito mais do Judiciário que do Executivo.

Traduzindo: dois pesos e duas medidas. Se é "um dos nossos", defendemos. Para os inimigos, o peso da notícia - ainda que seja "transformada" e "adequada" aos interesses da instituição.

Manipulação pura.

Não sou jornalista nem teórico no assunto, mas a meu ver o papel do jornalismo é, em primeiro lugar, informar. A notícia, pura e simplesmente, não "adaptada". Por outro lado, não dá para um concessão estatal ter a maioria esmagadora da audiência e, ainda por cima, não prestar contas disso.

Talvez fosse necessário algum tipo de medida a fim de limitar este monopólio das informações. Não sei se uma lei ao estilo de Venezuela ou Argentina serviria, mas que algo tem de ser negociado, tem.

Nos países europeus há regulamentos limitando o alcance dos meios de comunicação de massa. Não conheço muito sobre estes, mas penso que poderiam ser um guia. Do jeito que está é que não pode ficar.

A emissora foi transformada em um partido político de oposição - o mais poderoso destes. Uma espécie de Fox News brasileira.

2010 vai ser longo...

P.S. - Eu tenho o livro lançado recentemente contando como é feito o telejornal. Ainda não li, mas depois dessa passa a ser uma das prioridades de leitura.

Twitter

Após grande resistência, informo que abri uma conta no Twitter. Não esperem atualizações quase em tempo real porque só posso acessar de casa, mas quem quiser seguir o meu perfil, está convidado.

Mais Bethânia



Fuçando pelo Youtube ontem à noite, achei mais dois vídeos referente ao show da grande Maria Bethânia, a que assisti na sexta feira passada.

O primeiro é "Encanteria", que já mostrei aqui em outras versões. O segundo, "Meia Lua Inteira", de Caetano Veloso. Ambos são da data da estréia, onde estive presente.

Dá para ter uma idéia da qualidade do show. Sem dúvida alguma, inesquecível. Valeu demais !

Daqui a pouco eu volto.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Samba de Terça - "Mar Baiano em Noite de Gala"



O meu leitor mais atento sabe que hoje é dia de "Samba de Terça". Se prestar um pouquinho mais de atenção, saberá que a escola retratada hoje não é estreante neste quadro.

Falo da gloriosa Unidos de Lucas, cuja história contei um pouco no post sobre "Sublime Pergaminho", desta mesma série.

Nosso samba de hoje já passou duas vezes pela avenida. Na primeira, marcou a estréia de um dos mais famosos carnavalescos do carnaval carioca, ativo até hoje; na segunda, um dos maiores "sacodes" da história recente do Sambódromo.

Para os não-iniciados: "sacode" é como se chama aquele samba que passa na avenida e empolga o público presente.



Mas contemos esta história desde o princípio.

Em 1976 a Unidos de Lucas pertencia ao hoje chamado Grupo Especial. A escola vinha de um décimo primeiro lugar no ano anterior, quando retornara ao então Grupo 1.

Para o desfile de 76 a vermelha e ouro da Leopoldina viria com um enredo evocando os deuses da Bahia e o povo negro do local. Além disso, contaria um pouco da religião afro-brasileira.

A criação era do carnavalesco Max Lopes, que depois se notabilizaria em escolas como a Imperatriz e a Mangueira. Naquela ocasião ele fazia a sua estréia como carnavalesco principal de uma escola de samba.

A Unidos de Lucas foi a segunda escola a desfilar no domingo bissexto, 29 de fevereiro de 1976.

Infelizmente, além da falta de recursos a escola foi prejudicada pelo atraso e pela chuva, obtendo apenas a décima segunda colocação no desfile, com 84 pontos. Com isso, a escola foi rebaixada para o Grupo 2 e jamais voltaria a desfilar entre as grandes escolas cariocas, situação que perdura até hoje.



Em 2005 o quadro era completamente diferente. A escola estava no Grupo de Acesso B, a terceira divisão do samba. Vinha de um sexto lugar no ano anterior, que marcava sua volta a este grupo e à Marquês de Sapucaí, com um enredo sobre a cidade de Itaboraí - região metropolitana do Rio de Janeiro.

O curioso é que a Estácio de Sá iria reeditar no mesmo grupo o samba igualmente de 76, e que possuía uma temática parecida - "Arte Negra na Legendária Bahia". Coincidências da vida...

O carnavalesco desta vez era Marcelo Portela, que optou por alegorias e fantasias bastante simples para contar o enredo. A escola da Leopoldina atravessava graves dificuldades financeiras.

Desta vez a Unidos de Lucas seria a última escola a adentrar a Marquês de Sapucaí naquela já manhã de Quarta Feira de Cinzas, nove de fevereiro daquele ano.

Apesar das alegorias e fantasias bem abaixo das demais escolas do grupo, o samba apoiado em grandes interpretações do puxador Edmilton de Bem e da bateria de Mestre Orelha simplesmente colocou o bom público que resistia nas frisas e arquibancadas para sambar.



