terça-feira, 7 de junho de 2011
Branca de Neve, versão atualizada
domingo, 15 de maio de 2011
Era Uma Vez Um País (por Milly Lacombe)
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Teoria da Massa Cheirosa
A "Teoria da Massa Cheirosa" ganhou este nome graças ao comentário de uma famosa jornalista de um dos grandes veículos da imprensa decadente deste Brasil, que cunhou o termo para designar os partidários de determinado candidato a presidente no ano passado. Nada muito diferente do Brigadeiro Eduardo Gomes, que em 1950, candidato a Presidente, disse que não queria "o voto dos marmiteiros", em referência à nascente classe trabalhadora industrial. Obviamente, perdeu a eleição - levando uma surra de Getúlio Vargas na ocasião.
A teoria em questão prevê regras de convivência estrita em sociedade de forma a atender os requisitos de todos aqueles que, ainda que a maioria apenas em discurso, passam quatro férias ao ano no exterior, somente se hospedam em hotéis "cem estrelas" e que consideram Dubai a Meca da socieddade moderna. Também frequentam revistas de sociedade e não saem dos Jardins Paulistas ou do circuito "Barra-Ipanema-Leblon" no Rio de Janeiro.
Esta teoria política da mais alta estirpe pode ser dividida em doze pontos principais, os quais reproduzo abaixo. É um guia bastante adequado de vida em sociedade.
Cláusula 1 - todos os pobres que não sejam empregados domésticos deverão ser sumariamente fuzilados - pelo Exército - a fim de tornar "mais bonita" a paisagem. Por "pobre" entendam-se todos aqueles que não moram nos bairros denominados como "dignos" à "República da Massa Cheirosa" e que não tenham um determinado patamar de renda declarada mensal.
Cláusula 2 - os pobres preservados a fim de trabalharem como empregados domésticos terão como salário duas mariolas, um vale transporte e um muda de roupa bianual. Deverão trabalhar 20 horas por dia e baixar a cabeça sempre que necessitarem falar com seus patrões através de um biombo. Magnanimamente, os chefes concederão uma dieta diária de 500 calorias aos pobres que tiveram a vida poupada para trabalhar nas casas destes.
Cláusula 3 - não haverão escolas no país. Os filhos deverão ser comprados prontos nos Estados Unidos ou em caso de reprodução nativa então mandados para estudar em centros como Oxford, Sorbonne ou Yale.
Cláusula 4 - o serviço de saúde terá como prioridade a medicina plástica e a biotecnologia. Será feita uma licitação internacional para a escolha de um plano de saúde único aos habitantes do Brasil - e quem oferecer a maior comissão levará o contrato.
Cláusula 5 - os únicos programas sociais serão o "Bolsa Botox", o "Minha Tucson, Minha Vida" e o "Vale Dubai".
Cláusula 6 - todos os bens de consumo serão trazidos do exterior - afinal de contas tudo que é importado é melhor. As importações serão pagas com a receita da venda do petróleo do pré-sal às empresas americanas.
Cláusula 7 - o Judiciário do país terá uma única regra: quem tiver maior patrimônio declarado ganha a causa.
Parágrafo Único - o disposto acima não cabe caso uma das partes detenha segredos importantes do juiz em questão.
Cláusula 8 - A capital do país passa a ser Alphaville e Brasília será transformada em uma "Disneylândia" para políticos corruptos de todas as partes do mundo. O regime político será a monarquia "huckiana" absolutista - em grana. Não haverá Poder Legislativo. 17 de abril será a data nacional, em homenagem ao nascimento do Guia Mestre: Roberto Campos.
Cláusula 9 - as únicas funções do Estado serão convocar a seleção de futebol e assinar tratados internacionais. A mão invisível do mercado se responsabilizará por todas as demais ações necessárias.
Cláusula 10 - os banqueiros sempre tem razão.
Cláusula 11 - a imprensa é livre, desde que publique o que for de interesse dos representantes da massa cheirosa. Chimpanzés serão treinados para atuar nas redações.