Todo mundo cantava o samba e muitas pessoas que estavam nas frisas pularam para a pista para acompanhar a escola. Foi decididamente uma catarse, fechamento perfeito para um carnaval.

O que Lucas fez naquele desfile foi um verdadeiro baile de carnaval, em sua acepção mais primitiva.

Antes da apuração muita gente temia o rebaixamento mesmo com o brilhante desempenho da escola nos quesitos ditos "de pista", porque o regulamento da época privilegiava os aspectos visuais e a vermelho e ouro veio muito fraca nestes aspectos. Entretanto, a escola ainda salvou um oitavo lugar, com 177,2 pontos, mantendo-se no grupo. Uma vitória do samba.

Para mim, que assistia pela primeira vez o Grupo B - e virei fã - foi uma gratíssima surpresa. Inesquecível. Pena que hoje a escola esteja apenas no Grupo de Acesso D, a quinta divisão do samba.

Vamos à letra do samba, de autoria de Carlão Elegante, Pedro Paulo e Joãozinho. Aqui você pode ouvir a versão de 2005:

"Zamburei, atotô, aiê ieo, agoiê
(...e o negro chegou)
O negro chegou às terras da Bahia
No tempo do Brasil colonial
Com seus costumes e crenças, fé sem igual
O delogum, mareou todo o povo do mar
Netuno a participar das louvações da rainha do Aiuká

Uma pedra, uma concha
Pedra e concha têm areia
Quem mora no fundo do mar é sereia

E o povo da terra em romaria
Integrava-se à magia
Os saveiros dos milagres
No azul-verde do mar
Senhores, sinhazinhas arrumadas
E os pregoeiros a gritar:
Tenho frutas, balangandãs
Vem comprar para a deusa do mar lhe ajudar
Hoje a festa continua
E a raça se iguala
Cantos e batuques anunciam
O mar baiano em noite de gala

Muçurumim, nagô
Omolokô, Congo e Guiné
Atotô de Zambi-rei do Candomblé"

Abaixo, um vídeo do desfile. Ressalto que todas as fotos são de minha autoria.



Semana que vem, um presente para os leitores: "Rapsódia de Saudade", Mestre Toco, Mocidade Independente 1971. Com direito a farto material gentilmente cedido pelo pesquisador Fábio Fabato. Será imperdível.

Maravilhas dos rótulos femininos


Estou para escrever sobre isto há algum tempo, mas havia faltado oportunidade para tal.

As mulheres possuem o hábito de comprar 329 tipos diferentes de shampoos, condicionadores (nos meus tempos de criança era chamado de creme rinse), cremes diversos para o corpo, sabonetes e equivalentes.

Antes de mais nada, sinceramente não sei para que servem tantos tipos diferentes de produtos embelezadores. Devem ter um para usar apenas às cinco e dezessete da tarde das segundas feiras, outro para as noites de lua cheia, um terceiro para o dia mediano do ciclo menstrual...

O mais incrível, porém, são os rótulos. Um diz que "é livre de sal" e portanto produz uma "beleza diferente". O segundo se expressa como "guardião do colágeno natural das fibras celulares", sendo apropriado para aquela ruga que só você vê.

Outro coloca em sua formulação "óleo amendoado de fígado alcoolizado de baleias", com o objetivo de proceder a um "efeito tonalizante dez espadas de São Jorge, centralizados em uma pele com aparência de amêndoas torradas no vapor defumado dos fiordes noruegueses".

Faço estes floreios para dizer que, sinceramente, não acredito que sejam necessários todos estes shampoos, todos estes cremes, todas estas coisas que, no final das contas, só deixarão o fabricante mais rico.

Óbvio que você pode procurar um tipo de shampoo, por exemplo, referente ao seu tipo de cabelo; entretanto, não me parece necessário ter dez, vinte tipos diferentes - e usar todos!

Ao que me parece, esta é uma busca absolutamente inglória e fadada ao fracasso: a procura da eterna juventude. Tenta-se driblar o tempo, manter tempos olvidados na memória e mostrar algo que, absolutamente, não faz parte do presente.

Por outro lado, há a geração de uma indústria fortíssima destes produtos e o natural estímulo ao consumo desenfreado. Consumir é a essência da vida na visão de quem ganha na propaganda o pão de cada dia. Então criam-se demandas irreais baseadas em expectativas que não são propriamente das consumidoras, mas sim daqueles que as induzem a tornar indispensáveis aqueles tipos de produto.

A partir daí temos armários lotados de produtos, cada qual ocupando o seu "nicho de corpo" e criando o seu mercado. Sinceramente, não consigo ver utilidade prática em usar 25 sabonetes diferentes e 246 produtos para o cabelo a cada banho.

Decididamente, acho dinheiro jogado fora. Bastam sabonete, shampoo (no meu caso anti-caspa), desodorante e um bom perfume para quem pode usar - não me aplico a isso pois sou alérgico.

O resto é dinheiro gasto de forma não muito eficiente. Mas voltarei ao tema proximamente.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

As duas faces da moeda


Final de semana bastante agitado, hoje minha alma ficou em casa dormindo e meu corpo veio trabalhar sozinho...

Dois registros do final de semana, o mesmo local, ângulos diferentes. Ambas as fotos batidas pelo meu aparelho celular.

A foto acima foi tirada da Praia do Jequiá, na Ilha do Governador, e retrata a Baía de Guanabara de um ângulo que muito pouca gente conhece. Reparem nos barcos de pesca - há uma colônia de pescadores no local.

A segunda fotografia, colocada abaixo, também é da Baía de Guanabara, mas vista de Botafogo. Mesmo oceano, paisagens diferentes, belezas semelhantes.

Daqui a pouco eu volto.

Resenha Literária - "O Leitor Apaixonado"

Bom, segunda feira, semana estressante, nada como uma prazeirosa leitura.

Nossa resenha de hoje é "O Leitor Apaixonado: Prazeres à Luz do Abajur", seleção de crônicas do escritor Ruy Castro compiladas pela editora Heloísa Seixas.

O livro é uma reunião de textos escritos originalmente em diversas publicações, em um espaço temporal de 20 anos. As crônicas foram revistas pelo autor e, em alguns casos, reescritas.

Todos os textos possuem a leitura como fio condutor. Seja analisando escritores, descrevendo publicações e artistas, relembrando autores há muito esquecidos.

Lembrando o primeiro livro lido quando criança, de Monteiro Lobato. Ou descrevendo as desventuras dos modernistas, em especial Oswald e Mário de Andrade. Contando a história da Lapa antiga e seu propagador. Ou os grandes cartunistas do Século XX e de escritores absolutamente geniais em seus escritos, mas um tanto quanto atribulados em suas vidas pessoais.

E não esquece de informar a (grande) influência da birita no processo criativo da literatura e destrutivo das vidas de diversos autores.

Também são dignos de nota os textos em que ele conta as agruras por que passam os biógrafos. Na visão de Ruy Castro, o biografado ideal deveria ser "solteirão, filho único, sem filhos, pais vivos, deve ser estéril e brocha". Ele utiliza como exemplos os casos de James Joyce, Oscar Wilde e Garrincha - esta última, escrita pelo próprio.

A leitura é deliciosa. Além de um texto leve e deliciosamente sarcástico, as crônicas do livro versam sobre temas que muitos ignoram em seus cotidianos. Aprendi muita coisa que não sabia.

Eu diria que é um dos melhores livros que li nos últimos tempos. Tanto que posteriormente comprei o livro anterior da mesma série, sobre cinema.

Na Livraria da Travessa, o livro está custando R$ 39. Um bom preço para um excelente livro.

Recomendo vivamente. Serão horas prazeirosas na companhia de um livro. Ah, sugiro um brinde como acompanhamento...

domingo, 25 de outubro de 2009

Bethânia, O show


Como escrevi aqui na sexta feira, fui com a Daniele ao Canecão assistir à estréia da turnê dos CDs "Tua" e "Encanteria", da grande Maria Bethânia.

Desde a adolescência que acalento o sonho de ver três shows: Chico Buarque, Paulinho da Viola e Bethânia. Só faltava este último.

Com a casa de espetáculos super lotada, o show se iniciou com 20 minutos de atraso, com "Vida", de Chico Buarque. Confesso que enquanto ouvia a música passou um filme na minha cabeça, em tudo que percorrera até ali.

O espetáculo é mais calcado nas músicas dos cds novos, temperado aqui e ali com grandes sucessos.O roteiro optou por iniciar com as músicas de "Encanteria", mais ritimadas, colocando as canções mais lentas no meio do roteiro.

Destaque também para o cenário, alternando entre uma espécie de árvore e lindas fotos de igrejas. A cantora troca de roupa uma vez, período em que a banda faz uma espécie de "solo".

Após cerca de uma hora e meia, o bis com "Noite dos Mascarados" e o final de um grande show. Destaco a versão absolutamente emocionante de "Sangrando", de Gonzaguinha, cantada "à capella". Fico arrepiado só de me lembrar deste momento.

É bem curioso observar a idolatria que a cantora desperta. Os gritos de "eu te amo" eram bem frequentes. Por outro lado, lamento apenas não ter sido cantada "Rosa dos ventos", um de seus maiores sucessos e que sempre é incuída no roteiro. Acho que dei azar.

Agora, duro, mesmo, foi pagar R$6 em uma Bohemia... ainda vi o cartunista Jaguar em uma mesa próxima.

A propósito, preciso fazer um elogio: voltando para casa, pela Linha Vermelha, há muito policiamento nas ruas. Como há bastante tempo não saía à noite, foi uma boa surpresa para mim.

A temporada se encerra hoje, mas se tiverem chance em outra ocasião, assistam. Sempre é uma experiência inesquecível. Vale muito a pena.