Cláusula 12 - todas as questões omissas neste tratado serão resolvidas pela "mão invísivel" mais forte.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Chapeuzinho Vermelho, Os Três Porquinhos e a Churrascada
Uma de minhas grandes diversões nos últimos tempos tem sido contar as clássicas histórias infantis "com um toque de realidade", misturando-as, recriando-as e dando um toque de sarcasmo nos acontecimentos romanceados por Andersen e outros originalmente. O leitor pode pensar que é pretensioso, mas o que eu sei é que elas riem bastante.
Trago aqui uma das histórias que conto para elas: "Chapeuzinho Vermelho, Os Três Porquinhos e a Churrascada". Divirtam-se - ou não.
Era uma vez uma família que vivia feliz em uma casa na floresta. Eram a mãe e duas filhas. Uma delas era chamada de "Chapeuzinho Vermelho", porque sempre andava com um boné destes de marca da cor.
Chapeuzinho Vermelho tinha uma avó que morava do outro lado da floresta, já meio devastada pelos madeireiros, mas ainda bastante frondosa. Uma vez por semana ela levava quitutes preparados por sua mãe em sua motocicleta pelas alamedas do bosque.
- Chapeuzinho, está pronta ?
- Sim, mãe, já acabei de me maquiar !
- Não colocou aquela calça de funkeira não, colocou ? Sua avó não gosta nada disso...
- Não, mamãe, fica fria...
Chapeuzinho olha a cestinha de quitutes e pergunta à mãe:
- Acho que a vovó não vai gostar, ela reclamou que há muito tempo não come uma churrascada
- Faz mal à saúde dela, ela não tem querer
- Mãe, mãe, ela é sua mãe, não você...
- Vai, vai, ela deve estar esperando.
A menina pega a cestinha, seu capacete vermelho e o facão - para se defender dos lenhadores e suas motosserras - e subiu na moto para empreender o caminho. De uma casa à outra eram cerca de dez minutos em ritmo moderado. Entretanto...
A menininha, melhor dizer adolescente, tem uma idéia. Mais rápido que Sebastian Vettel, saca o facão e "zás trás!", os porquinhos, ou melhor seus pernis, lombinhos e carrés já estão devidamente acondicionados em seu bornal. Quando ela acaba de fazer isso, chega o lobo à procura dos três irmãos: a menina o convida para a churrascada que irá acontecer na casa da avó.
O lobo sobe na garupa da motocicleta e acompanha a menina em seu passeio rumo à casa de sua parente. Ele havia se atrasado porque precisou pegar todas as licenças no órgão ambiental para correr atrás dos porquinhos, então acabou chegando atrasado após a demolição das casas deles - as retro escavadeiras da prefeitura eram muito mais rápidas e eficientes. Vale lembrar que a menina avisou ao lobo que se ele ousasse algo contra ela ou comer a carne para o churrasco antes da hora iria acabar no espeto. Ela era braba...
Após o curto percurso, a menina chegou à casa da avó, onde ela e seu marido, o lobo, aguardavam ansiosos com o carvão já quente na churrasqueira. Ao descer da moto, o lobo dos Três Porquinhos e o lobo da história do Chapeuzinho Vermelho se olharam, se reconheceram e gritaram em uníssono:
- Meu irmão !
Eles haviam sido separados no nascimento por Andersen e jamais haviam se reencontrado. Bom, as lembranças eram boas mas os dois continuavam de estômago vazio...
Abraços de praxe, lágrimas "lobais", tulipas de cerveja esvaziadas e a vovó rapidamente prepara os porcos para a churrascada enquanto bebe caipirinha no gargalo da garrafa e ouve no MP3 player o mais novo sucesso da dupla sertaneja "Tadeu e Tadando".
Após preparados, limpos e temperados os porcos foram às mãos do churrasqueiro, o caçador. Ele havia ficado sem emprego por causa da mais recente lei ambiental e descolava uns trocados fazendo churrascos, virando lajes e abrindo poços artesianos na floresta.