Abaixo, um pequeno registro do show. Não está muito legal pois foi feito da câmera de vídeo do meu celular, mas se dá para ter uma idéia do clima do espetáculo.

Mais um sonho realizado.

Fla 21, o rescaldo

O post que escrevi na quinta sobre a política do Flamengo gerou algumas dúvidas sobre a adesão ou não do Movimento Fla-21 à candidatura do empresário Plínio Serpa Pinto.

Recorro a texto escrito pelo amigo Affonso Romero, que possibilita um bom entendimento do quadro e traça perspectivas para o futuro.

"A Fla21 vai voltar. Mas não nesta eleição, infelizmente.

Quem permaneceu leal ao Areias faz a diferença. E ainda fará a diferença no Flamengo algum dia.
 

Porque a lealdade, na verdade, não é à pessoa do Areias, apesar dele ser merecedor dela por si só. É lealdade a um ideal, a uma concepção de Flamengo, é ter um projeto que transcende os projetos pessoais.

Se algumas pessoas saíram da chapa e deixaram o Areias na mão, melhor que tenha sido agora do que depois de vencermos a eleição. Não eram merecedores de estarem entre os bons.

As idéias defendidas pela Fla21 são fortes exatamente porque não são exclusivas da chapa. Tanto que, antes da chapa existir, o Migão publicou um post dizendo o que, na opinião dele, seria uma boa base para o Flamengo. E a maioria daquilo, senão tudo, estaria posteriormente também na Fla21. Muito do que o Walter (NR: advogado e um dos diretores da Fla Manguaça) escreveu também veio a estar lá. Eu não participei da elaboração do programa da chapa, mas 99,9% do que eu coloquei no Manifesto do Impossível era representado pela Fla21. Ninguém é dono destes conceitos sobre a modernização do Flamengo e a necessidade de transparência e gestão séria no clube. Isso "está no ar", é (bom)-senso comum. O que costura isso tudo não é relacionamento pessoal, interesse, oportunidade, nomes, prazos e datas.

Há quem se una a estas idéias por oportunismo e há quem as defenda independentemente do momento eleitoral. A 'puxada de tapete' que deram na Chapa Cinza separa bem os dois universos.

A força da Fla21 está nas idéias. E as idéias não valem por uma eleição, valem por uma vida.

Então, apesar de o sonho estar protelado, a Fla21 sai deste incidente reforçada. E, quando voltar, vai chegar sem os traidores de agora, mas carregada de gente que ainda não podia estar junto neste momento. Gente que hoje não é elegível, gente que conheceu o Areias e as idéias dele só agora, gente que conhece ele há anos mas não está no Rio ou até mesmo no Brasil, rubro-negros ilustres ou anônimos que estavam de fora do processo eleitoral pelas mais diversas razões.

A Fla21 voltará. Talvez ainda com o Areias como candidato. Talvez com outro nome à frente. Mais famoso, menos famoso, tanto faz. Não é isso que importa. O que realmente importa é que estas idéias vieram para ficar. As pessoas que abriram mão do caminho mais fácil e ficaram leais às idéias também vieram para ficar.

Pode-se postergar o futuro, mas o futuro chega, mais cedo ou mais tarde. As forças retrógradas do Flamengo podem tentar adiar as mudanças, podem jogar sujo, podem prejudicar o clube por mais três anos. Mas que aproveitem a festa por agora, porque ela vai acabar. A Fla21 veio para ficar."

sábado, 24 de outubro de 2009

Tricampeão !!!!!!!!!!!!!!

Após dois adiamentos causados pela chuva, pois a quadra é descoberta, ontem se realizou a final do samba do Acadêmicos do Dendê.

Após a apresentação dos sambas das quatro parcerias finalistas, a comissão julgadora optou pela junção de dois sambas, o da parceria assinada pelo compositor Gegê e a de Pedro Migão, Aloisio Villar, Barbieri, Ginho, Professor e Gilberto Lua.

A letra resultado da junção dos dois sambas ainda não está pronta, mas assim que estiver colocarei aqui.

É meio estranho saber que a sua composição acabou sendo unida à outra, mas esta é uma prática que ocorre com alguma frequência nas escolas, visando ao melhor para o desfile.

O importante é soltar o grito preso na garganta: "tricampeão !!!!" É a minha terceira vitória na disputa da escola, as anteriores foram em 2007 e 2008.

Abaixo você pode ver o vídeo do desfile de 2008, com o samba de minha parceria.

Ética, moeda de duas faces

Ontem tivemos dois bons exemplos de ética - e de falta de.

Começo pelo bom exemplo, o do gari de Divinópolis (Minas Gerais) que foi ao caixa eletrônico sacar R$2 e recebeu R$ 5 mil como resposta.

Carlos Corgozinho poderia perfeitamente ter ficado com o dinheiro, mas fez questão de devolver ao banco o dinheiro que não era dele. O mais incrível é que o banco não deu pela falta do dinheiro, nem houve registro pelas câmeras de segurança.

O humilde gari precisou de duas tentativas para conseguir devolver o valor sacado a mais no caixa eletrônico.

Um bom exemplo.

Por outro lado, não posso deixar de registrar o lamentável incidente envolvendo o grande especialista na língua de Shakespeare e ex-técnico da seleção da África do Sul, Joel Santana.

Repetindo o que fez em 2007 no Flamengo, o treineiro em questão desandou a dar entrevistas ontem oferecendo-se despudoradamente para o lugar de Cuca, atual técnico do Fluminense. Sem respeitar o colega ocupante do cargo, valeu-se uma vez mais de seus contatos na imprensa carioca para almejar o lugar ocupado pelo colega de profissão. Adicionalmente, como que por encanto a torcida tricolor começou a gritar o nome do cidadão, do nada. Do nada ?

Relembro aos meus 25 leitores que em 2007, quando o clube rubro-negro vivia uma crise temporária, ele se utilizou da mesma tática para ocupar o lugar do então técnico Ney Franco. Versões indicam que ele também teria pago a elementos de torcidas organizadas para estamparem uma faixa pedindo a saída do treinador ocupante do cargo então. Com sucesso, como a história registra.

Dois anos depois, repete o mesmo estratagema anti-ético. Lamentável.

Aproveito o tema para lembrar aos amigos que ética não se cobra. Ética se pratica.

Não adianta nada cobramos moralidade dos políticos, por exemplo, e termos "gatonet" em nossas casas. Implorarmos por melhores relações de trabalho e não hesitar em prejudicar um colega.

Também de nada vale cobrar ação contra os bandidos e não devolver o que não é seu. Bandido não é só quem empunha uma arma e sai assaltando, é também quem vê 50 centavos no chão e não devolver ao dono que correu para pegar.

O conceito de ética que vemos hoje na sociedade é para lá de conveniente. Cobramos ética quando nos beneficiamos disso. Se somos nós a fazer algo errado, "ah, é coisa menor". Ser ético é ser todo momento, e ponto final.

Quem furta energia, adquire "gatonet", sonega impostos, pisa no pescoço de quem quer que seja ou engana o seu próximo não tem moral para pedir ética e moralidade a ninguém. Muito menos dos políticos.

Até porque aqueles que estão em Brasília são reflexo da sociedade, ou seja, de nós. Se em média eles são picaretas e desonestos é porque nós também o somos. Não adianta reclamar deles.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Final de Semana

Sei que já falei desta música aqui no blog, mas em uma noite em que irei realizar um sonho que acalento desde a juventude - assistir ao vivo à grande Diva da MPB - a música não poderia ser de outra cantora que não Maria Bethânia.

No post anterior fiquei devendo o vídeo. Mas o encontrei no Youtube e divido com vocês, abrindo um final de semana luminoso. Com vocês, Encanteria.

Cinecasulofilia: Bastardos Inglórios

Sexta feira, como de hábito nossa coluna sobre cinema.

Escrita pelo cineasta e amigo Marcelo Ikeda, a coluna é publicada em parceria com o blog Cinecasulofilia, de autoria do amigo. Hoje, o texto se refere ao novo filme do cineasta americano Quentin Tarantino.

Bastardos Inglórios
de Quentin Tarantino

"Acho que estou ficando irremediavelmente velho, pois confesso que achei o novo filme do Tarantino um espetáculo lamentável. Em seus filmes anteriores, e especialmente em Kill Bill (ver aqui), tudo era do campo do cinematográfico, e as estripulias visuais eram emocionantes porque faziam parte de uma declaração de amor ao cinema como espaço de liberdade e campo da imaginação. A violência era puramente gráfica e, acima de tudo, Kill Bill (como se revela no volume 2) é um filme sobre a impossibilidade da vingança, sobre uma humanização de uma saga sanguinolenta.