Eles comeram os "Três Porquinhos" assados, fizeram uma grande festa e foram felizes para sempre. Bem, nem todos: pobres porcos..."
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Malandragem dá um tempo
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
O Reino dos Pneus
P.S. - Qualquer semelhança com fatos ou personagens reais é mera coincidência.
sábado, 19 de junho de 2010
Sobretudo
Amigo leitor, esta semana eu gastei mais tempo pensando sobre o tema da coluna do que teria gasto para escrevê-la. É que, em clima de Copa do Mundo, eu corria o sério risco de ser redundante como a bola e falar mais e mais sobre futebol.
A primeira questão, portanto, era escolher entre falar sobre o que todos estão falando (mas nem sempre todos querem ouvir, cansados que estão com o tema), ou tentar sair da rotina e ficar parecendo o único lunático sobre a terra que ignora a Copa.
Está certo, na semana passada o tema já foi a Jabulani mas, convenhamos, a bola era só uma desculpa para conversarmos um pouco sobre a vida. Ou, especificamente, uma forma de eu te contar, assim numa aparente despretensão, que estou envaidecido por ter assinado uma coluna dominical em um jornal de grande circulação.
Eu tenho guardada no bolso esquerdo do meu paletó uma listinha de temas sobre os quais eu gostaria de escrever na Sobretudo. É um pequeno lembrete, para que a coluna mantenha o nome e não acabe virando uma Sobre-a-mesma-coisa. Alguns desses temas caducam, de tanto que ficam amarelando no papelzinho. Coisas que eu li na internet, ouvi no rádio ou na tevê, ia comentar e o tempo passa até que percam a pouca relevância que tinham. Ou filmes que eu vi, iria recomendar e, antes disso, saem de cartaz. Ou livros que eu li e já me esqueci dos detalhes antes de resenhar.
Um desses temas que esperam na fila é a cidadezinha de Monte Verde, onde eu passei minha lua-de-mel há menos de um mês. Pensei nisso hoje, ao me sentar para escrever a coluna. Mas as fotos não estão à mão, e eu realmente já preciso delas para não permitir à minha frágil memória deixar passar algum detalhe que eu teria que escrever posteriormente, numa coluna sobre a corrida espacial, por exemplo, e o leitor teria certeza de que eu caduquei de vez.
Mudei o tema novamente para o futebol, com outro enfoque, falando um pouco dos vários erros que eu gostaria de comentar, dentro e fora de campo, da Copa ou da administração esportiva. Mas, antes de chegar à metade, recebi o texto que reproduzo abaixo.
O texto foi escrito pela minha esposa, e me fez retornar aos dias de Monte Verde. Não pedi licença a ela para mostrar para você, leitor. Mas eu fiquei tão tocado pelas palavras dela que talvez ela se convença quando eu disser que foi o meu modo de poupar o tempo de escrever a coluna para ficar mais tempo ao lado dela. Mas, aqui entre nós, não foi só por isso ou por preguiça de escrever que eu resolvi reproduzir o texto dela. É porque eu posso estar sendo acometido de corujice, mas eu sinceramente acho que é ela, e não eu, a escritora da família.
Sendo assim, divido com você as impressões dela sobre se casar de novo, bem como a minha emoção ao ler o que ela escreveu:
“Casar de novo pode ser sua maior vitória.
Meu marido corta o pêlo da barba na pia do banheiro: a pia e o chão do banheiro ganham, toda manhã, desenhos abstratos feitos de pequenos pelos vermelhos que insistem em grudar no meu pé (só ando descalça em casa e sempre termino com coisas estranhas entre os dedos). É tão peculiar que merecia ser instalação da Bienal.
Eu tenho mania de limpeza.
Minha cachorra, toda vez que não posso (ou não quero) dar carinho a ela, em ato de protesto, faz xixi pela casa. Daqueles inspirados.
Ele, até pouco tempo, dizia que cachorro só de longe.
Ele tem um filho, que a cada férias, passa uns dias com a gente.
Eu, até ontem, gostava de visitas a cinco quarteirões de distância.