Já em Bastardos Inglórios Tarantino radicaliza a afirmação de Samuel Fuller que o cinema é “um campo de batalhas”. O histórico conflito entre judeus e nazistas culmina num pequeno cinema de Paris, que anteriormente passava Le Corbeau, Max Linder e outros filmes “inofensivos”. A multifacetada narrativa de combate aos nazistas culmina na sala de espetáculos, na projeção de um filme tipicamente nazista, exaltando os feitos de um “herói de guerra” nazista que, sozinho, matou cerca de 300 inimigos. Aliam-se duas frentes: os “intelectuais engajados” (a dona do cinema) (na verdade nem isso) e os “radicais terroristas” (os bastardos inglórios). As citações continuam como base de um cinema de cinefilia: desde o começo à la Sérgio Leone, em cinemascope com grandes close ups, até uma improvável Joana D´Arc queimando (também em close) nas telas do cinema, sem contar com os filmes exibidos na fachada desse cinema, e até a presença de um crítico de cinema que, obviamente quase irá estragar todos os planos de ataque (há uma piada que sugere que os nazistas foram derrotados quando a indústria cinematográfica montada por Goebbels começou a incomodar os judeus – é como se eles tivessem ido desta vez sim longe demais). Com piadas desse tipo, Tarantino faz um impensável tour de force, mexendo com “material inflamável”: mas ao invés de mexer apenas com o nitrato típico da cinefilia, Tarantino avança para uma farsa sobre o Holocausto. Acontece que Tarantino não é Kubrick, e faz um espetáculo profundamente lamentável. Existe um certo viço nas reviravoltas e na paixão com que indiscutivelmente Tarantino mexe e remexe sua narrativa, articula relações e reações, mantendo-se coerente a recursos já vistos em sua filmografia (a irreverência, o apelo cool, as cenas-limite de “um apontando armas para o outro”, os planos-sequência e as gruas no saguão do cinema, o cinema cinefílico de citações), mas acontece que aqui Tarantino vai além do cinema como lugar para a imaginação e avança para um cinema reacionário, direitista, belicista, em favor da vingança e da intolerância, um elogio à traição, ao irracionalismo e à violência como grafismo irresponsável. O cinema passa a ser transportado da tela para a vida ao avesso, como vingança não só provável como necessária: os dois bastardos atirando nos nazistas encurralados, dois sozinhos matando “350 pessoas”, ou a lotação do cinema, como avesso da saga do herói vista na tela (tela dentro da tela, cinema dentro do cinema). Não há crítica ao desejo insano de “tirar o escalpo” dos inimigos – como havia por exemplo mesmo nos filmes de John Ford – apenas a diversão anárquica, as gargalhadas dos espectadores que ecoam diante do espetáculo cool. Quando Fuller afirmava que o “cinema é um campo de batalhas”, aponta para as tensões do poder e a natureza humana, mas nunca transformou isso num espetáculo de vaidades (é só ver Agonia e Glória, por exemplo). Usando armas nazistas para denunciar os mesmos nazistas passa a impressão que Tarantino se aproxima pela oposição, um corpo estranho numa América que tenta (ainda que timidamente) se desarmar e escapar de sua inclinação imperialista, num espetáculo extremamente duvidoso."

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Portela 2010



Estou para comentar há algum tempo, mas sexta feira passada a Portela escolheu o samba enredo com o qual tentará seu vigésimo segundo título do carnaval carioca.

Conforme previam os analistas desde o início da disputa, a composição vencedora é a dos compositores Ciraninho, Rafael dos Santos, Diogo Nogueira, Naldo e Jr Scafura. Ciraninho e Diogo Nogueira são tetracampeões na escola; Scafura alcança o tricampeonato consecutivo e a sua quarta vitória.

Minha avaliação é de que haviam pelo menos dois sambas melhores, tal e qual o ano de 2009, mas não se pode descartar a força que a parceria vem mostrando em suas apresentações na quadra.

O importante, porém, é que agora este é o nosso hino, e a ele defenderemos com toda garra e paixão.

Acima posto o vídeo do samba já cantado no dia da final após o anúncio da vitória. Abaixo, a letra, sujeita a alterações.

Vamos minha águia !

"Portela segue os passos da evolução... Liberdade!
Num clique derruba barreiras
Deleta fronteiras da realidade
Desperta o bem social
Acessa o amor digital
Faz da criança inspiração
Pro futuro da nação
Na rede nossas vidas vão se transformar
Do ventre mais um ser nascerá
O Dia de Graça que o mestre cantou
Já raiou!

O meu pavilhão é minha paixão!
A luz da ciência é ela...
É samba, é jaqueira que não vai tombar
Sou Portela!


Mãos unidas pela inclusão
Povos, raças, em comunhão
Vai meu verso ao mundo ensinar
É preciso navegar!
Brilhou no céu mais um sinal
Cruzando o espaço sideral
Portela... Portal cultural de um país
Um link com a nossa raiz
Rainha da Passarela
Revela um Rio de paz pra viver
A senha de um amanhecer
Mais feliz

Minha águia guerreira
Vai voar... Viajar!
Pousar no sonho e ganhar o carnaval
E conquistar o mundo virtual!
"

Os propagandistas

Volto a tocar no assunto da imprensa e sua atuação como braço auxiliar do PSDB/DEM.

O Luiz Carlos Azenha, em seu excelente blog "Viomundo", escreveu texto sobre a 'formação' dos jornalistas destas grandes empresas, que divido aqui com vocês.

Também é dele uma frase muito elucidativa do quadro:  "entre o "senador" Ali Kamel e o senador José Sarney, fico com o senador Sarney. O senador Sarney foi eleito. O "senador" Kamel usa uma concessão pública para fazer política como se tivesse sido eleito."

Por falar em imprensa e TV Globo, a mais nova aquisição dos 'blogs favoritos" do Ouro de Tolo é o "Doladodela", do jornalista Marco Aurélio Mello. Ex-globo, conta como funciona a engrenagem de poder da emissora, além de deliciosas histórias. Vale muito a pena uma visita.