A família dele é pequena, pai, mãe e filho, por isso adora amigos, muita gente e 500 mil amigos no orkut e afins.
A minha é grande, cheia de cunhados, pimpolhos e agregados, por isso eu tenho tendência à solidão, adoro privacidade
Ele ama shows, futebol e lugares cheios.
Eu, televisão, livros e se não for estimulada a sair, viro tatu.
No carro, ouve de John Pizzarelli a João Bosco,uma verdadeira confusão.
Eu ouço Nirvana, o Rappa e afins.
Tínhamos tudo pra dar errado. Mas damos certo.
Tínhamos tudo para nem pensarmos em uma vida em comum, mas ambos trazem algo em si que nos fez rir das (aparentemente) problemáticas diferenças e construir uma deliciosa vida juntos: estamos no segundo casamento, ops, no caso dele no terceiro.
A vitória da esperança sobre a experiência? Pode até ser, mas prefiro acreditar que se trata mais de ter aprendido, com o dia-a-dia, que se ater a detalhes dissonantes é um atalho bom à beça pro precipício. Viver com alguém é muito mais do que compartilhar experiências passadas comuns: é ter o desejo quase incontrolável de ter experiências futuras comuns. Não é pensar ter encontrado quem louve tudo o que amamos e odeie tudo o que desprezamos - isso é narcisismo, não casamento. Estar casado é respeitar os maus humores, deixar passar comentários sabidamente imbecis ou atitudes impensadas. É gostar de acordar ao lado (eu que odiava viver grudada), respeitar o desejo de solitude ocasional (e não tomar isso como uma confissão de repulsa). Estar casado é saber a hora de prestar atenção e o momento de se fingir de morto.
O segundo casamento é mais leve, apesar de ambos terem mais carga.
Traz os medos de repetir os erros do primeiro, mas também a vontade de não cometê-los. Aumenta a maleabilidade e diminui a petulância. Dá a dimensão exata do que é compartilhar a vida com alguém - e também a de que a mesma não acaba se essa pessoa for embora. (espero que não!!! rs)
O segundo casamento ri de si mesmo porque sabe que é bem melhor do que chorar ou xingar.
Ele carrega o know-how do primeiro e preserva a inocência do pra sempre.
Jamais me casei pensando em me separar. Não somos obrigados a acertar de primeira, e não é nenhum demérito tentar de novo. Não é nenhum pecado ser feliz, mesmo se a pessoa que viveu conosco ainda acreditar piamente nisso.
O segundo casamento me deu a lição que me fez uma mulher menos encanada e briguenta (com exceção à TPM) e muito mais zen: se ele solta pêlo, bem que eu posso calçar os chinelos.
Ser feliz, no final das contas, não é questão de sorte ou azar. É questão de perspectiva."
sábado, 22 de maio de 2010
Sobretudo
“...É o Amor
Que mexe com minha cabeça e me deixa assim
Que faz eu pensar em você e esquecer de mim
Que faz eu esquecer que a vida é feita pra viver
É o Amor
Que veio como um tiro certo no meu coração
Que derrubou a base forte da minha paixão
E fez eu entender que a vida é nada sem você...”
Esses versos do Zezé di Camargo soam simplórios aos mais refinados. Uma música que fala tão diretamente de amor, que usa palavras e formas simples para descrever este sentimento, que é um declaração tão derramada, bem pouco elaborada, quase crua, talvez não tenha atributos para invadir o olimpo das clássicas canções da MPB, que abriga letristas que já trataram do mesmo tema com delicadeza, fina ironia, intensidade, riqueza, contraste e erudição.
Acontece que a música do Zezé (e do parceiro Carlos Cézar, sempre omitido, coitado) tornou-se um ícone da canção popular brasileira e, se não está em nenhum panteão, fixou-se no imaginário do País. Recebeu até um chamego da “self-called inteligentzia” nacional, ao ser regravada pela cotadíssima voz de Maria Bethânia.
Foi o irmão mais velho de Bethânia, Caetano, quem mais vezes resgatou canções do limbo brega - desde Odair José, passando por Peninha e Marcio Greyck - e traduziu em sua voz a pureza e a simplicidade do amor cantado de forma crua e direta.
Mas foi uma composição própria de Caetano, Sampa, que ajudou a relativizar em mim os eventuais problemas das mudanças que temos que impor às nossas vidas quando queremos realmente buscar a felicidade. O meu problema é que a minha felicidade residia em São Paulo, e eu, no Rio. E hoje, mais de dois anos depois de eu ter superado estes 400Km que me distanciavam da grande metrópole bandeirante, eu devolvo ao Caetano e aos paulistanos o meu jeito de ter aceitado Sampa em forma de releitura:
“Alguma coisa acontece no meu coração
Que dá quando eu cruzo a Paulista com a Consolação
É que quando eu cheguei por aqui já eram outros tempos
São Paulo ditava ao Brasil a mudança dos ventos
E eu vim com a certeza de ter os mais doces momentos
Mas foste um difícil começo, fui pra frente aos tropeços
Apostando na felicidade
E, então, aprendi a chama-la de realidade
Porque és o acerto do acerto do acerto do acerto.”
E foi assim que eu coloquei as tralhas dentro do carro e cruzei a Dutra. Tantas pessoas têm um relacionamento real e buscam um amor de sonho. Eu tinha um relacionamento de sonho e buscava um amor real.
São Paulo, como é sabido, é uma cidade, a um só tempo, mais cosmopolita e mais caipira. Daí que é possível ouvir pelo ar tanto a última tendência das pistas de Ibiza quanto o “É o Amor”. E nem precisa ser a versão da Bethânia, aqui em Sampa se ouve com o Zezé di Camargo mesmo.
Eu conheci a Mara no ano em que “É o Amor” foi lançada e explodiu em sucesso nacional a partir das rádios paulistas. Nunca foi nossa trilha sonora particular, mas era impossível não ouvi-la em todos os lugares.
Teria sido mais simples e direto ter capitulado de vez ao amor que eu senti desde a primeira troca de olhares. Sim, existe amor à primeira vista. (Até então, eu não acreditava.) Nós não nos encontramos: nos reconhecemos. E ardemos numa paixão cuja chama era tão intensa que ofuscava qualquer resto de razão. E isso assusta. Mas se eu tivesse ouvido melhor a música do Zezé... afinal, o primeiro verso é:
“Eu não vou negar que...”
Pois é, eu neguei. E me dei mal. Depois do breve idílio, foram 14 anos sem nenhum contato. Durante este tempo todo, claro que a vida seguiu, às vezes com grandes alegrias, às vezes com dificuldades, mas mesmo nos melhores momentos havia uma sensação de que faltava algo, um querer-de-poço-sem-fundo, uma insatisfação latente. Eu sabia que a vida tinha um sabor a mais para eu provar que eu já havia sentido antes.
Mas depois de ter voltado para o Rio de Janeiro, parecia impossível retomar aquela história. E a vida seguiu na base de fazer do possível o ideal, como quase sempre acontece a quase todos.
Até que eu aprendi na pele o que chamam de mudança de paradigma. A reaproximação que parecia impossível devido à distãncia e ao tempo, tornou-se novamente viável. É que no tempo do “É o Amor” não havia internet. Passou a existir, não só a internet como principalmente o Orkut.
E assim, espantados, descobrimos que o que um sentia, o outro havia sentido sincronicamente, apesar de tempo e distância. E que, mais que lembranças, ainda havia paixão nos corações de ambos. E que o ‘É o Amor” ainda fazia sucesso.
A primeira troca de e-mails já deu sinais de que havíamos seguido em caminhos paralelos, um em cada calçada, em lados opostos da mesma avenida. O reencontro seria inevitável, e aconteceu numa cena cinematográfica, no saguão do Aeroporto de Congonhas, sob o olhar espantado de uma vaquinha colorida da Cow Parade.