Vamos ao texto:

por Luiz Carlos Azenha

"Lendo um bom texto do Luís Nassif sobre a relação de José Serra com a mídia partidarizada, em que ele trata do punhado de neocons brasileiros que "formula" as políticas da oposição, acrescento um comentário que ouvi do Paulo Henrique Amorim.

Os parajornalistas que "formulam" a política da oposição são isso: parajornalistas. Como diz Paulo Henrique Amorim, eles seriam incapazes de fazer uma reportagem sobre um buraco de rua na esquina. E isso não é nada desprezível, por vários motivos. O exercício cotidiano do Jornalismo requer aprendizagem de técnicas de apuração,  conhecimento histórico que permita contextualização e a aplicação de espírito crítico incompatíveis com a mídia corporativa de hoje.

As empresas de mídia deixaram de viver exclusivamente das notícias que produzem. Elas hoje têm interesses políticos e econômicos muito mais diversos e complexos que num passado recente. E, em nome de defender esses interesses, incentivaram uma mudança fundamental na formação dos jornalistas. Se um dia o "espírito público" era um traço fundamental dos jornalistas, agora a ênfase é na rigidez ideológica que atenda aos interesses da corporação.

Grosseiramente, o Jornalismo foi "privatizado". Colocado a serviço do mercado. Hoje os jornalistas são "funcionalistas". Outro dia assisti estupefato a um debate sobre transporte público em que não ocorreu a nenhum dos jornalistas-debatedores questionar o próprio modelo de transporte individual que entope as cidades de automóveis, nem falar das políticas de taxação progressiva que "punem" o transporte individual nos Estados Unidos e na Europa, nem sobre as políticas públicas que incentivam empresas a contratar empregados que morem perto das firmas. Todos os debatedores pareciam reféns do "Deus mercado". Nem parecia que o caos em alguns centros urbanos é resultado de uma escolha política.

Tudo isso ao mesmo tempo é resultado e explica a "limpeza ideológica" promovida nas redações brasileiras pelos neocons e seus vassalos em tempos recentes. Explica também os "cursos de monstrinhos" -- na definição do Leandro Fortes -- desenvolvidos pela TV Globo, Folha e Abril, nos quais as empresas "treinam" estudantes de Jornalismo de acordo com seu próprio "currículo".

É preciso "formar a tropa" desde cedo. O que se requer dela, acima de tudo, é "consistência ideológica" e espinha dorsal suficientemente flexível para se adequar aos interesses dos patrões. Os bons repórteres acabam se tornando inconvenientes. O curioso é que a prática dos neocons, como sempre, acaba colocando em risco um valor que eles dizem defender: a meritocracia. Como tudo o que envolve os neocons, eles defendem a meritocracia da boca para fora. Eles sabem que não chegaram lá em cima por mérito profissional ou por fidelidade canina à verdade factual. São propagandistas, embora se apresentem como jornalistas."

O Flamengo é para profi$$ionai$

A política rubro-negra deixa o Congresso no chinelo.

A uma hora do prazo final para o registro das chapas à eleição do clube, o candidato Plínio Serpa Pinto - o provável laranja de Kléber Leite - simplesmente cooptou os principais integrantes da chapa de João Henrique Areias, impedindo o registro da mesma. Ou seja, acabou o sonho da administração profissional do clube.

As seis candidaturas que restaram são o que eu classificaria de "mais do mesmo".

Não vou aqui me dedicar a analisar todos os candidatos e suas propostas, porque com exceção do Sahione e do Plínio Serpa Pinto, piores que são por representarem um o atraso e outro o que de pior aconteceu no clube nos últimos tempos, o resto é tudo igual. Ficaremos mais três anos neste "chove não molha", empurrando com a barriga e vendo clubes mais organizados tomarem a nossa dianteira.

Agora, passeando pelos fóruns, notícias e listas do clube, chego à conclusão de que esta época é boa para se ver quem realmente gosta do clube e quem defende posições atrás de uma "boquinha". E mais não digo.

Reitero que o Ouro de Tolo e este blogueiro não apóiam quaisquer dos candidatos à Presidência do clube.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A taxa sobre capitais externos - uma explicação

Ontem o noticiário econômico foi alvoroçado com a notícia de que o Governo irá taxar as aplicações de investidores estrangeiros na Bolsa de Valores e em renda fixa. Será cobrado o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de 2% sobre o valor investido.

Uma vez mais, vejo muitos analistas econômicos colocando proposições ideológicas sobre questões referentes à economia real.

Esta medida foi adotada, especialmente, com dois objetivos: o primeiro é impedir a valorização irreal dos ativos financeiros (ou seja, uma "bolha); o segundo, e mais importante, impedir a apreciação demasiada da moeda nacional, o real.

O primeiro objetivo é mais ou menos fácil de explicar o seu intento: com a taxação a rentabilidade diminui, diminui a entrada de capitais externos e a quantia disponível daqueles que assim mesmo aplicarem. Menos valores envolvidos, pela lei de oferta e demanda o preço dos ativos financeiros também cai.

Estavam começando a se perceber sinais visíveis de uma valorização excessiva destes ativos, em especial as ações listadas em bolsa de valores. Com esta medida se dimuinui o espaço para especuladores.

Mais importante, porém, é impedir a valorização excessiva do real.

Quando um investidor externo internaliza capitais no país, o Banco Central obrigatoriamente troca as divisas externas por moeda nacional - real. Obviamente, existe um preço que o Bacen paga por estes dólares, ou euros. Chama-se taxa de câmbio.

Com a entrada excessiva de moeda estrangeira, pela lei da oferta e da demanda o preço do real - que se mantém constante e, relativamente, mais escasso - sobe. Ou seja, a moeda estrangeira se torna mais "barata", obtendo uma menor quantidade de reais por unidade de medida.

Quais as consequências deste fenômeno ? Basicamente duas: o aumento das importações pela diminuição do preço em real e a queda das exportações pelo seu preço maior em moeda estrangeira.

A indústria brasileira perde competitividade tanto no mercado interno quanto no externo, e em último caso pode levar à desindustrialização da economia. Por outro lado, o câmbio apreciado é uma forma de controlar a inflação, pois melhora a competitividade do produto importado.

Por outro lado o governo precisa "esterilizar" estes dólares lançando títulos públicos no mercado a fim de não aumentar a quantidade de moeda em circulação, na mesma proporção da entrada de capitais externos. Para isso ele paga juros aos tomadores destes títulos, elevando a dívida pública.

Lembro aos meus 25 leitores que os dólares comprados pelo Bacen são remunerados no mercado internacional a uma taxa bem mais baixa que a paga internamente pelo Governo. Ou seja, há perda real de dinheiro, que poderia ser utilizado em outros fins.

Alternativamente à taxação o governo poderia reduzir a taxa de juros básica de forma a tornar as aplicações no país menos interessantes para os agentes internacionais, mas aí precisaria de condições políticas para "enquadrar" o Bacen. Hoje, isso não existe.

Voltarei ao tema proximamente, mas quero deixar a mensagem de que é uma medida importante e necessária.

Gilmar Mendes, um Fanfarrão - II

Mais duas do auto-proclamado Presidente do Brasil, Gilmar Danta... ops, Mendes.

Primeiro ele dá declarações dando conta que "o Presidente Lula e Dilma Roussef estão em campanha, é meu papel coibir isso".

Vamos por partes.

Primeiro é preciso separar o que é campanha do que é governo. Esta questão é bem difusa hoje em dia, e não é culpa do Presidente Lula, da Dilma, do FHC ou de quem quer que seja. A legislação é ruim. Ponto.

Agora, eu não vejo o magnânimo presidente do Supremo Tribunal Federal, magistrado supremo da nação e que deveria dar exemplo de isenção e imparcialidade condenar por exemplo os comerciais em rede nacional que a Sabesp anda fazendo. A empresa de abastecimento de água paulista, estatal estadual, somente atende ao estado de São Paulo. Mas faz propaganda no horário do Jornal Nacional - o espaço publicitário mais caro do país - com claro objetivo de alavancar a popularidade do Governador José Serra.

Isto ele não vê.

Segundo: o mesmo "magistrado" deu declarações no sentido de que toda a culpa pelos incidentes do último final de semana aqui no Rio de Janeiro é do Governo Federal !

Evidente que precisa haver um melhor patrulhamento das fronteiras e repressão ao tráfico de armas e drogas, mas daí a fazer uso claramente político dos lamentáveis incidentes vai uma grande distância. Aliás, devemos nos lembrar que a Justiça, de cujo poder o Sr. Gilmar Dant... ops, Mendes é o máximo representante, soltou diversos traficantes de drogas cariocas sem se sensibilizar com os recursos em contrário.

A questão da violência só vai se resolver com uma série de políticas: polícia para quem precisa, emprego como opção de vida digna, leis mais adequadas.

Aliás, não deixa de ser irônico ver o Doutor Mendes dizer isso hoje. O velho Brizola dizia exatamente a mesma coisa nos Anos 80 e era tachado de incompetente e "protetor dos bandidos". O que ele dizia ? Que o Rio de Janeiro não produzia armas nem drogas, que deixavam chegar no estado...

Também não me lembro de ver o STF protestando quando do lamentável comportamento do Presidente Fernando Henrique Cardoso no episódio da anunciada intervenção federal no Espírito Santo, em 2002.

A verdade é que, infelizmente, houve uma partidarização do Supremo, empreendida por seu presidente. A instância máxima do Poder Judiciário brasileiro hoje é braço auxiliar de PSDB/DEM. Mas quem fiscaliza o Supremo ?

Reforma Judiciária já !