Depois, a dificuldade de retomar uma relação que havia sido interrompida abruptamente, costurar de novo a confiança, fazer da paixão uma coisa sólida e concebível na vida de cada um. Superar os senões e, principalmente, os tais dos 400Km de Dutra. Até que a saudade foi mais forte que o juízo, e aqui estou eu há dois anos.
A história só não teve um final feliz exatamente porque não teve um final. É uma história feliz, continuamente feliz. É A história da minha vida, e ela continua acreditando que também é A história da vida dela.
Hoje, sábado, precisamente no momento em que o leitor estiver lendo este meu texto (por favor, contribua, leia às 10 da manhã), eu estou casando com a Sra. Mara Silva. Bem, já estávamos casados faz tempo. Mas estamos agora assinando uns papéis, tornando oficial nossa vontade de viver uma vida em comum até passar a saudade destes 14 anos longe um do outro. E, pelo jeito, uma vida vai ser pouco para nós.
Diz a piada popular que o segundo casamento é a vitória da esperança sobre a experiência. No nosso caso, é a vitória do amor sobre as circunstâncias. E a vitória do simples sobre todas as profundas considerações e ponderações que poderiam ser feitas, e que certamente nós fizemos. Até que um dia, eu coloquei tudo no carro e dei um salto no escuro. E o medo virou vontade, e as dúvidas viraram certeza. E hoje, amigo leitor, é o dia de celebrar esta história. Hoje é o dia de comemorar, porque é o dia mais feliz da minha vida.
E já que começamos a coluna com uma música romântica, permita-me concluir com uma mensagem bastante pessoal. Se você quiser, bravo leitor, tome emprestado também a letra abaixo e dedique-a a alguém especial. Se for alguém que realmente mereça, acredite, vale à pena até cantar no ouvido.
É só fazer, como nas melhores canções de amor, da maneira simples e direta. Diga bem baixinho no ouvido da pessoa amada:
Mara, esta é pra você (por favor, use outro nome, caro leitor). E cante desafinado mesmo:
“Você foi o maior dos meus casos
De todos os abraços o que eu nunca esqueci
Você foi dos amores que eu tive
O mais complicado e o mais simples pra mim.
Você foi o melhor dos meus erros
A mais estranha história que alguém já escreveu
E é por essas e outras que a minha saudade
Faz lembrar de tudo outra vez.
Você foi a mentira sincera
Brincadeira mais séria que me aconteceu
Você foi o caso mais antigo
O amor mais amigo que me apareceu
Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim outra vez.
Esqueci de tentar te esquecer
Resolvi te querer por querer
Decidi te lembrar quantas vezes eu tenha vontade
Sem nada perder.
Você foi toda a felicidade
Você foi a maldade que só me fez bem
Você foi o melhor dos meus planos
E o pior dos enganos que eu pude fazer
Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim outra vez.”
quinta-feira, 6 de maio de 2010
A fábula do cachorro sem dono
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Histórias do Carnaval
3 - O desfile para a Candelária
4 - Harmonia ou Flanelinha ?
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
De volta ao centro
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Da série "peça de ficção": 35 mil doletas
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Crônica: Encontro Marcado
"Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio de Janeiro. Sexta feira à tarde. Trânsito engarrafado, como de hábito, em direção ao Túnel Rebouças.sábado, 17 de outubro de 2009
Crônica: teatro na escola
Em 1988, eu fiz a oitava série, que era a última do antigo Primeiro Grau, como bolsista no Colégio Anglo Americano, na Barra da Tijuca. Era no tempo em que a Barra era quase deserta, ainda. A Avenida das Américas, onde ficava - e fica ainda hoje - o colégio, era quase um ponto isolado, junto com o suprermercado Freeway, naquela imensidão.
Segue o texto:
"O ano era 1988. A série, oitava, última do antigo Primeiro Grau.
Sinceramente até hoje não sei se ela se empolgou com o público e quis dar realismo à cena ou se acabou errando no fingimento e acertou de verdade.
Desci para a coxia, intervalo para o segundo ato, muito aborrecido. Estava com as costas completamente vermelhas e, confesso, muito puto. Minha vontade era trocar de roupa e ir embora, mas fui dissuadido a ficar. Da coxia, acompanhei o segundo ato.
Voltei ao palco, ainda vermelho e com dor, para os aplausos. Tudo correu excelente na apresentação e fomos muito elogiados. Acho que eu era o único a não sorrir. Nem dava, estava com uma dor...
Pelo menos ganhei um pedido de desculpas e um beijinho de Fernanda. Para um garoto pobre e feio como eu, era a glória. No final, tudo acabou bem.
Hoje recordo com saudade, mas custei a ficar contente na ocasião. Ainda mantenho contato ocasional com alguns colegas de turma, principalmente através do Orkut - algo que me deixa muito satisfeito. Principalmente porque, hoje, não fico nada a dever a nenhum deles. Venci.
Quanto à chicoteadora, perdi completamente o contato. Nunca mais vi. Entretanto, acredito que continue uma bonita e inteligente moça, como era."
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Página Virada
Como escrevi em post anterior, sábado era dia de acertar contas com o passado. E isso me motivou a largar o conforto do pay per view e voltar ao Maracanã, apenas pela segunda vez este ano - a outra ocasião tinha sido a final do Ruralito contra o Botafogo.
Antes, bastante trabalho: shopping, levar a esposa e as filhas em Ipanema e, aí sim, rumo ao Maracanã.
Cheguei por volta de cinco e dez, estacionei no prédio da Petrobras próximo e rumei à bilheteria. Pouca gente, mas com um "curral" para a compra de ingresssos que, em um jogo mais cheio, vai dar problemas. Sábado foi rápido.
Encaminhei-me para as cadeiras azuis e uma surpresa: pela primeira vez em 30 anos, não vi um único ambulante nas cercanias do estádio. Mais um efeito da operação choque de ordem. Aliás, concordo que se deve disciplinar, mas, uma vez mais, se pune apenas quem trabalha.
Outro ponto negativo, mas que falarei em outro post, é a proibição da venda de cerveja nas cercanias e dentro do estádio. Caso clássico de "tirar o sofá da sala."
Cheguei às cadeiras inferiores e ainda vi boa parte do segundo tempo da preliminar, América e Cardoso Moreira, pela Segundona aqui do Rio. Vitória do América.
Aproxima-se o início do jogo e eu estava bem nervoso. Eram cinco anos de espera. Além disso, tal qual 2004, o Santo André ganhou o sorteio e inverteu o lado do campo. Detesto quando isso acontece.
O time facilitou meu coração. Fez um gol logo no início e manteve-se no ataque. Porém logo recua e a hora em que o adversário pressiona... cai a luz de parte dos refletores e jogo interrompido. Na volta, pênalti e segundo gol.
Intervalo. A vingança está se consumando.
No início do segundo tempo, o time sente o esforço do primeiro tempo e os efeitos da balada constante, cai um pouco o ritmo. Mas, aos poucos, retoma o controle do jogo, com boas atuações de Petkovic e Zé Roberto - chamado o tempo todo de "Zé Boteco" pela torcida.
Final de jogo, lançamento primoroso de Rafael Galhardo - grande promessa - Pet bagunça os adversários e Zé Boteco, no rebote, fecha a conta e passa a régua: três a zero. A Nação estava vingada.
Saída tranqüila, ainda abasteci o carro no Posto Escola, chegada sossegada em casa. O oposto de 2004.
Certos jogos não valem títulos, mas alcançam tal patamar para o torcedor. São Paulo em 82, Fluminense em 86 e Fortaleza em 2005 estão neste caso, só para citar jogos onde eu estava no estádio. Sábado entrou neste rol. Finalmente, me sinto vingado daquela maldita noite.
Ainda quebrei um tabu de quatro anos sem ver o time vencer ao vivo em Campeonatos Brasileiros, desde o citado contra o Fortaleza. Tá certo que foram três jogos, mas... as vitórias que vi foram em outras competições.
Página virada.













